« março 2005 | Entrada | maio 2005 »

abril 30, 2005

FESTA À GRANDE E À LONDRINA

O Chelsea é campeão de Inglaterra (50 anos depois) e o Mourinho blá, blá, blá.

Publicado por José Mário Silva às 11:11 PM | Comentários (1)

FESTA À GRANDE E À FLORENTINA

«Una Stravaganza dei Medici» — música para o casamento de Ferdinando di Medici com Cristina de Lorena (1589), para a qual contribuiram alguns dos maiores compositores da época: Luca Marenzio, Cristofano Malvezzi, Giulio Caccini ou Jacopo Peri. Os sete intermedi para «La Pellegrina» (um inventivo espectáculo multimédia avant la lettre) levavam ao palco cenas fantásticas, como a representação da «Harmonia das Esferas», um concurso de canto entre as Pierides e as Musas ou o combate entre Apolo e um monstro, em Delfos.
A minha faixa preferida é a primeira: «Dalle più alte sfere», de Antonio Archilei e Emilio de' Cavalieri, um delirante exemplo de canto pirotécnico e virtuosismo musical, capaz de envergonhar o próprio Orfeu.

Publicado por José Mário Silva às 10:59 AM | Comentários (2)

abril 29, 2005

MELANCÓMICO

Depois de muitos anos a partilhar as luzes da ribalta com outros bloggers, Nuno Costa Santos decidiu seguir uma carreira a solo. E fundou o Melancómico: lugar de histórias concisas, ora cómicas, ora melancólicas, ora as duas coisas ao mesmo tempo.
O conceito (como agora se diz) é excelente. E propício a pérolas como esta:

Organização Um dia, o prédio veio abaixo. E eles resolveram realizar entre os escombros a primeira reunião de condóminos.

Escusado será dizer que vai já para a coluna dos links, aqui à direita.

Publicado por José Mário Silva às 04:07 PM | Comentários (5)

PAUL AUSTER CONVERSA COM OS SEUS LEITORES, EM LISBOA

É hoje, às 21h30, no Grande Auditório da Culturgest. Entrada livre.

Publicado por José Mário Silva às 04:05 PM | Comentários (5)

SÓ PARA ESCLARECER OS MAIS DISTRAÍDOS

O próximo domingo, 1 de Maio, também é o Dia da Mãe.

Publicado por José Mário Silva às 04:03 PM | Comentários (1)

CARTOGRAFIA POPULAR

«O Mourinho é o maior! O maior! É o único que põe, hoje, Portugal no mapa!»

[Ouvido esta manhã da boca de uma transeunte, aparentando uns 65 anos, com dois sacos de plástico do Feira Nova, um em cada mão, junto a um quiosque da Avenida Almirante Reis, a propósito de uma newsmagazine que afirma, na capa, ser o ex-treinador do F.C.P. o Príncipe de Londres]

Publicado por José Mário Silva às 04:00 PM | Comentários (3)

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU

earthbus.bmp

Publicado por José Mário Silva às 12:25 PM | Comentários (3)

ACHO QUE ESTOU ALGURES ENTRE A ALÍNEA 2) E A ALÍNEA 3)

THE FOUR STAGES OF LIFE:

1) You believe in Santa Claus.
2) You don't believe in Santa Claus.
3) You are Santa Claus.
4) You look like Santa Claus.

[Retirado de uma daquelas mensagens foleiras que nos enviam, sem que as tenhamos pedido, para o e-mail]

Publicado por José Mário Silva às 12:17 PM | Comentários (1)

SPORTING - 2; AZ ALKMAAR - 1

Os prenúncios, afinal, são bons.
Se não vejamos:

- o Sporting começou por sofrer um golo em casa antes de dar a volta ao resultado (como contra o Feyenoord e o Newcastle)
- o Polga ofereceu novamente um golo aos adversários, depois de uma fífia monumental (como contra o Sochaux e o Newcastle), embora desta vez o Ricardo tenha salvo in extremis
- o jogo voltou a ser ganho nos minutos finais, com ganas e alguma sorte à mistura

Há aqui um certo padrão, uma certa regularidade.

Ou seja:

- se na próxima semana a equipa jogar como jogou em Roterdão, controlando o jogo, circulando a bola e saindo para contra-ataques mortíferos, acredito que podemos chegar tranquilamente à final (quiçá com mais uma vitória)

Ainda sobre o jogo de hoje:

- A equipa do Az Alkmaar é daquelas tão exemplares tacticamente que até chateia. Defende bem, anula os espaços, sabe o que fazer em cada momento, destrói a criatividade dos adversários e, quando menos se espera, vem por aí fora em contra-ataques de precisão (quase) cirúrgica. É uma espécie de Grécia da Taça UEFA, irritante mas eficaz. Contra o Villareal, por exemplo, foi completamente dominada nos dois jogos mas acabou por aproveitar as poucas oportunidades que criou e está onde está.

- Desta vez, nada a apontar ao trabalho de Peseiro. Soube gerir o esforço dos principais jogadores (Barbosa, Moutinho, Rochembach), teve paciência e arriscou no momento certo (a entrada de Pinilla para o lugar de Rogério).

- O que mais gostei de ver: o Sporting a manter o seu estilo de jogo. Apesar das dificuldades tácticas e da inteligência dos holandeses, não alterámos os esquemas, as rotinas, as dinâmicas, etc. E demonstrámos que o plantel é suficientemente elástico para chegar a esta altura da época ainda com força e ânimo para manter a consistência do 4-4-2 que tantas alegrias nos tem dado este ano.

- E depois houve o golo do Pinilla. Aquele míssil teleguiado. Ao contrário de outros, sempre me pareceu que o rapaz tem talento (muito mais do que esse eternamente adiado Rodrigo Tello). Espero que ainda vá a tempo de ser o nosso próximo Liedson.

Publicado por José Mário Silva às 09:21 AM | Comentários (14)

O CÚMULO DA FALTA DE VERGONHA

É isto.

Publicado por José Mário Silva às 09:16 AM | Comentários (1)

abril 28, 2005

COISA MAIS BELA NO MUNDO NÃO HÁ

sorriso.jpg

[O sorriso da Alice, em Abril de 2005]

Publicado por José Mário Silva às 07:55 PM | Comentários (6)

REVISOR SOFRE

Naquele texto, entre outros ataques pelas costas à língua portuguesa, o autor escrevera hanbito em vez de âmbito.

Publicado por José Mário Silva às 03:50 PM | Comentários (5)

MOMENT OF ZEN

«No Bde a saúde mental vai mal. O inconsciente é reprimido todos os dias e ao seu conteúdo é negada a consciencialização, levando o espírito consciente dos autores a ficar, em certos dias, esmagado pelos derivativos destes elementos inconscientes, e noutros dias é forçado a manter um controlo tão rígido e compulsivo sobre os mesmos, que o afectará gravemente ao longo do dia. Os resultados estão à vista. A saúde mental dos autores tem vindo a piorar, estão cheios de nós e nódoas negras afectivas, desaprenderam da compaixão, que consideram como um valor ultrapassado e fraco, apresentam receios inconfessáveis e reprimidos e uma panóplia de neuroses e desajustamentos.»

Excerto de um comunicado efémero da RIAPA (repetido ad nauseam lá para baixo e obviamente apagado)

Publicado por José Mário Silva às 03:08 PM | Comentários (6)

MAU PRENÚNCIO

Não sei se com vocês se passa o mesmo, mas Az Alkmaar faz-me lembrar Alka Seltzer.

Publicado por José Mário Silva às 03:05 PM | Comentários (5)

O JORGE PRECISA DE AMIGOS

Aparentemente fui ignorado pelo movimento "Passa um inquérito literário a um amigo". Por isso, como em tudo o resto, vou tomar o assunto nas minhas próprias mãos e evitar ser um inquérito-excluído:

1- Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Apesar de a pergunta ser muito esquisita, imagino que se refira às pessoas do romance que memorizavam livros para impedir que estes se perdessem no afã incinerador. Nesse caso queria ser um livrinho pequenino, para não ter de empinar muita coisa. Pode ser "O Banquete" de Platão.
(23 volumes para decorar, Nuno???)

2- Já alguma vez ficaste perturbado/apanhado por uma personagem de ficção?
Já, Sir Balin, do Morte d'Arthur. A personagem mais tragicamente incompetente de que tenho memória. Identifico-me muito.
Também fiquei impressionadíssimo com a táctica inultrapassável do Harry Potter para ser o herói dos próprios livros: deixar que os outros lhes resolvam os problemas.

3- O último livro que compraste?
O Inquilino, de Javier Cercas, mas não foi para mim.

4- Os últimos livros que leste?
A pergunta quer dizer que se concluiu a leitura? Nesse caso não me lembro. Talvez tenha sido "Um Gabinete de Amador", mas não estou certo. Próxima!

5- Que livros estás a ler?
Milhões. Era mais fácil perguntar que livros não ando a ler. Excerto: As não-metamorfoses, Gente de Dublin, Andanças e Façanhas de Alfanhuí, As Máquinas do Tempo, Os Pescadores, O Castelo Estratégico Português ou a Estratégia do Castelo em Portugal, Uma Fera na Selva, A History of Warfare, O Império Retórico, O Homem do Castelo Alto...

6- Que livros que levarias para uma ilha deserta?
O Manual do Escuteiro de Baden-Powell, o Manual de Pesca e Caça, o Catálogo de Plantas Não Venenosas, o Guia de Primeiros Socorros e uma Introdução à Pirotecnia.
Mas trocava tudo isso por um GPS e um telemóvel por satélite.

7 – Quatro pessoas a quem vais passar este testemunho e porquê?
Não vou passar a ninguém porque também ninguém mo passou. Ppprrrrrrrrr...

Publicado por Jorge Palinhos às 01:18 PM | Comentários (9)

DILEMA PRESIDENCIAL

Houve um tempo em que Cavaco Silva, nas suas próprias palavras, nunca se enganava e raramente tinha dúvidas. Pelos vistos esse tempo já passou.

Publicado por José Mário Silva às 12:07 PM | Comentários (3)

O NOME NO INÍCIO E NO FIM

O problema de enviar e-mails a homónimos é que ficamos com a estranha sensação de estarmos a escrever um recado para nós próprios.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:03 PM | Comentários (1)

CARAS BDE

Cansado de mulheres com o dobro da sua altura, Tom Cruise aposta agora em mulheres com metade da sua idade.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:01 PM | Comentários (1)

AUTOCARROS (III)

O homem esquálido e moreno, de cabelo oleoso e queixo duro e saliente como um punho, alarmou-se ao ver que o autocarro enchia até aos estribos enquanto ele ainda aguardava na paragem.
Rapidamente, saltou para o degrau do veículo e berrou com voz pastosa, para grande espanto dos que tentavam entrar atrás dele:
- Senhor motorista, feche a porta!

Publicado por Jorge Palinhos às 11:54 AM | Comentários (0)

EARLY MORNING BLOGGING

Quando abro o BdE de manhã, chego a ficar comovido com o número de comentários da RIAPA deixados durante a noite. Sabem certamente do que falo: essa erva daninha que se replica de post em post, como uma espécie de spam reaccionário. Logo a seguir penso: caramba, há quem se levante às sete da manhã para nos atazanar o juízo, isto deve querer dizer alguma coisa. Mais concretamente: se os neo-salazaristas reprimidos e grosseiros se sacrificam deste modo, é porque estamos a fazer o nosso trabalho como deve ser, é porque os irritamos, é porque somos suficientemente perigosos para merecer o seu ódio. E isso é bom.
De certa forma, a descarga de bílis matutina da RIAPA representa uma espécie de doce empurrão, um estímulo, um sinal de que vale a pena continuar. Melhor do que mil elogios, garanto-vos. E não julguem que ironizo. Olhando para aquele lixo verbal que se acumula nas caixas de comentários, agradeço secretamente ao(s) seu(s) autor(es) a trabalheira, o incómodo, a fidelidade à causa. E depois, claro, carrego no botão onde está escrito Delete.

Publicado por José Mário Silva às 09:24 AM | Comentários (21)

VEM AÍ UMA NOVA SÉRIE DO «GATO FEDORENTO»

e chama-se... rufar de tambores em crescendo... BARBOSA! (nem mais nem menos do que uma das sugestões que fiz gentilmente, como amigo do seu amigo, há cerca de seis meses). Fico portanto à espera do próximo DVD com a série Meireles, de bilhetes oferecidos nos espectáculos ao vivo e de um jantarzinho de agradecimento num restaurante porreiro. Tratas tu disso, RAP?

Publicado por José Mário Silva às 09:20 AM | Comentários (0)

abril 27, 2005

OS NOVOS MOINHOS

moinhos.bmp

Publicado por José Mário Silva às 03:25 PM | Comentários (8)

DE QUEM ME SINTO MAIS LONGE (POLÍTICA E IDEOLOGICAMENTE) NA REPÚBLICA PORTUGUESA

Por uma questão de referência, é sempre bom quando identificamos uma pessoa com quem nunca estamos de acordo em matérias de política e ideologia. Essa pessoa seria, na porção do universo destas matérias que conseguimos (ou queremos) ver, o nosso ponto mais distante. Não lhe chamo "antípoda" porque duvido que a tal universo corresponda uma superfície compacta; ainda menos com simetria esférica. Nessa altura teríamos os "extremos que se tocam" que tanto me irritam.
Falando em "extremos", refira-se que excluo deste universo posições totalitárias. Ou seja, a pessoa a quem me refiro situa-se, politicamente, no campo democrático. O mais à direita que é possível estar neste campo (ele próprio assim se define), mas dentro dele. A pessoa em questão tem fama de ser um gajo porreiro - e acredito que o seja: falo de política e não de carácter -; tem, além disso, inúmeros fãs, à direita e à esquerda, e compreende-se pois escreve muitíssimo bem. Eu é que não gosto mesmo nada do que ele escreve.

Refiro-me a Miguel Esteves Cardoso. Nunca prestara grande atenção ao MEC, que trazia colado o rótulo de "monárquico", que é dos que mais me repelem; nunca fui leitor regular de O Independente e nem espectador das Noites da Má Língua. Até que o MEC começou a escrever no DNa. Lá fui então passando mais ou menos por alto pelas suas crónicas gastronómicas, cheias de elogios às massas Nacional. Recentemente passou a escrever no caderno principal do DN. As minhas suspeitas confirmaram-se. O MEC representa tudo o que há de mais conservador e estagnado em Portugal. O MEC é o tal que acha que o cliente habitual de uma loja deve ter direito a ser melhor atendido e a passar à frente do cliente esporádico. Ou seja, o MEC no fundo não quer saber dos favoritismos e dos clientelismos que por aí vemos, baseados nesta mesma forma de pensar. Provavelmente o MEC será contra a liberalização da venda de medicamentos sem receita, pois isso é mau para as farmácias, e o MEC sempre os comprou e sempre os quererá comprar na mesma farmácia, provavelmente propriedade de uma família muito antiga, amiga da sua família.
Sei que o MEC, sendo português, tem uma herança cultural e familiar anglo-saxónica, e andou muitos anos pela Inglaterra. Esperaria que reunisse o melhor de ambas as culturas, a portuguesa e a britânica. Pois a meu ver, e infelizmente (por se tratar de uma pessoa inteligente), o seu pensamento político, os valores que transmite representam exactamente o pior de ambas as culturas. A nossa direita clássica revê-se no MEC e em muito do que ele escreve. Há já no entanto (mais na blogosfera do que nos media) uma "nova direita" que condena e não quer ter nada a ver com o corporativismo proteccionista e o nacionalismo serôdio que o MEC preconiza. Para a demarcação ser completa, ainda restariam outras características do MEC, como o elitismo monarquizante. Mas, com a breca, a direita há-de ser sempre direita.
Com a direita e os seus problemas, porém, posso eu bem. O que me entristece é verificar que, muitas vezes, mesmo à esquerda subsiste quem, obviamente sem ser um fã político do MEC, concorda com algumas das suas ideias. O MEC nem tem culpa mas o Miguel-Esteves-Cardosismo, enquanto mentalidade, e a sua enorme popularidade em diversos sectores parecem-me ser o maior atraso estrutural que Portugal tem que vencer.

Publicado por Filipe Moura às 12:32 PM | Comentários (19)

CÍRCULOS

No poema do Leonard Cohen que o Pedro Mexia traduziu (como parte da sua campanha para ver o Nobel da Literatura entregue ao canadiano) há uma enumeração daquilo em que certos países são "melhores". Algumas das premissas afiguram-se bastante lógicas: por exemplo, o México tem as melhores águias, Israel a melhor auto-paródia e a Inglaterra a melhor Fleuma. Outras são surpreendentes: a Índia ser a pátria do melhor gelado, a Itália da melhor névoa ou, sobretudo, Marrocos dos melhores Judeus. Mas o que me intrigou mesmo foi a especialidade que Cohen supostamente encontrou em Portugal. Círculos. «Portugal tem os melhores Círculos».
Em que estaria o autor de «Songs of Love and Hate» a pensar? Nos compassos dos descobridores e nas rotas para Oriente? Na mania muito nossa de voltar sempre ao princípio das coisas e recomeçar tudo do zero? Nos discursos do Jorge Sampaio? Nas rotundas que os autarcas lusos plantaram a eito na paisagem?
Todas as exegeses deste verso misterioso do Leonard, especialmente as estapafúrdias, são muitíssimo bem-vindas.

Publicado por José Mário Silva às 10:27 AM | Comentários (11)

abril 26, 2005

ENERGIA E EQUIDADE - JÁ QUE A MADALENA INSISTE...

Este texto foi publicado em 1973! Por um padre, o que mostra bem a marcha à ré que a Igreja (arrastando os crentes mais distraídos) fez em cerca de trinta anos. Chocante como se passa do diálogo com as tendências mais vanguardistas, da produção de ideias mais subversivas e utópicas para o enquistamento mais reaccionário perante a passividade de um rebanho que adopta práticas modernas mas que vai a reboque e não pensa nem quer pensar no significado e implicações dessas práticas.
Uma geração de..."agnósticos", dentro da Igreja, de pessoas que não pensam... seguem a hierarquia reaças e "infalível" do Padre Seabra.
É um texto "irrealista" sobretudo se pensarmos em "anos 70", numa altura em que não parecia haver limites para o consumo do petróleo.
Ninguém percebia o que queria ele dizer com conceitos o da "velocidade que gera a lentidão" até à célebre corrida entre o Ferrari e o burro organizada muito mais tarde salvo erro pela Câmara de Loures...
Nos anos setenta os ecologistas eram considerados uma curiosidade. Nenhuma das grandes companhias se tivera de dar ao trabalho de apresentar fachadas "verdes". O "desenvolvimento sustentável" era conversa de meia dúzia de hippies semi alienados com o consumo de marijuana que publicavam o "Whole Earth Catalog".
E no entanto... leiam por favor.

Publicado por tchernignobyl às 11:30 PM | Comentários (12)

SE HOUVER JUSTIÇA NO MUNDO

Um dia hei-de ver lado a lado, nas livrarias, as «Memórias de um Craque» do Fernando Assis Pacheco e «A bola no Olival» do Vasco Barreto.

Publicado por José Mário Silva às 10:49 PM | Comentários (5)

TUDO MARADO

Desde há uns tempos atrás que ao entrar nos transportes publicos ou no restaurante tenho a sensação de que cerca de um terço das pessoas olham para mim com ar malévolo e cochicham baixinho. Ouço vozes suspeitas no escritório, e mesmo na rua parece que um terço dos condutores me fitam com um ar arrogante e comentam qualquer coisa quando me vêem parado para atravessar a passadeira.
O ambiente é o dos Mitos de Cthulhu de Lovecraft ilustrados pelo magistral Alberto Breccia, um livro que, lembro, não é conveniente alguém que viaje só levar de companhia para um local isolado.
Está tudo explicado nesta notícia.

Publicado por tchernignobyl às 06:30 PM | Comentários (7)

VERSOS QUE NOS SALVAM

Do último livro de Armando Silva Carvalho («Sol a Sol», Assírio & Alvim), resgato um exemplo da sua lírica crua e magoada:

AQUI

Aqui o inferno mata as profissões
Que têm acesso ao ar.
Diz-se que deus se absteve
De criar servidores para os condenados
Ao tédio.

Morre-se no emprego
Com a garganta apertada por uma mão
Sem ossos.

Aqui os anos crescem pouco ou nada.
Os dias e dias secam na raiz.
Não há horas felizes.

O sol sempre se deu bem com gente como esta
Que salpica de chuva os seus pequenos
Afazeres
Para ficar em casa.

Gente com plenos poderes
Para desmanchar a festa que se alonga
Para lá da cabeça.

Diz um: eu sou o sábio de domingo.
Agora não me ocupo de dias úteis, de remendos d'alma,
De fragilidades.
Esperem por mim mas só depois
Da missa.

Diz outro: a ética é grega de nascença
Movemo-nos por números, já sentenciava Pitágoras.
Não cunhamos moeda, não sujamos as mãos
Nos improvisados remos do naufrágio.
O nosso destino é perguntar.

Parece que deus quis que não nascesse a obra.
Nascer que nasça o sol
E é bastante.
Quem pergunta ao sonho pelo homem
De serviço?

Nos campos vicejam novamente as urtigas
São restauros agrícolas,
Exemplos a seguir, ordens vindas de cima,
Ao ouvido,
Na sala dos banquetes.

O mar faz de cão velho e deixa-se ficar
À espera no patamar dos mitos.
Ninguém o suporta
Nem ao seu uivar aos pés
Da história.

Comovidos estamos, com um não sei quê,
Um quanto, um como, uma dor
Que levanta asas
E vai do vale à montanha
Como vão os monges cavaleiros
À televisão.

Aqui a cidade abre-se para lá da noite
E é sempre belo ver a madrugada
A chorar os seus ídolos.

Aqui os que têm coração
Têm desconto.

Publicado por José Mário Silva às 06:20 PM | Comentários (1)

A ATRACÇÃO DO BOSQUE

Christopher Burkett, Black Mountain Aspen Forest, Utah

Publicado por José Mário Silva às 06:08 PM | Comentários (2)

PRENDÊ-LAS SIM, MAS COM JEITINHO

Teresa Caeiro quer «humanização» das sanções contra quem aborta.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:34 PM | Comentários (1)

O AVOZINHO SIMPÁTICO E RACISTA

Fiquei desapontado com A Queda. Não por que seja um mau filme, mas porque senti que me venderam gato por lebre.
As críticas e comentários dão ideia que se trata de um filme sobre os últimos dias de Hitler, o que é falso. É, na verdade, um filme sobre os últimos dias antes da capitulação alemã. Esta diferença pode parecer pequena, mas em vez de assistirmos à degradação e sucumbir final de um homem singular, deparamos com um fresco de personagens, umas mais interessantes que outras. Outro efeito é que a prestação de Bruno Ganz acaba por saber a pouco, na medida em que a sua personagem é secundarizada em relação à sua ínsipida secretária.

O desempenho de Bruno Ganz como Hitler é muito inteligente. Não é uma actuação tão portentosa como se diz, mas o actor percebeu perfeitamente que Hitler já não é uma pessoa, mas um arquétipo, e que bastava dar uma feição humana a esse arquétipo para que a sensação fosse nada menos que de uma revelação. Ganz interpreta Hitler como um velhinho (Hitler não era velho, mas estava psicologicamente e fisicamente muito debilitado) simpático, mas racista, que acha que a violência é solução maravilha para tudo.
A sua interpretação destaca-se também em comparação com a flacidez das outras: a secretária é (repito) insípida, o estado-maior nazi é estereotipado (Goering: oportunista e corrupto; Himmler: frio e lunático; Goebbels: fanático; Speer: tecnocrata e humano), os generais alemães encarnam o dever resignado e só se salvam alguns secundários interessantes, como Magda Goebbels, que mata os filhos sem esboçar uma lágrima, mas chora baba e ranho pelo destino do nacional-socialismo.

O filme interessou-me pela atmosfera de cataclismo que consegue criar, de apocalipse eminente. A sensação de encurralamento não é bem conseguida - como escreveu o Pedro Mexia, teria sido preferível para isso que toda a acção decorresse dentro do bunker. Mas a sensação de desespero e desalento é perceptível e epitomizada na cena em que se ordena a um soldado para ir algures e este responde cansado "Já não vou a lado nenhum" e se suicida.
Mas talvez a grande lição do filme seja mesmo a de que todo o avozinho querido e salazarista é um Hitler potencial.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:21 PM | Comentários (1)

VIDA

«Uma pessoa que pese 70 quilos contém entre outras coisas:
- 45 litros de água
- Cálcio suficiente para caiar um galinheiro
- Fósforo para 2200 fósforos
- Gordura para 70 sabonetes
- Ferro para um prego de 2 cms
- Carbono para 9000 lápis
- Uma colher de magnésio

Eu peso mais de 70 quilos.

E lembro-me de uma série de televisão que se chamava Cosmos. O Carl Sagan andava por um cenário que era suposto parecer o espaço e falava de grandes números. Num dos programas estava sentado à frente de uma cisterna que estava cheia daquelas matérias de que são feitas as pessoas. Mexeu na cisterna com um pau perguntando-se se seria capaz de criar vida.
Não conseguiu.»

Erlend Loe, in «naif.super.» (Fenda, tradução do norueguês por Kjersti Kaasa)

Publicado por José Mário Silva às 05:19 PM | Comentários (2)

OS RISCOS QUE APAGAM A CRISE

Descendo a avenida, vogando como quem desce um rio, encalhei no conhecido subversivo Luis Rainha, acompanhado por uma cúmplice.
Tentavam escapulir-se furtivamente, ao volante de uns curiosos veiculos onde se amontoavam redondas criancinhas que segundo algumas testemunhas o sinistro maximalista utiliza como trabalho não pago na colagem em ritmo de sweat shop de cartazes de duvidoso teor para organizações suspeitas em locais proibidos.
Ao redor, um grupo de agitadores lançava-se ao ATTAC.

Pá, marquem um almoço para a semana.

Lançou-me com o maior descaramento ( a fome parece apertar entre os sediciosos e isso é bom), enquanto eu olhava para todos os lados procurando não ser reconhecido em tão comprometedora companhia.
Camarada Zé Mário: a vous de jouer, onde é que é?

Publicado por tchernignobyl às 03:46 PM | Comentários (1)

EFEITO DOMINÓ


Cartoon de Stephane Peray

E se em França o não ao tratado constitucional europeu ganhar mesmo?

Publicado por José Mário Silva às 03:44 PM | Comentários (0)

ISTO É CADA VEZ MAIS ESTRANHO

O Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa reafirmou hoje em comunicado que o dossier que entregou à Torre do Tombo contém "115 folhas" com "relações distritais de agentes" da antiga polícia politica (PIDE) ou da Legião Portuguesa.

O comunicado do Grande Oriente Lusitano surge na sequência das declarações ao semanário “Expresso” do director da Torre do Tombo, Pedro Dias, segundo as quais se trata apenas de “um conjunto de listas de pessoas ou instituições para as quais a LP [Legião Portuguesa] queria enviar propaganda”.

O semanário acrescenta que a Procuradoria-Geral da República está a estudar o caso porque “a sua ocultação poderá ter frustrado os interesses punitivos do Estado relativamente aos membros da Legião Portuguesa”.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:56 AM | Comentários (25)

A TEORIA E A PRÁTICA

Há que reconhecer que o João Miranda tem realmente teorias muito bonitas. Esta, por exemplo, é tão harmoniosa e elegante que uma pessoa até quer acreditar nela. O pior é quando nos começamos a lembrar que a democracia ateniense era politeísta e foi a democracia mais duradoura do mundo. Que Roma Antiga era politeísta e nunca teve inquisição, cismas ou guerras religiosas. Que a maior democracia do mundo (em termos numéricos) é também a mais politeísta. Que o monoteísmo nasceu no seio do politeísmo (1, 2), mas não há casos conhecidos de sociedades monoteístas tolerarem o nascimento de politeísmos. Que o apogeu do poder da religião monoteísta cristã correspondeu à guetização ou extermínio de todas as outras variantes protestante, muçulmana ou judaica. E que só quando se deu a dessacralização da sociedade após as revoluções francesa e americana é que a liberdade de culto se tornou um facto consensual.
Pois é, a teoria é bonita, mas é mais útil para coar leite.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:58 AM | Comentários (5)

LÁ LONGE

Gostava muito de saber o que raio se está a passar em Timor por estes dias. Em vez de mostrarem o enésimo banho de multidão do novo Papa, as TV's não poderiam investigar o que anda a Igreja Católica a preparar para os lados de Dili?

Publicado por José Mário Silva às 08:55 AM | Comentários (1)

abril 25, 2005

DESCENDO A AVENIDA (INSTANTÂNEOS)

desfile1.jpg

desfile2.jpg

desfile3.jpg

desfile4.jpg

desfile5.jpg

desfile6.jpg

desfile7.jpg

desfile8.jpg

desfile9.jpg

desfile10.jpg

Publicado por José Mário Silva às 11:59 PM | Comentários (7)

O DIA INICIAL, INTEIRO E LIMPO

Passados 31 anos, há uma certa direita que continua a não aceitar o 25 de Abril (como se comprova numa das caixas de comentários mais abaixo). E não se trata apenas de rancor, despeito ou má consciência. No famoso verso da Sophia, o adjectivo que os incomoda mesmo não é o inicial nem o inteiro. É o limpo.

Publicado por José Mário Silva às 11:57 PM | Comentários (3)

ONTEM E HOJE

oeillets.jpg
Óleo sobre tela de António dos Santos Silva (1998). A fotografia é uma cortesia do autor para o BdE.

Publicado por Filipe Moura às 11:56 PM | Comentários (0)

LA RÉVOLUTION DES OEILLETS - DIA 5, DIA 25

As comemorações encerram hoje. Às 20:30 temos um desfile por todo o campus da Cité Universitaire de um grupo de percussão e gigantones, os Bombos de Achères. As comemorações encerram com um churrasco aberto a toda a Cité Universitaire, às 21:00. O bar fica aberto até à 1:30.
Parabéns (e obrigado!) pela bela iniciativa ao Comité de Residentes da Casa de Portugal.

Publicado por Filipe Moura às 09:29 AM | Comentários (3)

SEMPRE!

25A.bmp

Desfile do Marquês de Pombal para o Rossio, em Lisboa, a partir das 15 horas.

Publicado por José Mário Silva às 09:22 AM | Comentários (19)

ENCONTROS DO TERCEIRO GRAU EM BEJA

Uma das consequências de ter bebido vinho da Vidigueira com um dos meus bloggers favoritos é esta: vou passar a ouvir, nos textos que leio do João Pedro da Costa, uma voz com sotaque do Porto (e que diz os erres à francesa).

Publicado por José Mário Silva às 12:03 AM | Comentários (4)

abril 24, 2005

OS DILEMAS DO SUCESSO

Como se não bastasse ao Ricardo Araújo Pereira a ignomínia de ver o seu sketch do "falam, falam" glosado por Santana Lopes, consta que a moção da Juventude Popular ao congresso do PP se intitulou, imaginem, «Ah e tal porque é Jovem»...

Publicado por José Mário Silva às 11:50 PM | Comentários (15)

ENTRE UM E OUTRO...

Comentar assuntos do foro interno de partidos adversários como é o caso do PP, é normalmente uma questão delicada que deve ser tratada "com pinças" para evitar ferir inutilmente a propósito de questões menores, as hipersensibilidades cutâneas de valor acrescentado dos seus simpatizantes bravamente atentos e vigilantes patrulhando um pouco por toda a blogosfera .
Por isso quero apenas aqui referir a admiração que me suscita a dinâmica verificada neste Congresso em relação às expectativas quanto ao sucessor de Paulo Portas ao leme do pequeno grande partido do centro/direita /centro.
O que se passou ficará certamente como um caso a estudar com curiosidade pelos investigadores das ciências políticas e um exemplo para os democratas de todos os bordos mesmo até os não cristãos .
Depois de mais de um mês de debate interno, o PP conseguiu o prodígio de chegar ao Congresso com um candidato sólido, designado pelos observadores como "herdeiro" do anterior líder, de eleição praticamente assegurada e sem oposição significativa, e passadas pouco mais de 24 horas, ver elegido como presidente um outro candidato, que nem o seria na véspera, no qual inclusivamente acabaram por votar alguns dos proponentes da moção do favorito inicial.
É um monumento à seriedade e à capacidade de reflexão política. Que brain storming lindo ali se passou!
Sabendo-se a preponderância que têm nesse partido as "elites" empresariais e das profissões liberais, este episódio define estas também e mostra porquê Portugal nada tem a temer com o futuro se devidamente aconselhado por elites tão sábias e flexíveis (agora se entende mais a insistência na "flexibilização" por parte dos políticos e agentes económicos da direita).
Por outro lado, é curioso verificar que aqui se prolonga uma certa incapacidade para a renovação da classe política portuguesa. Afinal não é só a tralha guterrista que permanece por aí.
A moção de Telmo Correia reunia aparentemente os rostos mais aguerridos que nos últimos anos deram a cara pelo partido, o próprio Telmo, Pires de Lima e Nuno Melo.
Ribeiro e Castro surgiu rodeado por rostos que fazem parte da sua história menos recente como Maria José Nogueira Pinto e Lobo Xavier .
Ao contrário de outros partidos porém, no caso do PP compreende-se a opção. Não se é conservador por acaso.

Publicado por tchernignobyl às 10:41 PM | Comentários (3)

O MEU BENTO NÃO É O XVI

É este:

Publicado por José Mário Silva às 01:55 PM | Comentários (5)

SABER O SEU LADO

Existem certos debates em que vem sempre alguém à baila com a frase... "sempre que oiço alguns dos do meu lado... apetece-me... ou mudar de lado, ou bater-lhe".
Seria possível fazer este tipo de afirmação acerca de tudo que pressupõe a tomada de posições colectivas.
Não existe nenhum assunto acerca do qual duas pessoas tenham opiniões exactamente idênticas.
Existe sempre alguém que está do nosso lado numa determinada questão num determinado momento, com argumentos que nos dão vontade de lhe bater.
Existe sempre alguém que está "de acordo" connosco pelas razões que por vezes apenas ao fim de alguns anos percebemos que não têm rigorosamente nada que ver connosco.
No entanto, na maioria dos casos adoptamos a atitude "oportunista" de não manifestar a nossa repulsa para não prejudicar os objectivos de fundo.
Em poucas circunstâncias vemos manifestar-se tanta "independência" relativamente ao "seu" lado como com a questão do aborto.
É uma questão tão controversa e dolorosa que leva muitos dos apoiantes da despenalização a fazê-lo com tais reticências que viram preferenciamente contra o "seu" lado as baterias dos argumentos polémicos e até dos insultos.
E é isto que me deixa um bocado perplexo. As pessoas estão ou não de acordo em relação à forma como se apresentará exteriormente o ponto principal, a saber, o quadrado em que vão colocar a cruz no dia da votação?
Se estão, para quê repetir sistematicamente esse "acto de contrição independentista" como se fossem elas e apenas só elas que têm razões dignas para apoiar algo que só tem sentido apoiar porque é um problema social e colectivo qualquer que seja a percepção que individualmente têm do seu drama as vítimas e apesar de atitudes mais ou menos supérfluas de pessoas na maioria das vezes exteriores aos aspectos mais dramáticos do problema?
Alguém terá paciência para ir hoje vasculhar no passado motivos para demonizar aristocratas que no passado, pelas razões mais fúteis, ilógicas ou irreflectidas tenham apoiado os movimentos que tiveram como consequência a destruição da aristocracia?
Que alguns o tenham feito por estupidez, cobardia ou simples palermice altera nalgum milimetro a questão de fundo?
Não é este um assunto já suficientemente pisado e repisado para que cada um tenha já tido tempo de sobra para fazer as demarcações necessárias que o coloquem em paz com a sua consciência e se possa agora centrar no essencial?
Felizmente que o artigo de Filomena Mónica publicado no Público e citado pelo Miniscente tem o mérito de incluir duas frases importantes que talvez permitam uma saída:
1. a fauna do outro lado da barricada, os auto-intitulados "pró-vida", irrita-me muito mais
2. estou contente com o facto de José Sócrates ter tomado uma posição diferente da assumida por António Guterres.
É isto o que interessa neste momento, é esta convicção que interessa defender até ao Referendo, o resto é andarmos a dividir-nos sem necessidade. Ou então arriscamo-nos a contribuir para atrasar a resolução deste problema que já deveria estar resolvido há muito.
Do lado dos defensores da despenalização existem concerteza muitos inconscientes, e nada impede que alguém se demarque das suas posições avançando os argumentos lúcidos e ponderados, mas o que interessa em nome do combate à chaga social que é o aborto clandestino, é neste momento estar-se unido quanto ao objectivo e sobretudo afirmá-lo e escrevê-lo sem ambiguidades.

( a nova "face" do Público limita substancialmente a utilização da edição electrónica do jornal como "instrumento de trabalho" dos blogs. Talvez seja isso que se pretenda e sendo assim todos teremos a ganhar com isso )

Publicado por tchernignobyl às 12:53 PM | Comentários (5)

XXXXXXXL

O militante do PP Fernando Rios, manifestou-se contra a despenalização do aborto durante o Congresso do seu Partido e a propósito homenageou a "maior mulher que conheceu", a sua Mãe, que teve dezasseis filhos.
Ficou assim lançado o repto às portuguesas militantes do popular partido.
Oxalá que a apregoada aversão dos católicos portugueses aos métodos anticoncepcionais e o regresso aos valores mais conservadores em matéria de moral sexual exacerbado por este período de particular fervor religioso, possam contribuir para nos dar uma geração de mulheres enormes.
Portugal já foi Grande e esta é a senda a trilhar para torná-lo ainda MAIOR.

Publicado por tchernignobyl às 11:10 AM | Comentários (7)

LA RÉVOLUTION DES OEILLETS - DIA 4

Na Residência André de Gouveia hoje pelas 14:00 temos mesa-redonda: La censure avant et après la Révolution, com a participação do Capitão de Abril José Verdasca, de Artur Silva (da Rádio Alfa) e de António Oliveira (do jornal Portugal Sempre). Às 17:00 temos cinema, a confirmar. Às 22:00 temos um concerto de Fados e guitarras, por António de Oliveira, Filipe de Sousa e Casimiro Silva. Bar aberto até à 1:30.

Publicado por Filipe Moura às 09:27 AM | Comentários (0)

abril 23, 2005

DIRECTA COM OS LIVROS

No Dia Mundial do Livro a Biblioteca de Beja oferece a quem por lá passar um programa actividades noite dentro. O Zé Mário encarrega-se de assegurar a representação aqui do blogue num debate lá para as tantas da manhã, antes e depois há mais que fazer no meio dos livros e à roda deles. O cardápio completo está aqui. (E reparem na delícia do babysitting assegurado para libertar jovens mães e jovens pais para os livros e rosas.)

Publicado por Margarida Ferra às 07:06 PM | Comentários (2)

HIGHLIFE

O Highlife (e o Luís Rei que me corrija se minto) é um estilo musical que se popularizou no Gana durante os anos sessenta nascido da fusão a quente entre os sons e os ritmos tradicionais e as diabruras espectaculares que só os músicos africanos conseguem inventar quando tomam posse de guitarras eléctricas e amplificadores, e do qual o ex-Primeiro Ministro Barroso é admirador confesso.
É realmente uma mistura explosiva à qual não pode resistir nenhum bípede, nem mesmo o mais fleugmático Presidente de Comissão Europeia, a avaliar pela interpetação deste blog conservador e anti-europeísta inglês, que descobri "folheando" o teórico da conspiração.

Publicado por tchernignobyl às 06:15 PM | Comentários (3)

UM NOVO DESÍGNIO

80% do território português sob o efeito de uma seca prolongada é um sinal claro do avanço da desertificação.
A eleição do nosso país para as etapas iniciais do rali Paris Dakar seria mais uma consequência positiva desta tendência e permitiria alimentar a legitima expectativa de que talvez chegue o dia em que os ditosos adeptos portugueses dos desportos motorizados terão a felicidade de ver a carismática etapa final decorrer nas areias da Caparica.
Como se vê, basta deixar correr o marfim para que o futuro se apresente soalheiro.

Publicado por tchernignobyl às 05:05 PM | Comentários (1)

DIA MUNDIAL DO LIVRO

Já lá dizia o Borges: o Paraíso, se existe, tem a forma de uma biblioteca.

Publicado por José Mário Silva às 12:44 PM | Comentários (2)

LA RÉVOLUTION DES OEILLETS - DIA 3

Na Residência André de Gouveia hoje pelas 14:00 temos mesa-redonda: La Révolution, la Guerre Coloniale, les Militaires, com a participação do Capitão de Abril José Verdasca e de José Machado (Federação das Associações Portuguesas em França). Às 17:00 temos cinema, Cravos de Abril, de Ricardo Costa. Às 22:00 temos um concerto de Fados de Coimbra, pelo Grupo de Fados da Estudantina Universitária de Coimbra. Bar aberto até à 1:30.

Publicado por Filipe Moura às 09:25 AM | Comentários (0)

abril 22, 2005

HABEMUS METÁFORA

A inscrição "No Martini, No Party" num cartaz empunhado por jovens na praça de S. Pedro, enquanto se aguardava a saída do fumo branco, é uma boa demonstração de como a ambiguidade pode ser expressão de formas de criatividade geniais. Que o diga o "progressista" Cardeal Martini. (António Gonçalves)

Publicado por José Mário Silva às 02:47 PM | Comentários (3)

O PALADINO DA BURRICE

Primeiro, foi o John Bolton e os seus inclassificáveis dotes diplomáticos, depois o pacifista Paul Wolfowitz no Banco Mundial, agora Ratzinger como Papa.
E, para todos eles, o director do Público, José Manuel Fernandes, disse o mesmo: "Sim, são aparentemente más escolhas devido às suas posições do passado. Mas por parecerem más escolhas então é porque são boas escolhas, porque: a) tendo passado toda a vida a defender uma coisa, estão agora numa posição privilegiada para fazer justamente o contrário; e b) ao conhecerem a realidade no terreno, vão ter de ajustar as suas ideias e provavelmente vão passar a defender o que antes rejeitavam".

Ao fazer copy-paste de uns editoriais para os outros, mudando apenas factos e nomes, não deve ter ocorrido ao director do Público que o que estava a fazer era, no fundo, a apologia do oportunismo ou, na melhor das hipóteses, da burrice.

Por outras palavras, o que o JMF diz é que não interessa o que uma pessoa defende, pois no terreno terá de fazer algo totalmente diferente, e que na realidade as ideologias só têm valor intrínseco como vantagem negocial, isto é, como suave logro das massas, e ainda que o facto de uma pessoa ter ideias erradas ou pouco adequadas para um dado cargo a tornam ideal para ele, na medida em que confrontam essa pessoa com a sua própria burrice.

Em termos práticos, imagino que isto significa que, apesar de usar os seus editoriais para defender o liberalismo económico, no dia em que um primeiro-ministro PSD mais desvairado nomear José Manuel Fernandes como Ministro da Economia, este começará imediatamente por aumentar os subsídios às empresas e bancos nacionais.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:30 PM | Comentários (4)

CANTINHO UMBIGUISTA

O BdE é o blogue destacado esta semana na rubrica «Política no Ciberespaço» do jornal Comércio do Porto.

Publicado por José Mário Silva às 12:23 PM | Comentários (5)

HABEMUS PAPAM!

Publicado por Jorge Palinhos às 12:21 PM | Comentários (4)

LA RÉVOLUTION DES OEILLETS - DIA 2 (ACTUALIZADO)

Na Residência André de Gouveia hoje, pelas 20:00, temos mesa-redonda: L'Art, la Littérature et la Culture avant et après la Révolution, com a participação do Capitão de Abril José Verdasca, João Heitor (livreiro) e José Manuel Seabra (jornalista).
Às 22:00 temos o concerto do grupo Bicho de 7 Cabeças. Passem pela sua página, a Toca do Bicho. Bar aberto até à 1:30.

Publicado por Filipe Moura às 09:22 AM | Comentários (0)

CCB - CENTRO CULTURAL DE BEETHOVEN

Três dias de música genial, a preços módicos. De que é que estão à espera?

Publicado por José Mário Silva às 09:15 AM | Comentários (5)

GRANDES TÍTULOS PARA ARTIGOS DE JORNAL (QUE NUNCA NINGUÉM UTILIZOU)

«A explosão do crack à toa»

Publicado por José Mário Silva às 09:13 AM | Comentários (3)

DE ESPANHA, BONS VENTOS E BONS CASAMENTOS

Eis a prova de que há, na Península Ibérica, um governo socialista que é verdadeiramente de esquerda.

Publicado por José Mário Silva às 09:11 AM | Comentários (38)

abril 21, 2005

COÇA-ME AÍ AS ESCAMAS

Li a notícia sobre a autorização dada pelo Governo ao cultivo de cereais transgénicos no nosso País na "última hora" do público e não queria acreditar.
Então este é que é o Governo do Secretário de Estado do Ambiente Sócrates?
Um bocado escandaloso na semana em que os ingleses baniram a importação de milho americano ao descobrirem que os U.S.A. lhes venderam ilegalmente cereais transgénicos nos últimos quatro anos (a famosa "liberdade de escolha" dos vigaristas), e poucos dias depois de uma grande cervejeira americana ameaçar boicotar o arroz do Missouri se este estado permitir o cultivo de arroz transgénico dentro das suas fronteiras.

Créditos também para a fonte onde vi primeiro referidas estas últimas duas notícias

Publicado por tchernignobyl às 08:05 PM | Comentários (17)

VERSOS QUE NOS SALVAM

Roubado ao discreto, mas belíssimo, último livro do Rui Pires Cabral («Longe da Aldeia», Averno):


NÃO HÁ OUTRO CAMINHO

para o Vítor

Os poemas podem ser desolados
como uma carta devolvida,
por abrir. E podem ser o contrário
disso. A sua verdadeira consequência
raramente nos é revelada. Quando,
a meio de uma tarde indistinta, ou então
à noite, depois dos trabalhos do dia,
a poesia acomete o pensamento, nós
ficamos de repente mais separados
das coisas, mais sozinhos com as nossas
obsessões. E não sabemos quem poderá
acolher-nos nessa estranha, intranquila
condição. Haverá quem nos diga, no fim
de tudo: eu conheço-te e senti a tua falta?
Não sabemos. Mas escrevemos, ainda
assim. Regressamos a essa solidão
com que esperamos merecer, imagine-se,
a companhia de outra solidão. Escrevemos,
regressamos. Não há outro caminho.

ADENDA- Em resposta ao que pediu o Fernando Venâncio, aqui deixo mais três poemas de «Longe da Aldeia»:

A ESCARLATINA

Não sei se te lembras
ainda. No quarto pegado
à cozinha, uma cama
sob a clarabóia. A estreita
e um tanto triste
antecâmara do Verão.

Eram coisas que não queriam
dizer nada. Lias, juvenil,
uma história onde alguém
contraía a escarlatina.

No andar de baixo
os carpinteiros, pai e filho,
guardavam um silêncio
petulante, os finos pregos
de aço bem seguros
entre os lábios.


SENHORES PASSAGEIROS

Alguns rapazes avançam mais depressa
para a morte, mas todos se debatem
com a vida que lhes resta. Às voltas
no cimento das cidades, entre
a estrangulada circulaçãos dos veículos,
segredam ao ouvido de um deus
surdo: concede-me um novo amor
igual ao dos meus irmãos. Entretanto
são mais as raparigas que não lêem livros
no venenoso relento das estações
ferroviárias, chupam rebuçados
de menta com fel, suavemente inclinam
a cabeça para ouvir:
senhores passageiros
vai dar início à sua marcha o comboio
com destino a Santa Apolónia da escuridão.


RECOMEÇO

O primeiro cigarro do dia é na varanda
quando faz sol: misteriosamente o terraço
do vizinho continua a concentrar a tristeza
do bairro inteiro. Mal acordado, juntas as linhas
que te permitem perceber quem és, onde estás,
o que terás de fazer a seguir. E a angústia
que te abraça é a memória mais antiga
que possuis, vem das casas de Bragança
e Moncorvo, já a conhecias antes de lhe seres
formalmente apresentado. Tu nunca quiseste
pertencer. Só à ponta da navalha. Só no fundo
do beco, encurralado. Meu Deus, que vocação
para o desassossego. Mas será um sinal de resistência
ou uma espécie de defeito anímico? Tanto faz,
vamos, põe a cafeteira ao lume. E recomeça.


PS- Depois não digam que o BdE não presta serviço público...

Publicado por José Mário Silva às 07:08 PM | Comentários (6)

ABRAÇO

KLEE.bmp

Paul Klee, Das Wert-paket (1939)

Publicado por José Mário Silva às 03:12 PM | Comentários (2)

AUTOCARROS (II)

A chuva pela manhã causa um efeito estranho nos autocarros. O calor dos corpos e a humidade dos guarda-chuvas combinam-se e condensam nos vidros. E os passageiros, ainda mal despertos dos sonhos, sentem-se flutuar dentro de uma bolha, através da qual vêem, longínqua e baça, a realidade lá fora.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:39 PM | Comentários (1)

SUPERIORIDADES

Incentivado pelo Rodrigo, gostaria de declarar aqui que estou convicto que os portugueses são superiores a todos os povos latinos. Desconfio - mas não garanto - que poderão ser até o povo com traços físicos mais belos, maiores qualidades intelectuais e psicológicas e mais aptidões inatas de todas as etnias humanas.
A minha experiência diz-me, porém, que se assistem a diferenças significativas entre as comunidades portuguesas. As que se situam a norte do Douro, por exemplo, parecem ter maiores qualidades morais, mais ardor no trabalho, uma honestidade e hospitalidade a toda a prova e uma propensão para a iniciativa que os torna portugueses melhores que os outros.
Destaco deste grupo aqueles que habitam na zona geográfica delimitada pelos estabelecimentos culturais Casa da Música, Teatro Carlos Alberto, Teatro São João, Rivoli, Museu Romântico e Pérola Negra, que parece ter sido alvo de uma conjugação climático-cultural particularmente feliz que originou um grupo homogéneo de líderes e génios naturais.

Isto é somente a minha convicção. Lá por eu acreditar nisto não julguem que não dialogarei com pessoas de outros povos e localizações com o maior dos à-vontades.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:23 PM | Comentários (8)

PRENÚNCIO DE QUEDA

Muito se tem falado, por estes dias, na ICAR: Igreja Católica Apostólica Romana. Agora experimentem juntar-lhe o O de Ortodoxa (no sentido ratzingeriano do termo).

Publicado por José Mário Silva às 11:38 AM | Comentários (4)

AUTOCARROS (I)

Um autocarro em hora de ponta é um testemunho da tolerância humana. Meia centena de homens e mulheres encurralados numa plataforma ambulante, sufocados pelo calor ou encharcados, apressados, preocupados, adoentados, mal-dormidos, mal-amados, fedorentos, reumáticos, com escassos recursos de lugares sentados e pontos de apoio que só muito raramente se envolvem em cenas de pugilato físico e verbal.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:02 AM | Comentários (6)

E A MONA, ONDE É QUE PÁRA?

O João Pedro desenha, ilustra, anima em HTML, é melómano compulsivo, escreve, fotografa, polemiza, teoriza, auto-parodia-se e comenta.

Já podemos começar a chamar-te "Da Vinci dos blogues"?

Publicado por Jorge Palinhos às 10:46 AM | Comentários (10)

O ACOSSADO

A verdade é que já ninguém o quer. Em lado nenhum.

Publicado por José Mário Silva às 09:23 AM | Comentários (1)

LA RÉVOLUTION DES OEILLETS - DIA 1

À atenção dos nossos leitores parisienses (estou longe de ser só eu): as comemorações dos 31 anos do 25 de Abril na Residência André de Gouveia, na Cité Internationale Universitaire de Paris, começaram ontem (dia 0...) com a abertura da exposição Un regard sur la Révolution des Oeillets, do pintor António dos Santos Silva, e prolongam-se até dia 25. Aqui daremos conta do que se for passando.
Hoje às 22:00 temos Avril des Arts, espectáculo de música, poesia e pintura, e pelas 23:30 o concerto Rhytmes de Cap Vert, pelo grande Milton Paiva. Bar aberto até à 1:30.
As comemorações destinam-se a todos os interessados (especialmente, mas não só, aos residentes da Cité de todas as nacionalidades) e são uma iniciativa e organização do Comité de Residentes da Casa de Portugal - Residência André de Gouveia e da Associação para a Fundação André de Gouveia.

Publicado por Filipe Moura às 09:18 AM | Comentários (2)

ADENDA AO POST ANTERIOR

Antes que comecem a chover comentários insultuosos ao texto itálico do João André, convém lembrar aos mais distraídos a existência de uma entidade comunicacional chamada ironia. A gerência agradece.

[Já agora que vem a talhe de foice, deixo uma pergunta séria aos católicos que frequentam o BdE e aos restantes interessados pelas questões religiosas: alguém acredita mesmo que a escolha do Papa é "soprada" aos cardeais pelo Espírito Santo?]

Publicado por José Mário Silva às 09:14 AM | Comentários (13)

A INFALIBILIDADE JÁ NÃO É O QUE ERA

Segundo o nosso lusíssimo D. José Policarpo, foi o Espírito Santo quem escolheu o novo Papa, dito Bento XVI e nascido Zequinha Rezinga, através dos cardeais no Conclave, tendo-o feito antes mesmo de a chave ter sido levada à porta da capela.
Ora bem, considerando que foi necessário um dia inteirinho e ainda quatro votações para decidir quem ganhava a coisa e considerando ainda que o vencedor foi aquele que mais era apontado como tal, é caso para dizer que o Espírito Santo não só já não é infalível - quatro escrutínios - como ainda por cima é indeciso.
Pior que tudo é ser manipulável: bastaram umas quantas "sondagens" e lá foi ele atrás delas. A verdade é que a infalibilidade divina já não é o que era...
(João Sousa André)

Publicado por José Mário Silva às 09:08 AM | Comentários (2)

É HOJE

Preparem-se para o choque.

Publicado por José Mário Silva às 09:04 AM | Comentários (0)

UM TIPO "ABERTO"

chapatte.bmp

Cartoon de Patrick Chappatte

Publicado por José Mário Silva às 08:59 AM | Comentários (1)

abril 20, 2005

PÉROLAS SOLTAS APANHADAS POR AÍ

Bullet In My Breast Pocket
Years ago, my mother gave me a bullet... a bullet, and I put it in my breast pocket. Two years after that, I was walking down the street, when a berserk evangelist heaved a Gideon bible out a hotel room window, hitting me in the chest. Bible would have gone through my heart if it wasn't for the bullet.
Woody Allen, citado pela Ju (in Tomara-que-caia)

DECÊNCIA: Ludwig Wittgenstein afirmava ambicionar, antes de tudo o mais, viver uma vida decente. Hoje em dia, tal desiderato parecerá ridiculamente simples a alguns, absurdamente inalcançável a outros. Não é outro o drama da nossa época.
(in umblogsobrekleist)

- Minha querida, olha o que eu tenho aqui para ti.
- Fotocópias do dossier da Maçonaria com os nomes todos da PIDE? Por breves instantes ainda pensei que fossem aqueles óculos de sol gigantes, a dizer Dior assim de lado.
Pastel de Tentúgal (in Três Pastelinhos)

As palavras são como as cerejas
É preciso ter cuidado com os caroços.
(in Voz do Deserto)

Marcelo Salazar
O homem mais corajoso que eu conheço é este: o músico brasileiro Marcelo Salazar, que aceitou tocar na Festa do Avante.
Pedro Mexia (in Fora do Mundo)

A bola no Olival (17)
As bolas são cometas. Quem nunca jogou futebol de noite, com a iluminação dos candeeiros públicos, não pode perceber a tal afirmação. Uma bola branca a crescer para nós vinda da penumbra e em lenta aceleração, lá desde o alto, é coisa para perturbar o defesa central que nunca arriscará um verso. O futebol nocturno viciava. Havia, a começar, o "efeito do quarto-escuro ", a escuridão democratizante. Uma camisola do Barça com reflexos acetinados mal se distinguia da T-shirt ruçada da Robbialac . A noite tornava também tudo mais intimista, convidando à introspecção. Canto! Concentração de jogadores na grande área, grande tensão, o marca desmarca e M, de sorriso beatífico, em delírio poético sobre a marca de grande penalidade, pensando se as copas das faias perturbam a vida das estrelas. Uma inspiração infinita, se não tivesse sido interrompida pelo autogolo.
Ivan (in A Memória Inventada)

Das cerejas e outros frutos divisíveis por dois
Entre as inúmeras virtudes do meu pai, contava-se a de ter morrido bem, como um raio de luz e sem dor, ao lado da mulher que amava. Ele já tinha ensaiado esse truque uma boa dezena de vezes, algumas delas mesmo antes de eu ter nascido, vai-se lá saber porquê. A minha mãe conta que a primeira delas foi há mais de trinta anos, numa praia da Nazaré. Ele estava a nadar longe da costa e ela fez algo que viria a se transformar num velho truque da família e que, quem sabe?, poderá vir a ser útil às gerações vindouras: começou a pensar na morte do meu pai com muita força como para anular qualquer probabilidade de ela acontecer. Ele esteve meia hora a lutar contra a maré e chegou à areia exausto. Ambos fizeram de conta que nada tinha acontecido, mas, a partir daquele dia, a minha mãe arranjaria sempre uma desculpa para que o meu pai não voltasse a pôr um pé no mar. Depois, houve acidentes de trabalho (a morte mais indigna do mundo, segundo o pessoalíssimo e intransmissível sistema de valores da minha mãe), um carro que não travou numa passadeira, uma tábua que caiu do segundo andar de um andaime, uma intoxicação alimentar. E, em todas essas ocasiões, a minha mãe foi aprimorando um monólogo longo e seco, repleto de frases curtas e incisivas, nas quais enumerava as razões pelas quais ela considerava a sua hipotética morte um absurdo. Mas jamais a ouvi a invocar como pertinente o facto de o amar. A minha família era assim um combate de surdos: por um lado, o meu pai a meter-se em trapalhadas que punham a sua vida em jogo; e, por outro, os dons oratórios da minha mãe. No entanto, o meu pai tinha um aliado de peso: o seu corpo. O dele era 27 anos mais velho do que o da minha mãe, e, para além dos anos, o meu pai esculpiu-o à força com uma vida sedentária e três maços de tabaco que fumava todos os dias com o método e a paciência de quem forja um plano. Quando eu tinha seis anos, ele foi operado ao coração. Recordo essa noite com a mesma exactidão com que recordo o Sol que ainda há pouco vi brilhar lá fora. Ficámos ambos acordados a noite inteira na cozinha e eu ia apontando num caderno escolar as frases que ela debitava para me garantir que o meu pai não corria perigo de vida. Passados cinco anos, regressámos a Portugal, por indicação do médico de família: O senhor Costa precisa de ar puro e de fugir do stress da cidade, afinal de contas, o senhor já tem 65 anos. Viemos morar para a beira do mar, numa casa onde ainda hoje vivo e escrevo isto, não sei muito bem porquê. É que o meu pai nunca se habituou a esta merda. Faltava-lhe a azáfama de uma cidade industrial, o frenesim das horas matinais, o ruído dos carros na rua. Cismou que haveria de plantar cerejeiras no quintal, não obstante o cepticismo da minha mãe, que invocava a proximidade do mar, o clima húmido e a nortada para considerar o projecto agrícola do meu pai uma parvoíce. Durante cinco anos, podia-se ver em frente à minha casa, fosse qual fosse a estação, filas intermináveis de paus secos que nem sequer possuíam a nobreza triste que torna suportáveis os cemitérios. Houve uma vez em que me lembrei de comprar meio quilo de cerejas (o dinheiro que tinha não dava para mais) e de dependurá-las de manhã nos ramos secos e estéreis das cerejeiras. Foi a primeira vez que vi o meu pai a chorar e essa visão inundou-me com a certeza que tinha feito uma asneira insuperável. Ele tentou disfarçar, claro (tu disfarçavas tão mal, meu querido pateta), e sentámo-nos os dois a comer as cerejas, partilhando em segredo o facto da nossa pressa ter a ver com a iminente chegada da minha mãe. E depois houve um dia em que eu fui para a praia sozinho. Tinha quinze anos. Nem sequer recordo a última imagem do meu pai em vida. Sei que devo ter-lhe pedido autorização para ir, pois ainda estávamos longe da época balnear, mas as imagens que desaguam neste preciso momento na minha memória não enganam ninguém: são nítidas de mais para não serem inventadas. Lembrei-me da história da praia da Nazaré que me tinha contado a minha mãe e nadei, vejam só que estupidez, até onde as minhas forças não me permitiriam regressar. Fiquei a boiar durante mais de uma hora. A costa era uma linha pouco mais que ténue que definia o horizonte, e comecei a repetir os monólogos da minha mãe. Na tua família, morrem todos com mais de oitenta anos. Coisa ruim não parte. Tu ainda tens um filho para criar. Quando abri os olhos, a corrente já me tinha arrastado de volta e, no meu quintal, uma flor branca e inverosímil rompia a casca morta de uma cerejeira.
João Pedro da Costa (in As Ruínas Circulares)

Publicado por José Mário Silva às 07:31 PM | Comentários (0)

UMA PERGUNTINHA INOCENTE

Alguém me sabe dizer quando é que o PS tenciona começar, digamos assim, a governar?

Publicado por José Mário Silva às 05:58 PM | Comentários (7)

BIEITO XVI?

Na Galiza há uma disputa linguística. Não seria novidade, se não se tratasse, desta vez, do nome do papa. Sim, como se chama Bento XVI em galego? Os espanhóis chamam-no «Benedicto». Assim lhe chamam também, em galego, os jornais galegos mais afectos ao centralismo. Mas outros meios, mais nacionalistas ou mais afectos ao português, pensam diferentemente.
O excelente portal Vieiros começou por utilizar ontem «Benedito», para estabilizar hoje em «Bieito». Ambos seriam aceitáveis. Explicam: «Do mesmo termo benedictus derivaron en romance dous nomes, un de evolución plena, 'bieito', e outro como recuperación cultista latinizada, 'benedito'. Así ao italiano benito opónselle benedetto, ao portugués bento opónselle benedito, e ao catalán benet opónselle benedicte... Así que cando Joseph Ratzinger aterre en Lavacolla saudará como Bieito XVI e como Benedito XVI.»
Noutro portal, o Portal Galego da Língua, o melhor no seu género na Galiza, ou o melhor da Galiza sem mais, o problema é também exposto, mas da perspectiva do «reintegracionismo» (o da convergência com o português), com a suplementar curiosidade de ver como as autoridades linguísticas autonómicas galegas vão descalçar esta bota. Um comentador da notícia, desconfiado, acha que existe pouca chance de se decidirem por «Bento», que seria considerado «lusismo» a mais. E escreve: «Mais outra mostra de como a nossa língua vai para o caneco». (Isto, «o caneco», é tradução minha, já que os galegos usam, com inocência, ou maior liberdade de espírito, o termo límpido).
Enfim, de entre quatro nomes – «Benedicto», «Benedito», «Bieito» e «Bento» – um será adoptado em breve na Galiza. E ainda nem falámos em «Benito». Nem em «Bendito». Não, em Portugal temos a coisa muito facilitada. Bendita terra!
(Fernando Venâncio)

Publicado por José Mário Silva às 05:20 PM | Comentários (11)

TUDO DE VOLTA AO NORMAL

Depois da agitação dos últimos tempos, eis-nos de volta à normalidade: temos um Papa ultraconservador; na Itália, o governo cai; mais um renovador comunista que morre de cancro aos sessenta anos. Nada que nunca se tivesse visto antes.

Publicado por Filipe Moura às 04:58 PM | Comentários (1)

O FADO DA RENOVAÇÃO COMUNISTA

aqui o tinha notado antes, e hoje infelizmente confirmou-se mais uma vez. Luís Sá, João Amaral, José Barros Moura, Lino de Carvalho, agora Edgar Correia. Triste sina persegue esta geração. Triste sorte a deles.

Publicado por Filipe Moura às 04:56 PM | Comentários (6)

ENTRE MÃE E FILHA, NO SUPERMERCADO

— Cala-te, Rebeca, que já me estás a dar cabo dos norónios.

Publicado por José Mário Silva às 04:38 PM | Comentários (3)

TRAGÉDIA PÓS-MODERNA

Um rapaz chinês abandona uma rapariga chinesa, dentro de uma cabina telefónica, no centro de Lisboa.

Publicado por José Mário Silva às 04:35 PM | Comentários (0)

A AMEIXA

ameixa.bmp

Phil Borges, Yama 8, Lhasa, Tibet

Publicado por José Mário Silva às 04:33 PM | Comentários (1)

UM FERIADO PARA IR PASSEAR

Eu sei que os ansiosos Acidentais foram os primeiros a começar a festejar, mas gostava de lembrar que faltam cinco dias.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:57 PM | Comentários (0)

DO DIREITO DE INTROMISSÃO

Muitos blogs papais (cristãos ou meramente direitolas) queixam-se que os não-crentes não têm direito a meter o bedelho na eleição do novo papa.
Não é certo. Nós também temos o direito de saber se vamos passar a ser chamados "legião" ou não.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:25 PM | Comentários (13)

VINDIMA

«Queridos irmãos e irmãs, depois do grande Papa João Paulo II, os cardeais elegeram-me, um simples e humilde trabalhador das vinhas do Senhor», disse Joseph Ratzinger, já com as vestes de Papa Bento XVI.
O problema, porém, não está na humildade deste novo herdeiro de S. Pedro, mas no que poderá ser a sua vindima.

Publicado por José Mário Silva às 01:14 PM | Comentários (1)

A ÚNICA PRIMEIRA PÁGINA QUE RESUME O QUE ESTÁ EM CAUSA COM A ELEIÇÃO DE RATZINGER

É a d'«A Capital» [sem imagem disponível]:

Manchete- A hora do Opus Dei

Lied- «O Opus Dei, com menos de um século de existência, já bateu os jesuítas no ensino e todas as outras ordens religiosas na economia, na banca, no dinheiro, quais novos templários. O último Papa considerou-os e beatificou o seu fundador, Monsenhor Escrivá - das beatificações mais rápidas, surpreendentes e polémicas da história da Igreja Católica. Hoje, com Ratzinger elevado a Papa, o relógio do Vaticano acertou a hora pelo relógio do Opus Dei. Com Bento XVI, a "Obra de Deus" chega assim ao poder mais desejado.»

Publicado por José Mário Silva às 01:10 PM | Comentários (1)

CLASSIFICADOS BDE

PRECISA-SE LÍDER

Pequeno mas dinâmico partido político, com grande juventude mas longo historial, precisa de (m/f) para assumir funções de liderança.

Oferece-se:

- Militantes dóceis e obedientes
- Acesso privilegiado aos órgãos de comunicação social
- Um local de trabalho espaçoso e com boas vistas
- Retrato na parede

Exige-se:
- Manutenção de um número mínimo de deputados na A.R.
- Assanhamento contra o socialismo e comunismo
- Defender genericamente a Pátria, Deus e a família

Envie C.V. com carta de apresentação, com a referência "Novo Líder" no sobrescrito, para:
Largo do Caldas, 5
1100 Lisboa

Publicado por Jorge Palinhos às 12:02 PM | Comentários (8)

RESPOSTAS

O João Miranda não vai pôr os pés na Casa da Música.

O Paulo Pinto Mascarenhas não quer que se goze com a Igreja. Vou já fazer-lhe a vontade.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:54 AM | Comentários (3)

NEM TUDO SÃO MÁS NOTÍCIAS

Um dos torcionários da ditadura militar argentina, Adolfo Scilingo, capitão de corveta que lançou ao mar 30 opositores do regime durante os célebres "voos da morte", foi condenado a 640 anos de prisão.

Publicado por José Mário Silva às 09:18 AM | Comentários (7)

abril 19, 2005

CHOQUE & PAVOR

Os católicos inteligentes, para quem esta eleição papal era decisiva, precisam mesmo de reflectir sobre o que se passou hoje no Vaticano. Reflectir, pensar, cismar (palavra ambígua).

Publicado por José Mário Silva às 06:37 PM | Comentários (9)

O QUE PODEMOS ESPERAR DE BENTO XVI

«O novo Papa deve lutar contra a ditadura dos tempos modernos», disse o Cardeal Joseph Ratzinger, na homilia da missa celebrada imediatamente antes de se iniciar o conclave. Em vez de aggiornamento, o combate à perigosa modernidade que corrompe o mundo. Não conheço melhor receita para o desastre final do catolicismo.

Publicado por José Mário Silva às 06:19 PM | Comentários (17)

DA INSTABILIDADE DAS CORES

Afinal, o fumo branco pode ser bastante negro.

Publicado por José Mário Silva às 06:06 PM | Comentários (3)

DEPOIS DO BALDE DE ÁGUA FRIA

Nem sei o que dizer aos meus amigos católicos, agora compreensivelmente desiludidos. De todos os cenários maus, os 115 cardeais escolheram o pior. E lá fica a Igreja refém da ortodoxia mais retrógrada.
Não sei mesmo o que dizer aos meus amigos católicos.

Publicado por José Mário Silva às 06:03 PM | Comentários (7)

I'M YOUR WORSE NIGHTMARE


Cardeal Ratzinger é o novo Papa Bento XVI

P.S. - Antes de ser o sucessor de João Paulo II, Ratzinger foi o sucessor de Torquemada, à frente da Congregação para a Defesa da Fé (ex-Santa Inquisição), responsável pela excomunhão dos suspeitos de heresia.
É também conhecido por ter dito que a Igreja de Roma era superior a todas as outras Igrejas Cristãs e que a decadência da arte europeia começou com a ópera.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:57 PM | Comentários (12)

Ó ESPÍRITO SANTO, ÉS UM GRANDESSÍSSIMO REACCIONÁRIO, PÁ

As piores expectativas confirmaram-se: o novo Papa, Bento XVI, vai ser mesmo Joseph Ratzinger. Valha-nos Deus.

Publicado por José Mário Silva às 05:54 PM | Comentários (3)

FUMO BRANCO

Habemus Papam, dizem os ecrãs de TV. Agora falta saber qual será o seu rosto, o seu nome latino e a sua praxis.

Publicado por José Mário Silva às 04:59 PM | Comentários (1)

MAIS CASOS DE INTOLERÂNCIA LAICA

Igreja Católica timorense protesta contra decisão do Governo no sentido de a disciplina de Religião e Moral deixar de ser obrigatória.

(Estou curioso por ver o AAA e o João a defenderem esta atitude.)

Publicado por Jorge Palinhos às 03:57 PM | Comentários (1)

SERÁ DE MIM

Ou mais gente acha que há algo de eminentemente cómico num grupo de senhores de meia-idade de saias, que se fecham numa sala a fazer votações compulsivas até acertarem com a vontade de um tal sr. Espírito Santo, avisando depois o mundo dessa feliz coincidência através de sinais de fumo?

Publicado por Jorge Palinhos às 03:31 PM | Comentários (4)

À ESPERA QUE A CHAMINÉ FUME

Pode-se dizer que a eleição do novo papa é uma espécie de Noite dos Óscares com menos decotes?

Publicado por Jorge Palinhos às 03:28 PM | Comentários (1)

COISAS DITAS, COISAS VISTAS

Image hosted by Photobucket.com

Michel Foucault, choses dites, choses vues
Um espectáculo de Jean Jourdheuil e Mark Lammert
22 e 23 de Abril, às 21h30, no Grande Auditório da Culturgest

«Um dispositivo reunindo um actor, um pintor e aquilo a que se convencionou chamar encenador, eis o ponto de partida de um trabalho formal utilizando os seguintes materiais: uma voz, um corpo, uma máquina arquitectónica, uma cor. Ao que se juntou, rapidamente, uma voz musical, a da "glass-harmónica". O texto foi elaborado a partir dos ensaios, das entrevistas, das conferências reunidas em "Dits et Écrits" e de uma intervenção radiofónica não publicada. Michel Foucault não saberia transformar-se em cena num autor ou numa personagem de teatro. Era preciso des-teatralizar para melhor espacializar e "re-presentar", de forma necessariamente abrupta e fragmentária, os motivos do seu pensamento. "Que importa quem fala, disse alguém, que importa quem fala" disse um dia Michel Foucault, citando Beckett, numa conferência intitulada "O que é um autor?". Esta questão, assim enunciada, vale para este espectáculo. A nossa ambição ao agir assim: interromper, durante uma noite, a transformação em ícone de Michel Foucault.»
Jean Jourdheuil

Publicado por José Mário Silva às 02:01 PM | Comentários (0)

A EUROPA DOS 44

Como é que estamos de geografia europeia?

Os meus resultados foram: 82% de respostas certas (36 em 44) e um erro médio de 84 milhas.

Publicado por José Mário Silva às 01:53 PM | Comentários (12)

PALAVRAS QUE SE ENROLAM NA BOCA

Opróbrio.

Publicado por José Mário Silva às 01:51 PM | Comentários (3)

O GRANDE CIRCO DA FÍSICA - O ARROZ QUEIMADO

Pois então, como vos disse, no outro dia deixei o arroz pegar-se. Não vos contei tudo, porém. O arroz não estava muito pegado e era perfeitamente comestível, sem qualquer mau gosto. Servi-me de uma porção, tapei o tacho e guardei o resto no frigorífico, como costumo fazer.
No dia seguinte, ia a servir-me de mais arroz e qual não é a minha surpresa quando verifico que este não estava mais pegado! Saía perfeitamente. Os mais cépticos poderão dizer que é natural que se pegue mais em certas partes do tacho do que noutras, uma vez que um tacho nunca é homogéneo, nem um condutor térmico perfeito, pelo que a temperatura e a transmissão do calor poderão ser diferentes em diferentes partes. Tudo isso é verdade, mas asseguro-vos que não era esse o caso. O primeiro arroz que eu tirei estava todo pegado, e o restante também estaria. Só assim se explica o decalque perfeito entre a primeira porção de arroz e a parte pegada, visível na fotografia. No dia seguinte mesmo o arroz adjacente ao que tirara antes estava despegado, numa variação de comportamento perfeitamente descontínua e não explicável por defeitos do material. O que se passou fazia lembrar um passe de mágica. Que se terá passado? Terei eu ganho um "toque de Midas" para o arroz queimado, de um dia para o outro?
Estamos no Ano Mundial da Física e, assim, proponho aos leitores que pensem num problema de Física. Apesar das teorias (velhas de um século, mas infelizmente ainda misteriosas para a generalidade das pessoas) da Relatividade Geral e da Mecânica Quântica, apesar dos excitantes desenvolvimentos em Teoria Quântica dos Campos e Computação Quântica, já o Feynman dizia que não há nada como um bom problema de Física Clássica. Se este vos tiver interessado, deixem as vossas ideias nos comentários.

Publicado por Filipe Moura às 01:22 PM | Comentários (11)

SE DEPENDESSE DE SI, QUE PAPA ESCOLHERIA?

A)

Papa Inocêncio X, por Diego Velázquez

B)

Papa Inocêncio X (Estudo a partir do retrato de Velázquez), por Francis Bacon

C) Não sabe/Não responde

D) Espumando de raiva contra o declarado e reincidente anti-clericalismo de quem escreveu o post, o leitor (especialmente se for um católico hipersensível e religiosamente correcto) precipita-se sem delongas para a caixa de comentários, antes ainda de reflectir sobre o que viu, já com os insultos da praxe na ponta da língua e prontos a disparar.

Publicado por José Mário Silva às 10:35 AM | Comentários (9)

O SOM DAS DANÇAS

São um dos mais interessantes projectos da música portuguesa contemporânea. Juntam quatro concertinas. Chamam-se Danças Ocultas. E agora têm um blogue.

Publicado por José Mário Silva às 10:27 AM | Comentários (1)

AINDA WOJTYLA

Excelente, enorme, de tom ensaístico e muito bem fundamentado - eis o post papal do Bombyx mori (o que gostaria de ter escrito na altura, tivesse eu unhas para semelhante guitarra).

Publicado por José Mário Silva às 09:31 AM | Comentários (10)

O POEMA NUMÉRICO

14, 16, 42;
90, 27, 34.
18, 32, 94:
70, 123, 6, 2.

249, 5,
61, 40, 17.
80. 35, 37:
640, 85.

60, 900, 16,
49. 12, 25:
94000, 46,

618, 39.
200, 107, 35.
90, 7000, 79.

José Carlos Barros, [Soneto à maneira antiga], in Presa do Padre Pedro

Publicado por José Mário Silva às 12:40 AM | Comentários (3)

SAUDADES DO BLOGUE AMARELO

Estão a ver o conclave? Aqueles 115 homens fechados numa Capela pintada por um artista "roto", todos papáveis e a comunicarem com o mundo exterior através de uma chaminé fininha que deita fumo? O que diria de tudo isto o lendário Pipi?

Publicado por José Mário Silva às 12:32 AM | Comentários (1)

ONDE É QUE ESTÁ O WALLY? (VERSÃO POLICARPO)

Publicado por José Mário Silva às 12:30 AM | Comentários (1)

abril 18, 2005

A FÍSICA ILUMINA O MUNDO

In the evening of April 18, 2005 lights are switched off in Princeton, NJ, to commemorate the 50th anniversary of Einstein’s death. A light emerges, forming the seed for a grand optical relay. The flash of darkness and light wanders across the country, transgresses boundaries, spans a continent, leaps across the seas, spreads over hemispheres and eventually embraces the whole globe, uniting all nations by the enlightening power of physics.

Mais informações aqui.

Publicado por Filipe Moura às 08:54 PM | Comentários (1)

SIMPLICIDADE

De entre as muitas frases de Einstein que são citadas, a minha favorita é esta: «As coisas devem ser sempre explicadas do modo mais simples possível, mas não mais simples do que isso.»

Publicado por Filipe Moura às 08:53 PM | Comentários (0)

CINQUENTA ANOS TERRESTRES NO REFERENCIAL DA TERRA


Einstein à porta da sua casa em Princeton

Albert Einstein sonhou até ao último dia em construir uma teoria de campo unificado, em reunir numa mesma fórmula todas as interacções da natureza. Sonhou e trabalhou até ao fim; um dos seus últimos desejos, já no seu leito de morte, foi pedir à sua colaboradora mais próxima papéis e lápis para acabar uns cálculos.
Embora muito se tenha avançado nesse sentido desde então, o sonho de Einstein ainda está por concretizar. E Einstein já não está entre nós. Morreu passam hoje cinquenta anos.

Biografia e lista muito completa de informações extra aqui. Einstein foi considerado o homem do século XX pela revista Time; veja porquê aqui.

Publicado por Filipe Moura às 08:48 PM | Comentários (0)

NOTE-SE COMO A TIMIDEZ DO VERDE-DESMAIADO SERVE PARA DESTACAR A PUJANÇA VERMELHA À SUA ESQUERDA

d'O Acidental

Publicado por Jorge Palinhos às 05:54 PM | Comentários (5)

CARTAS DE RECOMENDAÇÃO PÓS-GOVERNAMENTAIS

Os exemplos foram publicados ontem no DN: nunca um governo tão mau deixou no Diário da República tão desvairados louvores a si mesmo.

Publicado por José Mário Silva às 12:59 PM | Comentários (1)

A TV QUE NOS FEZ (v. 1.5)

(Versão deste post actualizada com comentários dos leitores e meus. Exclui eventos repetidos ou que não me pareceram muito aplicáveis.)

Era interessante partir daqui para fazer um Top Ten dos momentos mais traumatizantes da TV em Portugal.

Momentos marcantes da televisão portuguesa:

- Lili Caneças a tentar explicar a uma menina de uma barraca a importância de uma tigresse ser do Jean-Paul Gautier.

- José Rodrigues dos Santos a forçar um ataque de riso após uma equipa da RTP ter escapado por pouco a um acidente fatal de balão.

- Vasco Pulido Valente no Parlamento.

- Francisco Assis a levar uma sucessão de tabefes e calduços em Felgueiras.

- Júlio Isidro de joelhos a explicar aos telespectadores as maravilhas do aeromodelismo (repetida ad nauseam).

- Marcelo Rebelo de Sousa a dar um beijinho ao neto em directo para o Jornal Nacional.

- Toda a trupe da Noite da Má Língua, mais o Herman José, a encenar uma micção colectiva contra o cenário do programa.

- Miguel Sousa Tavares quase a chegar a vias de facto com a Manuela Moura Guedes.

- Os candidatos do CDS/PP a dançarem “É o bicho”.

- As poses do professor Júlio Machado Vaz no seu programa televisivo.

- Um senhor de meia-idade à beira de um achaque enquanto lhe põem um camaleão na careca e ele berra: “Ponha ponha ponha ponha ponha…”
(Corrigido)

- Uma brasileira, com a dúbia distinção de ter aparecido nua da cintura para baixo junto do então presidente do Brasil, a fazer strip-tease em horário nobre para a SIC depois de ter sido entrevistada pelo Victor Moura Pinto.

- O Artur Albarran de camuflado no Kuwait.

- O Artur Albarran de camuflado na Bósnia.

- Uma equipa da RTP sob fogo na Bósnia, após o Artur Albarran ter fugido para Portugal quando viu que a coisa estava séria.

- Santana Lopes na Cadeira do Poder.


Marujo:

- A repórter da SIC pergunta a vários habitantes da aldeia de que se queixavam eles. As pessoas referem-se à falta de estrada em condições. Um deles, porém, pára para pensar e depois diz: "queixo-me aqui de um ombro..."
- O repórter da SIC Nuno Luz a entrevista em francÊs o guarda-redes do Benfica, Preud`homme.
- O inefável Nuno Luz num "vivo" final da sua reportagem, dizendo que o que faltava à equipa era pontaria para acertar na baliza, vira-se e remata, ele próprio, à baliza... e falha.

Pedro Oliveira:

- O major Durant Clemente a arengar ao povo, na RTP 1, durante o 25 de Novembro de 1975.

(Eu só me lembro de o mandarem calar.)

- O maduro Marcello Caetano e as suas intermináveis «Conversas em Família».

- Os "8% - ummm annn é só fazer as contas" de Guterres.

João Norte:

- Paulo Portas a meter o dedo no nariz perante a televisão.

XM

- O Nuno Rogeiro a meter os dedos na boca enquanto comenta.


Pedro Vieira

- Fernado Nogueira a ser enxovalhado e vaiado quando fazia campanha na Feira da Ladra

- Um maduro de fato-de-macaco laranja a cair ravina abaixo na zona do Porto, ao mesmo tempo que gritava "PS!" "PS!"

- Um repórter da RTP a ser ameaçado no estádio das Antas depois de um FC Porto 0 - Famalicão 1, ao mesmo tempo que testemunhava "já estou a ser cuspido"

- A primeira aparição do professor Alexandrino, a tentar o número do "firme e hirto como uma barra de ferro"

- Júlio Isidro a partir uma clavícula, depois de levar uma valente palmada de cumprimento do professor Carvalho Rodrigues

- Luis Filipe Menezes a chorar depois de acusar os "sulistas, elitistas e liberais" no congresso do PSD

- Uma repórter de TV a avançar para o terreno logo após um bombardeamento na guerra civil de Angola, que acaba por encontrar um homem semi-enterrado em escombros e que lhe pergunta "como é que se sente?"

- O repórter da SIC Reinaldo Serrano a ser engolido por uma multidão à porta da sede do CDS enquanto tentava um directo numa noite eleitoral

- Tarzan Taborda a derrotar o cantor Axel num ringue de luta livre

- Paulo Futre a questionar Manuela Moura Guedes sobre o seu salário nestes termos "E tu, Manela, quanto é que tu ganhas?"

- Mário Crespo a andar às arrecuas num montinho de terra e a cair para trás enquanto grita "F***-se!"

(Ao contrário da televisão portuguesa, isto é um blog para toda a família.)

- Manuel João e Ferro dos Ena Pá 2000 a serem entrevistados por Carlos Ribeiro no Made in Portugal, entrevista durante a qual Ferro passou o tempo a ler um álbum do Michel Vaillant sem ligar patavina ao entrevistador

- Nuno Luz à procura de VIP's à porta do Estádio de Alvalade, a identificar Badaró que, ao aproximar-se, acaba por confessar ser um anónimo parecido com o verdadeiro Badaró, enquanto manda cumprimentos ao pessoal do Bombarral

- Cicciolina a mostrar a mamoca em S. Bento

Paulo Almeida

- Os prognósticos só no fim do jogo, do João Pinto.

(E porque não o: "o meu coração só tem uma cor: azul e branco" ou o "o FCP estava à beira do abismo e tomou a decisão certa: deu um passo em frente"?)

tb:
- Mário Soares a levar uma cuspidela duma peixeira na Figueira da Foz.
- O Fernando Tordo, depois de ganhar o festival da canção com a "Tourada", a responder a um gajo de microfone na mão que lhe perguntou:"Neste momento,o que é que lhe ocorre?" Resposta:"Ocorre-me uma grande vontade correr."
- O professor Herrero a passar um fio entre a boca e uma narina
- Um maluco a dizer e a querer provar que era o príncipe da Fuzeta, todo tão sério que o Herman rebentou à gargalhada, por várias vezes, no meio da entrevista.


João Pedro:

- Os transes e pragas de Linda Reis nos programas do Herman

(O HermanSic deve ser o mais traumatizante programa televisivo português.)

- A reconstituição feita por Mário Crespo da prisão de Pedro Caldeira

- A gaffe de Valentim Loureiro ao gritar "Guterres", corrigindo para "Gondomar".

- O mesmo Valentim, à porta do Coliseu, aos gritos de "É nosso, é nosso".

- Torres Couto a apanhar com uma moeda na cabeça

- Ferreira Torres quase à pancada com um delegado da JP,no congresso do CDS.

- Um jogo do Porto em Campomaior, em que acabou tudo ao estalo

- A nível internacional, Jirinosvsky a atirar um copo de água ao seu oponente num debate.

Sacha:
- João César Monteiro a berrar "- Eu quero que o público português se foda!"

Publicado por Jorge Palinhos às 12:19 PM | Comentários (10)

MAC MEETS PC

Homem vs Mulher?
Esquerda vs Direita?
América vs França?
Pró-vida vs Pró-escolha?
Pepsi vs Coca-Cola?

Qual quê! A verdadeira guerra sem quartel, o grande conflito do século XX, a III Guerra Mundial, é a luta Mac vs PC. Leiam isto, isto e isto se duvidam.
Desde já professo aqui a minha lealdade PC. Só um PC nos dá a liberdade, o caos, a incerteza, a frustração, os funcionamentos bizantinos, as preciosidades escondidas, o bigger-than-life latino que tanto adoro.
Em comparação, os Mac são os Estados Helvéticos da informática - tão limpinhos, tão asseados, tão eficientes, tão ordeiros, tão planeados, que é impossível desconfiar que não haja para ali fascismo encapotado.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:26 AM | Comentários (5)

COLETE REFLECTOR

Só eu é que reparei? tratar-se-á de um fenómeno exclusivamente nortenho? Não sei, mas ou muito me engano ou a interpretação genérica que se anda por aí a fazer do novo código da estrada é qualquer coisa do género "agora é preciso ter um colete amarelo para não ser multado".
É com grande orgulho que os condutores exibem o seu colete reflector de acordo com as normas tal e tal que niguém sabe quais são, colocando-o muito bem dobradinho sobre a chapeleira ou envergando-o nas costas do assento do banco do condutor.
Não estacionar em rotundas? Não ultrapassar pela direita? Não estacionar nas passadeiras? Excesso de velocidade? O que há-de uma pessoa fazer se tem que ir ao café e fica mesmo na rotunda, onde está uma passadeira? O que há-de uma pessoa fazer se o carro da faixa da esquerda vai mais devagar, mesmo que já exceda a velocidade? O que há de uma pessoa fazer se a estrada levou uma camada de asfalto nova e já dá para andar a 100 no meio das casas?
A resposta é fácil: comprar um colete reflector.
Dito isto, uma pergunta: alguém me informa quanto tempo dura o luto nacional em vigor? Há dias que só vejo bandeiras a meia haste, já nem sei pela morte de quem. Pelo Papa ouvi falar em três dias (exagero, mas que já decorreram)...
(Joana Espírito Santo)

Publicado por José Mário Silva às 11:22 AM | Comentários (0)

TÁXI ABANDONADO

Está para ali há quase dois meses. Depois de amanhã, dois meses exactos que o condutor se foi embora deixando a chave na ignição. Desde então que o calhambeque está para ali, à chuva e ao vento, com os pneus vazios, a bateria descarregada, o motor encharcado, a tinta a desbotar e a ganhar ferrugem, a erva e o musgo a treparem pelas jantes acima, com um triste cartaz a cair onde se diz "Aluga-se".
Desgraçado de um táxi quando todos preferem conduzir o seu próprio popó.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:49 AM | Comentários (1)

O BLOG MIGRANTE

Depois do saudoso Gato Fedorento, a Blasfémia é o segundo blog que conheço a fazer a migração da internet para um jornal.
Parabéns a toda a equipa e esperemos que o João Miranda não faça disparar a taxa de mortalidade dos assinantes d' O Comércio, insistindo na liberalização das pensões.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:42 AM | Comentários (2)

abril 17, 2005

DA DESILUSÃO

«Abri os meus olhos quando já não havia mais nada para ver. É sempre isso que acontece.»

Baltasar Gracián, in «Espelho de Bolso para Heróis» (Temas da Actualidade)

Publicado por José Mário Silva às 10:50 PM | Comentários (1)

ARROZ QUEIMADO

arroz.jpg

Noutro dia fiz arroz para o jantar. Então não é que o arroz se pegou ao tacho?

Publicado por Filipe Moura às 06:33 PM | Comentários (9)

DÁ-ME LUME

No meio do salão, fumava um cigarro enquanto observava a multidão a dançar.
-Arranjas-me um cigarro?
Olhou para mim e condescendeu. Nenhum de nós tinha lume. Poderíamos usar o seu cigarro ainda aceso.
Com o mesmo ar incrivelmente condescendente, sugeriu-me que primeiro pusesse o cigarro na boca.
-Puxa, puxa,... isso.
Eu "puxei". O lume "pegou". Agradeci-lhe.
Algumas horas e muitos copos mais tarde, reencontramo-nos.
-Muito obrigado pelo cigarro que me arranjaste. Não me vou esquecer disso. Se alguma vez eu puder fazer alguma coisa por ti, é só pedires-me.
Mirou-me com o tal ar impiedosamente condescendente.
-Tens lume?
Obviamente eu não tinha. Foi à sua vida. Eu fui à minha.

Publicado por Filipe Moura às 06:21 PM | Comentários (12)

abril 16, 2005

MEMÓRIAS DA ADOLESCÊNCIA (10)

Ainda não havia telemóveis. Nem blogues.

[Fim da série]

Publicado por José Mário Silva às 07:18 PM | Comentários (15)

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA (10)

Ainda não havia Nintendos. Nem Playstations.

Publicado por José Mário Silva às 07:13 PM | Comentários (1)

MIL E UMA PEQUENA HISTÓRIAS, LOGO À NOITE

O primeiro volume das «Mil e uma pequenas histórias» de Luís Ene (colectânea dos textos publicados no blogue Ene Coisas, desde Agosto de 2002), será apresentado pelo Pedro Mexia, hoje, às 21h30, na livraria Ler Devagar.
Este livro marca a estreia da Leiturascom.net (editora pauloquerido.com), que tem como objectivo «a promoção de talentos emergentes e o lançamento de novos autores» revelados na blogosfera.

Publicado por José Mário Silva às 04:50 PM | Comentários (3)

BECKETTIANA

Ao menos o Estragon e o Vladimir sabiam o nome daquele por quem esperavam. No CDS/PP, nem isso.

Publicado por José Mário Silva às 03:24 PM | Comentários (0)

abril 15, 2005

TRÁFICO

Um poeta estrangeiro de proveniência duvidosa foi preso no aeroporto, hoje de manhã. Segundo as autoridades, o suspeito transportava, muito bem escondidas dentro de livros, milhares de palavras.

Publicado por José Mário Silva às 08:02 PM | Comentários (8)

NATUREZA MORTA (DUAS ROMÃS REFLECTIDAS NUM ESPELHO)

romas.bmp

Flor Garduño, Granadas (1997)

Publicado por José Mário Silva às 08:00 PM | Comentários (5)

MEMÓRIAS DA ADOLESCÊNCIA (9)

Aquela lua vermelha sobre o Báltico foi a metáfora (ou a metonímia?) de não sei bem o quê.

Publicado por José Mário Silva às 07:49 PM | Comentários (1)

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA (9)

Não parava de enumerar as coisas à minha volta — matrículas de automóvel, alforrecas na praia, estrelas no céu — como se dessa forma o mundo pudesse fazer algum sentido.
É tão fácil ser inocente quando se tem nove anos.

Publicado por José Mário Silva às 07:39 PM | Comentários (4)

UM-DÓ-LI-TÁ, CARA DE AMENDOÁ

conclave.bmp

Cartoon de Daryl Cagle (Slate.com)

Publicado por José Mário Silva às 06:10 PM | Comentários (5)

PARA OS LADOS DA BOAVISTA (INTRODUÇÃO - DESCULPAS E JUSTIFICAÇÕES)

Pois, já devia ter falado disso, mas fui impedido por uma série de problemas, nomeadamente:

1) Prioridade em garantir a sobrevivência básica
2) Falta de condições de trabalho (convites, máquina fotográfica, computador),etc.
3) Preguiça e tendência procrastinadora
4) Outras desculpas avulso

Mas como a actualidade anda um tanto modorrenta e a ideia é boa, vamos ver o que se pode fazer.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:57 PM | Comentários (0)

MAIS IMPORTANTE QUE AS VÍTIMAS DO TSUNAMI

O The Sun, o jornal que mais se aproxima das preocupações do proletário inglês, lançou uma campanha de solidariedade para salvar os ganha-pães da sua mais famosa modelo de página 3.

Aviso: Link contém silicone em doses prejudiciais à saúde.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:44 PM | Comentários (4)

ISTO NÃO É UM BLOG

Já conhecíamos os blogs de conteúdo venenoso, mas agora também há blogs que fazem mal à saúde dos computadores.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:21 PM | Comentários (1)

EXCELENTE IDEIA

E um contributo:

- Lili Caneças a tentar explicar a uma menina de uma barraca a importância de uma tigresse ser do Jean-Paul Gautier.

- José Rodrigues dos Santos a forçar um ataque de riso após uma equipa da RTP ter escapado por pouco a um acidente fatal de balão.

- Vasco Pulido Valente no Parlamento.

- Francisco Assis a levar uma sucessão de tabefes e calduços em Felgueiras.

- Júlio Isidro de joelhos a explicar aos telespectadores as maravilhas do aeromodelismo (repetida ad nauseam).

- Marcelo Rebelo de Sousa a dar um beijinho ao neto em directo para o Jornal Nacional.

- Toda a trupe da Noite da Má Língua, mais o Herman José, a encenar uma micção colectiva contra o cenário do programa.

- Miguel Sousa Tavares quase a chegar a vias de facto com a Manuela Moura Guedes.

- Os candidatos do CDS/PP a dançarem “É o bicho”.

- As poses do professor Júlio Machado Vaz no seu programa televisivo.

- Um idoso à beira de um achaque enquanto lhe põem um camaleão na careca e ele berra: “Ponha ponha ponha ponha ponha…”

- Uma brasileira, com a dúbia distinção de ter aparecido nua da cintura para baixo junto do então presidente do Brasil, a fazer strip-tease em horário nobre para a SIC depois de ter sido entrevistada pelo Victor Moura Pinto.

- O Artur Albarran de camuflado no Kuwait.

- O Artur Albarran de camuflado na Bósnia.

- Uma equipa da RTP sob fogo na Bósnia, após o Artur Albarran ter fugido para Portugal quando viu que a coisa estava séria.

- Santana Lopes na Cadeira do Poder.

Alguém se lembra de mais?

Publicado por Jorge Palinhos às 02:39 PM | Comentários (13)

PALIMPSESTO

metro.jpg

José Mário Silva, Baixa/Chiado (2005)

Publicado por José Mário Silva às 10:07 AM | Comentários (5)

abril 14, 2005

SPORTING - 4; NEWCASTLE - 1

Agora que as pulsações já voltaram ao normal e a Alice recuperou do susto de ver o pai a saltar como um louco no meio da sala, quero deixar aqui (ainda a quente) algumas impressões sobre esta noite histórica, épica, genial, gloriosa, etc.:

- O Sporting mereceu ganhar a eliminatória. É claramente uma equipa superior à do Newcastle, tanto em termos individuais como colectivos. Perder diante da equipa inglesa teria sido um desperdício de talento e uma facada nas costas dos adeptos que acreditaram, sempre, na possibilidade de conquistarmos a Taça UEFA no nosso estádio.

- Esta noite, provou-se mais uma vez que João Moutinho é um jogador fenomenal. O resto da equipa também esteve muito bem (excepto a defesa, de uma instabilidade sempre à beira do desastre) e até Pinilla mostrou que pode ser mais do que um segundo Tello. Além disso, a famosa dependência de Liedson não se fez sentir.

- Quem falhou em toda a linha, apesar do resultado e da consagração, foi José Peseiro. Falhou em Inglaterra, ao não arriscar o suficiente na procura do empate. E falhou em Alvalade, ao apostar num sistema de jogo suicida. Com a obrigação de marcar dois golos, Peseiro apostou num ataque reforçado (Sá Pinto, Douala e Niculae) mas pôs a defesa a jogar em linha, contra um Newcastle que sabe contra-atacar e tem jogadores rapidíssimos (como Dyer) que só não fizeram três ou quatro golos por mero acaso.

- Apesar da estratégia no fio da navalha e dos desequilíbrios introduzidos na equipa, houve um aspecto positivo: Peseiro demonstrou que queria ganhar. E ganhou. Um pouco à maneira de Mourinho, quando foi vencer à Grécia depois de ter perdido em casa, na campanha portista que levou à conquista da Taça UEFA em Sevilha. A diferença é que Mourinho ganhou porque foi melhor, mais esperto e mais audaz, enquanto Peseiro colocou a cabeça no cepo e limitou-se a ter muita, mas mesmo muita sorte. No sucesso do FCP em 2003, o mérito foi quase todo do treinador. Na vitória do Sporting esta noite, o mérito foi exclusivamente dos atletas e da sua capacidade de se transcenderem.

- Noutras épocas, houve muitas noites em que os deuses do futebol estiveram contra nós (lembram-se daqueles remates ao poste no Santiago Barnabéu, há uns anos?), mas hoje esses mesmos deuses mexeram todos os cordelinhos a nosso favor. Além dos lances de perigo do Newcastle salvos in extremis, os ingleses tiveram lesões, quebras físicas e erros defensivos que foram aproveitados, com rara eficácia, pelo Sporting. A noite foi bela e emocionante e inesquecível, mas é bom termos consciência de que o resultado poderia ter sido precisamente o inverso: 1-4.

- Dito isto, é óbvio que daqui a uns anos só nos vamos lembrar dos cabeceamentos do Niculae e do Beto, da rapidez de reflexos do Sá Pinto e da obra-prima que é o golo do Rochembach (a forma como ele passou a bola por cima do defesa e a colocou, devagarinho, junto ao poste direito da baliza merecia um tratado escrito pelo Valdano ou pelo maradona).

- O tempo é de euforia. Mais do que justificada. Mais do que merecida. A final em Alvalade e a conquista da Taça continuam a estar, como sempre defendi, perfeitamente ao nosso alcance. Só que já agora convém não esquecermos os riscos e os calafrios porque passámos esta noite. Peseiro está sempre na corda bamba, entre a desmesura e o descalabro, mas um dia pode estatelar-se de vez cá em baixo. O que lhe vale (isto é, o que nos vale a nós, adeptos) é que não há equívoco táctico que impeça estes jogadores de fazerem do futebol uma experiência inebriante. E — lá está — épica, genial, gloriosa, etc...

- E agora venham os holandeses, para que o futuro treinador do FCP se vá habituando, desde já, ao sabor da derrota infligida por demónios vestidos de verde e branco.

Publicado por José Mário Silva às 11:46 PM | Comentários (21)

MUDANÇA DE MENTALIDADES

A ler: Francisco Sarsfield Cabral. No fundo, razões para votar "sim" à Constituição Europeia.

Publicado por Filipe Moura às 07:19 PM | Comentários (14)

O PRESIDENTE DO CONSENSO

Durante a sua visita a França, Jorge Sampaio foi questionado (e bem) sobre o aborto. Ao responder, limitou-se a reafirmar o que sempre defendeu. Pois tal bastou para ser logo criticado pela direita.
Durante a mesma visita, exprimiu (e bem, a meu ver) o seu apoio ao projecto de Constituição Europeia. Jacques Chirac faz exactamente o mesmo: ainda hoje o presidente francês vai participar num debate sobre o tema, para defender o "sim". Pois logo apareceu o velho arauto do nacionalismo bacoco (a razão pela qual ainda se presta atenção a este indivíduo é algo que me escapa) igualmente a queixar-se da tomada de posição do Presidente.
A pergunta que eu faço é: até quando prevalecerá, principalmente à direita, esta concepção monarquizante (ou à Américo Tomás) da função presidencial?

Publicado por Filipe Moura às 07:15 PM | Comentários (9)

VALUPI É NOME DE CIDADE

«(...) a alegria que se cola à nossa pele nos bairros desordenados de Valupi (a cidade utópica onde cada um só faz o que quer, quando quer e como quer, numa improvável harmonia que obedece às leis do caos e do acaso).»

Publicado por José Mário Silva às 01:53 PM | Comentários (3)

MEMÓRIAS DA ADOLESCÊNCIA (8)

Atrás do ginásio, os outros rapazes a fumar os primeiros cigarros proibidos. E eu? Eu na esquina, de vigia.

Publicado por José Mário Silva às 01:52 PM | Comentários (3)

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA (8)

Trocávamos as batas amarelas pelas castanhas, guardávamos bugalhos nos bolsos, arrastávamos os pés na caruma, crescíamos com o cheiro da resina.

Publicado por José Mário Silva às 01:50 PM | Comentários (2)

PARA OS LADOS DA BOAVISTA

Quatro anos e 60 milhões de euros mais tarde do que o previsto, é hoje inaugurada a Casa da Música do Porto, o famoso e moroso projecto de Rem Koolhaas. Em Lisboa, a redacção do BdE aguarda com expectativa a reportagem detalhada do nosso correspondente na Invicta.
Traduzindo: de que é que estás à espera, ó Palinhos?

Publicado por José Mário Silva às 01:48 PM | Comentários (0)

ÚLTIMO LANDAY

«Meu amor, para lá das montanhas, contempla a lua / E verás que te espero, de pé, sobre o telhado»

in «A Voz Secreta das Mulheres Afegãs — o Suicídio e o Canto» (compilação de Sayd Bahodine Majrouh, traduzida do francês por Ana Hatherly), Cavalo de Ferro

[Escrevi sobre o livro, hoje, aqui]

Publicado por José Mário Silva às 01:39 PM | Comentários (2)

É CASO PARA DIZER: DEUS NOS LIVRE!

Já há quem fale muito a sério na hipótese do próximo Papa ser o ominoso Cardeal Ratzinger.

Publicado por José Mário Silva às 10:52 AM | Comentários (6)

abril 13, 2005

DOIS CRAQUES LEONINOS

Como o prometido é devido, junto agora, ao texto do Fernando Venâncio, dois poemas de José do Carmo Francisco, o tal «autor dos mais impressionantes poemas desportivos que possuímos». Fui buscá-los ao último livro do autor («Pedro Barbosa, Jesus Correia, Vítor Damas e outros retratos», Padrões Culturais), uma obra que, como o título indica, é uma espécie de ode ao sportinguismo, onde cabe tudo: evocações de grandes futebolistas (Peyroteu, Manuel Fernandes, Cherbakov), as noites de glória e os domingos da infância, mas também momentos só ao alcance de um adepto que vai a todas — cf. os poemas «Fábio Paim em Barroca de Alva», «Hugo Viana em Mortágua», «A solidão de Miguel Garcia (24-10-1999)» ou «Equipa de Juniores - 1996/7 (na área de serviços da auto-estrada)». Há também lamentos («Balada do Caso Very Light») e elegias para Carlos Lopes e Joaquim Agostinho, além de uma série de textos dedicados aos "heróis invisíveis": Eugénia Martins (empregada do balcão onde se pagam as quotas do SCP), Lúcia Paula (funcionária da limpeza do museu do Sporting) ou Fátima Costa (responsável pela conservação do relvado, no Estádio de Alvalade).
Enfim, passemos ao retrato poético de dois jogadores do actual plantel, no estilo inconfundível de José do Carmo Francisco:


PEDRO BARBOSA (COM O NÚMERO 8)

Desenhas o teu jogo com um compasso
Com desprezo do esforço e do excesso
Onde não há, tu inventas novo espaço
Levando a bola até onde já não a meço

Tão veloz que não permanece na retina
E apenas surge no golo em conclusão
Afagas a bola numa ternura repentina
Como se de repente o pé tivesse mão

«Feito num oito» fica quem tu enganas
No drible mais inesperado e imprevisto
Em vez de dias tu permaneces semanas
Na memória de quem fez o seu registo

Tu não és o altivo artista mas o artesão
E se jogas sempre de cabeça levantada
É porque a distância da bola ao coração
É tão pequena como um grão de nada


CARLOS MARTINS

Pegas na bola como quem pegasse numa ideia
Desenhada aos poucos na superfície do relvado
Tu sabes: a equipa é como se fosse uma aldeia
E tu podes ajudar a dar vida e ritmo ao povoado

Levas com a bola os teus sonhos em rebanhos
És o pastor que os guarda dos animais ferozes
A tua idade é um campo aberto aos estranhos
E o teu tempo o da grande confusão das vozes

A equipa respira melhor pelos teus pulmões
Quando és livre de fazer truques tão vários
Dentro do campo esperam de ti as soluções
Atravessando todas as linhas dos adversários

Não há palavras para explicar o que procuro
Uma espécie de sinal vermelho para te avisar
Que os perigos nos caminhos do teu futuro
Só tu dentro de ti podes destruir e derrubar

Publicado por José Mário Silva às 01:57 PM | Comentários (5)

GOLOS E LENÇÓIS

Aqui vai, puxado para itálico desde o calabouço dos comentários a posts antigos, um texto do Fernando Venâncio sobre futebol, de 1996, incluído no volume de crónicas «Maquinações e Bons Sentimentos» (Campo das Letras):

UM DRIBLE NA CAMA

Guardo da meninice bastantes recordações, algumas boas, mas raramente lhes associo o dia da semana. Grande excepção: o domingo. Seis, sete anos tenho eu, e as manhãs dos domingos são sempre esplendorosas. O sol brilha, há os pachorrentos petroleiros do Tejo, há também ali (nem é preciso sorte) golfinhos aos saltos. E há as mãos do meu pai, que me penteiam com exactidão e demoras. É que vamos sair, ao Estádio Nacional, onde tenho certa uma Canadá Dry. Quando não há jogo (e quase sempre não há jogo), assiste-se aos treinos. Já de tarde, escutam-se os relatos País fora. E é aí que uma frase me vibra ainda, mais incisiva que os raios do sol, esses uma vez ou outra agora inventados. Vem ela na voz, mas não juro, de Artur Agostinho, e diz só isto: «Sai um cruzamento para a grande área.» Ainda hoje não tenho a certeza de a que gestos, ou feitos, a formulação corresponde. Mas ela está-me, para sempre, na tarde dum domingo de infância.
Nunca o futebol me conquistou. Por vezes, tendo-me prometido os «últimos vinte minutos» dum Portugal-Qualquer Coisa, acabo por ver toda a segunda parte, e em dias de doidice vejo tudo. No fim, não há noção de tempo perdido (bastantes vezes foi certo perdê-lo), e fica-me até um nadita de emoção, no que vislumbro aquilo a que chamam os meus semelhantes «a paixão do futebol». Isto traz vantagens de convivência social. Passaram-me os assomos de sobranceria por colegas ou amigos que apareciam, por motivos lá deles, a mudar encontros à quarta à noite. Hoje sei que até um intelectual amante de futebol é digno de consideração. Mesmo que à tangente. Porque é a literatura, não é o futebol, o mais complexo e sublime dos jogos. Repito: «o mais complexo e sublime dos jogos». Faço fé a Américo Guerreiro de Sousa, em recente entrevista ao Suplemento Açoriano de Cultura, no
Correio dos Açores.
Dá gosto saber um romancista com paixões extra-literárias. Américo conheceu várias, desde uma (prestigiante) pelo xadrez a outras (inauditas) pela arquitectura de processadores e pelo código de honra dos duelistas. A paixão do futebol, essa, já não é de ontem, e isso tornou-a suportável: «Fico um pouco triste quando Portugal perde, mas isso passa logo com a leitura de um bom poema.» A modalidade é-lhe agora objecto de reflexões, preocupando-o o destino dos «craques» desempregados. «Não serão os jogadores», pergunta, «escravos de uma prática muito curta e aleatória que nada mais lhes dá senão algum dinheiro (em casos raros, muito dinheiro mesmo, mas o dinheiro gasta-se depressa), homens que dedicam a sua juventude ao gáudio passageiro da sociedade, sem retribuição duradoira e digna?» Um dia, e mais cedo do que todos sonham, hão-de achar-se entregues a si mesmos, e custa a crer que isso os apanhe preparados, e com alguma «formação cultural». Mas as preocupações de Guerreiro de Sousa deitam mais longe. O futebol é actualmente «o único escape para as frustrações de uma sociedade estupidamente competitiva, onde os homens, à falta de melhor, procuram num simples desafio aquilo que não encontram no emprego, na família e na sua cabeça vazia.» Os homens? Exacto, eles. Porque do vazio feminino outra coisa se encarrega. Em termos simples: «O futebol para os homens, as telenovelas para as mulheres.»
Que as mulheres dispensam a bola, sabemo-lo de ciência certa desde uma crónica da portuguesíssima Isabel Stilwell, num
Diário de Notícias de Junho último, estava o Europeu no auge. Dispensam a bola, e não menos os futebolistas. Explica Isabel: «Aquilo que o sexo feminino gosta neles» não é exactamente o que eles «ouviram dizer a outros homens no balneário». A um físico encharcado em suor, a um cabelo desalinhado, a uns pêlos no peito, tudo isso que os homens calculavam «sexy», preferem elas a face escanhoada, o fato e gravata à James Bond. Só por momentos, e momentos de paixão pelo maluquinho, elas se disporiam a seguir um jogo, e isso através das «expressões» que vai dando na cara dele. Não, parvas não são, e a coisa mete até lados imprevistos, com a jornalista, «sem querer levantar falsos testemunhos», a interrogar: «Acham sinceramente que mesmo as mais ingénuas não desconfiam de sujeitos que se abraçam tão efusivamente e não perdem uma oportunidade de tropeçar uns nos outros?»

Um dia, até o ponderado JL dedicou um dossier ao Futebol. Foi isso há dez anos, ia-se jogar ao México. José Cardoso Pires chamava, aí, à Bola «um dos raros jornais de qualidade». Mário Zambujal descobria valores culturais na actividade («E a medicina? Alguém falava em menisco se não fosse o futebol?»). Augusto Abelaira inventaria o jogo se não existisse, mais a televisão para segui-lo em casa. Para Clara Pinto Correia há nos estádios «muitos irmãos, muitos inimigos, muito calor». Mas logo vem o lado sombrio: «Quando o Benfica perde, saímos no meio da multidão a pensar que agora estes vão todos para casa bater nas mulheres e nos filhos.» Preocupações que não ocorrem a Mário de Carvalho. Que logo nos sossega: não será de um «indiferente pela bola», como ele, que hão-de vir desdenhos e agressões. «Conformo-me. O pagode gosta de bola, quer bola? Pois dêem-lhe bola!»
Já muitos anos antes, e numa revista mais circunspecta ainda, um poeta dedicava à modalidade um longo ensaio. Era «A Magia do Futebol», era António Osório, era a
Seara Nova de Outubro de 1964. O texto ainda hoje tem validade, se procedermos à actualização dos proventos (Coluna ganhava 16.500$00 por mês, Eusébio 15.805$60, admire-se este rigor na informação). Quanto ao resto, a «bisbilhotice pacóvia» sobre a intimidade das vedetas mantém-se, com igual tratamento discreto, que «não vai com o escandaloso». Exacto, «os Ases não têm vícios menores: não fumam, não bebem. A própria vida sexual, é sabido, está-lhes bastante coarctada». Na prática, «o lar dos jogadores representa uma forma de vida conventual, onde as vocações se refinam e preservam». Depois, a «parte coral» dos encontros (Baptista-Bastos há-de, noutro JL, chamar ao futebol «uma arte sónica») prova, também ela, actualidade. António Osório fala dos sons do estádio, repleto «do uivo multitudinário pelo golo, dos assobios e aplausos febris, das toadas incitantes das claques, todo um libertar de pulsões desenfreadas, um ódio absurdo ao que não é da mesma pinta». E surge, eterna, a síndroma da manhã seguinte: «Dentro dos eléctricos, dos autocarros, pelas ruas, por toda a parte se ingere a pílula dos jornais desportivos, que surgem diariamente para manter o fogo sagrado, curtidos com as notícias cintilantes da bola, onde tudo é grandioso, excitante, pleno de acção.»
Um poeta a libertar-se de um tema? Um outro haverá de insistir nele. José do Carmo Francisco é autor dos mais impressionantes poemas desportivos que possuímos (não há muitos mais, mas não é culpa dele). Em
Universário (Moraes, 1983), damos com as senhoras «à volta do estádio», atidas «a fazer tricot mas contrariadas», enquanto, lá dentro, «mesmo quando chove aqui nunca chove / é só na relva que a chuva cai». Terminada a partida, não é ainda o fim. Porque «há um drible que nunca esquecemos / e sonhamos tudo às voltas na cama». Um drible às voltas na cama? António Mega Ferreira escreveu uma vez, no Expresso: «Qualquer mulher sensível pressente que um homem que gosta de futebol é um amante incerto.» Nisso estamos, agora, todos de acordo.

Publicado por José Mário Silva às 01:29 PM | Comentários (3)

MEMÓRIAS DA ADOLESCÊNCIA (7)

O meu nome ali, numa página de jornal, sob os versos de que hoje me envergonho.

Publicado por José Mário Silva às 01:23 PM | Comentários (0)

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA (7)

Ao fim do longo corredor (nove meses e uma ala do hospital), o meu irmão.

Publicado por José Mário Silva às 01:21 PM | Comentários (0)

UM LANDAY POR DIA

«Se a hora não chegou, a morte não virá.
Mesmo que o mundo arda, amor, não tenhas medo»

in «A Voz Secreta das Mulheres Afegãs — o Suicídio e o Canto» (compilação de Sayd Bahodine Majrouh, traduzida do francês por Ana Hatherly), Cavalo de Ferro

Publicado por José Mário Silva às 01:17 PM | Comentários (0)

BILLIE COM FUMO ATRÁS E UM ANJO

billie.bmp

Herman Leonard, Billie Holiday, NYC (1949)

Publicado por José Mário Silva às 01:13 PM | Comentários (0)

VAI SER ENGRAÇADO

... o "É a Cultura, Estúpido!" de logo à tarde. Helena Matos e Daniel Oliveira. Vai ser muito engraçado. Bloguistas em Portugal, daqui vos apelo: vão, relatem, gravem, filmem.

Publicado por Filipe Moura às 12:35 PM | Comentários (1)

BLOG.COM.PT

Está a nascer um novo directório de blogues portugueses.

Publicado por José Mário Silva às 09:52 AM | Comentários (4)

abril 12, 2005

LES BEAUX ESPRITS...

«Marques de Pombal» - subtítulo da crónica assinada pela Joana Amaral Dias, hoje, no DN.

Publicado por José Mário Silva às 11:55 PM | Comentários (1)

A LIBERDADE É UMA COISA LINDA

"CML sem planos para o 25 de Abril", noticia o DN na edição desta terça-feira, dia de Feira da Ladra. Após o número 30, redondo e gordo como um ovo, com evolução no lugar do R, vem o deserto de actividades, já para não falar de ideias, que essas estão mais canalizadas para karts e gelo, actividades com muita matriz histórica, sobretudo alfacinha. Se me questionarem acerca da ausência de plano até acho bom e bem, já que plano no 25 de Abril me cheira a golpe e não me apetecia nada acordar nesse dia com uma chaimite à porta e uma gigantesca efígie do Pedro Lopes a tirar-me a luz ao terraço. No fundo a gestão que guia as mulas da Cidade em registo para-a-frente-é-que-écaminho acaba por dar ponto e nó - poupa uns tostões em quadra de guerra ao défice, mesmo reformulado, e toma a Liberdade de não comemorar NADA, prerrogativa aliás que se costuma associar ao 25 do 4. Para que foi a Evolução se depois não temos a liberdade de não a assinalar? De tanto se falar nela ainda se estraga, melhor será andarmos por aí a usufruí-la, adoptando o registo sábio do errático Pedro Lopes. Não sei por onde vou mas não vou por aí, lá garatujou o poeta, que Lisboa é terra de muitos e bons. E de homens livres é do que mais precisamos, homens que não se agarrem à mesquinhez das efemérides, essa comichão nostálgica dos anos passados. A divergir está apenas a vereadora que comanda a juventude, ela própria uma jovem promissora que já é uma certeza, passe-se a contradição para a beira do prato. Organiza debates, dizem eles. Mulher livre e de impulsos soltos, também ela já tem assumido de peito aberto liberdades várias como a de sanear, verbo muito em voga nos tempos de Abril. Ela não só não o esqueceu como o praticou com as letras todas. E trouxe gente nova para o éden municipal, gente fiel e de boa cepa, a quem evitou as agruras do desemprego. Más línguas falam em factor C. Discordo e é como digo, de gente livre é que a gente precisa. Não de comemorações e fanfarras. (Pedro Vieira)

Publicado por José Mário Silva às 11:50 PM | Comentários (2)

UM ANO, PORRA!

Que os fundadores do Afixe, o Monty e o Gibel, são colegas de curso, há muito se tinha percebido. Começaram ambos como comentadores do BdE, e (principalmente o primeiro) nessa qualidade fizeram história.
Quando começaram o blogue, subsistia em mim a dúvida: como se teriam conhecido na blogosfera?
Teriam combinado tudo à partida, e um já sabia quem era o outro enquanto comentavam?
Ou pelo contrário: teriam chegado à blogosfera e começado a comentar independentemente, tendo então lido os comentários um do outro e identificado-se: "és tu, meu grande sacana?" Teriam feito o blogue a partir daí?
Hipótese mais engraçada: teriam decidido formar o blogue antes de se conhecerem, só por gostarem do que o outro comentava, e só depois teriam chegado à conclusão de que já se conheciam: "és tu, meu grande sacana?"
Uma análise cuidadosa dos arquivos do BdE revelou-me que a hipótese correcta (a mais verosímil...) é a do meio. Os velhos amigos Monty e Gibel reencontraram-se ao comentarem independentemente no BdE. Isso está documentado nos comentários a um texto, em que o Monty e o Gibel ainda assinavam com outras identidades. Esse texto marca o início do que viria a ser o Afixe. O blogue, esse, começou faz hoje um ano. Os seus dois fundadores decidiram "dar um tempo", e eu compreendo-os pois os blogues só têm graça quando não são uma obrigação. Espero, eu e todos nós, que a vontade de blogar lhes volte depressa. O Afixe entretanto continua, claro, pois durante este ano cresceu e muito.
Se o Afixe não existisse, teria de ser inventado. Se a expressão "porra" não existisse, teria sido inventada pelo Afixe. Parabéns, porra!

Publicado por Filipe Moura às 11:42 PM | Comentários (3)

A MTV DO FUTURO

Depois de ter baptizado as auto-estradas da informação e de ter perdido ingloriamente a Casa Branca para George W. Bush, Al Gore volta à ribalta. No próximo dia 1 de Agosto, começam as emissões da sua nova menina dos olhos: a Current, uma estação de TV feita a pensar nos telespectadores do target 18-34 anos, supostamente os mais criativos e interactivos. Uma televisão para quem acha que a piada da coisa não está em ver, sentado no sofá, mas em fazer. Apostando nos formatos curtíssimos, que podem ir dos 15 segundos aos cinco minutos, a Current pretende revolucionar as formas tradicionais da produção televisiva, abrindo o tempo de antena a contributos editados dos seus espectadores. A frase-chave é esta: «Think of it as a big video blog that you don't need a computer to watch.»
As potencialidades são imensas. E em breve saberemos se a Current killed the MTV star...

Publicado por José Mário Silva às 06:50 PM | Comentários (2)

MEMÓRIAS DA ADOLESCÊNCIA (6)

Os matraquilhos do Sr. Manel: imaginário Maracanã, com falta de óleo.

Publicado por José Mário Silva às 05:47 PM | Comentários (5)

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA (6)

Tinta amarela e verde nas mãos abertas, espalhando borboletas pelo céu feito em papel de cenário.

Publicado por José Mário Silva às 05:41 PM | Comentários (0)

AZUL

Daniel Blaufuks, The Blue Film, díptico da série collected short stories (2003)

Publicado por José Mário Silva às 05:34 PM | Comentários (1)

UM LANDAY POR DIA

«Mete docemente a tua mão pelas minhas mangas acima
As romãs de Kandahar floresceram e já estão maduras»

in «A Voz Secreta das Mulheres Afegãs — o Suicídio e o Canto» (compilação de Sayd Bahodine Majrouh, traduzida do francês por Ana Hatherly), Cavalo de Ferro

Publicado por José Mário Silva às 05:31 PM | Comentários (1)

O ATLÂNTICO VAI CHEGAR AO SÃO LUIZ

Helena Matos é a convidada do próximo «É A CULTURA, ESTÚPIDO!», que terá lugar amanhã, 13 de Abril, às 18.30h, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz.
Além de cronista polémica do jornal «Público», Helena Matos é directora da revista «Atlântico», recentemente lançada. Será este, de resto, o pretexto para uma conversa sobre publicações de ideias e pensamento político em Portugal, moderada por Anabela Mota Ribeiro.
Ricardo de Araújo Pereira apresenta o conclave dos habituais colaboradores (Pedro Mexia, João Miguel Tavares, Nuno Costa Santos, Daniel Oliveira, Pedro Lomba, José Mário Silva) e faz, como sempre, o stand-up final.

Publicado por José Mário Silva às 11:39 AM | Comentários (2)

A FEMINISTA MAIS ODIADA DO MUNDO...

... morreu.
Não era grande adepto das ideias da Andrea Dworkin, nem da vertente do feminismo que defendia, mas era admirável a coragem que teve para defender as suas ideias, a forma como atacou a indústria da pornografia e a capacidade de resistência perante os virulentos insultos de que foi alvo.
Algumas das suas obras mais importantes estão disponíveis aqui.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:17 AM | Comentários (3)

E SE, DE REPENTE, A MAÇONARIA TIVER UM DOCUMENTO COMPROMETEDOR...

Deixa ver se percebi: 30 anos após o 25 de Abril, eis que surge do nada uma lista de informadores da PIDE nas mãos do Grande Oriente Lusitano. Incomodados pelo facto de alguns dos nomes constantes desta lista serem de pessoas ainda vivas, os distintos maçons:

a) anunciam publicamente que esta lista existe;
b) anunciam publicamente que vão decidir o que fazer com ela;
c) anunciam publicamente que a vão guardar num cofre de um banco enquanto decidem o que fazer com ela.

Nunca tinha visto a preocupação com o bom nome de outrém soar tanto a ameaça velada.

Publicado por Jorge Palinhos às 09:50 AM | Comentários (5)

EU VI, MAS AINDA NÃO ACREDITO

Ontem, no Jornal da Noite da RTP, passaram um peça sobre a opinião de Luis Felipe Scolari sobre quem seria o novo papa.

Publicado por Jorge Palinhos às 09:47 AM | Comentários (9)

abril 11, 2005

UM LANDAY POR DIA

«Ó Primavera dos desejos insatisfeitos
Vai procurar os que ainda têm o coração ébrio»

in «A Voz Secreta das Mulheres Afegãs — o Suicídio e o Canto» (compilação de Sayd Bahodine Majrouh, traduzida do francês por Ana Hatherly), Cavalo de Ferro

Publicado por José Mário Silva às 11:55 PM | Comentários (0)

PUZZLE

caponigro.bmp

Paul Caponigro, Stone Voices (2004)

Publicado por José Mário Silva às 11:53 PM | Comentários (1)

MEMÓRIAS DA ADOLESCÊNCIA (5)

Na paragem, à espera dos autocarros cor-de-laranja da Rodoviária Nacional. Leitura aos solavancos, Voltaire em edição de bolso, Candide em cenários suburbanos. Ruído de motores, escapes partidos. Tardes inteiras a jogar xadrez no barracão improvisado do Clube Recreativo do Feijó.

Publicado por José Mário Silva às 11:45 PM | Comentários (3)

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA (5)

Corridas de pneus, soldadinhos de borracha, Vasco Granja, Nestum.

Publicado por José Mário Silva às 11:38 PM | Comentários (2)

TRISTEMENTE REPRESENTATIVO

Este texto é uma bela amostra de tudo o que separa a actual administração norte-americana, e a direita que a apoia acriticamente, do resto do mundo. O antigo inspector das Nações Unidas no Iraque, Hans Blix, limitou-se a afirmar que acredita que a longo prazo, a principal ameaça para a humanidade será o efeito de estufa (e não o terrorismo). Um dos representantes da direita republicana bushista, certamente ainda frustrado por não se terem encontrado armas de destruição maciça, em lugar de rebater a posição do sr. Blix com argumentos, limitou-se a ridicularizá-lo.
Neste assunto, eu não poderia estar mais de acordo com o Sr. Blix. Não quero com isto de forma nenhuma minimizar o terrorismo e nem os seus efeitos. Principalmente porque, desde o 11 de Setembro de 2001, ficou demonstrado que há terrorismo para o qual não pode haver esperança de "resolução política", e que só tem justificação na maldade em estado puro. Por isso mesmo, a sua resolução não se afigura fácil, e é preciso ser-se muito optimista para achar que estará resolvido a curto prazo. Mas tal não nos deve levar a minimizar as ameaças contra o nosso planeta, que nos dizem respeito e prejudicam a todos. Raciocinando no limite, um super ataque terrorista poderia destruir toda a nossa avançada civilização ocidental. Bem, mas da humanidade ainda restariam os terroristas e todos os outros... Se o nosso planeta não sobreviver ao efeito de estufa e às outras ameaças que sobre ele pairam, quem restará?
Claro que, a curto prazo, o terrorismo é uma ameaça para a qual temos de estar prontos, e é compreensível que nos assustem mais imagens como as de Nova Iorque ou Madrid. Mas as ameaças para o nosso planeta deveria estar sempre presente no nosso quotidiano, não fossem as nossas preocupações ditadas por uma agenda de direita, comandada por Washington, e apostada em manter-nos todos muito assustados.
O referido texto parecer-me-ia menos grave, repito, se se reportasse somente a curto prazo. Mas não: parece apostar em como, a longo prazo, a nossa principal preocupação será o terrorismo. Para o autor do mesmo, pelos vistos, a história das próximas décadas será sempre a mesma: a nossa civilização estará sobre uma ameaça permanente por parte dos bárbaros, os nossos protectores EUA vão invadir e civilizar país após país, de forma a nós podermos ter petróleo e continuarmos a usufruir do nosso estilo de vida. O efeito de estufa, de facto, é um pormenor.
Devo no entanto ressalvar que o André, do mesmo blogue, em tempos já escreveu sobre questões ecológicas textos bastante mais razoáveis (e vale a pena ler na sequência mais um texto do Paulo Querido). Faço votos para que o André consiga derrotar os "complexos ecológicos" dos seus novos colegas de blogue.

Publicado por Filipe Moura às 05:20 PM | Comentários (14)

O ANTÓNIO VITORINO DO PSD

Não se candidata, nem deixa de se candidatar. Não apoia, nem deixa de apoiar. Não avança, nem deixa de avançar. Gosta que chamem por ele como quem chama pela Divina Providência, para depois fingir-se distraído, a olhar para um futuro que nunca é hoje.

Publicado por José Mário Silva às 02:01 PM | Comentários (6)

UMA BELA IDEIA

E eis que alguém se lembrou de criar um vlog (videoblog). Chama-se 10 Segundos — duração dos pequenos filmes que um grupo de amigos grava em vídeo digital e disponibiliza na blogosfera. Vale a pena ir passando por lá, apesar dos problemas com a largura de banda.

Publicado por José Mário Silva às 01:53 PM | Comentários (1)

DIFERENÇAS

Descubra as sete diferenças entre esta página e esta. (JCV)

Publicado por José Mário Silva às 01:50 PM | Comentários (1)

O CONTROLO À DISTÂNCIA

Publicado por José Mário Silva às 09:55 AM | Comentários (2)

NOTA DE RODAPÉ SOBRE O CONGRESSO DO PSD

O líder anunciado venceu: sem entusiasmo, sem capacidade de mobilização, sem carisma. Luís Filipe Menezes foi a nulidade que se previa. E Pedro Santana Lopes também fez o que se esperava: vestiu a pele da vítima e vendeu muito caro o afastamento da liderança, disparando para dentro do partido com o veneno próprio dos ressentidos. António Borges, esse, lá se deu ao incómodo de preparar o futuro, sempre com pezinhos de lã e pose de D. Sebastião seráfico, enquanto os barões pairavam à distância, sem se comprometerem demasiado e aparentemente pouco dispostos aos sacrifícios da travessia do deserto.
Na ressaca de uma derrota histórica, o que se sentiu foi o peso dessa derrota histórica, não o alento de quem vai à luta para recuperar o tempo perdido. O PSD desnorteado de 20 de Fevereiro continuou sem norte no pavilhão de Pombal. E Marques Mendes conseguiu o feito de assinar o mais vazio, redondo, insignificante, mortiço, previsível e maçador dos discursos de encerramento alguma vez pronunciado num congresso dos sociais-democratas.
Com adversários destes, José Sócrates vai — infelizmente — poder governar a seu bel-prazer, mesmo depois do sempre efémero estado de graça. E quem perde não é apenas o PSD; é sobretudo, parafraseando o remate de cada parágrafo de Marques Mendes, Portugal.

Publicado por José Mário Silva às 12:52 AM | Comentários (3)

abril 10, 2005

MEMÓRIAS DA ADOLESCÊNCIA (4)

«When I lay still at night seeing
stars high and light
then I wanted to be with you
when the rooftops shone dark
all alone (I) saw a spark
spark of love just to stay with you
inside me I feel alone and unreal
and the way you kiss will always be
a very special thing to me...»

Publicado por José Mário Silva às 11:45 PM | Comentários (1)

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA (4)

jardimjaleco.bmp

«Saio de casa às nove
Mesmo se chove
Ou se faz vento
Neste sossego chego ao meu emprego.

Gosto daquilo que faço
Do tempo que passo com os animais
Que neste jardim
Para mim são todos iguais.»

Publicado por José Mário Silva às 11:34 PM | Comentários (4)

A TRÊS PONTOS, APENAS TRÊS PONTOS, TRÊS PONTITOS SOMENTE

6-3=3. Ou de como a aritmética é uma ciência alegre, quando os minutos finais nos correm de feição.

PS- Caro Filipe, imagino que em 2000 a tua euforia foi dupla, com o Sporting campeão e o Beira Mar de regresso ao "convívio dos grandes" (esse adorável cliché futebolístico). Pois para mim foi agridoce, ao ver o SCP a quebrar o enguiço enquanto o Vitória descia, injustamente, ao inferno da Divisão de Honra.

Publicado por José Mário Silva às 11:17 PM | Comentários (6)

UM LANDAY POR DIA

«Se não sabias amar
Porque despertaste o meu coração adormecido?»

in «A Voz Secreta das Mulheres Afegãs — o Suicídio e o Canto» (compilação de Sayd Bahodine Majrouh, traduzida do francês por Ana Hatherly), Cavalo de Ferro

Publicado por José Mário Silva às 10:10 PM | Comentários (2)

SOBRE OS MEDIA SEREM "CULTURALMENTE DE ESQUERDA"

Apoiado, Paulo. Ajudemo-nos a nós próprios colaborando com o Paulo.

Publicado por Filipe Moura às 07:18 PM | Comentários (0)

INÁCIO REGRESSA A CASA

inacio2000.jpg

O Beira Mar é, para mim, por razões geográficas e afectivas, assim como o Vitória de Setúbal para o Zé Mário. No meu caso não direi que o Beira Mar é o meu primeiro, mas sim o meu segundo clube. Por isso, um jogo entre o Sporting e o Beira Mar deixa-me sempre inevitavelmente algo dividido, principalmente numa situação como a actual, em que ambos os clubes estão proibidos de perder pontos.
Tal sentimento de "divisão" agrava-se pelo facto de o actual treinador do Beira Mar, que hoje se estreia na função, ser aquele que eu considero sempre o "treinador natural" do Sporting. Muitas vezes me lembrei eu dele esta época, sempre que assistia a alguma das azelhices do Sr. Peseiro. Por que raio haveria de estar o meu clube entregue ao adjunto da pior equipa técnica de sempre do Real Madrid (e que, tal como José Couceiro no FC Porto, ainda deve estar a tentar perceber como chegou ao lugar que ocupa), estando um treinador de provas dadas, sportinguista até à medula, e que nos interrompeu o longo jejum de campeonatos, desempregado?
Se esta noite, em Alvalade, se assistir a mais uma surpresa daquelas em que este campeonato é rico, eu vou ficar aborrecido. Mas não com o Inácio, evidentemente. Bem vindo a casa, Inácio!

Publicado por Filipe Moura às 07:00 PM | Comentários (2)

UM DESAFIO AO BARNABÉ

Costumo comentar, com outros amigos leitores de blogues, que mais facilmente entraria para o Barnabé um blasfemo (como o CAA) do que um simpatizante (mero simpatizante que fosse) do PCP, ou mesmo da Renovação Comunista.
O recente alargamento do leque de colaboradores veio reforçar a minha ideia. Em onze "Barnabés", encontramos verdadeiros independentes (os meus favoritos), alguns bloquistas e outros tendencialmente mais socialistas. Tal proporciona agum debate ideológico (por vezes deveras acutilante), mas incompleto. O PS pode disputar votos com o Bloco, mas não está genericamente na mesma zona ideológica. Não se encontra no Barnabé opiniões alternativas, dentro do sector mais à esquerda do espectro político português, que venham de autores que não se identifiquem totalmente com o Bloco de Esquerda. Se tal se poderia compreender com a formação inicial do Barnabé (segundo me apercebi, cinco amigos de longa data, onde as relações pessoais tinham provavelmente mais importância do que pormenores ideológicos), torna-se mais difícil agora, quando os Barnabés são onze - onze! -, e não parecem, aparentemente, ser todos amigos de infância. Isto é bastante empobrecedor para o Barnabé, e é pena. Mas pelos vistos é a escolha deles.
Havia outro sector de opinião que eu não esperaria encontrar no Barnabé: os católicos (de esquerda, claro). Mas pelos vistos estava enganado. É com agrado que vejo lá o Bruno Cardoso Reis. Embora náo concorde com muitas das suas posições sobre o papel da Igreja Católica, destaco o empenho e a coragem com que ele as expõe. Falo em coragem pois, embora tal tipo de posições não seja minoritário e seja muito bem visto na sociedade portuguesa em geral (aí, não é preciso coragem nenhuma para as tomar...), já não se passa o mesmo no Barnabé. O Bruno não tem tido medo de afrontar e ir "contra a corrente" dos restantes colaboradores e da maioria dos comentadores. Por isso, e por enriquecer o debate com argumentos que devem ser considerados, saúdo-o e aos seus textos (mesmo, repito, não concordando em grande parte com eles, mas respeitando-os).
Mas com a entrada do Bruno no Barnabé vai-se assim outra das minhas apostas com os meus amigos: a de que mais facilmente entraria para o Barnabé um blasfemo (como o CAA) do que um simpatizante católico. Põe-se agora, inevitavelmente, a questão: e os comunistas? Será que não há lugar, no principal blogue de esquerda português, para alguém que simpatize, minimamente que seja, com o PCP ou com a esquerda não social-democrata ou bloquista, e que não trate o PCP como um alvo a abater? Ou será que, afinal, o PCP é, para o Barnabé, um incómodo maior do que a Igreja Católica?

Publicado por Filipe Moura às 06:21 PM | Comentários (2)

abril 09, 2005

UM LANDAY POR DIA

«As outras vestem vestidos novos para ir à festa
Eu guardo o vestido que ainda tem o cheiro do meu amante»

in «A Voz Secreta das Mulheres Afegãs — o Suicídio e o Canto» (compilação de Sayd Bahodine Majrouh, traduzida do francês por Ana Hatherly), Cavalo de Ferro

Publicado por José Mário Silva às 11:47 PM | Comentários (0)

TROPEÇÃO & GAGUEZ

«Um texto é uma ficção. E ninguém se parece com um texto. O texto imagina, altera, adequa. E a primeira pessoa do texto é uma pessoa transposta com predicados, advérbios e sintaxe. Ao passo que nós somos apenas um tropeção e uma gaguez, não um alinhamento de frases pontuadas, revistas e passadas pelo corrector ortográfico.»
Pedro Mexia, excerto da crónica «A primeira pessoa» (na Grande Reportagem de hoje)

Publicado por José Mário Silva às 07:17 PM | Comentários (5)

ESTÚDIO VERMELHO

Samvel Karekinian, The Red Studio (1988)

Publicado por José Mário Silva às 07:15 PM | Comentários (0)

MEMÓRIAS DA ADOLESCÊNCIA (3)

Um dia rebentou-me uma palavra na cara. Palavra feia, de quatro letras. A palavra acne.

Publicado por José Mário Silva às 07:13 PM | Comentários (3)

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA (3)

Entre as cinco e as sete da tarde — ao fundo da rua, no meio dos amigos — eu era o Homem-Aranha.

Publicado por José Mário Silva às 07:05 PM | Comentários (2)

VOLTA FERNANDO ROSAS, ESTÁS PERDOADO!

Há uns meses, o historiador Fernando Rosas foi o bombo da festa da blogosfera direitista por ter escrito, num artigo de jornal, que o preço do petróleo poderia chegar um dia destes aos 80 dólares por barril.
Hoje, no DN, uma notícia sugere que o FMI, esse coio de bloquistas anti-americanos, terá avisado que o preço do petróleo poderá chegar facilmente, em caso de interrupção nos fornecimentos, a um valor de 100 dólares por barril.
Quando o pessimismo dos agentes da globalização ultrapassa o pessimismo dos críticos da globalização, estamos mal. Ai estamos, estamos.

Publicado por José Mário Silva às 06:43 PM | Comentários (3)

MAIS PAPISTAS QUE O PAPA

Seja na televisão, seja nos jornais, seja nos blogues, só se tem falado no Papa. De perspectivas muito diferentes, é certo, mas recorrentemente é esse o tema. Sobre o Papa que morreu já se escreveu muito. Está morto e enterrado. Que descanse em paz. A eleição do futuro Papa interessa-me tanto como um congresso de um partido de direita: o resultado pode ser importante mas não é a mim que compete pronunciar-me. Posso quanto muito comentar no fim. Pelo menos enquanto não houver fumo branco, será que podemos mudar de assunto?

Publicado por Filipe Moura às 06:33 PM | Comentários (3)

FAÇAM O CULTO DA PERSONALIDADE A VER SE EU ME RALO

Conforme já aqui contei, presenciei cenas de verdadeiro culto aos U2 quando em 2001 me preparava para comprar bilhetes para o concerto. Em Portugal viveu-se algo semelhante recentemente: pessoas a pernoitarem ao relento para comprarem um bilhete. Conseguiram-no. Foram felizes. Não tenham pena delas, que não é isso que elas pedem. Será isto um culto da personalidade aos U2, bem como a muitas estrelas rock? É possível que sim. Será que eu participei no culto da personalidade aos U2? Aceito que me digam que sim. E nem queiram saber do que eu seria capaz pelo Caetano ou pelo Chico. Ou, na literatura, por um autógrafo do Rubem Fonseca ou do Vargas Llosa.
Não estou em Roma e nem tenho visto televisão (nestes últimos dias tem sido sempre o mesmo tema). O maior fenómeno de massas que eu vi de perto associado a um funeral foi o da cantora e dissidente cubana Célia Cruz, ainda eu estava nos EUA. Célia fora proibida por Castro de entrar em Cuba, e desafiou-o regressando à ilha (não ao país) para um concerto na Base de Guantanamo, perto dos muros que marcavam a fronteira, e que causou uma concentração maciça de cubanos do outro lado do muro só para a ouvirem. Estariam estes cubanos a fazer o "culto da personalidade" para ver Célia?
Aquando da sua morte, durante uma semana, todo o dia, os canais de televisão hispânicos praticamente não falavam de outra coisa. Célia teve direito não a um, mas a dois funerais: um em Miami, outro em Nova Iorque, na Catedral de St. Patrick. O seu corpo repousava numa agência funerária, e havia filas de quilómetros (não exagero) de fãs que se queriam despedir dela uma última vez. Será isto um culto de personalidade a Célia Cruz? É provável que sim. Mas agora não se pode ter carisma?
Finalmente, este gajo não consegue compreender os milhões de pessoas que vão a Roma ver o Papa. Acha que ficariam melhor em casa. Será que ele não sabe o que é uma manifestação colectiva? Pelos vistos ele não se lembra de uma conferência internacional em que participámos, durante o Euro 2004, e em que ele durante todo o tempo andou orgulhosamente com um cachecol de Portugal. Não se deve lembrar de como queria sempre ir ver os jogos para a rua, em ecrã gigante, para o meio do povo. Nem se deve lembrar de como festejava a seguir a cada vitória de Portugal. Se o Benfica por acaso vier a ser campeão, então é que ninguém o cala.
Neste caso não me parece apropriado falar-se de um "culto da personalidade".
Mas a pergunta fica no ar, para o Zé Mário, o Nelson e quem a quiser responder: desde que os participantes o sejam de livre vontade, o que há de errado com um culto da personalidade? Acima de tudo, terá sempre de haver uma explicação para um comportamento humano? Eu julgo que não.

Publicado por Filipe Moura às 06:29 PM | Comentários (7)

TENHAM MUITO CUIDADO

Ele vai andar por aí.

Publicado por José Mário Silva às 10:29 AM | Comentários (4)

abril 08, 2005

O VENTO

Hoje, no Vaticano, o vento soprou com força durante as exéquias de João Paulo II. Não faltou quem visse naquela turbulência atmosférica, capaz de agitar com furor as opas e chapéus cardinalícios, um sinal divino, uma «manifestação do Altíssimo». Mas também há quem jure a pés juntos que se tratou apenas de uma corrente de ar entre uma alta pressão e uma baixa pressão.

Publicado por José Mário Silva às 11:32 PM | Comentários (0)

LEITURA OBRIGATÓRIA

«A Idade Média electrónica», por Miguel Gaspar.

Publicado por José Mário Silva às 11:28 PM | Comentários (0)

LES BEAUX ESPRITS SE RENCONTRENT

«O interesse à volta do novo Sumo Pontífice é tal, que estranho sinceramente o porquê de nenhuma televisão ter avançado ainda com o reality-show. Exemplo: Um Vaticano, 116 Cardeais, Só Um Poderá Ser Papa! - FUMO BRANCO, o novo reality-show da TVI.»
Luís Filipe Borges, na sua coluna de hoje no jornal A Capital

Publicado por José Mário Silva às 11:23 PM | Comentários (5)

UM LANDAY POR DIA

«Avivei o sinal do meu rosto e pus sombra nas pálpebras
Agora se me vires, perderás a razão para sempre»

in «A Voz Secreta das Mulheres Afegãs — o Suicídio e o Canto» (compilação de Sayd Bahodine Majrouh, traduzida do francês por Ana Hatherly), Cavalo de Ferro

Publicado por José Mário Silva às 08:25 PM | Comentários (1)

PLAY IT AGAIN, CHET

Herman Leonard, Chet Baker, New York City (1956)

Publicado por José Mário Silva às 08:22 PM | Comentários (5)

MEMÓRIAS DA ADOLESCÊNCIA (2)

Ela parecia-me perfeita, mas depois descobri que tinha os discos todos do Mike Oldfield.

Publicado por José Mário Silva às 02:36 PM | Comentários (16)

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA (2)

O tempo, essa outra plasticina.

Publicado por José Mário Silva às 02:34 PM | Comentários (1)

VERSOS QUE NOS SALVAM

Depois de antologias sobre girassóis ou sobre o amor, o poeta Jorge Sousa Braga resolveu oferecer-nos um bestiário bestial (bestial, entenda-se, no sentido de muito bom, impecável, do caraças). A edição é da Assírio & Alvim. O título é apropriadamente pleonástico: «Animal Animal».
Deixo-vos dois exemplos.


A GAZELA

Que encanto! Como podem duas palavras
atingir a harmonia da rima,
que pulsa em ti a cada movimento.
Folhas e lira crescem por cima

de ti, pura metáfora em canções
de amor, cujas palavras leves como
pétalas de rosa, repousam sobre o rosto
de alguém que cerra os olhos, para assim

te poder ver. Como se cada perna fosse
uma arma carregada de saltos, pronta
a disparar, esticas o pescoço, os olhos vigilantes,
como uma rapariga que ao tomar banho
no bosque, ao ser interrompida, de súbito
voltasse a cabeça, na lagoa reflectida.

Rainer Maria Rilke (trad. de Jorge Sousa Braga)


MEDUSAS

Como vós oh infelizes cabeças
de roxas cabeleiras
não há coisa que mais me agrade
do que dançar no meio da tempestade

Guillaume Apollinaire (trad. de Jorge Sousa Braga)

Publicado por José Mário Silva às 01:37 PM | Comentários (6)

TV RENASCENÇA

Eu já nem falo das horas e horas de emissão a partir de Roma, dos serviços informativos que já devem ter levado à saturação Papal o mais empedernido dos católicos, do entusiasmo febril com que se contabilizam os fiéis espalhados pelas praças do Vaticano, dos exageros de linguagem levados ao paroxismo («o Mundo chora por João Paulo II», etc), das biografias acríticas que nos são servidas non-stop em todos os canais televisivos. Não é isso que me choca. As estações privadas podem fazer o que quiserem em busca de audiências. É lá com elas. Eu tenho a liberdade de não ver (e não vejo). Agora a televisão pública devia agir de outra maneira. A RTP é a televisão «de todos os portugueses», é a televisão do Estado português. E que eu saiba o Estado português é laico.
Assim sendo, como justificar a verdadeira "lavagem ao cérebro" que tem sido esta semana de programação da RTP? Desde a morte do Papa que se sucedem os programas apologéticos sobre a figura de Karol Wojtyla: documentários, filmes, séries, debates, entrevistas com padres (para não falar da repescagem, em horas mortas, de películas bíblicas tipo «Arca de Noé»). De um momento para o outro, a RTP transformou-se no sucedâneo visual da Rádio Renascença. Ainda ontem, por exemplo, vi o Nuno Santos a moderar um debate com jovens, sobre o Papa e o seu legado, intitulado «Totus tuus» (a divisa de João Paulo II, que significa «Todo Teu [de Maria]», mas que pode ser entendido, neste caso, como «Todos Teus»). No chão do estúdio, dentro de uma elipse de dimensões consideráveis, estava desenhada a bandeira do Vaticano.
Relembro que a RTP é paga com o dinheiro dos contribuintes portugueses, cidadãos de um país laico que às vezes se esquece da sua laicidade.
Serei só eu a ficar chocado com tudo isto?

Publicado por José Mário Silva às 09:11 AM | Comentários (28)

abril 07, 2005

NEWCASTLE - 1; SPORTING - 0

Contra uma equipa compacta, pressionante e muito brutinha, o Sporting não conseguiu jogar ao seu nível. Manteve quase sempre o controlo do jogo mas a circulação de bola, segredo do excelente futebol da era Peseiro, desta vez não resultou. Houve demasiados passes falhados, demasiada precipitação, pouca lucidez na hora de atacar. Rochembach esteve muito previsível (além de lento), Liedson provocou um amarelo desnecessário (que o impedirá de jogar na segunda mão) e o resto da equipa foi intermitente, alternando grandes jogadas com períodos de pontapé para a frente. Salvou-se Polga, com uma exibição simplesmente irrepreensível.
O resultado, não sendo mau, é muitíssimo traiçoeiro. Dentro de uma semana, em Alvalade, terá que subir ao campo o melhor Sporting desta época (o que jogou no Bessa), caso contrário ficaremos a ver a final da Taça UEFA por um canudo.

Publicado por José Mário Silva às 11:50 PM | Comentários (14)

A PRENDA IDEAL DA TEMPORADA

(Via o divertido Sapatinho.)

Publicado por Jorge Palinhos às 12:32 PM | Comentários (7)

UM LANDAY POR DIA

«Olhai do esposo a horrível tirania:
Bate-me e proíbe-me de chorar»

in «A Voz Secreta das Mulheres Afegãs — o Suicídio e o Canto» (compilação de Sayd Bahodine Majrouh, traduzida do francês por Ana Hatherly), Cavalo de Ferro

Publicado por José Mário Silva às 12:31 PM | Comentários (1)

ACHO QUE HOJE SONHEI COM ISTO:

Sem mais explicações que os meus sonhos são propriedade privada.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:29 PM | Comentários (0)

MEMÓRIAS DA ADOLESCÊNCIA (1)

Slows: o corpo das raparigas, esse prodígio. As nossas mãos sempre a mais (ou a menos).

Publicado por José Mário Silva às 11:10 AM | Comentários (2)

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA (1)

Três riscos na parede, uma baliza.

Publicado por José Mário Silva às 11:08 AM | Comentários (3)

abril 06, 2005

AREIA NÃO FALTA

Não falta areia nas nossas praias para aí enterrarmos colectivamente a cabeça.

A entrevista com António Costa Silva no caderno de economia do Público de 2.ª feira é assustadora sobretudo por exprimir a opinião de alguém que não pode ser considerado como um outsider.
Como vem sendo hábito porém, e possivelmente até estarem criadas as condições para que surja como salvação última para a catástrofe da nossa falência a energia nuclear, vamos todos ignorar uma situação que se avoluma a olhos vistos e que corre o risco de nos explodir na fronha em poucos anos.
Relativamente aos assuntos económicos e financeiros, vivemos já no domínio do pensamento único. Já se sabe o que pensam os economistas do PS do PSD e do PP. É "simplificação" e "flexibilização" da Constituição, o habitual pontapé para a frente que já sabe de cor qualquer taxista ou vendedor de materiais de construção em convívio de fim de semana.
Já quanto às questões energéticas, vão aparecendo toques a rebate isolados fora do clima geral de jaula das avestruzes no Jardim Zoológico, mas estarão o Governo, as associações ambientalistas, e sobretudo estaremos nós, o conjunto da população à altura de encarar de frente o problema de fundo da necessidade urgente de se impulsionar em Portugal o recurso às energias renováveis?
O "choque tecnológico" deveria passar por aqui.
Outra coisa que me choca: se é Portugal um dos países europeus com maior incidência solar, porque é que estamos tão dependentes da Alemanha nas investigações sobre estas matérias?

Publicado por tchernignobyl às 04:30 PM | Comentários (7)

POST NÃO PAPAL (III) OU A FILOSOFIA ACTUALIZADA PARA O SÉCULO XXI

Não linko logo não existe.

Publicado por Jorge Palinhos às 04:13 PM | Comentários (1)

POST INOPINADAMENTE PAPAL

João Paulo II transformado em super-herói de BD: Yo calco culos por Dios!

Publicado por Jorge Palinhos às 11:43 AM | Comentários (2)

POST NÃO PAPAL (II)

Ah, a Bomba Inteligente fez dois anos! A Carla foi a primeira mulher com quem me meti na blogosfera, ao que ela retorquiu com uma ensaboadela firme e bem humorada, o que lhe garantiu um lugarzinho especial no meu coração blogosférico.
Tem ainda um dos blogs mais refrescantes e consistentes que conheço e é a melhor pontuadora deste lado do Guadiana, cujas vírgulas são mais expressivas que três adjectivos e duas hipérboles do resto de nós.
Os posts conseguem essa raridade de estar na encruzilhada do público e do privado, do erudito e do leve, do feminino e do geral, do Borges e da Madonna. Qualquer mexilhão atestará que o meio é um sítio muito ingrato e delicado para se estar, mas espero que seja lá que nos voltemos a cruzar daqui a dois anos.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:24 AM | Comentários (8)

POST SEMI-PAPAL

Este teve a Graça.

Este teve a Grace.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:19 AM | Comentários (3)

POST NÃO-PAPAL (I)

O príncipe Rainier do Mónaco faleceu na altura certa para alguém lhe prestar alguma atenção. É uma época triste para os pequenos principados europeus.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:17 AM | Comentários (1)

ÚNICO POST PAPAL

Morreu o monarca vitalício do Estado do Vaticano (o paraíso socialista na terra: 100% de funcionários públicos). As minhas condolências aos vaticanenses que perderam o seu chefe de estado.
Morreu o director da multinacional eclesiástica. As minhas condolências aos funcionários da empresa pela perda do seu presidente do conselho de administração.
Morreu o líder espiritual dos católicos. As minhas condolências pelo passamento do seu guru ético-espiritual.


Publicado por Jorge Palinhos às 11:08 AM | Comentários (3)

ARTE DA PROVOCAÇÃO

Atirar um anzol, qualquer que seja o anzol, sabendo que haverá sempre peixes dispostos a morder o isco.

Publicado por José Mário Silva às 08:40 AM | Comentários (11)

MORREU UM GRANDE, UM ENORME ESCRITOR

Saul Bellow (1915-2005), judeu extraordinário, autor de obras-primas como Herzog e The Adventures of Augie March. É bom saber que se manteve «wonderfully sharp to the end».

Publicado por José Mário Silva às 01:41 AM | Comentários (1)

UM LANDAY POR DIA

«Ó alaúde, quero ver-te em cacos:
Sou eu quem ama e és tu quem geme nos seus braços!»

in «A Voz Secreta das Mulheres Afegãs — o Suicídio e o Canto» (compilação de Sayd Bahodine Majrouh, traduzida do francês por Ana Hatherly), Cavalo de Ferro

Publicado por José Mário Silva às 01:32 AM | Comentários (1)

FUMO CINZENTO


Cartoon de Bandeira, no «Diário de Notícias»

Publicado por José Mário Silva às 01:23 AM | Comentários (9)

abril 05, 2005

OS NOMES DAS COISAS

No Vaticano, 400.000 pessoas por dia passam diante do cadáver do Papa para lhe dizer adeus, depois de esperas superiores a quatro horas. Os repórteres de gravata preta falam de "comoventes manifestações de fé". Agora imaginem uma multidão semelhante em Pyongyang, diante do corpo morto do Grande Líder. Os repórteres (sem gravata preta) falariam, estou certo, de um "esmagador culto da personalidade".

Publicado por José Mário Silva às 10:35 PM | Comentários (31)

UM LANDAY POR DIA

«O meu amante é hindu e eu maometana
Em nome do amor, varro os degraus do templo interdito»

in «A Voz Secreta das Mulheres Afegãs — o Suicídio e o Canto» (compilação de Sayd Bahodine Majrouh, traduzida do francês por Ana Hatherly), Cavalo de Ferro

Publicado por José Mário Silva às 10:38 AM | Comentários (3)

ARE YOU WARM, ARE YOU REAL, MONA LISA?

Monalisa.jpg

Neste domingo, durante o meu momento mensal de cultura e contacto com as Belas-Artes (quando os museus em França são gratuitos), aproveitei para ir ao Louvre e vi a Mona Lisa uma última vez na sua sala temporária, junto à restante pintura italiana, antes de regressar (a partir de hoje) à sua sala original, a Sala Rosa, que esteve encerrada.
Supostamente não se pode tirar fotografias ao célebre quadro. Um ou dois vigias tentam impedir que, no meio do enorme conglomerado de visitantes curiosos que se forma ao pé do retrato, haja quem saque de uma máquina e, mais ou menos discretamente, o fotografe. A profissão destes vigias é das mais ingratas que eu conheço.
Mesmo ao meu lado, com um inconfundível sotaque do outro lado do Atlântico, enquanto fotografava o retrato com uma máquina digital, um turista dizia para outro: «This is Mona Lisa. I can't understand why is it so famous.»

Publicado por Filipe Moura às 08:18 AM | Comentários (7)

UMA EXCELENTE NOTÍCIA

Segundo as sondagens à boca das urnas, a coligação de centro-direita liderada por Silvio Berlusconi perdeu seis das oito regiões que governava, na primeira volta das eleições regionais italianas.

Publicado por José Mário Silva às 01:05 AM | Comentários (5)

abril 04, 2005

ATLAS PROLETÁRIO

«Bricklayer», August Sander (1928)

Publicado por José Mário Silva às 06:20 PM | Comentários (8)

O REALITY SHOW PERFEITO

Uma sala fechada durante um período de tempo impossível de determinar (podem ser horas, dias ou semanas). Um grupo de participantes heterogéneo (117 cardeais vindos de todo o mundo). Um cenário belíssimo (a Capela Sistina, com os frescos do Miguel Ângelo — fonte de dezenas de potenciais ícones para o genérico e os separadores). Um objectivo que interessa a milhões de pessoas (a eleição do novo Papa). Um sem número de rituais eminentemente telegénicos (o acto de selar a Capela, por exemplo, ou os grandes planos do fumo que começa a sair da chaminé: se acha que vai ser negro, ligue 400201; se acha que vai ser branco, marque 400202). Um título curto, fortíssimo e muito eficaz («Conclave»).
Só faltam mesmo as câmaras.

Publicado por José Mário Silva às 01:52 PM | Comentários (19)

UM LANDAY POR DIA

«A minha boca é tua, devora-a, não receies nada
Ela não é de um açúcar que se dissolva»

in «A Voz Secreta das Mulheres Afegãs — o Suicídio e o Canto» (compilação de Sayd Bahodine Majrouh, traduzida do francês por Ana Hatherly), Cavalo de Ferro

Publicado por José Mário Silva às 12:02 PM | Comentários (0)

NA PRAIA DA NAZARÉ

O número é 454. Trata-se de convocar 454 pessoas para estarem presentes na rua Barata Salgueiro nesta segunda-feira, dia 4 de Abril, para a sessão das 21.30 na Cinemateca. Destas, 227 com o respectivo ingresso. As restantes, preparadas para uma manifestação de protesto. Irão reclamar contra a lotação da sala Dr. Félix Ribeiro e pedir para se calendarizar uma terceira exibição do filme MARIA DO MAR no corrente ano. Porquê? Porque quem nunca viu este filme ainda não sabe o que foi, e o que pode ser, o cinema português.
Consta que Leitão de Barros, o realizador, terá dado meia volta no túmulo e largado um bocejo, no passado dia 12 de Março, quando a exibição deste filme conseguiu a façanha de reunir 10 bravos, contando com o pianista. Pois, é filme com piano a acompanhar, uma luxúria aristocrática. É também o primeiro filme recuperado pela Cinemateca Portuguesa, e se eles se deram ao trabalho é foleiro não ir lá praticar o desporto favorito dos pátrios: dizer mal. Ou apenas largar um disparate qualquer, como “Os filmes a preto-e-branco dão-me sempre seca”, já que da fita não se solta a voz a ninguém. Aliás, a tragédia desta obra é só a de não se falar nela, fruto de uma censura sonora que mesmo um filme mudo não merece, especialmente quando celebra 75 anos de existência. Há um tabu cinéfilo em Portugal, afinal só mais uma nota nesta esquizofrenia de sermos uma nação com história e um país sem memória.
Trailer para as massas, locução manhosa:
«Paixões à solta na Nazaré. A fúria do mar a revolver as ondas do desejo. Uma comunidade de pescadores dividida entre o fatalismo e a fruição de um erotismo selvagem, primitivo, amoral. Nunca em Portugal se viram corpos filmados com tanta sensualidade... Muito brevemente numa cinemateca perto de si ou, se não tão perto, acessível através de um vasto sistema de transportes, incluindo carros, motociclos e bicicletas privados.»
Conversa para cinéfilos com potencial, em formação:
«Um filme pode ter sido filmado em 1929 e continuar em 2005 a ser uma obra de vanguarda. Não acreditas? Não acreditas, porquê? Porque és parvo ou porque nunca viste Eisenstein, Vertov e Pudovkine? Cala-te, vai mas é ver isto. Parvalhão...»
Repto para o português que ainda existir no português:
«Concidadão, o 25 de Abril foi uma alegria, ‘tá tudo bem e a malta gosta mais assim. Agora, isto de nos sonegarem os tesouros artísticos e filosóficos associados com o salazarismo, com o Portugal da Exposição do Mundo Português, com o António Ferro de alma d’aço, com a metafísica de uma Nazaré inventada pelo Raul Brandão, com a tessitura de uma "alma portuguesa" incómoda e indigesta para desalmados sem pinga de sangue, não pode ficar impune. As revoluções também se fazem em salas escuras e confortavelmente sentados. Preço módico.»
That’s all, folks.
(Valupi)

Publicado por José Mário Silva às 09:00 AM | Comentários (37)

abril 03, 2005

AS ROUPAS DA REVOLUÇÃO NÃO PRECISAM DE GRIFFE

Brilhante, certeiro, divertido, o texto evocativo que Albano Matos assina sobre as tendências da moda (pouco radical e ainda menos chic) no seio da extrema-esquerda portuguesa, durante o PREC.

Publicado por José Mário Silva às 10:55 PM | Comentários (0)

UM LANDAY POR DIA

«Amor, jura que vens ter comigo
Para eu semear o teu caminho de flores»

in «A Voz Secreta das Mulheres Afegãs — o Suicídio e o Canto» (compilação de Sayd Bahodine Majrouh, traduzida do francês por Ana Hatherly), Cavalo de Ferro

Publicado por José Mário Silva às 05:49 PM | Comentários (1)

MAU PAPA; BOM HOMEM (UMA EXPLICAÇÃO)

Esclarecimento prévio: o post «Já se ouvem os sinos no Vaticano» foi escrito poucos minutos após o anúncio da morte de Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II. Era um primeiro comentário, necessariamente breve e não fundamentado, ao qual se seguiria um texto onde explicaria o porquê de considerar Wojtyla um «mau Papa». Entretanto, surgiram outras prioridades e a minúscula frase ali ficou, toda a noite, sujeita à inclemência dos comentadores.
Tentarei agora explicitar um pouco melhor as minhas razões:

1) Fico satisfeito por ver que houve uma parte da minha asserção que ninguém pôs em causa: a de Karol Wojtyla ser um «bom homem». Por muito que discorde da sua acção e das suas ideias, reconheço em João Paulo II o sincero amor ao próximo que devia ser a essência do cristianismo. Não duvido da bondade inata de Wojtyla, uma espécie de grandeza humana que trespassava os vários níveis da sua acção à frente de uma estrutura tão complexa, retrógrada e contraditória como é a Igreja Apostólica Romana. Dizer de Karol Wojtyla que foi um «bom homem», um homem bom, é mais importante do que saber se foi um excelente Papa ou um mau Papa. Eu acho realmente que ele foi um bom homem. Tomara poder dizer o mesmo da maioria dos líderes mundiais.

2) Quanto ao epíteto «mau Papa», estamos no campo da estrita opinião pessoal. A única coisa que pretendi dizer foi que, do meu ponto de vista, o balanço dos quase trinta anos de pontificado de João Paulo II está longe de ser positivo. Apenas isto. Sublinhar que esta é a posição de alguém que fala de um lugar exterior à esfera religiosa (e por isso sem a pretensão de se impor ao sentir dos fiéis) pareceu-me redundante. Não sendo católico, para mim tudo o que houve de pastoral e evangelizador na acção do Papa acaba por ser pouco menos do que indiferente. O que me interessa é considerar os reflexos da sua praxis na vida em comum, no tecido moral que condiciona o funcionamento das sociedades de maioria católica, como a nossa.

3) Vejamos então, de forma necessariamente simplista e redutora, os principais pesos que coloco na balança com que avalio o pontificado que ontem terminou. No prato das acções positivas, contabilizo o permanente apelo à paz (nomeadamente a corajosa condenação da aventura militar americana no Iraque), o esforço de aproximação ecuménica às outras grandes religiões e o pedido de perdão pelos erros cometidos pela Igreja no passado. Mas no prato das acções negativas está uma agenda política reaccionária (sobretudo nos primeiros anos), a obsessão com a figura da Nossa Senhora de Fátima (que só alimentou um fenómeno de contornos obscurantistas), o alinhamento com as forças mais dogmáticas e imobilistas da Igreja, o sufoco das facções católicas mais progressistas (Teologia da Libertação, etc) e a defesa intransigente de preceitos morais (sobre a contracepção, o aborto, a sexualidade em geral) que estão desfasados da realidade do mundo actual e que têm reflexos gravíssimos na vida de milhões de pessoas. Na minha balança, é este o prato que pesa mais. E por isso considero que João Paulo II foi um mau Papa.

4) «Se este foi um mau Papa, o que terão sido os outros?», pergunta o Valupi. É uma boa pergunta. Mais uma vez falando apenas por mim, acho que foram quase todos piores (veja-se Pio XII, por exemplo). Mas a escolher um Papa bom, escolheria João XXIII, que esteve apenas cinco anos na cúpula da Igreja mas conseguiu renová-la com o Concílio Vaticano II.

5) Uma última nota para dizer que seria desonesto da minha parte elogiar o pontificado de João Paulo II, na hora da sua morte, quando o critiquei sempre enquanto era vivo. A hipocrisia politicamente correcta pode estar na moda, mas a mim dá-me vómitos. Ainda ontem, por exemplo, ouvi Mário Soares dizer que este foi um «Papa progressista» (sic). Era isto que queriam que dissesse?

Publicado por José Mário Silva às 05:30 PM | Comentários (53)

abril 02, 2005

JÁ SE OUVEM OS SINOS NO VATICANO

Morreu Karol Wojtyla: mau Papa, bom homem. Que descanse em paz.

Publicado por José Mário Silva às 08:48 PM | Comentários (45)

DAR À MÃO

Embora tardiamente há que assinalar o nascimento de mais um blog colectivo de direita de grande qualidade, com participações de peso e uma lista de links de grande interesse.
Colectivo” é aqui apenas uma tosca tentativa de transposição para o limitado léxico do politicamente correcto de esquerda, de definições mais complexas, formas mais educadas e adequadas à elevação intelectual que os distingue de que os bloggers de direita dispõem para definirem as formas de associação que lhes são próprias.
Neste caso trata-se de 24 “proprietários” que a 17 de Maio iniciaram o que parece ser uma bem perigosa “urdidura” com a participação de referências da blogosfera como o Pedro Mexia e o Pedro Lomba fazendo um pé Fora do Mundo, os bem regressados Pedro Robalo e Miguel Câmara do Complot presumivelmente já fartos de tantos exames meditações e leituras fora da blogosfera, a Carla Hilário Almeida da Bomba Inteligente, o Luciano Amaral e o Diogo Belford Henriques do Acidental, apenas para falar nos nomes que me são mais familiares e sem pretender minimizar os restantes a quem peço desculpa por não citar explicitamente.
Esperando boas polémicas, é bom então que a mão esquerda estenda à direita a Mão Invisível.

Publicado por tchernignobyl às 08:32 PM | Comentários (0)

UM LANDAY POR DIA

«Se eu soubesse que viria o tempo do afastamento
Teria agarrado a mão do meu amante até ao campo de batalha»

in «A Voz Secreta das Mulheres Afegãs — o Suicídio e o Canto» (compilação de Sayd Bahodine Majrouh, traduzida do francês por Ana Hatherly), Cavalo de Ferro

Publicado por José Mário Silva às 05:46 PM | Comentários (0)

abril 01, 2005

O NOME DA ROSA

Se eu utilizasse um certo tipo de raciocínio jesuítico quase que poderia classificar todo este espectáculo em torno da morte anunciada do Papa como “soberba”.
Este drama de choque que se arrasta há vários meses perante a opinião pública num crescendo de auto-exibição da dor com o avolumar de detalhes mórbidos de sabor medieval nas últimas horas como a chegada do “anunciador oficial de morte de papas”, parece agora aproximar-se do climax final, desdobrando-se um pouco por todo o lado a actividade de jornalistas frenéticos à cata de “reacções” das “personalidades” institucionais.
Em tempos normais parece certamente irrelevante a tomada de posição de pessoas fora do universo católico sobre a eventual oportunidade ou não da sua substituição por aparente perda de faculdades. É claramente um assunto interno da Igreja e dos crentes.
Mas a invasão do espaço mediático nas últimas horas, torna impossível ignorar o que se passa neste momento no Vaticano e um pouco por todo o mundo.
E quase em todo o lado se fala em "recolhimento" e "oração" mas assiste-se a um frenesi macabro .
Na minha opinião deve reconher-se que Karol Wojtyla é um exemplo raro de político coerente com as suas convicções até ao fim. Por muito estranhas que algumas nos pareçam.
Quando os ayatollahs muçulmanos ou heróicos lideres revolucionarios terceiro mundistas abalam para os melhores hospitais do Grande Satãn ao menor sinal de alarme vindo da próstata indiferentes à populaça que morre à fome, tem de respeitar-se a força interior de alguém capaz de gerir lucidamente o “espectáculo mediático” nos limites do intolerável montado em torno da sua própria degenerescência, usando a exibição da proximidade do estertor da morte como bandeira e incentivo para os seus seguidores e respectivas causas assim fundamentando o papel que pensa ser o seu de representante de “Deus”.
Talvez fosse bom também assinalar neste momento que se o Papa abraçou causas retrógradas como a oposição ao aborto e aos métodos anticoncepcionais, teve apesar de tudo, ao contrário de uma vasta parcela dos seus seguidores pretensamente mais “realistas”, a coerência de criticar o absurdo da operação iraquiana.
Muitos dos hipócritas “pró-vida” que vão agora enaltecer o “Santo Padre” pela sua coragem desde há dois anos que fazem um sorrisinho beato ao ouvir as críticas do Papa à guerra “compreendendo-as” com bonomia como exageros de um ancião cheio de sagesse mas já a Leste das “realidades” do Mundo.

Publicado por tchernignobyl às 07:26 PM | Comentários (40)

ÚLTIMA HORA: PHILIP ROTH OFERECE TEXTO INÉDITO AO BLOGUE DE ESQUERDA!

É mesmo verdade, amigos e leitores fiéis. Eu próprio não queria acreditar, quando abri o e-mail: o grande Philip Roth, um dos maiores escritores vivos (talvez mesmo o maior), enviou-nos um ensaio para publicação no BdE, enquanto itálico. Garanto-vos que a vossa surpresa, por muito grande que seja, não supera a nossa diante desta verdadeira dádiva caída do céu, por ínvios caminhos que nunca seremos capazes de descortinar com um mínimo de clareza.
O texto, que apresentamos na versão original, era para ser publicado na edição de Maio da New York Review of Books mas o autor de «Portnoy's Complaint», num dos seus habituais acessos de mau génio, incompatibilizou-se com dois dos editores da prestigiada revista e decidiu oferecer, sem qualquer tipo de retribuição financeira, a sua soberba análise da sociedade americana a este vosso «obscure but charming portuguese leftist blog» (sic).
Pois é, ainda não conseguimos descer à terra. Ainda estamos a levitar. Mas, se outros bloggers aproveitariam decerto a fabulosa cacha para se auto-promoverem, nós preferimos a discrição de quem não se julga merecedor de tamanha benesse.
Limitamo-nos por isso a abrir alas para Mr. Philip Roth.
Deleitem-se, caros leitores, com os 53.729 caracteres de «How sex (or the lack of it) will kill America»:

Era bom, não era?

«Hi, my name is Philip Roth and today is April 1st. April 1st, remember? I just want to say that the smart guys that run this lousy blog tried to fool you, but I'm not responsible for the obvious (so goddamn obvious) trick. See you in my books, which at least are honest fictions, not cheap scams like these one.»

Publicado por José Mário Silva às 07:02 PM | Comentários (8)

ERA UMA VEZ UM HOMEM RESPEITADOR DA VIDA MAS QUE NUNCA PERDOAVA CONDENADOS À MORTE


Cartoon de Mike Lane

Publicado por José Mário Silva às 10:57 AM | Comentários (3)

TÃO INOCENTES QUE NÓS ÉRAMOS

Terão decorrido 29 ou 30 anos, metade do país orientava antenas e televisões para um ponto cardeal que nos traria a cor. Não há 1 de Abril em que não me lembre disto, hoje já não emprestamos sem uma garantia. (JCV)

Publicado por José Mário Silva às 10:45 AM | Comentários (0)

UM LANDAY POR DIA

«Não me apertes demais entre os teus braços
O perfume do meu colar amanhã trairia os nossos segredos»

in «A Voz Secreta das Mulheres Afegãs — o Suicídio e o Canto» (compilação de Sayd Bahodine Majrouh, traduzida do francês por Ana Hatherly), Cavalo de Ferro

Publicado por José Mário Silva às 09:21 AM | Comentários (0)