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junho 30, 2005

O BARNABÉ MORREU, VIVA O BARNABÉ

Enfim, parece definitivo. É uma lástima, mas quando puder escrevo mais sobre o assunto.

Publicado por Jorge Palinhos às 06:38 PM | Comentários (5)

A PUTATIVA VISITADORA, O PARTIDO DEMENTE E OS BOMBOCAS

"Convivi com a rapariga todos os dias durante mês e meio. Embora ela tenha saído da Quinta com uma depressão, se me dizem que ela está curada, está curada. Também já houve ministros ex-toxicodependentes e não veio daí mal ao País". Gonçalo "acha" que a putativa candidata não é monárquica, o que não o preocupa: "É uma mulher independente, que não precisa de macho, que se preocupa muito com as questões sociais e que é uma visitadora nata." Terá perfil para o cargo? "Quem decide isso é o voto popular, não é meia dúzia de bombocas que andam por aí."

Palavras do vice-presidente do PPM, Gonçalo da Câmara Pereira, tentando justificar a escolha de Elsa Raposo para candidata a presidente da Câmara Municipal de Cascais. Não; não é 1º de Abril. Já verifiquei.

Publicado por Luis Rainha às 06:00 PM | Comentários (15)

PEQUENAS PÍLULAS CONTRA O STRESS

Em 1926, Max Ernst pintou "A Virgem Castigando o Menino Cristo, Ante Três Testemunhas: André Breton, Paul Eluard e o Pintor". Em pleno turbilhão dos primeiros anos do Surrealismo, esta obra, uma variação sobre o tema clássico de Vénus a castigar Cupido, causou o previsível furor. É bem visível, sobretudo nas estruturas em segundo plano, a influência que De Chirico exerceu em Ernst...

Publicado por Luis Rainha às 05:28 PM | Comentários (6)

E SE DAQUI A TRÊS MESES DESCOBRIRMOS QUE EINSTEIN NÃO TINHA RAZÃO?

Não resisto a deixar aqui uma pequena provocação ao Filipe. Reparem, antes do mais, que eu não sou físico e que, ainda por cima, já mal me lembro da pouca matemática a sério que absorvi. De qualquer forma, e sem querer transformar o BdE num fórum científico, cá vai disto...
Como é bem sabido, a experiência de Michelson-Morley veio provar, em 1887, que a velocidade da luz não varia. Isto foi feito medindo de forma engenhosa a possível diferença de velocidades entre raios luminosos perpendiculares. Se todo o universo estivesse banhado num suposto Éter, o movimento do nosso planeta causaria um efeito de "vento" que não poderia deixar de atrasar os raios luminosos que viajassem contra semelhante oposição. Ora acontece que a famosa experiência produziu resultados nulos; a hipótese do Éter enquanto referencial absoluto faleceu então, deixando caminho aberto ao trabalho de Einstein.
Ou será que as coisas não se passaram bem assim? Logo em 1902, William Hicks afirmou que as contas da experiência original estavam erradas: fazendo a média de resultados obtidos ao longo de dias, Michelson e Morley teriam ignorado algumas variações na orientação do dispositivo em relação ao hipotético Éter. "In what precedes, only the orbital motion of the earth is considered. If this is combined with the motion of the solar system, concerning which but little is known with certainty, the result would have to be modified; and it is just possible that the resultant velocity at the time of observations was small though the chances are much against it. The experiment will therefore be repeated at intervals of three months, and this all uncertainty will be avoided", escreveram os próprios. Infelizmente, tal repetição nunca veio a ter lugar.
Einstein reconheceu que a existência do éter tornaria inválida a sua teoria da Relatividade Restrita, mas atribuiu as discrepâncias experimentais a factores como a altitude e a temperatura. Depois, houve quem repetisse a coisa das mais diversas formas, evitando até a presença de paredes que pudessem proteger a experiência do hipotético efeito de arrastamento; quase sempre era verificada a existência de teimosas anomalias. Por fim, físicos da Universidade Humboldt, de Berlim, efectuaram a experiência definitiva, analisando a interferência entre dois feixes de laser perpendiculares, durante mais de um ano, numa temperatura próxima do zero absoluto. Resultado? Einstein estava de novo certo, para lá de qualquer dúvida razoável. O Éter parecia definitivamente condenado ao limbo da "para-ciência" onde se acoitam aberrações como a fusão a frio ou o Yeti.
Mas, mais uma vez, este parece não ser o fim da história. O italiano Maurizio Consoli está a tentar demonstrar, neste preciso momento, que a presença de um gás (como meio onde se propagam os feixes de laser) altera os resultados experimentais, revelando a efectiva existência do famigerado Éter (o artigo da "New Scientist" onde dei pela notícia é a pagar, mas está aqui uma versão integral do mesmo).
De acordo com esta nota de Consoli, os dados obtidos até Fevereiro parecem confirmar as suas suspeitas. Em Setembro, ele conta estar na posse de informação bastante para construir o que poderá até ser o primeiro desmentido cabal da teoria de Einstein.
Andará muita gente no mundo da Física a roer as unhas?

Publicado por Luis Rainha às 03:25 PM | Comentários (5)

(ALEGADAMENTE) A MENTE MAIS BRILHANTE DESDE EINSTEIN

aqui falei de Edward Witten e da influência (e por vezes intimidação) que exerce nos físicos teóricos. Estas classificações de "a mente mais brilahnte" são sempre subjectivas, polémicas e não muito frutíferas. O que ninguém pode negar - isso sim, objectivo - é a influência de Witten. Vale a pena ler, a este respeito, a pequena reportagem da CNN.

Publicado por Filipe Moura às 11:42 AM | Comentários (3)

CEM ANOS DE RELATIVIDADE RESTRITA (NO REFERENCIAL TERRA)

Na formulação analítica da mecânica newtoniana, já se sabia que a cada invariância correspondia uma lei de conservação: à invariância por translações no tempo estava associada à conservação da energia; à por translações no espaço, a conservação do momento linear; e à por rotações, o momento angular.
Hendrik Lorentz unificou e generalizou estas três simetrias numa só, que ainda hoje tem o seu nome, a transformação de Lorentz. No entanto, não abandonou o conceito de tempo absoluto.
Seria Einstein o primeiro a postular a invariância da velocidade da luz (de acordo com a experiência de Michelson-Morley) e a validade das leis da física (em particular, o electromagnetismo) em todos os referenciais, e não somente num especial (o chamado "éter"). Daqui concluiu que o tempo teria de variar de referencial para referencial, contrariando a mecânica newtoniana e a nossa intuição de um tempo universal. Einstein definiu ainda cuidadosamente o conceito de simultaneidade e, aplicando a transformação de Lorentz, deduziu as fórmulas de transformação das coordenadas espaço-temporais e dos campos eléctricos e magnéticos. Tudo isto num dos mais revolucionários artigos da física, chamado "Sobre a Electrodinâmica dos Corpos em Movimento", que dava origem à teoria da relatividade restrita e que foi submetido para publicação faz hoje cem anos.

Publicado por Filipe Moura às 11:37 AM | Comentários (3)

E EIS QUE COM A FANTÁSTICA DESCULPA DA FALTA DE TEMPO DEIXO AQUI UMA IMAGEM DE UM DOS MEUS ILUSTRADORES PORTUGUESES FAVORITOS

Espero que, assim de repente, o Alex Gozblau não me processe por infringir direitos de autor.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:22 AM | Comentários (4)

MANIFESTO PELO EMPREGO CIENTÍFICO

Já falámos dele há uns meses (aqui). A apresentação pública é hoje.

Publicado por José Mário Silva às 09:21 AM | Comentários (0)

IMPRENSA COMESTÍVEL

Nem o grande Luiz Pacheco imaginaria a que ponto estava a ser premonitório quando criou a "Literatura Comestível".
Um dia, talvez não muito longínquo, será possível passarmos o sábado de manhã a banquetearmo-nos à medida que vamos lendo a imprensa de referência. Quero dizer, literalmente.
A digestão, de resto, não será talvez muito diferente da que fazemos actualmente.
Por outro lado, a actividade propagandística de distribuir comunicados à população poder-se-á revestir de um valor humanitário acrescentado.
E os partidos terão de passar a ter mais cuidado com o sabor das mensagens que pretendem passar.

Publicado por tchernignobyl às 09:20 AM | Comentários (3)

junho 29, 2005

UM VELHO GUERREIRO

Faleceu, com 105 anos, Emídio Guerreiro, um dos fundadores do PSD.
Receio a forma como será avaliada a sua turbulenta biografia.
Pois começou logo por se opôr ao 28 de Maio.
Em 1928 fundou uma loja maçónica com o sugestivo nome "A Comuna" (ai, ai..., maçónica e ainda por cima com aquele título...).
Perseguido pela polícia salazarista, fugiu para Espanha e lutou ao lado dos republicanos, como se sabe gente largamente apoiada pelo Estaline quando dormia virado para o lado esquerdo.
Fez parte da resistência francesa. (esta ainda que vá, De Gaulle era o chefe deles, não?)
Foi um dos fundadores da LUAR, uma perigosa organização revolucionária que se dedicava a desestabilizar a senda do progresso em que Marcelo Caetano tentava encarreirar o País (esta é de cabo de esquadra)!
Depois do 25 de Abril, foi um dos fundadores do PSD, tendo sido eleito secretário geral em 75 (o que revela que ou os fundadores do PSD eram uma cambada de ignorantes, ou faz cair pela base as teorias do "marcelismo igual a psd+ps" "sem pide nem guerra", ou então mostra o poder de intimidação que cunhal tinha para impôr um secretário geral tão aguerrido aos populares mais democráticos).
Não contente com isto, o velho Guerreiro acabou nos últimos anos por se aproximar do PS (outra de cabo de esquadra, imperdoável).

Sobretudo gostei de ver como ele falava do 25 de Abril numa entrevista recente passada há pouco na 2.
Na estratosfera relativamente a outros políticos ou "observadores" de quadrante político afim, bem vivido, sem ajustezinhos de contas reles para saldar, sem sombra de azedume ou de rancor.

Publicado por tchernignobyl às 10:28 PM | Comentários (14)

E PORQUE NÃO, SEI LÁ, MOCIDADE PORTUGUESA?

José Pinto Coelho, o novo presidente do PNR (Partido Nacional Renovador, nome pomposo para um grupúsculo neo-nazi), propõe-se criar a Juventude Nacionalista, uma jota que rapa o cabelo, usa Doc Martens, canta e ri.

Publicado por José Mário Silva às 05:46 PM | Comentários (42)

DA PERSISTÊNCIA DO MAL

Dois anos são coisa pouca, ao pé das maldades bondosas (ou bondades maléficas) que eles ainda nos reservam. Luís, Sofia: parabéns.

Publicado por José Mário Silva às 04:42 PM | Comentários (0)

CARCAVELOS REVISITED

Com algum atraso, é certo, mas ainda muito a tempo. Senhoras e senhores, eis o melhor texto que tive a oportunidade de ler sobre o arrastão que afinal não passou de um arrastinho.

Publicado por José Mário Silva às 04:22 PM | Comentários (6)

A LOCOMOTIVA

locomotiva.bmp

Cartoon de Stephane Peray

Publicado por José Mário Silva às 04:20 PM | Comentários (0)

O DOPPELGANGER CONTUMAZ

Eu sou um pouco lento. Confesso. E já me descobriram a retardada careca: o CCC (ex McGufffin) respondeu ao meu post sobre Álvaro Cunhal (que, para ele, foi realmente "dedicado" à sua modesta pessoa e a Vasco Pulido Valente) começando por me acusar de ter demorado tempo de mais a elaborar a coisa. Culpado. E recidivo: agora, não dei à resposta a urgência que a interpelação do douto blogger por certo demandava. Bem; antes tarde que nunca. Vamos lá a despachar a tarefa.
CCC começa por confessar a perplexidade em que o submerge a palavra "doppelganger". (Até podia indicar-lhe o caminho para um bom dicionário, mas confio que ele, passada a febre da rapidíssima réplica, já teve tempo para se ilustrar.) Se usei tal monstro lexical, fi-lo movido pela mais honesta das intenções: reconhecer o talento de quem se imagina musa inspiradora de VPV e até toma por suas as dores causadas por críticas a um texto do nosso bem-amado mal-dizente. Uma tal proximidade, digo, irmandade, entre duas almas – mesmo que opere apenas num sentido – merece bem o emprego de uma palavrita estrangeira e a mandar assim p’ró culto.
1.563 caracteres (com espaços) depois, CCC lá chega a algum lado: para ele, a minha frase "nestes dias, acreditar na mesma coisa toda uma vida parece só ser virtude se estivermos a discutir João Paulo II" implica que eu tenho por certo que "acreditar na mesma coisa toda uma vida" é uma virtude. Asneira. Claro que admito que tal desmesurada coerência pode ser coisa boa. Como no caso de João Paulo II, aliás. Repito: pode. Nada mais.
De seguida, vem um momento intimista: CCC confessa que tem dado por si a magicar que "é mais fácil parecer-se ‘coerente’ e ‘determinado’ em registo de contra-poder". Sendo assim, não entendo porque resolveu comparar a coerência de Cunhal a similares traços de carácter detectados em Estaline, Mao, Hitler e Pol Pot. E onde terão ficado os exemplos que lhe solicitei educadamente? Não estava à espera que se lembrasse, sei lá, de Ghandi... mas uma só personagem de relevo dava jeito.
CCC segue reafirmando a justeza da sua sentença: "Cunhal foi um homem coerente mas foi-o, quase sempre, pelas piores razões". Fraca surpresa: a dura pena de condenação ao caixote de lixo da História justifica-se pela sua persistência em "branquear, sonegar e desvalorizar os horrores cometidos pela praxis comunista em todo o mundo". Segue-se a litania costumeira dos "milhões de mortos", etc. Como se a minha pobre prosa tivesse negado ou escondido essa triste verdade: sei bem que ele, entre muitos outros erros, "fechou os olhos a pesadelos que devia conhecer". A questão não é de todo essa, como, aliás, CCC bem percebeu; trata-se sim de resumir ao fácil lugar-comum a vida de um homem que durante décadas assumiu a responsabilidade de resistir a um outro sistema monstruoso, organizando populações, lutando, pagando caro pela sua coragem. Esta vida não cabe, com toda a certeza, no desdém clarividente da cuspidela "foi-o, quase sempre, pelas piores razões".
Será que Tito também foi apenas mais uma marioneta do imperialismo soviético? Não contarão para nada os anos de resistência contra os nazis? As pessoas – vultos históricos ou não – são muito mais do que um rótulo que decalcamos a partir de uma só faceta das suas vidas, embora isso possa surpreender gente habituada a procurar o sentido da vida nas crónicas de VPV.

Alguns parágrafos depois, lemos que CCC se ofende com o meu uso de "deliciosas e esclarecedoras" aspas em redor da palavra "comunismo", como se as tivesse usado para apoucar o Holocausto. Pois é: acredito que o "comunismo" esboçado nos clássicos do ramo não previa gulags, massacres, opressão, infelicidade generalizada. Erro meu?
Para finalizar, surge a denúncia do meu "dramatismo pungente, já a puxar a acidental lágrima. ‘Era feia e tristemente humana a vida de quem resistia? E depois? Somos nós melhores que eles só por isso?’. Luis Rainha continua sem perceber que ninguém contestou a resistência de Cunhal à ditadura." Aqui, CCC continua sem perceber (casos há em que um ego inflamado chega a obstruir o campo de visão do seu dono...) que eu não estava a falar com ele. E não estava sequer a falar de Cunhal. Se se tivesse dado ao incómodo de seguir o link que então forneci, ver-se-ia face à crónica de VPV que já por aqui muito deu que falar e onde se descreve o dia-a-dia dos resistentes comunistas. Se falo de vidas "tristemente humanas", evidente é, dado o contexto da pulida crónica, que falo dos militantes comuns e quase sempre anónimos.

CCC ofende-se ainda por eu o ter "encapotadamente" acusado de "cobardia e de inveja". Isto, presumo, a propósito deste parágrafo: "o ódio que dedicamos a Cunhal é, na realidade, desprezo pelos anões que pressentimos em nós; ódio pelos cobardes que imaginamos a comandar as nossas acções em circunstâncias extremas."
Engraçado: a pessoa verbal que aqui invoquei é a primeira do plural. Isto porque sei perfeitamente que nunca eu seria capaz de resistir ao que o miserável estalinista Cunhal sofreu. Se CCC leu esta passagem em voz alta e pronunciou o "nós" à laia de plural majestático, isso já não é culpa minha.

Para finalizar este pouco aprazível assunto, que estou a ficar com fome, resta-me declarar o óbvio. Claro que nunca quis subtrair Cunhal "à critica ou ao julgamento póstumos"; até o descrevi como "um líder pejado de imperfeições". E claro que não preciso que me expliquem que houve muitos mais a resistir ao salazarismo; também escrevi isso no post em apreço.
Apenas considerei que Álvaro Cunhal merece "um mínimo de respeito". Só isso. Se CCC for incapaz deste esforço, azar dele; tal seria coisa de alguém mesmo muito pequenino.

Publicado por Luis Rainha às 01:58 PM | Comentários (1)

JACARANDÁ

A arte de ser violentamente violeta.

Publicado por José Mário Silva às 01:55 PM | Comentários (2)

LAST WALTZ

António Costa Pinto e Rui Ramos são os convidados do último É A CULTURA, ESTÚPIDO, a ter lugar hoje, pelas 18h30, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz. O debate, inteiramente dedicado ao tema «Portugal Contemporâneo» (a partir do livro homónimo, coordenado por António Costa Pinto), será conduzido pela jornalista Anabela Mota Ribeiro. Haverá ainda oportunidade para ouvir as escolhas e comentários da equipa residente: Daniel Oliveira, Pedro Mexia, João Miguel Tavares, Nuno Costa Santos, Pedro Lomba e José Mário Silva.

Publicado por José Mário Silva às 08:40 AM | Comentários (4)

SOBRETUDO PARA O SPORTING

«Seria bom tanto para o Sporting como para mim próprio, ser transferido para o estrangeiro», disse o guarda-redes Ricardo, num assomo de inesperada lucidez.

Publicado por José Mário Silva às 08:35 AM | Comentários (7)

junho 28, 2005

ENTRE CILA E CARIBDIS

Nem sei bem o que será pior: se o já famoso engano no quadro que afinal nem era obrigatório, se o facto de a Oposição ter precisado do "Diário Económico" para detectar a asneira.

Publicado por Luis Rainha às 04:39 PM | Comentários (7)

A MALDIÇÃO DE GUTERRES

Depois de assumir "incorrecções" na proposta de Orçamento rectificativo entregue pelo Governo à Assembleia da República, o ministro das Finanças revelou não saber ao certo qual o valor total da despesa prevista (em percentagem do PIB). «Será certamente acima dos 49% e certamente abaixo dos 50%.» Ou como diria Guterres: «é só fazer as contas».
Terá o PS consciência do ridículo desta situação? Numa altura em que se proclama o rigor contabilístico como principal virtude governativa, em que os portugueses estão sujeitos a todo o tipo de sacrifícios e em que, mesmo assim, Bruxelas desconfia da nossa capacidade de controlar o défice, um erro destes não se compreende nem se desculpa.
A gaffe aritmética de Campos e Cunha (ou da sua equipa) revela sobretudo desleixo político. E se há momento em que não se podem tolerar desleixos políticos, é agora.

Publicado por José Mário Silva às 02:31 PM | Comentários (3)

UM BRINDE NO ADEUS A IRIBARNE

[Fotografia retirada do site galego aduaneiros sem fronteiras]

Publicado por José Mário Silva às 01:18 PM | Comentários (12)

O ESTOIRO

A Rua de Santa Catarina é na verdade duas ruas. A mais conhecida sai da igreja de Santo Ildefonso e do cimo da Rua 31 de Janeiro e vai até à fachada de azulejos da Capela das Almas. É uma rua pedonal, solarenga, ultracomercial, com estabelecimentos como o café Majestic, a FNAC ou o centro comercial ViaCatarina, cheia de artistas de rua, mendigos, turistas, gente que passa apressada.
A segunda Rua de Santa Catarina é uma rua escura, que parte da Capela das Almas até à Praça Marquês de Pombal, parcialmente aberta ao trânsito para escoar os carros que se dirigem para Gondomar e Rio Tinto, cheia de tascas gordurentas, bandos de adolescentes de ar sinistro, idosos, prostitutas e travestis à noite.
Foi nesta segunda rua que às 21 horas de ontem houve uma violentíssima explosão. O edifício que rebentou transformou-se numa cova vertical, sobrando apenas o telhado e parte do rés-do-chão, os dois edifícios vizinhos ficaram completamente esfacelados e todos os vidros num raio de 50 metros se partiram cobrindo a rua com um tapete de estilhaços. Muitas janelas e montras até um raio de 100 metros também partiram, expondo o seu recheio a olhares gulosos, e os alarmes de casas e carros dispararam.
Rapidamente chegaram bombeiros e polícia que vedaram o local e as zonas debaixo de vidros periclitantes. De cada lado da rua juntaram-se magotes de curiosos e indígenas a discutir o caso, enquanto os habitantes da rua olhavam pelas janelas partidas. Todos tinham histórias de portas que se fecharam com estrondo, janelas que se abriram, loiças que tremeram na altura do rebentamento. Teorizava-se sobre causas da explosão. Uns juravam ter visto uma coluna de fumo a erguer-se após o estoiro, sinal certo de bomba, outros garantiam que era apenas poeira a levantar. Uns apostavam nas botijas de gás, outros aventavam a hipótese do reservatório da hospedaria ao lado, um notório inimigo dos cilindros teimava nesta última hipótese. Outros, de imaginação mais fértil, falavam em bomba: engenho da guerra colonial, vingança... uns lábios murmuravam Ben Laden com sorrisos de troça e vagas esperanças de notoriedade internacional.
Os sapadores arriscavam a entrada no edifício pela escada magirus em busca de vítimas. Cá em baixo, paramédicos assistiam idosas em estado de choque. Chegavam as autoridades locais perante a indiferença ou curiosidade.

No fim morreram dois idosos: menos mal tendo em conta a hora e o facto de no prédio viverem cinco pessoas.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:13 PM | Comentários (13)

ESQUERDA AFASTA FRAGA DA GALIZA

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Feita a contagem dos votos dos emigrantes (de que Fernando Venâncio falou aqui), confirmam-se os resultados das eleições galegas de 19 de Junho: 38 deputados para o somatório do PSOE de Emilio Pérez Touriño com o BNG (Bloco Nacionalista Galego) de Anxo Quintana, contra 37 do PP de Manuel Fraga Iribarne, o dinossáurio político que foi ministro de Franco e obteve quatro maiorias sucessivas na Galiza.
Ainda eufóricos com este desfecho, daqui enviamos um abraço a todos os galegos de esquerda, depois desta noite memorável em que o homem que ignorou o Prestige (e muitos outros problemas fundamentais) foi expulso, finalmente, da liderança do governo autonómico.

Publicado por José Mário Silva às 09:11 AM | Comentários (28)

VIVA A TERCEIRA VIA

Nem França, nem Grã-Bretanha. Sou cada vez mais por uma terceira via, de países e povos decididamente pró-europeus. O idela seria que essa terceira via fosse comandada por uma Alemanha social-democrata e ecologista, mas Schroeder está enfraquecido e não se sabe se este governo é para continuar. Proponho uma "coligação de pequenos", dos países geralmente secundarizados, comandada pela Espanha de Zapatero.
Entretanto, goste-se ou não (eu não concordo com muito, mas admiro o estilo frontal e corajoso), há que reconhecer que o discurso de Tony Blair perante o Parlamento Europeu foi um portento. Gostei principalmente dos termos em que criticou a PAC e o modo como afirmou que "o problema da Europa é de liderança política". Com a França e a Alemanha em frangalhos, aparentemente é chegada a hora de Blair (apesar de tudo um líder muito mais europeísta do que o seu povo). A seguir com atenção.

Publicado por Filipe Moura às 08:43 AM | Comentários (6)

VIVA SARTRE

Durante a minha breve ausência da blogosfera, passaram-se cem anos sobre o nascimento de Jean-Paul Sartre. Eu nunca li nada de Sartre - nem A Náusea, infelizmente. (No máximo leio esporadicamente o Libération, mas para o caso isso não conta.) Por isso não sou a pessoa adequada para falar do filósofo francês. Mas como qualquer bom leitor da Mafalda sabe, Sartre escrevia os frangos que eram comidos pela família da Liberdade. Para além disso, declarou um dia que "todo o anticomunista é um cão". Por estes exemplos se vê que Sartre é um autor muito importante e que não perde actualidade.

Publicado por Filipe Moura às 08:34 AM | Comentários (10)

junho 27, 2005

O ABOMINÁVEL COLUNISTA DAS NEVES ATACA DE NOVO

"Enfraqueceu-se o matrimónio pelo divórcio e as uniões de facto. Agora pretende-se descaracterizá-lo com o casamento de homossexuais. Qualquer aliança entre duas pessoas passaria a ser considerável como casamento." Eis a análise economicista da semana, fugida da pena do mestre César das Neves (who else?).
O nosso colunista/humorista preferido navega no mundo dos afectos como que por entre os índices de um mercado de regras imutáveis. Para ele, a legitimidade é um bem precioso e raro que assim deve continuar, custe o que custar. O paralelo que parece encher-lhe a cabeça é com uma mercadoria sujeita a grande procura; o ouro, por exemplo. Que seria das nossas queridas toneladas de metal refulgente se amanhã todos pudessem ter uma mina no quintal?
De acordo com este retorcido mecanismo, se eles começarem a ter o que nós temos, isso diminui de alguma forma o nosso património. O amor – ou lá o que leva dois seres humanos a unir as suas vidas, no estranho mundo do Prof. Neves – passa assim ao estatuto de bem facilmente desvalorizável. Quando houver uma quantidade grande demais em circulação, o pouco que agarrámos com ambas as mãos e que nos parecia tão precioso vai valer quase nada. Não podemos admitir uma coisa destas, pois não?
Só esta mentalidade mesquinha pode levar alguém a desejar impedir outras pessoas de fazerem o que querem com as suas vidas, sem afectar terceiros. Mas que temos nós a ver com o casamento ou não-casamento de quem quer que seja? Que eu saiba, os homossexuais não desejam interferir com a nossa heterossexual liberdade. Nunca ouvi um deles exigir a alteração do meu estatuto matrimonial; mas até isso deve fazer parte da sinistra conspiração apostada em exterminar os meus valores judaico-cristãos, com o apoio das "maciças campanhas mediáticas" que tingem de rosa technicolor as alucinações de César das Neves. (Mas o contraponto também não é famoso: para os zelotas do costume, que sempre se arrogam direitos de donos da causa, claro está que os do outro lado são "fachos" e pronto. Assim se fecha o círculo da arrogância estridente. Alguém quererá explicar a esta malta o que é e foi o fascismo na realidade?).
A douta homilia prossegue: "no campo sexual a única regra admissível é fazer-se o que se quer, sem ninguém ter nada com isso. Não é assim no tabaco, automóvel, bebida, economia, em todo o lado. Mas no sexo tem de ser." Engraçado; julgava eu que continuamos a ter liberdade para nos envenenarmos com os produtos da Tabaqueira S.A. e quejandos. Quanto ao "todo o lado", estão por lá quase sempre em causa actos e opções que podem invadir liberdades alheias. Mas o ardor missionário deste cruzado dos nossos tempos não esmorece só por se ver interpelado por algo tão comezinho como a realidade.
Leiam tudo, que vale bem a pena. O artigo fecha com uma encarniçada defesa dos direitos da mulher (não os que ela quer mas sim os que ela devia querer), na realidade a grande prejudicada por este triste estado de coisas: "a nossa cultura de ambição, violência e competição é, em múltiplos aspectos, diametralmente oposta aos valores femininos. A mulher foi influente em épocas que preferiam a honra ao sucesso, a estabilidade ao progresso, a beleza à eficácia, a tradição à novidade."
Já sabíamos que a única mulher em que César das Neves reconhece todos os predicados deste mundo (e do outro) é uma senhora que continuou virgem mesmo depois de dar à luz e só sai do Céu em casos de extrema urgência, como impressionar pastores em aldeolas sem águas correntes. Ficamos agora a saber que a verdadeira e quintessencial Mulher também é conservadora e tradicionalista por natureza...

Publicado por Luis Rainha às 06:34 PM | Comentários (26)

O MUNDO É PEQUENO PARA NÓS

Cheguei há pouco à varanda e reparei que o turista alemão com ar truculento de barbas e cabelo comprido que se aproximava pela rua fora em calções caqui me fazia lembrar alguém.
Pensei um pouco e lembrei-me do Luis Rainha.
Mas como? O Luis Rainha não é um turista alemão, pensei.
Contra toda a lógica era mesmo o Luis Rainha que vinha a entrar no prédio.
Este blog não pára de crescer, estamos em todo o lado.

Publicado por tchernignobyl às 03:35 PM | Comentários (5)

ÂNGELA

Já conhecia este blog de há muito tempo.
Do tempo das noites em claro em furiosas viagens de descoberta através da blogosfera tentando acompanhar a sua expansão à velocidade da luz.
Voltei lá agora e continua insuportavelmente belo.

Publicado por tchernignobyl às 03:29 PM | Comentários (3)

COMO TER BOAS NOTAS, SER RICO, CONSIDERADO E FELIZ

O Filipe Guerra dá dicas para se ter sucesso nos exames. As dicas são boas, mas há outros métodos correctos e cientificamente comprovados para se ter boas notas nos exames e entrar para uma universidade de prestígio (à atenção dos alunos do 12.º ano):

- Investir – alunos com explicadores particulares têm sempre melhores notas que os outros. Por isso vale a pena convencerem os vossos pais a largarem dinheiro no mercado negro das explicações em Portugal onde o dinheiro é rei e o recibo desconhecido.

- Dar o corpo ao manifesto – alunos com melhor aparência têm melhores notas que os feiosos. Isto é mais eficaz nas aulas, mas se a vossa aparência faria inveja ao Brad Pitt ou Heidi Klum, tentem fazer-se notados no exame ou arranjar umas fotos.

- O tamanho conta – as respostas mais compridas têm melhor classificação que respostas curtas, mesmo que estas sejam mais precisas, estruturadas e melhor argumentadas

- Evitar expelir precocemente - os últimos alunos a terminar o teste têm melhores notas que os restantes.

- Tento na mão – testes com caligrafia legível e elegante têm melhores notas que testes cheios de gatafunhos. Especialmente se o professor corrector tiver uma caligrafia elegante.

- Há mesmo alguma coisa num nome – os alunos com nomes escanifobéticos têm notas mais baixas que alunos com nomes mais convencionais. Se se chamarem Florêncio Josefo ou Zaida Miquelina talvez devam pensar em visitar o registo civil.

- Não esquecer a pressão psicológica – vale a pena chatear: os exames que vão para reapreciação de nota têm em média uma subida de 5 a 10% da nota.

- Usem a erudição – as respostas com citações têm melhores notas que as respostas que se limitam a responder ao que foi perguntado. Usar palavras esotéricas ou científicas compensa e usar frases longas também, embora seja necessário ter cuidado para que não fiquem incompreensíveis.

- Furem o sistema – caso a nota continue a não ser suficiente para entrar em Medicina ou Arquitectura procurem cursos de média mais baixa da mesma instituição que depois vos deixem fazer a troca, usem o estatuto de desportistas de alta competição/militares, vão fazer o 12.º ano para os Açores ou para colégios privados que não dêem notas abaixo de 19, chateiem os funcionários das secretarias e, em último caso, tirem o curso no estrangeiro onde as médias são mais baixas e os cursos mais práticos, além de que University/Université decora melhor o currículo que o nome de uma universidade do interior ou privada.

- Não é estritamente necessário, mas se tiverem tempo não deixem de estudar de vez em quando.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:13 PM | Comentários (6)

SAVE THE BARNABÉ

Será preciso fazer uma petição para que o melhor blogue de esquerda português não se extinga?
Por favor, rapazes, entendam-se.

Publicado por José Mário Silva às 10:41 AM | Comentários (14)

JÁ NÃO SE PODE DESLIGAR O COMPUTADOR DURANTE UM MINUTO

Há dois anos fui de férias e acabou a Coluna Infame. Agora, isto.
Será que o calor não combina com blogar?

Publicado por Jorge Palinhos às 10:08 AM | Comentários (2)

FRASES "LÁ DE BAIXO"

«Quem ama acabou de chegar» - Valupi.

[Há posts que deviam ser, como este, um mero comentário de um comentário. Os minérios mais preciosos, temos sempre que desenterrá-los.]

Publicado por José Mário Silva às 09:53 AM | Comentários (1)

ENGOLE LÁ O SAPO

Em tempos referi aqui o absurdo que era dizer "não negociamos com terroristas" de uma forma absoluta, sem admitir possibilidades, condições, etc.
Fui quase acusado de ser da Al Qaeda...
Pois agora são os americanos que negoceiam com grupos de resistentes iraquianos.
O que é preciso é pragmatismo...talvez que a consciência da catástrofe que provocaram (das baixas que têm sofrido, dos desgastes em material...) lhes dê agora finalmente um pouco de juízo.
Entretanto fico à espera de mais uma cartinha da "cidadã da Al Qaeda vencida" e das queixas de outras freirinhas e fradinhos.

Publicado por tchernignobyl às 01:37 AM | Comentários (6)

E AGORA DEIXEM-ME APRESENTAR, COMO QUEM NÃO QUER A COISA, UM BLOGUE MINIMAL

Chama-se letra minúscula e exige dos seus leitores apenas um minuto por dia de atenção, ou talvez menos. O seu autor é... hmmm... quer dizer... cof, cof... digamos que o conheço relativamente bem.
[Caramba, não tenho mesmo jeito para isto.]
Enfim, passem por lá, digam de vossa justiça e, se gostarem, façam o favor de divulgar.
O tal autor que eu conheço relativamente bem agradece.

Publicado por José Mário Silva às 01:17 AM | Comentários (4)

junho 26, 2005

A MINHA CASINHA

Foi ao som do clássico imortal dos Xutos & Pontapés, já eram cinco da manhã, que acabou a festa de encerramento da Résidence André de Gouveia. E que lá acabaram as festas pelos próximos quinze meses, que é o tempo que a Residência vai estar encerrada para umas muito necessárias obras. A Residência só encerrará oficialmente no dia 30, mas o ambiente já é de despedida. Que estes quinze meses passem depressa, e que reabra de preferência ao som da mesma música!
A presença portuguesa na Cité Universitaire de Paris, entretanto, vai continuar a fazer-se sentir. O melhor desta presença, os residentes, as pessoas, estarão espalhados por outras casas, mas por aqui continuarão.

Publicado por Filipe Moura às 11:24 PM | Comentários (5)

CÍRCULOS UNINOMINAIS

Eis um problema político que importa discutir: a perspectiva de criação de círculos eleitorais uninominais. Como é evidente, esta ideia interessa apenas ao PS e ao PSD, únicos beneficiários de um eventual sistema bipartidarizado, à inglesa. O Pedro, do blogue A Ilha do Dia Antes, apela ao debate e já alinhavou alguns argumentos contra. Eu acrescentaria desde logo mais este: se a escolha ficar reduzida, na prática, a dois partidos quase siameses (com uma lógica de ocupação cíclica da administração pública pelos respectivos boys), o pouco que resta de empenhamento cívico e democrático dos eleitores desapareceria em três tempos, transformando de vez a política portuguesa no tal pântano metafórico de que Guterres supostamente quis fugir.

Publicado por José Mário Silva às 11:22 PM | Comentários (5)

A VANTAGEM DO GRESSINO SOBRE OS CHIPS

dip.jpg

O palito gressino pode partir-se em pedaços, e não coloca problemas com o double-dipping, como os chips.

Publicado por Filipe Moura às 01:30 PM | Comentários (0)

junho 25, 2005

THREAD AO QUADRADO

Não deixa de ser irónico: um post curto chamado «Thread» deu origem ao maior thread (passe a redundância) dos últimos tempos no BdE. E o tchernignobyl, em polémica brutal com o Valupi e o Harry Lime, escreveu "lá em baixo" mais volume de texto do que em muitos meses de actividade "cá em cima". Com os seus cumes e abismos, réplicas brilhantes e insultos desnecessários, fases de discussão pura alternando com outras em que o ruído se tornou excessivo, está ali um monumento. E talvez a chamada à primeira página permita que o debate não se extinga. Espero bem que sim. Afinal, também foi para isto que se fez o 25 de Abril. Ou, se preferirem, a blogosfera.

[Fazendo contas aproximativas, esta interminável controvérsia já vai em mais de 28.000 palavras; ou seja, em linguagem de Carrilho, cerca de 170.000 caracteres de ideias. E ainda há quem se queixe que os blogues andam com pouca coisa para ler. Qual quê, meus amigos. Só aqui, nos subterrâneos de um único post, há material suficiente para fazer o livrito da praxe...]

Publicado por José Mário Silva às 11:41 PM | Comentários (22)

UM CONTRA TODOS (E TODOS SOMOS NÓS)

No ecrã apareceu a pergunta:

Em qual das seguintes aldeias alentejanas foi morta Catarina Eufémia? a) Baleizão b) Mora c) Crato

O concorrente, com cara de agora-é-que-me-lixaram-bem-lixado-pá-que-esta-é-das-mesmo-difíceis, sorria com a bonomia dos ignorantes. Foi então que o apresentador (José Carlos Malato), vendo a desgraça a aproximar-se, perguntou:

Sabe quem foi Catarina Eufémia, não sabe?

Resposta do rapaz sorridente (nascido, como eu, em 1972 e com idade para ter vergonha na cara):

Acho que sim. Era uma rainha, não era? (silêncio) Só não sei onde é que ela morreu.

Publicado por José Mário Silva às 11:37 PM | Comentários (6)

junho 24, 2005

COMO É BOA A VIDA NOS TRÓPICOS!

sunset.jpg

"Vivem nos trópicos. São bem alimentados. Têm tudo o que poderiam alguma vez querer." Assim descreve Dick Cheney a vida dos prisioneiros de Guantánamo. Afirmando que eles desatariam logo a matar americanos se alguém os soltasse, o vice-presidente americano deixou claro que não imagina qualquer razão para fechar aquela prisão vergonhosa.
Na mesma entrevista, ainda deslumbrado com esta visão reluzente do seu resort tropical só para privilegiados, Cheney garantiu-nos que a resistência iraquiana está a dar as últimas e que em breve o Iraque vai ser "uma história de sucesso". Isto já depois de o chefe das tropas no terreno, o general John Abizaid, ter garantido ao Congresso que há mais combatentes estrangeiros a entrar no Iraque e que "a força, em termos gerais, dos insurgentes é a mesma de há seis meses. Temos muito trabalho pela frente".
Porque será que este discurso ao mesmo tempo desavergonhado e autista me recorda o estilo de Santana Lopes? Mas Cheney não é tonto; e lá vai conseguindo imprimir o apropriado spin a todas as histórias relativas ao Iraque. Se duvidam, procurem na CNN as declarações de Abizaid que aqui cito. Pois é: estão perdidas algures nos fundos de um artigo convenientemente optimista...

Publicado por Luis Rainha às 06:47 PM | Comentários (7)

SACOS DE CORREIO

A Galiza está, por estes dias, em manso estado de choque. As eleições legislativas de domingo passado ficaram de resultado suspenso e só na próxima segunda-feira se saberá mais. Para já, tecnicamente, a Esquerda ganhou: por um fio em matérias de lugares no Parlamento (38 para o PSOE e o BNG, 37 para o PP), e largamente em número de votantes (a Esquerda obteve mais 120.000 que a Direita). Mas um punhado de votos, entre os muitos por contar da emigração, vai decidir quem governará a Galiza nos próximos quatro anos: se, pela quinta vez, Manuel Fraga, ex-ministro de Franco, ou se Emilio Pérez Touriño, o líder socialista, em coligação com o galeguista Anxo Quintana. A expectativa não se deixa adjectivar. Como mostra de solidariedade, enderecei «aos meus amigos galegos» a carta que aí segue, aparecida no Portal Galego da Língua. Não serei, confio, o único português solidário.

Velada junto a sacos de correio

Não é a mais exaltante das posições, a vossa, amigos. Vejo-vos sentados (mentalmente, mas sentados) à volta de dois ou três banais sacos de correio. Lá dentro está o vosso futuro, estão os vossos sonhos, com uma mistura de receios, de reservas. Porque, mesmo sendo bom, o futuro não será ainda o melhor. Não se pode ter tudo? Vocês mereciam tê-lo.
É uma posição degradante, também, essa de estarem vocês nessa velada ombro a ombro com os prepotentes, eles de olhos nos mesmos sacos. Sabem eles o que vocês pensam: que a prepotência já durou de mais, sim, a prepotência tem isso, dura sempre muito, e nunca que lhe chegue. Mas eles sabem, e melhor do que vocês, que, mesmo prolongada, a prepotência nunca mais poderá ser a mesma. Nunca mais as noites lhes serão tranquilas, como tão longamente puderam ser. A partir de agora, vocês, ou os vossos sonhos, andarão rondando-lhes a porta. Nunca mais o vinho lhes saberá ao mesmo, e as alegrias despreocupadas acabaram-se, elas também. E quando passarem pelas ruas, passarão acuados, procurando as sombras. Bem contadas as coisas, isto já vocês ganharam: a intranquilidade deles.
Não sei quantos portugueses vos acompanham nestes dias. Receio que poucos. A expectativa devia ser nossa, também. Também um bocadinho do nosso futuro está dentro desses sacos. Mas, a julgar por o que o nosso primeiro-ministro e o vosso eventual futuro presidente escreveram nos jornais, trata-se dum futuro discreto, duma cooperação ‘regional’, bucolicamente fronteiriça, ao nível da arrumação de quintais vizinhos, portanto a milhas duma qualquer relação internacional, com as capitais do estado pelo meio, ou não.
Já é alguma coisa? Sim, por Zeus, já é alguma coisa. Nunca houve em Portugal uma ‘política galega’, e surge finalmente coisa parecida com isso, mesmo se publicitada em jornais galegos e exarada em autonómico. Também isso ninguém no-lo rouba já.
É isto, amigos galegos. O vosso e o nosso futuro já começaram. Nada mais será agora exactamente o que foi. E dentro de dias poderá ser, quem sabe, mesmo festa. Vossa, claro. Nesse dia, se olharem bem, hão-de ver, no nosso quintal, gente a erguer um cálice de alvarinho, garantidamente caseiro. Mais bucólico será impossível.

(Fernando Venâncio)

Publicado por José Mário Silva às 06:31 PM | Comentários (3)

REGRESSO À PRIMEIRA METADE DOS ANOS 80

veraoazul.bmp

Ando a rever a minha infância, em DVD.

Publicado por José Mário Silva às 12:14 PM | Comentários (10)

junho 23, 2005

JUSTIFICAÇÃO DE FALTAS

Dia de folga igual a dia com a filha (full time).

Publicado por José Mário Silva às 11:54 PM | Comentários (3)

junho 22, 2005

WHEN I'M THIRTY TWO

No JL, atribuem-me 32 anos, em vez de 33. Ignoro se foi por simpatia, por caridade ou por distracção. Quer dizer, espero que tenha sido por distracção.

Publicado por José Mário Silva às 06:18 PM | Comentários (15)

O PAPÃO QUE ASSUSTA MESMO DEPOIS DE MORTO


CunhalBig.jpg

Álvaro Cunhal recuperou na sua morte a presença nos escaparates que em vida já há muito abandonara. A revoada de opiniões infalíveis do costume tratou logo de se abater sobre ele, mal soaram as notícias fúnebres.
Por exemplo, Vasco Pulido Valente aceitou que ele foi "determinado" e "coerente". Mas acrescentou logo o codicilo demolidor: "Hitler não foi?" O seu doppelganger contra a corrente apresentou-nos mais dois termos de comparação ilustres: Pol Pot e Mao Tse Tung. (Nestes dias, acreditar na mesma coisa toda uma vida parece só ser virtude se estivermos a discutir João Paulo II...)
Escapa a estes apressados pesquisadores de símiles um singelo facto: é fácil a quem detém o poder ser coerente e apresentar a tal "determinação"; mas trata-se de tarefa infinitamente mais dolorosa para quem gasta décadas da sua vida a lutar contra um regime asfixiante e omnipotente. Sem poder, sem prebendas, sem liberdade sequer. Será que aqueles lúcidos plumitivos conseguem apresentar-nos termos de comparação que também tenham sacrificado uma vida aos seus ideais, mas longe do poder?
O McGuffin junta-se à turba do linchamento atrasado e enterra de vez Cunhal com o epitáfio cortante: "foi um homem coerente mas foi-o, quase sempre, pelas piores razões." O que serão para esta alma as "piores razões"? Resistir contra todo um estado, com as suas polícias, a sua Igreja, os seus milhões de colaboradores em muda anuência? Fazê-lo durante anos a fio sem qualquer ajuda do exterior? Ajudar a organizar populações contra o jugo chupista dos patrões de então? Manter a chama da rebeldia viva, indiferente aos ventos do comodismo, do conforto, da segurança pessoal? Pagar a tal "coerência" com 12 anos de cadeia? Reagir à miséria abjecta do Estado Novo procurando outros paradigmas, agarrando-se à primeira bóia de salvação que encontrou?
McGuffin ignora estas questões e prefere armar-se em adivinho de feira, declarando que Cunhal "viveu amargurado os últimos anos da sua vida, gerindo mal a frustração de um ‘amanhã’ nunca concretizado". A arrogância convencida não encontra limites: chamar a alguém que nem sequer se conhece "duro, implacável, maniqueísta e dogmático" é mesmo algo apenas ao alcance de almas bem pequenas. (Por acaso, só estive com Álvaro Cunhal uma vez, coisa escassa para emitir sentenças definitivas; mas já ouvi muitos testemunhos, mesmo de adversários políticos, que desmentem este alinhavado de lugares-comuns sobre a pessoa, supostamente óbvios mas fundados em quase nada. Adiante.)
Por seu lado, VPV escolhe ignorar tudo o que não diga respeito a mais uma sentença condenatória: "Álvaro Cunhal nunca por um instante estremeceu com os 20 milhões de mortos, que apuradamente custou o comunismo soviético, nem com a escravidão e o genocídio dos povos do império". Como saberá ele que Cunhal nunca sentiu um íntimo estremecimento pelos desmandos do "bloco socialista"? E como pode ele calcular o que é que Cunhal sabia ou não em cada momento da sua trajectória?
Ele partilhou com Sartre o engano; faltou-lhe o golpe de asa para o renegar. Isto é certo; mas chegará para apagar o mérito de alguém – Cunhal e muitos outros – que resistiu aos que reduziram Portugal a uma choldra cinzenta, calada e miserável durante 48 anos? (Às acusações de que ele "ia provocando uma guerra civil", já está a História a responder, com a constatação de que unidades fiéis ao PCP, como os Fuzileiros, se mantiveram quietas no 25 de Novembro, aliás à imagem da própria célula do partido nos Comandos, que a havia...)

Porque será que imagino estes críticos póstumos em sossegadas e cómodas carreiras num qualquer ministério, se tivessem nascido num país sujeito ao "comunismo" de há umas décadas?
O heroísmo da resistência não chega para endeusar um morto ainda quente. Mas devia pelo menos suscitar um mínimo de respeito a quem julga tudo poder avaliar, confortavelmente sentado de Laphroaig numa mão e Oakeshott na outra. Era feia e tristemente humana a vida de quem resistia? E depois? Somos nós melhores que eles só por isso?

Esta gente anda hoje tão segura da sua razão e tão firme de estar do lado vencedor da História que nem pára para reflectir na precariedade do seu poleiro. E se daqui a umas décadas calhar ao liberalismo a vez de se ver remetido ao famoso "caixote de lixo" dos fracassos sangrentos? E se as gerações do amanhã se revoltarem contra a destruição da Natureza, contra as guerras sem fim, contra a exclusão de multidões, contra a vampirização de continentes inteiros? E se também partirem em busca de culpados, não deparão com os McGuffins a protestar "que não sabiam", "que estavam mal informados"? Olhem que brigadas vigilantes andarão por certo a perseguir quem possa preencher as vagas de cúmplices dos "milhões de mortos", da "escravidão" e do "genocídio". Ou imaginarão que o Capitalismo não tem também os seus cemitérios da vergonha?

Razão de ser para toda esta amargura? O ódio que dedicamos a Cunhal é, na realidade, desprezo pelos anões que pressentimos em nós; ódio pelos cobardes que imaginamos a comandar as nossas acções em circunstâncias extremas. E mais vale julgar o morto pelos seus muitos defeitos do que permitir que se instale um grão de respeito e admiração que seja. O inimigo deve ser sempre diabolizado e desprezado; qualquer outro caminho pode conduzir à dúvida e ao temido relativismo. A realidade quer-se simples, não fraccionada e labiríntica.
Eu, por mim, até admito que Cunhal não foi assim tão coerente, que atacou o "Novo Impulso" de forma feia, que caiu em episódios ridículos como aquele do actor cambaleante a fazer de marioneta teleguiada, que incentivou as piores perseguições internas no seu partido, que fechou os olhos a pesadelos que devia conhecer, que foi um líder pejado de imperfeições. Nem consigo imaginar muitos temas em que conseguisse concordar com ele.
Mas nunca esquecerei que ele também foi um dos tais "que diz não" quando a carneirada que não acolitava os vampiros gemia encolhida a um canto ou já tinha fugido há muito para pastagens mais seguras.


Álvaro Cunhal causa medo, mesmo depois de morto? Não. É só inveja.

Publicado por Luis Rainha às 04:57 PM | Comentários (51)

A IDADE MÉDIA É QUANDO UM HOMEM QUISER

«Uma mulher de 45 anos de idade ficou durante uma semana sequestrada na própria casa e mais de 24 horas presa com uma corrente de 13 quilos a um tanque de lavar roupa. O caso foi descoberto no sábado passado e aconteceu na aldeia de Vale de Juncal, concelho de Mirandela, presumindo-se que o autor dos maus tratos e sequestros seja o marido da vítima.
No sábado, por volta da hora do almoço, a mulher conseguiu soltar-se e pedir socorro aos vizinhos. "Ela estava presa com uma corrente de tractor, pesada, ao tanque de lavar roupa. O tanque estava cheio de água, mas ela lá conseguiu retirar a tampa e, depois de o esvaziar, levantar uma das patas do tanque de cimento e retirar a corrente", conta Benedita Silva, uma familiar. "Foi o maior horror da minha vida. Ela estava toda nua, unicamente com uma manta que cheirava a cão por cima das costas", acrescenta. A vítima terá contado que se encontrava acorrentada ao tanque desde sexta-feira, mas que já estava presa na própria casa, "trancada na sala a dormir no chão", há cerca de uma semana.
A fuga durou pouco tempo, porque o marido regressou a casa, mas bastou para que a vítima conseguisse alertar as autoridades. Uma patrulha da GNR deslocou-se ao local e encaminhou-a para o Hospital de Mirandela: "Ela apresentava um enorme estado de debilidade, porque segundo disse estava há uma semana a ser alimentada a pão e água, e apresentava diversos hematomas devido à corrente que tinha presa à cintura", informou o comandante do posto da GNR de Mirandela, João Gonçalves. Apresentava ainda hematomas na face e estava desidratada, tendo ficado internada.
O marido foi detido pelas autoridades, acusado dos crimes de sequestro e maus tratos, e na segunda-feira foi apresentado em tribunal, ficando sujeito a prisão preventiva.»

[Notícia publicada hoje, 22 de Junho de 2005, no jornal Público]

Publicado por José Mário Silva às 04:15 PM | Comentários (11)

CASMURRICES

É um verdadeiro dream team: Manuel Portela, Pedro Serra, Osvaldo M. Silvestre, Abel Barros Baptista, Fernando Matos Oliveira, Luís Quintais, Gustavo Rubim. Um grupo de sete marxistas (tendência Groucho), o seu tanto casmurros (versão Machado de Assis), que escrevem diálogos e mais diálogos como se não houvesse amanhã.
Que sejam muito bem-vindos a esta selva oscura que é a blogosfera.

Publicado por José Mário Silva às 02:40 PM | Comentários (3)

A MONTRA

Em época de crise, talvez esta seja uma hipótese a considerar por quem sai das escolas de comunicação social cheio de esperanças e ilusões.

Publicado por José Mário Silva às 08:30 AM | Comentários (0)

junho 21, 2005

SECRETS, SECRETS, SECRETS

Uma grande ideia (descoberta via educação sentimental).

Publicado por José Mário Silva às 06:47 PM | Comentários (8)

OPINIONS AND ASSHOLES

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Ora ponham lá os olhos nisto: "(Carcavelos) trata-se claramente da melhor praia portuguesa para conseguir o ‘bronze’ - pelo menos, em todas as imagens que vimos de lá, as pessoas apareciam pretas para caramba." Haha.
Este arremedo de graçola vem impresso, assim mesmo, na "Capital" de hoje.
Para lá da excessiva exposição a telenovelas brasileiras que o final da frase denuncia, o fino gosto desta passagem faz pensar no tratamento que o próprio "humorista" preconiza para os racistas: "a esses tipos não se dá tempo de antena, dá-se-lhes com uma antena nos cornos." Pois.
O autor da piadinha seca é Luís Filipe Borges. Cuja coluna de hoje, aliás, começa logo com outra pérola: "Manuel Maria Carrilho disse ao Expresso que tem ‘38 760 caracteres de ideias’. Eu, infelizmente, só tenho 1500 caracteres para gozar com isto." Ao que parece, também lhe faltou tempo para ler as declarações em apreço: tal frase apenas surgiu na imaginação do jornalista responsável pela peça, nunca nas palavras do esposo de Bárbara Guimarães. Mas para que é que um moço com tanta graça quereria o rigor?
Ao lado, um colega de secção resolve perorar sobre o exercício do direito à greve em Portugal: "quando um sindicato marca uma greve para uma segunda-feira, até pode depois publicitar que contou com 80% de adesão por parte dos trabalhadores. No entanto, todos sabemos que esse número é enganoso. Desses 80%, dificilmente se saberá quantos aderiram à greve e quantos aproveitaram a greve para aderir ao descanso e à praia" e conclui, arrasador: "prove-se que a greve não é uma desculpa para ir à praia, mas uma jornada de protesto e luta por condições de trabalho. Porque, neste momento, Portugal duvida muito." Eu duvido muito é que este senhor faça ideia do que é uma greve. Ou o que significa para quem ganha algumas dezenas de contos por mês (não por croniqueta) prescindir de um dia de ordenado. É que o desejo de ir à praia que o senhor Tiago Rodrigues adivinha a obnubilar o raciocínio dos grevistas poderia ser satisfeito noutra ocasião qualquer...

Assim vai a secção "Opinião" deste jornal que o seu director vê como sendo "de referência". Faz-me pensar que Art Blakey acertou em cheio com o seu dichote "opinions are like assholes. Everyone’s got one".

Publicado por Luis Rainha às 05:02 PM | Comentários (9)

O TITANIC SEGUNDO DURÃO BARROSO


Cartoon de Martin Rowson, «The Guardian»

Publicado por José Mário Silva às 04:57 PM | Comentários (1)

junho 20, 2005

O PÓDIO ENVENENADO

Não podia concordar menos com o que o Filipe Moura escreveu a propósito do Grande Prémio de ontem, disputado no circuito de Indianapolis. É óbvio que o Tiago Monteiro nada tem a ver com as trapalhadas que os senhores da FIA criaram nos regulamentos, sobretudo com a estupidez das limitações nas trocas de pneus, e fez apenas o que lhe competia: conduzir o seu carro até à linha da meta, com um acerto que já o transformou no rookie mais regular na história da modalidade. Dos quatro não-Ferrari em prova, ele foi o melhor; o que não deixa de ser excelente e merecedor de encómios, aplausos, etc. Temo é que o pódio numa prova tão rídicula como esta se possa transformar numa vitória de Pirro. O Tiago deu provas de ser um bom piloto de Fórmula 1, à altura das maiores exigências competitivas, precisamente no dia em que este desporto automóvel mergulhou (talvez em definitivo) no absoluto descrédito. Triste sorte.
Quanto ao resto, que a Ferrari tenha aceite competir — e vencer — nestas condições parece-me uma vergonha. É como se o Chelsea, o Barcelona ou o Milan aceitassem jogar a final da Liga dos Campeões sem passar pela fase de grupos, goleando pacificamente uma das equipas mais fracas do torneio (o Benfica, por exemplo).
«Os sinos voltaram a tocar em Maranello», congratula-se o Filipe. Pois. O problema é que não deve ter sido pela vitória da Ferrari mas antes pela morte da Fórmula 1.

Publicado por José Mário Silva às 01:37 PM | Comentários (21)

PARABÉNS, TIAGO MONTEIRO!

O piloto português Tiago Monteiro está de parabéns por ter obtido o seu primeiro pódio. O primeiro de um português. Mesmo tendo sido obtido em circunstâncias anormais, tal resultado não deixa de ser um justo prémio para o excelente trabalho que o Tiago tem vindo a desenvolver - é o recordista de fiabilidade, em toda a história da fórmula 1, para um piloto estreante! E como ficou demonstrado em Indianápolis, dos quatro pilotos que usam pneus Bridgestone (excluindo portanto evidentemente os Ferrari), o Tiago é o melhor. Bem merece que a comunicação social mundial passe a olhar com mais atenção para ele. Quiçá, passar para uma equipa melhor.
Entretanto, memorável é ver o Tiago Monteiro na clasificação mundial à frente desse piloto mimado e que só vive à custa do nome do pai chamado Jacques Villeneuve. Que se mantenha assim até ao fim da época!
Ainda mais memorável foi ver a bandeira portuguesa no pódio da fórmula 1. E, sobretudo, na assistência, nos espectadores. Os emigrantes são sempre um modelo de dedicação.

Publicado por Filipe Moura às 02:07 AM | Comentários (19)

LE REGOLE SONO REGOLE: VITTORIA INDISCUTIBILE!

A grande farsa na Fórmula 1 actual tem a ver com pneus, mas não com a recusa (voluntária) de sete equipas de alinharem no Grande Prémio deste fim de semana.
A grande farsa está na (absurda e injustificável) regra que proíbe as mudanças de pneus durante as corridas. Graças a esta medida, um dos momentos mais emocionantes e espectaculares da Fórmula 1, a mudança de pneus, não existe. só quem nunca viu um Grande Prémio de Fórmula 1 ignora a importância da mudança de pneus no espectáculo.
Esta medida prejudicou evidentemente as equipas com pneus Bridgestone. São os resultados que o dizem. Ninguém de bom senso espera que o melhor carro e o melhor piloto da história da fórmula 1, de um momento para o outro, "não corram". O que se passa, a mudança drástica relativa ao passado, é a situação dos pneus.
Embora ponha em causa a regra em questão, pelo que já referi, não ponho em causa a verdade desportiva que dela resulta. A verdade é que a Michelin adaptou muito melhor os seus pneus do que a Bridgestone para correrem um fim de semana inteiro. As equipas que correm com Bridgestone vêem-se em nítida dessvantagem, mas tal resulta da sua própria escolha. As regras, embora muito discutíveis, são válidas para todos.
Por isso mesmo nunca seria aceitável, em nome da verdade desportiva, a exigência por parte das equipas equipadas com pneus Michelin para mudarem os pneus à última hora, só porque um piloto (Ralf Schumacher) teve um acidente que poderá ter sido devido à mistura escolhida.
Se havia falhas na segurança da mistura escolhida pela Michelin para os pneus, tal falha deve ser exclusivamente imputada à Michelin. Se essas falhas se resumiam a uma dada zona do circuito, os pilotos com pneus Michelin deveriam passar com mais cuidado lá. Em qualquer caso, as regras têm de ser cumpridas e nunca alteradas à última da hora, sob pena de se falsear a verdade desportiva.
(E ao contrário do que afirma o Pedro Sales, tal regra não é de todo comparável à da proibição do uso de piercings por arte dos pilotos, que se deve estritamente a questões de segurança e não altera em nada a verdade desportiva.)
Com isto, talvez esteja na altura de a FIA repensar a regra mais estúpida de sempre da fórmula 1. E entretanto o mais importante: os sinos voltaram a tocar em Maranello. Forza Ferrari!

Publicado por Filipe Moura às 01:34 AM | Comentários (4)

junho 19, 2005

LIÇÕES DE DICÇÃO (E NÃO SÓ)

Digam todos comigo: buckminsterfullereno. Outra vez: buckminsterfullereno. Mais outra: buckminsterfullereno. Há também quem lhe chame futeboleno, pelas razões óbvias.

Publicado por José Mário Silva às 01:48 PM | Comentários (4)

THREAD

Seguindo o link de um comentário de pagescrita ao post da Zazie referido no meu anterior post, em defesa do Vasco Pulido Valente e contra os "frita-miolos" em que nos incluiremos, encontrei mais uma "leitura" do suposto "epitáfio" de Cunhal escrito pelo Vasco Pulido Valente no Público (bestas, não beneficiariamos todos se se pudesse fazer livremente o link para essa crónica?) que me parece muito interessante quer para a análise desse texto quer para a análise da discussão que se seguiu.

Publicado por tchernignobyl às 10:20 AM | Comentários (90)

junho 18, 2005

COCANHAZIE

Com um nome apropriado para a época, chega o Cocanha, o blog da Zazie finalmente decidida a blogar a solo depois de muito comentar.
Last but not least...
E para começar bem, que tal dar-nos logo na cabeça naquele tom rigorosamente objectivo e incontestável que não admite resposta?
Só temos de agradecer, e esperar muitos e bons posts que nos instruam.
Quem gostou, como eu, das colaborações da Zazie sobre história de arte na infelizmente já desaparecida Janela Indiscreta, deve permanecer muito atento.

Publicado por tchernignobyl às 07:03 PM | Comentários (2)

JUNHO EM NOVA IORQUE

Para quem não sabe, eu digo: Junho é o melhor mês para se estar em Nova Iorque. Tem-se o JVC Jazz Festival, sempre com grande qualidade. Tem-se música da melhor (gratuita na sua maioria) durante todo o verão nos parques da cidade, como no Prospect Park e no Central Park (no já mítico SummerStage, que este ano completa 20 anos). Depois de passar um sábado na praia, em Long Island, estes concertos são o fim de dia ideal. Tudo coisas que Paris não tem. Ai que saudades...

Publicado por Filipe Moura às 02:14 PM | Comentários (5)

PRIORIDADES REIVINDICATIVAS

Quando do episódio do "Barco do Aborto", ouviu-se vinda da direita do "eixo" Zita Seabra/ Helena Matos, a ideia de que os cidadãos que lutam e reinvindicam por mais direitos nas nossas sociedades abençoadas por um alargado conjunto de liberdades, fariam melhor em atender às situações mais graves em termos de direitos humanos vigentes em ditaduras do terceiro mundo que a esquerda hesitaria em decidir invadir sob a bandeira americana e seguindo o rasto purificador a ferro e fogo dos neoconservadores da seita do Bush.
Espero que se lembrem agora, que mais arrastão, menos arrastão, os níveis de criminalidade existentes em Portugal, são insignificantes comparados com aqueles que são vividos pela generalidade dos habitantes da pacificada e democratizada Bagdad.
Que tal fazerem uma manifestaçãozinha contra a criminalidade lá, sob a protecção do amigo americano?

Publicado por tchernignobyl às 11:40 AM | Comentários (0)

O HOMEM ERRADO

Um dos momentos mais chocantes das imagens de assaltos nos comboios da linha de Sintra, é quando se vê um funcionário de uma empresa de segurança privada assistir impávido e sereno a um assalto colectivo, permanecendo mesmo indiferente ao pedido de ajuda de um jovem vítima do assalto.
Chocante pela passividade cobarde do homem, sobretudo quando lhe foi directamente pedida ajuda. Mas quantos de nós reagiriamos a uma situação como aquela?
Chocante porque não se esboçou entre os passageiros a mais leve tentativa de reacção. Um povo de carneiros submissos.
Chocante porque o maquinista do comboio prosseguiu como se nada se tivesse passado. Provavelmente o medo de represálias.
Choca também o texto que acompanhava o filme, ao subentender que o segurança privado tinha alguma autoridade particular, alguma obrigação especial ou sequer legitimidade para intervir, como se de um polícia se tratasse.
A CP veio imediatamente esclarecer que o indivíduo não pertence aos seus quadros de funcionários, o que não resolveu nada quanto à questão de fundo e deixou perversamente implícita uma crítica à sua inoperância e, pior, à de um seu banal passageiro.
Este, assim desprestigiado, vítima tal como os restantes da violência suburbana, mas referenciável pela "farda", corre agora eventualmente o risco de perder o emprego precário por se encontrar no local errado à hora errada.

Publicado por tchernignobyl às 11:20 AM | Comentários (9)

ENTRE POLÍCIAS E LADRÕES

O que está em causa nesta "crise do arrastão" e na situação descrita na reportagem da SIC sobre os assaltos nos comboios, não é a pretensão de excluir a existencia tolerável, desejável e mesmo indispensável de marginais e dissidentes, numa sociedade não concentracionária.
É a defesa de algo fundamental para a defesa da liberdade e da democracia como é o direito de utilização do espaço público por todos os cidadãos, sem coacção nem constrangimentos.
A não ser que aceitemos o regresso aos "bons velhos tempos" de um sistema de portagens do tipo medieval.
Preocuparmo-nos com a integração social e com a luta contra a "guetização" não pode fazer-nos ignorar essa questão.
E não me parece inteligente pensar que se esconjura a reacção natural à situação vivida diariamente por milhares de pessoas, trabalhadores na sua maioria, com afirmações despropositadas de repúdio contra o racismo e a xenofobia, destinadas a cair em saco roto quando não conduzindo ao desprestígio destas lutas nobres, apenas porque como é natural, essa revolta não é habitualmente formulada numa linguagem precisa de militante profissionalizado, capaz de satisfazer as nossas expectativas ideológicas.
Tais declarações teriam quando muito algum significado se aqueles que as proferem tivessem algum peso político entre os "dissidentes", que poderia ser "traduzido" pela esquerda parlamentar num programa reinvindicativo coerente.
Não é isso que sucede. O peso do Bloco de Esquerda ou do PC é nulo, zero, que se saiba entre os gangsters, mais sensíveis porventura a uma perspectiva ultraliberal de feroz egoísmo individualista do que a qualquer sentido de comunidade solidária.
E as declarações de intenções bem intencionadas acabam por parecer e são-no efectivamente, uma defesa dos "opressores" dentro das próprias comunidades já de si excluídas.
A expressão "da revolta" desses jovens organizados em gangs, tem inicio desde logo na sistemática delapidação do espaço público apesar de tudo disponível nesses locais de opressão onde vivem, numa perspectiva irracional de "quanto pior melhor", geralmente em função de modas importadas de realidades sociais completamente diferentes matraqueadas pelos media sob a forma de "cultura jovem" e a que aderem da forma mais imbecil.
A alternativa "bem comportada" a um ataque directo e frontal ao crime organizado é outra forma de corrupção do espaço público, o policiamento omnipresente e omnipotente.
Venha o diabo e escolha.

Publicado por tchernignobyl às 11:00 AM | Comentários (3)

junho 17, 2005

MOVIDA

Hoje às 22.00 na Ler Devagar, o encerramento do ciclo
"Metamorfoses do Humano" com:
Bragança de Miranda
Carlos Neto
Henrique Garcia Pereira
Isabel do Carmo
José Gil
Leonel Moura

Publicado por tchernignobyl às 07:20 PM | Comentários (4)

POSTAUSTER



Ela recebeu a mensagem às 6 da manhã.
Deixou o namorado acordar, trautear a mesma canção de sempre no chuveiro, fazer a barba, sair com um "adeus" gritado já da rua. Não lhe disse nada.
Só a meio da tarde é que a fúria exigiu um escape à altura da sua intensidade homérica. Lá pegou ela no telefone: "não estou para aturar isto. Que saias à noite sozinho, ainda por cima com o meu carro, para fazeres aquilo que bem sei, já estou habituada. Agora que me mandem mensagens a meio da noite com essa história do ‘Grande noitada, hein, Xxxx’ é que não. Diz lá às tuas amigas que me deixem em paz. E deixa-me tu também em paz."
Como mandam as regras do melodrama e as imposições do jogo dos desencontros, ele não teve tempo para contrapor coisa alguma em favor da sua inocência. Quando chegou a casa, claro está que as malas já tinham sido feitas e remetidas para endereços mais aprazíveis. Os argumentos de defesa viram-se forçados à estéril eficiência dos emails sem resposta.
Meses depois, ela telefonou-lhe. Depois de minutos gastos em circunlóquios cobardes, a revelação surgiu: "lembras-te da história da mensagem? Pois é; acabei por ligar para o número do remetente. E era um colega meu da faculdade; viu o meu carro estacionado no Bairro Alto e pensou que era eu. Ainda por cima, ele chama-se Xxxx, como tu. Vê lá a coincidência."
Nessa altura, já os ventos do mundo tinham empurrado o destino dele para paragens indiferentes às canções de tais acasos. Limitou-se a grunhir o seu desconforto e desligou. Anos depois, ainda surgia a noite ocasional que o encontrava acordado, a matutar no beco sem saída do costume: "e se?" Mais nada.

Esta é uma historieta (quase) inteiramente verídica.

Publicado por Luis Rainha às 05:00 PM | Comentários (2)

MORREU CARLO MARIA GIULINI

Viva Carlo Maria Giulini.

Publicado por José Mário Silva às 04:54 PM | Comentários (0)

ARTE

«A arte só é perfeita para ateus», diz o Tiago. Sorte a minha, azar o dele.

Publicado por José Mário Silva às 02:37 PM | Comentários (6)

O LADO BOM DO DÉFICE

Este ano, talvez por uma questão de decência, ainda não se ouviu falar em silly season.

Publicado por José Mário Silva às 01:46 PM | Comentários (3)

POEMA ENCONTRADO NA RUA (TALVEZ PARA EUGÉNIO DE ANDRADE)

A luz magoava-te,
mordia-te a memória,
era uma violência
caindo a pique sobre
os corpos lentos desta
paisagem: dias assim,
abertos no coração
de Junho. Agora as
tuas mãos ardiam
de novo, como no
princípio. Tudo
era devagar, mesmo
as árvores negras
na margem de um rio
anterior ao tempo,
mesmo os muros da
infância, mesmo
os frutos roubados
em tardes de uma
invulgar transparência.
Suspeitaste que a morte
traria reflexos da cal,
o brilho mais branco
dos olhos uma vez
amados, a respiração
ávida dos pinhais.
E quando ela chegou,
coroada de frésias,
nem precisaste de
simular o espanto.

Publicado por José Mário Silva às 01:42 PM | Comentários (5)

2005

Ignoram olimpicamente o nome do arquiduque que foi assassinado em Sarajevo, em 1914, lançando o mundo na I Grande Guerra. Mas conhecem, de cor, as canções dos Franz Ferdinand.

Publicado por José Mário Silva às 10:37 AM | Comentários (14)

junho 16, 2005

DELITRO

Esta famosíssima foto de Fernando Pessoa foi tirada em 1929, na taberna de Abel Pereira da Fonseca. Há muitas coisas de que gosto nela: a ausência de pose, a mão esquerda no bolso, o balcão de pedra, o cenário alcoólico (com as garrafas alinhadas em segundo plano e os barris de abafado, moscatel e clarete), o poeta de perfil em pleno vício, o gozo que se pressente naquele copo inclinado. Só isto bastaria para considerar esta imagem a mais importante da fotobiografia do homem que foi Álvaro de Campos e os outros todos. Mais importante porque mais exacta, mais honesta.
Acontece que Pessoa rabiscou, depois, uma dedicatória no verso. A não menos célebre frase: «Fernando Pessoa em flagrante delitro». E enviou a foto a Ophélia, a eterna namorada dos bilhetinhos pueris. Na altura os dois estavam zangados, certamente por causa de um qualquer arrufo passageiro. E foi por causa da piada, do trocadilho, que o namoro recomeçou.
Coisa espantosa, esta. O autor genial de «O Guardador de Rebanhos» não se socorreu das musas ou da destreza nos decassílabos para recuperar as boas graças da amada. Nada disso. Chegou lá pelo exagero grotesco, pelo rasgo de humor não muito sofisticado, pelo facto de assumir auto-ironicamente a sua condição de bebedolas.
Coisa espantosa, repito. E bela. De uma beleza que não deixa de ser, à sua maneira, extremamente poética.

Publicado por José Mário Silva às 11:51 PM | Comentários (14)

PÉS DE BARRO

Na edição de hoje do jornal «Metro», José Júdice assina um texto muito ambíguo e vagamente sarcástico que procura relacionar, de forma retorcida, as mortes de Cunhal e da Irmã Lúcia.
O disparate campeia nesta prosa curta mas chega ao paroxismo na última frase:

Tanto como a de Lúcia, a morte de Cunhal é o fim de um ciclo na história de Portugal, e é o desaparecimento do último símbolo do Portugal salazarista

Cunhal convertido em símbolo do Portugal salazarista? Sem comentários.
Antes, porém, já o cronista metera o pé na poça de forma particularmente divertida. Querendo mencionar «O Partido com Paredes de Vidro», um dos mais célebres livros políticos do antigo líder do PCP, escreve Júdice:

O "partido com telhados de vidro", na frase do próprio Cunhal, era afinal o partido com pés de barro

Em vez de paredes, telhados. Telhados de vidro. Fabuloso lapsus linguae. Como diria o outro, Freud explica.

Publicado por José Mário Silva às 06:57 PM | Comentários (23)

PAUSA

Durante o coffee break, Durão Barroso fala animadamente com um burocrata de Bruxelas:

— E sabe que mais? O défice que eu deixei lá em Portugal, quando me vim embora, era assim deste tamanho.
— Desse tamanho?

— Deste tamanho. Devia ser 3%, não o ignoro, mas veio por ali acima e olhe, no momento em que aqui cheguei, já devia andar pelos 6%. O Santana Lopes, aquele tipo do meu partido que ficou para apanhar os cacos, está a ver, é que se lixou. Por um lado, preferiu esconder a dimensão do monstro e fingir que estava tudo bem, tão bem que até chegou a anunciar o fim da austeridade e uma folga no cinto apertado dos portugueses, como se isso fosse possível (risinhos). Por outro, meteu-se em tantas trapalhadas que acabou por ir ao fundo nas eleições de Fevereiro. Uma coisa chata, mas enfim, o que é que se há-de fazer? Em democracia é assim mesmo.
— E agora? — perguntava o burocrata de Bruxelas.
— E agora? Olhe, agora o Sócrates que resolva o assunto e que se lixe, ele também, com as suas próprias asneiras, mais o ódio que as classes afectadas pelas medidas de contenção lhe vão dirigir. Isto toca a todos, meu amigo, isto toca a todos. Em democracia é assim mesmo. Quer dizer, toca a todos menos aos que têm a esperteza de fugir a tempo, n'est-ce pas? (Gardalhadas estridentes; Durão ri-se até às lágrimas e depois limpa-as com um lenço de seda.) Ai, ai. Vamos lá fazer uma pausa.
— Uma pausa? Mas se estamos a voltar do coffee break, Monsieur Barrôso! Nom de Dieu, não admira que o vosso país esteja como está...
— Calma, não é nada disso, caro funcionário burocrata de Bruxelas. Percebeu mal. Referia-me à pausa no processo de ratificação do Tratado Constitucional que vou pedir na conferência de imprensa, daqui a pouco.
— Ah, OK, OK. Assim está bem, senhor Presidente da Comissão. Já me estava a assustar.

Publicado por José Mário Silva às 10:29 AM | Comentários (10)

A LÂMPADA QUE ILUMINA AS HISTÓRIAS & OUTROS SEGREDOS

Vale a pena aprender, aqui, como funcionam certas coisas.

Publicado por José Mário Silva às 12:13 AM | Comentários (6)

junho 15, 2005

SOBRE A RESISTÊNCIA

Um texto de uma intelectual brilhante que eu prefiro às elocubrações estéreis e sombrias do Pulido Valente, embora não fuja às questões mais "difíceis" que ele coloca:

publicado em Tomdispatch.com
On Resistance

Keynote Speech on the occasion of the presentation of The Rothko Chapel OSCAR ROMERO AWARD to Ishai Menuchin, Chairman of Yesh Gvul (There is a Limit), the Israeli soldiers' movement for selective refusal.
By Susan Sontag
Houston, Texas
March 30, 2003

Allow me to invoke not one but two, only two, who were heroes --- among millions of heroes. Who were victims --- among tens of millions of victims.

The first: Oscar Arnulfo Romero, Archbishop of San Salvador, murdered in his vestments, while saying mass in the cathedral on March 24, 1980 --- twenty-three years ago --- because he had become "a vocal advocate of a just peace, and had openly opposed the forces of violence and oppression." (I am quoting from the description of the Oscar Romero Award, being given today to Ishai Menuchin.)

The second: Rachel Corrie, a twenty-three-year-old college student from Olympia, Washington, murdered in the bright neon-orange jacket with Day-Glo striping that "human shields" wear to make themselves quite visible, and possibly safer, while trying to stop one of the almost daily house demolitions by Israeli forces in Rafah, a town in the southern Gaza Strip (where Gaza abuts the Egyptian border), on March 16, 2003 --- two weeks ago. Standing in front of a Palestinian physician's house that had been targeted for demolition, Corrie, one of eight young American and British human-shield volunteers in Rafah, had been waving and shouting at the driver of an oncoming armored D-9 bulldozer through her megaphone, then dropped to her knees in the path of the super-sized bulldozer ... which did not slow down.

Two emblematic figures of sacrifice, killed by the forces of violence and oppression to which they were offering non-violent, principled, dangerous opposition.

***

Let's start with risk. The risk of being punished. The risk of being isolated. The risk of being injured or killed. The risk of being scorned.

We are all conscripts in one sense or another. For all of us, it is hard to break ranks; to incur the disapproval, the censure, the violence of an offended majority with a different idea of loyalty. We shelter under banner-words like justice, peace, reconciliation that enroll us in new, if much smaller and relatively powerless communities of the like-minded. That mobilize us for the demonstration, the protest, the public performance of acts of civil disobedience --- not for the parade ground and the battlefield.

To fall out of step with one's tribe; to step beyond one's tribe into a world that is larger mentally but smaller numerically --- if alienation or dissidence is not your habitual or gratifying posture, this is a complex, difficult process.

It is hard to defy the wisdom of the tribe: the wisdom that values the lives of members of the tribe above all others. It will always be unpopular --- it will always be deemed unpatriotic --- to say that the lives of the members of the other tribe are as valuable as one's own.

It is easier to give one's allegiance to those we know, to those we see, to those with whom we are embedded, to those with whom we share --- as we may --- a community of fear.

Let's not underestimate the force of what we oppose. Let's not underestimate the retaliation that may be visited on those who dare to dissent from the brutalities and repressions thought justified by the fears of the majority.

We are flesh. We can be punctured by a bayonet, torn apart by a suicide bomber. We can be crushed by a bulldozer, gunned down in a cathedral.

Fear binds people together. And fear disperses them. Courage inspires communities: the courage of an example -- for courage is as contagious as fear. But courage, certain kinds of courage, can also isolate the brave.


The perennial destiny of principles: while everyone professes to have them, they are likely to be sacrificed when they become inconveniencing. Generally a moral principle is something that puts one at variance with accepted practice. And that variance has consequences, sometimes unpleasant consequences, as the community takes its revenge on those who challenge its contradictions --- who want a society actually to uphold the principles it professes to defend.

The standard that a society should actually embody its own professed principles is a utopian one, in the sense that moral principles contradict the way things really are --- and always will be. How things really are --- and always will be --- is neither all-evil nor all-good but deficient, inconsistent, inferior. Principles invite us to do something about the morass of contradictions in which we function morally. Principles invite us to clean up our act; to become intolerant of moral laxity and compromise and cowardice and the turning away from what is upsetting: that secret gnawing of the heart that tells us that what we are doing is not right, and so counsels us that we'd be better off just not thinking about it.

The cry of the anti-principled: "I'm doing the best I can." The best given the circumstances, of course.

***

Let's say, the principle is: it's wrong to oppress and humiliate a whole people. To deprive them systematically of lodging and proper nutrition; to destroy their habitations, means of livelihood, access to education and medical care, and ability to consort with one another.

That these practices are wrong, whatever the provocation.

And there is provocation. That, too, should not be denied.

***

At the center of our moral life and our moral imagination are the great models of resistance: the great stories of those who have said No. No, I will not serve.

What models, what stories? A Mormon may resist the outlawing of polygamy. An anti-abortion militant may resist the law that has made abortion legal. They, too, will invoke the claims of religion (or faith) and morality --- against the edicts of civil society. Appeal to the existence of a higher law that authorizes us to defy the laws of the state can be used to justify criminal transgression as well as the noblest struggle for justice.

Courage has no moral value in itself, for courage is not, in itself, a moral virtue. Vicious scoundrels, murderers, terrorists may be brave. To describe courage as a virtue, we need an adjective: we speak of "moral courage" --- because there is such a thing as amoral courage, too.

And resistance has no value in itself. It is the content of the resistance that determines its merit, its moral necessity.

Let's say: resistance to a criminal war. Let's say: resistance to the occupation and annexation of another people's land.

Again: there is nothing inherently superior about resistance. All our claims for the righteousness of resistance rest on the rightness of the claim that the resisters are acting in the name of justice. And the justice of the cause does not depend on, and is not enhanced by, the virtue of those who make the assertion. It depends first and last on the truth of a description of a state of affairs which is, truly, unjust and unnecessary.

***

Here is what I believe to be a truthful description of a state of affairs that has taken me many years of uncertainty, ignorance, and anguish, to acknowledge.

A wounded and fearful country, Israel is going through the greatest crisis of its turbulent history, brought about by the policy of steadily increasing and reinforcing settlements on the territories won after its victory in the Arab war on Israel in 1967. The decision of successive Israeli governments to retain control over the West Bank and Gaza, thereby denying their Palestinian neighbors a state of their own, is a catastrophe --- moral, human, and political --- for both peoples. The Palestinians need a sovereign state. Israel needs a sovereign Palestinian state. Those of us abroad who wish for Israel to survive cannot, should not, wish it to survive no matter what, no matter how. We owe a particular debt of gratitude to courageous Israeli Jewish witnesses, journalists, architects, poets, novelists, professors ---among others --- who have described and documented and protested and militated against the sufferings of the Palestinians living under the increasingly cruel terms of Israeli military subjugation and settler annexation.

Our greatest admiration must go to the brave Israeli soldiers, represented here by Ishai Menuchin, who refuse to serve beyond the 1967 borders. These soldiers know that all settlements are bound to be evacuated in the end. These soldiers, who are Jews, take seriously the principle put forward at the Nuremberg trials in 1946: namely, that a soldier is not obliged to obey unjust orders, orders which contravene the laws of war --- indeed, one has an obligation to disobey them.

The Israeli soldiers who are resisting service in the Occupied Territories are not refusing a particular order. They are refusing to enter the space where illegitimate orders are bound to be given --- that is, where it is more than probable that they will be ordered to perform actions that continue the oppression and humiliation of Palestinian civilians. Houses are demolished, groves are uprooted, the stalls of a village market are bulldozed, a cultural center is looted; and now, nearly every day, civilians of all ages are fired on and killed. There can be no disputing the mounting cruelty of the Israeli occupation of the 22 percent of the former territory of British Palestine on which a Palestinian state will be erected. These soldiers believe, as I do, that there should be an unconditional withdrawal from the Occupied Territories. They have declared collectively that they will not continue to fight beyond the 1967 borders "in order to dominate, expel, starve and humiliate an entire people."

What the refuseniks have done (there are now around eleven hundred of them, more than two hundred and fifty of whom have gone to prison) does not contribute to tell us how the Israelis and Palestinians can make peace --- beyond the irrevocable demand that the settlements be disbanded. The actions of this heroic minority cannot contribute to the much needed reform and democratization of the Palestinian Authority. Their stand will not lessen the grip of religious bigotry and racism in Israeli society or reduce the dissemination of virulent anti-Semitic propaganda in the aggrieved Arab world. It will not stop the suicide bombers.

It simply declares: enough. Or: there is a limit. Yesh gvul.

It provides a model of resistance. Of disobedience. For which there will always be penalties.

None of us has yet to endure anything like what these brave conscripts are enduring, many of whom have gone to jail.

To speak for peace at this moment in this country is merely to be jeered (as in the recent Academy Awards ceremony), harassed, blacklisted (the banning by the most powerful chain of radio stations of the Dixie Chicks); in short, to be reviled as unpatriotic.

Our "United We Stand" or "Winner Takes All" ethos ... the United States is a country which has made patriotism equivalent to consensus. Tocqueville, still the greatest observer of the United States, remarked on a unprecedented degree of conformity in the then new country, and a hundred and sixty-eight more years have only confirmed his observation.

Sometimes, given the new, radical turn in American foreign policy, it seems as if it was inevitable that the national consensus on the greatness of America, which may be activated to an extraordinary pitch of triumphalist national self-regard, was bound eventually to find expression in wars like the present one, which are assented to by a majority of the population, who have been persuaded that America has the right --- even the duty --- to dominate the world.

***

The usual way of heralding people who act on principle, is to say that they are the vanguard of an eventually triumphant revolt against injustice.

But what if they're not?

What if the evil is really unstoppable? At least in the short run. And that short run may be, is going to be, very long indeed.

My admiration for the soldiers who are resisting service in the Occupied Territories is as fierce as my belief that it will be a long time before their view prevails.

But what haunts me at this moment --- for the obvious reason --- is acting on principle when it isn't going to alter the obvious distribution of force, the rank injustice and murderousness of a government's policy that claims to be acting in the name not of peace but of ... security.

The force of arms has its own logic. If you commit an aggression and others resist, it is easy to convince the home front that the fighting must continue. Once the troops are there, they must be supported. It becomes irrelevant to question why the troops are there in the first place.

The soldiers are there because "we" are being attacked; or menaced. Never mind that we may have attacked them first. They are now attacking back, causing casualties. Behaving in ways that defy the "proper" conduct of war. Behaving like "savages," as people in our part of the world like to call people in that part of the world. And their "savage" or "unlawful" actions give new justification to new aggressions. And new impetus to repress or censor or persecute citizens who oppose the aggression which the government has undertaken.

***

Let's not underestimate the force of what we are opposing.

The world is, for almost everyone, that over which we have virtually no control. Common sense and the sense of self-protectiveness tell us to accommodate to what we cannot change.

It's not hard to see how some of us might be persuaded of the justice, the necessity of a war. Especially of a war that is formulated as a small, limited military action which will actually contribute to peace or improved security; of an aggression which announces itself as a campaign of disarmament --- admittedly, disarmament of the enemy; and, regrettably, requiring the application of overpowering force. An invasion which calls itself, officially, a liberation.

Every violence in war has been justified as a retaliation. We are threatened. We are defending ourselves. The others, they want to kill us. We must stop them.

And from there: we must stop them before they have a chance to carry out their plans. And since those who would attack us are sheltering behind non-combatants, no aspect of civil life can be immune to our depredations.

Never mind the disparity of forces, of wealth, of firepower --- or simply of population. How many Americans know that the population of the Iraq is 24 million, half of whom are children? (The population of the United States, as you will remember, is 290 million.) Not to support those who are coming under fire from the enemy seems like treason.

It may be that, in some cases, the threat is real.

In such circumstances, the bearer of the moral principle seems like someone running alongside a moving rain, yelling "Stop! Stop!"

Can the train be stopped? No, it can't. At least, not now.

Will other people on the train be moved to jump off and join those on the ground? Maybe some will, but most won't. (At least, not until they have a whole new panoply of fears.)

The dramaturgy of "acting on principle" tells us that we don't have to think about whether acting on principle is expedient, or whether we can count on the eventual success of the actions we have undertaken.

Acting on principle is, we're told, a good in itself.

But it is still a political act, in the sense that you're not doing it for yourself. You don't do it just to be in the right, or to appease your own conscience; much less because you are confident your action will achieve its aim. You resist as an act of solidarity. With communities of the principled and the disobedient: here, elsewhere. In the present. In the future.

Thoreau's going to prison in 1846 for refusing to pay the poll tax in protest against the American war on Mexico hardly stopped the war. But the resonance of that most unpunishing and briefest spell of imprisonment (famously, a single night in jail) has not ceased to inspire principled resistance to injustice through the second half of the twentieth century and into our new era. The movement in the late 1980s to shut down the Nevada Test Site, a key location for the nuclear arms race, failed in its goal; the operations of the test site were unaffected by the protests. But it directly inspire the formation of a movement of protesters in far away Alma Ata, who eventually succeeded in shutting down the main Soviet test site in Kazakhstan, citing the Nevada antinuclear activists as their inspiration and expressing solidarity with the Native Americans on whose land the Nevada Test Site had been located.

The likelihood that your acts of resistance cannot stop the injustice does not exempt you from acting in what you sincerely and reflectively hold to be the best interests of your community.

Thus: It is not in the best interests of Israel to be an oppressor.

Thus: it is not in the best interests of the United States to be a hyperpower, capable of imposing its will on any country in the world, as it chooses.

What is in the true interests of a modern community is justice.

It cannot be right to systematically oppress and confine a neighboring people. It is surely false to think that murder, expulsion, annexations, the building of walls --- all that has contributed to the reducing of a whole people to dependence, penury, and despair --- will bring security and peace to the oppressors.

It cannot be right that a president of the United States seems to believe that he has a mandate to be president of the planet --- and announces that those who are not with America are with "the terrorists."

Those brave Israeli Jews who, in fervent and active opposition to the policies of the present government of their country, have spoken up on behalf of the plight and the rights of Palestinians, are defending the true interests of Israel. Those of us who are opposed to the plans of the present government of the United States for global hegemony are patriots speaking for the best interests of the United States.

Beyond these struggles, which are worthy of our passionate adherence, it is important to remember that in programs of political resistance the relation of cause and effect is convoluted, and often indirect. All struggle, all resistance is --- must be --- concrete. And all struggle has a global resonance.

If not here, then there. If not now, then soon: elsewhere as well as here.

To Archbishop Oscar Arnulfo Romero. To Rachel Corrie. And to Ishai Menuchin and his comrades.

This piece first appeared, with addenda and a slightly longer introduction, at Tomdispatch.com.

Publicado por tchernignobyl às 11:21 PM | Comentários (5)

PRAÇA DO CHILE

Descontando um certo exagero, Pacheco Pereira acertou na previsão de há dois dias:

«Tenho poucas dúvidas que o funeral de Álvaro Cunhal vai ser a maior manifestação comunista das últimas décadas na Europa. Não em Portugal, mas na Europa.»

Publicado por José Mário Silva às 05:45 PM | Comentários (11)

ATÉ SEMPRE, CAMARADA

Acusam-te - e com razão - de teres estado sempre incondicionalmente do lado do estalinismo, de teres apoiado as invasões da Checoslováquia e da Hungria, a repressão na Polónia. De não teres sabido compreender a queda do Muro de Berlim.
Sobre a tua actuação política em Portugal em 1975 também te acusam de muita coisa. Seguramente cometeram-se muitos excessos que tu incitaste, mas o que dizer das perseguições a que os comunistas eram sujeitos pelo país, com a conivência (e por vezes apoio) da parte mais reaccionária da Igreja Católica e de terroristas da extrema direita? Acusam-te sobretudo de teres "intenções" totalitárias para o país. A tua resposta a essas acusações de "intenções" foi o celebérrimo "Olhe que não!!". A mim, para julgar alguém, antes das intenções importam-me os actos cometidos. E aí, no momento decisivo, a 25 de Novembro de 1975, não avançaste. Pode ter sido por não teres o apoio da União Soviética, ou por na verdade não serem essas as tuas "intenções". Por muito que se especule e se te acuse, só tu o sabias. De minha parte, tal como Mário Soares fez no dia dos teus 80 anos, agradeço-te por não teres avançado.
Dito isto, a verdade é que erraste várias vezes, e não pouco. Mas sempre foste visto como um herói, como um mito, e não como um homem. E era um homem que tu eras.
Nunca soçobraste. Declaraste-te um "filho adoptivo do proletariado" perante o tribunal em pleno fascismo. Estiveste preso por mais de onze anos, oito deles praticamente em isolamento total. Eras o inimigo número 1 do fascismo.
Dos que te acusam, quantos teriam tido a tua coragem? Quantos teriam aguentado como tu aquilo por que passaste?
Quando finalmente fugiste exilaste-te primeiro na União Soviética, que te sustentou. É neste contexto, depois dos teus anos na prisão, que tem de ser visto o teu apoio incondicional ao regime soviético. Estavas errado, pois estavas. No teu lugar, muita gente também estaria.
Já perto do fim da tua vida afirmaste que, hoje em dia, muito pouca gente aguentaria aquilo por que tu e os teus companheiros passaram. É daquelas suposições que só na prática poderiam ser confirmadas. E ninguém o quer experimentar...
Foste visto como um mito, mas eras um homem. Erraste, como todos os homens. Mas devemos-te muito, e como tu há muito poucos.

Publicado por Filipe Moura às 04:00 PM | Comentários (23)

POST ABUSIVA E DESPROPOSITADAMENTE UMBIGUISTA

Número de referências feitas, no livro «Gato Fedorento, o blog», a Aristóteles, Oscar Wilde, Bill Clinton, Eusébio, Francisco Sá Carneiro, Eça de Queirós, Che Guevara, Fernando Pessoa, Al Capone, Pedro Tamen, Harold Bloom, Edith Piaf, Catarina Eufémia, Karol Woytjla, Cicciolina, Freud, D. Duarte, Estaline, Proust, Bach, Francisco José Viegas, Isaiah Berlin, Padre António Vieira, Red Hot Chili Peppers, Jorge Silva Melo, Alexander Fleming, Luiz Pacheco, Rolling Stones, Gutenberg, Martin Amis, Juiz Rui Teixeira, Le Pen, Maradona, Eugénio de Andrade, Olga Roriz, Frank Sinatra, Pedrito de Portugal, Salvador Allende, David Beckham, Heidegger, José António Saraiva, Francisco Louçã, Oakeshott, John Cleese, Luís Figo, Abel Barros Baptista, Freitas do Amaral, Ralph Lauren, Ronald Reagan, Torquemada, Vasco Graça Moura, Woody Allen, Jorge de Sousa Braga, Presidente Lula, António Champalimaud e Cesário Verde — 1

Número de referências feitas, no livro «Gato Fedorento, o blog», a Camões, Bertrand Russel, Chopin, Britney Spears, Vasco Pulido Valente, Margaret Thatcher, Berlusconi, Álvaro Cunhal, Clara Ferreira Alves, Claudia Schiffer, Eva Braun, Manoel de Oliveira, Keanu Reeves, Miguel Sousa Tavares, Dan Brown, Hillary Clinton, Beatles, Joerg Haider, Tonicha, Angelina Jolie, Umberto Eco, Nossa Senhora e Fidel Castro — 2

Número de referências feitas, no livro «Gato Fedorento, o blog», a este vosso humilde escriba — 3

Publicado por José Mário Silva às 02:35 PM | Comentários (6)

O FIM DA LISTA

«Já só falta o Saramago», disse ele, como podia ter dito «já só faltam três pontos para ganharmos o campeonato». O outro sorriu. Sorriram os dois. Cúmplices na ironia, no ódio e na desvergonha.

Publicado por José Mário Silva às 12:34 PM | Comentários (27)

DE CABEÇA PARA BAIXO

baselitz.bmp

Georg Baselitz, Handtuch 6.IV.98 (1998)

Publicado por José Mário Silva às 12:31 PM | Comentários (0)

O MOCHO

O Blasfémias deu mais um passo a caminho do maximalismo.
O habitualmente circunspecto blog utilizou a expressão "bufo", habitual nos arruaceiros de esquerda, contra um agente da autoridade.
E americano ainda para mais!
E do FBI!
O que fez o malandro?
Descobriu-se que trucidou uma família de indefesos camponeses guatemaltecos?
Arrasou uma aldeia vietnamita?
Participou nalguma missão secreta de desestabilização no Chile para preparar o golpe do Pinochet?
Foi reconhecido nalgum postal turístico de Abu Ghraib em poses comprometedoras?
Népia: essas até davam para recomendar condecoração.
Parece que o tal "garganta funda" violou há um ror de anos um segredo de... justiça, assim lhe chama o CAA ....e ajudou dois jornalistas americanos a desmontar um golpe sujo de um republicano Presidente dos Estados Unidos, veja-se só.
Por um lado faz sentido: quando se descobriu recentemente que os serviços secretos americanos tinham feito escutas ao Secretário Geral da Onu, logo a direita em peso veio dizer que esse género de coisas ... era(é) normal.
Embora ao incauto pouco informado pareça uma actividade de bufo andar a fazer escutas, felizmente que alguns intelectuais mais avisados nos tranquilizam: no fundo trata-se de uma actividade muito liberal, dos escritórios da sede do partido democrata ao gabinete do Kofi Annan e o que haja pelo meio.
Por outro lado, quem diria que há pouco mais de um ano a direita se deliciava com o aperto por que então passavam alguns dirigentes socialistas com base em grosseiras violações do segredo de justiça disseminadas pela imprensa com requintes de maquiavelismo pidesco?
É aprender até morrer.

Publicado por tchernignobyl às 01:30 AM | Comentários (7)

VIDA DE CÃO

A propósito do Cunhal, Pulido Valente escreveu hoje no Público uma peça autobiográfica altamente pungente.
Que tragédia, que infância infeliz.
Embora admita que não percebia patavina do que se passava porque era então criança, o homem esforça-se com denodo para nos mostrar como a oposição ao regime não era nada fashion.
Ainda por cima os pais dele tinham a estranha tara de receberem por vezes em casa alguns clandestinos em fuga, o que naturalmente aborrecia o petiz pois acabavam por "pesar".
A conclusão nem é nada por aí além de catastrófica, de previsível que é qualquer descrição de qualquer grupo mais ou menos humano da Patagónia aos Barbados que irresponsavelmente atraia a atenção da pena biliosa de Valente:
umas vidas miseráveis, uma gente tristonha, semi analfabeta, intelectualmente indigente.
Enfim, só poderiam andar "enganados".
E parece que sim.
Já a Pide dizia o mesmo.

Publicado por tchernignobyl às 12:45 AM | Comentários (13)

junho 14, 2005

PRÉ-PUBLICAÇÃO

Amanhã haverá mais um texto sobre Álvaro Cunhal, com mais uma foto, com certeza. Seguindo o exemplo de Cunhal, há que se manter a coerência. Mesmo estética.

Publicado por Filipe Moura às 11:35 PM | Comentários (3)

JÁ NÃO ERA SEM TEMPO

Crescem na blogosfera os rumores de que está em formação um Palinhos Fan Club.

Publicado por José Mário Silva às 11:20 PM | Comentários (3)

CAUSAS PERDIDAS

Gostei do comentário e do nick, e atrevo-me a passá-lo a post:

A História é que julga as Pessoas e as Ideologias, diz a frase-feita. Como o dia do juízo final ainda não chegou, nem me parece que "amanhã seja a véspera desse dia", muito do papel de Álvaro Cunhal na História do movimento comunista e operário de Portugal ainda está por (d)escrever.

Para não alinhar, na hipocrisia do "homem de convicções":
Um dos erros de Cunhal, e a pior herança que deixou do ponto de vista teórico ao seu partido de sempre, o PCP, foi o de não ter feito um balanço correcto das causas da degenerescência do Estado Soviético e o de não ter entendido que esse desvirtuar do ideal comunista se iniciou bem antes de Gorbachov.
O debate mantém-se. Se um indivíduo pode ter um papel importante na História, um comunista não pode alimentar o argumento de que tenha sido apenas um mau dirigente comunista a determinar o fim do sonho. E os outros? Que fizeram as "massas" quando lhes roubavam aquilo que era seu? Se não se levantaram, foi porque depois de dezenas de anos de ideologia ficaram domesticadas e sem ideologia, deixaram de considerar seu o que lhes diziam pertencer-lhe. No caso da URSS, os "fins" acabaram esquecidos depois de tão desvirtuados que foram pelos "meios".

Muitos dos que hoje homenageiam Álvaro Cunhal falam da sua “coerência”, falam como se estivessem perante a derrota do herói de Cervantes diante dos moinhos. Conversa fiada.
Álvaro Cunhal lutou, equivocou-se, lutou, errou, lutou, falhou… lutou, até ao fim.
Manteve-se fiel ao seu sonho de jovem combatente revolucionário. O mesmo não podem dizer muitos dos seus “homenageadores”, para quem cada dia é mais um dia de ajuste de contas com a sua juventude.
Por causa dos Fins, sabendo que a História da Humanidade ainda é uma criança, a inclinação respeitosa de um comunista que muitas vezes lhe enfrentou os Meios.

Causasperdidas
Comentário tirado daqui.

Publicado por tchernignobyl às 10:07 PM | Comentários (2)

A MORTE DE ÁLVARO CUNHAL NA IMPRENSA ESTRANGEIRA

Sem querer ser exaustivo: no Jornal do Brasil, no El Mundo, no Libération, no The Guardian e no The New York Times (matéria acompanhada pela foto acima - requer registo).

PS: Se eu o fiz pelo menos para Yasser Arafat e Hans Bethe, por que não fazê-lo para Álvaro Cunhal? Segue-se a transcrição do seu obituário no The New York Times. Mesmo tendo uma ou duas pequenas imprecisões biográficas (Cunhal estava em Paris no 25 de Abril), de um modo geral está muito bom, ou não viesse de onde vem.

June 14, 2005
Álvaro Cunhal Dies at 91; Led Portuguese Communists
By WARREN HOGE
Álvaro Cunhal, the longtime leader of Portugal's Communists and a faithful supporter of hard-line Stalinist views even as other Western European Communist parties shed their revolutionary slogans in the past two decades, died Monday, the Portuguese Communist Party announced. He was 91.

The party did not disclose the cause of his death or where it occurred.

Mr. Cunhal, the son of a lawyer, was born in Coimbra, Portugal's university city, in 1913, and moved with his middle-class family to Lisbon in 1923.

He declared himself "an adopted son of the proletariat" and joined the Communist Party and the League of Friends of the Soviet Union when he was 17. At 22, he secured a place on the party's central committee and a year later went to Moscow as a delegate to an international Communist youth congress.

His advocacy frequently cost him his freedom, and he spent nearly 35 years living underground or in jail. He finished his law exams while in prison in 1940, and had to be taken from jail so he could defend his dissertation, calling for the legalization of abortion, before a jury of professors.

But in 1974 he returned home to take charge of the Communist Party after the fall of the dictatorship of António de Oliveira Salazar, which he had spent much of his life resisting and which had labeled him public enemy No. 1.

He had fled Portugal in 1960 after he and other Communist leaders staged a storied escape from a notorious fortress prison, sliding down the walls on a rope made of bedsheets tied together. He exiled himself to Czechoslovakia and the Soviet Union and was living in Moscow when the bloodless military uprising known as the Revolution of Carnations toppled Marcelo Caetano, Mr. Salazar's successor.

Mr. Cunhal was always secretive about his private life, his exile homes and hiding places in Portugal, and his years in prison. In 1961 his daughter, Ana Maria, from a relationship he had with a party worker, was born in Moscow. His current partner, Fernanda Barroso, and his daughter survive him.

His party, which he led as secretary general until retiring in 1992, did well in elections, sometimes finishing as high as third, and its success resulted in Mr. Cunhal's holding ministerial positions in four post-revolution, military-led governments.

His party had the support of the Soviet Union, and tough internal discipline led to the frequent expulsion of party-line dissidents. Mr. Cunhal argued that Portugal should leave NATO and ally itself instead with Moscow.

He was a passionate orator and imposing figure, with black bushy eyebrows and a steady gaze that gave his utterances a ring of fiery conviction. The Socialist leader Mario Soares, who was to overtake Mr. Cunhal in Portugal's leftist politics and become prime minister and then, for two terms, president, credited his rival with having "a luminous, penetrating glance that bespoke great inner strength."

In contrast to his tough public exterior, Mr. Cunhal built a reputation for artistic accomplishment, translating Shakespeare's "King Lear" while in the prison in the 1950's, publishing pencil drawings done in jail, and revealing in 1995 that he was the author of four best-selling novels under the pseudonym Manuel Tiago and the creator of engravings and sculptures under the name António Vale. One of his novels was made into a television miniseries broadcast this year, depicting the Communists' efforts to organize rural workers in the 1940's, and a 1996 essay on aesthetics drew wide comment.

Despite being accepted as a participant in Portugal's democratic politics, he never renounced his admiration for Stalin or his unyielding ideology.

In a message to the Portuguese Communist Party at its 2000 congress, which he was too ill to attend, he declared to the dismay of its reform-minded youthful members: "Our Communist convictions rest on objective reality that some would like to deny or forget - the division of society in classes and the class struggle. These are not just ideas. They are reality."

He sent a final, written message to his party at its congress last year. It concluded, "Long live Marxism-Leninism!"

Publicado por Filipe Moura às 06:18 PM | Comentários (3)

MEMÓRIA DE EUGÉNIO

Vi Eugénio uma única vez, na sua Fundação, em frente ao Douro. No pequeno auditório, rodeado de fotografias, bustos e retratos do poeta (uma espécie de sala dos espelhos do Narciso que ele também era), aguardava o início de um debate sobre a sua escrita. A questão é que eu lera mal o convite e por isso cheguei antes da hora. Não havia vivalma por ali. Ou melhor, havia o Eugénio, habitante da casa, a caminhar sem ruído por entre as cadeiras vazias, com um gato ao colo. Aproximou-se da porta, olhou lá para fora (para a luz que minguava sobre as casas do Passeio Alegre), voltou para trás e subiu as escadas. Tenho a certeza de que não se apercebeu da minha presença. Ia absorto, dando festas ao bichano e murmurando palavras inaudíveis, com a débil luz da tarde a iluminar os seus cabelos brancos.
Ainda hoje me pergunto que poema escrevia ele naquela tarde, à minha frente, ignorando o meu olhar de leitor intrometido. Talvez poema nenhum. Talvez só a poeira vã dos versos perdidos (essa que eu conheço bem demais).

Publicado por José Mário Silva às 02:35 PM | Comentários (11)

ESSA VIDA PRECIOSA, SALVEMO-LA

Precioso é também o texto de Jorge Amado sobre Álvaro Cunhal, a ler no Barnabé.
Quem já leu Até Amanhã, Camaradas, ao ler a descrição (física e não só) que Amado dá de Cunhal, não pode deixar de se lembrar de Vaz, o protagonista do romance de Manuel Tiago.

Publicado por Filipe Moura às 12:53 PM | Comentários (4)

SEM PALAVRAS

Depois desta capa, há quinze dias, o contraste com a capa de hoje do DN não poderia ser maior. Em ambos os casos, escolhas felizes e apropriadas.

Publicado por Filipe Moura às 12:45 PM | Comentários (2)

EUGÉNIO TODO NUM DÍSTICO

os lábios,
instrumentos da alegria

Publicado por José Mário Silva às 11:25 AM | Comentários (2)

MAIS UM, MENOS DOIS

Santo António e os poetas:

1888 - Nasce Fernando Pessoa
1997 - Morre Al Berto
2005 - Morre Eugénio de Andrade

Publicado por José Mário Silva às 11:15 AM | Comentários (2)

junho 13, 2005

O MEU POEMA DE EUGÉNIO

Colhe
todo o oiro do dia
na haste mais alta
da melancolia.

Publicado por José Mário Silva às 10:29 PM | Comentários (4)

ÁLVARO CUNHAL

Morreu um homem bravo.
Concordei com ele, discordei dele, segui-o, afastei-me. Mas nunca deixei de admirar aquele perfil, aquela voz sem quebrantos, aquela coragem que nunca se apagou diante da ignomínia.
Uma coisa não lhe perdoo: a cegueira, quando já todos víamos o que se passava. A persistência no erro, quando era evidente que a revolução soviética há muito se transformara numa perversa caricatura burocrática de si mesma.
Os seus caminhos não foram os meus caminhos. A História, ingrata ou cínica, virou-lhe as costas. Mas reduzir por isso a sua vida a um falhanço é esquecer as décadas de luta e sacrifício, o trabalho secreto, sofrido, que contribuiu para que vivamos hoje em liberdade, em democracia.
Morreu um homem bravo. E, com ele, fecha-se uma parte importante do século XX português.

Publicado por José Mário Silva às 10:21 PM | Comentários (12)

EUGÉNIO (1923-2005)

eugenio.andrade

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Publicado por José Mário Silva às 12:07 PM | Comentários (6)

FILHO ADOPTIVO DO PROLETARIADO

Álvaro Cunhal (1913-2005)

Publicado por Filipe Moura às 09:25 AM | Comentários (26)

ENFIN!

A jornalista francesa Florence Aubenas, raptada no Iraque há cinco meses, foi hoje libertada com o guia iraquiano que a acompanhava.
Já se desesperava.

Publicado por tchernignobyl às 02:30 AM | Comentários (1)

junho 12, 2005

DESEMBARQUE NA "SELVA URBANA"

O arrastão de sexta feira levanta no entanto outros problemas.
Tratou-se de um grupo muito grande de pessoas.
Foi visível a uniformidade étnica dos envolvidos.
Tratou-se de uma acção criminosa levada a cabo à luz do dia contra uma multidão.
Foi também um ponto marcante num processo que se vem arrastando desde há alguns anos com assaltos frequentes envolvendo por vezes grupos de dezenas de pessoas nas linhas de comboio que servem as periferias da capital.
Por enquanto, o "cidadão anónimo" agarra-se a hipóteses de soluções bem comportadinhas do mais enternecedor "politicamente correcto".
Exige-se mais "policiamento".
ewurm02[1].jpg

Erwin Wurm
Looking for a bomb, 2003
Instructions on how to be politically incorrect

Tal como a jornalista da SIC, as pessoas acham que a polícia é omnipresente e omnipotente para responder a todos os casos imaginados pelos fantasistas mais delirantes.
Quantos polícias para lidar com um grupo tão numeroso? Cem? E se os assaltantes aparecerem em S.Pedro do Estoril em vez de Carcavelos? Outros cem de prevenção à espera deles?
E se atacarem na Ericeira? Mais cem?
E se em vez de quinhentos forem mil? Deverá a polícia ter duzentos polícias por praia?
E as estações de comboio? E o metro? E a Feira do Livro? E o Parque das Nações? E um dos engarrafamentos que se formam diariamente nas diversas entradas da cidade?
Ainda que não vão agora faltar iluminados a pretenderem vender ao governo "sistemas de vigilância" "infalíveis" e espalhados por cada centímetro quadrado da cidade, das praias e arredores, custando centenas de milhares de euros mas poupando em efectivos policiais, penso que este jogo mostra os limites do argumento "dissuasor passivo".
Não é razoável.
Conduziria a um grau de policiamento vizinho da paranóia e não sei se alguém estará disposto a pagar esse preço se pensar um minuto no caso.
Para não falar nos custos envolvidos, já que tanto se fala em déficit.
A polícia terá de ter condições para dominar rapidamente os cabecilhas do(s) gang(s) antes que se generalize a convicção de que está tudo a saque, porque se se generaliza essa convicção estaremos perante algo de muito grave.
Os gangs irão reincidir em acções cada vez mais audaciosas, em breve o "cidadão anónimo" chegará à conclusão de que dissuasão só, não chega e poderá nascer uma onda racista violenta e imparável naturalmente dirigida pela extrema direita que será insensivel a argumentos razoáveis de contenção.
Quem sofrerá em primeiro lugar e mais brutalmente as consequências serão as pessoas mais desprotegidas das comunidades reféns dos criminosos.
Para além das consquências políticas "tout court" que daí advirão, estarão reunidas as condições para se gerar um clima de guerra civil, corrupta, sanguinolenta e incontrolável tal como sucede no Brasil.
O atraso de Portugal poderia ter jogado a nosso favor.
Deu-nos um avanço temporal que nos poderia ter permitido prever e planificar adequadamente para minorar alguns aspectos negativos do crescimento observáveis há décadas noutros países mais avançados, como a explosão urbanística, a macrocefalia urbana, o caos provocado pela excessiva dependência do automóvel, só para falar em três.
Falhámos estrondosamente e as consequências negativas desses fenómenos atingiram entre nós aspectos terceito-mundistas, mas apesar de tudo, temos sobrevivido e talvez possamos melhorar algumas coisas.
Por isso, a resposta à eclosão deste tipo de criminalidade é decisiva ou conheceremos todos ao vivo o significado de "selva urbana" sem metáforas.

Publicado por tchernignobyl às 11:15 PM | Comentários (22)

TIC TAC TIC TAC

Alguns verão no arrastão de Carcavelos uma manifestação da revolta das massas, resultado lógico da crescente guetização da sociedade portuguesa e a que só se pode responder criando as condições políticas e económicas que permitam o desaparecimento desses guetos.
Admitamos que sim, em parte.
Mas quem faça uma viagem de comboio de longa distância com um grupo de militares acabados de sair do quartel para passarem o fim de semana em casa, ou quem acompanhe a claque de um qualquer clube de futebol em romaria para apoiar o seu clube a um estádio rival, percebe que não é exactamente assim.
É um problema mais generalizado e que diz respeito a um conjunto de caracteristicas observáveis na sociedade portuguesa.
Um estado de violência latente que paradoxalmente passa quase totalmente à margem da luta política.
Como se a vida política com as suas pequenas tricas fosse a expressão cristalizada dos "brandos costumes", e na "vida real" se movesse algo em surdina, raramente verbalizado publicamente nos media mas presente em muitos pequenos sinais do dia a dia, uma bomba de relógio à espera do momento certo para explodir.

Publicado por tchernignobyl às 11:00 PM | Comentários (5)

CULPADOS A SACA-ROLHAS: MAIS UM IMPERATIVO POPULISTA

Anteontem à tarde, na ressaca dos acontecimentos de Carcavelos, uma jornalista apresentadora de um noticiário da SIC insistia obstinadamente com o criminalista que entrevistava ao telefone, tentando sacar à força a resposta que coincidisse com a conclusão que
parecia já ter tirado: tudo se deveu à falta de policiamento.
Um tique demasiado banalizado e que faz por vezes com que a actividade jornalística pareça uma profissão de paranóicos e delatores: tentar arranjar logo na hora, a quente, "responsáveis", por algo de inconcebível que sucedeu contra as expectativas mais tresloucadas.

Publicado por tchernignobyl às 10:45 PM | Comentários (0)

TRATEM-NOS DA SAÚDE

Os custos de saúde são cada vez maiores.
Vários factores como a necessidade de os médicos fazerem seguros de responsabilidade profissional elevadissimos e a necessidade de cada vez maiores investimentos em investigação para combater as miríades de agentes patogénicos a que diariamente somos expostos, ameaçam bloquear os sistemas de saúde públicos e privados.
Num futuro próximo só será possível assegurar cuidados de saúde regulares aos muito muito ricos.
Porquê não recorrer então a uma solução testada no combate diário a múltiplos agentes virais?
Uma solução prática e económica embora com alguns riscos:
Quem é que se lembra de clickar em "I Don't accept" no momento de instalar o software?
Quem é que lê o texto do contrato e em especial os "disclaimers" antes de aceitar o contrato?

Publicado por tchernignobyl às 12:36 PM | Comentários (3)

junho 11, 2005

JANTAR NO CHINÊS

O acaso tem um sentido de humor lixado. Só à saída é que reparei no nome do restaurante: Muralha de Ouro.

Publicado por José Mário Silva às 11:29 PM | Comentários (1)

PEQUENA NOTA SOBRE O GONÇALVISMO

Os críticos do costume podem dizer o que quiserem, mas a verdade é esta: nunca o povo português (sim, povo) teve tanta qualidade de vida, tantas regalias e tantos direitos sociais como durante aquele período curto de entusiasmo e efervescência política em que as pessoas chegavam a oferecer, vejam lá bem, dias de trabalho em prol do país. Parece que foi há muito tempo, não é? Foi há 30 anos.
Nos próximos dias, não vão faltar as habituais conversas sobre as "derivas totalitárias" do PREC. Mas eu gostava de saber quantos desses horrorizados saudosistas da Fonte Luminosa se lembrarão que foi Vasco Gonçalves a introduzir, por exemplo, o 13.º mês.

Publicado por José Mário Silva às 10:57 PM | Comentários (9)

FORÇA, FORÇA, COMPANHEIRO VASCO


General Vasco Gonçalves (1922-2005)

Nós seremos a muralha de aço.

Um testamento político de Vasco Gonçalves pode ser lido aqui.

Publicado por Filipe Moura às 05:15 PM | Comentários (27)

junho 10, 2005

DOIS ANOS DE WEBLOG.COM.PT

weblog.bmp

Parabéns, Paulo Querido. Sem ti, a blogosfera portuguesa não seria o que é. E ainda chegará o dia em que irás a Belém, todo janota, comemorar com uma alta comenda (não confundir com uma alta encomenda) o quinto ou o décimo aniversário da tua plataforma. Mark my words.

[Fica assinalada a profecia.]

Publicado por José Mário Silva às 04:26 PM | Comentários (0)

DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES, DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS E DO «É A CULTURA, ESTÚPIDO!»

Desta vez, o encontro terá lugar no Auditório da Feira do Livro de Lisboa, pelas 22 horas. Os convidados serão Luís Oliveira (Antígona) e Tereza Coelho (Bertrand), que se disponibilizaram para falar sobre as estratégias das respectivas editoras, uma assumidamente marginal (refractária) e outra assumidamente comercial. Ou das razões porque uns publicam «O Código Da Vinci» e outros apostam em Zweig ou em Kleist.
Da equipa habitual, desfalcada, permanecem este vosso escriba (que moderará o debate), João Miguel Tavares e Pedro Mexia. Para compensar as ausências, foram "contratados" reforços: o jornalista Rui Lagartinho e Mafalda Lopes da Costa (directora da revista Ler).

Publicado por José Mário Silva às 04:12 PM | Comentários (0)

junho 09, 2005

A PESCADINHA DE RABO NA BOCA

iraq.bmp

Publicado por José Mário Silva às 12:53 PM | Comentários (2)

VAMOS AJUDAR O JOÃO A DEFINIR "TRAPALHADAS"

O João Miranda decidiu adicionar algumas trapalhadas à minha lista do Governo PS. Ok, não tentei ser exaustivo (especialmente no que diz respeito à era Santana-Portas), mas algumas das "trapalhadas" apontadas pelo João pareceram-me questionáveis. Vamos ver:

3. Ministro Campos e Cunha diz que impostos vão ter que subir, a dias da tomada de posse, e 1º ministro desmente passado 2 dias. passados 2 meses, os impostos afinal aumentam.(Publicado por: Louco em junho 8, 2005 11:37 AM)

Tenho impressão que arranjaram um excelente bode expiatório e mantiveram um período de tempo minimamente inteligente para "mudar de posição", não foi?
Já o Santana Lopes foi: "Se for para o governo vou tentar baixar o IRC... Como primeiro-ministro empossado há cinco minutos vou baixar o IRS."

4. Ministro do neg. Estrangeiros, manifesta publicamente 2 posições antagónicas sobre o referendo Europeu: uma posição pessoal e outra do Estado Português.(Publicado por: Louco em junho 8, 2005 11:37 AM)

Hum, mas afinal isso é trapalhada ou inteligência política?

5. Nomeação de Fernando Gomes para a Galp, essa mente brilhante da gestão portuguesa, profundo conhecedor dos negócios do petróleo (parece que é ele próprio quem abastece de combustível o seu automóvel). (Publicado por: Louco em junho 8, 2005 11:37 AM)

Lembrei-me, assim de repente, da Celeste Cardona no Banco de Portugal. Mas imagino que o Telmo Correio no Turismo deve bater todos os recordes, não?

10. Antes da prometida redefinição dos cargos de nomeação política, o governo já encheu a administração pública e as empresas públicas de boys.

Mas uma coisa invalida a outra?

11. Ministro da Saúde diz que o Hospital de Faro afinal é para estudar. Sócrates manda dizer que é mesmo para construir.

Em menos de 24 horas:
Santana Lopes: "Refinaria de Leça vai ser desactivada".
Paulo Portas: "Vai-se estudar se Refinaria continua ou não."
Álvaro Barreto: "Refinaria vai continuar a funcionar."

12. Trapalhadas várias impedem realização do referendo aborto em 2005.

Trapalhadas várias? Estás a falar do boicote do Sampaio?

13. Depois de o PS ter impedido uma revisão constitucional para facilitar o referendo europeu, PS entende-se com o PSD para fazer uma revisão constitucional ad hoc que nos permitirá, apenas e só, referendar uma Constituição Europeia que já está morta.

Isso quer dizer que a culpa da vitória do "Não" na França e na Holanda deve ser imputada ao Sócrates e não ao Durão Barroso?

14. Ministro dos Negócios Estrangeiros, não podendo prestar declarações públicas devido a pacto de silêncio no governo, presta declarações off the record.

Central de comunicação... Bagão Félix a meter uma carta no correio para a família a comunicar o seu futuro político... Assessores de Santana a mandar cartas para os jornais a criticar colunistas... José Manuel Gandarez no DN...

15. PS dá razão a Gomes da Silva e critica programa de Marcelo na RTP. António Vitorino aparece como comentador da RTP.

Correcção: Devias ter dito: jornalista independente apresenta queixa à Alta Autoridade pelo serviço público de televisão não seguir princípios de isenção política. Alta Autoridade dá parecer favorável. Direcção da RTP (ainda do anterior governo) convida António Vitorino.

Compare-se com: Ministro adjunto vem para a comunicação social pressionar empresa privada a propósito de comentador, pouco antes de governo abrir concurso público que interessa à dita empresa privada.

Isto será uma trapalhada ou uma forma de fazer bem "as coisas"?

16. Governo nacionaliza terrenos da Bombardier com o objectivo de os entregar a empresa pública falida.

A Bombardier não é aquela empresa estrangeira que comprou a Sorefame por não sei quantas benesses e depois ignorou todas as garantias que tinha dado e tentou lucrar com património essencial do país?
E a "empresa pública falida" será a CP, que melhorou notavelmente o serviço nos últimos anos e está a reduzir despesas?

17. Ministro do Interior declara que Reforma aos 65 anos não se aplica a todos.

Olha a grande novidade: uma lei com excepções!

18. Ministra da Cultura usa cargo para interferir nas eleições do Porto e aceita cunha de Presidente da República para favorecer um determinado pianista.

É, sem dúvida, uma interpretação muito criativa do facto de o Ippar não autorizar que um túnel rodoviário de elevado tráfego desemboque em frente à porta de um dos mais importante museus de arte do país.
Que tal esta interpretação: autarca portuense tira curso com Alberto João Jardim e usa a vitimização, a demagogia e o bairrismo e fala de "insultos ao Porto" para garantir reeleição?

20. Ministro dos Negócios estrangeiros é visto em amena cavaqueira e a trocar sorrisos com a representante de um regime opressivo.

Consideras isto uma trapalhada? Então...


Um é um tal de Rumsfeld e o outro chama-se Saddam qualquer-coisa.


São João Paulo Magno (João César das Neves dixit) e um barbudo qualquer.


O líder do mundo livre num gesto carinhoso a um tipo que baptizou o seu país com o próprio apelido.


Um futuro monarca europeu a cumprimentar um tal de sr. Mugabe.


São João Paulo Magno a conversar com um general reformado.


... o mundo é governado por trapalhões.


Tens, realmente, uma noção muito lata de "trapalhada".

Publicado por Jorge Palinhos às 12:33 PM | Comentários (5)

FIM DE CONVERSA

«Afinal, não há fome que não dê em fartura», disse o provocador. E meteu a viola no saco.

Publicado por José Mário Silva às 10:37 AM | Comentários (1)

FORA DO MUNDO

Acho que o Filipe se abespinha sem razão.
É que no planeta do João, " sim, também é verdade que o comprimento de uma das arestas (que os cientistas não duvidam que é a hipotenusa) elevado ao cubo é igual à soma do cubo das outras duas (que os cientistas não duvidam que sejam os catetos)."
É uma "manifestação" luminosa de como estamos em mundos diferentes, com outros cientistas, onde tudo é possível, sei lá.
De resto, mais cubo, menos quadrado, alguém iria incomodar-se com tais detalhes?
Para o que é... e sem dúvida que é outra potência, outra pujança, "valor acrescentado" ao já assinalável vigor ( e rigor) dos argumentos inatacavelmente lógicos do João.

Para mim é um sinal de esperança.
Quanto mais mundos melhor.
Como dizia o outro, "não tenhais medo".

Publicado por tchernignobyl às 09:10 AM | Comentários (4)

FALSIFICAÇÕES E FALSIDADES

Eu nem costumo envolver-me neste tipo de polémicas. Costumo deixá-las para o Jorge; afinal, ele e o João Miranda são tripeiros, eles que se entendam, seja no Majestic ou seja no Piolho. Mas o Blasfémias é (com todo o mérito) um blogue demasiado lido para eu poder deixar passar coisas destas em claro.
Diz o João Miranda, numa discussão nos comentários que eu recomendo, e posteriormente aqui, que o teorema de Pitágoras é, sem a menor dúvida, uma "relação metafísica".
O João Miranda poderia ter-se dado ao trabalho de procurar sítios como este, antes de fazer tais afirmações. Melhor ainda: talvez devesse voltar à Filosofia do secundário e ler o diálogo "Ménon", de Platão, onde Sócrates leva um escravo à descoberta da relação entre a hipotenusa e os catetos.
O mesmo escravo do Ménon também deveria saber verificar que o "objecto em causa" que o João Miranda aqui apresenta não é um triângulo (apesar de o João afirmar categoricamente o contrário, para demonstrar as limitações do positivismo), que os triângulos (esses, sim) verde e vermelho não são semelhantes e que, por isso, não há aqui paradoxo nenhum: o que há é uma mistificação grosseira e deliberada no post.
Finalmente, a questão com que tudo começou: o expoente "2" da distância entre os corpos, na expressão da lei da atracção universal de Newton. As modificações à lei de Newton são um concorrido tópico de investigação actual, à luz das teorias com dimensões extra, principalmente com gravidade localizada. São tópicos de artigos e seminários pelos melhores especialistas. São investigadas nos melhores laboratórios e os resultados são publicados nas melhores revistas científicas. E depois vem o João Miranda declarar que tal expoente "não é falsificável" (os tipos do laboratório andam portanto a gozar com a malta!) e que "é tudo metafísica"...
Limito-me a fazer um comentário: nem o prof. Boaventura de Sousa Santos, na sua fase mais "pós-moderna" (por sinal, hoje em dia BSS reconhece muitos erros que escreveu), diria uma coisa destas. Não tenho tempo (sobretudo, tempo) e nem paciência para mais. De resto nunca tive paciência para discussões metafísicas. Mas admiro quem ainda a tem, aqui e aqui.

Publicado por Filipe Moura às 08:13 AM | Comentários (51)

REAL ESTATE

A Livraria Ler Devagar ocupa parte de um edifício no Bairro Alto que foi vendido há pouco tempo.
Os novos donos, pretendem que a Livraria desocupe o local até ao próximo mês de Agosto.
Assim, de chofre. As duras leis do "real estate".
Sem grandes alardes ou alarmes, uma coisa parece certa: vai acabar um dos locais mais emblemáticos da cultura lisboeta nos últimos anos.
Muito mais do que uma livraria, um espaço de vibração esquerdista mas aberto a todos sem sectarismo.
Pode dizer-se à laia de consolo: em seu lugar nascerá viçoso um belo condomínio mais ou menos fechado, que "também é cultura", claro, mas nada resolve.
Também não servem lamúrias.
Não se trata aqui de ressuscitar, por pura nostalgia, um morto do tipo Parque Mayer.
É que as coisas nascem e morrem mas a Ler Devagar é algo com demasiada vida para que não seja deprimente vê-la desaparecer desta forma estúpida.
Algo de que a cidade necessita realmente.
Se nada puder já ser feito, mantém-se apesar de tudo a esperança de que se possa encontrar um outro local que possa vir a tornar-se num ponto de referência como o actual tem sido.

Publicado por tchernignobyl às 03:05 AM | Comentários (18)

ESTA É PARA TI

bem meu caro amigo, vinha a caminho de casa a meditar no pedacinho do abrupto que tanto o encantou, quando se me alumiou uma luzinha no bestunto e embiquei para a fnac.
Aí chegado dirigi-me ao empregado mais à mão (salvo seja) e perguntei-lhe :
"Tem aí a Correspondência do Fradique Mendes?"
Lá procurou, procurou, até que de uma segunda fila retirou o numero 7 das obras do seu autor preferido editadas pelos "Livros do Brasil".
Na página 213 uma carta a um tal Bento de S..
"Olá, pensei, temos melro".
Na página 221, o "pecado negríssimo" citado pelo Abrupto ( também há uma carta premonitória sobre um tal Pacheco – "Pacheco não deu ao seu país nem uma obra, nem uma fundação, nem um livro, nem uma idéia. Pacheco era entre nós superior e ilustre unicamente porque tinha um imenso talento"- Carta ao Sr. Mollinet, pág. 161 da mesma edição)(1).

Um dia destes, também passo a substituir a punheta matinal por uma boa sessão de cópia de bocados de texto de autores de luxo ou imagens de "alta craveira" para o blog.
Talvez acabe por me fazer bem aos cornos.
É dar um coice na gata, estender a mão peluda para uma estante no meio da escuridão eventualmente derrubando de caminho o candeeiro da mesa de cabeceira e abrir um livro ao calhas numa página lá para a frente.
Como tudo tem a ver com tudo, não será dificil à luz da lanterna topar numa passagem mesmo a jeito para "comentar" qualquer situação que se apresente, basta arranjar-lhe um titulo mais ou menos imaginativo e está a andar.
E por falar em punheta quem me surge das brumas de um passado oniriconanista enquanto eu trabalhava diligentemente à volta das estantes da fnac para a sua ilustração?
Um fabuloso personagem do passado, homónimo de um jogador da Académica e do Benfica, que acabou por me pagar altas horas uma caneca e uma imperial na Benard enquanto me tecia umas considerações sobre o Estaline e um Plano Quinquenal qualquer e se me queixava de um "certo esquematismo" do Marx.
Empilhando umas mesas e fechando a caixa, uma empregada de meia idade sorria com ternura quando se mencionava o nome do grande estadista.
Seria impressão minha?
De qualquer maneira, vê-se que foi uma noitada e pêras.

(1) eu não tenho a pachorra do autor do abrupto para passar a carta sobre o Pacheco a limpo aqui para o blog, disso me penitencio, talvez o faça amanhã cedinho se acordar espevitado e decidir iniciar a minha terapêutica, mas o meu amigo procure e leia-a que vale a pena, pelas semelhanças e também pelas diferenças com um certo personagem em voga na vida política portuguesa.
Será com tudo isto, bruxo, o Mendes? O melhor é marcar um almoço.

Publicado por tchernignobyl às 12:50 AM | Comentários (5)

junho 08, 2005

PEDRO BARBOSA (COM O NÚMERO 8)

Desenhas o teu jogo com um compasso
Com desprezo do esforço e do excesso
Onde não há, tu inventas novo espaço
Levando a bola até onde já não a meço

Tão veloz que não permanece na retina
E apenas surge no golo em conclusão
Afagas a bola numa ternura repentina
Como se de repente o pé tivesse mão

«Feito num oito» fica quem tu enganas
No drible mais inesperado e imprevisto
Em vez de dias tu permaneces semanas
Na memória de quem fez o seu registo

Tu não és o altivo artista mas o artesão
E se jogas sempre de cabeça levantada
É porque a distância da bola ao coração
É tão pequena como um grão de nada

José do Carmo Francisco

(Assim que li este post do Zé Mário, soube logo que haveria escrever este um dia. Só não julguei que fosse tão cedo.)

Publicado por Filipe Moura às 09:58 PM | Comentários (1)

MEDIDA ESTRUTURAL

Alheios à repulsiva peixeirada, previsível aliás, em que se tornou a discussão sobre “quem” e “como” paga “a crise”, dois rapazes indicavam o caminho para uma hipótese de resposta popular a estas problemáticas, discutindo animadamente suculentas peripécias da batalha da produção vividas no seu posto de trabalho enquanto subíamos colina acima gingando ao ritmo pachorrento do elevador da Glória (que outro nome lhe cairia melhor?) :
Era o Vítor a ouvir música, era eu no MSN, era o Cesário a jogar...

Publicado por tchernignobyl às 06:24 PM | Comentários (1)

CORRECÇÃO AO POST ANTERIOR

Eis o novo treinador do Benfica:

Assim é que é.

Publicado por José Mário Silva às 01:57 PM | Comentários (2)

EIS O NOVO TREINADOR DO BENFICA

Publicado por José Mário Silva às 01:52 PM | Comentários (1)

HISTÓRIA DE TERROR DE CHUCK PALAHNIUK PROVOCA 67 DESMAIOS

No dia seguinte em Seattle, numa leitura à hora de almoço, mais dois homens desmaiaram. Foi no mesmo momento da história - cairam com tanta força que as cadeiras onde estavam sentados rodopiaram pelo chão. Foi preciso parar a leitura para reanimar os dois homens. Mas já era um padrão.

Na noite seguinte, em São Francisco, desmaiaram mais três pessoas.

E na noite posterior, em Berkeley, mais três. O organizador dos três eventos diz que as pessoas caiam no momento em que eu lia "milho e amendoins".
Telegraph

Seria um caso de fome ou de palavras estragadas?

Publicado por Jorge Palinhos às 12:46 PM | Comentários (3)

SHAKESPEARE ON INDIA

Os exames nacionais ingleses vão passar a ser parcialmente corrigidos na Índia para reduzir custos.
Será que os nossos sindicatos da educação já sabem disto?

Publicado por Jorge Palinhos às 12:16 PM | Comentários (5)

PONDO AS COTAS (ALDRABADAS) EM DIA

O BMW Group, importador oficial das marcas BMW e Mini para Portugal, anunciou sexta-feira em comunicado que o mês de Maio foi o melhor de sempre das duas marcas em Portugal. Com 906 unidades vendidas e uma variação positiva de 86,4% relativamente a Maio do ano passado, a BMW foi a 8ª marca mais vendida no mercado nacional. (...)"

Ah, pois, a crise!

Publicado por Jorge Palinhos às 11:08 AM | Comentários (1)

PONDO AS COTAS EM DIA (II)

(Este post vale uma secretaria de estado.)

Os mesmos leitores refilões acham que nos estamos a escapulir ao embaraço do ministro Campos e Cunha. Certo. Façamos uma contabilidade de embaraços entre o actual governo e o de Santana Lopes durante período similar.

Sócrates:
- Governo anuncia que o défice herdado é muito mais elevado do que se esperava e terá de aumentar os impostos.
- Governo anuncia moralização das reformas dos políticos enquanto dois dos seus ministros estão numa situação pouco moralizante.

Santana:
- Paulo Portas surpreendidíssimo na tomada de posse por saber quais as suas novas funções.
- Paulo Portas jura que Teresa Caeiro é a pessoa ideal para a Defesa por ser descendente de militares. Teresa Caeiro vai para a Cultura e deixa o teatro português de rastos.
- Caso Marcelo Rebelo de Sousa.
- Caso DN e Luís Delgado.
- Governo faz desmentido oficial que o primeiro-ministro durma a sesta.
- Bagão Félix anuncia que crise já passou e que salários vão ser aumentados e o IRS vai baixar.
- Ministro Henrique Chaves acusa Santana Lopes de traição.
- Paulo Portas promete que vão passar a ser construídos blindados na Amadora.
- Férias de Morais Sarmento em São Tomé a expensas do estado.
- Três ministros assinam um decreto fora de prazo e de legalidade dúbia que prejudica o estado a favor de privados.
-...

Enfim, uma goleada.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:31 AM | Comentários (7)

PONDO AS COTAS EM DIA

Aparentemente andam para aí leitores a refilar que não se posta o suficiente no BdE.
Estamos certos que os estimados leitores estão cheios de vontade de contribuir financeiramente para garantir a sobrevivência e postagem neste blog e, nomeadamente, para pagar mensalmente a água, luz, gás, renda/condomínio, internet, actualização do anti-vírus e do firewall, subscrição do Público online/assinatura da SIC Notícias e Sport TV, além das batatas, arroz, esparguete, bifes, latas de atum e sardinhas, tomates, pepinos, alfaces, cebolas, sal, um bacalhau demolhado, umas peças de fruta, pão, queijo ou manteiga, café e leite comprados no Pingo Doce/Continente, das papas e do pediatra da Alice e, quem sabe, até dar o suficiente para comprarmos uns livritos e CDs de vez em quando.

Caso não nos queiram sustentar para o resto da vida, os leitores também poderão considerar a hipótese de fazer uma vaquinha para comprar um terreno ali para os lados de Juromenha onde os elementos do BdE possam fundar uma comuna anarco-sindicalista auto-suficiente, garantido-nos depois somente a ligação à net. Acho que o Luís Rainha já se ofereceu para tratar das beterrabas e não deve ser difícil que o BES nos patrocine os chaparros (desta não te lembraste, ó Rodrigo).

Vá, Zé Mário, abre aí uma contita para a gente que o Pedro Oliveira já deve ter ido a correr buscar o cartão de crédito.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:09 AM | Comentários (7)

OXÍMORO

Um publicitário humilde.

Publicado por José Mário Silva às 01:55 AM | Comentários (4)

DA NETCABO ENQUANTO APROXIMAÇÃO À IDEIA DE INFERNO

É muito triste a notícia que o Jorge Candeias nos dá aqui. E francamente necessária a luta que ele sugere contra o péssimo serviço da Netcabo (ainda por cima pago a peso de ouro). Como vítima constante de intermitências e eclipes das luzes verdes do meu modem, deixo aqui o meu apoio à causa.

Publicado por José Mário Silva às 01:45 AM | Comentários (0)

JANELA

janela.jpg

Marc Chagall, La fenêtre sur l'Île de Bréhat (1924)

Publicado por José Mário Silva às 01:42 AM | Comentários (0)

junho 07, 2005

DE VIVA VOZ

Para escutar em directo o senhor a quem se tem devido muita da actualização deste blogue, clique aqui, a partir das 19h00, e oiça como se sai na Prova Oral de Fernando Alvim e Raquel Bulha. Também pode ligar para lá e deixar um recado no voice mail, perguntando porque não está ele a comentar no BdE a situação meteorológica do país.

Publicado por Margarida Ferra às 05:54 PM | Comentários (17)

PROVOCAÇÃO (2)

«Então e os outros, pá? Que é feito dos outros? Emigraram? Fugiram para outras paragens? Meteram férias? Olha que qualquer dia o BdE ainda se transforma num blogue familiar...»

[Vou explicar-te uma coisa, gajo das provocações: o inconveniente da internet é não podermos obrigar ninguém a escrever, assim tipo com uma pistola encostada à cabeça.]

Publicado por José Mário Silva às 02:42 PM | Comentários (30)

PROVOCAÇÃO

«O que é que se passa, pá? Também aderiste à moda dos posts curtinhos?»

[É. É isso. Isso e a falta de tempo, a falta de tempo, a falta de tempo.]

Publicado por José Mário Silva às 02:36 PM | Comentários (1)

CONVITE

Depois de ter dito algumas palavras na apresentação das «mil e uma pequenas histórias» do Luís Ene, é com muito prazer que repetirei a dose no lançamento do livro «Pagar para Ver», a versão em papel do excelente blogue Modus Vivendi, da Ana Roque. A edição é da Leiturascom.net, do nosso deus ex machina, Paulo Querido.
O convívio, aberto a todos os bloggers (e não só), decorrerá amanhã, dia 8, a partir das 19h00, no espaço de café-bar do Teatro A Barraca, em Santos. Alguns trechos da obra serão lidos por Changuito.

Publicado por José Mário Silva às 02:00 PM | Comentários (0)

FRASE DA SEMANA

Comparar Alberto João Jardim a um soba é um insulto para os sobas. (Manuel Resende, num e-mail particular)

Publicado por José Mário Silva às 01:49 PM | Comentários (5)

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

Lições de escrita talentosa, aqui. Só lamento que a actualização não seja diária.

Publicado por Margarida Ferra às 11:44 AM | Comentários (1)

GRANDE, MAS NÃO TÃO GRANDE

O jornalista da TSF chamou-lhe Jorge Luis Peixoto.

Publicado por José Mário Silva às 09:59 AM | Comentários (7)

FOGO

mont.jpg

«Olhe para esta montanha, um dia isto foi fogo»

Paul Cézanne, junto ao Mont Sainte-Victoire, na Provence (uma paisagem que pintou mais de 60 vezes)

mont2.jpg

Publicado por José Mário Silva às 09:56 AM | Comentários (2)

CONSEQUÊNCIAS DA CANÍCULA

«Cheira a incêndio na rua», disse ela.

Publicado por José Mário Silva às 01:08 AM | Comentários (5)

junho 06, 2005

BAIRRISMO

Quem tem as Escadinhas de Manchester ao pé de casa, não precisa de ir para o ginásio fazer stepping.

Publicado por José Mário Silva às 10:55 PM | Comentários (1)

TEORIA GERAL DA DESRESPONSABILIZAÇÃO

Tudo começa com uma frase: «Estou só a cumprir ordens».

Publicado por José Mário Silva às 04:58 PM | Comentários (0)

AS ORIGENS DIVINAS DA BUROCRACIA PORTUGUESA

Um texto teológico medieval explicava aos homens os caminhos da burocracia celestial que têm de ser seguidos para que os seus desejos sejam atendidos pelo distante Deus Pai Todo Poderoso. A primeira instância a ser visitada é a Virgem Maria, mãe amorosa que, como toda mãe, quer fazer todas as vontades dos filhos. Diante da Virgem o pedinte expõe o seu desejo(...). A pura Virgem acolhe o pedido do seu filho ou filha mas ela mesma não tem poder para atendê-lo. Ela vai, então pessoalmente, para a segunda instância, que é Nosso Senhor Jesus Cristo. Diante dele ela expõe o pedido que lhe foi feito e, para convencer o seu Divino Filho, ela lhe mostra o seio, o seio que o amamentou. Ele não tem alternativas. Como poderia dizer “não” ao seio que o amamentou? Mas nem mesmo Jesus tem a última palavra (...). Ele tem de pedir a aprovação de Deus Pai Todo Poderoso. De que artifício vai ele se valer para isso? (...) O Filho, então, lhe mostra as mãos, perfuradas pelos cravos – perfurações dolorosas que aconteceram para que Deus Pai acertasse sua contabilidade com os homens. Deus, sem nem pensar no pedido do pedinte, comovido pela visão das mãos perfuradas, diz sim e o milagre desejado acontece.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:54 AM | Comentários (3)

junho 05, 2005

FINTAS

Ontem à noite, na vitória confortável de Portugal sobre a Eslováquia (2-0), o que mais me impressionou não foi o regresso seguro, embora algo pálido, de Luís Figo, mas a exibição espantosa (mais uma) de Cristiano Ronaldo. É um gozo ver o rapazinho a fintar um, dois, três adversários, como se o drible fosse uma coisa fácil, evidente, natural. Mais ainda: é um gozo ver o rapazinho a fintar, nas repetições, as próprias câmaras que transmitem o jogo.

Publicado por José Mário Silva às 05:19 PM | Comentários (3)

O DRUIDA DE MONTEMOR-O-NOVO

Quem a perdeu quando foi emitida pela primeira vez, sexta-feira ao fim da tarde, ainda pode ouvir hoje, na TSF, a brilhantíssima reportagem assinada por João Paulo Baltazar sobre um conhecedor das ervas que crescem Alentejo fora. "Os Verdes Anos do Mestre Salgueiro", como o Especial Cervantes do Fernando Alves, compensam toda a música de gosto duvidoso que a rádio-despertador tem passado no último ano, mas não me consolam ainda do fim do "Som dos Pedais" nas manhãs de sábado.

Publicado por Margarida Ferra às 04:17 PM | Comentários (1)

junho 04, 2005

SEMPRE A SUBIR


Cartoon de M.e.Cohen

Publicado por José Mário Silva às 06:25 PM | Comentários (2)

DA INIMPUTABILIDADE DO SOBA MADEIRENSE

Com a arrogância nonchalante do costume, Alberto João Jardim voltou a manifestar de forma alarve o seu desprezo pelo direito à informação, principalmente se esta tiver origem no "continente" e visar os seus abusos de poder na Madeira. Diante dos microfones de várias rádios e televisões, consciente por isso de que as suas frases seriam gravadas, Jardim não hesitou em chamar "bastardos" e "filhos da puta" (sic) aos jornalistas que supostamente destilam "ódio" sobre a sua pessoa.
Veremos que consequências terá este episódio. Se fosse outro político qualquer a lançar a atoarda, estou certo que caía o Carmo e a Trindade. Mas, saindo o disparate da boca do líder madeirense, temo que seja visto apenas como mais uma boca à Jardim.
Até quando é que Alberto João poderá continuar a dizer o que lhe passa pela cabeça, ofendendo e difamando terceiros, sem ser punido? Até quando é que se vai manter esta entorse democrática digna das mais reles ditaduras terceiro-mundistas? Até quando é que o PSD se recusará a pô-lo na ordem, tapando o sol com uma peneira? E, persistindo a cobarde fuga à responsabilidade dos líderes sociais-democratas, até quando é que o PR adiará uma intervenção directa para resolver o assunto?
Será preciso que Jardim agrida fisicamente um jornalista "continental" para que o escândalo assuma, aos olhos da hierarquia do Estado, a gravidade que já tem mas que vem sendo ostensivamente ignorada?

Publicado por José Mário Silva às 05:53 PM | Comentários (31)

FAÇAM COMO NÓS DIZEMOS, NÃO FAÇAM COMO NÓS FAZEMOS

Foi então que os ministros (I; II) se chegaram à frente e não deram o exemplo.

Publicado por José Mário Silva às 05:43 PM | Comentários (1)

junho 03, 2005

MÚSICA IDEAL PARA OUVIR NO LOCAL DE TRABALHO (DE PREFERÊNCIA COM HEADPHONES)

«Seaven Teares», de John Dowland, pelos The King's Noyse (Harmonia Mundi)

Publicado por José Mário Silva às 04:59 PM | Comentários (4)

NO LOGO

Há um detalhe na história do Piano Man a que ninguém tem dado o devido relevo. Refiro-me às etiquetas rasgadas. Então não se está mesmo a ver que o rapaz é um activista anti-globalização que se perdeu ao regressar a casa, depois de uma cimeira do G8?
[A amnésia só confirma a tese: em processo de negação, o ex-pianista quis esquecer à força o triste estado em que se encontra o mundo.]

Publicado por José Mário Silva às 10:45 AM | Comentários (7)

A DANÇA DE DUDEK (POST COM MAIS DE UMA SEMANA DE ATRASO)

Ao ver a forma como aquele guarda-redes se movimentava, uns segundos antes do adversário partir para o penalty, ficou na dúvida: será que ele merecia ser titular do Liverpool ou do Bolshoi?

Publicado por José Mário Silva às 12:47 AM | Comentários (1)

junho 02, 2005

OBRIGADO, RUI JORGE

Rui Jorge, quero só dizer-te, se por acaso me estiveres a ler, que és um grande jogador e um profissional exemplar. Não serás esquecido - os verdadeiros sportinguistas não são ingratos. Um abraço e as maiores felicidades para ti.

Publicado por Filipe Moura às 08:52 PM | Comentários (24)

LIVRO DO DIA

Ontem, quando da Holanda chegava o segundo NÃO ao Tratado Constitucional, o dito cujo podia ser adquirido (a 21 euros) no stand da Imprensa Nacional/Casa da Moeda na Feira de Lisboa, ali ao Parque Eduardo VII.
Vá lá, vá lá: ninguém se lembrou de o escolher para livro do dia.

Publicado por José Mário Silva às 06:54 PM | Comentários (4)

DEIXEM-ME LÁ DESFRALDAR ISTO AO VENTO

1) Até agora, qualquer consumidor regular da imprensa portuguesa tinha obrigação de saber que o Bandeira é um extraordinário cartoonista.

2) A partir de agora, qualquer consumidor regular da blogosfera nacional tem obrigação de saber que ele também escreve deliciosas pequenas histórias carregadinhas de ironia.

3) O endereço é este: http://bandeiraaovento.blogspot.com.

Publicado por José Mário Silva às 06:35 PM | Comentários (2)

QUEREM VISITAR UM SITE MESMO, MESMO, MESMO ESPECTACULAR?

Então façam o favor de seguir por este caminho íngreme.

Publicado por José Mário Silva às 01:35 PM | Comentários (5)

OVO DE COLOMBO

A saída deste pesadelo pode muito bem ser por aqui. À consideração do engenheiro Sócrates.

Publicado por José Mário Silva às 12:47 PM | Comentários (4)

junho 01, 2005

ACORDEMOS TODAS AS CRIANCINHAS!

É Dia da Criança e apetece-me ouvir os Talking Heads.

Publicado por Filipe Moura às 10:53 PM | Comentários (5)

MORTE AOS RELÓGIOS

Já o devíamos ter dito há quase um mês: a Desassossegada agora anda a perder o seu tempo aqui. E nós com ela.

Publicado por José Mário Silva às 05:57 PM | Comentários (1)

EM ESCUTA

corelli.bmp

Absolutamente recomendável a quem ignore o significado da expressão prodígio barroco.

Publicado por José Mário Silva às 04:17 PM | Comentários (0)

TÃO FÁCIL

arte de inventar os personagens

Pomo-nos bem de pé, com os braços muito abertos
e olhos fitos na linha do horizonte
Depois chamamo-los docemente pelos seus nomes
e os personagens aparecem

Mário Cesariny, in «Manual de Prestidigitação», segunda edição revista (2005), Assírio & Alvim

Publicado por José Mário Silva às 12:27 PM | Comentários (4)

NO COMMENTS

chaimite.jpg

Publicado por José Mário Silva às 10:00 AM | Comentários (2)

O NÃO QUE SE SEGUE

Hoje é a vez da Holanda.

Publicado por José Mário Silva às 09:32 AM | Comentários (4)

PARA CIMA

cima.jpg

Publicado por José Mário Silva às 09:22 AM | Comentários (3)

BUNGEE JUMPING SEM ELÁSTICO (NEM PONTE, NEM ABISMO, SÓ VERTIGEM)

Ser pai.

Publicado por José Mário Silva às 08:14 AM | Comentários (5)