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fevereiro 28, 2005

O ANJO INDIVIDUALISTA

Na estação de metro dos Anjos, alguém se entreteve a apagar, das placas, a letra S.

Publicado por José Mário Silva às 03:31 PM | Comentários (5)

UMA DESPENSA CHEIA DE CRUDE

Diz o Público: Gasta-se um barril de petróleo por mês nas casas portuguesas.

Publicado por José Mário Silva às 02:38 PM | Comentários (1)

NÃO ABRAS ESSA PORTA

«La réponse surprise», René Magritte

Publicado por José Mário Silva às 02:37 PM | Comentários (2)

NOTÍCIAS DO RIAPA

30 anos depois de abandonar a extrema-esquerda, Pacheco Pereira é ameaçado de purga.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:36 PM | Comentários (0)

NATIONAL GEOGRAPHIC

Eu vi: na Praça dos Restauradores, um bando de gaivotas a devorar um pombo.

Publicado por José Mário Silva às 02:20 PM | Comentários (12)

LOJA DO CIDADÃO

Peça a senha, receba o vírus.

Publicado por José Mário Silva às 02:15 PM | Comentários (1)

A VOZ DO NOME E O NOME DA VOZ

Há quem, na direita liberal (e não só) afirme que a esquerda fala sempre a uma só voz, e já fomos mesmo acusados de "sermos" o "pensamento único". Mas que dizer então do novo blogue de direita liberal, o Insurgente, já apresentado pelo Jorge? Lá escrevem, entre outros, o meu muito prezado André Abrantes Amaral e... o AAA. Quando eu era miúdo, também havia o óleo Pima.

(Boa sorte para o blogue e parabéns ao André, que há muito merecia maior destaque.)

Publicado por Filipe Moura às 01:06 PM | Comentários (2)

EU SEI UM BOATO SOBRE O SÓCRATES...

Via Paulo Gorjão descubro que o desporto de Difama-o-Sócrates continua muito popular, aumentando a minha impressão de que o PSD se está a tornar num gigantesco RIAPA. Gostaria de contribuir com mais alguns boatos:

1 - Um primo meu tem um vizinho que ouviu dizer que o Sócrates tinha mau hálito. Eu não tenho nada contra o facto de um tipo se esquecer de lavar os dentes depois de uma boa bacalhauzada alhenta, mas, a bem da nação, convinha que o novo primeiro-ministro esclarecesse as suas opções sobre a higiene oral.

2 - A minha mulher-a-dias tem uma colega que soube de fonte fidedigna que o Sócrates não gosta de cães. Todos nós somos susceptíveis de ganhar aversão canídea após um episódio de mordidela dos ditos, mas, a bem do país, conviria saber se o futuro primeiro-ministro não terá a priori um conjunto de preconceitos contra o animal mais representativo do país e fiel ajudante do hobby mais perigoso e poderoso da nação.

3 - Um taxista contou-me que viu na internet que no dia do nascimento do Sócrates foram vistas luzes estranhas e seres altos, esguios, sem nariz e sem pupilas, perto da casa dos pais daquele. Eu não tenho nada contra invasões alienígenas, mas, para paz de espírito dos portugueses, seria conveniente que Sócrates desfizesse as dúvidas sobre a sua natureza genética.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:57 AM | Comentários (6)

MAIS UM CLUBE DE REAÇAS

Nada como o associativismo em tempos de crise... Por outro lado, fico preocupado: afinal, não há mais caturras na terra?

Publicado por Jorge Palinhos às 11:52 AM | Comentários (0)

OS MONUMENTOS CATURRAS FICAM MELHOR COBERTOS DE NEVE

Assim que entrei pela primeira vez no Jardim do Luxemburgo, logo concluí que aquele local era feito para estar coberto de neve. Só com neve as estátuas e as fontes entram em harmonia com as plantas.
Assim que caíu o primeiro grande nevão, fui logo para lá de máquina fotográfica a tiracolo. Como eu, muitos parisienses, residentes ou de passagem, e turistas.
Não pudemos entrar. Devido às condições de intempérie, o jardim estava fechado. Só havia alguma neve, e não gelo. O jardim não é especialmente inclinado. Não havia quantidades apreciáveis de neve nas árvores que se pudessem tornar perigosas. Mesmo assim. As autoridades parisienses privam assim os visitantes do Jardim de disfrutarem do mesmo na melhor altura.
O Parc Montsouris, pelo contrário, estava aberto, com algumas partes que pudessem ser mais perigosas vedadas, e com os vigias atentos. O Parc Montsouris, recordo, que não precisa de neve para ser harmonioso. Assim se comprova mais uma vez a superioridade moral dos parques sobre os jardins. No Luxemburgo contentei-me, tal como os outros visitantes, com fotografias tiradas de fora do gradeamento.


Publicado por Filipe Moura às 09:04 AM | Comentários (9)

fevereiro 27, 2005

ÓSCARES

Ao contrário de outros anos, não vou fazer noitada.
Pior ainda: pela primeira vez na minha vida, não vi nenhum dos filmes candidatos aos principais prémios.
É mesmo assim.
Este ano, desculpem lá, os meus Óscares são outros.

Publicado por José Mário Silva às 11:57 PM | Comentários (4)

Ó-AI-Ó-Í, ESCORREGUEI, TAMBÉM CAÍ

Nada de especial. Chata é esta gripe. Malditos aquecimentos. Sai-se para a rua quente, com temperaturas negativas, e é o que dá.

Publicado por Filipe Moura às 11:51 PM | Comentários (4)

Ó-Í-Ó-AI, QUEM ESCORREGA TAMBÉM CAI

O momento poético da minha manhã de sexta feira: à crónica de José Manuel Esteves seguiu-se a música "Ai Se Ele Cai", dos Xutos & Pontapés, e um aviso: "Há gelo nas estradas e nos passeios. Se for a pé, tenha cuidado e não caia como na canção. Se conduzir, vá com precaução. E com a sua Rádio Alfa."

Publicado por Filipe Moura às 11:49 PM | Comentários (0)

SEM ACENTO CIRCUNFLEXO NO "E"

Algo me diz que o PSD vai ser dirigido, em breve, pelo Marques do Pombal.

Publicado por José Mário Silva às 12:18 PM | Comentários (3)

fevereiro 26, 2005

ABSTRACTIO (3)

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Publicado por José Mário Silva às 06:56 PM | Comentários (1)

PAULO PORTAS VAI SER CLONADO...

... e reaparecerá com o perfil de George Clooney.

[A história completa, em rigoroso exclusivo, é contada pelo "repórter" Nicolau Saião, num dos melhores blogues cá do burgo.]

Publicado por José Mário Silva às 06:53 PM | Comentários (0)

ABSTRACTIO (2)

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Publicado por José Mário Silva às 05:52 PM | Comentários (0)

REMATE DE KAFKA ENTRE OS POSTES

No canal 2: a selecção portuguesa defronta a checa, em râguebi. Jogo trôpego e banal, a anos-luz das jogatanas do Torneio das Seis Nações. De repente, começo a reparar nas acções do médio de abertura eslavo. Tem bons pés, precisão no remate, arcaboiço, voluntarismo. E corre, corre, corre. E passa, passa, passa. E até, vejam bem, marca três pontos com elegância, com classe. O seu nome: Kafka.
Eis a matéria-prima, a matéria bruta, a matéria não trabalhada da ironia. Façam com ela o que quiserem. Mas sempre vos digo que não descortinei, na equipa deste Kafka jogador de râguebi, nenhum companheiro com o apelido Brod.

Publicado por José Mário Silva às 05:40 PM | Comentários (3)

ABSTRACTIO (1)

abstractio1.jpg

Publicado por José Mário Silva às 03:08 PM | Comentários (0)

NINGUÉM CALARÁ A VOZ DA CLASSE BLOGUÍSTICA

Ontem, a partir das 20h30 (e durante cerca de 12 horas), o universo weblog.com.pt voltou a estar em baixo. A culpa de tão insidioso silenciamento ainda não foi atribuída (ver aqui) mas uma coisa é certa: não há mordaça electrónica que nos cale. Por muito que se sucedam os ataques dos spammers e os azares informáticos, nós resistiremos, nós voltaremos sempre.

Publicado por José Mário Silva às 03:04 PM | Comentários (3)

fevereiro 25, 2005

MUDANÇA DE INSTALAÇÕES

O imprescindível 1bsk, depois de passar por um limbo amarelo, voltou a ser verde alface. Só que noutro lugar. Anotem a morada, sff.

Publicado por José Mário Silva às 04:43 PM | Comentários (0)

REGRESSO

É muito bom voltar a ler o Pedro Lomba na blogosfera.

Publicado por José Mário Silva às 04:35 PM | Comentários (0)

DUAS SEMANAS DE ALICE

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Maravilha atrás de maravilha atrás de maravilha.

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Publicado por José Mário Silva às 04:34 PM | Comentários (12)

IN MEMORIAM CABRERA INFANTE (4)

A cor da memória*

Que cor tem uma recordação? Conserva ela as cores da realidade imediata ou essa realidade mediata e portanto fantástica, tornada irrealidade pela distância, muda de cor com o tempo? Será afectada pelos estados de ânimo, passados e presentes? Uma recordação triste, por exemplo, terá tons nostálgicos, digamos malva, se for recordada numa época alegre? E ao contrário, recordar tempos felizes na desgraça, além de ser uma dor dantesca, terá as mesmas cores ou diferentes? E perderá a memória cor com o tempo, como uma velha película colorida, deixando cor em cada recordação? Ou será que todas as recordações são uma mesma recordação? Será a minha memória da cor das plantas no jardim da minha bisavó, há mais de trinta anos, quase um terço de século, sempre a mesma, sem consumir-se um pouco que seja, sem gastar as suas bordas nítidas de cada vez que a recordo? Ou são as recordações diferentes em cada momento em que se invocam ou descontrolam? Terá a recordação repetida da peónia a cor da peónia actual? Será também da cor daquela flor naquele dia? Não há sonhos confusos a cores e sonhos de uma exactidão nítida a preto e branco, tão arbitrários como temerosos, uns e outros? Não acontecerá a mesma coisa com a recordação, com as recordações? Fechando os olhos e criando uma câmara escura, poderemos recordar a cor vívida ou a obscuridade apaga a recordação? As recordações melhor desenhadas pela memória — «como se as estivesse a ver, a viver, neste preciso instante» — são fiéis à realidade ou à recordação? Não será a recordação o negativo processado da percepção fotográfica de um momento? Ou é uma velha foto colada num álbum, que se olha de quando em vez ou que cai inesperada de uma gaveta quando buscamos outra coisa qualquer? É a memória deveras um mecanismo ou, como os sonhos, outra dimensão do tempo? Será o espaço da recordação idêntico ao espaço real recordado, ou maior e menor, como a recordação das coisas vistas na infância e que depois só voltamos a ver em adultos? As recordações de um cego que pôde ver até um certo dia são diferentes da recordação desse mesmo momento que tem um acompanhante de então que ainda vê? Não há duas recordações iguais ou será que não há duas coisas iguais, porque entre a primeira visão de um objecto e a segunda se interpõe a recordação? E a recordação das coisas quando as vemos pela primeira vez? Será toda a visão um déjà-vu? Será toda a recordação a recordação de uma recordação? Será a memória uma segunda visão, ou trata-se, realmente, da primeira e única visão do mundo, da realidade, que não é mais do que um momento da recordação?

Guillermo Cabrera Infante, in «Exorcismos de esti(l)o» (tradução de JMS)

* O título original deste texto é «El (c)olor de la memoria» (a que se acrescenta um "d" por cima do "c"). O jogo semântico, impossível de traduzir, sugere a contracção de três palavras: color (cor), olor (cheiro) e dolor (dor).

Publicado por José Mário Silva às 04:32 PM | Comentários (1)

MÃO À PALMATÓRIA

Pedro Santana Lopes assumiu hoje que o resultado das eleições do passado domingo deram razão ao Presidente da República, quando este decidiu dissolver o Parlamento, no final do ano passado. Pena é que a razoabilidade política do ex-primeiro-ministro só tenha chegado depois de abandonar o poder.

Publicado por José Mário Silva às 04:22 PM | Comentários (3)

UM CAMINHO JÁ PERCORRIDO

Na apresentação da candidatura de Luís Filipe Menezes à liderança do PSD, não estava um único nome sonante do partido. Menezes, porém, apressou-se a desvalorizar as ausências: «O que me interessa são as bases.»
Pois. As bases. O povo. Etc. O outro também dizia isso. E todos sabemos como é que a história acabou.

Publicado por José Mário Silva às 12:24 PM | Comentários (1)

ENTRETANTO, EM PARIS...

...neva.

Maison Internationale, Cité Internationale Universitaire de Paris

Publicado por Filipe Moura às 12:34 AM | Comentários (3)

COMO DIZEM OS ITALIANOS

— Ouvi dizer que estás a traduzir um livro. É verdade?
— Sim, é verdade, estou a trair um livro.

Publicado por José Mário Silva às 12:20 AM | Comentários (0)

fevereiro 24, 2005

IN MEMORIAM CABRERA INFANTE (3)

A obra-prima ilegível

O que exigiu de Quevedo toda uma literatura (e mais ainda: a vida), chegou e sobrou a outro Francisco, Rabelais, em dois livros. Joyce ainda precisou de um e meio. Ganhar-lhes-á quem o faça em apenas um. Irá mais longe do que todos, do que ninguém, quem o faça com ainda menos, com meio livro, com um quarto — com nada. Será outro Sócrates e será mais ainda, porque conterá Sócrates. Este livro invisível, supremo, está por escrever e o seu autor terá que nascer da hecatombe. Será um (ilegível) ou não será.

Guillermo Cabrera Infante, in «Exorcismos de esti(l)o» (tradução de JMS)

Publicado por José Mário Silva às 11:39 PM | Comentários (8)

FEYENOORD- 1; SPORTING- 2

O golo do Liedson (parábola perfeita) é tão belo como a Vénus de Milo. Deram por isso?

Publicado por José Mário Silva às 11:18 PM | Comentários (6)

IN MEMORIAM CABRERA INFANTE (2)

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começa com

Guillermo Cabrera Infante, in «Exorcismos de esti(l)o» (tradução de JMS)

Publicado por José Mário Silva às 11:12 PM | Comentários (1)

IN MEMORIAM CABRERA INFANTE (1)

As velhas páginas

As páginas velhas são como as fotografias de há muito tempo. Se são nossas, ao vê-las de novo sentimos uma curiosa estranheza. De certa forma estamos ali, mas não somos exactamente nós.

Guillermo Cabrera Infante, in «Exorcismos de esti(l)o» (tradução de JMS)

Publicado por José Mário Silva às 11:06 PM | Comentários (1)

SIR WINSTON’S ELOPEMENT

Por razões profissionais, gastei recentemente algumas horas a pesquisar o relacionamento de Winston Churchill com a ilha da Madeira. Que sim, que o senhor esteve lá várias vezes, instalado em hotéis de sonho, a matutar nas suas memórias e a pintar lindos panoramas de Câmara de Lobos — então ainda livre da chaga dos "meninos das caixinhas".
A páginas tantas, dei com uma menção, ecoada até na pátria de Sir Winston, a um conto intitulado "Mr Keegan's Elopement", cuja trama tem lugar precisamente no Funchal dos fins do século XIX. Num site de promoção do turismo na Madeira, até lá vem a coisa reproduzida, com direito a ilustrações e tudo.
Como é sabido, o ex-premier até deve ter tido alguns méritos literários, a ajuizar pelo Nobel da Literatura que acabou por receber em 1953. Além de memórias e obras sobre a II Guerra, ainda escreveu um romance, «Savrola»; mas o alvo da nobélica distinção não foi este livro, descrito pelo Comité como sendo «desprovido de mérito», aquando de uma primeira candidatura.
Que tem então o conto acerca do tal "Mr. Keegan" de notável? Muito simplesmente, foi escrito pelo Winston Churchill errado.
Nos primeiros anos do século XX, um dos romancistas e historiadores mais populares dos EUA chamava-se... Winston Churchill. Aliás, o seu homónimo inglês conhecia bem este facto, pelo que introduziu um "S" na sua assinatura para evitar confusões. Anos mais tarde, chegou a sugerir ao escritor do Mississipi, também ele com alguma actividade política, que se deveria candidatar à Presidência, só para «confundir ainda mais os historiadores»...
Hoje, poucos conhecem a obra do Churchill americano, correndo ele a triste vergonha póstuma de ver a sua obra "reclamada" involuntariamente pelo líder inglês. Serve esta história para nos demonstrar que «aqueles que por obras valerosas se vão de lei da Morte libertando» podem apenas conquistar por uns fugazes anos essa tão duramente adquirida "liberdade". Por muitas e sonoras loas que se cantem à obra do artista, mal se calam as gargantas instala-se o atrito do tempo; e desse, ninguém sai vivo.
(João Garcez)

Publicado por José Mário Silva às 05:56 PM | Comentários (2)

RAZÕES PARA SER PAGÃO

"Até agora só houve uma revolução sexual e foi a Igreja que a fez. Antes da Igreja era um deboche absoluto."
João César das Neves, citado na Visão.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:49 PM | Comentários (15)

PARABÉNS AÍ, MARRETAGEM!

E votos de muitos biénios com a irreverência do Animal, a ironia do Statler e a rezinguice do Waldorf.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:18 PM | Comentários (1)

SILOGISMO PARA SÓCRATES

1) Para formar governo, o futuro primeiro-ministro tem que ser indigitado.
2) O Presidente da República indigitou, esta manhã, José Sócrates como primeiro-ministro.
3) Sócrates, pá, de que é que estás à espera? Forma lá o governo quanto antes, que o país já marcou passo tempo demais.

Publicado por José Mário Silva às 02:39 PM | Comentários (1)

LOST IN TRANSLATION


Cartoon de Jeff Parker, «Florida Today»

Publicado por José Mário Silva às 12:38 PM | Comentários (1)

fevereiro 23, 2005

PÓS-CAMPANHA

O mais irónico dos anacronismos: a permanência de cartazes eleitorais triunfalistas, espalhados (ainda) pela cidade, três dias depois da grande derrota. Ou de como certos outdoors passam a ter, para certos políticos, um significado literal: o de porta de saída.

Publicado por José Mário Silva às 11:10 PM | Comentários (0)

SALVAR O EUROPA

Atenção: é o Europa (cinema), não a Europa (continente). Mas ainda assim vale a pena lutar. Como ex-habitante de Campo de Ourique, estou ao lado dos moradores do bairro que tentam evitar a demolição do edifício, catalogado no inventário da arquitectura moderna portuguesa do IPPAR. Para mais informação e notícias sobre acções de protesto, pode consultar-se o blogue SOSCinemaEuropa.

Publicado por José Mário Silva às 10:52 PM | Comentários (0)

KUSTURICA MEETS MARADONA

Emir Kusturica está a preparar um documentário sobre a vida do mais talentoso e chanfrado de todos os jogadores de futebol. Bate certo. Quem melhor do que o autor de «Gato Preto, Gato Branco» para filmar o génio associado à pândega?

Publicado por José Mário Silva às 10:27 PM | Comentários (2)

O PESO DO ESTADO

Segundo uma infografia revelada hoje pelo jornal Público, George W. Bush, de cada vez que se desloca ao estrangeiro, leva consigo um verdadeiro séquito: 250 agentes dos serviços secretos, 150 conselheiros de segurança nacional, 200 funcionários de diversos departamentos governamentais, 50 colaboradores da Casa Branca, 15 equipas com cães e cinco cozinheiros. Para além deste staff de 670 pessoas, seguem ainda três aviões jumbo, dois helicópteros e 20 carros blindados, mais as respectivas tripulações. E quem paga a factura? Os contribuintes, claro. É por estas e por outras despesas exageradas do Estado americano que o défice deles está como está, não é, rapazes?

Publicado por José Mário Silva às 08:47 PM | Comentários (0)

http://wojtyla.blogspot.com/

João Paulo II, na Carta Apostólica dirigida à Comunicação Social, leva a cabo uma inesperada apologia da Internet: «Não tenhais medo das novas tecnologias! Já que estão entre as coisas maravilhosas que Deus colocou à nossa disposição para descobrir, usar, dar a conhecer a verdade.»
Aguarda-se agora, com redobrada curiosidade, o blogue papal.

Publicado por José Mário Silva às 07:34 PM | Comentários (7)

UMA TRISTE MORTE

Morreu Guillermo Cabrera Infante: cubano exilado, reaccionário até à quinta casa, anti-castrista obsessivo, fumador de charutos, cinéfilo da casta romântica (a do nosso Bénard, por exemplo), inventor de uma Havana mítica e impossível porque fruto da memória, estilista da prosa, ensaísta selvagem mas erudito, devorador de palavras e de dicionários e de tudo o que o aproximasse da essência da linguagem (e das suas "heresias"). Em suma: um ser humano complexo, contraditório, por vezes irritante, mas sobretudo um enorme, um enormíssimo escritor.

Publicado por José Mário Silva às 02:48 PM | Comentários (0)

NO REGISTO (2)

Para guardar o boletim de nascimento, em cima da mesa, dois molhos de envelopes: um cor-de-rosa, outro azul. Eu recebo o envelope cor-de-rosa, claro. Ainda a cidadã tem poucos dias de vida e a Administração Pública logo se apressa a fazer-lhe sentir, pelo vetusto código das cores, a discriminação de género.

Publicado por José Mário Silva às 12:39 AM | Comentários (3)

fevereiro 22, 2005

NO REGISTO

«Nome completo?» — perguntou a funcionária.
Rapidíssimo, diligente, com os bilhetes de identidade na mão, eu respondi logo, voz segura, sem me esquecer da ordem dos apelidos. E de repente a súbita estranheza. Ali, pela primeira vez em letra de forma, num papel oficial com selo branco, o nome da filha.
A súbita estranheza: olhar para a minha bebé e sabê-la já lançada no mundo, ocupando espaço nos arquivos do Estado.
A súbita estranheza: ela ainda de fraldas — tão frágil — e já habitante da República, esboço cada vez menos esboço de cidadã.

Publicado por José Mário Silva às 08:58 PM | Comentários (9)

SANTANA ABANDONA LIDERANÇA DO PSD

Bem que gostava de saber o que aconteceu entre domingo e hoje que originou esta reviravolta...

Publicado por Jorge Palinhos às 02:55 PM | Comentários (23)

FINALMENTE SE DIZ EM VOZ ALTA...

O Algarve é uma porcaria como destino turístico. As praias e paisagens são magníficas, as serras do interior são lindíssimas e o mar delicioso. Mas tendo como critérios a qualidade ecológica e ambiental, a integridade sócio-cultural, a conservação dos edifícios históricos e existência de sítios arqueológicos, a qualidade organizacional do turismo, a visão de futuro e os atractivos estéticos, como fez a National Geographic, então o Algarve é uma nulidade: sem urbanismo, sem respeito pelas paisagens e pelo património, sem organização e sem desenvolvimento planeado e sustentado, sem diversidade de oferta turística e sem profissionalismo.
E o Alentejo está a ir pelo mesmo caminho. Alguém salve o país dos seus empreendedores!

Publicado por Jorge Palinhos às 12:54 PM | Comentários (10)

E DIRIA MESMO MAIS: NÃO RESPIRAR PODE SER AINDA PIOR

Respirar pode matar
Título do Correio da Manhã

Publicado por Jorge Palinhos às 12:47 PM | Comentários (3)

SÓCRATES VISTO DE FRANÇA


Cartoon de Pancho, «Le Monde»

Publicado por José Mário Silva às 12:22 PM | Comentários (0)

A NOTÍCIA-PARADOXO

Sócrates decidiu centralizar o processo de formação do Governo, não abrindo sequer o jogo perante a maioria dos membros do Secretariado do PS. Isto para evitar a especulação sobre nomes de eventuais ministros nas páginas dos jornais. De resto, António Vitorino já lançara o aviso aos jornalistas na noite eleitoral "O Governo do PS não será feito pela comunicação social nem na comunicação social."
(...)
Há desde já uma certeza Pedro Silva Pereira, o "braço direito" de Sócrates no partido e actual porta--voz do PS, integrará o núcleo político do Governo - eventualmente como ministro da Presidência - de que também poderão fazer parte António Costa e António Vitorino. O ex-comissário europeu é um nome provável para ministro dos Negócios Estrangeiros.

Outros nomes de "ministeriáveis"que já circulam no Largo do Rato são os de Manuel Pinho, para a pasta da Economia, que abrangerá também a Tecnologia (Sócrates prometeu um "choque tecnológico" aos portugueses), e de João Ferrão - que integrou o núcleo coordenador das Novas Fronteiras - para a pasta do Ordenamento do Território , a que poderá ser aglutinada a área da Qualidade de Vida. O Ambiente, que Sócrates tutelou enquanto ministro, será outra prioridade no Executivo.

Das duas, uma: ou o jornalista está a deitar-se a adivinhar ou Sócrates já está a revelar incompetência antes mesmo de ser primeiro-ministro. Suspeito que seja o primeiro caso, pois os jornalistas, tal como a natureza, têm horror ao vazio.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:44 AM | Comentários (2)

VIVA ESPAÑA! E VIVA A EUROPA!

Absorvidos que estivemos com as eleições portuguesas, nem comentámos umas outras eleições, importantíssimas para a Europa: o referendo à Constituição Europeia em Espanha. Menos de metade dos espanhóis votaram, mas estes votaram esmagadoramente pelo sim. Grosso modo, os espanhóis ou se abstiveram ou votaram "sim"; o número de eleitores que se pronunciaram pelo "não" representa uma clara minoria, talvez mesmo residual. É mais um dos (vários) bons exemplos que a Espanha de Zapatero dá à Europa.
Aqui em Portugal, certamente chegará a altura em que teremos que debater esta questão.

Publicado por Filipe Moura às 08:26 AM | Comentários (24)

fevereiro 21, 2005

VPV

Pergunta: qual é a piada de ler o texto de Vasco Pulido Valente sobre as eleições de ontem?
Resposta: a certeza, rapidamente confirmada, de que para ele todos os partidos perderam e não houve um único vencedor digno desse nome (nem sequer Sampaio).

Publicado por José Mário Silva às 07:06 PM | Comentários (9)

NOTAS AVULSAS

A descida da abstenção só pode ter uma leitura. O país estava ansioso por votar. Claramente, para a maioria da população é falso dizer que Santana=Sócrates e que eleições antecipadas são uma coisa má.

Por outro lado, a célebre carta de Santana pode ter funcionado. Mas ao contrário...

O portismo morreu. O homem poderá voltar, o mito não.

O santanismo está agonizante. Mas ainda vai espernear muito na incubadora.

Independentemente da qualidade do futuro governo, de certeza que se acabaram as borlas para o Contra-Informação e o Inimigo Público.

Sócrates tem todo o direito a sentir-se desforrado de uma campanha que o atacou de forma rasteira. Mas o discurso de vitória foi francamente mau. Salvou-o Santana que, como usual, foi ainda pior.

Sagrou-se o estalinismo-chic. Esperemos que passe depressa. É curioso que sejam as pessoas que têm na boca o número de vítimas do estalinismo que mais tenham acarinhado o regresso do PCP à linha dura.

O BE teve um bom resultado. Duplamente. Quase triplicou o número de deputados e poderá continuar a contestar sem assumir responsabilidades.

A bipolarização do país é uma falácia. O BE não roubou votos ao PS, o PCP não cresceu à custa do BE e todos foram buscar votos ao PSD e ao PP. Em Portugal impera o centrão e a indefinição ideológica.

Este estarola chegou ao parlamento. Enfim... Por enquanto ainda não chegou ao governo.

É a ideia generalizada: o PS não tem desculpas. Pois não. Com maioria absoluta e 60% de votos nos partidos de esquerda, o PS não tem qualquer tipo de desculpa e tudo o que acontecer nos próximos quatro anos será da sua exclusiva responsabilidade. Responsabilidade essa assente totalmente nos ombros do Sócrates, que tem de garantir o melhor governo possível e o refrear dos boys para não defraudar as enormes expectativas que nele se depositam. Sim, enormes expectativas, ao contrário do que dizem os comentadores encartados, pois caso contrário não se compreenderia a enorme afluência às urnas.
Esperemos que Sócrates se lembre da máxima de Napoleão: "Não há nada mais grave que uma grande derrota, senão, talvez, uma grande vitória". Por outras palavras, se a vitória do PS não se traduzir numa vitória para país, o partido socialista vai pagar bem caro a euforia de ontem.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:39 PM | Comentários (8)

"JE SUIS TRÈS CONTENT"

Um governo com maioria absoluta, para durar uma legislatura completa de mais de quatro anos; o PS com o melhor resultado de sempre; a CDU com um bom resultado; o Bloco com um óptimo resultado; Santana Lopes quer ficar como líder do PSD. Que mais poderia eu querer?

Publicado por Filipe Moura às 02:21 PM | Comentários (2)

E AGORA?

O que é que vai acontecer à tralha santanista? Morais Sarmento, Rui Gomes da Silva, Miguel Relvas e quejandos: o que vai ser deles? E as santanetes? Ontem até dava pena vê-las, de braços caídos, tão melancólicas.

Publicado por José Mário Silva às 02:06 PM | Comentários (3)

A CABALA CLIMÁTICA

A partir da tarde de hoje as previsões apontam para a ocorrência de aguaceiros em todo o território do Continente, com queda de neve nas Terras Altas (acima dos mil metros). Segundo o Instituto de Meteorologia há ainda uma tendência para precipitação mais prolongada e regular a partir de sexta-feira.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:05 PM | Comentários (3)

FIM DE UMA ÉPOCA

Hunter S. Thompson, rei do gonzo e cronista dos psicadélicos anos 70, suicidou-se.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:44 AM | Comentários (0)

PEQUENA NOTA PARA TODOS OS BLOGGERS DE DIREITA

Não se esqueçam, s.f.f., desta frase dita ontem por Paulo Portas (cito de memória): «O povo português já não aceita vitórias morais.» Repitam todos comigo: «O povo português já não aceita vitórias morais.» A uma só voz: «O povo português já não aceita vitórias morais.» Outra vez: «O povo português já não aceita vitórias morais.» Só mais uma: «O povo português já não aceita vitórias morais.» Isso mesmo. Acho que perceberam a ideia.

Publicado por José Mário Silva às 11:19 AM | Comentários (15)

RESULTADOS FINAIS

PS- 45,0% (120 deputados)
PSD- 28,7% (72 deputados)
CDU- 7,6% (14 deputados)
PP- 7,3% (12 deputados)
BE- 6,4% (8 deputados)

Publicado por José Mário Silva às 11:12 AM | Comentários (0)

fevereiro 20, 2005

UMA ALEGRIA NUNCA VEM SÓ

Hoje é um dia histórico. Caiu a direita, caiu Santana Lopes (apesar da sua recusa em aceitar o facto), caiu Paulo Portas e caiu o que restava do cordão umbilical da minha filha.
E agora, se me permitem, vou festejar.

Publicado por José Mário Silva às 11:58 PM | Comentários (4)

DO APEGO AO PODER

Tal como previ às nove horas da noite, Paulo Portas apresentou a demissão de líder do PP, apesar da sua derrota ser bem menos catastrófica do que a do PSD. Como de costume, o tom foi demasiado teatral, com ameaças de choro, beicinhos e alguns comentários ridículos (a referência a Deus, «sabendo que amanhã me vão criticar por isto», ou a extraordinária frase segundo a qual «em nenhum país civilizado os trostskistas ficam a um ponto de distância dos democratas-cristãos»). Mas o certo é que Portas fez o que tinha obrigatoriamente de fazer: assumiu o fracasso completo dos seus quatro objectivos eleitorais e demitiu-se. Na hora da derrota, não tergiversou nem fugiu às responsabilidades. Chegado ao "fim de um ciclo", teve a dignidade de largar o poder que construiu para si, ao longo dos anos, dentro do CDS. Honra lhe seja feita.
Já Santana Lopes, que falou mais tarde, foi igual a si próprio. Após a demissão de Portas, ele só podia seguir o mesmo caminho, até porque o seu desastre eleitoral assumiu proporções bastante mais trágicas. Mas não. Com o seu ar de vítima e a pose de "menino guerreiro" perseguido e abandonado por todos (sobretudo pelas grandes figuras do partido), ele lá se vai agarrando ao poder com unhas e dentes, num estrebuchamento patético de quem diz, nas entrelinhas, "daqui não saio, daqui ninguém me tira". A marcação de um congresso extraordinário para definir a nova liderança, da qual não se exclui à partida, mostra o carácter e a falta de escrúpulos de Santana. Mesmo perdido no meio das ruínas, ele não admite as suas culpas. Mesmo depois de ter levado o PSD ao naufrágio, ele ainda ameaça perturbar a inevitável sucessão, sabe-se lá com que armadilhas, boicotes e arremedos de luta interna. Não me espantaria, de resto, vê-lo avançar, finalmente, para a criação de uma força política feita à sua medida — o em tempos sonhado Partido Social Liberal (PSL), previsível "ladrão" de votos à direita, como o PRD foi à esquerda.
Em suma: no dia da verdade nua e crua, na noite da descida à terra, Santana podia ter saído com um último gesto de grandeza. Mas nem disso foi capaz.

Publicado por José Mário Silva às 11:56 PM | Comentários (3)

O AFIAR DAS FACAS (2)

Embora o Carnaval já tenha passado, Marcelo Rebelo de Sousa, na RTP, continua a exibir a sua elegante máscara de Maquiavel.

Publicado por José Mário Silva às 10:46 PM | Comentários (9)

COISAS DE FAMÍLIA

Sobre os extraordinários resultados do Bloco de Esquerda falarei mais tarde, quando o apuramento do STAPE for mais preciso. Para já, no entanto, quero felicitar o quarto deputado garantido por Lisboa: Helena Pinto. Parabéns, tia!

Publicado por José Mário Silva às 10:13 PM | Comentários (7)

O AFIAR DAS FACAS

Já começou. Em Aveiro, com ar compungido, Marques Mendes lamenta a extensão da derrota e diz que o PSD necessita de mudar rapidamente. «É preciso mudar de vida», repetiu várias vezes. Aliás, só faltou mesmo cantarolar o hit póstumo do Variações:

«Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar»

Pelos vistos, há mesmo vida a latejar em Marques Mendes. Nele e em muitas outras figuras de destaque do PSD. Todas aquelas que se mantiveram cautelosamente à margem do consulado santanista e se preparam, agora, para sair da sombra.

Publicado por José Mário Silva às 10:04 PM | Comentários (2)

E AGORA, DR. PEDRO SANTANA LOPES?

Não podendo processar as empresas de sondagens, por razões óbvias, sugiro ao derrotadíssimo líder do PSD que processe o povo português.

Publicado por José Mário Silva às 09:55 PM | Comentários (5)

ALTA VOLTAGEM

Depois do choque tecnológico (PS), do choque de gestão (PSD) e do choque de valores (PP), chegou o único choque de que verdadeiramente necessitávamos: o choque eleitoral.

Publicado por José Mário Silva às 09:36 PM | Comentários (5)

MUDAM-SE OS TEMPOS

Dantes, as maiorias absolutas conquistavam-se. Agora, caem no colo (salvo seja) do menos mau.

Publicado por José Mário Silva às 09:21 PM | Comentários (1)

ASSISTINDO, EM DIRECTO, À MORTE POLÍTICA DE PORTAS & SANTANA

1) Santana Lopes, por muita lata que tenha (e tem), nunca mais poderá lutar pela liderança do PSD. Esta noite, não só terá que assumir uma das mais pesadas derrotas do seu partido em legislativas como verá o PS, liderado por um político sem carisma, a alcançar o que sempre pareceu uma meta impossível: a maioria absoluta. Politicamente falando, os barões do PSD não espetarão mais facas nas costas de Santana; desta vez irão directos à jugular.

2) Depois dos constantes apelos a uma votação de dois dígitos e da reiterada certeza de que a iria alcançar, Paulo Portas não tem condições para continuar à frente do PP, se se confirmarem votações na ordem dos 7 ou 8%. Quem anda sempre a gabar-se de um inefável "sentido de Estado" e da seriedade com que encara a política, só tem, num cenário de hecatombe eleitoral como este, um caminho a seguir: engolir a soberba e demitir-se. Resta saber o que acontecerá depois. É que o PP sem Paulo Portas não é o PP.

3) Vão ser interessantes, os tempos que aí vêm. Muito interessantes mesmo.

Publicado por José Mário Silva às 09:02 PM | Comentários (10)

SINOPSE ELEITORAL

Se as projecções anunciadas às oito horas se confirmarem, todos os partidos de esquerda sobem e todos os partidos de direita descem.
Era mesmo isto que eu queria ouvir, caramba. ERA MESMO ISTO QUE EU QUERIA OUVIR.
Parabéns, portugueses. Obrigado, portugueses. Já se começa a respirar melhor em Portugal.

Publicado por José Mário Silva às 08:37 PM | Comentários (8)

QUEDA DA ABSTENÇÃO

Tudo indica que a abstenção desceu significativamente, nestas legislativas, em relação às de 2002. As previsões apontam para cerca de 30%, contra os 38% de há três anos. Quer isto dizer que se pode apontar desde já um grande vencedor desta noite: a democracia.

Publicado por José Mário Silva às 07:32 PM | Comentários (3)

AVISO POR CAUSA DAS ELEIÇÕES

Todos os votos são uma cruz. Mas alguns são uma cruz que se carrega.

Publicado por José Mário Silva às 12:56 PM | Comentários (5)

O ETERNO PROBLEMA DA ESTÉTICA IDEOLÓGICA

Repetindo um velho estribilho da direita bloguística, diz o único blogger capaz de cruzar os Evangelhos com exegeses do Trash Metal: «Uma mulher que se sabe bonita e assim se mantém não pode ser de esquerda.»
Puro engano, Tiago, puro engano. Cá para mim tens que conhecer mais mulheres de esquerda.

Publicado por José Mário Silva às 12:36 PM | Comentários (6)

VERSOS QUE NOS SALVAM

Três, apenas três. Um haiku de Matsuo Bashô, em versão de Jorge Sousa Braga (in «O Gosto Solitário do Orvalho seguido de O Caminho Estreito», Assírio & Alvim):


Flores de cerejeira no céu escuro
e entre elas a melancolia
quase a florir

Publicado por José Mário Silva às 12:32 PM | Comentários (2)

O MEU VOTO

Aproveitando a ideia do Filipe, também quero partilhar convosco, neste dia de magnas escolhas, o meu voto numa questão importante (não tão importante como as eleições legislativas, é certo, mas ainda assim importante): qual o melhor bolo Mil Folhas de Lisboa?
As hipóteses eram muitas, os candidatos fortes, os lobbies activíssimos. Mas no momento de votar, não hesitei.
O meu eleito é este:

1000folhas.jpg

Mil Folhas da pastelaria Centro Ideal da Graça.
Tem massa fina, creme no ponto, chocolate suave. Satisfaz perfeitamente, cortado ao meio, um casal de namorados. E só custa 80 cêntimos.

Publicado por José Mário Silva às 12:17 PM | Comentários (3)

fevereiro 19, 2005

POR CHRISTO, COM CHRISTO, EM CHRISTO

Sobre os famosos portões de Christo, no Central Park, que já tanto deram que falar, vale a pena ler um relato de quem visitou.
Sobre a obra de Christo, ler o Luís Ene.

Publicado por Filipe Moura às 10:00 PM | Comentários (1)

O MEU VOTO NAS ELEIÇÕES

Nas eleições do Pedro, está claro:

XutosXutosXutosXutosXutosXutosXutosXutosXutosXutosXutosXutosXutosXutosXutosXutosXutosXutosXutosXutos

Publicado por Filipe Moura às 09:53 PM | Comentários (0)

OLHAR PARA TRÁS

No dia da reflexão, convém usar um espelho. Um espelho retrovisor. Para não esquecer o que se passou em Portugal nos últimos oito meses.

Publicado por José Mário Silva às 07:47 PM | Comentários (5)

fevereiro 18, 2005

O PERIGO DAS SONDAGENS

As sondagens publicadas ontem e hoje são altamente moralizadoras para a esquerda. Com maioria absoluta do PS ou sem ela, o certo é que as várias esquerdas estão em condições de obter uma vitória histórica, simétrica de uma derrota pesadíssima da direita, capaz de varrer do mapa Santana e encostar à parede um Portas que não se cansou de apregoar durante a campanha uma meta de dois dígitos.
No entanto, exige-se precaução. Há três anos e meio, uma sondagem do «Expresso» que anunciava 10 pontos de vantagem a João Soares (justamente sobre Santana), arruinou a ponta final da coligação de esquerda à Câmara Municipal de Lisboa. O efeito é simples e conhecido: quem vai à frente pensa que a vitória são favas contadas e desmobiliza, relaxa, abranda; quem se julga face a uma derrota iminente, cerra fileiras, apela a todas as forças, caça votos até à última.
A derradeira esperança de Santana Lopes (ele próprio o disse hoje) reside neste hipotético golpe de rins em cima da linha, capaz de converter os indecisos no último minuto e inverter a tendência das sondagens. Contudo, para mal dos pecados dele e para bem de Portugal, certos milagres simplesmente não se repetem.
Mesmo assim, convém estar alerta. O cenário para domingo promete. Mas antes de assistirmos ao regresso da maioria de esquerda (com reforço do BE e resistência da CDU) é preciso ir votar. Mesmo. Todos e cada um de nós. Sem excepção.
Domingo cá estaremos para festejar.

Publicado por José Mário Silva às 11:53 PM | Comentários (21)

ÚLTIMO ESFORÇO

Na TV, com o ecrã cortado ao meio, PS e PSD agitam bandeiras. O número de militantes de cada um dos partidos (provavelmente arregimentados à pressa e conduzidos para a frente do palco em camionetas) deve andar ela por ela. É justamente no impulso com que se agitam as bandeiras que se nota a diferença. Do lado do PS, há o ímpeto de quem pressente a iminência da vitória (certamente folgada; talvez absoluta). Do lado dos laranjas, sente-se a energia de um último e desesperado frémito, mas já há por ali, palpável, o espectro da resignação.
Todos sabemos que as sondagens podem ser mais ou menos fiáveis. A forma como reage uma multidão nestes momentos, essa, nunca falha.

Publicado por José Mário Silva às 11:46 PM | Comentários (0)

10

Tal como o Benfica, Paulo Portas vive por estes dias obcecado com o número 10. Só que o Benfica sonha com o 10 que já não tem e Portas com o 10 que não terá.

Publicado por José Mário Silva às 10:23 PM | Comentários (3)

O PARAÍSO LIBERAL

Acabei de descobrir qual é o paraíso para os liberais da nossa praça: a Somália.
Seguindo o que escreveu o Miranda, rapidamente secundado pelo carapau de corrida, o lugar ideal no planeta Terra só pode ser a Somália.
Senão, vejamos:
Ciclos económicos, OK, são iguais para todos, logo depreende-se que lá também haja. O peso do estado na economia é zero, visto que estado é coisa que não existe. Pelo mesmo motivo, não há empregos fictícios criados pelo estado nem subsídio de desemprego nem salário mínimo nem direitos dos trabalhadores. Ainda pelo mesmo motivo, não há qualquer carga fiscal sobre as empresas que desenvolvem a sua actividade sem pagar um xelim de impostos. E ainda pelo mesmo motivo, não há qualquer excesso de regulação... na realidade não há qualquer regulação. Sindicatos também não há. Nem excesso de burocracia nem sanha fiscal.
É isso: o melhor dos mundos possíveis é mesmo a Somália. Vamos
transformar Portugal numa Somália europeia! Vota CDS/PP!
(Jorge Candeias)

Publicado por José Mário Silva às 10:06 PM | Comentários (2)

IDEOLOGIA

Numa altura em que pouco tempo falta para eu poder deixar de dizer "os meus inimigos estão no poder", é altura de revisitar o saudoso e grande Cazuza. Pouco depois de se saber infectado com a doença com que haveria de sucumbir (algo que se nota na letra desta e de outras canções), Cazuza lançou mãos à obra e gravou aquele que seria o seu melhor álbum. O apelo lançado por Cazuza é o que eu deixo ao futuro governo: que tenha uma ideologia. As ideologias são necessárias e urgentes.

Publicado por Filipe Moura às 06:51 PM | Comentários (12)

IMPRESSÕES DE CAMPANHA

Pelo Nuno Anjos.

Publicado por Filipe Moura às 06:50 PM | Comentários (5)

ESQUERDA PLURAL E RESPONSÁVEL (OH COMO EU GOSTARIA)

O estado-maior do Partido Socialista e a nova direcção dos Verdes chegaram a um «acordo durável» para a alternância em 2007, segundo uma reunião em Paris.

François Hollande, que conta com a dinâmica do "sim" [à constituição europeia] resultante do referendo espanhol do próximo domingo, lançou na segunda-feira a campanha "Por um sim franco, claro e socialista". Quanto aos Verdes, aprovaram (tal como os socialistas) o tratado constitucional por referendo interno.

Publicado por Filipe Moura às 06:49 PM | Comentários (0)

AS VANTAGENS DA LIVRE CONCORRÊNCIA

A Autoridade da Concorrência revela que a liberalização dos preços favoreceu as gasolineiras e fez aumentar os preços portugueses em relação à Europa.
João, larga lá essa tua tarefa de fervoroso santanete e explica-nos que a realidade não passa de uma ilusão de óptica, só verdadeiramente compreendida pelos devotos da Mão Invisível.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:41 AM | Comentários (7)

O BLOG GALÁCTICO

Olha, afinal a UBL sempre serviu para alguma coisa.
Mas com uma equipa daquelas só me pergunto se vale a pena continuar a chamar-lhe um blog e não uma revista online com um editor especialmente preguiçoso.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:33 AM | Comentários (1)

O GRANDE MERGULHO

Em jeito de boas-vindas para a Alice, o leitor João Garcez enviou-nos este post (texto e foto) que muito agradecemos:

«Algo se alterara subtilmente na caverna. As suas paredes irregulares delimitavam um volume de água que já não era acolhedor. Ela deu por isso com a ajuda de indícios que quase passavam ao lado dos seus sentidos: a escuridão que se mostrava um tudo nada mais absoluta, o próprio espaço que parecia encolher e distender-se como uma criatura perto do pânico. De súbito, entrara ali uma sensação de ameaça, um vago pressentimento que tingia a água quente com uma poluição medonha mas invisível.
Um leve estremecimento no ritmo do seu coração pareceu-lhe ecoar por minutos entre as paredes da caverna. Com a elegância de um animal aquático, ela rodou o seu corpo até perscrutar tudo à sua volta; mas o que poderia ali deixar-se ver que não estivesse lá desde o início dos tempos? Nada.
Encerrada naquele poço escuro, sempre se soubera envolvida por um manto de segurança. A caverna era mais do que um espaço familiar; era o centro de um universo onde tudo era ordem, imutabilidade, paz. Aos seus ouvidos, apenas chegavam ecos tão fracos do mundo lá longe, um sítio onde ela pressentia um caos ruidoso que, imaginado dali, soava incompreensível. Mas naquele dia, tudo iria mudar.
Quase sem dar por isso, a sua mão direita afagou o fio que a prendia à vida, o tubo que lhe trazia oxigénio e segurança. Mas este talismã não chegou a tranquilizá-la: sem aviso, algo a esmagou, comprimindo todo o seu corpo num abraço sufocante.
Ela deixou que o medo tomasse conta dos seus gestos: nadava desordenadamente, sem rumo nem plano, apenas para longe daquela dor absoluta. Segundos depois, regressou de chofre a calma. Mas ela não teve tempo para se recompor. De novo se viu apertada num torno vindo de nenhures. Terror: seria a própria água a congelar-se num casulo sólido onde não havia espaço para ela?
Uma terceira agressão. E mais uma. Só então conseguiu vislumbrar a incrível verdade: eram as paredes da caverna que se encolhiam em seu redor. O que antes lhe parecera rocha acetinada e imutável pulsava agora com um propósito assassino: comprimi-la, expulsar o sangue do seu coração, despedaçá-la. Nada a poderia ter preparado para algo assim.
Ela tinha de sair dali. Tinha de nadar, fincar os pés algures, debater-se para alcançar a segurança anunciada pela luz que se derramava da saída da caverna. Deixou que o instinto a comandasse. Cega pela agonia de mais uma compressão mortífera, abriu a boca para lançar um grito de desafio à dor. E lançou-se em frente, para a luz.

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Ela ainda não silenciara o seu primeiro grito quando se viu suspensa pelos pés, no meio de um mundo insuportavelmente luminoso e frio. Com gestos rápidos e económicos, a parteira tratou de seccionar o seu cordão umbilical e de a embrulhar num pequeno cobertor. A primeira coisa que ela encontrou foram os olhos da sua mãe, abertos com todo o espanto do mundo.»

Publicado por José Mário Silva às 10:49 AM | Comentários (4)

O GUERREIRO-MENINO E OS MARQUETEIROS

O nome Gonzaguinha talvez não diga grande coisa a muitos dos leitores do BdE. Gonzaguinha era filho adoptivo do grande compositor braileiro Luís Gonzaga, o "rei do baião", autor de temas imortais como Asa Branca. Gonzaguinha distinguiu-se por compor temas mais românticos e melodramáticos, interpretados por Maria Bethânia, como Grito de Alerta e Explode Coração. Não sendo Bethânia uma artista unânime, talvez estas referências dividam os leitores. Mas o que não deixará ninguém indiferente é se eu o identificar como o autor de Um Homem Também Chora (Guerreiro Menino).
Esta música revela o que o brasileiro tem de mais piegas e sentimentalão. Por muito que nos queiram convencer de que "diz muito" a Santana Lopes (que deve conhecer tanto de Gonzaguinha como de Chopin), seguramente esta música foi desencantada por um dos seus marqueteiros brasileiros. Aliás, não é inédita a utilização de músicas de Gonzaguinha em campanhas eleitorais. Para que os leitores não fiquem com tão má impressão deste autor, recordemos É (pode ser ouvida aqui, faixa 14). Essa música é a cara de Lula e foi usada, de facto, nas decisivas e fracturantes eleições presidenciais brasileiras de 1989, mas (corrijam-me se estiver errado) creio que por... Collor de Melo! Daqui se conclui que não é de agora que a música de Gonzaguinha é utilizada por políticos da direita populista e com tendência para o drama. Mas, comparando É com Guerreiro Menino, creio que apesar do tudo o populismo no Brasil tem mais nível.

Publicado por Filipe Moura às 09:49 AM | Comentários (1)

fevereiro 17, 2005

ESPERANÇA ESCREVE-SE COM K


Cartoon de Simanca

Publicado por José Mário Silva às 08:13 PM | Comentários (3)

A GRANDE INCÓGNITA

O meu amigo Nelson tem o hábito de colocar no seu blogue umas sondagens aos internautas sobre temas logicamente indiscutíveis, com uma resposta "óbvia". Vejamos dois exemplos recentes. Aquando da vaga de frio na Europa, perguntava o Nelson: "Está frio? a) Sim b) Não". Depois de Sporting e FC Porto terem sido eliminados da Taça de Portugal, a pergunta era "Qual dos três grandes tem mais hipóteses de ganhar a Taça este ano? a) Benfica b) FC Porto c) Sporting".
Por que fará o Nelson estas sondagens? Talvez para testar o bom senso dos seus leitores. Ou talvez para testar a liberdade de opinião (e disparate). Ou talvez ainda, creio eu, para gozar um bocadinho com a malta. E vice-versa (na segunda sondagem, ganhou o Sporting.)
Lembrei-me das sondagens do Nelson ao entrar na página oficial do PSD e dar com a sondagem "O PSD vencerá as eleições com: a) maioria absoluta b) maioria relativa."
Por qual dos três motivos que eu referi fará o PSD esta sondagem aos internautas? Ou haverá outro?

Publicado por Filipe Moura às 06:40 PM | Comentários (3)

A VÍTIMA DA METONÍMIA

A maior prova do fiasco de Santana Lopes é o facto de que, quando se fala de "políticos credíveis", toda a gente percebe instintivamente que ele está a ser excluído.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:12 PM | Comentários (3)

LEITURA RECOMENDADA

Pacheco Pereira:

Todos estes funcionários e assessores são militantes activos controlando secções ou sendo protegidos pela rede de influências que inclui deputados e dirigentes locais. Alguns são familiares dos familiares que chegaram a um emprego bastante razoável por esta via. O sistema de fidelidades e infidelidades políticas funciona aqui em pleno, visto que o recrutamento é fechado (dentro do partido, o que é natural), mas dependente da influência e não do mérito. As decisões são puramente discricionárias. Uns "chegaram" via JSD outros pelos TSD, outros pelas distritais, num sistema invisível de quotas que inclui muito clientelismo e patrocinato individual.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:04 PM | Comentários (1)

O AUTOR DO HUMOR

Uma questão que de vez em quando ponho a mim mesmo quando gosto de algum trabalho que envolva criatividade e que tenha um cunho do autor, um trabalho assinado, é se eu gostaria do mesmo trabalho se tivesse sido outro o seu autor. Mesmo que eu também goste do trabalho desse outro hipotético autor (quero destacar este aspecto em relação ao que se segue). Um trabalho de um autor tem de ser apreciado no conjunto da sua obra, e em autores diferentes surgiria em contextos diferentes.
Isso é particularmente sensível no humor. Acho graça a uma piada contada por um humorista; será que acharia graça à mesma contada por um outro, mesmo de quem eu também gostasse? Em assuntos sensíveis, não necessariamente.
Tenho opiniões fortes e um humor algo cáustico. Os leitores do BdE talvez já se tenham apercebido disso. Uma das minhas maiores amigas disse-me, um dia: "in order to tell jokes about fags or negers, you have to be one". Na altura achei tal opinião um disparate politicamente correcto. Afinal, o humor não vale por si só? Hoje compreendo-a melhor.
Tudo isto veio acerca deste post, a que eu achei um piadão por o seu autor ser, além de um dos três melhores bloguistas portugueses, também um proletário ribatejano, como Jerónimo de Sousa: o Rui Tavares. O mesmíssimo post, com o mesmo título e fotografia, irritar-me-ia sobremaneira se tivesse sido escrito (como poderia, perfeitamente, ter sido) pelo Daniel Oliveira. Obviamente, não é nada de pessoal; simplesmente, é assim.

Publicado por Filipe Moura às 08:41 AM | Comentários (4)

O TÍTULO E A SIMPATIA POLÍTICA

Nos comentários a este texto, um leitor refere-se ao "Dr. Santana Lopes" e ao "Sr. Louçã". Em resposta, o Zé Mário recorda que o Louçã é doutorado.
Já durante a sua crónica na TVI transcrita no Diário Económico e copiada por mim, aqui, nomeando todos os líderes políticos, Miguel Sousa Tavares refere-se a "o Francisco Louçã", "o Paulo Portas", "Jerónimo de Sousa" (sem "o"), "Santana Lopes" (sem "o") e... "o engenheiro Sócrates".
Será que se tem tendência a reparar mais no título académico/profissional dos candidatos de quem nos sentimos politicamente mais próximos? Bem, a menos que ele nos tenha vindo a enganar estes meses todos que escreve no BdE, temos um contraexemplo forte no texto seguinte do tchernignobyl, que se refere ao "miguel" (Sousa Tavares), ao "jerónimo", ao "louçã", ao "deus" (tudo assim, em minúsculas) e... ao "Dr. Bagão"!

Publicado por Filipe Moura às 08:24 AM | Comentários (0)

fevereiro 16, 2005

A MINHA TELEVISÃO PORTUGUESA NO ESTRANGEIRO

Tem a entrevista de Constança Cunha e Sá a José Sócrates e Santana Lopes. Tem os comentários de Miguel Sousa Tavares e António Perez Metello. Tem um resumo diário da campanha eleitoral. Tem os resumos dos principais jogos de futebol. Tem muitas outras notícias, que eu posso escolher, peça a peça, pelo tema, se me interessar ou não. Tudo isto em diferido, claro, o que me permite fazer a minha selecção. Mas, se eu quiser, posso ver tudo isto e muito mais em directo. Se eu seguir esta opção, aí terei de me sujeitar às reconhecidas doses de lixo televisivo que este canal inclui na sua programação. Mas hoje à noite, por exemplo, vou poder ver a transmissão em directo do Sporting-Feyenoord, deste mesmo computador de onde escrevo.
Tudo isto sem pagar um tostão extra que seja. Disponível para toda a gente que tenha acesso à Internet.
Obrigado, TVI.

Publicado por Filipe Moura às 07:17 PM | Comentários (17)

A POBRE MINORIA PERSEGUIDA

A Igreja Católica portuguesa é uma das maiores proprietárias imobiliárias do país e detém a maior rede de associações de caridade; controla a maior universidade privada, que recebe financiamento estatal e forma parte da elite económica e jurídica do país, e a maior rede de escolas privadas, muitas delas de prestígio que educam os filhos das classes altas ou acolhem órfãos e classes desfavorecidas, além de ter direito a uma disciplina específica nas escolas públicas; controla oficiosamente o mais importante grupo bancário português (o Millenium BCP) e abertamente outro dos mais importantes (o Montepio Geral), além de ter membros devotos na direcção dos principais grupos empresariais portugueses; é a maior proprietária privada de imprensa regional, além de deter as rádios mais ouvidas do país, ter sido proprietária de um canal de televisão em sinal aberto e ser accionista maioritária de um canal de cabo, e ainda ter colunistas em todos os meios de informação nacionais, programas específicos na televisão pública e até privada, uma agência noticiosa própria. Tem também o maior número de associações locais do país, além de grupos de intervenção em todas as áreas sócio-profissionais, a maior associação juvenil portuguesa de natureza para-militar; dispõe ainda de lóbis e grupos de pressão extraordinariamente influentes, domínio de um partido com assento parlamentar (CDS-PP) e grande influência noutros (PSD e PS) e participa e tem cerimoniais em todos os principais eventos políticos e até académicos, além dos seus corpos dirigentes divulgarem activamente documentos de intervenção política. Os seus membros efectivos e bens têm direito a regalias e isenções fiscais e sociais únicas, as suas festividades são feriados nacionais, a maioria da população diz-se sua seguidora, realiza a esmagadora maioria dos matrimónios e funerais do país, dispondo da maior base de dados privada sobre nascimentos, casamentos e mortes, além de ter sido a instigadora dos principais casos mediáticos de censura do país (Império dos Sentidos, Herman José, etc.).

E, espantosamente, sempre que alguma das sua posições, poderes ou influências é publicamente criticada, os seus seguidores correm a berrar (1, 2, 3, 4) que são uma minoria sofredora do "esmagador anti-clericalismo" do país apenas por gostarem de cavaquear à noite com a sua divindade pessoal.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:23 PM | Comentários (30)

O VALOR DO SILÊNCIO

O senso comum diz-nos muitas coisas sobre o silêncio. Diz-nos que é de ouro, que é acusador, que é aterrador, que é meditabundo, que é gelado, que é embaraçoso, que sobre ele se fazem pactos, que pode ser ensurdecedor, que pode ser ouvido, que pode ser guardado, que pode ser rompido, que é possível permanecer nele, que é possível mergulhar nele, que se pode fazer ou cumprir num minuto ou mais.
Agora também sabemos que, mesmo involuntário, pode dar votos.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:49 PM | Comentários (2)

Basismo

Fica bem ao miguel esta defesa do jerónimo, depois de tanta porrada que tem dado no PC.
No entanto parece-me que há nesta análise muito de pretensão tele-evangelista ao tentar ignorar que o louçã tem sido e de muito, muito longe, o político com uma contribuição mais sólida nesta campanha eleitoral.
Em grande forma o louçã.
Tivemos nesta campanha eleitoral por muito fracota que ela seja, um político à esquerda do PS que dominou esmagadoramente todos os debates e entrevistas por onde passou, algo impensável desde há mais de vinte anos.
Ok, fez um erro, um erro menor, um erro que talvez tenha uma certa tendência a repetir-se correndo o risco de se tornar com o tempo numa perniciosa questão "de estilo" e por acaso logo uma que me irrita especialmente por uma questão de temperamento pessoal e aversão a moralismos da treta, mas que teve a honestidade de assumir sem qualquer sintoma de “reserva mental” ao contrário do que é comum .
Vem porém a canzoada que não larga o osso, toda atrás com a conversa gasta da "virtude, da moral, do homem virtuoso, da voz de sacerdote" uma “crítica” perfilhada nos mais severos termos, o mais severo moralismo virtuoso e infalível, por personagens do calibre do “mr. estilo salazaresco” himself, the one and only dr. Bagão, sabendo que essas serão características laterais e subjectivas, enquanto se ignoram tranquilamente aqueles que não têm mais argumentos do que o tal "moralismo" e que por isso coitados nem correm o risco de passar por "neo-fascistas" pois todo o seu discurso não passa de um imenso "deslize".
Ainda por cima no panorama político que infelizmente (não) temos, meu deus, não arranjam nem uma merdazinha mais básica para criticar o louçã?

Publicado por tchernignobyl às 11:25 AM | Comentários (9)

VÁ LÁ, ALICE, AGRADECE AO DR. PACHECO PEREIRA

Ontem o BdE recebeu um número absolutamente invulgar de visitas: 6000 segundo o sistema weblog.com.pt; 3700 segundo o Sitemeter. A razão para este record inaudito foi só uma: um link gentilíssimo do Abrupto, a propósito da alegria que se tem vivido neste blogue com o nascimento da minha filha. Pela atenção revelada, mais do que pelas visitas suplementares que nos proporcionou, deixo aqui o meu sincero agradecimento a JPP.

[Nos últimos dias, foram muitos os blogues que também se referiram, num espectro de emoções que vai da ternura à euforia, ao nascimento da Alice. Assim que termine a verificação via Technorati, farei aqui uma menção a todos eles.]

Publicado por José Mário Silva às 10:42 AM | Comentários (6)

«A CAMPANHA ELEITORAL É MÁ DEMAIS»

Dos comentários de Miguel Sousa Tavares na TVI, na semana passada, reproduzidos no Diário Económico (vale a pena ler tudo, para que não viu):

«Eu diria até, ironicamente, que esta campanha é disputada por um menino mimado, o Santana Lopes - então aquela canção do menino guerreiro é das coisas mais pirosas que alguma vez vi em política em Portugal, não tem descrição - é tudo centrado nele, na sua própria pessoa. Além de menino mimado é também um vendedor de automóveis em segunda mão. Quer-nos vender um carro usado como se fosse novo. Aquele cartaz que ele tem com as obras feitas, que começa por lhe atribuir o Centro Cultural de Belém e acaba por lhe atribuir também o túnel do Marquês - aqui devia estar calado - e também a Cidade Administrativa (que só foi aprovada, em plano, aqui há uns quinze dias) é notável. Vem depois o Sócrates, uma espécie de agente funerário, que põe nos comícios um entusiasmo que mais parecem velórios. A falta de garra, de empenho, de motivação, de convicção do engº. Sócrates a falar é uma coisa aterrorizante. Ele até tem algumas ideias com as quais eu estou de acordo, mas parece-me sempre uma pessoa que vem assistir a um funeral. Acho que ele era incapaz de mobilizar alguém às portas da morte mesmo que lhe prometesse a vida eterna. Vem depois o embrião precocemente envelhecido que é o Paulo Portas com aquela pose de Estado, com aquele discurso todo. Ele não tem idade para aquilo. Tem idade para ser uma pessoa mais solta, mais à vontade a falar das coisas. E aquele fato às riscas! Seguidamente temos o tele-evangelista que é o Francisco Louçã, que a falar parece mesmo um bispo, mas um bispo muito chato. Concordo com ele em muitas das coisas que diz, mas aquele tom de voz, aquele tom de virtude que ele tem, de moral, de homem virtuoso, aquela voz de sacerdote, enfim… Sobra, por exclusão de partes, Jerónimo de Sousa, que, acho eu, está a fazer a melhor campanha. Não só ele, como a CDU. É o único que me parece convicto do que está a dizer. É o único a pensar nos problemas. É o único que diz coisas com algum interesse e que não se refugia em simples banalidades. Por exemplo, na proposta da revisão da lei da nacionalidade dos emigrantes, tem toda a razão. Por isso acho que a CDU e Jerónimo de Sousa estão a ser a excepção nesta campanha. A campanha é má demais.»

Publicado por Filipe Moura às 08:59 AM | Comentários (5)

O JERÓNIMO É UM BACANO

Do (pouco, e de uma perspectiva necessariamente limitada) que eu tenho acompanhado da campanha eleitoral portuguesa, parece-me que a principal surpresa é Jerónimo de Sousa. Não é propriamente uma revelação, pois Jerónimo já era conhecido em campanha das presidenciais de 1996. Mas quem estava (era o meu caso, e julgo que a maioria das pessoas) à espera de ouvir, em campanha, mais uma repetição da já tradicional cassete, enganou-se. Aparte as (velhas) tricas entre os partidos de esquerda, como as que o Jorge atrás referiu, Jerónimo de Sousa tem sabido apresentar propostas interessantes e tem conseguido comunicar com o eleitorado.
Não sou só eu a afirmá-lo, note-se. Comentadores totalmente insuspeitos corroboram. Há casos em que tal é afirmado por comentadores de direita; provavelmente, tal elogio não é inocente, uma vez que inegavelmente o principal objectivo da direita para as próximas eleições é que o PS não tenha maioria absoluta. É o caso deste elogio, e nem o aviso prévio («acrescento que não é estratégia para puxar pela CDU. É o que é!») nos convence de que não seja. O elogio de Luís Delgado é sincero e verdadeiro mas, vindo de quem vem, traz água no bico. Mas analistas de outros sectores, como Miguel Sousa Tavares na sua crónica da TVI, também confirmam a boa prestação do líder do PCP.
Tal boa prestação pode explicar-se pelo que eu aqui escrevi aquando da sua eleição para o cargo de secretário-geral: tal correspondeu a um processo de clarificação interna do PCP. Quando Carlos Carvalhas falava, tentava sempre agradar à ala ortodoxa e à ala renovadora. Por isso, nunca se notava convicção naquilo que afirmava. Durante doze anos, foi sempre um líder sobre brasas.
Jerónimo de Sousa nunca procurou ser unânime no partido. Representou a vitória de uma tendência num combate ideológico. Graças à clarificação interna que dele resultou, o líder do PCP pode defender causas em que genuinamente acredita, e falar à vontade, sem receio de críticas internas. Mesmo quando não se concorda com muitas das ideias que a tendência de Jerónimo representa, mesmo que muito da evolução recente do PCP represente um retrocesso, é sempre mais agradável de ouvir um político genuíno que acredita naquilo que diz. Se a CDU tiver um resultado razoável nestas eleições, Jerónimo de Sousa dará assim uma lição a todos os políticos cinzentos, ambíguos e carreiristas.

PS: Eu não vi o debate de ontem à noite, mas parece que então o Jerónimo não conseguia comunicar muito bem... Que a voz não lhe doa nos ataques à direita na recta final da campanha.

Publicado por Filipe Moura às 08:56 AM | Comentários (3)

fevereiro 15, 2005

GRAVATA PRETA

No debate a cinco desta noite (RTP), Santana Lopes apareceu de gravata preta. Um sinal de luto, presume-se. Só não ficou claro, infelizmente, de que luto se tratava: se o luto pela irmã Lúcia, se o luto pelo estado em que deixou este país.

Publicado por José Mário Silva às 11:37 PM | Comentários (15)

O AMOR ESTÁ NO AR

Jerónimo de Sousa "Votou a Favor de Todas as Expulsões no PCP", Acusa Louçã

Jerónimo de Sousa Diz Que BE É "Um Depósito Que Recolhe Os Zangados com a Vida"

Publicado por Jorge Palinhos às 10:55 AM | Comentários (11)

«É A CULTURA, ESTÚPIDO!» CONVIDA JOSÉ GIL

José Gil é o convidado do próximo «É A CULTURA, ESTÚPIDO!», que vai ter lugar amanhã, 16 de Fevereiro, às 18.30h, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz. José Gil falará sobre o seu livro «Portugal Hoje: Medo de Existir» (Relógio d'Água), numa conversa conduzida por Anabela Mota Ribeiro e com participação activa dos restantes membros da equipa: Nuno Costa Santos, Pedro Lomba, Pedro Mexia e José Mário Silva (Daniel Oliveira está ausente na campanha eleitoral e João Miguel Tavares em Berlim, no Festival de Cinema). Como sempre, Ricardo Araújo Pereira apresenta a sessão e assina o stand-up final.

Publicado por José Mário Silva às 10:55 AM | Comentários (8)

O LIBERALISMO DE FÁTIMA

"...existem momentos em que ser liberal significa estar calado."

Grande verdade, essa, e muito aplicável ao post em causa. Mais que tudo, espanta-me esta indiscutibilidade da religião. Se toda a nossa vida é regida por crenças - políticas, religiosas, sociais, intelectuais, estéticas - como é que todas elas são questionáveis excepto a segunda?
Porque é que eu posso ver a minha crença na evolução biológica humana questionada, mas não posso questionar a crença de outro que a mulher nasceu da costeleta do homem?
Aliás, ao longo de séculos os dogmas da igreja católica foram alvo de controvérsias, discussões acaloradas, polémicas, confrontos físicos e mesmo batalhas. S. Jerónimo defendeu aos gritos a sua tradução da Bíblia, a trindade divina era debatida nas tascas de Constantinopla ao murro e ao pontapé, no Concílio de Niceia valeu tudo, até arrancar literalmente olhos, e a virgindade de Maria deu polémica durante séculos até ser estabelecida como dogma no séc. XIX.
Então desde quando é que a religião se tornou vaca sagrada inquestionável? Desde que deixou de ter argumentos válidos para debater?
E repare-se o que é pressuposto neste tipo de atitude: que o seguidor de uma religião é alguém de carácter iminentemente frágil, cujas convicções não podem ser postas à prova sob a contingência de se desfazerem em pó. Ovelhas que não devem ser tiradas do pasto pois arriscam-se a serem incapazes de encontrar o caminho de volta.
Este tipo de discurso provoca-me maior espanto vindo de auto-denominados "liberais". Não é o liberalismo defensor do direito do indivíduo exercer todo o seu potencial dentro de um certo quadro ético-social e que não deve haver protecção especial para qualquer grupo ou indivíduo dentro desse quadro?

E como pode um liberal "respeitar Fátima"? Fátima é o maior tumor iliberal do país! Gente que se humilha pelo chão e crê que subornando uma divindade conseguirá melhorar a sua condição. Gente que não acredita na sua autonomia, nas suas capacidades, na sua liberdade de pensar e de agir, mas se julga vigiada julgada a cada segundo e prefere abandonar-se a uma entidade superior, não se atrevendo a contrariá-la ou questioná-la com receio de represálias, e preferindo sabujar-se aos pés dela a troco de favores e benesses.

Não é isto o pesadelo de qualquer autêntico liberal?

Publicado por Jorge Palinhos às 10:54 AM | Comentários (53)

DODOT VS FRALDAS DE PANO

Valha-nos isto: fitas adesivas em vez dos incertos («será que a piquei?») alfinetes-de-ama.

Publicado por José Mário Silva às 10:44 AM | Comentários (4)

fevereiro 14, 2005

A CRIAÇÃO DO MUNDO

Lisboa, 11/02/2005

Publicado por José Mário Silva às 10:45 PM | Comentários (10)

UM POST ITÁLICO DA ALICE (COM TRADUÇÃO SIMULTÂNEA)

Akjdas kajdkasd lkdsçlka sadd dajdsaks kjasdlkasd kjsdjas kjd asdk kjads kjasdkj daksd wi kjas irlydg dkjs kjeoe eoroghçlw sdjsf kjwo sd984ujmsfs lkfs sadaje sdflksdt5gfs kdfj4lm sdasd kirkza apsodm

[Agora que o meu pai está ali a ferver uma chucha, aproveito para martelar com estes dedinhos minúsculos o computador portátil dele, que está sem uso nenhum desde sexta-feira.]

Akkjad kjdkasjd jhiuer2oiu sdfk sdad8da dakjad6kd dad5da adsad1d jadad3ad jdhagsad ejhfshf ehifafp JAAD AKSkjdsdf asdre fkjfsn akjff eriapfi afj afaodfaf oeriap fpoeir apof foair apoie fzafparpor f aofkmnansd +fsçldkfsfkr sad'afda83ah lkjdkjas kasjdr zapsfdi rpafp rparofi apoirpaso orapaodi raoiadf ao fadfflf

[A bem dizer, o pai e a mãe não fizeram mais nada, nos últimos dias, que não fosse tratar de mim e olhar-me como se eu fosse a criatura mais bela do mundo (um exagero lá deles, coitados, que as minhas carinhas a dormir aparentemente só reforçam). Nem blogues, nem livros, nem nada. Desde dia 11, é como se só eu existisse na vida deles.]

sadkjlkasjd kasdjaksjd kajd kasjd kasjdkas dkajsdkjoirir oig roi eoir aoid eoir fopai doir oaif oifor poi gogiogi poais dori aposi daosi doaioigt gvoiasoi doairi aoi doifo goiasi doir aodiaosidr oao foiafo otioa doisd orioier0er9ad k4 adij73jnf ieu9837afkaj 984 akjafjijd834 d aisdiar8a dasdoai938a d aijdoiru89rsa jfsfjoiuf948 sf idsijf 9489f kjfksndfnns

[Resumindo: a quem costuma seguir todos os dias o que o meu pai escreve por aqui, as minhas desculpas. Nos próximos tempos, o ritmo da produção dele vai abrandar bastante. É uma questão de prioridades, hão-de compreender com certeza. No intervalo das idas ao pediatra e dos banhos e dos colinhos e dos arrotos depois de mamar e das trocas de babygrows e do resto tudo, diz o pobre, talvez dê para colocar um post ou outro. Mas ele não promete nada.]

aslkdaskjd kasjdkas jasdkjasl jad kasjdk akjd aksjdaks asjkda kadkasd kjad kajd asjd aksdj kajsd kasjdkasjdks dkoieroiru fiudf 9er fkjffd9 a9ew ajfhfh 9er fjkhfd sjdhf 9e fajsdhf skj f9ef slkje sfusi sifusd fiueiu fsiuf siufireut sif sdfiur tisugf siufisufd irut9s8gfs sdjf sifu98sres fsdjfsif9re8s sfsdfi 9er s ffs sdjfisdf sf363 fjfsjfh jahdjsa ajhda jhad jer459a flafsf ajdjkd asdsad rarff r pigoigd asodioasid ori oari oar fvoasiroir aiaof oif oir oaifof oaifoir iaf oisaoi494 fkajffdjifu fa jshdjahd

[E pronto, é melhor acabar por aqui este primeiro post da minha vida de blogger ultra-precoce (obrigado pela confiança, Jorge). A mãe aproxima-se com cara de quem me vai meter na cama e o melhor é não descobrir que eu já ando a mexer onde não devo. Queria só agradecer, do fundo deste pequeno coração que é o meu, a todas as pessoas que saudaram o meu nascimento. Muito obrigado. O meu pai, aliás, também agradece. Ups, olha, descobriu-me. Err... Olá, pai. O que é que eu penso que estou a fazer? Hmmmm, a checar os mails, pai. Nada de mais. Olha, e enquanto eu desligo isto podes ir andando para o quarto que eu já lá vou, sim, para veres se tenho alguma coisa na fralda. OK?]

Publicado por José Mário Silva às 08:57 PM | Comentários (13)

PORQUÊ O LUTO NACIONAL?

Para além dos textos do Luís Rainha e do Rui Tavares já indicados pelo Jorge, chamo ainda a atenção para o comunicado de imprensa a este respeito da Associação República e Laicidade.

Publicado por Filipe Moura às 06:38 PM | Comentários (16)

O LUTO COMERCIAL

Tenho um vago palpite que logo à noite me vou passear por floristas e chocolatarias com prateleiras vazias e restaurantes cheios de gente. Tudo portugueses em luto pela irmã Lúcia.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:13 PM | Comentários (8)

ALGUÉM QUE CHAMA OS BOIS PELOS CORNOS

O antigo bispo de Setúbal D. Manuel Martins acusou esta segunda-feira, em declarações à TSF, os partidos de «oportunismo político» por interromperem a campanha eleitoral devido à morte da irmã Lúcia.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:02 PM | Comentários (5)

O LAÇO INVISÍVEL

Reparo que Lobo Antunes recebeu o prémio Jerusalém pelo conjunto da sua obra e recordo-me que, até comparar os campos de refugiados palestinianos a campos de concentração, Saramago era um autêntico best-seller em Israel.
Este sucesso de dois escritores com uma obra tão vincadamente portuguesa na pátria hebraica causa-me alguma surpresa. Descontando os normais factores extra-literários - bons tradutores, editores dinâmicos, opinion-makers influentes - que tipo de identificação poderá um leitor israelita ter para com as personagens, eventos e ambientes descritos por estes dois autores? Que reconhecimento terá de uma península à deriva, de um burguês com traumas de guerra colonial, de um heterónimo vagueando pela baixa pombalina?
Por outras palavras, que inconsciente invisível poderá unir Portugal a Israel?

Publicado por Jorge Palinhos às 10:18 AM | Comentários (9)

MORREU UMA SANTA

A missionária americana Dorothy Stang, de 73 anos, foi assassinada a tiros na manhã de sábado, em Anapur, no estado brasileiro do Pará. Trabalhava há 30 anos na região da Amazónia em defesa dos trabalhadores rurais e contra a invasão das empresas madeireiras.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:16 AM | Comentários (2)

LIBERTAÇÃO DA PRISIONEIRA MAIS ANTIGA DO MUNDO

Parece-me que estamos no dia ideal para lembrar estes posts (1, 2, 3) do Luis Rainha e recomendar este texto do Rui Tavares.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:08 AM | Comentários (6)

JARDINS, PARQUES E CATURRICES

Nunca esperei que o meu texto anterior, que julgava inofensivo, gerasse tantos comentários. Vou tentar, então, sumarizar as minhas ideias.
Embora não seja especialista em arquitectura paisagista, sei o suficiente para saber que há dois tipos distintos de superfícies arborizadas urbanas: os jardins, de tradição francesa, e os parques, de tradição anglo-saxónica. Nos primeiros, é assumido que se está numa superfície humanizada, e estes traços não são escondidos, seja sob a forma de plantações em canteiros e todo o tipo de arranjos florais, seja com a presença de estátuas... No segundo, é suposto reproduzir-se a natureza o melhor que se puder e esconder-se ao máximo a presença humana. Em português, muitas vezes não somos cuidadosos a distinguir o "jardim" e o "parque", até porque os poucos jardins/parques que temos nas cidades portuguesas, em geral, são híbridos, mas em inglês e francês essa distinção é clara. Aqui em Paris, dois exemplos perfeitos foram dados por mim: o Jardim do Luxemburgo e o Parc Montsouris, a dois passos da minha casa. De qual dos dois tipos se gosta mais, é uma questão de gosto pessoal. Eu, claramente, prefiro um parque a um jardim. Dão-me licença?
Era esta a principal ideia do meu texto anterior. E limitei-me a manifestar um receio de que, com as "portas" de Christo, o Central Park se "ajardinasse" um pouco. Bem sei que as "portas" são arte efémera, que se trata de uma exposição temporária. Mas tenho sérias dúvidas de que seja essa a vocação natural do Parque. Por isso fiquei satisfeito por só durar duas semanas - manter esta exposição a partir da Primavera, quando os nova-iorquinos se reencontram com o Parque, seria desvirtuá-lo completamente. Ao mesmo tempo, admiti que gostaria de ir ver a exposição - oh, se eu gostaria de voltar a Nova Iorque! -, e que, se ainda estivesse lá, naturalmente não a perderia. Iria desconfiado - à partida, escrevi eu duas vezes, e só à partida, não gostei. Mas obviamente admitiria mudar de ideias se a visse. (Nunca, no entanto, sobre o seu carácter temporário.) Agora no Inverno até é natural que dê outra graça ao Parque, que está com as árvores todas despidas. Permitem-me, até lá, manifestar a minha opinião?
Sobretudo, nunca dei nenhuma opinião sobre a obra de Christo, que de facto desconheço. Mas não percebo tanta exaltação com o meu texto por parte de alguns comentadores.
Há ainda outros aspectos que seria muito interessante discutir. Conforme reparou o Sérgio, e parece-me que bem, a exposição chama a atenção para o espaço onde intervém. Para o mal e para o bem, todo o mundo fala agora do Central Park. Mas este projecto já tinha muitos anos. O Mayor Michael Bloomberg sempre o apoiou, mas só este ano se concretizou. Já pensaram que a campanha de reeleição de Bloomberg, com as eleições no fim deste ano, pode ter começado aqui?
Ainda sobre o Central Park, refiro que se trata de um dos meus três locais preferidos de Nova Iorque, e se ainda não é Património da Humanidade acho que deveria ser. A este respeito, recordo as sábias palavras do excelente maestro Cruges "esqueceram-me as queijadas!", n'«Os Maias», de Eça de Queirós, aquando da sua visita a Sintra com Carlos e Alencar:

«Para o gozar mais docemente, sentou-se adiante, num bocado de muro baixo, defronte de um alto terraço gradeado, onde velhas arvores assombreiam bancos de jardim, e estendem sobre a estrada a frescura das suas ramagens, cheias do piar das aves. E como Carlos lhe mostrava o relógio, as horas que fugiam para ir ver o palácio, a Pena, as outras belezas de Sintra - o maestro declarou que preferia estar ali, ouvindo correr a água, a ver monumentos caturras...
- Sintra não são pedras velhas, nem coisas góticas... Sintra é isto, uma pouca de agua, um bocado de musgo... Isto é um paraiso!...»

Eu concordo com Cruges e acrescento: digo o mesmo do Central Park. Para resumir a minha opinião: prefiro a placidez do Parc Montsouris aos monumentos caturras do Jardim do Luxemburgo; prefiro o meu Central Park sem as caturrices do Sr. Christo.

Publicado por Filipe Moura às 08:08 AM | Comentários (19)

fevereiro 13, 2005

TAMBÉM NÃO GOSTO (E NÃO É PORTUGUÊS)

Não vi; se estivesse não resistiria a ir ver; mas à partida a ideia não me agrada.
O que é especial no Central Park é, como aqui se indica, ser «uma espécie de "vingança da natureza no meio da selva de construção». Ou seja, com um mínimo de intervenção humana. Com os esquilos à solta. Como são todos os parques em Nova Iorque. Como era em Lisboa o Jardim da Fundação Gulbenkian antes da recente e infeliz intervenção do (ironicamente, autor original) arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles. Como, aqui em Paris, são o Bosque de Bolonha e o (bem perto de mim) Parc Montsouris. Curiosamente, ambos bem menos valorizados do que os Jardins das Tulherias ou do Luxemburgo, dois bons exemplos daquilo que eu não procuro num parque: canteiros ajardinados e estátuas e fontes... Por esta razão, não gosto à partida desta intervenção no fantástico Central Park. Ao princípio, quando li "portões do Central Park", ainda julguei que fosse aquele projecto, de que há algum tempo se falava, de instalarem grades a toda a volta. Creio que essa aterradora ideia foi suspensa. Antes assim. Quanto a esta exposição, pode ser engraçadinha mas ainda bem que só vai durar até 27 deste mês.
(Já agora: graças a esta exposição, a Câmara de Nova Iorque pensa arrecadar uma receita extraordinária de 2.4 milhões de dólares. Como? Com impostos municipais sobre as vendas extraordinárias. À atenção dos liberais.)

Publicado por Filipe Moura às 01:31 PM | Comentários (18)

É PORTUGUÊS? NÃO GOSTO

Não tenho conhecimentos de cinema aprofundados o suficiente para poder dar uma opinião que não seja algo superficial, mas essa minha opinião tenderia a coincidir com a do João Miguel Tavares (que tem esses conhecimentos de sobra). É o "caso Edgar Pera" de volta. Era bom que trocássemos umas ideias sobre este assunto.

Publicado por Filipe Moura às 01:27 PM | Comentários (29)

fevereiro 12, 2005

HÁ QUE RECONHECER ALGUMA LUCIDEZ AO HOMEM

"No comício socialista neste auditório estava também muita gente, mas sem este entusiasmo, sem esta alegria, sem esta loucura."
Nuno Fernandes Thomas, mostrando ao seu chefe o que é falar a verdade

Publicado por Jorge Palinhos às 08:26 PM | Comentários (2)

LÁ EM CIMA ESTÁ O ALELUIA, ALI EM BAIXO ESTÁ O QUÁQUÁQUÁ

"Temos que construir o Museu da Bíblia no norte e no sul um parque temático como a Eurodisney."
Nuno Fernandes Thomas tentando fazer disparar as taxas de suicídio no distrito de Santarém

Publicado por Jorge Palinhos às 08:01 PM | Comentários (0)

VOTA CDS PARA QUE AS ABORTADEIRAS SEJAM ESQUARTEJADAS E OS DROGADITOS AÇOITADOS NA PRAÇA PÚBLICA

"Portugal não pode ficar nas mãos de forças políticas que querem desconfiança nas empresas, desinvestimento na economia, falta de autoridade das forças de segurança, liberalização da heroína - ao que nós chegamos - e aborto a pedido."
Paulo Portas revolucionando o conceito de verdade

Publicado por Jorge Palinhos às 07:52 PM | Comentários (0)

NUNO FERNANDES THOMAS DEFINIDO PELO PRÓPRIO

"Gostava de ir à praia e andar de barco, nada mais."
Nuno Fernandes Thomas, explicando o seu currículo para Secretário de Estado do Mar

Publicado por Jorge Palinhos às 07:49 PM | Comentários (0)

CDS DEFINIDO NUMA FRASE

"Vou a Fátima, vou a umas toiradas, vim ver uns amigos, mas nada mais."
Nuno Fernandes Thomaz explicando as razões da sua candidatura a Santarém.

Publicado por Jorge Palinhos às 07:46 PM | Comentários (1)

O TIO CONFIRMA

Acreditem. Ela é mesmo linda, linda, linda!

Publicado por Manuel Deniz às 02:25 PM | Comentários (2)

PRIMEIRA PILHÉRIA DEPOIS DA VIDA

Então? Não estou a ver nenhuma Alice no cabeçalho. Será que estão a tentar calar a mais jovem blogger do mundo?

Publicado por Jorge Palinhos às 11:31 AM | Comentários (2)

JÁ NÃO HÁ LÍDERES DO PROLETARIADO

A senhora vive pior?
Eu não. Estou no topo da carreira e o meu marido é professor universitário. Mas os outros? A pessoa que trabalha na minha casa, a quem pago o salário mínimo... Ela ainda tem de trabalhar noutra casa, para criar o filho e a bebé.
Carmelinda Pereira, líder do POUS em entrevista à Visão.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:26 AM | Comentários (5)

O CICLO

Morreu Arthur Miller.


I saw the things that I love in this world. The work and the food and the time to sit and smoke. And I looked at the pen and I thought, what the hell am I grabbing this for? Why am I trying to become what I don’t want to be . . . when all I want is out there, waiting for me the minute I say I know who I am.

Morte de um Caixeiro-Viajante

Publicado por Jorge Palinhos às 11:22 AM | Comentários (1)

fevereiro 11, 2005

QUE O DIA TE SEJA LIMPO

Publicado por José Mário Silva às 07:52 PM | Comentários (2)

3 QUILOS E 335 GRAMAS!

Publicado por José Mário Silva às 05:22 PM | Comentários (3)

JÁ NASCEU! JÁ NASCEU! JÁ NASCEU!

É linda, linda, linda. E está óptima (tal como a mãe).

PS- Não julguem que exagero: é mesmo linda, linda, linda.

Publicado por José Mário Silva às 12:54 PM | Comentários (70)

CHEGOU O DIA

«A toca continuou a direito como um túnel, e de repente afundou-se, tão de repente que a menina nem teve tempo de reflectir e parar antes de dar consigo a descer o que lhe parecia ser um poço muito fundo.
Das duas uma: ou o poço era realmente muito fundo, ou ela estava a cair muito devagar, pois enquanto descia teve tempo de sobra para olhar em redor, e interrogar-se sobre o que ia acontecer a seguir.»

Lewis Carroll, «As Aventuras de Alice no País das Maravilhas» (tradução de Margarida Vale de Gato, Relógio d'Água)

Publicado por José Mário Silva às 12:35 AM | Comentários (12)

ABRAM ALAS PARA A ALICE!

A minha previsão falhou e a Alice não nasceu na terça-feira de Carnaval. (Haverá algum samba para quem nasce nesta ocasião?) Mas não era só eu que esperava tal data de nascimento: no Carnaval do Rio de Janeiro a Escola de Samba Unidos da Tijuca preparou-se à altura, com um enredo com um nome comprido e nada simples, "Entrou por um lado, saiu pelo outro... Quem quiser que invente outro!" (mais valia ter inventado outro - título, quero dizer). Os versos do samba-enredo não eram tão maus: «A mente leva a locais surpreendentes/ Na Inocência, sou criança novamente/ Com a Tijuca.../ Viajo nessa emoção/ Me torno aventureiro da ilusão/ E desejo desvendar/ Misteriosas civilizações/ Cidades perdidas encontrar/ Tesouros que atraíram gerações» O tema das diferentes alas do desfile eram histórias de aventuras tradicionais, do D. Quixote ao Feiticeiro de Oz.
Com este samba-enredo e com o seu desfile, esta escola de samba conseguiu repetir a posição de vice-campeã de 2004, mas desta vez só a um décimo de ponto da supercampeã: pela terceira vez consecutiva, a Beija-Flor.
Uma das alas do desfile da Unidos da Tijuca - pelos vídeos que pude ver, das mais conseguidas -, era sobre a Alice no País das Maravilhas. A Alice mais desejada por esta altura ainda não estava cá para ver como era aplaudida e o impacto que causou no sambódromo. Para a posteridade fica a fotografia.


Publicado por Filipe Moura às 12:08 AM | Comentários (0)

fevereiro 10, 2005

CHIÇA, O MUNDO ANDA MESMO AO CONTRÁRIO!

CDS considera-se o partido revolucionário do século XXI

Publicado por Jorge Palinhos às 06:36 PM | Comentários (9)

O PROBLEMA DAS VÉSPERAS

O problema das vésperas é que não chegam sequer a existir: murcham com o brilho de um amanhã agora demasiado próximo; esgotam-se nos gozos (e tormentos) da antecipação.

Publicado por José Mário Silva às 01:49 PM | Comentários (9)

A VER SE É DESTA


Cartoon de Simanca

Publicado por José Mário Silva às 01:46 PM | Comentários (9)

VERSOS QUE NOS SALVAM

Dois poemas de Antonio Gamoneda, incluídos no livro «Ardem as Perdas» (tradução de Jorge Melícias, edições Quasi):

Vêm com lâmpadas, conduzem

serpentes cegas às

areias alvacentas.


Há um incêndio de sinos. Ouve-se

gemer o aço

na cidade rodeada de pranto.


***


Atrás da obscuridade estão os rostos que me abandonaram.

Eu vi a sua pele trabalhada por relâmpagos. Agora

já só vejo, no instante amarelo,

o esplendor das suas longínquas pálpebras.

Publicado por José Mário Silva às 01:36 PM | Comentários (4)

A NATUREZA DO MAL

É esta.
Não é o caso da incompetência, instabilidade ou demagogia. É o facto de haver esta convicção arreigada que todas as pessoas são lorpas e todas podem ser usadas, indiferentemente, para atingir os próprios objectivos.
Todos os políticos podem ser incompetentes, todos podem ser emotivos e todos podem recorrer à generalizaçãozinha conveniente, mas este tipo de instrumentalização, este sacrifício cego do outro em proveito próprio, entra já no reino da patologia narcísica.
E já se sabe que tipo de políticos dão os narcísicos.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:10 AM | Comentários (9)

RAZÕES PARA SER REPUBLICANO

Eles vão casar.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:55 AM | Comentários (7)

SECRETO E UNIVERSAL? QUER DIZER...

Olha uma ideia novel! Para além das declarações de rendimento, da religão e das preferências sexuais, os políticos também devem dizer em quem vão votar.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:49 AM | Comentários (0)

ESTÁ BEM

É assim que se ganha credibilidade.
Mas quem quer que fosse atingiu os seus objectivos.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:36 AM | Comentários (5)

XANAX PARA TODOS, JÁ

Santana, o apopléctico, acusa Sócrates de nervosismo.

Publicado por José Mário Silva às 09:24 AM | Comentários (5)

fevereiro 09, 2005

DEBAIXO DA ROSEIRA BRANCA QUE DEVIA SER VERMELHA

Cinco: Então, quando é que podemos pintar a boa nova nas paredes?
Dois: Calma, já falta pouco.
Sete: Muito pouco.
Cinco: É que tenho medo que a tinta seque.
Sete: Não vai secar.
Dois: Não vai não.
Cinco: Quer dizer que...?
Dois: Sim, sim.
Sete: Exactamente: quer dizer que...
Dois: Isso, isso. Quer dizer que...
Cinco: Nesse caso...
Dois: Nesse caso, o quê?
Cinco: Nesse caso, mal posso esperar.
Sete: E eu ainda menos.
Dois: E eu ainda menos do que o menos dele.

(sentam-se à sombra da roseira e olham para as rosas, umas ainda brancas, outras já vermelhas)

Dois: Vai ser linda.
Cinco: A roseira?
Sete: Não, Cinco. A roseira não.
Dois: A roseira não, Cinco. Ela é que vai ser linda.
Sete: Ela. A que está para chegar.
Cinco: Ah, pois. Ela. A boa nova que pintaremos, a vermelho, nas paredes?
Sete e Dois: Essa mesmo.

Publicado por José Mário Silva às 10:09 PM | Comentários (7)

SR. SILVA

Alberto João Jardim, correndo atrás de uma notícia do Público, viu em Cavaco Silva um trânsfuga com o calibre de Freitas do Amaral e apelidou-o logo de «Sr. Silva». Descontando a precipitação e o cinismo parolo, o que fica é um vulgar amesquinhamento onomástico. Um amesquinhamento onomástico tão vulgar que até eu, vejam bem, já o senti na pele.

Publicado por José Mário Silva às 04:55 PM | Comentários (9)

BANCADA NIILISTA (2)

A melhor sinopse que conheço do debate Sócrates-Santana é esta: «0-0. Ao fim de 90 minutos de jogo, o marcador permaneceu inalterado.»

Publicado por José Mário Silva às 04:49 PM | Comentários (3)

MÉDIO ORIENTE: O REGRESSO DO "ROAD MAP"


Cartoon de Steve Bell, «The Guardian»

Publicado por José Mário Silva às 04:44 PM | Comentários (4)

CHOQUE ÍNTIMO DE VALORES

Legisladores americanos querem que a roupa interior volte a sê-lo.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:28 PM | Comentários (2)

O PÚBLICO EXPRESSO

O Público é o melhor jornal português, tanto por mérito próprio como por falta de comparência dos adversários. Por isso faz espécie que se tenha rebaixado a publicar esta pseudonotícia sobre a hipotética "aposta" de Cavaco Silva numa maioria absoluta do PS.
O artigo não tem qualquer fundamento concreto: "tem manifestado essa opinião em reuniões sociais em que tem participado " (ou seja, não se sabe de nenhum momento ou situação específica em que tenha dito tal coisa); "se tem encontrado com figuras do PSD, sobretudo críticos da actual liderança de Pedro Santana Lopes" (legitimando assim as paranóias de Santana).

Em resumo, o texto é claramente um rumor divulgado para provocar uma certa reacção e favorecer a candidatura presidencial de terceiros.

Nada que o Expresso não nos tenha habituado, mas a que se esperava que o Público resistisse.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:53 PM | Comentários (6)

LUZ AO FUNDO DO TÚNEL?

Será desta que israelitas e palestinianos conseguem sair do impasse?
Oxalá.
Tenho algumas dúvidas mas também muitas esperanças.

Publicado por tchernignobyl às 01:50 PM | Comentários (2)

VERSOS QUE NOS SALVAM

Do último livro de Carlos Bessa («Em Partes Iguais», Assírio & Alvim):

desenhos

Aos poucos tornei-me indiferente,
já não tenho paciência para
levantar a voz. Os prédios altos
passaram de moda. Acontecerá
o mesmo com a continência e
com a anedota? Quando cheguei
à escola era a guerra, o
cimento, o petróleo. Agora,
é a comunicação, o chewing
gum. Felizmente os garrafões são já
de plástico. Tudo isto seria homenagem,
não fora o cúmulo de pó, no
armário, em cada canto, no
mais pequeno e escondido quarto
do fundo, no sofá de ver tv.
O silêncio e o incómodo
passaram. Lembrá-lo é dizer de
um gramático que entrava na
conversa à bofetada, do excesso
de escoriações e pesadelos
que fez da infância uma quase
surdez. E quando se olha para trás
regressa o império do pormenor
em ritmo e atmosfera pop.
Como se pode, pálido coração,
tanto silêncio? Como suportar
o sonho do que já foi, como não
aborrecer ninguém com o feltro
dessas doze cores industriais?

Publicado por José Mário Silva às 01:23 PM | Comentários (2)

ARQUITECTURA IMAGINÁRIA

«Carceri, XI», Giovanni Battista Piranesi (1761)

Publicado por José Mário Silva às 01:16 PM | Comentários (2)

TRIBUTO CINÉFILO

De louvar a singela homenagem que o PP presta nos seus outdoors de campanha eleitoral ao grande êxito cinematográfico "Rosemary's baby".
O "casting" para re-formar a "equipa" de vizinhos da Rosemary foi irrepreensível, em particular na escolha do "bebé" que parece saído directamente do filme.
Um exemplo para outras produções, uma piscadela de olho cúmplice ao cidadão mais exigente em questões culturais e um susto garantido para os eleitores.

Publicado por tchernignobyl às 12:50 PM | Comentários (0)

BANCADA NIILISTA

No outro dia, um ouvinte da «Bancada Central» (esse extraordinário "espaço de debate" sobre futebol da TSF) queixava-se amargamente das medidas em estudo pela FIFA para evitar "golos-fantasma", foras-de-jogo mal assinalados e outros erros das equipas de arbitragem que alteram, tantas vezes, a justiça dos resultados. Com o estilo acintoso que é imagem de marca do programa moderado por Fernando Correia, o ouvinte dizia que as previstas actualizações tecnológicas — como os sensores dentro da bola ou o recurso "in loco" às imagens televisivas — não passavam de um «gigantesco disparate». E acrescentava (cito de memória): «Estão a querer matar o futebol. Ou, pelo menos, o futebol de que nós gostamos. Se essas modernices propostas por alguns senhores lá na FIFA forem avante, o que vai ser de nós? Se deixar de haver dúvidas nos golos, se soubermos logo que a bola entrou mesmo ou não entrou, se todos os foras-de-jogo forem assinalados correctamente, se todos os penaltys forem confirmados pelas imagens de vídeo, o que vai ser de nós, hem? De que é que vamos falar na segunda de manhã, no autocarro, no café ou no emprego? Que piada é que vai ter comentar a jornada? E que sentido é que terá um programa como este, senhor Fernando Correia? O que é que viremos aqui fazer todos os dias se não houver nada para discutir e polemizar? Alguém me responde?»
Por esta altura, o tom de voz já estava perto do choro, perto da súplica. E garanto-vos: há muito tempo que não via semelhante desespero existencial face à aproximação do grande vazio.

Publicado por José Mário Silva às 12:29 PM | Comentários (3)

APOIADO (2)

Escrever para todos, o artigo de José Carlos Abrantes no DN.

Publicado por Filipe Moura às 12:25 PM | Comentários (0)

APOIADO (1)

O choque horário, artigo de Graça Franco que deveria servir de exemplo também a mim.

«A minha última visita ao médico estava marcada para as três por ordem de chegada. Às duas e meia perfilei-me à porta. Fui atendida perto das cinco por um senhor simpático e bonacheirão com quem ainda troquei umas palavrinhas sobre a situação política. Não me passou pela cabeça questionar o atraso, nem a ele desculpar-se pelo incómodo. Ir ao médico às três e sair às seis nem é mau...

Não são só os médicos. Há um sem-número de profissionais que já deviam estar num lado enquanto ainda é suposto permanecer no outro. Uma impossibilidade matemática só ultrapassada com o beneplácito de todos. Isto, para não falar do grupo que entra às nove para sair às nove e meia para tomar café. Regressa às onze para sair ao meio-dia. Almoça até às três e meia e está de saída às cinco. (...)

Se cumpríssemos horários, a começar nos transportes públicos, e nos serviços do mesmo nome, mas estendendo isso a toda a sociedade, os dias efectivamente trabalhados subiriam em flecha. A produtividade disparava (ajudando a competitividade e a meta das exportações do PP). O crescimento económico iria atrás (tornando mais realistas algumas das metas do PS/PSD). O emprego subiria a seguir, tornando mais próxima a recuperação dos 150 mil postos de trabalho perdidos de que fala o Eng. Sócrates. Última vantagem: não custava um cêntimo!»

Publicado por Filipe Moura às 12:20 PM | Comentários (4)

ALERTA AMARELO

Vale a pena passar por aqui. E, já agora, por aqui (apreciai as magníficas fotos de Marrocos).

Publicado por José Mário Silva às 11:57 AM | Comentários (10)

fevereiro 08, 2005

BEETHOVEN NA GULBENKIAN

Atenção, melómanos: o Quarteto Artemis vai tocar esta tarde (daqui a pouco, às 19 horas), no Grande Auditório da Gulbenkian, o Opus 18 n.º 6, o Opus 59 n.º 1 e o Opus 95 do grande Ludwig.

Publicado por José Mário Silva às 06:16 PM | Comentários (10)

O CASTIGO DA FRANÇA

No Carnaval, o Rio de Janeiro tem samba no pé. Paris tem a Condy.

Publicado por Filipe Moura às 05:35 PM | Comentários (2)

SALVEMOS O CARNAVAL

No Rio, no sambódromo, está tudo seminu e está um calor tropical. Em Salvador, "atrás do trio elétrico", está tudo seminu e está um calor tropical. Em Portugal, está tudo seminu e está um frio do caraças. E eu aqui, no boulot (e vestido). Mas eu desforro-me. Garanto-vos que me desforro. Que música do Chico Buarque vamos ouvir? Já que passam 60 anos sobre o fim da Segunda Guerra Mundial, pode ser esta (para ouvir, clique aqui e aqui - faixa número 14).

Publicado por Filipe Moura às 08:27 AM | Comentários (5)

ESTE ANO VOU MASCARAR-ME ASSIM

Publicado por José Mário Silva às 12:25 AM | Comentários (7)

fevereiro 07, 2005

AVÉ MARIA, CRUZ CREDO

Só faltava mais esta. A Igreja Católica decidiu entrar na campanha eleitoral (com a chantagem moralista do costume, mais a retórica ultra-conservadora e a ostensiva manipulação da "vontade" dos fiéis). E não, infelizmente, não é um boato.

Publicado por José Mário Silva às 06:22 PM | Comentários (17)

RECENT TAPES

Gosto muito da forma como a C. gosta de nuvens (talvez porque me faz sentir menos sozinho nesta etérea devoção).

Publicado por José Mário Silva às 02:56 PM | Comentários (1)

CHAPÉUS COMO COROLAS

«Camponeses», de Tina Modotti (México, 1926)

Publicado por José Mário Silva às 01:00 PM | Comentários (2)

SERÁ TÃO DIFÍCIL PERCEBER?

Finalmente alguém, Tariq Ali no Guardian, faz uma análise com um mínimo de coerência ao "affair" das eleições no Iraque.
Alguns excertos:
"The Iraqi elections were designed not to preserve the unity of Iraq but to re-establish the unity of the west"
...
"The 2004 Afghan elections, even according to some pro-US commentators, were a farce, and the much vaunted 73% turnout was a fraud. In Iraq, the western media were celebrating a 60% turnout within minutes of the polls closing, despite the fact that Iraq lacks a complete register of voters, let alone a network of computerised polling stations. The official figure, when it comes, is likely to be revised downwards (according to Debka, a pro-US Israeli website, turnout was closer to 40%). "

"The "high" turnout was widely interpreted as a rejection of the Iraqi resistance. But was it? Grand Ayatollah Ali al-Sistani's many followers voted to please him, but if he is unable to deliver peace and an end to the occupation, they too might defect."

"In 1885, the English socialist William Morris celebrated the defeat of General Gordon by the Mahdi: "Khartoum fallen - into the hands of the people it belongs to". Morris argued that the duty of English internationalists was to support all those being oppressed by the British empire despite disagreements with nationalism or fanaticism."

"The triumphalist chorus of the western media reflects a single fact: the Iraqi elections were designed not so much to preserve the unity of Iraq but to re-establish the unity of the west. After Bush's re-election the French and Germans were looking for a bridge back to Washington. Will their citizens accept the propaganda that sees the illegitimate election (the Carter Centre, which monitors elections worldwide, refused to send observers) as justifying the occupation?"


Publicado por tchernignobyl às 12:45 PM | Comentários (6)

A REABILITAÇÃO DOS TALIBANS

As declarações de Dick Chenney sobre o resultado das eleições no Iraque são uma excelente bofetada na tromba dos idealistas "de esquerda" que têm apoiado as aventuras militares americanas dos últimos anos à conta das "preocupações humanitárias".
Quando o Afeganistão foi bombardeado e invadido, jesus, o choque do povo com as barbaridades dos Talibans. Agora, que começam a vir a público as intenções do clero xiita que tudo indica vencerá as eleições, em grande parte idênticas às dos Talibans no que diz respeito a questões de costumes, o democrático Chenney diz, segundo o Público, que «o Iraque tem o direito de criar a sua própria democracia, sem se tornar numa “versão iraquiana da América”. “Eles vão fazê-lo à sua maneira”, disse à Fox News Sunday. “Vão fazê-lo de acordo com a sua cultura, a sua história e as suas crenças sobre qual deve ser o papel da religião na sociedade. E é assim que deve ser”
Erro dos Talibans afegãos? Não foi
- lapidarem os adúlteros
- proibirem a música
- sequestrarem as mulheres
- destruirem todo e qualquer vestígio de vida cultural
em suma, a imposição da mais bárbara e retrógrada interpretação da "sharia".
Foi o de não o terem feito após umas boas "eleições democráticas" e carecerem do mínimo de flexibilidade política que lhes permitisse estar de boas relações com os americanos.

Publicado por tchernignobyl às 12:24 PM | Comentários (21)

TINHA DE SER INVENTADA

Há dias que eu andava a pensar que se não existisse um cretino qualquer a comparar as eleições do Iraque com as eleições portuguesas depois do 25 de Abril, teria de ser rapidamente inventado.
O "brinde" estava afinal guardado para a xiita "da AlQaeda vencida".
É uma comparação profundamente estúpida e despropositada, uma coisa sem pés nem cabeça que consegue o prodígio de manchar as já reduzidas expectativas que se possam ter quanto ao nível intelectual da senhora, mas que fazer? Era uma piadinha irresistível demais para as forças dela.

Publicado por tchernignobyl às 12:00 PM | Comentários (16)

POLÍTICAS CIENTÍFICAS (OU A SUA AUSÊNCIA)

Apesar de se terem escutado, da boca do ainda primeiro-ministro, as palavras "clonagem" e "biodiversidade", o certo é que no debate entre Sócrates e Santana não se discutiu Ciência - isto é, não se abordaram quaisquer ideias ou políticas para a Ciência em Portugal (como não se discutiram, de resto, outros temas importantíssimos: a Saúde, a Educação, a Justiça, etc).
Não é difícil compreender porquê. A Ciência, durante o governo de Durão Barroso (e mais ainda nos últimos e catastróficos meses do consulado santanista), deixou de ser uma prioridade e foram vários os "cortes" feitos, quase sempre sem critério e pondo em risco não só trabalhos em curso como volumosos investimentos financeiros do anterior governo socialista. Quanto a Sócrates, apesar do chamado "choque tecnológico" e da presença de Mariano Gago na equipa que redigiu o programa, não esconde as suas "origens". Continua o mesmo engenheiro que sempre foi, ultra-pragmático e obcecado por um único tema: a co-incineração.
Tendo tudo isto em mente, compreende-se melhor que as matérias científicas sejam postas à margem durante a campanha eleitoral. E não foi certamente por acaso que a Associação de Bolseiros de Investigação Científica se viu forçada a cancelar um debate intitulado «Que Políticas para a Ciência?», previsto para dia 25 de Janeiro, na Faculdade de Ciências de Lisboa. A ideia era ouvir o que tinham a dizer sobre o assunto as forças políticas com representação parlamentar. Mas, apesar dos repetidos contactos junto dos vários partidos, «apenas a CDU e o BE confirmaram a presença de um representante». Sintomático.

PS- Vale a pena ler e assinar a petição/manifesto que a ABIC lançou «sobre a necessidade de investimento em Ciência e Emprego Científico em Portugal como uma das formas de ultrapassar os problemas que enfrentamos».

Publicado por José Mário Silva às 09:33 AM | Comentários (0)

fevereiro 06, 2005

BDE'S

Em Espanha, BdE é nome de banco. Na Alemanha, BdE é nome de Federação Nacional para o Tratamento de Resíduos. Em Portugal, BdE é nome de... enfim... vocês sabem.

Publicado por José Mário Silva às 04:24 PM | Comentários (4)

CÉU DE FEVEREIRO

fevereiro.jpg

Já tinha saudades delas. Das nuvens.

Publicado por José Mário Silva às 04:08 PM | Comentários (3)

SERVIÇO PÚBLICO

Enquanto os outros jornais de referência se perderam em detalhes irrelevantes sobre o debate Sócrates-Santana, o semanário «Expresso» foi o único a descobrir o que realmente distingue os dois candidatos a chefe do governo. Atentem nesta notícia breve, publicada na primeira página da edição de ontem:

«Santana Lopes e Sócrates, mal saíram do seu frente-a-frente televisivo de 5.ª-feira, foram jantar em restaurantes 'in' de Lisboa. O líder do PSD foi com colaboradores e amigos à A Travessa, tendo o líder do PS optado pelo pós-moderno Bica do Sapato.»

Isto sim, é jornalismo de investigação. Aprendam.

Publicado por José Mário Silva às 12:48 PM | Comentários (3)

TIRO AO LADO

Ó MacGuffin, explica-me lá como é que conseguiste ter três posts a falar sobre a "Verdade", sem mencionar uma única vez o blog do partido em que vais votar?

Publicado por Jorge Palinhos às 11:13 AM | Comentários (1)

PERPLEXIDADES E CONTRADIÇÕES

É o título da crónica de José Manuel Esteves que eu ouvi na sexta-feira de manhã e que sugiro que leiam. Até ao fim.

Publicado por Filipe Moura às 01:38 AM | Comentários (4)

fevereiro 05, 2005

O PARTIDO-IOGURTE

«O CDS é o voto que apetece» - Paulo Portas, em campanha no Algarve.

[Alguém devia explicar ao líder dos populares que as rimas não são, manifestamente, o seu forte.]

Publicado por José Mário Silva às 01:04 PM | Comentários (6)

DEPOIS DA GUERRA PREVENTIVA, O VOTO PREVENTIVO

«O CDS é um voto preventivo, não vá o diabo tecê-las e os comunistas e o Bloco de Esquerda ficarem com votações demasiado altas» - Paulo Portas, em campanha no Algarve. O Diabo em pessoa, participante numa sessão de tricot (organizada pela Rosa Pomar), não quis responder à acusação.

Publicado por José Mário Silva às 12:57 PM | Comentários (3)

ALICE GROWS LARGER

Publicado por José Mário Silva às 10:22 AM | Comentários (2)

ILUSÃO DE ÓPTICA

No outro dia, pareceu-me ter visto George Constanza (o próprio, o "falhado profissional" da série Seinfeld) a circular por Lisboa. Mas não podia ser ele. Não podia. Quando o vi, na Avenida Duque de Loulé, estava ao volante de um Mercedes.

Publicado por José Mário Silva às 10:05 AM | Comentários (6)

fevereiro 04, 2005

CTG

Humaníssimo sismógrafo.
Sons de coração a galope (lá dentro).
Curvas mínimas à espera do sinal.

Publicado por José Mário Silva às 07:57 PM | Comentários (2)

OS PARTIDOS DOS PRIMOS: PNR

Com o aproximar da campanha eleitoral justifica-se dar a conhecer a natureza dos partidos a fim de todos poderem votar em consciência.
Tendo eu uma certa inclinação para dar prioridade aos mais fracos, decidi começar pelos partidos mais pequenos, aqueles em quem só votam o cônjuge, filhos, pais, irmãos e primos dos candidatos.
Por uma questão de respeito, vamos começar pelo partido com mais provecta idade (mental) e em relação ao qual julgo que todos os elementos do BdE nutrem um sentimento comum: o Partido Nacional Renovador.

O PNR é também conhecido como partido dos fachos ou partido racista. Mas esses epítetos parecem-me pouco fiáveis. Por exemplo, abrindo a sua página a primeira coisa que surge é um aviso de saúde pública, onde se alerta a população para a ameaça de uma epidemia gay. Apesar de citarem um reputado especialista na matéria, o arcebispo de Pamplona, o partido falha ao não nos informar como é que esta perigosa doença se transmite: Fluidos? Tosse? Pulgas? Pele?

Já quanto a propostas concretas, repare-se como o PNR combate eficazmente a mediocridade instalada, distinguindo claramente os merecedores dos não-merecedores:

Justiça e segurança para as pessoas honestas
Porque é a primeira das liberdades, a segurança dos Portugueses será restabelecida. Todos os crimes e delitos serão combatidos eficazmente, as penas aplicadas serão cumpridas, os bandos de delinquentes desmantelados e as nossas fronteiras serão rigorosamente controladas. As leis portuguesas devem ser aplicadas em todo o território nacional, inclusive nos bairros degradados e conflituosos, onde hoje a polícia não entra. Os crimes de sangue, tráfico de droga, violação de menores e de imigração ilegal devem ter penas mais pesadas. A Polícia e a Justiça terão os seus meios reforçados.
Connosco, Portugal será seguro.

Por outro lado, o conservadorismo inato do partido talvez seja um pouco excessivo. Por exemplo, os seus ideólogos talvez ganhassem em conhecer um novo e promissor meio de locomoção chamado "automóvel".

Salvar a agricultura e o campo
A retoma económica das nossas zonas rurais é urgente. Tal passa pela recuperação da agricultura (reforma da política agrícola, anulação das dívidas dos agricultores, recusa da mundialista Organização Mundial de Comércio) e pela diversificação das actividades, nomeadamente no sector terciário: desenvolvimento do teletrabalho e do trabalho no domicílio. Fortes incentivos fiscais facilitarão a instalação de empresas no interior, permitindo assim criar empregos e combater a desertificação rural. O Estado garantirá a manutenção dos serviços públicos de proximidade (escolas, correios, mercados, polícias, hospitais, etc.) e assegurará a existência das linhas ferroviárias secundárias e de acesso ao interior do País.
Connosco, Portugal será equilibrado.

Por fim, não se deve deixar de registar a lusa coragem e lucidez dos dirigentes nacionalistas que, caso sejam eleitos, não hesitarão em declarar guerra à África do Sul:

O PNR exige que os Negócios Estrangeiros portugueses cumpram o seu papel e intimem os responsáveis sul-africanos a pôr fim ao clima hostil que se faz sentir sobre os membros da comunidade portuguesa.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:34 PM | Comentários (7)

JSD É NOME DE CLAQUE

Ontem à noite, nos momentos que antecederam o debate, dois autocarros da JSD estiveram no estúdio da Valentim de Carvalho, transportando "adeptos" laranja que gritaram engenhosos slogans pró-Santana, num ambiente digno de final da Taça.
Esta estratégia "política" não me surpreende. Num comício qualquer, já tinha ouvido muitas vozes a cantar "JSD, JSD, JSD" com a música do "SLB, SLB, SLB".

Publicado por José Mário Silva às 02:33 PM | Comentários (0)

A ANGÚSTIA DO GUARDA-REDES ANTES DO PENALTY

Santana Lopes após Durão Barroso lhe comunicar que o desejava como
sucessor, no cargo de Primeiro-Ministro, decide fazer uma pausa para reflectir isoladamente. Este é o momento critico, milésimos de segundos antes de ter decidido. O resto já sabemos. Como acaba também. O tão apregoado mega-fenómeno animal politico de campanha não deixará boa memória a ninguêm. Os frangos também não...
(Vitorino Ramos)

otherside.JPG

[Credits: Gary Larson, The Far Side]

Publicado por José Mário Silva às 02:31 PM | Comentários (0)

E AGORA?

Os primeiros resultados das eleições do Iraque permitem prever uma vitória esmagadora para a coligação de partidos xiitas, se bem que até ao final das contagens seja de esperar uma "moderação" na vantagem que parece ser evidente até ao momento.
O Dr. Allawi, o funcionário de serviço que se arranjou para desempenhar a figura de "proconsul", obtém um resultado marginal mesmo considerando que não teve o "contraditório" dos partidos sunitas que pelo seu lado ficam - em grande parte por opção própria - largamente de fora do sistema político que sairá destas eleições.
Dado o posicionamento habitual dos shiitas face ao "Grande Satã" e as ligações conhecidas aos xiitas iranianos, qual será agora o posicionamento dos invasores?
Até que ponto será aceitável para os cidadãos laicos iraquianos o resultado da eleição por via democrática dos radicais islâmicos?
Até que ponto os vencedores das eleições terão de aceitar as medidas económicas impostas arbitrariamente pela CPA com uma irresponsabilidade política que neste processo tem andado a par da mais descarada venalidade, fortemente condicionadoras da soberania do estado iraquiano?
Até que ponto a degradação do nível de vida experimentada pelos iraquianos desde a invasão e que potenciou a eclosão da resistência em muitas áreas do país vai permitir o estabelecimento da paz mesmo nas áreas maioritariamente xiitas?
A procissão ainda vai no adro e continua com um ar muito feio mesmo para o desenlace de quaisquer dos "finais felizes" calendarizados para efeitos de marketing pelos invasores .

Publicado por tchernignobyl às 01:07 PM | Comentários (0)

O FILHO PRÓDIGO

A afirmação de NCP acerca do seu posicionamento político e da sua formação permite-me de algum modo duvidar da afirmação reproduzida no post seguinte do Jorge, mas, pelo sim pelo não, talvez ele, Nuno, queira dar uma mãozinha aqui no BdE.
É que eu confesso desde já que também tive uma formação bastante de direita - só não aprendi infelizmente a cantar um bom fadinho - e sei o que essas coisas são, por isso toda a minha solidariedade.

Publicado por tchernignobyl às 11:55 AM | Comentários (0)

E SE ALGUÉM O FIZESSE PROVAR DO PRÓPRIO VENENO?

O resultado seria qualquer coisa como isto:

cartaz_santana.jpg

Publicado por José Mário Silva às 11:42 AM | Comentários (0)

NO COMMENTS

Por razões que nos escapam, o serviço de comentários do BdE está neste momento "em baixo", disfuncional, fechado para obras, kaput. Esperamos que seja uma situação temporária e que se resolva depressa. Mas enquanto não se resolve, deixamos um pedido de desculpas aos nossos leitores.

[Para sugestões, reflexões ou indignações mais prementes, podem sempre recorrer ao nosso e-mail]

Publicado por José Mário Silva às 11:39 AM | Comentários (0)

ABENÇOADO SANTANA LOPES

Um homem de 53 anos sabe muito bem de onde vem e para
onde vai.

Nuno da Câmara Pereira, candidato em posição elegível da coligação PSD/PPM/MPT por Lisboa

Publicado por Jorge Palinhos às 10:52 AM | Comentários (0)

SERÁ QUE CHUMBOU NO EXAME FINAL?

Sou um homem de esquerda com formação de direita.

Nuno da Câmara Pereira, candidato em posição elegível da coligação PSD/PPM/MPT por Lisboa

Publicado por Jorge Palinhos às 10:50 AM | Comentários (0)

A MENOS QUE TENHAM LIDO AS RESPOSTAS ANTERIORES

[As pessoas] também me vêem como marialva, como
fadista. As pessoas não me conhecem.

Nuno da Câmara Pereira, candidato em posição elegível da coligação PSD/PPM/MPT por Lisboa

Publicado por Jorge Palinhos às 10:47 AM | Comentários (0)

AS TUAS INTERVENÇÕES VÃO FAZER BRILHARETE NO PARLAMENTO. AI, VÃO , VÃO

Então ainda o poderemos ver junto das populações, a
protestar contra essa solução?

Claro que sim, Eu sou um homem de intervenção, sou um revolucionário.


As pessoas vêem-no mais como um reaccionário...
Essas pessoas já dormiram comigo?

Nuno da Câmara Pereira, candidato em posição elegível da coligação PSD/PPM/MPT por Lisboa

Publicado por Jorge Palinhos às 10:44 AM | Comentários (0)

RETOMAMOS A EMISSÃO

Pedimos desculpa pela interrupção da transmissão da entrevista de Nuno da Câmara Pereira, causada por problemas do weblog.com.pt.
A emissão retoma dentro de momentos.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:41 AM | Comentários (0)

O DEBATE

- Então?
- Então o quê?
- Viste o debate?
- Qual debate?
- O debate.
- Qual debate?
- O debate.
- Qual debate?
- O debate.
- Qual debate?
- O debate.
- Qual debate?
- O debate.
- Qual debate?
- O debate.
- Qual debate?
- O debate.

[Pausa]

- Qual debate?
- O debate.
- Qual debate?
- O debate.
- Qual debate?
- O debate.
- Qual debate?
- O debate.
- Qual debate?
- O debate.
- Qual debate?
- O debate.
- Aaaaaaaaaaaaaaaah... Qual debate?
- O debate.
- Qual debate?
- O debate.
- Qual debate?
- O debate.
- Qual debate?
- O debate.
- Qual debate?
- O debate.
- Qual debate?
- O debate.

[etc.]

Publicado por José Mário Silva às 09:14 AM | Comentários (1)

fevereiro 03, 2005

ACREDITEM, POIS EU TENHO MUITA EXPERIÊNCIA COM COISAS ULTRAPASSADAS

A co-incineração...

Está ultrapassada.

Nuno da Câmara Pereira, candidato em posição elegível da coligação PSD/PPM/MPT por Lisboa

Publicado por Jorge Palinhos às 10:26 PM | Comentários (1)

E SE A REGRA NÃO SE CUMPRIR AINDA APARECE PARA AÍ UM HOMOSSEXUALZINHO

Um tribunal português já entregou a custódia de uma criança a um casal homossexual...

Eu sei. Mas é a excepção. A regra é que de 28 em 28 dias as mulheres tenham as regras...

Nuno da Câmara Pereira, candidato em posição elegível da coligação PSD/PPM/MPT por Lisboa

Publicado por Jorge Palinhos às 10:21 PM | Comentários (2)

DISCLAIMER

Os excertos que se seguem foram escrupulosamente transcritos de uma entrevista da Visão a Nuno da Câmara Pereira. Não me responsabilizo por acessos de espanto, bocas abertas, pruridos no crânio, expletivas: "Este gajo é chanfrado!" e outras reacções do género. De facto, eu próprio não percebi a entrevista. E acho que o jornalista da Visão também não.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:17 PM | Comentários (1)

AS LEITORAS MAIS BONITAS SÃO AS DO BdE

De vez em quando vem à baila a questão de qual é o blogue português mais lido. Mais precisamente, a grande dúvida é saber qual tem mais leitores: o Abrupto ou o Barnabé?
Como toda a gente, Pacheco Pereira já admitiu que gosta de ter muitos leitores mas, pelo menos que eu tenha dado por isso, nunca afirmou taxativamente que era "o mais lido". Já o Barnabé afirma isso várias vezes: no lançamento do livro e, mais recentemente, neste texto do Pedro Oliveira.
A questão é que não se pode comparar directamente as audiências do Abrupto e do Barnabé, uma vez que usam contadores diferentes: o Abrupto, o Sitemeter; o Barnabé, o contador do weblog. E blogues que tenham ambos os contadores (como é o caso do BdE) sabem perfeitamente como as contagens são totalmente díspares, com o contador da weblog a acusar sempre mais visitas do que o sitemeter.
A única maneira de resolver a questão (para quem ela for tão importante) seria comparar ambos os blogues com o mesmo critério, o mesmo contador. Ou o Abrupto se mudaria para a weblog ou, mais facilmente, o Barnabé instalaria o sitemeter. Enquanto tal não for feito, o máximo que podemos fazer são adivinhas. E frases tão categóricas como a do Pedro Oliveira não devem, a meu ver, ser ditas com base em meras adivinhas. Até porque, como procurarei demonstrar a seguir, estas adivinhas não têm em geral credibilidade nenhuma.
Olhando para as tabelas ordenadas de acordo com ambos os contadores, o Xupacabras tem mais visitas do que o Barnabé e menos que o Abrupto. Se houver um mínimo de credibilidade ou consistência em ambos os contadores, daqui se conclui (em Matemática chama-se a isto transitividade: se a é menor do que b e b é menor do que c, então a é menor do que c; é axiomático) que o Abrupto tem mais visitantes do que o Barnabé, a propaganda do Barnabé é enganosa e a questão está resolvida. É este o argumento de muita gente, principalmente de blogues de fora do sistema weblog que querem comparar a sua audiência com a do Barnabé.
O argumento destes blogues é que deve haver uma conversão entre as medições dos dois contadores, um número tal que, multiplicando a contagem do sitemeter, permitiria estimar a contagem do weblog e vice-versa. Uma "regra de três simples", uma proporcionalidade directa. Só que, isto a ser verdade, este "número" deveria ser o mesmo para todos os blogues que têm ambos os contadores instalados. A referida propriedade da transitividade deveria ser mantida, que é como quem diz: se no sitemeter o blogue x tem menos audiência que o blogue y, tal tem de ser válido igualmente no weblog. As "classificações" relativas de ambos os contadores deveriam ser as mesmas. Mas uma análise minimamente atenta destas classificações revela que tal não é o caso. Analisemos a ordenação de blogues que têm ambos os contadores instalados, em ambas as tabelas:

Visitas de ontem (estimativa) - SITEMETER
Xupacabras 2900
Afixe 1800
Blogue de Esquerda 1200
Semiramis 1150
Renas e Veados 850
O Vento Lá Fora 380
Adufe 230
Ma-Schamba 205
Fumaças 160
Último Reduto 155
O Observador 115

visitas de ontem - WEBLOG
Xupacabras 8818
Afixe 3583
Blogue de Esquerda 3511
Fumaças 1809
O Vento Lá Fora 1804
Renas e Veados 1656
Adufe 1479
Semiramis 1452
Último Reduto 932
O Observador 771
Ma-Schamba 600

Ontem não sucedeu (e nem tem vindo a suceder recentemente), mas até há duas semanas o típico seria o Semiramis ter mais audiências no sitemeter, seguido do Afixe e do BdE; o BdE ter mais audiência no weblog, seguido do Afixe e (bem atrás) o Semiramis. Mas mais do que as diferenças entre o ordenamento, compare-se a diferença entre as audiências relativas dos diferentes blogues. Por exemplo, compare-se a razão entre as visitas do Semiramis e do Observador: um factor de 10 segundo o Sitemeter; um factor de 2 segundo o Weblog.
Temos aqui duas alternativas: ou pomos em causa o axioma da transitividade (e toda a Análise Matemática), ou pelo menos um dos contadores (quiçá os dois...) não é minimamente credível. Daí que não se possa tirar conclusões válidas sem comparar todos os blogues com o mesmo critério.
Esta questão faz-me lembrar outra, há uns dez anos ou mais, ainda Sousa Cintra (esse exemplar único e carismático de um certo tipo de cidadão português) era presidente do Sporting e Manuel Damásio do Benfica. Durante uma altura, tudo o que era jornal publicava estudos sobre qual dos três grandes clubes de futebol tinha mais adeptos (tendo tudo começado com o famoso estudo encomendado pelo Benfica, segundo o qual este clube teria seis milhões de adeptos). Embora os resultados relativos variassem de estudo para estudo, todos davam invariavelmente o Benfica como o clube mais popular. A razão para tal parece ser a maior quantidade de mulheres benfiquistas (na população masculina a distribuição seria mais equilibrada). Sousa Cintra teve uma reacção também muito famosa: "o Benfica pode ter mais adeptas, mas as mulheres mais bonitas são do Sporting".
Pessoalmente, não tenho grandes dúvidas de que quer o Barnabé, quer o Abrupto são mais lidos do que o BdE; não tenho nada a ver com esta competição e nem quero entrar nela. Mas se eu leio frases tão categóricas (e tão fundamentadas) como a do Pedro Oliveira, também eu reajo como Sousa Cintra: o Barnabé pode ter mais leitoras, mas as mais bonitas lêem o BdE.

NOTA BENE: Depois de ter escrito este texto, reparei que, nos comentários ao texto do Pedro Oliveira, o Rui Tavares presta alguns esclarecimentos importantes. De acordo com o Rui, o contador que não é minimamente credível é o do Sitemeter, e ele justifica porquê de uma forma bem fundamentada. Remeto os leitores interessados para lá. Nesta perspectiva, a contagem de audiências do Barnabé é credível. Agora, como compará-la com o Abrupto? Sendo o sitemeter tão pouco credível como diz o Rui, não adianta instalá-lo no Barnabé. O Rui baseia-se numa sondagem da Marktest sobre qual é o blogue mais conhecido para concluir que o Barnabé é mais lido que o Abrupto. Reconheço que a sondagem trata os dois blogues da mesma maneira, mas por um blogue ser mais conhecido não se pode necessariamente concluir que é "o mais lido". Mantenho a minha posição: as leitoras mais bonitas são as do BdE.

Publicado por Filipe Moura às 08:24 PM | Comentários (12)

DEBATE? QUE DEBATE?

A 26 de Setembro de 1960, os grandes debates políticos encontraram uma nova e decisiva arena, de onde nunca mais se retirariam: a TV. Nesse dia, Nixon e Kennedy discutiram assuntos internos, no primeiro de quatro debates programados. O vice-Presidente, recém-saído do hospital, pálido e magro, enfrentou as câmaras sem maquilhagem e mal barbeado. O jovem Senador do Massachusetts chegou aos estúdios vindo de uma semana de campanha na Califórnia; belo, bronzeado e confiante.
O resultado é bem conhecido: os votantes que seguiram a refrega pela rádio atribuiram a vitória a Nixon. Mas os 70 milhões de tele-espectadores não hesitaram em penalizar o desempenho suado e obviamente desconfortável de Richard Nixon. Pouco depois, as eleições selavam a vitória final do estilo sobre a substância, das máscaras semânticas e somáticas sobre a ideologia.
O combate político passou, desde essa transmissão pioneira, a assentar em batalhas de posturas e escaramuças de empatias, onde a camuflagem se substitui à força e onde a única estratégia que pode garantir a sobrevivência dos combatentes é a definida pelos consultores de imagem. Projectar convicção, imitar simpatia, mimar confiança ou agressividade; sempre com um olho na última sondagem.
Anos depois da vitória de Kennedy, o império da televisão dava o passo seguinte, lógico e inevitável: para quê apostar em políticos se podemos ter um actor profissional? Ronald Reagan foi, talvez até aos dias de Clinton, o rei incontestado do carisma televisivo, do histrionismo programado ao milímetro. O neurologista Oliver Sacks, no seu fascinante livro «O homem que confundia a mulher com um guarda-chuva», relata um episódio revelador: numa enfermaria de um hospital psiquiátrico, deu com um magote de doentes afásicos a rir convulsivamente... de um discurso televisionado do Presidente Reagan. A afasia é uma condição, muitas vezes associada a hemorragias no hemisfério cerebral esquerdo, que corrói as capacidades verbais, deixando um doente incapaz de perceber ou produzir frases elaboradas; e aguçando a percepção de mensagens não-verbais. Os pacientes de Sacks riam-se do Grande Comunicador simplesmente porque, mesmo sem entenderem nada do que ele dizia, percebiam facilmente que ele estava a mentir. Por entre os olhares decididos para as câmaras e as pausas dramáticas, nem Reagan conseguia evitar pequenas mas reveladoras "fugas" de significado. A mentira continuava óbvia; nós, os "normais", é que já não a conseguíamos captar.
Hoje, a entrada dos candidatos nas vidas dos eleitores é mediada pelos tubos catódicos de uma forma menos ritualizada e mais contínua. Um debate, mesmo que aparentemente crucial como o de hoje, é apenas mais uma instância de avaliação, lugar mais previsível que emocionante.
E que poderemos esperar do debate entre Sócrates e Santana? Este irá apostar na agressividade, tentando provocar a conhecida irascibilidade do oponente. A Sócrates bastará resistir e "fazer passar" uma "imagem" séria e compenetrada: a do "Grande Estadista", pronto para o desafio de ajudar a Nação neste momento difícil para que Santana Lopes a arrastou. Nada de surpresas não previstas pelos scripts, claro está. Mais um desfile de títeres a pavonear camuflagens utilitárias.
Mas, se pudessemos ser afásicos por uma noite, o que veríamos? Talvez algo muito mais próximo da essência das coisas: duas matrioskas com camadas cuidadosamente decoradas, deixando-se revelar em profundidade apenas em momentos escolhidos. Abrindo cuidadosas janelas de emoção sempre que seja conveniente. permitindo-se um tremor de voz aqui, um embargo na voz acolá. Até que, descartada a última boneca plástica, nada restaria. Apenas a grande mentira de duas criaturas teleguiadas que acreditam numa só coisa: eles próprios.
(João Garcez)

Publicado por José Mário Silva às 07:29 PM | Comentários (4)

PSL POR GMT

Certeiro, certeiríssimo, na mouche — o retrato de Pedro Santana Lopes por Gonçalo M. Tavares.

Publicado por José Mário Silva às 06:22 PM | Comentários (5)

DA MENTIRA EM POLÍTICA

Em «Sob Palavra», um livrinho editado pela Fim de Século (recolha de conversas com Jacques Derrida, ouvidas na rádio France Culture — recensão aqui), há um capítulo dedicado à «mentira em política».
Antoine Spire, autor do programa Staccato, pergunta: «Hannah Arendt dizia que a política é o lugar privilegiado da mentira, na medida em que esta é considerada como um utensílio necessário e legítimo, não só para o político, mas também para o homem de Estado. O que é que isto significa quanto à natureza e à dignidade do domínio político por um lado, da verdade e da boa-fé por outro? Tem-se a impressão de que em tudo o que se refere ao presente e ao futuro, o discurso político se situa para além da verdade e da mentira, mas que no que se refere ao passado, as coisas são mais complicadas.»
E Derrida responde: «Creio com efeito que o paradigma da mentira não é o melhor instrumento de análise do que se passa hoje com o discurso político. Um sociólogo necessita de instrumentos mais finos. No entanto, reconheço que isto não nos deve obrigar a abandonarmos a referência à mentira, a esquecermos a diferença entre o discurso mentiroso e o discurso verídico, porque a questão é sabermos como delimitar o político. Para Hannah Arendt, há uma história da mentira: nas sociedades "pré-modernas" de certo modo, a mentira estava ligada à política de maneira convencionalmente aceite no que dizia respeito à diplomacia, à razão de Estado, etc., mas circunscrevia-se no interior de um campo limitado do político por contrato. A mutação moderna da mentira, e Hannah Arendt analisa este fenómeno da modernidade na esteira de Koyré, é que esses limites deixam de existir, que a mentira atingiu uma espécie de absoluto incontrolável. É através de uma análise do totalitarismo ligado à comunicação dos mass media, à estrutura desta comunicação dos meios de informação ou de propaganda, com os olhos postos nesta mutação moderna, que Hannah Arendt declara que a mentira política moderna já não tem limite, deixa de ser circunscrita. Podemos perguntar-nos se o conceito de mentira ainda convém, se é suficientemente potente para a análise desta modernidade. A dificuldade para qualquer cidadão de uma democracia é a de ao mesmo tempo manter uma referência incondicional à distinção entre a mentira e a verdade, manter portanto o velho conceito, sem por isso se privar de instrumentos mais finos de análise da situação actual reforçada pelo marketing político, a retórica, as imposições dos papéis a desempenhar, etc.»

Publicado por José Mário Silva às 06:14 PM | Comentários (1)

REGRESSO À IDADE MÉDIA

«Coimbra devia impedir Sócrates de entrar na cidade» — Luís Nobre Guedes, em entrevista à Rádio Boa Nova.

Publicado por José Mário Silva às 06:08 PM | Comentários (5)

PSD CHALLENGE

Alguém devia explicar aos peritos de marketing do PSD uma coisa simples: transformar a política portuguesa no equivalente de uma "prova cega" entre marcas de refrigerante caramelizado (isto é, com os estratagemas todos da publicidade negativa), é um erro. Um erro grave. Um erro crasso. Um erro que vai contribuir para uma derrota não apenas numérica mas ética. E se da primeira é fácil recuperar (basta que Sócrates comece a seguir os caminhos de Guterres), da segunda pode não haver retorno.

Publicado por José Mário Silva às 05:58 PM | Comentários (5)

A MINHA "META ASPIRACIONAL"

Sempre é mais fácil de conseguir do que o TGV do ministro Mexia.

Publicado por José Mário Silva às 02:20 PM | Comentários (7)

UMA PERSPECTIVA INTERESSANTE

Mas, apesar da "imperfeição" do território, António Barreto é, claramente, a favor da máxima transparência mesmo neste terreno. O sociólogo admite que um político que tenha uma vida religiosa, financeira ou sexual oculta "é passível de chantagens, pressões indevidas, gestos politicamente menos racionais do que pessoas que não têm uma vida clandestina". Enfatiza não estar a "falar do ponto de vista moral, mas do ponto de vista político". Ou seja, segundo Barreto, um político "tem o direito de defender a sua privacidade, mas corre o risco de 'pagar as favas'" - ficar mais "frágil do ponto de vista político".

Publicado por Jorge Palinhos às 10:35 AM | Comentários (3)

O MELHOR POST É O POST QUE NOS ESCAPA

Pior do que ter uma palavra debaixo da língua é ter um post debaixo dos dedos. E não haver meio de nos lembrarmos.

Publicado por José Mário Silva às 10:29 AM | Comentários (3)

EUFORISMO

Aquele homem era tão desleixado que na sua casa até as teias de aranha tinham teias de aranha.

Publicado por José Mário Silva às 10:18 AM | Comentários (2)

PORTUNHOL, A NOSSA LÍNGUA

Gilberto Gil, o ministro brasileiro da Cultura, acaba de mostrar-se um entusiasta da fusão do espanhol e do português, o chamado «portunhol». Essa nova língua, diz ele, deve «fluir» livremente, «sem preconceitos».
Ou citando-o: «O portunhol é uma manifestação espontânea, natural, vinda dos corpos e das almas culturais dos nossos povos. Nós precisamos nos entender, não sabemos um a língua do outro e temos, ao mesmo tempo, certos resíduos das línguas do português entre eles e do espanhol entre nós». E ainda: «Temos trocas, uma comunicação histórica que, ainda que incipiente, vem sendo feita ao longo desses anos e que propiciou exatamente o fato que tenhamos que falar um pouco as duas línguas, e isso criou uma outra língua que é uma mistura das outras duas, o portunhol».
Esta saída de um ministro brasileiro – bom músico, mas culturalmente apanhado da cuca – ainda não é o que mais espanta. O que verdadeiramente abisma é a ausência de reacções em Portugal a esta inenarrável sugestão. Não nos toca? Não nos importa? Já tanto se nos dá?
(Fernando Venâncio)

Publicado por José Mário Silva às 12:22 AM | Comentários (27)

AS CARTAS ESTÃO LANÇADAS

Trinta e nove semanas, Alice. Já passaram 39 semanas. You better get ready.

Publicado por José Mário Silva às 12:15 AM | Comentários (13)

fevereiro 02, 2005

REWIND

Um pequeno exercício na secção Almanaque:
Substitua os números por palavras à sua escolha no texto abaixo.

From (1) (2), (3):

U.S. Encouraged by (4) Vote
Officials Cite (5)% Turnout Despite (6) Terror

by (7), Special to the New York Times

WASHINGTON, (8)-- United States officials were surprised and heartened today at the size of turnout in (9) election despite a (10) terrorist campaign to disrupt the voting.

According to reports from (11), (12) per cent of the (13) million registered voters cast their ballots yesterday. Many of them risked reprisals threatened by the (14).

...A successful election has long been seen as the keystone in President (15) policy of encouraging the growth of constitutional processes in (16). The election was the culmination of a constitutional development that began in January, (17), to which President (18) gave his personal commitment when he met (19) and (20), the (21), in (22) in (23).

The purpose of the voting was to give legitimacy to the (24), which has been founded only on (25) when President (26) was overthrown by a military (27).

Ver resultados abaixo.

From September 3, 1967:

U.S. Encouraged by Vietnam Vote
Officials Cite 83% Turnout Despite Vietcong Terror

by Peter Grose, Special to the New York Times

WASHINGTON, Sept. 3-- United States officials were surprised and
heartened today at the size of turnout in South Vietnam's presidential
election despite a Vietcong terrorist campaign to disrupt the voting.

According to reports from Saigon, 83 per cent of the 5.85 million
registered voters cast their ballots yesterday. Many of them risked
reprisals threatened by the Vietcong.

....A successful election has long been seen as the keystone in
President Johnson's policy of encouraging the growth of constitutional
processes in South Vietnam. The election was the culmination of a
constitutional development that began in January, 1966, to which
President Johnson gave his personal commitment when he met Premier Ky
and General Thieu, the chief of state, in Honolulu in February.

The purpose of the voting was to give legitimacy to the Saigon
Government, which has been founded only on coups and power plays since
November, 1963,
when President Ngo Dinh Deim was overthrown by a
military junta.

Publicado por tchernignobyl às 12:50 PM | Comentários (7)

O GENOCÍDIO É UMA QUESTÃO DE PERSPECTIVA

In response to a Turkish request, officials in the state of Brandenburg have removed a passage in a history lesson about a controversial event in Turkish history - the deaths of thousands of Armenians in the early 20th century.

(O não-genocídio)

UN Darfur report does not see genocide - Sudan

Publicado por Jorge Palinhos às 12:41 PM | Comentários (6)


Cartoon de Steve Bell, «The Guardian»

Publicado por José Mário Silva às 11:54 AM | Comentários (5)

CAMPANHA MAIS FANTÁSTICA DE SEMPRE

PSD publica livro a desmentir que Santana Lopes use pulseira da sorte.

Estas são as primeiras eleições que assisto em que a oposição faz campanha como se fosse poder e o poder faz campanha como se fosse oposição... à associação de estudantes do liceu.

Publicado por Jorge Palinhos às 09:41 AM | Comentários (7)

DEVE TER IDO TOMAR O COSTUMEIRO CAFÉ

Manuel Monteiro, presidente do Partido da Nova Democracia (PND), esteve ontem ao meio-dia, nos estúdios da RTP-N, em Lisboa, sentou-se em frente ao entrevistador e no momento em que se preparava para ser entrevistado em directo levantou-se, entregou o microfone e abandonou as instalações.

Publicado por Jorge Palinhos às 09:38 AM | Comentários (1)

VERSOS QUE NOS SALVAM

O mais recente livro do Pedro Mexia — «Vida Oculta» (Relógio d'Água) — é lançado esta tarde, às 18h30, na FNAC do Colombo, com apresentação de António Osório. Bloggers de toda a lusoblogosfera, comparecei.

AMÁVEL PÚBLICO

O prestidigitador (vocábulo
cesarínico e difícil) era espectacular
demais para o espectáculo,
saíam-lhe flores da vara

e pedia ao «amável público»
um voluntário à força
para o fazer, mágico que era,
evaporar-se numa caixa

e toda a infância me parece
essas toscas bancadas de circo
nas quais eu olhava para o chão
com medo de um foco de luz.

Publicado por José Mário Silva às 09:36 AM | Comentários (9)

TANTA TOTALIDADE DÁ-ME NERVOSO MIUDINHO

PCP Defende Ensino Capaz de Formar o "Homem Total" de Marx

Publicado por Jorge Palinhos às 09:33 AM | Comentários (5)

fevereiro 01, 2005

VERGONHA

Enredada em insinuações, boatos e subentendidos torpes, a pré-campanha eleitoral vai deslizando perigosamente para o abismo. Se a tendência se mantiver, quando chegarmos a dia 20 vai ser necessário aplicar o Método de Honte. Assim mesmo, escrito à francesa.

Publicado por José Mário Silva às 10:55 PM | Comentários (1)

AUSCHWITZ SOMOS NÓS

Há uns dias, lá se cumpriu um número redondo de anos sobre a libertação do campo de Auschwitz. E lá ecoou de novo por jornais, TV's e conversetas de café a litania costumeira sobre a "inexpressabilidade", a "incompreensão", "o Mal".
Bem podem afixar os espantos do costume, bradados por opiniões de cíclica lágrima ao canto do olho enevoado pela contemplação do indizível: "mas como é que gente normal se deixou arrastar por um tal turbilhão de negrume?"; "mas como é que o país de Mozart e de Goethe foi capaz de crimes assim?"
Bem podem agora tentar circunscrever a infecção a uma mão-cheia de nazis semi-humanos, a um bando de ogres bem conhecidos. Facto é que nunca custou à indústria da morte nazi angariar funcionários; fosse entre militares alemães – que poderiam sempre pedir transferência para uma frente de combate, se o trabalho num matadouro humano os incomodasse -, fosse entre prisioneiros de delito comum polacos, que não se negavam a laborar como kapos, servindo a suástica com um empenho que quase obscurecia o denodo dos seus amos.
Não. Não se tratou de obra de extraterrestres ou de uma qualquer epifania de um Mal absoluto vindo de fora da nossa querida humanidade à imagem de Deus concebida. Nem foi a primeira ou a última de semelhantes loucuras a ditar e executar sentenças de morte para "os outros".
Jerusalém foi tomada por cruzados que chapinhavam sobre riachos de sangue infiel. Em Béziers, os hereges cátaros foram chacinados juntamente com os "verdadeiros cristãos", talvez em obediência à ordem do abade Amaury: "matem-nos a todos; Deus reconhecerá os seus". A Europa enriqueceu às cavalitas de milhões de africanos agrilhoados e massacrados num genocídio lento de séculos. E que dizer, em anos mais recentes, das obras de Estaline e Pol Pot?
Eis apenas algumas das páginas em que a História desta criatura admirável, o Homem, se escreveu com o seu sangue, usando um alfabeto de massacres capaz de preencher volumosos compêndios da infâmia.
Hoje, quando os sinos dobram pelos 60 anos da libertação dos sobreviventes de Auschwitz, todos gostaríamos de acreditar que as fotografias de cadáveres vivos, as imagens aéreas de chaminés a cuspir para os céus milhares de vidas por dia, que todo aquele horror ocorreu num passado longínquo, numa espécie de idade média bárbara, longe dos nosso dias e impenetrável ao nosso entendimento. Os discursos sinceros de chefes de estado nas ruínas de Auschwitz ciciam-nos esse sentimento reconfortante. O ar vetusto dos filmes a preto-e-branco garante-nos que se trata de acontecimentos desligados do nosso mundo contemporâneo, hiper-colorido e imaculado. Não esquecemos; arquivamos.
Mas não: aquilo foi há apenas 60 anos. O meu pai poderia – tem idade para isso – ter sido uma das crianças chorosas que desembarcam dos vagões em todos os documentários sobre a Shoah. A minha mãe ainda se recorda bem dos dias da Guerra, dos incómodos do racionamento, dos refugiados judeus que chegaram em levas desamparadas à sua cidade.
Não nos iludamos: somos contemporâneos de Auschwitz.
Por outro lado, os optimistas continuam a decretar que a natureza sistemática e industrial do Holocausto lhe dá o lugar de monstruosidade única, portanto – e esperançosamente – irrepetível.
Mas será assim? Hitler tinha a Tesch para produzir o gás que permitiu a mecanização da "Solução Final", tinha a Topf & Soehne para construir crematórios concebidos para incinerar seres humanos em massa. E dispunha de uma mão de obra especializada e tremendamente produtiva. Mas houve quem o imitasse, empregando ferramentas mais primitivas e apelando à energia dos colaboradores para suprir a escassez de meios avançados...
Quase meio século depois de ter sido proclamado o solene "nunca mais!", os hutus do Ruanda decidiram que os tutsis com que partilhavam o seu país não mereciam viver. Poucos meses antes de eclodir a matança trataram, com toda a previdência de amanuenses letais, de importar meio milhão de catanas. Depois, hordas de pacatos cidadãos abandonaram os seus empregos e optaram por uma nova ocupação: a chacina metódica de toda uma etnia. Saíam de casa a horas certas e esforçavam-se em turnos rigorosos por cumprir as suas quotas de "produção" de cadáveres. Às vítimas que sobravam de um dia para o outro, cortavam-lhes os tendões de Aquiles para não poderem fugir enquanto os verdugos repousavam. Quem tinha dinheiro pagava para morrer mais depressa, com uma bala. Assim morreu um milhão de tutsis.
Há apenas 10 anos.
Religião, preconceitos, fronteiras, dinheiro, ideologias; tudo parece poder servir de gatilho para mais um genocídio. O que se move por debaixo destas erupções incompreensíveis?
Será que a nossa "psicosfera" também tem a suas placas tectónicas, continentes entrechocando-se subterraneamente em falhas sísmicas que, mais dia menos dia, explodirão em vulcões pavorosos?
Um sobressalto na Jugoslávia, um abalo violento no Congo, um cataclismo no Sudão... e a seguir? O próximo Krakatoa pode já estar a acumular tensões, a desenhar as linhas de fogo que decretarão o destino de mais alguns milhões de inocentes. E, mais uma vez, só vamos dar por isso tarde de mais.
(João Garcez)

Publicado por José Mário Silva às 10:52 PM | Comentários (7)

CANTO E CASTRO

Morreu, aos 74 anos, Henrique Canto e Castro. Toda a gente fala do grande actor que ele era ou daquela voz única, meio nasalada, que para muitos de nós é sinónimo de infância e desenhos animados ao sábado de manhã.
Sim, é verdade: morreu um grande actor (e lembro-me tão bem de o ver avançando sobre o palco, em Almada). Mas para mim quem morreu, hoje, não foi o artista que se deixou afundar na mediocridade televisiva. Foi o homem de boné preto e manchas na cara que atravessava todos os dias, de cacilheiro, o Tejo até Lisboa. O homem que olhava o rio sob a primeira claridade do dia e me parecia sempre, mas sempre, deslumbrado com a inexplicável beleza daquela luz.

Publicado por José Mário Silva às 10:45 PM | Comentários (0)

UMA ESTRELA

Eu gostei muito do filme «A Nossa Música», de Jean-Luc Godard. O Pedro Mexia não gostou nada. Está no seu direito, claro — além de que é saudável descobrir que também temos divergências estéticas (embora mais no cinema do que na literatura). O problema não é esse. O problema são as estrelas que o Pedro agora atribui, enquanto crítico, no DN. Ao filme do Godard, por exemplo, pespegou uma muito severa e solitária estrelinha. Ou seja, o mesmo que deu a «Ocean's Twelve» (no qual bateu ferozmente).
Pergunto-me: caramba, Pedro, achas que o Jean-Luc merecia tamanha punição? E pensas realmente que «A Nossa Música» vale menos do que o terror banalíssimo de «O Maquinista»? I have my doubts.

Publicado por José Mário Silva às 10:41 PM | Comentários (0)

GUERRA DE EXPLORADORES

A Microsoft lançou hoje o seu novo serviço de pesquisa da Internet, que garante ser mais preciso e rigoroso, além de permitir busca de artigos da Enciclopédia Encarta e do Desktop.

Mas será que a Microsoft tem alguma hipótese contra:

- calculadora
- dicionários
- tradutor
- Fóruns
- artigos científicos
- pesquisa de desktop
- cached links
- notícias
- Picasa
- Blogger
- Keyhole
- Orkut
- Froogle
- Respostas
- Catálogos
- e mais ainda

da Google?

Publicado por Jorge Palinhos às 10:45 AM | Comentários (15)

AS COISAS EM PERSPECTIVA

O foguetório que se vê em certas partes da blogosfera torna evidente o imenso ressabianço que se andava a acumular em alguns.
Enfim... Parece-me muito saudável essa libertação de frustrações. Mas tentemos colocar as coisas em perspectiva:

It is necessary to recognise the fact that many Iraqis did vote but the Shias and the Kurds were always expected to turn out in large numbers.
The majority Shias believe that the future belongs to them and were under religious orders to vote. The Kurds want to maintain their distinct identity and needed no instruction.
What is not yet clear is the turnout among the Sunnis. As it is the Sunnis who are fuelling the insurrection, that figure is vital. The full tally is not likely to emerge for several days as the Electoral Commission collates the numbers.
At the very least one can say that the insurgents did not make a decisive mark on election day.
All this has left one observer, the former British representative to the Coalition Authority, Sir Jeremy Greenstock, a little less worried.
"This went better than we expected or feared," he said. "It is a huge step, it legitimises the political process and moves away from perceived American control to put matters firmly under Iraqi control. It is a terrific step.
"The violence will continue but it did not dent the determination of Iraqis to vote.
"The Sunni problem remains however and must be addressed."

BBC

e

EUA Dizem Que Sucesso Eleitoral Não Implica Retirada das Tropas

Portanto, muito ainda falta fazer para me sentir à vontade para me juntar ao foguetório.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:28 AM | Comentários (12)