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julho 31, 2005

O PRÉ-INTELECTUAL

- Olá, pequerrucho. Que idade tens?
- Cinco anos.
- Ah. E já sabes o que queres ser quando fores grande?
- Sim. Colaborador do Casmurro.

Publicado por José Mário Silva às 11:53 PM | Comentários (0)

AS CONSIDERAÇÕES DE PACHECO

Escreve ainda Pacheco Pereira que «em matérias tão importantes como a política externa, onde Soares está mais próximo do BE do que do PS». Eu não sabia que, após o 11 de Setembro, o BE tinha sido a favor do derrube do regime talibã no Afeganistão. Eu não sabia, também, que o BE era favorável à Constituição Europeia. Aliás, nesta matéria, eu julgava que quem tinha a mesma posição do BE era Pacheco Pereira!

Publicado por Filipe Moura às 07:47 PM | Comentários (8)

AS DIFERENÇAS DE PACHECO

No tempo em que fazia política activa, nomeadamente nas campanhas eleitorais de 1999 (para as eleições europeias e legislativas), era frequente Pacheco Pereira querer tentar convencer o eleitorado de que o PSD era um partido "reformista", em quem a esquerda "deveria" (!) votar. A sua imagem pública de historiador preocupado com a esquerda portuguesa, as biografias não autorizadas de Álvaro Cunhal apresentadas por Fernando Rosas, as acusações que na altura lhe eram movidas pelo seu adversário Paulo Portas de viver "obcecado por Álvaro Cunhal" (enquanto se declarava como o único candidato de direita ao Parlamento Europeu), as críticas aos bombardeamentos da Sérvia pela NATO, a zanga com Valentim Loureiro pelo totonegócio, tudo servia para se ter a impressão de que Pacheco Pereira era a "ala esquerda" da direita portuguesa.
Tudo... até à eleição de Bush. E, principalmente, ao 11 de Setembro. E à guerra no Iraque. Só isto bastaria para Pacheco Pereira não convencer mais ninguém - se é que alguma vez convenceu - com os seus apelos à "esquerda". Com a sua posição relativamente à Constituição Europeia, ainda menos. Pode ser-se contra esta Constituição Europeia por razões de direita ou de esquerda, mas Pacheco rejeita imediatamente estas últimas. No texto inaugural do Sítio do Não, refere-se aos apoiantes do não que "não se revêem no PCP ou no BE". Só restam assim duas possibilidades para um não de direita: ou se está com Miguel Esteves Cardoso e com os saudosos do macarrão das massas Nacional (também possível à esquerda); ou se recusa a Constituição Europeia por esta consagrar o Estado Providência, o Modelo Social Europeu e o pleno emprego. Ou seja, por ela ser, deste ponto de vista (de uma pessoa de direita) muito pouco liberal. (Aqui, a esquerda ataca a Constituição exactamente pelos motivos contrários.)
Pelos seus artigos nos jornais, onde várias vezes ataca o Modelo Social Europeu, presumo que seja a esta última razão que se deve o "não" de Pacheco Pereira. Está no seu direito, mas não venha mais falar "à esquerda".
Era por isto natural que Pacheco Pereira fizesse parte do MASP I e do MASP II, tal como seria estranhíssimo que viesse a fazer parte de um (eventual) MASP III. E também por isto, antes de se falar nas "diferenças fundamentais" entre o Mário Soares de há vinte e quinze anos e o de hoje (para mim, Mário Soares é o que sempre foi), seria bom que se considerasse as diferenças fundamentais entre o Pacheco Pereira de então (já não falo do de 1973) e o de hoje. Só não vê quem não quer.

Publicado por Filipe Moura às 07:45 PM | Comentários (6)

julho 30, 2005

O MELHOR CONCERTO QUE ESTIVE QUASE A VER


Neste preciso minuto, deveria estar a ter início o concerto dos Van der Graaf Generator em Lisboa. Sim: a mítica banda de Peter Hammill, reunida depois de um hiato de quase 30 anos, anda por essas estradas de novo, e, ao que rezam as críticas, em grande forma. Quando dei pelo concerto de reunião em Londres – que originou vendas de bilhetes para 27 países! – já os papelitos mágicos andavam pelo e-bay a mais de 300 euros por cabeça (ou por rabo sentado); azar. Mas a notícia deste espectáculo alfacinha levou-me logo a comprar uns quantos bilhetes para as primeiras filas da Aula Magna.
Começou a coisa a correr mal, no início de Junho, quando dei pela seguinte informação num site de Hammill: "I'm sorry to have to say that the shows in Barcelona, Madrid and Lisbon are now definitely cancelled. A great shame; we certainly hope to get to Spain and Portugal in the next major phase of VdGG activity, whenever that may be. As I understand it what happened was that there was a major misunderstanding between the promoter and our agent about the fee for the Lisbon show." Tinha de ser, porra. Tinha de ser connosco. No meio de tanto país, tinha de acontecer confusão com um promotor cá da malta.
Depois, durante dias e dias, não consegui reaver o meu dinheiro. Que iria ser marcada uma nova data, que tinha de esperar mais uma semanita, etc. Ontem, lá saquei a massa, pouco antes de dar com uma notícia no DN a garantir concerto dos VDGG mais para Outubro.
Engraçado; a única informação que eu encontro em fonte fidedigna quanto à deslocação a Lisboa da banda é "Once again, apologies for the fact that the Iberian leg of the tour fell through. Disturbingly, I hear that no-one has bothered to announce this in Lisbon. That says everything, really, doesn't it?". Indeed, diria eu…
Enfim; por muito que queira escrever algo de jeito sobre os VDGG e Peter Hammil, só consigo mesmo postar a propósito de desgraças várias


Publicado por Luis Rainha às 10:00 PM | Comentários (9)

ESCREVAM ISTO EM TODAS AS PAREDES DA CIDADE

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Publicado por José Mário Silva às 06:09 PM | Comentários (1)

O ENCANTO IRRESISTÍVEL DO SPAM

Receber convites de um tal Prof. Dr. Jorge Learreta (com site pessoal e tudo), a convidar-me para um Programa de Mini Residencias Clinicas en Articulacion Temporomandibular.

Publicado por José Mário Silva às 01:26 PM | Comentários (0)

julho 29, 2005

SEM COMÉRCIO NEM CAPITAL

Parece que é definitivo o encerramento d' O Comércio do Porto e d' A Capital.
Para além da maneira como isso afecta os trabalhadores das empresas, e do lamentável que é ver assim desaparecer uma parte do património cultural do país (tanto Camilo Castelo Branco como Antero de Quental foram colaboradores d'O Comércio, por exemplo), custa-me ver desaparecer os dois títulos pelo que simbolizavam em tempos recentes.
A Capital era uma interessante experiência de um jornal jovem e urbano, liderado por Luís Osório, apostando em novos cronistas e em formatos inovadores. Ocasionalmente escorregava-lhe o pé, como no caso do furo furado sobre a decisão de Sampaio não aceitar o governo Santana Lopes e o ridículo apelo ao voto contra Bush, mas esses lapsos eram compensados pela genuína vontade fazer algo diferente.
O Comércio do Porto, de pasquim paroquial e reaccionário que era quando tomei contacto com ele, transformou-se num bom jornal regional, atento aos problemas da região e com uma forte componente de notícias culturais, apesar de um certo conservadorismo de formato. Mais significativo ainda, o encerramento d' O Comércio é mais um golpe na moribunda produção mediática do norte.
Será que não há saída para isto?

Publicado por Jorge Palinhos às 05:29 PM | Comentários (3)

SINERGIAS DE GRUPO

guilhermina.bmp

o violoncelo é um amante que se abraça por trás.

[exclusivo lm/BdE]

Publicado por José Mário Silva às 05:11 PM | Comentários (4)

BECKETT POR F. F.

«Hesitava em partir, já começavam a cair as folhas, tinha medo do Inverno. Não se deve ter medo do Inverno, também tem as suas coisas boas, a neve aquece e silencia o tumulto e os seus dias pálidos acabam depressa. Mas eu ainda não sabia, nessa altura, como a terra pode ser gentil para os que só a têm a ela, e quantas sepulturas mesmo aos vivos tem para dar.»

[in «Primeiro Amor», de Samuel Beckett, traduzido por Francisco Frazão, Ambar]

Publicado por José Mário Silva às 05:06 PM | Comentários (3)

O PICO DE HUBBERT: COMO SERÁ A VIDA DO OUTRO LADO?

Imaginem um mundo sem gasolina, sem combustíveis para alimentar os nossos preciosos carrinhos, sem plásticos baratos, sem outra fonte viável de electricidade que não seja o nuclear. Improvável? Não; este cenário apocalíptico está aí ao virar da esquina e foi antecipado, em primeiro lugar, por um geólogo da Shell: M. King Hubbert. Ainda nos anos 50, ele previu a assustadora proximidade dos EUA do momento em que as reservas de petróleo acessíveis ultrapassam o seu ponto médio. Analisando a história da industria petrolífera, King postulou que as disponibilidades das reservas de petróleo evoluem, ao longo dos anos, numa curva em forma de sino. E que estamos muito perto do cume dessa curva; a partir daqui, é sempre a descer.
Isto não implica que o petróleo acabe de um dia para o outro; apenas que devemos tomar em conta que o longo processo de extracção deste recurso finito começou com a exploração de poços superficiais e próximos dos locais de consumo, evoluindo depois para explorações no meio do oceano e em condições cada vez menos rentáveis. A partir do "Pico de Hubbert", ou "Peak Oil", já usámos a metade de todo o petróleo disponível no planeta. Daqui para a frente, será cada vez mais difícil e caro chupar o precioso ouro negro do solo. Quando atingirmos o ponto em que é necessária mais energia para extrair um barril de petróleo do que aquela que ele contém, acabou-se.
King acreditava que os EUA tinham atingido o seu "pico" na década de 70; tal só veio a ser confirmado muito depois. As estimativas para o mundo inteiro são bastante difíceis de fazer, pelo secretismo com que os países produtores envolvem as suas reservas e pela hostilidade que todo o sector energético reserva a semelhante tema. Mais: quase todos os países da OPEP têm o hábito notório de inflacionar as suas reservas, em busca de maiores quotas de produção. No entanto, a maioria dos estudos sérios conclui que ou já ultrapassámos o pico fatídico ou estamos a não mais de três anos desse ponto. Se tivermos em mente o aumento desmesurado da procura de petróleo por parte de economias em franco crescimento como a chinesa e a indiana, a receita para o desastre global fica pronta a servir.
E não julguem que se trata "apenas" de termos gasolina um pouco mais cara daqui em diante. É só olhar à nossa volta e recensear os objectos de plástico que já são indispensáveis ao nosso conforto. E que dizer da incrível ineficiência energética da nossa alimentação?
Se o tema vos parecer digno de algum alarme e muita atenção, podem começar por ler este artigo do "Guardian", passando depois para o "Energy Bulletin", sem esquecer a associação de geólogos preocupados com o desastre petrolífero iminente. Sei bem que não se trata de matéria virgem, tendo até sido até objecto de um workshop mundial em Maio passado, na nossa lisboeta Gulbenkian. Mas mais vale começar a pensar nisto tarde do que nunca.

PS: prefiro nem dar crédito aos que atribuem as invasões do Afeganistão e do Iraque a uma cuidadosa e metódica estratégia americana para enfrentar esta crise. Mas…

Publicado por Luis Rainha às 03:57 PM | Comentários (17)

A CRISE QUANDO NASCE É DE TODOS

Os quatro maiores bancos privados portugueses viram os seus lucros aumentar, em média, 20% na primeira metade deste ano, quando comparada com o mesmo período do ano passado. Contas feitas, Millennium BCP, Espírito Santo, BPI e Santander Totta embolsaram mais 143 milhões de euros. No total, os lucros dos quatro bancos atingiram 727 milhões.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:41 AM | Comentários (9)

UM JOGO HISTÓRICO

Já que mencionei Frank Marshall e José Raul Capablanca no post anterior, aqui vos deixo a mais célebre das partidas que os dois mestres disputaram, precisamente aquela em que Marshall tentou surpreender o cubano com o seu violento ataque com as negras (ataque agora clássico e que Capablanca repeliu de forma sublime).
O jogo disputou-se em Outubro de 1918, no Clube de Xadrez de Manhattan (Nova Iorque), e pode ser reconstituído, lance a lance, neste arquivo digital.

Publicado por José Mário Silva às 02:05 AM | Comentários (2)

ERA UMA VEZ UM PLANO MARSHALL QUE FALHOU

Uma das particularidades do jogo de xadrez é o facto de se poder jogar das formas mais diversas: no tabuleiro (claro) mas também às cegas, por correspondência, por e-mail, em sites na internet, por sms, etc. Pois bem: agora, ladys and gentlemen, a espantosa versatilidade deste jogo tão antigo, assente no facto de ambos os jogadores poderem comunicar através de uma notação que todos os xadrezistas conhecem, estende-se igualmente ao sistema de comentários deste blogue (cf. aqui). Não sei se lhe podemos chamar uma plataforma inédita ou se outros malucos já se lembraram de fazer isto antes de nós, mas o certo é que eu e o Tenente Blueberry andámos dias a fio numa luta intensa, corpo a corpo, lá em baixo.
O resultado, para minha vergonha, é o que se vê. Uma coça das antigas, sem apelo nem agravo, depois de me ter armado em esperto com uma variante arriscadíssima da Abertura Espanhola (o ataque Marshall) e um duplo gambito que esteve sempre preso por um fio. Se o meu adversário fosse fraco ou mediano, e se respondesse sempre como eu desejava, a coisa até podia funcionar. Mas o Tenente (Ric para os amigos), não é fraco nem mediano, longe disso, e limpou-me o sebo com uma estratégia de jogo serena mas meticulosamente eficaz.
No problemo. Quando o adversário é superior, inclino o rei e ponto final. Além disso, como dizia José Raul Capablanca, o resultado mais interessante de uma partida de xadrez é a derrota, porque é com as derrotas que aprendemos mais, é errando que aprendemos a deixar de errar.
A desforra, essa, será jogada um dia destes, quem sabe se cara a cara e com um relógio ao lado a fazer tic-tac.

[Para quem não tiver pachorra de seguir o thread, aqui fica a partida completa:

Tenente Blueberry - José Mário Silva

1. e4 e5
2. Cf3 Cc6
3. Bb5 a6
4. Ba4 Cf6
5. 0-0 Be7
6. Te1 b5
7. Bb3 0-0
8. c3 d5
9. exd5 Cxd5
10. Cxe5 Cxe5
11. Txe5 c6
12. d4 Bd6
13. Te1 Dh4
14. g3 Dh3
15. Be3 Bg4
16. Dd3 Tae8
17. Cd2 Te6
18. a4 CxBe3
19. Txe3 Th6
20. Cf1 Dh5
21. axb5 axb5
22. Ta7 Be6
23. Bxe6 PxB
24. Td7 e5
25. dxe5 Bc5
26. Te2 Te6
27. b4 Tf3
28. Dd1 Bb6
29. Ted2 Df5
30. Tb7 c5
31. Tb8+ Rf7
32. Td7+ Rg6
33. Tbb7 Df8
34. Dd5
1-0]

Publicado por José Mário Silva às 01:45 AM | Comentários (6)

O VÍRUS

Depois da implosão do Barnabé e da morte súbita do Quartzo, Feldspato & Mica, andam mosquitos por cordas no Afixe. Tendo em conta as convulsões que também já vivemos no BdE, fica a pergunta: será possível manter um blogue colectivo sem que o vírus da discórdia se instale, mais tarde ou mais cedo?

Publicado por José Mário Silva às 01:19 AM | Comentários (13)

julho 28, 2005

CONSPIRAÇÕES

Já se perdeu muito bom juízo por muito menos. Tudo arranca com um comentário mais ou menos inocente do nosso estimado Bombatómica sobre terroristas talvez fabricados com o Photoshop.
Vai daí, lá encontro eu esta página, uma de muitas a analisar algumas anomalias numa foto de supostos terroristas que a polícia britânica distribuiu aos media. Depois, leio que uma das poucas testemunhas vivas das explosões no metro de Londres afirma que não havia perto de si nenhuma mochila e que a explosão deixou inequívocas provas de ter ocorrido debaixo da carruagem.
A partir daqui, está traçado o desvairado rumo das horas seguintes. Saltitando de conspiração em conspiração, aporto a um enorme site que compila dúzias de eventos estranhos, omissões inexplicadas e invenções flagrantes, tudo em torno do 11 de Setembro. Olhem que andam por ali perguntas bastante intrigantes; ainda por cima com a vantagem de não se fazerem acompanhar por respostas fantasiosas e supostamente definitivas.
Por que é que a defesa aérea dos EUA não actuou, permitindo ataques longos minutos após a primeiro impacto contra o WTC? Como é que nenhum responsável militar foi punido ou sequer investigado depois de um tal surto de paralisia colectiva?
E mais, muito mais: será mesmo possível que alguém que chumbou vergonhosamente num curso de pilotagem de monomotores consiga executar a complexa manobra que alvejou o Pentágono? Por que diabos caiu o Edifício 7 sem razão plausível e que explosões são aquelas que se vêem a sair das suas janelas, mesmo antes do colapso? Terá Larry Silverstein confirmado que ele foi implodido?

Neste preciso momento, reparo que o meu colega da secretária do canto está a olhar para mim com uma expressão suspeita. E aquilo que ele tem na mão, será mesmo apenas um inocente telemóvel? Ou…?

Publicado por Luis Rainha às 05:44 PM | Comentários (12)

NEM DE PROPÓSITO

Estreia hoje, véspera do mega-jackpot.

Publicado por José Mário Silva às 05:11 PM | Comentários (2)

UMA APOLOGIA DO ESTAR CALADO

"Quase tudo já foi dito, mas está ainda quase tudo por dizer"
Uma aguda análise política de Carlos Magno sobre as candidaturas de Mário Soares e Cavaco Silva (via Kleist).

Ah, quanto já se escreveu sobre as análises de Carlos Magno e quanto falta ainda escrever!

Publicado por Jorge Palinhos às 12:09 PM | Comentários (2)

MARVEL SOCCER

Ao fim de alguns anos de enganosa hipérbole, a SuperLiga portuguesa de futebol vai ser mesmo Super. E Super de super-herói.
Como a maior parte dos nossos leitores decerto saberão, o novo craque do Sporting, contratado para fazer dupla (arrasadora) com Liedson na frente de ataque, chama-se Deivid. Mas Deivid, escrito assim mesmo (foneticamente), é só a primeira originalidade do nome deste rapaz. Consta que dona Maria de Souza, a mãe do jogador, era fã dos livrinhos da Marvel. Chegada ao registo, disse ao funcionário: «Ponha Deivid Hulk de Souza, por favor». E Deivid Hulk de Souza ficou.

deivid.bmp

Está encontrado, espero, o monstro (verde e tudo) que vai destroçar as defesas adversárias e trazer de novo o título para Alvalade.

Publicado por José Mário Silva às 12:06 PM | Comentários (8)

REALIDADE NA TV

As autoridades britânicas pediram às empresas fabricantes de bebidas alcoólicas que passem a recorrer a homens menos atraentes nas campanhas publicitárias, nomeadamente a carecas e barrigudos, a fim de desencorajar as mulheres de beber para alcançar êxito social e sexual. O Advertising Standards Authority (organismo regulador da publicidade no Reino Unido) acredita que homens carecas e barrigudos são mais dissuasores do consumo de bebidas alcoólicas por parte das mulheres, com o novo código de publicidade a estabelecer que não devem ser feitas ligações entre álcool e sedução.

Tenha-se, porém, em consideração o realismo da coisa: depois de quatro ou cinco copos qualquer careca barrigudo se assemelha ao Martini Man.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:03 PM | Comentários (0)

UMA NOVA ESTRADA

«Parece um blogue mas não é um blogue», dizem os fundadores. A saber: António Tavares Lopes, Rui Bebiano e Tiago Barbosa Ribeiro (velhos conhecidos de outras andanças). Preferem chamar-lhe «publicação de crítica, criação e opinião». Nada contra, até soa bem. E no fim de contas o que interessa é a escrita: a História Universal do equívoco a partir de uma citação de Woody Allen; Luiz Pacheco a falar de Herberto; o sorriso de Kafka; essa matéria inflamável que se acende neste território a que vamos chamando blogosfera, na falta de melhor nome.
Tudo isto para dizer que já ficou assinalada, no nosso mapa, a nova e promissora estrada que ainda ignoramos onde irá dar.

Publicado por José Mário Silva às 01:46 AM | Comentários (2)

julho 27, 2005

BARROSO'S HORROR SHOW

Lembram-se dos vaticínios de glória sem fim para a Nação que acompanharam a fuga de Durão Barroso para Bruxelas? Pois bem; o "prestígio" que devia estar agora a cair sobre Portugal, numa cascata miraculosa que certamente chegaria na companhia de maravilhas mil, está já bem à vista de todos. O "Financial Times" acaba de publicar um sombrio balanço da comissão Barroso: "A year after he was confirmed in the job, Mr Barroso's stock has fallen sharply. The knives are out in some of Europe's main capitals, and his own team is becoming restless"; "Criticism of his leadership also rings loud in the European parliament and among his own team of 24 commissioners, who claim he is a remote figure and has failed to get a grip on the Brussels machine"; não esquecendo o delicioso "Mr Barroso's last 12 months have been a political horror show".
Palpita-me que não tarda nada estamos a levar com o regresso desta peça, à laia de exportação defeituosa devolvida ao remetente...

Publicado por Luis Rainha às 05:55 PM | Comentários (14)

TROMPE L'OEIL

new.jpg

Esta é a imagem que as autoridades inglesas puseram a circular de um homem que supostamente terá largado, na estação de Stockwell, um dos engenhos explosivos que não rebentou (felizmente) na passada quinta-feira.
Em vários órgãos de comunicação social, nomeadamente na edição de sábado do jornal Público, encontrei referências à camisola que o suspeito envergava e onde se poderia ler «New York» (avivando, como é óbvio, o fantasma do 11 de Setembro). Ora acontece que, salvaguardando a hipótese de uma qualquer enganadora ilusão óptica, não é «New York» o que se lê na dita camisola mas «New You».
Mesmo em circunstâncias trágicas, a força da ironia não deixa de nos trocar as voltas.

Publicado por José Mário Silva às 12:52 AM | Comentários (4)

julho 26, 2005

SOBRE A CLARIDADE MORAL

José Manuel Fernandes (JMF, daqui em diante), Director do Público, discorre sobre claridade moral em editorial publicado no dia 24 de Julho. Li-o, mas nele não consegui encontrar as claras balizas morais pelas quais JMF se diz orientar. As minhas são cristalinas: condeno incondicionalmente o acto de matar alguém, em qualquer circunstância, excepto se essa pessoa exercer uma ameaça comprovadamente grave e imediata à integridade física de outro ser humano. Não existe qualquer outra justificação possível para matar. Matar apenas com essa intenção ou porque se acha necessário para atingir um objectivo, por mais "nobre" que se acredite ser, tem igual resultado: a morte de um ser humano, e como tal é igualmente execrável. É por isso que achei repugnante o editorial de JMF, onde nos diz que acha mais aceitável o bombardeamento de Dresden do que o de Londres durante a Segunda Guerra Mundial, porque o primeiro (no qual morreram dezenas de milhares de seres humanos) pretensamente cumpriu um desígnio militar ao contrário do segundo. Repito: não é aceitável matar, e muito menos pessoas inocentes, para atingir que objectivo for. Isto é para mim claro. Mas para JMF não parece ser. Da sua confusa e pouco clara moral depreendo que em certas circunstâncias os fins justificam os meios: a morte de inocentes é por vezes justificável. Não é. Nunca.
A claridade moral não se consegue dizendo que "nós" somos os bons e "eles", os terroristas, os maus. A claridade moral resulta da definição de estritas e transparentes regras de conduta para "nós", aqueles que acreditam no valor incomensurável de cada vida individual. São estas regras que nos distinguem "deles", e não o facto de "os" combatermos. Quando as desrespeitamos, ou tentamos justificar o injustificável, passamos a ser como "eles". Como é possível que JMF não consiga compreender algo tão simples? É assustadora a sua incapacidade de criticar aqueles que agem em "nosso" nome, mas que sistematicamente desprezam as regras que definem a "nossa" claridade moral. Não há justificação possível para bombardear uma cidade, uma aldeia, uma casa, sabendo que inevitavelmente se vai matar seres humanos, inocentes.
Nenhuma vida é sacrificável seja com que objectivo for. Na Segunda Guerra Mundial ou hoje. Conseguirá José Manuel Fernandes ser, pelo
menos por uma vez, assim claro?...
(Pedro Viana)

Publicado por José Mário Silva às 11:34 PM | Comentários (7)

E QUEM NOS PROTEGE DOS PROTECTORES?

shoot.jpg

Cartoon de Steve Bell, The Guardian

Publicado por José Mário Silva às 11:25 PM | Comentários (0)

OITO BALAS

Afinal foram oito as balas disparadas contra o cidadão brasileiro que teve o azar de ser escuro, morar num prédio vigiado pela polícia e não ter obedecido prontamente às ordens de agentes à paisana.
Oito balas, sete das quais acertaram na cabeça.
Oito balas para abater um homem.
Há algo de assustador nesta eficácia tão absoluta quanto mal dirigida.

Publicado por José Mário Silva às 11:19 PM | Comentários (17)

CORREIO (MUITO) ATRASADO

O maradona brindou-me há uns tempos com uma resposta a um post meu. O tema era uma crónica de João Pereira Coutinho sobre a obrigatoriedade do uso de cinto de segurança. O escriba do "Expresso" lamentara-se da estalinista lei e das três multas que recebera; eu relembrei os custos que cada matuto lançado em voo livre através do seu pára-brisas representa para os cofres do horrível Estado.
Agora que me chegou o vagar necessário para lhe responder, claro que o post do maradona já não está online, tendo ido desta para melhor numa das varridelas habituais por aquelas paragens. O que é pena, já que ele se entreteve ali nuns fulgurantes arabescos em redor de temas tão ariscos quanto a Ironia ou a minha inteligência. Para demonstrar que a sua (a inteligência, está bom de ver) deixava a minha a milhas, ele proclamou bem alto o argumento final e demolidor: se eu aceitava a tirania do cinto como justa, teria de ser a favor da proibição do tabaco (depois, se bem me lembro, seguia-se um exercício de clarividência sobre o que eu penso da iniciativa privada na Saúde, segmento de escasso interesse e nulo acerto).
Aqui chegado, nem preciso de revelar a minha posição quanto à legalidade do tabaco, nem quanto à moralidade da venda livre de substâncias tóxicas e deliberadamente viciantes. Nem faz falta à discussão evocar o papel que o próprio estado teve na propagação deste vício, por acção e por omissão.
É que escapou um pequeno pormenor à arguta atenção do maradona, aka Grande Avaliador de Intelectos Alheios. Ou melhor, 1.200 milhões de pormenores: os euros que os cigarritos injectam anualmente nas veias das nossas depauperadas finanças (ainda antes do agravamento do imposto respectivo).
Em Portugal, quase 80% do preço de venda final do tabaco desagua logo no erário público. Se calhar, não chega para pagar os gastos do sistema de saúde com os viciados; mas, ainda assim, parece negócio bastante mais compensador do que remendar os "libertários" que tomam o cinto por apetrecho nazi.
Para colmatar uma tão gritante injustiça, pode ser que alguém se lembre de um imposto sobre a idiotice rodoviária (ou blogosférica, já agora); mas, até lá, não dá mesmo para comparações destas.

Publicado por Luis Rainha às 04:15 PM | Comentários (2)

OPOSIÇÃO/DECLARAÇÃO

Brigada do reumático, sim, Filipe. Não me refiro à idade do Mário Soares, que me parece irrelevante, mas sim ao contexto em que a candidatura aparece.
Repara que o Mário Soares já foi primeiro-ministro e presidente durante dez anos. Nesse tempo teve oportunidade de deixar a sua marca e fazer o seu papel, ao ponto de agora ser uma voz respeitada e um "senador" da República. Ao candidatar-se de novo está a arriscar uma derrota e ver a sua influência seriamente afectada.
Mesmo o papel de "homem providencial" (para quem gosta de "homens providenciais", o que não é o meu caso) não pega, pois o cargo de presidente da República é mais emblemático que decisório e não se vê como possa ele "salvar" o país.
Em resumo, a candidatura de Soares não traz nada de novo ao cargo, não constitui nenhuma forma de recompensa por bons serviços à sociedade, não constitui nenhuma mais-valia para o país e arrisca-se ainda a só prejudicar o candidato.
Acresce que o próprio regresso configura uma atitude de "não sei fazer mais nada a não ser isto", muito pouco abonatória das qualidades do candidato, para além de bloquear a normal e saudável rotação da classe política.

Quanto à suposta modernidade de Soares, deixa-me lembrar-te que ele foi um dos cabecilhas da patética candidatura de João Soares contra o Santana Lopes, em que a principal estratégia foi chamar fascista a toda a gente que não andasse de cravo à lapela. Enfim, uma estratégia que o Manuel Alegre acharia muito vanguardista...

A "brigada do reumático" também funciona para o Cavaco Silva que, mesmo tendo menos razões para não se candidatar, também deveria ponderar o facto de que já foi candidato a este mesmo cargo e perdeu contra um adversário com menos visibilidade que ele.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:13 PM | Comentários (8)

UMA RECTIFICAÇÃO

Admito uma certa precipitação minha no julgamento a Manuel Alegre neste meu texto, pelo menos na forma como ele está escrito. Não é legítimo concluir que Manuel Alegre não venha a apoiar Mário Soares; para já, não faz declarações, o que é natural dado o estado do processo. A imprensa, sedenta de criar "casos", é que destacou a notícia desta forma e eu fui atrás. No entanto, pelas razões que expus, continuo a achar Mário Soares preferível como candidato a Manuel Alegre.

Publicado por Filipe Moura às 12:36 PM | Comentários (6)

PAÍS TROPICAL

todos.JPG

No final do concerto, todos regressam ao palco para interpretarem os hinos brasileiro e francês, mais uma vez a som do violino de Jorge Maultner.
O concerto acaba ao som de um clássico de Jorge Ben Jor (outro dos convidados), interpretado em conjunto: País Tropical.

Moro num país tropical
Abençoado por Deus e bonito por natureza
Que beleza
Em Fevereiro
Tem Carnaval...

Publicado por Filipe Moura às 10:30 AM | Comentários (0)

TODA MENINA BAIANA

gildaniela.JPG

Toda menina baiana tem encantos, que Deus dá.

Foi com esta canção de Gilberto Gil que chegou Daniela Mercury, cantora que, para o meu gosto, continua aeróbica demais.

Publicado por Filipe Moura às 10:23 AM | Comentários (1)

PALCO

luladelanoe.JPG

Subo nesse palco
Minha alma cheira a talco
Como bumbum de bebê

A passagem de Gilberto Gil pelo palco foi muito institucional, sempre cheia de discursos (como aliás é hábito nele). Só que, desta vez, foram discursos... ministeriais.
Durante a actuação do ministro da Cultura brasileiro, subiram ao palco o Presidente da República do Brasil, Lula da Silva, acompanhado entre outras pessoas pelo Presidente da Câmara de Paris, Bertrand Delanoe. Jack Lang, antigo ministro francês da Cultura, também passou por lá.
No seu discurso, Lula afirmou que o Brasil tem de ser um país grande, e não só pela sua extensão territorial.

Publicado por Filipe Moura às 10:23 AM | Comentários (0)

O SWING DE HENRI SALVADOR

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Também passaram pelo palco da Bastilha Jorge Maultner e o seu violino (uma surpresa agradável do concerto, embora não tenha sido muito audível) e Gal Costa, interpretando principalmente músicas de Tom Jobim.

Publicado por Filipe Moura às 10:20 AM | Comentários (0)

JACK SOUL BRASILEIRO

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Para a maioria das cerca de 50 000 pessoas presentes na Praça da Bastilha,
esta canção foi um dueto entre o Lenine e o Seu Jorge; para quem estava perto de mim, no entanto, gostassem ou não, esta canção foi um dueto entre o Lenine e... eu mesmo. E diz aí Tião, Tião, oi, foste, fui...

seujorge.JPG

Publicado por Filipe Moura às 10:16 AM | Comentários (0)

O CONCERTO NA BASTILHA - FINALMENTE AS FOTOS

pandeiro.jpg

Começo pelo meu concerto, um excelente extra a que tive direito na zona onde estava. Perto de mim, no meu grupo, havia quem tivesse levado a sua própria percussão. Este meu amigo tocou (e toca) tão bem, que já recebeu vários (recebeu um nessa mesma noite) convites para integrar grupos de música popular brasileira. Na tarde do dia seguinte, na Ópera Garnier (que no dia 14 de Julho abriu gratuitamente as suas portas e foi palco de concertos de samba), houve quem o reconhecesse do concerto e o viesse cumprimentar. Este rapaz tem futuro e vai dar que falar.

Publicado por Filipe Moura às 10:10 AM | Comentários (0)

O REGRESSO DOS OLHARAPOS!

olharapo.jpg

Mas será que esta ameaça de eleição entre o salazarito de Boliqueime e o antigo homem de Savimbi em Lisboa não vos faz lembrar um daqueles mostrengos patéticos e periclitantes da Expo 98? Para compor a aberração bicéfala, só falta mesmo entrar em cena o Freitas do Amaral...

Publicado por Luis Rainha às 01:52 AM | Comentários (2)

julho 25, 2005

SAEM UNS SAIS DE FRUTOS PARA O POETA

Manuel Alegre recusa-se a apoiar Soares

Assim se distingue um político a sério, e um verdadeiro homem de Estado, como o falecido Álvaro Cunhal, de um "homem de causas" (sem dúvida), mas que está na política por desfastio e que a qualquer altura poderia largar tudo e dedicar-se à caça, como várias vezes ameaçou.
Um político a sério tem de saber quando tem de engolir os seus sapos. Mas um político a sério é algo que Alegre nunca foi. Para além disso, Alegre é (ao contrário de Soares) um homem do passado.

Publicado por Filipe Moura às 08:04 PM | Comentários (20)

VERSOS QUE NOS SALVAM

Já dentro do Verão, palavras acesas:

Partir com os barcos
e ferir os dedos
ao puxar das redes.
Mas o sangue, que se confundirá nas malhas, não será
ainda tão significativo como aquele que verterá o peixe
ao cair nelas.

Poema de Ana Paula Inácio (in «As Vinhas de Meu Pai», Quasi, 2000)

Publicado por José Mário Silva às 07:52 PM | Comentários (0)

RECORDAÇÃO/DECLARAÇÃO

Soares é fixe.

(Brigada do reumático, Jorge? Tomara muita gente da nossa idade ter a frescura de espírito de Mário Soares.)

Publicado por Filipe Moura às 07:35 PM | Comentários (10)

MONSIEUR LÔNCE ARRRRMSTRRRÔÔNGUE

Lance couldn't resist a parting shot at "the people who don't believe in cycling, the cynics and the skeptics" who suspect that doping is rife and fueled his dominance of the past seven years.

"I'm sorry you don't believe in miracles. But this is a hell of a race," he said. "You should believe in these athletes, and you should believe in these people. I'll be a fan of the Tour de France for as long as I live. And there are no secrets -- this is a hard sporting event and hard work wins it."

Vive le Tour, forever!

Publicado por Filipe Moura às 06:49 PM | Comentários (1)

BLOGUICES LABORAIS

Já todos lemos histórias de terror sobre malta despedida por causa dos seus blogues. De hospedeiras aéreas com mais curvas que juízo a magistrados acusados de incontinência verbal, passando por alguém que ousou fotografar a chegada de computadores Apple à sede da Microsoft, a lista de vítimas não pára de crescer.
Bem; à minha humilde escala, acabo de contribuir para a luta contra esta desagradável moda. Escolhi uma candidata a um emprego também porque ela me confessou que ocasionalmente escreve num blogue.
Se vier a arrepender-me deste bizarro critério de selecção, logo vos avisarei.

Publicado por Luis Rainha às 01:17 PM | Comentários (3)

ESTE POST É UM ROUBO!

As chamadas telefónicas através de telefone fixo em Portugal custam mais do dobro dos restantes países da União Europeia e o acesso à Internet custa cinco vezes mais, alertou hoje a Autoridade da Concorrência (AdC).

Publicado por Jorge Palinhos às 10:39 AM | Comentários (0)

LET'S VOTE, BABY, LIKE IT'S 1985!


Mário Soares prepara candidatura presidencial

Aliás, 1995!

Cavaco Silva também.

Com o retorno da brigada do reumático, vale a pena ler este blog com atenção.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:19 AM | Comentários (10)

julho 24, 2005

CINCO BALAS NA CABEÇA

Chamava-se Jean Charles de Menezes. Foi confundido com um terrorista. Está morto. Morto «por engano», como admite a polícia inglesa. Como havemos de lhe chamar? Dano colateral da "guerra" sem tréguas contra o terrorismo?

Publicado por José Mário Silva às 11:28 PM | Comentários (0)

EDVARD MUNCH, EDGWARE ROAD

Arquétipo: sem saber, sabíamos.

Publicado por Francisco Frazão às 02:09 AM | Comentários (8)

julho 23, 2005

MARKETING POLÍTICO QUE NÃO ENGANA

Na auto-estrada de Cascais, a três quilómetros da saída para Oeiras, deparo com um outdoor da campanha de Isaltino Morais. «Quero ver Oeiras mais à frente», diz o slogan. E o ex-autarca não desilude, não falha, demonstra ser homem que sabe cumprir uma promessa. Três quilómetros mais à frente, lá estava Oeiras.

Publicado por José Mário Silva às 11:52 PM | Comentários (10)

TROCAR OS EFES PELOS ESSES

Já estou habituada a que me alterem o nome, fazendo de mim uma homónima à força da jornalista da TSF que se chama Margarida Serra. Mas ontem percebi que o problema talvez seja mais vasto: na ficha técnica do excelente programa «Voz» (um minuto ou dois de poesia, logo a seguir ao Telejornal da RTP1), chamavam Senda à editora Fenda.

Publicado por Margarida Ferra às 11:29 AM | Comentários (2)

julho 22, 2005

BEMFADADO

Chegou há pouco mais de um mês e já se tornou, como agora se diz, incontornável.
Grande blogue, este.
Dois exemplos, só para terem uma ideia:

Pudor
Com as outras, tinha uma imaginação pornográfica. Com ela, sentia o rubor tomar conta das faces. "Podias ter sido um modelo do Weston", dizia-lhe em pensamento. Mas era sempre ela que quebrava o silêncio.
— Fala, diz qualquer coisa.

1.f3 e5 2.g4 Dh4++
A parte surrealista daquele sonho foi ver um Alberto João Jardim pensativo perante um tabuleiro de xadrez. A outra foi vê-lo escolher as brancas depois de um assessor lhe ter segredado ao ouvido que elas tinham vantagem na abertura.

[Mas há mais, muito mais.]

Publicado por José Mário Silva às 11:46 PM | Comentários (3)

UM PEQUENO COMENTÁRIO

Obrigado, Nuno Anjos, pela preciosa colaboração. Queria acrescentar duas notas à parte.
Falei aqui o ano passado da conferência Strings 2004 (não estive presente na edição deste ano, em Toronto). Em 1999, esta conferência realizou-se perto de Berlim, na Alemanha. A revista Der Spiegel deu então destaque de primeira página à conferência, tendo lá publicado um retrato de vários físicos conhecidos e influentes de diversas nacionalidades (entre os quais um professor meu). Que destaque teria uma conferência destas em Portugal? Pelo que se vê da HEP 2005, muito pouco.
Não quero deixar de destacar a presença em Portugal de David Gross, Prémio Nobel da Física de 2004, de quem já falei aqui e aqui. Será que os nossos jornais vão deixar Gross visitar Portugal sem lhe fazerem uma entrevistazinha sequer? Será que no DNa e na Pública só gostam do João Magueijo?

Publicado por Filipe Moura às 07:34 PM | Comentários (2)

ARTE DE DIZER ATÉ JÁ

A Cristina do Last Tapes foi ao mar buscar laranjas e só volta em Setembro.

Publicado por José Mário Silva às 07:22 PM | Comentários (0)

ALTAS ENERGIAS EM LISBOA

É logo no ano internacional da Física que ocorre em Lisboa a conferência EPS HEP 2005, da secção de Altas Energias da Sociedade Europeia de Física (EPS). E como não é uma conferência trivial, bem pelo contrário, seria uma pena que passasse despercebida. Infelizmente parece que assim vai ser...

Desde logo há a questão da dimensão da conferência. A HEP é organizada pela EPS nos anos ímpares, tem uma dimensão comparável à conferência mundial ICHEP (International Conference on High Energy Physics), nos anos pares, e superior à da terceira grande conferência, a DFP, organizada pela APS. Pelo que vi vão participar bem mais de 500 físicos, logo deve ser das maiores conferências científicas em qualquer domínio. Não serão muitas as iniciativas que ocupem o CCB por 6 dias.

Os 3 primeiros dias são dedicados a sessões paralelas, que são muito especializadas.

Na tarde de sexta decorre na antiga FIL uma sessão conjunta da EPS e da ECFA (European Committee for Future Accelerators) em que serão discutidas questões de política científica de interesse mais geral. A ECFA é o orgão europeu que discute a construção de futuros aceleradores de partículas. Para avaliar a dimensão dos projectos discutidos nesta reunião é necessário ter em conta que existem 4 áreas científicas em que os meios envolvidos são de tal ordem que
só grandes colaborações internacionais têm viabilidade:
- física de partículas (a construção de aceleradores de partículas é discutida nesta reunião).
- astronáutica (concepção e operação de veículos espaciais),
- fusão nuclear (a construção do reactor ITER foi recentemente decidida)
- astronomia (observação do espaço por telescópios e sondas robóticas)

Estando a construção da estação espacial paralizada pelos problemas do Space Shuttle, e a construção do ITER ainda não começada, de longe o maior projecto científico em curso hoje em dia é a construção do LHC (Large Hadron Collider - Grande Colisionador de Hadrões). Conduzido pelo CERN (o laboratório europeu de física de partículas), este projecto tem mobilizado milhares de físicos e à volta de mil milhões de euros anuais nos últimos 5 anos, e entrará em funcionamento em 2007.

Mas nesta reunião já estará em discussão o projecto para depois do LHC: o ILC, International Linear Collider. Para enquadrar a discussão importa saber que a física nos EUA sofreu um rude golpe quando, nos anos 90, foi cancelada a construção do
SSC (Superconducting SuperCollider). Isto deu ao CERN a janela para avançar com o LHC, que será o instrumento experimental mais importante dos próximos 15 anos. No fim todos tiveram de colaborar: o CERN precisava do dinheiro americano, e os investigadores no EUA precisavam de acesso ao LHC. Agora os americanos tentam lançar o projecto ILC nos EUA, mas têm a consciência que também eles não podem avançar sozinhos. Até haver acordo muito se irá discutir.

De seguida os representantes de cada um dos grandes laboratórios mundiais apresenta a estratégia da sua instituição: FNAL (o mais importante laboratório americano, perto de Chicago), DESY (o laboratório nacional alemão, em Hamburgo), CERN (o laboratório europeu, perto de Geneve, e o de maior dimensão mundial), SLAC (situado na Califórnia), KEK (o laboratório nacional japonês) e finalmente o BNL (em Long Island). Qualquer destes laboratórios mobiliza centenas ou milhares de investigadores.

Na segunda começam as sessões plenárias, de interesse cientifíco mais geral. Desde logo de destacar o seminário de David Gross, Prémio Nobel da Física de 2004. Mas também de Paula Bordalo e Gustavo Castelo Branco, professores e investigadores portugueses. (Nuno Anjos)

Publicado por Filipe Moura às 07:15 PM | Comentários (0)

PIODÃO CERCADA PELO FOGO

piodao3.jpg

Até me arrepio, só de pensar nisto.

[Esta imagem foi captada há cerca de um ano, quando a Serra do Açor ainda era uma enorme extensão verde.]

Publicado por José Mário Silva às 12:09 PM | Comentários (8)

julho 21, 2005

IN MEMORIAM QF&M

Acabou-se o granito na blogosfera portuguesa. Que é como quem diz: fechou o belíssimo Quartzo, Feldspato & Mica, um lugar onde durante 23 meses encontrámos alguns dos nossos mais inspirados bloggers e um conjunto de excelentes colaboradores ocasionais.
Vão fazer-me falta, todos eles.
Já me fazem falta.
Fico à espera do regresso, não necessariamente no reino mineral.

Publicado por José Mário Silva às 03:26 PM | Comentários (2)

NOT AGAIN, PLEASE

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Duas semanas depois, novo teste à resilience dos londrinos.

Publicado por José Mário Silva às 03:15 PM | Comentários (2)

O MEU CANDIDATO É UMA JÓIA DE MOÇO

No arranque da semana, o candidato Embargador José Sá Fernandes publicou um artigo no jornal Público em que questiona o escândalo da permuta. Parque pela Feira, Ghery e EPUL, Entrecampos entredentes e por portas de cavalo, com direitos e preferências de modo a favorecer todos e ninguém. Corrupção, modo de usar. Intentona lesa-património e caos urbanístico. Concordo com o Dr. Sá e vivamente. Porém, todavia, contudo o partido que apoia em bloco o candidato independente, que vai do Barreto ao Esteves Cardoso, passando pelos irmãos Louçãs, dizia eu, por voz do povo que tem boa memória, esse partido pois que deu-lhe na veneta e aprovou em Assembleia Municipal a dita permuta Parque-Feira. Para aprovar a negociata, o Bloco de Esquerda exigiu aprovar uma recomendação à CML, com o sentido de salvaguardar cérceas, pualzes e outros detalhes. Consulto o dicionário que diz: "recomendação - acto ou efeito de recomendar; aviso, exortação, conselho". Acredite-se no Santa Claus, São Jerónimo ou Pai Natal, consoante a proveniência e a CML acataria essas ditas exortações. Garantida a boa vontade e a paz para todos os homens, aprove-se a permuta e assim reza a acta de 02 de Março de 2005 da Assembleia Municipal:
"Seguidamente o Senhor Presidente submeteu à votação a proposta 36/2005, tendo a Assembleia deliberado aprová-la, por maioria, com os votos favoráveis do PSD, PS, CDS/PP, PPM, BE e Deputado Municipal Independente Rodrigo Gonçalves e votos contra de PCP e PEV."
O Dr. Sá tem sanha de marcar pontos e foi mais eficaz que muita oposição dita institucional neste mandato. Acontece que parece rodeado por gente que come muito camembert e picante da Ilha. E parece que já lhos deram a provar. Terão pensado: "aprove-se mas com cautela". Agora não se arroguem o papel de permutas ofendidas.
Lá diz o outro do Gato Fedorento - cuidado com as companhias, Carlos Jorge.

PS: Esclareça-se que o "Pedro Vieira" que aparece nos apoios outdoor do Dr. Sá não sou eu. Bem sei que é um bonito nome mas escusam de me telefonar a saber se sou eu, como já sucedeu. Há-de ser outra celebridade mais brilhante. Helàs.

(Pedro Vieira)

Publicado por José Mário Silva às 02:54 PM | Comentários (5)

julho 20, 2005

CAMPOS E CUNHA SAI DO GOVERNO

A demissão do ministro das Finanças não é propriamente uma surpresa. Nas últimas semanas, as divergências com outros elementos do Governo (sobretudo Manuel Pinho e Mário Lino) eram mais do que notórias e aos poucos surgiram duas correntes antagónicas dentro do executivo: uma que aposta nos investimentos públicos em larga escala (mesmo se controversos, como o aeroporto da Ota ou o TGV) para reanimar a economia; e outra que se mostra intransigente na defesa de uma linha de governação espartana, tendo em vista a redução efectiva do défice. Em cada conselho de ministros, e mesmo fora cá fora (vide o artigo de Campos e Cunha no Público do passado domingo), as posições extremavam-se. A corda acabou por partir-se pelo lado politicamente mais frágil.
Sem o traquejo que estas guerras internas exigem, Campos e Cunha limitou-se a cumprir o seu plano, ignorando de forma ostensiva os calendários eleitorais. Com isto irritou uma parte do PS (em particular os responsáveis autárquicos que temem pelos resultados de Outubro) e alguns sectores do Governo, especialmente aqueles que sempre o viram como um corpo estranho, o "chato" de serviço, o portador das más notícias que não deixa, ainda por cima, que outros anunciem as boas.
Saindo agora, ao fim de quatro curtos meses e numa altura em que os efeitos do seu programa de austeridade ainda não podem ser medidos, nunca saberemos se o desígnio de Campos e Cunha (sanear as contas públicas e controlar o défice) se cumpriria. Mas uma coisa é certa: o alicerce do rigor orçamental, palavra-chave do discurso de Sócrates, ruiu. E nada nos garante que o seu sucessor (Fernando Teixeira dos Santos) venha a ter melhor sorte.
Falta dizer o seguinte: a saída de um ministro, por si só, não implica uma fragilização do governo de que ele fazia parte, até porque ninguém é insubstituível. Mas este não era um ministro qualquer. Este era o ministro essencial, aquele que garantia a Sócrates o benefício da dúvida dos eleitores (apesar dos sacrifícios pesados exigidos aos portugueses) e uma certa aura de credibilidade. Sem Campos e Cunha, como será? Voltaremos ao despesismo, ainda a tempo de ganhar umas quantas câmaras municipais? Para onde penderá a balança do poder? E que dirá Bruxelas de tudo isto, quando hoje mesmo alargou o prazo para a correcção do défice (de um para três anos) com base precisamente no Plano apresentado pelo demissionário ministro das Finanças?
São incógnitas importantes, até porque Portugal volta a estar numa encruzilhada, talvez a definitiva. Com a Europa a pedir-nos contas, uma crise sem fim à vista, uma indústria destroçada pela globalização, o desemprego a crescer e milhentos focos de instabilidade social (para não falar da seca calamitosa e de outros factores que escapam ao nosso controlo), o País não tem condições para arriscar mais um passo em falso. Se nos atrasarmos agora, atrasamo-nos de vez.
Também por isso, a responsabilidade de Sócrates é enorme. A saída de Campos e Cunha tanto pode ser a oportunidade para um segundo fôlego como o princípio do descalabro. A espada de Dâmocles continua lá em cima, não o esqueçamos, só que presa por menos um fio.

Publicado por José Mário Silva às 11:17 PM | Comentários (25)

BÁLSAMO PARA OS OLHOS

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Uma imagem por dia nem sabe o bem que lhe fazia.

Publicado por José Mário Silva às 08:47 PM | Comentários (1)

A MINHA ESCOLA É MELHOR QUE A TUA

N'a Blasfémia prosseguem os delírios educativos. Agora alguém dá como exemplo de bom sistema de ensino o sistema alemão! Não sei o que os leitores pensam, mas eu cá acho profundamente divertido ver um blog liberal elogiar a obra de Bismarck, o fundador do estado centralizado moderno.
Por outro lado, sabendo-se que no último PISA o resultado médio da literacia na Alemanha foi de 491 e em Portugal foi de 478, então os resultados são só mesmo "um pouco acima". E especialmente se considerarmos o facto de, segundo o PISA, Portugal estar entre os dez países que mais subiria nos resultados se fosse tomado em conta o estatuto sócio-económico dos pais dos alunos (mas não falemos disto senão ainda algumas pessoas começam a ter dúvidas sobre o "bom sistema de ensino salazarista").

Mas, já agora, porque não compararmos com a Finlândia cujo resultado foram uns meros 543 pontos e onde se pratica um ensino igualitário, obrigatório até aos 16 anos, que aposta na autonomia pedagógica, no apoio aos alunos com mais dificuldades, no investimento público, na diminuição do número de alunos por turma, na liberdade dos estudantes optarem pelas matérias que abordam, nos trabalhos e não nos exames.
Pena é que o sistema finlandês seja, na opinião da Fátima Bonifácio, impraticável em Portugal. E se é a opinião da Fátima Bonifácio então é porque é verdade. Afinal, toda a gente sabe que a Fátima Bonifácio é uma especialista internacionalmente reputada do que corre mal no ensino português, que até escreve para o Público sobre o assunto. E o Público é um jornal sério que não publicaria umas atoardas semi-analfabetas sobre educação de um meco qualquer.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:59 AM | Comentários (13)

julho 19, 2005

ALGUMAS DAS RAZÕES QUE ME FAZEM GOSTAR DE VIVER NUM BAIRRO ANTIGO DE LISBOA

- o microcosmos de um prédio de três andares, com cave mas sem elevador, onde se cruzam diariamente vizinhos de todos os tipos e feitios, assim uma espécie de Delicatessen (se o Delicatessen fosse filmado por Jacques Tati)
- os cafés carismáticos, cheios de clientes habituais e subtis hierarquias
- as velhotas cuscuvilheiras que se juntam nas esquinas, a espiar a vida de quem tem vida
- a complexa luta darwiniana pelos melhores lugares de estacionamento, com as suas estratégias evolutivas e adaptações do arco-da-velha (capazes de deixar estarrecidos os mais acérrimos seguidores de Stephen Jay Gould ou de Richard Dawkins)
- o cheiro a peixe na grelha aos sábados de manhã, saindo de tascas que ignoram o significado das palavras balde e esfregona
- os cães que se deitam ao sol nas tardes de calor, como se estivessem no largo de uma aldeia
- as mercearias de bairro, com a fruta escondida por baixo de oleados
- putos a jogar futebol em tronco nu, velhos a cheirar a álcool, pombos em cima dos carros, pombos debaixo dos carros, «mariana ama fábio» escrito a marcador preto num poste de electricidade, em frente à escola
- sons de telenovela e badaladas de relógio antigo a sair de janelas abertas
- a pátina dos prédios: metade fuligem, metade desleixo
- montras atravancadas de artigos dos anos 80, com as cores comidas pelo sol (exemplo: caixas de bonecos Playmobil cujas etiquetas mostram, heróicas, o preço em escudos)
- snack-bars onde se promete, escrito à mão numa toalha de papel colada à janela, «Há manhã temos arroz de pato»

Publicado por José Mário Silva às 11:28 PM | Comentários (18)

HARRY POTTER 1, HARRY POTTER 2... HARRY POTTER 5 997 345, HARRY POTTER 5 997 346...

Uma pequena maravilha, este último Harry Potter! Pronto, não é que o tenha lido, mas um livro que é comprado por quase sete milhões de pessoas na primeira semana, sem que nenhuma delas tenha visto uma crítica favorável, ouvido a recomendação de um amigo, desejado o brinde promocional, gostado da capa, conhecido pessoalmente o autor ou mesmo, algumas delas, lido os livros anteriores da série, não pode ser menos que uma obra-prima promocional.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:24 PM | Comentários (13)

O ARTESANATO COMO FUTURO DA INDÚSTRIA

A Blasfémia, talvez para animar este Verão tristonho, lembrou-de ir desencantar um itálico de ocasião, de seu nome JBM.
Numa longa prosa com argumentos requentados da Fátima Bonifácio, JBM teve finalmente coragem de fazer aquilo que o coro das velhas da educação ainda não se tinha atrevido a fazer: falar do que fazer dos alunos que querem que reprovem.

Por outro lado, fala-se do "combate" ao abandono e insucesso escolar, como se todos os alunos devessem manter-se nos Sistemas de Ensino B+S até aos 20 anos, mesmo que não revelem hábitos de trabalho nem dotes de inteligência para poderem prosseguir com êxito estudos superiores! Não há escolas de "Artes e Ofícios" e "Industriais e Comerciais" convenientemente apetrechadas para receberem os alunos que, tendo porventura menos inteligência mas mais habilidade de mãos, poderiam aí concluir, com sucesso e proveito para toda a Sociedade, cursos profissionais de nível médio. A carência deste país (e de muitos outros) de artífices das várias profissões é bem patente. Por conta própria ou assalariados teriam sempre emprego, dentro ou fora do País.

"Artes e Ofícios"? "Menos inteligência mas mais habilidade de mãos"? "Sucesso e proveito"? Irra! Se aparecesse para aqui um "petizes e moços" ou um "nosso senhor Jesus Cristo" eu começava a achar que estávamos perante um salazarista de armário.
Fora isso não tenho grande coisa a apontar a esta teoria. De facto, estou certo que perante a concorrência dos artífices chineses (todo o bilião e meio deles), os "pobres mas honrados" artífices portugueses iam ter trabalho de ficar com os olhos em bico.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:08 PM | Comentários (7)

CATÁSTROFE MUNDANA

Autoridades alertam para cortes da água no Algarve.

Os golfistas já estão em estado de alerta máximo.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:57 AM | Comentários (6)

julho 18, 2005

HINO DO ALGARVE

A ideia é um bocado estapafúrdia e muito ao estilo de Macário Correia, mas (do mal o menos) soube há pouco que o prémio foi ganho por um poeta a sério: o também blogger José Carlos Barros.

[Dão-se alvíssaras a quem enviar, para o nosso e-mail, o poema vencedor.]

Publicado por José Mário Silva às 11:23 PM | Comentários (7)

DEIXAI VIR A MIM OS POBREZINHOS PARA QUE ELES ME POSSAM DAR UNS TABEFES

Ao pároco do Campo Grande já não lhe bastava ver o seu nome envolvido numa carta remetida em nome dos responsáveis do ‘site’ www.pensabem.net – a incentivar à denúncia junto do Vaticano da opinião de Feytor Pinto sobre o uso do preservativo. Foi agredido por um mendigo habitual à porta da igreja.

Na origem dos distúrbios, uma breve declaração no fim da missa. O pároco pediu aos fiéis para não darem esmolas à porta da igreja, – e que dissessem aos mendigos para se dirigirem à obra de assistência social da paróquia onde lhes seria prestado apoio alimentar.

Escassos minutos depois, um mendigo entrou na igreja: insultou o padre, deu-lhe uma bofetada, arrancou-lhe os óculos da cara e pisou-os no chão. O agressor ainda tentou repetir a agressão. Só não o conseguiu porque vários fiéis surgiram em defesa de Feytor Pinto.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:57 AM | Comentários (16)

POOOOOOOOOOOOOORRRRRRRRCOS NO ESPAÇOOO!

Digo:

ESPPEEEEEEEEEEEEEEERMA DE POOOOOOOOORCO NO ESPAÇOOOO!

Publicado por Jorge Palinhos às 10:44 AM | Comentários (5)

SERIA HILARIANTE SE NÃO FOSSE INFINITAMENTE TRISTE

A Assembleia Legislativa da Madeira aprovou ontem um voto de protesto "pelo descaramento e incongruência" do Sr. Diogo, ministro dos Negócios Estrangeiros, ao apresentar um pedido de desculpas à China, pela declaração feita por Alberto João Jardim contra a presença de chineses na região.
No documento proposto e aprovado pelo PSD, com votos contra de toda a oposição (o CDS ausentou-se deliberadamente do hemiciclo na votação) em desacordo com o conteúdo e linguagem considerada imprópria, a maioria mostra estranheza "não só pela demência de tal medida, bem como pela pessoa que a produz".
Na moção aprovada pelos deputados sociais-democratas, conclui-se que "o desnorte do PS, nesta materia, chega ao ponto de inventar um chorrilho de asneiras, mentiras e aldrabices, veiculadas pelo seu porta-voz, já apelidado de "Coelhones" ou, mais recentemente, de "Rambo" que só por ignorância, idiotice ou tontice confunde a imigração ilegal com as actividades ilegais de produtos de duvidosa qualidade que se comercializam, clandestinamente, na Europa, no país e na Madeira".

Notícia do Público citada pelo Dactilógrafo.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:37 AM | Comentários (3)

PORQUE NÃO HÁ TEMPO

Pulp Fiction em 30 segundos (e com coelhinhos).

Só agora me apercebo do ar herbívoro que o Samuel L. Jackson tem.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:33 AM | Comentários (0)

julho 17, 2005

SÃO MANÇOS

O bom garfo volta sempre ao lugar do crime.

Publicado por José Mário Silva às 10:13 PM | Comentários (0)

PEQUENAS PÍLULAS CONTRA O STRESS

O Diabo enquanto produto artificial (e prejudicial à nossa saúde?).
Encontrei esta pequena pérola teológica no mais potável álbum do Lucky Luke que li em muitos anos: "O Profeta".

Publicado por Luis Rainha às 10:56 AM | Comentários (1)

julho 16, 2005

RUÍNAS EM LIVRO; OU VICE-VERSA

Para me auxiliar na tarefa de co-apresentar o livro do Ruínas Circulares, alinhavei à pressa um esquisso de guião. Claro está que, na altura H, quando se iluminaram os holofotes e vi aquela dúzia de câmaras a olhar para mim, tratei logo de esquecer os meus planos e baralhei tudo de forma irrecuperável. De qualquer forma – e pedindo-vos alguma indulgência – deixo-vos aqui os meus apontamentos de quinta-feira…

Até ter este objecto na mão, não fazia ideia porque haveria de lembrar a alguém passar um blogue a livro.
Se o blogue é político, já se sabe o que o autor escreveu na próxima página antes de lá se chegar. No momento de reacção a um qualquer acontecimento, a coisa ainda tem graça; mas quem quererá saber daqui a um ano o que foi escrito na blogosfera a propósito, por exemplo, das bombas de Londres?
Se o dispositivo é mais confessional e íntimo, parece-me quase cruel retirar as minudências existenciais de alguém ao registo frágil e efémero em que vieram ao mundo. Cheira-me a traição, passar a escultura imutável o que nasceu carne viva.
Nos casos dos blogues colectivos, torna-se mais clara a disparidade de talentos, o que não deve fazer nada bem à coesão da malta.
Ainda por cima, os blogues que passam a livro parecem de seguida acometidos por um sentimento de esgotamento, de terem alcançado um cume a seguir ao qual nenhum objectivo valerá muito a pena.
Quando soube que o blogue do João Pedro Costa ia entrar na galáxia de Gutenberg, tive um mau pressentimento. Como imprimir o que foi feito para brilhar num ecrã: a genial pirotecnia de efeitos visuais que sempre animou o Ruínas?
Mas logo vi que tinha andado a ver a coisa ao contrário. É que nunca poderia haver um livro assim sem ter como origem uma destas coisas imprevisíveis, nada coerentes e esplendorosamente desiguais que só os blogues sabem ser.
Ainda por cima, as Ruínas Circulares não são bem um blogue. São antes um mostruário de quase tudo que um blogue pode ser, se tiver sorte e autor talentoso: encerra passagens irónicas, textos doridos e líricos, achados visuais, paródias hilariantes, brincadeiras várias com formas e formatos, sei lá. É assim uma espécie de festival de fogo-de-artifício sem fim à vista, onde cada nova invenção nos surpreende e deixa de boca aberta: "Mas como é que o gajo se lembrou disto"?
Quem é que se arriscaria a escrever um livro assim? Um livro que em 3 páginas se veste de 5 estilos e é decorado por 3 ou 4 bonecos maravilhosamente toscos? Poucos escritores (se algum) se lançariam a escrever um livro que nega a sua própria condição de Autor com "a" maiúsculo, personagem de voz una e inconfundível, génio de estilo inconfundível e temas recorrentes. Mas os blogues surgiram ao João Pedro como a página em branco ideal para acolher tudo o que lhe passava pela cabeça. E olhem que passa cada coisa por lá… Aquilo parece obra de um Fernando Pessoa perdido numa floresta de heterónimos desvairados: nunca se sabe como será o post seguinte.
Agora, tal como já o Ruínas blogue não se parecia com nenhum outro blogue, também o Ruínas livro não se parece com livro algum que já me tenha vindo parar às mãos.
Mas não ficaria bem com a minha consciência se não partilhasse convosco uma surpreendente descoberta: a verdadeira identidade do autor deste blogue e deste livro. É que "João Pedro Costa" é em si um pseudónimo. Pois "His name is Becho, José Becho", como confessava logo o primeiro texto que por aquelas bandas li. Ora vamos lá respigar uns excertos cortados à pedrada:
"Todas as semanas, o José Becho tem um problema bicudo para resolver: preencher uma página inteira do dito suplemento com um texto de 1500 palavras. Nesse texto, há sempre uma espécie de lição de moral sobre um determinado assunto informático que, na verdade, poderia ser enunciado numa ou duas frases."
"Na crónica de ontem, José Becho resolveu dizer-nos esta coisa que jamais nos passou pela cabeça que é o facto dos toners das impressoras serem «altamente tóxicos e perigosos se forem inalados». Como vêem, são sempre informações úteis e que, pessoalmente, já me convenceram a desistir da ideia de mamar ao lanche uma sandes de paio com dois toners HP. O José Becho salva vidas e bastaria isso para ser merecedor da minha consideração."
"No texto em causa, nota-se que José Becho despachou o que queria dizer (não se deve comer toners) muito cedo e que ainda lhe faltam cerca de 400 palavras para receber o cheque pelo correio. Eu imagino-o em casa, em cuecas, a suar e de cigarro na boca, a accionar o contador de palavras do processador de texto e acrescentar um adjectivo aqui, um advérbio ali, ou uma frase catita acolá."
Até aqui, tudo parece certinho.
Mas, no livro, o João Pedro tem a lata de juntar o acrescento revelador: "Coincidência das coincidências, José Becho não voltaria a escrever para o suplemento Bytes após a publicação deste post."
Agora, se tivermos em conta que no início do blogue o João Pedro admitiu a sua condição de desempregado, e tendo em vista que ele e José Becho nunca foram vistos juntos, a teoria da conspiração parece mais que provada.
José Becho desapareceu do seu suplemento e surgiu no Ruínas Circulares, já não para encher chouriças e cumprir quotas de caracteres, mas sim para nos assombrar com textos em que tanto pode criticar um conhecido fármaco como se fosse um Quitério dos analgésicos ou apresentar-nos o produto de arriscados cruzamentos entre Magritte e os famosos Coelhos Suicidas, ou relembrar a figura sempre próxima do seu pai, ou…
QED: his name is Becho…

Publicado por Luis Rainha às 04:48 PM | Comentários (2)

SOMOS TODOS HUMANOS

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.

Publicado por José Mário Silva às 12:10 PM | Comentários (3)

julho 15, 2005

EU HOJE ACORDEI ASSIM... (tm)

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Pelo menos é o que dizem as más línguas.

Publicado por José Mário Silva às 04:58 PM | Comentários (13)

UMA "QUASE" FESTA A NÃO PERDER

Dos Quase Famosos, recebemos este e-mail/convite:

Hoje, a partir das 22h, haverá regabofe dançante com o sonoro devidamente seleccionado pelos DJ’s do Quase Famosos. Será dada entrada preferencial a grupos com coreografias ensaiadas (isto para elas). Os gajos que conseguirem imitar o sô Antony (sem os Johnsons) terão direito a bar aberto de Caprisone. Em alternativa podem entrar acompanhados pelo João Lisboa. Esperamos gente gira e diferente. Tudo na Rua do Conde, n.º 57, na danceteria D&D. Se tiverem dificuldade em encontrar o sítio, sigam a batida esfuziante de um Wim Mertens ou quiçá de uns LCD.
(A Rua do Conde fica junto ao Largo em frente ao Museu de Arte Antiga, perto do saudoso Stones).

Fica lançado o desafio a quem não tiver um bebé de cinco meses que mama a horas certas, como acontece com dois nonos do staff do BdE.

Publicado por José Mário Silva às 04:34 PM | Comentários (0)

UM LOOOOONGO ESTADO DE GRAÇA

Bastantes comentadores já se têm queixado por estas paragens do mesmo: que não falamos do governo do PS, que estamos mancomunados com aquela malta, que agora ignoramos disparates que antes criticaríamos aos berros.
Eu só posso falar por mim. Mas julgo saber por que diabos não me consigo irritar muito com o governo de Sócrates. É que ele terá sempre a seu crédito ter restaurado a decência e credibilidade do nosso Estado, ao desinfectar o governo do demente Santana Lopes e dos seus parceiros de coligação tão amigos de empreendimentos turísticos e de concursos públicos fechados a correr. Vai demorar uma cabazada de asneiras até que Sócrates consiga esgotar este capital de gratidão.

Publicado por Luis Rainha às 02:35 PM | Comentários (17)

UM POST LIGEIRAMENTE HOMOFÓBICO

Na apresentação lisboeta do belo livro do João Pedro Costa, tive de me sujeitar a uma desgarrada com um quase profissional destas andanças: o nosso Zé Mário, claro está.
Julgo que me despachei do desequilibrado dueto com celeridade e sem me engasgar muito. O pior foi quando uma testemunha da função me confidenciou: "vocês fizeram uma apresentação bem engraçada. Até pareciam marido e mulher…"
Para minha ainda mais abissal consternação, acrescentou ele: "só não percebi quem seria a mulher e quem seria o marido."
O pior de tudo é que agora não consigo deixar de nos imaginar, aos dois, na pele do casal Bunker. Mas aí, ao menos, a minha corpulência deixar-me-ia fadado ao papel de Archie…

Publicado por Luis Rainha às 02:21 PM | Comentários (5)

PAS DE DEUX

Inelutavelmente, o assassinato do Ballet Gulbenkian atraiu as revoadas de abutres do costume, sempre à caça de objectivas e microfones. Gostei sobretudo de ver Francisco Louçã e Jerónimo Sousa, de ar devidamente compungido, nos jardins da Gulbenkian, entre bailarinos e espectadores solidários. O primeiro, com o vozear irado de um Charlton Heston a fazer de Moisés, indignava-se por a Fundação ter tomado uma decisão, relativa às suas actividades e ao seu dinheiro, "inadmissível". O líder do PCP, com ambições mais modestas, satisfazia-se em tentar convencer os circunstantes que: a) sabia o que era isso do ballet, b) até já tinha entrado na Gulbenkian antes deste triste episódio.

Publicado por Luis Rainha às 02:00 PM | Comentários (5)

O AVISO NA X

Na École Polytechnique (vulgo a X), nos arredores de Paris, há um laboratório de lasers ultra-intensos. As experiências de óptica que lá se efectuam requerem grande precisão, sub-submilimétrica. Se algum objecto é retirado do sítio, é difícil reconstruir a montagem. Compreende-se por isso que estes laboratórios estejam cheios de avisos e recomendações de cuidado. Ainda assim, avisos como este, em França, não deixam de ser surpreendentes.

Polytechnique.jpg

No laboratório de lasers da École Polytechnique costuma haver muitos portugueses a trabalhar, a doutorar-se, como investigadores ou simplesmente a estagiar. Assim que vi o tal aviso pela primeira vez, perguntei a um deles: «São tantos os portugueses no vosso grupo, que agora até já escrevem avisos de segurança em português para vocês...» Ao que ele replicou, com a maior das naturalidades: «Esses avisos não são para nós. São para as empregadas de limpeza.»

Publicado por Filipe Moura às 10:02 AM | Comentários (0)

TODA A CORRUPÇÃO É REPELENTE...

mas alguma consegue sê-lo ainda mais.

Os cinco suspeitos hoje detidos pela Judiciária por apropriação ilegítima em dois organismos de Solidariedade Social, em Lisboa, são funcionários públicos e estavam requisitados para funções de gestão, disse à Lusa fonte da PJ.
Em declarações à agência Lusa, o sub-director nacional da Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira (DCICEF), Santos Silva, afirmou tratar-se de uma cooperativa de ensino e de uma Instituição Particular de Solidariedade Social, que ministravam cursos de formação profissional para pessoas portadoras de deficiência mental e física.
Santos Silva escusou-se a identificar as referidas instituições.
Os formandos que frequentavam os cursos nestas instituições tinham direito a um subsídio e os gestores agora detidos convenciam- nos a endossar o cheque à administração, dizendo-lhes que era para um fundo (saco azul) para o bem comum, acrescentou.
Segundo a fonte, aos formandos apenas era entregue uma pequena parte do subsídio a que tinham direito.

Publicado por Jorge Palinhos às 09:42 AM | Comentários (4)

O CONCERTO DA BASTILHA

lula.JPG

Prometo reportagem (bem ilustrada) em breve.

Publicado por Filipe Moura às 12:57 AM | Comentários (3)

julho 14, 2005

ESTE NEM O MITTERRAND ERA CAPAZ DE AFUNDAR

Rimbaud Warrior (título do caraças): o novíssimo blogue do Manel Resende, mestre de vociferações aqui, agora a solo e sob o signo do poeta que soube abandonar a poesia antes que ela o abandonasse.

Publicado por José Mário Silva às 11:54 PM | Comentários (4)

CARMONA ARREGAÇA A MANGA

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Caríssimos leitores, gostava de vos colocar duas perguntas:

1) Com este outdoor, Carmona está a personificar uma filosofia de campanha ("a minha política é o trabalho") ou a preparar-se para dar sangue?

2) Se o «Vamos a isto, Lisboa», de manga arregaçada, é um sinal de que há muito para fazer na cidade, não haverá o risco dos eleitores ficarem a pensar que a actual vereação (a que Carmona pertence) trabalhou mal, ou, na melhor das hipóteses, pouco?

[Agradeço ao Gabriel Silva, do blogue Blasfémias, a sugestão da imagem que acima se apresenta, retirada do jornal Público.]

Publicado por José Mário Silva às 11:41 PM | Comentários (15)

EXCELENTE POR ACIDENTE

Finalmente, alguém deu pelo livro de "O Acidental". Pedro Mexia, com a generosidade que o caracteriza (elogio 100% sincero) lá lhes deu uma mão antes que o objecto se afundasse no oblívio.
Da simpática recensão, destaco esta passagem: "como sempre acontece nos blogues colectivos, os colaboradores de O Acidental vão desde o excelente (Luciano Amaral) ao mediano e ao dispensável."
Faço uma ideia de quem serão estes últimos ao recordar um choroso e comovente post em que se lamentava a ingratidão dos votantes para com esse estadista gigantesco e paladino da ética sem substituto à vista: Paulo Portas. Mas julgo desconhecer este "Luciano Amaral" que tão forte encómio merece. Por certo o excelente escriba em apreço não é o homónimo que escreveu um "artigo" onde afirmava, preto no branco, que "à sombra do multiculturalismo, discute-se seriamente hoje em dia em França a possibilidade de ser introduzida no ordenamento jurídico nacional a lapidação para certos crimes, embora restrita à comunidade muçulmana." Isso entre outras inverdades e abundantes absurdos. Não é o mesmo, pois não?

Publicado por Luis Rainha às 03:38 PM | Comentários (5)

ESPREITEM POR AQUI, S.F.F.

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Se eu tivesse o talento gráfico (e não só) do João Pedro da Costa, agora o caríssimo leitor estaria perante uma imagem das entranhas do seu PC, ou do sistema editorial do Movable Type, ou de outra coisa qualquer muito marada, provavelmente com coelhinhos a tentarem matar-se com a cabeça entalada entre dois circuitos electrónicos, ou CD's de bandas muito cool dissecados até ao milímetro (com exemplos concretos a fazerem-se ouvir em mp3), ou melancólicas dissertações sobre a beleza de certo jacarandá que deixa cair as suas pétalas violeta como se fossem neve, ou brincadeiras eruditas sobre assuntos banais, ou êxtases literários em clave borgesiana, ou crónicas pessoalíssimas sobre o pai desaparecido só do mundo físico (nunca da memória), ou desconstruções engenhosas desta nobre mas ingrata profissão de blogger, ou, ou, ou.
Mas eu não tenho o talento gráfico (e não só) do João Pedro da Costa. Por isso limitei-me a sugerir um buraco de fechadura feito com o logótipo das Ruinas Circulares (bah, coisa de amador, eu sei), buraco de fechadura que dá para aqui, para este recanto onde depois de muita conversa me decido a dizer o que importa:

Hoje, às 19 HORAS, o livro do Ruínas, para mim o blogue mais blogue da blogosfera portuguesa, será lançado no bar do Teatro A Barraca, em Santos (Lisboa). Os apresentadores de serviço, com muita honra e muito prazer, serão o Luis Rainha e moi même, em galharda comitiva do BdE, a que se juntam os incansáveis Paulo Querido e Luís Ene, da editora Leiturascom.net. Está feito o aviso, que é como quem diz a convocatória (não se atrevam a faltar).

Publicado por José Mário Silva às 12:49 PM | Comentários (6)

EMPRESA NO MINUTO

Estou certo que hoje o Jaquinzinhos Reais, que semana após semana nos faz relatos dramáticos e verídicos de empresários portugueses chorando no seu BMW ou na sua piscina com jacuzzi por não os deixarem desenvolver o país, e o João Miranda, que já disse que os empresários eram os novos judeus, vão ser só encómios, elogios e louvores ao governo de José Sócrates.
Tenho mesmo a certeza disso.

Publicado por Jorge Palinhos às 09:55 AM | Comentários (4)

julho 13, 2005

VIVA O POVO BRASILEIRO

Este é o Ano do Brasil em França, e nunca as comemorações da festa nacional francesa tiveram tantos tons de verde e amarelo. Daqui a uma hora e meia começa um gigantesco concerto (gratuito) na Praça da Bastilha, comandado pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil. Entre outros, conta com a presença de Henri Salvador. Na canção Reconvexo, Caetano Veloso pergunta

Quem é você
Que não rezou a novena de Dona Canô
Que não sentiu o suingue de Henri Salvador
E que não riu da risada de Andy Warhol

Depois desta noite, só me faltará mesmo rezar a novena da vetusta D. Canô.
Outra grande atracção para mim, no entanto, será Lenine. Será o evento da semana em Paris; 60000 pessoas são esperadas na Bastilha. Desde 1924 que tanta gente não ouvia Lenine. Cá contarei como foi. Por agora, a todo o povo brasileiro, aquele abraço!

Publicado por Filipe Moura às 05:38 PM | Comentários (3)

SINCRONICIDADE (2)


Um bebé de ano e meio pega num telemóvel. Carrega em algumas teclas; faz uma chamada ao acaso. Do outro lado, atende a sua mãe. O número dela estava na memória do telefone, mas não na lista de chamadas recentes. O petiz teve de premir, numa sequência precisa, 5 teclas. Probabilidade de tal acontecer? Uma num milhão. Mas aconteceu.

Publicado por Luis Rainha às 05:04 PM | Comentários (12)

SINCRONICIDADE (1)

E se de repente topássemos com uma rede subterrânea de vasos comunicantes, de furtivas raízes a ligar obras de arte sem qualquer relação formal ou causal entre si? E se a sincronicidade andasse mesmo por aí; tecendo tapeçarias com padrões tão colossais que só por acidente se tornam visíveis a criaturas da nossa ínfima escala?
Acreditem ou não, há quem jure ter encontrado provas da existência de um tal sistema circulatório de sentidos e aparentes acasos. Por exemplo, este senhor anda a enumerar as coincidências que saltam à vista (e à audição) quando se ouve "The Dark Side of the Moon", dos Pink Floyd, em rigoroso sincronismo com... "O Feiticeiro de Oz"!
Este é o estranho mundo dos "synchs": emparelhamentos de filmes com discos que parecem sublinhar a cada instante mudanças de humor, acontecimentos, falas das personagens, sobressaltos no enredo, como se fossem bandas sonoras compostas de propósito. A coisa é um pouco menos ridícula do que parece. Até o canal TCM já emitiu aqueles dois clássicos em paralelo.
Sem sair deste mundo, é bem conhecida a grande coincidência que marcou a rodagem do "Feiticeiro": um casaco velho, escolhido para o guarda-roupa do Professor Marvel, já tinha pertencido, sem que ninguém o soubesse, a Frank Baum, autor da obra literária onde o filme de Victor Fleming se baseou.

PS: Esta lista de ocorrências parece-vos inconclusiva? Procurem então aqui as ligações ocultas entre "Wish you Were Here" (mas serão sempre os mesmos?) e "Blade Runner". E por aí adiante...

Publicado por Luis Rainha às 03:30 PM | Comentários (6)

DESVARIOS DA PROPAGANDA

Dar umas voltas por este país em dias de pré-campanha autárquica é exercício instrutivo para quem se interesse pelas coisas da comunicação. As estruturas partidárias locais, livres das imposições de Lisboa, dão rédea solta à sua desvairada criatividade. E depois surgem coisas como a campanha de Fernando Negrão em Setúbal. O ex-director-da-PJ-que-pingava-notícias arranjou uns cartazes que berram: "Segurança Tranquila" e "Liderança Setúbal" (assim mesmo, sem um só artigo a compor o monstro).
No primeiro, ainda tentaram macaquear a "Force Tranquile" de Mitterrand. No segundo, é fácil imaginar a reunião de iluminados de onde emergiu a pérola:
"- Ó pá: mas segurança e tranquilidade não são muito parecidas?
- Deixa-de de armar em intelectual. O que o povo quer é palavras simples que transmitam confiança nos candidatos.
- E o que fazemos ao outro cartaz?
- Olha; pegamos nas palavras que aí temos e juntamos duas ou três. Ó candidato: o que é que anotaste?
- Tenho aqui: Liderança, Grátis, Autoridade, Futuro, Progresso, Sardinhas, Imigração, Crime, Polícia, Confiança, Firmeza, Electrodomésticos... Progresso outra vez e Setúbal.
- Boa! Juntamos a primeira com a última e já tá!
- Liderança Setúbal. Somos mesmo bons, caramba!"

PS: obrigado a José Jeremias pelo esclarecimento da minha confusão. Já os misturo a todos...

Publicado por Luis Rainha às 02:42 PM | Comentários (6)

SETÔRA, NÃO CONSIGO FAZER ESTA CONTA PORQUE OS MEUS GENES NÃO DEIXAM

Instituto da Inteligência do Porto descobre que aptidão para a Matemática é genética. Ministério da Educação deve começar a pensar em desinvestir na formação de professores e investir na clonagem.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:02 AM | Comentários (16)

GRANDE JOGO NO ESTÁDIO EVAX

O Benfica tem o nome do estádio à venda. Esta é a oportunidade de verem o clube do vosso coração jogar no Estádio João Silva, no Estádio Vanessa Maria Meireles ou, mais provavelmente, no Estádio Cardoso & Filhos, Aquecimento Industrial.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:53 AM | Comentários (6)

DIZER OBRIGADO EM CAIXA BAIXA

Uma vez que ao conceito do letra minúscula não se adequam posts deste tipo, queria aproveitar um espacinho da casa-mãe para agradecer a todos os bloggers que citaram, lincaram ou comentaram os primeiros dias do meu pequeno jardim zen.
Muito, muito obrigado.

Publicado por José Mário Silva às 01:56 AM | Comentários (2)

julho 12, 2005

NOTÍCIAS DO SPAM

No endereço yahoo deste blogue (cf. cabeçalho), recebemos hoje dois e-mails tresmalhados. O primeiro fazia propaganda a um sofisticadíssimo sistema de vigilância electrónica. O segundo continha publicidade a um programa de Matemática Financeira, disponibilizado em CD-ROM por uma empresa de São Paulo. Como é óbvio, os e-mails deviam ter sido dirigidos, respectivamente, a estes senhores e a este cavalheiro.

Publicado por José Mário Silva às 11:56 PM | Comentários (0)

A XENOFOBIA TAMBÉM USA BONS FATOS E BOM PORTUGUÊS

A parte mais desagradável neste último episódio de soltura verbal do peçonhento Alberto João não foi protagonizada apenas pelo ogre insular, a solo. Aliás, num dia de extraordinária boa vontade até se aceitaria como atenuante que ele tenha lido algumas notícias recentes acerca dos esforços de meio mundo para restringir as exportações de têxteis chineses, e não quisesse apontar a diatribe aos imigrantes. Esticando ainda mais a nossa caridade, admitiríamos até que a passagem mais acerada e repugnante – "Está-me a fazer um sinal porquê? Estão aí uns chineses? É mesmo bom para eles ouvirem porque eu não os quero aqui"– pode ter surgido no calor do momento, propiciada sabe-se lá por quantos litros de beberagens locais.
Mas quando já a poeira começava a assentar entrou na arena o Conselho Regional do PSD Madeira. Para apoiar, como boa matilha de sabujos, o chefe. De acordo com o DN, o comunicado em que tão rasteira missão foi levada a cabo louvou Jardim por defender a economia madeirense "contra a permanência dos comerciantes chineses e indianos na região".
Estes senhores não querem malta de cores estranhas a vender a sua tralha no impoluto arquipélago. Imaginam talvez festivos pogroms, bem regados a ponchas, para os encafuar no primeiro vapor de regresso ao continente.
Mas estes senhores não são um grupelho de boçais racistas de espuma ao canto da boca e suásticas tatuadas nos glúteos. À excepção do indescritível Jaime Ramos, trata-se de malta refinada, com estudos nas universidades da odiada Lisboa, roupas de boa marca, negócios discretos, esposas decorativas e bem vestidas. Miguel Sousa, um dos vices do partido na ilha, até esteve quase a ser ministro da República (se bem que num governo presidido por Santana Lopes...). Mas eles nem por um minuto devem ter hesitado na elaboração e publicação de um comunicado que daria direito a cadeia em muitos países civilizados. E amanhã, quando o primeiro comerciante indiano ou chinês for, sem razão aparente, agredido no Funchal, eles assobiarão alegremente para o ar: gentalha assim nunca tem culpa de nada.

À modesta escala deste blogue, as más novas também vão chegando, dos mais surpreendentes pontos cardeais. Por exemplo, daqui. Um dos nossos comentadores mais assíduos resolveu embarcar numa estranha viagem a propósito dos atentados de Londres. Disse então Valupi: "a permanência de estruturas terroristas organizadas e etnicamente identificáveis no seio de sociedades que as combatem mostra como a liberdade é uma realidade". O pior foi quando ele se viu desafiado a esclarecer aquilo do "etnicamente identificáveis". Depois de confundir terminologia com epistemologia e etnia com cultura – inventando, de caminho, uma revolucionária "etnia islâmica"– assumiu o "papel de pedagogo" para proclamar a sua estarrecedora doutrina: "então, neste contexto, o grupo humano que se organiza com base na leitura fundamentalista do Corão e se une num destino de combate contra o Ocidente é etnicamente identificável no seio de uma sociedade onde é uma minoria. Será diferente se esse grupo actuar no seio de uma sociedade de maioria islâmica, pois as suas práticas e discurso se confundirão com o paradigma comum."
Pois. Qualquer população que maioritariamente professe o credo de Maomé lê o seu livro sagrado de forma "fundamentalista" e está aglutinada num "destino de combate contra o Ocidente". Ou seja, é tudo terrorista, pelo menos em potência: em tão insalubres paragens, uma célula da Al Quaeda seria indetectável, por não dar nas vistas "etnicamente". E claro está que toda a gente sabe como o "paradigma comum" nas terras dos infiéis, da Turquia à Indonésia, os leva a entregar as suas noites a inevitáveis sonhos com autocarros esventrados e mochilas assassinas.

Não, não é assim tão difícil de compreender: o medo do Outro anda por aí.
Pode revestir-se de trapinhos Armani e de parágrafos estilosos; mas não consegue mesmo ocultar a sua feia carantonha.

Publicado por Luis Rainha às 07:11 PM | Comentários (28)

HIPERBOLICOZINHOS

Calma, Francisco! Eu não sou "a esquerda" e não "vejo" nada, muito menos "jantaradas conspiratórias em busca de amigos". Limitei-me a ironizar com as numerosas tertúlias que alguns blogs assumidamente de direita andam a organizar, não se sabe se por motivos estratégicos ou nostálgicos.
Acho bem que se tenha uma certa licença bloguística, mas também não é necessário entrar em pereira-coutinhices.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:03 PM | Comentários (1)

APOIADÍSSIMO

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E mais: até reproduzo o post aqui em baixo!

AUTORIDADE DO ESTADO? LEIS? LEGALIDADE?
VÃO EXPLICAR ISSO À POPULAÇÃO DE MILAGRES


(Como o Público não tem ligações, e como penso que não se deve deixar cair estas coisas no imenso saco do encolher de ombros geral, e como sou adepto das micro-causas, aqui se reproduz o que publiquei na semana passada. )

Deixem-me rir, se fosse para rir. Um único caso mostra todos os dias, porque é que quase nada funciona em Portugal, porque é que ninguém acredita no estado, nas leis, nas autoridades, nas instituições: as descargas das suiniculturas na Ribeira dos Milagres. Foi anteontem, foi hoje, será amanhã. Já dura há vários anos, trinta, diz o Presidente da Junta. Todos sabem, ninguém quer saber. Ninguém actua. Nem autarquias, nem GNR, nem Ministério do Ambiente, nem o Ministério da Agricultura, com excepção de meia dúzia de agitadores, certamente subversivos, da Comissão de Ambiente e Defesa da Ribeira dos Milagres, que devem ser olhados de lado como inimigos do emprego e da economia.

Este caso até já chegou à televisão, pelo que já se utiliza armamento pesado. Várias vezes, recorrentemente, em vários anos. Sem resultados. Há questões onde nem as armas navais, as de maior calibre, como é a televisão, servem para nada. O que se verifica é que há sítios muito elásticos do ponto de vista da resistência à legalidade, quando o estado é conivente e quer fechar os olhos, em nome dos interesses mais mesquinhos de uma economia predatória, com força na política local e nacional (no Ministério da Agricultura pelo menos) violando os direitos dos cidadãos, com a desculpa que ainda não há outra para absorver o desemprego.
Sítios onde quem manda são 400.000 porcos (só no distrito de Leiria, que não é o único a ter estes problemas), o equivalente a um milhão e duzentas mil pessoas a poluir o ambiente. Esta economia das suiniculturas despejando a céu aberto, que vive na ilegalidade, à vista de toda a gente, ao olfacto de toda a gente, convive com outros sectores, como as pedreiras que também não cumprem a lei. Ora suiniculturas poluentes e pedreiras nas áreas protegidas não são actividades que possam passar despercebidas.

Voltemos à nossa Ribeira malfadada. Vistas à luz do que acontece todos os dias, – e uma descarga numa ribeira é de difícil contestação, senão haveria alguém a dizer, com o mesmo estilo fabuloso mas eficaz de Artur Albarran, que nada acontece de especial, até verdadeiramente a água limpa é de cor preta e não transparente, como esses citadinos julgam -, as declarações das autoridades são patéticas. No Público, o Governo Civil de Leiria “pediu uma melhoria do relacionamento entre a população da freguesia dos Milagres e os empresários que estão a desenvolver um projecto de despoluição da ribeira”, ou seja, colaborai a bem, com quem vos dá cabo todos os dias da água, mesmo que a lei esteja do vosso lado e a ilegalidade do outro. Comportai-vos como iguais, porque é assim que o Governo Civil vos vê, ou diz que vos vê. Na verdade, o dito Governo Civil, ou seja o braço do governo em Leiria, não acha bem que eles sejam assim muito iguais, porque usa esta classificação para a outra parte, “os empresários que estão a desenvolver um projecto de despoluição da ribeira”, um fabuloso eufemismo porque se está mesmo a ver que são eles que a poluem.

Os homens e mulheres dos Milagres estão claramente a “passar-se” como se costuma dizer. Já foram deitar baldes de porcaria em vários sítios. O subversivo da Comissão de Defesa da Ribeira, faz a pergunta certa, que já muita vez fez sem resultado: porque é que as suiniculturas identificadas como autoras das descargas não são encerradas? Não são. “O senhor governador disse-nos que não tem poder para encerrar as suiniculturas. Se ele não tem, quem é que tem?" Nos Paços do Conselho ficaram a saber a resposta: “que os protestos "foram feitos à porta errada", porque os responsáveis serão os ministérios do Ambiente e da Agricultura.” Típico, neste caso ninguém manda, ninguém pode, logo ninguém tem culpa.

Mas o representante do Governo Civil explicou-lhe esta coisa tão miraculosa como o nome da ribeira: "A ribeira dos Milagres é a ribeira mais policiada do país". Também há dois anos o Secretário de Estado do governo da altura “prometeu uma "fiscalização muito rigorosa a partir de Janeiro". Janeiro era o de 2004, entenda-se, antes de muitas outras descargas poluentes acontecerem na “ribeira mais policiada do país.” Sim, de facto, se esta é a mais policiada e acontece o que acontece, então no resto do país é uma calamidade. Razão tem o presidente da Liga para a Protecção da Natureza, quando diz com o mesmo desespero de causa, “Não é ilegítimo que nós, cidadãos, questionemos por que é que temos que cumprir a lei quando há um sector que tem total liberdade para ter um tratamento completamente diferenciado por parte da lei”.

Pensam que estas conversas que relato são o resultado da descarga de ontem? Engano. São de há já quinze dias, ou seja o tempo necessário para mais do que uma vez, sem consequências, a ribeira tornar ao seu estado normal de cloaca suína. São de há um ano, dois, três, quatro, sempre a mesma coisa. A lista de promessas é infinda, mas mesmo as promessas de limpar a Ribeira, que aliás já foi limpa e depois suja de novo, são uma distracção. A questão não é saber que a ribeira está poluída e que precisa de ser limpa, isso toda a gente sabe. A questão, essa sim maior do que o caso infeliz da Ribeira dos Milagres, é saber porque se pode continuar com impunidade a violar a lei e ninguém actua.

Eu não sou um amador das chamadas “causas ecológicas” e tenho muitas objecções à visão abstracta e irrealista que têm do país e das suas necessidades. Nunca na minha vida pensei escrever sobre porcos, com desculpa a vossa mercê. Não é que o animal não seja nobre e não tenha qualidades imensas e a arte de o fazer em série não tenha a dignidade de todas as profissões. Mas cada vez mais estes pequenos incidentes me parecem reveladores daquilo que não tem qualquer justificação para continuar, a não ser pela nossa inércia colectiva. É preciso envergonhar publicamente as autoridades que não actuam. É preciso denunciar a complacência face á ilegalidade, muito mais perigosa para uma sociedade sadia do que, às vezes, a ilegalidade.

Os homens e mulheres da Comissão de Ambiente e Defesa da Ribeira dos Milagres, de que não conheço nenhum, ou melhor ainda, a população de Milagres, terra a que nunca fui, merecem não ficar sozinhos porque não aceitaram a inevitabilidade de serem vítimas. Mais: o seu protesto, cuja razão é inequívoca, é também um símbolo do mar de ilegalidades que uma certa visão da actividade económica, típica de um país atrasado, permite subsistir. Tudo aquilo que não nos permite saltar em frente verifica-se neste pequeno caso, um entre muitos. Se ajudarmos a que não fique impune, melhoramos o nosso país.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:46 PM | Comentários (2)

A TRAGÉDIA DE LONDRES POR IAN MCEWAN

In Auden's famous poem, Musee des Beaux Arts, the tragedy of Icarus falling from the sky is accompanied by life simply refusing to be disrupted. A ploughman goes about his work, a ship "sailed calmly on", dogs keep on with "their doggy business". In London yesterday, where crowds fumbling with mobile phones tried to find unimpeded ways across the city, there was much evidence of the truth of Auden's insight. While rescue workers searched for survivors and the dead in the smoke-filled blackness below, at pavement level men were loading lorries, a woman sold umbrellas in her usual patch, the lunchtime sandwich makers were hard at work.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:29 AM | Comentários (2)

O COMITÉ REVOLUCIONÁRIO CHURCHILLIANO

Tenho uma confissão a fazer: no outro dia estive a folhear a Nova Cidadania.
Não é que tenha sucumbido ao apelo dos ribombantes cabeçalhos "Democracia!", "Liberdade!", Responsabilidade pessoal!", "Igreja Católica!"... O que eu queria mesmo era saber quantos colaboradores da revista não pertenciam ao Departamento de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa (contei um, o que a torna na revista mais plural de direita que conheço).
No decurso da busca apercebi-me de repetidas referências a uma tal Winston Churchill International Society, de que cada um dos colaboradores era, à vez, presidente, tesoureiro, vice-presidente, vogal, etc.
Curioso, fui fazer umas pesquisas no Google e acabei por deparar com a ficha de inscrição da dita organização, em que surgem os mesmos nomes que já apareciam na "Nova Cidadania", embora em cargos diferentes, num saudável e muito liberal princípio de rotatividade dos cargos.
Esta associação é somente a filial portuguesa do The Churchill Centre, uma organização aparentemente criada para se maravilhar com as citações de Churchill, os poemas de Churchill, os charutos de Churchill, os tipos com quem Chuchill fumou umas passas, as barcaças em que Churchill pôs os pés, as passeatas de Churchill na Madeira, responder a divertidíssimos questionários sobre Churchill e ainda têm tempo, num bizarro toque pós-moderno, para admirar os admiradores de Churchill.
Claro que, ao lado da Maçonaria e da Opus Dei, uma igreja de Winston Churchill não parece nada de muito interessante, mas o pormenor que achei mais divertido foi que, pelos vistos, esta organização está ligada a outra organização, que exibe com orgulho a incrivelmente maoista designação de Comissão Organizadora do Movimento para a Democracia Mundial e onde deparei com uma personalidade bem conhecida da "Nova Cidadania".

Enfim, uma vez revolucionário, sempre revolucionário. Não importa qual seja a revolução.


Publicado por Jorge Palinhos às 11:02 AM | Comentários (7)

julho 11, 2005

DO PRINCÍPIO DA INSANIDADE

No último editorial da newsletter do Millenium BCP, a directora da publicação protesta contra o facto de num jogo de futebol para angariar dinheiro para instituições de solidariedade social, as crianças que entram no relvado de mão dada com os jogadores seja oriundas dessas mesmas instituições e não "das mais diversas origens sociais". Este caso configura, segundo a mesma directora, uma "espécie de “apartheid” social".

Pois é, começo a pensar que a Helena Matos está para a imprensa portuguesa como a Linda Reis para o HermanSic.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:35 PM | Comentários (16)

EXEMPLOS PRÁTICOS DE COMO O LIBERALISMO NÃO FUNCIONA

O João Miranda do Blasfémias quer saber como é que se combate uma doença - a SIDA - que se propaga de forma descentralizada.
Fácil: com iniciativas governamentais, mobilização social, educação sexual obrigatória, programas públicos de rastreio, subsídios e muitas outras medidas que causam urticária aos ditos "liberais" mas que foram fantasticamente bem sucedidos no Uganda.
Nos outros países africanos com "governos mais pequenos e leves" é o que se vê.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:50 AM | Comentários (8)

BLAIR PROPÕE NOVO MODELO PARA A UE

É vagamente inspirado na antiga Deutsche Demokratische Republik.

P.S. - Antecipando a bitaitada encolerizada dos fãs do Paulo Portas: sei perfeitamente que Londres foi vítima de uma atrocidade medonha, mas usá-la como desculpa para vigiar todos os cidadãos é, provavelmente, a pior solução possível.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:11 AM | Comentários (4)

E, NO ENTANTO, ELA MOVE-SE...

Os eleitores luxemburgueses aprovaram a Constituição Europeia em referendo.
Por que raio se haveria de parar os processos de ratificação, incluindo (e principalmente) referendos, só porque dois países disseram "não"? Por muito importantes que estes países sejam, a sua opinião não se pode impor à de toda a Europa.

Publicado por Filipe Moura às 09:56 AM | Comentários (18)

O EVITÁVEL

Não sei se já repararam, mas o Expresso decidiu incluir recentemente num dos seus espaços nobres (a revista Única) meia dúzia de páginas supostamente humorísticas, asseguradas por um verdadeiro dream team da "escrita inteligente": Miguel Esteves Cardoso, Rui Zink, Ricardo Araújo Pereira, José Diogo Quintela, Manuel João Ramos, etc. Ora acontece que «O Inevitável» é das coisas mais medíocres, forçadas e sem graça que me foi dado ler na imprensa portuguesa recente (meio pródigo em desgraças editoriais, como sabemos). Tudo ali cheira a velho, a fora do tempo, à velha Gente (do mesmo Expresso) nos anos 90, ao ranço das piadolas enviadas por e-mail. Uma manipulação foleira de photoshop aqui, uma foto ridícula do Pacheco Pereira ali, um trocadilho enfezado acolá e pronto, temos a coisa feita. Mal feita, mas feita. [Sobre a alarvidade do cantinho intitulado «No limiar do bom gosto», e que ultrapassa sempre esse bizarro limiar, é melhor nem dizer nada.]
No fundo, «O Inevitável» gostava de ser «O Inimigo Público». Só que a distância que vai de um ao outro é a mesma que vai de Quim Barreiros a Pierre Boulez. Dito de outro modo, «O Inevitável» é feito com as ideias que n' «O Inimigo Público» vão directamente para o caixote do lixo, com o Luís Pedro Nunes a abanar a cabeça e a dizer: «Ó Vítor [Elias], essa é mesmo uma ideia de merda, vê lá se falas com o teu irmão que já estamos a fechar» ou «Foda-se, Mário [Botequilha]! Até a dormir tens obrigação de escrever uma coisa melhor que essa».
Querem um exemplo? Enquanto no IP os escribas sabem citar convenientemente, e a propósito, as ideias de Platão ou Wittgenstein, n'«O Inevitável» deparamos com todo o tipo de erros indesculpáveis. Vejamos a última edição. Logo na página de abertura, um diabinho com a cara de António Vitorino tenta desinquietar José Sócrates, murmurando-lhe ao ouvido: «Cavalo 4d ameaça peão 6h». Ora acontece que a notação oficial do xadrez funciona exactamente ao contrário: deve mencionar-se primeiro a coluna e depois a linha. «Cavalo d4 ameaça peão h6» e não «Cavalo 4d ameaça peão 6h». Mas isto poderia ser só uma picuinhice de ex-xadrezista federado não se desse o caso da frase estar incorrecta. Como facilmente compreenderá qualquer jogador iniciado, o Cavalo colocado em d4 só pode ameaçar as casas b3, b5, c6, c2, e2, e6, f3 e f5, mas nunca a casa h6.
É nestes pequenos detalhes que se vê a diferença entre a jóia e o pechisbeque. E «O Inevitável» é claramente pechisbeque. Ou, se quiserem, um «Inimigo Público» chunga, com defeito, comprado por cinco cêntimos na Feira de Carcavelos.

[Não se compreende por que razão investiu o Expresso numa equipa de luxo, para tão magros resultados, quando já tem há algum tempo a escrever na Actual o melhor humorista português dos nossos dias: João Carlos Espada.]

Publicado por José Mário Silva às 09:54 AM | Comentários (88)

julho 10, 2005

O DIA EM QUE RATZINGER VESTIU A PELE DE INGÉNUO

Durante a sua bênção semanal, o Papa Bento XVI lamentou hoje as mortes provocadas pelos atentados de Londres, apelando depois aos terroristas para «pararem em nome de Deus». Como se Sua Santidade não soubesse que é justamente em nome de Deus (mesmo se outro Deus) que eles agem.

Publicado por José Mário Silva às 10:50 PM | Comentários (22)

JÁ CÁ FALTAVA O "COROLÁRIO LÓGICO" DA LUTA CONTRA O TERRORISMO

Ou de como se pode usar uma tragédia terrível como pretexto para um abuso lamentável e perigosíssimo do direito dos cidadãos à sua privacidade:

«O Ministério do Interior britânico quer que a polícia tenha acesso às chamadas telefónicas e mensagens electrónicas de todos os cidadãos europeus, a fim de prevenir futuros atentados terroristas.»

Publicado por José Mário Silva às 10:39 PM | Comentários (10)

A MAIS BELA VISTA DE PARIS

A Torre Montparnasse promove sistematicamente as suas visitas e subidas ao seu topo como oferecendo "a mais bela vista" de Paris.
Eu nuca lá subi, pelo que não posso confirmar. Já subi aos clássicos, e pelo que pude ver a vista mais bonita de Paris tem-se do alto das torres da catedral Notre Dame. Segue-se de perto na ordem de preferências a Torre Eiffel, mais abaixo o Arco do Triunfo e, finalmente (bem cá em baixo), o Sacré Coeur.
Todos estes pontos têm um senão: ao subirmos a um deles, deixamos de o ter incluído na nossa paisagem, tornando-se assim esta de certa forma incompleta.
É por esta razão que eu compreendo e apoio o slogan da Torre Montparnasse, apesar de nunca lá ter subido: é que do alto desta torre, vêem-se a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, a Catedral Notre Dame e o Sacré Coeur. E não se vê... a Torre Montparnasse.

Publicado por Filipe Moura às 02:15 PM | Comentários (9)

DE MAL A PIOR

Como se não bastasse tudo o resto, Alberto João declarou o líder do seu partido, Marques Mendes, persona non grata na Madeira, só porque este se demarcou (finalmente) dos disparates xenófobos de Jardim, perdoados na Assembleia da República apenas pela ala mais radical do PP. Isto depois do presidente do governo regional ter reafirmado o que disse no comício em que se manifestou contra a presença de comerciantes chineses e indianos na Madeira.
Lá da sua ilha-feudo, AJJ está a esticar a corda até ao limite. Estava na hora dos sociais-democratas lhe tirarem de vez o tapete.

Publicado por José Mário Silva às 10:55 AM | Comentários (12)

julho 09, 2005

A VERDADE SOBRE O ARRASTINHO...

... ainda está a ser descoberta, aos poucos (ver declarações do comandante da Divisão Metropolitana da PSP, aqui). Para quando um pedido de desculpas formal dos canais de televisão, e de alguns jornais, aos seus telespectadores e leitores?

Publicado por José Mário Silva às 09:27 PM | Comentários (5)

GEOGRAFIA E POLÍTICA DA LARANJA

Há uma qualidade de laranja originária da região do golfo do México, de casca algo esverdeada, muito sumarenta, da qual se fazem os sumos sem concentrado.
Aqui em França é conhecida como orange verte de Cuba. Nos EUA, por Florida orange.

Publicado por Filipe Moura às 03:16 PM | Comentários (10)

julho 08, 2005

OMISSÕES PÚBLICAS

Eu não pago para ler o Expresso. Aliás, nem quando o acesso era gratuito eu o lia regularmente. Portanto, de acordo com Vasco Pulido Valente eu não faço parte da elite portuguesa. Ainda bem.
Não pago para ler o Expresso, mas pago para ler o Público. E na edição que eu assino não pude encontrar a crónica de Vasco Pulido Valente que o Zé Mário cita. Nem na secção Espaço Público, nem na Última Página.
Antes de o acesso ao Público se tornar pago, eram frequentes vários erros e omissões na edição electrónica. A degradação da sua qualidade era evidente. Até que esta foi totalmente revista, e pouco depois passou, sem surpresa, a ser paga.
Aqui afirmei que não era contra a medida, desde que a edição electrónica, agora paga, fosse de qualidade. Por um produto pago os consumidores têm todo o direito a serem exigentes. Não é por isso admissível que um produto pago continue com os erros e omissões da versão gratuita, em particular sem as crónicas dos articulistas mais influentes. Agradeço ao Zé Mário ter-nos proporcionado um pouco da crónica de VPV de hoje, mas uma das razões por que eu assino o jornal é para a ler toda. Se isto se voltar a repetir, quero o meu dinheiro de volta.

Publicado por Filipe Moura às 11:19 PM | Comentários (6)

CONTINUAÇÃO DA DANÇA POR OUTROS MEIOS

Agora sem Companhia, os bailarinos da Gulbenkian decidiram juntar-se num blogue. Ou num grito de protesto, conforme preferirem chamar-lhe.

Publicado por José Mário Silva às 09:14 PM | Comentários (1)

VERSOS QUE NOS SALVAM

Seguindo a sugestão do Alexandre Andrade (escolher um poema sobre Londres, simbolizando «a arte, a decência e a dignidade contra o fanatismo obscurantista do terrorismo»), aqui deixo o meu contributo.


LONDON

I wandered through each chartered street,
Near where the chartered Thames does flow,
And mark in every face I meet,
Marks of weakness, marks of woe.

In every cry of every man,
In every infant's cry of fear,
In every voice, in every ban,
The mind-forged manacles I hear:

How the chimney-sweeper's cry
Every blackening church appals,
And the hapless soldier's sigh
Runs in blood down palace-walls.

But most, through midnight streets I hear
How the youthful harlot's curse
Blasts the new-born infant's tear,
And blights with plagues the marriage-hearse.

William Blake (1757-1827)

Publicado por José Mário Silva às 07:38 PM | Comentários (1)

A ARTE DA FRASE ASSASSINA, SEGUNDO VPV

«Quando se escreve sobre a elite portuguesa em 2005 é prudente lembrar que ela paga para ler o Expresso e, se calhar, o lê com gosto.»

Vasco Pulido Valente, crónica de hoje no Público

Publicado por José Mário Silva às 05:17 PM | Comentários (5)

MORTE NO METRO

campas.jpg

Cartoon de Steve Bell, The Guardian

Publicado por José Mário Silva às 10:47 AM | Comentários (17)

julho 07, 2005

O EXEMPLO DE LONDRES

Num momento extraordinariamente difícil como este, é de louvar a forma como os londrinos estão a enfrentar a tragédia. Nada de pânicos desnecessários, nada de histeria, nada de caos na rua (excepto o provocado pelas explosões). As autoridades actuam com rapidez e eficácia, as pessoas reagem com a serenidade possível (impressionantes as imagens das carruagens do metro logo após o atentado, com os passageiros a manterem o sangue frio) e mesmo os jornalistas estão a milhas do tom apocalíptico típico de uma certa escola portuguesa. Basta sintonizar a Sky News ou a BBC para perceber a diferença.
Uma das palavras mais repetidas ao longo do dia foi resilience. Ou seja: a aptidão para reagir à adversidade. E, se pensarmos bem, aos londrinos nunca faltou resilience. Basta lembrar o grande incêndio de 1666 ou os bombardeamentos da aviação alemã durante a II Guerra Mundial. Então, como agora, os londrinos mostraram coragem, abnegação e uma enorme dignidade. Hoje, como ontem (quando venceram no photo finish a corrida à organização das Olímpiadas), eles revelaram-se um exemplo para o resto do mundo.

Publicado por José Mário Silva às 05:32 PM | Comentários (35)

REGRESSO DO TERROR

londres.jpg

Foto: Reuters

Quatro explosões: três em carruagens do metro, uma num dos típicos autocarros londrinos de dois andares. E o espectro do terrorismo volta a pairar sobre a Europa, sobre o mundo.
Num momento em que o número exacto de vítimas ainda está por determinar (as autoridades confirmam 33 mortos e mais de mil feridos, mas teme-se que o balanço seja muito pior), há pelo menos uma certeza: o modus operandi de quem organizou estes ataques tem a marca da Al Qaeda e similitudes óbvias com os atentados de 11 de Setembro e 11 de Março. Em todos eles, os terroristas desferiram golpes simultâneos que atingiram milhares de pessoas inocentes que se dirigiam, manhã cedo, para os seus locais de trabalho (ou que já lá estavam, no caso das torres do WTC). Se todos os actos de terrorismo são lamentáveis, estes conseguem ser ainda mais. Porque não é de guerra contra um sistema político ou um exército que se trata, mas de violência pura e simples sobre cidadãos comuns que não se podem defender e que, acima de tudo, não têm culpa das decisões (eventualmente erradas) que os seus governantes tomam.
Depois de Nova Iorque e de Madrid, Londres é mais um ponto no mapa da barbárie. Uma barbárie que infelizmente não parece ter fim à vista.

[Para seguir as informações, actualizadas várias vezes por hora, do que se está a passar em Londres, vale a pena espreitar este blogue do jornal The Guardian.]

Publicado por José Mário Silva às 05:09 PM | Comentários (8)

A REALIDADE, AGORA A NEGRO

Qual Spirou, qual carapuça! Toda a contemporaneidade encontra-se codificada nas Ideias Negras do Franquin.


Publicado por Jorge Palinhos às 11:36 AM | Comentários (16)

CAPÍTULO 3 - LONDRES

Na história sinistra da guerra do terror, abre-se mais um capítulo:
Londres foi hoje atingida por uma série de ataques bombistas coordenados em seis estações de metro e em autocarros.
Para já a consternação.
Para seguir minuto a minuto, a BBC.
Comentários possíveis só mais tarde.

Publicado por tchernignobyl às 11:35 AM | Comentários (2)

A DIREITA PRECISA DE AMIGOS

Noto que os blogs de direita andam activamente ocupados a promover confraternizações, cafés e jantaradas.
Será isto o início do celebérrimo think tank de Paulo Portas ou é mais género "convívio do batalhão de caçadores 113 estacionado no Bié entre 1968 e 1970"?

Publicado por Jorge Palinhos às 11:14 AM | Comentários (4)

PÉSSIMO EXEMPLO

«Para simplificar, diga-se que em moeda antiga o valor corresponde a 3,369 milhões de contos Para simplificar?!
Então 3.369 milhões (de contos) é "mais simples" do que 16,805 milhões de euros?
Quando já toda a gente fala em euros, mesmo para grandes quantias; quando (e este é o teste decisivo) os ordenados do Schumacher e o valor do passe dos jogadores de futebol (o que serve para comparar com o preço em questão) são discutidos e anunciados em euros, ainda vem a senhora jornalista falar em "contos"? E em nome da "clareza"? Que clareza?
Não falar em "contos" deveria fazer parte do código deontológico dos jornais.

Publicado por Filipe Moura às 09:55 AM | Comentários (15)

UM ABRAÇO NO RUI

Sobre o fim do Barnabé, prefiro não escrever nada a deprimir-me sobre o que isso representa para as possibilidades de entendimento da esquerda. Apenas direi que tenho muita pena, e que a blogosfera portuguesa ficou muitíssimo mais pobre, pelo que aguardo pelo regresso de todos, sem excepção.
Porém, se me pedissem para justificar resumidamente por que a blogosfera portuguesa vale a pena (é mesmo isto que escrevi), eu mostraria estes cinco textos (a minha selecção pessoal): Ó seu mija na agulha!, Povo de Sucupira!, Paris é pior do que o nó da Buraca (mesmo discordando de várias apreciações, nomeadamente sobre a torre Eiffel), Desabafo do coraaaaação (mesmo discordando totalmente!) e Secção literária.
Bom verão de trabalho e a melhor sorte, caro Rui. No outono, ou quando puderes, a blogosfera portuguesa cá te espera ansiosamente.

Publicado por Filipe Moura às 09:31 AM | Comentários (2)

julho 06, 2005

ASSIM SE CASTIGA A FRANÇA

Perfeitamente natural a decisão do Comité Olímpico Internacional de não atribuir a organização dos Jogos Olímpicos de 2012 a Paris. Afinal, a demonstração de isolacionismo que a França recentemente deu é em tudo contrária ao espírito olímpico. E mesmo aqueles sectores de esquerda que, dizendo-se internacionalistas, votaram contra a Constituição Europeia, de certeza que seriam contra os Jogos Olímpicos em Paris por algum motivo (são sempre contra tudo e tudo o seu oposto).
No fundo eu tenho pena por Paris, uma cidade progressista, muito internacional e cosmopolita (e que votou pelo "sim"). Mas a França merece este castigo.
Poderão argumentar: mas os Jogos foram para o mais unilateral, quiçá o mais provinciano de todos os povos! Não deixa de ser verdade; mas Londres é uma das mais cosmopolitas cidades mundiais e um verdadeiro oásis no meio da Inglaterra. E depois, os ingleses são autênticos. Não enganam ninguém. São como sempre foram: monárquicos, guiam do lado contrário, abrem as torneiras ao contrário e têm alcatifas na casa de banho.

Nota pós-atentado (07-07-05): como devem calcular, embora não o "retire", preferia ter escrito este texto noutra altura mais conveniente. Hoje eu também sou londrino.

Publicado por Filipe Moura às 08:28 PM | Comentários (16)

ESTOU INDIGNADO

Sim, indignado! E a pensar seguir o caminho desta senhora. Afinal, por culpa da NASA pode muito bem ser que não vá dar maior atenção ao meu corpo.
Ou então vou deixar de sentir interiormente que estou a começar algo de novo. E pior ainda, esse algo novo pode não estar no centro da minha própria vida, mas provavelmente ao lado. Ou acima. Ou à tangente. Ou numa posição transversal em relação ao meu centro.
Whatever.
Estou indignado!

Publicado por Jorge Palinhos às 05:25 PM | Comentários (8)

ELOGIO DA TIBORNA

É a receita mais simples que pode haver: uma fatia de pão quente; um fio de azeite. E é uma delícia, ainda por cima saudável (reduz os níveis de colesterol LDL e tudo). Façam o favor de experimentar, caso não conheçam.

[Agradeço o link a este blogue, onde a azia rima com ironia.]

Publicado por José Mário Silva às 02:45 PM | Comentários (3)

SOBRE OUTROS PARASITAS

Abel Barros Baptista, do original Blog Casmurro, escreveu há uns dias (há uns bons dias) que os comentaristas eram uma espécie de parasitas dos blogues, alimentando-se do que estes escreviam para ventilar as suas frustrações e fazerem-se ouvir.

Eu não tenho nada a objectar a verdade tão evidente e evidentemente argumentada. Pelo contrário, como dizia o nobelizado Niels Bohr, sendo que uma grande verdade se distingue pelo facto de o seu inverso ser também uma grande verdade, resolvi confirmá-la, verificando se os bloguistas também serão parasitas dos leitores e comentadores.

Ora, é sabido que muitos bloguistas insistem em ter comentários (apesar da sua evidente natureza maléfica, fazendo questão de contabilizar o número de comentários na página principal do blog, medindo depois o sucesso de cada post pela quantidade de comentários que suscitou.
Mas mesmo quando evita os perniciosos comentários, não há blogger que se preze que não tenha o seu Sitemeter (ou vários) onde, ao longo dos dias, acompanha ansiosamente os picos de audiência, tentando determinar as horas mais favoráveis à postagem e descobrindo quem o linkou.
Se o blogger é demasiado pudico para exibir um sitemeter, não há quem escape à adrenalina do Technorati, onde quotidianamente se descobre quem concorda, quem discorda, quem elogia, quem ignora...
Mas o Technorati é notoriamente falível (e um tanto obtuso no seu funcionamento) pelo que não há nada melhor que a picardia: insultar, enxovalhar, ironizar, insinuar, polemizar; qualquer um destes verbos, quando bem aplicado, é garantia de referências interbloguísticas e afluência de leitores.
Para as almas mais pacatas há outros métodos mais pacíficos e com resultados menos instantâneos, mas talvez mais consistentes: a rede social. Parabenizar, elogiar, citar, parafrasear, "premiar", piscar o olho e e-mailar são receitas comprovadas para gerar clubes de blogues amigos que garantem a criação de comunas anarco-sindicalistas de leitores em que cada blogger manda os seus leitores lerem outro blogger, desde que tenha a garantia que o outro blogger mais tarde ou mais cedo faz o mesmo. Existem, inclusive, métodos informáticos para acelerar este processo como a lista de links, o trackback, ou os clubes de amigos do Livejournal.
Por fim - e nem o Casmurro resiste a este método - há ainda a divulgação do endereço de e-mail para onde se deseja que os leitores enviem elogios (predominantemente), mas também críticas (construtivas), observações (pertinentes) e correcções (cordatas). Há até blogs que publicam excertos de mails que recebem ou que lhes respondem ou os comentam genericamente sem, no entanto, os divulgarem.
A última e derradeira prova de como os blogs vivem de parasitar a atenção dos leitores é o facto de que não há blog que resista à falta de leituras terceiras, acabando inevitavelmente por definhar com falta de sangue vital.

Esperando que, ao demonstrar o contrário do que escreveu o Abel Barros Baptista, tenha efectivamente comprovado a sua teoria, resta-me ainda uma grande dúvida:

- Com tão evidentes malefícios dos comentários, porque é que os principais blogs internacionais (1, 2, 3, 4) usam sistemas de comentários e até fazem gala disso?

Publicado por Jorge Palinhos às 01:01 PM | Comentários (19)

WE'LL (NOT) ALWAYS HAVE PARIS

É mesmo para Londres que vão as Olimpíadas de 2012.

Publicado por José Mário Silva às 12:51 PM | Comentários (3)

VERSOS QUE NOS SALVAM

Muito adequado aos dias que se vivem hoje em Portugal, este poema de Roberto Juarroz (in «Poesia Vertical», trad. de Arnaldo Saraiva, Campo das Letras):


As últimas estruturas estão gastas
e é preciso mudá-las,
sobretudo as mais finas.

Desmantelar o ar, por exemplo.
Desmantelar o pensamento.
Mas substituí-los por quê?

Há que pôr o ar no lugar do pensamento.
Há que pôr o pensamento no lugar do ar.

Publicado por José Mário Silva às 10:35 AM | Comentários (5)

ALTO E PÁRA O BAILE

O Ballet Gulbenkian foi ontem extinto, repentinamente, com os bailarinos a saberem da triste notícia durante um ensaio. O espectáculo que preparavam já não se vai realizar, nem os restantes que constavam da temporada deste ano.
No meio das muitas perguntas que me assaltam neste momento, sobre a legitimidade desta medida que lesa a cultura portuguesa, há uma que se destaca: porque é que o Conselho de Administração tomou esta decisão agora?
Reformulando: se é um problema que está a ser equacionado há muito tempo, porquê acabar agora? Será porque o actual clima de restrições orçamentais generalizadas, com cortes nas despesas a torto e a direito, facilita a aceitação de uma notícia bombástica como esta? Temo bem que sim.
E o pior é que se a Gulbenkian (a sempre sólida Gulbenkian) vai por este caminho, o futuro da cultura em Portugal só pode ser negro. Muito negro.

Publicado por José Mário Silva às 10:28 AM | Comentários (4)

julho 05, 2005

ESTES GAJOS SÃO DANADOS

BallsJpg.jpg

Não contentes em seguir o (péssimo) exemplo do trânsfuga Miguel, os Gatos Fedorentos recorreram à mais feia violência para consumar a sua escapadela da SIC. Isto a fazer fé na notícia do DN, que nos garante que a refrega foi tão feia e recheada de golpes baixos que "levou à ruptura das partes". Ai.

Publicado por Luis Rainha às 07:53 PM | Comentários (4)

FENÓMENO CRÍTICO

Take the MIT Weblog Survey

Clicai, bloguistas, clicai. (Descoberto no blogue que muda frequentemente de nome.)

Publicado por Filipe Moura às 07:21 PM | Comentários (2)

UM MESTRE-ESCOLA CHAMADO DARTH VADER

darthvader.bmp

O lado negro da Força consegue tudo: até ler os pensamentos dos cibernautas. Conferir aqui.

Publicado por José Mário Silva às 05:07 PM | Comentários (4)

PUREZA IDEOLÓGICA PARA LIBERAIS

O que é essencial? É essencial:

1. que não se chame liberalismo àquilo que não é liberalismo;

2. que não se confundam reformas liberais com liberalismo. 99% de socialismo + 1% de liberalismo não chegam para produzir uma sociedade liberal;

3. que os supostos liberais não comecem os discursos com uma defesa do estado em jeito de desculpa pelo liberalismo;

4. que não se transforme o liberalismo numa espécie de socialismo soft para que venda melhor;

5. que não se use o liberalismo como um mero elemento diferenciador entre a Judean People's Front e a People's Front of Judea.

6. que o liberalismo não seja apenas uma muleta para chegar ao poder que depois se mete na gaveta;

7. que o liberalismo não seja uma cura temporária para as crises do socialismo que se esquece quando chega o tempo das vacas gordas;

8. que não se implemente o liberalismo pela metade. Nesse caso mais vale não o implementar de todo. Por exemplo, que não se privatize sem liberalizar ou que não se regionalize a educação sem regionalizar os respectivos impostos. No fundo, que não se tranfiram liberdades sem as respectivas responsabilidades;

9. que o liberalismo seja implementado por quem o entende. Receitas liberais implementadas pela metade e por quem não as entende não salvarão o socialismo e só servirão para denegrir o liberalismo.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:20 PM | Comentários (4)

O SR. HULOT VAI AO ESTÁDIO

Tirado daqui:

CICLO A SOCIEDADE E O FUTEBOL

Local: Museu República e Resistência (ao Rego, Lisboa), Rua Alberto de Sousa, n.º 10 A.
Acessos: Metro da Cidade Universitária; Autocarro carreira 31.

5 de JULHO
18 Horas
Documentário: Forza Bastia!
(Jacques Tati e Sophie Tatischeff, 1978, 26').
Num singular trabalho, Tati segue um dia da cidade corsa de Bastia, em Abril de 1978. Nesse dia, o clube local, o Bastia, defronta o clube holandês do PSV Eindhoven. A experiência do jogo é focada na sua diversidade, das bancadas ao relvado, das ruas do bairro à torre da igreja, num raro retrato da densidade social do jogo.

19 Horas
Conferência: Do Amor à Camisola – Sobre a Economia Política do Futebol.
Conferencistas: João Rodrigues (Economista, ISCTE)
Comentador: José Manuel Meirim (Jurista, FMH / Univ. de Lisboa)

Publicado por José Mário Silva às 02:12 PM | Comentários (0)

A NACIONALIZAÇÃO DA ESTUPIDEZ

Olha que não é preciso recorrer à estranja em matéria de estupidez, Jorge. Repara só no seguinte elenco que se prepara para ir a votos nas autárquicas:

- Avelino Ferreira Torres, cacique com experiência em reality shows, candidato independente à Câmara de Amarante

- Octávio Machado, treinador de futebol conspirativo, candidato do PSD a Palmela

- Elsa Raposo, socialite especialista em depressões mediáticas, candidata do PPM a Cascais

- Maria João Lopo de Carvalho, santanete autora de best-sellers (como «Virada do Avesso», «Acidente de Percurso» ou «Adopta-me»), candidata do PSD a Vila Franca de Xira

E há mais.

Publicado por José Mário Silva às 12:37 PM | Comentários (15)

NÓ HUMANO

A última Periférica traz um portfólio de Piotr Kowalik, um fotógrafo polaco que ganhou certa notoriedade pelo seu uso do chiaroscuro, as suas temáticas místico-religiosas e os seus corpos humanos em convulsão, que já lhe valeram o epíteto de Caravaggio contemporâneo.

Enfim, uma desculpa esfarrapada para encher o BdE de mulheres nuas.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:57 AM | Comentários (9)

CLÍMAX DA CARREIRA

Manager para artista português
- ... E às 14h30 és entrevistado por um jornalista da Dica da Semana...

Publicado por Jorge Palinhos às 10:51 AM | Comentários (0)

OS ÚLTIMOS DIAS DO BURRINHO* FELIZ

Estive indisponível nos últimos dias do Barnabé, mas não consigo evitar registar o fim do que foi um dos projectos mais refrescantes e completos da blogosfera, com textos, polémicas, temáticas, artigos, referências, grafismo, ilustrações de elevadíssima qualidade.
Não tenho feitio para elogios fúnebres, por isso prefiro citar aqui o primeiro post do Barnabé, esperando que assinale o início de algo novo e ainda melhor.
Até já, rapazes!

* Não sei bem porquê, mas associo sempre Barnabé ao nome de um burro. Nada de insultuoso: afinal, os burros são animais bem simpáticos, humildes, proletários e até símbolos do partido democrata americano.

O que é que tem o Barnabé?

O Barnabé é um blogue sobre política e cultura. O Barnabé não é um blogue intimista. O Barnabé é tão Narciso como os outros, mas tem vergonha na cara. O Barnabé é um blogue pós-narcisista.

O Barnabé é um blogue de esquerda e heterodoxo. O Barnabé não é um albergue espanhol. É um hotel de seis estrelas.

O Barnabé não é paroquial e acompanha os debates internacionais.

O Barnabé é laico, republicano e há mesmo quem seja socialista. Há até um anarquista.

O Barnabé não está com meias medidas. Defende nem mais nem menos do que a redistribuição das riquezas à escala mundial. O Barnabé considera a Internet uma dessas riquezas e age, no cantinho que é o seu, pela partilha dos extraordinários recursos e conhecimentos que ela pode oferecer.

O Barnabé procura a polémica entre blogues, entre colunistas de jornais e entre os seus próprios criadores. O Barnabé ameaça com a mão e dá com o pé. O Barnabé não é simpático. Não é nem do Belenenses nem da Académica.

O Barnabé é plural. O Barnabé não tem entre os seus participantes neo-conservadores, testemunhas de Jeová e munícipes de Felgueiras.

O Barnabé é diferente dos outros. Não será lido por mais de cem pessoas, e fará tudo para dar nas vistas, entrará em polémica com Pacheco Pereira.

Os pais do Barnabé têm mais ou menos a idade do Barnabé – alguns são mais velhos –, canção de Sérgio Godinho de 1972.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:42 AM | Comentários (2)

A GLOBALIZAÇÃO DA ESTUPIDEZ

Já abriu a votação para o World Stupidity Awards, registando-se, como sempre, um tremendo défice de nomeações portuguesas.
Depois de contribuir para a internacionalização da cultura portuguesa, não quererá Manuel Maria Carrilho investir também nesta área?

Publicado por Jorge Palinhos às 10:34 AM | Comentários (0)

MERCADO DE TRANSFERÊNCIAS FELINO

O Gato Fedorento sai. O «gato constipado» fica.

Publicado por José Mário Silva às 09:11 AM | Comentários (4)

julho 04, 2005

POST PÓSTUMO

QUEREM ROUBAR O MEU NOME

Enquanto fazia a barba esta manhã, esticando e erguendo um pouco os lábios para obter uma superfície mais tensa, mais resistente à lâmina, o que é que eu vejo? Três dentes de ouro! Logo eu que nunca fui ao dentista.
Ah! Ah!
E porquê?
Para quê? Para fazer com que duvide de mim mesmo, e para depois se apropriarem do meu nome: Barnabé. Ah! Eles puxam com força do outro lado, eles puxam, eles puxam.
Mas eu também estou preparado, e não O largo. «Barnabé», «Barnabé», digo lentamente mas com firmeza; então, do lado deles, todos os esforços ficam reduzidos a nada.

Henri Michaux, in «Lointain intérieur» (Gallimard, 1963; trad. de JMS)

Publicado por José Mário Silva às 11:54 PM | Comentários (4)

«É MESMO BOM PARA ELES OUVIREM PORQUE EU NÃO OS QUERO AQUI»

Depois de verberar os cubanos (portugueses do continente no léxico jardinista), Alberto João vira-se agora contra os chineses e os indianos. Ou seja, depois das ofensas gratuitas aos jornalistas, o líder do governo regional da Madeira afina o seu diapasão pela cartilha do mais puro chauvinismo.
A impunidade, essa, é a do costume.

Publicado por José Mário Silva às 05:12 PM | Comentários (28)

TODOS ÀS BANCAS

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Há uma caixa de quatro filmes de Jacques Tati (em DVD) à venda com o Público de hoje.

Publicado por José Mário Silva às 04:24 PM | Comentários (3)

EXPLICAÇÃO DO AZEITE (E NÃO SÓ)

«Valerá a pena descrever o funcionamento do lagar, os martírios da azeitona, a evolução da tecnologia?»
Vale a pena, António, claro que vale a pena. Sobretudo quando não é só o azeite que vem ao de cima.

Publicado por José Mário Silva às 12:54 PM | Comentários (0)

À FLOR DA PELE, TODAS AS PALAVRAS

A Sofia da Natureza do Mal também começou, há dias, um blogue a solo. Chama-se Daily Make-up, é muitíssimo bom e a maquilhagem discreta não consegue esconder a identidade da autora. Só conheço uma pessoa capaz de escrever frases como estas:

Não chegou até mim o gene das sardas e do cabelo de fogo. Mas daquele amor que a fez branca eu sei tudo. Aperta-me o peito uma coisa assim.

Essa pessoa é a Sofia. «Alopatia do prazer sensível», diz o descritivo do blogue. E é mesmo isso. É mesmo isso.

Publicado por José Mário Silva às 12:20 PM | Comentários (2)

22º FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA

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Começa a 4 de Julho, como sempre. Acaba a 18 de Julho, como sempre. Programação completa aqui.

Publicado por José Mário Silva às 12:14 PM | Comentários (2)

SUBSTANTIVO

«As pessoas de direita usam "intelectual" como insulto. As pessoas de esquerda usam "intelectual" como elogio. Mas "intelectual" não é um adjectivo. É um substantivo.» (Pedro Mexia, in Fora do Mundo)

Publicado por José Mário Silva às 09:40 AM | Comentários (12)

UM FINAL EM GRANDE

O do Barnabé. Com mira técnica e hino nacional de Trinidad e Tobago.

Publicado por José Mário Silva às 09:37 AM | Comentários (7)

julho 03, 2005

BYE, BYE BARNABÉ

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Publicado por José Mário Silva às 11:57 PM | Comentários (1)

DOUTORICES

O meu irmão tratou de trazer para o domínio público a minha última aventura universitária, qualificada com algum exagero de “passo de gigante na minha vida académica”. E de facto lá consegui ultrapassar, menos mal que bem, o ritual da defesa da tese. Obrigado pois a todos os que por aqui me encorajaram, primeiro, e festejaram, depois.

PS: Pronto, Zé Mário, agora já podes tirar o título do cabeçalho...

Publicado por Manuel Deniz às 10:29 PM | Comentários (6)

CHOQUE FRONTAL COM A REALIDADE

João Pereira Coutinho não é exactamente uma personagem consensual. Mas por muito abundante que seja a chuva de críticas que lhe cai na moleirinha, uma salvaguarda nunca falha: que ele é “inteligente”, “penetrante”, etc. Acontece é que o próprio se encarregou de publicamente desfazer tal mito, com a sua coluna deste Sábado no “Expresso”.
Num texto de sua graça “Apertar o cinto”, JPC indigna-se com as três multas de trânsito que recebeu em dois meses. Sempre por conduzir sem cinto. Mas não jaz nesta reincidência a procurada prova de obtusão.
JPC tenta penetrar no âmago da odiosa obrigação de andar de cinto de segurança afivelado. Porquê tão injusto e totalitário ditame? “Não usar cinto é consoante as versões a) um perigo para terceiros; b) um perigo para o próprio; e c) não é perigo para ninguém, mas a lei é a lei”. Depois, estabelece um ténue mas perturbante paralelo entre a obediência ao Código da Estrada e as justificações dos condenados de Nuremberga (acreditem, isto está mesmo lá escrito). E acaba por surgir a conclusão fulgurante: “eis a forma perfeita como o poder político olha para Portugal e para os portugueses: crianças crescidas que andam à solta pelo jardim infantil. E que merecem vigilância apertada para não se esfolarem vivas.”
Acontecem desastres destes quando os teóricos se aventuram em excursões para longe dos tópicos bem cobertos pela sua bibliografia de referência. Escapou a JPC um dado algo relevante: a despesa monstruosa que bate à porta dos cofres do Estado sempre que mais um inconsciente se estropia por ter resolvido que a obrigatoriedade do cinto é coisa de nazis. Quem financia semelhantes exercícios de liberdade, quando dão para o torto, somos todos nós.
É que a benfazeja e tão gabada Iniciativa Privada de pouco valeria a JPC se ele se tivesse “transformado em homem-bala”, voando de cabeça contra a fachada de um TIR (para já nem falar nos danos sofridos pelo pacífico veículo...). Imaginemos portanto o rebelde cronista, aguardando em jubilosa esperança a chegada das prestáveis e céleres ambulâncias privadas de um qualquer hospital do BCP; antecipando os cuidados da Sala de Emergência e dos especialistas em traumatologia da Clínica das Descobertas. Adivinha-se, como é óbvio, que bem podia o cronista esvair-se quatro vezes em sangue antes de se ver socorrido por tal malta. Não; caberia mesmo ao ineficiente e relapso Estado a tarefa de recuperar os pedaços da criatura e tentar colocá-los na sua configuração natural. (Ironia suprema: se a coisa corresse mesmo mal, como é tantas vezes o caso em acidentes desse jaez, ele poderia acabar numa cadeira de rodas, a fazer cestinhos de verga, sustentado pelo sistema de segurança social que tanta azia hoje lhe causa...)
Mas tenho uma sugestão para aliviar a rebelde consciência de JPC. Bastar-lhe-á, cada vez que ligar a ignição, afixar na testa um autocolante com instruções precisas: “à atenção do pessoal que me vem prestar socorro: deixem-me em paz. Não gastem tempo, dinheiro ou recursos a tratar de mim. Mesmo que me vejam já em plena decomposição, deixem a tarefa entregue à persistência da Natureza. Não se incomodem comigo.” Receio é que tais conselhos fossem ignorados. A não ser que lhe calhasse na rifa um bombeiro que tivesse lido esta crónica...

Publicado por Luis Rainha às 12:38 PM | Comentários (21)

PEQUENAS PÍLULAS CONTRA O STRESS

Este deslumbrante cadáver de boi saiu do pincel de Rembrandt, por volta de 1655. Quem já o admirou no Louvre (outras versões andam por aí, por exemplo em Glasgow) por certo reparou na espessura desmesurada da tinta, aplicada em impastos mais esculpidos que pintados. Ecos desta voluptuosidade orgânica na recriação de músculos e tendões são bem visíveis na pintura de Chaïm Soutine e, claro está, em telas como esta, de Francis Bacon. Há obras modernas bem mais antigas do que se imagina...

Publicado por Luis Rainha às 12:11 AM | Comentários (0)

julho 02, 2005

DUAS FORMAS DE DAR MÚSICA AO MUNDO

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Cartoon de Tab, «The Calgary Sun»

Publicado por José Mário Silva às 10:59 PM | Comentários (3)

DE REGRESSO À BLOGOSFERA

Carlos Vaz Marques. E logo com um texto que põe em causa uma das vacas sagradas da crítica portuguesa, certo jazzman com excesso de swing.

Publicado por José Mário Silva às 10:47 PM | Comentários (0)

PEQUENAS PÍLULAS CONTRA O STRESS

Mão amiga ofereceu-me o "Manual de Civilidades para Meninas", de Pierre Louÿs. Uma deliciosa charge aos manuais de moral para crianças, em edição da Fenda, com ilustrações de Pedro Proença.
De seguida, apresento-vos uma dos preceitos para moçoilas espigadotas que por ali pululam. Mas ponham-se desde já a pau: a linguagem (para nem falar do tema) não é para almas sensíveis. A sério!

NO TEATRO

Não deixeis cair a mão nas calças do vosso vizinho de cadeira, para ver se o bailado lhe dá tesão.

Se notardes que certa bailarina tem o cabelo loiro e os sovacos negros, não pergunteis em voz alta porquê.

Não digais tão-pouco em clara voz: «É aquela morenaça alta que vai para a cama com o papá!» Mormente se a senhora vossa mãe vos acompanhar.

Mesmo dando-se o caso de terdes informações completas acerca dos talentos de toda a companhia, não clameis para o camarote: «Aquela ali chupa como uma bomba; arruma quantos quer; e a outra, ao lado, de ser enrabada é que ela gosta».

Se ouvirdes, na peça, gracejos um pouco atrevidos, ou alusões, ou coisas vagas, não vos ponde a explicá-los às pessoas crescidas, mesmo que estas pareçam não os perceber.

Tão-pouco devereis perguntar por que razão o belo tenor não fode em cena a soprano, que passa o tempo a cantar como se se estivesse a vir. Trata-se de coisas que se não fazem no teatro.

Se o papel do amante for desempenhado por uma mulher travestida, não vos lanceis aos berros em pleno teatro: «Grande fúfia! Língua molhada! Mostra lá a pissa falsa!» e outras frases impertinentes que o público não poderia ouvir sem protestos.

Publicado por Luis Rainha às 12:25 AM | Comentários (6)

julho 01, 2005

POR EXTENSO

PARABÉNS, MANEL!
PARABÉNS! PARABÉNS! PARABÉNS!
Eu sabia que ias conseguir.
Ainda por cima, nota máxima com aclamação e unanimidade do júri.
Chapeau, mon petit frére, chapeau!

[Espreitem, já agora, os nomes no cabeçalho (e obrigado, João André, pela ideia).]

Publicado por José Mário Silva às 11:15 PM | Comentários (14)

DE$E$PERO

O governo dá ideia de não saber elaborar um orçamento. A oposição não dá por nada. O Banco de Portugal, imaginado por muitos como o derradeiro refúgio da competência técnica em finanças públicas, deixa escapar um engano de 150 milhões de euros.
Não seria melhor recorrermos à Arthur Andersen para substituir esta malta toda? Andaríamos na mesma com as contas trocadas; mas ao menos a aldrabice seria controlada e sempre a nosso favor. Antes a ilusão de não termos défice que a certeza de não termos quem tome conta disto.

Publicado por Luis Rainha às 07:04 PM | Comentários (14)

UM POST À LA MANIÉRE DE RUÍNAS CIRCULARES



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  • Publicado por Luis Rainha às 04:30 PM | Comentários (4)

    PEQUENAS PÍLULAS CONTRA O STRESS

    Entre 1926 e 1937, Bela Bartók compôs os seis livros que constituem o "Microcosmos". Dedicadas em primeiro lugar ao seu filho, que aprendia então a tocar piano, estas mais de 150 brevíssimas peças vão evoluindo em complexidade e dificuldade, resultando num verdadeiro processo de iniciação às dificuldades do teclado e também de apresentação às subtilezas da música moderna. Este Scherzo surge mais ou menos a meio da obra.
    Ouçam então Claude Helffer a tocar uma bela miniatura de Bartók: basta clicar no link abaixo.

    Publicado por Luis Rainha às 01:17 PM | Comentários (0)

    FALTAM DEZ MINUTOS (OU POST CLARAMENTE PESSOAL, DESCULPEM LÁ, MAS NÃO É TODOS OS DIAS QUE ALGUÉM DA NOSSA FAMÍLIA DÁ UM PASSO DE GIGANTE NA SUA VIDA ACADÉMICA)

    Às 14 horas francesas (13 horas em Lisboa) terá início na sala B 106 da Universidade de Paris 8, em St. Denis, a defesa da tese intitulada «La musique a besoin d’une dictature»: musique et politique dans les premières années de l’Etat nouveau portugais (1926-1945), por parte do doutorando Manuel Deniz Silva, musicólogo, co-fundador deste blogue e, sobretudo, meu irmão.
    Dito de outro modo: muita, mas mesmo muita merda, Manel. Parte uma perna e essas coisas. Mostra-lhes tudo o que sabes e andaste a investigar durante os últimos anos. Arrebata-os com a tua minúcia, a tua verve, a tua erudição. Arranca a nota que mereces. Cá estaremos para a celebrar.

    [E depois, gozadas umas merecidas férias na Sicília, regressa ao BdE em grande forma. Já temos saudades tuas por aqui.]

    Publicado por José Mário Silva às 12:50 PM | Comentários (9)

    ATÉ DOMINGO

    O Barnabé está a entrar agora nos seus últimos três dias de vida (nunca pensei escrever isto assim, raios o partam). Vai ser uma espécie de canto do cisne. Ou o derradeiro «Carnaval de Verão», como lhe chamou o André Belo.
    É óbvio que estou triste, desapontado e precocemente nostálgico. Os motivos da crise são, em si mesmos, lamentáveis. Devo dizer, porém, que há uma imensa dignidade neste fim. O Barnabé foi um projecto magnífico mas estava ferido de morte. Continuar sem o Daniel, e sobretudo sem o Rui, seria uma aberração.
    Os outros fundadores compreenderam isso. E por isso regressaram para a despedida. Acho muito bem. Até domingo, espero que façam desta eutanásia necessária uma eutanásia festiva. Encerrado o ciclo, aproveitem então para descansar destes quase dois anos de vertigem. Um descanso merecidíssimo. E depois, por favor, não se esqueçam de voltar a estas lides. Em grupo ou a solo, a blogosfera portuguesa precisa desesperadamente de vocês.

    [Tenho também que dizer isto: a forma como alguns blogues vêm acompanhando a crise no Barnabé é mais do que injusta. É abjecta. Há muito tempo que não via tantos abutres a pairar no ciberespaço.]

    Publicado por José Mário Silva às 09:23 AM | Comentários (21)

    EL MATRIMONIO GAY, POR MARIO VARGAS LLOSA

    Descontando a desnecessária propaganda política por parte do autor - aquele "y nada socialista" é demais...-, e as (despropositadas, extemporâneas e sem razão) críticas a Zapatero no final (como que para "compensar"), eis um artigo a ler. Como requer registo (na Caretas) ou assinatura (no El País), transcrevo-o integralmente.

    El Matrimonio Gay

    Luego de Holanda y Bélgica, España será en estos días el tercer país en el mundo que habrá legalizado el matrimonio entre personas del mismo sexo, con todos los deberes y derechos incluidos, entre ellos el de poder adoptar niños. Es un extraordinario paso adelante en el campo de los derechos humanos y la cultura de la libertad que muestra, de manera espectacular, cuánto y qué rápido se ha modernizado esta sociedad donde, recordemos, hace unos cuantos siglos los homosexuales eran quemados en las plazas públicas y donde, todavía en los tiempos de la dictadura de Franco, el homosexualismo era considerado un delito y reprimido como tal.

    Esta medida es un acto de justicia, que reconoce el derecho de los ciudadanos a elegir su opción sexual en ejercicio de su soberanía, sin ser discriminados ni disminuidos por ello, y que reconoce a las parejas homosexuales el mismo derecho de unirse y formar una familia y tener descendencia que las leyes reconocen a las parejas heterosexuales. Aunque esta medida constituye un desagravio a una minoría sexual que a lo largo de la historia ha sido objeto de persecuciones y marginaciones de todo orden, obligando, a quienes la conformaban, a vivir poco menos que en la clandestinidad y en el permanente temor al descrédito y al escándalo, ella no bastará para cancelar de una vez por todas los prejuicios y falacias que demonizan al homosexual, pero, sin la menor duda, constituye un gran avance hacia la lenta, irreversible aceptación por el conjunto de la sociedad –por la gran mayoría, al menos– de la homosexualidad como una manifestación perfectamente natural y legítima de la diversidad humana.

    La ley, como era lógico que ocurriera, ha tenido adversarios encarnizados y ha generado movilizaciones diversas, entre ellas, en Madrid, una multitudinaria manifestación, convocada por distintas asociaciones católicas, respaldada por la jerarquía de la Iglesia, a la que asistieron dieciocho obispos y a la que dio su respaldo el Partido Popular, el principal partido de la oposición al Gobierno de Rodríguez Zapatero. Pero todas las encuestas son inequívocas: casi dos terceras partes de los españoles aprueban el matrimonio gay, y, aunque esta aprobación disminuye algo en las adopciones de niños por las parejas homosexuales, también este aspecto de la ley es convalidado por una mayoría. Buen indicio de que la democracia ha echado raíces en España y de que, por más denostada que esté de la boca para afuera, la cultura liberal va impregnando poco a poco a la sociedad española.

    Los argumentos contra el matrimonio gay no resisten el menor análisis racional y se deshacen como telarañas cuando se los examina de cerca. Uno de los más utilizados ha sido el de que, con esta medida, se da un golpe de muerte a la familia. ¿Por qué? ¿De qué manera? ¿No podrán seguir casándose y teniendo hijos todas las parejas heterosexuales que quieran hacerlo? ¿Alguien, con motivo de esta nueva ley, va a forzar a alguien a no casarse o a casarse de manera distinta a la tradicional? Por el contrario, la ley, al permitir a las parejas gays contraer matrimonio y adoptar niños, va a inyectar una nueva vitalidad a una institución, la familia, que –¿alguien no lo ha advertido todavía?– padece desde hace ya un buen tiempo una profunda crisis en la sociedad occidental, al extremo de que, contabilizando el número de divorcios que crece cada año y la multiplicación de parejas de hecho que rehúsan resueltamente pasar por el altar o por el registro civil, hay quienes le auguran una obsolescencia irremediable. La paradoja es que, probablemente, sólo entre los homosexuales, que, como todas las minorías perseguidas desean ardientemente salir del gueto en que la sociedad los ha confinado, despierta la familia esa ilusión y ese respeto que en un número muy grande de heterosexuales, sobre todo entre los jóvenes, parece haber perdido. Por eso, no hay ninguna ironía en decir –yo lo creo firmemente– que es muy posible que, dentro de veinte o treinta años, las familias más estables las descubran las estadísticas entre los matrimonios gays.

    Un prejuicio idéntico sostiene que los niños adoptados por parejas homosexuales sufrirán y tendrán una formación deficiente y anómala, ya que un niño para ser “normal” necesita un padre y una madre, no dos padres o dos madres. A esta afirmación dogmática y sin el menor sustento psicológico, ha respondido Edurne Uriarte de manera inmejorable: un niño lo que necesita es amor, no abstracciones. También padecen de una ceguera contumaz quienes no se han enterado de que, entre las parejas heterosexuales, cada día se descubren casos atroces de violencias ejercidas contra los niños, y, entre ellas, sinnúmero de abusos sexuales. Que los padres sean hetero u homosexuales no presupone de por sí nada; cada pareja es única y puede ser admirable o tiránica, amorosa o cruel en lo que concierne a la educación de sus hijos. Y también en este campo cabe suponer que entre quienes han luchado tanto por poder adoptar niños, ahora que lo han adquirido, asumirán este derecho con ilusión y responsabilidad.

    En verdad, detrás de todos estos argumentos no hay razones, sino prejuicios inveterados, una repugnancia instintiva hacia quienes practican el amor de una manera que siglos de ignorancia, estupidez, oscurantismo dogmático y retorcidos fantasmas del inconsciente, han satanizado llamándolo “anormal”. En verdad, la ciencia –la biología, la antropología, la psicología, la historia, sobre todo– ha puesto las cosas en su sitio ya hace tiempo y establecido que hablar de “anormalidad” en el dominio de la vocación sexual de los seres humanos es riesgoso y alienante. Salvo casos extremos, que entrañan criminalidad, y que de ninguna manera se pueden identificar con una opción sexual específica, en el universo del sexo hay variedades, una constelación de vocaciones y predisposiciones de las que de ninguna manera da cuenta cabal la demarcación entre heterosexualidad y homosexualidad, pues se refracta y multiplica en el seno de cada una de estas grandes opciones, como ocurre en tantos otros campos de la personalidad individual: las aptitudes, las preferencias, los gustos, las incompatibilidades, las facultades físicas e intelectuales, etcétera.

    El Gobierno que ha dado esta ley en España es socialista y hay que reconocerle todo el mérito que ello tiene. Pero, para evitar confusiones, conviene recordar que se trata de una medida de profunda entraña democrática y liberal, y nada socialista. El socialismo ha sido a lo largo de toda su historia, en materia sexual, tan puritano y prejuicioso como la Iglesia católica. Si de él hubiera dependido, la gazmoñería y la pudibundez hubieran dictado la norma aceptable en materia de costumbres sexuales y ésta se hubiera impuesto a la sociedad por la fuerza. Por eso, en las sociedades comunistas, la discriminación y persecución del homosexual fue, en ciertos períodos, tan feroz como en la Alemania nazi, donde en las cámaras de la muerte de los campos de concentración perecieron muchos millares de homosexuales. También en el Gulag soviético padecieron y murieron gran número de seres humanos cuyo único delito era practicar una opción sexual que la “ciencia comunista” del temible Pavlov consideraba una perversión “urbano-burguesa”. Carlos Franqui cuenta en alguna parte que, cuando él, como director del diario Revolución, asistía a los consejos de ministros de Cuba, a principio de los años sesenta, Fidel y sus lugartenientes preguntaron a los “países hermanos” que política aconsejaban para enfrentar “el problema homosexual”. La respuesta de la China Popular de Mao Tse Tung fue la más meridiana: “Ya no tenemos ese problema. Los fusilamos a todos”. Sin llegar a esos extremos, Fidel creó las UMAP (Unidades movilizables de apoyo a la producción), es decir, campos de concentración donde eran acarreados homosexuales de ambos sexos junto con criminales comunes y disidentes políticos.

    Han sido las sociedades democráticas, impregnadas de cultura liberal, como los países escandinavos y los Estados Unidos, donde se ganaron las primeras batallas contra la discriminación de los gays y donde, poco a poco, se les ha ido reconociendo tal cual son: seres humanos normales y corrientes cuya opción sexual debe ser aceptada y reconocida como perfectamente legítima por el conjunto de la sociedad.

    Es difícil, para mí, entender las razones por las que el Partido Popular ha apoyado la manifestación contra el matrimonio gay. Aunque es verdad que su dirigente máximo no asistió, y que tampoco estuvieron presentes sus principales líderes, que el partido la hubiera respaldado sólo puede haber contribuido a confundir y lastimar no sólo a los homosexuales que hay en sus filas sino, sobre todo, a su sector liberal, y a dar argumentos a quienes lo presentan como una formación política ultraconservadora. El oportunismo político da beneficios muy pasajeros y superficiales. Hay muchas razones para criticar al Gobierno de Rodríguez Zapatero. Su desastrosa política internacional, por ejemplo, que ha abolido a España de la escena mundial, donde llegó a tener influencia y a figurar entre los países de vanguardia. Sus ventas de armas al Gobierno demagógico del comandante Chávez, en Venezuela, que alienta y subvenciona grupos subversivos. Su acercamiento, que linda con la alcahuetería, a la satrapía de Fidel Castro, a la que trató de salvar de la condena que ha merecido de la Comisión de Derechos Humanos de la ONU. O sus concesiones sistemáticas a los nacionalismos, que rompen una tradición de defensa de la unidad de España del socialismo democrático de la que el Gobierno de Felipe González nunca se apartó. Pero no tiene sentido atacar a un Gobierno por todo lo que hace y, mucho menos, por haber hecho avanzar, con esta ley, la democratización y modernización de la sociedad española.

    © Mario Vargas Llosa, 2005.
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    Publicado por Filipe Moura às 12:38 AM | Comentários (16)