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março 31, 2005

MORTO MAS CONTENTE

Se bem percebo este post, para o PPM o mundo divide-se entre aqueles que fazem parte e dizem bem e os que gostavam de fazer parte e por isso dizem mal. Interessante. Será então que a principal motivação para o PPM debitar tanto ácido sobre a esquerda é o facto de nunca ter recebido uma borla para a Festa do Avante?

Apesar da minha impressão inicial da revista ter sido má - muito pose e pouca novidade - é verdade que tinha duas ou três peças que me pareceram de algum mérito: um ataque ao Sócrates do Rui Ramos, um artigo sobre a Guerra do Vietnam do Luciano Amaral e um ensaio do Paulo Tunhas. Mas apostava um bilhete para a Festa do Avante com o PPM em como seria capaz de prever boa parte da argumentação e das conclusões destes artigos sem mesmo os ler.

Mas admito que o meu grande problema com a revista é com aquela dos "fiéis defuntos". Mesmo que eu ainda não tenha percebido se é uma piada às qualidades biológicas, físicas, ideológicas, intelectuais ou religiosas dos potenciais leitores, percebo perfeitamente que o PPM se sinta perfeitamente à vontade com o epíteto. Eu é que me acho demasiado activo e curioso para isso.

Publicado por Jorge Palinhos às 04:37 PM | Comentários (5)

NAIFADAS A NORTE

Image hosted by Photobucket.com

A música deliciosamente pós-moderna da Naifa anda à solta por esse país fora, bem longe dos "lugares do costume" (Lisboa/Porto).
E viva a descentralização musical!

Publicado por José Mário Silva às 04:34 PM | Comentários (1)

DAS ARTES E DAS LETRAS

Depois de noutro post ter dito que preferia o recurso a ilustrações que a fotografias nas revistas, pus-me a pensar na razão desta preferência.

Uma razão é óbvia: com desenhos não ocorre aquela submissão do texto à fotografia, tão frequente nas revistas noticiosas, e que transformam o primeiro em mera legenda.
Mas também há uma continuidade de linguagens. As letras são também desenhos que se harmonizam de forma mais orgânica com outros desenhos.
E parece-me que há também uma questão de relevância: é frequente as revistas recorrerem a bancos de fotografias genéricas, que servem somente para ocupar espaço e dar cor, nada acrescentando ao texto. Pelo contrário, a natureza icónica do desenho exige quase sempre que este seja encomendado especificamente para cada artigo ou tópico. Ou seja, o desenho é com mais frequência uma outra abordagem enriquecedora do assunto e mais dificilmente um tapa-buracos.
Por fim, há a questão do relacionamento entre o leitor e a imagem. Enquanto o desenho, tal como o texto, é uma linguagem que simula a realidade e, logo, implica um trabalho de interpretação por parte do leitor, a fotografia é uma réplica dessa mesma realidade e pode apenas ser registada visualmente, sem exigir uma "tradução" mental. Não é que as fotografias não devam ser interpretadas, mas permitem uma leitura meramente "exterior", enquanto o texto e o desenho funcionam sempre como leituras "interiores" e por isso funcionam melhor em conjunto.

(À atenção de editores e directores editoriais que por aqui andem.)

Publicado por Jorge Palinhos às 03:38 PM | Comentários (0)

UM LANDAY POR DIA

«Pus-me bonita com os meus vestidos usados
Como um jardim florido numa aldeia em ruínas»

in «A Voz Secreta das Mulheres Afegãs — o Suicídio e o Canto» (compilação de Sayd Bahodine Majrouh, traduzida do francês por Ana Hatherly), Cavalo de Ferro

Publicado por José Mário Silva às 02:20 PM | Comentários (0)

FUCK, DUDE! ISSO QUER DIZER QUE O BOWLING ESTÁ FORA DE QUESTÃO?

According to the "Which Big Lebowski character are you?" quiz:


Why don't you check it out? Or we cut of your Johnson!

Via Gajo em Ruínas.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:26 PM | Comentários (1)

AVISO PARA TELESPECTADORES INCAUTOS

Ontem, cerca das onze da noite, ao passar pela SIC Radical, deparei com mais um programa humorístico da nova vaga e deixei-me ficar. «Megera TV» chama-se a coisa, que não passa de um amontoado de sketchs ligeiramente melhor do que «Os Malucos do Riso» mas infinitamente abaixo de Nuno Markl (nem de propósito, a guest star do episódio). Conselho de amigo: não vejam. Não vejam mesmo. Porque aquilo é muito, muito, muito, muito mau. Porque aquilo é uma espécie de Monty Python versão Feira de Carcavelos depois de muito escolhida. Porque aquilo é o Gato Fedorento dos pobres (de espírito).
Pior do que um grupo de gajos sem piada nenhuma, só mesmo um grupo de gajos sem piada nenhuma que se julgam muitíssimo engraçados. E é isso que a trupe do «Megera TV» acaba por ser.

Publicado por José Mário Silva às 11:08 AM | Comentários (4)

SIGNING WITH BUSH

Tive que esfregar os olhos várias vezes, mas depois percebi que estava a ver perfeitamente bem: a recente campanha publicitária para angariação de assinantes do novo modelo pago do «Público On-Line» é feita sobre uma foto de George W. Bush a assinar um documento oficial, rodeado de criancinhas com sorrisos idiotas. Ainda pensei que fosse uma brincadeira dos rapazes do «Inimigo Público», mas não. É mesmo uma pub a sério, no primeiro caderno daquele diário de referência.
Qual é a ideia? Afastar o máximo de leitores logo à partida? Garantir uma recepção a José Manuel Fernandes na próxima visita a Washington? Insinuar que Bush vai ler os conteúdos pagos do «Público» na internet? Ou simplesmente gozar com a nossa cara?

[Adenda: Na edição de hoje, em vez do Bush, aparece o Sócrates no acto solene da tomada de posse enquanto primeiro-ministro de Portugal. A ideia da campanha torna-se um pouco mais compreensível — todos temos que assinar compromissos, dos líderes políticos aos leitores do «Público» — mas nem por isso menos cretina.]

Publicado por José Mário Silva às 10:16 AM | Comentários (2)

DISTORÇÕES ELEITORAIS

Há pouco mais de um mês, o PS obteve 45% dos votos, mas acabou por ter 53% dos lugares no parlamento. Ou seja, tem uma maioria absoluta parlamentar criada pelo sistema eleitoral em vigor, já que não obteve mais de metade dos votos.
Como não existem sistemas eleitorais perfeitos, isto não seria nada de anormal... não fosse o facto de se terem verificado casos flagrantes de injustiça motivados pelo próprio sistema. Compilei alguns desses casos, juntamente com uma proposta de alteração do sistema eleitoral actual, no estudo “Diz-me onde votas, dir-te-ei quanto vales”, disponível aqui. Porém, para não alongar demasiado este texto, vou apresentar resumidamente apenas três exemplos.
O deputado Abel Baptista (CDS-PP) recebeu 16.205 votos e foi eleito pelo círculo de Viana do Castelo, enquanto logo abaixo, em Braga, 22.179 pessoas não bastaram para eleger Pedro Soares (BE). Será que um minhoto de Braga vale menos do que um de Viana?
Deu-se ainda o caso de 96.509 votos terem eleito apenas três deputados por Évora, enquanto 91.315 chegaram para eleger cinco representantes pelos Açores. Como é que mais 5.000 pessoas têm direito a menos dois deputados?
Por fim, nos dois círculos da Emigração o PSD obteve 14.149 votos e elegeu três deputados, ao passo que o PS recebeu 16.280 e elegeu um. Menos 2.000 votos e o triplo dos representantes?! Enfim...
No dia em que tomou posse como Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama disse que até ao final da legislatura seria necessário corrigir as deficiências do sistema eleitoral. No programa de Governo, o executivo liderado por José Sócrates garante ter vontade de modernizar o sistema eleitoral. Aparentemente, tudo está encaminhado para que a questão seja "atacada".
Resta então ficarmos alerta e pugnar para que a solução que os socialistas venham a encontrar resolva os problemas que acima referi e que levam qualquer cidadão a questionar-se sobre a propalada igualdade de voto no sistema democrático.
E, já agora, que o façam de forma transparente, dialogante e a pensar em reflectir melhor a vontade dos cidadãos, em vez de se meterem com engenharias eleitorais com vista a deixar tudo na mesma... ou ainda pior do que já está.
(Luís Humberto Teixeira)

Publicado por José Mário Silva às 09:56 AM | Comentários (8)

NAUFRÁGIO NO ATLÂNTICO

Hoje chega às bancas uma nova revista de direita, pela mão do grande patrono das publicações do género - o Público - que já deu um empurrãozinho à Nova Cidadania e anda a sustentar há anos a inenarrável Xis.
Como se pode ver pelo nome, pela fonte tipográfica, pelo conteúdo, pelas rubricas e pelo estilo, a Atlântico é um plágio da The Atlantic; mas uma Atlantic à portuguesa: isto é, em comparação, parece feita por amadores subfinanciados.

A revista optou por substituir as fotos por ilustrações, o que fez subir uns quantos pontos a minha consideração pela publicação. E ilustrações de boa qualidade, tendo inclusivamente recorrido a excelentes desenhadores que andavam arredados destas coisas, como o Pedro Nora.
Infelizmente, esses pontos perderam-se todos com a pirosíssima primeira página, onde a redacção se entretém a inventar adjectivos começados por cada letra do nome da revista - não sei se estão recordados de fazer este género de coisas na primária?

Os colaboradores parecem ter sido todos recrutados na blogosfera dextra portuguesa, nomeadamente no Acidental, o que a mim gera uma pequena perplexidade. É que se diz no editorial: "Os textos que publicamos reflectem(...) a nossa determinação de fazer uma revista que rompa com o unanimismo reinante. Unanimismo esse que nos permite quase antecipar o que vamos ler, ver e ouvir em grande parte dos nossos jornais, televisões e rádios." Ora eu, só pelos títulos, mas ainda mais pelos nomes, consigo antecipar todo o conteúdo dos artigos e perceber neles uma ideia unânime: A esquerda é satã e o mercado e a América são Deus.
Outra perplexidade minha é que no editorial também se diz "arriscar em novos nomes como em textos que não apresentem a dimensão tida como padrão". Eu julgava que isto, como acontece na original americana, significava textos mais longos do que o usual. Mas não só não vi nenhum artigo de extensão acima do normal, como ainda descobri uma "reportagem" (sobre um gang que assalta homossexuais no Porto) que é provavelmente a peça do género mais breve que vi em toda a minha vida (meia página e nem se dá ao trabalho de ouvir as vítimas, explorar o percurso de vida dos agressores, escutar especialistas, fazer o historial de casos semelhantes, etc.)

A revista também tem os seus momentos de tentativa de humor, que revelam, aliás, grande coragem. Por exemplo, a secção de correspondência de leitores chama-se "Correio dos Fiéis Defuntos". Acresce que, para lançar esta secção, os editores lembraram-se de inventar cartas satíricas sobre figuras de esquerda e terroristas suicidas. Uma delas, a primeira, ridiculariza o Fernando Rosas por "ganhar a vida" a publicar livros sobre o Salazar. Mais uma vez demonstrando grande coragem, esta carta é o primeiro texto que surge logo após o editorial da directora, Helena Matos, conhecida pelo seu estudo sobre Salazar em múltiplos volumes.
Outro momento de humor é um diário ficcional de uma senhora da classe média, atenta à actualidade e consumidora superficial de cultura - mais uma vez há que reconhecer os tomates de ridicularizar a principal camada de potenciais leitores e ganha-pão da revista.

Isto são apenas circunlóquios, pois o que verdadeiramente interessa é a qualidade de escrita, o rigor da informação, a clareza e frescura das ideias expressas. Isso traduz-se facilmente em várias primeiras frases de alguns artigos da publicação escolhidos aleatoriamente:

Nalguns sectores da sociedade persistem algumas infundadas crenças sobre as finanças públicas que não só dificultam o seu bom funcionamento como a acção que sustentam acaba por provocar resultados contrários aos subjacentes às intenções prosseguidas.

Desde as eleições legislativas de 20 de Fevereiro tem surgido uma tese que afirma que a colocação no "centro político" é a melhor defesa contra tentações populistas. Discordo.

A Alemanha de Hitler demonstrou que uma ideologia que de forma praticamente consciente invertera o mandamento "Não matarás" não se defrontara com resistência inultrapassável por parte das consciências treinadas na tradição ocidental.

O meu pai nasceu em 1925, numa altura em que ninguém pensava que o doutor Salazar um dia viria a ser ministro.

É tudo tão rápido. Porque é necessário. Porque é trabalho. Os manequins chegam dos dias normais. Depressa. Não parecem modelos. Sem saltos, sem maquilhagem.

Enfim, antes a "New Yorker Portuguesa" que a "Atlantic Portuguesa".

Publicado por Jorge Palinhos às 09:43 AM | Comentários (6)

UM ROMANCE NADA PRODIGIOSO

«A Luz Prodigiosa», Fernando Marías (Civilização)

Onde se prova que uma grande ideia (e se Lorca tivesse sobrevivido ao fuzilamento, em 1936?) não dá necessariamente um grande livro.

Publicado por José Mário Silva às 09:36 AM | Comentários (1)

O PREÇO DA ARTE

Interessante matéria esta do Público, a propósito de os museus estarem abertos na quadra da Páscoa.
Que sistema defender para o acesso aos museus? Deve ser gratuito, como na Grã-Bretanha (uma medida do governo de Tony Blair)? Devem ser pagos? Ou ainda um sistema misto, na Grécia: quem lá pague impostos tem direito a visitar os museus de graça; os turistas devem pagar entrada (pelo menos era assim há poucos anos, segundo me contaram gregos). Vamos por partes.
O sistema discriminatório grego parece-me muito pouco hospitaleiro e acolhedor para com os turistas.
O sistema britânico introduzido pelo governo trabalhista tem dado os resultados esperados: os museus britânicos têm mais visitantes, sobretudo das classes sociais mais desfavorecidas. Deve ser sobretudo este o objectivo que se deve tentar obter.
Mas sendo os museus pagos integralmente pelos contribuintes, têm menos autonomia financeira e mais constrangimentos, sendo mais difícil entrarem na competição pelas grandes exposições temporárias temáticas que percorrem o mundo. É claro que em princípio pode sempre recorrer-se a patrocínios especiais para esse efeito: é factor de prestígio estar associado a um evento deste tipo. Mas a questão principal que eu quero pôr é válida: devem os utentes dos museus pagar pelas suas visitas?
Tal como é referido no Público, nos EUA os grandes museus funcionam como um "clube" do qual os utentes se podem tornar "sócios": pagando uma quota anual, uma espécie de game-box do futebol, têm acesso ilimitado. Em França há "passes" anuais que funcionam de uma forma semelhante.
Em ambos os países (tal como em Portugal) está ainda em vigor na maioria dos museus um procedimento que, não sendo referido na matéria, me parece bastante acertado. Uma vez por semana, durante um dia em Portugal ou por determinadas horas nos EUA, o acesso aos museus é totalmente livre e gratuito, para todas as pessoas, residentes ou não. Em França tal também é válido nos museus nacionais, um dia por mês. A medida permite que os "locais" visitem todos os museus de graça, se quiserem. Se não se quiserem sujeitar às multidões ou se estiverem só de passagem e quiserem visitar os museus (não podendo esperar uma semana ou um mês), pagam um ingresso. A medida permite assim reestabelecer uma certa "justiça fiscal" com quem sustenta os museus através dos seus impostos, de uma forma subtil, sem a discriminação explícita grega. É ainda o sistema que me parece mais justo.
Muito pouco do que discuti se aplicaria ao caso português, no entanto: há que ser realista. Não faria sentido introduzir os "passes" anuais: quem é que, em Portugal, vai ao mesmo museu mais do que uma vez por ano? Talvez em casos de museus com programas dinâmicos de exposições temporárias, mas casos como estes em Portugal contam-se pelos dedos de um pé. A verdade é que há que atrair visitantes aos museus portugueses. Há pouco investimento, público e privado, nos museus portugueses, porque não é rentável: há poucos visitantes. Há poucos visitantes porque as exposições são pouco estimulantes. As exposições são pouco estimulantes porque há pouco investimento... É o habitual ciclo vicioso. Para solucionar este problema, basta que alguém quebre este ciclo. A meu ver, esse é o papel do Estado, pelo menos enquanto não surgirem outros parceiros: desbloquear este impasse. Na Grã-Bretanha, Tony Blair entendeu-o.

Publicado por Filipe Moura às 08:49 AM | Comentários (5)

SAINDO DO ARMÁRIO EM GRANDE ESTILO

O moleskin agora tem reminiscências de Flaubert. E tornou-se, para nosso gáudio, coisa pública. Welcome back, Inês.

Publicado por José Mário Silva às 01:11 AM | Comentários (3)

março 30, 2005

DRAGON SABER

«Um jogador de games virtuais pela internet de Xangai, na China, foi acusado de matar um competidor na disputa de uma arma virtual usada no jogo, segundo a mídia local.
Qiu Chengwei, 41, foi ao tribunal nesta terça-feira sob a acusação de ter apunhalado até a morte Zhu Caoyuan, seu "adversário" no jogo "Legend of Mir III", bastante popular na China. A reportagem foi publicada nesta quarta-feira no jornal China Daily.
Ainda segundo a reportagem, pelo crime, Qiu poderia ser até condenado à morte.
A briga teria começado porque Qiu soube que Zhu havia vendido a tal arma a outro jogador. Acontece que a arma seria de Qiu e estaria apenas emprestada a Zhu.
Segundo o jornal, Qiu chegou a prestar queixa na polícia sobre a perda da arma chamada "Dragon Saber".
A polícia teria respondido que não poderia fazer nada por não se tratar de uma propriedade real.
Os promotores disseram que Zhu prometeu dar os 7.200 yens (aproximadamente US$ 66) que ele recebeu a Qiu. O acusado, no entanto, não quis aceitar o dinheiro e atacou Zhu em sua casa, apunhalando-o no peito até a morte.
O jornal chinês conta ainda que Qiu se rendeu à polícia e afirmou que não tinha a intenção de matar o colega.
A reportagem da Associated Press, que cita o China Daily, não especifica qual arma foi usada por Qiu.
Pelo verbo utilizado ("stab", apunhalar, esfaquear), presume-se que foi uma faca.»

Citação de uma notícia do jornal «Folha de São Paulo», com a Associated Press (JCV)

Publicado por José Mário Silva às 11:54 PM | Comentários (0)

A MÚSICA LEVADA A SÉRIO

Primeiros, estes tipos são cobaias académicas.

Depois, este tipo é candidato ao Nobel.

O que se seguirá? A canonização deste?

Publicado por Jorge Palinhos às 02:42 PM | Comentários (3)

O PAPA, A BALA E A VIRGEM

O jornal Corriere della Sera diz que há documentos que provam que o atentado ao Papa foi ordenado pelo KGB e executado pelos serviços secretos búlgaros.
Ora, sabendo que o Papa diz ter-se safo pela intervenção da Nossa Senhora de Fátima, e sendo esta uma conhecida militante anti-comuna, resta-nos concluir que:
a) isto anda tudo ligado;
b) a Nossa Senhora de Fátima é uma operacional de contraespionagem divina;
c) o Papa bem que desconfiava...

Publicado por Jorge Palinhos às 02:35 PM | Comentários (8)

PENÚRIA ITÁLICA

Que alguns dos membros permanentes do BdE prolonguem as suas ausências mais ou menos forçadas, eu ainda compreendo. Mas a ausência de colaborações externas é um mistério. Por onde é que andam os itálicos? Não têm nada para dizer? Abriram os seus próprios blogues? Responda quem souber.

[O mail, para os mais distraídos, continua lá em cima no cabeçalho: blogue_de_esquerda2@yahoo.com.]

Publicado por José Mário Silva às 12:35 PM | Comentários (8)

CUBA ENVEREDA PELO CHOQUE CULINÁRIO

Fidel Castro anuncia a distribuição de 100 000 novas panelas de pressão.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:34 PM | Comentários (1)

VAN GOGH NASCEU HÁ 152 ANOS

O resto pesquisem vocês.

[Já agora: parabéns à Jussara, que nasceu só há 30.]

Publicado por José Mário Silva às 09:27 AM | Comentários (8)

FOUCAULT SOBRE VÉLAZQUEZ

Espicaçado por uma sugestão do ZeroAesquerda, aqui vos deixo um excerto da brilhante análise às Meninas de Velázquez, feita por Michel Foucault no primeiro capítulo de «Les Mots et les Choses» (1966):

«[...] Or, exactement en face des spectateurs - de nous-mêmes -, sur le mur qui constitue le fond de la pièce, l'auteur a représenté une série de tableaux ; et voilà que parmi toutes ces toiles suspendues, l'une d'entre elles brille d'un éclat singulier. Son cadre est plus large, plus sombre que celui des autres; cependant une fine ligne blanche le double vers l'intérieur, diffusant sur toute sa surface un jour malaisé à assigner ; car il ne vient de nulle part, sinon d'un espace qui lui serait intérieur. Dans ce jour étrange apparaissent deux silhouettes et au-dessus d'elles, un peu vers l'arrière, un lourd rideau de pourpre. Les autres tableaux ne donnent guère à voir que quelques taches plus pâles à la limite d'une nuit sans profondeur. Celui-ci au contraire s'ouvre sur un espace en recul où des formes reconnaissables s'étagent dans une clarté qui n'appartient qu'à lui. Parmi tous ces éléments qui sont destinés à offrir des représentations, mais les contestent, les dérobent, les esquivent par leur position ou leur distance, celui-ci est le seul qui fonctionne en toute honnêteté et qui donne à voir ce qu'il doit montrer. En dépit de son éloignement, en dépit de l'ombre qui l'entoure. Mais ce n'est pas un tableau : c'est un miroir. Il offre enfin cet enchantement du double que refusait aussi bien les peintures éloignées que la lumière du premier plan avec la toile ironique.
De toutes les représentations que représente le tableau, il est la seule visible ; mais nul ne le regarde. Debout à côté de sa toile, et l'attention toute tirée vers son modèle, le peintre ne peut voir cette glace qui brille doucement derrière lui. Les autres personnages du tableau sont pour la plupart tournés eux aussi vers ce qui doit se passer en avant, - vers la claire invisibilité qui borde la toile, vers ce balcon de lumière où leurs regards ont à voir ceux qui les voient, et non vers ce creux sombre par quoi se ferme la chambre où ils sont représentés. Il y a bien quelques têtes qui s'offrent de profil : mais aucune n'est suffisamment détournée pour regarder, au fond de la pièce, ce miroir désolé, petit rectangle luisant, qui n'est rien d'autre que visibilité, mais sans aucun regard qui puisse s'en emparer, la rendre actuelle, et jouir du fruit, mûr tout à coup, de son spectacle.
Il faut reconnaître que cette indifférence n'a d'égale que la sienne. Il ne reflète rien, en effet, de ce qui se trouve dans le même espace que lui : ni le peintre qui lui tourne le dos, ni les personnages au centre de la pièce. En sa claire profondeur, ce n'est pas le visible qu'il mire. Dans la peinture hollandaise, il était de tradition que les miroirs jouent un rôle de redoublement : ils répétaient ce qui était donné une première fois dans le tableau, mais à l'intérieur d'un espace irréel, modifié, rétréci, recourbé. On y voyait la même chose que dans la première instance du tableau, mais décomposée et recomposée selon une autre loi. Ici le miroir ne dit rien de ce qui a été déjà dit. Sa position pourtant est à peu près centrale : son bord supérieur est exactement sur la ligne qui partage en deux la hauteur du tableau, il occupe sur le mur du fond (ou du moins sur la part de celui-ci qui est visible) une position médiane ; il devrait donc être traversé par les mêmes lignes perspectives que le tableau lui-même ; on pourrait s'attendre qu'un même atelier, un même peintre, une même toile se disposent en lui selon un espace identique ; il pourrait être le double parfait.
Or, il ne fait rien voir de ce que le tableau lui-même représente. Son regard immobile va saisir audevant du tableau, dans cette région nécessairement invisible qui en forme la face extérieure, les personnages qui y sont disposés. Au lieu de tourner autour des objets visibles, ce miroir traverse tout le champ de la représentation, négligeant ce qu'il pourrait y capter, et restitue la visibilité à ce qui demeure hors de tout regard. Mais cette invisibilité qu'il surmonte n'est pas celle du caché : il ne contourne pas un obstacle, il ne détourne pas une perspective, il s'adresse à ce qui est invisible à la fois par la structure du tableau et par son existence comme peinture. Ce qui se reflète en lui, c'est ce que tous les personnages de la toile sont en train de fixer, le regard droit devant eux ; c'est donc ce qu'on pourrait voir si la toile se prolongeait vers l'avant, descendant plus bas, jusqu'à envelopper les personnages qui servent de modèles au peintre. Mais c'est aussi, puisque la toile s'arrête là, donnant à voir le peintre et son atelier, ce qui est extérieur au tableau, dans la mesure où il est tableau, c'est-à-dire fragment rectangulaire de lignes et de
couleurs chargé de représenter quelque chose aux yeux de tout spectateur possible. Au fond de la pièce, ignoré de tous, le miroir inattendu fait luire les figures que regarde le peintre (le peintre en sa réalité représentée, objective, de peintre au travail) ; mais aussi bien les figures qui regardent le peintre (en cette réalité matérielle que les lignes et les couleurs ont déposée sur la toile). Ces deux figures sont aussi inaccessibles l'une que l'autre, mais de façon différente : la première par un effet de composition qui est propice au tableau ; la seconde par la loi qui préside à l'existence même de tout tableau en général. Ici, le jeu de la représentation consiste à amener l'une à la place de l'autre, dans une superposition instable, ces deux formes de l'invisibilité, - et de les rendre aussitôt à l'autre extrémité du tableau - à ce pôle qui est le plus hautement représenté : celui d'une profondeur de reflet au creux d'une profondeur de tableau. Le miroir assure une métathèse de la visibilité qui entame à la fois l'espace représenté dans me tableau et sa nature de représentation ; il fait voir, au centre de la toile, ce qui du tableau est deux fois nécessairement visible. [...]»

Publicado por José Mário Silva às 09:21 AM | Comentários (9)

FLAGRANTE

À porta de uma fábrica (a Vicaima, em Vale de Cambra), alguns activistas da Greenpeace protestavam contra o uso de «árvores derrubadas clandestinamente na Amazónia brasileira». De repente, chega o administrador: grisalho, engravatado, furioso. No meio de insultos de toda a ordem, agride sem mais nem aquela o vice-presidente da Quercus e um operador de câmara da SIC (aliás, as imagens captadas são elucidativas quanto ao furor do manda-chuva).
O mais curioso é que o indignado patrão podia ter deixado para a GNR, presente no local com os efectivos da praxe, a zelosa defesa da sacrossanta propriedade privada. Mas nem pensar nisso. Preferiu fazer a peixeirada à moda antiga e com as próprias mãos. Resultado: os rapazes da Greenpeace lá puseram fim ao bloqueio, sem oferecerem resistência, e foram transportados de jipe para o posto da guarda, «a fim de serem presentes ao juiz de instrução», enquanto o agressor voltou à sua vidinha porque, segundo as autoridades, «a agressão não foi presenciada em flagrante».
Quer isto dizer que os agentes da GNR, aparentemente, não viram nada do que a SIC mostrou que eles não podiam deixar de ter visto. E assim se mantém a ordem pública, para sossego dos poderosos impunes.
Belo país, este.

Publicado por José Mário Silva às 09:15 AM | Comentários (10)

março 29, 2005

MARIA METE OS PUTOS NA BARRACA

Para grandes males grandes remédios e para a frente é que é o caminho.
Reagindo ao caso do jovem neo-nazi do Minnesota que abateu o avô e a namorada do avô, e foi de seguida ao liceu liquidar um segurança, seis alunos e um professor, antes de se suicidar, uma dirigente da National Rifle Association aponta o caminho lógico:
os professores devem ter acesso a armas. Ela não diz que cada professor deve andar armado, nada disso, mas deve poder haver um esquema que permita que ele tenha acesso a uma arma.
E os outros alunos pá? Também não podem defender-se?
O que é certo é que o tradicional "Pedro venha ao quadro", será em breve substituído nas escolas americanas por um seco "DRAW!".
A culpa disto, dizem alguns sábios "liberais" é o excesso de divórcios. Amen.

Publicado por tchernignobyl às 11:40 PM | Comentários (6)

GHASP! OUTRA VEZ OS BLOGUES

Quando o Carlos Andrade diz no DN (edição escrita) que nos blogs “são frequentes os casos em que rumores encontram aí a luz do dia”, será que só leu o RIAPA e nunca leu “O crime”?
É no que dão estes “dossiers” sobre O “tema”.
Faz confusão que há tanto tempo ande tanta a gente a discutir a matéria e ainda não se perceba que os blogs são um meio de comunicação FORA dos media tradicionais, veja-se o que acontece aos blogs que ganham uma certa notoriedade... passam a livros, a programas de televisão, a crónicas nos jornais sem um décimo da graça anterior quando a tinham. E normalmente acaba o blog ou perde força.
Os blogs são um meio de comunicação diferente para o melhor e para o pior .
Por um lado são feitos a custos irrisórios e na sua maioria com paixão, muitos deles para “nada” que não sejam motivos que uma certa caretice travestizada de “racionalidade” descreve como “fúteis”.
Destas coisas em que as teorias económicas coitadas... ficam um bocado à porta a conjecturar conceitos para classificar rancorosamente a liberdade.
Não mete lucro assim logo directamente, ficam a patinar. Onde está a escolha racional? Mesmo os blogs ultra-liberais se contradizem neste aspecto (para o bem de todos, é “bonito” notar) ao existirem.
Por outro lado, o lado negro, vá, o sujeito que denunciou o repórter da CNN não é exactamente um blogger, é pouco mais do que um delator. Com certeza que teria coisas muito mais interessantes para contar das conversas a que assistiu no fórum mas a sua intenção ao “expôr” o repórter, não era “informar” a opinião pública era queimá-lo, despedi-lo por delito de opinião. O que conseguiu de resto... os tais “checks and balances” é democracia ou não é? Igual para todos. Dan Rather incluído. O que é preciso é cheirar a "dissidente".
Espanta-me que este tipo de situações sejam apresentadas como “informação produzida nos blogs”. Eu chamar-lhe-ia “espírito de bufo”. Do género dos honrados cidadãos que queriam processar o advogado que conseguiu o embargo do túnel do Marquês. Por ter sido eficaz no protesto. Processar os responsáveis pelo erro? Nuncaaaa! Respeitamos muito a lei meu amigo.
Claro que se chama de “informação” e não é por acaso, é que quem de direito, mais comprometido, a “grande imprensa”, pega no tema, revolve-o e ala mais um gajo fora do baralho para a rua.
É a pura liberdade de informação em acção.
Os bloggers não são jornalistas. São testemunhas.

Mas não existe um blog de testemunhas, é a blogosfera que funcionará no seu todo e no futuro como mais uma pool de “fontes” onde a imprensa se poderá basear .
Note-se que eu digo "poderá". Nada obriga nem a blogosfera, nem a imprensa.
É como a televisão comprar o filme ao turista que estava da varanda do hotel a filmar o tsunami.
É a disseminação dos electrodomésticos um novo meio de comunicação a "competir" com os media tradicionais?
Um debate vão portanto. Tudo acontecerá normalmente.
De resto o papel mais importante e insubstituível dos blogs que ultrapassa já e de longe os meios tradicionais é o debate político, público e alargado a opinion makers e anónimos, especialistas, sumidades e azelhas, cidadãos em suma.
A Ágora sem limites de tempo espaço ou sensibilidades editoriais.
Recorde-se que os meios de informação, pelo menos aqueles designados como “de referência” fidelizam leitores e ocupam uma parte significativa do seu espaço com as colunas de opinião e não pela “notícia comezinha”, do tempo, do trânsito, do principal acontecimento do dia, do resultado desportivo, no fundo a noticia que já não é bem noticia mas “reacção”, sector que corre o risco de vir a ser ocupado por “folhas” gratuítas distribuidas no metro ou na rua como o “destake" e o "opinião".
Os blogs “reagem” às colunas de opinião mas diversificam, generalizam e por vezes aprofundam o debate, desmitificam-no. O feitiço vira-se contra o feiticeiro. O jornal que foi a fonte, a crónica de partida e torna-se muitas vezes irrelevante no debate depois de canibalizado. Foi apenas um catalisador, um pretexto.
Como meio de intervenção cívica os blogs são no entanto um bocado coxos.
Não há manifestações nos blogs.
Não há sindicatos nem lutas sociais.
Não há gente a viver na extrema pobreza. Não há tomadas de decisão.
É um universo abstracto em cuja circunscrição a discussão não tem fim porque apenas necessita de um simulacro da realidade para se balizar. Pode-se falar em “despedir quarenta mil funcionários públicos”, e nos “bombardeamentos cirúrgicos em Fallujah” como se falasse de um comando num jogo de computador, sem a carga emocional que isso acarreta.
Nesse aspecto a discussão está inquinada na blogosfera.
Estaline poderia escrever pacificamente num blog que um milhão de mortos é uma estatística, e a discussão manter-se-ia na justificação ou não do Gulag do ponto de vista dos objectivos do Plano. Tal como os estropiados e mortos do Iraque... é fácil ver quanto tem ganho aquela gente.
Onde os blogs não têm capacidade de competir, é também, no grande jornalismo de investigação que requer meios, tempo coragem, obstinação e alto grau de profissionalismo.
Mas onde anda a grande imprensa nesta matéria em Portugal?
Episódios como a “cobertura” do caso Casa Pia deveriam dar que pensar.

Publicado por tchernignobyl às 10:49 PM | Comentários (7)

O MELHOR QUADRO DE TODOS OS TEMPOS


«Las Meninas», Diego Velázquez (1656)

É uma escolha pessoal, claro, reforçada pelos 35 minutos de puro esmagamento estético que vivi diante desta tela, no Museu do Prado, numa tarde de Julho (não me lembro de que ano), às cotoveladas com um grupo de turistas austríacos que teimava em apreciar os detalhes a uma distância imprópria.

[Protestos e votos alternativos, com a necessária fundamentação, podem ser afixados na caixa de comentários.]

Publicado por José Mário Silva às 06:11 PM | Comentários (14)

DICIONÁRIO

Blogosfera - (subst. colect. fem. sing.) Género de discoteca virtual em que cada cliente leva o seu próprio discman.


Ou pelo menos assim parece.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:51 PM | Comentários (1)

DA LENTA AGONIA DE JOÃO PAULO II (UM DESABAFO)

Dão-nos a ver o Papa à janela, quase todos os dias. Dão-nos a ver o Papa em esforço, fazendo o gesto da cruz ou agitando a custo um ramo de oliveira. Dão-nos a ver o Papa em fotos e ângulos rigorosamente seleccionados (às vezes só de costas, ou só de lado). Dão-nos a ver o Papa furioso consigo mesmo, por causa da impotência muda durante o Urbi et Orbi. Dão-nos a ver a lenta decadência do Papa, como se fosse um espectáculo, em sinistro conta-gotas mediático. Dão-nos a ver um Papa marioneta, preso por fios, boicotando involuntariamente a sua dignidade. E nisto tudo, perdoem-me os católicos, o Vaticano age e manobra ao melhor estilo soviético. Soviético, leram bem. Karol Wojtyla, of all people, não merecia acabar assim.

Publicado por José Mário Silva às 04:19 PM | Comentários (42)

A VITÓRIA DO PORTÁTIL

Vantagens do computador de mesa:

- Maior potência
- Maior capacidade
- Maior versatilidade
- Preço mais baixo
- Actualizável
- Personalizável

Vantagens do computador portátil:

- Mais bonito
- Mais magro
- Parece mais caro
- Podemos levá-lo para sítios onde as pessoas nos vêem a trabalhar com ele
- Podemos levá-lo para sítios onde achamos que vamos trabalhar com ele
- Podemos ir para a cama com ele
- Podemos tê-lo ao colo
- Podemos abraçá-lo

Pois é, competição injusta.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:54 PM | Comentários (2)

DILEMAS DE UM ESCRITOR POTENCIAL

Se conseguisse pôr no papel todas as minhas ideias para livros, já teria neste momento uma bibliografia mais extensa que a do António Ramos Rosa.

Publicado por José Mário Silva às 11:06 AM | Comentários (2)

março 28, 2005

O CHATO

A leitura do último Inimigo Público assim o comprova: o José Sócrates é mau para o sector humorístico português.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:51 PM | Comentários (7)

ESTOU-ME A SENTIR O DALAI LAMA

Há uma palavra certa para cada ocasião. O mais chato é quando são os interlocutores errados.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:48 PM | Comentários (0)

DA INADEQUAÇÃO DOS SIGNOS

O ovo como símbolo pascal do renascer da vida eu ainda percebo. Mas o coelho já me faz pensar que há para aí muita gente com fobia a galinhas e perus.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:45 PM | Comentários (0)

DEVE SER ISTO UMA METÁFORA GRITANTE

Numa aldeia do interior português alguém se confundiu ao mudar a hora da torre da igreja. Por isso a aldeia andava com duas horas de atraso em relação ao resto do país.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:43 PM | Comentários (1)

PARADOXO

É preciso perder uma hora para se poupar tempo de luz solar.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:39 PM | Comentários (1)

ORFEU & EURÍDICE

Juntos passavam no cair da tarde
Jovens luminosos muito antigos

Sophia de Mello Breyner Andresen (in «Musa», 1994)

Publicado por José Mário Silva às 02:55 PM | Comentários (1)

ITÁLICO MILITANTE

Tal como o Pedro, também eu sou um italizador compulsivo.

Publicado por José Mário Silva às 02:51 PM | Comentários (2)

MARBURG

Um vírus da família do Ebola provoca 120 mortos numa região remota de Angola e ameaça propagar-se a outros países por contágio directo. Parece a sinopse de um romance de Michael Crichton? Parece. O problema é que a trama assustadora do potencial best-seller («O Vírus de Marburgo», com as letras do título prateadas e em relevo) está longe de ser ficção.

Publicado por José Mário Silva às 10:51 AM | Comentários (9)

março 27, 2005

MILHO

Cartoon de Boligán

Publicado por José Mário Silva às 11:38 PM | Comentários (1)

DA VIDA APÓS A MORTE

Um dos paradoxos da blogosfera portuguesa é este: o blogue mais visitado da plataforma weblog.com.pt está inactivo (e tecnicamente morto) há quase dois meses.

[A explicação do fenómeno não é difícil: 99,9% das visitas deviam-se, e continuam a dever-se, às fotos de mulheres nuas e às respectivas pesquisas no Google. Um verdadeiro case study.]

Publicado por José Mário Silva às 12:33 PM | Comentários (8)

março 26, 2005

O PREÇO DAS NOTÍCIAS

É o primeiro caso de um diário português a cobrar pelo acesso aos seus conteúdos: o Público. Suspeito que se sigam outros. Deverá o acesso à informação ser gratuito (i.e. pago pelos patrocinadores...) ou pago? Neste caso não me repugna minimamente a cobrança (ainda mais a um preço simbólico). Mas é um caso a acompanhar, juntamente com publicações como o Diário Digital ou o Metro. Será que o futuro da imprensa é ser gratuita, paga pela publicidade? O futuro dirá se a decisão do Público vai no sentido correcto da História.

Publicado por Filipe Moura às 04:12 PM | Comentários (7)

ESCRITOS SADINOS

É uma espécie de joint venture de adeptos habituados à imponderabilidade das subidas e descidas de divisão. É um blogue feito por escribas das mais variadas proveniências culturais e ideológicas, mas unidos, todos eles, pelo mesmo denominador comum: gostarem muito de futebol e do Vitória de Setúbal. É o Bonfim, um estádio onde às vezes também participo numas peladinhas.
Passem por lá que serão bem-vindos.

Publicado por José Mário Silva às 03:33 PM | Comentários (0)

ENSINO SUPERIOR (POLITÉCNICO E NÃO SÓ)

A ler: Ensino superior politécnico: crise de identidade, por Armando Vieira.

«Este estigma é caracterizado por um modus operandi quase decalcado de uma escola secundária, onde as tarefas dos docentes se resumem a ensinar e corrigir exames, e a dos alunos a passar nesses exames.

Quando a investigação científica, a experimentação e a inovação são secundarizadas, o ensino fica refém de um modelo onde se lecciona apenas teoria, muitas vezes desactualizada. Alguém poderá ensinar aquilo que não faz?

Porém, aquele que considero ser o aspecto mais chocante é a forma como se processa o recrutamento de docentes nos politécnicos. Embora haja actualmente uma grande oferta de doutorados e de profissionais com vasta experiência empresarial, os concursos, sobretudo, os da categoria de professor adjunto, são quase sempre talhados à medida de "pessoas da casa" ou "conhecidos".

Este corporativismo descarado chega a ser divulgado publicamente, sem qualquer pudor, em editais do Diário da República onde se estabelece que só são aceites a concurso candidatos com licenciatura em X, mestrado em Y e doutoramento em Z. Tais argumentos até podiam ser defensáveis se as temáticas científicas X, Y e Z não fossem totalmente desconexas da área para a qual é aberto o concurso.

Abundam situações onde candidatos doutorados e com excelente currículo, tanto a nível pedagógico, científico e até profissional, são colocados no final da lista de seriação encabeçadas por licenciados com habilitações modestas.»

Publicado por Filipe Moura às 12:07 PM | Comentários (4)

março 25, 2005

NOVOS LINKS

Como prometido, a coluna dos links foi actualizada com um lote razoável de blogues em falta, muitos dos quais já deviam estar lincados há imenso tempo (as nossas desculpas aos respectivos bloggers). Não será a nossa lista definitiva – a lista ideal e utópica – mas anda lá perto.

Publicado por José Mário Silva às 11:50 PM | Comentários (12)

A ESTÁTUA DA LIBERDADE É UM MAMARRACHO

A de Colmar, claro.

Colmar.jpg

Publicado por Filipe Moura às 06:48 PM | Comentários (1)

IMPRESSÕES (RÁPIDAS) DE UMA VIAGEM À ALSÁCIA

Já vão com quase uma semana de atraso, mas aqui ficam.
A campanha para o referendo sobre a Constituição Europeia, a realizar em França no fim de Maio, ainda não começou. Em Paris ainda não se nota a propaganda. A Alsácia "burguesa" como, com um certo encanto, lhe chamava Pacheco Pereira nos seus tempos de deputado europeu, já está cheia de cartazes a apelar ao voto no "não".
Grande parte das instituições europeias situa-se em Estrasburgo. Como poderá haver um convívio entre os deputados e outros altos funcionários europeus e os alsacianos? Como me dizia o meu anfitrião, se não estivessem ali localizadas todas estas instituições, provavelmente os alsacianos seriam ainda mais xenófobos e antieuropeus.
Numa deambulação pelo centro de Estrasburgo tivemos ocasião de nos cruzarmos com a esquerda alsaciana toda em peso, que se tinha reunido para uma manifestação. Eram umas duzentas pessoas.

Publicado por Filipe Moura às 03:01 PM | Comentários (8)

março 24, 2005

OPERAÇÃO BADALO DOURADO EM CURSO

Suspeitas de doping entre as vacas de combate suíças.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:17 PM | Comentários (2)

PAPEL BRANCO COM MANCHAS DE NICOTINA

«Afirmar que fumar facilita o trabalho é certamente fazer uma observação errónea. Pelo contrário, interrompe-o pura e simplesmente. Talvez o facilite a quem não é um verdadeiro fumador, mas o verdadeiro fumador, quando fuma, não faz mais nada. Um jornalista francês afirmou que, cegando, um fumador perderia o vício; é falso. Mantegazza engana-se de outro modo, quando crê poder ajudar o fumador a libertar-se do vício com alguma prescrição farmacêutica. O vício de fumar é tão complexo que a farmacopeia é impotente para o conseguir vencer. No verdadeiro fumador, fumam os olhos, o estômago, os pulmões e o cérebro; cada órgão do viciado é viciado.»

Italo Svevo, «Últimos Cigarros — Sobre o Prazer e o Vício de Fumar» (101 Noites)

[A minha recensão sobre este notável pequeno livro pode ser encontrada aqui]

Publicado por José Mário Silva às 05:15 PM | Comentários (1)

WALLY: VERSÃO PAPAL

Pope gives blessing from hospital

Pope makes surprise appearance

Vatican shows Pope voice video

Cheers for surprise Pope blessing

Pope John Paul II has made a brief appearance at his window

Pope makes silent appearance again

Publicado por Jorge Palinhos às 05:07 PM | Comentários (2)

A CULTURA, CAPITALIST-CHIC

- Viste o [filme]?
- Não, mas tenho o DVD.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:04 PM | Comentários (11)

O LIVRO-MONO

O Vincent resolveu doar através do blog parte da sua colecção de livros.
Pois é, muito se exaltam as qualidades do livro, mas pouco se lembra que este também é um objecto físico — uma coisa — que ocupa espaço, que ganha pó, que se rasga, que fica amarelo e apodrece, que se desfolha uma vez e nunca mais é lido.
Pois é, que fazer com aquele livro aclamado pela crítica que nunca lemos além da terceira página? Que fazer com o clássico de 3000 páginas arrumado na prateleira que juramos todos os anos que vamos começar a ler no Verão? Que fazer com o policial que já não vale a pena reler porque já sabemos quem é o assassino? Que fazer com o último grito ensaístico que não temos a mínima vontade de ler? Que fazer com os livros que nos marcaram na adolescência e agora são embaraçosos? Que fazer com o livro que na livraria tínhamos absolutamente que comprar, mas que em casa já não interessa?
Pois, o tão louvado livro, quando rejeitado, torna-se um fardo. Ocupa espaço nas prateleiras necessário para livros mais frescos e prometedores. As editoras não aceitam devoluções, aos alfarrabistas só interessam primeiras edições de António Nobre, abandoná-los no lixo soa a anti-ecológico e destruí-los é demasiado bradburyano. Que fazer?

E eis então que o tão adorado, idolatrado e venerado livro se torna, subitamente, um mono.

Publicado por Jorge Palinhos às 04:35 PM | Comentários (2)

DISCO DO DIA

Publicado por José Mário Silva às 02:11 PM | Comentários (0)

KARMA LAGARTO

«...
- Quando vires a nova equipa de futebol hás-de lembrar-te dos bons tempos e dirás que não há nada como o futebol. O clube está irreconhecível. Nunca tivemos, juro-te pela minha mãezinha, que me deu esta medalhinha, uma linha de ataque que se lhe compare. Viste o Potenzone?
- Não.
- Então não fales de futebol. Tens de fechar essa boca, em poucas palavras, calar-te. Potenzone é o novo avançado-centro. Um mago com a bola, fuçanguice pura e floreados, mas quando chega à baliza, o homem perde impulso, falta-lhe fibra e o golo mais certo acaba em nada, se me faço entender. E Perrone, também não o viste?
- Também não.
- Mas pá, o que é que andas a fazer? Estás a perder o melhor da vida. Perrone é o extremo mais rápido que alguma vez tivemos. Um caso diferente. Corre como uma flecha, chega à zona da baliza, parece meio confuso, chuta para diante. E o Negrone, viste?
- Esse no meu tempo já era meio veterano.
Enquanto Pegoraro, fazendo as orelhas moucas, explicava os defeitos daquele jogador, Gauna pensava que um desses domingos tinha de inventar uma boa desculpa e voltar ao clube.
...»

Adolfo Bioy Casares
O Sonho dos heróis, 1954
Ed. Cavalo de Ferro,
tradução de Sofia Castro Henriques e Rui Lagartinho

Publicado por tchernignobyl às 01:10 PM | Comentários (0)

ENFEITES DE ESTUFA

«
...
- Senhor Gauna ?
- Assim é - disse Gauna.
- Entre meu bom senhor, entre. Estávamos à sua espera. Eu sou o senhor A. Nadin. O que diz do tempo?
- Mau - respondeu Gauna.
- Louco - afirmou Nadin - Olhe, eu não sei o que pensar. Antigamente, não lhe digo que fosse grande coisa, mas, mal por mal, você conseguia preparar-se. Ao passo que agora...
- Agora está tudo de pernas para o ar - declarou Gauna.
- Bem dito, meu bom senhor, bem dito. Tão depressa faz frio como calor e ainda há quem se admire se você cair à cama com gripe e constipações.
...
»

Adolfo Bioy Casares
O Sonho dos heróis, 1954
Ed. Cavalo de Ferro,
tradução de Sofia Castro Henriques e Rui Lagartinho

Publicado por tchernignobyl às 12:52 PM | Comentários (0)

JÚLIO VERNE: O MEU TOP-5

1- «A Ilha Misteriosa»
2- «Os Filhos do Capitão Grant»
3- «Miguel Strogoff»
4- «Viagem ao Centro da Terra»
5- «A Volta ao Mundo em Oitenta Dias»

Lista feita com exclusivo recurso à memória (hoje bastante vaga) das tardes de Verão dos meus oito, nove, dez anos — tardes imensas em que o mundo cabia inteiro naquelas fabulosas páginas amarelecidas.

Publicado por José Mário Silva às 12:22 AM | Comentários (14)

março 23, 2005

LIMPEZA DE PRIMAVERA

Era para ter sido no Verão. Mas não foi. Era para ter sido no Outono. Mas não foi. Era para ter sido no Inverno. Mas não foi. Chamem-lhe preguiça, inércia, procrastinação. Chamem-lhe o que quiserem. O certo é que nunca mais me decidia a limpar a desactualizadíssima coluna de links (aqui à direita). Hoje, finalmente, peguei na vassoura e na esfregona e pus mãos à obra. Os blogues mortos foram retirados; os que mudaram de endereço, reencaminhados; os outros permanecem na mesma.
Amanhã concluo a tarefa, acrescentando os links para novos blogues de que temos gostado.
Obrigado pela paciência e desculpem o cheiro a lixívia.

[É com pena que junto ao rol de baixas o País Relativo, um dos blogues veteranos da lusoblogosfera. E, tal como o tchern, espero que este «adeus português» não passe de um até já.]

Publicado por José Mário Silva às 08:12 PM | Comentários (6)

RELATIVAMENTE CHATO

Independentemente de um "lamento genérico" pelo fim de um blog que gosto de visitar (foi dos primeiros sítios onde fiz comentários quando descobri a "blogosfera"), cai mesmo muito mal que o País Relativo acabe agora.
Parece-me MAL que tenham decidido AGORA "descansar"...
"Descansar"? AGORA? Ainda não é o Verão, pá.
Ok, sei que sou o último com direito a resmungar com outros por "falta de comparência" na blogosfera, e cada um sabe da sua vida, mas francamente custa vê-los a "precisarem de descansar" logo todos de uma só assentada como se tratasse de uma epidemia, precisamente quando se esperaria deles um novo fôlego nesta fase politicamente mais bem interessante que vamos atravessar.
Para ser mais directo, faz falta um blog que embora plural e independente esteja à partida mais "alinhado" com as posições do PS, o partido que está agora no Governo com Maioria Absoluta.
Claro que esse blog seria um forte candidato a bombo da festa à medida que avançar a legislatura, mas não faz isso parte da coerência com que se defendem posições?
Uma coisa é o Santos Silva ter abandonado as suas brilhantes crónicas do Público, o que lamento mas que faz totalmente sentido.
Outra coisa é vocês, rapazes, vocês teriam obrigação, passe a minha impertinência, agora mais do que nunca, de dar o litro.
Estão cansados... hum... ok, descansem então e arranjem maneira de voltarem depressa. Cá os esperamos.

Publicado por tchernignobyl às 07:40 PM | Comentários (7)

MÚSICA RECOMENDADA PARA ESTES DIAS

É só escolher.

ADENDA (a pedido de várias famílias e com o meu amen):

Publicado por José Mário Silva às 02:43 PM | Comentários (11)

MOMENTO MORI

Façam o favor de visitar o Bombyx mori — bichinho dado a meter-se no casulo, a congeminar metamorfoses. Mas não esperem uma escrita sedosa, não senhor, que aquilo é mais terilene e velcro (felizmente).

Publicado por José Mário Silva às 12:46 PM | Comentários (2)

A MULHER DE CÉSAR...

Segundo a imprensa, o Governo anterior adjudicou um contrato no valor global de 500 milhões de euros (100 milhões de contos por um sistema de comunicações??? Não há aqui um exagero nisto? Um valor destes não justificaria que em Portugal se desenvolvesse um sistema alternativo em vez de comprá-lo?) três dias depois de ter sido derrotado nas eleições.
Quanto a mim não estará em causa o facto de um Governo adjudicar um contrato, mesmo que este valor astronómico talvez exigisse uma outra ponderação numa altura tão sensível politicamente.
O que me faz confusão é a notícia referir que o ex-Ministro da Administração Interna, Daniel Sanches, um dos assinantes do despacho conjunto que adjudicou o contrato, tinha ligações profissionais ao consórcio vencedor antes de ir para o Governo, o que levanta mais uma vez o problema da "promiscuidade" entre governantes e interesses privados.
O conjunto de serviços envolvido num contrato deste valor (e mesmo que haja aqui um engano nas verbas indicadas) pressupõe o envolvimento de muitos profissionais, alguns deles ligados aos partidos do governo, outros contra, outros nem por isso. Parece-me que isto é uma situação normal.
Mas como é possível que alguém se disponha a ir para Ministro de uma determinada tutela quando sabe que vai ter poder de decisão sobre determinado dossier sensível que envolve a sua actividade profissional?
E como é possível que alguém CONVIDE alguém para o Governo nessa qualidade de interessado?
E como é possível que se pretenda que alguém acredite que uma coisa com esta importância seja assinada de uma forma que só pode parecer precipitada, apenas porque urge tomar uma decisão?
Será que esta gente já ouviu falar numa coisa chamada "conflito de interesses"?
O mais grave é que este tipo de situações são provavelmente a regra e não a excepção e, depois, é claro que é fácil dissertar sobre a "ineficiência" do Estado.
Será que vamos estar livres deste tipo de "ocorrência" com o novo Governo?

Publicado por tchernignobyl às 11:20 AM | Comentários (4)

EUFORISMO

Naquele circo era tudo ao contrário: havia um amestrador de facas e um atirador de focas.

Publicado por José Mário Silva às 12:28 AM | Comentários (2)

março 22, 2005

FOI VOCÊ QUE PEDIU UM ENVIESAMENTO MASCULINOCÊNTRICO?

Publicado por José Mário Silva às 11:22 PM | Comentários (13)

FRASES INTRADUZÍVEIS (2)

«Não é justo nem razoável que persistam enviesamentos masculinocêntricos tão acentuados na selecção das questões políticas agendáveis» - Jorge Sampaio.

Publicado por José Mário Silva às 11:19 PM | Comentários (3)

FRASES INTRADUZÍVEIS

Ao trangalhadanças, coitadinho, deu-lhe um tranglomanglo.

Publicado por José Mário Silva às 11:09 PM | Comentários (2)

SÓ PARA EVITAR CONFUSÕES

Apesar das semelhanças, o post anterior não é um post do Abrupto. E mesmo se fosse, não teria problema nenhum em republicá-lo no BdE: toda a gente sabe que a convergência estética não implica uma convergência ideológica.
[Ao JPP, pelo involuntário roubo do título, deixo as minhas desculpas.]

Publicado por José Mário Silva às 08:53 PM | Comentários (3)

COISAS SIMPLES (2)

Josef Sudek, «Empty bottle, slices of watermelon on plate» (1954-55)

Publicado por José Mário Silva às 06:37 PM | Comentários (4)

HERÓIS DO MAR, NOBRE POVO...

O cavalheiro na mesa ao lado da minha estava profundamente embrenhado na leitura da «Revista de Vinhos».
À sua frente, com ar atilado, uma garrafa vazia de Água das Pedras.

Publicado por tchernignobyl às 03:34 PM | Comentários (4)

E, PROVAVELMENTE, TAMBÉM A FAVOR DA DESPENALIZAÇÃO DO ABORTO

Cientistas investigam patos homossexuais necrófilos.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:24 PM | Comentários (1)

CUMPRIMENTAR A COTAGEM

Aqui vão também parabéns aos nossos estimados sacos de boxe Ana e Macguffin e ao Vasco em três pessoas. Este, aliás, diz que sou da "geração" dele. A bem dizer, nunca tinha pensado que a minha persona bloguística pudesse pertencer a uma geração. Mas depois de ter falhado a Geração X, a Geração Rasca e a Geração Doom, até me sinto confortado por fazer parte de uma geração distinguida por estar fechada no quarto a mandar bitaites.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:13 PM | Comentários (1)

LICENCIADO EM LÍNGUAS OFERECE-SE PARA PRESIDIR À ASSEMBLEIA GERAL DA ONU

Acontece porém que Paul Wolfowitz pode revelar-se uma excelente escolha para a liderança do Banco Mundial (...) Primeiro, por ser licenciado em matemática...
José Manuel Fernandes, dando-me grandes esperanças.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:08 PM | Comentários (3)

O NOME DA BESTA

A blogosfera em peso (1, 2) procura bodes expiatórios para os "inenarráveis" títulos portugueses dos filmes estrangeiros. É pena é que ninguém se lembre dos títulos portugueses que são melhores (Citizen Kane - O mundo a seus pés), mais previdentes (Indiana Jones and the Last Crusade - Indiana Jones e a Grande Cruzada) e mais evocativos (It's a Wonderful Life - Do céu caiu uma estrela) que os originais.
Mas eu explico: ao contrário do que é senso comum, não são os tradutores e legendistas que dão o nome ao filme. Consoante este é proveniente de um grande estúdio ou uma produção independente, o processo é diferente.
No primeiro caso, o nome é escolhido pela grande produtora americana que agrupa os países do seu potencial mercado em lotes (Portugal pertence ao lote ibero-americano) e escolhe um título para cada lote. A globalização em todo o seu esplendor...

No segundo caso, são os executivos da distribuidora portuguesa que decidem qual o título que lhes parece ser mais apelativo para o público, normalmente durante a pausa para o café.

Ou seja, para abreviar, como quase em tudo na vida, a culpa é dos americanos e dos capitalistas.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:54 PM | Comentários (14)

COISAS SIMPLES

Josef Sudek, «Still life with glass and bread» (circa 1950)

Publicado por José Mário Silva às 02:52 PM | Comentários (0)

REGRESSO

Ok, o filme está acabado, o livro está impresso, a árvore está plantada, o filho está em gestação* e por isso bloguemos, pois.

* Estou só a brincar, mamã e papá!

Publicado por Jorge Palinhos às 02:50 PM | Comentários (1)

E QUAL É O ESPANTO?

Ainda mais se percebe que o escândalo da direita portuguesa com as afirmações de Freitas tem mais a ver com um apelo ao respeito pela discrição e privacidade de cada um do que com hipotéticas "preocupações" "de Estado" quando se sabe que ele (talvez até ingenuamente...) acertou na mouche.
Então alguém duvida ainda das ligações assumidas e de longa data entre os USA e o venerando ancião Pinochet, agora também conhecido aforrador compulsivo, émulo do sobrinho do Isaltino?
Segundo a MO JOnes, o esquema da privatização da Segurança Social que o Bush tenta pôr em prática terá sido inspirado por um antigo "Ministro do Trabalho" (nem mais! esta gente adora o trabalho) de Pinochet nos bons tempos da ditadura.
Não que seja fácil de se acreditar que o Bush avance para algo de tal dimensão influenciado por um torcionário qualquer de meia tigela de um país do terceiro mundo. O que interessa aqui referir é que este pessoal se "dá" todo uns com os outros. Não gostam é que se fale muito disso publicamente. O segredo é a alma do negócio e da correcção das distorções do mercado.

Publicado por tchernignobyl às 01:40 PM | Comentários (3)

PRIORIDADES

O ubíquo e omnisciente Grande Pai Branco de Washington deve ter ficado ontem reconhecido pela galhardia com que os representantes do Partido Republicano na Assembleia da República portuguesa defenderam a sua honra e bom nome no debate de ontem do Programa do Governo contra o sinistro esquerdista, passe o pleonasmo, que sem pudor comparou as acções do simpático potentado com as de alguns ditadores.
Freitas ainda se deu ao trabalho de lhes falar em Guantanamo e Abu Ghraib, nomes incómodos que apenas representam uma leve evocação do estado de coisas, a face visível do iceberg, mas eles coitadinhos disso não sabem ou nem querem saber; "gente de bem", preocupa-os apenas o acessório que é o eventual exagero da comparação, mesmo tendo em conta que foi feita num momento histórico em que se banalizaram as declarações mais desbocadas dos partidários da guerra contra a ONU e contra a "Velha Europa"...
É por outro lado notável que todo este charivari inútil seja provocado pelos partidos que representam as "elites", num momento em que todos admitem que a situação do país é grave e que o que interessa é discutir coisas importantes...

Publicado por tchernignobyl às 11:30 AM | Comentários (16)

LARGA-ME JÁ ESSA BOLA, FILHO!

No Brasil, ser mãe de futebolista tornou-se uma "profissão" de risco.

Publicado por José Mário Silva às 10:16 AM | Comentários (0)

DISLEXIAS CULTURAIS

Há quem confunda Schubert com Schumann e quem não saiba distinguir Deleuze de Derrida.

Publicado por José Mário Silva às 10:13 AM | Comentários (3)

março 21, 2005

E AINDA OUTRO POEMA (ESCRITO NA BLOGOSFERA)

[caderneta militar]

se tu me dissesses por uma única vez
«meu amor»
eu desertava

José Carlos Barros

Publicado por José Mário Silva às 05:23 PM | Comentários (0)

E JÁ AGORA, UM POEMA

AXIOMA

No desespero te confirmam
os que sabem (saberão?)
do estrume dos conceitos
e das épocas que morrem,
iguais ao vazio.
Mas não é bem isso:

querias apenas um lugar
de sombra, cercado de ausência,
um lugar comum combustível
e sem Deus. Aí, perdoando o corpo,
falarias do Inverno e dos
cigarros que se enrolam
ao lado de uma cerveja fria.

Curtas sentenças prosaicas
que em silêncio te confirmam
nos sítios de fora, errados,
onde a outra voz era esta.

Manuel de Freitas (in «Game Over», &Etc)

(Clicar na imagem)

Publicado por José Mário Silva às 05:10 PM | Comentários (0)

DIA MUNDIAL DA POESIA

Se estiverem para aí virados, escrevam poemas, leiam poemas, digam alto poemas, sussurrem ao ouvido poemas, rasguem poemas, copiem poemas, ofereçam poemas, trafiquem poemas, reinventem poemas, pintem poemas nas paredes. Mas, por favor, não comemorem a poesia (com maiúscula ou sem maiúscula).

Publicado por José Mário Silva às 04:56 PM | Comentários (6)

AFINAL A PERGUNTA NÃO ERA TÃO INGÉNUA QUANTO ISSO

Quando escrevi o post anterior, ainda não tinha lido a edição de hoje do «Diário de Notícias», cuja manchete é: «Sindicatos exigem polícia de choque em zonas de alto risco». A notícia completa pode ser lida aqui.

Publicado por José Mário Silva às 12:19 PM | Comentários (2)

UMA PERGUNTA INGÉNUA

Este fim-de-semana, morreram mais dois agentes da PSP no concelho da Amadora, o que está a levantar uma nova e compreensível onda de indignação nas forças policiais (após o assassinato brutal de outro agente, há cerca de um mês). As reportagens sublinham o que já sabíamos: ao actuar em zonas de risco, a polícia apresenta-se quase sempre mal equipada e muitas vezes com elementos inexperientes (um dos polícias mortos entrara na PSP há apenas seis meses). Quanto aos criminosos, não só estão mais bem apetrechados, em termos de viaturas e armas de fogo, como experimentam agora um sentimento de impunidade que os leva a nem pensarem duas vezes quando lhes surge a ocasião de "despachar um bófia".
A minha pergunta ingénua é esta: em vez de sacrificar jovens polícias mal armados na Cova da Moura, por que é que não se envia para essas áreas de elevadíssimo risco as forças do Corpo de Intervenção, que normalmente só vemos a carregar, forte e feio, sobre os estudantes que lutam contra as propinas ou sobre os trabalhadores que se manifestam às portas das fábricas? A esses agentes da autoridade, sabemo-lo bem, não falta nada: nem escudos inquebráveis, nem viseiras, nem coletes à prova de bala, nem metralhadoras, nem gás lacrimogéneo...

Publicado por José Mário Silva às 10:06 AM | Comentários (19)

março 20, 2005

NEVE EM PARIS (CONCLUSÃO)

edm.jpg

Agora que este Inverno rigoroso está a acabar, uma imagem final: Fondation Émile et Louise Deutsch de la Meurthe, Cité Internationale Universitaire de Paris. A neve a cair.

Publicado por Filipe Moura às 04:40 PM | Comentários (1)

EQUINÓCIO

É agora, neste preciso minuto. A palavra Primavera a romper debaixo dos dedos, lá fora finalmente uma promessa de chuva.

Publicado por José Mário Silva às 12:34 PM | Comentários (0)

março 19, 2005

MONDO FEMININO

Uma leitora do Expresso, Maria Georgina Valente, dá uma excelente achega à discussão sobre o número de mulheres presentes no Governo socialista, aspecto particular da presença das mulheres na vida pública em Portugal.
Lamenta a leitora que a apresentadora Ana Sousa Dias se "impõe demasiado", "passa o tempo a pressioná-lo".
É este talvez o problema de algumas mulheres, impõem-se demasiado.
Quantas saudades daqueles apresentadores lambe-botas da TVI que tanto contribuiram para a construção do mito do "comunicador" a quem permitiam "falar, contar, comentar, sorrir e ser feliz" (sic) sem outras intromissões no espectáculo total do discurso "informativo" do "Professor" que não olhares de pura admiração.
Aquilo é que eram homens caraças...

Publicado por tchernignobyl às 01:57 PM | Comentários (7)

ECONOMIA GLOBALIZADA

No Expresso, anuncia-se também o provável regresso do grande Isaltino de Morais.
"Não é crime ter contas lá fora" é o cabeçalho da entrevista em que assume uma defesa vigorosa do seu sobrinho taxista.
O homem trabalha na Suíça, tem conta na Suíça, alguém tem alguma coisa a ver com isso?

Publicado por tchernignobyl às 01:42 PM | Comentários (0)

AINDA MEXE...

Há uns alienados que estiveram na bicha umas noites para comprarem bilhetes para o concerto dos U2.
E agora que cheira a autárquicas outro pessoal do mesmo género começa já a comprimir-se na bicha por um "lugarinho".
Em Lisboa, Santana admite com humildade e "fair play" que entre ele e o seu segundo Carmona Rodrigues, aquele que "estiver mais bem colocado" na altura das eleições será o "escolhido".
Neste momento parece consensual que o mais bem colocado é o Carmona mas... lá mais para a frente quem sabe???
As dúvidas, as dúvidas...
Para pensar melhor sobre o assunto Santana anuncia para os próximos dias uma série de visitas a diversos locais emblemáticos do "seu(?)" executivo camarário.
Uma coisa é certa: no PSD eu não sei mas o resto do povo com certeza que prefere que o Santana concorra.

Publicado por tchernignobyl às 01:24 PM | Comentários (2)

EU QUERIA UMA SECRETÁRIA DESTAS, MAS NO IKEA NÃO HAVIA

David Hockney, «The Desk, July 1st, 1984» (fotocolagem)

Publicado por José Mário Silva às 01:11 PM | Comentários (0)

SEMPRE A ABRIR

É altura de eu arranjar uma solução que poupe a minha escoliose causada pelo peso dos livros e revistas que carrego continuamente.
Mesmo em ocasiões mais sociais que de todo desaconselham a presença da mochila, como jantares de blogs, apresentação de cumprimentos aos membros dos novos governos, entrega de prémios literários ou artísticos ou quando concedo audiências ao Papa ou a algum astronauta, esgaço os bolsos do meu sobretudo ou deformo os meus tuxedos com volumes suspeitos devido ao vício compulsivo de andar sempre com um livro perto de mim.
Os japoneses encontraram a resposta a este problema derrubando também de uma penada as minhas últimas resistências à adopção de um telemóvel ao popularizarem-no não apenas para comunicar ou reproduzir barulhinhos imbecis, mas como e-book, finalmente uma forma racional de utilizar o ubíquo aparelhómetro.
Vou ficar ainda mais vesgo mas pelo menos andarei muito mais leve.

Publicado por tchernignobyl às 11:56 AM | Comentários (1)

MANIFESTO DE FIM-DE-SEMANA

O que se segue resultou do painel Democracia, Terrorismo e Internet Aberta da Cimeira de Madrid sobre Terrorismo e Segurança, moderado por Bruce Sterling e Marko Ahtisaari.

"The Infrastructure of Democracy
Strengthening the Open Internet for a Safer World
March 11, 2005

I. The Internet is a foundation of democratic society in the 21st century, because the core values of the Internet and democracy are so closely aligned.

1. The Internet is fundamentally about openness, participation, and freedom of expression for all - increasing the diversity and reach of information and ideas.

2. The Internet allows people to communicate and collaborate across borders and belief systems.

3. The Internet unites families and cultures in diaspora; it connects
people, helping them to form civil societies.

4. The Internet can foster economic development by connecting people to information and markets.

5. The Internet introduces new ideas and views to those who may be isolated and prone to political violence.

6. The Internet is neither above nor below the law. The same legal
principles that apply in the physical world also apply to human activities conducted over the Internet.


II. Decentralized systems - the power of many - can combat decentralized foes.

1. Terrorist networks are highly decentralized and distributed. A
centralized effort by itself cannot effectively fight terrorism.

2. Terrorism is everyone's issue. The internet connects everyone. A
connected citizenry is the best defense against terrorist propaganda.

3. As we saw in the aftermath of the March 11 bombing, response was spontaneous and rapid because the citizens were able to use the Internet to organize themselves.

4. As we are seeing in the distributed world of weblogs and other kinds of citizen media, truth emerges best in open conversation among people with divergent views.


III. The best response to abuses of openness is more openness.

1. Open, transparent environments are more secure and more stable than closed, opaque ones.

2. While Internet services can be interrupted, the Internet as a global system is ultimately resilient to attacks, even sophisticated and widely distributed ones.

3. The connectedness of the Internet – people talking with people – counters the divisiveness terrorists are trying to create.

4. The openness of the Internet may be exploited by terrorists, but as with democratic governments, openness minimizes the likelihood of terrorist acts and enables effective responses to terrorism.


IV. Well-meaning regulation of the Internet in established democracies could threaten the development of emerging democracies.

1. Terrorism cannot destroy the internet, but over-zealous legislation in response to terrorism could. Governments should consider mandating changes to core Internet functionality only with extraordinary caution.

2. Some government initiatives that look reasonable in fact violate the basic principles that have made the Internet a success.

3. For example, several interests have called for an end to anonymity. This would be highly unlikely to stop determined terrorists, but it would have a chilling effect on political activity and thereby reduce freedom and transparency. Limiting anonymity would have a cascading series of unintended results that would hurt freedom of expression, especially in countries seeking transition to democratic rule.


V. In conclusion we urge those gathered here in Madrid to:

1. Embrace the open Internet as a foundation of 21st Century democracy, and a critical tool in the fight against terrorism.

2. Recognizing the Internet's value as a critical communications
infrastructure, invest to strengthen it against attacks and recover quickly from damage.

3. Work to spread access more evenly, aggressively addressing the Digital Divide, and to provide Internet access for all.

4. To protect free speech and association, endorse the availability of anonymous communications for all.

5. Resist attempts at international governance of the Internet: It can introduce processes that have unintended effects and violate the bottom-up democratic nature of the Net. "

Publicado por tchernignobyl às 11:45 AM | Comentários (1)

março 18, 2005

SEMPRE A SUBIR


Cartoon de Stephane Peray

Publicado por José Mário Silva às 07:41 PM | Comentários (3)

POUCO SEGURO

O País Relativo adorou a crónica de hoje do Sousa Tavares no Público. Também gostei da crónica.

Apesar de tudo parece-me que é natural que todos os quadrantes políticos se preocupem com os vários "sinais" que têm vindo a ser dados pelo Governo, ou sectores tidos como afectos ao Governo, em particular relativamente a possíveis aumentos de impostos.
Um sinal negativo deu-o ontem à noite António José Seguro num programa de debate da RTP1.
Começou por minimizar as diversas sugestões já feitas a possíveis aumentos de impostos e garantiu que o Programa de Governo é perfeitamente coerente com as propostas do PS na campanha eleitoral.
Inquirido então por Pires de Lima, do PP, sobre o conteúdo das proposta do PS quanto aos impostos durante a campanha eleitoral, Seguro sorriu com um ar complacente... "o Sr. Dr. está a brincar com certeza, toda a gente conhece as propostas do PS a esse respeito durante a campanha eleitoral..." e com o sorriso iludiu a questão.
Não pode ser.
Numa altura em que os políticos não hesitam em repetir à saciedade as maiores evidências quando lhes dá jeito, Seguro até pode ter razão mas das duas uma, ou acredita no que está a fazer ou já deveria ter percebido que não há pachorra nesta fase do campeonato para este tipo de "saída airosa" de Delegado Comercial iludindo "habilmente" o comprometimento.

Publicado por tchernignobyl às 04:20 PM | Comentários (4)

POST VAGAMENTE INSPIRADO NA MODALISBOA

A minha expressão bíblica favorita é «rasgar as vestes».

Publicado por José Mário Silva às 02:16 PM | Comentários (0)

A PRÓXIMA VÍTIMA

Newcastle-Sporting, dia 7 de Abril, no Estádio St. James Park. E já só faltam quatro jogos para a final.

Publicado por José Mário Silva às 01:27 PM | Comentários (3)

MON COEUR A SEULEMENT UNE COULEUR

No Torneio Inter-Fundações de futebol de sete da Cité International Universitaire de Paris, joga-se este sábado, às dez da manhã, no Stade Dalmasso, o jogo (eliminatório) entre as equipas da casa onde moro (onde fui colocado pelo Bureau des Chercheurs) e da Casa de Portugal, a Résidence André de Gouveia. E agora, Filipe? Por quem vais torcer? Pela casa onde dormes todos os dias, onde comes, tomas banho e escreves os textos para o BdE? E onde tens uns vizinhos porreirões e solidários, impecáveis, que nunca te negam ajuda, como o que hoje te emprestou um carregador de pilhas? E onde aos fins de semana há soirées d'étage porreiríssimas e bem regadas? Ou, pelo contrário, pela casa onde vais ver o Sporting, os residentes não são menos solidários que os anteriores, a animação é constante a qualquer hora do dia e da noite, onde gostas sempre de ir e és sempre bem tratado? Vais torcer pela casa onde, para além de haver sala informática, cada quarto tem ligação à internet, o que te permite trabalhar e inclusivé ver televisão? Ou vais torcer pela casa onde a ligação à internet se limita um único computador e a meia dúzia de cabos para portáteis na biblioteca? Vais torcer pela casa onde os quartos têm uma casa de banho privativa, um frigorífico privativo e alguns como o teu são estúdios, ou pela casa em que cada residente tem direito a um cubículo ridículo no frigorífico comum e as casas de banho são partilhadas e estão em boa parte num estado lastimável? Vais torcer pela casa com rendas mais caras, ou pela com as rendas mais baratas (também era o que mais faltava..)? Vais torcer pela casa onde as festas têm entrada paga para os não-residentes, música techno e não têm graça por aí além (talvez por conheceres meia dúzia de pessoas)? Ou vais torcer pela casa onde as festas têm entrada de graça mesmo para os não-residentes, música dos Xutos e dos Peste & Sida, onde conheces muita gente e há sempre, no bar, algures na noite, quem te arranje discretamente uma cerveja de graça?
(Ah se o Monsieur Presidente do Comité de Residentes, tão cioso das contas e das receitas, lê isto!)
Pois não sei por quem torcer. Olhem, desejo que seja um bom jogo e que ganhe a casa onde viverem mais pessoas que leiam este texto. Eu nem vou ver o jogo e ainda bem, para me manter neutro; vou-me pirar para a Alsácia este fim de semana para beber uma Kronembourg e provar uma tarte flambée e, segunda-feira ou quando souber o resultado, digo-vos. Bom fim de semana.

Publicado por Filipe Moura às 01:24 PM | Comentários (7)

A MÃO INVISÍVEL

Da Mão Invisível, da vara que dobra mas não se sabe para onde, da regulação sem concorrência e da concorrência sem regulação, e dos seus monopólios, da amplificação das flutuações sem "feedback" negativo, do canibalismo, e da emergência da mediocridade...

[...] In Adam Smith's (1723-1790) world of economic processes, a world involving a system of goods and demand for those goods, prices will always tend toward a level at which supply equals demand. Thus, this world postulates some type of negative feedback from the supply/demand relationship to prices, which leads to a level of prices that is stable.
This means that any change in prices away from this equilibrium will be resisted by the economy, and that the laws of supply and demand will act to reestablish the equilibrium prices. Recently, economists have argued that this is not the way many of the sectors work in the real economy at all. Rather, these economists claim that what we see is positive feedback in which the price equilibria are unstable.
For example, when video cassette recorders (VCRs) started becoming a household item some years back, the market began with two competing formats - VHS and Beta - selling at about the same price. By increasing its market share, each of these formats could obtain increasing returns since, for example, large numbers of VHS recorders would encourage video stores to stock more prerecorded tapes in VHS format. This, in turn, would enhance the value of owning a VHS machine, leading more people to buy machines of that format. By this mechanism a small gain in market share could greatly amplify the competitive position of VHS recorders, thus helping that format to further increase its share of the market. This is the characterizing feature of positive feedback - small changes are amplified instead of dying out.
The feature of the VCR market that led to the situation described above is that it was initially unstable. Both VHS and Beta systems were introduced at about the same time and began with approximately equal market shares. The fluctuations of those shares early on were due principally to things like luck and corporate maneuvering. In a positive-feedback environment, these seemingly chance factors eventually tilted the market toward the VHS format until the VHS acquired enough of an advantage to take over virtually the entire market. But it would have been impossible to predict at the outset which of the two systems would ultimately win out. The two systems represented a pair of unstable equilibrium points in competition, so that unpredictable chance factors ended up shifting the balance in favor of VHS. In fact, if the common claim that the Beta format was
technically superior holds any water, then the market's choice did not even reflect the best outcome from an economic point of view. [...] John L. Casti, "Complexity - An Introduction", 1997.
(Vitorino Ramos)

Publicado por tchernignobyl às 10:40 AM | Comentários (9)

AS MÁS NOTÍCIAS (QUE CHEGAM TARDE, PARA VARIAR)

Já vai tardíssimo, mas antes tarde do que nunca e o que vale é a intenção. Não quero deixar de evocar aqui dois falecimentos recentes que me entristecem e nos deixam mais pobres, principalmente as pessoas da minha idade. Refiro-me ao treinador de futebol holandês Rinus Michels, que comandou a melhor equipa de futebol que eu alguma vez vi actuar, a Laranja Mecânica de 1988, pois (nunca vi a dos anos 70 - a equipa; o filme, vi -, que era capaz de ser melhor mas infelizmente nunca ganhou nada). Michels inventou (e pôs em prática enquanto treinador) o conceito de futebol total (terá a ver com o homem total de Marx?). O futebol com ele era um espectáculo.
O outro falecimento é o da actriz brasileira Zilka Salaberry, que interpretava a Dona Benta na adaptação televisiva dos anos 70/80 do Sítio do Picapau Amarelo. Se o Tom Sawyer era o colega de escola da minha geração, a Dona Benta era a nossa avó.

Publicado por Filipe Moura às 09:01 AM | Comentários (4)

março 17, 2005

O TRAJO DA FESTA

Numa noite de Saint Patrick, em que manda a tradição que se vá para um pub irlandês (nem que seja um improvisado no Terrasse da Cité) e se use vestuário verde, um cachecol do Sporting serve muito bem para esse efeito. Especialmente se essa também for noite de vitória.

Publicado por Filipe Moura às 11:54 PM | Comentários (4)

SPORTING - 1; MIDDLESBROUGH - 0

Breves apontamentos sobre o jogo:

- O Hugo jogou 34 minutos ao mais alto nível, como um Lázaro ressuscitado após uma "morte desportiva" bastante penosa. Cortes, passes, antecipações: saiu-lhe tudo bem. Não engulo as palavras que escrevi (aqueles seis pontos ainda podem custar-nos o campeonato) mas o rapaz mostrou que tem carácter e capacidade de se superar nos momentos difíceis. Foi pena ter saído por lesão.

- O Rochemback e o Custódio fazem muita falta ao meio-campo. A equipa jogou bem, controlou o ritmo da partida e o resultado, mas não houve rasgos de criatividade, não houve futebol total, muito menos sufoco do adversário.

- O Beto está em baixo de forma (a primeira parte foi miserável); enquanto o Enakarhire mostrou não apenas que é insubstituível (viu-se contra o Penafiel) como um dos mais sólidos centrais a jogar por estas bandas.

- O Douala foi magnífico. Há muito tempo que não via um extremo com tanta velocidade e capacidade de "rasgar" a defesa contrária. Naquela lateral esquerda, chegou a parecer uma versão futebolística do Obikwelu.

- Houve ainda dois "veteranos" em excelente plano: Sá Pinto (um puto raçudo que vai a todas) e Pedro Barbosa (deu o litro durante os 90 minutos e ainda teve pernas para marcar um grande golo, mesmo ao cair do pano).

- Peseiro voltou a fraquejar no banco, sobretudo quando demorou uma eternidade a reagir ao último fôlego do Boro, que começou a ganhar ascendente nos 20 minutos finais (como em Inglaterra).

- Resumindo: num jogo morno e de contenção, salvou-se o resultado (1-0) que permite o apuramento para os quartos-de-final de uma prova europeia, 14 anos depois.

- Uma última nota, pessoal e escatológica (peço desculpa aos mais sensíveis). Poucos minutos após o fim do jogo, ao mudar a fralda à minha filha, deparei-me com o seu primeiríssimo cocó verde. Verde mesmo verde, do mais verde que há. Se isto não é uma manifestação de sportinguismo precoce, não sei o que possa ser.

Publicado por José Mário Silva às 11:23 PM | Comentários (12)

HISTÓRIAS DO ELEVADOR

Quando entrei no elevador do Lavra hoje, por volta da hora do almoço, apenas se encontrava presente a guarda-freio, uma bonita rapariga loira que respondeu com um sorriso ao meu cumprimento e me avisou que só desceria dali a dez minutos.
A visão agradável da rapariga a ler “a Bola” na outra ponta da carruagem, a pacatez do local e o calor da seca lembraram-me os preparativos de um piquenique numa tarde de Verão calmosa pelo que resolvi aproveitar o tempo até à próxima descida embrenhado na leitura de The dying animal, a minha introdução à obra do celebrado Philip Roth, em vez de descer logo as escadas a correr como acontece quando a presença de um guarda-freio “normal” desmobiliza a ”rêverie” e retira potencial evocativo ao momento.
Com o passar dos minutos foram chegando mais alguns passageiros, quatro ao todo: uma mulher com os seus trinta anos, cabelo loiro pintado e penteado liso e três homens de idade, um com ar de ex-aventureiro, cabelo e bigodes grisalhos, pele bronzeada e vestindo um “blusão de jeans”, os outros obedecendo mais ao modelo do reformado do bairro, desgastados, olhares tristes, roupas coçadas e anacrónicas, todos dando as boas tardes enquanto validavam os bilhetes.
Para que fosse completo o ambiente de aldeia no meio da cidade faltou apenas o canto das cigarras e uma sugestão de odor a esteva transportado numa brisa.
Tara civilizacional, na plataforma de cimento cá fora ouvia-se um homem a falar longamente ao telemóvel, dando ordens... contra-ordens, daqueles gajos que estão permanentemente a resolver “assuntos”... nhónhó, nhónhó, nhónhó... a versão moderna do alcatruz talvez, não sei se pelo chiar da roda se pelo zurrar do burro.
Finalmente ouviu-se um compressor, uma luz acendeu-se sobre o volante, a guarda-freio gritou com ar autoritário: “Ó senhor, afinal quer entrar ou não?” e o rapaz, obediente , acabou a conversa tele-móvel, entrou corado no elevador e a descida começou...

Publicado por tchernignobyl às 06:32 PM | Comentários (4)

ÚLTIMAS PALAVRAS

Sublimes, as sete últimas palavras de Cristo no monte Gólgota — transformadas por Haydn em música e pura luz.

Publicado por José Mário Silva às 12:21 PM | Comentários (3)

HANDICAP

No século XIX, era habitual os melhores xadrezistas jogarem com menos um peão (e às vezes com menos um cavalo ou uma torre) quando defrontavam jogadores mais fracos. No século XXI, José Peseiro insiste em manter Hugo no tabuleiro. É a mesma coisa.

Publicado por José Mário Silva às 10:59 AM | Comentários (6)

TEIMOSIA & MASOCHISMO

«José Peseiro confirmou ontem que Hugo vai ser titular, mas ainda tem dúvidas em relação aos outros nove que lhe vão fazer companhia, já que Ricardo parece certo na baliza.»
Tradução: a bem do espectáculo, como a eliminatória está praticamente ganha, vamos dar algumas esperanças aos adeptos do Boro...
Oxalá não se arrependa, Sr. Peseiro.

Publicado por José Mário Silva às 10:51 AM | Comentários (3)

O FUTURO QUE SE APROXIMA

O Público anuncia que está prestes a decidir-se o futuro de Fátima Felgueiras.
Embora de algum modo se possa dizer que o futuro de todos nós se decide a todo o momento, o período político de transição que atravessamos baralha consideravelmente as opções no caso da Fátima e torna sensato o recurso a homens sábios como os Professores Mamadu, Marcelo ou Karamba (ordem aleatória) antes de arriscar quaisquer prognóstico sob pena de processos em tribunal em caso de erro clamoroso.
Ainda se estivesse indiciada no Apito Dourado, já toda a equipa que investigara os seus presumidos crimes teria sido demitida e arranjar-se-ia com certeza uma solução airosa.
Se fosse uma funcionária dilecta do anterior governo, teria já assegurado um lugar na Caixa Geral de Depósitos.
Se fosse uma americana da seita do Bush ia no mínimo para o Banco Mundial.
Assim... só resta esperar que se faça alguma justiça.

Publicado por tchernignobyl às 10:34 AM | Comentários (2)

março 16, 2005

IDOS DE MARÇO

O que surpreendeu Júlio César não foi a traição de Brutus; foi a sua súbita previsibilidade.

Publicado por José Mário Silva às 11:45 PM | Comentários (2)

BAD CUP, GOOD CUP

Entre a chávena de porcelana e o copo de plástico, venha o diabo e leve o copo de plástico para o mais profundo dos círculos infernais.

Publicado por José Mário Silva às 02:52 PM | Comentários (8)

E AGORA, HEMINGWAY?

Depois de 11.000 anos de neves que pareciam eternas, o topo do Kilimanjaro deixou de ser branco.

Publicado por José Mário Silva às 02:50 PM | Comentários (2)

PARA ONDE VÃO OS LEITORES DE LIVROS BLASFEMOS?

«As leis do Céu e do Inferno são versáteis. Que vás para um lugar ou para outro depende de um simples pormenor. Conheço pessoas que por uma chave partida ou por uma gaiola de vime foram para o Inferno e outras que por uma folha de papel ou por um copo de leite foram para o Céu.»

Silvina Ocampo, «La Furia» (citado por Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares em «Livro do Céu e do Inferno», Teorema)

Publicado por José Mário Silva às 09:09 AM | Comentários (1)

«NÃO LEIAM NEM COMPREM O CÓDIGO DA VINCI»

Está em curso mais uma gigantesca campanha de promoção ao mega-bestseller de Dan Brown (como se fosse preciso), desta vez made in Vaticano.

Publicado por José Mário Silva às 01:11 AM | Comentários (8)

SERÁ QUE É POSSÍVEL, EM PORTUGAL, MANTER UMA COLUNA DIÁRIA (AINDA POR CIMA EXCELENTE) SOBRE TEMAS CULTURAIS?

Sim, é possível.

Publicado por José Mário Silva às 12:55 AM | Comentários (1)

DISCOS PERDIDOS

As saudades que eu tenho deste LP.

Publicado por José Mário Silva às 12:50 AM | Comentários (6)

março 15, 2005

ACRESCENTOS & SUBTRACÇÕES

Voz dixit:
«Abrão chamava-se Abrão até Deus lhe mudar o nome para Abraão. Sarai chamava-se Sarai até Deus lhe mudar o nome para Sara. Aos homens o Senhor precisa de acrescentar. Às mulheres subtrair.»

Publicado por José Mário Silva às 07:21 PM | Comentários (20)

INTERESSE

Houve um tempo em que as notas biográficas nas badanas dos livros eram todas objectivas e circunspectas. Ou seja: banais, cinzentas, previsíveis. Vieram depois as brincadeiras auto-irónicas e humorísticas (o pioneiro, se não estou em erro, foi Rui Zink). Passou a ser "cool" desconstruir a pose necessariamente narcísica do autor. De então para cá, tenho visto todo o tipo de sabotagens e galhofices. Mas nunca me deparei com nada tão sofisticado como a apresentação que Pedro Sena-Lino faz de si mesmo no seu último livro de poemas («deste lado da morte ninguém responde», Quasi):

Pedro Sena-Lino (n. 1977), sexualmente interessado em Deus.

Publicado por José Mário Silva às 06:47 PM | Comentários (1)

CAMPO DE OURIQUE CONTINUA A ERGUER BARRICADAS NA BLOGOSFERA

Os moradores do bairro mais bonito de Lisboa não desarmam. Eis que surge mais um blogue de resistentes à demolição do Cinema Europa (e não só). Ainda há lutas que vale a pena acompanhar.

Publicado por José Mário Silva às 06:41 PM | Comentários (3)

AMANHÃ, NO SÃO LUIZ

«Afinal, para que servem os intelectuais?» é uma das perguntas a que Eduardo Prado Coelho, justamente um dos mais carismáticos intelectuais portugueses, responderá amanhã à tarde, na sessão de Março do «É a Cultura, Estúpido!». A equipa do costume — Anabela Mota Ribeiro, Pedro Mexia, João Miguel Tavares, Nuno Costa Santos, Daniel Oliveira, Pedro Lomba e José Mário Silva — estará no sítio do costume (Jardim de Inverno do Teatro São Luiz) a partir das 18h30. Apareçam.

Publicado por José Mário Silva às 02:37 PM | Comentários (2)

UPGRADING

A um post sobre Pedro Santana Lopes seguiu-se um post sobre Albert Einstein.

Publicado por José Mário Silva às 02:31 PM | Comentários (3)

EINSTEIN NA PÚBLICA E EM PORTUGAL

No Ano Internacional da Física, a Pública deste fim de semana traz-nos uma excelente evocação de Einstein (que nasceu passaram ontem 126 anos), a não perder. Destaco um pequeno apontamento biográfico com dados e histórias menos conhecidos, uma colecção de citações, a história da famosa foto de língua de fora e um relato de uma brevíssima passagem por Lisboa, fez na sexta-feira passada oitenta anos. Na altura já era uma celebridade mundial, depois de a sua Teoria da Relatividade ter sido confirmada. Compare-se no entanto a recepção que Einstein teve em Lisboa com a que teve no Brasil e em Nova Iorque:

«Nos anos 20, Einstein já era muito famoso. Por onde quer que andasse, esperavam-no multidões. Da primeira vez que visitou os EUA, em 1921, foi cercado mal o navio chegou a Nova Iorque. "Foi recebido com uma torrente de perguntas sobre o seu trabalho por parte dos jornalistas que queriam descrições instantâneas, empacotadas e fáceis de compreender do que queria dizer, exactamente, a relatividade", descrevem Michael White e John Gribbin no livro "Einstein".
Na ida ao Brasil, o criador da teoria da relatividade também fez furor. A 21 de Março, "O Jornal" punha em título: "Passa hoje, no Rio de Janeiro, Albert Einstein, o maior génio que a humanidade produziu depois de Newton." No dia seguinte dizia: "Um génio com uma parcela de divindade."
Na segunda passagem pelo Brasil, "O Jornal" relatava, a 12 de Maio, tudo o que o físico fazia. "Einstein comeu, ontem, vatapá com pimenta", lê-se no título. Era lembrado o facto de a relatividade ter sido confirmada em território brasileiro, com a observação de um eclipse solar em 1919.
A passagem pelo Brasil não podia contrastar mais com a recepção em Lisboa. Tanto quanto se sabe, não foi recebido por ninguém, nem no dia da visita nem depois os jornais publicaram uma linha.
Talvez a forma como a visita foi ignorada pela imprensa reflectisse o desenvolvimento da ciência em Portugal e o interesse pela sua divulgação, apesar de a teoria da relatividade também ter sido confirmada em território português na época - na roça Sundi, na ilha do Príncipe.
Em 1919, só "O Século" terá noticiado a observação do eclipse, descobriu Elsa Mota, aluna de mestrado no Centro de História das Ciências da Faculdade de Ciências de Lisboa. Mas os astrónomos portugueses não acompanharam a expedição, ao contrário dos brasileiros. (...)
As ideias da relatividade tardaram a chegar a Portugal, um sinal da debilidade da ciência no país. (...)
Quando cá chegou, a relatividade teve entre os seus adversários o almirante Gago Coutinho que, com Sacadura Cabral, fez a primeira travessia área do Atlântico Sul, em 1922. Gago Coutinho assistiu à primeira conferência de Einstein no Brasil, a 6 de Maio de 1925, no Clube de Engenharia, e nesse mesmo dia publicou n" "O Jornal" um artigo de ataque à relatividade. Estava errada, achava ele.»

Um qualquer almirante aviador de boas famílias, mas sem nenhuma autoridade na matéria, "acha" que a relatividade está errada, e tem logo acesso a um jornal para publicar as suas sentenças. Assim, não admira que ninguém prestasse atenção a Einstein, tal como hoje não se dá o devido valor à ciência. Não há melhor retrato de Portugal (e da herança colonial portuguesa no Brasil, onde isto se passou) do que este. Foi a isto que séculos de governação efectiva por uma coligação entre oligarquias pouco esclarecidas e sem visão e uma Igreja Católica retrógrada nos condenaram. É o espírito da Inquisição que ainda prevalece.

Publicado por Filipe Moura às 08:28 AM | Comentários (24)

ELE VAI MESMO VOLTAR

Cara de pau is back in town.

Publicado por José Mário Silva às 12:55 AM | Comentários (6)

março 14, 2005

PALAVRÃO

O poeta ecológico sentia falta de um sítio onde pudesse deixar, para serem recicladas, as palavras gastas.

Publicado por José Mário Silva às 11:36 PM | Comentários (3)

MAIS SOBRE CUISINE INTERNATIONALE

Depois dos oeufs brouillés à la portugaise, descobri hoje ao almoço que o arroz refogado em azeite, cebola e alho, com tomate, feijão encarnado e muitos coentros, o meu arroz de feijão, chama-se aqui... arroz à mexicana. (Verdadeiramente surpreendente é estas iguarias não se chamarem todas à provençale ou coisa que o valha. Deve ser para agradar à enorme variedade de nacionalidades dos utentes da cantina.)

Publicado por Filipe Moura às 06:04 PM | Comentários (3)

DA POUCA FIABILIDADE DAS PREVISÕES TECNOLÓGICAS

Em 1954, os informáticos imaginavam que os computadores pessoais do futuro (isto é, desse então remoto ano de 2004) seriam assim:

computador.jpg

Alguém se atreve a imaginar como é que serão os PC's em 2054?

Publicado por José Mário Silva às 03:47 PM | Comentários (9)

OS LUCROS E O DESEMPREGO

Leitura recomendada: artigo de Rubem de Carvalho, no DN.

Os sindicatos franceses denunciam que mais de 60 mil milhões de euros de lucros serão este ano distribuídos aos accionistas, enquanto patina o investimento produtivo e gerador de novos postos de trabalho.

Situação semelhante se passa na Alemanha, mas, em dimensões inquietantes, nos Estados Unidos. A política fiscal da Administração Bush proporcionou aos grandes conglomerados lucros gigantescos e favorece a sua distribuição aos accionistas e dirigentes, que por sua vez os destinam maioritariamente a aplicações financeiras. A generalização da atribuição aos altos quadros das empresas de remunerações sob a forma de acções tem agravado uma espiral especulativa em que os lucros são investidos na compra de novas acções assim valorizadas em bolsa e gerando um efeito multiplicador de mais-valias sem qualquer base ou reflexo no tecido produtivo.

Acresce ainda que tal prática incentiva os gestores de topo a privilegiarem os resultados a curto prazo, de que directa e imediatamente beneficiam, em prejuízo do médio e longo prazo, o que sempre se reflecte ainda no esmagamento da massa salarial e despedimentos.

Publicado por Filipe Moura às 11:25 AM | Comentários (6)

E NÃO SE PODE EXTERMINÁ-LO?

O Sporting tem quatro defesas-centrais: dois bons (Polga e Beto), um excelente (Enakahrire) e um péssimo. O péssimo chama-se Hugo. Em dois jogos seguidos para a SuperLiga, conseguiu fazer três fífias que resultaram em três golos das equipas adversárias, duas derrotas e seis pontos perdidos numa fase crucial do campeonato.
«Liedson resolve», costuma ler-se numa faixa das claques leoninas. Pois. O problema é que também temos um Hugo que compromete.

Publicado por José Mário Silva às 12:49 AM | Comentários (21)

março 13, 2005

NEVE EM PARIS (2)

bnev.jpg

Résidence André de Gouveia, Cité Internationale Universitaire de Paris. Um boneco de neve português, erguido por cima da calçada portuguesa. Foi a primeira vez que vi neve na calçada portuguesa. Foi a primeira vez que vi um boneco de neve português. Tipicamente português.

Publicado por Filipe Moura às 04:56 PM | Comentários (2)

SÓCRATES PARTE PARA A GUERRA

É o primeiro combate de Sócrates a exigir coragem e firmeza contra monopólios instalados. E é por uma boa causa.

Publicado por José Mário Silva às 11:09 AM | Comentários (2)

FIM-DE-SEMANA COM O ASSASSINO

Peço desculpa pela escassa produtividade bloguística, mas ontem e hoje estive por conta deste senhor: Henri-Désiré Landru, o Barba-Azul de Gambais.

Publicado por José Mário Silva às 11:03 AM | Comentários (0)

março 12, 2005

REFERENDOS PRECISAM-SE

Coerência precisa-se, recorda, e bem, Vital Moreira. A meu ver, e coerentemente, referendos precisam-se. (O referendo ao aborto é um mal infelizmente necessário, uma pesada herança de António Guterres, por sua culpa.)

Publicado por Filipe Moura às 04:53 PM | Comentários (6)

A ESTAÇÃO DE METRO DO RATO (SEGUNDO TCHERNIGNOBYL)

«Casa das Escadas», M. C. Escher (1951)

Publicado por José Mário Silva às 12:46 PM | Comentários (2)

março 11, 2005

PEDRA

Já tinha ouvido umas críticas feitas por pessoas preocupadas com questões de segurança.
Que desequilibrava, que atordoava, que incrível a falta de cuidado dos projectistas.
Ontem, ao subir a escada rolante da Estação de Metro do Rato, senti finalmente esse efeito desestabilizador de que ouvira falar... e gostei.
Ao fixar distraído o tecto baixo em madeira em plano inclinado paralelo ao longo lance de escadas dei comigo como que hipnotizado pelo efeito de túnel, perdi os pontos de referência e durante cerca de meio minuto senti-me a violar as leis da gravidade, voando como um daqueles saltadores de trampolim olímpico em ski, três, quatro segundos quase na horizontal antes de retomarem o contacto do solo uma centena de metros depois; senti-me a andar “deitado” dentro de uma gravura do Escher, um astronauta num mundo com mais dimensões do que aquelas que percepcionamos habitualmente.

Publicado por tchernignobyl às 07:40 PM | Comentários (7)

FOI BONITA A FESTA, PÁ

No tempo do fascismo, o aparelho produtivo estava nas mãos de uma oligarquia protegida pelo Estado Novo. Em geral havia situações de proteccionismo e monopólio.
Hoje, grande parte do aparelho produtivo está nas mãos de uma oligarquia que depende do Estado e dos seus subsídios, apesar de só se queixar dele. Continua a haver várias situações de proteccionismo e de monopólios.
No tempo do fascismo, a economia dependia de uma mão-de-obra mal paga e explorada. Hoje, em nome da "competitividade", é desejo de muitos empresários regressar à política de salários baixos. Para os trabalhadores, claro; para os gestores, nem pensar. Para estes, os salários têm de ser competitivos.
Desta perspectiva, há que concordar que, no aspecto económico, faz hoje 30 anos que as coisas ficaram um pouco mais transparentes... Muitos dos ganhos que hoje temos como adquiridos foram conquistados faz hoje 30 anos.
No plano militar, pelo contrário, passam hoje 30 anos em que se iniciou um processo ambíguo e onde as diferentes partes cometeram vários excessos. A situação no aspecto político e militar só viria a ficar clarificada - e bem - a 25 de Novembro. Mas há que não esquecer que a derrota, esperemos que definitiva, do regime fascista e dos seus nostálgicos deu-se faz hoje 30 anos.
Por estas razões, o 11 de Março de 1975 foi uma data positiva da nossa história, que convém recordar.

Publicado por Filipe Moura às 07:39 PM | Comentários (4)

EFEMÉRIDES

Há um ano, o inferno. Há um mês, o paraíso.

Publicado por José Mário Silva às 06:57 PM | Comentários (0)

M-11

Faz hoje um ano que a cobardia do terrorismo chegou, de comboio, a Madrid. Na bagagem: morte, ódio puro, sangue de inocentes.
Também não esqueceremos isto, como não esquecemos o resto.

Publicado por José Mário Silva às 10:08 AM | Comentários (21)

março 10, 2005

MIDDLESBROUGH - 2; SPORTING - 3

É certo que lá mais para o fim da partida iam borrando a pintura, mas os jogadores do Sporting mostraram esta noite, naqueles fabulosos primeiros 30 minutos da segunda parte, que só não vão erguer a Taça UEFA em Alvalade, a 18 de Maio, se não quiserem.

Publicado por José Mário Silva às 11:06 PM | Comentários (24)

COZINHA PORTUGUESA EM FRANÇA

Esta semana, na cantina onde geralmente almoço, um dos pratos era Oeufs Brouillés à la Portugaise. Perguntei como eram estes ovos mexidos à portuguesa. Responderam-me que eram... ovos mexidos. (Mas, coisa estranhíssima para um prato supostamente português, tinham courgettes, que eu vi.)
Optei por uma costeleta de porco tex-mex, que na fronteira do Texas com o México há-de ser conhecida como "costeleta de porco". Tal como a salada russa, na Rússia, deve ser conhecida por "salada". Mas não deixa de ter graça esta dos ovos mexidos.

Publicado por Filipe Moura às 05:08 PM | Comentários (10)

DESABAFO DE UM ESPECTADOR DE FUTEBOL FRUSTRADO

Nunca me perdoarei por ter visto, nesta época de 2004-2005, o Sporting-Estoril mas não o Chelsea-Barcelona.

Publicado por José Mário Silva às 04:26 PM | Comentários (4)

CABEÇAS LUMINOSAS

«O princípio do prazer», René Magritte


«The Illuminated Man», Duane Michals

Publicado por José Mário Silva às 01:55 PM | Comentários (1)

VERSOS QUE NOS SALVAM

Do poeta, crítico e ensaísta americano Dana Gioia, um poema do livro «Interrogations at Noon» (Graywolf Press, 2001):


A ARANHA NO CANTO

Tarde fria: chuva a bater nas janelas,
a humidade espalhando-se devagar como bolor
na pobreza da cinzenta luz de Novembro.

Mais um dia de livros e planos furados,
de cigarros e imobilidade
em salas pequenas demais para nós. É tão pouco

aquilo de que ainda podemos falar, além do tempo.
E assim toleramos o silêncio
como a aranha no canto que nenhum

de nós matará. Sim, o umbral murmura.
Mas nós ficaremos ― até que o tempo abra,
esta chuva interminável que nos mantém juntos aqui.

(Tradução de JMS)

Texto original:


SPIDER IN THE CORNER

Cold afternoon: rain splattering the windows,
the dampness spreading slowly like a mold
in the poverty of gray November light.

Another day of books and spoiled plans,
of cigarettes and sitting still
in rooms too small for us. How little there

is left to talk about except the weather.
And so we tolerate the silence
like the spider in the corner neither one

of us will kill. Yes, the doorway whispers.
But we will stay ― until the weather clears,
the endless rain that keeps us here together.

Publicado por José Mário Silva às 12:55 AM | Comentários (18)

março 09, 2005

PIROPO (PARA BLOGGERS QUE TRABALHEM EM ANDAIMES)

― Ó querida, com um template desses nem precisas de sitemeter.

Publicado por José Mário Silva às 11:54 PM | Comentários (7)

OU NÃO TIVESSE O XADREZ SIDO INVENTADO PARA AQUELAS BANDAS

Bartoon de Luís Afonso, no «Público»

Publicado por José Mário Silva às 02:20 PM | Comentários (9)

A VIDA TAL COMO ELA É FOTOGRAFADA

Depois de o casal Serrano-Ramos ter: visto o seu casamento coberto por toda a imprensa cor-de-rosa; idem para a lua-de-mel; idem para o falecimento de um dos sogros; idem para a gravidez da Fernanda Serrano e idem para o nascimento do "Novo Cliente BPI", desconfio que os respectivos cônjuges são as primeiras pessoas do país com legitimidade para inscrever no boletim de recenseamento: "Profissão: actor da vida real".

Publicado por Jorge Palinhos às 12:05 PM | Comentários (6)

DO PODER DA GRANDE LITERATURA

Ia a ler J. M. Coetzee no metro. Queria sair no Marquês. Fui parar ao Colégio Militar.

Publicado por José Mário Silva às 12:02 PM | Comentários (5)

A CRÍTICA DE ARREMESSO

Ah, a secção de crítica literária do DN também tem alguns cometas interessantes, como esta "crítica" a uma antologia de artigos académicos de linguística.
O texto começa com o reconhecimento da respectiva autora de que a crítica da obra em causa tem interesse muito reduzido para o público geral. Ora, como não menciona imediatamente a seguir que, na sua opinião, a obra devia ser mais conhecida, depreende-se que a dita "crítica" traz água no bico.
Acresce que a mesma "crítica" apresenta algumas lacunas, como comentar a qualidade dos textos, o seu interesse e relevo, o rigor científico, a organização da antologia, a pertinência, etc., etc..

De facto, a única coisa que interessa à autora da "crítica" é o número de artigos da antologia que versam sobre literatura. Aparentemente, a Elisabete França tem um grande problema que os estudiosos da língua se lembrem de ver como é que ela é usada em leis, jornais, publicidade, rádio, provérbios e dicionários - em suma: na vida real - e não se concentrem exclusivamente em admirar as formas superiores empregues na arte de narrar e versar.

Enfim, um escândalo! O que se seguirá? Descobrir que os engenheiros também aprendem como construir barragens, pontes, blocos de apartamentos, pré-fabricados, estações de tratamento e unidades fabris, em vez de se deslumbrarem apenas com as formas harmoniosas do Mosteiro dos Jerónimos e do Museu de Serralves?

Publicado por Jorge Palinhos às 11:27 AM | Comentários (6)

O NOVO CROMO

Decididamente, a secção de Opinião do DN está a tornar-se numa verdadeira caderneta! Leitoras e leitores, João de Mendia:

E rumos nacionais, não outros. Rumo para a educação, boa educação; para os modelos militar, de segurança e de autoridade; para a definição de inimigos; para a lusofonia; para as opções externas; para Espanha, e outros.
(...)
A montante destas opções, o futuro Executivo terá ainda que fazer escolhas, por assim dizer filosóficas, sobre o que quer, o que não quer ou, no mínimo, o que deve tentar evitar, e mostrar onde tudo isto joga em termos democráticos. E esta observação tem mesmo a ver com o que parece, porque o que se tem desenhado até agora é poderem dizer de suas razões apenas os que têm tempo, dinheiro, muito dinheiro, para fazer chegar às nossas casas as mensagens que muito bem entendem, ou seja, aquele reduzidíssimo número de entidades, sempre as mesmas, com a mesma opinião sobre quase tudo mas cada vez mais afastados do país real.
(...)
Pior; dizem tratar-se de um negócio que só trás
(sic, ou seja, foi mesmo escrito pelo gajo que defende "boa educação") vantagens, e nenhum defeito, o que só Estaline achava do seu sistema, e acabou mal. Aliás, análises recentes feitas por um grupo de intelectuais franceses e italianos, com "best sellers" publicados, concluem que as semelhanças "desta" União europeia com o regime soviético, na prática, são muito mais do que parece.
(...)
Com a gritaria, o populismo, a demagogia e as incorrecções da nossa esquerda, o desespero quase antidemocrático de muita imprensa e alguns erros, não muitos nem muito graves, por parte dos conservadores, não só era inevitável que ganhasse quem ganhou estas últimas eleições, como seria "mediaticamente" impossível o PSD e o CDS virem a ser os mais votados. Viu-se isso antes e durante as eleições, e vê-se agora na exploração do sucesso por parte dos novíssimos deslumbrados. O golpe de Estado mediático que aconteceu em Espanha e que colocou Zapatero no poder, repetiu-se em Portugal, não faltando nem os SMS no fim da campanha.
(...)
E agora com a perigosamente caricata nomeação, que tomou foros de insulto nacional, de Freitas do Amaral para os Estrangeiros e a ter que mostrar que é mais de esquerda do que o patrão actual, fica-se expectante até onde descerá ainda este homem e até onde resistiremos todos nós.

Aceitam-se traduções para português corrente.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:14 AM | Comentários (4)

ENTOAÇÃO

Ele disse: «Hélas». Eu percebi: «Elas» (o francês nunca foi o seu forte). Pouco importa. O significado era o mesmo.

Publicado por José Mário Silva às 11:08 AM | Comentários (1)

CDS ENCONTRA O SEU GÉMEO

Tentando manter a ilusão dos fundadores fiquei com um pequeno resto. Mas, estupefacto, dei por mim a discutir internamente temas que sempre considerei para além do debate político contemporâneo: a tentativa de definição estatal do conceito de "família normal"; a abolição das 3 excepções da actual lei da IVG; a pretensa imoralidade (?) da inseminação artificial; a viabilidade de uma cruzada homofóbica; as apregoadas virtudes das famílias que não optam por um planeamento familiar e decidem procriar até à exaustão.
Enfim, um discurso até aí escondido, embrulhado no mofo de um conservadorismo granítico que exalava fundamentalismo religioso sublinhado por uma inacreditável recusa em discutir os temas mais prementes da sociedade portuguesa. Os "práticos" assim o queriam porque julgavam estar ali um importante nicho eleitoral - outros acreditavam mesmo naquilo porque confundem a política com a evangelização do povo...

CAA sobre a evolução da Nova Democracia

Publicado por Jorge Palinhos às 10:33 AM | Comentários (0)

KNOW YOUR ENEMIES

Eis um deles:

O seu nome de guerra é Lepidoglyphus destructor.
Mas há outros canalhas, tão pérfidos quanto invisíveis, a quem posso apontar o dedo por provocarem as minhas crises de espirros:


Dermatophagoides pteronyssinus


Dermatophagoides farinae

e


Euroglyphus maynei

Eles que se preparem. A vacina já vem a caminho.

Publicado por José Mário Silva às 10:31 AM | Comentários (1)

ENFIM, A COISA É MAIS COMPLICADA DO QUE PARECE

Na segunda-feira, talvez 10 mil libaneses assinalaram a terceira semana da morte do assassínio de Hariri. São principalmente cristãos, alguns drusos e poucos sunitas. Os seus principais partidos são o Movimento Livre Patriótico Maronita, liderado pelo general Michael Aoun, exilado em França, e o Partido Progressista Socialista Druso, de Walid Jumblatt.
Os manifestantes são jovens, ocidentalizados e ricos. Aoun apoia a resolução 1559 da ONU, que pede o desarmamento das milícias e que o Líbano fique livre de toda a influência estrangeira (isto é, síria). Jumblatt apoia o mesmo, mas hesita em relação à resolução já que foi proposta pelos EUA e pela França, a antiga potência colonial.
(...)
Ontem, a Praça Riad el-Sulh, encheu-se de milhares [400 000 a um milhão] de muçulmanos, maioritariamente xiitas, do Sul do Líbano ou dos subúrbios de Beirute. A maior parte são conservadores, religiosos e pobres. Mas acreditam que a sua reivindicação de representar o Líbano se sobrepõe à dos que se juntam na Praça dos Mártires.
"Estão a ver o Líbano real agora", afirmou Munir Bargas, um antigo professor. "As pessoas não são apenas de Beirute Ocidental [cristão] mas do Norte, Leste, Oeste e Sul de Beirute. Eles são o Líbano." E não vieram elogiar a resolução 1559, mas sim enterrá-la. A sua plataforma é antes o Acordo de Taif, mediado pela Liga Árabe, que terminou, na prática, com 15 anos de guerra civil.

Pois é, não sei se alguém se lembra, mas antes da ingerência síria, o Líbano tinha tido a ingerência de Israel e estava mergulhado numa brutal guerra civil.
Mas pelo menos já serviu para alguns falarem dos "efeitos positivos" da intervenção norte-americana no Iraque.

Publicado por Jorge Palinhos às 09:59 AM | Comentários (7)

HANS BETHE (1906 - 2005)

Morreu no passado domingo Hans Bethe, fundador e principal impulsionador da disciplina de Astrofísica Nuclear. Pelo seu trabalho pioneiro explicando as reacções de fusão nuclear presentes nas estrelas, originando a radiação por estas emitida, recebeu o Prémio Nobel em 1967. Foi um dos principais impulsionadores da Física Nuclear, tendo sido um dos nomes cimeiros do Projecto Manhattan e o director do Serviço de Física Teórica do Laboratório de Los Alamos. Lá trabalharam Edward Teller e outros cientistas refugiados do nazismo (como o próprio Bethe, nascido na Alsácia, então alemã, em 1906). Tal como Einstein, Bethe era favorável à construção da bomba atómica durante a II Guerra Mundial, e viria a opor-se à corrida ao armamento nuclear que a esta se seguiu, tendo sempre lutado pelo desarmamento nuclear das grandes potências. Esse seria um dos grandes conflitos que manteria com Teller, por toda a sua vida, e que teve dos seus pontos mais altos no "caso Oppenheimer" quando, em pleno Maccarthismo, Teller atacava e Bethe e Einstein defendiam Robert Oppenheimer, director do Laboratório de Los Alamos, que viria a ser demitido. Mais tarde os conflitos de Bethe e Teller voltariam na discussão do programa de "Guerra das Estrelas" de Ronald Reagan.
Na ciência, na política e na sociedade, Bethe foi um exemplo de um homem sempre activo e participante energético em várias causas. Foi também um entusiasta divulgador da ciência. Foi autor de trabalhos importantíssimos em Física Nuclear, Teoria Quântica dos Campos (tendo sido um dos mestres e inspiradores de Richard Feynman), e Física Estatística (modelos exactamente solúveis - o ansatz de Bethe). No final dos anos 70, foi persuadido por Gerald Brown, outra lenda (felizmente ainda bem viva) da Física, a trabalhar nas explosões das supernovas. Bethe e Brown publicaram um artigo bastante influente sobre este assunto, e continuaram a trabalhar nas relações entre a Física Nuclear e a Astrofísica até ao final de 2001, data em que Bethe publicou o seu último artigo, aos 95 anos. No total, Bethe publicou mais de 300 artigos e orientou um número elevado de teses de doutoramento.
Com a sua energia e a entusiamo, Bethe influenciou muitos dos seus colaboradores próximos, como Feynman (o exemplo mais conhecido de pragmatismo e crença nas capacidades do Homem). Esta atitude foi (e é) transmitida ainda hoje aos alunos de Física; a mim, foi-me transmitida pelo citado Gerald Brown e pelos meus melhores professores. Na minha cadeira de Física Estatística, quando tínhamos de reproduzir (por nós mesmos) os cálculos originais de Bethe para demonstrar os seus resultados, ouvimos muitas vezes do professor: "If Bethe could do it, you can do it!"
A Universidade de Cornell tem disponível uma página intitulada "Perspectivas pessoais e históricas de Hans Bethe", que inclui biografia, fotos, referências bibliográficas e vídeos de três aulas sobre Mecânica Quântica que Bethe deu, aos 93 anos, para uma audiência não especializada - os membros de uma casa de repouso em Ithaca, seus vizinhos!
Para além do artigo do Público, recomendo ainda a leitura do obituário do The New York Times, cheio de histórias deste fabuloso cientista, que transcrevo em baixo.

March 8, 2005
Hans Bethe, Prober of Sunlight and Atomic Energy, Dies at 98
By WILLIAM J. BROAD

Hans A. Bethe, who discovered the violent reactions behind sunlight, helped devise the atom bomb and eventually cried out against the military excesses of the cold war, died late Sunday. He was 98, among the last of the giants who inaugurated the nuclear age.

His death was announced by Cornell University, where he worked and taught for 70 years. A spokesman said he died quietly at home.

Since the war years at Los Alamos, N.M., Dr. Bethe had lived in Ithaca, N.Y., an unpretentious man of uncommon gifts. His students called him Hans and admired his muddy shoes as much as the way he explained how certain kinds of stars shine. For number crunching, in lieu of calculators, he relied on a slide rule, its case battered. "For the things I do," he remarked a few years ago, "it's accurate enough."

For nearly eight decades, Dr. Bethe (pronounced BAY-tah) pioneered some of the most esoteric realms of physics and astrophysics, politics and armaments, long advising the federal government and in time emerging as the science community's liberal conscience.

During the war, he led the theoreticians who devised the atom bomb and for decades afterwards fought against many new arms proposals. His wife, Rose, often discussed moral questions with him and, by all accounts, helped him decide what was right and wrong.

Dr. Bethe fled Europe for the United States in the 1930's and quickly became a star of science. As a physicist, he made discoveries in the world of tiny particles described by quantum mechanics and the whorls of time and space envisioned by relativity theory. He did so into his mid-90's, astonishing colleagues with his continuing vigor and insight.

In a 1938 paper, he explained one of the ways in which the sun and similar stars fuse hydrogen into helium, releasing bursts of energy and ultimately light. That work helped establish his reputation as the father of nuclear astrophysics, and nearly 30 years later, in 1967, earned him the Nobel Prize in Physics. In all, he published more than 300 scientific and technical papers, many of them originally classified secret.

Politically, Dr. Bethe was the liberal counterpoint (and proud of it) to Edward Teller, the Hungarian physicist and strong conservative who played a dominant role in developing the hydrogen bomb. It brought to earth a more furious version of the fusion reactions in stars, and Dr. Bethe opposed its development as immoral. For more than a half-century, he championed many forms of arms control and nuclear disarmament, becoming a hero of the liberal intelligentsia.

His wife called him a dove, Dr. Bethe once told an interviewer, adding his own qualifier: "A tough dove." His gentle manner hid an iron will and mind that had few hesitations about identifying what he saw as error, hypocrisy or danger. "His sense of duty toward society is so deeply ingrained that he isn't even aware of its being a sacrifice," a close colleague, Victor F. Weisskopf, once remarked.

No Regrets on Bomb

In a 1997 interview in his Cornell office, at age 90, Dr. Bethe said he had no regrets about his role in inventing the atom bomb, done amid worries about the Nazis' getting it first and conquering the world. But as the most senior of the living scientists who initiated the atomic age, he urged the United States to renounce all research on nuclear arms and called on scientists everywhere to do likewise.

His ultimate dream, he said, his blue eyes calm, was for nations to cut their nuclear arsenals to a few hundred arms or less. "Then," added Dr. Bethe, a survivor of Hitler and Mussolini, "even if statesmen go crazy again, as they used to be, the use of these weapons will not destroy civilization."

Throughout life, he remained a staunch advocate of nuclear power, defending it as an answer to inevitable fossil-fuel shortages.

Dr. Bethe was the last of the scientific greats who led the Manhattan Project to build a bomb and thus initiated the nuclear era, outliving not only Dr. Teller but Enrico Fermi and J. Robert Oppenheimer, the scientific head of wartime Los Alamos. "He was one of Oppenheimer's first recruits," said Robert S. Norris, author of "Racing for the Bomb" (Steerforth Press, 2002), "and was among the last survivors of that extraordinary story."

Mr. Norris added that Dr. Bethe was "the almost perfect expression" of the scientist-activist, driven by a sense of responsibly for his own atomic breakthroughs and those of his physicist colleagues. "He saw his role as to educate the public and the policymakers about the new dangers and help figure out ways to control them," Mr. Norris commented.

A biographer, Silvan S. Schweber of Brandeis University, author of "In the Shadow of the Bomb" (Princeton, 2000), said he despaired of mastering Dr. Bethe's archive of letters, papers and documents. Later, he feared that he would need "three fat volumes" to tell the physicist's story. He described Dr. Bethe as a moralist who took stands in defense of universities, democracy and society. What gave him the courage to do so, he added, was self confidence, a strong personality and the support of the community of friends and scientists he nurtured for nearly seven decades at Cornell.

Richard Rhodes, who wrote of Dr. Bethe in "The Making of the Atomic Bomb" (Simon & Schuster, 1986), remarked on his sunny disposition despite his long struggle with nuclear dilemmas. "He seemed so calm and, later in life, so serene," Mr. Rhodes said. "That's interesting because he, more than any other leading figure of the Manhattan Project, agonized over his participation, first in the bomb itself and then in thermonuclear research" to see if a hydrogen bomb was possible.

He was not a tragic figure wracked by guilt - the fate of some who came to regret their bomb labors - but a man famous for his indefatigable appetite. His lean body could boom with laughter. He loved to ski and climb mountains with colleagues. Students learned to rely on his patience and readiness to help, be it with research or personal problems.

Freeman Dyson, a mathematician at the Institute for Advanced Study in Princeton, recalled meeting Dr. Bethe at Cornell in 1947. "The thing that impressed me the most," he said, "was that he had very muddy shoes and all the students called him Hans. So he was just the opposite of a European professor. That was part of his greatness. He was totally unpretentious and never tried to be bigger than he was."

Dr. Bethe, he added, "always had lunch with the students and had a real concern for the teaching and all the students he was responsible for. He had a wonderful gift for finding the right problem for them, not too difficult and not too easy."

Dr. Bethe's long life embodied a deep faith not in the ultimate authority of science but of people and the human spirit - a surprising stance for a man often viewed as one of the field's high priests. He understood its limits. His personal philosophy seemed deceptively simple: Science and technology, while good friends of great importance, cannot save humanity. Instead, he taught that only humane reasoning and the struggle to foster just human relationships would keep civilization from using the accomplishments of science to destroy itself.

Hans Albrecht Bethe was born on July 2, 1906, in Strasbourg, Alsace-Lorraine, to a family of modest means. His father, a physiologist at the University of Strasbourg, was a Protestant and his mother Jewish. He was their only child. A the frail youth, he showed an early genius for mathematics, which his father discouraged, not wanting his son to get ahead of his peers. The precocious boy took to secretly reading his father's books on trigonometry and calculus.

Dr. Bethe once said he grew up in the solace of "numbers and fairy tales." The family moved to Frankfurt, where his father founded a physiology department at the new university. At the nearby gymnasium, his son studied Greek and Latin, French and English, but excelled at math and physics, deciding he wanted to do both.

At the University of Munich, Dr. Bethe studied with Arnold Sommerfeld, one of the day's leading theoretical physicists. His teacher bristled with excitement for modern physics, and the student was soon lost to anything else. In 1928, Dr. Bethe received his Ph.D., graduating summa cum laude, having already contributed to the fledgling science of quantum mechanics. The next year he worked for Paul P. Ewald, a noted physicist in Stuttgart, and befriended his family, often visiting and having dinner.

At times, Dr. Bethe took the older Ewald children on Sunday walks, including Rose, his future wife. After stints at several universities, he came into conflict with the Nazi race laws and fled Germany in 1933. For two years he taught in England and then came to Cornell, where he remained all his academic life.

While lecturing at Duke University in 1937, he bumped into Rose Ewald, who had emigrated and was a student there. The two fell in love.

'Bethe's Bible'

At Cornell, Dr. Bethe wrote a series of brilliant papers that culminated in the 1938 treatise, "Energy Production in Stars." It set forth the first and only explanation of stellar energy that explained all the known facts - essentially why stars like the sun burn for billions of years. His talents were synthetic as well as analytic, as evidenced by his production of a wealth of incisive review articles that became required reading for generations of physicists. Known as "Bethe's bible," they, like much else he did, mirrored his precision, thoroughness and extraordinary powers of concentration.

The world - and his world in particular - changed forever in 1938 when German scientists discovered that the atom could be split in two in a burst of atomic energy, starting quiet deliberations around the globe into the practicality of chain reactions and a bomb. In America, Dr. Bethe discussed the matter with Dr. Teller, another refugee from the Nazis. The two were close friends. In New Rochelle, N.Y., Dr. Teller was one of the few guests invited in September 1939 when Dr. Bethe and Rose were married.

Dr. Bethe's reputation grew with the war effort. In 1940, Time magazine called him "one of Nazi Germany's greatest gifts to the United States." He was helping advance radar at the Massachusetts Institute of Technology when an atomic recruiter came to call, meeting him conspiratorially in Harvard Yard. In 1942, during a walk in the mountains of Yosemite, his wife asked him "to consider carefully" if he wanted to continue assessing the feasibility of nuclear arms, Dr. Bethe told Jeremy Bernstein, author of "Hans Bethe, Prophet of Energy" (Basic Books, 1979).

Worried that Nazi Germany wanted such weapons, he decided that he did. In 1943, he was named the first director of the theoretical division at Los Alamos, the secret laboratory in the mountains of New Mexico where thousands of scientists, technicians and military personnel were gathering to see if a nuclear bomb was indeed possible. Behind rows of barbed wire, he coaxed some of world's brightest and most idiosyncratic experts to work hard on how to unlock the atom. In typical fashion, he bore down on the problems like a battleship, studying them carefully and then crushing them.

Colleagues often balked. "No, no, you're crazy!" Richard Feynman, a young scientist who eventually gained fame as an eccentric genius, protested one day. But Dr. Bethe plowed ahead, proving his idea exactly right. At Los Alamos, Dr. Bethe's group calculated such things as how much plutonium it would take to build an atom bomb, and whether the detonation would ignite the atmosphere and destroy the earth.

The bomb's horrors became a turning point for Dr. Bethe. After the destruction of Hiroshima and Nagasaki, he devoted himself to trying to stop the weapon's "own impulse," as he put it. While retaining links to the government and Los Alamos, he helped lead the corps of atomic scientists who, in an unprecedented wave, left secluded laboratories to plead before Congress and the American public for nuclear restraint.

He also plunged back into academic life at Cornell, educating a new generation of physicists. He recruited Dr. Feynman, his Los Alamos protégé, and helped him develop quantum electrodynamics, an advanced theory for which Dr. Feynman eventually shared the Nobel Prize.

In April 1950, Dr. Bethe wrote a provocative article in Scientific American arguing against development of the hydrogen bomb, an advance then looming. He had concluded, after discussions with his wife and colleagues, that it had little military use and was primarily a weapon for incinerating civilians in large cities. "We must save humanity from this ultimate disaster," he wrote. "And we must break the habit, which seems to have taken hold of this nation, of considering every weapon as just another piece of machinery and a fair means to win our struggle with the U.S.S.R."

By contrast, Dr. Teller lobbied hard for the superbomb, as it was called. Dr. Bethe worked on it too, hoping to prove the idea impossible and considering his work a hedge against the possibility that the Soviets might get it first. In 1952, a blinding flash of light marked the detonation of the world's first hydrogen bomb, its power roughly 1,000 times greater than the weapon that destroyed Hiroshima.

During the cold war, Dr. Bethe and Dr. Teller went from increasingly cool friends to bitter foes. The breaking point came in 1954 - at the height of the McCarthy era - over the government's push to remove the security clearance of Dr. Oppenheimer, then the top scientific adviser to the Atomic Energy Commission and a man who probably held more nuclear secrets in his head than any other American.

One charge was that Dr. Oppenheimer had argued against a crash program for H-bomb development. Another was that he had Communist ties. In Washington, Dr. Bethe and his wife spent an evening trying to persuade Dr. Teller to testify in favor of Dr. Oppenheimer - to no avail. At a secret hearing, Dr. Bethe defended his former boss, and Dr. Teller strongly faulted Dr. Oppenheimer's judgment. His clearance was revoked, and he quickly fell from power.

Dr. Bethe later wrote a long article charging that Dr. Teller, not Dr. Oppenheimer, had hindered the nation's pursuit of the superbomb for years because of mathematical errors. It was only after the size of Teller's mistakes became apparent, Dr. Bethe wrote, that Dr. Teller and his colleagues were forced to find the right way to solve the problem. The article, written in 1954, was quickly stamped top secret and only declassified three decades later.

Despite his fears of an unfettered arms race, Dr. Bethe continued to consult for the government and on occasion to help make weapons. In 1955, he perfected a general theory of ablation that was applied to the construction of warheads that could withstand the searing heat of re-entry through the earth's atmosphere. His idea helped beget the intercontinental ballistic missile.

Increasingly, he also sought ways to slow the nuclear arms race, winning new influence for his ideas in Washington. As a member of the President's Science Advisory Committee, starting in 1956, he became a driving force behind the world's first and most successful arms control pact, the 1963 Limited Test Ban Treaty, which confined nuclear tests beneath the earth.

In usual fashion, Dr. Teller fought it all the way. Dr. Bethe saw the treaty as a bold step toward disarmament and a way to end the rain of radioactive fallout that had increased people's risk of cancer and birth defects. "Very good. Very right," he remarked on the occasion of its signing, visibly moved.

His influence soaring, Dr. Bethe in 1967 was awarded the Nobel Prize for his explanation of how the stars shine. A 1968 profile by the journalist Lee Edison described Dr. Bethe as "a tall, spare man with a deceptively distracted look."

"His graying hair seems permanently electrified; his shoes are scuffed, and his tie seems to have been studiously arranged to miss his collar button," Mr. Edison wrote. "He listens attentively, nodding his head as if in agreement, but - as devastated colleagues and adversaries have discovered - this habit is far from a sign of agreement. His 'yes, yes, yes' is rather a signal that his mental apparatus is receiving. What he does with the input is another matter."

In the late 1960's and early 1970's Dr. Bethe lent his growing prestige to fight the government's plans to deploy antimissile weapons. Having studied the issue for President Dwight D. Eisenhower, he was convinced that all such systems could be easily defeated. It was just too easy, he held, for an adversary to make decoys and other countermeasures that offensive missiles would jettison to outwit defensive arms. And while militarily futile, he argued, antimissile arms would succeed extremely well at adding costly new spirals to the arms race as each side struggled for advantage.

Opposed by Teller

As before, Dr. Bethe found himself strongly opposed by Dr. Teller, who this time wanted to shield America from the hydrogen bombs that adversaries had learned how to make. In 1975, at a cost of some $6 billion, the government switched on a limited antimissile system that was soon abandoned because of its ineffectiveness.

In the 1970's, after the Arab oil embargo started a global economic crisis, Dr. Bethe threw himself into championing new ways to produce energy. In articles, speeches and Congressional hearings, he argued that the dangers of nuclear reactors were small compared with many other risks judged to be socially acceptable. During this period, Dr. Bethe and Dr. Teller, both firm advocates of nuclear power, became somewhat closer, "although not with the intimacy of the old days," Dr. Bethe recalled.

He formally retired from Cornell in the summer of 1975. But that did little to slow his activity. In the 1980's, with the arrival of the Reagan administration, Dr. Bethe again found himself the elder spokesman of scientists opposed to unfettered development of nuclear arms. And his relations with Dr. Teller again began to cool. The Pentagon, he said in an article, "proposes to address all threats - real and imagined - by raising the ante. It refuses to recognize that our worst nightmares can be laid to rest only by constraints on technology."

With passion, he fought President Ronald Reagan's proposed shield against enemy missiles, known popularly as Star Wars. It again pitted him against Dr. Teller, in what became their last battle. In February 1983, Dr. Teller tried to win over Dr. Bethe by revealing the secret details of what he considered the ultimate technical fix - the X-ray laser, powered by a nuclear bomb. It would emit powerful beams to smash Soviet warheads before consuming itself in ball of nuclear fire, an H-bomb to destroy H-bombs. "You have a splendid idea," said Dr. Bethe, complimenting Dr. Teller on its physics. But he soon led X-ray laser opposition, arguing that an enemy could easily outwit the exotic weapon.

"We need to try to understand the other fellow and negotiate and try to come to some agreement about the common danger," Dr. Bethe said after his Teller meeting. "That is what's been forgotten. The solution can only be political. It would be terribly comfortable for the president and the secretary of defense if there was a technical solution. But there isn't any."

Ultimately, the government sided with Dr. Bethe, forgoing antimissile deployments in the 1980's and 1990's, a decision the Bush administration has now reversed. In his memoirs in 2001, Dr. Teller accused Dr. Bethe of letting his political views color his technical judgment. Dr. Teller died in 2003.

Despite the political activism that marked his later life, Dr. Bethe never abandoned his first love - science. With what might be seen as poetic finesse, he turned his attention to the question of why old stars can suddenly explode with the brilliance of an entire galaxy. An average star like the sun dies quietly. But larger ones can die violently, though no one is quite sure why. "They go on a rampage," Dr. Bethe said with a smile, the blackboard behind him filled with equations. "In a year they emit as much energy as the sun does in 10 billion years of history. Why does this happen?"

At the start, he said, the central part of a star exhausts its fuel supply, collapsing so fast that the outside of the star stays uninvolved. The small core then bounces back. "The question we are studying," he said, "is whether that shock wave is strong enough to go all the way through the star and to expel essentially all its outside, because that is what is observed in supernovas."

In addition to his wife, Dr. Bethe is survived by two children, Henry, of Ithaca, and Monica, who lives near Kyoto, Japan, and three grandchildren.

In 1995, many of Dr. Bethe's colleagues gathered to mark his 60th year at Cornell with a two-day tribute. "If you know his work," commented John Bahcall, an astrophysicist at the Institute for Advanced Study, "you might be inclined to think he is really several people, all of whom are engaged in a conspiracy to sign their work with the same name."

Alan Lightman, a physicist and author at the Massachusetts Institute of Technology, recalled attending a meeting with Dr. Bethe in October 1997, after the celebrated physicist had turned 91. He expected reminiscences. But Dr. Bethe, after tottering up to the podium, surprised him. "It was a paper on astrophysics that he had just published," Dr. Lightman recalled. "And it was good."

Dr. Schweber of Brandeis University, a physicist and historian, said Dr. Bethe achieved a life of professional and personal fulfillment because he learned the redemptive power of love, of serving family and friends, students and society. Dr. Bethe's élan seemed to confirm that judgment. "I am a very happy person," he said with a relaxed smile a few years ago. "I wouldn't want to change what I did."

Publicado por Filipe Moura às 08:52 AM | Comentários (4)

março 08, 2005

A RECEITA - GUACAMOLE

No Dia da Mulher, acima de tudo o que eu desejo é que haja cada vez mais homens modernos. Quando houver mais homens modernos, o resto virá por acréscimo. Os problemas que há ainda hoje começam em casa, na família...
Conforme escrevi faz hoje um ano, no Dia da Mulher nada como trocar umas receitas. Soa bem, receitas, Dia da Mulher... Lembrar os homens que, se jantam todos os dias, poderiam fazer o jantar! Eu fiz o meu, e vontade não me faltava de ir ver o Mourinho e o Deco.
A receita deste ano é muito simples (uma entrada) pois não tenho tempo para mais.

Guacamole
Toma-se bastante abacate descascado, tomate, cebola e coentros (porções a gosto). Pica-se tudo muito bem e mistura-se, se possível com uma batedeira, de forma a obter-se uma pasta homogénea. Tempera-se com um fiozinho de azeite, umas gotas de limão e pimenta. (Os puristas utilizariam lima no lugar de limão e pimento jalapeño em lugar da pimenta, mas isso em Portugal seria tornar complicada uma receita muito simples. Deixemos esses requintes para o cozinheiro ideal.) Já está.

Publicado por Filipe Moura às 09:53 PM | Comentários (9)

PARA ALÉM DE TUDO O RESTO

Hoje é o Dia Internacional do Desassossego.
[Parabéns, Sara.]

Publicado por José Mário Silva às 04:36 PM | Comentários (2)

UMA LEBRE À SOLTA NO PRADO...

... quase cria um incidente diplomático.

Publicado por José Mário Silva às 04:31 PM | Comentários (0)

DIA INTERNACIONAL

Leio as páginas de publicidade nos jornais e assusto-me: não gostava mesmo nada de ver o 8 de Março transformado numa espécie de Dia de S. Valentim, pretexto para as mais desvairadas estratégias comerciais. As mulheres — por tudo o que a sua luta significou de 1857 até hoje — não mereciam isto. Não merecem isto.

Publicado por José Mário Silva às 02:19 PM | Comentários (8)

VIVA A SOMÁLIA, O PARAÍSO DOS NOSSOS LIBERAIS!

Na Somália, o paraíso na Terra para os nossos fundamentalistas do liberalismo económico, parece que há problemas de poluição por lixos tóxicos desalojados pelo tsunami e deixados junto à costa por empresas privadas europeias que se terão aproveitado da ausência de Estado, uma ausência que esses mesmos fundamentalistas propõem que se estenda ao nosso país.
Não é tão bom, o Estado pequeno?
(Jorge Candeias)

Publicado por José Mário Silva às 02:14 PM | Comentários (8)

HOJE ATÉ O GOOGLE QUIS SER FEMININO

Publicado por José Mário Silva às 02:12 PM | Comentários (5)

HÁ COISAS EM QUE A DIREITA AINDA CONSEGUE SER MAIORITÁRIA

Para mim, os cinco melhores blogues portugueses são (por motivos diferentes e não necessariamente por esta ordem):

- umblogsobrekleist
- Voz do Deserto (parabéns pelo duplo aniversário, Tiago)
- Fora do Mundo/Pedro Mexia
- A Causa Foi Modificada
- Barnabé

Três quintos desta escolha pessoal é composta por tipos de direita. Uma direita heterodoxa e muito idiossincrática, mas direita. É para que conste.

Publicado por José Mário Silva às 10:43 AM | Comentários (6)

A ÁRVORE, O LIVRO, A FILHA

Já imaginava que seria assim. Quando se alcança o mítico «três em três», limitamo-nos a constatar o óbvio: só um dos terços é que realmente importa.

Publicado por José Mário Silva às 10:36 AM | Comentários (0)

ESTA MADRUGADA

Penha.jpg

06h42, Penha de França (Lisboa)

Publicado por José Mário Silva às 10:14 AM | Comentários (10)

março 07, 2005

SUBAM-SE OS IMPOSTOS

Parece vir aí um aumento de impostos. A mim não me parece nada mal. Os países mais desenvolvidos, como os da Europa do Norte, têm impostos altíssimos. Há que afirmar com frontalidade que dificilmente se podem pôr em prática políticas de esquerda sem subidas de impostos. Agora, da mesma maneira, dificilmente uma política pode ser de esquerda sem que sejam, principalmente, os ricos a pagar esses impostos. Para uma política realmente de esquerda, venha a acompanhar uma reforma fiscal.

Publicado por Filipe Moura às 06:00 PM | Comentários (26)

INSIGNIFICÂNCIAS

Já agora, Rui, esqueceste-te de uns pormenores, como referir que a senhora é libanesa cristã, trabalhava para uma televisão fundamentalista cristã, estando por isso próxima dos falangistas que massacraram os palestinianos em Sabra e Shatila, com a cumplicidade de Ariel Sharon, e é presidente de uma organização dedicada a "avisar" o Ocidente do perigo que o Islão constitui.
Enfim, árabe típica.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:43 PM | Comentários (5)

ESTAVA FILMADO...

Forças americanas alvejam refém libertada e matam agente italiano.

Mais: Refém diz que ataque foi intencional.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:37 AM | Comentários (5)

SEMPRE QUIS ESCREVER UMA FRASE ASSIM

Ontem a Voz visitou-me.

Publicado por José Mário Silva às 10:55 AM | Comentários (0)

ASSIM, JÁ NÃO BRINCAMOS MAIS COM ELE!

O retrato do fundador do CDS e ministro indigitado do Governo socialista, Diogo Freitas do Amaral, vai ser enviado, por encomenda, na segunda-feira, para a sede do PS pelo secretário-geral do CDS-PP, Pedro Mota Soares.
Em declarações à agência Lusa, Mota Soares disse ter decidido enviar para o largo do Rato, o retrato do fundador do CDS que se encontra à entrada da sede do partido, no largo do Caldas, adiantando que o fará segunda-feira, quando abrem os correios."Temos muita juventude a aderir ao CDS e, no sábado (dia seguinte à apresentação do Governo), essa juventude perguntava porque é que temos na nossa sede o retrato de uma pessoa que frequentou comícios do Bloco de Esquerda e agora é ministro do PS", justificou.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:40 AM | Comentários (7)

A VOZ

faz anos.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:38 AM | Comentários (0)

EXCEPCIONALMENTE, UM POST UMBIGUISTA

Afinal, a expressão "matar-se a trabalhar" pode não ser uma hipérbole.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:32 AM | Comentários (0)

março 06, 2005

NEVE EM PARIS (1)

No Parc Montsouris, o lago estava gelado.

Publicado por Filipe Moura às 11:28 PM | Comentários (2)

BLOGUE NOCTURNO

Enquanto o excelente Sous les pavés... prolonga o triste pousio (triste para quem o lia), Rui Bebiano, um dos seus mais carismáticos autores, vai inventando todas as noites A Noite. São «insónias a lápis e gilete», erguendo-se da sombra, sob a égide de três versos de Eugenio Montale. Passem por lá quando a luz decresce: apreciem as belas imagens, a prosa cuidada. E deixem-se estar por ali como num bar cheio de fumo onde talvez apareça, lá mais para a madrugada, o perfil de Chet Baker.

Publicado por José Mário Silva às 02:28 PM | Comentários (4)

março 05, 2005

PERSPECTIVAS PARA ESTE ANO

Começa daqui a umas horas a edição de 2005 do Mundial de Fórmula 1. Será esta edição como a de 2004, uma monotonia onde tudo ficou decidido num instante e Schumacher ganhou? Ou será como a de 2003, em que houve disputa e emoção até ao fim e Schumacher ganhou? Vamos ver. Na verdade até pode ser que a história seja outra. Eu não escondo as minhas simpatias ferraristas, mas desejo que este seja o ano da afirmação definitiva de dois dos mais talentosos pilotos: Jarno Trulli e Jenson Button. E que o português Tiago Monteiro seja uma surpresa agradável (principalmente quando meio mundo prefere o seu colega de equipa). Que tudo lhe corra pelo melhor.

(Calharam ser da Ferrari, mas após alguma pesquisa escolhi estas fotografias pelas imagens em si e não pelas equipas - embora não pusesse aqui fotos do Montoya. Esta aqui em baixo, então, agrada-me particularmente. Das pessoas com quem mais simpatizo na fórmula 1 são os mecânicos e das coisas que eu mais gosto de ver são as trocas de pneus.)

Publicado por Filipe Moura às 11:53 PM | Comentários (21)

A PARTIDA

A Maria José Oliveira decidiu abandonar a blogosfera. Honestamente, não posso dizer que vou sentir a sua falta no dia-a-dia mas, sinceramente, tenho pena. Espero que ela regresse um dia destes.

Publicado por Filipe Moura às 11:45 PM | Comentários (0)

CONTABILIDADE ELEITORAL

Querem 50.000 boas razões para Santana Lopes nem sequer pensar em voltar à Câmara Municipal de Lisboa? Os 50.000 votos (ou perto disso) que o PSD perdeu só no concelho de Lisboa, nas últimas legislativas, em relação ao score de 2002.
Parece-me evidente que este resultado, além de um castigo pela péssima governação de PSL, também funcionou como um referendo à sua passagem pela autarquia lisboeta. Era bom que algum dirigente laranja (Carmona Rodrigues, talvez) explicasse isto ao "menino-guerreiro", a ver se ele não regressa ao círculo vicioso das figuras tristes.

Publicado por José Mário Silva às 10:28 PM | Comentários (1)

março 04, 2005

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Aspectos positivos:

- a discrição mediática na formação do executivo
- a relativamente escassa presença de "tralha" guterrista
- alguns valores seguros: Mariano Gago (o melhor ministro socialista dos últimos 10 anos), Augusto Santos Silva, António Costa e Vieira da Silva (um dos elementos mais à esquerda, na linha de Ferro Rodrigues, num dos ministérios fundamentais para uma política de esquerda: o da Segurança Social)

Aspectos negativos:

- o low profile de um terço do Governo (quando havia condições para juntar figuras de prestígio para uma legislatura completa)
- a ausência de António Vitorino (mais uma vez em fuga dos compromissos governativos)
- um alinhamento geral demasiado centrista para o meu gosto

A (meia) surpresa que é uma incógnita:

- Freitas do Amaral, nos Negócios Estrangeiros, vai ser um espinho para a direita mais radical mas terá que provar que não "comprou" o cargo com o célebre artigo da «Visão»

Publicado por José Mário Silva às 09:19 PM | Comentários (20)

JÁ ESTÁ ESCOLHIDO O XVII GOVERNO CONSTITUCIONAL

Ei-lo:

Primeiro-ministro - José Sócrates

Ministro da Presidência - Pedro Silva Pereira

Ministro de Estado e da Administração Interna -António Costa

Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros - Diogo Freitas do Amaral

Ministro de Estado e das Finanças - Luís Campos Cunha

Ministro do Trabalho e da Segurança Social - Vieira da Silva

Ministro da Justiça - Alberto Costa

Ministro da Saúde - Correia de Campos

Ministro da Economia - Manuel Pinho

Ministro do Ensino Superior e Ciência - José Mariano Gago

Ministro da Educação - Mária de Lurdes Rodrigues

Ministra da Cultura - Isabel Pires de Lima

Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e das Pescas - Jaime Silva

Ministro do Ambiente - Francisco Nunes Correia

Ministro das Obras Públicas - Mário Lino

Ministro da Defesa - Luís Amado

Ministro dos Assuntos Parlamentares - Augusto Santos Silva

Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros - Jorge Lacão

Publicado por José Mário Silva às 08:56 PM | Comentários (8)

O REGRESSO DO "FOGO AMIGO"

Jornalista italiana ferida por militares americanos, no Iraque, pouco depois de libertada.

Publicado por José Mário Silva às 08:52 PM | Comentários (8)

ILUSTRAÇÃO DO POST ANTERIOR


Cartoon de Bandeira, «Diário de Notícias»

Publicado por José Mário Silva às 05:33 PM | Comentários (4)

MÁ LINGUA

Será que isto tem alguma coisa a ver com isto?

Publicado por Jorge Palinhos às 05:06 PM | Comentários (1)

ADENDA À ADENDA

O texto de Schopenhauer foi traduzido para português e publicado pela Campo de Letras. É este.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:01 PM | Comentários (0)

ADENDA

Na sequência de uma sugestão de leitura de Filipe Moura, sobre as falácias e truques retóricos, este texto de Arthur Schopenhauer é de leitura mais do que obrigatória. (Paulo Almeida)

Publicado por José Mário Silva às 01:51 PM | Comentários (1)

UM DESABAFO

Aproveitar-se da boa vontade de um blogue que gosta de ter colaborações exteriores e lá publicar, num curto período de tempo, várias dessas colaborações exteriores, ao mesmo tempo que, utilizando outra identidade, se persegue e insulta, nos comentários, um dos colaboradores desse mesmo blogue, não é lá muito bacano.

Publicado por Filipe Moura às 09:47 AM | Comentários (24)

LEITURA OBRIGATÓRIA

Manual de Instruções para Discussões na Blogosfera, pelo Gibel.

Publicado por Filipe Moura às 09:36 AM | Comentários (3)

O BARNABÉ ENCONTROU O SEU KRAMER

Refiro-me ao Nuno Sousa e a este texto, que tanto tem dado que falar. É evidente que um qualquer texto satírico sobre o Papa, mau ou bom, origina sempre reacções indignadas dos católicos mais ferrenhos. Mas não são essas as reacções com que o Nuno se deveria ter preocupado. No entanto escreveu, no mesmo texto, uma tímida reacção onde se defendia dos ataques desses mesmos católicos. O Rui Tavares também falava somente nos talibãs católicos. Ambos, a meu ver, caíram no mesmo erro típico (eu tenho experiência no assunto...) de defenderem-se dos ataques mais fundamentalistas, vindos de quem não quer pensar, dialogar ou argumentar. Esforço inútil.
Nem todos os comentários críticos eram assim, no entanto. O texto foi também fortemente criticado por leitores que não eram necessariamente moralistas ou beatos. A questão mais interessante e mais delicada que foi colocada nos comentários foi a da visibilidade da velhice, qualquer que seja o velho. Houve quem acusasse o Nuno de achar que se deveria esconder os velhos, e ignorar o seu sofrimento. Esta é uma questão muito delicada, como tudo o que tenha a ver com a terceira idade. Eu diria simplesmente que envelhecer é triste. Essa é que é essa.
Voltando ao Papa. Eu estou-me totalmente nas tintas para o Papa e para a Igreja Católica. Só é católico quem quer, e mesmo quem seja tem a liberdade de seguir ou não os mandamentos do Papa. Eles que se entendam entre si, que eu não tenho nada a ver com isso. Agora, não deixo de me impressionar com o aproveitamento mediático que se faz de um homem que se vê assim impedido de viver os seus últimos dias em paz. O que daqui é mesmo vontade do próprio Papa e o que é vontade da hierarquia católica não é claro. (No entanto é para mim claro que muito desse aproveitamento mediático é mais uma vez culpa da comunicação social, que não tem que ser porta-voz do Vaticano. E isso, o Nuno não referiu...) Parece-me, até pelo que ele escreveu depois, que o motivo da indignação do Nuno é toda esta exposição mediática e nada mais do que isso; não me parece que haja à partida má vontade contra os idosos no que ele escreveu. Admito no entanto perfeitamente que ele possa ter sido "algo desajeitado" (onde é que eu já li isto?) e que isso tenha motivado algumas indignações, mesmo de não crentes. Mas nada do que ele escreveu justifica os ataques que sofreu. Os comentadores dos blogues não devem usar o privilégio que é poderem comentar livremente para partirem para o insulto. Sempre me opus e oporei a isso. Por isso, e por conhecer perfeitamente essa mesma situação, não deixo de me solidarizar com o Nuno e de lhe mandar um abraço. Bem vindo à blogosfera, colega.

Publicado por Filipe Moura às 09:10 AM | Comentários (22)

ALERGIA

Hoje voltei ao alergologista. Braços estendidos, 24 gotas alinhadas em quatro filas, pequenos furos na pele. Um quarto de hora mais tarde, contemplando as várias borbulhas de cor escarlate que ameaçavam explodir e me causavam uma comichão diabólica, o médico explicou os resultados. «Pois é, meu amigo, você é alérgico a vários tipos de pólen.» [Cáspite, pensei eu, como se não bastassem os ácaros.] «E o pior de todos», acrescentou o clínico, «o que lhe faz mais reacção, é o da oliveira». Assim mesmo: oliveira. Com minúscula.

Publicado por José Mário Silva às 01:22 AM | Comentários (2)

março 03, 2005

VINAGRE NA FERIDA

Impressionante: só depois da derrota é que a direita se torna lúcida.

Publicado por José Mário Silva às 10:51 AM | Comentários (7)

OS EXORCISTAS — OU O SACRIFÍCIO DA VIRGEM

Só na semana passada, com a anunciada demissão do presidente do Partido Social Democrata, Pedro Santana Lopes, se cumpriu realmente a noite eleitoral de domingo. Mais do que a vitória do Partido Socialista, mais do que a maioria absoluta que este alcançou, o que verdadeiramente aconteceu no domingo foi a renúncia da "besta", o seu extermínio.
De tal forma assim é que toda a dinâmica eleitoral foi avaliada a partir dessa perspectiva: segundo os comentaristas niguém votou em ninguém, todos votaram contra alguém, contra o mesmo, quer os que votaram PS, quer os que iam votar PP (mas não votaram) ou até mesmo os que votaram CDU e Bloco, depois de nas últimas eleições terem votado Barroso. Ouve mesmo quem se indignasse, zangado, e repetisse a indignação, na terça-feira, por Santana Lopes ter fugido ao guião e destruído, assim, o pretendido e esperado efeito dramático do "the end". Comentaristas de todas as inclinações rejubilam com o fim daquilo a que chamaram o PSL, o partido feito indivíduo na pessoa do «menino-guerreiro»: se não serviram para mais nada, as eleições serviram pelo menos para isso; porque independentemente da política socialista (quem quer saber?) voltará, finalmente, a haver política.
Se a crítica ao homem se confundiu frequentemente com o vitupério preconceituoso (parece por vezes que, se a homossexualidade foi finalmente aceite, o celibato poligâmico continua a susceptibilizar alguns), depois de depurada, ela apontava sobretudo a «uma certa forma de fazer política», a um «populismo» sem qualquer conteúdo, à «demagogia» vazia posta ao serviço de um projecto individual de protagonismo e de poder. Tudo isto mais grave, ainda, em virtude da absoluta necessidade de discutir «questões fundamentais», de se proceder a um «debate sério» sobre os problemas de um país onde, durante quinze dias, e todos parecem concordar também sobre este ponto, nada de sério se discutiu. À esquerda e à direita todos exclamam agora, assumidamente e com orgulho, vade retro, reclamando para si próprios e para os seus editoriais, para as suas crónicas, parte da responsabilidade de ter conseguido voltar a enterrar o Belzebu. E benzem-se murmurando profissões de fé na democracia: tempo agora de o PSD se voltar a encontrar com a sua «essência», dizem, e o país, enfim, com a normalidade democrática.
Santana Lopes ter-se-á excedido, certamente. Mas só o cinismo ou a ingenuidade explicam tanto sangue, tamanha raiva, só eles explicam por que razão o suicídio político de Santana foi, lentamente, transformado num colectivo assassinato exorcista. Cinismo, estou em crer. Porque no fundo sabem bem que ao ‘populismo’ de Lopes se opôs afinal o ‘programático’ «voto em Portugal» e a retórica socialista da «confiança». Porque sabem, também, que no dia seguinte à demissão, militantes entrevistados e fóruns públicos discutiam o futuro do partido com base nos «perfis» daqueles que ainda só eram eventuais candidatos ao cargo. Porque, enfim, o problema do ‘populismo’, o problema da racionalidade democrática não esteve, nunca esteve, em última instância, em Santana Lopes. Ao contrário do que afirmam julgar, Santana Lopes não representou nunca uma mera excrescência pontual no virtuoso caminho da democracia político-partidária portuguesa. Muito antes de Santana fazer incidir sobre si os focos do show político, já o debate em Portugal descera ao mais rasteiro nível. Lembremo-nos: antes ainda do seu despontar, ofereciam-se já televisores em campanha e estas eram já, há algum tempo, solitários "one-man shows".
(Frederico Ágoas)

Existe algo de sacrificial neste massacre. Mas, sabemos hoje bem demais, a morte da virgem não impedirá que a fúria dos deuses se abata sobre nós.
Hoje como ontem é precisamente na discussão do «perfil» de Marques Mendes face ao «perfil» de Felipe Menezes que o PSD volta a realizar a sua essência. Porque ao contrário do que em tempos acreditaram os mais empedernidos marxistas e parecem hoje acreditar os nossos comentaristas, a realidade, ao contrário do pensamento, tem sempre razão. A essência das coisas é o que elas são na realidade e não o que elas devem ser. Pedro Santana Lopes foi bem real, e talvez o único reparo que se lhe possa fazer é de ter sido demasiado real. PSL excedeu-se, mas ao fazê-lo tornou apenas manifesto o que, desde há muito, era já visível. Se é verdade que as actuais formas de comunicação ao dispor dos partidos potenciam essa simplificação da mensagem, condensada ao absurdo na figura do líder, essa mercantilização do político não se funda apenas e só nos meios, funda-se também nos próprios fins. Na realidade, são os próprios partidos que anseiam que do seu ventre se desentranhe, a cada momento, esse homem providencial que os levará ao poder e aí os manterá durante longos e proveitosos anos. Onde predominam as comunidades de interesses, em vez de comunidades políticas (no sentido ideológico do termo), o projecto de poder individual de um serve bem o projecto de poder individual de todos.
É bem relevante, a um outro nível, que também o Bloco tenha finalmente cedido, durante a campanha, à tentação de centrar a sua imagem pública na figura de Francisco Louçã. E relevante também, não obstante nada no PC ter mudado, que a «simpatia» da sua nova figura de proa lhe tenha merecido o estatuto de «surpresa da campanha». Talvez a participação no actual jogo político assim o exija, mas no limite vemos então surgir uma contradição entre a política e essa racionalidade democrática por que todos parecem pugnar. Se em alguns casos a personificação poderá resultar de inescapáveis cedências ao espírito do tempo, noutros pretende-se de facto substituir o debate político pelo debate de personalidades. E entre uns e outros, para os distinguir, pouco mais sobra que a intenção; de que o inferno... Essa personificação, seja em que doses for (e evidentemente nada é transversal a Santana Lopes e a Louçã, senão a participação no mesmo jogo) é, e será sempre, o contrário da discussão racional dos problemas. Só nela se poderão fundar as diferenças de um produto que no limite tem as mesmas qualidades, mas também, por consequência e malogradamente, a crítica ‘parlamentarista’ a esse programa do vazio. E os especialistas brasileiros do marketing são só, afinal, quem melhor o sabe.
Não se trata de sugerir que nos grandes partidos estejam apenas e só aqueles que crêem ter algo a ganhar com isso. Não é esse o caso: se alguns dentro do PSD terão criticado Pedro Santana Lopes apenas e só por terem tido a perspicácia de vislumbrar que a uma ‘vitória’ fácil se sucederia uma estrondosa derrota, outros houve a quem a sua total falta de ideias os inquietou genuinamente. Mas esses pertencem já àquele grupo de quem se diz fazer falta à vida política portuguesa; esses que não obstante fazerem ainda parte dos quadros dos partidos, vão recusando uma e outra vez as solicitações para ocupar cargos políticos, até ao dia em que com eles se incompatibilizarem definitivamente.
Essa indignação diante da fraca qualidade dos «nossos políticos», que não vê nela senão o resultado de uma súbita demissão, da ausência de uma ética de responsabilidade da parte dos mais competentes, não está disposta a admitir que seja afinal à política, a esta forma conjuntural (embora predominante) de decidir sobre a vida, que falte ‘qualidade’. Porque essas pessoas e outras, tantas outras (porventura muitas mais) são também aquelas que noutros ambientes sociais, que não os da política, se dispõem a ocupar-se de questões que vão muito além das suas inquietações mais pessoais. São aquelas que nas suas actividades profissionais, mas também noutras, vêem os problemas serem resolvidos com recurso à dialéctica da razão, em profunda dialéctica com a dialéctica das intersubjectividades, do genuíno respeito pelo outro. São aquelas que são reconhecidas pelo que fazem e pelo que não fazem e que vêem quotidianamente as escolhas que tomam serem confrontadas com os resultados obtidos. Movidas por uma ética que reconhece que há meios que contradizem os fins, mas uma ética fundada na prática, na história, que sabe que em democracia, numa sociedade de sujeitos, submeter ‘pragmaticamente’ meios a fins é, frequentemente, fazer das pessoas objectos da democracia. Destruí-la, portanto.
Não se pretende aqui, como tantos fazem, gritar à boca cheia, do alto de uma qualquer tribuna académica, o fim dos partidos. Eles existem e continuarão certamente a existir durante mais alguns anos. Mas a clareza cristalina com que eles têm vindo a realizar essa sua essência, por um lado, mas sobretudo, por outro, uma certa deserção à política, são os mais recentes factores de uma esperança que acredita que existe uma luta a ser travada contra a soberania da política partidária sobre o quotidiano e pela ampliação de espaços de decisão democrática e participada. Porque se a democracia puder ser alguma coisa, e ela é-o desde já, ela será antes de mais o processo, o meio, o “movimento real”, pelo qual, colectivamente se vão estabelecendo os fins a atingir. E não o contrário.

Publicado por José Mário Silva às 10:49 AM | Comentários (3)

UM ANACRONISMO POTENCIALMENTE FATAL


Cartoon de Mike Keefe, «The Denver Post»

Publicado por José Mário Silva às 10:48 AM | Comentários (0)

INAUDITO

Os blasfemos defendem os serviços públicos:

"Porém, o facto é que os alunos preferem, em geral, o Ensino Superior Público, menos por razões do custo das propinas, mas, essencialmente porque esse Ensino ainda tem, na maioria dos cursos, um bom nível, pelos padrões europeus de Escolas Superiores semelhantes."

Acresce que o texto defende umas teorias muito interessantes:

1) O nível de conhecimentos dos alunos portugueses do Básico e Secundário é muito baixo e estes não têm "hábitos de trabalho e de raciocínio".

2) O Ensino Superior Público português é muito bom (especialmente os cursos de engenharia) e os seus alunos (especialmente os de engenharia) estão ao nível dos melhores europeus.

3) Conclusão (não explícita) - Os professores universitários portugueses são os maiores (especialmente os de engenharia).

4) Medidas a seguir: aumentar o poder dos professores com a autonomia, para que eles possam controlar melhor os seus feudos, e retirar o poder aos alunos, cuja participação na governação académica deu origem à qualidade de ensino enunciada no ponto 2 (especialmente para os cursos de engenharia).

Publicado por Jorge Palinhos às 10:17 AM | Comentários (5)

março 02, 2005

CITAÇÃO

Muito oportuna, a citação do Miguel Esteves Cardoso que encima por estes dias o blogue do Ivan Nunes: «Eu tenho trinta e três anos e gostaria que me respeitassem, se faz favor. Que me ajudassem a atravessar a rua quando preciso.»

Publicado por José Mário Silva às 11:56 PM | Comentários (2)

VITÓRIA DE SETÚBAL - 3; SPORTING DE BRAGA - 2

O Vitória está nas meias-finais da Taça de Portugal, depois de um jogo emocionante (com um quase-golo à Maradona do Bruno Moraes e tudo). Sim senhor, eis uma bela prenda de aniversário.

Publicado por José Mário Silva às 11:52 PM | Comentários (3)

O PADRE LORENO NÃO PASSA DE UM AMADOR!

Um sacerdote católico publicou esta quarta-feira um anúncio participando «aos interessados» a sua recusa em dar a comunhão aos católicos que usam meios contraceptivos, recorrem à reprodução assistida ou aceitam a actual lei em vigor sobre o aborto.

No anúncio, o padre Nuno Serras Pereira invoca o cânone 915 do Código de Direito Canónico para, «na impossibilidade de contactar pessoalmente as pessoas envolvidas», lhes dar conhecimento público de que «está impedido de dar a sagrada comunhão eucarística a todos aqueles católicos que manifestamente têm perseverado em advogar, contribuir para, ou promover a morte de seres humanos inocentes».
Nestes incluem-se todos os que usam «diversas pílulas, DIU e pílula do dia seguinte» e os que recorrem a «técnicas de fecundação extra-corpórea, selecção embrionária, criopreservação, experimentação em embriões» e outros métodos de reprodução medicamente assistida.

Votar ou participar em campanhas a favor da legalização do aborto, aceitar ou concordar com a actual lei em vigor (6/84 e seus acrescentos) também são motivos que impedem o padre de dar a comunhão, além da eutanásia.

Claro que o delicado processo de identificar os participantes da comunhão que estão em alguma destas situações vai tornar a dita comunhão muito divertida.

Publicado por Jorge Palinhos às 04:15 PM | Comentários (11)

DEIXA LÁ QUE O MUNDO GIRE AO CONTRÁRIO

Finalmente o Pedro Mexia revelou o resultado da sua eleição para as melhores bandas portuguesas dos anos 80/90. Como sei que ele não contou os meus 20 votos nos Xutos, venho aqui declarar os mesmos Xutos vencedores com 51 votos válidos. Todo o mundo viu o meu voto a ser exercido aqui. Os observadores internacionais dar-me-ão razão.
Para entender os Xutos, há que ultrapassar o musical. Os Xutos estão muito para além do rock português, como os U2 ou o Chico Buarque estão muito para além da sua música. Estas comparações (na devida proporção, é evidente) serão desenvolvidas a seu tempo, noutro texto. Quem não perceber isto, não é um português da minha geração.
Falando agora do resto da lista do Pedro, em breve:
- Houve alguém que, em tempos, comparou (e muito acertadamente) a "Coluna Infame" (o blogue) aos Heróis do Mar. Eu prefiro a "Coluna Infame" aos Heróis do Mar. Tinham muito mais graça e se calhar até cantavam melhor...;
- Os Madredeus... poderiam estar melhor colocados mas, a bem dizer, desde que saíram o Rodrigo Leão, o Gabriel Gomes e o Francisco Ribeiro, aquilo soa-me tudo ao mesmo (estou a ser mauzinho mas é esse o objectivo). Aguardemos pelo próximo álbum;
- Os GNR... respeito muito o carisma do Rui Reininho, e gosto de muitas das canções, mas creio que a sua classificação resulta também de um "voto emocional";
- Os Mler Ife Dada têm uma carreira musical que se resume, se bem me lembro, aos fonemas zubi zaba zubi zaba zubi zaba novi, ou qualquer coisa do género;
- Merecido o destaque dado aos Rádio Macau;
- Quando falo dos Xutos, falo com o coração, a emoção, já o disse. Eles ultrapassam a música. Mas falando só em música, em termos estritamente racionais, falando muito a sério, o melhor grupo da história da música portuguesa só pode ser os Trovante. A posição discreta dos Trovante: é essa a grande pecha deste resultado eleitoral.
Mais comentários à lista e a alguns comentários que li em breve.

Publicado por Filipe Moura às 12:07 PM | Comentários (8)

DIGA 33

E eu digo: 33. Trinta e três anos. Hoje.

Publicado por José Mário Silva às 12:05 PM | Comentários (22)

A VIDA SEM SAIR DO POPÓ

Depois dos restaurantes drive-in e dos cinemas drive-in, a Alemanha descobre os bordéis drive-in.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:01 AM | Comentários (5)

NOT AGAIN

Alemão quer criar fábrica de cadáveres na Polónia.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:55 AM | Comentários (0)

KLEIST É FRESCO E SABE BEM

O único blog português que nos oferece laicismo, livros vistos e anúncios de gatinhos faz dois anos.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:47 AM | Comentários (1)

PEDINDO MAIS BILHETES PARA OS U2

Conforme atrás escrevi, o importante é que toda a gente tenha bilhetes... Para tal, é provavelmente necessário outro concerto. Noutras ocasiões, como a que referi em Nova Iorque, foi possível. Em Portugal parece ser, também. Para contribuir, basta assinar aqui.

Publicado por Filipe Moura às 01:14 AM | Comentários (3)

março 01, 2005

HOMENAGEM À NATA DA MALANDRAGEM

Depois de ler a crónica do Público sobre a encenação da Ópera do Malandro, do Chico Buarque, presentemente em exibição em Lisboa, fiquei com vontade de ouvir... a Homenagem ao Malandro.

Publicado por Filipe Moura às 08:14 PM | Comentários (2)

COMPRANDO OS BILHETES PARA OS U2

Nunca me hei-de esquecer de quando fui comprar os bilhetes para os U2, há pouco mais de três anos, ainda estava nos EUA. Os bilhetes eram vendidos pela TicketMaster, e estariam disponíveis on-line e nas agências a partir das 8 da manhã de um certo dia de Outubro de 2001. Não tendo internet em casa, e de qualquer maneira não confiando na internet para estas coisas, decidi acordar às seis da manhã e dirigir-me à agência TicketMaster mais próxima, das muitas que há por Long Island, a uns minutos de carro da minha casa. Quando cheguei, já tinha pessoas à minha frente, mas isso não lhes adiantava de muito. Para evitar concentrações e "acampamentos" de fãs, de véspera, e situações como as descritas aqui (e aqui, e aqui), a TicketMaster adoptava a seguinte política: minutos antes de a loja abrir, a cada cliente era atribuído um número; esses números eram depois sorteados aleatoriamente, pelo que os clientes eram atendidos pela ordem do sorteio, e não pela ordem de chegada. (Claro que, se alguém chegasse depois da distribuição dos números, seria atendido pela ordem de chegada, mas dificilmente conseguiria um bilhete). Pode sempre questionar-se uma certa injustiça que este factor aleatório gera. As primeiras pessoas a chegar, e que não foram as primeiras a ser atendidas, ficaram aborrecidas. Havia um certo sabor a injustiça, mas eram as regras do jogo. Pelo menos ninguém tinha de passar uma noite ao relento. Mais importante do que estas questões de compra e venda é que haja bilhetes para todos os interessados. Em Nova Iorque, durante aqueles breves minutos em que aguardava pela minha vez, foi anunciada uma data suplementar de concerto!
Estávamos, repito, em Outubro de 2001: era a Elevation Tour. Eu já tinha perdido um concerto em Junho, também em Nova Iorque, quando estive numa escola de Verão. Desde então tinha-se dado o 11 de Setembro e a música New York, bastante recente, tinha ganho outro significado. Não queria voltar a perder o concerto. E não queria gastar mais do que cinquenta e poucos dólares, o preço do bilhete mais barato (e o mais alto preço que eu alguma vez pagara por um espectáculo, até hoje incluído). Lá conseguimos os nossos bilhetes, e tivemos bastante sorte: arranjámos dos melhores lugares do Madison Square Garden que aquela quantia poderia comprar. Parece que a maior procura era para os bilhetes mais caros. Um homem ainda jovem que estava à minha frente procurava obter de novo um lugar em frente ao palco (dentro do "coração" que se pode ver na imagem), para poder ver os seus ídolos de perto. Para tal, teria de desembolsar mais de cem dólares. Já o tinha feito no concerto de Junho, e decidiu repetir. O mesmo concerto, meses mais tarde. E conseguiu o bilhete. Perguntei-lhe o que fazia: disse-me que ganhava o salário mínimo.
A explicação? Não encontro outra - são os U2.

Publicado por Filipe Moura às 05:21 PM | Comentários (7)

DA FALÊNCIA DOS DITADOS POPULARES

Março marçagão, de manhã Inverno, de tarde... Inverno.

Publicado por José Mário Silva às 01:38 PM | Comentários (2)

A NOSSA MORTE SERÁ TELEFONADA

Segundo a esposa, Hunter S. Thompson suicidou-se ao telefone com ela, quando lhe pedia que regressasse do health club para o ajudar num artigo.
Quem viveu segundo o jornalismo gonzo, morre segundo o jornalismo gonzo.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:57 PM | Comentários (0)

É AQUELA ALTURA DO ANO OUTRA VEZ...

Em que os blogs desatam todos a celebrar aniversários. Desta vez são os nossos liberais de estimação. Parabéns!

Publicado por Jorge Palinhos às 12:53 PM | Comentários (0)

ÉTICA É PRECISA, ESTÉTICA NÃO É PRECISA

Harold Pinter, um dos mais importantes dramaturgos contemporâneos vivos anunciou ontem que vai deixar de escrever para se concentrar inteiramente no combate político.
Estes anúncios valem o que valem e ninguém nos garante que amanhã o escritor não volte atrás. Mas não tenho ideia de um autor de tal gabarito tomar uma decisão destas — ou, pelo menos, fazer o percurso nesta direcção.
Duvido que a escolha surta grande efeito, mas não deixa de ser por isso admirável. Alguém que troca o reconhecimento futuro pela construção desse mesmo futuro — não que escrever não seja também construir o futuro, mas é-o de forma egocêntrica —, construção essa que é anónima e muitas vezes ingrata e frustrante, sem prémios, nem antologias, nem direitos de autor, nem aplausos da crítica.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:58 AM | Comentários (1)

BOLETIM METEOROLÓGICO ILUSTRADO PARA PORTUGAL CONTINENTAL

Publicado por José Mário Silva às 09:37 AM | Comentários (3)

TELEGRAMA

Desculpem os posts curtos STOP Não somos nós que temos pouco para dizer STOP A realidade é que às vezes é telegráfica STOP

Publicado por José Mário Silva às 09:19 AM | Comentários (1)

SOCIEDADE DO ESPECTÁCULO

Ainda me lembro do tempo em que as pessoas combinavam encontros à porta do Quarteto ou em qualquer esquina do Bairro Alto. Agora é mais na FNAC e em bombas de gasolina, algures na interminável fila para os bilhetes dos U2.

Publicado por José Mário Silva às 09:13 AM | Comentários (0)