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novembro 25, 2005

THE END

Abro a porta da rua, olho para trás e apago a luz.

Publicado por José Mário Silva às 11:59 PM | Comentários (36)

FOI BONITA A FESTA, PÁ

Clique aqui para ouvir Tanto Mar - versão 2, de Chico Buarque.

Publicado por Filipe Moura às 11:58 PM | Comentários (1)

AGRADECIMENTOS (MESMO) FINAIS

Muito obrigado ao Filipe Moura, Francisco Frazão, Jorge Palinhos, José Luís Peixoto, Luis Rainha, Margarida Ferra e tchernignobyl (mais ao Frederico Ágoas e à Marta Lança) por tudo o que trouxeram ao BdE durante os últimos dois anos.
Muito obrigado ao Paulo Querido, que nos acolheu, aconselhou, instruiu, aturou (e mais não sei quantos verbos do género), para além de nos ter dado acesso a uma das melhores plataformas de publicação da actualidade.
Muito obrigado às dezenas de itálicos que nos enviaram textos, imagens ou sugestões, com partes iguais de entusiasmo e generosidade.
Muito obrigado aos bloggers ou blogues que se dispuseram a toda sorte de diálogos e duelos.
Muito obrigado às centenas de comentadores que nos acompanharam dia a dia: aos regulares e aos episódicos, aos calorosos e aos encalorados, aos amigos e aos inimigos, aos tranquilos e aos coléricos, aos simpáticos e aos odiosos. Muito do melhor e do pior que se viveu neste blogue passou sempre pelas caixas de comentários.
Muito obrigado a quem nos escreveu mails e a quem não disse nada.
Muito obrigado a todos os leitores.
Muito obrigado.

José Mário Silva e Manuel Deniz Silva

Publicado por José Mário Silva às 11:52 PM | Comentários (6)

ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO

«Agora o que é que fazemos?», pergunta, lá em baixo, o Jorge Palinhos — após uma análise muito lúcida do que é a condição bloguista. Parte do que eu pretendia dizer como justificação final do fecho do BdE, ele disse-o com palavras mais certeiras do que as minhas seriam. Está lá tudo.
O BdE foi um projecto tão importante para mim (e para nós todos) que não podíamos correr o risco de o ver declinar aos poucos, ingloriamente, até àquele estado de decadência que arruina tantas vezes a história bela de uma ideia ou de um grupo. Ao extinguir-se nesta altura, ainda por cima com uma ponta final a fazer lembrar os melhores tempos, o BdE (II) fecha como abriu: cheio de empenho, garra e ímpeto de comunicar. Era esta a imagem com que gostávamos de ser recordados por quem nos leu ao longo de quase três anos. É esta a imagem que guardarei de uma das mais estimulantes aventuras colectivas em que tive a honra de participar.
Voltando à pergunta leninista do Palinhos, que fazer agora?
Não posso falar por todos, evidentemente.
Mas posso falar por mim e pelo Luis Rainha.
A partir de hoje, podem continuar a ler-nos aqui:

aspirina.jpg
(clicar na imagem)

E a mim, podem também acompanhar-me neste projecto a solo:

bocklin.jpg
(clicar na imagem)

Até já.

Publicado por José Mário Silva às 11:47 PM | Comentários (5)

ÚLTIMO DIA, ÚLTIMO TEXTO

Andei todo o dia à procura da música O Último Dia, do Paulinho Moska, para pôr no blogue. Não a encontrei; só esta versão pelo Ney Matogrosso. Quem viu O Fim do Mundo, uma das últimas telenovelas do dramaturgo brasileiro Dias Gomes, talvez se recorde: a versão original, de Moska, era o tema da novela. A certa altura cantava assim:

O que você faria
se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?

Andava pelado na chuva?
Corria no meio da rua?
Entrava de roupa no mar?
Trepava sem camisinha?

Toda a música (e toda a novela) anda à volta deste tema: o que fazer quando a morte é certa, está anunciada. Há quem faça as coisas mais loucas, que não faria se soubesse que sobreviveria mais tempo. Era para me despedir com o texto anterior mas, dado que a morte do BdE está prestes a ser consumada, decidi há pouco avançar para o texto que sempre me apeteceu escrever, mas que nunca consumei. (Estou a falar em texto; a célebre fotografia minha de corpo inteiro ainda espera um convite da Playgirl.) Espero não estar a quebrar, no meu último texto, a confiança que o Zé Mário e o Manuel depositaram em mim; de qualquer das formas, estou a escrever ainda a tempo de eles discordarem, se for caso disso.
O que eu quero fazer é, simplesmente, uma homenagem ao Rubem Fonseca, de quem sou fã. Como qualquer leitor do Rubem Fonseca sabe, a melhor homenagem que se lhe pode fazer, ao seu cinismo, às suas ideias políticas apesar de tudo sempre presentes e ao seu estilo de escrita, é querer simplesmente que a direita se foda. Assim mesmo, com estas palavras. Com todas as letras. Que pratique sexo, acompanhada ou consigo própria. Nada mais do que isto.
Neste momento (e na minha idade) este slogan, ou versões mais suaves como a direita que se lixe ou a direita que pague a crise, é o único radicalismo que me resta. E tenho que o afirmar aqui: para consumar este desiderato, estou cada vez mais céptico relativamente ao papel da esquerda não-socialista. Creio que esta esquerda tem um papel importante a desempenhar, se o quiser. Mas só se primeiro esta esquerda, seja a antiga, seja a moderna, se desembaraçar do seu histórico sectarismo.
E é tudo. Bacanos e bacanas, fiquem bem. Eu vou jantar, que estou com uma fome do caraças.

Publicado por Filipe Moura às 11:45 PM | Comentários (3)

JÁ COM AS CHAVES NA MÃO

caillebotte.jpg

Foi com esta imagem de um quadro de Gustave Caillebotte (Les raboteurs de parquet) que fechámos o primeiro BdE e abrimos o segundo. A metáfora do novo apartamento, que viemos habitar no prédio do Paulo Querido, foi amplamente glosada na altura e volta a fazer sentido, agora que os homens da empresa de mudanças já começaram a levar, escada abaixo, o nosso mobiliário feito do melhor HTML.
Enquanto corro as persianas, aqui ficam os números do BdE (II):

Posts - 5710
Comentários - mais de 30.800
Trackbacks - 485
Visitas - cerca de 540.000 (Sitemeter); cerca de 1.500.000 (weblog.com.pt)
Pageviews - cerca de 1.000.000 (Sitemeter); cerca de 2.700.000 (weblog.com.pt)

Mas não são os números, obviamente, o que mais importa. É tudo o resto.

Publicado por José Mário Silva às 11:40 PM | Comentários (1)

ANTES TARDE DO QUE NUNCA

A lista dos links na coluna direita, que sofreu de desleixo extremo durante muitos meses, foi finalmente actualizada. É um guia para os leitores que continuem a chegar aqui no nosso post-mortem.

Publicado por José Mário Silva às 11:38 PM | Comentários (0)

RESULTADO DO CONCURSO DE ITÁLICOS

Os cinco vencedores do concurso que lançámos nestes últimos dias do BdE foram: Fernando Venâncio, João André, José Luís Tavares, Sara Figueiredo Costa e BOS.
Cada um deles receberá um exemplar do último livro de contos do Alexandre Andrade:

Para o receberem, solicita-se o envio dos respectivos endereços postais para o mail (ainda activo) do blogue.

Publicado por José Mário Silva às 11:22 PM | Comentários (0)

AGRADECIMENTOS ANTES DA DESPEDIDA

O primeiro texto na blogosfera escrito por mim (uma contribuição itálica no BdE I que o Zé Mário e o Manuel tiveram a gentileza de publicar) foi uma indicação para uma crónica de Mário Vargas Llosa sobre a situação em Israel, algo que voltámos a ter esta semana.
Comecei como colaborador residente com Rubem Fonseca; tinha de voltar a Rubem Fonseca.
Como canta o Cazuza, eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades.
É com uma certa emoção que recordo como foi, em Janeiro de 2003, na véspera de partir para os EUA, ler no DNa um Escrita Automática onde o Zé Mário contava como ficara retido no Aeroporto Charles de Gaulle devido à neve, e como se entretinha a mandar bolas de neve ao Manel. Não fazia a mínima ideia (e nem ele dizia) do que tinha ido o Zé Mário fazer a Paris (para além de passar o ano). Vim a descobrir mais tarde, através da Coluna Infame, a que cheguei através de um artigo do Pedro Mexia no DN. Da Coluna cheguei rapidamente ao Blogue de Esquerda, e o segredo da viagem a Paris estava descoberto. Logo mandei um email ao Zé Mário (algo que há anos queria poder fazer) e ainda me recordo da emoção de, pouco depois, receber a resposta e ver os meus textos publicados.
Poder ler e, logo depois, graças à generosidade do Zé Mário e do Manuel, escrever e debater com estes "cromos dê-ene-jotas", que tanto gostava de ler anos antes, foi para mim uma bênção do destino. Algo que nem nos meus sonhos julgava possível.
Quero assim afirmar que participar no Blogue de Esquerda foi para mim uma experiência inesquecível e extremamente enriquecedora em muitos aspectos. Venho desta forma agradecer a todos aqueles que me leram ao longo destes quase três anos, e agradecer uma vez mais (nunca será demais) ao Zé Mário e ao Manuel pela generosidade e pela confiança que depositaram em mim.

Publicado por Filipe Moura às 10:56 PM | Comentários (2)

OUTROS COMO NÓS

periferica.jpg

A fotografia da Pietà, na capa do número 13 da Periférica, era um prenúncio. Tal como o BdE, a malta de Vilarelho decidiu «acabar com isto». E deixou uma nota de despedida no seu blogue:

«Não adianta carpir, porque é decisão madura, colectiva, irreversível. E é também a decisão certa. Permitam-nos o nosso momento de humildade: o patamar que a revista atingiu, a visibilidade, o grau de exigência juntam-se num perfil para o qual já só com muito esforço estamos à altura. Fazer uma boa Periférica exige talento, tempo, dedicação, atenção, treino — uma redacção em forma e altamente disponível. De todos requisitos apenas nos sobra o talento. Mas é, cada vez mais, um talento destreinado, com um quotidiano avesso, a olhar noutras direcções. De resto, desde o início dissemos que não ficaríamos para sempre, que faríamos o que nos apetecesse. E o que nos apetece é acabar com a revista. Sem mágoa, nem nostalgia. Sem lamentos, nem acusações. Ninguém tem culpa do fim da Periférica — apenas nós e a nossa vontade de voltar a mudar de vida. A Periférica é só o nosso segundo projecto. O número catorze será o último número. Sairá em Janeiro, para não estragar o Natal (o nosso). Não queremos que a última edição seja um presente do bonacheirão Pai Natal. Preferimos vê-la como uma prenda de sábios, de reis. Mesmo que saia um pouco depois do dia deles (a distribuição não seria mais lenta se fosse feita em camelos). Não será um número revivalista, carregado de epitáfios laudatórios (tirando, talvez, o necessário editorial de autocomprazimento). Se for um número invulgar, será por alguma súbita inspiração de génio que nos acometa. Mas estamos disponíveis para propostas de colaboração de última hora — assim como assim, já rejeitámos tanto entulho nestes três anos que nem daremos pela diferença. Vamos lá fazer história.»

É pena que uma revista tão boa, original e bem escrita desapareça do mapa dos nossos vícios. Mas a vida é assim mesmo e nós, melhor que ninguém, compreendemos tudo o que está escrito nestas linhas (e nestas entrelinhas).
Acabem em grande, rapazes. Cá estaremos para vos ler, no último número e nos projectos que vierem depois.

Publicado por José Mário Silva às 10:21 PM | Comentários (0)

DESÇO AQUI

Obrigado a todos os que comigo aqui escreveram e me acompanharam.
Obrigado ao Zé Mário e ao Manuel pelo convite para aqui escrever e por terem sido anfitriões generosos, acolhedores e hospitaleiros.
Obrigado a todos os que me leram, corrigiram, comigo concordaram, de mim discordaram ou me insultaram.
Obrigado a todos os blogs que li, a que critiquei, com que concordei, que linkei e que me leram, me criticaram, que comigo concordaram, me elogiaram e me ignoraram.

Foi bom.

Até qualquer dia, num sítio qualquer.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:09 PM | Comentários (1)

O GRANDE CIRCO DA FÍSICA - O CADÁVER QUE NÃO GRUDAVA

Acham que faz diferença para o grudar ser contra uma parede ou uma porta? Pensem nisso.

Publicado por Filipe Moura às 09:48 PM | Comentários (0)

REGRESSO A RUBEM

Comecei como colaborador residente com um texto de Rubem Fonseca, cuja leitura recomendo especialmente no dia de hoje (contra a violência doméstica).
Voltemos a Rubem, um dos maiores escritores vivos de língua portuguesa. Em Maio deste ano Rubem completou 80 anos; lamentavelmente, deixei passar esta efeméride. Fiquemos então com esta passagem de Feliz Ano Novo:

Podem comer e beber à vontade, ele disse.
Filho da puta. As bebidas, as comidas, as jóias, o dinheiro, tudo aquilo para eles era migalha. Tinham muito mais no banco. .Para eles, nós não passávamos de três moscas no açucareiro.
Como é seu nome?
Maurício, ele disse.
Seu Maurício, o senhor quer se levantar, por favor?
Ele se levantou. Desamarrei os braços dele.
Muito obrigado, ele disse. Vê-se que o senhor é um homem educado, instruído. Os senhores podem ir embora que não daremos queixa à polícia. Ele disse isso olhando para os outros que estavam quietos, apavorados no chão, e fazendo um gesto com as mãos abertas, como quem diz, calma minha gente, já levei este bunda suja no papo.
Inocêncio, você já acabou de comer? Me traz uma perna de peru dessas aí. Em cima de uma mesa tinha comida que dava para alimentar o presídio inteiro. Comi a perna de peru. Apanhei a carabina doze e carreguei os dois canos.
Seu Maurício, quer fazer o favor de chegar perto da parede?
Ele se encostou na parede.
Encostado não, não, uns dois metros de distância. Mais um pouquinho para cá. Aí. Muito obrigado.
Atirei bem no meio do peito dele, esvaziando os dois canos aquele tremendo trovão. O impacto jogou o cara com força contra a parede. Ele foi escorregando lentamente e ficou sentado no chão. No peito dele tinha um buraco que dava para colocar um panetone.
Viu, não grudou o cara na parede, porra nenhuma.
Tem que ser na madeira, numa porta. Parede não dá, disse Zequinha.

Publicado por Filipe Moura às 09:47 PM | Comentários (0)

ERA UMA VEZ UM BLOGUE DE ESQUERDA

«Lenin and Giacometti», Leonid Sokov, 1990


Foi neste computador onde escrevo que, no dia 1 de Janeiro de 2003, em Paris, num inverno que prometia neve, eu e o meu irmão criámos o primeiro BdE. Foi no tempo dos primeiros entusiasmos com a blogosfera, em despique intenso com a Coluna Infame, a guerra do Iraque em fundo. Não posso por isso deixar de sentir uma certa estranheza ao escrever este derradeiro post. Mas não é nostalgia. A verdade é que, pela parte que me toca, o entusiasmo inicial se foi tornando, com o tempo, cada vez mais moderado, à medida que a blogosfera política portuguesa se transformava, com raras excepções, em arena de populismo opinativo, demasiadas vezes confundida com democratização da informação. Mais e mais opiniões, sempre opiniões, neste nosso espaço público português já de si tão saturado de comentário (basta ver as colunas do jornais e os convidados das televisões).
Foi por isso que tentámos, com o BdE II, fazer uma coisa diferente, que o modelo inicial não permitia. Um blogue colectivo que partisse do que se passa lá fora. Que não fosse apenas um blogue reactivo, mas também reflexivo. Onde se aprofundassem questões. Onde se traduzissem e partilhassem experiências (de luta, de leituras, de discussões). Mais fácil de dizer do que fazer. Alguns dos primeiros amigos e cúmplices desapareceram rapidamente do cabeçalho, como o Frederico Ágoas ou a Marta Lança. Outros foram ficando, apesar de apenas postarem episodicamente (o Zé Luís, o Frazão, a Margarida). Quanto a mim, primeiro vieram as limitações de tempo, chamado por afazeres mais académicos. A preguiça, depois (“Ai que prazer de ter um post para escrever, e não o fazer”). No fim, uma certa forma de cepticismo. Com o tempo, como vários outros colaboradores, fui-me distanciando do blogue, da sua dinâmica própria, dos seus hábitos, da identidade que ele ia construindo.

Nada disto impediu que o BdE II tenha sido um excelente blogue. Quem cá ficou foi mantendo uma visão alerta e comprometida do que se foi passando neste últimos dois anos. Mesmo se muitas vezes me não reconheci no que se dizia por aqui, mesmo se li demasiadas vezes este blogue como se dele não fizesse parte (mas isso é problema meu, não do blogue), nunca deixei de cá passar todos os dias com prazer.
Em todo o caso, o projecto inicial foi ficando sucessivamente adiado. E de tanto adiar, esgotou-se. Ficou esquecido. Os colaboradores mais “activos” do BdE II foram criando estilos individuais que ganharam leitores e adeptos. Alguns estão aliás a avançar com outros projectos, o que confirma que o fim do BdE não vai deixar a blogosfera “à direita”. Estranho fantasma esse, por sinal. Primeiro porque exagera a importância deste espaço, depois porque nunca é demais lembrar que a blogosfera é um mundo pequeno e limitado. A tendência para essencializar a blogosfera, como se se tratasse de um terreno que não admitisse «hors-champ», parece-me uma curiosa forma de miopia política. Como se a política se jogasse e se decidisse apenas nestes virtuais blocos de notas.

Os últimos dias pareceram dar razão aos muitos leitores e comentadores que não percebem porque decidimos acabar agora. Avalanches de textos, boas discussões, vários colaboradores “regressados”. Foi quase o “adeus eufórico” que o Zé Mário pediu. Mas isso não muda o essencial. A questão é que não queríamos manter a casa apenas por ela ser antiga e respeitada. Acabaríamos excelentíssimos dinossáurios, a cheirar a naftalina. Estava no tempo de cada um seguir o seu caminho e é preferível deixá-la assim. Viva. Cheia de promessas. E partir para outra.

Publicado por Manuel Deniz às 08:03 PM | Comentários (6)

O ÚLTIMO LIVRO DO PAULO

livropq.bmp

É um livro para o grande público e para leitores menos familiarizados com os fenómenos da comunicação contemporânea (sejam eles instantâneos, diferidos ou assistidos). Há, por isso, em Amizades virtuais, paixões reais – a sedução pela escrita, de Paulo Querido (edição CentroAtlântico), um tom necessariamente explicativo e limitado aos aspectos mais básicos de cada tema que saberá talvez «a pouco» aos já iniciados nestas diversas facetas da internet.
Enquanto livro de iniciação, porém, parece-me exemplar. Quer em termos de linguagem, precisa mas coloquial; quer em termos de grafismo: limpo, cuidado e com uma impressão policromática bastante razoável.
Em pouco mais de 130 páginas, Paulo Querido vai a todas: IRC, Messenger, SMS, blogues, photoblogs, vblogs, podcasting, Orkut e LinkedIn. O estilo é o dele, muito directo, terra-a-terra, sem merdas. Abundam imagens de ecrãs, exemplos práticos, endereços onde se pode aprender mais. Em suma, quem quiser conhecer algum destes mundos, tem aqui uma excelente porta de entrada.
E depois há o capítulo sete. Mas do capítulo sete não posso falar.

Publicado por José Mário Silva às 07:53 PM | Comentários (0)

BLOGS, MODO DE USAR

Ando nos blogs vai para mais de dois anos e, depois de todo este tempo, o acto de blogar continua a ser para mim um alvo de perplexidade.
Diz-se frequentemente que os blogs são um espaço de auto-expressão, de intervenção cívica e liberdade.
De acordo quanto aos dois primeiros, mas a liberdade já me causa mais hesitação.
Liberdade, liberdade é escrever para si, livre de toda a contingência ou perscrutação social.
Quando alguém arrisca escrever nos blogs está desde logo a restringir a sua liberdade de expressão. Porque a exposição pública implica ter de prestar contas, dar a cara pelo que se escreve e ter de pensar para quem se escreve. E isso implica restringir a liberdade, em troca de aceitação social.
Porque, sem eufemismos, blogar implica aceitação social, mesmo nos blogs mais umbiguistas. Para quê escrever em público, arriscando ostracismo ou indiferença, se não é para se ser lido? Mais vale continuar a rabiscar o diário em papel...
E da aceitação passa-se à tentativa de agradar. Começa-se a escrever com regularidade para satisfazer "os leitores", pede-se desculpa por não se ter tempo, avisa-se que se vai deixar de escrever temporariamente, procura-se assunto para se escrever, fazem-se "esboços de posts", fala-se de assuntos que não nos interessam ou sobre os quais não se tem nada de novo a dizer porque tememos ser acusados de "assobiar para o lado" por motivos indizíveis. Porque a palavra passa a ser um acto, que se faz quer se use a palavra ou não, blogar começa a tornar-se um fardo, as ideias acumuladas que vinham naturalmente esgotam-se e é preciso procurar novas, é preciso descobrir palavras inéditas para dizer e novas formas de o fazer.

E, de repente, quando no início blogar parecia tão fácil como sermos nós próprios, descobrimos afinal que é um casamento com um cônjuge exigente, que quer atenção, mimos, carinho, afecto, novidades, surpresas, prendinhas, jantares íntimos e sexo tórrido todos os dias, no meio da rotina mais banal e ínsipida.
E então uma pessoa começa a pensar se lhe interessa mesmo manter essa relação, se não prefere procurar amantes novos, sair com os amigos, ler livros interessantes, ir a cinemas e teatros, voltar ao diário rabiscado.

E depois vem a hesitação de abandonar os filhos-posts, o receio de ficar só, a angústia de não se voltar a encontrar um cônjuge tão devoto, tão carinhoso, tão amante.

E então é preciso escolher. Às vezes persiste-se, escolhendo a segurança dos episódios felizes e dos momentos inesperados. Outras vezes divorciamo-nos, só para regressar de imediato ao conforto dos mesmos braços. Outras ainda procuramos novos braços que nos acolham. E alguns desaparecem, no sossego da vida sem compromissos.

No fim de contas, blogar talvez nos fascine e prenda porque é tão parecido com amar.

Só que, agora, o que é que fazemos?

Publicado por Jorge Palinhos às 07:41 PM | Comentários (10)

A COMUNICAÇÃO DOS CANDIDATOS

Analisemos de seguida a forma como os principais candidatos às eleições presidenciais comunicam as suas ideias.
Cavaco Silva evita a todo o custo usar a palavra. Quando tem mesmo que a usar, come bolo-rei ou refugia-se no Pulo do Lobo.
Francisco Louçã é um homem de prosa. E ele fala, e ele fala, e ele fala...
Manuel Alegre é essencialmente um homem de poesia. De lirismo.
Jerónimo de Sousa e Mário Soares não precisam de recorrer tanto às palavras. A Jerónimo, basta um passinho de dança; a Soares, um sorriso.


Publicado por Filipe Moura às 07:10 PM | Comentários (2)

OS ANOS DE CHUMBO DO CAVAQUISMO

Faz agora em Novembro doze anos e parece que já ninguém se lembra. Em frente à Assembleia da República, uns milhares de estudantes do Ensino Superior manifestavam-se contra o aumento de propinas. Era uma manifestação legítima e, para 99% dos presentes, era totalmente pacífica. Ao menor pretexto, porém, a GNR efectuou uma descarga de bastonadas. Não se restringiu ao núcleo de potenciais agitadores - note-se que estava presente um número de agentes mais do que suficiente para isso - e, mesmo para esses potenciais agitadores - nunca ficou provado que o fossem -, não havia necessidade nenhuma de recorrer a bastonadas. Mas a partir do momento que a descarga começou foi esse o "tratamento" que levaram todos os estudantes que tiveram o azar de estar à frente dos agentes nessa altura, ou que não conseguiram fugir suficientemente depressa.
Tive a sorte de não ser um dos estudantes feridos. Mas uma amiga minha de infância, estudante de Medicina, não pôde dizer o mesmo. Era uma rapariga magra, quase franzina. Uma miúda então com dezoito anos. Ficou com o corpo cheio de pisaduras. Sangue pisado. Pisado pelo cavaquismo.
Dois colegas meus, do meu curso, do meu ano, da minha turma, foram presos. Passaram a noite numa esquadra de polícia. Não estavam a trancar nenhuma Universidade à chave e nem a ter comportamentos indignos. Limitavam-se a exercer o legítimo direito à manifestação (legal, autorizada) que qualquer cidadão tem.
Felizmente houve testemunhas e documentos do ocorrido - registos fotográficos e em vídeo. Dos estudantes em fuga a tentar despistar a polícia pelas pequenas travessas perpendiculares à Rua de São Bento. Das bastonadas. Dos corpos feridos. As televisões e os jornais mostraram as imagens, e o país todo pôde julgar - e julgou da mesma maneira: o que estava em causa não era a manifestação ser ou não pacífica; o que estava em causa era o tamanho dessa mesma manifestação, e a má imagem que tal daria do governo. Ao menor pretexto, a manifestação tinha de ser dispersada, fosse de que maneira fosse. Foi o que sucedeu.
A GNR está na dependência directa do Ministério da Administração Interna. Não houve por parte do Ministério nenhum inquérito aberto para averiguar a razão de tal procedimento por parte dos agentes. Não houve, por parte de nenhum membro do Governo, nenhuma condenação ou, sequer, lamento pelo sucedido. Tudo foi considerado perfeitamente natural, com o total apoio do Governo. A polícia tinha procedido como devia, de acordo com as ordens que lhe haviam sido dadas.
O único responsável político que condenou o sucedido e censurou o procedimento da polícia foi o então Presidente da República, Mário Soares.
O que se seguiu então foram greves académicas, universidades fechadas, e uma enorme sensação de que o país tinha regredido mais de vinte anos. Que as lutas que foram da geração dos meus pais estavam a ser as da minha geração. Só com uma diferença importante: a geração dos meus pais vivia em ditadura; a minha, supostamente, vivia em democracia. Foi graças a essa democracia que havia uma comunicação social livre (mesmo se, em parte, escandalosamente controlada pelo Governo - como nenhum outro a controlou) que soube documentar o que se passava. Foi graças a essa democracia que se organizaram exposições com registos fotográficos da brutalidade policial. E foi graças a essa democracia que mais tarde, em Janeiro de 1996, o país decidiu acordar deste pesadelo. Exorcizar este mal. Julgou-se que para sempre. Pelos vistos, ainda não.
O líder do Governo de então era o mesmo homem que hoje se apresenta como candidato "acima dos partidos" à Presidência da República: Aníbal Cavaco Silva. Se já vimos como é ter a Guarda Nacional Repúblicana sob a tutela (mesmo que indirecta) deste homem, nem quero imaginar como seria tê-lo como Chefe de Estado. Um Chefe de Estado é uma garantia, e para tal este homem, digo eu, simplesmente não é digno da minha confiança.

Publicado por Filipe Moura às 07:02 PM | Comentários (3)

OS MENCKENS DO CHIADO

Em Portugal abundam indivíduos de ambos os sexos, semiliteratos, semiviajados, cujo desporto intelectual é deitar abaixo o país e a sociedade portuguesa. Criticar a "choldra", na sua intertextualidade favorita. Excitar-se em indignações convulsas, vociferar contra os burgessos locais, deitar mãos ao alto diante do compadrio, espumar da boca perante o atraso, a incultura, a indigência, a hipocrisia, etc., etc.

Portugal não é um paraíso e há muito que criticar e mudar. Mas também não é o pior dos mundos e, mais absurdo ainda, muitos dos defeitos que estes xenófilos mais gostam de apontar são também abundantes lá fora e, infelizmente, frequentes na maioria das sociedades humanas.

E para Portugal evoluir é preciso todo um programa de mudança, ideias sobre o que é preciso mudar, o que é preciso conservar, como mudar e quando. Só dentro de um programa destes - e há muitos programas possíveis - se pode criticar com coerência, convicção e consequência.

Porque criticar sem ideias ou convicções ou acções, pelo simples fundamento de que Portugal não é a França e Lisboa não é Paris, não é colocar-se acima dos burgessos ou apresentar-se como uma elite aristocrática.

É apenas ser um burgesso que cita Eça.

Publicado por Jorge Palinhos às 06:25 PM | Comentários (3)

UM ADEUS IGNOBYL

ignobyl.jpg

Publicado por tchernignobyl às 05:10 PM | Comentários (8)

O SUMIÇO

Fico eu sem expressões que pelo menos suspirem por reproduzir no espírito do bondoso leitor o meu desgosto com este momento: o nosso BdE finou-se. De modo bruto e definitivo, no more posts, no more comments; em frente, somente o zero onde se reduzem em pó os frutos de gloriosos e longos meses. Infindos esforços, minutos em multitude: primeiro gloriosos, hoje só devolutos.
E fico eu mudo por virtude de dispositivo conhecido: o homem submerge-se em criteriosos desígnios e Deus, no fim, impõe o seu definitivo direito de dispor desses pobres sonhos de poder. O efeito? Micróbios teimosos, clientes infelizes, HTML rebelde… todos unidos num monte de escolhos no percurso do meu Norte predilecto.
Dos mil e um posts previstos e queridos, o que pode resistir? Elejo o difícil repto do nosso ZM: um momento de preito pelo glorioso OuLiPo. Efemérides existem que impõem respeito e honesto suor de esforço.
Júbilo sim; o desespero é que é proibido. Deste termo, muito promete sobreviver: de novo nos veremos por esses novelos de blogues e outros sorvedouros do nosso tempo livre. Disso fico certo.

Publicado por Luis Rainha às 05:01 PM | Comentários (9)

ALTOS E BAIXOS

blogpulse.bmp

Eis como oscilaram as referências ao BdE na blogosfera durante os últimos seis meses [cortesia BlogPulse].

Publicado por José Mário Silva às 04:49 PM | Comentários (0)

O CONSUMISMO CULTURAL

Sabe-se: vivemos na era do consumo. E para muitos, à esquerda e à direita, o consumo desenfreado é mau. Porque desperdiça recursos, destrói o ambiente, fomenta o capitalismo selvagem, promove a superficialidade e o materialismo...

Com uma invisível excepção: toda a gente é a favor do consumismo cultural.

Clicando pelos blogs, vê-se muita gente a qualificar livros, CDs, DVDs de "imprescindíveis", a ufanarem-se de "já tenho o meu exemplar", a lamentarem-se da falta de dinheiro para comprar mais livros, CDs, DVDs ou de espaço para os guardarem em casa, a referirem repetidas visitas a lojas ou megastores do ramo, a confessarem-se "bibliófilos", "cinéfilos", "melómanos". E há blogs exclusivamente sobre livros, sobre música, sobre cinema. E isto aos milhares por semana.

Inversamente, quantos posts há elogiando o bacalhau demolhado da Noruega? Quantos blogs há sobre cervejas ou carros? Quantos confessam perderem a cabeça no Pingo Doce? Quem foi a última pessoa que ouviram dizer com orgulho que era "atunófila"?

Não que eu queira negar aqui o prazer de ler um bom livro, ouvir boa música, ver bons filmes, mas porque é que o consumo desenfreado de livros (muitos dos quais, provavelmente, nunca serão lidos) é motivo de vaidade e o consumo desenfreado de toalhas de banho é um embaraço?

E, no meio de tantas preocupações ecológicas, porque é que não se ouve falar do consumo de recursos naturais que estas indústrias implicam? Alguma vez alguém deixou de comprar um livro pelas árvores e água que destrói e os químicos que contém? E, no entanto, a indústria do papel é a quinta maior consumidora de energia do mundo, a maior consumidora de água e usa numerosos químicos poluentes para branquear e tornar mais macio o papel.

Pois é, parece que o prestígio cultural e civilizacional, a "elevação espiritual" legitima alguns "consumismos desenfreados". No entanto, muitos livros não passam de ideias e palavras recauchutadas de outros livros, muitos filmes servem apenas para acompanhar com pipocas ou satisfazer egos e há músicas que estão ao nível de trauteios de duche.

Porque, por muito que gostemos da arte, isso não pode servir para desculpar ou fingir que por trás não existe uma indústria.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:12 PM | Comentários (2)

PRÉMIO MAGNANIMIDADE E RIGOR NOTICIOSO

As duas alunas da escola António Sérgio, em Gaia, cujo namoro e respectiva expressão de afecto terá gerado uma reacção discriminatória dos funcionários e do conselho executivo, poderão ver as suas faltas às aulas "perdoadas" pelo ministério.

Mas gostei desta parte:

Apostada em "que se debata esta questão", Elisa Moreira disponibiliza-se para falar com as associações. E manifesta a sua preocupação com as duas jovens, de 16 e 19 anos, responsabilizando os media pelo excesso de exposição de que elas e a escola foram alvo. "Uma parte do que lhes aconteceu deve-se a essa exposição. Podia-se ter noticiado o caso sem identificar a escola, não aumentarndo o sofrimento em nome da notícia."

Imagino que para a senhora a notícia ideal seria:

"Algures este ano, um número indeterminado de pessoas de um estabelecimento público de carácter desconhecido foram alvo de uma punição não-especificada devido a um acto cuja natureza não pode ser aqui referida."

Assim, no entender da D. Elisa Moreira, poupar-se-ia às alunas - as vítimas deste caso - o facto de terem a opinião pública do seu lado e sofreriam apenas por serem humilhadas, maltratadas, ostracizadas, marginalizadas, ridicularizadas, prejudicadas no seu percurso escolar e na sua vida familiar e social sem qualquer tipo de apoio ou auxílio.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:36 PM | Comentários (6)

PARA SAIR NO DIA 5 DE DEZEMBRO

Centenário do nascimento de Ruy Luís Gomes, notável matemático e antifascista português.

Publicado por Filipe Moura às 11:30 AM | Comentários (2)

PARA SAIR NO DIA 1 DE DEZEMBRO

Woody Allen completa 70 anos.

(Ouviste, André?)

Publicado por Filipe Moura às 11:06 AM | Comentários (2)

POST DE DESPEDIDA DA ALICE [PARA O JOÃO ANDRÉ]

Dá-dá-dá-dá-dá. Dá-dá. Dá-dá-dá.
(Grito de excitação.)
Mon-mon-mon, mon-mon-mon-mon, mon-mon.
MON-MON-MON.
Dá-dá, dá-dá-dá-dá-dá. Dá-dá-dá. DÁ-DÁ.
(Silêncio.)
Dá-dá-dá.
Mon-mon-mon-mon.
Dá-dá.
Dá.

Publicado por José Mário Silva às 10:48 AM | Comentários (3)

EÇA É QUE É EÇA

Eca.jpg

Particularmente adequada a situação deste busto de Eça de Queirós na localidade francesa de Neully, mesmo à saída de Paris, perto do Bosque de Bolonha, onde o escritor português viveu os últimos anos da sua vida. Alinhado no eixo entre os Arcos do Triunfo e de La Défense. De costas voltadas para as caturrices parisienses. De olhos postos no futuro.

José Maria Eça de Queirós nasceu faz hoje 160 anos.

Publicado por Filipe Moura às 10:37 AM | Comentários (1)

O TEMPO NÃO PÁRA

há mais de dois anos esta canção do Cazuza era uma das minhas favoritas. E é natural: se eu tivesse que escolher uma "banda sonora da minha vida", este seria com certeza um dos temas escolhidos. No último dia do BdE é uma boa ideia ouvi-la. O BdE acaba mas o tempo não pára, camaradas.

Publicado por Filipe Moura às 08:59 AM | Comentários (5)

O MELHOR DA BOMBA

Um dos comentários mais antológicos do blogue, dedicado ao Fernando Venâncio. E serve para recordar que este blogue também não teria sido a mesma coisa sem a presença do Fernando.

Senhor Fernando,
You are forgiven. I also make many of those mistakes myself and perhaps even more inexcusable since I normally commit them to paper or feed them to the internet wolves at normal hours of the day, when my brain activity is at its peak. While believing that ideas are what really matters (fuck the rest), I cannot deny it felt mildly good catching you unaware, while remembering my life as a twelve year-old being paid the equivalent of three loaves of bread a day at the local factory - a thing you probably only heard about in books by S.P. Gomes or Redol given to you by your proud daddy to prepare you for a life in academia.

Publicado por Filipe Moura às 08:44 AM | Comentários (5)

ANTOLOGIA DA BOMBA

Um aspecto que tornou este blogue diferente foram os comentadores "muito especiais". Não falo destes; os que eu me refiro agora não eram maçadores, mesmo que a intenção inicial deles fosse essa. Primeiro foi o Afixe, que ficou por aqui algum tempo mas cedo virou blogue. Mais recentemente, o Bomba. O Bomba tentou escrever um blogue, mas sentiu-se mais à vontade para criticar as ludovinas politicamente fanáticas aqui. Creio que todos os escribas e comentadores mais frequentes foram uma ou outra vez vítimas da língua mais viperina das nossas caixas de comentários. Dado que permaneceu aqui tanto tempo (e mais permaneceria, não fosse o blogue acabar) mudou algumas vezes de nome: de Germano Filipe a Madalena, passando por Bombatómica. No meu caso, por alguma razão, ele raramente falava directamente comigo: mais frequentemente mandava-me recados por terceiros ("diz ao Filipe Moura que...", "vejam o caso do Filipe Moura...") e, quando me interpelava directamente, era mais frequente ser em inglês ou mesmo francês!
Na altura em que a produtividade deste blogue esteve mais em baixa, devemos ao Bomba a motivação para virmos sempre aqui. É que, se não houvesse entradas novas, pelo menos haveria de certeza novos comentários do Bomba. Fica aqui um pequeno apanhado aleatório.

Eu venho a este museu todos os dias e não pago nada...


Valupi,
Não desperdice piano de cauda com tocadores de pífaro de cena politico-pastoril. Começa pelo JMS a informar-nos sobre o Estaline e a esquecer que esse bigodes esteve em Ialta a combinar com Rusevelt e Xurxill(ambos brilhantes candelabros da machonaria) como é que se poderia organizar a divisão do Mundo depois da guerra, e mais uma guerra na Korea e mais outra no Vetnam (ganha pelos americanos, ao contrário do que a esquerda inocente acredita) de modo a que parecesse tudo natural e a criar na cabeça das pessoas que o objectivo do comunismo era por fim ao imperialismo maldito. Depois continua com outro rapazo menor a pensar no poder económico como influenciador da política tipo "como acontece em todo o lado". Isto enjoaria se não fizesse rir por ser tão velho e tão tristemente batido. Nada de novo na frente mais ocidental da Europa. Sinceramente, Valupi, não perca tempo.

Alguns diriam que esses acidentes são causados pelo vício que tens de usar a enorme boca da direita em vez da cabecinha de pequena flama da esquerda. Cuidado com esses fogões modernos, filho, senão vão dar-te arroz por seres tão aventureiro e abstracto com os teus posts.

tchernignobyl,
não querias acreditar porque já andas em estado de coma politico há muitos anos(a pensares que és do contra). Não te assustes, olha para o Filipe Moura que emborcou kilos de delicioso arroz transgénico queimado sem saber.Bem me queria parecer que os posts dele não eram normais, mas não quiz dizer nada, para não me chamarem má-língua. Se isto vem dum meco que geralmente concorda com o PC,imagina imagina as toneladas de broas de milho transgénico que o centro e a direita não vão engolir sem fazer caretas.

Phillipe Maure,
Ne sautez pas, je vous en prie. Nous avons besoin de mathematiciens comme vous pour instruire les pauvres lecteurs de ce blogue.


João André,
Às vezes até me dá vontade de chorar quando leio respostas aos meus comentários de mulher vadia mais batida em Alfamas que nos centros comerciais modernos. Não fiques pesaroso com as minhas acusações de que és um despudorado admirador do capitalismo. É dos impropérios que tem menos poder ofensivo no meu arsenal de palavras incómodas e incultas. Na verdade, tomara os meus “potenciais” adversários que eu andasse sempre a pensar em Capital e Trabalho, tal como Marx deixou lavrado nos breviários. No entanto, lendo-te de alto abaixo, deparo com a tua acusação, mais ou menos expressa, que não percebi absolutamente nada do que escreveste. Poor me. Fiquei desse modo a saber que tens bastantes dúvidas em relação aos “transgénicos”; que não és adepto do “capitalismo desenfreado”, antes pelo contrário, mas que ninguém pode fugir a “este” capitalismo civilizado que nos envolve como um polvo necessário; que sabes muito bem o que dizes quando falas de SIDA e que lamentas a referência que fizeste à África. Porreiro. Fica tudo esclarecido. Só espero que no futuro, quando te estenderes nestas paragens para acrescentares um ponto a um conto doutro, sejas mais claro, mesmo que isso te obrigue a descer ao meu nível fraco de percepção. Mas lembra-te duma coisa: mesmo que andes a querer agradar a gregos e troianos ainda estás, como eu, muito longe de saber quem é que te talha a maneira de ver. Tens muita razão: o meu forte não é argumentar. Prefiro comparar a informação à mão e escolher a que me parece mais perto da verdade. Para isso não preciso de muitas palavras. Para quê perder o fôlego em 10 páginas que daqui a cinco ou dez anos nem servirão para limpar o rabiosque porque não eram àcerca de nada?

Random,
Muito obrigada pelas tuas opiniões “at random” que deixaram a maior parte a chuchar no dedo da indiferença. Vê-se que és optimista, que não acreditas em poluições e que a falta de petróleo foi tudo “grupo” e que para ti não há catástrofes. Porreiro. O que duvido é que estejas bem informado/a sobre isso tudo. De qualquer forma, ninguem pode roubar-te o direito de pensares assim. No entretanto, não te incomodes com os meus desejos secretos na área do baixo-ventre. Não sei se já ouviste falar (se não, precisas de dar um giro fora da paróquia) mas há uma terceira via na maneira como olhamos o “sexo” e já se vai falando disso há algum tempo. Refiro-me ao “assexualismo” que é uma espécie de amar sem necessidade de intumescências.

Fazes-me perder a paciência e entortar a vista com o teu jogo de ancas, José Mário. Dizes que o Papa é mau num corpo doutra pessoa com bom coração e ainda por cima te admiras com o facto de ele ter andado obcecado com a Nossa Senhora de Fátima. Credo! O que é que querias - que o homem andasse obcecado com discos voadores ou corridas da Fórmula 1, como certos esquerdistas neste blogue? Tem dó dos que te lêm! Esse dogmatismo que viste no papa é muito discutível, particularmente no que respeita às liberalidades sem fronteiras que defendes no campo do aborto e ao uso indiscriminado de cloacas como orgãos sexuais. Já leste as últimas estatísticas sobre “felicidade” na família desde que fomos inundados com certas liberdades? Vais precisar de muito mais “praxis” para teres tantas certezas. Outra coisa que também gostaria de saber é o que é que queres dizer com ”não sou católico”. Então o que é que és, meu filho? Protestante, budista, ateu, ou agnosta a dar para os dois bordos no caso de te surgir a aparição dum anjo com chifres em vez dum serafim? Se fores ateu, que é o que eu penso que gostas de ser, qual será então a utilidade, importância, cabidela ou necessidade duma opinião tua, má ou boa, àcerca dum papa? Não duvido que no teu douto parecer a Igreja é, provavelmente, “reaccionária e obscurantista” mas, tal como com o vinho, achas que há anos bons e anos maus. Será essa a moralidade do resto da esquerda suave? Ok, o Pinochet desta época é melhor que o da época passada; ou os primeiros-ministros socialistas de agora não são nada que se compare com os de há vinte anos. Segue o meu conselho, não atires remoques ao grande Mário Soares: ele sabe muito melhor do que tu os ingredientes utilizados na confecção duma hóstia. E agora desculpa-me, pois tenho que ir rezar uma novena de avé-marias para te salvar das chamas.

Desculpa de só agora te mandar estas linhas. Mas o que acontece é que só esta manhã, quando me levantei aí por volta das seis e fui dar de comer aos animais, reparei nesta tua troca de palavras com o Fernando, onde largas, muito a despropósito, o meu “nome”. Mas tive mais que fazer...
Mas o que é te deu na corna para vires praqui, neste posto sobre Viegas e Darwinismo, lançar uma afronta dessas à minha coninha mal-educada com opiniões católicas pouco ou muito ortodoxas sobre abortos? Está a adivinhar chuva, ou quê?
Rapaz, se quizeres saber, bate-me à porta. Responder-te-ei com prazer sobre abortos e desmanchos à antiga portuguesa. Agora que já sei que pertences à brigada dos karl poppistas e que escreves textos técnicos que te bloqueiam a dita corna e que este blogue não te enches as medidas, diz-me mais. Mas não te esqueças de me explicar primeiro o que é que queres dizer com merda desta: “Eu não me considero católico, mas estou bem consciente que o catolicismo me corre nas veias, algo com que eu procuro lutar com as forças que tenho. Espero que também me corra nas veias algum cristianismo, mas isso já não me compete a mim julgar ...”. Quem sabe se é esta confusão que te faz andar aos saltos neste blogue como um macaco à procura de ramo. Ilumina-me. Make my day...sua cona verbosa.

Enquanto não chegarem aqui pessoas com mais educação e cultura, recuso-me terminantemente a entrar nestas conversas de engastalhar línguas ou torná-las piriricas ou ofensivas. No entanto, não me vou embora sem apelar ao senso de humor do Tavares e pedir-lhe que não leve estas coisas a peito. O seu poema é muito original, e se o resto que já escreveu não destoa muito no calibre dos dois que de sua autoria já li, nada neste mundo me impede de lhe dar os parabéns por ser capaz, tenho a certeza, de fazer melhor que a maioria dos sentimentalistas que comentam neste blogue sobre versos. Eu incluido, só o que não sou é sentimentalista.

O Zero à esquerda também não veio alterar os dados ao problema (o nome não o ajuda muito, eu sei) quando me criticou às dentadas ajudando-se muito superficialmente daquilo que andou a aprender na kindergarten das Galveias sobre o Schopenhauer. Tudo deveras musical e quase dramático - a especialidade favorita do Schop para os artistas que querem reduzir as fervuras das vontades. A ele só lhe tenho a dizer que é um mau hábito recorrer a oráculos por tudo e por nada, especialmente quando queremos provar que as galinhas não têm dentes. O Schop tinha coisas boas e coisas más, um génio, etc.,etc., mas mortal, como toda a gente. Se cada vez que quizermos provar um ponto formos obrigados a encostarmo-nos a estes bordões ilustres, tempo virá em as nossas cabeças só funcionarão por correspondência. Mas como o zero é bom rapaz, desculpo-o. Sei que ele terá dias melhores.

Agora deveras irritante é a maneira como o Luís Oliveira anda a abanar as fraldas da camisa para respirar melhor. Este rapaz depende tanto disto como de oxigénio. Salvem-no, por amor de Deus.

Entretanto, o D. Juan começou há dois dias e já anda a tomar mescalina, pois vê coninhas coloridas por todo o lado. Isto tudo aflige-me e não pressagia coisa boa.. Tenho que ir dar uma volta ao Castaneda.


D. João,
Esse teu “esprit de l´escalier” antes de ires fazer óó está cheio do mistério a que já estou acostumado. Pois, meu filho, permite-me tomá-lo à letra e dizer-te que é de “pancadaria” , e da brava, que a gente deveria gostar– estética, ideológica, política, científica, etc. Deveria, para aprendermos ou ensinarmos. Mas a verdade é que este post tem estado aqui desde as de ontem e apenas atraiu uns míseros 13 comentários. Tenho visto posts sobre pomadas para furúnculos com uma freguesia muito mais numerosa e animada. Será que o virus do “mind control” também já afecta a população bloguista de esquerda em Portugal?
Pergunta parva e desnecessária, pois como se sabe o passatempo favorito entre a rapaziada é desperdiçar palavras na execução sumária ou encómio de personalidades políticas de segunda grandeza - uma espécie de extensão malcriada e por vezes violenta daquilo que se lê nos jornais. Noutras alturas assistimos a conversas provincianas sobre governos regionais que duram o dia todo e muitos ainda ficam a chorar por mais.


Vou coibir-me de fazer quaisquer comentários ao desenvolvimento dos gastrocnémios do Filipe Moura, que nesta altura já devem fazer assomar lágrimas de gozo aos olhos das colegas do sexo oposto quando ele chega à politecnica de mahã cedo, todo suado, mas não posso deixar passar o resto.

Valupi,
I am glad to see that your much admired poetic source is dry at the bottom. What a relief for me, the poète maudit. No more deviation from the capital matter which, at the beginning of this post, was only about Aids and morality and maybe a little bit of hypocritical opinions on so-so poetry. And don’t think I am not aware that you are probably the only one reading this comment, for I took due care by addressing it personally to you to discourage the rest. And the rest includes the threateningly funereal Zangalamanga, undefeated champion of shallow interjection and shooting from the hip, who, I believe, comes here to share a bit of the mystery that he then carefully saves, for when he returns in two or three weeks time, tired of being lied to by Sky News. I wish my liver allowed me to do that. Or my heart, for that matter.

So I hope that when our mutual friend (??) Luís Rainha comes back from his well deserved holidays in Lourdes, he will use a bit of his much appreciated humour to invite us, the bullshit brigade, to discuss properly the medical, political and conspiratorial aspects of Aids to enlighten not only the illustrious readers of this even more illustrious sheet, but also some badly informed press whores (presstitutes) who come here to sniff from time to time. Meanwhile watch your back, cagliostrical Zangalamanga is around.

Querida Margarida,

Não imoles mais a esquerda no altar da direita estúpida. Entra mais é em negociações com a tua inimiga sangrenta e vão as duas dar uma volta ao Algarve para espairecer. Volta depressa, porque gostamos de ti. Mas não uses novamente a expressão "pin in the neck" senão fazes rir os ingleses que te lêm. Se quizeres usar "pain" em vez de "pin" come-se, e no "ass" é muito melhor que no pescoço, isto é, é muito mais vigoroso para traduzir o que te vai na alma.

Este grato Rainha devia explicar aqui à rapaziada que não concorda com ele se o seu modelo de cabaz leva menos que uma cesta de vindima ou mais que um vagão. Eu acho que a segunda das hipóteses é que está certa. Mas também qual é a merda da diferença? O neo-conismo (neo-cunismo para alguns) tem-se metido por tantas frestas da esquerda moderna através de trotskismos insidiosos ou arrependidos que o stalinismo vai começando a ser recordado por muita gente com saudade em vez de reprovação. Mas não faz parte do plano, essa é que é a chatice. E quem não acreditar pergunte ao João Carlos Espada quando ele estiver muito comovido a fazer festinhas à medalhinha de Grande Oficial da Ordem de Mérito que o Mário lhe pespegou no peitinho com muita solenidade. ( in “Isto é tudo a mesma cambada”).

Sinceramente, já estou arrependido de não me ter inscrito neste curso a semana passada. E duma coisa ninguem me desconvence: o Palinhos não toca em nada que seja adoçado com aspartame nem e deve ser contrário a usar pasta dentrífica que contenha flúor. Pelo menos é o que depreendo quando lhe observo a superior calma com que enfrenta o resto da docência. E até sabe melhor ler o Valupi, o Random, etc. e o resto quando é o Palinhos a citá-los. Mandem mais, senhores, por favor -, preciso de acalmar estes fernicoques. Ah, e Viva a Democracia! - já me esquecia.

Filipe Moura,
Que linda despedida a largares a arbitral opinião de que consideras este debatezinho entre especialistas da educação um empate saudável. Já agora diz-nos quando é que este campeonato irá acabar, por favor, porque tenho mais que fazer! E é como dizes: toda a gente tem razão e até se complementam para harmonizar o arraial, deitar os foguetes e apontar com o dedo os resopnsáveis que andam a emperrar isto tudo. Malditos professores, directores, criadores de programas, comidas de cantinas, etc. E, acima de tudo, viva o esforço do estudante trabalhador que triunfa sempre, sejam quais forem as circunstâncias (bollocks!).
A mim, nenhum pedagogo ingénuo ou de palmatória me conta um conto a pensar que me põe tonto. Para mim, isto não passa da conversa oca que servirá para enganar a maioria e divertir uns quantos cús sumamente convencidos que aparecem pelos colóquios e conferências promovidos pelo Random e os seus amigos para denunciar e criticar educações sem qualidade.

Não é que não se aprenda bastante contigo, Valupi (Montgomery aprendeu com Rommel, Camões com Homero e Salazar com Afonso Costa), mas por que é que tens que dar sempre relevância ao aspecto “lúdico” destas conversas? Especialmente quando regressas munido das armas apaziguadoras que não envergonhariam um sub-secretário geral da cultura de qualquer época ou matiz politica. Sei que não concordas, mas nem toda a gente está convencida que as opiniões que aqui se expressam não contarão, no fim, em “nada”, só porque não são travadas entre caciques da burocracia e sobas da política que nos empurram para onde muito bem lhes apetece, muitas vezes encostados a autoridades baseadas em vinte e tal por cento dos votos do eleitorado. Alem disso quase todos sabemos que um blogue não é apenas um blogue, porque há milhares de políticos encartados e empossados em todo o mundo que usam esse instrumento para se promoverem e promoverem as suas ideias e as ideias dos seus partidos. The game is over, Valupi. This is serious business. Ask you friends in the press. Even Calhordus knows that.

Valupi,
Bom, o que é que tu queres que eu te diga? Que és o campeão do revirete e que melhor que ninguém sabes cobrir as questões com floreados e perfumes e imagens que são uma delícia mas só raramente conseguem desarmar malta como eu, ou como o muitissimo mais militante Rainha, vamos lá? Ok homem, acedo, mas não precisavas de ajaezar o sarcasmo com o fatinho preto que se leva à missa domingueira e nisso, sim, desarmas-me, porque vejo no teu discorrer uma alcalescência inicial cheia de berlicoques adoráveis que progressivamente vai azedando para terminar numa acidez orgásmica que cancelou todo o esforço que puzeste no foreplay e no fim não me veio ajudar em nada neste vício que tenho de amar as minhas ideias. Portanto ficámos na mesma, apesar dessa “confissão” arrancada a pé-de-cabra ou profundamente endividada à arte de representar. E fica-te bem, não julgues. Continuas a marcar passo com a perfeição do costume na parada escaldante do quartel das ideias e não desceste um milímetro no conceito que faço de ti. The job is still yours, captain Dreyfus.
No entretanto e muito tristemente, e isso é que é realmente a merda, o sol continua a girar à volta da terra como muito piamente nos asseguravam os pais da igreja há quinhentos anos, e não há gracinhas que possam esconder a mentira que lhe corresponde nestes tempos. E ela é a que somos todos vítimas duma conspiração enorme à escala do planeta cuja sucesso depende muitíssimo da maneira como o pagode se comporta quando se põe a brincar às democracias das urninhas com rachas gulosas ou à procura do sistema político perfeito baseada nas ideias e nos ideais de algumas centenas de lunáticos que viveram há muitos anos pendurados a partidos controlados por basílicas, lojas e sinagogas..
Mas, sinceramente, que interesse há em manter este nosso trio, sempre respingão e de pé atrás, aqui às voltas com coisas destas que nem sequer são do gosto da maioria que só cá vem para beber a laranjada da ordem feita com água da torneira e concentrado? E também não ajuda nada o facto de que alguns dos seus mais respeitáveis colaboradores nem sequer sabem que há gasparoves que também acreditam em teorias da conspiração.

ZM
É sempre bom ter um pacifista para acender as velas do bolo podre que nos lembra a grande victória dos aliados no Japão e a morte de centenas de milhares de inocentes.
Mas, como vês, os leitores da tua folha ficaram com as vozes embargadas pela “comoção” causada por um símbolo anti-Humanidade muito agitado pela velha Esquerda ao serviço do “internacionalismo proletário” da União Soviética. O que muita gente não sabe, ou prefere não querer saber porque não faz “sentido”, é que a capacidade tecnológica para construir um arsenal de “Flores do Mal” pela pátria soviética (para se entrar na bem planeada “guerra fria” que nos entreteu) foi voluntàriamente e secretamente cedida pelos titereiros americanos da altura, isto é, os sucessores dos tais banqueiros que já tinham trinta anos antes financiado a Revolução Bolchevista de Outubro.
Deixa falar aqueles que gostam de entreter-nos com os famosos guerreiros e libertadores da História que usaram muito discurso, lança e cavalo ou tanque e canhão para imporem as suas ideias e supremacias, os seus impérios e a continuação dos seus interesses económicos e até religiosos.
Chamar a isto idealismo, romantismo ou algo mais, também está previsto na agenda dos manipuladores para desarmar pacifistas e destapadores de cús. Por isso não te admires. Essa malta dorme sempre com um olho aberto, e não é aquele que estás a pensar.

Ora aqui temos um posto excelente do Palinhos que provavelmente irá servir como matéria incriminatória quando daqui a um ano ou dois a Nova Ordem Mundial quizer sentá-lo no banco dos réus com o intuito de o mandar para um dos centros de re-educação de jornalistas em Peniche ou Caxias.
Também andei às voltas na Google durante uns minutos para aceder ao seu convite para darmos as mãos pesquisadoras, mas não achei nada de interesse, para alem da habitual filantropia capitalista, à la portuga, distribuída, a nivel de investimento, por actividades tão díferentes como fundações caritativas para ajudar crianças necessitadas duma educação decente, e construção-civil multi-sectorial, incluindo a área das creches e lares, como é óbvio, e administração de fundos de pensões de empresas bancárias. Aprenderam depressa com os ingleses. Don´t put all your eggs in one basket.
O facto de uma dessas empresas se pavonear, frente ao mercado americano de investimento com um olho muito cobiçoso no nosso Portugalito, detentora de grande experiência e de projectos comerciais nos terrenos do “novo”aeroporto de Lisboa não me parece ter peso bastante para comprometer a sua idoneidade investimentalista – passe o neologismo sesquipedálico, mas não o resto.
Fora disso, não encontrei nada que manche o caracter de personalidades governamentais de todas as eras e cores inocentes, incluindo socialistas ou comunistas, muito embora tivesse recordado fugazmente que estes últimos se ajudaram, durante o regime de Salazar, de meninos bem metidos no comércio da banca, que nem sequer eram militantes encartados do partido, para arranjarem acomodação secreta e provisória para o grupo que “fugiu” de Caxias nos anos sessenta.
A lista do Espírito Santo é impressionante. Que corpo administrativo tão longo. Como é que há dinheiro para pagar a esta gente toda e ainda sobrar dividendos para contentar o resto dos gatos? E lembrar-me que há uns anos atrás fui a Londres ver o render da guarda no palácio da Filomena das Iscas e sentei-me num autocarro mesmo ao lado dum judeu muito rico, muito simpático e bem-falante, que me garantiu que o chefe da família Espírito chegou a Londres depois do 25 sem um chavo e teve que andar às sopas da sua família. As voltas que este mundo dá. Riches-to-rags-to-fucking-riches.

O PCP dá um sinal de que "existe" e depois desiste e no fim aconselha os camaradas a votar nos socialistas. O velho jogo requentado das maçonarias invisíveis. O pai, o filho e a espírita santa.

Ó Amigo Simões,
Daqui a pouco começa a ser tão jarra de flores neste blogue como a Brigada Bigornas e a Quitéria Barbuda. Não que a malta se importe, porque aqui somos todos da esquerda e democratas e já agora poupa-nos o trabalho de ir ler o AVANTE para saber como é que os seus camaradas vão enrolando as ideias para irem enfiando o garruço à malta.

Só é pena é que o camarada que escreveu esse artigo se tenha esquecido de mencionar que a Pátria Soviética foi o primeiro país do Mundo a reconhecer a existência do país de encomenda (e tão propenso às injustiças que ele aponta) a que chamamos hoje Israel. Também seria interessante ler os Avantes desse tempo, aí por volta de 48, para saber qual era a opinião do nosso saudoso Álvaro e o resto dos rapazes no CC. Portanto, vale chorar, mas não lágrimas de crocodila. E claro que não é dificil compreender por que é que isso aconteceu. Era porque o antigo Partido Comunista da União Soviética, mesmo com o homem dos bigodes que ninguem gosta a enfeitar as paradas, era pràticamente controlado por judeus convertidos que nada tinham a ver com a Palestina, mas muito com um movimento importante chamado Sionismo. Conte isso aos seus amigos lá na célula onde se diverte a traçar os seus planos quinquenais de bairro.


Aviso. A ausência de reacções nervosas a esta muito boa investigação do Luís Rainha nada tem a ver com certas provas muito interessantes que vieram a lume, nem tampouco com o cansaço causado pelo posto anterior do ZM. Apela-se à compreensão dos nossos blogueiros anti-sionistas no sentido de conservarem a calma e guardarem os insultos para domingo, dia de ir à missa com a namorada. Respeite-se a parasceve, ainda muito praticada no nosso país pelos consumidores de ouro monoatómico e borrego kosher.

Maggie,
Eu continuo com o meu desejo de aprofundar as coisas, mas tu persistes em pintar à pistola ou a espetares o ferrão como uma valquíria que nunca está contente com aquilo que lhe dão. Já tive a oportunidade de sugerir aqui que o teu partido está tanto ao serviço do capitalismo como o CDS, ou mais, mas tu não tens vergonha e voltas à carga com a impetuosidade do costume e como se nada tivesse acontecido ou sido dito. Que lata!
Tónica esotérica, hem? Último exemplo da maestria do teu partido no espalhar a confusão para fugir à verdade escondida nos bolores dos passados conspirativos. Aqui há tempos o Vital Moreira comentava no seu blogue sobre declarações dum membro importante do PS à volta dos tipos de traseiros esotéricos que se têm sentado na cadeira de Presidentes da AR. A Maçonaria vai à frente em número de campeonatos ganhos. Fui a correr ao site do Avante para ver qual era a opinião deles, coloquei a palavrinha mágica e adivinha qual foi o resultado? Nicles de Bitocles!!
"Exortemos os profissionais da comunicação social a lutarem por situações de emprego", arrancas tu. Good one. Faz-me lembrar as arengas a que o meu tio Florindo era submetido nas reuniões distrais do MUD Juvenil. Duvido que haja algo que cheire mais a azedo que essa tua exortação.
Wake up, darling. This is kickass time. Stop being juvenile and try to learn something.

Quando vês gozo nunca deixas fugir a oportunidade, Fernando. Típico. O que estava à espera era que também ralhasses quando andei a enxovalhar a Língua numa conversa com o teu confrade Leonardo. E não tenho ilusões a respeito da Marga, somos dois casos perdidos: eu para os comunismos de atalaia, ela para as realidades. O que me interessa é que não fique doída com as minhas palavras.

Já estou a ficar submerso em tanto gozo, Valupi. Andas por aí no blogue a seres o figurante que te apetece e agora (já com a conversa com o Leonardo a pertencer à história) apareces para me acusar de cinderela de cravo na boca ao serviço do rockafella. Too late, son.
Podias ter metido esse apêndice olfactivo e culto nas falas deste post que no fim até atrairam a Margarida, sempre bem disposta e nada inferior, em calor e dedicação, ao Kamenerva da revolução russa. Fica para a próxima. Embeiçados com octogenários como andamos, não te faltarão nas semanas próximas mais oportunidades para defenderes um capitalismo reformado, inteligente, etc., etc. que não te envergonhe nem veja crime nas poluções nocturnas socialistas que te saíam do corpo quando eras um rapazote.


Tcher,
Obrigado por teres decidido voltar ao ninho das lagartixas vociferantes. Já estávamos com saudades da tua moca de bater nos ricos da direita. Onde é que tens andado, Langley, Virginia? Vê se pões alguma ordem nisto. Anda por aqui muita intriga e o esgotamento nervoso do ZM não veio ajudar nada. O PC acampou há umas semanas com armas, bagagem e conversa do costume e tem saturado a atmosfera com gazes que diminuem os poderes de concentração da rapaziada. Já temos alguns casos graves de hipertimias melancólicas. Põe-te especialmente a pau com uma tal... .não, o melhor é não citar nomes. Viste o Luis Rainha, lá por onde andaste?


Zé Mário,
Não tenhas medo que não nos esquecemos que tens um blogue de frases curtas muito profundas. Não liguei ao conteudo deste post porque não quero perder tempo a matar a charada, mas gostei da folha de Gingko Biloba. Se for caso de andares a tomar disso, põe-te a pau. Há dois anos andei a urinar pink de borboletas paradisiacas. A princípio pensei que fosse este vício que não perco de conservar os oleodutos seminais em laboração constante, mas hoje penso que poderia ter sido uma overdose de Gingko que tomei na altura. Este aviso também serve para o resto da rapaziada.

Publicado por Filipe Moura às 08:13 AM | Comentários (7)

POEMA A METRO

Um dos exercícios oulipianos consiste em escrever poemas a metro, que é como quem diz no metro. A coisa funciona assim:

- cada poema é composto durante um trajecto efectuado no metropolitano
- o número de versos corresponde ao número de estações do percurso menos um
- o primeiro verso é escrito mentalmente entre as duas primeiras estações
- o segundo verso é escrito mentalmente entre a segunda e a terceira estações
- o processo repete-se até ao fim do percurso
- cada verso deve ser transcrito para o papel apenas quando a carruagem se imobiliza
- não é suposto transcrever para o papel em movimento nem escrever mentalmente quando a carruagem pára
- o último verso do poema é transcrito na plataforma da última estação
- se houver mudança de linha, essa mudança corresponderá no poema a uma mudança de estrofe

Pois bem. O poema a metro que escrevi ontem de manhã (dia em que se completavam 45 anos sobre a fundação do OuLiPo), aconteceu durante o seguinte percurso:

1) Linha Verde: Anjos/Intendente/Martim Moniz/Rossio/Baixa-Chiado (ou seja: quatro versos)

2) Linha Azul: Baixa-Chiado/Restauradores/Avenida/Marquês do Pombal (ou seja: três versos)

Eis como evoluiu o poema:

1.ª estrofe:

Anjos/Intendente - Rude e secreta, a melancolia
Intendente/Martim Moniz - deste avanço subterrâneo
Martim Moniz/Rossio - sob o esplendor da manhã clara
Rossio/Baixa-Chiado - igual a tantas manhãs que não vi.

2.ª estrofe:

Baixa-Chiado/Restauradores - Outra carruagem, outros rostos.
Restauradores/Avenida - No ínvio percurso da rotina,
Avenida-Marquês do Pombal - falta o gesto que nos descarrile.

E agora o poema em versão final, sem os andaimes:

ANJOS/MARQUÊS

Rude e secreta, a melancolia
deste avanço subterrâneo
sob o esplendor da manhã clara
igual a tantas manhãs que não vi.

Outra carruagem, outros rostos.
No ínvio percurso da rotina,
falta o gesto que nos descarrile.

Publicado por José Mário Silva às 12:58 AM | Comentários (4)

ALICE DIZ ADEUS AO BDE

adeus.jpg

Publicado por José Mário Silva às 12:40 AM | Comentários (7)

SAIBAMOS SER IRÓNICOS

Não há data mais propícia para colocar o ponto final num projecto de esquerda do que o 25 de Novembro.

Publicado por José Mário Silva às 12:02 AM | Comentários (0)

DUAS ESTROFES DO OUTRO ZÉ MÁRIO

Quando a nossa festa s'estragou
e o mês de Novembro se vingou
eu olhei p'ra ti
e então entendi
foi um sonho lindo que acabou
houve aqui alguém que se enganou

Eu vim de longe
de muito longe
o que eu andei p'ra'qui chegar
Eu vou p'ra longe
p'ra muito longe
onde nos vamos encontrar
com o que temos p'ra nos dar

Publicado por José Mário Silva às 12:01 AM | Comentários (0)

novembro 24, 2005

RETRATO DE UMA REUNIÃO OULIPIANA

oulipo.gif

À esquerda, sentado, de gravata e a sorrir, Italo Calvino. Em pé, desgrenhado e de barba mefistofélica, com uma mala a tiracolo, Georges Perec. Os outros, excluindo a rapariga e o fotógrafo, são todos oulipianos ilustres, alguns deles presentes apenas sob a forma de tosca éfigie, denunciadora da época claramente pré-Photoshop em que a fotografia foi trabalhada.

Publicado por José Mário Silva às 10:53 PM | Comentários (0)

EFEMÉRIDE

A 24 de Novembro de 1960, no restaurante Le Vrai Gascon (n.º 82 da rue du Bac, Paris), em torno dessas figuras majestáticas que eram Raymond Queneau e François Le Lionnais, nasceu uma das mais heterodoxas correntes literárias do século XX. Desafio intelectual e brincadeira de literatos apaixonados pela sua língua, explosiva mistura de cérebros moldados pelas leis da gramática e mentes científicas habituadas a todo o tipo de operações lógicas, o OuLiPo (Ouvroir de Littérature Potentiel) veio libertar a literatura da forma mais radical: acorrentando-a. Isto é, inventando um sem número de constrangimentos que estimulam a imaginação e a perícia verbal de quem escreve.
Na definição sucinta de Queneau, um autor oulipiano é um «rato que constrói o labirinto do qual se propõe sair». Um labirinto de palavras, claro; um labirinto textual. E se grande parte da produção destes autores auto-espartilhados não sobrevive fora do contexto em que surgiu, enquanto mecanismo lúdico ou exercício de estilo, o certo é que os processos do OuLiPo estão inscritos na estrutura de algumas obras-primas de autores como Italo Calvino (Se Numa Noite de Inverno um Viajante) ou Georges Perec (A Vida Modo de Usar; La Disparition; etc). Quanto mais não fosse por isso, já valeria a pena celebrar os 45 anos de um movimento que continua activo e em expansão (investigar aqui).

[Amanhã, dia final do BdE, prestaremos a nossa homenagem ao OuLiPo com textos que exploram alguns dos seus mais conhecidos constrangimentos.]

Publicado por José Mário Silva às 10:41 PM | Comentários (1)

THANKSGIVING COM MINE DE RIEN

Na noite de Acção de Graças apresento-vos um blogue escrito dos EUA, da cidade onde eu várias vezes passei este feriado. Evidentemente, é mais um blogue de um LEFTista (embora neste caso não vá insistir muito no aspecto LEFT porque o rapaz nem é muito disso...). O autor, para além de um velho amigo - conheço-o desde caloiro -, é uma pessoa interessantíssima, e tem com certeza uma perspectiva muito sua a acrescentar ao assunto para mim fascinante das relações entre a Europa e a América, o Velho e o Novo Continente. Antes de eu ir para os EUA falava-me entusiasmadíssimo do american way of life e de como era boa a comida nas universidades americanas - a escolha de pizzas! os hot-dogs! os hamburgers! - sem se aperceber de como me estava a deixar horrorizado. Depois da LEFT o Pedro veio para Paris fazer Teoria de Cordas. Na Cité Universitaire arranjou maneira de não ficar muito tempo na Residência André de Gouveia, indo antes para uma casa que era a cara dele - a Deutsche de la Meurthe, a mais antiga, a mais clássica, aquela onde Simone de Beauvoir ia visitar o estudante Jean-Paul Sartre. Quando eu cheguei, deu-me a conhecer a área de Montparnasse e do Port Royal. Nessa altura era um parisiense com uma costela americana, português q.b. e vagamente judeu. Agora é um americano parisiense, um verdadeiro mangeur de fromage. Pôs a Europa e a Teoria das Cordas de parte e foi para a melhor cidade da América do Norte mostrar que um físico matemático é pau para toda a obra - nem que seja para mostrar que a Biologia Celular é só "quebra de simetria" e que não há nada como o outono na Nova Inglaterra. Que rica prenda de Thanksgiving. Bem vindo, Pedro.

Publicado por Filipe Moura às 10:24 PM | Comentários (0)

VERSOS QUE NOS SALVAM

Há cada vez mais poemas de autores portugueses que referem explicitamente a blogosfera. Este foi publicado por Jorge Gomes Miranda no livro Pontos Luminosos, de 2004 (edição da Averno).


UM TRABALHADOR LETRADO INTERROGA-SE:

Depois da ágora de Sócrates a academia de Aristóteles.
Depois do fórum de Séneca as tendas de Marco Aurélio.
Depois da igreja de Sto. Agostinho os caminhos de S. Francisco de Assis.
Depois da universidade de S. Tomás de Aquino a torre de Montaigne.
Depois da choupana de Kirkegaard as ruas de Marx.
Depois dos quartos alugados de Nietzsche o divã de Freud.
Depois da floresta negra de Heidegger o blog de ?

Publicado por José Mário Silva às 09:33 PM | Comentários (0)

DIA 25, FECHA O BDE. MAS NÃO QUEREMOS QUE FIQUEM SEM PROGRAMA (III)

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Publicado por Margarida Ferra às 07:26 PM | Comentários (1)

DIA 25, FECHA O BDE. MAS NÃO QUEREMOS QUE FIQUEM SEM PROGRAMA (II)

Quem quiser afogar as mágoas provocadas pelo fim deste nosso BdE, e não tiver vontade de ir à anunciada “missa negriana” na FCSH, pode sempre ir amanhã ao Museu de História Natural, na Rua da Escola Politécnica, onde a Abril em Maio – que também anda em tempo de balanços – organiza mais um fim-de-semana de “confronto com o que temos e o que queremos” (é o segundo de três, como se pode ver aqui). Amanhã está prevista a projecção de O Çul Verão, montagem inédita de imagens do processo revolucionário que deixou de estar em curso há trinta anos e o lançamento do número zero da revista PREC (Põe, Rapa, Empurra, Cai). Mais à noite há debate sobre “O que é isso de Democracia?”, com intervenções de Fernando Catroga, Francisco Martins Rodrigues e de Jean-Pierre Garnier. Este último, sociólogo do CNRS, é especialista em questões de violência urbana e abordará certamente os últimos acontecimentos em França. Pela noite dentro haverá textos e música dos “no mínimo 4000”, numa performance meio improvisada que intitularam “As orelhas do martelo”. Querem melhor programa para um 25 de Novembro?

Publicado por Manuel Deniz às 06:32 PM | Comentários (1)

O PROMETIDO É DEVIDO


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Eu bem tento ensaiar a coreografia, mas creio que nunca chegarei a um nível tão avançado. Talvez se eu tivesse o video completo, o original, de há dez anos atrás... Se ouvisse a música. Mas isto é melhor do que nada.

Publicado por Filipe Moura às 06:07 PM | Comentários (6)

CONJUGAÇÃO DE IDEIAS

Recebi há pouco uma mensagem indignada da mulher do José Mário Silva, acusando-me de plagiar o seu amantissimo esposo no meu último (e quase derradeiro) post, ao recorrer ao mesmo tipo de enumeração que o excelso jornalista utilizou num dos últimos programas da série televisiva Portugalmente.
Apresento desde já as minhas desculpas a quem se sentir lesado pelas coincidências.

Publicado por Margarida Ferra às 05:46 PM | Comentários (1)

LISTA DE POSTS A PUBLICAR NO BDE:

- uma série de posts sobre a arrumação dos livros. Não sobre os volumes que encontramos em lugares enganados, como O Problema da Habitação do Ruy Belo no urbanismo, ou a lombada de Raduan Nassar ao lado da de VS Naipul. Um poste sobre o nome que se dá às prateleiras: o que pensa da literatura quem gere uma loja que opõe o “romance português” ao “romance estrangeiro” e porque é que as biografias podem ter uma secção própria e o teatro não. Talvez ilustrado com exemplos retirados da vida real.

- um post (curto) sobre os textos que o Mário Crespo lê durante as previsões meteorológicas da SIC Notícias. Parte da dúvida sobre quem selecciona a efeméride de que fala (comemora-se sempre no dia seguinte e cinco em cada dez vezes está relacionada com as invasões napoleónicas) e pode conter referências a Anthímio de Azevedo, bem como às primeiras (e inesquecíveis) meninas do Tempo.

- um post (com uma segunda leitura mais privada) sobre o Clube de Jornalistas. Um post muito curto onde possa lamentar a ausência do José Mário Silva neste programa.

- um post melancólico sobre o tempo em que a TSF passava reportagens fascinantes todos os sábados de manhã. Chama-se “O SOM DOS PEDAIS”, assim mesmo, entre aspas, como o nome do saudoso programa.

- um post que tenta ser sério sobre a importância dos blogues nas Presidenciais 2006. A publicar depois de Janeiro.

- uma nova rubrica no blogue: “parágrafos perdidos”, uma cópia barata e em prosa dos “versos que nos salvam”, onde possa partilhar com os leitores do blogue os sublimes trechos de Agustina Bessa-Luís em Jóia de Família e outros livros igualmente suculentos.

- um post intimista, sobre a experiência da gravidez intitulado “Este é o meu corpo”, uma cortesia de Filipa Melo, a quem peço emprestado o nome. Este post já está escrito.

- um post romântico (mas discreto) chamado “Ainda há poemas y beijos”, a publicar em 25 de Maio de 2006.

Publicado por Margarida Ferra às 05:24 PM | Comentários (2)

AVENTURAS NA FRONTEIRA ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO

Ontem, passei a manhã às voltas com um notário da nova geração, competentemente privatizado e moderno. À tarde, calhou-me em sorte uma prolongada excursão a um hospital público mas gerido por privados, o Amadora-Sintra.
De manhã, apanhei com um profissional altaneiro, mal disposto, impertinente e sabichão. E com duas horas de seca. À tarde, vi, por exemplo, uma idosa com Alzheimer que esperava havia oito horas por alguém que a atendesse, apenas porque a "triagem" a tinha misturado com uma fornada de queimados com destino à Pequena Cirurgia.
Sim; a "mão invisível" apresta-se para grandes feitos no nosso país.

Publicado por Luis Rainha às 04:58 PM | Comentários (2)

LA BLAGUE DU BLOGUE OU BDE - BLOCO DE ESQUERDA (II)

Há umas semanas, o Conselho Superior do Audiovisual francês apelou aos jornalistas e profissionais de novas tecnologias para a não-utilização de palavras inglesas ou derivadas do inglês sempre que estas já existam na língua francesa. À partida a ideia parece-me boa. Eu pasmo, por exemplo, como dizem os franceses "weekend" quando poderiam dizer simplesmente "fin de semaine". Sempre que desejo ou alguém me deseja "bon week-end" sinto-me como no filme Pulp Fiction a falar em le Big Mac. Foi preciso conhecer um quebequiano para alguém enfim me desejar um bon fin de semaine.
Agora, convém não "inventar" adaptações à força, quando as palavras não existem. Uma das recomendações do referido Conselho é a substituição de "blog" por "bloc". De acordo com Ana Navarro Pedro (no Público), a explicação é a seguinte: "Blog é uma abreviação de web log e designa um diário pessoal num site Internet. Para substituir blog, aconselhamos bloc-notes (bloco-notas), abreviado para bloc".
Já pensaram se a moda pega em Portugal? Se em vez de blogue disséssemos "bloco"? Já viram qual teria sido o nome deste blogue? Livra. Está certo que vamos fechar mas, mesmo assim, por via das dúvidas, e se o senador McAAA me deixar, vou ali buscar o vídeo do Jerónimo de Sousa para pôr aqui.

Publicado por Filipe Moura às 04:35 PM | Comentários (0)

IRRESPONSABILIDADE

Ontem pela manhã, começou a Nestlé portuguesa a recolher não sei quantas centenas de milhares de embalagens de leite para bebés, líquido e em pó. Porquê este último tipo, se só as embalagens de tipo Tetra-pak é que foram afectadas pela famosa infiltração de tinta? Mui simples: porque a SIC (pelo menos) tratou de ilustrar a sua reportagem televisiva com planos de latas de leite em pó. E assim se vai fazendo "jornalismo" em Portugal.

Publicado por Luis Rainha às 04:34 PM | Comentários (0)

A MISÉRIA DA IDEOLOGIA

Leitura recomendada, no Esquerda Republicana.

Publicado por Filipe Moura às 04:10 PM | Comentários (4)

CENAS DA VIDA DE UM DOCENTE NO ENSINO SUPERIOR PÚBLICO

Leitura recomendada - no No Mundo.

Publicado por Filipe Moura às 04:07 PM | Comentários (0)

QUE FAZER QUANDO TUDO ARDE? (2)

Vale a pena ler este artigo de Esther Benbassa no Libération pelo que tem de provocatório, mesmo não concordando com algumas (se calhar, muitas) partes. Concordo com os factos (e com a forma como o artigo põe o dedo na ferida às vezes). Aproveitando a ocasião, vou finalmente falar brevemente sobre os motins em França.
No artigo é posta em causa a famosa lei da proibição dos símbolos religiosos na sala de aula. Talvez os leitores se recordem que quando entrei para o BdE defendi energicamente essa lei, e não foram os recentes acontecimentos que me fizeram mudar de opinião. Tal medida traduz a laicidade, a separação do Estado e da religião (que deve ser só do âmbito de um indivíduo ou de uma comunidade), uma conquista histórica de valor inestimável. Não vou estar aqui a repetir tudo o que disse na altura. Apenas refiro que as leis dos países de acolhimento devem ser aceites pelos imigrantes, e entre estas naturalmente as leis relativas à laicidade. O caso contrário seria um retrocesso tremendo. E tal deve evidentemente aplicar-se à Turquia, no caso de este país vir a juntar-se à União (um tema que nunca aqui discutimos).
No caso das populações muçulmanas, esta lei traduz-se na conhecida proibição do "véu islâmico". Causará essa lei um aumento do sentimento de exclusão das populações afectadas? É bem provável que sim. Mas não mais do que isto. E isto é que é importante: a exclusão já existia e não foi trazida pela "lei do véu". Suspender a "lei do véu" não vai resolver exclusão nenhuma. O sentimento de exclusão por partes dos imigrantes sente-se principalmente na segunda geração, nascida e educada em França, mas que sente que não tem as mesmas oportunidades de trabalho que os restantes franceses.
Neste aspecto, a meu ver há que considerar o que já referi aqui, aqui, aqui. Há uma série de profissões de que os franceses não gostam, por as considerarem servis, nomeadamente as que envolvem contacto directo com as pessoas (basta irmos a um restaurante para nos apercebermos disso na forma como somos servidos). Creio que mais do que em qualquer outro país que eu conheça, em França estas são profissões que ninguém quer ter (o que significa que, sendo necessárias, acabam por ficar para os imigrantes). Na prática tal passa-se igualmente noutros países. Nos EUA (o outro caso que conheço bem) também se regista uma percentagem elevada de imigrantes em profissões menos qualificadas (seguranças e vigias, caixas de supermercado, ...). Porém, o mito do "sonho americano", mesmo que não passe de um mito, tem o mérito de existir. O facto de ser originalmente um país de imigrantes faz com que culturalmente a imigração seja encarada com melhores olhos (com a habitual excepção da direita religiosa - tão bem representada na blogosfera portuguesa pelo AAA -, mas aqui creio mesmo tratar-se de uma excepção). Mesmo sendo apenas uma minoria, a contrastar com as vagas de hispânicos a trabalharem à jornada em fazendas - a mera existência de imigrantes bem sucedidos tem o condão, nos EUA, de alimentar o sonho e motivar os que não o são. Talvez este facto marque uma certa diferença dos EUA em relação a França, mas creio que no essencial este problema dos imigrantes de segunda geração, que não se sentem nem imigrantes nem integrados, é transversal.
O essencial é saber se estes cidadãos simplesmente se recusam a integrar-se, como pretende a direita, ou se não se integram porque não lhes são dadas as mesmas oportunidades. Desde que tenha uma fonte de rendimentos - um emprego - justo e adequado às suas qualificações, pessoalmente creio que ninguém recusa integrar-se. A ideia de que os portugueses em França são as porteiras e os condutores de autocarro é parcialmente verdadeira - a mulher que limpa o meu apartamento é portuguesa; os motoristas dos autocarros no meu laboratório também. Provavelmente no passado foi ainda mais verdadeira. Mas conheço muitos portugueses de segunda geração com cargos de alta responsabilidade em França. Conheço muitos que fazem doutoramentos.
Embora nada disso justifique actividades criminosas como as que vimos, em relação às quais não deve haver complacência, se se quer resolver este problema da imigração de segunda geração, há que perceber por que razão quem tem raízes árabes procura ocultá-las para garantir um emprego - por exemplo, ocultando apelidos.

En France, l'arrogance des élites et l'aveuglement des politiques
grippent la mobilité sociale.

Défauts d'intégration

par Esther BENBASSA
QUOTIDIEN : jeudi 10 novembre 2005

Ces dernières années, violences urbaines et autres «incivilités» renvoyaient déjà à notre incapacité à prendre à bras le corps ces maux indissociables des failles de l'intégration que sont le chômage, les discriminations, l'école mal adaptée, la répartition inéquitable de la culture, le logement ghettoïsé, le racisme. Dans un pays comme la France, où l'ascenseur social est grippé depuis longtemps et où les relations sont tellement hiérarchisées, l'arrogance des élites et l'aveuglement des politiques n'aident pas à la remise à plat d'un modèle républicain qui n'est pas pire que d'autres, mais de moins en moins opérationnel.

Avant d'arriver aux Etats-Unis, j'ai assisté à Berlin à des rencontres où certains représentants de nos élites se gargarisaient de mots pour faire l'éloge de notre laïcité ­ centenaire de la loi de 1905 oblige ­, parant de ses plus beaux atours un jacobinisme qui empêche, à l'heure actuelle, notre pays d'accéder au pluralisme. La lutte contre le communautarisme s'érige en priorité lorsque l'Autre, même quand il est français, a du mal à se positionner dans la société des «autochtones». Les Allemands se gaussaient de ces querelles picrocholines qui leur sont étrangères. Ce qui ne signifie pas qu'ils ont mieux réussi à intégrer leurs immigrés turcs.

Nous aimons beaucoup nous congratuler sur nos acquis d'hier et, à chaque nouvelle occasion de commémoration, nous nous contentons de nous regarder complaisamment le nombril. Quand l'avenir est sombre, on préfère se réfugier dans la contemplation du passé. La loi contre les signes religieux ostensibles ­ en fait, une loi contre le voile islamique ­ et notre intolérance laïque ne sont que des rideaux de fumée qui nous cachent le plus grave.

Quant à nos politiques, dans leurs joutes stériles, ils perdent pied. Il est aujourd'hui urgent d'appeler à des assises inédites réunissant décideurs politiques et économiques, partenaires sociaux et acteurs de la société civile. Cela afin de tenter de revoir un système d'intégration en panne, de cerner les demandes et les besoins, et pour cesser de n'opposer que des mots aux problèmes que posent la ghettoïsation et la non-prise en considération de formes nouvelles de citoyenneté ­ qui, aujourd'hui, ne veulent plus faire l'économie d'une identité d'origine revendiquée et avec laquelle on vient embrasser la francité. Aux Etats-Unis, pays dont nous critiquons le multiculturalisme, la communauté d'«originaires» inclut l'étranger et le prépare progressivement à l'américanisation. Ici, curieusement, le mot «communautarisme» n'existe pas et pourtant les communautés, elles, existent. Dans ce pays, on se dira américain et musulman, américain et noir. Ce «et» essentiel à la citoyenneté est officiellement banni chez nous, alors qu'il est désormais incontournable et que les pouvoirs publics auraient intérêt à le prendre en compte. Ce «et», qui nous est si insupportable, a permis aux Etats-Unis la promotion d'une Condoleezza Rice ou d'un Colin Powell. Chez nous, quand on nomme un ministre «issu de l'immigration», il est là, en gros, pour s'occuper des siens...

Les médias aussi pourraient jouer leur rôle dans ce débat indispensable, en mettant de côté les préjugés qu'il leur arrive de renforcer par maladresse, par goût du sensationnel, par suivisme ou pour d'autres raisons parfois moins honorables. Comment se saisir des maux de la société française lorsqu'on la saoule avec la sexualité de l'abbé Pierre ? La presse consacre des pages entières à de telles inepties, lesquelles aident certainement, en revanche, à anesthésier une population par ailleurs confrontée à une violence quotidienne des rapports ­ qu'on tend à banaliser, mais qui choque, par contraste, lorsqu'on séjourne fréquemment à l'étranger.

Oui, notre société est fatiguée, excédée, elle n'a plus l'énergie de faire rêver comme le fait encore l'Amérique. L'immigré a encore dans ce pays le droit de rêver, même si son rêve ne se réalise pas. Notre bonne vieille France radote et critique les autres par ressentiment. L'antiaméricanisme primaire n'en est qu'un symptôme. L'Amérique ne se réduit pas à Bush. C'est aussi le pays où, dans les plus grandes universités, 30 % à 40 % des étudiants sont désormais asiatiques (ils n'étaient que 2 % il y a seulement une génération) et les Noirs de plus en plus nombreux. De ces minorités émergera dans quelques années l'élite du pays, quand ,chez nous, on s'offusque encore dans certains milieux que Sciences-Po ait ouvert ses portes à quelques bons élèves issus des ZEP...

Ce ne sont pas nos universités plongées dans une profonde misère et dans l'apathie ambiante qui formeront des élites issues de l'immigration. Le patronat, plus au fait des évolutions, est peut-être davantage en phase en la matière. Si aucun modèle d'intégration ne s'avère aujourd'hui parfait, au moins pourrions-nous faire l'effort de reconnaître les faiblesses du nôtre et tirer des leçons de ce qui a pu faire ses preuves ailleurs.

La France, en période de crise, construit son identité dans l'opposition à l'Autre qui lui fait peur. Au XIXe siècle, ce fut le cas avec les juifs. Actuellement, face à la globalisation, c'est l'Autre arabe ou noir qui effraie. Et surtout sa religion, transformée depuis le 11 septembre en objet de tous nos fantasmes. Peut-on ouvrir un magazine ou un journal sans qu'on nous parle de l'islam, du terrorisme et de l'islamisme, des imams radicaux, etc. ? Les musulmans ont remplacé les juifs du XIXe siècle et de l'entre-deux-guerres.

Dans ce contexte, notre nationalisme exacerbé nous empêche de voir la multiculturalité de la France. Ni l'histoire de la colonisation, ni celles de la décolonisation ou de l'esclavage, qui sont celles de différentes composantes de la nation aujourd'hui, n'occupent la place qui leur revient dans la mémoire collective. Ce qui ajoute aux frustrations. Dans d'autres pays confrontés à ces mémoires, les universités leur font depuis longtemps la part belle. Ce sont de petits pas, mais qui peuvent mener loin, faisant recouvrer à ces divers groupes leur dignité, leur honneur perdu dans les cités sans espoir, dans les familles où, souvent, on est sans travail depuis au moins deux générations. Lorsqu'on propose aux professeurs du secondaire d'enseigner le fait religieux ­ ce qui serait en fait une autre façon de construire des passerelles entre les élèves de cultures différentes et ceci loin de toute catéchèse ­, les oppositions restent fortes, pas seulement au nom de la laïcité mais aussi du dogme laïciste. Pourquoi passer outre aussi à la religion des élèves ?

Les émeutes de ces derniers temps sont des signaux d'alarme inquiétants à prendre en considération avec le plus grand sérieux. Cela concerne non seulement ceux qui fomentent ces désordres, mais aussi ceux qui les subissent. L'ensemble des protagonistes est impliqué parce que, maintenant, on ne peut plus parler d'«eux» et de «nous». Eux et nous, ce sont des Français qui n'en peuvent plus. La France a besoin d'énergie et de politiques novatrices pour déverrouiller le pays, donner leur chance à ceux dont l'horizon est sombre, à ces jeunes qui savent désormais qu'ils vivront encore moins bien que leurs parents, pour leur préparer un terrain plus propice à la mobilité sociale. Il n'est pas trop tard pour mettre en place les conditions requises à un fonctionnement pluraliste de notre société : discrimination positive, travail sur les mentalités,
programme de lutte contre le racisme, accès à un emploi, à un logement, à une éducation dignes de ce nom. Et, parallèlement, réformer l'école, lieu par excellence de discriminations, et l'université ; engager les médias dans un travail d'éducation civique pour jeter les bases d'un vivre-ensemble et, pourquoi pas, promouvoir toutes les initiatives qui vont dans ce sens.

Regardons l'avenir en face. Tâchons de juguler le ressentiment. Les émeutes émanent de ce ressentiment généralisé et risquent de prendre une tournure plus grave encore si l'on n'y répond pas comme il convient.

Esther Benbassa prépare avec Jean-Christophe Attias une semaine de lutte contre les discriminations, du 19 au 26 mars.
www.parisduvivreensemble.or

Publicado por Filipe Moura às 02:41 PM | Comentários (1)

MAIS SEIS POEMAS INÉDITOS DE JLT

O TEMPO, ESSE VERDUGO

1.

Desabriga-te agora a atroz unhada do vento,
rouca calema nas tardes de windsurf; e eu
embutido aos sedimentos, ufano e ressurrecto,
entre os vincos que um bafo extraviado coalesceu.

Mas, cuida-te, que toda a vida é um improviso
sobre a queda e não há andaime que escore
o que fareja as tempestades antes do primeiro siso
despontar. Eu aprendi que nem sempre o que corre

à menção do naufrágio, aos óxidos que o azul
pressente, escapa ao látego que alucina
as veias. Talvez despiste um pouco o carbureto

que atrai os bandos negros ao céu de mossul,
mas para o embate que o destino assina
saibas tu que a poesia é imprestável amuleto.


2.

Sagra-se na pele um império de sombras.
Mas saldar a toxicidade do tempo, requer,
poeta, surdos decibéis de alarme a crescer
por dentro de um corpo entaipado para obras.

Não é da natureza do que cai furtar-se
ao desconforto dos hematomas que tantas
vezes espigam onde a dor vem deitar-se.
Agora entendo porque o afundar sereno cantas,

e nem uma única vez cedeste ao prodígio que
ressuscitou lázaro — nada como a morte
amadurecida matinalmente entre os lençóis

da tua cama: o ignoto porvir não endossa cheque,
nem aveluda o pez que te coube em sorte —
descampa-te os mil poros ao clangor de sete sóis.

(José Luís Tavares)

3.

Que te fale o tempo com voz silente
das cativas dores inocentes; e o meio-dia
rutilante da ruiva espada vivente
que abate toda solene criatura. Mas é dia

e governa o afã vital, virente chama
inicial, cada vida singular. Rega-as
o esplendor alheio à lei fatal que ama
a todos por igual, despede às cegas

seu canto eternal. Desde o sulco inicial
que a ti te governa um fado tal: à flor
do mar lemos seus sinais, ou no rebate

do vento pelos areais, que a banal
vida é propício campo onde medra a dor.
(Ao forte e triunfante também abate).


4.

É lícito proclamar com as veias tingidas
de salmoura: na baforada que adstringe
a dor (não a que em tosco verso se finge),
há que incubar o livor das passadas vidas?

Advertido pelo eco imorredouro do passado,
soldei o coração às gáveas que não rifam
as promissórias do futuro ao látego velado
das tempestades. Mas raros são os que fiam

do sangue que destila prenúncios de orfandade.
Benditos, pois, os que atam a calema às veias
e não suspiram pela ventilação que recicla

o uivo em glória, que o tempo é enfermidade
que palpa o âmago com o ímpeto de nove cheias,
e o amanhã empardece com o rufar duma só tecla.


5.

A lane to the land of the dead. W. H. Auden

Para um futuro de pranto te ergueste.
Embora no trajecto para a morte,
vez por outra, um bosque te seja consorte,
pois, tu nunca soubeste que seu nome é peste.

Clamoroso ainda, a lestada areando as fuças,
e tu, por mais que tussas, de ti anal nenhum
se lembrará, que não mais que zunzum
são o pranto e o pesar. Ruivas vozes moças

já para nenhum rumo impelem o coração;
mas, emboscado nas trevas, como um
ladrão sorvendo da botelha o quente rum,
sibila o escuro tempo igual azul pavão.

Tu que vacilaste, por vezes foste fraco,
lembra-te: toda a alta glória agora é caco.


6.

Se toda a felicidade
porvir do luto
não penses na flor da idade
que és tu o mais astuto

o tempo tem as mãos compridas
tanto ao justo como ao iníquo
cessa do coração as batidas
põe nas veias um rouco clamor oblíquo

ninguém jamais ouviu seu sinal
pelos ruivos céus do entardecer
embora digam que é lei universal
todo o vivente encanecer

(conceptualizá-lo tentou o de hipona
lá onde razão e método jazem calados
o de königsberg dedicou-lhe mais de meia jorna
analisando a questão por todos os lados)

leves de pés são o amante e o ladrão
só tempo viceja com vagar
ali onde haja sol e multidão
sua voz é como ganso a grasnar

quando avança não o enfrenta nenhum exército
inda pense o néscio que detê-lo seja possível
pra onde segue não leva séquito
nem seu avanço sucede em tropel audível

não o detém a boa estrela ou a má fortuna
nem o humano amor pela alta glória
segue o tempo o seu rumo como uma escuna
e ao seu rasto chama o homem história

Publicado por José Mário Silva às 12:30 PM | Comentários (4)

O RACISMO CHEGA A TODO O LADO

À saída do metro, uma pedinte idosa pousou o prato das esmolas num degrau e junto às pernas um pedaço de cartão com a palavra-chave: «Ajudem-me!». Por baixo do apelo à misericórdia alheia podia estar a explicação do infortúnio: «tenho cancro (ou sida)», «não tenho família nem dinheiro», «os meus filhos (ou netos) passam fome». Uma coisa assim. Mas a pedinte escreveu apenas: «Não sou cigana».

Publicado por José Mário Silva às 12:09 PM | Comentários (10)

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL - VOTO ANTECIPADO NO ESTRANGEIRO

Uma notícia importante para cidadãos portugueses recenseados eleitoralmente em Portugal mas que se encontrem deslocados no estrangeiro por motivos profissionais - estudantes, professores, cientistas, investigadores e outros. Nas eleições presidenciais é possível votar antecipadamente no consulado da área de residência, sem necessidade de lá estar inscrito. A informação, que pedi ao STAPE, chegou-me por email. Escusam assim estes cidadãos de ter de pagar uma viagem de propósito para exercerem este direito. Fica a pergunta: por que é que tal só é possível para as eleições presidenciais? Deveria ser para todas!


Em resposta ao seu e-mail de 21 de Novembro de 2005, informamos V. Exa. que deve dirigir-se ao Consulado da área da sua residência, entre os dias 10 e 12 de Janeiro de 2006 e aí manifestar a vontade de votar.

Para o efeito deve apresentar os seguintes documentos:

1. O cartão de eleitor
2. O bilhete de identidade (ou outro cartão identificativo, com fotografia actualizada, como carta de condução ou passaporte)
3. Documento autenticado comprovativo da permanência no país onde se encontra deslocado, emitido pelo superior hierárquico ou entidade competente.

Com os melhores cumprimentos.
Divisão de Apoio Jurídico do STAPE

Publicado por Filipe Moura às 11:17 AM | Comentários (14)

ISABEL DE CASTRO (PARA SI)

Consultando a base de dados do Centro de Estudos de Teatro, dou-me conta de que terei visto só um espectáculo com Isabel de Castro (era do Teatro da Garagem, não me lembro de quase nada). Entrou em O Fim Ou Tende Misericórdia de Nós, dos Artistas Unidos, mas alternava com Glicínia Quartin e foi ela quem me calhou em sorte (não me queixo). E não fui ao Porto ver a Castro.
Filmes vi mais alguns, fez mais de setenta. Mas do que agora me lembro bem é qualquer coisa de intermédio: dois "filmes de teatro" feitos para televisão e baseados em espectáculos do Teatro da Cornucópia de 78/79. Vi-os aos dois na Abril em Maio, em sessões do Não É Cinema, e foram descobertas emocionantes (se eu mandasse, passavam todas as semanas na RTP Memória...). No primeiro, E Não Se Pode Exterminá-lo?, Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo (muito novos) alternam no papel de Karl Valentin, óculos e nariz postiço, a mesma subversiva desconversa nos sketches do cómico de Munique que tanto influenciaram Brecht. Há dois solos marcantes de Isabel de Castro: a carta escrita ao namorado sobre porque é que ele não lhe escreve; a maravilhosa canção em pseudo-chinês, alternando de forma hilariante entre os sons "orientais" e o português, entre a pose hierática (de mãos postas) e o burlesco (com os dedos indicadores espetados a marcar o compasso).
O outro filme é um caso mais sério: Música para Si, de Franz Xaver Kroetz, realização de Solveig Nordlund a partir da encenação de Cintra e Silva Melo. Durante uma hora (todo o filme), Isabel de Castro não diz uma palavra: está sozinha em casa, executa com precisão cansada os gestos quotidianos depois do trabalho (na cozinha, na casa-de-banho, no quarto), enquanto ouve um programa de discos pedidos na rádio (banda sonora exemplar). Não há um grito, uma lágrima - mas nunca o desespero foi tão palpável e angustiante. Trata-se além disso de uma das mais conseguidas transposições cinematográficas de um espectáculo (filmada num apartamento e não no palco), com uma planificação implacável, bressoniana, destacando as partes do corpo que trabalham, a repetição mecânica das acções. No final, ao deitar (luzes que se apagam e voltam a acender), uma saída finalmente: ao alcance da mão, a engolir com um copo de água.
Fica então este retrato (parcial e ignorante): entre a tragédia quotidiana nos comprimidos de Kroetz e a alegria pura debaixo do chapéu chinês de Valentin.

Publicado por Francisco Frazão às 03:48 AM | Comentários (7)

novembro 23, 2005

PARADOXO

Às horas em que ando de metro, nunca consigo apanhar o Metro.

Publicado por José Mário Silva às 06:44 PM | Comentários (0)

É O FERNANDO PESSOA, ESTÚPIDO!

Precisamente daqui a uma semana, a esta hora, no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, o «É a Cultura, Estúpido!» vai “ressuscitar” Fernando Pessoa, no dia em que passam 70 anos sobre a morte do mais importante poeta português do século XX. Em discussão estará não apenas o futuro das edições de Pessoa (agora que vão cair no domínio público), mas também a forma como o legado pessoano será recebido pelas próximas gerações. Abordaremos ainda o futuro da própria ideia de literatura e o seu lugar na cada vez mais vasta panóplia da oferta cultural. Numa sessão moderada por mim, com o Pedro Mexia no papel de “agente provocador”, contaremos com o apoio da Casa Fernando Pessoa e com a presença de Richard Zenith (tradutor, investigador e editor de Pessoa), Fernando Cabral Martins (prof. universitário, ensaísta, pessoano e um dos responsáveis pela pós-graduação em Edição de Texto da FCSH da Universidade Nova de Lisboa), José Afonso Furtado (director da Biblioteca de Arte da Fundação Gulbenkian, além de especialista em questões da Edição no mundo digital e novos suportes para o livro) e Manuela Parreira da Silva (professora da Universidade Nova de Lisboa e elemento da equipa que tem estudado e editado o espólio de Pessoa).

Antes da sessão, entre as 16 e as 18 horas, várias personalidades dirão poemas na mesma sala, numa iniciativa intitulada «Pessoas lêem Pessoa».
Todas as informações sobre este encontro, os seus preparativos e o relato do que por lá se passar podem ser encontrados no blogue do «É a Cultura».

Publicado por José Mário Silva às 06:30 PM | Comentários (0)

NOTA ERRADA

Portugal não precisa de Si, como sugere a campanha de Cavaco Silva. Portugal precisa de Dó.

Publicado por José Mário Silva às 05:40 PM | Comentários (2)

PARA A DESPEDIDA

Podia escrever qualquer coisa sobre o facto de um dos blogs que me acompanha diariamente ir desaparecer, mas sinceramente não me apetece fazê-lo. Acabaria por ser uma espécie de lamento, de despedida lamechas, e não acho que a boa disposição e animada agitação deste cantinho virtual o mereça. Ainda por cima, acho que vocês vão continuar por aí, noutros blogs, noutros projectos, e o mais certo é voltar-vos a ler de outros modos. Encontramo-nos por aí, portanto, e antes da despedida de dia 25 (que raio de dia para se ir embora o Blogue de Esquerda!), mando-vos a letra da segunda versão do 'Tanto Mar', do grande Chico:

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
n'algum canto de jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
algum cheirinho de alecrim

Um abraço a todos e até à vista!
(Sara Figueiredo Costa)

Publicado por José Mário Silva às 04:55 PM | Comentários (2)

CITAÇÕES

«O Presidente da República pode pedir ao Governo ou à Assembleia que legislem em determinadas matérias! Não existe essa tradição, mas pode fazê-lo.» — Cavaco Silva, em entrevista ao Público (21/11/2005)
«Por um lado, o PR devia presidir a alguns Conselhos de Ministros em que se discutem matérias essenciais (o aeroporto da Ota, por exemplo). Por outro devia poder demitir o primeiro-ministro sem ter como fundamento o risco do normal funcionamento das instituições.» — Rui Machete, membro da Comissão de Honra da candidatura de Cavaco Silva, em entrevista ao DN (22/11/2005)

E depois ainda há quem considere que a ameaça de "deriva presidencialista" é um disparate, um exagero ou uma paranóia esquerdista.

Publicado por José Mário Silva às 02:06 PM | Comentários (10)

E É GOOOOLO DO SPORTING!

Um comentário premonitório (do tempo em que ainda assinava como Madalena):

Filipe,

Que naquinho de prosa deliciosa! Parece ladainha dum corrector da bolsa meu conhecido que anda a meter os cornos à mulher com uma militante de partido dos verdes. Mas continua a mandar-nos mais desse material revelador do espírito daqueles que gostam de viver nas nuvens. Aposto que se um dia te cair uma bomba atómica na cabeça vais pensar que é um golo do Sporting. Vais, vais...

Publicado por Filipe Moura às 11:34 AM | Comentários (3)

TODO O BLOGUE PRECISA DE UMA BOMBA

bomba_red.jpg

Publicado por Filipe Moura às 11:33 AM | Comentários (1)

SONDAGEM AOS LEITORES DO BdE

Quem é o mais maçador?
a) Afonso Henriques;
b) Brigada Bigornas;
c) Quitéria Barbuda;
d) José Tim.

Respondam na caixa de comentários. Obrigado.

Publicado por Filipe Moura às 01:00 AM | Comentários (23)

UM GAJO NUNCA GOSTA DE VER AS SUAS TEORIAS DESMENTIDAS, MAS É A VIDA

Facto 1: o principal blogue de apoio ao único candidato de direita às eleições presidenciais aceita comentários
Facto 2: o principal blogue de apoio ao principal candidato de esquerda às eleições presidenciais não aceita comentários

Publicado por José Mário Silva às 12:15 AM | Comentários (7)

AS MINHAS OPINIÕES SOBRE OS GRANDES INVESTIMENTOS PÚBLICOS

TGV Porto-Lisboa: contra. Já existe o Alfa Pendular, para o qual foi feito já um grande investimento. Não se justifica um outro investimento de (muitos) milhões de euros para, na viagem, se ganhar no máximo meia-hora.
Aqui não há estudo que me faça mudar de opinião.

TGV para comunicar com Espanha: a favor. A partir de Lisboa e do Porto. E, se não for TGV, pelo menos um comboio rápido a partir de Aveiro, paralelo ao IP5, para transportar mercadorias e passageiros. Os transportes ferroviários da Península Ibérica são absolutamente indignos (especialmente as ligações Espanha-Portugal). A Espanha quer melhorá-los e faz muito bem. Portugal não pode ficar atrás.
Aqui também não há estudo que me faça mudar de opinião.

Aeroporto da Ota: à partida contra, dada a imprevisibilidade do futuro do mercado da aviação e o estado das finanças públicas do país. Aqui, no entanto, acho que o assunto precisa de mais discussão. Aguardo ansiosamente um estudo que nos explique cabalmente, antes das vantagens do aeroporto novo, as desvantagens do aeroporto antigo.

Publicado por Filipe Moura às 12:02 AM | Comentários (6)

novembro 22, 2005

SMS

Consegues imaginar o Cavaco na AR, no dia 25 de Abril? Todos às urnas a 22 de Janeiro, para pôr a cruz à esquerda.

Publicado por Margarida Ferra às 11:34 PM | Comentários (8)

SILOGISMO PARA O RODRIGO

1) A maçonaria foi inventada na Escócia.
2) O proletariado foi inventado na Escócia.
3) O golfe foi inventado na Escócia.

Logo...

P.S. Críptico - O romance histórico também foi inventado na Escócia.

Publicado por Jorge Palinhos às 04:48 PM | Comentários (2)

BOA DEFINIÇÃO

«Lisboa é como uma mulher bonita que de vez em quando tem uns problemas na vida.»

Bjorn Vang, jornalista norueguês, entrevistado no DN

Publicado por José Mário Silva às 02:58 PM | Comentários (1)

A NET CIRCULAR

Chegada - Mensagem recebida hoje por e-mail e afixada no BdE:

Otário - indivíduo que defende com ardor, mas sem argumentos, a construção do Aeroporto da Ota

Partida - Post de 28 de Julho do letra minúscula, da autoria do patrão do BdE:

otário - indivíduo que defende, com ardor mas sem argumentos, a construção do aeroporto da ota.

Parte da viagem aqui.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:55 PM | Comentários (3)

O BEIJO ESQUECIDO

Isto aconteceu há 15 dias. Sucederam-se notícias, artigos, posts e comentários indignados. E agora? Alguém sabe se o Conselho Executivo foi sancionado? A lei "anti-abraço" revogada? Os alunos e funcionários alvo de sessões de esclarecimento e formação? As alunas em causa reintegradas na escola?
Ou será que a polémica serve só para alguns terem a agradável presunção de serem elite iluminada num país de grunhos?

Publicado por Jorge Palinhos às 12:55 PM | Comentários (3)

OS LIBERAIS COMPLETOS E OS DE CONVENIÊNCIA

Compare-se este com este. Compare-se também este com este.

Publicado por Filipe Moura às 12:35 PM | Comentários (8)

A MARIA DA BOMBA

“Escrevi o livro como se não vivesse aqui e, se ele se revelar uma bomba, emigro”
Maria Filomena Mónica, via Esplanar

Sempre tive a ideia de que falar de Portugal como se não se fosse português e deitar as culpas nos outros e largar a correr quando as coisas correm mal é uma atitude visceralmente lusa. Será que esta frase confirma que nem Oxford nos salva?

Publicado por Jorge Palinhos às 12:19 PM | Comentários (1)

NÃO LHE CHAMEM "TORTURA DO SONO", CHAMEM-LHE "PASSAR MAIS TEMPO ACORDADO PARA PENSAR SOBRE AS QUESTÕES COLOCADAS"

O director da CIA garante que os seus agentes não usam tortura nos interrogatórios de prisioneiros. Em entrevista ao jornal USA Today, Porter Goss revela a aplicação de "uma variedade de métodos únicos e inovadores".

Se eles são assim tão bons, é pá, será que me vendiam alguns para levar para casa?

Publicado por Jorge Palinhos às 12:07 PM | Comentários (2)

AS COISAS QUE UMA PESSOA LÊ NOS JORNAIS

«Falta-nos, em Portugal, um Sharon...»

Luís Delgado, nas Linhas Direitas do DN


Publicado por José Mário Silva às 11:08 AM | Comentários (3)

O NOVO RUMO DE SHARON

sharon.jpg

Cartoon de Steve Bell (The Guardian)

Publicado por José Mário Silva às 10:58 AM | Comentários (0)

77

Aos 77 anos, Ariel Sharon decidiu sair do Likud, o partido de direita que fundou há mais de três décadas, para criar uma nova formação política, com a qual vai concorrer às próximas eleições (antecipadas), tentando manter-se no poder enquanto primeiro-ministro.
Duas perguntas singelas, de um observador português:
1) será que alguém lhe apontou a idade como obstáculo?
2) terá o falcão-mor brandido diante dos seus adversários, com o indisfarçável orgulho que se adivinha, um boletim clínico impecável?

Publicado por José Mário Silva às 10:52 AM | Comentários (0)

A MARIA DA TERRA

Só vejo elogios à autobiografia da Maria Filomena Mónica. Acho que também vou comprar e ler. Afinal, estou ansiosíssimo por saber quem é a senhora e o que terá feito de tão importante na vida para eu lhe ler a auto-biografia.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:34 AM | Comentários (3)

LONGE DA VISTA

Por onde é que anda a Periférica, cujo último número data da Primavera?
Que se passa, rapazes, estão com falta de tempo, falta de motivação, falta de dinheiro, ou foi o director que perdeu o seu exemplar d'As Farpas?

Publicado por Jorge Palinhos às 10:19 AM | Comentários (2)

O HOMEM-BOMBA

Mais logo continuamos a rever os comentários - desta vez, os mais divertidos. Por agora, fiquemos com música.

Publicado por Filipe Moura às 09:05 AM | Comentários (0)

UI! QUE FEIOS SÃO OS COMENTÁRIOS ANÓNIMOS!

Sempre me impressionaram aqueles que vêm para a blogosfera dizer mal dos blogues. Se não gostam dos blogues, por que vêm para aqui? E no entanto é frequente encontrar por aí bloguistas e comentadores convencidos de que são melhores do que outros, escrevem muito melhor, têm muito mais "cultura". Acho isso legítimo; agora não percebo por que só vêm para a blogosfera falar... da blogosfera. A blogosfera é um meio absolutamente democrático, e quem vem aqui vem por gosto, para falar de muitas coisas. Ninguém é obrigado a ler blogues; só lê quem gosta. Parece-me por isso que quem vem para a blogosfera só para criticar os outros blogues fazia melhor em primeiro arranjar uma vida. Mas, como disse, a blogosfera é livre.
Agora, se essas críticas são expressas nos comentários dos blogues, a situação pode ser diferente. Um autor de um blogue com comentários em princípio espera retorno por parte dos seus leitores, sejam elogios ou críticas, mas fica sujeito ao insulto. Pior: ao insulto anónimo. São os piores canalhas da blogosfera: os que andam a espalhar insultos e difamações anonimamente.
É por vezes difícil distinguir onde começa o insulto e acaba a crítica mordaz. Por outro lado, tal como eu escrevia há poucos dias, é diferente uma atitude isolada de uma atitude sistemática.
Há vários blogues onde os insultos aos autores são frequentes, como os referidos Bichos Carpinteiros e o antigo Barnabé. Também é o caso deste blogue. Creio porém ser eu o único caso de um bloguista com um mesmo comentador anónimo especialmente interessado em insultar-me a cada texto. Posso dizer: a perseguir-me. Os leitores dos comentários devem conhecê-lo: assina como Pensativo, Aiai! ou outros derivados, quase sempre terminados num ponto de exclamação.
Não sei quem será o autor destes comentários, mas seja quem for é evidentemente um canalha. Ou pelo menos canalha foi a sua atitude perante mim, disso não tenho quaisquer dúvidas. O que me espanta é qual poderá ser a motivação para levar alguém a tomar uma atitude destas. Repito: não estamos perante hate-comments ocasionais, que qualquer bom bloguista se orgulha em ter. Estamos perante uma perseguição, cujas razões desconheço.
O que me incomodava nem era tanto a questão pessoal, embora ninguém goste de ser insultado. Não era tanto a questão das minhas qualidades ou defeitos. O que me irritava era que eu sempre fiz isto por gozo. Completamente. É isso que me leva a estar aqui, e creio que aos meus colegas também. Para além disso, sempre dei o meu melhor enquanto aqui escrevi. E dei muito. O que me aborreceu foi estar a dar sempre o meu melhor para um projecto para ser insultado cada passo. Insultos que me atingiam e que indirectamente atingiam todo o blogue. E mesmo outros comentadores.
Acabei por pôr cobro aos insultos. O impertinente canalha que os assinava não desapareceu, mas pelo menos passou a moderar-se. O seu objectivo só poderia ser retirar-me o gosto pela escrita e pela blogosfera em geral. Pois falhou: o meu gosto por escrever em blogues, e no BdE em particular, não foi minimamente afectado, apesar de toda a sua persistência. O BdE infelizmente vai acabar e eu devo aproveitar para umas "férias blogosféricas" de que bem preciso. Mas vou voltar. Ao meu interlocutor de todos estes meses eu queria dizer que ele no fundo faz-me pena, pois deve ser uma pessoa bem pequena.

Deixo aqui uma selecção dos comentários do Aiai para que, se estiverem interessados, os possam apreciar por uma última vez. Parecem-se com os do José Tim no conteúdo, mas não no estilo.

Sobre os "Portões do Central Park":

Não percebes grande coisa de nada; mas quando é que isso te impede de mandar uns palpites? Que significa o post seguinte? Nada.

Ó Tonicha de trazer por casa: que quer dizer isto?
Quanto ao Christo, deves perceber tanto de arte pública e efémera quanto de parques em geral: népias.

Filipe,
Quando a ignorância e a falta de cultura mais absoluta se aliam ao convencimento de se ter algo a dizer, surgem textos com os teus.
Falas do que não entendes, passas sobre temas importantes com a leveza dos néscios, e ainda te dás ao luxo de ser mal-educado e grosseirão. ... pode ser que um dia ainda te conheça, cara-a-cara, e tenha ocasião para te explicar duas ou três coisas.

Irra, que nem copiar consegues! Eu escrevi sim: "estás mais é a ficar parvo". Respeitinho pelos meus insultos, por favor.

Um texto que começa por "não vi; se estivesse lá não resistiria a ir ver; mas à partida a ideia não me agrada" e acaba com "quanto a esta exposição, pode ser engraçadinha mas ainda bem que só vai durar até 27 deste mês" não é sobre a obra que refere? Então é sobre o quê? Sobre nada, que é sempre o caso no teu caso...

Diversos:

Banalidades superficiais baseadas em aparências, no que este ou aquele "parece". Para quê afixar aqui, em mero "corta e cola", estes lugares-comuns? O que é que aqui "vale a pena ler"?

Mas que interesse podem ter estes disparates mal-alinhavados e até com erros de ortografia? Para escrevinhar banalidades, já te temos a ti, Filipe.

Se te queres comparar a alguém, talvez seja melhor escolheres a Lídia Franco. O que já afirmaste "aqui várias vezes" só mesmo na tua cabecinha é que tem relevância ou é recordado. E não, não te comparo com o MST, que escreve bem e por norma diz coisas acertadas; o que não era o caso no outro dia. E nunca é o teu.

Como é habitual, estás a perceber tudo às avessas.
Nem todos têm de ser psiquiatras; mas investiga um pouco antes de desatares a "achar" coisas. A ignorância não é um ponto de vista.

Quanto ao aviso do Felipe,que ele desvele algumas das minhas inofensivas máscaras vale o que vale; já eu admiti livremente tal coincidência de identidades, nestas páginas. No entanto, esse pormenor de escrevermos "no mesmo computador" é cómico, vindo de um cientista; não fará ele mesmo ideia do que são "proxy servers" e de como são usados por quem procura privacidade?

Sobre as minhas escolhas para melhor banda portuguesa:

Porra. Podes estar tranquilo que é mesmo a última vez que desperdiço tempo a comentar as tuas baboseiras. Mas quem serás tu para perorar sobre o que os Mler Ife Dada fizeram ou não? Porque aplicas a tua estética de cabeleireira a coisas que até poderiam ter interesse? Os Trovante? Santo Deus!
A banalidade até pode ser interessante para um Jeff Koons (já sei que não sabes quem é e te orgulhas disso) mas, nas tuas mãos, é mesmo só tédio e estultice.
Irra; se não sabes escrever qualquer coisa relevante, ao menos escreve qualquer coisa de esquerda, como dizia o outro!

Se queres ver-te livre deste "bacano" armado em Grilo Falante, só tens de começar a escrever coisas com pés, cabeça e interesse. Se esta casa se intitula "de esquerda", que faz a tua prosa inodora, sensaborona e neutra por aqui? Ao menos, arranja temas que interessem a alguém que não viva dentro do teu umbigo.

Sobre o texto em que criticava a posição (errada) de Gago Coutinho em relação à Teoria da Relatividade:

"Um qualquer almirante aviador de boas famílias"... é nisto que dá a especialização das formigas, levada ao extremo: ignorância petulante e arrogância barulhenta.

Mas quem serás tu para te dares ao luxo de divulgar semelhantes disparates?
Tomara tu chegares ao fim da vida a pensar que contribuiste para o progresso da espécie tanto quanto este mero "aviador". Sei que não fazes ideia do que falo, como não fazes de nada que se afaste mais de um metro do teu umbigo, mas podes começar a tua educação por aqui.
Será que não tens um mínimo de bom-senso ou de bom gosto?

Sobre as minhas crónicas pessoais de Paris:

Nesta redacção juvenil, revelas a tua incultura, a tua deprimente falta de informação sobre tudo e mais alguma coisa e ainda uma falta de tino absoluta.

Porque não escreves antes isto num postal à namorada em vez de consumires bits e largura de banda a meio mundo?

Pronto, ganhaste. Conseguiste ver-te livre de mim. Se o preço para te atazanar é ter de ler xaropadas maçudas, incompreensíveis, autistas e desprovidas de graça como esta... não vale a pena.
Acho que acabaste de bater um recorde qualquer. Talvez o da maior estopada alguma vez metida a martelo num blogue. Se julgas que interessa a alguém saber como é o teu frigorífico ou onde irás passar o fim-de-semana, escreve à namorada, manda cartas ao "Público", mas não desperdices largura de banda a quem aqui vem em busca de textos e polémicas interessantes. Ou, em bom francês: chisse!

Tens um ligeiro problema com a tua ligação à realidade, não tens? Eu acabei de me confessar vencido e desistente. Não voltarei a melgar-te.

Sobre comércio justo, terceiro mundo e globalização:

Que quererá dizer "sou mais pelo Lula"?
Eu por acaso, sou mais pelos percebes...
Em termos políticos, ambas as afirmações têm o mesmo interesse e profundidade. Filipe: para comunicares com alguém, tens antes de descobrir que existem outras pessoas verbais além da primeira do singular...

Engraçado: onde estará o insulto? Criticar os lugares-comuns que aqui despejas, disfarçados de pensamentos, é insulto? Só se for à mediocridade.

Queres mesmo um insulto? Olha: és um miúdo mimado, incapaz de interagir com quem saia do grupo de louvaminheiros habituais do mundo dos blogs.
Tu careces de ideias originais, cultura, sensibilidade política, bom português e articulação. Estás a milhas dos teus colegas.

Após a estreia de mais um episódio de Star Wars:

Para quem já algumas vezes por aqui se vangloriou de adorar telenovelas, não está mau este acesso de exigência a propósito do Star Wars...

Sobre a Constituição Europeia:

Filipe: desejo-te então boa tournée em campanha pelo"sim" ao lado do Paulo Portas e de toda a tribo que festeja já o triunfo do neo-liberalismo económico como regime da Europa enquanto afia as garras à espera da relativização dos direitos de quem não é patrão...

Ó espécie de ranhoca informática: eu, por acaso, até sou empresário e patrão de uma vintena de pobres almas. Biltre? Canalha? Deves estar a pensar no teu paizinho.

Mas quando é que cessas com o "corta e cola" nos explicas as tuas razões?

Tu propões? És "cada vez mais" seja lá pelo que for? E então? Mas quem és tu? Que interessam as "propostas" de quem pensa que o Sartre é uma personagem da "Mafalda"? Alguma vez terás lido um livro que não falasse de quarks?
E essa do "estilo frontal e corajoso" não deve ser a propósito do fulano que preferiu esconder-se por detrás dos "nãos" franceses e holandeses, em vez de consultar os seus próprios eleitores, arriscando-se a uma derrota. Bela coragem sim senhora; é no estilo da tua, a tentares impedir-me de comentar os teus disparates...

Sobre a retirada de Gaza (alusão a um post do Luis Rainha):

Pronto, as banalidades inertes e atrasadas voltaram de férias. Mas a quem interessarão a tuas fantasias sobre as fronteirias de Israel? E lá vem o Oz outra vez, porra. Nem lês o que já se escreveu no teu blog?

Sobre os candidatos autárquicos de esquerda a Lisboa:

Filipe:
Não percebes por que não são "apresentáveis". Se percebesses é que seria caso para espanto. Pergunta, por exemplo, a quem já teve a desdita de trabalhar sob as ordens do Ruben na Festa. Quanto ao Carrilho, é tão somente mais um que quer usar a cidade como degrau num qualquer percurso de ascensão partidária.

Após uma anãlise aos resultados autárquicos (da CDU):

Grande regresso do rei incontestado do lugar comum!
Mas haverá blog com escriba mais inane e incapaz de pensamento próprio?

Se não tens tempo nem pachorra para responder a quem te dá troco, não seria melhor escreveres antes graffitis aí numa parede das tuas vizinhanças?

Olha que já é prova de abundante caridade retorquir a quem obviamente nada tem para dizer de próprio, original ou relevante. Espantoso é ainda haver quem te responda nestas janelas. Não mordas essas mãos que te afagam, pá.

Em resposta ao tchernignobyl:

E de onde veio agora este cromo? O menino não aprendeu que não se deve meter a despropósito nas conversas dos crescidos?

Em resposta ao Valupi:

Olha o fiscal do hermeneuticamente correcto! Deram-te folga do número de palhaço rico da verborreia?
Gostava mesmo de saber onde aplicas tu a tua por certo magnífica inteligência. Claro que já contas com dois ou três Nobéis... ou vais entristecer-nos admitindo que não passas de um fruste traste a passear a sua pomposidade por blogues alheios?

Relativamente ao blogue Bomba Inteligente:

Não só acho o blogue fraquíssimo, como não entendo o consenso que reina em redor daquele estendal de banalidades. Basta colocar os olhitos na coluna da senhora no "Expresso" para ver expostas de forma cruelmente clara todas as suas limitações.

Publicado por Filipe Moura às 08:59 AM | Comentários (21)

QUESTÕES SOBRE OS COMENTÁRIOS QUE GOSTARIA DE VER RESPONDIDAS

Hoje em dia, já encontramos diversos blogues de esquerda e de direita com comentários abertos, o que permite fazer algumas comparações sobre o tipo de comentários que se tem em blogues de diferentes inclinações políticas.
Nos blogues de esquerda com comentários (o Barnabé, o BdE, os Bichos Carpinteiros...) abundam nas caixas de comentários os boatos, as injúrias e as ofensas anónimas por parte da direita trauliteira.
Nada disto se encontra nos blogues de direita. Ou se se encontra, é esporadicamente, e vindo da parte da direita. Nunca encontrei um equivalente de esquerda da RIAPA, e duvido muito que exista. Sei que os comentários dos blogues de esquerda são muito mais agressivos e por vezes insultuosos; nos blogues de direita, de um modo geral são muito menos críticos, muito mais meigos. Limito-me a verificar um facto; os sociólogos que o interpretem.

Publicado por Filipe Moura às 08:00 AM | Comentários (5)

ÚLTIMOS DIAS DO BDE

Um dia escrevi na caixa de comentários que o Barnabé me fazia lembrar um café. Um café onde as pessoas se conhecem e onde surgiriam pessoas a atirar uns assuntos para a mesa que depois viam debatidos. Com o tempo, o Barnabé foi crescendo, lançou um livro, ficou conhecido e tornou-se o tal "Blogue que a Direita detesta". Se para uns isso não mudou muito as coisas, para mim sim. Procurei outro espaço. E encontrei-o no Blogue de Esquerda (II).
Com o tempo e à medida que o frequentei, passei a ver o BdE também como um café. Mas, por oposição ao café da moda que era o Barnabé, o BdE seria mais um daqueles cafés típicos de tertúlias onde toda a gente se conhece e cada um sabe o que esperar dos outros intervenientes. Fosse com ou sem polémicas, habituei-me aos textos do Zé Mário, do Luís, do Filipe, do Jorge e do Tchern. Os posts polémicos (às vezes vezes apenas provocadores), os posts intimistas, os posts belos. A série de 'versos que nos salvam'. A física. O humor. A Alice.
Nestes tempos em que fui lendo o BdE fui conhecendo, tanto quanto é possível neste meio apenas parcialmente impessoal que é a blogosfera, os seus participantes. Conversei com todos por comentários, com alguns por mail. Conheci um pessoalmente. Em tudo tive muito prazer. Com tudo aprendi.
Agora, quando o BdE fechar as portas, ficará um vazio. Um vazio estranho, um vazio que será difícil de preencher. Um vazio que nascerá do hábito de digitar o endereço bde.weblog.com.pt todos os dias. Um vazio que nascerá de deixar de aprender algo com os autores e comentadores todos os dias. Um vazio que nascerá do facto de ver, de certa forma, fechar o café onde ia todas as manhãs, ao almoço e ao ir para casa.
Para o futuro levo o BdE que li, onde escrevi um par de vezes em itálico e bastantes mais como comentador. Para o futuro levo as recordações de bons tempos a ler e mesmo a ouvir. Para o futuro levo o desejo de reencontrar pela blogosfera estas mesmas pessoas a quem passei, sem pedir licença, a chamar de amigos.
Para o futuro levarei muitas coisas, mas para o presente ainda sobra algo. Portanto, enquanto a porta não fecha, venha de lá mais um cafézinho para a mesa do canto que ainda temos tempo para mais dois dedos de conversa.
Até já.
(João André)

Publicado por José Mário Silva às 12:51 AM | Comentários (5)

APROXIMAÇÃO

bocklin.jpg

Arnold Böcklin, A Ilha dos Mortos (1883)

Publicado por José Mário Silva às 12:49 AM | Comentários (1)

novembro 21, 2005

ITÁLICO NACIONALISTA

Leio diariamente o Blogue de Esquerda há mais de dois anos. Pertenço ao número sumido dos que frequentaram ainda as velhas instalações do Blogspot. Uma fidelidade leonina, chamemos-lhe assim, em proveito do administrador do sítio e do seu Sporting.
A meus olhos, o Blogue de Esquerda foi político e militante com o Filipe Moura e o Luís Rainha, radioactivo na crítica social e de costumes com o tchernignobyl, terno e sensato com o José Mário Silva — o esquerdista mais borgiano com que alguma vez topei, capaz de casar nos labirintos do texto a recensão literária e as proezas da filhota.
Vou sentir a vossa falta, rapazes, habituado que estou a aviar a minha dose diária de esquerda inteligente e civilizada — aí mesmo na vossa botica blogosférica. Lendo e discordando. Discordando e lendo. O que enriquece a dialéctica.
Considerem-se, pois, saudados e abraçados pelo leitor

BOS

Publicado por José Mário Silva às 11:42 PM | Comentários (1)

ALEGRIAS DE UM COUCH POTATO

Por vezes, sabe bem passar uma noite de domingo em frente ao televisor; sobretudo depois de uma festa de aniversário carregada de miúdos de dois anos… Isto para dizer que ontem vi dois bons documentários do Canal História, a propósito do trigésimo aniversário da morte de Franco. O primeiro, "O espírito de um ditador", resenhava a vida do caudillo, desde a infância ao funeral na basílica construída por opositores presos, passando pela traição à República a que jurara fidelidade e pela agressão ao seu governo, democraticamente eleito. Aqui, as tiradas grandiloquentes sobre "raça", "dignidade" e "honra", sucediam-se, sobretudo em excertos de um grotesco filme escrito pelo próprio ditador.
Depois, veio a face humana, demasiado humana, dos senhores de poses hieráticas que se aglomeravam em torno de Franco, começando pela sua família e pela malta da Opus Dei. "Escândalos económicos do franquismo" desfia o rosário de aldrabices, roubalheiras, golpadas e crimes vários (incluindo homicídios) da camarilha franquista.
É sempre saudável relembrar o que costumam esconder inflamadas declarações de superioridade moral e fortaleza espiritual. Trata-se de lição muitas vezes repetida mas nunca aprendida.

Publicado por Luis Rainha às 06:53 PM | Comentários (1)

E LÁ SE VÃO AS NOITES LONGAS DO B.LEZA…

Não sabia que o B.Leza estava em riscos de fechar. Aliás, já lá não entro há muito tempo, tempo demais. Aquele edifício traz-me à memória episódios pícaros, uma ou outra noite mais longa e brava, muita música, muita cerveja barata, o Zé da Guiné, passagens de modelos vanguardistas e outros happenings improváveis, comida menos boa, mais cerveja, mais música, um ambiente que sugeria encontros entre Fellini e Lynch, algures em Cabo Verde. E agora tudo se vai acabar; o augusto palácio por certo merece inquilinos mais nobres, talvez um escritório de private banking, quiçá.
À laia de luto antecipado (que estas ameaças arranjam sempre forma de se cumprir mansamente…) deixo-vos aqui o texto que o meu amigo Emídio Fernando (jornalista que está para lançar uma obra sobre as relações entre Portugal e Angola que ainda vai dar que falar…) escreveu para um livro que andei a organizar, a duras penas, há já uns anos. A ilustração tem a mesma origem e a assinatura do Jorge Mateus…

O salão de festas do Casa Pia Atlético Clube parece ter nascido predestinado. Para quem acredita nos fatalismos, facilmente percebe a relação entre a discoteca africana e um passado histórico. Há dois séculos, o marquês de Pombal, armado em melómano e em bon-vivant, transformou a sala do clube num salão de festas. As origens mestiças do primeiro-ministro que recuperou Lisboa após o terramoto explicam tudo. Era filho de escrava mulata, o sangue puxava-o para a dança.
Só na última década, a exígua sala de espectáculos do Palácio Almada Carvalhais mudou três vezes de mão. Deixou de ser o Noites Longas para ser O Baile. Ficou marcada assim, definitivamente, a tendência para os ritmos quentes de África e o Casa Pia deixou de ter nome próprio. Desde há cinco anos que é simplesmente o B.Leza, um nome escolhido para homenagear o compositor que mais marcou a música de Cabo Verde.
O destino desenhou ironias e colocou na gerência da discoteca uma mulher com um nome que parece ter sido esculpido por um cabo-verdiano: Madalena Saudade e Silva. Ela, portuguesa que nunca pisou África, sempre esteve longe de imaginar que um dia seria proprietária de uma discoteca africana.
Mas, se a marca cabo-verdiana parece estar presente em todo o lado, não se deixa de sentir uma estranheza no B.Leza. Em tudo é diferente das discotecas africanas. Logo a começar pelas escadas, mesmo à entrada, que são tão escuras que assustam e rodeadas de paredes tão cinzentas que perturbam. Talvez para condizer com os porteiros que cobram as entradas, conforme o rosto e o gosto que vêem pela frente.
Faltam-lhe ali os recantos, as luzes, as colunas de som a sair um pouco de todo o lado. E a cor. Sobra-lhe o ar de salão de baile dos anos 30. Um pequeno palco é suficiente para caber um conjunto que nem sempre consegue arrancar as pessoas das cadeiras. Pelos corredores, encostam-se os homens ávidos de amores, à tocaia, à espera de uma presa para ensaiar um especial "a menina dança", perguntado apenas com o jeito do corpo, um sorriso e uma mão estendida.
Quando a caça fica consumada, o par junta-se ao resto da manada: gente que dança, uns que saltam, outros que apenas pisam, num estranho bailado onde corpos brancos misturam o folclore e o tango com o bambolear de mornas, coladeras e funanás. Misturam-se as raças e as cores, traçam-se estranhos bailados em que cada par é um caso. Salvam-se os dançarinos, quase catedráticos, com cursos tirados em noites sucessivas de danças e de suspiros de amor. Eles enroscam-se em respiros de desejo e de ternura. Elas encostam-se, afastam-se, respiram ofegantes. Também devia ser nisto que Martin Luther King pensou quando gritou:
"Black is beautiful!"

Publicado por Luis Rainha às 06:07 PM | Comentários (6)

TOP-5

Com algum atraso, maléfico Luis, aqui vai a lista dos meus «cinco melhores romances portugueses dos últimos trinta anos»:

- Finisterra, Carlos de Oliveira
- O Ano da Morte de Ricardo Reis, José Saramago
- Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, Mário de Carvalho
- Lilias Fraser, Hélia Correia
- Benoni, Alexandre Andrade

Publicado por José Mário Silva às 06:02 PM | Comentários (14)

O MEU BLOGUE NUNCA EXISTIU

Para o Zé Mário, para o Tcher, para o Bomba, para o Valupi

Era em Lisboa, e estava Dezembro de 2001 a terminar. Sei isto porque, dias depois, o euro iria ser introduzido. Quando, na manhã do dia 2 de Janeiro, já em Amsterdão, numa lojeca de CD’s de segunda mão onde nunca tinha entrado, paguei, e o vendedor me deu o troco, olhámo-nos como quem diz «Olha, olha, não custou nada». Afinal iria custar. Ainda hoje traduzo para ‘contos’, como bom português. E, como bom holandês, para ‘florins’. Mas eu queria contar-lhes outra coisa.
Poucas semanas antes, tinha eu magicado a construção dum «site» dedicado a livros, à edição e à crítica. Iria chamar-se «Salão Literário». Haveria de ser sobretudo trabalho meu, mas na cabeça bailava-me já uma equipa de cinco colaboradores de ouro, que eu aliciaria. Seriam pagos, pois claro. E bem. Como o trabalho intelectual deve ser. Acho óptimo que um fotógrafo cobre 250 € por uma só foto, mas vejo-me disposto a que o artigo que ela ilustra, e que também deu trabalhinho, seja pago por metade. Somos uns desgraçados.
Simplesmente, para aquelas minhas cavalarias internéticas, eu não tinha, como ainda não tenho, dinheiro. Havia que achar um financiador ou um mecenas, ou ambos. Eles chegaram na figura de um editor. A coisa ia, agora, avançar. No jantar para que me convidou, num restaurante lisboeta (a coisa começava logo bem), expus-lhe os nomes da minha equipa. Ele, conhecedor, achou-os boa escolha. Aí figuravam um jovem escritor (então, jovem à brava), uma crítica literária dum semanário de grande circulação (uma crítica com tomates, se me permitem o símile), um senhor muito dentro de questões editoriais e uma secretária dinâmica e informada. Faltava-nos só atrair um informático, meio idealista, meio carola.
Íamos fazer crítica em formas nunca vistas, oferecer originais de poesia e conto, dar «muita informação», reproduzindo notícias culturais (num, digamos, News Google em casca de noz), e permitir aos utentes, aos leitores dos livros, os seus comentários e um intercâmbio de ideias. Até tentaríamos dar resposta a questões aí expostas. O visual do «site» seria muito adamascado, muito acortinado, de um «Kitsch» muito ousado e muito acolhedor. E assim revolucionaríamos a paisagem literária do País.
O «Salão Literário» não chegou a abrir. Pela minha distância física, pela dificuldade em tornar perceptíveis os meus planos, mais exactamente sonhos, pelo facto de a equipa, sendo amigos meus, serem estranhos entre si, por tudo isto, e mais motivos, o «Salão» nunca abriu.
Agora, cinco anos de Internet mais tarde, tudo poderia ter sido diferente. Temos muito maior mobilidade: mais hábitos, mais recursos, mais ideias, mais necessidades. Hoje, o meu «Salão Literário» seria já outro. E teria de competir com novos, e aliciantes, planos de futuro. Mas considerem-se todos vocês, queridos amigos, bem-vindos ao meu sonho.
(Fernando Venâncio)

Publicado por José Mário Silva às 04:33 PM | Comentários (8)

METÁFORA

No meio do labirinto de histórias, evocações, derivas e memórias que dá forma ao romance Austerlitz (Teorema), W. G. Sebald coloca a certa altura, na boca dessa personagem absoluta que é Jacques Austerlitz, esta imagem:

«Por volta de 1860 e 1870, antes do início dos trabalhos de construção dos dois terminais norte [da estação de Bishopsgate, em Londres], esses quarteirões miseráveis foram evacuados compulsivamente e grandes quantidades de terra misturada com o que nela havia enterrado foram escavadas e removidas para que as linhas férreas, que nos desenhos dos engenheiros pareciam músculos e feixes de nervos num atlas anatómico, pudessem ser levadas até aos arredores da cidade.»

Há metáforas que nos perseguem. Esta, das linhas férreas como músculos agitando o corpo da cidade, anda na minha cabeça há várias semanas. Penso em Santa Apolónia, penso no Rossio — e Lisboa como que estremece.

Publicado por José Mário Silva às 04:24 PM | Comentários (1)

CONVERGÊNCIA

«Estou farto de não poder fazer deste blog mais do que uma ridícula sombra daquilo que eu gostaria que ele fosse.» — Alexandre Andrade, no espaço mais verde-alface da blogosfera portuguesa.

Publicado por José Mário Silva às 04:20 PM | Comentários (0)

APELO

Nós queremos acabar em beleza mas não queremos que acabem com o B.Leza.

Publicado por José Mário Silva às 04:18 PM | Comentários (0)

REPORTS OF OUR DEATH HAVE BEEN GREATLY EXAGGERATED

Num perfil sobre João Pereira Coutinho (o cronista) publicado no último número da Grande Reportagem, Joel Neto, ao abordar o célebre episódio que levou ao fecho da Coluna Infame, escreve o seguinte:

«Tudo decorreu nos primeiros dias de Junho desse primeiro ano [2003]: no blog concorrente, o também extinto Blog de Esquerda, Daniel Oliveira identificara João Pereira Coutinho com a extrema-direita; (...)» [o sublinhado é meu]

Acontece que esta referência é ao mesmo tempo verdadeira e falsa. Se quisermos ser picuinhas, o Blog de Esquerda (com esta grafia e com a equipa residente limitada a duas pessoas) extinguiu-se realmente no dia 25 de Novembro de 2003. A partir desse dia, passou a existir o BdE - Blogue de Esquerda II, este blogue que tendes a oportunidade de ler e que se apresta, também ele, a exalar o último suspiro. Acontece que o BdE II é apenas a continuação, por outros meios (e com mais pessoas), de um mesmo projecto. Nesse sentido, a afirmação de Joel Neto peca, no mínimo, por omissão. Ao enumerar uma série de blogues que ficaram pelo caminho na voragem da blogosfera — Coluna Infame, Barnabé, Dicionário do Diabo, Flor de Obsessão — e usando para todos eles o mesmo adjectivo sem retorno («extinto») que aplicou ao Blog de Esquerda, o jornalista passa a ideia ao leitor menos familiarizado com este meio de que todos, sem excepção, deixaram de existir. Mas se a Coluna Infame, o Barnabé, o Dicionário do Diabo e o Flor de Obsessão deixaram realmente de existir (no sentido de serem actualizados), o Blog de Esquerda ainda por cá anda.
O mais irónico é que na próxima sexta-feira, menos de uma semana após a publicação do texto, o pequeno lapso de Joel Neto deixará de ser uma incorrecção para se transformar numa verdade a posteriori, uma verdade que os acasos da vida fizeram questão de antecipar.

Publicado por José Mário Silva às 01:43 PM | Comentários (6)

novembro 20, 2005

UH-UH, AAA! AINDA TEM UMA SEMANA PARA FECHAR O BDE!

The Internationale, versão de Billy Bragg.

Publicado por Filipe Moura às 11:51 PM | Comentários (18)

REVISIONISMOS INSURGENTES

Se sexta-feira ouvirem mais uma vez o que andam a ouvir há 30 anos, sobre comunistas e liberdades, e que a verdadeira liberdade só começou há 30 anos, leiam esta entrada da responsabilidade do AAA, grande admirador de Ann Coulter, e vejam os perigos que esta mesma liberdade ainda corre. E o que verdadeiramente se esconde por trás de algumas carapaças supostamente "liberais". Ó AAA, vem cá fechar o BdE já?

Publicado por Filipe Moura às 11:49 PM | Comentários (2)

FAROL

farol.jpg

Cabo Espichel, ontem, ao fim da tarde

Publicado por José Mário Silva às 11:32 PM | Comentários (1)

SARAMAGO E VARGAS LLOSA ACUSADOS DE ANTI-SEMITISMO

Para Saramago, tal acusação era de se esperar depois de artigos como O Factor Deus e este. Para Vargas Llosa, tal acusação era de se esperar devido a artigos como o da entrada anterior. Quando digo "era de se esperar", é de parte dos fanáticos que estão sempre prontos a largar a referida acusação. Dado que a referida acusação é séria e grave, recomendo que se guarde para casos sérios, sob pena de ficar descredibilizada.
Refiro-me a uma notícia com pouco mais de um mês, que podem ler a seguir.


En vísperas del Día del Perdón
Denuncian a Vargas Llosa y a Saramago

http://www.lanacion.com.ar/cultura/nota.asp?nota_id=746999

La DAIA acusa a ambos de antisemitas

El presidente de la Delegación de Asociaciones Israelitas Argentinas (DAIA), Jorge Kirzsenbaum, acusó ayer a los
escritores Mario Vargas Llosa y José Saramago de "filtrar antisemitismo" en sus obras, durante un brindis por el
Año Nuevo judío (Rosh Hashaná), en vísperas del Día del Perdón.

"Pareciera que ahora la cosa se enfoca en agredirnos a través de grandes plumas como Saramago o Vargas Llosa. Creo que se está filtrando un antisemitismo, un antisionismo a través de esas plumas a las que tenemos que prestar atención y combatir", dijo Kirzsenbaum durante el encuentro realizado en la Asociación Mutual Israelita Argentina (AMIA), con motivo de las fiestas del Año Nuevo judío y en el que participó la totalidad de los referentes y
funcionarios del pueblo judío en la Argentina.

Consultado por LA NACION, ayer por la tarde, Kirzsenbaum dijo que sus dichos se refieren a la actitud y a determinados artículos periodísticos que los dos escritores han publicado en los últimos meses y no a la obra
literaria, que consideró de singular calidad.

"Cuando hablo de ellos me refiero al antisemitismo y al antisionismo que manifiestan permanentemente con una
postura que no es equitativa. Y que es parte de una ola antisionista que se está propagando en Europa, a la que adhieren los dos escritores", señaló el dirigente de la DAIA.

Voceros de la comunidad israelita aseguraron a este diario que la indignación con los novelistas se hizo
"intolerable" tras una serie de artículos publicados el lunes último en LA NACION, donde Vargas Llosa resume las
impresiones recogidas durante un recorrido de dos semanas por Medio Oriente, junto a su hija y al novio, que precisamente es judío.

"En las notas, Vargas Llosa se pregunta si el retiro de Gaza es una maniobra dilatoria del premier israelí, Ariel
Sharon, y cuestiona el muro levantado por Israel para aislar a la población palestina, entre otros temas
controvertidos", dijeron esas fuentes.

Indignación del pueblo

Respecto del portugués Saramago, Kirzsenbaum dijo que no es el primero que lo acusa de antisemita. "Otros
escritores han notado el carácter antisemita de Saramago y lo han dicho", afirmó.

El premio Nobel de Literatura había despertado la indignación de la comunidad judía, a mediados del año último,
cuando comparó la ciudad de Ramallah, en Cisjordania, con el campo de concentración nazi de Auschwitz. "Ramallah es el Auschwitz de hoy: en Ramallah vi a la humanidad humillada y destruida como en los campos de concentración nazis", había declarado el novelista.

Antes de finalizar el brindis, Kirzsenbaum señaló que 2004 fue un año plagado de circunstancias y dificultades. "No
tenemos que dejar de perder de vista aquello que sí debe preocuparnos. Sabemos que somos una comunidad local e internacional que siempre es objeto de algún tipo de persecución o agresión."

Jesús A. Cornejo

Publicado por Filipe Moura às 11:22 PM | Comentários (1)

PEDRA DE TOQUE - LUZES E SOMBRAS DE ISRAEL

Na semana em que chegou uma nova liderança ao Partido Trabalhista, sucedendo ao ambíguo Peres, esperamos que este partido chegue ao governo em breve (nas próximas eleições legislativas antecipadas) e volte a colocar Israel na senda da paz. Entretanto fiquemo-nos com este artigo de Mario Vargas Llosa.

Luces y sombras de Israel
Por Mario Vargas Llosa
Para LA NACION

LONDRES

Si el conflicto palestino israelí no existiera, o hubiera sido ya resuelto de manera definitiva, el mundo entero vería en Israel uno de los éxitos más notables de la historia contemporánea: un país que en poco más de medio siglo -nació como Estado en 1948- consigue pasar del Tercer al Primer Mundo se convierte en una nación próspera y moderna, integra en su seno a inmigrantes procedentes de todas las razas y culturas -aunque, por lo menos en apariencia, de una misma religión-, resucita como idioma nacional una lengua muerta, el hebreo, y la vivifica y moderniza, alcanza altísimos niveles de desarrollo tecnológico y científico, y se dota de armas atómicas y de un ejército equipado con la infraestructura más avanzada en materia bélica y capaz de poner en pie de guerra en brevísimo plazo a un millón de combatientes (la quinta parte de su población).

Este logro es todavía más significativo si se tiene en cuenta que la Palestina donde llegaron los primeros sionistas procedentes de Europa, en 1909, era la más miserable provincia del Imperio Otomano, un páramo de desiertos pedregosos convertido ahora, gracias al trabajo y al sacrificio de muchas generaciones, en poco menos que un vergel. Es verdad que Israel ha contado con una generosa ayuda exterior, procedente principalmente de los Estados Unidos, del que recibe anualmente cerca de 3 mil millones de dólares, y de la diáspora judía; un factor que hay que tener en cuenta, pero que de ninguna manera explica por sí solo la impresionante transformación de Israel en uno de los países más desarrollados y de más altos niveles de vida del mundo. Por ejemplo, Egipto recibe una ayuda más o menos equivalente de Estados Unidos y nadie diría que le ha sacado el menor provecho para el conjunto de su población. Y los grandes países productores de petróleo, como Venezuela o Arabia Saudita, sobre quienes el oro negro hace llover desde hace muchos años una vertiginosa hemorragia de dólares, siguen, debido a la ineficiencia, el despotismo y la cancerosa corrupción de sus gobiernos, profundamente enraizados en el subdesarrollo. Ninguno de ellos ha aprovechado sus recursos y las oportunidades creadas por la globalización como Israel.

Es verdad que, en los últimos años, a medida que el crecimiento económico israelí se disparaba -gracias a su despegue industrial, sobre todo en el campo de las nuevas tecnologías- y el país dejaba de ser rural y se volvía urbano, la sociedad más o menos igualitaria y solidaria con la que soñaban las primeras generaciones de sionistas, y de la que todavía era posible encontrar huellas en el Israel que yo conocí hace treinta años, iba siendo reemplazada por otra, mucho más dividida y antagónica, donde las distancias entre los sectores más ricos y los más pobres aumentaban de manera dramática y el idealismo de los pioneros y fundadores de Israel iba siendo reemplazado por el egoísmo individualista y el materialismo generalizado que es rasgo universal de todas las grandes sociedades contemporáneas.

Israel se jacta de haber cumplido esta veloz trayectoria histórica hacia el bienestar dentro de la legalidad y la libertad, respetando los valores y principios de la cultura democrática, algo que ha brillado y sigue brillando por su ausencia en todo Medio Oriente. Esta es una verdad relativa, que exige importantes matizaciones. Israel es una democracia en el sentido cabal de la palabra para todos los ciudadanos judíos israelíes, quienes viven, en efecto, dentro de un Estado de Derecho que respeta los derechos humanos, garantiza la libertad de expresión y de crítica, y en la que quien siente vulnerados sus derechos puede recurrir a unos jueces y tribunales que funcionan con independencia y eficacia. He estado cinco veces en Israel, a lo largo de tres décadas, y siempre me ha impresionado la energía y la firmeza con que se practica allí la crítica, y la diversidad de opiniones en los periódicos y las revistas publicados allí en lenguas a mi alcance, en debates y discusiones o pronunciamientos públicos de partidos, instituciones o figuras individuales formadoras de opinión. No creo exagerado afirmar que probablemente en ninguna otra sociedad se critica de manera tan constante, y a veces tan acerba, a los gobiernos de Israel como entre los propios israelíes.

Estas excelentes costumbres democráticas se reducen considerablemente, y a veces desaparecen por completo, cuando se trata del millón y pico de árabes israelíes -musulmanes en su gran mayoría y una minoría cristiana- que constituyen aproximadamente el veinte por ciento de la población. En teoría, son ciudadanos a carta cabal, con los mismos derechos y deberes que los judíos. Pero, en la práctica, no lo son, sino ciudadanos discriminados, para los que no existen las mismas oportunidades de que gozan aquéllos y que tienen tanto los accesos a los servicios públicos -educación, salud- como al empleo, la adquisición de propiedades, o el simple movimiento físico, mediatizados, recortados o suprimidos con el argumento de que estas cortapisas y limitaciones son indispensables para la seguridad de Israel.

Pero los ciudadanos árabes israelíes, pese a todo ello, viven en condiciones envidiables si se compara su caso con el de los millones de palestinos del West Bank y, hasta ayer, de la Franja de Gaza, es decir, los territorios que Israel ocupó en 1967, luego de la Guerra de los Seis Días, en la que derrotó a los ejércitos de Siria, Jordania y Egipto. (El West Bank estaba entonces bajo el dominio jordano y Gaza, bajo el egipcio.) Esta victoria, de la que la gran mayoría de los israelíes se sienten orgullosos por razones militares y/o religiosas -su pequeño país derrotaba en un cerrar de ojos a una gran coalición militar del mundo árabe y recuperaba para los judíos la totalidad del ámbito de su historia bíblica-, convirtió a Israel en algo que ha sido su pesadilla desde entonces y lo que ha contribuido más que nada a desencadenar la antipatía o la franca hostilidad hacia sus gobiernos de una buena parte de la opinión pública internacional: en un país colonial. Y nada corrompe tanto a una nación, desde los puntos de vista cívico y moral, como volverse una potencia colonizadora. Coincidiendo con aquella conflagración de 1967, el general De Gaulle hizo entonces una descripción de los israelíes que generó una gran polémica (y mereció, entre otras muchas, la respuesta encendida de Raymond Aron). Los llamó "pueblo de elite, seguro de sí mismo y dominador". No estoy seguro de que entonces fuera cierto; pero sí lo estoy de que, de entonces a ahora, insensiblemente y debido a la conquista de aquellos territorios así como a su enriquecimiento y poderío, Israel se ha ido acercando a lo que, cuando fue lanzada, nos pareció a muchos una injusta y exagerada descripción.

En lo que concierne a su relación con los palestinos, todas son sombras que maculan moralmente el formidable progreso material y social de Israel. En los treinta y ocho años de ocupación, los palestinos han visto sus tierras expropiadas e invadidas por cientos de miles de colonos que, casi siempre alegando los derechos divinos, tomaban posesión de un lugar y de unos campos, los cercaban y venía luego el ejército a proteger su seguridad y a consumar el despojo, manteniendo a raya o expulsando a los despojados.

Pese a las duras rivalidades que las enfrentan, tanto la izquierda como la derecha israelí, han coincidido en esta política de apoyar la multiplicación y el ensanchamiento de los asentamientos por colonos convencidos de que, actuando de este modo, cumplían la voluntad de Dios. Este proceder abusivo ha sido el mayor obstáculo para un acuerdo de paz, pues, a la vez que, de palabra, los gobiernos israelíes decían siempre desearla, en la práctica la desmentían con una política que, a ojos vistas, iba aumentando y refrendando la ocupación colonial.

No hay duda alguna de que, debido a sus enormes divisiones políticas internas, a la práctica del terrorismo, a la ineficiencia y torpeza de sus líderes, los palestinos han defendido muy mal su causa, desaprovechando a veces oportunidades como la que, a mi juicio -el tema es objeto de tremendas controversias en Israel y en Palestina- representaron las negociaciones de Camp David y de Taba en el año 2000, en los finales del gobierno laborista de Ehud Barak. Pero, aun así, y sin que ello signifique la menor justificación del salvajismo irracional de los atentados contra la población civil y de las bombas de los suicidas palestinos -voladura de autobuses, restaurantes, cafés, discotecas, tiendas-, los atropellos cometidos por el gobierno israelí contra la población palestina en general -puniciones colectivas, demoliciones de casas, asesinato de líderes terroristas aunque para ello sea inevitable que mueran civiles inocentes, detenciones arbitrarias, torturas indiscriminadas, juicios de caricatura en que los jueces condenan a los acusados a largas penas, sin que los abogados defensores puedan siquiera conocer el acta de acusación, que se mantiene secreta por razones de inteligencia militar, etcétera- son injustificables e indignos de un país civilizado.

Después del fracaso de los acuerdos de Oslo, que habían despertado tanta euforia en todo el mundo y en especial en Israel -yo estuve allí por aquellos días y viví ese entusiasmo-, y luego de la subida al poder de Ariel Sharon, bestia negra de los pacifistas y de todos los partidos moderados del país, las esperanzas de paz parecían enterradas por un buen tiempo. Nadie había promovido tanto como aquél la política de los asentamientos de colonos en los territorios ocupados ni nadie había saboteado con tanta vehemencia todos los intentos de solución negociada del conflicto -desde Oslo a Camp David y Taba- como el líder del Likud. ¿Quién hubiera dicho que la misma persona que dirigió la invasión militar del Líbano, que estuvo implicada en las matanzas de refugiados palestinos de Sabra y Shatila y que con su paseo provocador por la Plaza de las Mezquitas contribuyó a desatar la segunda intifada y a frustrar los acuerdos de paz de Oslo, iba pocos años después, de manera unilateral, a cerrar los 21 asentamientos coloniales de la Franja de Gaza y a devolver esta tierra arrebatada al pueblo palestino?

¿Qué ha habido detrás de esta audaz iniciativa? ¿Una concesión táctica para distraer la atención internacional mientras Israel acentúa la política de apropiación de las tierras del West Bank? ¿O un intento serio de mostrar al mundo la voluntad de Israel de poner de una vez por todas un fin razonable a este conflicto? ¿Qué piensan de ello los israelíes y los palestinos? Para tratar de averiguarlo, acabo de pasar quince días en Israel y en los territorios ocupados, hablando con gente de toda condición e ideología, viendo y oyendo lo más que podía y tratando de sobrevivir al calor, la intensidad de las vivencias y la fatiga. Porque en Israel y en Palestina se vive más que en otras partes y el tiempo parece durar allá menos que en el resto del mundo. Acaso ésa sea la razón por la que tres de las cuatro grandes religiones de la historia de la humanidad tengan allí sus raíces y por la que ese puñado de kilómetros cuadrados haya hecho correr desde hace cuatro milenios más sangre y locura que cualquier otra región del mundo.

Publicado por Filipe Moura às 11:14 PM | Comentários (1)

A IGREJA NÃO NOS DÁ MÚSICA?


Veio há pouco a Igreja Católica pôr ordem na rebaldaria musical que lhe invadiu os santos templos. A partir de agora, música num edifício católico só tendo em atenção que "o repertório deverá ser condizente com o lugar sagrado, constituído por música sacra ou religiosa, e sujeito a aprovação superior". Assim, para se ouvir música numa igreja, há que enviar o respectivo “requerimento ao bispo diocesano, indicando o lugar, a data, a hora e o programa do concerto com o nome das obras musicais a apresentar e os seus autores”. Isto vem no "desmentido" que a Ecclesia publicou, depois de algumas notícias terem alarmado os crentes mais melómanos. (Mas vocês estão mesmo a ver algum bispo a conhecer, por exemplo, este senhor, ou a autorizar semelhantes modernices?)
Parece-me ideia excelente. Primeiro, porque poupa os ouvidos frágeis dos velhinhos que ainda vão à missa a estridentes versões do “Yesterday” em que “Cristo” aparece a rimar com “isto”.
Depois, porque assim já não podem albergar excelentes concertos — como aquele que há pouco ouvi nos Jerónimos, com o enorme Pierre Boulez — que poderiam arrastar jovens incautos e confiantes para aqueles antros de lavagem ao cérebro: se alguém lá entra e se deixa tocar pelo espírito da grande música, ainda é capaz de atribuir a iluminação aos ofícios da Santa Madre Igreja. Agora, ao menos não há confusões: ou lá vão atrás de música sacra ou o melhor é irem à Gulbenkian.
Tudo bem: enquanto o lobo morde a própria cauda, a ovelha esfrega as patas de contente.

Publicado por Luis Rainha às 04:38 PM | Comentários (10)

AS CRÓNICAS DE JOSÉ MANUEL ESTEVES

Um dos prazeres que um lusófono residente em Paris e que se levante cedo durante a semana pode ter é o de ouvir o Cais da Manhã da Rádio Alfa. O programa conta com um elenco de cronistas fixos, que falam de segunda a sexta, cada um no seu dia, às 7:40 locais. A Rádio Alfa pode ser ouvida por quem está em Paris ou, fora de Paris, via internet. A versão escrita das crónicas fica por algum tempo na página da internet.
O meu cronista preferido é o das sextas-feiras, José Manuel Esteves. Já aqui evoquei uma crónica verdadeiramente sublime, da sua autoria, sobre os sem-abrigo em Paris. Quero aqui partilhar convosco a sua crónica mais recente, da última sexta-feira: Lusofonia, Património da Humanidade.

Publicado por Filipe Moura às 10:44 AM | Comentários (1)

novembro 19, 2005

VERSOS QUE NOS SALVAM

Regressado à editorial Caminho e à poesia de inspiração clássica (depois do interregno intimista de Autobiografia Cautelar, Gótica, 2001), eis o Paulo Teixeira da sintaxe idiossincrática e do vocabulário que mais ninguém usa, numa «viagem de Atenas a Roma»:


AOS POETAS GREGOS

Aos poetas gregos que a musa visitava:
ela entrava na fosforescência da tarde pelas janelas,
pairava um momento sobre as cabeças
e, desenhando um círculo silente,
assinava com letra ilegível o que escreviam.

Hoje não há rumor de água nos ouvidos
ou palavras entrando em haustos pela boca.
Não vai um sopro enrolado em cada letra
nem musa reclama a sua vez de ser a voz
em que falamos no mundo das coisas
que se dobravam ao passar Orfeu.

A beleza no verso de ouro dos antigos
só encontra lugar na estrofe em ruínas.


ÉFESO

Em flanco de colina aberta
houve por bem admirar
em vertigem do alto

— evitando o clamor e o grito —
como a palavra aliterante
e longa era em baixo

terra toda de sílabas apeada.

Publicado por José Mário Silva às 11:54 PM | Comentários (2)

BOVINIDADE GERAL (II)

Para animar um pouco de música, não blasfema mas profana. Contra esta bovinidade eu não quero nenhum remédio:

Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas

E agora com licença: tenho um bife à minha espera.

Publicado por Filipe Moura às 08:57 PM | Comentários (0)

BOVINIDADE GERAL (I)

(Vou começar por um assunto velho, tão velho que já nem estou para procurar os links. Depressa chegarei a um tema bem actual.)

1) Algures em Março de 2004 escrevi aqui no BdE um texto que deu muita polémica, principalmente por uma frase infeliz onde eu atribuia aos "judeus americanos" a versão distorcida e parcial (este facto sou eu que confirmo) com que muitos media americanos cobrem assuntos relacionados com o Médio Oriente. O texto deu origem a muitos protestos, alguns justos e outros... nada, onde eu era vítima de todo o tipo de ataques pessoais, a maior parte das vezes (como de costume) por anónimos.
Um dos blogues que mais veementemente me criticou (e atacou) foi o então recém-formado Blasfémias. O Gabriel Silva criticou a única coisa que de facto tinha legitimidade para criticar, o texto em si. Já o seu colega CAA não se limitou a criticar o texto em questão. Poderia ter aproveitado para atacar a minha pessoa (o que já de si seria inaceitável baseado apenas num mero texto). Mas o CAA não se ficou por aqui: atacou todo o Blogue de Esquerda (mesmo se o texto mereceu, como de facto foi o caso, a pronta demarcação por parte do blogue). Mais: o CAA atacou toda a "Nova Esquerda", como ele diz, o que me levou a reagir aqui às "blasfémias da direita trauliteira" e sedenta por um ajuste de contas com a História, que estava à espera de uma oportunidade como a que eu ingenuamente lhes dei para a consumar.
2) Porque ao contrário de muitos outros bloggers não sou dado a birrinhas e vitimizações e sei reconhecer os meus erros, admiti que tal afirmação constituia um exagero e que tinha sido formulada com muito pouco rigor. É verdade que existe um poderoso lóbi pró-Israel presente na sociedade americana e que tal se reflecte naturalmente nos media, mas é certamente injusto culpabilizar a comunidade judaica americana como um todo (apesar de tudo bastante diversa e díspar) pela parcialidade dos media. Reconheci isto sobretudo ao pensar nos muitos judeus que conheci enquanto vivi nos EUA e que muito estimo.
Depois deste meu esclarecimento, pude facilmente distinguir em quem me acusava o trigo do joio. No Blasfémias o Gabriel Silva (que tenho por muito boa pessoa) reconheceu que me "ficava bem" ter reconhecido o erro. Tal como, no seu blogue, o André Abrantes Amaral: foi aliás na sequência deste episódio que se gerou uma bela amizade entre eu e este proud friend of Israel - alguma consequência positiva deste triste episódio. Mas o CAA limitou-se... a criticar o Gabriel Silva por ter escrito o seu texto conciliador!
3) Tudo isto passou-se ainda o Blasfémias nem um mês tinha. Logicamente a impressão com que fiquei de alguns dos elementos do blogue não foi a melhor. Se não podiam ter nada contra mim, pois não me conheciam, haveriam de ter algo muito forte contra a esquerda, ao ponto de um debate (que deve ser um dos principais objectivos da blogosfera política) com esses elementos ser inviável. Passou-se entretanto muito tempo, e no que diz respeito ao CAA pude pelo menos observar que era bastante democrático (em questões de política; não de religião, onde tem alvos preferenciais) nas suas reacções absolutamente desproporcionadas e na sua má vontade. Pude vê-lo noutras ocasiões exercer o seu terrorismo escrito (sempre contra o "estado de bovinidade") contra alvos de direita... Se dúvidas houvesse foram-me tiradas: o episódio comigo tinha sido "mais um", e nada de pessoal, pelo que o relativizei e não pensei mais no assunto.
4) Entretanto surgiu mesmo no Blasfémias uma ou outra entrada nada feliz nas últimas semanas, no contexto dos motins em França. Preferi tomá-las como uma brincadeira de gosto muito duvidoso. Mas esperava que o CAA, que tão fortemente se indignou noutras alturas, se manifestasse, por pouco que fosse. Nada. Pelos vistos as indignações do CAA são selectivas e não se aplicam quando os envolvidos são muçulmanos. Não nos esqueçamos de que o CAA já escreveu num blogue sugestivamente chamado Mata-Mouros.
5) Até que esta semana veio a famosa borracheira (não lhe chamo posta pois parece-me muito bovino). Sobre este tipo de situações a meu ver na blogosfera não se podem usar exactamente os mesmos critérios que na imprensa escrita, dado o imediatismo associado. Eu mesmo reconheço que já aqui cometi excessos (por exemplo, contra José Peseiro). Nessa altura o Sporting tinha perdido mais uma vez, e eu estava aborrecido. Mas para a minha apreciação (e é só isso que está aqui em causa) o que é importante é que textos deste tipo não se repitam (e aqui o Peseiro não é um bom exemplo, uma vez que as derrotas se repetiam, o que levava a que os insultos provavelmente se repetissem). Isto é, que não se tornem sistemáticos. E muito menos que se tornem a imagem de marca do autor.
Gostaria de fazer como o CAA fez comigo. Neste caso diria que entradas como esta da autoria do CAA são a imagem dos cavaquistas. Que todos os eleitores de Cavaco Silva acham que Constança Cunha e Sá estava ébria, e que por isso tinha uma má vontade especial contra o Prof. Cavaco, coitado, que como é sabido comunica muito bem e tem opiniões muito claras sobre tudo. Mas nem todos os eleitores de Cavaco Silva são o CAA e nem eu sou o CAA. Por isso limito-me a dizer o que para mim é claro: aquela entrada do CAA ilustra perfeitamente que Cavaco Silva não esteve bem na entrevista. Que Cavaco Silva perdeu, por assim dizer, uma boa oportunidade. CAA sabe isso. Não o quer é admitir e, por isso, preferiu fazer sair aquilo. E assim vai continuar, estou certo. No seu estilo inconfundível, sempre contra a bovinidade.

Publicado por Filipe Moura às 08:46 PM | Comentários (9)

LA BANLIEUE N'EST PAS LÁ

Tulherias.jpg

Leitura recomendada: Banlieue de Vicente Jorge Silva.

Publicado por Filipe Moura às 01:25 PM | Comentários (2)

STAND-UP MISERY


Tenho no televisor uma entidade de boina a tentar contar uma espécie de anedotas. Que o “barco do aborto” vai voltar mas que ele espera que Louçã e Odete Santos não voltem a abordá-lo noutro barco senão ele ficará sem saber qual é o “barco do aborto”; que Manuel Alegre já morreu mas ainda não foi disso avisado pelas finanças; que o blogue de Cavaco se vai chamar “The Terminator”; etc. Por fim, mostra-nos um daqueles mails sem graça que já deram a volta ao mundo 40 vezes e ri-se. Mas é o único: a sua falta de jeito, de piada e de ritmo é tão constrangedora que nem o público pago se ri. Depois, como acólito convidado, surge o inenarrável Manuel Serrão. Mas o que é aquilo, meu Deus?
O monstro televisivo está a ser transmitido pela estatal “2”. Com esta cena deprimente, o meu limiar de indignação com desperdícios de dinheiros públicos acaba de subir uma carrada de degraus: ordenados milionários, a administração da CGD, o Parque Mayer de Ghery... já tudo me parece normal e aceitável.

Publicado por Luis Rainha às 12:04 AM | Comentários (21)

novembro 18, 2005

UMA PALAVRITA AMIGA DO NOSSO PATROCINADOR:

Como mecenas da oferta que o Zé Mário já divulgou, cabe-me aqui apresentar os grandes prémios desta fantástica promoção: cinco exemplares do livro "Cinco Contos sobre Fracasso e Sucesso", lançamento recente da Má Criação.
Não vale a pena dizer-vos, caros leitores, quem é o Alexandre Andrade, autor deste belo tomo e de um dos melhores blogues da praça. Quanto ao livro, deixo-vos com a prosa de contra-capa:
"Estará o Santo Graal escondido algures numa viela lisboeta? Será o ténis o jogo indicado para afiar a perícia de um espião? Quem faz o quê, quem é o quê, quem diz o quê e em que ocasião, quantos por cento se revelam por inteiro num único gesto quase imperceptível?
Nestes cinco contos de Alexandre Andrade, as perguntas inesperadas ultrapassam em número as respostas claras e definitivas. E o esforço da busca pode bem encerrar mais alegrias do que mais uma meta alcançada.
Entre o fracasso e o sucesso, entre a rua Duque de Palmela e Cleveland, expandem-se dramas desconcertantes, demandas sem fim à vista, páginas e páginas de prosa urdida com o brilho tranquilo e discreto em que Alexandre Andrade já nos viciou."

Assim sendo, e presumindo que já vos cresce a proverbial água na boca, mãos às obras: escrevam sobre a vossa convivência com o BdE. Reclamem, elogiem, queixem-se, mandem abaixo; antes que a loja feche de vez, dia 25. Desde que o façam com pinta, publicamos a coisa e ainda vos podemos enviar um destes magníficos volumes.

Um minúsculo excerto:
"Dos cavaleiros da Távola Redonda, supostamente dentro do assunto, tinham contado com uma contribuição pouco mais que simbólica: alojados na mesma unidade hoteleira, consumiam-se em amuos e confrontações intestinas, ciosos dos seus segredos e dos seus estatutos. Regiam-se pelas suas máximas com afinco e obstinação, mas não transpunham o lobby e raramente atendiam o telefone.
Entregues a si mesmos, uma situação a que estavam acostumados, mas que nunca deixavam de estranhar, como a um licor cujo aroma distante se associa a uma época, mas não às que se lhe seguiram, Scheveningen, Panov e os outros viam-se compelidos a explorar todo e qualquer recurso ao seu alcance. Não se interessavam por Boris como pessoa nem como profissional. Aos seus antecedentes, situação familiar, etc., dedicavam escassa atenção. Isidor Isaac erguia-se e subia a voz quando se impunha a necessidade de conquistar o auditório.
– Ele, Boris, conta com uma extensa rede de contactos, e com o cartão de acesso aos arquivos ostentando o círculo azul, ao passo que o nosso, com o círculo amarelo, nos constrange severamente os movimentos. Isto, por um lado. Pela nossa parte, dispomos dos anos de saber empírico acumulado, de uma familiaridade que não degenera em negligência, e da vantagem do idioma materno, ou da segunda língua consolidada, conforme os casos.
– As nossas missões são radicalmente diferentes – observou o céptico de turno.
– Mas os pontos comuns existem, e estão enumerados – lembrou Scheveningen. Como negá-lo?
– Temos todo o tempo do mundo para pontos da situação – disse Judite, fazendo-se o contrário do coelho branco.
Não era coisa excessivamente recente, o interesse que dedicavam às Jornadas da Sociedade de Estudos Olissipográficos que, em 1897, tinham atribuído o devido destaque ao centenário do falecimento do arquitecto Silvano Arelli, mais um herói esquecido da génese e edificação da Lisboa pombalina. Documentos, actas, comentários na imprensa escrita, e um extenso rol de elementos informativos avulsos referentes ao acto, tinham sido, ao longo de meses, recolhidos por membros do grupo que se reunia agora, em redor da mesa oval que tão bem se prestava a esse fim. Obstinados ratos de hemeroteca, tinham perdido horas e dias da sua vida, e energias, e a paciência, dom subvalorizado, de acordo com as disponibilidades e a liberdade de movimento de cada um. A catalogação fora, se não ainda mais, pelo menos tão delicada e onerosa como a prospecção.
Não era o diletantismo imaculado que os fazia correr, perguntar, exigir, copiar, consultar alfabeticamente. Tinha tudo ainda a ver com o Graal. E, esse sim, justifica-se por si só como desiderato."

Um maiúsculo elogio, do nosso Zé Mário, a propósito da última recolha de contos do Alexandre:
"Abençoada a literatura que dá ao mundo um escritor desta estirpe, deste fôlego, desta grandeza." Nem mais, acrescentaria eu.

Publicado por Luis Rainha às 11:58 PM | Comentários (5)

DIA 25, FECHA O BDE. MAS NÃO QUEREMOS QUE FIQUEM SEM PROGRAMA:

Publicado por Luis Rainha às 07:57 PM | Comentários (3)

HOMENS LIVRES


Cito, completamente de memória, uma passagem de uma entrevista de Mario Vargas Llosa a Carlos Vaz Marques, no DNa, há pouco mais de um ano. Peço desculpa por eventuais imprecisões, embora tenha a certeza de que o essencial é mantido.

Numa ocasião vim a Lisboa para uma conferência, convidado por Mário Soares, ainda ele era Presidente da República.
No fim da minha palestra, Mário Soares convidou-me para jantar. Foi com surpresa que me apercebi de que ele andava sem nenhuma segurança ou protecção especial. Só ele e o motorista.
O motorista deixou-nos à porta do restaurante enquanto ia procurar um lugar para estacionar o carro. Antes de nos apearmos, olhando para mim, Mário Soares avisou-me, descontraidamente: "E vamos lá a ver se arranjamos mesa!"
Nunca me esqueci daquela viagem e daquele jantar. O Presidente da República deslocava-se sem segurança e ia aos restaurantes sem nenhum tratamento especial, como qualquer cidadão comum. Eu senti-me no país mais civlizado do mundo!

Publicado por Filipe Moura às 05:56 PM | Comentários (9)

HÁ COISAS QUE SÓ SE PODEM DIZER EM FORMA DE POST

EXEMPLO:

Post - «No livro Les Rêves et les Moyens de les Diriger (1867), o Marquês Hervey de Saint-Denys veio explicar ao mundo como conseguiu levar para a sua cama — leia-se: para os seus sonhos — praticamente todas as mulheres que desejou possuir. Primeiro, convidava-as para dançar, coisa que fazia ao som de música mecanicamente reproduzida. Depois, para compensar a incapacidade de lhes saltar em cima, adormecia ao som das respectivas caixas de música, induzindo assim o aparecimento das donzelas nos seus desvarios oníricos.»

Título do post (com a punchline) - É por isso que eu nunca adormeço ao som da Bancada Central

Autor do post - Eduardo, do what do you represent

Publicado por José Mário Silva às 05:34 PM | Comentários (0)

EINSTEIN DIANTE DO QUADRO NEGRO

einstein.bmp

(via Hetemeel)

Publicado por José Mário Silva às 05:32 PM | Comentários (0)

MELHOR TÍTULO JORNALÍSTICO DA SEMANA

«Não entres tão depressa nessa discoteca escura» — João Bonifácio (possuído pelo espírito de Lester Bangs) sobre o último disco de Madonna, hoje, no suplemento Y do Público.

Publicado por José Mário Silva às 05:29 PM | Comentários (1)

BLOGGING IN CAMPO DE OURIQUE

Parabéns, Ricardo, pelos dois anos de Babugem.

Publicado por José Mário Silva às 10:42 AM | Comentários (0)

novembro 17, 2005

NOVO PERIÓDICO

Esta aí A Patada, o jornal com «maior atiragem diária» na blogosfera, e os ardinas ainda não apregoaram.

Publicado por Margarida Ferra às 11:45 PM | Comentários (1)

BENICIO DEL CHE

benicio.bmp

Benicio del Toro vai interpretar o papel de Che Guevara num biopic sobre o guerrilheiro, realizado por Steven Soderbergh (que substituiu Terence Malick à frente do projecto).
E assim se cumpre um casting inevitável, de tão óbvio, como muito bem sabem todos os espectadores que tenham visto o rosto guevariano do actor no filme «21 Gramas», dirigido por Alejandro González Iñárritu.

Publicado por José Mário Silva às 12:45 PM | Comentários (7)

QUESTÕES DE NOMENCLATURA

Há pouco mais de uma semana, foi "inaugurado" o maior e mais moderno navio da frota de pesca portuguesa — capaz de capturar centenas de toneladas de red-fish, palmeta, solha, abrótea, bacalhau e marisco nas frias águas do Atlântico Norte.
Até aqui tudo bem. Acontece que o nome deste arrastão, como podem verificar nesta página, é França Morte. Convenhamos que o baptismo deixa muito a desejar e que o timing não podia ter sido pior.

Publicado por José Mário Silva às 12:28 PM | Comentários (1)

O QUE ESTÁ A FALTAR À CAMPANHA DE GARCIA PEREIRA

GARCIA.JPG

Envolver ainda mais o seu famoso sósia britânico. Estes cartazes foram muito bons, mas agora urge fazer mais e melhor!

Publicado por Luis Rainha às 12:12 PM | Comentários (3)

O QUE ESTÁ A FALTAR À CAMPANHA DE JERÓNIMO DE SOUSA

Que subsista.

Publicado por José Mário Silva às 12:00 PM | Comentários (3)

O QUE ESTÁ A FALTAR À CAMPANHA DE FRANCISCO LOUÇÃ

Que insista.

Publicado por José Mário Silva às 11:58 AM | Comentários (4)

O QUE ESTÁ A FALTAR À CAMPANHA DE MANUEL ALEGRE

Que exista (para lá das sondagens).

Publicado por José Mário Silva às 11:52 AM | Comentários (0)

O QUE ESTÁ A FALTAR À CAMPANHA DE MÁRIO SOARES

Uma Marinha Grande.

Publicado por José Mário Silva às 09:13 AM | Comentários (18)

O QUE ESTÁ A FALTAR À CAMPANHA DE CAVACO SILVA

Um problema qualquer na garganta do Prof. Aníbal; alguma maleita que o deixe afónico (como Jerónimo de Sousa nas últimas legislativas); um boicote às suas cordas vocais capaz de durar, no mínimo, até dia 20 de Janeiro de 2006, às 23 horas e 59 minutos.

Publicado por José Mário Silva às 09:08 AM | Comentários (15)

SEREI ASSIM TÃO INFLUENTE?

J. Martins Lampreia, conhecido por ser o único lobista português acreditado junto do Parlamento Europeu, enviou-me um exemplar do seu último livro: «Lóbi - Ética, Técnica e Aplicação» (Texto Editores).

Publicado por José Mário Silva às 09:03 AM | Comentários (2)

O CANDIDATO QUE A DIREITA DETESTA

Com licença do Barnabé, por usar o slogan deles, e sem menosprezo por nenhum dos outros candidatos de esquerda: basta passar pelos blogues de direita e pelo Expresso para se concluir que Soares é inequivocamente o candidato que a direita detesta.

Publicado por Filipe Moura às 02:19 AM | Comentários (6)

SUA ALTEZA ANA ALBERGARIA:

Já todos sabemos bem que sua Alteza não é baixa: mede 1,75m e usa saltos altos. E deve achar que isto de fazer links... é para pessoas baixas (e de esquerda, claro). As pessoas de classe não nos linkam a nós, gentinha. Mas deixemos agora estes assuntos menores, reles e baixos e passemos a assuntos sérios, às outras preocupações de sua Alteza: a fome no mundo, o preço da uva mijona e a falta de pontaria das "tropas de libertação" anglo-norte-americanas. Será para levar a sério esta equiparação à uva mijona, dadas algumas das opiniões anteriormente emitidas por sua Alteza no que diz respeito à guerra do Iraque? Será que sua Alteza nos poderia informar o que pensa disto? E disto?

Publicado por Filipe Moura às 01:46 AM | Comentários (6)

SOARES É ESPETACULOSO! SOARES É FELOMENAL!

Escrevi ontem dois textos com dois artigos que considero duas pérolas, dignos de serem relidos, e que encontrei no Super-Mário. Os meus dois textos deram origem a uma longa série de textos "Viva Soares". Confio no discernimento dos leitores para distinguirem os textos que eu citei daqueles cujo objectivo é a provocação pela provocação.
Poderia com este texto continuar com a série "Viva Soares", mas ela é do Luís agora.
Deixem-me só fazer mais umas das minhas perguntinhas. Temos tido ao longo das últimas semanas diversas oportunidades para conhecermos a opinião do Luís sobre Mário Soares. Mas... e sobre os outros candidatos, o Luís não diz nada? Particularmente sobre Cavaco Silva, que eu tinha por certo ser o maior adversário nas próximas eleições presidenciais. Já ficámos a saber, no texto anterior, que o Luís afinal gosta de rigor nas contas públicas e controlo do défice. (Eu também não tenho nada contra isso, Luís, e também não gosto de derrapagens financieras. Mas olha que a Casa da Música seria um dos últimos investimentos públicos que eu criticaria. E mesmo o Centro Cultural de Belém.) Pelo que se tem visto da sua escrita até agora, aparentemente o maior adversário do Luís nas próximas eleições é Mário Soares. Será mesmo verdade? (Seguramente para o Luís não haverá adversário maior do que Mário Soares.)
Da minha parte, já aqui expliquei as razões por que vou votar em Mário Soares. É provável que ainda volte a este tema, e seguramente hei-de explicar por que não voto em Cavaco Silva. Por que Cavaco Silva é o meu adversário nestas eleições. Por isso não tenho tempo a dedicar a estas guerrinhas. O Luís que continue com elas se quiser. Resta pouco mais de uma semana de BdE e eu ainda tenho muitas outras coisas a dizer. Como diria o grande Giovanni Improtta (que, se votasse, seguramente seria em Mário Soares), a Sapucaí é grande e o tempo ruge.

Publicado por Filipe Moura às 01:31 AM | Comentários (16)

VIVA SOARES! (8)

Grandes momentos de um ex-primeiro-ministro: a alegre admissão de irresponsabilidade financeira, a propósito da Casa da Música: "Por mais derrapagens que houvesse, isto é uma maravilha e isso é que nos deve importar. Quando há ideias e facilidade de avançar, o dinheiro aparece!"
Além de revelar soberana indiferença quanto ao dinheiro do Estado (ele parece ter a miraculosa virtude de “aparecer” quando faz falta), ainda cai na asneira de desculpar os erros nas contas do governo de Cavaco aquando da construção do CCB...

(Esta não é via Super-Mário)

Publicado por Luis Rainha às 01:04 AM | Comentários (8)

VIVA SOARES! (7)

Grandes momentos de um candidato: o elegante e nada marialva comentário de Mário Soares, endereçado a Nicole Fontaine: “Essa senhora daria uma excelente dona de casa”. Além das excelsas boas maneiras assim desveladas, ficou mais uma vez demonstrada a acuidade das análises de Soares. Para já nem falar no seu famoso fair-play.

(Colmatei este esquecimento imperdoável via Rodrigo...)

Publicado por Luis Rainha às 12:02 AM | Comentários (8)

novembro 16, 2005

VERSOS QUE NOS SALVAM

São «sonetos para o meu pé esquerdo», escreve José Luís Tavares sobre estes poemas inéditos (título: Mínimo Ossário). Uma espécie de «coreografia, resumida, da minha queda».


Ao soneto aportei, influência do podolátra
paulistano. Se ao baixo pé me fixo agora,
isto já é outra estória — fraco geómetra,
errei palco e sombra; lá onde o vento chora

foi-me lume a manhã de inverno. Na poesia,
programático, desgoverno é minha vida: pobre
engenheiro serei onde só oficia escriba nobre?
Impenitente fugitivo da certeza, dia a dia

assobia a escura atroz dúvida se vez alguma
saberei da alta poesia o vão segredo. Tudo
porém será explicado, ó milagre do raio xis,

quando o lente decretar, olhando a turma,
tíbia fracturada. ( Cá pra nós: mui sortudo
foste, meu coirão, por isso não tentes o bis).

***

Não foste da alta competição atleta,
mas, em teu jeito perneta, um natal
branco me proporcionaste (se lei fatal,
não sei, mas este soneto já pede muleta),

não de vertical clara neve tombando
das alturas, mas desse gesso pó do chão
que hoje faço nobre tema de canção.
Se ao azar não sabemos onde e quando,

a mim sempre me levaste, mais garboso
que um jumento, onde os dons estão
dançando, minha sina embora tombo

tão sem estória, que não fora danoso
amor, igual seria a vazia vida de cão
descendo soalheira calçada do combro.

***

Flictena, eritema, eczema — pra soneto
não serão baixo tema? Vertical, porém,
no comum silêncio que do deus é desdém,
na manhã espigada soa o médico decreto.

Minha dor bem gemida ( envergonhado
embora do sorriso da enfermeira castelhana)
não seria bem maviosa ária siciliana,
mas alento do que o osso traz quilhado

por mor de mal medido salto. Mas amanhece
num solo de turina, à química do sonho
entrego os prenúncios da dor, pois, socorro

são as mãos da jovem castelhana. Inda fosse
só o calor fingido de um dezembro tristonho,
ante tão sinestésica aparição todo eu coro.

***

Já o indigno de pena à casa torna.
Ao adeus ganido do outono, que é fogo
nas folhas mortas, eu, o aleijado, rogo,
pra meus pés, suaves acordes de morna.

Mas um brahms vibrátil me recebe, a mim
pobre plebeu, que entre canteiros ensaiei
a dança do pé coxinho, pois tão áspera lei
me foi deslize matinal num outonal jardim.

Oh, atonal saudade do bulício que o dia
reacende, um poema é pouco para dizer
das falenas a magia e, pra meus pecados,

nem rondó de búzios ou sirenes ao meio-dia.
Pudesse nos acordes do frio a queda predizer,
ossos meus os quereria pelo sol recauchutados.

Publicado por José Mário Silva às 11:42 PM | Comentários (0)

X-FILES

Há qualquer coisa de sobrenatural neste ser humano.

Publicado por José Mário Silva às 10:05 PM | Comentários (5)

VIVA SOARES! (6)

Grandes momentos de um presidente: a amizade profunda e desinteressada que sempre o uniu ao monstro da Jamba, Jonas Savimbi. Pouco antes da morte deste, ainda Soares garantia, com a presciência do costume, que a sua eliminação não traria a paz a Angola. Viu-se.

(Esta não é via Super-Mário)

Publicado por Luis Rainha às 05:27 PM | Comentários (4)

VIVA SOARES! (5)

Grandes momentos de um presidente: toda a inominável e esconsa trama da Emaudio, como foi relatada — nunca tendo sido desmentida — pelo ex-comparsa Rui Mateus.

(Esta não é via Super-Mário)

Publicado por Luis Rainha às 05:26 PM | Comentários (2)

VIVA SOARES! (4)

Grandes momentos de um presidente: a invectiva de Mário Soares a um soldado da GNR que por algum motivo desagradou a Sua Majestade: "desapareça, senhor guarda!"

(Esta não é via Super-Mário)

Publicado por Luis Rainha às 05:24 PM | Comentários (4)

VIVA SOARES! (3)

Grandes momentos de um presidente: o agradecimento de Mário Soares à tartaruga que teve a desdita de levar com ele em cima, no decurso da inacreditável "visita de estado" às Seychelles: "esta gaja tem 300 anos".

(Esta não é via Super-Mário)

Publicado por Luis Rainha às 05:18 PM | Comentários (8)

"SMELLS LIKE… VICTORY", REDUX

Lembram-se do ogre que bombardeava civis no Iraque com agentes químicos que o mundo civilizado já banira havia muito? Pois; foi precisamente para livrar os iraquianos destes crimes que os EUA lhes invadiram o país, de acordo com as versões mais recentes da historieta. É que só mesmo um monstro como Saddam seria capaz de lançar uma versão moderna do infame napalm sobre bairros ainda carregados de civis, certo?
Errado. Depois da invasão de Fallujah, o Pentágono admitiu que usara munições de fósforo branco: "U.S. forces have used them very sparingly in Fallujah, for illumination purposes. They were fired into the air to illuminate enemy positions at night, not at enemy fighters". Sabe-se agora, sobretudo graças a este documentário da RAI, que muita desta "iluminação" foi providenciada pelos corpos de homens, mulheres e crianças de Fallujah. Como se vê pela foto acima, de pouco adiantaram bandeiras brancas. Se tiverem estômagos mesmo fortes, podem espreitar esta galeria de imagens recolhidas após o massacre: de crianças a velhos com próteses, há um pouco de tudo. A própria equipa da RAI ainda encontrou inúmeros corpos "caramelizados" pelas bombas incendiárias que só teriam servido para "iluminar" o teatro de operações.
Sabemos bem que existem tratados a proibir o uso destas armas incendiárias sobre populações civis; e sabemos que alguns países civilizados, como os EUA, sempre se recusaram a assinar semelhantes limitações ao uso dos seus brinquedos letais, embora tenham proclamado no passado recente já não os possuírem. De acordo com um oficial americano citado pelo "Independent", "os generais adoram napalm. Tem um grande impacto psicológico". O resultado, de acordo com um soldado americano que participou no ataque, foi eficaz: "this wasn’t a war, it was a massacre".

Agora digam-me: qual é o nome dado a quem mata grandes números de civis para obter os tais efeitos psicológicos?
Certo: "terroristas".

Publicado por Luis Rainha às 03:49 PM | Comentários (13)

VIVA SOARES! (2)

Parte de um artigo de Eduardo Prado Coelho no Público de 9 de Maio de 2003 (via Super-Mário).

Soares é hoje o mais inventivo, o mais jovem, o mais contagiante político português. Conseguiu associar a desenvoltura com a imagem plena do pai de que o país necessita. Possui uma qualidade preciosa: tem um ar de estar feliz na política. Assume-se como um homem totalmente livre, que não teme desagradar a este ou àquele. Conseguiu perceber por onde passava o relançamento da esquerda contemporânea mais cedo do que todos os outros. Lê muito, escreve muito, fala muito. Só tem um obstáculo: as suas qualidades indiscutíveis suscitam o rancor de todos os aparelhos cinzentões povoados de medíocres embalsamados.

Publicado por Filipe Moura às 03:32 PM | Comentários (3)

VIVA SOARES! (1)

Artigo de Vasco Pulido Valente no Diário de Notícias de 4 de Maio de 2003 (via Super-Mário). Perfeito.

Viva Soares!
por Vasco Pulido Valente
Diário de Notícias, 4 de Maio de 2003

O meu candidato à Presidência da República é, evidentemente, o Dr. Mário Soares. Bem sei que, para certa gente, há o problema de ele ter 81 anos, quando entrar, e 86, quando sair. Erro crasso. O Dr. Mário Soares não envelhece, apura, e, agora, até lhe vejo uma espécie de alegria (um pouco pérfida e muito divertida) em manobrar os melancólicos bonecos da política indígena. Sem ele, a fúnebre procissão da nossa vida pública não se aguentava. Verdade que anda, como lhe compete, num passeio «esquerdista» e que a guerra no Iraque o provocou a algumas declarações duras de engolir. Só que, em Belém, essas coisas passam e ele nunca disse como o inimitável intelectual Carrilho que Bush era o novo Átila. O grande obstáculo ao regresso de Soares está, desconfio, nele próprio. Não o imagino a trocar a doce vida da Europa (sem aspas) pela «comida de banquete» e a dura obrigação de aturar a tempo inteiro os matarruanos daqui. Tanto mais que ele anda delirante com o seu papel de monarca em vias de indicar o sucessor. À esquerda, não existe ninguém. Guterres, que ele já humilhou publicamente, com um comentário assassino e amável, no fundo não conta. Se cair na asneira de se candidatar, o fugidio engenheiro acaba em bombo universal da festa. Com a ajuda, claro, do camarada Mário, que o detesta e não se coibirá de lhe aplicar a sua martelada. Fica a direita e, à direita, o homem que Soares aceitar ou não agredir (não escrevi «apoiar») ganha quase de certeza. Isto, em princípio, põe fora de jogo o Dr. Santana. E também o Prof. Freitas, que, sem perceber, se deixou atribuir um estatuto menor de «companheiro de caminho». Quanto a Cavaco, conseguiu até hoje conservar a sua reserva e a sua posição. Mas, com o campo limpo, nada impede Soares de um dia resolver que afinal lhe apetece uma última batalha. Eu voto nele.

Publicado por Filipe Moura às 03:19 PM | Comentários (2)

A HONESTIDADE ACIMA DE TUDO

Um dos super-mários indignou-se por se ver obrigado a "ler blogues foleiros". É sempre bonito ler um destes pungentes exercícios de auto-crítica …

Publicado por Luis Rainha às 12:42 PM | Comentários (3)

IRONY!

O exército norte-americano usou armas químicas contra civis, entre as quais uma variante de napalm, durante a ofensiva de Novembro de 2004 contra a cidade iraquiana de Fallujah, segundo uma reportagem emitida ontem pela televisão italiana RAI.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:10 AM | Comentários (7)

novembro 15, 2005

GRANDE CONCURSO DOS ÚLTIMOS DIAS DO BDE

Atenção leitores, amigos, inimigos e comentadores da praxe:

Agora que se iniciou a contagem decrescente para o fecho do Blogue de Esquerda (dia 25 de Novembro, às 23h59), apelamos a todos no sentido de participarem na sequência de posts finais deste espaço que sempre esteve aberto a participações externas. Escrevam sobre o que o blogue representou para vocês, sobre aquilo de que mais gostaram (ou de que menos gostaram) ao longo destes quase três anos de actividade bloguística ininterrupta, façam balanços ou ajustes de contas, sugiram ideias para o grand finale, concretizem os posts com que sempre sonharam e nunca fomos capazes de criar, pintem a manta, dêem o grito do Ipiranga, inventem o que vos aprouver.
Os melhores textos itálicos serão publicados e os melhores desses itálicos receberão um prémio, a divulgar proximamente.
Para os mais distraídos, relembro o e-mail: blogue_de_esquerda2@yahoo.com.

Publicado por José Mário Silva às 11:20 PM | Comentários (8)

ERNESTO & FERNANDA

ernesto_fernanda.jpg

Não conheço história de amor mais bela do que esta.
Fernanda, de Ernesto Sampaio [livro precioso, reeditado agora pela Fenda].

Publicado por José Mário Silva às 11:12 PM | Comentários (0)

NO PRELO

Do incansável Rui Manuel Amaral, recebemos esta boa nova:

«O número 8 da revista "aguasfurtadas" está já na gráfica. Inclui textos de Affonso Romano de Sant’anna (um dos melhores poetas brasileiros vivos), Margarida Ferra [sim, a nossa Margarida Ferra], João Luís Barreto Guimarães, William Blake (com tradução de Manuel Portela), Forugh Farrokhzad (uma extraordinária poeta iraniana ainda por revelar em português), Moshe Ha-Elion (com tradução de M.V. Andrade), Lourenço Bray, Paulinho Assunção, Valério Romão, António Tavares Lopes, Regina Guimarães, Saguenail e Jorge Mantas. Para além de inúmeros trabalhos de artes visuais e o habitual CD Audio com obras de autores contemporâneos, que, neste número, inclui ainda uma verdadeira preciosidade: duas "Ostras", de Pedro Coelho.»

Façam esperas nas FNAC's e quiosques, mandem SMS aos amigos; enfim, passem palavra.

Publicado por José Mário Silva às 10:58 PM | Comentários (1)

DECLARAÇÃO DE VOTO

CavacoWeb.jpg

Em quatro palavras: qualquer um menos ele.

Publicado por José Mário Silva às 10:50 PM | Comentários (6)

A BORRACHEIRA BLASFEMA

Como diria (em cada texto nosso) o leitor José Tim, o CAA pode gabar-se de ter escrito a maior borracheira que eu já li no Blasfémias. (A maior não; uma das maiores.) Alguns como ele quando contrariados atribuem-no à estupidez e à “incultura” do povo. Os cavaquistas, com a sua arrogância, pensam que os outros são uns mentecaptos sublimes no meio deles, que vêem o mundo como ele é. (Fim de citação.)
Eu não vou comentar o texto e nem juntar-me aos protestos pelo mesmo. Limito-me apenas a constatar os factos: Cavaco Silva tem vindo a baixar nas sondagens e os seus apoiantes começam a revelar algum desespero.

Publicado por Filipe Moura às 09:42 PM | Comentários (4)

O GRANDE CIRCO DA ECONOMIA - O ASSENTO DA SANITA

Excelente texto este. Ciências como a Economia (e a Física) deveriam ser ensinadas mais desta forma.
Aproveito para pedir ao Luís para, na mesma linha de raciocínio, comentar o meu velho problema com a lavandaria.

Publicado por Filipe Moura às 09:19 PM | Comentários (1)

A PIOR DECISÃO POSSÍVEL

Embora tenha dito a mim mesmo que não iria criticar candidatos de esquerda a estas eleições presidenciais, a atitude de Manuel Alegre relativamente à votação do orçamento parece-me algo demasiadamente sério para passar sem um apontamento. Mas tudo o que teria a dizer sobre esse assunto foi dito por Rúben de Carvalho. E agora, adiante.

Publicado por Filipe Moura às 09:13 AM | Comentários (0)

QUEM FALA ASSIM NÃO É GAGO (5)

Artigo de João Cravinho no DN de ontem:

Seria ingénuo esperar que certas rupturas necessárias possam vir a ser protagonizadas entusiasticamente por aqueles cujo status e cujo poder interno mais diminuiria, caso se realizassem. Assim sucede nos mais diversos campos e não apenas na universidade. (...)

São muitas as reformas necessárias. Mas se tivesse de escolher uma só entre elas, proporia uma lei com um só artigo e dois números. No n.º 1, fixaria que nenhuma universidade pública poderia recrutar um seu recém-doutorado para o seu corpo docente. O primeiro recrutamento teria de ser feito por outra universidade, podendo regressar eventualmente à casa-mãe mas sempre em concorrência com candidatos de outras origens, incluindo doutorados nacionais ou estrangeiros por universidades estrangeiras. No n.º 2, estipularia que essa proibição entrava em vigor dentro de 60 dias.

Como toda a gente sabe, a endogamia, isto é, a autoperpetuação na docência de uma mesma linhagem catedrática é dos factores mais contrários à melhoria da qualidade científica da nossa universidade. A endogamia instala um espírito de corte, premeia a bajulação, é adversa à integridade científica e à lisura de carácter na transmissão do saber e na produção de novos conhecimentos. A endogamia fractura a universidade em torno de inúmeros feudos. Em tal ambiente sobem os mais astutos na exploração dos ritos de corte e das fraquezas humanas, até familiares, dos chefes de linhagem.

Também há, felizmente, cátedras e departamentos imunes a essas perversões e onde o respeito pela integridade científica é regra de vida. Mas as situações opostas são tantas que só o laxismo pode vê-las como excepções sem influência no rebaixamento da qualidade da nossa universidade.

A beleza da reforma proposta está tanto na sua excepcional eficácia como na simplicidade da sua realização. Faz-se em minutos e não custa um tostão ao Estado. Mas exige o enfrentamento de contestações e resistências imensamente virulentas. Vale a pena em dez anos quase tudo seria diferente. A autoperpetuação das mesmas linhagens catedráticas é o coração do pior dos corporativismos reinantes na nossa universidade pública.

Publicado por Filipe Moura às 09:06 AM | Comentários (5)

HUMOR INCENDIÁRIO

Absolut_Paris.jpg

Publicado por José Mário Silva às 08:52 AM | Comentários (1)

VERSOS QUE NOS SALVAM

Para a secção de «Versos que nos salvam», mando aqui um poema do galego JOSÉ MANUEL OUTEIRO, sindicalista na vida diária.
Está redigido na ortografia galega da chamada «Norma Agal». Dou o nosso equivalente de alguns termos de mais difícil compreensão: «vim-nos» é «vi-os», «contei-nos» é «contei-os», «umha» é «uma». O resto percebe-se bem.

O PEGUREIRO

Passou o comboio de passageiros.
Eu estava sentado no campo
e passou o comboio de passageiros.
Vim-nos polas janelas dos vagões,
mesmo houvo alguns que olhárom para mim.
Cada vagom deve de ter mais de sessenta assentos
e este comboio levava onze vagões de passageiros.
Contei-nos enquanto atendia as ovelhas e estudava...
Uns iriam lendo livros ou revistas
de acordo coas suas preferências,
outros haviam de ir dormindo,
encostadas as cabeças nas janelas,
e nom faltaria, bem seguro, umha parelha de jovens
sussurrando umha conversa acidentada de beijos.
Passárom todos eles em trinta segundos aproximadamente.
Eu estava no campo atendendo as ovelhas e estudando
para o exame de Biologia Aplicada da segunda-feira que vem.
Parei de estudar e desatendim as ovelhas
para atender a passagem do comboio
— cheio de passageiros e de pressa.
Umha moça morena de pelo longo e olhos negros
olhou para mim com atençom
desde dentro do comboio de passageiros.
Mas agora já passou o comboio
e a atractiva moça de pelo longo e olhos negros
e a parelha de jovens generosos no beijar
e o resto dos passageiros, que imagino tam vivos como eu.
E quiçá os passageiros que me vírom, pegureiro e estudante,
através das janelas do comboio,
também me imaginárom tam vivo quanto eles
e se olhárom compreensivos, em silêncio,
sem nada se dizer,
até chegar a Ourense, que é o destino do comboio
que passa por aqui todos os dias arredor das seis da tarde
e no que hoje, por acaso, reparei.

(Fernando Venâncio)

Publicado por José Mário Silva às 12:59 AM | Comentários (5)

novembro 14, 2005

FW: FW:

O Nuno Costa Santos sabe da minha paixão por nuvens e vai daí enviou-me, num forward de um forward, estas espantosas imagens:

looming_presence.jpg

lumpy_cieling.jpg

A acompanhar as fotos, um pequeno texto explicava as circunstâncias em que este maravilhoso fenómeno atmosférico ocorreu:

«Estas nuvens são verdadeiras.
Jorn Olsen trabalha para a Companhia Dutton-Lainson em Hastings, Nebraska, e mora perto do Parque Hartwell, ao lado do Hastings College.
Numa noite, provavelmente depois da uma forte tempestade, ele tirou estas fotos e enviou-as à Universidade de Nebraska, que as colocou num link.
Os postes de luz são do Estádio do College, a leste da casa do fotógrafo.
Esse tipo de nuvem se chama Mammatus e há um link no site que fala sobre elas (em inglês). Elas não antecedem um tornado ou indicam tempestade. São formadas quando o ar já está saturado de gotículas de chuva ou cristais de gelo, e começa a "afundar".
O pior da tempestade geralmente já passou quando este tipo de nuvem aparece.»

Publicado por José Mário Silva às 11:47 PM | Comentários (1)

CPLP EM ACÇÃO

Em meados de 2003, queixava-me eu do estado da Wikipedia em língua portuguesa, cujos menos de mil artigos a punham ao nível da Wikipedia da Estónia ou da Malásia, e muito abaixo da Holandesa ou Finlandesa (já para não falar da espanhola ou italiana).
Dois anos depois, a mesma Wikipedia apresenta o impressionante número de 83 164 artigos, sendo já a nona maior wikipedia do mundo, bem à frenta da castelhana. E tudo graças a estas bravas formiguinhas que voluntariamente escrevem, corrigem, revêem e mantêm os vândalos afastados daquela que se está a tornar a grande enciclopédia da língua portuguesa.
Isto é que é a verdadeira cultura lusófona.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:17 PM | Comentários (10)

novembro 13, 2005

30 IDEIAS PARA DESPERTAR A ESQUERDA

É o título de um interessante suplemento do Libération, à venda até amanhã. Embora já o tenha adquirido, infelizmente não me será possível discutir o seu conteúdo no tempo que resta do BdE. Ficam aqui as tais trinta ideias, trinta objectivos, trinta tópicos de discussão. E o sumário do suplemento.

Au sommaire de ce supplément

- Une enquête: la gauche européenne cherche sa voix

- Les trente idées pour réveiller la gauche
• Travail
1 Sécuriser la vie professionnelle
2 Etablir un revenu d'existence
3 Harmoniser les salaires européens
4 Associer les salariés à la gestion des entreprises
5 Réaménager les temps de la vie
6 Repenser la place des seniors dans la société
7 Révolutionner la fonction publique
8 Créer des fonds de pension gérés par les syndicats

• Marche du monde
9 Instaurer une autre croissance
10 Interdire les stock-options
11 Favoriser les coopératives numériques
12 Abroger les subventions à l'exportation
13 Fixer un prix garanti aux producteurs
14 Soutenir la recherche pharmaceutique pour les pays du Sud
15 Traquer les logements énergivores
16 Sanctuariser l'eau

• Solidarités
17 Revaloriser l'impôt
18 Réaffecter les droits de succession
19 Augmenter la TVA contre les délocalisations
20 Gonfler les droits d'entrée dans les facs
21 Payer les transports selon ses moyens

• Société
22 Bâtir une vraie mixité dans l'habitat
23 Rendre opposable le droit au logement
24 Forfaitiser les médecins
25 Garantir le droit à l'aller-retour aux migrants
26 Imposer le numerus clausus aux prisons
27 Stimuler la création artistique à l'école
28 Accorder des droits matrimoniaux aux homosexuels
29 Impliquer les citoyens dans l'élaboration des lois
30 Ouvrir la porte des labos aux associations

- Sondage
Une identité chamboulée
Les cinq familles de la gauche

- Débat
Quel avenir pour la gauche ?

Publicado por Filipe Moura às 10:10 PM | Comentários (5)

SOBRE FALLUJAH

Talvez vos interesse ler o seguinte texto colocado num dos melhores blogues colectivos americanos, o DailyKos.
Vale a pena ler não só pela clara denúncia que faz da barbárie em nome da "liberdade", mas também pela excelência da escrita, apoiada numa ironia desarmante que ridiculariza completamente todos os que arranjam desculpas (ou fingem ignorar) a barbárie em nome do combate à barbárie.
E se tiverem dúvidas sobre a verdade revelada pela RAI, aconselho-vos mais este texto recente do DailyKos.
Espero que façam menção ao assunto no vosso blogue. Se mais nada, apenas para ver as respostas dos clones do José Manuel Fernandes.
(Pedro Viana)

Publicado por José Mário Silva às 09:51 AM | Comentários (0)

novembro 12, 2005

ALICE

alice.jpg

O Nuno Lopes de perfil, arrastando-se como um zombie. A câmara, em traveling lento, alcança-o e ultrapassa-o. Ao fundo, nos azulejos, os coelhos gigantes da outra Alice, eternamente atrasados, com relógios que enchem o ecrã e a estação de metro do Cais do Sodré.
Se não valesse por mais nada (e vale), o primeiro filme de Marco Martins valeria por este plano que condensa em poucos segundos a maior de todas as tristezas.

[Hesitei muito, à porta do cinema. Vejo? Não vejo? Acho que nunca me senti tão ameaçado por um filme.]

Publicado por José Mário Silva às 11:20 PM | Comentários (0)

NA PÚBLICA (3)

Quando em 1947 os meus pais se separaram, fui viver para Nova Iorque com a minha mãe. Era o fim da era Roosevelt e pude constatar o valor das reformas introduzidas em função da Grande Depressão. A nova legislação social rooseveltiana revelava como o desenvolvimento económico tinha muito mais sucesso quando incorporava a preocupação social. Até por uma razão muito utilitária, que é a de que sempre que os trabalhadores se sentem mais protegidos e ganham mais, passam a consumir mais, o que faz com que a economia cresça. Os tempos passados na América foram também formadores do meu modo de pensar por outra razão, porque pude viver os combates das grandes causas, democráticas e libertárias. Esses valores nunca mais me deixaram e continuo a sentir-me confortável neles. Apesar das grandes mudanças que entretanto ocorreram no mundo, nunca vi razão para me afastar deles e é isso que me faz reconhecer, por exemplo, que a política social que a Europa adoptou no pós-guerra é a maior conquista da História da Humanidade. Não pode, nem deve ser desmontada, tem é que ser ajustada. Houve e há excessos, mas a base deve ser mantida, com correcções indispensáveis. O modelo económico europeu está esgotado e é vítima do seu próprio sucesso. O meu alfaiate de Londres costuma dizer uma coisa que explica bem, a nível caricatural, esta ideia: "O meu problema é que os meus clientes não precisam, realmente, de mandar fazer fatos novos". Este é o problema da Europa. Mas os vícios e os erros podem ser corrigidos.

(André Jordan, em entrevista a Maria João Seixas, Pública)

Publicado por Filipe Moura às 01:17 PM | Comentários (7)

NA PÚBLICA (2)

Acontece que em Portugal e no Brasil (talvez por ser filho de Portugal) não há o anti-semitismo que conheço noutros países e também não há racismo. A discriminação racial que há em relação aos negros, nos dois países, é económica, decorre do facto de os negros não terem tido as mesmas oportunidades de condição económica; no interior do Brasil, onde há uma maior nivelação económica, não há discriminação - o juiz, o prefeito, o padre são negros. Portugal é um país muito conservador (não gostaria de lhe chamar reaccionário), onde a estrutura do poder estava concentrada durante muito tempo em muito pouca gente, o que criou uma atitude paternalista em relação aos mais inferiores, sejam brancos ou negros. Continua a ser assim, mesmo se os portugueses talvez nem notem. A Revolução de Abril mudou estruturas, mudou comportamentos, mas não mudou as mentalidades. As pessoas passaram a adoptar um comportamento contemporâneo, mas na cabeça continuam a respeitar aquela estrutura social que sempre existiu. O que mais me espanta, por exemplo, é que enquanto em Nova Iorque, em Londres, seja onde for, as pessoas, ao nível dos negócios, se tratam pelo primeiro nome, aqui (mesmo) os jovens tratam-se por "Senhor Arquitecto", " Senhor Doutor", como antigamente. Porquê? Porque essa nomenclatura dá poder, melhor, mantém os outros no seu lugar. Quando as novas gerações acedem a posições com mais responsabilidade, reproduzem imediatamente os instrumentos de relacionamento de poder do passado. Essa necessidade de afirmação de poder é reveladora de uma estrutura que não foi desfeita, ficou dentro das pessoas. Só em Portugal se pode observar a reverência profunda pelos académicos. Aqui são reverenciados e pouco utilizados, nos outros países há respeito e há, sobretudo, utilização dos académicos. Só a nível do Governo e dos cargos políticos é que os académicos são utilizados em Portugal, porque como ganham aproximadamente o que os ministros têm como vencimento, o recrutamento torna-se aí mais fácil. A esta razão de ordem financeira junta-se uma outra que é de herança directa do modelo praticado por Salazar.
Ainda há tiques comportamentais que decorrem de fórmulas do passado. Salazar não criou nenhuma herança nova, ele próprio era reflexo de uma estrutura e de uma mentalidade antigas que, é preciso reconhecê-lo, soube explorar com a alta habilidade que possuía para a manipulação das pessoas. Tinha esse dom, sabia que o tinha e não queria que ele fosse afectado pelo contacto com o mundo. Preferiu isolar o país, como um cientista que manipula os seus tubos de ensaio no laboratório, só que neste caso a substância que entrava nos tubos de ensaio eram pessoas, foram os portugueses. Salazar não "fez" os portugueses, o que ele fez foi manipular, nivelando por baixo, os portugueses.

(André Jordan, em entrevista a Maria João Seixas, Pública)

Publicado por Filipe Moura às 01:10 PM | Comentários (0)

NA PÚBLICA (1)

A sina de uma pessoa internacional como eu sou, é ter uma visão muito aguda das qualidades e dos defeitos dos vários povos. Há um aspecto da sociedade portuguesa e dos portugueses que, para mim, é absolutamente precioso e é a razão principal que me levou a vir para cá e a viver aqui - o respeito humano. Por algum motivo, que ainda não descobri qual é, os portugueses têm um profundo respeito pelos outros, o que considero ser a característica mais importante das relações humanas em Portugal. As pessoas não querem ferir os outros, não gostam de ofender os outros. Nos negócios isto é, por vezes, um handicap, uma limitação vista como falta de frontalidade, o que não é totalmente justo como avaliação. Por que é que é assim, por que é que os portugueses são o único povo no Ocidente que ainda é assim? Esse é um mistério que continuo a investigar, quero descobrir a razão desta atitude, deste respeito profundo, desta espécie de consideração pelo próximo praticado a todos os níveis. Sou disso testemunha, todos os dias. Mesmo quando somos pessoalmente atacados, é quase como se fôssemos em abstracto. Não é uma atitude sempre muito eficaz, mas acho que Portugal vai encontrando a sua maneira de ser eficaz. É também "à sua maneira" que Portugal, depois da abertura que o 25 de Abril trouxe, se faz ao mundo. Essa maneira mantém-se e é um traço distintivo.

(André Jordan, em entrevista a Maria João Seixas, Pública)

Publicado por Filipe Moura às 01:01 PM | Comentários (1)

novembro 11, 2005

NOVE MESES

Primeira gracinha: a mão que se abre e fecha, imitando o adeus dos adultos. [Não sei se me devo enternecer ou inquietar.]

Publicado por José Mário Silva às 11:04 PM | Comentários (0)

E A FÚRIA AVASSALADORA DO DEUS SUPREMO CAIRÁ SOBRE TI COMO UM RAIO SE NÃO COMERES A SOPA TODA

Líder conservador americano ameaça cidade americana com castigo divino por esta não promover o criacionismo.

Publicado por Jorge Palinhos às 04:19 PM | Comentários (26)

UM HOMEM DE PALAVRA

"Um dia acho que vou fundar um blogue chamado gardelest", escreveu ele num dos últimos textos do Barnabé. E não é que, meses depois, ele cumpriu a promessa? Estimados leitores, aqui têm Garedelest, o blogue do André Belo. O blogue começa logo com uns textos "subjectivos" e "vistos do local" (o André mora em Paris) cuja leitura eu recomendo, enquanto não arranjo tempo para escrever uns. Bem aparecido, André!

Publicado por Filipe Moura às 10:37 AM | Comentários (0)

ANGELINA E CATATAU

Com esta referência ao histórico manual de condução, fico na dúvida: será que, finalmente, o Pedro Mexia está a tirar a carta?

Publicado por Filipe Moura às 10:34 AM | Comentários (2)

novembro 10, 2005

QUEM FALA ASSIM NÃO É GAGO (IV)

Igualmente fundamental:

"A política de ensino superior exerce-se na negociação e aplicação da fórmula [de financiamento do Ensino Superior]. Este ano a fórmula tem dois elementos novos: a qualificação do pessoal docente e o sucesso da eficiência da graduação da instituição. A mensagem orçamental é que as instituições devem qualificar mais o corpo docente, ter professores mais qualificados.
Mas que lhes ficam mais caros.
Não interessa, porque o orçamento compensa a dobrar. Além disso, uma fórmula que tenha a ver só com o número de alunos encorajava o insucesso escolar, porque não premiava o facto de os estudantes saírem da escola. Por isso, tivemos de incluir um termo que premeia o contrário: quanto mais depressa os alunos saírem, melhor."

(José Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em entrevista ao Público, RTP e Rádio Renascença)

Publicado por Filipe Moura às 05:55 PM | Comentários (8)

QUEM FALA ASSIM NÃO É GAGO (III)

Fundamental:

"Cada vez que há um novo Governo, os sindicatos voltam a procurar negociar o estatuto da carreira docente. Já começou a trabalhar com eles?
Já tive várias reuniões. O nosso objectivo, no que diz respeito ao estatuto da carreira do ensino superior universitário, é entregar, no final de Janeiro, uma proposta de alteração do estatuto. Não é começar do zero, porque o estatuto modernizou e melhorou as instituições.
Que propostas vai fazer?
Há alterações que são óbvias. Actualmente, no início da carreira de docente, entra-se como licenciado, mas isso tem de acabar, as pessoas têm de ser doutoradas. Também é uma anomalia não ser preciso concurso para ser professor auxiliar. Tem de fazer-se como já acontece no estatuto de carreira de investigação. Fui responsável pela avaliação do estatuto de investigação, onde já há um caminho traçado, que permite perceber quais são as alterações a fazer para qualificar o corpo docente do ensino superior."

(José Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em entrevista ao Público, RTP e Rádio Renascença)

Publicado por Filipe Moura às 05:53 PM | Comentários (3)

QUEM FALA ASSIM NÃO É GAGO (II)

"A introdução de Bolonha vai exigir alguma monitorização e avaliação, por parte do ministério, do que está a ser feito?
Não é por acaso que iniciamos ao mesmo tempo Bolonha e a avaliação das universidades. Nos últimos dez anos, a lei de avaliação que està em vigor prevê um sistema de auto-avaliação regular. Só que essa avaliação não foi internacionalizada.
O que é que o ministério decidiu fazer nesse sentido?
Solicitar à OCDE a avaliação do sistema de ensino superior português. Existe uma avaliação da prática seguida durante este dez anos e essa foi pedida à Agência Europeia de Acreditação, que é a entidade que há-de reconhecer a agência portuguesa de acreditaçã dos cursos de ensino superior. De seguida, solicitámos à Associação Europeia das Universidades que se disponibilizasse a fazer avaliações institucionais a pedido das próprias instituições. Criamos um mecanismo para que, se as instituições pedirem essa avaliação, possam ter financiamento do Estado. O objectivo final é que o estudante saiba que o seu ensino superior é reconhecido internacionalmente.
É um processo que faz a selecção das melhores instituições?
Isso é inevitável e o país tem de saber quais são as melhores e as piores instituições."

(José Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em entrevista ao Público, RTP e Rádio Renascença)

Publicado por Filipe Moura às 05:48 PM | Comentários (1)

QUEM FALA ASSIM NÃO É GAGO (I)

"As universidades e politécnicos são centrais para o desenvolvimento de uma sociedade moderna, mas acho que não são só escolas de instrução, mas também de educação, onde muitos jovens aprendem a viver e a participar na vida democrática. Não devem ser escolas de submissão e de iniciação a práticas fascistas.
É contra as praxes?
Sou absolutamente contra aquilo que se designa, com algum humor sádico e machista, por praxes académicas, como se nos devêssemos rir disso. São uma escola de falta de democracia e fascismo e devia haver uma atitude de menos complacência por parte de todos, nas universidades e fora delas.
Nos últimos anos tem havido algumas queixas, sobretudo de alunas em relação às praxes. Este ano não foi excepção?
Recebi na quinta-feira, pela primeira vez, um caso que me deixou infinitamente revoltado de uma aluna de Bragança que está neste momento em casa, que pretende abandonar os estudos. Comuniquei o caso à Procuradoria-Geral da República, no dia seguinte, para investigação criminal.
O que é que se passou?
Não vou entrar em detalhes. Comuniquei às entidades competentes, mas gostava de deixar este alerta: pela minha parte, naquilo que eu puder fazer (mas não posso fazer sozinho, preciso do apoio da sociedade portuguesa), serei contra qualquer complacência nesta matéria.
As instituições são coniventes?
As universidades não são sítios onde a lei não se aplica. Não é possível que um pequeno ou grande grupo de alunos utilize a arma da praxe ou a ideia de que é preciso uma festa de iniciação para humilhar e espezinhar os seus colegas mais novos.
Vai tomar alguma medida?
Aplicar a lei e exigir o seu cumprimento dentro das universidades. Não podemos aceitar nem assédio nem humilhações em nenhum sítio. Não há paraísos para a humilhação ou para práticas fascistas e esses paraísos não podem estar dentro do ensino superior. Tomarei o máximo de medidas que seja possível tomar e peço que aqueles que sejam vítimas se queixem. Se não o fizerem estarão a ser cúmplices dessa barbaridade."

(José Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em entrevista ao Público, RTP e Rádio Renascença)

Publicado por Filipe Moura às 05:40 PM | Comentários (2)

FALAR DE BLOGUES

Às 19 horas, na Livraria Almedina (Atrium Saldanha, Lisboa), com a presença de António Granado (Ponto Media), Catarina Rodrigues (mestranda em Ciências da Comunicação), Joana Amaral Dias (Bichos Carpinteiros) e Rogério Santos (Indústrias Culturais). Questões em cima da mesa: «Quando e como nasceram os blogues em Portugal? Como evoluíram? Em que terrenos se têm afirmado? Que evoluções são previsíveis?»

Publicado por José Mário Silva às 05:13 PM | Comentários (0)

TEMPO DE DESPEDIDA

No altifalante do aeroporto da Portela, hoje, às dez da manhã:

"Passageiro Deus, passageiro Deus, é favor dirigir-se à porta n.º 35. "

Publicado por tchernignobyl às 12:50 PM | Comentários (13)

novembro 09, 2005

A INTEGRAÇÃO AMERICANA

Devil's Night - Como é conhecida a noite de 30 de Outubro no estado do Michigan, mas também noutras áreas dos Estados Unidos, em que os jovens pregam partidas aos vizinhos. A partir de meados da década de 70, nos subúrbios degradados de Detroit, esta noite começou a ser marcada por centenas de ocorrências de fogo posto e vandalismo generalizado, atingindo o seu pico na década de 80 (presidente: Ronald Reagan) com médias de 500 a 800 fogos criminosos em carros e casas nos três dias consecutivos.
A partir de 1995 as autoridades começaram a promover grupos de até 40 000 voluntários (isto é, milícias civis) para patrulharem as ruas e impedirem a destruição e imposeram o recolher obrigatório a partir das seis da tarde, passando a chamar à data Angel's Night.

Moral da história: Desordens urbanas são um escândalo em economias estatizadas e rotina em economias liberais.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:46 PM | Comentários (6)

DE PEQUENINO É QUE SE TORCE O INTELECTUAL

Lista dos brinquedos preferidos da minha filha, aos (quase) nove meses:

- um gato cor-de-rosa chamado Tobias
- uma versão da coelhinha Miffy que se pode calçar como uma luva
- o Olegário (dromedário de borracha que emite sons agudos quando o apertam)
- o Walter (burro de pelúcia) e o Benjamin (urso polar em miniatura), por esta ordem
- a biografia de Eça de Queirós, escrita por Maria Filomena Mónica

Publicado por José Mário Silva às 11:52 AM | Comentários (8)

novembro 08, 2005

PARIS

«no meio da confusão, incendiou o carro do único vizinho que lhe dava boleia para fora do bairro, todas as manhãs.»

Publicado por José Mário Silva às 05:20 PM | Comentários (8)

VAMOS LÁ PÔR AS COISAS EM PERSPECTIVA

Os tumultos dos subúrbios de Paris são graves? Claro que sim. São mais do que graves, são gravíssimos. Mas é um exagero chamar-lhes «Intifada francesa» ou «Maio de 68 da banlieu». Porque a Intifada foi outra coisa, identitária e nacionalista. Tal como o Maio de 68 foi outra coisa ainda, ideológica e utópica.
Os tumultos dos subúrbios de Paris são, por enquanto, apenas os tumultos dos subúrbios de Paris. É preciso ter cuidado com as palavras. Sobretudo quando ainda nem sequer sabemos muito bem o que isto tudo significa, para onde vai ou quando é que acaba.

Publicado por José Mário Silva às 05:02 PM | Comentários (21)

MODELOS DE INTEGRAÇÃO E FUGAS

Segundo o Abrupto, "o modo europeu de 'receber' e integrar os emigrantes envolvendo-os em subsídios e apoios" está em "crise", sendo mais eficaz o "modo americano"que dá "dá oportunidades de emprego e ascensão social".
E um leitor do Abrupto considera que a fuga de cérebros da França traduz descontentamento com "o tipo de sociedade, emprego, impostos" franceses.

São teorias interessantes. Por um lado, porque estudos da London School of Economics revelam que os EUA e a Grã-Bretanha são os países ocidentais com menor mobilidade social e maior fosso entre ricos e pobres. Por outro lado, os EUA são também o país com maior número de prisioneiros do mundo em termos absolutos (mais que a Índia, a Rússia, o Brasil) e a aumentar.
Suponho que se poderá chamar a isto um modelo de integração de alta segurança.

Em relação à teoria dos cérebros, reparo que segundo um estudo do FMI, alguns dos principais países com fuga de cérebros para os EUA são Taiwan, a Coreia do Sul e as ilhas Fiji, onde milhares de jovens académicos, sufocados com tanto subsídio, só sonham em tornarem-se self-made men americanos.

Publicado por Jorge Palinhos às 09:58 AM | Comentários (21)

QUE FAZER QUANDO TUDO ARDE?

Leituras recomendadas: «Les banlieues s'enflamment: à qui profite le crime?» no Esquerda Republicana, e «Banlieues : Mai 68 ou Weimar?» no Libération.

Publicado por Filipe Moura às 08:22 AM | Comentários (7)

novembro 07, 2005

POR QUE RAIO É QUE AINDA NÃO FALÁMOS DE PARIS?

Nos últimos dias, alguns leitores expressaram com veemência nas caixas de comentários a sua perplexidade (ou indignação) perante o nosso silêncio face aos tumultos que vêm enchendo de labaredas e destruição as noites da banlieu parisiense. O que esses leitores esperavam, legitimamente, era uma cobertura quase em directo dos motins, acompanhada da nossa opinião sobre as causas desta violenta fractura social que está a transmitir ao mundo a imagem de uma França à beira do caos.
Pois bem, o tal silêncio — e falo por mim — tem uma explicação prosaica. Nos últimos dias, não tive tempo para vir aqui blogar mais do que cinco minutos seguidos. Só isso. Há uns meses, estava disposto a sacrificar a minha vida pessoal para que não falhassem os "serviços mínimos" do BdE. Agora não estou. E, pelos vistos, os outros colaboradores também não. Era a isto que me referia quando escrevi que «o BdE que desejávamos oferecer aos nossos leitores não é o BdE que conseguimos oferecer aos nossos leitores (e a nós mesmos)».
Além disso, estou farto de correr atrás da actualidade, lançando bitaites a torto e a direito, sem muitas vezes ter sequer o recuo para analisar minimamente as questões, que são sempre mais complexas do que as abordagens superficiais deixam supor. Esta crise francesa, então, já deu e dará azo às mais descabeladas manifestações de demagogia e cegueira ideológica, aceleradas pela ânsia de encontrar um "porquê" óbvio e clarividente para tão desproporcionada violência.
Como é evidente, vou dizer o que penso do que se está a passar em França nos próximos dias. Mas não quero escrever com os olhos ainda cheios das imagens do fogo e do espanto. Já o fiz diversas vezes, noutras circunstâncias, e raros foram os casos em que não me arrependi.

Publicado por José Mário Silva às 11:31 PM | Comentários (4)

novembro 06, 2005

UMA PERGUNTA PARA O FILIPE MOURA

Oi!
Escrevo de Itália, meu português já não presta. É só uma pergunta. Encontrei o blogue pesquisando sobre o significado de "caetanear" e encontrei a entrada 19 de Outubro 19 de 2004, publicada por Filipe Moura, com o título «VAMOS CAETANEAR».
Como já referi, creio que num comentário, reconheço-me numa ideologia sokal-caetanista, com influências de Woody Allen e Seinfeld. Já tenho sokalizado bastante; hoje vamos caetanear, que vem bem a propósito. Para tal, proponho que regressemos a uma fantástica entrevista que Caetano deu ao Expresso aqui há uns quatro anos, ao jornalista João Lisboa (já não está na rede, pelo menos de graça, mas eu guardei o ficheiro enquanto estava). A entrevista deu muito que falar devido às considerações de Caetano sobre a colonização portuguesa do Brasil, mas nem é por isso que eu quero regressar a ela. Há outros aspectos muito interessantes na mesma. O que eu queria era ler a entrevista. Alguém me pode ajudar? Estou escrevendo un ensaio breve sobre a cançao «Sina», do Djavan, onde se encontra pela primeira vez o verbo caetanear. Gostaria muito que alguém explicasse a um italiano o sentido desse verbo (além da homenagem ao cantor, que toca bastante também por aqui).
Muito obrigado,

(Flaviano Raschietti)

Publicado por José Mário Silva às 10:45 PM | Comentários (7)

novembro 05, 2005

SEMPRE LEFT

Já está na altura de o próximo Presidente da República, seja ele um político profissional assumido ou enrustido, condecorar a LEFT pelos relevantes serviços prestados a Portugal e ao mundo.

("A literacia científica é bastante negligenciada e num país como Timor-Leste, quanto melhor forem os conhecimentos científicos, menor será a dependência externa." - Não só em Timor Leste, caro Yasser.)

Agradeço ao Nuno Morais a informação.

Publicado por Filipe Moura às 11:33 PM | Comentários (15)

MANIFESTO

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Publicado por José Mário Silva às 04:24 PM | Comentários (0)

novembro 04, 2005

DIVIDIDOS COMO UM

Uma notícia preocupante: o Alberto Gonçalves decidiu acabar com o blog. Outra notícia ainda mais preocupante: o fim do "Homem a dias" deveu-se a desentendimentos entre os "membros do blog". Só que o "Homem a dias" tem um único membro... Deveremos imaginar o corpo do Alberto em plena guerra civil, com o mindinho direito a estrafegar o indicador esquerdo, o pé esquerdo a pontapear o joelho direito, os dentes de cima a morderem o lábio inferior... Aterrador!
Felizmente que o Alberto parece já ter voltado à blogosfera, para o mesmo endereço e, espera-se, com o seu único membro ainda inteiro.
O que eu acho mal, mal é que, depois de tanto tempo, o Alberto ainda se entretenha a gozar com a Coluna Infame.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:20 PM | Comentários (2)

LIBERAIS POR CONVENIÊNCIA

Parece que na francofobosfera há grande excitação com os distúrbios de Paris. Alguns, com alma de general de sofá, até falam em "suicídio" e em "guerra civil da Eurábia" (para quem não saiba, a "Eurábia" é uma das tretas desta senhora).
E os mais liberais envaidecem-se atribuindo causas ao "sistema social europeu", fazendo de conta que estes problemas não estão a surgir quando o mesmo sistema social está a ser posto em causa na França, tal como já surgiram nos seus amados países anglo-americanos.

Publicado por Jorge Palinhos às 04:48 PM | Comentários (12)

90%

Numa sala demasiado pequena e demasiado azul, Enrique Vila-Matas explicou que 90% do seu Paris Nunca se Acaba é «verdade» (essa duvidosa instância). Os restantes 10% teremos de os adivinhar, claro, mas esse jogo arrisca-se a ser desinteressante e nada profícuo. Não é por aí que se descobrem os prazeres subtis deste livro soberbo.
Numa apresentação menos brilhante que a de O Mal de Montano (há uns meses, na Casa Fernando Pessoa), ficou a pairar sobre a assistência, como na página 235, esse conselho «criminoso» oferecido por Raymond Queneau a Marguerite Duras e depois transmitido por ela, no seu francês superior, a Vila-Matas, então seu inquilino e autor principiante: «Escreva, não faça mais nada na vida».
Embora pareça um apelo à revolta (contra as convenções burguesas, por exemplo), é na realidade uma condenação.

Publicado por José Mário Silva às 01:34 PM | Comentários (0)

ANTES NOVA ESQUERDA DO QUE VELHA DIREITA (REESCRITO)

Senão, atente-se nesta frase: "Alguém me explica qual a diferença entre cidadão e consumidor?" A frase não está descontextualizada; o Rodrigo Adão da Fonseca fala a sério.
Que o Rodrigo Adão da Fonseca queira fazer do acto de consumo um acto de cidadania, eu ainda aceito. Agora, que queira reduzir a cidadania ao mero consumo, essa é que — num acto de cidadania! — eu não compro.

Publicado por Filipe Moura às 10:41 AM | Comentários (5)

O CAVAQUISMO, ONTEM E HOJE

Artigo de Fernando Rosas no Público de 2 de Novembro (extracto).

Não creio que a verdadeira entronização antecipada de Cavaco Silva como futuro Presidente da República lavada a cabo, quase sem pudor, por parte da comunicação social, com destaque para o eixo Expresso (transformando em oficioso do PSD e do seu candidato), SIC e demais adjacências jornalísticas do grupo Balsemão, não creio que essa ofensiva manipulatória nos deva impedir de porfiar no debate acerca da natureza política e ideológica do neocavaquismo que aí está. Debate em torno da memória do que foi, debate sobre o que é, pois esses são os dois tempos da mistificação em curso.
O cavaquismo, naquilo que teve de essencial para o futuro do país, foi, sobretudo, a década da oportunidade perdida. Historicamente houve poucos momentos como esse, em que por razões que não decorriam da performance interna da sua economia, dos sucessos do seu modelo de desenvolvimento, o país se visse beneficiado por extraordinários rendimentos essencialmente gerados no exterior e postos à sua disposição. Talvez só tenha acontecido, com essa excepcional dimensão, com os réditos das especiarias das Índias no século XVI; com o ouro e os diamantes do Brasil no século XVIII, e na primeira década (e um pouco para além dela) após a adesão de Portugal à então CEE por via dos fundos estruturais, no século XX. A década do cavaquismo.
O que aconteceu, tal como nas duas ocasiões desperdiçadas do passado, é que todo esse imenso fluxo de capital correndo pelos fundos estruturais, ainda que tenha deixado marcas positivas nas infra-estruturas e nas obras públicas, não mudou estruturalmente o país no sentido da modernidade. Isto é, permitiu certo desafogo momentâneo, mas não mudou nada de essencial no que era essencial mudar: na educação, na qualificação profissional, na investigação científica, na melhoria duradoura e sustentada do Estado social. Pelo contrário, em todos estes domínios foi o fiasco, quando não a regressão. O cavaquismo terá sido uma década de ouro para os grandes interesses da construção civil e do imobiliário, para a banca e a especulação, para os grandes grupos financeiros, para os que enriqueceram fraudulentamente com os fundos estruturais, para a elite do regime que promiscuamente circulava (e circula) entre os negócios, as sinecuras e a administração pública - mas para a modernização económica social do país foi a terceira grande oportunidade perdida. E convém lembrá-lo, quando a solitária mais- valia com que o candidato Cavaco Silva se apresenta é a da economia.
O cavaquismo foi a arrogância política em estado puro: "não tenho dúvidas e raramente me engano", lembram-se? A denúncia das "forças de bloqueio" lançada contra todas as instituições (desde o PR ao Tribunal de Contas) que diligenciavam exercer com seriedade a missão (constitucional, diga-se) de vigiar institucionalmente os excessos e arbítrios da governação. Foi a fuga sistemática de Cavaco Silva aos debates parlamentares (o chefe de governo constitucional com menos comparência na Assembleia da República) e ao contraditório público com as oposições. A empáfia bacoca de um primeiro-ministro que se vangloriava de não ter tempo para ler os jornais. Ei-lo de volta, transformado em bom samaritano.
O cavaquismo foi, não o esqueçamos, a deriva autoritária sem precedentes, desde o "25 de Abril". Foi a polícia de choque de rédea livre: largada contra os trabalhadores vidreiros perseguidos pelas ruas da Marinha Grande, carregando sobre as manifestações dos estudantes do ensino superior, atacando, no célebre quadro dos "secos e molhados", os seus colegas da PSP em luta pelos direitos de todos eles; procurando abafar pela força a indignação popular no buzinão da ponte sobre o Tejo. Foi a década em que o diálogo social e político deu lugar ao músculo e ao Diktat unilateral do poder. Foi por tudo isto que Cavaco perdeu: pela profunda impopularidade em que os seus fracassos, e os seus excessos acabaram por se atolar. E não foi uma saída brilhante. Cavaco Silva abandonou o governo a Fernando Nogueira, em 1995, para fugir à inevitável derrota eleitoral do PSD, nesse ano, e seria derrotado, logo à primeira volta, nas eleições presidenciais de 1996. É, pois, um duplo derrotado que regressa à disputa eleitoral para Presidente da República.
Bem sei que ele vem agora solenemente embalado, com pompa e circunstância, num registo centrista de respeito pelas instituições, de moderação, de fixação do discurso nos lugares-comuns do situacionismo politicamente correcto, respaldado no apoio dos banqueiros, dos oligarcas, da elite da direita política e dos interesses, daquilo que é o núcleo duro da sua base de apoio.
Não há, todavia, que ter ilusões: o neocavaquismo é o cavaquismo mais as suas circunstâncias.

Publicado por Filipe Moura às 12:26 AM | Comentários (9)

novembro 03, 2005

SAMUEL BECKETT POR VILA-MATAS

beckett.bmp

«Uma manhã de Inverno, passeava com Arrieta pelo Jardin du Luxembourg quando numa alameda secundária vislumbrámos um pássaro negro e solitário, quase imóvel, a ler o jornal. Era Samuel Beckett. Vestido rigorosamente de preto dos pés à cabeça, estava ali numa cadeira, muito quieto, parecia desesperado, metia medo. E até quase parecia mentira que fosse ele, que fosse Beckett. Nunca tinha previsto que pudesse encontrá-lo. Sabia que não era um clássico morto, mas sim alguém que vivia em Paris, mas imaginara-o sempre como uma escura presença que sobrevoava a cidade, nunca como alguém que encontramos a ler desesperado um jornal num velho parque frio e solitário. De vez em quando mudava de página, e fazia-o com uma espécie de nojo tão grande e uma energia tão intensa que se o Jardin du Luxembourg inteiro tivesse tremido não nos teria surpreendido nada. Quando chegou à última página, ficou entre absorto e ausente. Metia mais medo do que antes. "É o único que teve a coragem de mostrar que o nosso desespero é tão grande, que nem palavras temos para o exprimir", disse Arrieta.»

in Paris Nunca se Acaba (Teorema, trad. de Jorge Fallorca)

Publicado por José Mário Silva às 06:16 PM | Comentários (0)

JEAN SEBERG POR VILA-MATAS

«Uma manhã, vi de verdade Jean Seberg. Usava o cabelo muito curto (como uma heroína de Hemingway), óculos de sol e um vestido branco com pintas pretas. Vi-a passar a caminhar muito depressa em frente de um dos frontões neoclássicos do Palais de Chaillot onde estão inscritas, em letras douradas, umas solenes frases de Paul Valéry escritas especialmente para esse lugar e que de repente, perante o passo veloz da bela Seberg, pareciam ter encontrado o seu verdadeiro significado:
Depende de quem passe que eu seja túmulo ou tesouro

in Paris Nunca se Acaba (Teorema, trad. de Jorge Fallorca)

Publicado por José Mário Silva às 06:08 PM | Comentários (1)

PARIS NUNCA SE ACABA EM LISBOA

paris.bmp

O penúltimo livro de Enrique Vila-Matas, Paris Nunca se Acaba (Teorema), é lançado daqui a pouco, às 18h30, na Sala de Âmbito Cultural (piso 7) do El Corte Inglés, com a presença do autor e apresentação de Nuno Júdice.
Lá estaremos.

Publicado por José Mário Silva às 05:53 PM | Comentários (1)

HAVERÁ SEMPRE O LEONARDO

Àqueles leitores que ficam preocupados com o predomínio da direita na blogosfera, depois do encerramento do Barnabé e, agora, do BdE, eu quero aqui dizer: tranquilizem-se. Para além de vários (e excelentes) blogues de esquerda que permanecem, resta sempre o Leonardo Ralha.

(Eu sei: em questões fracturantes não deve haver "esquerda" e "direita"; vem no texto anterior - por isso é que são "fracturantes". Talvez, mas eu não consigo deixar de achar totalmente de esquerda este texto do Leonardo. Serei o único?)

Publicado por Filipe Moura às 11:28 AM | Comentários (7)

SOBRE O REFERENDO À IVG

Leitura altamente recomendada: Receita imbatível para perder o referendo da IVG, pelo João Pedro Henriques. Recomendo também Sobre o cumprimento de promessas eleitorais. Folgo em ver que a Fernanda Câncio anda com mais paciência. E permito-me dar um recado à Ana Sá Lopes. É verdade: está provado que quem espera nunca alcança. O conselho é mesmo bom, ou não fosse do Chico. Mas o tempo está mais para bossa-nova.

Publicado por Filipe Moura às 10:44 AM | Comentários (1)

novembro 02, 2005

PROMESSAS LEVA-AS O VENTO

É boa altura para recordar compromissos que por aqui assumi há uns meses: "não é por cá estar aboletado que vou começar a escavacar a mobília e a fazer gestos obscenos pela janela. (Espero eu.)"
Esperavas, esperavas, mas embalde, pá. Neste dia de finados um pouco atrasado, cabe-me confessar a mea maxima culpa, por malfeitorias várias perpetradas ao longo de meses e meses de actos e omissões. Desculpem lá qualquer coisa. A gente vê-se por aí (digo eu, gajo a partir de hoje notório por não cumprir as suas promessas...).

Publicado por Luis Rainha às 07:02 PM | Comentários (5)

CULTIVAR


Contra o cultivo da insensibilidade

Publicado por Jorge Palinhos às 06:31 PM | Comentários (1)

SEM COMENTÁRIOS ADICIONAIS

PJ fez buscas em casa de Jorge Coelho, diz Visão (actual.)

A Polícia Judiciária efectuou uma busca na casa do dirigente socialista Jorge Coelho. De acordo com a revista Visão, a diligência judicial terá sido efectuada a 24 de Outubro no âmbito do processo que está a investigar as relações entre o construtor Américo Santo e a Câmara de Cascais.(...)
Em declarações à mesma revista, uma fonte anónima fez saber que os inspectores da PJ procuravam um tabuleiro de xadrez valiosíssimo que Américo Santo teria oferecido ao ex-ministro socialista, mas, aparentemente, tal peça não terá sido encontrada.

Publicado por Jorge Palinhos às 06:28 PM | Comentários (5)

A ESCRAVATURA, AGORA A JACTO

Duas adolescentes lituanas foram leiloadas como escravas sexuais num café do Aeroporto de Gatwick. Cada uma delas foi vendida a 3000 libras cada (cerca de 4400 euros) e forçadas a prostituirem-se sob ameaças de morte e violência.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:39 PM | Comentários (1)

ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE

Mais um tipo de insecto parasita, de seu nome Riapus chatus, está à beira de entrar na lista de espécies em vias de extinção.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:18 PM | Comentários (2)

(A abrir as janelas e a limpar apressadamente o pó do meu quartinho aqui da casa.)

Publicado por Jorge Palinhos às 05:07 PM | Comentários (0)

SUPER-ESCRITORES NO HIPERMERCADO

Atentem, por favor, neste assombroso press-release:

«ESCREVA UM LIVRO E CONCORRA A UM LUGAR
ENTRE OS MAIORES ESCRITORES DA HISTÓRIA.

Para que fique nas páginas da História, entre os maiores vultos da literatura, só tem de escrever um livro e vencer o Concurso Literário do Continente e Modelo. O tema é livre e as únicas obrigações são ter a forma de um romance e você nunca ter publicado um livro. Pode enviar os seus originais até 31 de Dezembro deste ano e se for o vencedor verá o seu livro publicado. Por isso, mãos à obra, puxe dos pergaminhos e veja-se entre os maiores escritores de sempre.»

Adequadíssimo nome do concurso: O meu 1.º Best-Seller.
Conclusão: as grandes superfícies não vendem só electrodomésticos, iogurtes, peixe congelado, packs de cerveja e milhares de outros produtos a preços baixos. Também vendem, a pataco, as mais desmesuradas ilusões de grandeza.

Publicado por José Mário Silva às 03:46 PM | Comentários (9)

CUIDAR DOS VIVOS

Capa.jpg

O pequeno blogue do Grande Terramoto, pensado e escrito pelo Rui Tavares, já está de pé entre as ruínas de 1755. Se for tão bom quanto o livro que veio complementar, será excelente.

Publicado por José Mário Silva às 02:51 PM | Comentários (1)

novembro 01, 2005

GRAU NÃO SEI QUANTOS NA ESCALA DE RICHTER

terramoto.jpg

Todos os projectos têm um prazo de validade. Há um tempo para começar, um tempo para crescer e um tempo para concluir o que se começou (antes da implosão ou da decadência).
O tempo do BdE acaba este mês. No próximo dia 25, quando se completarem dois anos de existência na plataforma weblog.com.pt, que se seguiram a 11 meses no universo blogspot, este blogue deixará de ser actualizado. Não morrerá, porque os blogues não morrem («são umas almas-penadas que por aí pairam», como disse o André Belo num dos últimos posts do Barnabé). Mas o projecto chega ao fim.
Para evitar equívocos ou interpretações distorcidas, assinalo que esta decisão, minha e do Manel, foi tomada há mais de um mês e comunicada aos restantes membros do blogue durante a semana que passou. Há várias razões para este fecho ― umas óbvias, outras nem tanto. Mas todas se podem resumir nisto: o BdE que desejávamos oferecer aos nossos leitores não é o BdE que conseguimos oferecer aos nossos leitores (e a nós mesmos).
Por isso, mais vale assumir o ponto final.
Durante as três semanas e picos que nos restam, queimaremos os últimos cartuxos o melhor que soubermos (ouviram, ó colaboradores menos assíduos?). Depois, cada um vai à sua vida. Sem dramas, porque nada disto é trágico ou irreparável.
Aos nossos leitores e comentadores, mesmo àqueles que sistematicamente nos vituperaram, deixo desde já um agradecimento por terem participado ― tantas vezes de forma gentil, tantas vezes de forma cruel (uma crueldade própria do meio) ― neste projecto de comunicação in progress. E faço um apelo: que esta despedida seja uma festa, um adeus eufórico, não um funeral.

Publicado por José Mário Silva às 09:30 AM | Comentários (42)

FELGUEIRAS, IDEOLOGIAS E COMBOIOS A HORAS

Costumo tratar o suplemento DNA, do DN, como se fosse uma revista: quando chega a casa, fica guardado à espera de horas mais lentas para o ler. Por isso, só hoje li um artigo velhote do seu director, Pedro Rolo Duarte, sobre as últimas autárquicas. A peça destina-se a explicar como é que ele, um esquerdista que até tinha já apanhado uma valente cabeçada de um fulano do CDS, se viu forçado a votar nesse mesmo partido de direita.
Começando pelo fim da história: “Quando vi os números das vitórias de Felgueiras, Gondomar, Oeiras, tive vergonha de ser português. Mas percebi que Portugal tem exactamente aquilo que merece.”
Tarde abre os olhos, este senhor. Então os autarcas agora reeleitos à revelia dos seus partidos não andavam por lá há anos e anos? Alguém alguma vez terá tomado Valentim Loureiro por pessoa recomendável? E há quanto tempo não suportamos os desvarios, a impunidade e o descaramento do ogre insular, Alberto João? Só agora é que PRD descobre que a democracia é vulnerável ao populismo?
E vai de arejar o varapau e vergastar “candidatos que oferecem chouriços e cavalas” e “os estimados eleitores que gostam imenso de reclamar e pedir justiça, que gritam que ‘os políticos são todos iguais’ mas depois elegem quem foge a essa mesma justiça”; sempre a propósito deste “triste momento da nossa ignorante e pobre democracia”.
Talvez antecipando tão tremendo desgosto, o preclaro cronista resolveu votar no CDS; melhor, na Drª Maria José Nogueira Pinto. Porque ela “não promete nem dá chouriços — faz.” Pelo menos, a sua obra na Santa Casa parece tranquilizar PRD: ela “executa, trabalha e cumpre.”
Conclusão? “A ideologia chegou a este estado — o estado de sítio. (...) A partir de agora é sobre pessoas que falamos. É em pessoas que votamos. O resto é mesmo só conversa.”
PRD não consegue angariar a lucidez bastante para entender uma verdade límpida e óbvia: quem chegou a um triste estado foi ele. É de malta assim que se alimentam os Ferreiras Torres deste mundo: eleitores convencidos de que as ideologias, os projectos de futuro, as diversas concepções de sociedade, tudo isso não passa de conversa fiada. Interessa é obra. Mais fontanários. Mais rotundas. Mais creches, centros de dia, piscinas. Isso é que conta; e essa é precisamente a receita do êxito dos políticos insalubres aqui citados. Mesmo que nenhuma obra de relevo exista realmente, como no caso do Marco de Canaveses, concelho arrastado para o atraso mais absoluto pelo querido e idolatrado “homem da obra”. Aliás, PRD prefere nem recordar como Amarante afundou as pretensões expansionistas deste tiranete rural; isso podia estragar-lhe o arrumado esquema mental.

Há uns anitos, por certo que o director do DNA não hesitaria em fazer coro com os que relativizavam a ameaça de Mussolini, repetindo o evidente e indiscutível argumento de que ele até fazia os comboios andar a horas. É no que dá ignorar as ideologias e seguir a manada esfomeada de líderes e de “obra”, muita “obra”.

Publicado por Luis Rainha às 02:03 AM | Comentários (16)