julho 22, 2010

Professores bibliotecários: a precária identidade no desencanto da realidade

O título que encima este texto fui propositadamente recuperá-lo a um trabalho que realizei em 2002 e 2003 e concluí em 2004. Nele pude concluir que aos professores bibliotecários é reconhecido um papel determinante em todos os aspectos relativos ao desempenho e à dinâmica das bibliotecas escolares: a sua afirmação no seio de cada estabelecimento de ensino; o seu contributo para a criação de hábitos de leitura e para a promoção da literacia; a sua importância na aplicação de metodologias educativas mais activas e centradas no aluno em articulação com os docentes da sala de aula; resumindo, a sua qualidade como centro educativo e documental dentro da escola.

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abril 26, 2010

Os perigos da leitura I

Leitura = - memória

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Os perigos da leitura II

Leitura = + divórcios

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Os perigos da leitura IV

se os portugueses tivessem tomado a atitude de serem razoáveis e começado a ler, o que seria deste país, o que seria do seu sistema de saúde, o que seria do seu sistema educativo, o que seria das inter-relações pessoais, o que seria da sua identidade cultural e, finalmente e acima de tudo, o que seria da “Liga dos Últimos”?
E este é o quarto perigo da leitura: contribuir para a descaracterização da identidade cultural e o bom relacionamento entre os portugueses.
Voltaremos a este assunto!

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abril 19, 2010

Os perigos da leitura III

Leitura = - respeito pelos livros
Já em 1986 Miguel Esteves Cardoso procurava debalde alertar os portugueses para a o perigo que a leitura em Portugal representava para a dignidade dos livros. Disse ele, então, que "os analfabetos ainda são os que mais se interessam pela leitura propriamente dita. Como não sabem ler, os livros têm para eles um mistério e uma dignidade que só os bons leitores ainda lhes atribuem".

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abril 06, 2010

Learning experiences involving school librarians, teachers, public libraries and parents

1. Background

In a global economy, where knowledge plays a crucial role in the economic and social development, the traditional way reading and learning were considered are no longer valid as curricula were conceived as merely instrumental, which means they were based upon theory and abstract knowledge rather than effective use of skills.

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agosto 10, 2009

Professor bibliotecário: um percurso de mérito ou apenas o mérito de um percurso?

Palavras-chave: professor bibliotecário; bibliotecas escolares

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maio 15, 2009

Da candidatura de mérito ao percurso de mérito

PALAVRAS-CHAVE: BIBLIOTECAS ESCOLARES, RBE, CANDIDATURA DE MÉRITO, PROFESSORES-BIBLIOTECÁRIOS

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abril 25, 2009

COLABORAÇÃO E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS: UM EQUÍVOCO PARA ALÉM DAS BIBLIOTECAS ESCOLARES

Palavras-chave: professor-bibliotecário, colaboração, trabalho colaborativo, currículo, bibliotecas escolares

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março 23, 2009

Avaliar a qualidade das bibliotecas escolares: do paradigma da performance ao autoconhecimento

Palavras-chave: bibliotecas escolares; avaliação; qualidade; indicadores de qualidade; reflexão; autoconhecimento; rede de bibliotecas escolares

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março 09, 2009

Avaliar a qualidade da biblioteca escolar

Palavras-chave: bibliotecas escolares; avaliação; auto-avaliação; qualidade; colaboração; rede de bibliotecas escolares

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Collaborative teaching, reading and literacy

Key-words: school library; school librarian; reading; literacy

Collaborative teaching, reading and literacy
Promoting reading and literacy: one’s too short, two is good, three is even better

In Portugal, students read very little and a significant part of them has great difficulties in dealing with written information. The national and international student assessments regularly situate Portugal at the lowest levels of students’ performances. This means that in Portugal everything is still to be done in what concerns reading and literacy. The problem doesn’t have an easy answer but two of the main reasons are in the poor investment in school libraries and the absence of collaborative teaching.
In fighting illiteracy and promoting reading habits, school libraries should take the lead and try to evolve three distinct groups: teachers, students and families. Organising regular reading sessions with students and parents, making books and reading a constant presence in the classroom and at home, using e-technologies to promote reading and writing or publishing a school newspaper are only some examples of what school libraries, teachers, students and families can do together in order to develop literacy and reading in Portugal.

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março 08, 2009

THE SAD STORY OF ZERO POET

Key-words: school library; school librarian; reading; ITC

As a school librarian for the last 15 years, reading has always been at the top of my concerns. But I must admit that I have failed all the way through as far as promoting reading is concerned. In Portugal, the whole population in general and students in particular have never read so little as now.

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outubro 26, 2008

Bibliotecas escolares: (auto)avaliação, efeito de túnel e a morte do génio

Palavras-chave: bibliotecas escolares; centro de recursos educativos; coordenador; professsor bibliotecário; avaliação

Ao sistema de auto(avaliação) das Bibliotecas Escolares podem naturalmente ser apontadas algumas virtudes pelas alterações positivas que nelas podem introduzir. Há, no entanto, alguns efeitos potencialmente perversos a que importa estar atento.

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outubro 03, 2008

O ser e o parecer das BE

Palavras-chave: bibliotecas escolares; centro de recursos educativos; coordenador; professsor bibliotecário

Nas minha reflexões sobre as BE procurei sempre evitar considerá-las isoladamente, mas integradas no sistema de ensino, em particular, e na sociedade em geral.

Lembro-me, a este propósito, de alguém que disse que o barroco não é, na sua essência, um período da arte em concreto, mas uma característica de todos os finais de cada período artístico. Ou seja, todos os finais dos períodos artísticos são barrocos. São barrocos porque caem no exagero, na hipérbole, no descontrolo.

No caso das BE, antecipo o seu barroco. Decorridos estes 12 anos, o essencial parece estar feito. A instalação física das BE está em fase de conclusão e, sendo esse assumidamente o objectivo primeiro que presidiu à criação da RBE, as ideias parecem começar a escassear. E normalmente isso é perigoso pois a probabilidade de o número de disparates aumentar sobe exponencialmente. Este é o princípio por detrás da burocracia: inventa-se o modelo 32-B para justificar o emprego do director que perdeu o seu chefe de serviços porque despediu o chefe de secção que teve de colocar na lista de disponíveis o chefe de núcleo que ficou sem trabalho para o assistente administrativo especialista que coordenava.

Não pretendo com isto criticar o meritório trabalho feito sobretudo pelos colaboradores da RBE. O que fizeram foi bem feito, mais não seja porque fizeram aquilo que lhes era pedido. Os docs estruturantes que estimularam as BE a produzir (regulamentos internos, planos de acção, manuais de procedimentos, normas de conservação e restauro, políticas de desenvolvimento da colecção...) são indubitavelmente fundamentais. Mas a questão que se coloca é se esses docs resultaram de uma necessidade sentida, de uma reflexão feita e cumpriram os seus objectivos ou se foram o resultado da cada vez mais comum prática do copy-paste. Também eu conheço muitos Projectos Educativos, cuja metodologia de concepção foi o prolixo copy-paste. E estamos só a falar do documento teoricamente mais significativo na autonomia das escolas!

Também a(auto)avaliação das BE corre o sério risco de ser dominada por esta profícua estratégia que transforma péssimos conceptores em extraordinários executores. Se algum coordenador me questionar sobre sites onde possam encontrar definidos objectivos individuais, a melhor sugestão que posso dar é o site da RBE.

O problema de fundo está, pois, no evidente paradoxo entre o que se diz e o que se faz: diz-se que as BE são essenciais no seio de cada estabelecimento de ensino mas no progressista Decreto-Lei da gestão das escolas as BE não merecem mais do que uma envergonhada referência como estrutura técnico-pedagógica com que as escolas podem (ou não) contar. À semelhança do que aconteceu há 10 anos atrás no 115-A! Contra factos não há argumentos.

Logo que o gabinete da rede seja extinto, vai ser o regabofe e, mais uma vez, o festim será das aves de rapina que, de resto, já podemos ver a rondar.

Talvez o que eu digo não seja verdade, oxalá não seja profético.

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maio 08, 2008

Avaliação da Biblioteca Escolar: how high are standards?

Palavras-chave: bibliotecas escolares; centro de recursos educativos; coordenador; professsor bibliotecário; avaliação; gestão

A avaliação está na ordem do dia. Avalia-se a administração pública, avalia-se a eficácia das mais variadas medidas, avaliam-se as escolas, avaliam-se os professores, avalia-se, até, a avaliação. E avaliam-se, claro, as Bibliotecas Escolares.
Qualquer avaliação é feita tendo por base metas definidas e objectivos a atingir, que podem ser mais ou menos objectivamente mensuráveis. Mas os resultados obtidos serão sempre condicionados pelos padrões definidos a priori. Daí que possamos, com toda a propriedade, questionarmo-nos relativamente às Bibliotecas Escolares: how high are standards?

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março 21, 2008

A competência leitora

Palavras-chave: bibliotecas escolares; centro de recursos educativos; coordenador; professsor bibliotecário; leitura; competência leitora; literacia

Pela sua complexidade, a leitura implica, naturalmente, diferentes processos, designadamente cognitivos e linguísticos, mas também motivacionais. Logo, a leitura resulta de inúmeras competências que têm de ser adquiridas e regularmente praticadas.

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A aprendizagem da leitura

Palavras-chave: bibliotecas escolares; centro de recursos educativos; coordenador; professsor bibliotecário; leitura; literacia

A aprendizagem da leitura envolve, naturalmente, a compreensão do processo de leitura. E compreender os processos envolvidos no acto de ler passa, obviamente, pela abordagem de três componentes essenciais:
1- As fases de aquisição da competência leitora;
2- Os modelos de leitura;
3- As metodologias utilizadas na aquisição e desenvolvimento da capacidade leitora.

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fevereiro 05, 2008

Leitura: da aprendizagem à criação de leitores

Palavras-chave: bibliotecas escolares; centro de recursos educativos; coordenador; professsor bibliotecário; leitura; literacia

Quando falamos de leitura, há pelo menos duas perspectivas que temos de encarar: a sua aprendizagem, por um lado, e a criação de hábitos leitores, por outro lado. Se é verdade que da primeira depende claramente a segunda, não é menos verdade que sem a segunda a primeira ficará para sempre amputada. Numa e noutra importa perceber qual é o papel da Biblioteca Escolar.

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dezembro 21, 2007

Citações sobre Bibliotecas Escolares

Neste espaço irão ser colocadas citações sobre Bibliotecas Escolares. Não as citações dos grandes pensadores sobre Bibliotecas (essas encontram-se por aí, um pouco por todo o lado), mas as daqueles que dia-a-dia trabalham e vivem a sua Biblioteca Escolar.

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maio 20, 2007

Organização e gestão da Biblioteca Escolar

Palavras-chave: bibliotecas escolares; centro de recursos educativos; coordenador; professsor bibliotecário; gestão

Gerir é, segundo a definição mais corrente, a arte de conduzir uma organização, com vista ao cumprimento da sua missão e objectivos que deve cumprir.

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fevereiro 16, 2007

Aventuras sem fim numa escola de Abrantes

Nove horas da manhã. Numa isolada escola em Abrantes, um grupo de vinte indolentes alunos enfrentam um difícil desafio: construir uma história a partir de um tema que não escolheram e intimamente detestam. Quem se deu ao trabalho de pensar tão odioso tema, dificilmente conseguiria fazer pior: “Uma aventura numa cidade europeia”. A tarefa não é fácil. Àquela hora da manhã o corpo ainda pede repouso e a mente não se encontra totalmente desperta. Ainda assim, todos se esforçam por dar o seu melhor e tentar agradar ao professor que, de tão chato que é, chega a aborrecer-se a si próprio.
O professor olha-os de frente, eles pensativos, absortos, empenhados.
De repente, a agitação instala-se. Os aventureiros que os Franciscos inventaram encontram-se com os malvados da história dos Manueis e dá-se uma violenta batalha durante a qual, sem razão aparente, todos são volatilizados. Um pouco depois, o herói da história do Zé Maria dá de caras com a heroína do conto da Madalena e fica perdidamente apaixonado. Um amor impossível pois quando a Madalena entrega a folha ao professor a sua heroína desaparece para sempre, perdida no negrume duma mala escura. O Bruno hesita no nome que há-de dar à personagem principal: não tem a certeza se Gonçalo se escreve com um “ésse”, dois “ésses" ou um “cê cedilhado” e, por isso, dá-lhe o nome de Rui que sempre é mais fácil de escrever. A Andreia não sabe muito bem como há-se construir a sua história: talvez o melhor seja escrever uma aventura no Rossio ao Sul do Tejo que, sem ser uma cidade, sempre é uma aldeia europeia. Os Miguéis equivalem-se: o Serrano procura na casa-de-banho a inspiração que o Bastos encontra nas costas do Zé Maria que fita com inusitado interesse enquanto coça o queixo pensativo. Já a Lídia procura despertar a imaginação olhando à sua volta: de tanto rodar a cabeça arrisca-se a ter um torcicolo. O Zé Miguel, ao fundo da sala, acabou por acrescentar mais qualquer coisa à sua história inicial: mais precisamente, acrescentou trinta e duas linhas à linha com que se tinha proposto escrever a sua aventura. No final, a cansada caneta já se recusava a escrever. O André procurou despachar a coisa rapidamente: quanto menos escrever memos erros dá. Se faltarem pormenores, o leitor, nome momentâneo do professor, que os imagine. A Filipa, concentrada, pensa na melhor forma de levar o trabalho até ao fim pois as ideias não abundam. O Pedro conversa com a Madalena à procura de algumas sugestões que lhe permitam terminar a história. Por fim, dá-se por vencido e recosta-se à espera do pequeno-almoço. A Márcia, à falta de palavras, propõe-se substitui-las por desenhos: se tiver tempo até os pode pintar. Se o professor não gostar da história, talvez goste dos bonecos. O Rui vira as costas ao Zé Maria e enche a sua história de acontecimentos impossíveis. O José de Santiago preenche as suas aventuras com corridas na sua cadeira de rodas competentemente artilhada e invariavelmente acaba multado por excesso de velocidade. O Eduardo não dá troco a ninguém: de tão concentrado que está, os colegas chegam a temer que entre pela folha adentro e desapareça da sala.
Recolhidos os papéis, é tempo de voltar a casa e resignar-se a ler aqueles zelosos escritos. Procura sem fervor o texto que há-de justificar o abnegado esforço. Ao vigésimo papel o fervor inicial é já saudade e a vacuidade do gesto confirma-se mais uma vez. Limitar-se-á, de novo, a sublinhar com sanguínea cor as inconsequentes inexactidões, as enigmáticas afirmações ou as nefastas desordens e a ausente fantasia será assinalada com pontuados cavalos-marinhos suspensos no final da linha. No momento da devolução dos textos, os inúmeros fios de sangue que os pululam levarão os seus autores a pensar que, afinal, as histórias que escreveram com tanto desvelo foram feridas de morte e transformadas em sanguinários contos de terror por um psicótico professor. Na verdade, também ele já se esqueceu de quando tinha doze anos e escrevia esforçadas histórias sobre temas que não tinha escolhido e intimamente detestava.

Março 2004

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janeiro 28, 2007

Orvil od e memoh od alubáf

A propósito de livros, mais concretamente, de feiras que tratam da venda de livros que, dizem-me, servem para combater os paupérrimos hábitos de leitura da população portuguesa, não me parece descabido referir uma pequena história. É inventada mas poderia muito bem ser real ou é real e poderia muito bem ser inventada. Ou vice-versa, diria um futebolista.
As personagens são dois árabes, mas poderiam muito bem ser portugueses, o que de resto tornaria a história mais insólita e irreal por envolver livros, ou melhor, a leitura de livros.
O primeiro, que podemos imaginar mundano e quase civilizado, possui uma vasta colecção de livros, cromaticamente dispostos em simétricas estantes, regularmente acrescentadas. O critério da escolha que leva à compra é quase sempre cromático: 25 cm de vermelho divididos por um dicionário temático, dois livros de contos e uma antologia da moderna poesia do Médio Oriente. A extensão da colecção, indefinida mas certamente não infinita, não se mede em volumes mas pelo número de volumes por metro linear.
O segundo, que podemos imaginar aspirante a mundano e civilizado, pede emprestado ao segundo um livro que verdadeiramente não quer ler e que este também verdadeiramente não leu. Algum tempo depois, que pode ser um dia ou parte de um dia, o que pediu emprestado devolve ao que emprestou o objecto pedido emprestado.

Moral: aquele que empresta um livro é um idiota; aquele que devolve um livro que pediu emprestado é ainda mais idiota.

Nos tempos que correm, parece-me que o disparate é normal e o razoável é quase milagrosa excepção. No norte da Europa conspira-se: parece-me, creio, que pretendem civilizar-nos!

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janeiro 08, 2007

BE: Nutrimentum spiritus

A imagem da Biblioteca Escolar

Palavras-chave: bibliotecas escolares; centro de recursos educativos; coordenador; professsor bibliotecário; imagem; marketing

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outubro 29, 2006

As bibliotecas escolares e o papel do bibliotecário

As bibliotecas escolares e o papel do bibliotecárioBibliotecários escolares: a precária identidade no desencanto da realidade

Palavras-chave: bibliotecas escolares; centro de recursos educativos; coordenador; professor bibliotecário; bibliotecário escolar

O título que encima esta reflexão procura sintetizar uma questão central nas escolas actualmente: a importância do bibliotecário nas actuais bibliotecas escolares e o desencanto que caracteriza aqueles que, sem verdadeiramente o ser, desempenham as funções de bibliotecário escolar. Vale a pena aventar alguns paradoxos: é possível haver presidências sem presidentes? Há júris sem jurados? Há direcções sem directores? Não! Mas há bibliotecas escolares sem bibliotecários! Ou seja, no fundo, esta reflexão é sobre algo que verdadeiramente não existe, o que, convenhamos, não augura nada de bom.
O estudo que levei a cabo em 2003 e 2004 estava centrado nas bibliotecas escolares e no papel dos bibliotecários (coordenadores na terminologia oficial) e visava atingir os seguintes objectivos:

1- Avaliar as implicações da implementação do programa da Rede de Bibliotecas Escolares no desempenho das bibliotecas escolares e nas dinâmicas internas das escolas pertencentes à Direcção Regional de Educação do Alentejo.

1.1- Conhecer a realidade das bibliotecas das escolas básicas dos 2º e 3º ciclos e secundárias pertencentes à DREA no que diz respeito à organização e utilização do espaço, recursos humanos e materiais, formação do pessoal docente e não docente, funcionamento e dinamização, dimensão e tratamento dos fundos documentais e investimentos realizados.

1.2- Comparar as bibliotecas das escolas básicas dos 2º e 3º ciclos e secundárias pertencentes à DREA integradas na Rede de Bibliotecas Escolares com as bibliotecas das escolas dos 2º e 3º ciclos e secundárias da DREA não integradas na RBE.

2- Contribuir para a definição do papel e do perfil do bibliotecário escolar.

2.1- Compreender os seus percursos profissionais e formativos em articulação com as condições de existência e funcionamento das bibliotecas escolares.

Uma vez que os objectivos incluíam quer uma componente de caracterização e avaliação da aplicação do programa da Rede de Bibliotecas Escolares no contexto da Direcção Regional de Educação do Alentejo e, simultaneamente, uma componente de compreensão dos percursos profissionais e formativos dos professores bibliotecários, tive de recorrer a duas metodologias complementares. Ou seja, uma metodologia de cariz qualitativo no que diz respeito ao conhecimento e comparação das bibliotecas integradas e não integradas na RBE (portanto, de natureza estatística e cariz descritivo) e uma metodologia de cariz qualitativo e de natureza interpretativa no que diz respeito à compreensão dos percursos profissionais e formativos dos professores bibliotecários. Os instrumentos utilizados foram, no primeiro caso, o inquérito por questionário e, no segundo caso, a entrevista semidirectiva de carácter biográfico.

Esta opção justificou-se: pelas características do campo de análise - as escolas básicas dos 2º e 3º ciclos da Direcção Regional de Educação do Alentejo; a natureza dos dados a recolher – essencialmente quantitativa no que diz respeito ao conhecimento e comparação das bibliotecas integradas e não integradas na Rede de Bibliotecas Escolares e qualitativa no que se relaciona com a compreensão dos percursos profissionais e formativos dos professores bibliotecários; as necessidades da análise a efectuar sobre os dados – maioritariamente de natureza estatística e de cariz descritivo no caso das bibliotecas e de natureza interpretativa no caso dos bibliotecários.

Interessava compreender as representações que os professores bibliotecários têm sobre as suas práticas e os seus percursos profissionais e formativos e ainda a sua identidade profissional. Deve ter-se em atenção que esses bibliotecários pertencem a um subgrupo profissional – os bibliotecários escolares – integrado num grupo mais vasto – os professores – e desenvolvem parte da sua actividade num contexto organizacional específico – a biblioteca – integrado, também ele, num contexto mais amplo – a escola.

A análise dos dados recolhidos junto das escolas permitiu-me concluir, obviamente, da existência de pontos fortes e fracos, que passo a enumerar:

1- Aspectos positivos:
a) Aumento da capacidade de acolhimento das bibliotecas integradas na RBE, que se traduzia no aumento do espaço disponibilizado, na organização desse mesmo espaço e na aquisição de mobiliário e equipamentos adequados;

b) A actualização dos fundos documentais dessas bibliotecas apresentando uma relação documento /aluno mais adequada;

c) A utilização que os alunos faziam das bibliotecas;

d) O número de professores que desempenhavam funções nas bibliotecas, o que revelava alguma preocupação com a sua organização e dinamização;

e) Em geral, a afirmação das bibliotecas nos estabelecimentos de ensino, traduzida em indicadores como as verbas investidas, o número de professores e funcionários que nelas exerciam funções e as horas de que dispunham, o número de utilizadores ou os documentos emprestados.

Assim, a integração de todas as bibliotecas na Rede de Bibliotecas Escolares parece-me uma evidência. Parece-me, de resto, a grande prioridade do gabinete da RBE

2- Aspectos negativos:

a) A reduzida percentagem de bibliotecas representadas nos conselhos pedagógicos. Sendo este o órgão que coordena pedagogicamente as escolas, não deixa de ser um sério revés à afirmação das bibliotecas escolares;

b) A falta de continuidade dos coordenadores à frente das bibliotecas, o que não deixa de ser um passo atrás na sua afirmação;

c) O reduzido número de auxiliares de acção educativa nas bibliotecas, não permitindo a abertura destas durante todo o período de funcionamento das escolas. Este facto, juntamente com o insuficiente tratamento dos fundos, constitui um sério entrave à utilização dos recursos, à rentabilização dos investimentos e à afirmação da biblioteca como recurso pedagógico permanente;(custos de manutenção da BE: 160€/dia =20€/hora; x 2h/dia=40€/dia=800€/mês=8000€/ano; x 500 BE = 4.000.000/ano) + custos de formação dos profs. e aux.)

d) A indefinição que caracteriza a gestão financeira das bibliotecas, visível no reduzido número de equipas de coordenação que dispunham de uma verba atribuída pelos órgãos de gestão. Dentro destas, era também reduzido o número daquelas que faziam a gestão da verba atribuída, para além do facto dessa verba ser claramente reduzida;

e) A utilização da biblioteca por parte dos professores era reduzida e por parte dos funcionários e encarregados de educação praticamente inexistente;

f) A falta de formação na área da Biblioteconomia dos recursos afectos às bibliotecas. Era residual o número de coordenadores com formação específica na área das Ciências Documentais e poucos os professores e funcionários com formação contínua no âmbito da organização, gestão e dinamização de bibliotecas escolares. Este aspecto é de grande importância pelas implicações que tem no funcionamento das bibliotecas escolares e na própria sustentabilidade da rede de Bibliotecas Escolares;

g) Finalmente, o reduzido acompanhamento por parte da RBE após a fase de instalação da Biblioteca Escolar.

Nesse sentido, deixo aqui 3 sugestões:
1. Mais formação no âmbito da Biblioteconomia, da leitura e da literacia e mais acompanhamento por parte da RBE e das DREs;

2. Abertura dos concursos de provimento para as carreiras de técnico superior e técnico-adjunto de biblioteca e documentação nos estabelecimentos de ensino não superior;
3. Inclusão da biblioteca escolar nas estruturas pedagógicas do decreto-lei nº 115-A/98.

Na verdade, aos bibliotecários é reconhecido um papel determinante em todos os aspectos relativos ao desempenho e à dinâmica das bibliotecas escolares. A análise dos dados recolhidos através do inquérito permitiu constatar a influência do bibliotecário em diversos aspectos que determinam o grau de intervenção da biblioteca escolar, numa perspectiva micro, em cada estabelecimento de ensino individualmente considerado e, numa perspectiva macro, no sistema educativo em geral. Essa influência manifesta-se quer a nível da organização e disponibilização dos recursos – espaço, mobiliário, equipamento, fundos documentais, pessoal –, quer a nível do funcionamento – período de abertura, formação de utilizadores, oferta de serviços, tratamento dos fundos documentais –, quer ainda a nível da afirmação da biblioteca no seio de cada escola.

Alguns estudos feitos noutros países, nomeadamente nos EUA e no Reino Unido, indicam que quando os professores bibliotecários têm formação específica os alunos atingem níveis mais elevados de literacia e de aprendizagem.

Por essa razão, a formação dos professores bibliotecários é uma questão-chave no papel de coordenação por eles assumido e, consequentemente, na dinâmica das bibliotecas escolares. Essa formação, seja ela especializada ou contínua na área das Ciências Documentais, da organização, gestão e dinamização de bibliotecas escolares, das tecnologias de informação, da leitura ou da literacia, é que permitirá aos bibliotecários levarem a cabo uma gestão orientada para a satisfação das necessidades dos seus utilizadores, cumprindo, assim, a missão que cabe à biblioteca escolar enquanto centro de documentação integrado numa instituição de ensino não superior.

Não estando, ainda, instituída a carreira de professor bibliotecário, as suas funções sempre foram desempenhadas (pelo menos parcialmente) por professores, inicialmente com a designação de director de instalações (a que correspondia uma redução de duas horas no horário semanal) e, com a integração da escola na Rede de Bibliotecas Escolares, com a designação de coordenador (e uma redução no horário semanal que varia actualmente entre 8 e 11 horas). Disse António Nóvoa que “não é possível separar o eu pessoal do eu profissional, sobretudo numa profissão fortemente impregnada de valores e ideias e muito exigente do ponto de vista do empenhamento e da relação humana”. No caso dos professores bibliotecários, é particularmente exigente no que diz respeito ao empenhamento e relações humanas atendendo à necessidade de, desejavelmente, interagir com a globalidade dos alunos e professores da escola, com os auxiliares de acção educativa, com os pais e encarregados de educação e com outros elementos da comunidade educativa. Para além destas relações humanas de carácter pessoal há, ainda, o relacionamento institucional: no interior da escola, com os órgãos superiores e intermédios de gestão – Conselho Executivo, Assembleia, Departamentos Curriculares, Directores de Turma – e, externamente, com instituições locais – Autarquia, Biblioteca Pública, Centro de Formação de Professores, Associação de Pais...
Assim, a questão central que se coloca é, em primeiro lugar, saber se, no caso dos professores bibliotecários, há uma identidade profissional própria e, em segundo lugar, saber quais são os aspectos que caracterizam essa identidade. De entre esses aspectos podemos referir os contributos da função social do professor bibliotecário no seio da profissão docente, do seu estatuto profissional, do sentimento de pertença a um grupo profissional, do contexto em que a actividade tem lugar, dos seus interesses e expectativas pessoais. Para além disso, compreender as interacções entre o processo de formação profissional e o processo de formação pessoal, num percurso, sublinhe-se, marcado pela experiência.

Integrados num contexto profissional muito particular, os professores bibliotecários têm de si próprios uma representação ambivalente: são professores mas desempenham, também, funções de bibliotecário. A sua formação de base, complementada com a qualificação profissional no âmbito das Ciências da Educação, é aquilo que, inicialmente, os habilitou a exercerem a sua actividade profissional como docentes. A opção pelo cargo de bibliotecário foi, obviamente, uma decisão pessoal tomada no decurso de um determinado percurso profissional, antecedendo, na esmagadora maioria dos casos, a obtenção de formação específica. Esta surge, então, como forma de dar resposta a uma necessidade sentida por parte de quem, sem ser bibliotecário escolar, desempenha essas funções. Torna-se, assim, evidente a estreita relação entre os percursos profissionais dos professores bibliotecários e os seus percursos formativos.

O seu estatuto profissional é pouco claro: são professores, mas são também bibliotecários. Não são apenas professores, porque fazem algo mais do que dar aulas, mas também não são apenas bibliotecários, porque a maioria também dá aulas. Apesar da aposta pessoal que muitos fizeram numa trajectória profissional ligada à biblioteca escolar, da utilidade que reconhecem na sua actuação enquanto bibliotecários (provavelmente superior à que reconhecem no seu desempenho enquanto docentes, numa altura em que o descrédito da profissão é quase generalizado), do orgulho que transparece das suas palavras em relação às “suas” bibliotecas, da apropriação que fazem do espaço e dos recursos da biblioteca como se fossem realmente seus, apesar disso tudo, os professores bibliotecários vêem-se, ainda assim, em primeiro lugar, como professores.

Sublinhe-se, finalmente, a importância que o facto de desempenharem funções de coordenação na biblioteca escolar tem na decisão dos professores bibliotecários frequentarem formação especializada ou contínua nas áreas mais directamente ligadas à missão da biblioteca escolar, i.e., as ciências documentais, as tecnologias de informação, a leitura, a literacia. Esse facto despertá-los-á para a necessidade de adquirirem ou aprofundarem conhecimentos, ou seja, a necessidade de adquirir mais conhecimentos, portanto, de fazer formação, resulta, em larga medida, dos percursos profissionais de cada um dos coordenadores. A procura de formação resulta, então, de uma necessidade sentida quer ao nível da implementação da biblioteca escolar, quer ao nível do seu desempenho e da sua afirmação no seio da escola.

A formação específica dos professores bibliotecários nas áreas de gestão e liderança de políticas de literacia, como, de resto, a formação específica em qualquer outro domínio, não pode, com sucesso, ser imposta a partir do exterior. É da conjugação de factores endógenos – gostar daquilo que se faz – e exógenos – ter condições para fazer aquilo que se gosta de fazer – que resulta a procura de formação específica por parte dos professores bibliotecários, como forma de dar resposta a uma necessidade sentida. O professor bibliotecário poderá, então, assumir-se como o despoletador de uma alteração que se pretende o mais abrangente possível nos processos de ensino-aprendizagem, alteração essa que leve à aplicação de metodologias e práticas inovadoras conducentes ao desenvolvimento de efectivas políticas de literacia na Escola.

Termino como comecei: justificando o segundo título desta comunicação. Ou seja, realçando dois aspectos fundamentais relativamente ao modo de ser e de estar dos professores bibliotecários actualmente: a sua precária identidade e o seu desencanto da realidade.

Para a precaridade da identidade dos professores bibliotecários contribui grandemente a divisão por eles sentida entre duas referências: ser professor e ser bibliotecário. Começam por ser apenas professores mas a opção pessoal que fazem na obtenção de formação na área das Ciências Documentais, da Biblioteconomia ou da gestão e organização de bibliotecas escolares leva-os a assumirem-se, também, como bibliotecários. No entanto, as indefinições que caracterizam e ameaçam o funcionamento e a própria existência das bibliotecas escolares e a não aplicação prática do quadro legal que configura as suas funções e o seu estatuto impedem-nos de assumirem essa faceta em toda a sua plenitude. O resultado é uma identidade profissional indefinida e, por isso mesmo, precária: identificam-se claramente como docentes mas a opção por desempenharem as funções de bibliotecário escolar é uma decisão que se renova todos os anos sem nunca poder ser assumida em definitivo.

O desencanto dos bibliotecários escolares manifesta-se na consciência que revelam da realidade que envolve as bibliotecas escolares e o seu próprio papel: sabem da importância que as bibliotecas escolares têm, reconhecem que investem de forma significativa em termos pessoais, são extremamente entusiastas, maximizam quer o papel da biblioteca no seio da escola, quer o seu próprio papel enquanto bibliotecários, percebem que estão a colmatar uma falha do próprio sistema educativo mas indignam-se com a falta de definição do seu estatuto profissional, manifestam algum pessimismo relativamente à Rede de Bibliotecas Escolares e vaticinam, mesmo, o seu fim. Deixou, pois, de haver lugar para ilusões e aquilo que parece impor-se é um marcante desencanto da realidade.

Publicado por arturdagge às 11:58 PM | Comentários (1)

outubro 08, 2006

A imagem da BE

Nutrimentum spiritus (Alimento para a alma)
- Inscrição na Real Biblioteca de Berlim

Palavras-chave: bibliotecas escolares; centro de recursos educativos; coordenador; professor bibliotecário

A imagem da biblioteca escolar

A imagem das bibliotecas em geral é, actualmente, uma imagem claramente estereotipada. Um “espaço grave e soturno, sinónimo de concentração profunda” , onde raramente se vai e quase nada se passa, tendo os termos “Biblioteca” e “Bibliotecário” adquirido “um valor mítico, consagrado através de uma utilização de centenas de anos”. Pensadas para quem gostava ou precisava de ler, as bibliotecas “funcionavam perfeitamente em espaços fechados, solenes, silenciosos e até soturnos.”
No entanto, “a partir do momento em que se passou a encarar a biblioteca como um centro de recursos vivo e dinâmico, estímulo cultural indispensável na escola e na comunidade, tudo teve que ser repensado.”
A dessacralização da biblioteca e do próprio livro, tendo este deixado de ser o suporte de informação quase exclusivo pela introdução de designado “material não livro”, levou a que a biblioteca tenha passado “a ser também um meio acessível para as consultas mais ou menos informais, um espaço lúdico, aberto, claro onde apetece estar”.
Pelas mesmas razões, também a imagem da biblioteca escolar corresponde, em larga medida, a uma representação estereotipada.
Na opinião de Davies (1979), “o papel tradicional da biblioteca escolar tem sido sempre o de sustentar o trabalho educacional da escola e fornecer os recursos essenciais para cumprir esse fim.”
Concebida como um serviço opcional e complementar às tarefas docentes, a biblioteca escolar sempre esteve ligada, fundamentalmente, à área da Língua e Literatura, limitando-se, na maioria dos casos, a oferecer uma colecção de livros mais ou menos organizada.
Poder-se-ão apontar quatro razões interligadas que explicam o desfasamento existente entre a realidade actual de uma parte significativa das bibliotecas escolares das Escola Básicas 2, 3 e Secundárias e a representação que delas é comummente feita dentro - mas também fora – das próprias escolas. É um facto indiscutível que até à 2ª metade da década de 90 - mais precisamente há 5 anos atrás - a situação das bibliotecas escolares era realmente confrangedora, a ponto de podermos interrogar-nos se se podia, na verdade, falar em bibliotecas escolares. No entanto, neste curto período de tempo operou-se uma assinalável alteração na situação existente, tal como refere Lino Moreira da Silva:
“A primeira nota a destacar acerca das Bibliotecas Escolares de escolas dos Ensinos Básicos e Secundário é o que nelas muito de positivo está a acontecer, fruto do projecto das Redes de Bibliotecas (...) e do feliz despertar de boas vontades para essa causa”.
A primeira razão está relacionada com o período em que os actuais professores frequentaram as Escolas Básicas 2, 3 e Secundárias. Ou seja, os professores já não frequentavam essas escolas quando parte das bibliotecas escolares começaram a transformar-se em centros multimédia / centros de recursos e ultrapassaram o seu papel tradicional. Esses professores nunca frequentaram escolas onde a biblioteca / centro de recursos era uma peça central da organização educativa. Não desenvolveram as suas filosofias e opiniões educativas num ambiente que considerava a biblioteca como um recurso educativo essencial.
“A maioria de nós, na sua vida de estudantes, na sua vida profissional, não encontrou boas bibliotecas que suportassem e incentivassem o estudo, o trabalho intelectual, a leitura. Seja nas grandes cidades, ou nas pequenas, no interior ou no litoral, a escassez deste bem é quase uma constante.”
Muitos (a maioria?) ainda mantêm as primeiras imagens estereotipadas das bibliotecas e dos bibliotecários. O bibliotecário era um(a) professor(a) que apenas viam quando eram mandados para a biblioteca. Enquanto alunos, “mandados” era, de facto, o termo adequado. Eram mandados para a biblioteca para “fazer alguma coisa”. Era suposto estarem quietos e calados enquanto ali permanecessem. Sendo esta a imagem que os professores têm da biblioteca e do bibliotecário, é obviamente esta mesma imagem que condiciona as suas práticas lectivas e que, em última análise, transmitem aos seus alunos.
“A escola precisa de tomar consciência da força das Bibliotecas e de ir ao encontro dos alunos ( todos os alunos ) como seus potenciais frequentadores e motivá-los, anular neles a ideia-feita de que as Bibliotecas são espaços nobres, mas frios, ou depósitos de documentos esquecidos que não aproveitam a ninguém.”
Fora da escola, estas impressões eram (são?) reforçadas quer pelas famílias, quer pelos meios de comunicação. A biblioteca era um lugar quase sinistro, de profundo e pesado silêncio. O(A) bibliotecário(a) era alguém de idade avançada, com os óculos na ponta do nariz e um olhar circunspecto e intimidador.
Outro factor que condiciona a imagem das bibliotecas escolares e o que estas têm para oferecer é a formação dos professores. Antes, como agora, a formação inicial dos professores não continha qualquer aspecto relacionado com a influência do desempenho das bibliotecas escolares na melhoria da educação, no desenvolvimento de projectos educativos, no apoio a alunos com necessidades educativas especiais ou no apoio administrativo. O modelo predominante no sistema educativo está ainda ancorado na mesma noção básica: um adulto numa sala de aula a trabalhar com um grupo de alunos durante um período de tempo. No 1º ciclo o período cobre um dia; nos 2º e 3º ciclos e ensino secundário prolonga-se por um período correspondente a um tempo lectivo. Mesmo algumas das supostas inovações na organização escolar actualmente – tempos lectivos alargados, menos professores por turma, turmas reduzidas que integram alunos com necessidades educativas especiais, por exemplo – não alteram o modelo básico. Só mudam o tamanho de um ou mais dos seus elementos.
“ É o professor que tem que necessitar da biblioteca. E (...) existem muitos professores que não precisam da biblioteca. A resistência é enorme. Por comodidade, por desabituação, por cultura, porque exactamente alguns de nós fizemos a universidade, a qualificação como professores usando muito pouco a biblioteca.”
A formação inicial dos professores enfatiza as interacções individuais na sala de aula entre o professor e o aluno. Os professores são predominantemente formados como actores independentes, simultaneamente encarregados e responsáveis por aquilo que se passa na sala de aula. Não são, tradicionalmente, formados de acordo com modelos colaborativos e consultivos. O resultado é que aos futuros professores não são fornecidos quaisquer modelos ou expectativas de que o bibliotecário escolar deveria ser visto como um parceiro na aplicação do currículo e na definição de estratégias e actividades.
Se qualquer revisão dos programas de formação inicial dos professores revela uma surpreendente falta de atenção em relação à biblioteca escolar e ao seu potencial, o mesmo é válido para os programas de formação em gestão e administração escolar. O resultado é que os próprios órgão de gestão das escolas não têm consciência da importância das bibliotecas escolares e não se reconhecem como peças indispensáveis na maximização do potencial da biblioteca para contribuir para a qualidade da escola. Assim, a visão generalizada não é mais do que uma visão favorável da negatividade. Ou seja, o “bom” não é definido como um acto positivo, mas como a ausência de um acto negativo. A “boa” biblioteca é aquela que simplesmente assegura a existência do serviço e não dá problemas nem suscita discussões.
A terceira razão que faz com que o papel das bibliotecas escolares não seja reconhecido como indispensável está enraizada na própria natureza do trabalho do bibliotecário. Na verdade, este presta um serviço que é apropriado pelos outros. Por outras palavras, professores e alunos aproveitam aquilo que o bibliotecário tem para lhes oferecer e integram-no nos seus próprios trabalhos e actividades. A integração é de tal forma completa que se torna difícil distinguir o contributo do bibliotecário no trabalho final. Em última análise, professores e alunos vêem os projectos e investigação, as actividades bem sucedidas ou os resultados escolares positivos como algo que eles próprios fizeram ou conseguiram. A verdade é que a maioria dos professores vê os bibliotecários mais como fontes de apoio e menos como colegas.
A quarta razão que justifica a pouca visibilidade dos bibliotecários escolares tem a ver com a reduzida divulgação que estes fazem das suas actividades, seja dentro da própria escola, seja fora dela, por falta de iniciativas que os levem a divulgar e a partilhar o seu trabalho. Os bibliotecários são, tradicionalmente, pessoas tímidas e reservadas que não gostam de se expor. Por norma, tudo aquilo que fazem acontece dentro do espaço das suas bibliotecas e raramente tem eco no exterior.
“Não estou certo que tenhamos feito sempre o suficiente para demonstrar o que andamos a fazer. Talvez isto seja verdade no que se refere ao mundo das bibliotecas públicas, ou melhor, ao mundo das bibliotecas em geral.”
De facto, isto é particularmente verdade no que se refere ao mundo das bibliotecas escolares. Tradicionalmente considerados os guardiões da palavra escrita, os bibliotecários vêem-se hoje confrontados com novos meios e novas responsabilidades que colocam problemas específicos em relação à conservação, à difusão e ao acesso à informação. Os bibliotecários escolares, no desempenho das suas funções, têm, ainda, contra si próprios o peso histórico da concepção de biblioteca escolar e a inexistência de um estatuto legal que lhes permitam afirmar-se claramente no sistema educativo. Uma realidade que, progressivamente, tem vindo a ser alterada em consequência das novas competências que os bibliotecários têm assumido.


* * *

Há, ainda assim, três passos que podem ser dados para contornar o problema da imagem negativa que a biblioteca escolar continua a projectar actualmente.
O primeiro é, naturalmente, reformular os programas de formação inicial dos professores, de forma a que neles seja reconhecida a importância da biblioteca escolar na melhoria do sucesso educativo e do gosto de aprender em todo o processo de ensino e aprendizagem.
O segundo consiste numa reconceptualização da biblioteca escolar e do seu papel na escola. A concepção tradicional da biblioteca escolar tem levado os órgãos de gestão a considerá-la como um custo e não como um investimento. A investigação que tem sido produzida comprova, indubitavelmente, que compensa manter a biblioteca escolar. Ao repensarmos a biblioteca escolar, devemos pensar, não nos custos, mas na relação custo / benefício. Os livros, os vídeos, os CDs são caros, a tecnologia é cara, assim como fica caro manter pessoal docente e não docente em número suficiente na biblioteca. O custo não é, todavia, a questão operativa. A questão operativa é: qual é o retorno dos fundos empregues na biblioteca?
O investimento nas bibliotecas escolares é positivo porque o retorno é positivo. As bibliotecas escolares não só podem influenciar decisivamente o desempenho global dos alunos, mas podem também prestar apoio específico a um público-alvo específico. A questão central está, pois, na forma como as bibliotecas escolares deverão ser encaradas: como locais de aprendizagem e não como espaços de informação, enfatizando as ligações que oferecem e não as colecções que detêm.
Finalmente, o terceiro aspecto tem a ver especificamente com as pessoas – o bibliotecário e os órgãos de gestão. É necessário que o bibliotecário tenha, não só os conhecimentos técnicos indispensáveis, mas também uma atitude empreendedora e um olhar para além do papel tradicional do bibliotecário, orientando a sua actuação para as questões educativas. Um certificado não é suficiente numa área onde as relações interpessoais têm um papel decisivo. Quanto aos órgãos de gestão, eles desempenham um papel central na valorização da biblioteca escolar. Esta pode ter o bibliotecário mais empenhado, mas estar preparado, querer e ser capaz representam apenas três quartos do que é necessário para marcar a diferença. A quarta parte é a oportunidade, a qual depende, obviamente, do órgão de gestão. Este é um elemento absolutamente essencial na maximização do retorno do investimento na biblioteca. Se o órgão de gestão pensa a biblioteca em termos estereotipados, não vê o seu potencial e a considera mais como um custo do que como um investimento, então as oportunidades não irão surgir e perder-se-ão as hipóteses de fazer algo diferente, de inovar, de transformar as bibliotecas escolares em centros educacionais que possam colaborar activa e efectivamente com os professores na aplicação dos currículos, de forma a contribuir para o sucesso dos alunos.
“O êxito de um tal processo depende em larga medida de se poder contar com um apoio efectivo dos órgãos de gestão da escola”.

Publicado por arturdagge às 11:25 PM | Comentários (1)

setembro 27, 2006

Bibliotecas Escolares: para quando o fim do projecto?

Palavras-chave: bibliotecas escolares; centro de recursos educativos; coordenador

Quarta-feira, 13 de Setembro. Na sala nº 5 reúnem-se os professores coordenadores de projectos com o coordenador dos projectos que, na verdade, mais não é do que o coordenador dos coordenadores de projectos. Apresentam-se: o coordenador do projecto para a promoção da saúde; o coordenador do projecto das novas tecnologias de informação e comunicação; o coordenador do projecto para a divulgação das ciências; o coordenador do projecto Sócrates-Comenius; o coordenador do projecto para a biblioteca escolar/centro de recursos educativos. Bom dia para todos! Além do mais, todos têm direito a uma designação abreviada. Nunca deixam de ser tratados por coordenadores, mas reduz-se a designação dos projectos: o coordenador do PES; o coordenador das TIC; o coordenador do PIC; o coordenador do SOC; o coordenador da BE/CRE. Talvez se reduzam as designações para as adaptar à realidade dos projectos.
O coordenador da BE/CRE levanta o braço direito com o indicador a apontar para uma lâmpada fluorescente e pergunta ao coordenador dos coordenadores quando é que o projecto que coordena termina. A pergunta não é entendida. A resposta que, mesmo assim, surge não deixa margens para dúvidas: a BE/CRE foi integrada na RBE e jamais poderá acabar. Então aparece a explicação: se teve início há quase uma década e não terá fim, então por que razão a Biblioteca Escolar continua a ser um projecto? Um projecto é, em si mesmo, algo que tem um princípio (algo que se propõe fazer de acordo com um plano), o qual pressupõe, logicamente, um fim. O projecto da Biblioteca Escolar levou à sua institucionalização no seio da Escola. A partir desse momento, o projecto terminou. A sua integração nas estruturas de orientação educativa da Escola é uma realidade que se impõe. A não ser assim, teremos de continuar a falar dos projectos de departamentos curriculares de Língua Portuguesa, de Matemática, de Ciências...

Publicado por arturdagge às 11:32 PM | Comentários (2)

setembro 26, 2006

Plano Nacional de Leitura

O site do Plano Nacional de Leitura já está activo em www.planonacionaldeleitura.gov.pt.
Vale (muito) a pena consultar. As inscrições a partir das fichas de registo estarão disponíveis até ao dia 16 de Outubro.

Publicado por arturdagge às 10:22 PM | Comentários (0)

Seminário Internacional sobre Bibliotecas Escolares

Teve lugar no passado dia 25 de Setembro o Seminário Internacional sobre Bibliotecas Escolares, na Fundação Calouste Gulbenkian. Aqueles que tiveram oportunidade de assistir, não deram, certamente, o tempo por mal empregue. Houve várias comunicações de elevada qualidade, nomeadamente a proferida por Manguel (Como Pinóquio aprendeu a ler)e a da autoria de Paula Ochôa (resultante do seu trabalho conjunto com Leonor Gaspar Pinto) sobre a gestão para a qualidade em Bibliotecas Escolares. Não será descabido dizer que estas autoras se encontram 10 passos à frente no que diz respeito à actual realidade das BEs e as preocupações(ainda muito "básicas") que dominam a grande maioria daqueles que lidam e se preocupam com as BEs.
Para os que não puderam ou não quiseram assistir (e também para os mais distraídos, aqui fica um pormaior que registei: ao fim de muitas intervenções que pude testemunhar, em vários seminários, por parte da Ministra da Educação, relacionadas com as Bibliotecas Escolares, a leitura e a literacia, finalmente ouvi a sua boca pronunciar as palavras " professores bibliotecários". É verdade que corrigiu de imediato para "coordenadores das bibliotecas escolares", mas talvez o subconsciente lhe tenha pregado uma partida. Tragam-me um Freud, mesmo que seja licenciado em Psicologia e não possa ser professor dessa disciplina. Se outro mérito não tiver, sempre serve para diminuir a taxa de desemprego entre os licenciados.
Saudações bibliófilas!

Publicado por arturdagge às 10:07 PM | Comentários (4)

julho 16, 2006

PLANO NACIONAL DE LEITURA - LISTA DE LIVROS RECOMENDADOS

Está já disponível no site abaixo indicado o índice de livros recomendados desde os jardins de infância ao 6º ano de escolaridade. Consulte a lista e deixe aqui os seus comentários e sugestões de outros títulos.
http://www.rbe.min-edu.pt/pnl/livros_recomendados.htm

Publicado por arturdagge às 11:49 PM | Comentários (5)

PLANO NACIONAL DE LEITURA

O Plano Nacional de Leitura está aí, a dar os primeiros passos, procurando criar hábitos de leitura na população portuguesa, especialmente entre os jovens. As bibliotecas escolares são naturalmente parceiros privilegiados. Informação já disponível no site da RBE.
www.rbe.min-edu.pt/pnl

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Publicado por arturdagge às 11:41 PM | Comentários (0)

julho 12, 2006

35ª Conferência Internacional da IASL

Teve lugar entre 3 e 7 de Julho a 35ª Conferência Internacional da IASL. Quem esteve presente, nomeadamente os coordenadores de bibliotecas escolares, é desafiado a deixar aqui o seu comentário sobre a mesma, partilhando com aqueles que gostariam de ter estado presentes o que de mais significativo aconteceu.

Publicado por arturdagge às 10:18 AM | Comentários (1)

A BE promotora da leitura e da literacia

Nutrimentum spiritus (Alimento para a alma)
- Inscrição na Real Biblioteca de Berlim

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Publicado por arturdagge às 10:10 AM | Comentários (1)

Bibliotecas Escolares - A pillar of Wisdom

O prometido é... de vidro! Aqui está o blog das bibliotecas escolares para todos os bibliobloggers. O título em Português e Inglês não pretende ser mais do que isso mesmo: um título em Português e Inglês! Bem-vindos!

Publicado por arturdagge às 10:00 AM | Comentários (2)