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maio 31, 2005

MANUEL VILLAVERDE CABRAL: "A CONSTITUIÇÃO TINHA O MÉRITO FUNDAMENTAL DE EXISTIR"

O professor Manuel Villaverde Cabral deu-nos a honra de nos facultar a sua opinião sobre o Tratado Constitucional Europeu, que temos o prazer de partilhar com os leitores. O prof. Villaverde Cabral está disponível para uma eventual troca de impressões. Muito obrigado, professor, e ficamos à espera de mais!

A minha posição é a de um "federalista de esquerda" (parece que também há de direita, mas não é o meu caso). Portanto, tudo o que concorre para reforçar a integração política da União Europeia, isto é, tudo o que concorre, mesmo que só gradual e parcialmente, para o federalismo europeu (onde Portugal poderia ser uma "região" activa, em vez de ser um Estado passivo, à espera dos fundos comunitários...), sou a favor.
O Tratado em si é muito mau, mas mesmo assim é um passo no bom sentido. É mau no plano social, sobretudo, mas não só. Contudo, a partir do momento em que houvesse, nem que seja simbolicamente, uma constituição europeia, isso permitiria lutar por uma constituição melhor. Sem constituição, nada posso fazer à escala europeia, que é a única escala real onde a esquerda hoje poderia operar (a cegueira da extrema-esquerda a este respeito só não surpreende porque é recorrente!).
Mesmo no plano social, a regressão dos direitos sociais, especialmente para os portugueses, é apenas aparente, pois em breve teremos menos direitos sociais em Portugal do que o mínimo garantido pelo Tratado, que infelizmente morreu ontem de morte macaca. Por outras palavras, como europeu vivendo em Portugal, preferiria o mínimo europeu do que os direitos garantidos por um Estado como o nosso, que nos rouba no dia seguinte a ter ganho as eleições!
Sendo péssima, a Constituição era boa de mais, pois tinha o mérito fundamental de existir, mas afinal isso não irá acontecer e, na minha opinião, a União Europeia pode ter iniciado o caminho de regresso ao Mercado Comum, que é aquilo que os britânicos e os americanos sempre quiseram que a Europa fosse...

P.S. Em Portugal, segundo toda a probabilidade, já não haverá referendo; foi sempre o que eu pensei e escrevi. Portanto, continuaremos a ser o único ou um dos pouquíssimos que estão na Europa sem nunca a população se ter pronunciado sobre isso! (Manuel Villaverde Cabral)

Publicado por Filipe Moura às 02:53 PM | Comentários (12)

SEI QUE ESTOU VIVO / ENTRE DOIS PARÊNTESES

(clicar na imagem)

Publicado por José Mário Silva às 12:37 PM | Comentários (0)

SERGE JULY: ILUSÕES FATAIS

Editorial do Libération (hoje):

Le non du 29 mai ressemble une fois encore à un manifeste pour que le monde se fige, pour freiner à tout prix le déchaînement des forces qui bousculent irrésistiblement le monde. Il y a une tentation du repli protecteur dans le vote du 29 mai, pour tenter d'échapper à une insécurité sociale, urbaine, mondiale.

C'est ce qui rend difficile à avaler le rejet de ce traité ­ un compromis difficile mais qui avait le mérite de créer un système de décision à vingt-cinq, de fournir une boîte à outils collectifs pour réguler les bouleversements mondiaux ­, c'est qu'il donnait des armes pour contrebalancer l'ultralibéralisme, pour réguler le marché, pour socialiser l'Europe. Tout ce dont on vient brutalement de se priver. Et ce sont les mêmes électeurs qui réclament des armes contre le tout-libéral, et qui viennent pourtant de détruire ce qui leur était proposé. C'est leur droit, mais ce faisant ils viennent de nous désarmer.

Il y a deux autres illusions fatales à la France. D'abord, l'idée que la France pèse encore d'un poids si considérable que l'Europe va naturellement offrir aux Français un nouveau texte. Nos concitoyens oublient que nous sommes 450 millions d'Européens, dont vingt-quatre autres pays qui ne dépendent pas de nous, qui ont leur mot à dire. Il ne se trouvera personne pour vouloir renégocier et il faut redouter comme inévitable que l'Europe d'aujourd'hui, l'Europe réelle, décide de renoncer à un projet trop ambitieux, cette idée que les Français avaient réussi à imposer à tous et dont ils ne veulent plus.

L'autre illusion : le traité a été rejeté parce que l'Europe paraissait être le fourrier du libéralisme. Bingo : les partisans du non ont gagné, non seulement la partie III du traité qu'ils contestaient mais qui va s'appliquer, le calamiteux traité de Nice qui empêche à peu près toute décision européenne, mais aussi le triomphe de Tony Blair et de sa conception très libérale de l'Europe, autrement dit plus de libéralisme et moins de régulation. C'est triste à pleurer.

Comme dans les illusions perdues, plus dure sera la chute. Pour les Français, pour les Français de gauche en particulier.

Publicado por Filipe Moura às 12:22 PM | Comentários (3)

SERGE JULY: OBRA-PRIMA DO MASOQUISMO

Editorial do Libération (ontem).

Publicado por Filipe Moura às 12:20 PM | Comentários (0)

MENTE SÃ EM COPO SÃO

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Em Portugal, as bebidas alcoólicas não podem entrar em estádios onde decorram jogos de futebol. A ideia parece ter o seu mérito: os humores das hordas ferozes que por tais paragens se acumulam não precisam de álcool para ser bastante voláteis.
Em Portugal, disse eu? Não; há uma pequena ilha que resiste, contra ventos e marés: a Madeira. Acreditem ou não, o soba insular equiparou a "Coral", excelente cerveja madeirense, a um refrigerante, apenas para permitir a sua entrada nos estádios do jardim atlântico. República das bananas? Por favor. Respeitem a dignidade do bacáceo fruto.
Eis a criatura que sucessivos chefes do PSD gostariam de ver clonada por este triste país afora.

Publicado por Luis Rainha às 12:00 PM | Comentários (2)

À ANTIGA

Pode gostar-se muito ou nem por isso. Mas só o DN podia, hoje, fazer uma primeira página assim.

Publicado por José Mário Silva às 10:51 AM | Comentários (5)

SECRETO DESEJO

Comemorei os 31 anos da nossa democracia na velha Inglaterra, com um grupo de mestrandos e doutorandos do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa que estudaram ou ainda estudam em Oxford, ao abrigo de um programa de intercâmbio entre aquelas universidades - um programa, por sinal, muito raro na Universidade de Oxford.
Na sexta-feira, 22 de Abril, jantámos e pernoitámos no Oxford and Cambridge Club, de Londres. No sábado de manhã, visitámos os Cabinet War Rooms e o Churchill Museum. À tarde, já em Oxford, assistimos à homenagem a William Deakin, no St. Antony's. Ao jantar, no Old Bank Hotel, da High Street, discutimos intensamente pela noite dentro «a Inglaterra que já não é» - ou, talvez, o Ocidente que já não é. (...)
Se há um aspecto onde a erosão da Inglaterra de Dahrendorf é hoje visível a olho nu é, sem dúvida, o das maneiras. Até no Oxford and Cambridge Club, alguns sócios protestam - até agora apenas com êxito ao pequeno-almoço - contra a obrigatoriedade de usar casaco e gravata.

Se houvesse decência e boas maneiras na televisão portuguesa, em vez de nos darem a pseudo-realidade de "calhaus com gel" como o José Castelo Branco, ofereciam-nos cortesmente um reality show com o João Carlos Espada. A «Quinta da Naftalina», em directo de Oxfordshire.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:41 AM | Comentários (2)

UM PÉSSIMO EXEMPLO

No momento em que deseja moralizar a vida pública e endireitar as contas do Estado, o Governo decidiu nomear Fernando Gomes, um homem do aparelho socialista (além de desastroso ex-ministro e símbolo de um regionalismo serôdio), para administrador executivo da GALP com o pelouro da exploração petrolífera.
Experiência do homem na matéria: nenhuma.
Nome vulgar que se atribui a este tipo de prebenda: tacho.
Sócrates tem diante de si um dilema. Ou governa com dureza mas com sentido de justiça, ou depressa perderá legitimidade para levar avante os tremendos sacrifícios que pretende exigir aos portugueses. A nomeação de Fernando Gomes é um mau prenúncio. E não há "espírito patriótico" que engula um despautério destes.

Publicado por José Mário Silva às 10:35 AM | Comentários (2)

EU NÃO USARIA PROPRIAMENTE ESSAS PALAVRAS

Jorge Sampaio fez ontem um apelo ao "espírito patriótico" das associações sindicais e patronais para que convirjam na busca de uma saída para a "grave situação" das contas públicas.

Publicado por José Mário Silva às 10:24 AM | Comentários (2)

maio 30, 2005

ONTEM À NOITE

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(Imagem da Reuters)

Na Praça da Bastilha, ontem à noite, a festa foi do NÃO. O NÃO de esquerda.

[Vai um relato na primeira pessoa, Manel?]

Publicado por José Mário Silva às 01:44 PM | Comentários (4)

AS MINHAS ENTRANHAS REVOLVEM-SE DE HORROR

O reitor do Santuário ataca, também, o Parlamento europeu, que "amanhã poderá impor a união entre homossexuais". Daí admitir como possível que, "dentro de pouco tempo, tenhamos visitas de Estado ao mais alto nível, em que uma rainha, talvez sem herdeiros, dará o braço a outra senhora com estatuto de esposa, ambas de mão na mão, e o Presidente barbudo de uma grande República se fará acompanhar maritalmente de um outro cavalheiro que pode ser (sem ironia!) o presidente do Parlamento".

Publicado por Jorge Palinhos às 11:08 AM | Comentários (14)

ABORTO NÃO, INFANTICÍDIO SIM

Face ao quadro por si desenhado, monsenhor Luciano Guerra entende que "talvez já tarde dar-nos-emos conta de que, não podendo evitar todos os sofrimentos, há que ter dó antes de mais dos inocentes assassinados sem chegarem ao menos a ver a luz do sol".

Publicado por Jorge Palinhos às 11:05 AM | Comentários (0)

E COM UM PIREZINHO DE MOLHOS AO LADO, S.F.F.

Sob o título "Grandes rombos na Europa", o reitor do Santuário [de Fátima] escreve [a propósito do aborto] que "corpos esquartejados de bebés vão aparecer em lixeiras de toda a espécie ao olhar horrorizado ou faminto de pessoas e animais". Mais estas imagens, sustenta o mesmo responsável, "serão mais numerosas à maneira que o aborto deixar de ser considerado crime".

Publicado por Jorge Palinhos às 11:02 AM | Comentários (6)

SÍTIO DO NÃO

Já valia a pena passar por aqui. Agora ainda mais.

Publicado por José Mário Silva às 10:25 AM | Comentários (1)

DIGA-NOS, DONA RICE...

...como é que se castiga a França?

Publicado por Filipe Moura às 12:25 AM | Comentários (6)

ON A PERDU!

Perdeu-se, sim. Perdeu-se uma excelente oportunidade de dar um avanço decisivo no processo de integração europeia, aparentemente pelos motivos menos nobres e mais mesquinhos. Mas tal não é de surpreender vindo de um povo que, em tudo o que seja política externa (seja europeia ou mundial, seja conduzida por europeístas ou eurocépticos), sempre se revelou totalmente incapaz de olhar para além do seu próprio interesse e proveito.
Este resultado, sendo amargo para os europeístas indefectíveis, é indiscutivelmente irónico, visto de qualquer perspectiva. Para um europeísta externo, ver o senhor Valéry Giscard d'Estaing a defender a Constituição Europeia com o argumento de que era "boa para os franceses", "aumenta o poder da França na Europa", é revoltante. Quem viu e leu isto fica evidentemente tentado, perante este resultado, a dizer: "Bem feito, sr. Giscard!" Só esse seria porventura um bom motivo para votar "não" - mas seria necessariamente um motivo mesquinho. Tão mesquinho seria quem votasse "não" por este motivo como quem votasse "sim" pelos argumentos de Giscard. O tratado de Constituição Europeia, bem como todo o processo de construção europeia (até hoje), resulta de um compromisso, onde todos tiveram de fazer concessões. No caso particular do tratado, o compromisso resulta das diferentes mentalidades e concepções de estado social e de economia existentes por todos os países membros da União. A União que é muito grande e muito diversa. Muito maior que o banlieue parisiense, o Quartier Latin ou a Butte-aux-Cailles. o tratado foi o melhor que se pôde conseguir e, não sendo perfeito (longe disso), é muito mais do que simplesmente "razoável" para a esquerda. Troquei impressões com europeus de muito diferentes nacionalidades, ouvi as suas opiniões e estou plenamente convencido de que será impossível, com este conjunto de países proponentes, obter-se um tratado melhor do que este. Acreditem, não é por demagogia que escrevo isto: convencem-me totalmente os argumentos do tipo "ou este tratado ou o caos", "votar contra este tratado é votar contra a Europa". Pelo menos a Europa que nós conhecemos, com os países que a compõem.
O grande paradoxo está aqui: este tratado foi rejeitado com os votos da esquerda, mas eventualmente havendo outro - até pela mudança de governo que se afigura provável na Alemanha - será negociado pela direita, e será um tratado mais à direita. Talvez me engane - até porque o sinal político do "não" francês é claro. Mas a outra alternativa é mesmo não haver tratado nenhum. Em qualquer um destes casos - e graças aos votos da esquerda - o grande vencedor é o "não" de direita. Quem tem razões para comemorar são Blasfemos, Insurgentes e Pacheco Pereira. Os que estão satisfeitos com a actual ordem mundial. Os que não estão interessados no avanço do processo europeu.
Numa coisa, porém, não posso deixar de estar de acordo com o Manuel - está a assistir-se a um regresso da utopia. Pelas razões que apontei, esperar um tratado melhor do que este, a curto ou a médio prazo, representa isso mesmo - uma utopia da esquerda.

Publicado por Filipe Moura às 12:14 AM | Comentários (14)

maio 29, 2005

UM DIA EM GRANDE

Hoje, só boas notícias. De França, o triunfo do «Não» no referendo ao texto de Giscard d'Estaing e o muito aguardado regresso (em força) do Manel ao BdE. Do Jamor, as imagens da terceira Taça de Portugal conquistada pelo meu Vitória de Setúbal, num jogo em que se cumpriu, quase à risca, o palpite que deixei aqui. Um jogo em que se castigou ainda, com justiça poética, o Benfica, esse titubeante campeão sem estofo para dobradinhas.
Parabéns aos jogadores (Jorginho, Meyong, Hélio...) e ao treinador José Rachão. Foi uma merecidíssima vitória de um grande Vitória.

[Eu bem sabia que ainda haveria de comemorar qualquer coisa este ano, com um cachecol verde e branco.]

Publicado por José Mário Silva às 11:44 PM | Comentários (3)

MAIS OUI, C'EST NON

A vitória do «Não» no referendo de hoje em França (tudo aponta para um resultado de 56%, contra 44% do «Sim»), é um resultado muito mais importante e complexo do que alguns comentários apressados querem fazer crer. Por várias razões:

1) É a vitória da maturidade democrática de um povo que soube levar à letra a ideia de referendo: uma escolha livre (neste caso a recusa de um Tratado Constitucional ambíguo em questões fulcrais) e não a validação acrítica de um documento que as elites quiseram apresentar como pedra de toque inalterável da construção europeia.

2) É a derrota de uma forma inqualificável de chantagem. A dos europeístas apressados, defensores de uma federalização a mata-cavalos e com tendência a ostracizar todos aqueles que consideram (como eu, como o Manel, como muitos outros) que é preciso pensar melhor, e sem pressas, no modelo de Europa a construir nas próximas décadas. Uma Europa que não tem obrigatoriamente de ficar vinculada, ainda por cima em letra de lei, à mais pura lógica liberal.

3) É a prova de que os grandes passos do projecto europeu não podem ser decididos apenas pelas elites políticas, nem reduzidos a meras etapas de um caminho previamente traçado e de sentido único. Os europeus têm direito a uma palavra sobre o seu destino comum. E têm direito a questionar os instrumentos que vão reger esse destino comum. Ao rejeitarem um projecto de Constituição que estava longe de ser neutro e benigno, os franceses foram, hoje, os mais europeus dos europeus.

4) Apesar do contributo dos nacionalistas e do Front National, que são a face incómoda de um «Não» necessariamente heterogéneo, é injusto fazer da recusa dos franceses a expressão de um voto eurocéptico. A maioria dos eleitores acredita na Europa, mas não necessariamente na Europa que nos quiseram impor. E isso é um sinal muito positivo. Quer dizer que ainda há quem resista ao canto das sereias. E, como previa o Luis Rainha, a França voltou a dar uma lição de liberdade ao mundo.

[Mais comentários amanhã]

Publicado por José Mário Silva às 11:27 PM | Comentários (1)

OS PRIMEIROS EFEITOS DO ABALO

Chirac fica mas vai mudar o governo; Sarkozy anuncia a sua candidatura às presidenciais, François Hollande olha para o lado, Bayrou tira o tapete à maioria de direita. O caos instalado. Do lado do “Não”, a extrema-direita rejubila e canta de galo. Mas não foram eles que ganharam a votação. Quem pesou na balança, dizem as sondagens à saída das urnas, foi o eleitorado de esquerda. Um eleitorado que votou contra as directivas do Partido socialista e dos Verdes. A esquerda que recusa a construção liberal e pouco democrática da Europa, que quer a Turquia na União, que é solidária com os países de leste. Eu por mim vou para a praça da Bastilha, onde esta esquerda, aquela a que eu me sinto pertencer, festeja a vitória da esperança numa verdadeira transformação das instituições europeias. As análises detalhadas ficam para amanhã.

Publicado por Manuel Deniz às 10:34 PM | Comentários (3)

ON A GAGNÉ!

As primeiras projecções apontam para uma vitória clara do “Não”. Para lá de todas as prudências que ainda se impõem, não restam dúvidas que estamos já perante um verdadeiro “sismo político”.

Publicado por Manuel Deniz às 09:05 PM | Comentários (2)

O RETORNO DA POLÍTICA (2)

Dizer que o debate foi “amplo, democrático e sério” carece de um esclarecimento importante. Importa dizer que não me refiro à campanha oficial, que foi no geral confusa e medíocre. Dum lado como do outro. O verdadeiro debate não passou por aí, passou pelos inúmeros colectivos e encontros organizados um pouco por toda a França, por debates de especialistas e menos especialistas. Pela primeira vez, aliás, os franceses investiram a internet como espaço alternativo de discussão política e os blogues (fenómeno que até agora era mais que marginal) tornaram-se um instrumento importante na difusão de ideias e opiniões (ver, por exemplo, aqui).
E a principal linha de fractura no debate não foi, como quiseram fazer crer muitos analistas, entre entusiastas da Europa e eurocépticos. Uma parte dos votos “Não” provêm, evidentemente, do habitual eleitorado nacionalista e “souverainiste”. Mas isso não é novidade. Era esperado e confirmou-se. O que mudou, o que é inédito, o que pode fazer passar o “Não”, foi o aparecimento de um voto europeu convicto, mas em desacordo com o rumo actual das instituições europeias. Um voto que não se deixa levar na cantiga do “nós sabemos que não é perfeito, mas é o melhor que se pode arranjar”. Um voto que não acredita no modelo liberal que lhe apresentam como único possível para a Europa. E é por isso, sobretudo por isso, que este voto assusta tanto os partidos sociais-democratas europeus. Porque o que se afirma no “Não de esquerda” é uma nova confiança na acção política, uma vontade de dizer de sua justiça na decisão do que deve ser e do como deve funcionar a comunidade europeia que se deseja. Porque é, de uma certa maneira, um tímido regresso da utopia.

Publicado por Manuel Deniz às 08:35 PM | Comentários (2)

O RETORNO DA POLÍTICA

As previsões anunciadas pelas televisões francesas apontam para uma abstenção particularmente baixa, à volta dos 20 %. Devo dizer que este resultado não me surpreende. Raramente vi uma campanha política tão intensa e discutida como esta que ocupou a França nas últimas semanas. O tratado constitucional, texto massudo e difícil, foi demoradamente analisado, comentado e glosado. Toda a gente se apropriou do debate, que foi tema de conversas de café, de reuniões entre colegas de trabalho ou amigos, que dividiu famílias. Houve mesmo quem lembrasse o “affaire Dreyfus”.
Este será portanto o primeiro ensinamento desta campanha, e não é de pouca importância: as questões europeias podem provocar, ao contrário do que muitos nos diziam, um debate amplo, democrático e sério.

Publicado por Manuel Deniz às 07:20 PM | Comentários (0)

DECLARAÇÃO DE VOTO

Daqui a pouco, pelas 22 horas, saberemos enfim como votaram os franceses no referendo ao “tratado estabelecendo uma constituição para a Europa”, uma votação que poderá ser histórica, a confirmarem-se as sondagens que prevêem uma maioria para o “Não”. Por aqui no BdE, os leitores poderão ter ficado com a impressão que a posição do nosso blogue pendia mais para o “Sim”, pois que o único colaborador que acompanhou a sério a campanha foi o Filipe Moura, que se pronunciou a favor do novo tratado. Só o Luís Rainha veio temperar o panorama – apontando a lição de liberdade que os franceses têm demonstrado, ao resistirem à evidência com que lhe apresentaram a necessidade de votar “Sim” – mas sem se pronunciar, por enquanto, sobre o voto propriamente dito.
Ora eu sou, ao contrário do Filipe, resolutamente pelo “Não”, e pelo que sei não sou o único aqui no blogue, pelo que se me afigura importante equilibrar um pouco as coisas, ainda antes de se saberem os resultados de hoje. Parece-me mesmo que é a primeira vez que uma questão política importante, para não dizer fundamental, divide claramente as águas no interior do BdE. Temos assim, até agora, três atitudes bem distintas face ao referendo: o “Sim” entusiasta do Filipe; uma posição hesitante e de expectativa (o Luís e o tchernignobyl), um “Não” claro e inequívoco (o meu e o do Zé Mário). E outros há que ainda não se pronunciaram. Estão pois reunidas, a meu ver, as condições para uma verdadeira discussão interna, independentemente dos resultados que aí vêm.

Publicado por Manuel Deniz às 07:06 PM | Comentários (2)

O EIXO MOLE (2)

Há largas semanas que não via o “Eixo do Mal”, na Sic Notícias. Hoje, calhou-me o que se me afigurou ser uma repetição do programa especial de Halloween: cada um dos comparsas fingia ser qualquer coisa. O Nuno Artur Silva fazia de conta que tinha jeito para apresentador de programas; a Clara Ferreira Alves tentava convencer-nos, à força de esgares e truísmos do tipo “toda a gente sabe”, que sabia do que estava a falar; o Daniel Oliveira estava fabuloso na sua imitação do homem invisível; o Mexia pareceu-me muito convincente no seu disfarce de gato pingado; e o Júdice até dava mesmo ideia de lá estar.
Mas como é que eu tenho andado a perder isto?

Publicado por Luis Rainha às 01:15 AM | Comentários (8)

maio 28, 2005

DELÍRIOS ESCAQUÍSTICOS

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Hoje, por imperativos familiares, fui assistir a uma função religiosa comandada por um bispo. Sim, um bispo à séria, daqueles de báculo, paramentos vários e tudo.
Não sei bem porquê, cada vez que ele desdobrava a mitra e a punha na cabeça, começava eu a ouvir ao longe um tropel de cavalos de freio na boca e desatava a fantasiar a nave da igreja invadida por hordas de ferozes peões, sequiosos da episcopal hemoglobina.
Bem dizia o Fischer: o xadrez não é como a vida; o xadrez é a vida.

Publicado por Luis Rainha às 11:13 PM | Comentários (1)

UMA SAGA PARA ESTE SÁBADO

A vida aventurosa da pequena cadela Gorby.

Publicado por José Mário Silva às 10:09 PM | Comentários (0)

A TAÇA DA AMIZADE

Afinal ontem sempre passei pelo estádio Charlety, movido pela curiosidade. E vi muito mais do que esperava. A privacidade do estádio era o que podem ver.

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Vi os dois golos do Sporting. Depois, como ninguém tinha paciência para o prolongamento, vi os penalties. O João Moutinho não falhou.

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E a Taça era do Sporting.

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O Hugo Viana vai para o FC Porto ou para o Benfica, o Liedson deve lá estar dentro de poucos meses, o mas o que é isso comparado com ganhar a Taça da Amizade? O que é preciso é que o Peseiro fique e com poderes reforçados. Somos os maiores.

Publicado por Filipe Moura às 04:57 PM | Comentários (2)

maio 27, 2005

FIM DE ÉPOCA

O Sporting a jogar aqui, na minha rua, mesmo ao lado de minha casa.
E eu sem interesse nenhum.
E receando que este "espírito de fim de época" se vá prolongar por mais uma época inteira.

Publicado por Filipe Moura às 08:43 PM | Comentários (0)

PESCA À LINHA

Vale a pena morder o anzol.

Publicado por José Mário Silva às 06:49 PM | Comentários (0)

DADÁ REDIVIVUS?

"O Junho aproxima-se, os feriados desabrocham como flores em êxtase, prontas a serem fecundadas por erectas sementes ansiosas e ávidas de penetrar nesta vegetação portucalense. Rezem para que os voyeurs do fogo não atrapalhem e tentem violar e nós, como exército impotente, limitarmo-nos a dar-lhes uma multa pouco coerente do nosso espírito de antigos combatentes."

Não se trata de um texto criado pelo Dada Engine. É sim um belo naco de prosa que ornamenta o jornal 24 Horas de hoje. Assina José Castelo Branco.

Publicado por Luis Rainha às 12:47 PM | Comentários (5)

LÁ EM BAIXO

É um duelo inaudito: Valupi vs João Pedro da Costa, comunicando por sinais de fumo (ou o seu equivalente digital).
Aceitam-se apostas sobre o vencedor.

Publicado por José Mário Silva às 10:09 AM | Comentários (5)

CARRILHICES

Um dos primeiros "projectos" a apresentar pelo candidato do PS à Câmara Municipal de Lisboa consiste na introdução de táxis fluviais no Rio Tejo, "redimensionando o papel do caudal de água" que banha a capital. Eis Carrilho no seu pior: tudo muito chic, tudo muito fashion (já estou a ver Bárbara Guimarães de cabelos ao vento, dizendo para a câmara: "Vamos apanhar um táxi para o Porto Brandão") e tudo completamente ao lado do que a cidade necessita.

Publicado por José Mário Silva às 09:58 AM | Comentários (6)

maio 26, 2005

A DERROTA DO APARELHO?

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Sim; faço ideia do imenso calhau que vai atravancar a europeia engrenagem se o “Não” vencer em França. E, por acaso, até nem tenho ideia formada sobre a dita “Constituição Europeia”, para lá da golpada anti-democrática que me parece o acto de prestidigitação do “grupo de sábios” que emergiu um dia do seu ermitério com uma bela lei fundamental para reger milhões e milhões de destinos. Mas de uma coisa permaneço certo: a vitória do “Não” em França será uma tremenda derrota para os homens das rédeas, para os traficantes de influências, para os gestores de votos dos muitos “centrões” desta nossa Europa. Julgavam eles que as suas vontades poderiam ecoar de imediato em incontáveis mesas de voto, sem mais aquelas? Tinham eles por certo, de Chirac a Mário Soares, que umas horitas de paternalistas tempos de antena e umas dúzias de entrevistas bastam para nos convencer seja lá do que for? Azar. Afinal, ainda sobrevivem algumas résteas de livre arbítrio nas nossas meninges tão modernas, civilizadas e europeias.
Para admirar esta pequena e insensata revolta gaulesa, tenho de pagar o preço da companhia de nacionalismos bolorentos e insalubres? Assim seja; afinal, o apego a identidades territoriais também é um direito, por muito que me pareça apenas um atavismo folclórico. Vai ser preciso recuar alguns passos na construção europeia para dar espaço a este improvável assomo de rebeldia? Azar.
Não consigo afastar o pressentimento crucial: a França prepara-se para dar mais uma lição de liberdade ao mundo.

Publicado por Luis Rainha às 10:22 PM | Comentários (14)

A PROPAGANDA BUSHISTA DO "NÃO"

A propaganda do "não de esquerda" em França assemelha-se cada vez mais à propaganda republicana de George W. Bush relativamente aos democratas, fosse Gore ou Kerry: caricaturizar o adversário, alimentar o estereótipo, fugir aos argumentos e à discussão séria. Tudo muito dirigido ao "bom homem do povo", da "província", o verdadeiro bom francês. Tal está especialmente patente neste texto de Michel Onfray. Que pensaria Onfray, que terá ele escrito, sobre os americanos eleitores típicos de George W. Bush?

Publicado por Filipe Moura às 12:08 PM | Comentários (23)

SIMPLESMENTE SIM

O "sim" de Jacinto Lucas Pires. Claro e simples, directo no essencial. O lugar do "sim" dele é também o do meu.

Publicado por Filipe Moura às 12:04 PM | Comentários (6)

O DÉFICE E A CONSTITUIÇÃO

No Público de ontem, Fernando Rosas propõe medidas de combate ao défice excessivo:

«Não sendo aceitável a derrapagem do défice, há respostas de lógica económica e social totalmente distintas das neoliberais. Ao nível da despesa, elas podem assentar num orçamento de base zero. Uma vistoria sectorial e global às contas da administração pública, cortando despesas sumptuárias e irracionais, corrigindo tanto os excessos como as carências de pessoal através da realocação de meios, assegurando que a despesa pública crie emprego qualificado, dinamize a vida económica, melhore a oferta dos serviços essenciais e se constitua como factor central do desenvolvimento sustentado. No tocante à receita, com o indispensável fim do sigilo bancário, desencadear uma ofensiva de largo alcance contra a fraude e a fuga ao fisco, que podem representar quatro a oito por cento do PIB, com o objectivo de recuperar dois a três por cento daquele montante; tributar adequadamente os lucros do capital financeiro e introduzir, como em outros países europeus, um imposto sobre as grandes fortunas. Tudo isto num prazo de dois anos, em que os sacrifícios exigíveis teriam contraponto num investimento público gerador de emprego com direitos, de qualificação e de competitividade.»

Muito bem. Concordo plenamente com a análise e as medidas propostas. Mas Fernando Rosas não termina sem fazer uma ressalva:

«Já agora, convém ter presente que o tratado constitucional europeu - que é suposto ser brevemente referendado -integra no seu texto, isto é, como política financeira constitucionalmente vinculativa para todos os Estados subscritores, o dispositivo do Pacto de Estabilidade e Crescimento, o PEC, fulcro das políticas recessivas e anti-sociais de combate ao défice. A alavanca da Europa neoliberal. É bom que se saiba no que se vota quando se vota.»

Eu gostaria que Fernando Rosas - ou alguém por ele - me explicasse que artigo(s) da Constituição Europeia eventualmente inviabilizam as políticas por si propostas que trasnscrevi acima.

Publicado por Filipe Moura às 11:56 AM | Comentários (7)

MICROONDAS

Há certos electrodomésticos que nunca se devem oferecer a surfistas inseguros e susceptíveis.

Publicado por José Mário Silva às 12:22 AM | Comentários (3)

maio 25, 2005

PRIMEIRAS IMPRESSÕES SOBRE O PLANO SÓCRATES DE ATAQUE AO DÉFICE

- IVA sobe de 19% para 21%. ACHO MAL

- Limitação dos benefícios fiscais das empresas em sede de IRC, incluindo casos de transmissão de prejuízos ou reestruturação de empresas. ACHO BEM

- Revisão das isenções do IVA em reestruturações de grupos financeiros. ACHO MUITO BEM

- Criação de um novo escalão do IRS (42%) para contribuintes que ganhem mais de 60 mil euros por ano. ACHO MUITO, MUITO BEM

- Regresso da tributação em impostos de selo das doações de valores monetários. ACHO BEM

- Aumento dos impostos directos sobre o tabaco e os combustíveis. ACHO BEM (TABACO) E ACHO MAL (COMBUSTÍVEIS)

- Intenção de tornar públicas as declarações de rendimentos. ACHO BEM

- Levantamento do sigilo bancário para efeitos fiscais. ACHO MUITO BEM

- Agravamento das sanções por incumprimento fiscal e melhoria dos cruzamentos de dados entre o Fisco e a Segurança Social, com vista a criar "mecanismos para evitar lavagem de dividendos". ACHO MUITO BEM

- Eliminação da hipótese que é dada às empresas que exercem actividade no off-shore da Madeira de reduzirem a percentagem do lucro tributável. ACHO MUITO BEM

- Alteração dos esquemas de progressão automática na função pública, das regalias dos gestores estatais e dos privilégios dos titulares de altos cargos políticos. ACHO BEM

Tirando a subida do IVA, que é um imposto cego, as medidas parecem-me razoáveis e menos penalizadoras do que se temia para os cidadãos que já contribuem muito (por trabalharem por conta de outrém) para o funcionamento do Estado.
O Plano é duro e exige sacrifícios, mas tem a virtude de não ser virtual — como o de Bagão Félix — nem excessivamente injusto para as classes mais desfavorecidas.
Agora falta aplicá-lo até às últimas consequências (sobretudo na questão do sigilo bancário e no corte das benesses aos grupos financeiros).
A ver vamos.

Publicado por José Mário Silva às 07:44 PM | Comentários (40)

QUASE COMO UM SEGREDO

Vale a pena passar por aqui e descobrir como eram os albricoques (maravilhosa palavra) «antes de serem frutos».

Publicado por José Mário Silva às 04:07 PM | Comentários (0)

LIONEL JOSPIN: "O NÃO NÃO MUDARÁ NADA. O SIM É UMA ALAVANCA, O NÃO É UM IMPASSE"

No Libération:

Ce message adressé à l'électeur socialiste tenté par le vote sanction, l'ancien Premier ministre a ensuite brocardé le cocktail des non. Jean-Marie Le Pen, le président du Front national ? «Il propose de sortir de l'Union.» Olivier Besancenot, leader de la LCR ? «Il propose des états généraux du mouvement social.» Marie-George Buffet, secrétaire nationale du PCF ? «Elle veut un autre traité grâce à la mobilisation des forces progressistes. Mais elles sont en Europe quasiment toutes favorables au oui.» Et Laurent Fabius ? «Il considère le traité inacceptable, mais dit que, si on change trois choses, tout ira bien.»

Publicado por Filipe Moura às 03:54 PM | Comentários (3)

ROGER-GÉRARD SCHWARTZENBERG: VOTAR "SIM" MAS COM CLARIFICAÇÃO POLÍTICA

Artigo no Le Monde, a ser lido com atenção pela esquerda, seja pelo sim, seja pelo não. Roger-Gérard Schwartzenberg foi ministro da Investigação no governo de Lionel Jospin e é deputado do Partido Radical de Esquerda.

Publicado por Filipe Moura às 03:52 PM | Comentários (6)

PIANO MAN

Ninguém me tira da ideia que o agora tão famoso Homem do Piano é um actor, um performer a jogar com o funcionamento em espiral da globalização mediática.
[Perdoem-me o cepticismo, mas há histórias demasiado boas para que não desconfiemos delas.]

Publicado por José Mário Silva às 08:24 AM | Comentários (8)

MEMÓRIAS DE UMA PRANCHA DEMASIADO ALTA, NUMA TARDE DE VERÃO MUITO DISTANTE

David Hockney, Day Pool with 3 Blues

Publicado por José Mário Silva às 01:48 AM | Comentários (3)

UM VERSO DE CAMÕES

«Como a matéria simples busca a forma»

[Passados quatro séculos e picos, ainda andamos todos ao mesmo.]

Publicado por José Mário Silva às 01:45 AM | Comentários (2)

maio 24, 2005

URGÊNCIA

Enviaram-me, pelo correio, o último número de uma belíssima revista de poesia luso-espanhola. Corrijo: pelo correio não, por UPS. E assim deveria ser sempre. A poesia prioritária. A poesia circulando à velocidade máxima. A poesia urgente.

Publicado por José Mário Silva às 06:33 PM | Comentários (13)

É O INCÊNDIO, ESTÚPIDO!

Atenção, atenção, fiéis espectadores do «É a Cultura, Estúpido!». A sessão desta tarde foi adiada por motivos de força maior: um incêndio que deflagrou num prédio vizinho do Teatro São Luiz e que foi entretanto extinto (o fogo, não o prédio). Ao telefone, uma voz fala-me do fumo que invadiu o Jardim de Inverno, tornando o ar irrespirável, e pronto, não há mesmo nada para ninguém esta tarde.
Apesar de muito em cima da hora, fica o aviso.

Publicado por José Mário Silva às 06:00 PM | Comentários (0)

PARA QUEM ACHA QUE SÓ EM PORTUGAL A CUNHA É MAIS IMPORTANTE QUE A EXPERIÊNCIA

LISTA FINAL DE CANDIDATOS A ALTO COMISSÁRIO DA ONU PARA OS REFUGIADOS

António Guterres - ex-primeiro-ministro de Portugal, presidente da Internacional Socialista

Bernard Kouchner - antigo ministro da Saúde e ex-representante especial da ONU no Kosovo

Gareth Evans - presidente do International Crisis Group em Bruxelas

Kamel Morjane - alto comissário adjunto para os refugiados

Soren Jenssen-Petersen - representante especial da ONU no Kosovo

(Também não é improvável que Portugal seja um campo de refugiados em ponto grande, ainda pior que o Kosovo durante a guerra.)

Publicado por Jorge Palinhos às 04:57 PM | Comentários (2)

GUTERRES COMISSÁRIO

Seguindo o retorcido raciocínio empregue para Durão Barroso, temos neste momento de reconhecer que António Guterres não fugiu do governo. Foi promovido tardiamente.

Pelos vistos a visita a Munique foi frutuosa.

Publicado por Jorge Palinhos às 04:37 PM | Comentários (1)

A MORTE À FRENTE DOS OLHOS

Aconteceu na auto-estrada. Ia eu muito bem pela faixa do meio, a 120 kms/h, quando um carro funerário me ultrapassou pela direita, como um relâmpago, e fez uma tangente ao Clio que só por mero acaso não agravou, ainda mais, as estatísticas negras da sinistralidade rodoviária em Portugal.
[Um carro funerário, leram bem. A 170 kms/h ou perto disso, algures na A1.]
Refeito do susto, enquanto o insólito veículo desaparecia na escuridão, com as borlas de tecido violeta baloiçando na janela traseira, pude confirmar que aquele Fângio dos gatos-pingados não transportava afinal qualquer caixão na sua tresloucada viagem. Ou melhor, pude confirmar que ainda não transportava qualquer caixão. Ávida forma de capitalismo, esta: vagueando na noite em busca de clientes.

Publicado por José Mário Silva às 03:05 PM | Comentários (14)

200 PALAVRAS ATÉ AO FIM DO MÊS

Publicado por José Mário Silva às 03:01 PM | Comentários (0)

AS ROUPAS REACCIONÁRIAS DO IMPERADOR

Achei bastante interessante a história, relatada pelo João Miranda sobre os trajes novos do Imperador.

Imagino que toda a gente conheça este conto de Hans Christian Andersen, mas é melhor refrescar a memória, para depois melhor o analisar:

- Dois burlões, auto-proclamados grandes alfaiates, vão ao palácio imperial anunciar que podem fazer um novo traje finíssimo ao imperador, em troca de um avultado pagamento.
- Semanas depois apresentam ao imperador um suposto traje que só pode ser visto por pessoas inteligentes e competentes. Não querendo passar por burros ou incompententes, o rei e cortesão fingem ver o traje (que não existe)
- Finalmente o imperador desfila entre o povo para apresentar o novo traje, perante a admiração geral (pois ninguém quer revelar a sua estupidez) até que uma criança clama em voz alta "o imperador está nu".

Agora, a minha interpretação: Os sábios (alfaiates) prometem uma nova solução racional (traje) aos problemas do poder/governo (imperador). Este aceita a solução para demonstrar trabalho e manter as aparências. A sociedade (povo), porque é regida pela hipocrisia, pelos interesses e pela estupidez, aceita esta solução como válida, até que surge um reaccionário (criança) que, através da sua clarividência e da pureza, denuncia o embuste que constitui a dita novidade.

É notável como de uma machadada só esta história ataca o poder central como ineficaz, ataca a razão e o saber como instrumentos de intervenção social, ridiculariza a inovação, menospreza o colectivo humano e faz a apologia do senso comum, da individualidade e pressupõe a existência de indivíduos naturalmente iluminados.
Não admira, portanto, que "o rei vai nu" seja uma expressão favorita de todos os indivíduos naturalmente propensos para o reaccionarismo.
Ao mesmo tempo, a história faz a apologia do óbvio (nudez), negando a existência ou importância da subtileza, do que transcende o olhar superficial. Por outras palavras, um pato é um pato é um pato, sem poder ser um cisne ou um ganso.

Repare-se como a história é genialmente concisa e ideologicamente coerente: os problemas sociais são simples e óbvios, podem ser resolvidos pelas pessoas comuns, recorrendo apenas aos preconceitos, sem necessidade de inovação ou adaptação à mudança. Se Andersen escrevesse a moral da história no seu fim, muito provavelmente seria: salvem o povo dos intelectuais!

Porém, esta mesma história é também um embuste. A representação da criança como símbolo da simplicidade e da independência é falsa. Tal como qualquer criança real é fácil de ludibriar e de convencer das coisas mais inacreditáveis, também não são as pessoas simples que são capazes de denunciar os intelectuais, mas sim intelectuais de ideologias diferentes. Só Bento XVI, um intelectual, poderia dizer que é preciso salvar os bons e simples cristãos dos intelectuais. Os bons e simples cristãos não se lembrariam de tal coisa por si sós.
Só alguém mergulhado em razão e ideologia pode gritar que o rei vai nu. Não porque seja certo que o rei esteja realmente nu, ou que esse pormenor seja relevante, mas porque só o intelectual reaccionário tem interesse e competências para dizer tal coisa. E, tal como as crianças são zelosas dos seu interesses (comida, doces, brinquedos), também os reaccionários não agem pela pureza de intenções, mas para atingir objectivos próprios e específicos.

Portanto, quando o João Miranda diz que o rei vai nu, não o faz por altruísmo ou abnegação, mas porque à sua ideologia importa desacreditar o rei. É que, afinal de contas, a criança não é bem uma criança, mas sim um alfaiate de uma guilda rival.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:19 PM | Comentários (4)

SERGE JULY: A RAIVA, A EUROPA E OS CÁLCULOS ERRADOS

Editorial do Libération:

«Ce n'est pas le moment de dire non.
La France enragée a le droit de l'être, elle peut tout à fait se donner les moyens de changer toute la classe politique, demain s'il le faut. Mais, aujourd'hui, en votant rage, c'est-à-dire non, elle risque d'aggraver les raisons de sa colère, rendre l'Europe encore plus brinquebalante, moins organisée, sacrifier les chances de rééquilibrer, un tant soit peu, le monde fou qui roule à tombeau ouvert, surtout de se faire encore un peu plus mal, et souffrir beaucoup plus. C'est toujours un très mauvais calcul, celui qui consiste à encourager dans les faits, du fait de la colère, ce que l'on combat en principe, en l'espèce un libéralisme économique dérégulé.
Si le oui l'emporte, ce ne sera grâce ni à Jacques Chirac ni à Jean-Pierre Raffarin, qui battent des records d'impopularité et ne peuvent pas s'en glorifier. Ce serait tout sauf un plébiscite personnel. Cette impopularité zénitale devrait libérer les enragés de l'obligation de voter contre les gouvernants actuels. Car seuls les électeurs de gauche feront in fine la décision. (...) On peut être aussi enragé et européen. Ce n'est pas incompatible.»

Publicado por Filipe Moura às 09:50 AM | Comentários (7)

VEXATA QUAESTIO

Sempre sonhei usar esta expressão latina no título de um post. Já está. E sim, adivinharam, a questão é mesmo essa. A do défice. Ou melhor, a da forma como o governo vai querer tirar-nos do atoleiro. Espero pelas medidas de Sócrates e tremo.

Publicado por José Mário Silva às 09:47 AM | Comentários (0)

XEROX + 20 WATTS

É por estas e por outras que o João Pedro da Costa se tornou um blogger de culto (com o livro das Ruínas, em merecida quadricromia, já à venda).

Publicado por José Mário Silva às 09:38 AM | Comentários (18)

maio 23, 2005

6,83

Não é um número. É um pesadelo. E, temo bem, um álibi.

Publicado por José Mário Silva às 11:54 PM | Comentários (2)

É PORTUGAL, ESTÚPIDO!

António Costa Pinto e Rui Ramos são os convidados do «É a Cultura, Estúpido!», amanhã, às 18.30h, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz.
Comme d'habitude, o debate será moderado pela jornalista Anabela Mota Ribeiro. Tema: o «Portugal Contemporâneo», a partir do livro homónimo (coordenado por António Costa Pinto).
Haverá ainda tempo para as escolhas do painel de jornalistas e críticos residentes: Pedro Mexia, João Miguel Tavares, Nuno Costa Santos, Pedro Lomba e este que se assina.
Compareçam, para espairecer das ondas vermelhas e do monstruoso défice.

Publicado por José Mário Silva às 01:40 PM | Comentários (0)

SPORTING - 2, NACIONAL - 4

Agora vão dizer que a culpa também é do Ricardo?

Publicado por Filipe Moura às 10:57 AM | Comentários (5)

SPORT LOBO-ANTUNES E BENFICA

«-Quando o Benfica jogava, púnhamos os altifalantes virados para a mata e, assim, não havia ataques.
-Parava a guerra?
-Parava a guerra. Até o MPLA era do Benfica. (..) E nada disto acontecia com os jogos do Porto e do Sporting, coisa que aborrecia o capitão e alguns alferes mais bem nascidos.»

(António Lobo Antunes, entrevista à Visão - encontrado aqui).

Isto é bonito.

Publicado por Filipe Moura às 10:53 AM | Comentários (5)

PARABÉNS SIGNORE TRAPATTONI

Soube tirar o melhor proveito de um plantel mais fraco. Soube aceitar as prendas que Sporting e FC Porto lhe ofereciam: este foi o campeonato oferecido por Sporting e FC Porto ao Benfica.
Mas nada disto lhe retira o mérito. (Compare-se com o desgoverno que foi o futebol do FC Porto esta época. Ou com Peseiro que, dispondo de um plantel melhor, nunca o soube gerir, utilizando jogadores cansados e fazendo experiências mesmo em jogos decisivos.)
Trapattoni sabe que ganhou o campeonato em circunstâncias felizes e que não se devem repetir. Por isso, provavelmente estará de partida, mesmo sendo desejado no Benfica. Por agora, ao compararmos o seu trabalho com o dos seus colegas nos principais rivais, este título fica-lhe bem.

Publicado por Filipe Moura às 10:47 AM | Comentários (7)

CULTURA LAICA

1) Na barra de endereços escrevam www.cm-sintra.pt;
2) Coloquem o ponteiro do rato sobre o botão "Cultura";
3) Deslizem o mesmo ponteiro para o menu que surgirá ao lado, para o botão "Agenda do mês";
4) Continuem a deslizar o ponteiro para o submenu subsequente, seleccionando o último item, intitulado "Horário de Missas";
5) Caso sejam munícipes de Fernando Seara anotem nas vossas agendas este importante evento cultural.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:33 AM | Comentários (6)

maio 22, 2005

ADEUS, DÉFICE

Alegrai-vos, ó gentes, com a vitória histórica do SLB. É que está encontrado por fim o meio de salvar a pátria, sem precisarmos de recorrer às medidas draconianas congeminadas pelos responsáveis das Finanças públicas. Por um lado, seis milhões de portugueses (incluindo o primeiro-ministro) vão voltar a sorrir como não sorriam desde o século passado, com o correspondente aumento da produtividade e da sacrossanta auto-estima nacional, que como todos sabemos é meio caminho andado para o relançamento da economia e a redução do monstruoso défice a níveis capazes de envergonhar a própria Finlândia. Por outro lado, o mundo inteiro vai parar hoje (Luís Filipe Vieira dixit) e nós poderemos aproveitar essa paralisação para recuperar todos os outros atrasos que nos caracterizam, incluindo a escassa aptidão escolar para a Matemática. Além disso, se hoje acabou a seca benfiquista, pode ser que o S. Pedro se comova e termine também com a outra seca, a que vai atrofiando os campos deste país.
Em suma, D. Sebastião voltou num domingo de Maio - sem nevoeiro, mas com cabelo branco, pose de gentleman e sotaque italiano. O país, esse, não vai voltar a ser o mesmo. Podem-se ir preparando, ó portugueses, nobre povo, para a felicidade.

Publicado por José Mário Silva às 09:30 PM | Comentários (17)

E ASSIM TERMINA O PIOR CAMPEONATO DE SEMPRE

Parabéns ao Sport Lisboa e Benfica, pelo fim do jejum de 11 anos. Num campeonato tão medíocre, não poderia haver vencedor mais justo. E eu nunca deixo de me comover com o triunfo dos fracos e humildes.

Publicado por José Mário Silva às 09:24 PM | Comentários (24)

maio 21, 2005

CASA DA MÚSICA

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Publicado por José Mário Silva às 11:56 PM | Comentários (1)

AS DEMARCAÇÕES DO "NÃO"

Pergunta Pacheco Pereira, no texto de apresentação do "Sítio do Não": «Todos aqueles que querem votar “não” e não se revêem no “não” do PCP e do BE à Constituição Europeia, de que estão á espera para organizar um movimento que explique as suas razões aos portugueses?» O PCP e o BE, pelos vistos, não têm (e nem creio que quisessem ter) lugar no "Sítio do Não". Espanto-me porém como ainda ninguém fez esta pergunta óbvia: e o PNR, tem lugar? Pelo menos no texto inicial, em relação ao PNR e à extrema direita não houve demarcação por parte de Pacheco Pereira, como houve em relação ao PCP e ao BE. Apesar de tudo, Pacheco Pereira tem publicitado textos pelo "não" de autores do PCP e do BE (acompanhados por textos da direita nacionalista mais retrógrada). Será que publicaria textos de autores do PNR?
É notável, entretanto, esta necessidade que os apoiantes do "não" têm de se demarcarem uns dos outros. Tal faz uma grande diferença em relação ao "sim". Eu, por mim, à partida (e pelo que vi até agora), faria campanha pelo "sim" ao lado de qualquer apoiante desta posição, qualquer que fosse a sua cor política.

Publicado por Filipe Moura às 03:39 PM | Comentários (26)

maio 20, 2005

"UM SIM A ESTA NOVA CHAMADA DA HISTÓRIA"

Um belo texto este que eu recebi hoje por email. (Tal não dirá nada a Pacheco Pereira, que acha que só a esquerda é que acredita em "chamadas da História". Que seja. Era bom que fosse verdade para toda a esquerda.)

Présents sur le territoire, dans leur très grande majorité, depuis plus de 35 ans, les portugais et français d'origine portugaise sont incontestablement une partie de l'édifice France.

Venus chercher une part du rêve, rassembler des moyens et jouir d'une liberté toute nouvelle, ils ont participé avec ardeur à la construction, à la manutention, à l'entretien, à l'embellissement, au développement d'une société dans le respect des autres et dans l'acceptation des devoirs que ce nouveau pays leurs imposait au même niveau des droits que celui-ci leurs octroyait.

Actifs sur tous les fronts, du syndicalisme au monde de l'entreprise, en passant par l'investissement unique au sein du mouvement associatif, les portugais et français d'origine portugaise participent à la vie de ce pays avec une réelle affection et un fort sentiment du devoir accompli.

Ils ont appris la liberté. Ils connaissent et pratiquent les valeurs de la fraternité. Ils luttent encore et toujours pour l'égalité.

Femmes et hommes, rassemblant déjà trois générations, ils ont, par leur caractère et leur état d'esprit insufflé, au quotidien, dans les villes où ils résident, les espaces où ils travaillent, les lieux où ils prient, les moments où ils questionnent, une certaine manière de vivre. Ils ont su préserver le contact avec leurs racines et tisser, ici, les liens avec le futur.

C'est ainsi que, forts d'une double culture qui accueille tous les continents autour de deux langues universelles, ils ont, bien avant l«heure, été les premiers citoyens d'une Europe de mobilité, sans frontières. Ils ont épousé ce projet, ce défi, cette aventure avec cette même force et foi dans l'avenir qu'il y a des années leur a permis de passer la frontière de leur village, région, pays.

Au moment où la France est appelée à confirmer l'effort d'un demi-siècle ; au moment où cette nouvelle maison qu'est l'Europe sollicite des millions de citoyens sur leur avenir commun, nous, Collectif de structures et d'individus, portés par cet esprit, riche des cette lusophonie et francophonie, citoyens et responsables, appelons à une participation active des français d'origine portugaise lors du référendum du 29 mai sur la Constitution européenne, et défendons, avec force et conviction, un oui à ce nouvel appel de l'histoire, qui réunit les destins individuels au destin collectif.

De nombreuses personnes (personnalités, sportifs internationaux, artistes, politiques, institutionnels, dirigeants associatifs, chefs d'entreprise...) représentant un large panel de la Communauté portugaise de France, se sont mobilisées et ont crée un Collectif : COLLECTIF TOS.

Nous vous convions à la conférence de presse nationale le mardi 24 mai à 10h30 au Prince de Galles à Paris (33, av Georges V - 75008).

Publicado por Filipe Moura às 11:59 PM | Comentários (4)

O ARTIGO DE NOTRE AMI MÁRIO SOARES

Devo dizer que divulguei aqui o artigo de Mário Soares no Nouvel Observateur mais por curiosidade pois, embora concorde com o mesmo, não creio que o seu tom paternalista para com os franceses surta o efeito desejado pelo autor, não estando estes habituados ao seu estilo.
O artigo é para ser lido imaginando que se está a ouvir o próprio Mário Soares a lê-lo. Experimentem lê-lo assim e verão que é uma delícia.
De resto, há sempre qualquer coisa para aprender ao ler homens como Mário Soares. Eu, por exemplo, ao ler o artigo aprendi a dizer "gaveta" em francês.

Publicado por Filipe Moura às 06:31 PM | Comentários (1)

MÁRIO SOARES: "LETTRE À MES AMIS FRANÇAIS"

Artigo no Le Nouvel Observateur.

Publicado por Filipe Moura às 01:19 PM | Comentários (5)

maio 19, 2005

STAR DOUBTS

Vocês sabem que eu não tenho nada, de todo, contra a cultura de massas, seja para comprar bilhetes para os U2, seja para assistir ao funeral do antigo Papa e a eleição do novo... Relativamente aos U2, compreendo a turba e partilho (moderadamente) o seu entusiasmo. Quanto aos assuntos relacionados com o Papa, compreendo perfeitamente as emoções populares que causam, embora não partilhe essas emoções. Agora... quando vejo filas de fanáticos às portas das bilheteiras de cinema para ir ver a estreia do n-ésimo episódio da "Guerra das Estrelas", como vi há dois anos para o (n-1)-ésimo, e há quatro para o (n-2)-ésimo, não compreendo. Não critico, atenção. Mas não compreendo. Não é só não compreender por que faz fila aquela gente por ver a sessão de estreia, ou pelo menos o dia de estreia, quando podem esperar mais uma semana para ver o filme com calma e conforto. Afinal, já esperaram não sei quantos anos pelo filme, estes bilhetes não são como os bilhetes dos U2 - não desaparecem, e finalmente as sessões são todas iguais! Não é só isso que eu não entendo. É mesmo a Guerra das Estrelas, de que eu tentei ver o m-ésimo episódio, aquele que corresponde ao filme cronologicamente mais antigo (era o primeiro, depois passou a ser o segundo, o terceiro e agora parece que é o quarto) uma vez. Devo ter adormecido a meio e não achei nada de especial ali. Ainda hoje, confundo aquilo com o Star Trek. Alguém me explica como e por que se gosta desta série? Enquanto eu não perceber, vou sempre preferir uma boa sit-com.

Publicado por Filipe Moura às 11:55 PM | Comentários (10)

O MEU POLITEST, FINALEMENT...

Com algum atraso, lá me submeti ao Politest. E devo dizer que embora concorde com o Rui Tavares (quando afirma que o conjunto de perguntas acaba por ser demasiado genérico e algo tosco), o certo é que o resultado final não me surpreende nem me desagrada.
Eis o relatório:

Vous vous situez à gauche.

Aucun parti ne correspond exactement à vos opinions.
Cependant, les partis dont vous êtes le plus proche (dans l'ordre) :

1. le Parti Socialiste
mais vous êtes plus ouvert sur les questions liées à l'évolution des moeurs.
Lors d'un référendum interne, les militants du Parti Socialiste se sont prononcés à 59% POUR la Constitution européenne. (L'aile droite du parti était en général POUR, l'aile gauche du parti, ainsi que Laurent Fabius et ses partisans, étaient CONTRE, le reste du parti était divisé).

Et, dans une moindre mesure :

2. les Verts
mais vous ne partagez pas la même opinion sur l'importance de la responsabilité personnelle des gens.
La tendance des Verts dont vous êtes le plus proche est en général plutôt POUR la Constitution européenne.

3. le Parti Communiste
mais vous ne partagez pas toujours les mêmes opinions sur l'importance de la responsabilité personnelle des gens, ni sur l'évolution des moeurs.
Le Parti Communiste est CONTRE la Constitution européenne.

Em França, como em Portugal, nenhum dos partidos corresponde exactamente às minhas opiniões. E sendo que o PS francês é bastante mais à esquerda do que o português, não me repugna que venha em primeiro lugar na lista de afinidades, até porque o programa sublinha que sou mais aberto do que os socialistas nas questões ligadas à evolução dos costumes. No que diz respeito à questão europeia, estou com o «não» do PC e da ala esquerda do PS (os tais 41% que se opuseram no referendo interno), contra o «sim» da ala dos Verdes de que supostamente estou mais próximo.
E o resto da malta do BdE, onde é que fica? Manel, tchern, Frazão, Rainha: digam lá de vossa justiça, pá.

Publicado por José Mário Silva às 11:52 AM | Comentários (6)

ESTE BLOG ACORDOU ASSIM

Verde-escuro

Publicado por Jorge Palinhos às 10:40 AM | Comentários (4)

NOTÍCIAS DA RESSACA (4)

Não resisto a puxar cá para cima um comentário do Valupi ao jogo de ontem, em que ele faz uma interessantíssima análise da época 2004/05. Sublinho desde já que concordo absolutamente com duas das premissas: 1) o Benfica ganhou o campeonato (se é que ganhou) ao perder em Penafiel; 2) o Sporting devia ter jogado na Luz com uma equipa semelhante àquela que foi a Braga vencer por 3-0.
Mas ouçamos o que diz Valupi:

A época 2004/05 foi muito boa para os sportinguistas. Começou mal, mas foi num crescendo de alegrias, tanto em resultados como em exibições. Estas duas cruciais derrotas nada têm de extraordinário, embora resultem de causas diferentes (se possível for encontrar causas primeiras em situações tão complexas como um jogo de futebol). Agora, se houver cabecinha e/ou finanças (não vender talento, adquirir talento), esta matriz entretanto instituída (pelo Peseiro) pode levar a uma super-equipa para a próxima época.
Entretanto, desenvolvi uma tese que me dá o consolo da explicação, vingança sobre a negra "moira" que nos fez morrer na praia duas vezes seguidas em 4 dias. Ela chama-se "O Penafiel Amigo". Gozou-se aqui com o golo do N'Doye, e foi unânime a ideia de o Benfica ter comprometido o campeonato, por só ser preciso um empate ao Sporting na Luz para resolver o assunto. Ora, essa vantagem do Sporting levou a uma alteração do previsto. Estava previsto que esse jogo seria uma final, com obrigação de ganhar. A possibilidade de bastar um empate foi, porém, tentação demasiada (e, vistas bem as coisas, opção racionalmente justificada) para um treinador que tem a obrigação de conquistar duas provas em 3 jogos num espaço de 8 dias com um plantel de coxos (por lesões, a maior parte, outros por destino). E esse empate esteve quase a acontecer, só não alcançado por causa de um golo que ficará para sempre no limbo da dúvida (a menos que uma equipa de físicos, programadores e designers faça uma reconstituição digital em 3D).
O risco assumido acabou em desaire, mas o pior nem foi o desfecho (o qual é sempre imprevisível, e daí a beleza do futebol). O pior, o maligno, o criminoso, o imbecil, o tão nojentamente previsível e normal, foi a quebra da corrente "mística", a qual tinha dado coisas como a vitória ao Newcastle, o golo do Pinilla contra os holandeses, a vitória em Braga, o golo em Alkmaar, o golo do Tello ao Guimarães e uma série de defesas decisivas (e de ranço) do Ricardo. Vistos como acontecimentos isolados, não passa do acaso. Vistos como acontecimentos sucessivos e contextualizados, é um padrão.
A lógica inerente a este padrão ilógico pedia que a equipa que jogasse na Luz fosse uma surpresa, fosse de "recurso", fosse "errada". Tal como o tinha sido em Braga. O evento suscitava raciocínios "a contrario" com os pressupostos politicamente correctos, com a racionalidade calculista. As características absolutamente decisivas desse jogo para as duas equipas convocavam uma "lógica fuzzy". Peseiro e restante equipa técnica poderiam ter recolhido lições das evidências – os dramáticos, súbitos, "milagrosos", rendimentos de jogadores que nunca tinham mostrado nada, como o Tello, o Pinilla, o Miguel Garcia (sinal de outros florescimentos a poderem acontecer) – a absoluta qualidade de um puto de 18 anos (há lá outros donde esse veio) – a constatação da nulidade de consagrados, como o Polga (época desastrada), o Rochemback (época medíocre), o Pedro Barbosa (que já só pode entrar na segunda parte). Finalmente, faltou a louca decisão de jogar uma final, mesmo que o empate servisse. A melhor defesa é o ataque, ideia pré-histórica de sempiterna vanguarda, mas que requer túbaros românticos.
Mas, não. E depois, não, não e não. A derrota com afastamento do título enterrou equipa e adeptos. O jogo com o CSKA, que já era de vitória improvável, estava entregue. Hoje foi o que se viu. Vimos o Sporting a jogar dentro da sua normalidade, sem especial qualidade de passe, sem confiança criativa, sem munição intelectual. Sem "sorte". A sequência do golo falhado pelo Rogério à boca da baliza com o terceiro dos russos deve ser ligada com o golo na Luz. Senhoras e senhores, mais um padrão.
E posto isto, viva o CSKA, que fez o que tinha a fazer e sabe fazer tão bem. A Taça UEFA está muito bem entregue.

Publicado por José Mário Silva às 10:29 AM | Comentários (3)

NOTÍCIAS DA RESSACA (3)

Honra à estrela vermelha, fortíssima, que ontem voltou a iluminar a Europa.

Publicado por José Mário Silva às 10:25 AM | Comentários (2)

NOTÍCIAS DA RESSACA (2)

Há clubes que merecem um Homero. O Sporting, um Sófocles.

Publicado por José Mário Silva às 10:19 AM | Comentários (1)

NOTÍCIAS DA RESSACA (1)

O pior da derrota de ontem foi a sua extraordinária previsibilidade. Desde sábado que todos os sportinguistas sabiam, lá bem no íntimo, o que ia acontecer em Alvalade. O segundo acto da tragédia, o ruir do castelo, o mórbido sacrifício da esperança. A verdade é esta: não fomos feitos para a glória, mas para a resignação.

Publicado por José Mário Silva às 10:15 AM | Comentários (2)

maio 18, 2005

SENSAÇÃO ESTRANHA

Parece que não reconheço o blogue ao entrar nele...

Publicado por Filipe Moura às 11:36 PM | Comentários (0)

DEPOIS DA FINAL

Desligar a música. Guardar o cachecol no roupeiro até ao ano que vem. Voltar ao trabalho.

Publicado por Filipe Moura às 10:56 PM | Comentários (6)

O ACTUAL TREINADOR DO SPORTING

Baixote, gordinho, nervoso, inseguro. E perdedor. (A desenvolver.)

Publicado por Filipe Moura às 10:19 PM | Comentários (0)

SPORTING - 1; CSKA - 3

Futebol: o desporto mais cruel.
Parabéns ao CSKA, uma equipa perfeita na arte maquiavélica do contra-ataque.
Parabéns ao Sporting, uma equipa digna que jogou muito e bem, mas pagou com juros a sorte de Alkmaar.
Para o ano há mais, sem Peseiro (espero eu) e com o Ricardo no banco.

Publicado por José Mário Silva às 10:02 PM | Comentários (8)

TODO O ESTÁDIO A CANTAR

O que é preciso é apoiar a equipa, antes e durante o jogo. Liedson, levezinho, força nas pernas. Roca, mexe-me esse cu. Ricardo Sá Pinto, coração de leão, e João Moutinho, puto maravilha, que não vos falte o fôlego e corram o campo todo. Pedro Barbosa, joga como sabes. Vamos lá, leões, e a Taça é nossa.

Publicado por Filipe Moura às 01:13 PM | Comentários (13)

ABORTOS E ASSASSINOS

Serão efeitos da final da Taça UEFA? Por uma vez, estou de acordo com António Ribeiro Ferreira.

Publicado por Filipe Moura às 01:05 PM | Comentários (1)

QUEM SERÁ A ARLETTE LAGUILLER DA BLOGOSFERA?

Depois de mim, já fizeram o teste vários dos bloguistas que eu desafiei.
Ao contrário do Political Compass, em que somos quase todos (em graus diferentes, é certo) "libertários de esquerda", com o Politest a direita... é de direita (aqui, e aqui). Nada de surpreendente.
Mais notável, mas que não me surpreende mesmo nada: eu, o Rui Tavares, a Palmira, o Ricardo Alves, o Afonso Bívar e (quase...) o Rui Fernandes, todos estamos próximos dos mesmos quatro partidos (franceses, e com diversas nuances, convém sempre realçar!), embora a ordem nem sempre seja a mesma: o Partido Radical de Esquerda, o Movimento Republicano e de Cidadania, os Verdes e o Partido Socialista Francês. Com tantos partidos de esquerda que há em França, sendo tão diversa e plural a esquerda em França, tal não deixa de ser notável. Mas, repito, não me surpreende.
O que me surpreende é ainda não termos encontrado quem se identifique com Arlette Laguiller. Será por isso que tantos bloguistas, mesmo aqui no BdE, ainda não fizeram o teste? Será que têm medo que o teste revele que estão próximos da porta-voz da Luta Operária?

PS1: Esta piada de Arlette Laguiller era (também, mas não só) para ser dirigida ao Daniel Oliveira, que entretanto fez o teste. A Arlette que poderia haver no Daniel não há: ele é mais Marie-George Buffet. Este teste é mesmo giro.

PS2: O Ricardo Alves desafiou mais bloguistas, e eu daqui desafio o João, o Nuno e o Manuel a fazerem o teste.

Publicado por Filipe Moura às 12:26 PM | Comentários (6)

DRESDEN REVISITED

Nos últimos dias, tenho recebido centenas de e-mails com spam em alemão. Alguém sabe o que é isto? Aqui e ali, percebo referências a 1945 e a Dresden, a cidade-mártir que foi bombardeada desnecessariamente, no estertor da II Grande Guerra, pela força aérea inglesa, daí resultando a morte de algumas centenas de milhares de civis. Estaremos perante uma vingança de hackers germânicos ressentidos, no ano em que se comemoram os 60 anos do colapso do regime nazi?

Publicado por José Mário Silva às 12:22 PM | Comentários (6)

E HÁ QUEM SE QUEIXE DO ANTI-AMERICANISMO

A língua, a história, a gastronomia e o futebol continuam a dividir a Europa. Mas quando o resto falha ainda há algo que une os europeus: o ódio aos franceses.
(...)
Sem grandes surpresas, os britânicos descrevem-nos como "chauvinistas, teimosos, piegas e sem sentido de humor".(...)
Para os alemães, os franceses são "pretensiosos, impulsivos e frívolos". Os holandeses qualificam-nos de "irrequietos, tagarelas e superficiais." Os espanhóis acham-nos "frios, distantes, fúteis e mal-criados" e os portugueses dizem-nos "moralistas". Na Itália acham-nos "snobes, arrogantes, lascivos, righteous e auto-obcecados" e os gregos acham que "não são bons da cabeça, egocêntricos e indulgentes".
Os suecos consideram-nos "desobedientes, imorais, desorganizados, neo-colonialistas e porcalhões".

Também seria muito interessante saber o que os ingleses, alemães, holandeses, espanhóis, portugueses, italianos, gregos e suecos acham uns dos outros, mas calculo que isso iria retirar o interesse que o Telegraph tem em publicar a notícia.


Publicado por Jorge Palinhos às 11:49 AM | Comentários (2)

O AZAR (II)

O Pinilla lesionou-se.

Publicado por Filipe Moura às 11:22 AM | Comentários (1)

O ESTRUNFE FEDORENTO

Os Monty Python têm um sketch sobre o caso Profumo, o grande escândalo político dos anos 60 em Inglaterra. Só que em vez de orgias sexuais, os Python punham os políticos a confessar que nas festas se mascaravam de ratos e comiam queijo, acto esse violentamente criticado pelos media.
Era assim que funcionava o humor do sexteto inglês: pegavam numa atitude ou comportamento considerado normal e depois esvaziavam-no do seu contexto, ou prolongavam-no até ao limite do desconforto, para demonstrar quão absurdo era.
É também essa a técnica usada no Gato Fedorento, o que leva alguns a considerá-los uma imitação tardia dos Monty, mas com algumas nuances muito interessantes.
O primeiro factor de relevo dos Gato Fedorento é o facto de assentarem baterias sobre a realidade nacional, o que o torna o seu humor muito mais próximo de nós e, como todo o bom humor deve ser, mais inquietante.
Depois praticam também um humor mais focalizado. Enquanto a trupe inglesa satirizava também figuras da literatura e da filosofia e recorria a formas típicas do teatro de variedades, os Gato são mais focalizados, concentrando-se somente nos comportamentos e figuras do quotidiano - seja esse quotidiano mediático ou real - e recorrendo apenas à linguagem jornalística.
É quase certo que os quatro humoristas portugueses se inspiram em figuras e situações específicas, mas trabalham limpando essas figuras e situações de todas as suas características individuais até obterem uma espécie de comportamento arquetipal em que quase todos os portugueses se reconhecem - do qual o "falam falam" é o exemplo supremo. Essa universalidade é intencional e reconhece-se no pormenor, genial, de dar o mesmo apelido a todas as personagens de cada série (série Meireles, série Fonseca, série Barbosa).
Tendo todas as figuras o mesmo apelido, tal como tinham os Estrunfes, obtém-se o efeito profundamente subversivo de se reconhecer que todas essas figuras são iguais debaixo do verniz. No fundo, independentemente do nome próprio, todos os Meireles, Fonsecas e Barbosas são iguais e todos nós somos, de facto ou em potência, Meireles, Fonsecas e Barbosas.
É, diga-se, muito curioso que um dos autores do Gato Fedorento se professe de direita, visto que esta filosofia do programa é eminentemente anarquista ou, pelo menos, anti-elitista. Pois, tal como nos Estrunfes não existem classes, no Gato Fedorento não existem divisões entre ridicularizadores e ricularizados. Existe apenas o ridículo.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:45 AM | Comentários (6)

maio 17, 2005

TRAIÇÃO

«A memória atraiçoou-me», disse ele. Como se a memória não fosse sempre uma traição.

Publicado por José Mário Silva às 11:14 PM | Comentários (3)

E AGORA, UMA PALAVRA SOBRE MARX ESTRUNFE*

Economically, the Smurf Village is closed-market. There is no money, and all possessions are communal - property of the collective. Everyone is equally a worker and an owner. The Smurfs reject the idea of a free-market economy, with its greed and inequities, and the collective is more important and valuable than the individual. The whole is greater than the sum of its parts. John Lennon asked us to 'imagine no possessions'. The Smurf Village achieves that goal. In fact, many of the ideas expressed in that song are reality in the Village. There is one large piece of capital, or produced means of production, in the Smurf Village: the dam. It is owned, operated and repaired by the entire collective.
The Smurfs all refer to one another by the same title; 'Smurf'. Eg, Brainy Smurf, Handy Smurf, Jokey Smurf, Lazy Smurf, Papa Smurf. This is highly reminiscent of socialist states' use of the word 'comrade' when referring to others, instead of more elitist titles.
(...)
What does Gargomel want to do with the Smurfs? He has two ideas. The first is to eat them. This is unusual, because the Smurfs are small and rare, and would not make as good eating as, say, a deer. It is similar to Sylvester's obsession with eating the golf ball sized meal that is Tweety Bird. There are two explanations. The first is that metaphorically, he wants to devour socialism, as the West wanted to do to the USSR and its satellites during the Cold War through its tactic of encirclement. The second is that as a pure capitalist, he wishes to turn everything into a commodity - including people. The second thing Gargomel plans to do to the Smurfs once he catches them is to turn them into gold. As the ultimate supercapitalist, he is more concerned with his own wealth than with equality and fairness. Like any Adam Smith style capitalist, it is his 'natural' state to want as much money as he can get.

* Apelido aportuguesado

Publicado por Jorge Palinhos às 01:04 PM | Comentários (13)

ANDA PACHECO

Graças a uma voraz barriga de arquitecto descobri um texto do grande Luiz Pacheco neste blog com quem tivemos umas picardias por nos terem acusado de engraxadores a (des) propósito de um post do Jorge.
Tirando esse erro de pontaria, o blog é bom e vale a pena lê-lo.
O texto do Pacheco, esse, é imperdível.

Publicado por tchernignobyl às 12:30 PM | Comentários (1)

DESCOBRIR A PÓLVORA (II)

O óbvio ululante: é mais fácil enriquecer nos EUA que na Europa, graças ao capitalismo desenfreado e à não-intervenção estatal.

O menos-que-óbvio-que-vai-pôr-muita-gente-ululante: todos os estudos económicos apontam que existe maior mobilidade social na Europa, especialmente nos países escandinavos, onde as pessoas têm maiores hipóteses de sair na miséria e ascender socialmente. Pelo contrário, nos EUA e no Reino Unido a partir da década de 70 (porque será?) verificou-se um maior imobilismo social e um maior desfasamento entre as camadas mais ricas e mais pobres da sociedade.

Ah, mas não peço que acreditem em mim que sou um perfeito ignorante nessas coisas, mas sim nos cegosanti-americanoscomunasbêbedoskeynesianosidiotasanalfabetosestatizantes* do Wall Street Journal e apaniguados da Universidade de Cambridge.

Citação favorita:

Até o professor Gary Becker da Escola de Chicago começa relutantemente a mudar de ideias. "Acredito que ainda é verdade que uma pessoa de origens modestas tem maiores possibilidades de progredir nos EUA que em qualquer outro país," comenta, "mas quantos mais dados temos em contrário mais temos de aceitar estes resultados."

Publicado por Jorge Palinhos às 10:37 AM | Comentários (5)

maio 16, 2005

CRISE ELEITORAL

Os partidos de esquerda brincam com o pessoal e talvez consigam o milagre de eleger o candidato sombra do PSD em Lisboa.
Se o Bloco empastou e o PS se deixa encalacrar nesta candidatura alienígena do Carrilho, não é ao bom Ruben que se vai buscar a salvação.
E chega-se à situação embaraçosa de a maioria da população da capital, que vota preferencialmente à esquerda, não ter um candidato minimamente apresentável.
Mas parece que é disto que está tudo à espera.
Ficou tudo muito assustado com o terramoto que arrasou a direita.
Sofreram demais coitadinhos, já chega... vamos dormir que o jogo acabou a 20 de Fevereiro.

E para as presidenciais vai ser a mesma história, já está a sê-lo aliás, vão andar, andar, andar até aparecerem com candidatos da idade da pedra sem quaisquer possibilidades de competir com o Cavaco.
Ou pior, que irritem tanto ou mais do que o Cavaco.
Difícil mas não impossível.
Parecem aqueles fugitivos que de tanto fugirem ao inspector Cavaco até se vão sentir aliviados quando ele os agarrar na Presidência.

Eu bem gostaria de ver uma mulher como candidata da esquerda a Presidente, aposto nisso porque já estou farto de gajos ensalsichados em fatiotas cinzentas e com cabelos espetados para cima à custa de brushings a martelo e dicções idiotas aprendidas num curso qualquer de public relations e "tratamento de imagem" mas se bem percebo o PS, onde eu gostaria de ver uma Helena Roseta ou à altura, vão-me dar um calibre Edite Estrela.
E aí... não contem comigo.
O que isto indicia?
Uma crise de esquerda. Há funcionários, não há personalidades e ideias com força.
Alguém que se levante da cama por favor.

Publicado por tchernignobyl às 06:33 PM | Comentários (16)

VERSOS QUE NOS SALVAM

Tal como Rui Pires Cabral, Manuel de Freitas também vai buscar à música (a certas canções, a certos compositores, a certos concertos ao vivo) o ponto de partida para poemas que nunca se submetem à melodia original, antes se transfiguram noutra coisa, muito mais íntima, pessoal e indizível. Em «Jukebox», pequena plaquete editada pelo Teatro de Vila Real, Freitas regressa às suas obsessões: noites de álcool e charros, Bach e jazz, tabernas e decadência, amores perdidos, sovas antológicas, o "desfavor dos versos" e um sentimento geral de ruína, os "piores anos" a que muitos chamam juventude. Não há aqui fronteira entre a alta e a baixa cultura, entre a contenção e o excesso. Tudo é precário, tudo está perdido ou tocado pela sombra do spleen. "Parecia a minha vida, súbita / transição de Couperin / para tremoços mudos, / com demasiado futebol diante".
Deixo o poema com que mais me identifico (talvez porque também estive lá, naquela noite heróica):


ANDREAS SCHOLL, 2002

para o Nuno Franco

Hércules estava diante de nós:
usava fato completo,
óculos de escuro contorno,
e esquecera-se de trazer gravata.
Seguiam-no de perto duas flautas,
as melhores que já ouvi. E eu pensei
— talvez mal — que aquela ária
explicava com perfeita exactidão
a triste sorte de Wilhelm Friedemann
e o brando sucesso do irmão, Carl Philipp.

A música, não a vida, nos fere
às vezes assim. Duas flautas, para
Hércules; ou a breve absolvição do tempo
suspendendo o nojo de haver mundo,

esta porta imperceptivelmente aberta
quando Hércules, o próprio, cantava à nossa frente.

Publicado por José Mário Silva às 01:26 PM | Comentários (6)

JOÃO MIRANDA BRANQUEIA GENOCIDA

A Democracia está de parabéns. O presidente legítimo da Guiné-Bissau, Kumba Yala, mais conhecido como o Salvador Allende da África Ocidental, que tinha sido derrubado por um golpe militar anti-democrático, reassumiu o poder e pretende cumprir até ao fim o mandato de cinco anos para que foi eleito em 2000. Afinal o voto ainda vale para alguma coisa.

(e aqui também)

Ora, deixa cá pensar: o gajo que derrubou o Allende matou e torturou à volta de 30 000 pessoas. Os gajos que derrubaram o Kumba mataram... mataram... Quantas vítimas, mesmo?

(jcd idem.)

Publicado por Jorge Palinhos às 10:58 AM | Comentários (11)

A GUERRA DAS ESTRELAS NA CROISETTE

croisette.bmp

Cartoon de Patrick Chappatte, «International Herald Tribune»

Publicado por José Mário Silva às 10:57 AM | Comentários (0)

CACIQUISMO DE BLAZER

Tal como o Afixe, acho pura e simplesmente intolerável que se continuem a passar em Portugal cenas como as que têm agitado Viseu.
Vi hoje de manhã na televisão a manifestação de ontem e acho incrível o estilo farisaico do Presidente da Câmara Local.
Apareceu a protestar de forma displicente o seu apoio como se fora uma “pastilha” que se engole por vénia oportunista ao "politicamente correcto".
Não, não é suficiente que o senhor se limite a realçar, com um ar pretensamente neutro, o positivo que é ser possível "em inteira liberdade” a realização da manifestação na cidade, como se fosse concebível que tal pudesse não suceder.
Ele tem é a obrigação de se comprometer claramente no sentido de actuar com firmeza para assegurar a liberdade de todas as pessoas, todos os dias e sem discriminações.

Publicado por tchernignobyl às 10:54 AM | Comentários (2)

SALADA COM MANGA PARA MUITA FRUTA

O apoio do Bloco de Esquerda à candidatura de Sá Fernandes é um fenómeno bizarro para o qual não consigo encontrar qualquer explicação plausível que não passe pelo factor ensandecimento por parte dos dirigentes bloquistas.
Por muito que as pessoas achem que não e se recusem a entender o significado da palavra independência no contexto da política, a ideologia e os princípios ainda servem para alguma coisa.
Uma coisa é um grupo de amigos ter afinidades pessoais muito para além das convicções políticas.
Funcionará numa revista, num blogue, num festival de cinema, numa iniciativa concreta.
Funcionará com certeza, embora com eficiência discutível, no caso de causas cívicas concretas como têm sido algumas daquelas protagonizadas por Sá Fernandes.
Outra coisa é tentar materializar isso numa candidatura à Câmara Municipal de uma cidade com a dimensão de Lisboa.

Num caso dessa natureza, qual a utilidade, ou o "projecto político" de uma salada que mistura alguns personagens da esquerda não alinhada, onde surge com alguma surpresa o António Barreto, desta feita sem pruridos de se aliar aos "trogloditas" do Bloco (a adjectivação, porventura esquecida e datada, é dele), o MEC que deve alinhar nisto pelos sacros princípios da amizade e por se estar a borrifar para a política (embora eu duvide que alguém mais da direita que ele inspira intelectualmente alinhe nesta barafunda) e o grupo dos "monárquicos bons" onde pontifica o Arquitecto Ribeiro Telles?
O resultado é um cheque em branco passado a um personagem, com base em princípios extremamente vagos, um pastel constituído para apoiar uma figura política vagamente ao jeito do malogrado PRD, salvas as devidas proporções, o que não me parece saudável em democracia quando ainda por cima não existe nenhuma "vaga de fundo" em apoio dessa candidatura e nada se sabe do seu programa para além da vaga promessa justiceira de pôr na ordem os construtores civis.
A intenção será boa mas o estilo voluntarista aponta para um resultado eleitoral insignificante.
Aqueles que comparam Sá Fernandes a Sampaio devem ter chegado agora ao planeta para ignorarem que quando o Sampaio ganhou a presidência e pôde ostentar a tal independência era um político com trinta anos de experiência e era apoiado em força pelo maior partido português.
Imaginar que os votos do Bloco poderiam ser úteis a Sá Fernandes é ignorar que é o Bloco e não Sá Fernandes quem tem peso político para designar um candidato.
Supor que o Bloco ganharia em "vampirizar" Sá Fernandes é ignorar que este não é uma pêra doce que hesite em partir a loiça se sentir que o seu "parceiro" está a pisar o risco.
Restariam os projectos políticos, as ideias, os conceitos que se defendem para a cidade: será possível algum grau de compatibilização?
Oxalá que sim e se demonstre que estou rotundamente errado.
Para já, no entanto, parece-me que o Bloco fica no dilema: ou alinha nesta salada que não tem possibilidades de controlar (registe-se que eventuais eleitos em "coligação" terão de se aturar mutuamente durante o mandato apesar dos evidentes antagonismos) e faz diluir parte do peso político que neste momento tem na capital e lhe permitiria concorrer isoladamente; ou optará por sair da carruagem mais adiante, quando verificar que não consegue hegemonizar a candidatura, e perdeu o timing para preparar a sua própria estratégia.

Publicado por tchernignobyl às 12:05 AM | Comentários (7)

maio 15, 2005

(RE)BEM-VINDO, LUIS

Não foi com o fumo branco do Ratzinger, foi com o 13 de Maio (tinha de ser, tinha de ser). O certo é que o Luis Rainha está de volta a este blogue, de onde nunca se deveria ter ausentado. Lo que pasó, pasó. Os equívocos, as falhas de comunicação, os mal-entendidos ficaram nos arquivos, como a memória de uma coisa vagamente insensata. O que era preciso esclarecer, esclareceu-se — longe dos olhares ávidos de certo comentadores. Agora, é tempo de seguir em frente. E de voltar a ler todos os dias (ou quase), no BdE, um dos melhores bloggers cá do burgo.

Publicado por José Mário Silva às 07:17 PM | Comentários (0)

maio 14, 2005

PARABÉNS, ADEPTOS DO SLB!

A vossa vitória foi limpa. A nossa derrota, um castigo.
Se ganharem o campeonato, merecem-no. Num ano marcado pela falta de regularidade dos grandes, o Benfica acabou por ser o menos irregular. Faça-se justiça a Trappatoni e ao seu calculismo: com os poucos recursos que tinha, fez o melhor que podia. Isto é: pouco, mas suficiente. A mais não era obrigado.
Além disso, ficou hoje claro que qualquer equipa que tenha o Peseiro e o Ricardo, juntos em amena conjunção dos seus defeitos, não merece ser campeã. Mas isto talvez seja o nó na garganta a falar.
Resta a Taça UEFA. Restará?

Publicado por José Mário Silva às 11:49 PM | Comentários (6)

maio 13, 2005

APARIÇÃO À ÚLTIMA DA HORA

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Tens toda a razão, Zé Mário: não posso deixar que um dia 13 de Maio se fine sem uma (re)aparição semi-fantasmagórica. Com um pouco de sorte, ainda consigo acabar de escrever isto antes que o Vaticano dê por concluída a beatificação de João Paulo II.
Pois é: estes são mesmo dias de milagres...

Publicado por Luis Rainha às 11:59 PM | Comentários (21)

FESTA DA POESIA EM OEIRAS

A sessão de abertura acontecerá hoje, às 22 horas, no Teatro Municipal Ruy de Carvalho (Carnaxide), com o espectáculo «Isto não é um recital de poesia» – leituras cruzadas de poemas, letras de canções, notas e textos dispersos em Língua Portuguesa, por Sílvia Pfeifer, Rogério Samora e Kalaf. Haverá ainda desenho em tempo real por António Jorge Gonçalves. O coordenador e mestre de cerimónias é Nuno Artur Silva.

[Ao longo dos 10 dias que dura a Feira, divulgaremos aqui a programação, da responsabilidade do poeta, professor e crítico Fernando Pinto do Amaral]

Publicado por José Mário Silva às 07:10 PM | Comentários (0)

OUVIDO NA RÁDIO ALFA

- De onde é o senhor?
- Sou de Leiria.
- Leiria, Leiria... Isso é ali ao pé de Fátima, não é?

Publicado por Filipe Moura às 03:32 PM | Comentários (2)

A PARTIR DE AGORA, A HIGIENE

Acabado de ler num daqueles grandes painéis de LED's instalados junto ao hotel Sheraton, na Fontes Pereira de Melo, que nos mantêm em contacto com a vida real no meio da loucura do trânsito:

REVOLUÇÂO EM MONSANTO
- prostituição erradicada
- instaladas bocas de incêndio

Publicado por tchernignobyl às 03:13 PM | Comentários (4)

VOCÊS SABEM DO QUE EU ESTOU A FALAR...

machado.bmp

Após o afastamento higiénico do Major Valentim Loureiro, em Gondomar, tudo levava a crer que o PSD conseguira libertar-se, finalmente, dos laços sempre incómodos entre a política e o futebol. Puro engano. Hoje mesmo foi anunciada a candidatura de Octávio Machado à Câmara Municipal de Palmela, com o apoio dos sociais-democratas. Octávio Machado, leram bem. O treinador rancoroso, o viticultor castiço, o recordista mundial das teorias da conspiração ambíguas. Esse mesmo.
Os Bin Laden do poder autárquico que se ponham a pau...

Publicado por José Mário Silva às 12:35 PM | Comentários (4)

PIROMANIA

Reaberta a época dos incêndios:
Num serviço noticioso televisivo a que assisti num café perto do emprego, um adepto verberava os "dirigentes que incendeiam as claques", e acrescentou com ar pesaroso:
"nós às vezes somos incendiados..."

Publicado por tchernignobyl às 09:44 AM | Comentários (2)

OS "DESPERADOS"

A lei portuguesa relativa aos projectos turísticos (e não só) promove, a coberto do indispensável controlo do Ordenamento do Território por parte do Estado (os que duvidem que vão dar uma volta pela Brandoa ou por Portimão e Albufeira), um sistema burocrático com aspectos sinistros e autistas.
Por isso mesmo prefiro ser cauteloso antes condenar os ministros do PP agora acusados de actuação delituosa, pelo menos no que ultrapasse o nível de actuação política subjacente à tomada de decisões com esta importância em cima da hora da saída, de resto uma prática em que o PP nem sequer detém a exclusividade.
O que não é possível é aceitar o argumento do "excessivo peso do Estado" apresentado para justificar a corrupção.
Nem a activa, nem a passiva.
Sim senhor, talvez isso possa ser abordado num debate genérico sobre o assunto mas nunca quando analisamos uma situação concreta.
E é extraordinario e revelador da situação de desnorte que as pessoas que ocupam ou ocuparam cargos públicos, e se apresentam a eleições para ocuparem o poder, apresentem argumentos deste calibre quando simultaneamente vão recitando as orações "estou certo de que tudo não passará de um equívoco"´ou "até serem julgados são todos inocentes!", como se não soubessem de facto que é assim que eles e as suas respectivas pandilhas "funcionam".
Ah, como parece que eles realmente sabem do que falam quando referem o seu cepticismo quanto à "natureza humana"...

Publicado por tchernignobyl às 01:50 AM | Comentários (2)

SENSIBILIZAÇÃO DE CHOQUE

A violação do segredo de justiça neste caso dos sobreiros não deve alegrar-nos, lá porque as vítimas são agora dirigentes do PP.
É um tremendo despautério dizer-se quase por ritual que a "justiça funciona" quando mais uma vez se produz uma fuga de informação tão grave, com cumplicidades dentro do sistema judicial, e NADA ACONTECE.
Tal já fora visível no caso Casa Pia, mas a direita, na altura no poder, arranjou todas as desculpas para não reconhecer essa situação grave porque achavam que só acontecia aos outros, e os outros eram o PS, com "azar", que pensavam ter decapitado e condenado a errar por décadas na oposição.
O incrível pacheco, o tal que se chocou com a degradação do ambiente político provocada pelo "factor" Lopes, ainda arranjou forças na altura para torrar os miolos a produzir uma posta repugnante acerca da "duplicidade" em que tentava demonstrar (ao bom estilo soixante-huitard que agora tanto despreza) que a "vítima era o culpado", todas as evidentes maquinações pidescas em torno do caso Casa Pia eram para "beneficiar o PS"!
Talvez agora esteja a direita sensibilizada para obrigar a que se leve a lei a sério e se encontrem DENTRO do sistema judicial os culpados, ou por interesse político ou por corrupção, de todo este escândalo das fugas de informação.

Publicado por tchernignobyl às 01:44 AM | Comentários (0)

OS COMICS NA POLÍTICA

Designará o candidato Honest Blair que concorreu como independente em Oxford nas últimas eleições inglesas o equivalente político do João Honesto, o personagem dos desenhos animados da Disney?

Publicado por tchernignobyl às 01:40 AM | Comentários (0)

O ESTADO DOS MEDIA

Acabo de ver num telejornal da sic mais um "debate" sobre o caso dos sobreiros da vargem.
Elucidativo.
O Director de Economia do Público, Carlos Rosado Carvalho, (notem bem que é com este teórico que o Fernandes aprende) começou a sua intervenção a balbuciar com um sorriso amarelo que o controlo legislativo demasiado apertado (em particular nos grandes projectos na área do turismo...) acaba por incentivar a corrupção... pelos empresários "desesperados", replicando o meme há dias proposto pelo delicioso pacheco (o moralizador...) na Quadratura.
O pobre homem andou ali cinco minutos às aranhas metendo os pés pelas mãos em "interesses ambientais" e "interesses económicos" sem saber onde se meter.
O outro jornalista convidado (acho que também é director de qualquer coisa, claro, primeiro há que chegar a director que logo virão as "opiniães", estudem muito rapazes...), também foi brilhante.
Sugeriu que todo este assunto dos documentos assinados em cima da hora cheia de encanto da despedida (agora foi ao ex-ministro Barreto que anularam dois contratos que outorgara a uma empresa da qual é (ou era quando foi para o Governo) administrador, quando é que esta história pára meu Deus? Então não são estes gajos que clamam por menos Estado para dar mais liberdade aos cidadãos? Mas que mais liberdade querem eles?) poderia parecer uma vingança deste governo sobre o anterior por causa da Casa Pia... dando assim continuidade a outra curiosa "corrente" que vi iniciada por Lobo Xavier, também na Quadratura, sempre "confiante que a justiça funcione" mas aproveitando para enviar mais umas farpas ao PS por causa do "alarido" que neste partido se levantou quando alguns dos seus dirigentes começaram a ser metodicamente dizimados pelo caso Casa Pia numa hábil articulação entre vergonhosas violações do segredo de justiça e administração de informação palpitante em doses clínicas, perante a complacência ( eu disse complacência? caramba estou a amolecer...) dos partidos então no Governo.
O mesmo senhor, depois de levantar as suas suspeitas legítimas acerca da cabala (cabala que a dignidade de Xavier apenas permitiu esclarecer que era referida por "outros", que não por ele e o seu partido, gente séria que "acredita na justiça"), achou também "estranho" que "certos partidos" (referindo depois logo por acaso o Dr. Louçã...) habitualmente tão activos contra a corrupção estivessem agora silenciosos, aventando a hipótese (os esgares e abanos de cabeça enquanto dizia "não sei" eram eloquentes...) que talvez fosse porque poderiam estar em causa as finanças partidárias...
Não se enganem porém, com esta aparente desilusão pelo silêncio dos "tais" partidos, não é difícil adivinhar o que diria o sujeito caso eles fizessem qualquer ruído...
Para o nosso homem, é pois plausível que os acusados deste caso estejam a ser vítimas de vingança e que os seus habituais acusadores tenham, eles sim, os telhados de vidro. Deliciosa estufa. Soltem o homem do PP, coitado, metam-me de cana o gajo das massas do BE, quem lhe mandou brincar com o que faz andar o capitalismo?
Para concluir o ramalhete, o mesmo brilhante personagem interrogou-se filosoficamente e chegou a uma conclusão assombrosa, a descoberta da pólvora das ciências políticas.
É que com estes casos, disse ele (primeiro era a tal perseguição, depois eram as finanças dos partidos que não foram envolvidos no caso, agora parece que admitia que existiam também empresários com interesses na zona), pode correr-se o risco de as pessoas acharem que os seus governantes não são quem realmente governa, há outros interesses por detrás, que não são sufragados mas que são quem realmente detém o poder...
Quê, os governos representam interesses económicos e políticos?
Bingo! Bem me parecia! O gajo é de esquerda!

Publicado por tchernignobyl às 01:15 AM | Comentários (4)

O AFIXE NO CORTE

É explosiva a expansão da blogosfera. Não bastavam os livros, não bastavam os jornais e as revistas.
Agora até me fui deparar com o Monty no rótulo de uma lata de azeitonas "Banderillas picantes", numa prateleira do Club Gourmet do El Corte Inglés.

Nota para os comissários: eu não ia comprar nada, fui só documentar-me sobre os hábitos de alguma burguesia do Bairro Azul.

Publicado por tchernignobyl às 12:40 AM | Comentários (3)

O BOM SAMARITANO

O impagável Pacheco anda agora muito preocupado com a redefinição do Estatuto da Oposição no Parlamento.
Assim não dá, há que "equilibrar" as possibilidades de intervenção da oposição nos debates parlamentares, dizia ele, sempre sensato, na Quadratura de há umas semanas atrás, pondo momentaneamente um pouco de lado as habituais tendências anti-igualitaristas.
E imagina-se como isso lhe deve custar porque o igualitarismo, é sabido, mina a democracia como o caruncho.
Estarei a sonhar?
Será que é o PSD que está no poder para apresentar propostas assim tão generosas?

Publicado por tchernignobyl às 12:10 AM | Comentários (1)

maio 12, 2005

LA BOUSSOLE POLITIQUE

E eis que descubro o Politest, uma versão francesa (bem francesa, no modo de apresentar os resultados) do famoso Political Compass. O teste é bem menos pormenorizado, mas ainda assim bastante interessante. Os resultados são apresentados da seguinte forma: com qual partido político francês os nossos pontos de vista coincidem mais. Para averiguar da riqueza e diversidade ideológica dentro da esquerda dos membros deste blogue, eu proponho aos meus colegas fazermos todos o teste. É um instantinho. Também o proponho aos leitores, e tenho curiosidade em saber o posicionamento de alguns bloguistas: dos diferentes Barnabés, do observador André, do republicano Ricardo, do estrangeiro Rui, do João à deriva...
Os meus resultados foram os seguintes: estou mais próximo do Partido Radical de Esquerda (que é pelo "sim" à Constituição Europeia) e do Movimento Republicano e de Cidadania (que é pelo "não"). Antes de termos este debate aqui no blogue, julgo que seria interessante fazermos o teste.

Publicado por Filipe Moura às 06:07 PM | Comentários (8)

MUSILIANA

Leitura obrigatória: hoje, no DN, a crónica/micro-ensaio do Pedro Mexia sobre o suposto fracasso literário de Robert Musil.

Publicado por José Mário Silva às 04:22 PM | Comentários (10)

A ANGÚSTIA DO BLOGGER (COM MAIS DE SETE SÉCULOS DE ANTECIPAÇÃO)

«Tudo o que escrevi parece-me agora pura e simples palha.»

Tomás de Aquino, no seu leito de morte (citado em Os Livros da Minha Vida, de Henry Miller, Antígona)

Publicado por José Mário Silva às 09:40 AM | Comentários (8)

EDGAR MORIN: PARA QUANDO UMA EUROPA VISIONÁRIA?

Um grande, grande artigo de Edgar Morin no Le Monde de ontem (destaques meus)!

A quand une Europe visionnaire ?, par Edgar Morin

«La distribution à profusion du texte du projet de Constitution européenne ne va qu'accroître la confusion et la perplexité. De même que l'on tire les arguments les plus contradictoires de la Bible, du Coran et des Evangiles, de même, très légitimement, les partisans du non extraient les éléments négatifs du texte constitutionnel, tandis que les partisans du oui en extraient les éléments positifs. D'où, pour le citoyen incertain, un accroissement d'incertitudes et, dans l'incertitude, la disposition à un vote négatif.
Or c'est un vice de pensée que de se concentrer exclusivement sur un texte. Le sens de tout texte ne s'éclaire que dans la considération de son contexte, et ici seul le contexte permet de déterminer le choix.
Quel est le contexte ? Il est historique et il est actuel.»

Le contexte historique nous ramène à l'idée première. Afin d'en finir avec les deux guerres suicidaires du XXe siècle, les "pères fondateurs" ont incité à une union politique et culturelle qui unirait les nations sinon dans une fédération, du moins dans une confédération.
La résistance des nationalismes, notamment français, a empêché dans les années 1950 toute institution supranationale et elle a rejeté notamment la Communauté européenne de défense.
Comme, au cours des années 1950 un formidable essor économique traversait l'Europe occidentale, alors, de même qu'un fleuve qui rencontre un obstacle granitique opère un méandre pour le contourner, de même, le flux politique européen opéra un méandre économique et il élabora un marché commun qui finalement s'est épanoui avec la monnaie commune.

«C'est alors qu'il apparaît nettement aujourd'hui que l'Europe économique n'est qu'un nain, voire qu'un fœtus politique, et cela en un temps où de plus en plus le besoin pacificateur et novateur de l'Europe se fait sentir dans un contexte planétaire lui-même de plus en plus cahoté et chaotique et en un temps où la conscience d'une communauté de destin devrait s'imposer face aux puissances continentales comme les Etats-Unis, la Chine, l'Inde, l'Amérique latine : non tant pour s'opposer à eux, mais pour imposer sa propre existence d'entité européenne.
Ainsi, nous semble-t-il, le contexte historique et le contexte planétaire actuel nous posent la question : l'Europe doit-elle naître politiquement ou au contraire est-elle seulement vouée à demeurer un marché ?
Alors qu'un vote négatif stimulerait les oppositions entre souverainistes et européistes partisans d'un nouveau traité, entre trotskistes, communistes, fabiusiens, emmanuellistes, de villiéristes et lepénistes, l'adoption d'une Constitution dépasserait le caractère hétéroclite des partisans du oui.
Dans ce contexte, la Constitution, avec ses défauts et ses qualités, ses carences et ses oublis vaut mieux que pas de Constitution du tout, car elle apporterait un socle politique institutionnel à partir duquel une dynamique politique endormie pourrait se réanimer.
Or la vraie difficulté du oui se trouve dans son incapacité à se hisser au niveau politique et je dirais même au niveau anthropologique qui nous situe et nous donne un rôle au sein de l'humanité planétarisée.
Tout d'abord, la réduction massive du politique à l'économique aussi bien à droite qu'à gauche ne considère le problème européen qu'en termes de chômage, emploi, croissance, pouvoir d'achat.
Et, sur le plan économique, aussi bien détracteurs que partisans de la Constitution trouvent des arguments pertinents, car l'économie commune présente des avantages et des inconvénients, car la technocratie de Bruxelles a pris des décisions néfastes comme des décisions utiles ; de plus, l'insertion dans le marché mondial provoque divers avantages mais aussi divers inconvénients sur l'emploi.
Or c'est à un autre niveau, proprement politique, que se situe l'idée de Constitution, mais la triste incapacité de penser la politique et de dégager une voie d'avenir pèse négativement sur le référendum.
C'est dans ce vide que les considérations immédiates, particulières, corporatives, totalement privées d'horizon, poussent individus et groupes à considérer les problèmes globaux du point de vue des intérêts sectoriels et fragmentaires.»

Ce qui manque pour peser positivement sur le vote, c'est la conscience d'une communauté de destin à échafauder. C'est la conscience d'un grand dessein que l'Europe devrait apporter à elle-même et au monde. C'est la conscience que, dans la menace de guerre de civilisation et/ou de religion, l'Europe pourrait se dresser comme force pacifiante parce que portant en elle une diversité multiculturelle et multireligieuse pacifique et parce que portant enfin en elle un véritable universalisme.
C'est la volonté de rompre définitivement avec une civilisation de la puissance pour s'engager dans une civilisation de la rencontre et du dialogue. C'est d'ouvrir une voie de salut pour l'humanité.
Comme le vaisseau spatial Terre est propulsé par quatre moteurs incontrôlés, science, technique, économie, profit, celui-ci va dans le sens des accroissements quantitatifs et que ces accroissements conduisent à la dégradation de la biosphère et finalement au désastre.
Or l'Europe pourrait être porteuse d'un modèle qualitatif fondé sur la qualité de vie et ce qu'Aristote appelait la vie bonne. Bien sûr, tout cela nécessiterait une pensée, une conscience de la nécessité et de la difficulté de changer de voie. Nous en sommes loin.
Nous sommes dans le "trou noir politique" ; nous sommes dans l'incapacité de concevoir nos contextes et le contexte même du référendum.
Un vote négatif aurait à mon sens des conséquences négatives. Il ne susciterait toutefois pas le chaos : nous y sommes ; il l'aggraverait sans doute, mais surtout il tuerait dans l'œuf l'Europe politique, seule condition pour que l'Europe devienne européenne. Alors apparaît clairement la question : l'Europe sera-t-elle européenne ou ne restera-t-elle qu'un souk commun ?

Publicado por Filipe Moura às 09:37 AM | Comentários (0)

ROCK GERIÁTRICO


Cartoon de TAB, «Calgary Sun»

— No meu tempo, havia um guedelhudo muito feio chamado Mick Jagger.
— Eu sei, tetravô, ainda ontem o vi a tocar ao vivo na MTV.

Publicado por José Mário Silva às 01:46 AM | Comentários (6)

maio 11, 2005

UMA GRANDE VERDADE

«Diz-me a tua password do hotmail, dir-te-ei quem és.»

Publicado por José Mário Silva às 07:23 PM | Comentários (3)

CURIOSO

Tenho curiosidade em folhear o próximo Independente. Quase apostava que por lá há-de andar um sinónimo ou parónimo da palavra "cabala". Ou pelo menos umas passagens muito insinuantes.
É certo que estamos perante um caso judicial e que todos são inocentes até prova em contrário. Mas é curioso observar que Paulo Portas foi o grande paladino jornalístico pela "honestidade na política", mas esteve também relacionado com o caso Moderna, foi o director de jornal mais vezes processado (com sucesso) por difamação e vê agora seus colaboradores próximos também a contas por possível tráfico de influência e abuso dos cargos governamentais que ocupavam.
Tal como vai ser curioso ver a reacção de blogs que, há uns meses, a propósito de Paulo Pedroso, galhofavam e falavam da necessidade de confiar na justiça.

Publicado por Jorge Palinhos às 06:16 PM | Comentários (3)

ESTE POST É MENTIRA

Estava eu em considerandos ainda sobre este último caso, quando descubro que David Mamet exprimiu a minha ideia, ainda embrionária, muito melhor do que eu o faria:

I understand that computers, which I once believed to be but a hermaphrodite typewriter-cum-filing cabinet, offer the cyberliterate increased ability to communicate. I do not think this is altogether a bad thing, however it may appear on the surface.
If, for example, all humans were linked, one could arise in any time zone and type in “Oh look, what a nice day,” thus potentially cheering portions of the world engaged in lachrymose meditations on the economy or the environment.
No doubt, however, someone, swine that we humans are, would perceive that the happy report (“what a nice day”) need have no actual connection to the weather. This individual, having, perchance, subsequently, gone to the dark side, might employ his talent for improvisation, once plied but in the cause of humanity, to wreak havoc – misstating, misanalyzing, or outright lying about the facts he had perceived. Soon, then, these computer “blogs”, would be as little deserving of our trust as are the books, journals, films, broadcasts, dramas, and flyers upon which we already depend for that we have come, in our need, to applaud as “information”.
A reflective person might opine that such a state of corruption must have already occurred, and that there is nothing, no matter how apparently “handmade”, in which one might put his unalloyed trust.

Sabemos, pelos idealistas franceses, que não devemos crer nos nossos sentidos pois são iludíveis. Então como confiar sequer naquilo que os nossos sentidos não experimentaram, mas somente em signos, imagens e caracteres manipuláveis por outrem?
Como sabe o leitor que existe uma pessoa chamada Jorge Palinhos, outra Filipe Moura, outra Margarida Ferra, outra tchernignobyl e não somos todos heterónimos do José Mário Silva? E como saber que aquilo que escrevem é real? E que compreende o verdadeiro sentido do que é escrito?
Como é que JPH tem a certeza que morreu alguém no Norteshopping? E que existe uma criança chamada Alice?
É possível temer um Big Brother cuja veracidade e compreensibilidade não são garantidas?

Ou, por outras palavras:

Que lindo dia!

Publicado por Jorge Palinhos às 03:34 PM | Comentários (3)

MAIS UM ELO NA CADEIA INTERMINÁVEL

Desafiado pelo Nuno Guerreiro e pelo Pedro Vieira, chegou a minha hora de contribuir para um dos mais irresistíveis memes que me lembro de ver na blogosfera:

1- Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Hipótese lógica - uma qualquer recolha não muito exaustiva de haikus (as minúsculas miniaturas verbais de Matsuo Bashô ou Issa Kobayashi, por exemplo). Hipótese tautológica - Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.

2- Já alguma vez ficaste perturbado/apanhado por uma personagem de ficção?
Sim. Fiquei apanhado pelo senhor Palomar, de Italo Calvino (não voltei a olhar da mesma forma para as ondas na praia ou para as fotos, a preto e branco, que figuram as pedras do jardim zen de Kyoto). E fiquei muito perturbado com aquele rapaz que aparece mesmo no final do conto The Dead, de James Joyce, um tal Michael Furey que vem assombrar a memória de Gretta com a sua delizadeza e o seu gesto hiper-romântico de morrer por ela, no dia em que arriscou sair de casa, muito doente, debaixo de chuva, só para lhe dizer, sabendo-a prestes a entrar num convento, que já não lhe interessava continuar vivo depois da súbita separação. O episódio é contado em curtíssimo flashback (meia dúzia de frases num texto relativamente longo) mas nunca li, garanto-vos, uma história de amor que fosse tão bela e violenta e desesperada. Depois vêm as lágrimas de Gabriel e o espantoso último parágrafo, com a neve «falling faintly through the universe and faintly falling», que deixa em qualquer ser humano digno desse nome um nó na garganta que dura muitos dias (ou talvez mesmo a vida inteira).

3- O último livro que compraste?
A Prisão e Paixão de Egon Schiele, de Vasco Gato, &Etc (para consumo da casa).

4- Os últimos livros que leste?
Folhas de Viagem, de Blaise Cendrars (Assírio & Alvim) e naïf.super, de Erlend Loe (Fenda).

5- Que livros estás a ler?
Os Americanos, de Henry Louis Mencken (Antígona) e Jukebox, de Manuel de Freitas (Teatro de Vila Real).

6- Que livros levarias para uma ilha deserta?
A obra completa do Borges. O Perec todo. Muito Flaubert, Italo Svevo, Musil, Kafka, Faulkner. O Tristram Shandy, de Sterne. Les prix de beauté aux échecs, de François Le Lionnais. A Bíblia. Cento e oitenta cadernos moleskine em branco e vinte caixas de canetas BIC.

7 – Quatro pessoas a quem vais passar este testemunho e porquê?
Ao Pedro Mexia, por razões óbvias. Ao Alexandre Andrade, por razões óbvias. Ao João Pedro da Costa, por razões óbvias. E ao Francisco Frazão, por razões ainda mais óbvias.

Publicado por José Mário Silva às 02:59 PM | Comentários (3)

TRÊS MESES

A curva do amor paterno, já o suspeitava, tem uma progressão geométrica.

Publicado por José Mário Silva às 02:13 PM | Comentários (3)

VARGEM FRESCA

O mesmo ex-ministro do Ambiente que andava a construir uma casa grande de mais na Arrábida (lembram-se?) e a apelar aos levantamentos populares em Coimbra, fechou os olhos ao abate de 2605 sobreiros numa herdade em Benavente, em benefício dos interesses imobiliários de um grupo privado e das manobras corruptas do ex-tesoureiro do seu partido (CDS/PP). É pelos menos isto que indicia a investigação em curso por parte do Ministério Público. A confirmar-se o que o DN hoje noticia, só podemos tirar uma conclusão: Nobre Guedes, se por um lado estava contra a co-incineração de resíduos perigosos, em nada se opunha à co-incineração dos princípios éticos básicos de quem se dispõe a servir o Estado (e não a servir-se dele).

Publicado por José Mário Silva às 10:35 AM | Comentários (14)

O FIM DE UM PESADELO ESTÚPIDO

Ivo Ferreira foi finalmente libertado no Dubai, onde estava preso pelo terrível crime de fumar haxixe (melhor dizendo: pelo terrível crime de ter dado umas passas num charro).

Publicado por José Mário Silva às 10:29 AM | Comentários (5)

ALMOÇO EM CARNIDE

Um dia haveremos de lembrar a copiosa ementa: entradinhas apuradas, sopa de peixe alentejana, vinho de Borba, bolo rançoso. Lembraremos o magnífico repasto, sim senhor. E não será por razões gastronómicas.

Publicado por José Mário Silva às 12:43 AM | Comentários (0)

maio 10, 2005

OS FACHOS DO NON

É impossível ficar indiferente aos cartazes pelo "non" afixados pela Frente Nacional. Há diferentes tipos de cartazes pelo "non", consoante o movimento que lhes dá origem, mas nenhum movimento tem a palavra "non" em tanto destaque como o de Jean Marie Le Pen. Este fim de semana, ao sair de um centro comercial, dei com uma acção de campanha com dois camiões da Frente Nacional à porta. Tinha cada um um "non" gigante no exterior da cabine, com o facho (símbolo da FN) entre os dois "n" a fazer de "o". Foi a primeira vez que vi ao vivo militantes da Frente Nacional desde que estou em França, e confesso-vos que senti um certo pânico. Afastei-me o mais depressa que pude. Cartazes como aquele estão espalhados por Paris e pelos arredores. Eu, e provavelmente muitos outros eleitores, penso no "não" e só me vêm à cabeça aqueles cartazes. Talvez a recente subida do "oui" se deva a este tipo de campanha da FN.

Publicado por Filipe Moura às 07:32 PM | Comentários (26)

O REFERENDO EUROPEU E A COMUNICAÇÃO SOCIAL

Na campanha para o referendo europeu em França, os partidários do "não" têm-se queixado de terem menos tempo nos noticiários e espaço nos jornais do que os apoiantes do "sim". Tal facto talvez não seja de espantar se tivermos em conta que, apesar de haver sectores politicamente mais moderados pelo "não", incluindo uma facção do Partido Socialista, o "não" é mais imediatamente associado à extrema-esquerda e à extrema-direita. Por exemplo: ontem houve um debate sobre este assunto no canal de televisão TF1. A defender o "sim" estiveram Nicolas Sarzoky (presidente da UMP, de direita), François Bayrou (presidente da UDF, de direita), François Hollande, do PS, e Yann Wehrling, dos Verdes. Para defender o "não", Jean Marie Le Pen, da Frente Nacional, Phillipe de Villiers, um nacionalista de direita que já era opositor de Maastricht, Marie-George Buffet, do PCF, e Olivier Besancenot, da Liga Comunista Revolucionária.
A acrescentar a isto, os principais jornais (excluindo o Le Figaro, mas incluindo o Libération), nos seus editoriais, têm defendido principalmente o "sim".
Mas a avaliar pelas sondagens, os votantes do "não" estão longe de se confinar a franjas do eleitorado. Há várias razões que permitem explicar tal "divórcio" entre a maioria da elite política e uma grande parte da opinião pública. Talvez a principal seja o défice democrático sobre o qual a construção europeia tem assentado. Tal deve ser considerado por quem julga que a questão europeia em países como Portugal está "resolvida", por haver um acordo nos pontos fundamentais dos principais partidos.

Publicado por Filipe Moura às 07:26 PM | Comentários (1)

DITO DE OUTRA MANEIRA

Sussurro: understatement da voz.

Publicado por José Mário Silva às 12:54 PM | Comentários (2)

ABAIXO A CONCORRÊNCIA

Observação de jornalista:

Os blogues têm disto: é impossível morrer sem que ninguém saiba disso. Alguém há-de sempre contar: a morte do pai, do filho, da mãe, do tipo que morreu ao nosso lado no cinema ou na FNAC do Norteshopping.

É impossível não saber: uma morte, um nascimento, uma traição conjugal, o começo de um amor, um acidente de automóvel, de quem é a culpa e de quem não é, uma bebedeira inconveniente, uma mijadela numa caixa de correio. Alguém há-de ver, alguém há-de escrever. Para toda a gente saber.

Um dia, daqui a uns anos, todos os cidadãos terão computador; E, logo, um blogue. Todos poderão contar tudo a toda a gente - anonimamente ou não. Big blogger is watching you.

Estamos a criar um monstro. O mais monstruoso de todos os monstros: inorgânico, popular, ingénuo, finalmente a voz ao povo - um idiota útil de massas. Aproveitemos, portanto, enquanto a coisa não é assim. Tenho uma certeza: quando for será demasiado tarde. E quando for não nos aperceberemos - por isso é que será demasiado tarde.
JPH, cujo trabalho como jornalista é ver e escrever para toda a gente saber

Comentário de bloguista inorgânico, popular, ingénuo, voz do povo e idiota útil de massas:

Ah, mas não é isto que já fazem O Crime, o 24 horas, o Correio da Manhã, o Expresso e o Jornal Nacional da TVI? Mas, obviamente, com jornalistas orgânicos, elitistas, cínicos, vozes da elite e idiotas úteis do poder.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:52 PM | Comentários (3)

DECLARAÇÃO DE CONIVÊNCIAS

Eu, Jorge Palinhos, maior de idade e e na plena posse de todas as minhas faculdades mentais (por muito escassas que sejam) declaro solenemente que nunca fui para os copos com o João Pedro da Costa, nem de outro modo frequentei discotecas, bares, clubes nocturnos, bares de strip, casas de alterne, bordéis ou encontros de bloggers com o mesmo João Pedro da Costa, que nunca troquei dois dedos de conversa com o citado João Pedro da Costa, apesar de termos pontos de vista em comum, nem nunca trocámos números de telefone, e-mails, faxes, números de ISP, de segurança social, do contribuinte ou mesmo códigos multibanco, nem nunca partilhámos um carro, um charro, uma seringa, um urinol, um preservativo, um segredo, uma bicicleta, ou mesmo um apartamento time-sharing em Albufeira.

Mais se declara que o post em causa do Leonardo da Vinci se constituia como uma referência elíptica ao lugar "homem renascentista", para descrever a extrema polivalência e à-vontade com que o supracitado João Pedro da Costa se move através de vários registos artísticos e bloguísticos, como se pode confirmar numa rápida passagem pelos arquivos do seu blog, e não ao seu talento para pintar paredes desbotadas e sorrisos amarelos e inventar sanduíches (embora tal possibilidade não seja de todo excluída).

Mais se lamenta o equívoco ocorrido, assente no pressuposto que a maioria dos leitores teria competências lúdicas mínimas, o que se reconhece não ser esse o caso.

O subscritor deste post gostaria ainda de se solidarizar com a destinatária deste post, na medida em que também ele lamenta que ninguém lhe queira publicar os posts em encadernação de luxo ou que tenha (aproximadamente) um milhão a menos de admiradores que o excessivamente mencionado João Pedro da Costa, mas informa que, ao contrário daquela, não tem complicações gástricas.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:14 PM | Comentários (4)

EU E O OUTRO

Somos quase homónimos, além de vizinhos nas prateleiras de algumas livrarias: eu e o José Miguel Silva. O vago fio que nos une é este: ele ser poeta e eu ter publicado (há quase quatro anos) um livro com versos. Não mais do que isto.
Acasos da vida, sorte nossa, fizeram um dia com que ele nos enviasse, gentilmente, alguns textos inéditos que publicámos neste blogue. Trocámos e-mails, mas nunca o vi, nunca lhe falei de viva voz. Posso dizer, com propriedade, que não o conheço.
Mas ontem deu-se outra coincidência daquelas. Alguém me enviou uma carta para o jornal. Ao abrir, reparo melhor no nome do destinatário. É o meu nome: José Mário Silva. Só que o remetente, num primeiro impulso, escreveu José Miguel Silva. A palavra Miguel foi riscada, sem muita convicção; por cima pendurou-se o envergonhado Mário. Fico a olhar para o envelope, sabendo que um acidente onomástico nunca se resolve, nunca se apaga. Resta sempre uma cicatriz, uma assombração. A fractura está ali, o nome obliterado, a rasura, o Mário a sair do Miguel, essa patética crisálida invertida.
Alguém escreveu José Miguel Silva e depois, julgando que se tinha enganado, corrigiu. Mas não há emenda que o transforme, hélas, naquilo que sou.

Publicado por José Mário Silva às 10:46 AM | Comentários (1)

maio 09, 2005

SIMONE VEIL: "SE O NÃO LEVAR A MELHOR, SERÁ UM RETROCESSO TERRÍVEL"

«Que répondez-vous aux partisans du non qui accusent la Constitution de "graver dans le marbre le libéralisme économique" ?

La partie III de la Constitution se borne à reprendre le texte des traités antérieurs. Ainsi les griefs faits à la Constitution d'être libérale en se référant à la libre circulation des personnes, des biens, des capitaux et des marchandises, ne sont pas fondés, ils visent un dispositif qui sont les principes mêmes du Marché commun. Ils ont été mis en oeuvre depuis plus de cinquante ans et nous ont permis d'avoir un espace unifié bénéfique pour tous, c'est dans le texte parce que c'est la reprise des textes antérieurs. Cette nécessité d'être unis s'impose encore davantage face à la puissance des Etats-Unis et des ambitions nouvelles d'Etats continents comme la Chine et l'Inde. Au demeurant, des références au plein emploi et au modèle social européen ont été incluses dans la nouvelle Constitution.»

Ler a entrevista completa aqui.

Publicado por Filipe Moura às 06:20 PM | Comentários (1)

O PLANISFÉRIO DA IMPRENSA

Útil. Muito útil.

Publicado por José Mário Silva às 05:25 PM | Comentários (1)

OS RAMOS SÃO AS ASAS DAS ÁRVORES OU COMO ASSASSINAR UM POETA À NASCENÇA (HISTÓRIA VERÍDICA)

O miúdo rabiscava uma árvore nas costas de um envelope.
Traços carregados e verticais: o tronco. Traços mais finos e dispersos: os ramos. Traços ainda mais finos e ainda mais dispersos: as raízes.
Acontece que alguns dos ramos pareciam asas.
A mãe, inclinando o pescoço, perguntou-lhe o que era aquilo.
— São asas — disse o miúdo.
— Asas?
— Sim, asas.
— Mas as árvores não têm asas. Toda a gente sabe que as árvores não têm asas.
— Têm asas, mãe, têm asas. Isto são asas.
— És estúpido ou quê? Já te disse que as árvores não têm asas coisa nenhuma. Isso que para aí fizeste são ramos. Quem tem asas são os pássaros e os anjos.
— E as árvores.
— Já te disse que são os pássaros e os anjos.
— E as árvores.
— Os pássaros e os anjos.
— E as árvores.
— Os pássaros e os anjos.
— E as árvores.
— Cala-te! São os pássaros e os anjos e não se fala mais nisso.
— E as ár...
Estalada.
O miúdo faz beicinho mas controla-se, não chora.
A mãe pega no desenho e abana a cabeça.
— Não sei a quem é que tu saíste com estas ideias parvas.

Publicado por José Mário Silva às 01:58 PM | Comentários (11)

LUTAS LIVRES


Cartoon de Bandeira, no Diário de Notícias

Publicado por José Mário Silva às 01:56 PM | Comentários (0)

O CONSERVADORISMO EM 12 LIÇÕES PRÁTICAS

Antes de vos apresentar a minha breve dissertação, esclareço-vos: eu também sou conservador. Desde ontem. Os artigos em que os mais brilhantes conservadores do nosso país explicam o que é e de que insectos se alimenta um conservador convenceram-me. Identificar um conservador é simples. Num determinado grupo é sempre ele o mais prudente, o mais loquaz, o mais asseado e o único que sabe o que significa loquaz. É muito provável que seja também o que tem o penteado menos popular. Dizem-nos os conservadores que, ao contrário do que pensa a horda de primatas que constitui o resto da humanidade (mas que o conservador respeita profundamente), não pretendem conservar o passado. Esses são os arqueólogos. O que o conservador quer (e digam lá que não é esperto!) é conservar o presente. Sabe quem leu Santo Agostinho (eu não, mas disseram-me) que o presente não tem nenhuma duração, está constantemente a fugir-nos. O conservador propõe-se, então, a conservar algo que nem sequer consegue apanhar. O presente é, afinal, o que há. Seja lá o que for. Por isso, por inabaláveis princípios e porque dá muito trabalho, o conservador é contra as revoluções. Mas só enquanto estão no papel. O conservador, entendam, não é contra as mudanças introduzidas pelas revoluções. É contra as mudanças que os revolucionários planeiam introduzir. Logo que as mudanças tenham sido introduzidas passam a ser o presente que o conservador com tanto afinco defende. O tradicionalista defende que o mundo deve ser como sempre foi (ainda que o mundo nem sempre tenha sido como sempre foi e, muito menos, como é agora). O revolucionário defende que o mundo deveria ser como nunca foi (e acredita que isso obrigatoriamente acarreta melhorias). O conservador, por seu lado, defende que as coisas devem ser como estão. Afinal, o equilíbrio das sociedades humanas é frágil, os seres humanos estúpidos e os conservadores, os únicos que estariam em condições de melhorar o mundo, estão muito ocupados a ler a "Spectator" e a brincar aos ingleses. A Humanidade, à excepção do David Bowie, é avessa à mudança. Sobretudo quando a vida lhe corre bem. Passeiem por Lisboa. Olhem para as pessoas à volta. De entre todas, há grandes probabilidades de o conservador ser o mais bem nutrido e o que não tem cáries. Não o procurem em manifestações. Os comunistas tinham "amanhãs que cantam". Os conservadores têm "hojes que citam Waugh e não andam para aí a fazer figuras tristes". (Bruno Vieira Amaral)

Publicado por José Mário Silva às 09:47 AM | Comentários (6)

LA FORRRRMULE UN

Falar com franceses sobre pessoas ou nomes anglo-saxónicos requer sempre um ouvido muito atento para conseguir entender a sua peculiar pronúncia destes nomes. Brewster é Brrewstérre, Randall-Sundrum é Rôndále-Sundrrum, Calabi-Yau é Calabí-Yô (esta é a minha favorita - e Yau é um chinês). Quem ouvir pela primeira vez julga que nos referimos a pessoas diferentes. Quando falo com estudantes franceses sobre cientistas anglo-saxónicos, já sei que se pronunciar o nome em inglês (como se pronuncia em Portugal e na generalidade dos outros países) vou ter dificuldade em ser entendido. Com excepção dos seminários, os estudantes franceses com orientador francês nunca ouvem falar outra língua que não o francês. Condescendentemente, quando lhes falo nalgum cientista tenho de lhes perguntar "E este, como se diz em francês?"
Ao assistir-se à transmissão de um Grande Prémio de Fórmula 1 na TF1 também se fica com a impressão de que estamos a ver um campeonato diferente, com outros pilotos. O Alonsô e o Fisichellá, a gente ainda chega lá (tudo palavras agudas). Mas... e o Schumarrer, de quem eles estão sempre a falar? E o Cultarrde? Este fim-de-semana, por exemplo, ganhou o Raikonân num McLarrân.

Publicado por Filipe Moura às 09:26 AM | Comentários (5)

O DEMÓNIO É UMA METÁFORA COM OLHOS RAIADOS

Conferir aqui.

Publicado por José Mário Silva às 09:22 AM | Comentários (1)

maio 08, 2005

RUA MORAIS SOARES (SOB UM CÉU CREPUSCULAR)

msoares.jpg

Publicado por José Mário Silva às 11:49 PM | Comentários (8)

MÚSICAS QUE ARREPIAM (1)

Ouvir Elis cantar "querelas do Brasil- O Brazil não conhece o Brasil" e partir de Pirituba, engolir o fumo da marginal do Tietê acima da qual pairam os urubus, passar por São José dos Campos no Brazil, seguir por ubatuba (bem brasileira) e chegar a Parati, um misto de Brasil com Brazil. Visitar Caraguatatuba, ir a pindamunhagaba e comparar a gente deprimida da Lapa de Baixa com a gente social do Alto da Lapa. (JCV)

Publicado por José Mário Silva às 12:28 PM | Comentários (3)

FORA DE LISBOA

Incluído na iniciativa «Danças com Livros», organizada pela livraria Fonte de Letras, o «É a Cultura, Estúpido!» sai hoje de Lisboa. A sessão, com os suspeitos do costume (Anabela Mota Ribeiro, João Miguel Tavares, Pedro Lomba, Daniel Oliveira, Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia e moi même, mais a participação especial do Nuno Artur Silva), começa pelas 16 horas, no castelo de Montemor-o-Novo. E viva a descentralização.

Publicado por José Mário Silva às 12:26 PM | Comentários (0)

MORTE CULTURAL (2)

O Assis Pacheco, jornalista a sério, poeta do caraças, escritor de corpo inteiro, homem dos livros e dos outros prazeres todos da vida, morreu numa livraria: a Buchholz, em Lisboa, a dois passos da Avenida da Liberdade. Morreu no meio dos livros, depois de folhear livros, com livros na mão, livros a cercar o seu corpo caído, livros, livros, livros. Uns meses mais tarde, pedi ao escritor galego Gonzalo Torrente Ballester, de passagem por Lisboa, um depoimento que veio a ser ouvido, em gravação roufenha, numa homenagem ao autor de A Musa Irregular. Disse Don Gonzalo: «Assis Pacheco morreu como deveriam morrer todos os escritores, rodeado de livros e palavras. Uma morte bela e lógica, como a do soldado no campo de batalha.»
Ainda hoje, quando entro na Buchholz, parece que oiço à minha volta a voz tremelicante de Ballester (já velho, quase cego, trôpego) e uma espécie de bramido, cheio de relinchos e choque de espadas, vindo daquelas estantes que assistiram à queda fulminante do genial coimbrão.

Publicado por José Mário Silva às 09:03 AM | Comentários (21)

V DE VITÓRIA

Foi há 60 anos.

Publicado por José Mário Silva às 08:56 AM | Comentários (1)

maio 07, 2005

PROVOCAÇÃO BARATA PARA CHATEAR BENFIQUISTAS

Dói, N'Doye?

Publicado por José Mário Silva às 11:47 PM | Comentários (11)

A NOVA JORNALISTA/BLOGUISTA

Chegou à blogosfera Fernanda Câncio, a combativa repórter do Diário de Notícias. A Fernanda instalou-se no Glória Fácil, um blogue de jornalistas que, assim, parece estar de volta aos seus melhores dias. É um motivo extra (e forte) para continuarmos a ser leitores atentos. Bem vinda, Fernanda.

Publicado por Filipe Moura às 07:52 PM | Comentários (1)

MAS O QUE É QUE É ISSO, Ó MEU?

«Aguenta, coração!», dizia ele. Mas desta vez não aguentou. É triste mas é verdade: acabou-se a ripa na rapaqueca.

Publicado por José Mário Silva às 02:41 PM | Comentários (0)

O ÚLTIMO GOLO DE JORGE PERESTRELO

E enquanto aqui no BdE se discute a morte "enquanto tragédia e trivialidade", ela acontece.
Jorge Perestrelo morreu. Estava longe de ser o meu radialista predilecto, mas tinha o seu estilo inconfundível e o meu respeito. O impressionante nisto é que ainda ontem estava vivo e a relatar. O golo do Miguel Garcia, nos segundos finais do AZ Alkmaar-Sporting, foi a última ocasião em que largou o seu célebre "É golo! É golo! É golo, é golo, é golo!". Podemos ouvi-lo aqui. Trágico e trivial.

Agradeço ao Nuno Morais a indicação do ficheiro da TSF.

Publicado por Filipe Moura às 01:14 AM | Comentários (4)

maio 06, 2005

SE EU FOSSE O PALINHOS, RECOMENDAVA ESTA SÉRIE

«Six Feet Under», no original. «Sete Palmos de Terra», em português. Passa à segunda-feira no canal 2, creio. É sobre a morte, enquanto tragédia e trivialidade. A morte vista por quem a conhece de perto, todos os dias. Pessoas normais que a vão integrando (a ela, à morte) nessa coisa abstracta, rarefeita e incompreensível que é a vida. E fazem-no muitas vezes, ó heresia, com humor negro, humor do luto, talvez a única forma de espantar o indizível medo.
Por isso, aos leitores que se lembraram de crucificar o Jorge, deixo uma sugestão: não deixem passar em branco o descaramento desse argumentista insensível que é Alan Ball. Toca a escrever para a 5 de Outubro, a ver se a RTP proibe a série maldita.

Publicado por José Mário Silva às 09:46 PM | Comentários (23)

MORTE CULTURAL SUBSTITUTA

Durante algum tempo trabalhei na secção de necrologia de um jornal. Por essa secção passavam todos os dias fotos de defuntos, textos pesadíssimos de condolências, anúncios de funerais, de missas de sétimo dia, uns escritos por familiares, outros pelas agências, alguns deles com lacunas e omissões reveladoras na lista de subscritores.
E que faziam os funcionários dessa secção perante a presença diária da morte?
Riam-se.
Galhofavam das expressões dos falecidos, jogavam ao "este-gajo-é-parecido-com-que-celebridade", deitavam-se a inventar histórias para as omissões do anúncio. Riam.
Tal como fazem os médicos legistas, agentes funerários e todas as outras pessoas que convivem diariamente com a morte.
Será toda esta gente um bando de irresponsáveis insensíveis?
Ou será uma forma de exorcizar o medo?

Estava exactamente no Café FNAC quando me disseram o que tinha acontecido. Fiquei momentaneamente mudo e uma estranheza galgou-me a espinha. Como é que era possível alguém morrer subitamente, entre amigos, num lugar público, num ambiente descontraído? Naquele mesmo sítio onde eu estava? Nesse preciso momento nasceu-me este post na cabeça. Não sei de onde veio - será que alguém sabe de onde vêm os posts? - mas senti-me imediatamente melhor. O medo fugiu.

No entanto, houve muita gente que se mostrou ofendidíssima com o post (espera-se a todo o momento que a família anuncie um processo judicial contra Jorge Palinhos por insensibilidade).
Sem querer perturbar pudores frágeis com a minha boçalidade suburbana (e de província), deixo aqui então um texto em substituição do post anterior destinado às almas mais susceptíveis:

Ontem, faleceu subitamente um ser humano no Café FNAC do Norteshopping, vítima de causas desconhecidas, demonstrando mais uma vez a fragilidade da vida humana e como não somos mais que pó facilmente disperso pelo sopro caprichoso dos deuses.
A preciosissima vida que foi tão friamente roubada aos seus familiares enlutados deve ser eternamente lembrada e sobre ela deve recair uma meditação dolorosíssima sobre como todos estamos sujeitos a deixar este mundo para trás, a qualquer momento, em qualquer lugar.
Guardemos, pois, respeitoso silêncio em memória desta alma que partiu para o grande desconhecido que nos aguarda a todos, quando menos esperarmos.

Espero que agora se sintam todos mais contentes.

Publicado por Jorge Palinhos às 07:41 PM | Comentários (9)

THINK TANK

Antes o salvador da direita era Nossa Senhora de Fátima, agora, acompanhando a evolução dos tempos, a redenção está no think tank.
Parece-me boa ideia e até sugiro uma lista de importantes pensadores sem os quais nenhum think tank de direita lusa merece esse nome:

- Luís Delgado
- João de Mendia
- João César das Neves
- Mário Pinto
- Jaime Nogueira Pinto
- Alberto João Jardim

É ou não uma combinação representativa da direita portuguesa?

Por outro lado, sendo os media o grande instrumento de manipulação da esquerda, parece-me que o dito think tank devia ter um media tank, com jornalistas de direita que denunciassem a opressão que sofrem nos seus meios de comunicação pelo totalitarismo canhoto. Jornalistas como, por exemplo:

- José António Saraiva
- José Manuel Fernandes
- Miguel Coutinho
- João Marcelino
- Ferreira Fernandes
- Mário Bettencourt Resendes
- António Ribeiro Ferreira
- Martim Avillez Figueiredo
- Inês Serra Lopes

Publicado por Jorge Palinhos às 04:51 PM | Comentários (7)

UMA MORTE CULTURAL

Ontem, uma pessoa faleceu subitamente no Café FNAC do Norteshopping, algures, imagino, entre uma torrada e uma meia de leite.
Woody Allen tinha um conto sobre uma personagem que sonhava com uma morte calma entre livros. Mas o infeliz indivíduo de ontem contentou-se em morrer a meio caminho entre os Acessórios para PDAs e os CDs New Age.

Publicado por Jorge Palinhos às 01:12 PM | Comentários (16)

PASSAR A FERRO

É ignorância minha, ou o meu post anterior contém a primeira referência a "passar a ferro" da blogosfera portuguesa?
Como parece que todos os colegas bloguísticos estão muito ocupados a ler livros, ouvir músicas e ver filmes para passar a ferro, vou deixar-lhes algumas pistas sobre esta bizarra actividade:

- "Passar a ferro" consiste na prática de alisar a roupa acabada de secar com um mecanismo algo triangular e quente, com o intuito de lhe conferir uma aparência aprumada e nova.
- A operação não é particularmente essencial à vida social, mas é profissionalmente correcta em certos empregos, implicando por isso em elevado grau de sofisticação social (para precisar de a fazer) e baixo nível financeiro (não se pagar a outrem para a fazer).
- O objectivo da operação parece-me ser a de anular os vincos e rugas da roupa. É, portanto, um acto bastante estalinista e totalitário de apagar a diferença e promover a homogeneização.
- Não é particularmente absorvente nem delicada, podendo ser feita ao mesmo tempo que se telefona, ouve música, vê um filme, embala o berço e se pensa em posts para escrever. Exige, no entanto, a permanência imóvel de pé (muito mau para pés,coluna e varizes) e um certo cuidado para evitar a auto-incineração.
- A operação é mais complicada com peças de roupa de corte mais complexo, como camisas e calças, exigindo recurso a truques e técnicas específicas a cada lar doméstico.
- Não é particularmente conveniente deixar o ferro muito tempo sobre a roupa, sob pena de esta apresentar estampados estranhos ou causar acidentes domésticos bastante inconvenientes.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:32 AM | Comentários (2)

ALKMAAR DE A A Z

Azar. Devia escrever-se «AZ-ar». Sim, jogar com tamanho brilho, e ter aquelas duas canhonadas à trave.

Bandeiras. À minha volta, bandeiras do Sporting. Mas umas poucas, também, de Portugal. Sente-se a gente em casa.

Chuva. Estava prometida. Mas os gajos andam sempre a enganar-nos, não era?

Diferença. São dois jogos diferentes: o visto no estádio, o entrevisto na televisão.

Empate. Vão quatro minutos de jogo, e o comentador da TV holandesa confessa: «Claramente, o Sporting não está a jogar para o empate». Dez segundos depois, também já isso é História.

Filho da puta. Eu não sabia que o árbitro o era. E menos ainda que uma pequena multidão podia, com tanto à-vontade, publicitá-lo.

Golos. O cálculo dos exactos golos é alta matemática. A gente pode estar triste, ignorando que deveria estar alegre.

Heróis do mar. Cantamos o hino nacional, mas também «Menina estás à janela» e «O bailinho da Madeira». É a excursão da escola.

Inquieto coração. Duas horas com esta inquietação toda. Mas é porque quero. Podia estar em casa lendo um livro com um albarinho.

Jornalismo. Num café no centro de Alkmaar, quatro jornalistas da Antena 1, vestidos de Sporting e rodeados de holandeses. O sofrimento a fazer ping-pong.

Kan niet. «Não pode ser». Ela, na mesa ao lado, não saberia dizer quando se marca «canto». Mas embarga-se-lhe a voz vendo Liedson aos 47’.

Lateral. Ali, a dois passos, sem nos olharem um instante, os jogadores fazem a parte deles. Vão passar 122 minutos jogando ao sério. Por nós? Apesar de nós?

Mentira. Não, não estou no estádio. Os dois bilhetes, quase rapinados em Lisboa, foram para dois seres muito queridos.

Novo estádio. À entrada da cidade, a maquete a botar figura. Tendo que escolher, sempre melhor do que uma arena de touros.

Orações. Faltam dois minutos para o fim do fim. «Agora é só rezar», diz-me, voz profunda, um locutor da Antena 1. Para um incréu, o que se seguiu foi lixado.

Pergunta. O rapaz olha-me o caderninho. «O que é que anotas aí?». Na Holanda, o «tu» é assim, rápido. «É para um blogue em Portugal». Não sei se percebeu.

Quase. Ah, a experiência do tempo! Para uns corre, para outros emperra. Num universo paralelo, teríamos sido mais felizes?

Repetição. No estádio, não dão repetição.

Sem árbitro. Dou comigo a imaginar um homem a menos em campo. Será ele realmente indispensável?

Treinadores. Mais uma. No tempo de Mozart, não havia maestro. Era o primeiro-violino a dar o andamento.

Urinoir. Herança francesa, mas construção indígena. Como arte conceptual, a parede de Alkmaar tem já um grande futuro.

Venâncio. Vestida na bandeira portuguesa, a Aurora vai ficando afónica. Aparecerá um segundo, a um canto superior do ecrã.

Wij gaan naar Lissabon. «Nós vamos para Lisboa».Cantiga esperançosa, várias vezes cantada. Outras tantas calada.

Xenofobia. Polícias a cavalo, carrinhas com polícias de choque. «Para o caso de». Para o caso de quê?

Zaragata. Talvez lhes apetecesse, sim, a esta injustiçada gente de Alkmaar. Mas voltam para casa ordeiros. Só um pouco silenciosos. A realidade ainda é, de todas as coisas, a mais incrível. (Fernando Venâncio)

Publicado por José Mário Silva às 11:28 AM | Comentários (6)

HOLLYWOOD NO FUTEBOL

Passava a ferro e falava ao telefone no momento exacto em que o Sporting marcou o segundo golo, aquele que lhe deu o passaporte para a final.
Sendo ainda pouco experiente nas maravilhas do multitasking, não vi o golo, para grande pena minha. Pois, não sendo devotado da bola, também não lhe tenho particular aversão, e tenho, até, um fraquinho por jogos destes: cheios de drama, peripécias e reviravoltas de última hora. Jogos em que os heróis, após muito sofrerem e lutarem e enfrentarem injustiças, desferem no último minuto um golpe definitivo e contundente que esmaga o adversário.
Dito de outro modo, adoro jogos de futebol que pareçam escritos por um argumentista de action movies hollywoodescos.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:30 AM | Comentários (0)

SPORTING ANFITRIÃO

Dedicado ao Celso Martins, pelo texto homónimo publicado no Barnabé a 5 de Fevereiro de 2004 (não aceita trackback), com um ano e três meses de atraso.
(E agora vamos com calma, sportinguistas, que ainda não ganhámos nada. Os melões do Celso e de outros Reais benfiquistas são a única coisa que podemos ter por garantida.)

Reproduzo aqui o texto original do Celso, de 5 de Fevereiro de 2004, com a devida vénia:
«A UEFA escolheu o Alvalade XXI para ser o estádio da final da Taça UEFA de 2005. É prestigiante para o Sporting e ao mesmo tempo assegura que o factor casa não pesará no resultado da final.»

Publicado por Filipe Moura às 02:35 AM | Comentários (12)

maio 05, 2005

ESTAMOS LÁ (NA FINAL) E COM TODO O MÉRITO

Amanhã farei comentários ao jogo. Agora não consigo. A euforia é inimiga da lucidez.

Publicado por José Mário Silva às 10:49 PM | Comentários (4)

A HERANÇA TRABALHISTA

Ainda no Público, desta vez de ontem, escreve a correspondente Joana Amado:

«No seu próprio balanço de oito anos, Downing Street prefere sublinhar mais o aspecto "social" do que o "anglo" do modelo de Pearce. Num artigo recente publicado no Guardian, Jonathan Freedland escreveu que o New Labour se orgulha de ter arrastado todo o centro de gravidade política para a esquerda. De tal forma que, no futuro, todas as batalhas eleitorais serão "disputadas entre uma versão britânica dos democratas-cristãos europeus e uma versão dos democratas americanos, sendo que ambos os lados partilham os mesmos valores fundamentais". Para resumir, Freedland cita uma fonte anónima do New Labour: "A herança de Blair será a de ter transformado a Grã-Bretanha num país social-democrata."
O director do Institute for Public Policy Research concorda que, já nesta campanha, se percebe a mudança ideológica. Nenhum partido, nem o Conservador, arriscou tentar ganhar votos propondo cortes profundos nos gastos públicos e prometendo menos impostos para todos.
»

Certamente, Tony Blair não representa, ideologicamente, aquilo com que eu mais me identifico. Mas há-que fazer um balanço sem preconceitos dos seus dois mandatos, e sobretudo não o julgar exclusivamente por uma decisão profundamente errada (a guerra do Iraque, claro). Necessariamente terá de se reconhecer que também houve aspectos muito positivos. Não é o candidato ideal, mas é o melhor dos possíveis. Felicidades, Tony Blair. Felicidades, Gordon Brown.

Publicado por Filipe Moura às 06:08 PM | Comentários (5)

THE BRITISH WAY OF LIFE

Ainda da mesma edição do Público:

«Em Orpington, um subúrbio de Londres que mais parece campo, sucedem-se as moradias, os relvados bem cortados, as flores bem tratadas. É um bastião conservador defendido pelo deputado John Horam que nestes últimos anos tem vindo a perder terreno para os LibDem. Nas últimas legislativas foi mesmo assim: ganhou por 269 votos. Por causa do sistema uninominal britânico, ganha o candidato mais votado e não ganha absolutamente coisa nenhuma o que fica em segundo lugar. Mas agora Mains e o seu partido sabem que estão reunidas as condições ideais para lhe roubar o lugar.
"Olá Peter, bom dia, sou o Chris Hains, o candidato dos Liberais Democratas. Como está a Sarah? Então, já sabe em quem vai votar?" O eleitor reponde-lhe: "Acho que sim, eu sou um trabalhista mas vão ser mesmo vocês que levam o meu voto, a minha mulher é que ainda está com dúvidas". Hains ri-se: "Então vou deixar-lhe aqui um prospecto e a tarefa de a convencer, está bem?". Foi assim na primeira casa do dia.
Hains tem uma lista com as moradas e os nomes de todos eleitores que vai visitar hoje. À frente de cada nome tem várias colunas. "LiDem, Conservador, Trabalhista, Não Vota, Conservador mas vai votar LibDem, Trabalhista mas vai votar LibDem". Para o caso do eleitor Peter põe uma cruzinha na última coluna. No dia das eleições, muitas visitas porta a porta depois, já terá uma ideia muito parecida com a realidade do que irá acontecer nas urnas.
Com Hains, a tocar às portas de outras casas, está Lord Dholakia, um veterano nestas andanças que já foi presidente do partido. "Consegui um trabalhista, Chris, assenta aí", diz. "Expliquei-lhe que aqui não vale a pena votar no Labour porque eles não contam para nada, disse-lhe que se votasse em nós podia ajudar os trabalhistas a livrarem-se de mais um deputado conservador", explica Dholakia ao PÚBLICO.
Sucedem-se as portas: um conservador que vai votar conservador, um trabalhista que vai votar trabalhista. Lord Dholakia "saca" uma eleitora "possível". "Primeiro disse-me que não, mas depois consegui dar-lhe a volta", explica entusiasmado. "Mas acho que é melhor verem se ela vai mesmo votar na quinta-feira, senão têm que vir cá buscá-la":
Como é que é? "É assim mesmo", explica-nos Mains. "No dia das eleições cada mesa de voto tem representantes dos partidos que vão controlando as listas dos eleitores que já votaram. Se às seis horas da tarde, este ou aquele com quem falámos e nos prometeu o seu voto, ainda não tiver aparecido, nós vamos a sua casa lembrar-lhe que é dia de eleições".»

Esta gente tem uma monarquia; bebe (em quantidades industriais) a pior cerveja do mundo (venham falar-me em fleuma...); tem das piores comidas; guia do lado errado da estrada; as torneiras também se abrem ao contrário; têm alcatifas na casa de banho; mal usam o sistema métrico.
Mas o pior para mim é esta mentalidade das neighbourhood-watch communities (que, infelizmente, também existem nas comunidades ricas dos EUA) que são a completa oposição de tudo o que seja liberalismo e urbanidade: toda a gente conhece a vida de toda a gente; toda a gente vigia e controla a vida de toda a gente. Para melhor se protegerem, pensam eles. E ainda há liberais que se inspiram na Grã-Bretanha...
Ao contrário de muita gente, eu penso que o melhor que poderia suceder à Grã-Bretanha seria uma maior americanização. Quanto mais americanizados melhor. Por americanização entenda-se uma população composta por mais negros; mais hispânicos; mais judeus; mais árabes; mais italianos; mais russos; mais... irlandeses. Ou seja: mais multiculturalismo. Mas não há nada menos inglês do que o multiculturalismo.
Deus nos livre desta mentalidade.

Publicado por Filipe Moura às 06:03 PM | Comentários (6)

O SISTEMA ELEITORAL MAIORITÁRIO/UNINOMINAL

Do Público de segunda-feira passada:

«Troca de votos ameaça conservadores e desafia sistema uninominal

Um exemplo apenas: algures no norte da Escócia uma tradicional apoiante dos trabalhistas vai trocar o seu voto com um inglês do sul do país que sempre votou liberal democrata. Os dois não se conhecem e provavelmente não partilham ideologias ou ambições, mas concordaram em trocar votos para torná-los mais válidos. Assim ela vai votar LibDem porque o candidato deste partido na sua circunscrição tem reais possibilidades de derrotar o candidato conservador, e ele vai votar trabalhista para conseguir derrotar o candidato dos tories na sua circunscrição. Todos contra os conservadores, portanto.
A "moda" da troca de votos começou nas últimas eleições legislativas de 2001, onde as estimativas apontam para um universo de 5000 participantes activos nesta táctica eleitoral e vários observadores garantem que está bastante mais organizada este ano. Há vários sites na internet que se dedicam exclusivamente à troca de votos, quase todos eles empenhados em fazer a vida negra aos conservadores. Jason Buckley, no seu site www.tacticalvoter.net, explica que o seu objectivo é colmatar um sistema político injusto e garantir "que todos os votos contam". Ideologicamente, Buckley quer "travar a ameaça conservadora para depois encorajar um debate mais aberto e sincero entre o Labour, os LibDem, os Verdes e outros".
O cantor Billy Brag, apoiante dos trabalhistas, criou o www.votedorset.net para encorajar este tipo de promiscuidade eleitoral em Dorset, onde decorrerm várias corridas bastante renhidas. Mais do que apelar ao voto no Labour, Bragg pede aos eleitores que votem "contra os conservadores, porque eles exploram os medos e incitam aos preconceitos, levam a política para o esgoto, beneficiam os ricos e prejudicam os pobres e porque se eles ganharam... os trabalhistas perdem"»

Deus nos livre deste sistema eleitoral.

Publicado por Filipe Moura às 05:56 PM | Comentários (0)

ELEIÇÕES EM INGLATERRA

Chega a ser comovente, partindo do princípio de que a hipocrisia pode comover, a forma como a direita portuguesa (e os conservadores em particular) deixam cair os seus velhos amigos tories e se congratulam, quase em êxtase, com a previsível vitória de Tony Blair — apesar de tudo, um trabalhista — nas legislativas de hoje.

Publicado por José Mário Silva às 12:27 PM | Comentários (9)

NOTÍCIAS DE ALKMAAR (1)

Hoje, a Antena 1 da RDP transmitiu a partir de Alkmaar, 30 km ao norte de Amsterdão. O estúdio estava montado no «Vestíbulo», um café de tradições culturais, no centro da cidade. O sol brilhava ameno, nas ruas nem vivalma. Hoje é feriado na Holanda. Feriado religioso, pela Ascensão, e civil, já que faz anos, 60 exactos, que o ocupante nazi capitulou. Enfim, era, solarenga e vazia, Alkmaar no seu melhor.
E assim lhe atravessei o centro, belo e antigo, onde às sextas-feiras se faz o mercado do queijo, o flamengo, o tal. Ia eu a caminho da emissão da Antena 1, onde ia ser entrevistado. Eram 8h00 em Lisboa, uma hora menos nos Açores.
Do que eu lá disse não contará a história. Mas desejei a vitória aos leões, foi a minha boa acção do dia. E os deuses estarão agora, em conclave, debatendo o meu voto. Logo saberemos a audiência que tenho entre eles.
Graças à emissão, fiquei a saber que o estádio do Alkmaar não se recomenda. Só um exemplo. Que há retretes para as senhoras, mas que os homens fazem a coisa contra um muro, «construído para o efeito», disse informado o jornalista.
Mas, disse-se ali também, não seria – e não será – um estádio terceiro-mundista que vai desmotivar a legião lusitana. E ali, naquele café, o ambiente era já de festa.
(Fernando Venâncio)

Publicado por José Mário Silva às 12:13 PM | Comentários (12)

maio 04, 2005

O EXEMPLO DE CIMA

1. O trânsito fluia normalmente até surgir a motocicleta da polícia com a sirene ligada. Logo atrás veio outra. Seguiu-se toda a comitiva ministerial ao dobro da velocidade permitida em zonas urbanas. Os carros guinaram para a esquerda, guinaram para a direita, passaram por cima do passeio, usaram a faixa bus e um deles quase atropelava um peão.

2. No separador central estava um sinal de proibição de inversão de marcha. Mais à frente estava um sinal de obrigação de seguir adiante. Os carros civis assim faziam. Depois chegou o carro da polícia. Fez inversão de marcha.

3. Isto.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:59 PM | Comentários (3)

E, APESAR DE TUDO, ELA MEXE

Nova publicação mensal sobre artes de palco.

Nova publicação mensal sobre BD.

Nova revista de literatura.

Publicado por Jorge Palinhos às 01:28 PM | Comentários (0)

DEBATE

Tema: "Lugares de partilha da cultura em Lisboa e o cinema Europa"

Lugar: salão da Padaria do Povo (Rua Luís Derouet, 20, Campo de Ourique)

Quando: hoje, às 21h00

Participantes confirmados: Eduardo Nery (artista plástico), Henrique Cayatte (designer), Guilherme Valente (editor da Gradiva), Rui Pereira (da Associação Zero em Comportamento), José Mário Silva(jornalista), Alves de Sousa (arquitecto), Sérgio Azevedo(empresário/produtor de teatro), Hélder Costa (encenador), Jorge Silva (fundador do Teatro dos Aloés)

Organização: SOS Cinema Europa

Apareçam.

Publicado por José Mário Silva às 12:29 PM | Comentários (1)

maio 03, 2005

O AZAR

O Pinilla lesionou-se.

Publicado por Filipe Moura às 08:54 PM | Comentários (18)

QUEIMA OU BÊNÇÃO?

Já agora, a propósito do texto do Jorge: alguém pode explicar-me a diferença entre a Queima e a Bênção das Fitas? Eu sempre ouvi falar nas duas, e como nunca participei em nenhuma nunca percebi a diferença. Aquelas fitinhas que eu assinava às minhas colegas de outras faculdades (no Técnico, pelo menos no meu tempo, não havia disso) eram para ser queimadas ou benzidas? E aquela concentração anual de finalistas na Alameda da Universidade de Lisboa, constituída essencialmente por alunos das mais obscuras universidades privadas, e que gastaram balúrdios em propinas, convencidos de que iam obter um curso? Era para benzer as fitas, ou para as queimar? Nunca percebi.

Isto são dúvidas de um lisboeta. Pelo que me foi dado a saber, em Coimbra, mais do que uma afirmação de "tradição académica" - que eu desprezo -, a Queima das Fitas é um grande espectáculo a que eu nunca assisti, mas bem gostaria de assistir um dia. Quem estiver em Coimbra que aproveite.

Publicado por Filipe Moura às 06:58 PM | Comentários (21)

CORTEJO DA QUEIMA

Há algo de intrinsecamente maravilhoso nos casais de meia idade que põem o seu fato domingueiro e o seu ar mais composto para irem ver os filhos universitários apanhar pifos e berrar "Se o Calimero vai ao cu da Abelha Maiaaaa..."

Publicado por Jorge Palinhos às 04:56 PM | Comentários (25)

FARTO DESTA SEITA

O CDS achava que a questão não era importante... mas "aplaude" a decisão do Presidente.
O PSD ia abster-se... mas "congratula-se" com a decisão do Presidente.
A esquerda tem uma maioria esmagadora na Assembleia, as sondagens dão uma maioria de portugueses apoiando a despenalização do aborto...
Por seu turno, o Presidente, distraído a aconselhar a GNR a andar "disfarçada" na estrada para poder apanhar mais condutores, mima um personagem que por umas semanas animou os Tele"jornais" da TVI, e determina que "não há condições"...
Que estranha cobardia tolhe estes gajos?
Que estranha conspiração impede que se tome de uma vez por todas uma decisão?
Porque não se acaba de vez com este assunto que só é ainda assunto porque o país parece ser governado efectivamente por uma ínfima minoria não eleita que perde rotundamente eleições mas continua a fazer valer o seu poder?
Porra, quero o Zapatero aqui, já!

Publicado por tchernignobyl às 11:15 AM | Comentários (39)

O PRESIDENTE DECIDIU NÃO DECIDIR*, ESTÁ NÃO-DECIDIDO

Presidente da República decide não convocar referendo sobre o aborto

* Enfim, o costume.

Publicado por Jorge Palinhos às 09:51 AM | Comentários (11)

maio 02, 2005

PARA TODA A FAMÍLIA (E NÃO SÓ)

Gosto muito de ser supreendida por novos lugares em caminhos conhecidos. Foi o que aconteceu num dos últimos passeios à Graça. No edifício da Villa Sousa abriu uma livraria. O espaço não é grande, mas para o Pequeno Herói é suficiente. Ali, encontram-se livros para todas as idades, mas sobretudo literatura infantil, numa oferta cuidada e diversificada, escolhida a dedo com a ajuda da pequena Beatriz, a consultora de cinco anos, filha do Mário e da Elsa, que se lançaram neste bonito projecto. Há cogumelos pintados na parede de entrada e almofadas em forma de bichos para nos sentarmos no chão e ouvir uma história. Apetece ficar por lá muito tempo. Como se usa agora, o blogue explica tudo e vai dando conta do programa das festas. Cá em casa, vamos ser clientes habituais.

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Publicado por Margarida Ferra às 09:22 PM | Comentários (1)

DAS IMAGENS EM POSTS

Poucas frases me irritam mais do que aquela que põe uma imagem num prato da balança e uma data de palavras noutra. Se em vez de se perder tempo a comparar umas e outras, tratássemos com o mesmo respeito autores de textos e desenhos na actividade bloguística e na vida em geral, todos ganhavam. Fiquei a pensar nisto quando segui daqui para aqui, dei a mão à palmatória por todas as imagens que afixei sem procurar mostrar a assinatura e gostava que a Rosa não tivesse falado para o boneco (ainda que os seus bonecos, devidamente assinados, sejam pequenos mimos com quem apetece conversar).

Publicado por Margarida Ferra às 09:14 PM | Comentários (1)

O PROBLEMA DA HABITAÇÃO

mundo.bmp

Publicado por José Mário Silva às 05:34 PM | Comentários (4)

CORANTES PARA CONSERVANTES

Claro que o título da crónica é indesmentível: há conservadores muito bons, especialmente aqueles, como o MEC, cuja actividade cultural e cujo estilo de vida pessoal nada tem de conservador,... o resto... não vale a pena o esforço.
É que o MEC, que pode queixar-se de muita coisa menos de não ser um conservador respeitado, sobretudo porque esse conservadorismo "teórico" se alimentou em prestígio da imagem de "anarca" que incarna ao ponto de os mais ingénuos pretenderem que ele é mais um "esquerdista não assumido" (tipo o Freitas por outras razões...), quando fala de política parece que se auto-incumbiu por razões que só a i-razão conhecerá, da missão de dar fogo intelectual a gente na qual apenas ele vê qualidades "libertárias".
A radicalidade dos situacionistas colocou-os diversas vezes em choque com a ortodoxia esquerdista.
Esta, como ortodoxia reaccionária que era (é), por mais de uma vez os acusou de fazerem o "jogo da reacção".
Daí a ver os conservadores, e em particular a trupe de reaças que funciona aí pelos blogs, "parecidos" com os situacionistas, já requer uma imaginação que está para além do alcance do "humano" por muito que se lhes reconheça o enorme talento.
Muitos desses conservadores são personagens que os caprichos da história impediram de ser "situacionistas" sim, mas na acepção de confortáveis coniventes com o circunspecto conservadorismo da "situação" vigente antes do 25 de Abril.
O MEC até fará isto para ser bom, para estender uma mão à esquerda, mas receio que tal simpatia que na sua doce ilusão ele supõe poder passar também como um discreto "paternalismo" intelectual fosse recebida pelos situacionistas (falo dos situacionistas que existiram e fizeram coisas, não daqueles que imaginam transportar uma bandeira inexistente) com impropérios bem pouco conservadores seguidos de acções condenáveis...
Imagine-se a sinistra senhora Tatcher promovida a ícone da liberdade... atravessando o oceano de destroyer para manter umas ilhas miseráveis semi-desérticas, habitadas por rebanhos de carneiros sob controle Al-biónico (quando no fundo, carneiros por carneiros, a Tatcher bem poderia contentar-se com o vasto rebanho dos seus eleitores)..., tipicamente situacionista!
Os conservadores querem é que não os chateiem... que haja regras claras... boa bojarda, eficaz se não tivéssemos à mão, e ainda quentes, o episódio iraquiano e o impulso para bombardear e destruir territórios para impôr democracias... de "sucesso" garantido.
Não tivéssemos à mão o apoio que os conservadores portugueses deram a essas manigâncias e a agressividade com que o simpático Portas e seus seguidores avacalharam continuadamente o Freitas por ter assumido precisamente o papel do conservador da fábula delirada pelo MEC.
É procurar aí pelos arquivos dos blogs, o voluntarismo apoiado no "historicismo" mais rasteiro com que justificavam a guerra.
Num parágrafo assumiam-se como "pessimistas", no outro já eram impelidos para discursos messiânicos acerca da nova aurora que se aproximava dos iraquianos a cada tomahawk, a cada bombardeamento de "apache", a cada aldeola trucidada pelos libertadores, a cada "expansão" da democracia liberal. Mesmo hoje, se depois de tudo o que se passou, vemos muitos apoiantes americanos da guerra a reflectirem sobre a sua justeza, mantém-se entre os "nossos" conservadores um apoio cego e inflexivel.
Imagine-se o João Pereira Coutinho, no «Expresso» desta semana, a ver na cumplicidade criminosa do habilidoso Blair com as aventuras militares dos americanos (por duas vezes, realça ele com apreço) razão de sobra para "simpatizar" com ele, a rever-se também nos slogans situacionistas...
Imagine-se enfim o critério (des)valorativo aplicado pelo Portas (como se sabe desde sempre um leal, desinteressado e indefectivel amigo do MEC) a algo que cheire a "soixante huitard"... para termos a noção da estratosfera simpática por onde paira o nosso herói no que se refere a análise política.
Enfim, para imagens felizes (propôr “vender” o nome de Ratzinger como "ratinho" é de facto uma forma "amorosa" de promover o "senhor" que não lembraria ao mais teólogo da libertação director de marketing irmão da opus dei) o MEC continua o maior, e é isso que interessa.

Publicado por tchernignobyl às 05:15 PM | Comentários (22)

O 24 HORAS DE 1971

Não importa quantos panegíricos possa o Miguel Esteves Cardoso escrever, quantos orgasmos possa ter o MacGuffin ao citar Oakeshott, não sou conservador.
Não acredito no conservar por conservar, nem que menos mudança seja intrinsecamente melhor que mais mudança e duvido muito no que se chama "tradição", cuja natureza me parece ser sempre totalmente diferente do seu evento originário.
Entediam-me os "antes não era nada disto", os berros sobre a "geração rasca", os clamores de que se está a ir "demasiado longe".
Mas, diga-se, este resumo do conteúdo de um jornal popular de 1971 - uma espécie de Correio da Manhã da outra senhora - deixou-me banzado:

O Quinta-Feira à tarde de 24-5-1973, punha uma pintura de Peter Orlando, “o pintor norte-americano que expôs em Paris, sob a égide da Casa de Portugal”, a encimar um conto de Augusto Abelaira- O texto Diabólico. Na página seguinte, Urbano Tavares Rodrigues dizia que “escrevo para dar consciência a quem me leia de que temos a obrigação de transformar o mundo” e mesmo em baixo, escrevia-se sobre Daniel Defoe, perguntando João Gaspar Simões:“criador do primeiro anti-romance?” As páginas centrais eram dedicadas ás Letras e Artes. Manuel Poppe criticava um livro de João Araújo Correia sobre Camilo (Uma sombra picada das bexigas) e havia saudades para José Rodrigues Miguéis assinadas por um tal B.-B. Entre os livros escolhidos estava a revista “Análise Social” do Instituto Superior de Economia, assinada por Ruben Andresen Leitão e na página 5, um título intrigante – “Mafaldinha e Charlie Brown” – que começava assim: Quando Rabelais escreveu o seu Gargantua, estava cansado de receitar unguentos e vesicatórios para a miséria física das pessoas. Então usou a lanceta do riso no ventre da sua época.” E continua Agustina Bessa Luís – sim! É mesmo dela!- citando o Rabelais: “ Ao ver as aflições que vos consomem, antes risos que prantos escrever, sendo certo que rir é próprio do homem”. E transporta as citações para a análise das bandas desenhadas de Quino e Schultz. A página 15 é preenchida por um conto- de Maria Fernanda Adão Marques. Poupo o tempo da transcrição, mas não poupo a referência ao rigor da linguagem; à pontuação aperfeiçoada e ao vocabulário escolhido. A fls. 5, ao lado da continuação do Texto Dialógico de Abelaira, está a recensão crítica a uma obra emblemática do sec. XX- “O Homem sem qualidades “ do austríaco Robert Musil. Uma recensão crítica não assinada para “Um grande romance dum grande romancista”.

E nós que nos ficamos tão alegretes com o Mil Folhas...

Publicado por Jorge Palinhos às 02:36 PM | Comentários (0)

PRÉMIO CHAMAMENTO AFÓNICO

"Lisboa para mim tem uma espécie de um chamamento misterioso, que eu acho muito atraente."
Paul Auster, justificando o facto de ter visitado Portugal três vezes em 58 anos.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:10 PM | Comentários (3)

PRÉMIO MINISTÉRIO DO TURISMO DA ALBÂNIA

"Não sei como explicar, mas Portugal é um local especial. É o primeiro país da Europa, o país mais ocidental. E é um pouco secreto, as pessoas não vêm aqui tanto como vão a outros países."
Paul Auster, num ataque de americanocentrismo

Publicado por Jorge Palinhos às 12:08 PM | Comentários (3)

PRÉMIO AUTOBIOGRAFIA INQUESTIONÁVEL

"- Não, não tenho esses livros. Mas tinham de ser de Portugal!
- Porquê?
- Porque sim."

Paul Auster, mostrando a importância da experiência e da racionalidade na escrita.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:02 PM | Comentários (0)

PRÉMIO ASSIM-ASSIM

"Claro que há coisas que não entram no filme. Os filmes são apenas adaptações dos livros. É um bom filme. Eles tentaram... não o chamaria de "Bom", mas não é, certamente, "Mau". É algo no meio disto."
Paul Auster fazendo crítica cinematográfica

Publicado por Jorge Palinhos às 11:53 AM | Comentários (0)

PRÉMIO NATIONAL GEOGRAPHIC

"Se virmos bem, Portugal está na periferia da Europa e não no centro da Europa."
Paul Auster, em entrevista à RTP, revelando ter um mapa-mundi em casa.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:37 AM | Comentários (6)

APRENDENDO COM O CORREIO DA MANHÃ

Ficarão muito ofendidos os restantes membros deste blog se eu disser que este blog é uma grande egrégora?

Publicado por Jorge Palinhos às 11:33 AM | Comentários (2)

O CÚMULO DA PREVISIBILIDADE

As capas dos jornais desportivos, à segunda-feira.

Publicado por José Mário Silva às 10:06 AM | Comentários (6)

É HOJE

O tão aguardado regresso do Gato Fedorento às emissões da SIC Radical acontece esta noite, pelas 21h30, no canal 9 da TVCabo. Na ementa, os seguintes sketches: «Mira, meu Miguel: um documentário etnográfico», «O médico hipocondríaco», «Teste de bazófia», «Administração do condomínio» e «Debate com o Super-Homem».
Vá lá, não esperem pelo DVD.

[Pela minha parte, estou curioso de ver se na Série Barbosa vai surgir algum Pedro e em que circunstâncias...]

Publicado por José Mário Silva às 10:02 AM | Comentários (0)

maio 01, 2005

PINIGOOOL (COM TRÊS ÓS)

pinilla.bmp

Liedson em castelhano diz-se Pinilla. Ou, no caso desta noite, Trinilla.

Publicado por José Mário Silva às 11:52 PM | Comentários (0)

ABUSO DE MENORES E ORIENTAÇÃO SEXUAL

O juiz do Tribunal de Ponta Delgada recusou-se a aplicar, no processo de pedofilia da Lagoa, um artigo do Código Penal que aplica penas mais pesadas para o abuso sexual de menores do mesmo sexo do que do sexo oposto.
Nessa inesgotável fonte de informações que é a caixa de comentários do Barnabé, encontrei a melhor síntese do que essencialmente está em causa. O abuso sexual é um crime, e é tão grave um adulto abusar de um rapaz como de uma rapariga. Mas de acordo com o referido artigo do Código Penal, é mais grave um homem adulto abusar de um rapaz do que abusar de uma rapariga, o que me parece totalmente ilegítimo. Quando apresentada desta forma, qualquer comum cidadão deve apoiar a decisão do juiz.

Publicado por Filipe Moura às 10:12 PM | Comentários (12)

A VISITA DO COMPANHEIRO PUTIN

Na mesma semana em que o presidente russo Vladimir Putin afirmou que o fim da União Soviética foi «uma tragédia», o André classifica como «histórica» a sua visita a Israel e exulta a sua decisão de apoiar «outras formas» de resolver o problema nuclear iraquiano. Ainda hei-de ver o André lamentar o fim da União Soviética.
(Bom Primeiro de Maio, André.)

Publicado por Filipe Moura às 09:39 PM | Comentários (2)