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janeiro 31, 2005

O CENÁRIO RADIOSO QUE ESCONDE AS RUÍNAS


Cartoon de Cam Cardow, «The Ottawa Citizen»

Publicado por José Mário Silva às 07:47 PM | Comentários (16)

PREVISÕES NO FINAL

Uma famosíssima blogger assinou uma divertida crónica na Única deste sábado sobre a astrologia e os políticos. Por associação de ideias, lembrei-me de Santana Lopes e as sondagens. E perguntei-me se o homem não teria razão.
É natural que alguém que desejava restabelecer o princípio medieval do governo itinerante tenda a confundir sondagens e astrologia.
Ora, durante séculos, na China, era hábito mandar executar os astrólogos que se enganavam. Embora menos frequente, na Europa tal atitude não era desconhecida.
Luís XI, por exemplo, enfurecido com um erro crasso do seu astrólogo pessoal, condenou-o à morte. Este solicitou então que lhe permitissem uma última previsão e leu nos astros que morreria exactamente três dias antes do dia da morte do rei. A sua execução foi, evidentemente, suspensa.
Outros astrólogos viram-se vítimas das suas próprias previsões. Girolamo Cardano era um astrólogo e cientista do séc. XVI, a primeira pessoa a descrever rigorosamente os efeitos do tifo e a anotar a solução da equação cúbica.
Teve, contudo, a infeliz ideia de tentar prever a altura da sua própria morte. Quando esse tempo chegou e a morte tardava a vir, Cardano viu-se entre a sobrevivência e a credibilidade profissional. Optou pela segunda: suicidou-se.

Portanto, e sabendo que antes da teoria geocêntrica ser espatifada a astrologia era absolutamente científica, porque não punir também os especialistas em sondagens quando as suas margens de erro erram? Afinal, se a decapitação para líderes de centros de sondagens estivesse em vigor há uns anos, Portugal talvez tivesse sido poupado ao seu pior governo de sempre.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:34 PM | Comentários (6)

O TRIUNFO DA DEMOCRACIA

Por muitos problemas e inconsistências que se possam apontar ao processo eleitoral iraquiano, por muito que as votações no triângulo sunita tenham sido baixas (mas não tão baixas como se previa), uma coisa é certa: contra todas as ameaças, contra todos os riscos, houve milhões de eleitores que foram às urnas para decidir o futuro de um país mergulhado no caos. E isso é extraordinário.
Mais: é um exemplo de coragem e grandeza por parte de um dos povos mais martirizados do mundo. Um exemplo de civismo que envergonha todos os abstencionistas das democracias ocidentais, que a maior parte das vezes não saem de casa por indiferença ou comodismo (como quase de certeza constataremos, mais uma vez, no próximo dia 20 de Fevereiro).


Fila de eleitores à espera, em Falluja

Publicado por José Mário Silva às 12:22 PM | Comentários (24)

O GATO BENFIQUISTA

Leio que o Ricardo Araújo Pereira vai dar a cara por uma campanha do Benfica.
Tirando a dica daqui, peço-te, Ricardo, não faças isso! Pensa nos muitos milhões de portugueses que são do FCP, do Sporting, do Boavista, do Braga, do Marítimo e do Malveira, e que não poderão voltar a rir-se do Gato Fedorento sem pensar: "Fosga-se, pá! Este gajo apoia o clube do neo-fascista orelhudo do futebol que levou sete a zero do Celta de Vigo! Fosga-se, pá! Não consigo ver este programa. Vou mas é mudar para 'O Preço Certo em Euros' que, esse sim, é feito por gente séria."

Publicado por Jorge Palinhos às 11:35 AM | Comentários (5)

PORTUGAL PERDE MILIONÁRIOS

Mas em compensação angaria muitos criminosos fiscais:

Entre 2001 e 2003, houve uma quebra de 92% no número de agregados com rendimentos superiores a 250 mil euros/ano. De acordo com as estatísticas do IRS, reveladas pelas Finanças, eram 26 802 há quatro anos, passando a 2144 há dois anos (ver quadro na página ao lado). Segundo especialistas contactados pelo "jn negócios", há claros indícios de uma evasão fiscal em larga escala, uma vez que a crise económica não pode explicar tudo.

P.S. - Suponho que não é preciso lembrar quem estava no governo nesta altura...

Publicado por Jorge Palinhos às 11:13 AM | Comentários (3)

PARTIDOS FAZEM PZZZZZZZZZ

Choque tecnológico, choque de gestão, choque de valores. Os partidos estão claramente eléctricos e ansiosos por contagiar o país e temo pelo dia em que acorde com o Partido da Terra a prometer um choque ecológico e o PPM um choque tauromáquico.
Mas o mais curioso é o que os choques dizem dos partidos proponentes.
O choque tecnológico cheira a industrialização bolchevique tardia, provavelmente a meter planos quinquenais de informatização e objectivos de x pessoas por terminal em rede.
O choque de gestão soa, efectivamente, ao salve-se quem puder de ocupar o máximo de empresas públicas com gestores militantes.
Já o choque de valores tem um fundo surpreendentemente trotskista, bem a par dos actuais valores republicanos dos EUA. Por outras palavras, fazem pensar em moralização à bomba, fuzilamento das abortadeiras e vergastadas nos alunos que erram a tabuada do quatro.

Eu, sempre comodista e interesseiro, contentava-me mesmo era com um choque salarial.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:56 AM | Comentários (2)

A CAMPANHA AMERICANA

Já deu para perceber que, entusiasmada com o resultado de George W. Bush, a direita portuguesa (1, 2, 3) resolveu capitalizar os "temas fracturantes": ele é o aborto, ele é o casamento homossexual, ele é a adopção por casais homossexuais.
A mim parece-me que Portugal não é o Kansas e que as igrejas lusas já só dão abrigo a oito idosas incontinentes e convictas da superioridade moral de Paulo Portas. Mas, vendo o que se passa com Zapatero, não descreio que ainda nos divertiremos com os nossos rotundos abades a achacarem-se do púlpito perante a carga vitoriosa dos jacobinos incréus e sodomitas.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:24 AM | Comentários (2)

SERÁ QUE SANTANA LOPES...

...é leitor do RIAPA?

Publicado por Jorge Palinhos às 10:15 AM | Comentários (4)

janeiro 30, 2005

«A NOSSA MÚSICA», JEAN-LUC GODARD

«— Por que é que as revoluções não são feitas pelos mais humanos dos homens?
— Porque os homens mais humanos não fazem revoluções. Fazem bibliotecas.»

«O comunismo existiu durante duas vezes 45 minutos, quando a Hungria venceu a Inglaterra por 6-3, no estádio de Wembley, em Novembro de 1953. Os ingleses jogaram cada um por si; os húngaros jogaram juntos.»

«Fala-se sempre muito da chave do problema, mas nunca da fechadura.»

[Citado de memória, essa frágil amiga do homem.]

Publicado por José Mário Silva às 11:58 PM | Comentários (3)

DA ELEVAÇÃO NAS CAMPANHAS ELEITORAIS

Diz ainda o Público: «"Este homem é conhecido pela sua natureza sedutora". Do púlpito, Augusta Ferreira, doméstica, dirigiu-se com estes modos a Pedro Santana Lopes. Em delírio, as mais de mil mulheres presentes no almoço de Famalicão mostraram partilhar desta apreciação. A seguir, foi a vez de Manuela Cardoso levar a sala ao êxtase: "Ele ainda é do tempo em que os homens escolhiam as mulheres para suas companheiras", afiançou esta funcionária pública, lembrando que Deus assim o quis. "Bem-haja os homens que amam as mulheres!", sentenciou ainda. "O outro candidato [José Sócrates] tem outros colos. Estes colos sabem bem", confessou Pedro, no final, aos jornalistas.»
É bom ver que o primeiro-ministro cessante, ao contrário do pérfido Louçã, se escusa a fazer comentários e insinuações sobre a vida privada de opositores políticos, não é?

Publicado por José Mário Silva às 11:52 PM | Comentários (7)

D. PEDRO TENÓRIO

Diz o Público: «Foi ao "colo" de mais de mil mulheres do distrito de Braga, que participaram ontem num almoço de pré-campanha do PSD, que o "sedutor" Pedro Santana Lopes confessou sentir-se com uma "energia fantástica" para ganhar as eleições antecipadas.»
Como é óbvio, as mais de mil mulheres eram na realidade 1003. E a expressão "energia fantástica" não passa de um eufemismo.

Publicado por José Mário Silva às 11:47 PM | Comentários (0)

A ESQUERDA E O SECTOR PÚBLICO

Artigo de André Freire, no Público, citando artigo anterior de João Ferreira do Amaral no Expresso:

«Quatro argumentos contra a privatização dos serviços públicos (e de sectores estratégicos). Primeiro, não se gera maior eficiência: como o fornecimento destes serviços de interesse geral não pode ser descontinuado, logo estes não podem ir à falência, as regras do mercado que poderiam gerar maior eficiência não se aplicam aí plenamente. Segundo, muitos destes serviços são prestados em condições de quase monopólio, o que retira outra razão de eficiência à sua privatização. Terceiro, a privatização de sectores estratégicos pode dar lugar à entrada de capitais estrangeiros cujos objectivos não coincidem com o interesse nacional. Finalmente, a canalização dos capitais privados para estes sectores furta-os ao risco, pois trata-se de sectores protegidos da concorrência interna e, sobretudo, externa.»

Publicado por Filipe Moura às 06:08 PM | Comentários (0)

janeiro 29, 2005

LIGEIRAMENTE PARADO

Macacos me mordam se alguma vez na minha vida eu pensei opinar sobre a coluna de Análise Cambial do Público mas o cabeçalho da edição de hoje dessa secção do prestigiado jornal, não pôde deixar de me emocionar pela sua expressividade.
Destacando a evolução da cotação do Euro face ao dólar nos últimos dias, o cabeçalho é eloquente:
"O Euro mantém-se ligeiramente inalterado".
Eu arriscar-me-ia a acrescentar... o euro e não só...

Nota: não consegui encontrar o link para ilustrar "on line", quem tiver dúvidas que vá à página 25 da edição impressa, secção de Economia...

Publicado por tchernignobyl às 02:57 PM | Comentários (6)

LÁ É QUE TU ÉS BOM

Vítima das overdoses maciças de incompetência segregadas diariamente pelos políticos portugueses que tornam o dia a dia do cidadão mais sensato num inferno difuso de contornos alucinatórios, o professor cavaco, entalado numa cama de casal entre o clássico elefante cor de rosa e um animal político bicéfalo às listas azuis e laranja, quebrou o tabu.
A ser verdadeiro o título em letras gordas inserido na capa da edição de hoje do prestigiado "expresso" junto à foto de um oligarca russo, está definida a sua estratégia para as próximas presidenciais:
Apoiar o governo da Roménia numa primeira fase para a entrada da CEE, depois emigrar para aquele simpático país balcânico invertendo de certo modo o fluxo migratório dos últimos anos e por último posicionar-se para um "blitzkrieg" eleitoral que permita finalmente a um europeu alcandorar-se ao mais alto posto da chefia do estado de um país da europa de leste, feito normalmente apenas ao alcance de milionários americanos.
Esta opção de jogar em duas frentes abre-lhe sem dúvida mais hipóteses de sucesso na retoma anunciada da sua trepidante vida política. Se não for eleito na Roménia há-de sê-lo aqui ou em qualquer outro lado.
Não custa nada tentar.

Publicado por tchernignobyl às 02:22 PM | Comentários (0)

DA ENTREVISTA A MARÇAL GRILO

A entrevista a Marçal Grilo ao Público e à RTP do fim de semana passado tem aspectos muito interessantes.
Na linha do que tenho vindo aqui a defender, destaco a seguinte passagem:

«Na área da educação é necessário compatibilizar o que parece incompatível: ter estabilidade e fazer algumas rupturas.
Na universidade, por exemplo, devia-se permitir que alterassem o seu sistema de Governo, acabando com a eleição dos reitores e criando antes conselhos de curadores que os designariam. Seria esse reitor assim escolhido - que nem teria obrigatoriamente de ser dessa escola - , que proporia a esse conselho quem deviam ser os directores das faculdades, criando equipas coesas e consistentes. Isto porquê? Porque é necessário combater a corporação dos professores dentro das universidades. Não se gosta que diga isto, mas entendo que as universidades deviam ser impedidas, por lei, de contratar os seus próprios doutorados.
»

A questão do reitor é interessante, mas concentremo-nos na proposta relativa aos doutorados. A verdade é que em países como os EUA é muitíssimo incomum um professor universitário trabalhar na universidade onde estudou. Mas em Portugal não há universidades suficientes para tal se poder fazer de forma sistemática sem prejudicar quem se doutora em Portugal. Nesse setido, a ideia de Marçal Grilo, sendo bem intencionada, é algo radical. Prefio a que já aqui propus: os concursos deveriam ser anunciados com toda a transparência e clareza e um mínimo de burocracia, de forma a não rejudicar quem se encontre no estrangeiro. Os júris deveriam ser exteriores à universidade em questão e conter sempre elementos estrangeiros.
Sobretudo o que há que impedir é a situação, ainda bastante comum, a seguir referida por Marçal Grilo: há que (cito) «impedir que se guarde o lugar do quadro para o que se vai doutorar daqui por três anos e que fui eu que o formei. Temos escolas onde todos os professores foram aí alunos, aí se doutoraram e nunca de lá saíram. Isto tem de ser quebrado e os espanhóis já o fizeram.»

Esta semana, conheci uma assistente, já do quadro de uma tradicional universidade portuguesa, a fazer doutoramento lá e que veio a Paris em "trabalho de pesquisa". Quando foi contratada, um emprego para o resto da vida, tinha a condição de ter de fazer lá o doutoramento. O motivo, disse-me ela, era (nunca me hei-de esquecer) "manter a escola"!
(Recordo o que já aqui defendi: nada contra os assistentes, desde que não façam parte do quadro docente.)

Publicado por Filipe Moura às 01:21 PM | Comentários (4)

ALICE PROCURA A SAÍDA

Publicado por José Mário Silva às 12:49 AM | Comentários (5)

janeiro 28, 2005

QUANDO OS ESTUDOS BLOGOSFÉRICOS CHEGAM À UNIVERSIDADE

João Canavilhas, professor na Universidade da Beira Interior, mais conhecido na blogosfera pelo seu avatar rabugento (cf. o que diz o velho Waldorf dos Marretas), elaborou um interessantíssimo estudo intitulado «Blogues políticos em Portugal: O dispositivo criou novos actores?».
As respostas a esta pergunta podem ser encontradas aqui.

Publicado por José Mário Silva às 08:22 PM | Comentários (20)

PIADA INVOLUNTÁRIA DO DIA

«Eu acho que o dr. Paulo Portas, pelo perfil que tem, pela sua cultura, pelo mundo que conhece, podia ser o nosso [André] Malraux» — Luís Nobre Guedes, em entrevista ao DN.

Publicado por José Mário Silva às 08:10 PM | Comentários (1)

ATÉ AMANHÃ, CAMARADAS

O livro convenceu-me de que a ortodoxia e o cumprimento rígido das instruções superiores fazia sentido na clandestinidade, quando o menor descuido poderia ser pretexto para um militante comunista ser capturado pela PIDE, o que ainda ameaçaria todo o trabalho que era feito pela mesma célula, e eventualmente por todo o partido. Foi o livro que me ensinou a importância de fazer a barba e vestir discretamente para passar despercebido. Ao mesmo tempo, confirmou-me (convencido já eu estava) de que tal ortodoxia só fazia sentido nesse contexto, em ditadura. É uma obra indispensável para a compreensão do PCP ao longo da história. Bravos homens e mulheres, as personagens deste romance que Álvaro Cunhal, aliás Manuel Tiago, escreveu. Estivesse eu em Portugal, e hoje e amanhã veria a SIC à noite. (Mais informação no Público.)

Publicado por Filipe Moura às 05:16 PM | Comentários (10)

OU SERÁ QUE FOI SÓ PARA LHE FAZER PIRRAÇA?

Enfim, mais um belo post do MacGuffin estragado pela realidade (1, 2, 3).

Publicado por Jorge Palinhos às 04:27 PM | Comentários (2)

CUIDADO: O PERIGOSO AGITADOR DA OPINIÃO PÚBLICA ANDA A MONTE


Cartoon de Bandeira, no «Diário de Notícias»

Publicado por José Mário Silva às 04:18 PM | Comentários (3)

SE UMA SONDAGEM INCOMODA MUITA GENTE, DUAS SONDAGENS INCOMODAM MUITOS MAIS

Sondagem 1- Universidade Católica (para o PÚBLICO, RTP e Antena Um):

PS- 46%
PSD- 28%
BE- 8%
CDU- 8%
CDS/PP- 6%
Indecisos- Cerca de um terço dos eleitores consultados

Sondagem 2- Barómetro Marktest (para o DN e TSF):

PS- 45,1%
PSD- 27,7%
BE- 8,1%
CDU- 7,7%
CDS/PP- 6,3%
Indecisos- Cerca de um terço dos eleitores consultados

Publicado por José Mário Silva às 03:16 PM | Comentários (12)

PROGNÓSTICOS SÓ NO FINAL DO JOGO

Numa das suas tiradas mais estúpidas dos últimos tempos (há dois dias que não sabia dele), o sr Lopes ameaça que "pedirá responsabilidades e abrirá processos às empresas" de sondagens "que tiverem falhado nas previsões" dos resultados das próximas eleições.
Apesar de ter um colega de governo hipoteticamente especialista na matéria, que se notabilizou à frente de um célebre e milionário (e por isso sem dúvida mais rigoroso) Centro de Sondagens, o sr. Lopes pensa que uma sondagem eleitoral é assim uma espécie de eleição antes da eleição. Talvez até que uma sondagem “rigorosa” (uma que dê o resultado pretendido pelo sr. Lopes) venha a dispensar, no limite, a necessidade de eleições.
Resta saber quem processará o sr. Lopes, que com ou sem sondagens garante que vai ganhar, se o resultado eleitoral do dia 20 de Fevereiro lhe for adverso?

Publicado por tchernignobyl às 01:15 PM | Comentários (20)

HÁ MESMO COINCIDÊNCIAS

Por muito incrível que pareça, eu o Zé Mário não fazemos parte de uma conspiração canhota internacional que resolveu lançar por volta das 12 horas do dia 28 de Janeiro de 2005 uma campanha anti-grande capital, cuja primeira fase é a ridicularização das campanhas promocionais dos bancos, a segunda é a crítica destrutiva e contínua aos serviços que proporcionam e a terceira é a disseminação de suspeitas do uso que os bancos dão ao dinheiro neles depositado.

Tentem acreditar nisto. É melhor para a vossa saúde.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:32 PM | Comentários (2)

AINDA SOBRE CAMPANHAS PUBLICITÁRIAS DE BANCOS

Já viram os anúncios do Millennium BCP em que se «aplaude os empresários que investem»? Acham normal? Não será o mesmo que aplaudir os pedreiros que abrem roços nas paredes, os carteiros que entregam cartas, os polícias que passam multas ou os padeiros que fazem carcaças?
Cá para mim, isto é apenas mais um reflexo dos auto-elogios sistemáticos do CDS/PP, a propósito da competência dos seus ministros. Ou seja, neste país, hoje em dia, toda a gente quer aplausos simplesmente por ter feito o que é suposto fazer.

Publicado por José Mário Silva às 12:17 PM | Comentários (11)

OLHÓ NENÉ!

Descubro na recente campanha publicitária do BPI, em redor da gravidez da Fernanda Serrano, várias razões de perplexidade.
Uma delas é o adjectivo "poupança". Já ouvi chamar de tudo aos filhos - querido, riqueza, amorzinho, canino, peste, suga-carteiras, etc. - mas "poupança" é verdadeiramente a primeira vez.
Outra é os efeitos que a publicidade terá na futura criança. Imagino a família Serrano Ramos em redor da lareira a mostrar ternamente ao miúdo as suas primeira fotografias e a dizer: "Vês, filho, aqui estás a promover o BPI Renda Trimestral, aqui estás a promover o Depósito Especial BPI Emigrante, aqui estás a promover o BPI Plano Poupança Acções, aqui..."

Publicado por Jorge Palinhos às 12:01 PM | Comentários (5)

JUROS

«Emprestamos alegria» — diz o meu banco, num arroubo de lirismo financeiro. Pois. Mas o problema são os juros.

Publicado por José Mário Silva às 11:45 AM | Comentários (0)

BIS! BIS!

O Ricardo Araújo Pereira publica dois posts seguidos. O Manel, aqui em baixo, também. No princípio era assim.

Publicado por Margarida Ferra às 10:20 AM | Comentários (2)

JÁ DO SÓCRATES NÃO SE PODE DIZER O MESMO

Publicado por José Mário Silva às 01:44 AM | Comentários (6)

NOITE LONGA

Eis uma excelente notícia. A SIC regressa esta madrugada às suas saudosas «Noites Longas», durante as quais o pequeno ecrã se ilumina com algumas das mais interessantes e vanguardistas obras do audiovisual contemporâneo.
A partir das 2h30 (um horário estapafúrdio que só satisfaz quem confunde a cultura com a insónia), serão apresentados dois filmes:

1) «Uma Visita ao Louvre», de Jean-Marie Straub e Danièlle Huillet, em que os dois cineastas levam ao limite os seus princípios estéticos e a sua filosofia do cinema, filmando em apenas 25 planos (com 47 minutos de duração) a visão de Cézanne sobre algumas das obras expostas no museu mais famoso do mundo. Vemos os quadros (Véronèse, Ingres, Giorgione, David, Murillo, Delacroix ou Tintoretto), ouvimos as palavras de Cézanne em voz off (ditas por Julie Koltaï) e é tudo. No fim há uma tela de Courbet que representa um riacho. Um riacho de tinta que se transforma num riacho verdadeiro, fixado pelo olhar dos Straub num bosque da Sabóia. E nesta passagem está implícito muito do realismo brutal com que os autores de «Dalla Nube alla Resistenza» ergueram uma das mais exigentes (e intransigentes) obras da arte contemporânea.


2) Em complemento do último filme dos Straub, poderemos ver ainda o documentário que Pedro Costa lhes dedicou: «Où Gît Votre Sourire Enfoui?» («Onde Jaz o Teu Sorriso?»). Uma obra-prima absoluta. E dizer obra-prima neste caso, acreditem, não é um elogio fácil e lisonjeiro. É um understatement.


A propósito de «Onde Jaz o Teu Sorriso?», tive oportunidade de escrever no suplemento DNA, em Janeiro de 2003, o seguinte texto:

No quarto dos Straub

1. No princípio, há um homem de costas que fala de laranjas. O plano é muito belo, vê-se água, a linha do cais, navios na distância, tudo a preto e branco, num enquadramento tão perfeito que podíamos olhá-lo durante mil anos. Esse homem – melhor seria dizer essa voz – acaba de chegar e dialoga com um camponês que está encostado a uma parede, muito vertical e revoltado («Ninguém as quer!», diz ele, referindo-se às laranjas). Estas são as primeiras imagens de «Sicília!», de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet. Mas também são, percebemos agora, as primeiras imagens de «Où Gît Votre Sourire Enfoui?», de Pedro Costa, retrato em movimento (não tenho coragem de lhe chamar outra coisa) do casal Straub-Huillet. Existe contudo, entre os dois, uma diferença importante. No filme de Pedro Costa as imagens de «Sicilia!» andam para a frente e para trás, os gestos suspendem-se, as palavras saem e voltam a entrar na boca do camponês. O ecrã que vemos, já não há dúvidas quanto a isso, é o visor de uma moviola durante o processo de montagem. Ouve-se Danièle, depois Jean-Marie, frases tensas de quem procura o sítio certo para cortar um plano. Aqui, diz ela; ali, diz ele. A diferença: um fotograma. Um fotograma é a diferença entre os seus olhares. Há, a separá-los, um vinte e quatro avos de segundo. Dito de outro modo: eles vêem exactamente a mesma coisa, embora não coincidam ponto por ponto. «Se a realização é um olhar, a montagem é um batimento de coração», escreveu Jean-Luc Godard, num texto publicado nos Cahiers do Cinéma, em 1956. Foi o fotograma fugidio que separa os Straub (esse quase inaudível batimento de coração) que Pedro Costa filmou, como quem testemunha um assombro.

2. É preciso dizer que esta obra vem no seguimento de outro filme magnífico e inclassificável: «No Quarto da Vanda». Já não estamos, como é óbvio, no surreal universo do Bairro das Fontainhas, com as suas casas em demolição, as figuras humanas destruídas pela droga e pela «vida», o caos de miséria que afinal é um cosmos, a luz que bate na parede como numa tela de Vermeer e essa Vanda, rosto-enigma em grande plano, sempre à procura do «pó» que sobra nas páginas amarelas. É tudo outra coisa menos o olhar de Pedro Costa, a sua disponibilidade para compreender o que está para além da realidade mas ainda aquém da ficção. O quarto dos Straub, melhor seria dizer de Jean-Marie-Danièle (assim mesmo, com os nomes colados), é a sala de montagem. E a câmara está ao fundo, quieta, sem interferir. Eles trabalham como se ela não existisse. Danièle mexe na moviola, corta a película, volta a colar, experimenta. Aquele é o seu território, o seu mister, o tempo de um ofício que exige concentração. Por isso, quando Jean-Marie se distrai (e a distrai) com filosofias e abstracções, zanga-se. Eleva a voz, impõe ordem, exige silêncio. E Straub, resignado, levanta-se, vai dar uma volta no corredor, fuma um cigarro, tosse não sei quantas vezes, encosta-se à ombreira da porta, reflecte em voz alta (sobre o cinema, sobre Hitchcock, sobre a criação ou o génio), improvisa um aforismo e volta a sentar-se junto à moviola, para discutir o que ela entretanto fez. O «punctum» do filme nunca está nos Straub (vemo-los afastados, de costas ou na penumbra). O «punctum» está no ecrã da moviola. O centro é ali, naquele palco imaterial onde eles lutam contra uma matéria que lhes resiste. Aliás, se «Où Gît…» também é, de certa maneira, uma aula de cinema, é-o no sentido em que revela a forma única de produção dos Straub. O seu cinema conjuga um rigor estético absoluto com um método de trabalho «artesanal», em que não se utilizam quaisquer «truques» de estúdio, nem manipulações do som. É um cinema da reflexão e da palavra (tanto poética como política). Pedro Costa mostra-nos isso muito bem. Os Straub a reflectirem sobre os textos de que partem (agora Vittorini; com ecos de Pavese). E a defenderem, sempre, a necessidade de uma nova utopia, de um novo comunismo. Não haja ilusões: quase 40 anos após o primeiro filme, ambos continuam visceralmente «não reconciliados».

3. Recupero velhas entrevistas de Jean-Marie Straub. Frases soltas. Esta: «Não temos vontade de fazer “grandes obras”. Tentamos fazer coisas que tenham muita paciência e muita energia.» Ou esta, a prolongar a citação de JLG, lá atrás: «Os filmes em que não se sente mais bater o coração do autor (…) são como pontes que desabam quando são atravessadas por gente ou cadeiras nas quais não nos podemos sentar sem risco de morte.» Ou ainda: «Os filmes não têm interesse se não tiverem alguma coisa que arda em cada plano.» Estas frases podiam ser de Pedro Costa, agora. Também ele procura, obsessivamente, o sorriso que se perde dentro de um olhar e o fogo que dá sentido a cada imagem.

4. Este é um filme que decorre em dois espaços. A sala de montagem, lugar de criação. E um cinema, lugar de exposição das obras mais antigas. A «narrativa» oscila entre estes dois pólos: a génese e a síntese. Vemos, alternadamente, o casal a montar «Sicilia!» (o presente) e Jean-Marie a apresentar «A Morte de Empédocles» ou «Crónica de Anna Magdalena Bach» (o passado). Lá mais para o fim, os dois pólos unem-se. No mesmo cinema da retrospectiva (um ciclo?), é exibido «Sicilia!». O presente transforma-se em passado e abre caminho para os filmes futuros (como o espantoso «Operai, Contadini»). Enquanto isso, no hall, Jean-Marie Straub espreita para o interior da sala, como o pai ansioso pelo nascimento do filho. Sabemos que o filme está a acabar porque se ouve, vindo lá de dentro, o final do andamento lento do quarteto de cordas op. 132 de Beethoven. Straub senta-se nos degraus e baixa a cabeça, gozando talvez a melancolia que sucede ao júbilo da obra feita. A música desvanece-se e Jean-Marie, generoso, oferece a Pedro Costa, com um gesto (a mão que se deixa cair), o tempo exacto para o último corte.

Publicado por José Mário Silva às 12:50 AM | Comentários (5)

janeiro 27, 2005

O ÓDIO À MÚSICA

Ao escrever sobre a fotografia do post anterior, não pude deixar de pensar neste texto do Pascal Quignard.

Ouvir e obedecer.
A primeira vez que Primo Levi ouviu a fanfarra à entrada do campo tocando
Rosamunda, teve dificuldade em reprimir o riso nervoso que se apoderou dele. Então viu aparecer os batalhões que regressavam ao campo com um andamento estranho: avançavam em filas de cinco, quase rígidos, o pescoço tenso, os braços colados ao corpo, como homens feitos de madeira, a música levantando pernas e dezenas de milhares de tamancos de madeira, contraindo os corpos como autómatos.
Os homens estavam tão desprovidos de força que os músculos das pernas obedeciam contra a sua vontade à força própria dos ritmos que a música do campo impunha e que Simon Laks dirigia.

Primo Levi qualificou a música de “infernal”.
Apesar de as imagens serem nele pouco habituais, Primo Levi escreveu: «As suas almas estão mortas e é a música que os empurra para a frente como o vento leva as folhas secas, e que substitui a vontade».
Depois sublinha o prazer estético dos alemães diante destas matinais e vespertinas coreografias de infelicidade.
Não foi para apaziguar a sua dor, nem mesmo para conciliar as suas vítimas, que os soldados alemães organizaram a música nos campos da morte.
1. Foi para aumentar a obediência e os unir a todos na fusão não pessoal, não privada, que toda a música engendra.
2. Foi por prazer, prazer estético e deleite sádico, apreciados ao ouvir as melodias de que gostavam e na visão dum ballet de humilhação dançado pela troupe daqueles que envergavam os pecados daqueles que os humilhavam.
Foi uma música ritual.
Primo Levi pôs a nu a mais antiga função da música. A música, escreveu ele, era sentida como um «malefício». Era uma «hipnose do ritmo contínuo que aniquila o pensamento e adormece a dor».

*

A música já está toda no apito do SS. Ela é uma potência eficaz, ela provoca uma atitude imediata. Como o sino do campo de concentração desencadeia o acordar, no qual o pesadelo onírico se interrompe para se abrir ao pesadelo real. De cada vez, o som obriga a «levantar».
A função secreta da música é convocativa.
É o canto do galo que faz, de repente, virem lágrimas ao olhos de S. Pedro.

Pascal Quignard, La Haine de la Musique (1996)

Publicado por Manuel Deniz às 11:50 PM | Comentários (1)

O SOM DA BARBÁRIE

Comemorações como a de hoje remetem-nos ao silêncio.
Haveria no entanto coisas para dizer, antes que este dia de recolhimento se feche e que se volte de vez a página comemorativa. Mas normalmente não se diz, ou quase nada. Ficamos inevitavelmente aquém.
O silêncio, sempre. Porque o silêncio nos lembra a morte. Porque as imagens do holocausto que nos povoam o imaginário, as imagens insuportáveis que nos fazem estremecer, virar a cara, não olhar, nunca têm banda sonora. E não dizemos nada porque esse horror é, como se diz, “indescritível”, “sem nome”. Porque é impronunciável.
E, no entanto, era de som que eu gostava ainda assim de tentar falar. Por causa desta fotografia - encontrada aqui e que publico quase a medo - que me recordou uma outra dimensão, também ela à sua maneira impensável, do que foi a barbárie que hoje se evoca.
Um olhar distraído talvez não veja violência nesta imagem. Aperceber-se-á que se trata de uma orquestra, que se entrevê ali um arco de violino, acolá um instrumento de sopro, várias estantes e partituras. Verá um maestro em uniforme de tipo militar a tentar dar alguma ordem ao que parece ser um ensaio, e mesmo que um dos músicos esboça um sorriso indeciso em direcção à máquina fotográfica. Talvez só depois veja que uma vedação de arame farpado envolve o espaço em volta. E que também os músicos vestem um uniforme. E que não é um uniforme qualquer.
Em Auschwitz, no centro da industria de destruição nazi, não reinava o silêncio. Esta fotografia foi tirada em 1941, num concerto dominical para os oficiais SS. Ouvia-se música, quase a todas as horas. E ouvia-se boa música. Mesmo muito boa música. Em Auschwitz, no centro da indústria de destruição nazi, a morte ouvia Bach e Schubert.

Publicado por Manuel Deniz às 11:37 PM | Comentários (8)

FREITAS É FIXE!

Depois de ter sido o candidato presidencial da direita em 1986 e de ter defendido a maioria absoluta para o PSD em 2002, Freitas do Amaral veio hoje oferecer o seu voto ao PS, num artigo publicado na Visão, ao mesmo tempo que sublinha a necessidade de garantir a José Sócrates um governo de maioria absoluta.
Significa isto que se Carmelinda Pereira tiver paciência (e um bocadinho de sorte) talvez consiga convencer o ex-dirigente do CDS a participar, lá para 2020, nos austeros tempos de antena do POUS.

Publicado por José Mário Silva às 11:20 PM | Comentários (5)

AUSCHWITZ

Faz hoje 60 anos que se fecharam as portas do inferno. E a memória do horror não esmorece (não pode esmorecer nunca).

Publicado por José Mário Silva às 12:48 PM | Comentários (33)

PARA UMA NOVA CRÍTICA LITERÁRIA

Não tenho grandes intenções de comprar este livro (que já tinha mencionado aqui), mas tenho-me divertido bastante a ler as críticas.
Por exemplo, nesta conta-se:

After encountering Dennis Lehane's novels, Hornby wonders why no one has ever recommended the writer to him, and answers, "Because I don't know the right kind of people, that's why. In the last three weeks, about five different people have told me that Alan Hollinghurst's The Line of Beauty is a work of genius (...) and I'm sure it is ... I'm equally sure, however, that I won't walk into a lamppost while reading it, like I did with "Presumed Innocent" all those years ago ... I'm happy to have friends who recommend Alan Hollinghurst, really I am. They're all nice, bright people. I just wish I had friends who could recommend books like Mystic River, too. Are you that person? Do you have any vacancies for a pal?"

Chocar contra candeeiros parece-me um excelente teste da qualidade de um livro! Eu, pelo menos, dos escritores vivos, não consigo lembrar-me de mais do que James Ellroy, Philip Roth e um punhado de nacionais e estrangeiros com que não me importava de levar umas traulitadas.
Proponho, pois, que as publicações especializadas passem a atribuir tantas estrelas aos livros quantos os galos com que os críticos ficaram ao lê-los enquanto caminhavam pela rua (a variante automóvel já me parece demasiado radical).

P.S. - Claro que não é preciso restringirmo-nos aos candeeiros, mas podem incluir-se também todos os obstáculos apropriados ao ambiente. Por exemplo, os bravos críticos de Vilarelho poderiam contabilizar também a bosta nos sapatos ou o número de dentadas de burro.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:42 PM | Comentários (1)

OS CANDIDATOS POLÍTICOS NA BLOGOSFERA

Não foi só Santana Lopes que aderiu aos blogues como forma de combate político. O leitor bin_tex chamou-nos a atenção para outros mimosos locais de debate: o de José Sócrates, o de Paulo Portas e o de Morais Sarmento (sendo que este, o «Força Interior», é bastante ilustrado — com belas fotos de centrais de compostagem e tudo).
Mas deve haver mais. Depois dos blogues terem descoberto a política, chegou a vez dos políticos descobrirem os blogues.

Publicado por José Mário Silva às 12:28 PM | Comentários (8)

OU COMO SE DIZ EM RUSSO: PRAVDA

O blogue de Pedro Santana Lopes chama-se A Verdade.

[Mas olhem que podia ser pior. Lembrem-se do palanque de pré-campanha que promete — recorrendo a uma única palavra enfática e auto-irónica — «COMPETÊNCIA».]

Publicado por José Mário Silva às 12:17 PM | Comentários (2)

SERÁ EPIDEMIA?

Bloguítica, Memória, Ruínas...

Publicado por Jorge Palinhos às 10:30 AM | Comentários (4)

CANTINHO DO HOOLIGAN

Ó Joáo Pereira, simulador de agressões, isto aqui não é o cabeleireiro!

PS1: Título roubado a FJV.
PS2: E que grande jogo foi. O melhor que vi nos últimos anos. Quem marca um golo como o Paíto marcou não merece ser eliminado.

Publicado por Filipe Moura às 12:48 AM | Comentários (14)

ESCOLHAS PRÉ-NATAIS

Saber se é menino ou menina ou aceitar de braços abertos a surpresa? Chamar-lhe Alice ou qualquer outro nome impronunciável fora do português? Aleitamento materno ou artificial? Pôr a criatura a dormir no quarto dos pais ou promover desde logo a autonomia dela em aposentos próprios? Parto com epidural ou a sangue frio? A mais difícil de todas as decisões dos pré-pais é a de fazer ou não a criopreservação das células estaminais que se encontram no cordão umbilical. Ignorantes, temerosos, inseguros, futuros pais e futuras mães ficam completamente nas mãos dos médicos, detentores não só de boa parte da informação, como do conhecimento necessário para a manobrar. É, mais do que qualquer outra, uma escolha cega.

Publicado por Margarida Ferra às 12:04 AM | Comentários (15)

janeiro 26, 2005

E ISTO É GLÓRIA PARA TI!

Por isso Bush e os seus apoiantes começaram a falar de "contas pessoais" em vez de "contas privadas" quando se referem ao plano [deste] de permitir que os novos profissionais possam converter as suas contribuições sociais em acções. Representantes republicanos já começaram a telefonar aos jornalistas para se queixarem de referências às "contas privadas"...

Os democratas (...) querem banir o termo "crise". Os líderes partidários incentivam os seus congressistas a falarem dos problemas da Segurança Social como "desafios" e não como "crise", e justificam que Bush está a tentar inventar uma crise para fazer mudanças que os Democratas consideram desnecessárias.

MSNBC

Publicado por Jorge Palinhos às 04:16 PM | Comentários (2)

FOI HÁ UM MÊS

26/12/2004: o dia em que o mar acordou com instintos assassinos.

26/12/2004: o dia da destruição sem nome.

26/12/2004: o dia em que a morte mostrou a sua face obscena.

26/12/2004: o dia em que enfrentámos, olhos nos olhos, o inominável.

Publicado por José Mário Silva às 02:04 PM | Comentários (5)

FUNDAMENTALISMO LAICO EM CRESCIMENTO DESENFREADO

Editor polaco condenado por publicar artigo satírico sobre o Papa.

Publicado por Jorge Palinhos às 01:44 PM | Comentários (5)

E SE FOSSE UM ABACAXI O QUE É ACONTECIA?

Polícia inglesa usa helicóptero e avião para acusar uma mulher de comer uma maçã enquanto conduzia.
Ré alega que mantinha ambas as mãos no volante enquanto comia o dito fruto, o que já terá despertado a atenção de vários empresários circenses.

Publicado por Jorge Palinhos às 01:40 PM | Comentários (0)

HABSELIGKEITEN...

... ou, porque é que eu nunca tive vontade de aprender alemão.

Publicado por Jorge Palinhos às 01:38 PM | Comentários (0)

FINALMENTE UMA PROPOSTA DECENTE

E eis que até das discussões mais estapafúrdias nascem boas ideias.

Quero declarar aqui que darei o meu voto ao partido que inscrever no seu programa eleitoral a firme intenção de nacionalizar o Ricardo Araújo Pereira.

A quem for céptico em relação à ideia deixo duas pistas: a) a elevação que o Salazar fez do Eusébio a monumento nacional; b) o estado do Herman José depois de ter ido para a televisão privada.

Publicado por Jorge Palinhos às 01:01 PM | Comentários (9)

PORQUE É QUE EU SOU EUROPEU

Consider a mug of American coffee. It is found everywhere. It can be made by anyone. It is cheap—and refills are free. Being largely without flavor it can be diluted to taste. What it lacks in allure it makes up in size. It is the most democratic method ever devised for introducing caffeine into human beings. Now take a cup of Italian espresso. It requires expensive equipment. Price-to-volume ratio is outrageous, suggesting indifference to the consumer and ignorance of the market. The aesthetic satisfaction accessory to the beverage far outweighs its metabolic impact. It is not a drink; it is an artifact.

Por causa do café.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:58 PM | Comentários (4)

BORBOLETAS E POSTS

Já não me lembro quando, nem em que contexto, nem em que blog, e não sei se aparece na versão em papel, mas uma vez o Pedro Mexia escreveu qualquer coisa assim:

"Já perdeste amigos por causa do blog? Já, mas não foi por causa do blog."

Ora, eu não sei o que o PM queria dizer com isto, nem estou interessado em saber, não estou certo sobre o que trata e provavelmente nem percebi bem a lógica. Hoje, talvez o próprio autor nem se lembre do texto e não lhe atribua grande importância; eu não lhe atribuo grande importância, nem me diz nada de especial.

Então porque me lembro eu do post? Porque gostei do paralelismo e da repetição de palavras e fiquei deliciado pelo tom paradoxal, ao ponto de o ter casualmente memorizado.

Os posts são objectos efémeros que, como as borboletas, nascem e morrem numa questão de horas. Enquanto andam por aí a esvoaçar são encantadores e somos capazes de lê-los, relê-los e lembrá-los durante horas. Mas convém não os levar demasiado a sério pois em poucas horas morrem, soterrados entre dezenas de outros posts, e então só interessarão aos lepidopterólogos.

Serve isto para introduzir a minha opinião que toda esta questão foi muito empolada e era escusado ter terminado assim. A atitude do Luís parece-me excessiva mas é livre de a tomar, tal como é livre de voltar atrás com ela.

Não há regras escritas para o BdE, mas sempre julguei que este era um espaço onde escreviam pessoas unidas por uma cosmovisão próxima, mas de modo nenhum idêntica. Pessoas essas que eram livres de serem entre si concordantes, discordantes, indiferentes ou mesmo de não se lerem umas às outras caso lhes desse na real veneta. Livres de escrever como quisessem, quando quisessem e sobre o que quisessem ou mesmo de não escrever. Livres de entrar e sair do blog quando e pelos motivos que bem entenderem.

Por isso não percebo as questões de lealdade por alguns levantadas. Eu só conheço pessoalmente duas pessoas presentes no cabeçalho deste blog, troquei meia dúzia de mails com outras três; as outras são-me perfeitamente desconhecidas fora deste espaço. Tanto quanto sei não temos agendas nem objectivos comuns e as experiências e aspirações de vida são totalmente díspares. Então lealdade em relação a quê? Respeito, civismo, cordialidade e bom senso, sim, absolutamente. Mas lealdade?

Acredito que se alguém aqui sente ou sentiu que outrém lhe faltou em respeito ou civismo a melhor atitude é confrontar a pessoa em privado e chegar a um entendimento... ou não. O resto faz-se com debate e argumentos civilizados.

Desejo felicidades para o Luís e faço votos que regresse rapidamente aos blogs, aqui ou noutro lugar.

Quanto ao resto, o mundo continua a girar e o Santana Lopes a dizer disparates.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:59 AM | Comentários (5)

PARA ACABAR DE VEZ COM A CRISE INTERNA (3)

Para dizer o que se impõe de uma forma sucinta:

1) Não retiramos uma vírgula ao que afirmámos aqui. O post de clarificação não pretendia atacar nem defender ninguém. Só sublinhar o óbvio: «nenhuma voz individual implica o alinhamento automático das restantes vozes». Os conflitos entre os elementos do blogue devem ser resolvidos pelas pessoas em causa, num clima de sinceridade e frontalidade (de preferência fora da blogosfera), nunca por decisões da «gerência». Se os conflitos forem insanáveis, cada um agirá segundo a sua consciência. É tão simples quanto isto.

2) Apesar de toda a turbulência e dos ânimos exaltados, esperávamos sinceramente que o Luis Rainha reconsiderasse a sua decisão de abandonar o blogue.

3) Como se pode ler aqui, o Luis Rainha não reconsiderou a sua decisão. É pena. Acreditamos que existiam outras formas de ultrapassar o impasse. O BdE não merecia perder, ainda por cima desta forma e por causa desta polémica, um dos seus principais colaboradores.

4) Não vamos discutir o teor da despedida nem o desnecessário tom de vitimização deste último post. O Luis está magoado e tem direito a demonstrar a sua mágoa. Tem direito até a ignorar o apoio incondicional que lhe demos. Há um momento, porém, em que comete uma flagrante injustiça. É quando escreve: «E como é que a gerência descreve o comportamento destes dois senhores? "O Francisco Frazão expressou o seu desconforto num comentário. O Filipe Moura demarcou-se num post que foi visto como um ataque pessoal." Ou seja, dão-lhes razão.» Como qualquer leitor poderá comprovar lendo o texto original, isto não é verdade. Nós não "demos razão" ao Francisco e ao Filipe. Se foi isto que o Luis entendeu, entendeu mal.

5) Assumir o papel que assumimos na sexta-feira (papel que voltamos a assumir agora) é tudo menos fácil. Acreditem que não era assim que desejávamos que as coisas terminassem.

6) Findo este episódio triste, a vida continua. O BdE continuará a ser o BdE. Inevitavelmente outro BdE, mas o mesmo BdE. Até já.

José Mário Silva e Manuel Deniz Silva

Publicado por José Mário Silva às 01:44 AM | Comentários (13)

janeiro 25, 2005

A "NATUREZA" QUE NOS PERSEGUE

É isto a esquerda. Um espelho da falência dos modelos de "auto-organização" aplicados aos humanos.
Um grupo de esquerdistas não são um grupo de esquerdistas, são um conjunto de tendências prestes a explodir à mais pequena centelha.
Hoje foi a "transfobia", amanhã seria outra coisa não é verdade?
Divergências na leitura d'O Capital, outra coisa qualquer. Inevitável.
No nosso caso sempre equacionei cenários de implosões por algum motivo político de fundo, nunca saídas assim por causa de uma coisa deste... "género".
Quanto ao caso concreto, chamem-me cobarde mas confesso que me agoniam chatices entre camaradas, são sempre, enfim, quase sempre, questões menores, é tudo sempre menor do que o que nos pode aproximar, e neste caso pareceu-me um assunto tão "marginal"... que todos os envolvidos, homenzinhos, com ideias definidas e que dispensam qualquer hipotética pretensão minha em “arbitrar” este tipo de questões, acabariam por entrar numa de bom senso e a questão se resolveria por si.
Enganei-me, esta é uma questão que tem sempre a ver com egos, merdas, razões, toda a gente tem sempre imensas razões, dignidades, susceptibilidades, enfim... confesso que nestes momentos me convenço que de facto a direita é capaz de ter alguma razão nas suas análises subjectivas da “natureza humana”... somos pura e simplesmente incapazes de sair disto.
Neste período, e parece que não fui o único a ter instintivamente esta reacção limitei-me a uns comentários esparsos para não atiçar fogueiras.
Agora tenho de dizê-lo.
Pareceu-me completamente despropositado o comentário do Francisco e bastante infeliz a intervenção do Filipe.
(Não ponho links, agoniam-me estes links agora, a discussão está até demasiado linkada por todo o lado)
Quanto à tentativa do ZéMário e do Manel teria passado bem sem expressar uma demarcação tão formal relativamente a um parágrafo ( de entre um conjunto de reflexões muito diverso e complexo onde não existem certezas absolutas e acerca do qual ninguém pode pretender ter a verdade ) do Luís que estava sob fogo cruzado de forma completamente injustificada, mas no essencial tentou o impossível para equilibrar o barco e subscrevo a opinião expressa pelo Jorge num comentário ao post do Luís abaixo e de que apenas discordo do toda a gente, leio e releio a puta da frase e de todo, sinceramente, poderá ser discutível mas não entendo como pode ter gerado toda esta situação.
Quanto ao Luís, acho apenas uma medida radical que me parece injustificada.
Digo isto não apenas por ter pena de que te vás embora.
Também pelo que tem sido a "vida" neste blog ao longo de muitos meses.
O post da crise, que é quanto a mim o que efectivamente te mói, deixou-te a porta aberta para optares como quiseres, mas que outra coisa poderia ser dita relativamente ao teu anúncio peremptório de saída?
Se qualquer um de nós quiser sair, o que se espera que faça o blog?
Se anunciaste a saída “a quente”, parece-me que te caberia apenas a ti arrefeceres o suficiente e passares à frente, tanto mais que percebeste que a maioria dos comentadores do blog está do teu lado nesta discussão.
O Filipe despistou-se, é razão para crucificá-lo?
Seguindo critérios idênticos, que consequências haveria de ter a recente bacorada do Louçã? O Bloco deveria crucificá-lo? Olha que jeito que dava a tanta gente.
Seguindo critérios idênticos, que blog ou estrutura colectiva pode algum dia durar mais do que uma semana? Já não digo de um governo é claro...
Seguindo critérios idênticos alguma vez se teria formado um sindicato, uma comissão de trabalhadores, que durasse mais do que um fósforo?
Claro que um blog é um blog, para dramatismos já basta.
Tenho imensa pena que deixes de escrever aqui, é supérfluo dizer que fazes imensa falta.
Espero que continuemos a ser amigos e que sentindo-te impossibilitado de repensar esta tua decisão te vejamos em breve noutro local da blogosfera.

Publicado por tchernignobyl às 08:50 PM | Comentários (56)

PARA ACABAR DE VEZ COM A CRISE INTERNA (2)

Esperei um bom bocado antes de escrever este post. Agora, que já "arrefeci" um pouco, posso explicar-vos a minha decisão, sem correrias nem melodramas escusados.
A gerência do BdE afixou um comunicado onde faz a história do triste episódio desencadeado por um texto meu. Começando por referir um "caso" anterior e seguindo para explicitar o óbvio: que uma afirmação de um dos colaboradores não compromete, de forma alguma, o blogue no seu todo. E eles, os fundadores, nunca poderiam concordar com um parágrafo que incluí no post da discórdia; aliás, como já não tinham concordado com um outro texto meu, há uns tempos. Tudo bem.
Deixem-me agora fazer um pequeno flashback para vos explicar a razão de ser do meu anúncio de abandono do BdE.
Primeiro, o Filipe Moura entendeu, acicatado por um terceiro, escrever um longo post onde relembrava o meu comportamento no passado, ao "dar-lhe uma mão" quando ele se esticou ao comprido. Depois, concluiu que o caso presente é bem pior, pois ele não lobrigava, em todo o texto, nada que se aproveitasse e que pudesse merecer a sua solidariedade. "Não encontro nada no mesmo texto que eu consiga defender." Tudo isto, note-se, sem apresentar um só argumento. Tudo isto enquanto declarava concordar com quem me chamava "homófobo" e decretava que eu sou inimigo da "felicidade/bem estar dos outros". Tudo isto a propósito, percebi depois, de uma pequena fracção do terrível texto em questão. Tudo isto rematado com um inacreditável convite à autocrítica em fino estilo maoísta: "se - sublinho o ‘se’ - achares que tens algo a acrescentar ou a esclarecer, não tens nada de te envergonhar."
Talvez muitos entre vós achem aceitável partilhar seja o que for com semelhante "colega"; eu não. Aqui, afirmei logo que suspendia a minha participação neste blogue.
Mas o pior ainda estava para vir. A páginas tantas, percebi onde jazia o telecomando que accionou a ira justiceira do Filipe. Ao comentar um post completamente alheio à polémica, o Francisco Frazão reparou que o "Luis", esse malandro, andava a "reincidir ali em baixo em afirmações homofóbicas". E que, imagine-se, "todos os outros colaboradores do blogue continuam alegremente como se nada fosse". Impunha-se um ultimato decisivo: "Não sei o que é que o meu nome está a fazer no cabeçalho" (aqui, tive de o tranquilizar: "sossega. Já podes ficar com o teu nome orgulhosamente alcandorado por tais elevadas paragens, longe do 'preconceito mais rasteiro': o meu é que vai sair de lá").
Passadas umas horas, lá estava o Filipe a prestar-se ao papel que nem o próprio Francisco achou por bem assumir.
E como é que a gerência descreve o comportamento destes dois senhores?
"O Francisco Frazão expressou o seu desconforto num comentário. O Filipe Moura demarcou-se num post que foi visto como um ataque pessoal."
Ou seja, dão-lhes razão. Eu escrevi coisas em que eles não se "revêem", coisas que impõem uma certeira declaração de princípios. O Filipe, coitado, foi por certo mal entendido outra vez. E o Francisco nada mais fez que exprimir o seu "desconforto".
De novo, tudo bem. O blogue é do Zé Mário e do Manuel, eles têm todo o direito de exarar as sentenças que tomam por justas. Quanto à pena a aplicar, essa fica por minha conta: vou sair, definitivamente, do BdE.
E olhem que não é por uma questão de orgulho. Trata-se apenas de uma grande, enorme, inultrapassável tristeza. Adeus.

Publicado por Luis Rainha às 05:45 PM | Comentários (50)

DEMOCRATAS-CRISTÃOS ANÓNIMOS

O Pedro Magalhães sugere que as sondagens tendem a ser desfavoráveis ao CDS-PP porque os seus eleitores têm vergonha de se assumir como tal.

É compreensível.

Publicado por Jorge Palinhos às 04:44 PM | Comentários (1)

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA (ATRASADA QUATRO DIAS)

No passado dia 21 de Janeiro, João Pedro George disse bem de um livro de autor português.

Publicado por Margarida Ferra às 04:31 PM | Comentários (3)

VERSOS QUE NOS SALVAM

De João Miguel Fernandes Jorge, este poema publicado na sua última recolha («Castelos I a XXXV», editora Averno):


CASTELO DA BAIXA-CHIADO

As escadas, no coração da terra,
à hora tardia de julho. Cantava, na galeria
deserta, um mundo a que nunca pertenci.

Cantava, cantava sempre. A ondulação do verso subia
das águas fundas do Tejo, desfazia num murmúrio
a mágoa da sua voz

lançava, não a parede
de um fado, mas o túmulo do destino: violência inerte e fértil
dissolvia no céu vazio do verão

nos azulejos em eco
viajava no pátio e nas veias da cidade
sem valor e sem préstimo a que possa recorrer, sem
vislumbre de qualquer esperança

era a toada mercadora dos vermes brancos do fado
«que queres ouvir e ver de tão perto?» (parecia perguntar-me) e
avançava na espessa noite da terra
deteve-se no meu caminho

junto às ribeiras do rio, perdia-se
resto de lívida luz. A voz já não cantava
medida da perdição
bem próximo da minha pele. Alguém,
apaixonado, compreenderia num olhar
o que não tinha nome em nenhuma outra língua

nem lugar em mais nenhuma outra pátria. A carruagem corria (taça de
metal branco) o timbre da sua voz
pela noite de Lisboa
sorte que está connosco
pronta a gerar plantas que envenenam a vida

num leito de folhas mortas.

[Sobre este livro escrevi mais detalhadamente, no dia 13 de Janeiro, aqui]

Publicado por José Mário Silva às 04:27 PM | Comentários (0)

OS GAJOS QUE FORAM NOMEADOS PARA NÃO SEI O QUÊ

http://www.oscar.com/nominees/nominees.html

Publicado por Jorge Palinhos às 04:24 PM | Comentários (1)

E NÓS TAMBÉM GERAMOS NEO-FASCISTAS?

Alguns acidentais parecem pensar que os humoristas não têm direito de assumir posições políticas (ouviram, ó Zé Diogo e Nuno Amaral?). Mas estou curioso de saber se esse princípio é universal.

Por exemplo, e se o humorista for dos Malucos do Riso?

Publicado por Jorge Palinhos às 04:21 PM | Comentários (2)

FORUM ECONÓMICO MUNDIAL (LÁ NA SUÍÇA)


Cartoon de Stephane Peray

Publicado por José Mário Silva às 11:28 AM | Comentários (5)

A IMPORTÂNCIA DE USAR PRESERVATIVO

Aparentemente, os neofascistas do catano do Barnabé andam a dar ouvidos ao Bagão e reproduzem-se que nem coelhinhos: que flagrante falta de coerência!

Só de uma assentada cresceram geometricamente e angariaram seis escrav... colaboradores. São eles: o Pedro Sales (que conheço de vista), o João MacDonald (que conheço de nome), o [Pedro] César de Carvalho (de quem conheço os parênteses rectos), o Luís Mah, o Nuno Sousa e o Olímpio Ferreira (que não conheço, mas tenho muito gosto).
Receio é que se as novas aquisições mantiverem o ritmo de produtividade das antigas o Barnabé passe a ter apenas um leitor fiel, de seu nome Marcelo Não Sei das Quantas.

Mas fiquei com inveja do ecofisiologista vegetal. Ó Zé Mário, não podemos também arranjar um destes? Ou pelo menos um técnico de zoorreprodução assistida, especializado em Meleagris gallopavo?

Publicado por Jorge Palinhos às 09:53 AM | Comentários (3)

O PÚBLICO ESTÁ COM FALTA DE ASSUNTO

Mas ao menos acerta naquilo em que toda a gente tem grandes certezas:

Lance Armstrong foi acusado de dopagem por uma ex-massagista. Concorda com a abertura de um inquérito preliminar pela justiça francesa?

Sim
Não


Total de votantes: 9

Este inquérito está publicado desde 24.01.2005 até 23.02.2005 nas áreas: Podium


Quem vai ganhar a SuperLiga de futebol?

1 - Benfica
2 - FC Porto
3 - Sporting
4 - Outro

Total de votantes: 12595

Este inquérito está publicado desde 19.01.2005 até 18.02.2005 nas áreas: Última Hora, Homepage Publico.pt


Publicado por Jorge Palinhos às 09:46 AM | Comentários (1)

A DEMOCRACIA ENQUANTO SISTEMA


O DIA 25 NO POSTO DE COMANDO

Todos os dias 25 de cada mês, a população escolar do concelho de Odivelas tem encontro marcado com personalidades que tiveram um papel fundamental no processo de democratização de Portugal. O convidado de Janeiro é o Sr. Dr. António Dias da Cunha.
Local: Posto de Comando do MF, no Regimento de Engenharia 1 da Pontinha. Hoje às 15:00.

(Repito o que já aqui disse: por muito que os adeptos dos outros clubes gozem, tenho o maior orgulho em que este homem seja o presidente do meu clube - compare-se com os presidentes dos principais rivais. E não me importaria de vê-lo noutros cargos.)

Publicado por Filipe Moura às 09:00 AM | Comentários (5)

janeiro 24, 2005

SINTOMÁTICO

O único partido político que nos enviou um e-mail, durante esta pré-campanha eleitoral, foi o PCTP-MRPP.

Publicado por José Mário Silva às 11:56 PM | Comentários (0)

JUSTIÇA POÉTICA

Ontem, na Liga italiana de futebol, aconteceu uma daquelas coisas que nos enchem o coração de alegria. O Livorno, pequena equipa do meio da tabela, ganhou por 1-0 ao poderoso A.C. Milan. Até aqui nada de especial. Surpresas destas acontecem todos os fins-de-semana (e agora também em Portugal). Na verdade, a beleza deste triunfo do mais fraco está toda fora de campo: é que o Livorno é conhecido por ser o único clube que tem claques esquerdistas (em vez de neo-nazis), enquanto o A.C. Milan é propriedade do escroque que tem liderado a Itália nos últimos anos.

Publicado por José Mário Silva às 11:43 PM | Comentários (1)

O SER, O TER, O FAZER E O PARECER

Com pena, não vi o celebérrimo debate Portas/Louçã, mas vou acompanhando com grande interesse a balbúrdia desencadeada pelo comentário do Francisco Louçã.

Não podendo dizer que concordo minimamente com o comentário, também não me surpreende particularmente - alguém tem estado atento aos cartazes recentes do BE?

Tenho é alguma pena que o caso sirva apenas de arma de arremesso político e não de reflexão sobre a dicotomia privado e o público na política.

Por exemplo, porque é que ninguém mencionou as atitudes dos americanos em relação aos charutos de Clinton, aos atracanços do Arnold ou à homossexualidade de James MacGreevey e as comparou, por exemplo, com a atitude europeia para com a filha ilegítima de Mitterrand?

A mim parece-me uma diferença de mentalidades muito interessante: digamos que é a diferença entre ter cortinas e não ter cortinas. Aos políticos americanos, numa atitude puritana, é-lhes exigido que não tenham cortinas e que o seu espaço privado seja a reprodução do espaço público - por outras palavras, os eleitores têm o direito de saber o uso que os eleitos fazem dos respectivos genitais.
Aos europeus são-lhes permitidas cortinas - desde que sejam espessas, imaculadas e de bom gosto.

Pessoalmente, por uma questão de formação, tendo para a atitude europeia, mas não vejo em que é que a posição americana seja assim tão absurda.

É assim que entendo a posição do BE, partido que, em termos latos, apresenta uma ética bastante puritana, mas ao contrário. Isto é, enquanto os puritanos exigem que o comportamento público se prolongue para além do átrio da casa, o Bloco defende que o comportamento privado se possa prolongar para a rua.
A direcção é inversa, mas no fundo o princípio é o mesmo.

(Além de que a declaração de Louçã é perfeitamente coerente com a posição do Bloco em relação ao aborto: se o aborto é uma questão estritamente do foro dos direitos das mulheres, que direito tem Paulo Portas de meter o bedelho?)

No entanto, também me lembro de um político português que apareceu diante das câmaras a rezar, que num dia de eleições declarou que depois de votar ia à missa e a seguir ia almoçar com a família, que exaltou a competência de uma secretária de estado por ser filha de almirantes, cujo partido fez uma conferência de imprensa para se queixar de um grafitti e que fez campanha contra o aborto exibindo filmes dos mesmos.

De facto, não me lembro de muita gente que merecesse mais este tipo de tirada que o Paulo Portas.

Publicado por Jorge Palinhos às 07:52 PM | Comentários (18)

O BLOGUE GALÁCTICO

Depois do sharquinho, o João Pedro da Costa. É impressão minha ou o Afixe está a transformar-se, a pouco e pouco, no Real Madrid da lusoblogosfera?

Publicado por José Mário Silva às 06:57 PM | Comentários (7)

O VOTO ÚTIL, O VOTO FÚTIL E O VOTO SÚTIL*

Acordo (maneira de dizer) eu de manhã e deparam os meus canais auditivos com uma crónica de Carlos Magno sobre... o voto útil e o voto fútil.
Garanto. Apesar de àquela hora do dia os meus olhos serem mais ramela que íris, os ouvidos mais cera que nervos, era sobre isto mesmo que versava o comentador

Isto causa-me um problema. Pela ordem cronológica, o Carlos Magno deve ter plagiado o Jacinto Lucas Pires, que por sua vez terá plagiado o Zé Mário.

Mas também é possível que tanto o Carlos Magno como o Jacinto Lucas Pires tenham plagiado o Zé Mário.

Só que - e vais-me desculpar Zé Mário, mas é a verdade - o Carlos Magno é o rei indisputado em Portugal do trocadilho como comentário político e o "voto útil, voto fútil" assenta-lhe como uma luva.

Então, o mais verosímil seria que o Zé Mário tivesse plagiado o Carlos Magno. Mas como é que conseguiria fazer plágio por antecipação?
A hipótese é que o Zé Mário tenha acesso a uma máquina do tempo que lhe permitiu ouvir a crónica do comentador Carlos Magno no dia 24 de Janeiro e depois regressar ao dia 17 de Janeiro para escrever o post.

E onde é que entrará o Jacinto Lucas Pires nesta equação? Não é impossível que o Jacinto Lucas Pires tenha plagiado o Carlos Magno e o Zé Mário plagiado o Jacinto Lucas Pires, mas, devido a um fenómeno de inversão de rotação terrestre, os plágios sucederam-se pela ordem cronológica contrária.

Ocorreu-me também a suspeita que o que na verdade se passou foi o Jacinto Lucas Pires ter descoberto um portal para a cabeça do Carlos Magno, descobrindo assim o embrião da ideia do "voto útil, voto fútil". Só que, nesse preciso momento, o Zé Mário estava dentro da cabeça do Jacinto Lucas Pires (depois de ter descoberto o respectivo portal de acesso) e apoderou-se da ideia.

Só que esta teoria pressupõe que o cérebro do Carlos Magno é uma espécie de matrioshka - o que me parece uma estrutura mental demasiado complexa para quem um dia disse: "Vivemos na Idade Média porque vivemos na Idade dos Media."

Humm, ainda tenho de pensar melhor nisto, mas bolas!, como diz a grande escritora: não há coincidências!


* Não, não me enganei. Vão ao dicionário.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:58 PM | Comentários (6)

LÍNGUA DE PALMO

Estive agora a ouvir uns excertos de uns discursos do Santana Lopes na rádio e continuo sem perceber:
Como é possível?
Shock and awe...
O nível das parábolas que o sujeito conta em tom de adolescente rabujento e lamentoso onde nunca falta "facada", "um bébé", ou "um menino", temas bem ajustados ao seu horizonte intelectual e ao tipo de assuntos que o preocupam a ele e ao eleitorado que procura, o tom rasca que imprime ao que julga serem palavras de ordem, o crescendo final dos discursos ultrapassando em previsibilidade kitsch os mais hilariantes vendedores de pomadas milagrosas das feiras... (“quatro braços, quatro pernas,... e duas cabeças”) é isto um animal político? Sê-lo-á, numa selva suficientemente remota.
Ou é este o protótipo do governante destinado a conduzir orgulhosamente ao abismo uma hipotética "geração rasca"?
Nesta selva será talvez insuperável numa zaragata de rua, mas onde pára a retórica dos "interesses do país" devidamente empacotados em "atitude de estado", com que a direita nos costuma zurrar aos ouvidos?
É claro que mesmo na selva teremos sempre uma Helena Matos ou uma Zita Seabra à mão para nos recordarem que o Idi Amin e o Bokassa falavam pior e até tinham carne humana no congelador, mas essa constatação serve de consolação a quem?

Publicado por tchernignobyl às 11:20 AM | Comentários (3)

NOVES FORA...

A revista Nada é uma publicação quadrimensal muito interessante. Em cada um dos seus três numeros já publicados (tenho-a encontrado à venda nas publicações Tema nos Restauradores, mesmo junto ao elevador da Glória) apresenta diversos artigos e entrevistas de autores importantes, com preocupações em áreas afins das normalmente tratadas pelo Vitorino Ramos (ex-Formiga de Langton), na confluência da arte de vanguarda e da tecnologia.
O que destoa um bocado são os textos crípticos de João Urbano, o Director da Revista, de que apresento um pequeno exemplo:
«Esta publicação quadrimestral ensaia um jogo subtil das ligações entre arte e ciência tendo a atravessá-las a tecnologia e, como envolvente atmosférica, a sociedade info-capitalista exponencial nos nódulos urbanos ultraconcentrados que se espelham na nossa indiferença digital e asseptímia. Como se tentássemos por outras vias, deveras outras, chegar a uma poética ou melhor a uma porética (Silva Carvalho), para lá de toda a rasura e da retirada do ser, o que implica uma inteligibilidade outra do que se intersecta na paisagem connosco lá dentro.» Como disse?

Publicado por tchernignobyl às 02:51 AM | Comentários (10)

MASOQUISMO OU EXCESSO DE COERÊNCIA?

O popular professor Marcelo foi ainda há poucos meses a bandeira de uma campanha contra a instrumentalização da informação, um fenómeno recente e inédito de que ele terá sido uma das primeiras vítimas a nível mundial e que causou sururu por esse país e pela europa fora.
Agradecendo o espírito da preocupação então manifestada pela sua liberdade de expressão por parte dos diversos partidos de esquerda, o professor não se tem coibido de intervir forte e feito nas diversas campanhas eleitorais que desde então têm tido lugar em Portugal.
Nas eleições regionais dos Açores caracterizou a situação pré-eleitoral no arquipélago com a habitual sagacidade: o governo regional do PS - afirmou lapidar, com aquele ar de quem está preocupadíssimo com o adversário - estava "desesperado".
Não sei da nota que a sua douta auto-avaliação lhe atribuiu por apreciação tão premonitória do estado do partido de carlos césar e dos reflexos do tal "desespero" nos resultados eleitorais.
Também para as eleições actuais, Marcelo tem já um favorito no seu coração: surprise, surprise, o PSD, por quem até já anda em campanha. Até aqui tudo bem, Marcelo é um homem do PSD. O que parece estranho e faz pensar, é que, nestas eleições, o homem que em caso de vitória do PSD será inevitavelmente o primeiro-ministro é nem mais nem menos do que o amigo lopes que alegadamente o teria mandado censurar. É vontade de sofrer, caramba.

Publicado por tchernignobyl às 01:55 AM | Comentários (3)

JÁ VEM DE LONGE

A fixação excessiva na figura de Santana Lopes, que reune num pleno pantanoso (porque por vezes equivocamente “unanimista” para utilizar uma expressão consagrada pelo pacheco pereira) a esquerda e parte significativa da mixórdia que anima o agitado caldeirão que é o psd, incluindo carapaus, sardinhas, camarões, pachecos, marcelos e cavacos, tem iludido o que é mais preocupante:
Qual é a especificidade do lopes nesta salada?
Como foi possível a esta pessoa chegar a primeiro-ministro?
Parte da resposta residirá na constatação do caminho que foi possível ter-se percorrido em Portugal até ser concebível que um personagem como o ministro sarmento possa afirmar, fora do “Inimigo Publico”, que “não está interessado no lugar de primeiro-ministro”.
A ler também, a este respeito, a crónica de Pulido Valente do passado Sábado.

Publicado por tchernignobyl às 01:32 AM | Comentários (14)

janeiro 23, 2005

OLHO-DE-BOI

De repente, aquilo começou a pingar. O olho-de-boi. Água pelas escadas abaixo, queixas dos vizinhos, toalhas turcas nos degraus tentando conter a desgraça, esfregona nas mãos, balde de plástico quase cheio. O problema há-de ficar resolvido ainda esta semana, espero eu, com o recurso a um canalizador ou ao piquete da EPAL. Só que entretanto, de cada vez que saio à rua, ao passar por aquele Niagara de trazer por casa, fico a cismar no nome esquisito: olho-de-boi. Já tinha ouvido falar de bovinos que se passeiam pelos telhados. Mas numa parede? O que raio está a fazer um boi na parede do meu prédio? E como se não bastasse o absurdo, ainda tinha de se pôr para ali a chorar?

Publicado por José Mário Silva às 07:51 PM | Comentários (2)

A ACADEMIA DO INCRÍVEL

Quem conheça minimamente Almada, na margem sul do Tejo, sabe quase de certeza que as duas principais sociedades recreativas da cidade se encontram em pontas opostas da mesma artéria (a Rua Capitão Leitão). Numa das pontas, mesmo ao lado dos Paços do Concelho, temos a Incrível Almadense — a mais antiga, mais pequena e mais decadente das duas associações. No outro extremo da rua, perto do Teatro Municipal antigo, fica a Academia Almadense, com o seu cinema de 800 lugares e instalações com uma certa imponência.
Como já terão adivinhado, vem tudo isto a propósito do comício de pré-campanha de Santana Lopes no município que tem sido dirigido por Maria Emília de Sousa, uma autarca da CDU. Ao ter de escolher entre Academia e Incrível, o ainda primeiro-ministro foi igual a si próprio. Ou seja, virou costas à Academia e abraçou a Incrível, num gesto que deve ser visto como um exemplo comovente de coerência política.

Publicado por José Mário Silva às 07:30 PM | Comentários (0)

janeiro 22, 2005

O MEDO DE EXISTIR

É tão certeiro que quase me dá vontade de citar todo o capítulo Queixume, Ressentimento, Invejas do último livro de José Gil: Portugal, Hoje: O Medo de Existir.
Nunca por medo de existir, mas porque estou cheio de trabalho neste momento, cito apenas um parágrafo. Acredito que é suficiente.

«Que força ética resta àqueles que não param de se queixar, achando-se vítimas da sociedade e dos outros, da infância e da má sorte, e fazem disso o sentido das suas vidas? Habituados pelo ressentimento, permanentemente ressabiados, vivem efectivamente no ciclo mortífero do ressentimento -> inveja -> vingança indirecta. Quer dizer, julgando lutar para reconquistar o pequeníssimo e ridículo poder a quem julgam que o roubou, são apanhados por um movimento obsessivo que os torna efectivamente impotentes.»

Publicado por José Luís Peixoto às 10:37 PM | Comentários (14)

NÃO TE ESQUEÇAS DO MELHOR

«Uma pessoa que conheço viveu o período mais ordenado da sua vida quando era mais infeliz. Não se esquecia de nada. Anotava até ao mínimo pormenor tudo o que tinha para resolver, e quando se tratava de um encontro - que nunca esquecia -, era a pontualidade em pessoa. O caminho da sua vida parecia que estava pavimentado, sem a menor fresta onde o tempo tivesse oportunidade de proliferar. E assim viveu durante muito tempo. Até que circunstâncias várias provocaram uma mudança na existência da dita pessoa. Começou por pôr de lado o relógio. Treinava-se para chegar tarde, e quando o outro já se tinha ido embora ele sentava-se e ficava à espera. Se precisava de alguma coisa, raramente a encontrava, e se tinha de arrumar algum lugar, a desordem crescia ainda mais noutro. Quando se sentava à secretária, era como se alguém se tivesse instalado para aí viver. Mas era ele próprio que vivia assim no meio de escombros, e tudo aquilo que trazia era logo integrado nessa construção, como fazem as crianças. E ainda como as crianças, que encontram por toda a parte, nos bolsos, na areia, na gaveta, coisas esquecidas que esconderam aí, assim também as coisas se passavam com ele, não só nas ideias, mas também na vida. Os amigos visitavam-no quando ele menos pensava neles e mais deles precisava, e os presentes que traziam, que não eram valiosos, vinham na hora certa, como se ele tivesse os caminhos do céu na palma da mão. Nessa altura ele gostava de recordar a lenda do rapazinho pastor a quem um dia é permitido entrar na montanha com os seus tesouros, mas que ao mesmo tempo recebe o enigmático aviso: "Não esqueças o melhor." Por essa altura, ele estava razoavelmente bem. Concluía poucas coisas começadas, e não dava nada por concluído.»

Walter Benjamin (in «Imagens de Pensamento», tradução de João Barrento, Assírio & Alvim)

Publicado por José Mário Silva às 01:55 PM | Comentários (7)

janeiro 21, 2005

PARA ACABAR DE VEZ COM A CRISE INTERNA

[Ponto prévio: uma vez que não nos foi possível agir de imediato (isto é, quando a controvérsia estalou), tentámos aproveitar o "atraso" na tomada de posição dos fundadores, há muito exigida por quem nos visita, para trocar impressões com os vários intervenientes neste psicodrama interno do BdE. Infelizmente, o processo de consulta das bases (digamos assim) não pôde ser concluído em tempo útil, sendo que o tempo útil era o final desta sexta-feira. Tendo em conta a gravidade da crise, e a promessa que fiz ontem de uma "clarificação" rápida, qualquer novo adiamento seria pouco menos do que ridículo. Avançamos por isso agora com o nosso ponto de vista, até porque a vida do blogue já esteve tempo demais em suspenso]

1. No dia 23 de Março de 2004, um post do Filipe Moura desencadeou uma polémica violentíssima, durante a qual se fizeram graves acusações ao FM, mas também ao BdE no seu todo, nomeadamente a de que este blogue acolhia posições anti-semitas. Independentemente da solidariedade que o Filipe merecia, pelos ataques à sua pessoa e ao seu bom nome (quase todos injustos ou exagerados), quisemos esclarecer a posição oficial deste blogue. Ou seja, sublinhámos uma evidência: «Independentemente das justificações e respostas que o Filipe venha a escrever, no seguimento desta polémica, queremos deixar bem claro que o Blogue de Esquerda, enquanto colectivo, não se revê nas posições por ele defendidas sobre esta matéria. O BdE não acredita em teorias da conspiração nem em cabalas judaicas para dominar o mundo, os media ou o que for. Se o Filipe lhes dá crédito, explicará o como e o porquê, quando quiser. A sua posição, porém, não vincula os restantes membros do blogue.» Mais tarde, o Filipe viria a explicar melhor as suas ideias e a rectificar a posição defendida naquele post profundamente infeliz. Não duvidamos que os efeitos deste episódio foram bastante nefastos e que muitas pessoas ficaram com uma imagem negativa do BdE (sobretudo as que acompanharam a polémica de forma superficial, sem esperar pelo seu desenlace e sem fazer as necessárias distinções entre as opiniões pessoais de cada um e a posição colectiva do blogue). Quem continuou a acompanhar o que aqui se escreve, terá compreendido que o BdE é formado por várias cabeças, sendo que umas não têm que responder pelo que as outras pensam e, mais importante ainda, nenhuma voz individual implica o alinhamento automático das restantes vozes.

2. O principal corolário do que acabamos de dizer é que qualquer post menos consensual é passível de crítica interna e até, quando se justifique, dissensão interna. Como é óbvio, nenhum dos membros do blogue concorda a 100% com o que os outros escrevem. Nós não concordámos com o post do Luis Rainha sobre Deus (a propósito do tsunami asiático), como ele não concorda certamente com algumas das opiniões que aqui temos defendido. Há, no entanto, textos que exigem, pelo teor das críticas que levantam, uma tomada de posição dos outros elementos do blogue, sob pena de uma ideia pessoal ser confundida com uma posição do BdE. E é aqui que está o cerne da crise actual. Mal ou bem, alguns comentadores consideraram que um post do Luis Rainha podia ser interpretado como «homofóbico». O Francisco Frazão expressou o seu desconforto num comentário. O Filipe Moura demarcou-se num post que foi visto como um ataque pessoal. Estavam reunidas as condições para o que se passou depois: caos, desembainhar de espadas, ameaças de abandono, suspensões intempestivas, muito som e muita fúria. Urge, por isso, e talvez já tarde demais, clarificar a situação.

3. A primeira questão que importa esclarecer prende-se com o post que incendiou os ânimos. Para que não subsistam dúvidas, é preciso dizer que nenhum dos fundadores deste blogue se revê num parágrafo como este: «A comunidade transgender tem crescido e prosperado muito graças aos bons ofícios da Net. O Distúrbio da Identidade de Género, ainda considerado doença pelo DSM – aliás, como o travestismo –, é apresentado, em sites como este ou em infindos quiosques de pornografia, como algo de perfeitamente "normal" e "saudável". Assim, indivíduos com as mesmas patologias podem agrupar-se e reforçar mutuamente as suas inclinações, que de outra forma talvez nunca assumissem grande importância.» A questão não está no que o Luis quis dizer com isto, a questão está no que a esmagadora maioria dos leitores (e não apenas os apressados) leram. E o que eles leram foi uma declaração confusa que mete no mesmo saco coisas muito diferentes e que deixa transparecer um preconceito homofóbico. Mesmo sabendo que o Luis não é homofóbico (tal como sabíamos que o Filipe não é anti-semita), cabe-nos sublinhar que essa associação à homofobia, por muito estapafúrdia que seja, não pode vincular os restantes elementos do blogue e o BdE como um todo. Que isto fique bem claro. As frases assinadas pelo Luis são do Luis e é ele que responde por elas, como aliás já fez repetidamente. Fazer da «homofobia» do Luis (seja ela verdadeira, falsa ou empolada) a «homofobia» do BdE é um disparate, um abuso e uma injustiça.

4. Feito o esclarecimento, é preciso dizer que as reacções ao texto do Luis foram de um exagero atroz e por vezes cruel. Mesmo admitindo que a forma como o referido post está escrito pode dar azo a todo o tipo de indignações (umas mais legítimas do que outras), nada justifica a violência com que o Luis foi atacado. Quem lesse alguns dos comentários poderia pensar que albergamos entre nós um reaccionário ultra-montano saído do lado mais negro da Idade Média. Todos os visitantes regulares deste blogue sabem que assim não é, muito pelo contrário. O Luis, além de ser um dos mais brilhantes bloggers da blogosfera portuguesa, é um corajoso explorador de temas obscuros e incómodos. Que o queiram destruir só porque pisa territórios complexos, condenando-o antes mesmo de lhe permitir uma defesa articulada dos seus pontos de vista, diz muito sobre o fundamentalismo politicamente correcto que se esconde atrás de alguns apressados autos-de-fé.

5. Ainda a quente, no meio das disputas verbais que encheram os últimos dias, o Luis Rainha decidiu suspender a sua participação neste blogue. Compreendemos as suas razões, mas não concordamos com elas. Era isso que lhe queríamos dizer por telefone. Uma vez ultrapassada a polémica (e provavelmente daqui a uma semana tudo isto parecerá excessivo e distante), achamos que o Luis devia continuar a escrever neste blogue, com o ritmo e a qualidade a que nos habituou. Contudo, se preferir abandonar o projecto, também entenderemos a sua decisão. Eis um ponto que fica em aberto.

6. Quanto ao Francisco Frazão, que sugeriu igualmente o abandono, esperamos que reconsidere. Também ele foi maltratado por alguns comentadores, a quem aproveitamos para esclarecer o seguinte: o Francisco foi e é um dos elementos mais válidos deste blogue. O facto de ter escrito pouco nos últimos meses terá a ver exclusivamente com a sua gestão do tempo, ou com outras razões que não nos dizem respeito. Isso não lhe retira, contudo, o direito a intervir na vida do blogue, como e quando lhe apeteça. Basta recordar que um dos fundadores do BdE também tem escrito pouquíssimo, por motivos profissionais, o que não lhe impede um acompanhamento directo de tudo o que se passa no blogue. Além do mais, qualquer pessoa minimamente atenta à vida cultural do nosso país dispensaria perguntas maldosas como: «quem é o Francisco Frazão»? Entre muitas outras coisas, o Francisco Frazão é um membro de pleno direito deste blogue. E continuará a ser enquanto ele quiser, por muito que isso incomode certas almas sensíveis.

7. Uma última palavra de apreço para o Jorge Palinhos. Nestes dias conturbados, ele teve o sangue-frio e a gentileza de fazer a única coisa sensata: continuar a escrever no BdE, no seu estilo inconfundível, como se nada estivesse a acontecer. Fez muitíssimo bem. Porque estes momentos de crise passam; o blogue fica.

8. Agora, arrumemos a questão. Quem quiser falar, fale. Quem tiver decisões a tomar, que as tome. E depois voltemos à normalidade. Já vai sendo tempo.

José Mário Silva e Manuel Deniz Silva

Publicado por José Mário Silva às 11:40 PM | Comentários (47)

A PÁFOBIA

Um fantasma de intolerância começa a atravessar as elites portuguesas e esse fantasma é o da páfobia.
Intolerância essa que se manifesta, por exemplo, na entrevista que José Gil deu à Pública:

O português não é um adulto autónomo por si. Uma comunidade de crianças não é o mesmo que uma comunidade de adultos. Nós ainda não chegámos à comunidade de adultos. Há pormenores... o tratamento por "pá", por exemplo...

Esta intolerância, aqui manifesta, mas mais frequente entre os reaccionários, como é normal com todas as intolerâncias, é no entanto totalmente descabida, muitíssimo injusta e deve ser intensamente combatida.

O "pá" (interjeição abreviada de "rapaz", usada independentemente do sexo, diz-nos o dicionário) é o que a língua portuguesa tem de mais belo.

É totalmente assexuada, podendo ser usada para qualquer um dos sexos (e legitimável etimologicamente como provindo de "rapaz" ou de "rapariga"), e por isso obedece aos trâmites da igualdade sexual.

É rápida, prática e económica, podendo ser usada em qualquer situação como muleta de qualquer discurso e criadora de todas as cumplicidades. Prefeririam que nos tratássemos por "excelências", "altezas", "soutôres" e outros resquícios bolorentos da velha senhora?

Transmite informalidade, característica das culturas mais desenvolvidas como a anglo-saxónica e a espanhola, justamente aquelas que mais queremos emular, e aumenta a irmandande entre os seres humanos.

Por fim, numa língua cada vez mais fechada como o Português, a força do "p" e a claridade do "a" aberto são uma verdadeira nesga de sol por entre esta língua cada vez mais cinzenta e triste.

Por isso, se acreditam no "pá", se o querem defender e ver florir em todas as frases, assinem aqui em baixo na caixa de comentários, pás!

MDUP,P! (Movimento de Defesa do Uso do Pá, Pás!)

Publicado por Jorge Palinhos às 05:19 PM | Comentários (28)

A CURVA PERFEITA DO TEU VENTRE

Não sei que nome dar à linha que vai crescendo dia a dia, como um horizonte convexo, sobre a tua pele. É uma curva perfeita. Só sei isso. Uma curva perfeita. Abóbada celeste vista de fora.

Publicado por José Mário Silva às 03:23 PM | Comentários (1)

ON HOLD

Enquanto continuamos todos em suspenso, à espera que os telefonemas (difíceis, difíceis, difíceis) vençam o silêncio instalado, sugiro que imaginem uma música de fundo para o BdE on hold. Tudo menos versões delicodoces do «Barco Negro» ou do Vivaldi.
Algumas sugestões:

- «Duo seraphim», das «Vespro della Beata Vergine», de Claudio Monteverdi
- Adagio ma non troppo, do Quinteto K. 516, de W. A. Mozart
- «Der Wegweiser», do ciclo de canções «Winterreise», de Franz Schubert

Isto tudo em loop. E se o Rainha continuar incontactável, muda-se a playlist, para não cansar os "clientes" em espera.

Publicado por José Mário Silva às 03:04 PM | Comentários (11)

REAÇAS CONTRA O QUEIJO

Os apoiantes de Bush estão preocupados que este desenho animado esteja a promover os valores homossexuais entre as crianças:


À primeira vista julgava que estava a promover os valores da Lacticoop...

Publicado por Jorge Palinhos às 02:13 PM | Comentários (6)

ORA, 15 MILHÕES A DIVIDIR POR TRINTA DIAS, DÁ...

O Ministro da Segurança Social, da Família e da Criança, Fernando Negrão, afirmou esta sexta-feira, em declarações à TSF, que tem disponível uma verba de 15 milhões de euros para combater a exclusão social.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:11 PM | Comentários (1)

CLARIFICAÇÃO ADIADA

A quem esperou pelo post «clarificador» ontem à noite, as minhas desculpas. Nem sempre as coisas se resolvem com a presteza desejável. E nada posso dizer ou escrever, como compreenderão, sem primeiro contactar de viva voz os implicados.
Para resumir tudo numa frase: Luis, atende-me lá esse diabólico telemóvel (ou então liga para o meu modesto Nokia). Não vês que as pessoas estão aqui à espera?

Publicado por José Mário Silva às 01:53 PM | Comentários (0)

DESCONCERTO DO MUNDO

Estarei enganado ou o presidente americano prometeu a revolução mundial no seu discurso?

O conservadorismo já não é o que era...

Publicado por Jorge Palinhos às 12:32 PM | Comentários (0)

ELOGIO DA PORRADA

Agora que as coisas estão a acalmar, acho que se pode dizer que o BdE é, com o Blasfémias, o blog com mais discussões internas aqui da terreola, embora o pessoal dextro-liberal discuta sobre Deus e nós discutamos sobre sexo - assunto que me parece bastante mais concreto, excitante e fecundo.
Os posts do Luis Rainha, no geral, tiveram muito interesse e engrenaram-me uma série de reflexões que hei-de partilhar um dia. Até lá, espero que não haja auto-limpezas de cabeçalho que empobreçam este blogue. Afinal, para haver lume tem de haver dois objectos diferentes - um fósforo e uma superfície áspera - a chocar um com o outro. Mas depois de haver chama nem o fósforo nem a superfície ficam iguais.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:00 PM | Comentários (7)

janeiro 20, 2005

A CLARIFICAÇÃO QUE SE IMPÕE

Caríssimos leitores do BdE:

Uma gripe (primeiro) e um conjunto de trabalhos inadiáveis (depois) impediram-me de gerir convenientemente a crise que se vem instalando no BdE, desde que o Luis Rainha publicou uma série de posts polémicos sobre «as doenças que se podem apanhar na internet». Mais do que o esclarecimento da minha opinião sobre a controvérsia, impunha-se que tivesse travado a tempo a cascata de ofensas e impropérios que já provocaram estragos — espero que não irreversíveis. No calor da disputa, o Francisco Frazão "ameaçou" abandonar o cabeçalho deste blogue, o Filipe tentou pôr água na fervura (atitude louvável mas infelizmente mal compreendida) e o Luis formalizou a sua demissão. Nada disto é bom, nada disto é desejável. Tudo isto me deixa profundamente triste e com um nó na garganta. Mas não me quero precipitar. Acabadinho de cair no centro do furacão, vou tentar perceber o que se passa e minimizar as perdas.
Hoje ainda, lá mais para a noite, espero oferecer-vos um post que clarifique o que tem que ser clarificado.

Publicado por José Mário Silva às 07:32 PM | Comentários (24)

O PRESIDENTE TEM O PRAZER DE O CONVIDAR, PELA MÓDICA QUANTIA DE 150 DÓLARES

TUESDAY, JANUARY 18, 2005 VENUE EVENT DURATION
SALUTING THOSE WHO SERVE The MCI Center 2:00 - 4:00 p.m.
CHAIRMAN’S RECEPTION Mellon Auditorium 5:00 - 6:00 p.m.
AMERICA'S FUTURE ROCKS TODAY The Armory 5:00 - 7:00 p.m.

WEDNESDAY, JANUARY 19, 2005
CHAIRMAN’S BRUNCH Mellon Auditorium 10:30 a.m. - 12:00 p.m.
A CELEBRATION OF FREEDOM The Ellipse 4:00 - 6:00 p.m.
CANDLELIGHT DINNER #1 Union Station 7:00 - 10:00 p.m.
CANDLELIGHT DINNER #2 The Washington Hilton 7:00 - 10:00 p.m.
CANDLELIGHT DINNER #3 National Building Museum 7:00 - 10:00 p.m.

THURSDAY, JANUARY 20, 2005
ST. JOHN’S CHURCH SERVICE St. John’s Church 9:00 - 10:00 a.m.
OATH OF OFFICE CEREMONY US Capitol 12:00 p.m.
INAUGURAL PARADE Pennsylvania Ave. 2:00 - 4:30 p.m.
CONSTITUTION BALL Washington Hilton 7:00 p.m. - 1:00 a.m.
FREEDOM BALL Union Station 7:00 p.m. - 1:00 a.m.
INDEPENDENCE BALL Convention Center (A) 7:00 p.m. - 1:00 a.m.
TEXAS WYOMING BALL Convention Center (B) 7:00 p.m. - 1:00 a.m.
LIBERTY BALL Convention Center (C) 7:00 p.m. - 1:00 a.m.
DEMOCRACY BALL Convention Center (D) 7:00 p.m. - 1:00 a.m.
PATRIOT BALL Convention Center (E) 7:00 p.m. - 1:00 a.m.
STARS AND STRIPES BALL Convention Center Ballroom 7:00 p.m. - 1:00 a.m.
COMMANDER-IN-CHIEF BALL National Building Museum 7:00 p.m. - 1:00 a.m.

FRIDAY, JANUARY 21, 2005
NATIONAL PRAYER SERVICE National Cathedral 10:00 - 11:00 a.m.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:16 AM | Comentários (7)

A MALTA NÃO ESTÁ AQUI PARA COLONIZAR NINGUÉM

O governo israelita começou a confiscar as propriedades de milhares de palestinianos em Jerusalém oriental(...). A referida lei, criada em 1950, destina-se a confiscar as propriedades, actualmente pertencentes a Israel, dos palestinianos que se viram forçados a deixar as suas casas antes da guerra israelo-palestiniana de 1948

Publicado por Jorge Palinhos às 11:12 AM | Comentários (2)

A CABALA: PARTE 33,5

Nuno Cardoso manifesta estranheza com a coincidência de ser ouvido numa altura em que «todas as sondagens me dão como o melhor candidato a derrotar Rui Rio nas eleições autárquicas».

Publicado por Jorge Palinhos às 11:07 AM | Comentários (1)

ENTÃO DOS VALORES CATÓLICOS DA ALEMANHA NEM SE FALA

A cabeça-de-lista do PSD por Coimbra, Zita Seabra, revelou ontem ter "um grande respeito pelo papel desempenhado em Portugal pela Igreja Católica" e considerou que, "ao não reconhecer essa tradição, alguns países da Europa - como a França, a Alemanha e a Espanha - correm um risco sério de perda de identidade". "Temos de viver com os nossos valores, que são os valores católicos!", afirmou, comentando o facto de numa das primeiras acções de pré-campanha se ter encontrado com o Bispo de Coimbra.

Apesar da visita a D. Albino Cleto ter sido divulgada pelo PSD para os órgãos de comunicação social, Zita Seabra reagiu à presença de jornalistas no local dizendo-se surpresa. "Esta é uma visita privada" disse.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:02 AM | Comentários (4)

O TEXTO QUE TEM DADO QUE FALAR

Este é seguramente um dos textos mais delicados que eu já aqui escrevi (ou em qualquer outro lugar). Desde que entrei para este blogue, aconteceu por algumas vezes (acreditem: sempre involuntariamente) meter-me em enrascadas. Uma delas (a famosa dos "judeus que controlam os media") poderá eventualmente a certa altura ter dado mau nome ao blogue. Não sendo eu um fundador do blogue e escrevendo aqui somente graças à enorme (provavelmente maior do que a de qualquer outra pessoa que eu tenha conhecido) generosidade do Zé Mário, podem imaginar que o tal episódio não me fez sentir nada bem.
Acresce que, na mais famosa dessas trapalhadas (a "judaica"), foste tu, Luís, a pessoa que mais me defendeu. Não creio que tenha sido por mera "lealdade orgânica", como diz o outro; também, como tu próprio afirmaste na altura, não concordavas com muito do que eu tinha escrito, e não deixaste de me criticar. Mas procuraste entender o que eu defendia, e argumentos com que pudesse atacar-me ou defender-me. Sobretudo creio que te impressionou o ataque sem precedentes que eu estava a sofrer. Quem é atacado por todos os lados defende-se da melhor maneira que pode; mesmo assim, nunca pode ser "a" melhor maneira. Para isso é necessário reler e reflectir sobre o que se escreveu com calma e distanciamento, algo que não é possível quando chovem insultos de todo o lado. Eu já passei por isso, já vi isso. Tal como não me é estranho seres insultado por quem não conhece mesmo outro tipo de linguagem, e por te desviares um milímetro que seja daquilo que é considerada a "linha justa". Nem me é estranho que, ao tentares logicamente defender-te das acusações, ainda sejas acusado com as estafadas "vitimização" e "não seres de esquerda". Uma vez mais, já vi este filme.
Luís, acredita que te fiquei muito grato pelo apoio da altura. Não o esqueci e nunca o esquecerei. E gostaria de poder fazer o mesmo relativamente ao teu texto "APANHAM-SE DOENÇAS NA INTERNET? (3)" Infelizmente, não consigo. E não consigo - esta é a parte mais difícil; peço-te que não julgues que se trata de falta de lealdade - porque não encontro nada no mesmo texto que eu consiga defender. Na verdade, nem me parece que tu consigas: ainda não te vi apresentares uma argumentação tua, que revele convicções fortes no que escreveste. Limitas-te a defenderes-te como podes, e para tal refugias-te em artigos e citações alheias. Julgo que deverias ignorar os insultos, pelo menos por agora, e concentrares-te no essencial, que é o teu texto e a resposta àqueles ataques justificados de que foste alvo. Embora haja outros leitores que fizeram comentários pertinentes, aquele que, a meu ver, foi mais consistente na desmontagem dos teus (frágeis) argumentos foi o leitor João Paulo, o tal que, por se ter identificado como sendo da Opus Gay, tu sobranceiramente tratavas por "porta-voz".
Pensa bem nisto tudo, e se - sublinho o "se" - achares que tens algo a acrescentar ou a esclarecer, não tens nada de te envergonhar. No meu caso, não foi preciso passar muito tempo para me arrepender seriamente de ter escrito esta merda da forma como escrevi. O resto, é como foi dito pelo Zé Mário: "No BdE não há uma opinião colectiva unânime, há várias opiniões individuais que umas vezes coincidem e outras não. Sem ferir a solidariedade intrabloguística, não caímos na hipocrisia de esconder as nossas divergências."

Publicado por Filipe Moura às 08:54 AM | Comentários (79)

janeiro 19, 2005

F DE FÚTIL

É sempre bom saber que o que escrevemos é lido por bons cronistas. O Jacinto Lucas Pires, por exemplo.

Publicado por José Mário Silva às 03:22 PM | Comentários (8)

COMEÇA AMANHÃ O SEGUNDO MANDATO DE GEORGE W. BUSH


Cartoon de Mike Keef, «The Denver Post»

E não há quem lhe tire os fulminantes.

Publicado por José Mário Silva às 03:11 PM | Comentários (4)

LOUÇÃ VS JERÓNIMO

Ontem à noite, na SIC Notícias, o primeiro debate frente-a-frente da pré-campanha, entre Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa, terminou com uma vitória clara do dirigente do Bloco de Esquerda. Nada de surpreendente. Apesar de um quase consenso na análise crítica dos principais problemas económicos e sociais do país, há um abismo a separar os dois homens no modo como falam e nos destinatários escolhidos para a sua mensagem. Louçã tem um discurso articuladíssimo, moderno, apelativo, mediático (adaptado à lei dos «soundbytes»), virado para o futuro e para o eleitorado que pretende ganhar. Jerónimo joga à defesa, recorre aos chavões, ao vocabulário vetusto, à retórica bem oleada (mas previsível) da CDU e parece preocupado apenas em suster o antigo eleitorado, em permanente erosão.
Num debate sem acrimónia e pouco agressivo, onde os dois líderes estiveram mais vezes de acordo do que seria de esperar, Louçã venceu sobretudo no campo da economia da linguagem (coincidente, neste caso, com a «linguagem da economia»). E todos sabemos que é no campo da linguagem que se ganham hoje, para o mal e para o bem, os votos decisivos.

Publicado por José Mário Silva às 03:04 PM | Comentários (14)

janeiro 18, 2005

O CONHECIMENTO E A ARTE

Volto brevemente aos meus textos (aqui e aqui) sobre a entrevista de Edgar Pêra ao DNa. Este novo texto é motivado em parte pelos comentários do ZeroAesquerda e do João André, que aproveito para agradecer.
Sendo eu um firme defensor da democratização do conhecimento e da cultura, fiz um reparo sobre o "conhecimento só partilhável por especialistas", uma ideia que sempre me pareceu elitista. É claro que tecnicamente tal será verdade, mas tem sempre de haver maneira de exprimir esse conhecimento (as ideias principais) de maneira a um leigo interessado poder entendê-las. Cientistas, investigadores, professores e artistas devem ter essa preocupação, até por uma questão básica de consideração para quem lhes paga - cientistas e artistas usam frequentemente apoios e subsídios. (E aqui afirmo que são principalmente os cientistas a ter esta preocupação. Nos artistas e nas "elites culturais", em geral nem vê-la. Daí estes meus textos.)
E todo o meu reparo, neste texto, tem mesmo a ver com isso: Edgar Pêra, ou qualquer outro nas mesmas circunstâncias, TEM de ser capaz de exprimir o resultado dessa sua pesquisa numa forma acessível para todos, e não somente com os seus filmes, muitas vezes demasiadamente específicos. Os cineastas (e os críticos de cinema) não podem estar à espera que o público, mesmo interessado, compreenda a "linguagem cinematográfica". Seria o mesmo que eu esperar que um leigo compreendesse as fórmulas dos artigos de física teórica. Eu sei que um leigo nem os conceitos compreenderá, pelo que sempre que falo de ciência tenho o cuidado de os explicar todos, ou remeter para sítios onde sejam explicados. Faz-me lembrar o meu professor de Filosofia, que se queixava de que putos com quinze anos da área de ciências não tinham "linguagem filosófica".
Resumindo: quando falava num "relatório de pesquisa" falava em ser-se capaz de transmitir o conhecimento resultante da elaboração de uma obra. Se é de conhecimento que se trata, não é indispensável experimentar a obra para o obter.
A grande questão que se põe aqui é: será a arte uma forma de conhecimento? Eu creio que não ou, pelo menos, que são duas coisas diferentes (e não há absolutamente nada de depreciativo neste meu julgamento); trabalhando eu directamente com um ramo do conhecimento, uma das razões por que procuro a arte (em geral) é justamente para fugir um pouco dele... Justamente por isso, impressiona-me falar-se em "pesquisa" no acto de executar uma obra de arte.

N.B.: Tal não implica evidentemente que não possa haver conhecimento da arte, não só técnico mas também histórico. Tal como também não implica que não haja educação pela arte - a educação não é só transmitir conhecimentos. Não creio, porém, que por exemplo um historiador da arte seja considerado um artista. O Manuel Deniz anda muito ocupado por estes dias mas, quando tiver mais tempo, espero eu, dar-nos-á a sua opinião sobre estes assuntos.

Publicado por Filipe Moura às 11:51 PM | Comentários (32)

DESABAFOS DE PRÉ-CAMPANHA ELEITORAL

Um excelente comentário do nosso leitor Valupi que, sem dúvida, merece ser "promovido" ao corpo principal do blogue.

Todos os partidos políticos apresentam peças de comunicação confrangedoras. A última vez que me lembro de ver uma peça eficaz foi na altura do Barroso, estava ele a começar e contratou um português para lhe fazer a campanha, o Pedro Bidarra. Nasceu "A rosa murchou".

Ressalva para uma peça do Bloco de Esquerda, numa aposta falhada mas meritória: "Eles mentem, eles perdem", ou algo parecido. Honra seja feita ao Bloco, consegue ter a melhor comunicação. Mas não chega...

Há duas instituições que me desesperam pela falta de inteligência no que comunicam – o Partido Comunista e a Igreja Católica. O PC apresenta mensagens que estão no grau zero do conteúdo intelectual e a Igreja ignora que as audiências têm dimensão psicológica e não espiritual.

O tema daria para teses de doutoramento em qualquer uma das variadas ciências humanas, mas vou fazer aqui um breviário do que me importa.

Lamento que a herança histórica do PC, no período pré-25 de Abril, seja matéria estéril, apenas presente nas memórias dos que viveram essas lutas e de alguns poucos que lhes são próximos. Uma das características mais notáveis desse período é precisamente o que diz respeito à coragem social e física que era requerida para levar avante [pois...] a resistência. Esse é um capital de exemplo que faz falta a Portugal, nação sem memória e sem heróis. Em vez de símbolos internacionalistas, em vez das carantonhas de alemães, russos, chineses, cubanos e argentinos, gostava era de ver as lusas faces dos que foram para o Tarrafal, os que foram assassinados em nome da Liberdade, os que foram torturados e devassados. Essa gente foi do melhor que apareceu no século XX em Portugal, reunindo o simples homem do campo, o complexo artista urbano, o mediano quadro de escritório. Mas o ópio da ideologia deu cabo do povo comunista português, e agora é vê-los sem passado e sem futuro.

Lamento que a Igreja seja uma organização autista, mesmo quando no seu seio há vozes esclarecidas e esclarecedoras. E sem tocar nas magnas questões – aborto, eutanásia, preservativos, homossexualidade, ordenação das mulheres, etc. – é ao nível da simples, básica catequese que não se consegue levar a carta a Garcia. A herança antropológica que está presente nos Evangelhos é um tesouro permanentemente mal compreendido. Tão rica é a sua tessitura que dá para tudo e para todos. Mas os católicos desperdiçam oportunidades de crescimento alheio (e próprio...) quando fecham os olhos às evidências: para se falar com alguém, começa-se por conhecer aquele com quem se fala.

Assim vamos. Só que tudo poderia ser diferente; Portugal ser mais português e mais universal. (Valupi)

Publicado por Filipe Moura às 05:58 PM | Comentários (14)

BIG BROTHER IS FEEDING YOU

O DN entrevistou ontem o director de programas da SIC. Este senhor resumiu as intenções da sua estação televisiva nesta cândida frase: "queremos oferecer uma alargada gama de emoções fundamentais para uma vida equilibrada."
Mais assustadora do que um tal programa é a pergunta que a seguir se impõe: e se ele tem razão e já precisamos mesmo que nos forneçam, por via intravenosa/televisiva, as tais emoções "fundamentais"?

Publicado por Luis Rainha às 01:17 PM | Comentários (5)

APANHAM-SE DOENÇAS NA INTERNET? (4)

Estava a ver que tinha perdido o jeito... mas não: o meu último post suscitou um vendaval de comentários. Ou, melhor dizendo, de críticas e acusações. Apontam-me o dedo por misturar tudo, por ser "transfóbico", por ser contra a "felicidade" de outrem, por me ter transformado numa espécie de Diácono Remédios.
Antes de tudo o mais: não sou eu quem afirma que muitos indivíduos que querem mudar de género estão doentes. É o DSM-IV, uma importante ferramenta para o diagnóstico de doenças mentais em todo o mundo. Quando escrevo "o Distúrbio da Identidade de Género, ainda considerado doença pelo DSM", faço por deixar clara a ressalva do "ainda", pois, como escrevi na primeira prestação desta série, o que hoje é patologia, amanhã pode deixar de o ser: "o próprio entendimento do que é uma doença mental vai variando com os anos"; "e, claro, damos pela falta de ‘doenças’, como a homossexualidade, que marcavam presença em edições anteriores".
Um qualquer porta-voz não sei de quem vem afirmar que eu seria contra a "felicidade/bem-estar" dos outros, um outro que eu sou contra "legítimas operações de mudança de sexo". Mas onde é que eu me afirmei "contra" o que quer que seja? Nem sequer tenho a certeza de ser contra a execução de amputações aos apotemnófilos... E quem é que não tem as suas patologias? Se eu gasto tempo demais com este blogue, deverei ser curado à força?
Quanto à acusação de proceder a uma infame "mistura", essa só pode provir de malta que não sabe o que significa o algarismo "3" ou que não tem pachorra para ir ler os 2 posts anteriores, mas que não deixa que tal minudência os impeça de mandar umas bocas.
Para quem leu tudo, julgo que terá ficado claro o porquê da mistura: tratava-se de falar de como pode a Net – e a disseminação de Informação em geral, pois há casos que remontam ao sec. XIX – potenciar comportamentos considerados patológicos. "Considerados"; e nunca por mim, mas apenas por ferramentas de diagnóstico usadas por profissionais clínicos em todo o mundo.
É óbvio para todos os autores que li sobre este tema que o "bug chasing", praticado seja lá por quem for, a BIID e muitos outros comportamentos potencialmente auto-destrutivos são propagados, articulados e organizados através da Internet (e deixei, logo no primeiro post, um link para a seita suicida "Heaven’s Gate", como representante de outro género de coisa, ainda mais letal). Uma versão moderna do fenómeno que Ian Hacking chamou "Contágio Semântico". Isto é que é o centro dos posts em questão, não os pruridos de grupo deste ou daquele. Estou-me nas tintas, a bem da verdade, para um bando de malucos que quer apanhar o HIV, sejam homo ou heterossexuais. Não me incomoda que alguém mude de sexo ou mande cortar uma perna. Se isso os deixa felizes, nada a opor.
Tudo isto me parece digno de interesse por si, mas o que me motivou a escrever agora foi o modo de "cristalização" de grupos coerentes dessas pessoas na Internet e os mecanismos de auto-validação que nesses grupos operam. Só isso. Longe de mim querer perturbar o sono de qualquer vaca sagrada.
Para finalizar, é igualmente claro para autores como Carl Elliot que a apotemnofilia partilha muitas características com outros distúrbios dismórficos corporais que envolvem o desejo de mudar de género. Relato de um paciente: "para mim, ter uma só perna melhora a minha própria imagem sexual. Parece ‘certo’, da forma que sempre deveria ter sido e por alguma razão alinhado com o que eu penso que o meu corpo devia ser." Soa a coisa familiar, não é? Este autor afirma claramente que "a comparação de amputações de membros com as cirurgias de reatribuição de sexo surge repetidamente em discussões sobre a apotemnofilia, com pacientes e médicos." E especula: "Vamos supor que eles têm razão. Há cinquenta anos, a ideia de que dezenas de milhares de pessoas quereriam alterar os seus órgãos genitais de modo a que pudessem mudar de sexo seria absurda. Mas aconteceu." A misturada, como vêem, não é nem arbitrária nem inventada por mim.
No entanto, para a tribo de porta-vozes, só os desejos dos transgenders é que serão "legítimos". Se perguntar porquê, será que alguém me dará uma resposta com pés e cabeça? Duvido. Quem tem preconceitos raramente os consegue expor com algum senso; e achar que é pecado misturar gente que sofre por querer mudar de género com pessoas que sofrem por quererem ter corpos diferentes só pode mesmo ser preconceito. Os "nossos" tem "legítimas" aspirações à "felicidade". Os "outros" são, obviamente, uns tarados do piorio. E só um espírito pejado de cegueiras medievais é que se lembraria de os "misturar".
Mas preconceituoso e "intolerante" sou eu. Claro. Pois.

PS: os porta-vozes talvez se surpreendam se lerem textos como este, oriundos de sites afectos à comunidade transgender, onde é feita precisamente a mesma "mistura" que tanto os incomodou. Também encontrei agora este pequeno mas interessante artigo do citado Carl Elliot.

Publicado por Luis Rainha às 12:12 PM | Comentários (30)

janeiro 17, 2005

OS GOLOS BEM PENTEADINHOS

O fim de semana foi negro para os sportinguistas, e para piorar ainda mais as coisa três dos golos do Benfica contra o Boavista foram marcados por dois jogadores (o Simão e o Nuno Gomes) que gastam mais no cabeleireiro do que eu em comida. Quem se deve estar a rir, e por várias razões, é a Ana Sá Lopes.

Publicado por Filipe Moura às 11:00 PM | Comentários (5)

OS REFORÇOS DA SAD

Não é e nem será meu costume discutir aqui assuntos estritamente futebolísticos (e estritamente sportinguistas). Até porque deveria falar de assuntos bem mais prementes (a conferência de lançamento do Ano Internacional da Física, por exemplo). Mas um blogue também deve servir para escrevermos sobre o que mais nos apetece discutir na altura. E isso neste momento, para mim, é mesmo a equipa do Sporting.
A defesa do Sporting é o sector mais fraco da equipa, e é claramente pior do que a das outras equipas de topo, como indica o número de golos sofridos. As alternativas ao Rogério e ao Rui Jorge como laterais são inexistentes (ou existem mas não têm categoria). Neste momento, não há nenhuma alternativa de raiz ao Custódio como trinco (com Inácio e Boloni havia quatro laterais e três ou quatro trincos de raiz e com qualidade). Os centrais teimam em não se entenderem (nenhum deles actua como central de marcação).
Se o Sporting não ocupa uma posição bem inferior na classificação (apesar de ter perdido muitos pontos), deve-se ao seu ataque, de longe o melhor do campeonato, com destaque para Liedson.
Face a esta análise, mandaria o bom senso que se reforçasse a equipa com dois ou três jogadores de categoria do meio campo para trás, e uma alternativa ao Rochemback (sempre que não joga, a equipa ressente-se de uma forma evidente, parecendo que se "parte"). Mas o que faz a SAD leonina? Vende o Tinga (a alternativa que havia para o meio campo) e, apesar de ter no "banco" o Pinilla, o Sá Pinto e (espera-se) o Niculae, contrata... o melhor marcador do campeonato da Coreia do Sul!! Alguém percebe esta gente?

Publicado por Filipe Moura às 10:45 PM | Comentários (8)

APANHAM-SE DOENÇAS NA INTERNET? (3)

No ano passado, autoridades sanitárias em ambos os lados do Atlântico declararam-se preocupadas com a multiplicação de festas de "barebacking" em que alguns homossexuais (os bug chasers) procuram infectar-se com o HIV, em orgias com seropositivos (os gift givers)... e sem preservativos, claro está. Uma ferramenta decisiva no planeamento destas festas de roleta russa é a Internet.
Nos dias que correm, os entusiastas de qualquer tendência, por mais extrema ou auto-destrutiva que seja, não têm dificuldade em conhecer gente com analogia de bossas, organizando-se colectivamente e estruturando a sua vida sexual com a ajuda de sites como este. Aqui, surge a questão: será que os tais "caçadores do bicho", sofram eles da síndroma de Munchausen ou de outra coisa qualquer, alguma vez resolveriam actuar de acordo com essa estranha compulsão, se não a vissem validada por hordas de terceiros ávidos de companhia? "Here is your chance to help create our growing community. Post details of bareback and bug hug parties near you"; eis um enternecedor apelo que se pode ler no citado "bareback.com".
Da mesma forma, a comunidade transgender tem crescido e prosperado muito graças aos bons ofícios da Net. O Distúrbio da Identidade de Género, ainda considerado doença pelo DSM – aliás, como o travestismo –, é apresentado, em sites como este ou em infindos quiosques de pornografia, como algo de perfeitamente "normal" e "saudável". Assim, indivíduos com as mesmas patologias podem agrupar-se e reforçar mutuamente as suas inclinações, que de outra forma talvez nunca assumissem grande importância.
E há outros tipos de Distúrbio Dismórfico Corporal, ainda mais perturbantes, que também usam a Internet como vector de disseminação. Aqui, o ceptro da bizarria vai para a Apotemnofilia (ou BIID, como talvez venha a figurar no DSM-V): o desejo infrene de passar à condição de amputado.
Há quatro anos, Carl Elliott publicou um fascinante artigo (que já não está online) onde descrevia o submundo de homens (os devotees) que elegem como objecto de desejo os amputados, ou que obtêm satisfação sexual do facto de andarem em público fingindo ser amputados (os pretenders) ou que têm como grande projecto de vida encontrar alguém que os prive de algum membro ou segmento (os wannabes). Escreveu Elliot, acerca dos mecanismos de validação desta gente: "segundo todos os testemunhos, a Internet foi uma revolução para os wannabes. E posso ver porquê. Gastei meses a encontrar uma mão-cheia de artigos científicos sobre o desejo de amputação. E precisei de dez segundos para encontrar dúzias de sites devotados a este tema. Todos os wannabes e devotees com que conversei acerca da Internet confirmam que mudou tudo para eles."

Ainda hoje, é fácil confirmar a pujança deste universo paralelo. Em páginas mais ou menos sérias ou em locais que pouco mais são do que fornecedores de pornografia especializada, é explicado ao cibernauta que nada tem de estranho querer ver-se livre de um braço ou de uma perna. Em casos extremos, até são ilustrados os passos necessários a sinistras cirurgias do-it-yourself. Dizer a alguém que já carrega, mesmo em forma latente, esta estranha doença que há muita gente com as mesmas inclinações, sendo assim o seu distúrbio mais "normal" e aceitável do que poderia à primeira vista parecer, não é dar-lhe apoio. É amplificar e reforçar a patologia. É confundir doença com desejo, auto-mutilação com plenitude. A maior parte destas pessoas, como notou Elliot, nunca consultou um especialista, nunca leu um ensaio científico sobre este problema, nunca sequer partilhou, cara a cara com outro ser humano, o seu sofrimento. No meio da solidão em que estes distúrbios os encerram, apenas dispõem da Internet como arena onde confrontar as suas sexualidades perturbadas com a realidade. E o resultado dificilmente será coisa boa.
Já no tempo dos "viajantes loucos" doenças havia que se propagavam apenas por mais gente saber da sua existência. Saber, por vezes, só dá poder às zonas menos salubres das nossas mentes. E como proteger hoje indivíduos mais susceptíveis quando a Internet é usada para os contagiar com patologias mortais ou incapacitantes? Talvez afixar avisos em todos os modems: "A Informação pode prejudicar gravemente a sua saúde"...

Publicado por Luis Rainha às 06:23 PM | Comentários (21)

O CIBERCRÍTICO

Eu achava mais útil ter um software destes que fosse individualmente configurável e abarcando músicas, livros e filmes. Ia poupar-me muito dinheiro, tempo e desapontamentos.
Mas isso provavelmente deixava o nosso senhorio no desemprego.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:33 PM | Comentários (1)

TORGA SIM, TORGA NÃO

Faz hoje dez anos que Miguel Torga morreu. Ainda só dez? Basta tão pouco para alguém desaparecer do mapa. É para nós, os ainda menos visíveis, um alerta, um aviso. Mesmo assim, Torga poderia ter hoje mais sorte.
Pois que ouço eu, cruzando a Touraine, de regresso a casa, na RDP Internacional? Uma entrevista com Clara Rocha. E, nesta entrevista, a filha do escritor, professora catedrática de Literatura Portuguesa na Universidade Nova de Lisboa, informa-nos do seguinte: de que nunca, mas nunca, em trinta (trinta!) anos de ensino universitário, deu uma aula sobre Miguel Torga. Ouvi bem? Ouvi. Porque ela repete: «Nunca dei uma só aula sobre Miguel Torga».
Seguro bem o volante. Mas o espírito desvaira-se-me. É que Torga foi, com José Cardoso Pires, o absoluto topo da prosa portuguesa do século XX. Foram, eles dois, magníficos artistas da expressão, grandes ensinadores de como se juntam três ou quatro palavras para dizer coisas com tino, sentido e audácia. Quando se ensina a literatura do nosso último século, jamais eles poderiam faltar.
A professora Clara Rocha terá alguma sensibilidade filial. Mas, se é verdade o que disse, revela-se, do ponto de vista profissional, irresponsável. Esperemos que, nas faculdades de letras portuguesas, não haja mais absurdos assim.
(Fernando Venâncio)

Publicado por José Mário Silva às 02:30 PM | Comentários (19)

DESAPRENDENDO COM...

"Partir é morrer um pouco, mas morrer é partir em excesso."
Alphonse Allais

Publicado por Jorge Palinhos às 02:22 PM | Comentários (1)

VOTO FÚTIL

Foi pena a letra «F» ter ficado escondida atrás da cabeça de Paulo Portas. Caso contrário, o novo cartaz do CDS/PP seria o melhor — mas sobretudo o mais honesto — de todos os que vi afixados até agora nesta descolorida pré-campanha eleitoral.

Publicado por José Mário Silva às 01:40 PM | Comentários (7)

REGRESSO (MAIS UM) À ESTACA ZERO


Cartoon de Plantu, «Le Monde»

Ao contrário do que diz o ditado, no Médio Oriente a esperança é sempre a primeira a morrer.

Publicado por José Mário Silva às 12:26 PM | Comentários (1)

AO CHIADO

Somos mesmo hospitaleiros, de bons costumes e universalistas, tolerantes de peito aberto.
Na zona do Chiado, uma carrinha da Câmara recolhe cães sem licença, nomeadamente aqueles que costumam adornar os espectáculos de freaks malabaristas. No meio da confusão, um velhote observa a cena e murmura entre dentes: «acho muito bem que recolham os cães, agora só falta uma carrinha para levar os pretos». Alguém falou em país real?
(Pedro Vieira)

Publicado por José Mário Silva às 11:31 AM | Comentários (4)

janeiro 16, 2005

CONHEÇA O MUNDO? BOM CONSELHO...

A revista "Grande Reportagem" tem uma nova campanha publicitária. Muito, muito boa: entre os vários anúncios, podem ver aqui um relativo à bandeira do Brasil e outro que desrespeita o estandarte dos EUA.
Mas os publicitários, por mais eficaz que seja a sua imaginação, persistem em ignorar tudo o que não venha na capa da Wallpaper. Vai daí, os autores deste anúncio não cuidaram de investigar um bocadito o que será isso da "malária". É que esta doença não é causada por vírus mas sim por parasitas, protozoários do género Plasmodium. De qualquer forma, parabéns à FCB...

Publicado por Luis Rainha às 07:50 PM | Comentários (6)

ISTO NÃO É UM POST

Mas estava mesmo para ser. Até já tinha alinhavado umas notas e recolhido uns links para um pequeno texto sobre Max Ernst, o pintor que conseguiu capturar na sua obra um completo bestiário de todas as criaturas que o Surrealismo soube engendrar. Aqui chegado, lembrei-me de rever os posts que já afixara a propósito do 80.º aniversário do Primeiro Manifesto Surrealista. A conta ia em 12.
Quando, há uns tempos, comecei a matutar na coisa, imaginei, como optimista crónico que ainda vou recidivamente sendo, que ia servir de catalisador para uma pequena reflexão colectiva – à escala forçosamente íntima de um blogue – sobre o que foi e é o Surrealismo, não só nas Artes Plásticas mas também na Poesia e até em Portugal. Pois. Mas isso não aconteceu: passando a vista pela "matéria dada", vejo que, no total, consegui provocar 16 comentários relacionados com tal tema, o que dá uma média de 1,33 por post. Depois, reparei que um singelo (e pouco trabalhoso) eco de uma notícia recente ultrapassou esse número de reacções, e que umas parvoíces sobre uma pedra num mailing bastaram para atingir o quádruplo daquela média.
Pronto. Já percebi: o entusiasmo não é muito. Por isso, vou deixar o assunto morrer aqui. Aos indiferentes, peço desculpa pela largura de banda ocupada; aos interessados, deixo a ameaça de, mais dia, menos dia, voltar a angariar paciência para de novo pôr mãos às obras. Entrementes, não faltam por aí recursos de qualidade sobre o Surrealismo e inúmeros surrealistas.
Atenção, que não me estou a queixar dos nossos leitores. Passa-se é que esta história me fez recordar um pequeno episódio dos meus dias de estudante: numa noite de directa, estava a ser acompanhado no calvário do estudo pela emissão de uma qualquer rádio semi-pirata. A páginas tantas, o "animador" de serviço lançou um concurso que requeria que os ouvintes telefonassem para lá respondendo a uma questão bastante simples. Cinco minutos passaram... e nada. Dez, idem. O homem ia ficando inquieto. Quando passou meia hora disto, sem que uma só resposta tivesse chegado, julgo que ele se convenceu de que ninguém o estava a sintonizar. Os incitamentos do tipo "ainda aqui tenho os dois bilhetes à vossa espera" começaram a ganhar um tom mais pressuroso: "vá; já sabem o número!" e, logo de seguida, francamente aflito: "então? Niguém liga?". Aquilo foi quase dramático. Só mesmo por não ter um telefone ao pé é que não lhe liguei, para lhe confirmar que havia pelo menos uma pessoa a ouvi-lo...
Moral da história: isto de criar expectativas de feedback é uma tontice. Prometo que não volto a cometer semelhante disparate.

Publicado por Luis Rainha às 02:14 PM | Comentários (19)

janeiro 15, 2005

POR TODOS OS MOTIVOS E POR NENHUM MOTIVO

De William Stafford

FIRST GRADE

In the play Amy didn't want to be
anybody; so she manage the curtain.
Sharon wanted to be Amy. But Sam
wouldn't let anybody be anybody else –
he said it was wrong. "All right," Steve said,
"I'll be me but I don't like it."
So Amy was Amy, and we didn't have the play.
And Sharon cried.

Publicado por José Luís Peixoto às 12:19 AM | Comentários (6)

janeiro 14, 2005

APANHAM-SE DOENÇAS NA INTERNET? (2)

"Tudo começou numa manhã de Julho, quando reparámos num jovem de 26 anos a chorar na sua cama da enfermaria do Dr. Pitre. Ele acabara de fazer uma longa viagem a pé e estava exausto, mas não era essa a causa das suas lágrimas. Ele chorava porque não se conseguia impedir de partir em viagem sempre que essa necessidade tomava conta dele; abandonava a família, o trabalho e a vida quotidiana para caminhar tão rápido quanto possível, sempre em frente, por vezes fazendo 70 quilómetros a pé por dia, até ser, por fim, preso por vadiagem e atirado para a cadeia".
Com estas palavras, o médico francês Philippe Tissie descreveu, em 1886, o seu encontro com Albert Dadas, o primeiro "Viajante Louco" diagnosticado. Era realmente um caso fascinante: o pobre Dadas, um humilde trabalhador parisiense, começava a sentir uma vontade irresistível de viajar sempre que ouvia falar numa qualquer paragem longínqua; pouco depois, lá se punha ele a caminho, a caminho... até alcançar destinos improváveis, por vezes a centenas ou milhares de quilómetros de distância. Uma vez terminada a peregrinação insensata, desprovido de qualquer memória ou pista sobre a sua identidade, ele tratava de angariar o dinheiro suficiente para regressar de comboio. Só que, invariavelmente, acabaria por perder o norte a meio do trajecto, embarcando noutra viagem incompreensível, depois de rasgar mais uma vez os seus documentos e as cartas que o Dr. Tisse lhe entregava, declarando que o seu paciente sofria de "Turismo Patológico". Constantinopla, Argel e Moscovo foram cidades nos itinerários destas explorações dementes, demandas não de descoberta mas sim de esquecimento (o caso Dadas é descrito, em maior pormenor, neste livro).
Mas o mais bizarro ainda estava para vir. À medida que relatos destas viagens sem rumo transbordavam das revistas médicas para os jornais europeus, os transes peripatéticos de Dadas começaram a infectar a imaginação popular. E pouco tardou até que eclodisse uma verdadeira epidemia de Fugas Dissociativas, como hoje em dia a doença é denominada. Os contaminados partiam sobretudo de França, mas logo os caminhos da Alemanha, Rússia e Itália se viram juncados de tristes viajantes com olhos vagos. Assim surgiram pequenas migrações de inadaptados, fugindo de uma realidade social confusa e opressora, por vezes adoptando novas identidades, nos antípodas de vidas que abominavam (1).
Durante alguns anos, enquanto os novos casos se sucediam, o interesse psiquiátrico pela nova doença foi crescendo. Mas, em 1909, escassos anos após o primeiro caso, os profissionais da psiquiatria já haviam decidido que os "estados de fuga histérica" tinham deixado de merecer a dignidade de doença com características próprias. E desta forma mortiça se perdeu a memória de uma das epidemias mais estranhas que jamais assolaram a Europa (2).
Tudo isto para ilustrar uma verdade algo inesperada: a disseminação de informação sobre uma dada doença mental pode bastar para a espalhar; reforçando disposições anómalas mas reprimidas, deformando ligeiramente outros sintomas, validando ideias que nunca passariam disso se não fosse a leitura de relatos de casos "semelhantes".
E hoje, com um manancial inesgotável de taras, comportamentos auto-destrutivos e novas modalidades de loucura ao alcance de um click, que inauditas epidemias estarão a incubar nos meandros da Web?

(1) Nas sábias palavras do DSM-IV, "se uma nova identidade é assumida durante a fuga, esta habitualmente é caracterizada por traços mais gregários e desinibidos do que os que caracterizavam a identidade anterior. A pessoa pode assumir um novo nome, uma nova residência e envolver-se em atividades sociais complexas e bem integradas."

(2) No entanto, algumas culturas isoladas ainda sofrem "epidemias" histéricas similares, como a Grisi Siknis, ou Pauka Prukan, entre os Miskito das Honduras e da Nicarágua, descrita de forma alarmada neste jornal do ano passado, ou o Pibloktoq, ou Histeria Árctica, entre os Inuit, este com claros indícios de ter causas sociais.

Publicado por Luis Rainha às 05:32 PM | Comentários (9)

AAARGH! MAIS VIVALDI NÃO!

Metro de Londres usa música de Mozart e Vivaldi para afugentar delinquentes.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:06 PM | Comentários (1)

ATESTADO MÉDICO

Vou ali curar-me e já volto.

Publicado por José Mário Silva às 05:03 PM | Comentários (6)

EXEMPLOS DA SUPERIORIDADE REPUBLICANA

Os filhos adolescentes dos presidentes (presentes e futuros) podem fazer as idiotices rebeldes que quiserem.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:01 PM | Comentários (1)

O MAU HÁLITO COMO ARMA DE AFUGENTAÇÃO MACIÇA

Esta deve ser a (não-)notícia bizarra da semana:

Pentágono considerou desenvolver bomba sexual

O Ministério da Defesa norte-americano (Pentágono) considerou desenvolver um conjunto de armas químicas não letais para abalar a moral e a disciplina das tropas inimigas, tais como uma bomba sexual, indicam documentos secretos agora divulgados.

Uma das armas mais bizarras consistia no desenvolvimento de um afrodisíaco que tornasse os soldados inimigos sexualmente irresistíveis uns para os outros.
A intenção era provocar um comportamento homossexual generalizado entre as tropas, o que causaria um golpe «desagradável mas não letal» à moral dos soldados, refere a proposta.

Outras propostas incluíam armas que atraíssem enxames de vespas enfurecidas ou ratazanas furiosas para posições militares, tornando-as inabitáveis.

Um outro projecto consistia em desenvolver um químico que causasse uma «forte e duradoura halitose», tonando fácil identificar guerrilheiros que se tentassem esconder entre civis, enquanto um outro visava tornar a pele dos soldados insuportavelmente sensível à luz do sol.

Seria talvez conveniente não levar o Tom Jones tão a sério.

Publicado por Jorge Palinhos às 04:56 PM | Comentários (2)

A PRIMEIRA PEDRA DA MINHA PRÓXIMA CASA

Ontem, o conceito de junk mail adquiriu para mim um novo significado. Quando encontrei na caixa do correio uma folha que incluía, bem colado, um pequeno pedregulho com ar de cocó petrificado, imaginei que seria oferta de um dealer de haxixe recém-instalado no bairro. Mas, ao ler a coisa, fiquei a saber que aquilo poderia bem vir a ser a "primeira pedra para a construção" da minha "nova casa". Ou, em alternativa pelintra, serviria para "alegrar e decorar" a minha presente residência. Isto, pasme-se, é a ideia de publicidade de uma agente imobiliária aqui da vizinhança.
Agora, por mais que mire e remire o feio calhau, não consigo bem imaginar como seria essa mirífica "nova casa"; só me vêm à ideia imagens de cavernas.

Publicado por Luis Rainha às 11:45 AM | Comentários (6)

UM COMENTÁRIO DESCABELADO

Devo começar por mencionar que gosto sempre muito de ler Ana Sá Lopes, quer no seu blogue, quer no Público. Mais: estou quase sempre de acordo com as posições que defende. Por isso entendo que devo manifestar uma discordância, referente a uma passagem no seu artigo no Público do passado domingo.
A discordância nem é com o artigo em si, sobre falta de mulheres na política (e nas listas de deputados) e a alta exigência a que uma mulher é sujeita na política, quando comparada com a a um homem. A última parte do artigo é mesmo uma resposta directa a um editorial anterior do seu director, José Manuel Fernandes, que punha em causa as qualidades de algumas candidatas a deputadas. Esta é a Ana Sá Lopes combativa a que nos habituámos.
Aquilo com que eu não concordo é que Ana Sá Lopes classifique de "misoginia alarve" o comentário do deputado socialista José Magalhães perante a recusa da ministra da Educação a comparecer no Parlamento por causa do relatório sobre a colocação de professores (Magalhães terá afirmado que "isto não é o cabeleireiro"). A meu ver, o comentário de Magalhães pretendia criticar a leviandade e irresponsabilidade da ministra, leviandade e irresponsabilidade essas que são também a marca deste governo. A história da não comparência de membros deste governo em assuntos de trabalho é longa, e começa pelo primeiro-ministro e pela célebre história do casamento. Não está aqui nenhuma crítica à mulher enquanto tal; está uma crítica a quem não leva a sério o seu trabalho, que nem tem nada de machista.
Dizer a alguém que "isto aqui não é o cabeleireiro" quando não se regista empenho profissional (principalmente quando se é muito bem pago) é prática corrente que não tem nada de machista. Muitos adeptos do Real Madrid o dirão a David Beckam, e muitos do Benfica a Simão Sabrosa, sempre que estes jogadores não correspondam. Comparar esta boca com a de um professor de Coimbra que perguntava às alunas por que não iam para casa coser meias (esta, sim, de um machismo alarve indesmentível), como Ana Sá Lopes faz, é que me parece descabido.

Publicado por Filipe Moura às 10:15 AM | Comentários (11)

janeiro 13, 2005

2005 - ANO INTERNACIONAL DA FÍSICA

O Ano Internacional da Física começa hoje oficialmente, com uma conferência sobre a física e o futuro a decorrer na UNESCO, aqui em Paris. Obviamente hei-de ir falando sobre este assunto aqui, agora e durante o ano.

Publicado por Filipe Moura às 11:53 PM | Comentários (6)

OS SOPRANOS DE BENFICA

Está a decorrer uma petição para lançar em DVD a série completa de Duarte & Companhia.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:32 PM | Comentários (4)

APANHAM-SE DOENÇAS NA INTERNET? (1)

Para justificar o título algo bizarro deste post, devo primeiro explicar que falo de doenças psiquiátricas. E que o conceito de epidemia pode bem ser aplicado a estas, dispensando, claro está, minudências materiais como vírus, bactérias ou vectores primitivos como mosquitos e quejandos.
Basta ler jornais de quando em vez para ir tomando nota de vagas de distúrbios que parecem surgir do nada, afectando milhares de pessoas e voltando depois à obscuridade, sem razão aparente. Lembram-se dos incontáveis casos de personalidades múltiplas e de memórias falsas que enchiam primeiras páginas e tribunais há duas décadas?
O próprio entendimento do que é uma doença mental vai variando com os anos. Se consultarmos o DSM –IV, o "quem é quem" das maluquices, encontramos por lá coisas modernas como "demência por HIV", "síndroma de fatiga crónica" e outras que só foram diagnosticadas pela primeira vez há muito pouco tempo, como a síndroma de Tourette (será que toda a gente que dela sofria, antes do final do século XIX, era encaminhada para o exorcista mais próximo?). E, claro, damos pela falta de "doenças", como a homossexualidade, que marcavam presença em edições anteriores. Ou casos ainda mais estranhos: o "Transtorno Narcisista de Personalidade" desapareceu do DSM em 1968 e acabou por regressar doze anos depois...
Torna-se óbvio que muitas doenças mentais são 100% culturais, quando não pura e simplesmente inventadas. Aqui, há que lembrar o caso do Dr. Samuel Cartwright, um médico esclavagista do Sul americano que se dedicou a cartografar umas irritantes "doenças" que atacavam os escravos: a "drapetomania", que lhes dava uma inexplicável vontade de fugir, e a "dysathesia aethiopica", uma variante da primeira que os incitava a destruir os bens do seu dono (curiosamente, esta maleita tinha um sintoma próprio: lesões na pele. Argumentar que a terapia recomendada pelo bom Dr. Samuel, as chicotadas, poderia ser a sua causa talvez fosse então visto como má-vontade dos críticos...).
Não obstante estes desvios, certo é que se têm verificado autênticas epidemias de doenças mentais, ao longo da História. Algumas insofismáveis, outras de duvidosa veracidade, como as lendas românticas segundo as quais o "Werther" de Goethe teria inspirado uma vaga de suicídios em toda a Europa letrada. Aliás, a expressão "Efeito Werther" é hoje usada para nomear fenómenos contemporâneos similares, mas bem reais, como os que têm ocorrido recentemente no Japão e na Coreia. Em muitos destes sinistros eventos, a Internet tem sido decisiva, ao facilitar a criação e popularização de "pontos de encontro" onde potenciais suicidas se conhecem e assinam pactos de autodestruição colectiva. No entanto, a Web pode ter um papel mais relevante ainda na disseminação de algumas desordens psíquicas. Mas, antes de aí chegar, gostaria de dar mais uma volta pelo século XIX...

Publicado por Luis Rainha às 02:30 PM | Comentários (4)

SERÁ ESTA A PESQUISA?

Na mesma entrevista, mais tarde, Edgar Pêra refere que o filme da sua vida é "As aventuras de Buckaroo Banzai através da oitava dimensão". Pêra não sabe bem o nome do realizador, "acha" que é W.D. Richter, mas tem a certeza de que é o seu filme favorito. A razão? "É um dos poucos filmes quânticos que fazem rir."
O que será um "filme quântico"? Será que é em oposição a um "filme clássico"? Eu leio a palavra "quântico" e facilmente a associo a pesquisa... em física. Se é este o significado da tal pesquisa eu faço aqui a mesma pergunta que faço sempre que ouço a palavra "quântico": onde está a constante de Planck (ou o seu equivalente)?

Publicado por Filipe Moura às 09:23 AM | Comentários (13)

ENTREVISTA A EDGAR PÊRA

Na entrevista ao cineasta português publicada na edição 397 do DNa, a 9 de Julho, a certa altura o entrevistado afirma que a sua "linha" cinematográfica é "sobretudo uma linha de pesquisa. Procurar novas formas de entender a linguagem do cinema e a linguagem da realidade."
Nunca consegui entender quando o cinema ou o teatro se afirmam "de pesquisa". Consigo entender o que são filmes ou peças experimentais, agora de pesquisa? (Ó gentes, se se querem descobrir façam psicanálise.) Confesso aqui a minha ignorância. Expliquem-me por favor.
Se Edgar Pêra faz assim tanta pesquisa com os seus filmes, será que poderia publicar um relatório dos seus resultados? Quiçá dar um seminário para os apresentar? É que eu não faço a menos ideia de que tipo de pesquisa é esta. Enquanto não a conhecer (e dá-me ideia que o cinema português é quase todo ele cheio de "pesquisas"), continuarei a preferir sempre o Woody Allen.

Publicado por Filipe Moura às 09:19 AM | Comentários (23)

I Don't Wanna Walk Around With You

Uma notícia publicada na contracapa do Diário de Notícias informa que o guitarrista semi-esquizóide dos Ramones, Johnny Ramone, vai ter direito, graças aos seus admiradores, a uma glorificaçãozita ultra-convencional na forma de uma estátua de bronze num cemitério qualquer lá na parvalheira americana.
Embora nunca me tenha identificado muito com o “projecto Ramones” por razões estéticas mas também e sobretudo políticas -é, eu sou desses gajos muito limitados e facciosos com paciência muito limitada para "génios" reaças, pelo menos até ao calibre intermédio, o que quer dizer que tirando os borges, os cioran, os thesiger, nalguns dias mais soalheiros o anormal do jimmy page e poucos mais, não aturo mesmo de todo essa cáfila - pois o estilo acéfalo dos rapazes ia de par com um fervoroso militantismo republicano pelo menos do nosso Johnny, que os outros deviam pensar que politica era uma marca de sabão amarelo, curto fanaticamente e acefalamente a minha dose de ícones da contra cultura. Porém, casos como este, do velho Rolls Royce branco dos Beatles, a coscuvilhice e má lingua pegajosa de porteira da Almirante Reis dos diários do crápulazinho do Warhol e a caretice ultra-rebarbativa da decoração do lar Osborne dão-me arrepios pelo tenebroso equívoco que evidenciam entre a minha visão das perspectivas “idealistas” e “alternativas” dos meus ídolos e a cruel realidade. Basicamente uma cambada de caretas desprezíveis perante muitos dos quais o "nosso" Herman (também de rolls) foleiro triunfante vampirizado pelo Tony Silva mais parvo que se possa imaginar faz figura de intelectual comprometido de quinta água (das pedras).
Olhassem os teóricos do potencial transgressor do punk para o grande Cesariny. Velho e desdentado assumido ameaçou processar quem lhe pretendia fazer uma estátua. Eis alguém magnificamente egocêntrico para desprezar "homenagens", alguém com quem vale a pena andar.

Publicado por tchernignobyl às 02:30 AM | Comentários (10)

De prevenção

O problema é que existem estreitos limites para a nossa compreensão, a nossa capacidade de sofrimento pelos outros e existem também limites, que recusamos, para a nossa capacidade de evitarmos o sofrimento, todo o nosso sofrimento.
É impossivel assumirmos até às ultimas consequências o sofrimentos dos outros.
Se o fizessemos não sobreviveriamos tempo suficiente para podermos ainda sofrer pelo próximo desastre colectivo ou individual. O resto é especulação, é espectáculo, é a exibição mórbida da piedade vampirizando a exibição do sofrimento alheio de que apenas colhemos uma composição abstracta... e seguimos em frente graves e atentos à próxima imagem de horror. Animais de jardim zoológico é o que vemos. Como nos arrogamos, quem nos outorgou esse direito?
O nosso choque resulta em parte do temor que a imagem da nossa própria vulnerabilidade nos provoca, houve algo que nos fez pensar realmente... que isto nos poderia mesmo ter acontecido a nós, o que de certo modo nos aproxima dos que sofrem, mas de resto é o feedback positivo entre a linguagem cinematográfica e o espectáculo da emotividade que leva as pessoas a exibirem os seus sentimentos mais comezinhos com a força tresloucada que resulta da utilização das técnicas próprias do trabalho dos actores cada vez mais extremadas pela necessidade de representar comportamentos por sua vez cada vez mais extremos e teatrais.
Quer seja o amor, o ódio, até o “desespero” com que sofremos com a desgraça alheia, uma capa de emotividade de plástico que infla em torno do vazio da luta egoista por um quotidiano confortável. O “nosso cantinho” a que alguns chamam pomposamente “os nossos valores”.
Tentar exprimir através da escrita pensamentos “sensiveis” acerca de uma tragédia como a do maremoto ( e designá-lo como tragédia cairá já porventura naquelas “categorias”) é um exercício vácuo e hipócrita.

O que vemos nos filmes corresponde (felizmente diria eu) apenas a uma fracção infima do que se passou. E não podemos chocar-nos mais com o que vemos. Só que não temos capacidade de percepção (e muito menos capacidade de “sofrimento” proporcional à sua dimensão) da escala do desastre. Podemos dizer, “imagine-se que percorremos toda a costa portuguesa, o sul de Espanha, o sul de frança, a itália, a grécia.... voltando pela turquia...” e isso adiantará? E vem um esperto e diz “ah! Mas se tiveram uma hora ou meia hora para avisar.. “ é claro que se teriam poupado vidas , e (diz o cliché sempre à mão e sempre conveniente) “uma vida é sempre uma vida...” ignorando talvez que a esmagadora maioria dos mortos viviam em zonas isoladas relativamente próximas do epicentro, que a esmagadora maioria dos mortos não foram os turistas, foram pessoas em locais isolados, sem comunicações, impossiveis de contactar por autoridades locais sabe-se lá com que limitações de meios.
Talvez se se tivessem avisado os turistas... ( e oxalá que isso tivesse sido feito para bem deles) o “ocidente” tivesse “sofrido menos” e esta teria sido mais uma “tragédia” a somar às muitas que têm ocorrido nas ultimas décadas a vitimarem centenas de milhares de mortos e que têm passado quase completamente ignoradas. Não vale a pena enumerá-las, é supérfluo. E as que neste momento decorrem? Se fossemos pensar em todas elas não poderiamos nunca deixar de “sofrer”, nem por um dia, se nos concentrássemos numa delas não poderiamos chegar já a sofrer pelas outras, cada uma delas tem força mais do que suficiente para nos consumir até à ultima gota e à ultima fibra.
Tens estômago para ir jantar às Docas depois de pensares nisto?
E amanhã?
Chato, não é?
E admirar a graça da miuda que se cruza contigo na rua?
Ah pois!
Os meios de comunicação mostram-nos hoje, quase em tempo real, embora de forma fragmentária o desastre. O desastre englobável numa definição única (O TSUNAMI) com o seu formato próprio de apresentação como “grande tema” e o desastre diário que resulta do somatório dos pequenos desastres que acontecem diariamente em todo o mundo, sem esperar que tenham sido “resolvidos” os anteriores, alguém terá a ideia de quantas pessoas morrem tragicamente diariamente em todo o mundo?
Uma solução poderá ser a ajuda internacional, outra a solidariedade dentro dos países afectados, ou a luta pelos sobreviventes para recomprem o possível das suas vidas. Procurar-se-ão friamente tirar ensinamentos, criar instrumentos de detecção mais sofisticados. Mas há que estarmos cientes de que não existe a segurança absoluta, temos todos de estar preparados ( sem pensarmos nisso) para o o pior a qualquer momento. Pouco antes do fim do ano falou-se muito num asteróide, há quem fale na inversão do campo magnético da guerra, nas armas de destruição maciça de todos os tipos.
Para todos os gostos especialidades e capacidades de previsão.
Veio um maremoto. Seremos sempre surpreendidos. Salvo talvez meia dúzia de paranóicos encerrados nalgum bunker estanque em cimento armado cem metros abaixo do Júlio de Matos, felizes por sobreviverem respirando alegremente dentro das suas máscaras de oxigénio esterilizadas, das suas camisas de forças imaculadamente brancas, das rações de combate para dez anos.

Publicado por tchernignobyl às 01:12 AM | Comentários (5)

janeiro 12, 2005

100.000 CIVIS MORTOS DEPOIS, LÁ CHEGOU A FÁBULA AO FIM

Ainda não é oficial. Mas não deixa de ser certo: os EUA desistiram de encontrar as terríveis armas com que justificaram a invasão do Iraque. Para trás, ficam as lindas apresentações em Power Point, as garantias insofismáveis, os mais de 100.000 cadáveres civis, as toneladas de armas convencionais deixadas ao alcance dos terroristas.
Pela frente, vemos um país imerso no caos quotidiano, prestes a encenar eleições que, segundo palavras dos ocupantes, "não serão perfeitas", mas que prometem correr ao melhor estilo de Saddam, pelo que se infere do ressurreição do antigo hábito do ditador de entregar "lembranças" aos jornalistas bem comportados. A coisa vai de mal a pior.

PS: No meio da desgraça, tenho um erro a confessar: sempre pensei que as tais armas iriam "aparecer", quer lá estivessem mesmo ou não. Mas eu sempre tenho uma vantagem: nas muitas ocasiões em que me engano nestas coisas, não morre ninguém.

Publicado por Luis Rainha às 07:00 PM | Comentários (18)

GERAÇÃO DEPRESSIVA

- Vem aí a bandeira! – exclamou Garron.
A infantaria continuava a passar. Agora via-se a bandeira tricolor. Levavam-na erguida ao alto e sobressaía por cima das cabeças dos soldados.
- Fazei uma coisa, rapazes – disse o director. – Fazei a vossa saudação escolar à passagem da insígnia da pátria. Braço estendido, a palma da mão voltada para baixo, quando passar a bandeira.
Já se aproximava o oficial que trazia a bandeira erguida, que o vento agitava, com as fitas das medalhas ganhas pendendo da haste. Estendemos o braço, saudando, todos ao mesmo tempo. O oficial olhou-nos sorrindo e saudou-nos com a mão.
- Bravo! – disse uma voz atrás das nossas costas. – Isso é que se chama uma boa acção!

Coração, Edmondo de Amicis, (Bertrand, 1977, 3.ª edição)

Este é um excerto anterior de um livro que sai hoje com o jornal Público destinado às crianças. Não sei se nele a passagem também será assim ou não, mas se for será que podemos dizer que "o Público ajuda a crescer" com a correcta saudação fascista?

P.S. – Este livro contém também a história do Marco e de sua mãe, cujos desenhos animados tantos traumas causaram à infância da minha geração. Mas entre as histórias de crianças orfãs, pobres, espancadas, estropiadas, invisuais, surdas-mudas, mortas a tiro e à navalhada, afogadas, marginalizadas e exploradas que se encontram neste livro, parece-me que o Marco até foi um gajo cheio de sorte.


Publicado por Jorge Palinhos às 06:38 PM | Comentários (17)

O BLOG E A LIBERDADE (II)

Há uns tempos escrevi isto sobre os malefícios de a liberdade de expressão depender exclusivamente do poder político.
Agora, a Waterstones, uma das maiores cadeias de livrarias da Grã-Bretanha, despediu um empregado por este ter um blog.
Parece que a liberdade de expressão não é melhor tratada nas mãos dos privados.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:59 PM | Comentários (2)

MUDEM DE EQUIPAMENTO

Uma das coisas que mais me surpreende neste Governo, e uma prova da sua incapacidade, é o descalabro que se verifica precisamente na área em que todo o planeta o temia: a gestão da imagem.
Numa época de técnicos de imagem e de marketing, de total mistela entre jornalistas, assessores, governantes e banhas da cobra em que as técnicas de apresentação, distorção e manipulação da informação são alvo de licenciaturas, teses e cursos de pós-graduação, é chocante o provincianismo do "animal político" e da sua equipa.
Tal como um Ministro da Informação Iraquiano ou um personagem de graxista compulsivo saído de um sketch do Gato Fedorento, quase que começa a parecer inocência, merecedora de apreço, a persistência e irredutibilidade do Luís Delgado, que muito provavelmente lhe vão custar o emprego a muito curto prazo.

Publicado por tchernignobyl às 02:44 PM | Comentários (4)

O QUE MORAIS SARMENTO ENCONTROU NO SEU MERGULHO

O que não passaria, com um primeiro-ministro normal, de uma pequena tempestade tropical num copo de água, acabou por motivar conferências de imprensa de urgência, comunicados às quatro da manhã, etc. Por mim, não duvido nem por um segundo de que governantes do PS e deputados de todas as cores se tenham já entretido, sempre que a ocasião se apresentava, a desfrutar de singelos momentos de lazer como o que levou o ministro Sarmento às profundezas dos mares de S. Tomé. Talvez me causem alguma estranheza pormenores como a desproporção entre o custo da viagem e o valor do protocolo a assinar ou o famoso negócio "do petróleo" que iria por aquelas paragens ser tratado sem que o ministro das Actividades Económicas de tal desconfiasse... mas pronto, deixemos lá que os rapazes se despeçam das mordomias estatais com alguma pompa.
O que se destaca no meio deste inflacionado nada é a inconfundível marca do "Estilo Santana". Inquirido sobre o caso, o calhau com gel só se lembrou de tartamudear um inacreditável "não estou na posse de todos os elementos" e uma confissão do seu "incómodo" com tudo aquilo. Ou seja: aceitou confessar-se incompetente ao ponto de ignorar os motivos das deslocações dos seus ministros, só para poder torpedear com alegria um deles. Precisamente o ministro que os "fabricantes de ruído" – santanês para "jornalistas incómodos" – apontam há tempos como não estando muito sincronizado com os estertores de perú sem cabeça que Santana toma por "estratégia".

Publicado por Luis Rainha às 01:38 PM | Comentários (6)

PEQUENA AMOSTRA DE COSMOPOLITISMO VIRTUAL

«Eu não tenho uma cidade ideal. A minha cidade ideal é uma cidade de cidades, uma colagem de lugares. É assim que eu vejo o rio Tejo e as varandas que para ele dão ladeando os arranha-céus de Hong Kong, em especial o Banco da China de LiPei, nas margens do Mar das Pérolas; o Banco faz esquina com a rua das livrarias do Rio de Janeiro, a mesma do China Club de Paris que, nesta minha cidade, fica defronte dos Jardins du Luxembourg, no centro dos quais se encontra o café Pullmans de Utrecht, com vista para a 9 de Julho de Buenos Aires, morada do Museu de Fotografia de Arles, cujo portão abre para as termas de La Garriga, ao lado das quais fica a Biblioteca de Nova Iorque na Rua 42, perpendicular à Avenida Eduardo Mondlane do Maputo, lugar do colorido mercado de Hanói, vizinho do mercado de Barcelona e da Piazza de la Signoria, defronte da esplanada do Sporting Clube de Beirute, de onde se avista o Mediterrâneo.»

Esta vertiginosa cidade ideal está descrita num dos textos do livro «Abrigos – condições das cidades e energia da cultura», de António Pinto Ribeiro, o convidado da sessão de hoje da tertúlia «É a Cultura, Estúpido!», às 18h30, no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz.
Vai lá estar a malta do costume (e o RAP, minha gente, o RAP). Apareçam.

Publicado por José Mário Silva às 01:34 PM | Comentários (6)

MOSH!

O advogado de Charles Graner, um dos militares acusados de abusos sobre os detidos de Abu Ghraib, veio dar um decisivo contributo para o entendimento do que se passou (passa?) nas prisões americanas por esse mundo fora. Afinal, os iraquianos empilhados da foto estavam apenas a receber treino para essa tão nobre e tipicamente americana actividade: o cheerleading! Tudo educativo e saudável; clean, good fun.
Inquiriu o imaginativo causídico: "não é verdade que as cheerleaders de toda a América formam pirâmides seis a oito vezes por ano? Será isso tortura?" Aproveitando a pastilha de LSD, o homem ainda relacionou as imagens de prisioneiros presos por trelas com o controlo de bebés irrequietos.
Como se não bastasse a Graner ter sido apanhado em flagrante neste caso obsceno e terem-lhe atribuído um advogado assim, ele está a ser preparado para o pouco invejável papel de cordeiro sacrificial que vai lavar a moral ultrajada do seu país. Além de ver outros implicados a testemunhar contra si, em troca de alguma indulgência judicial, está prestes a ser acusado de adultério, pois a co-ré e sua namorada de ocasião, Lynndie England, é casada. E o exército americano não poderia tolerar uma imoralidade dessas, pois não?

Publicado por Luis Rainha às 12:08 PM | Comentários (6)

HUMANUS IRAE

O meu post Dies Irae suscitou reacções curiosas. Por exemplo o ressuscitado Vincent diz que o meu comentário sobre a universalidade da estupidez logicamente me abrange também a mim. Eu julgava que isso era óbvio à partida? Depois elogia o meu à-vontade na especialidade, o que agradeço e atribuo a um conjunto de características inatas muito próprias.
Em, seguida acusa-me de tendencioso, o que eu já não compreendo. Julgo que dos dois ou três artigos que linkei e de onde extraí as citações mencionei as mais relevantes, excepto as dos budistas que, pior que dizerem barbaridades, disseram banalidades, e ninguém se deu ao trabalho de inquirir os laicos, ateus e seculares (ora, aí está uma omissão claramente tendenciosa!).
As citações não pretendiam demonstrar que todos os seguidores de religiões era loucos furiosos, mas que todas as religiões eram susceptíveis de os ter. Só não disse isto no post original porque me pareceu que ao fazê-lo estava a fazer o papel de budista.
Por isso não percebo muito bem a indignação do Vincent, a não ser, claro, que não seja mais que uma reacção ovina.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:03 PM | Comentários (6)

ECOS DA FRONTEIRA

Um texto do Vitorino Ramos publicado no Forum Novas Fronteiras:

DAS NAÇÕES, DAS ORGANIZAÇÕES E DA PROCURA

De modo muito sintético e Booleano (talvez até redutor), existem dois tipos de pessoas. Aquelas que fazem a sua “procura” na vida de modo horizontal, saltitando de assunto em assunto ou de região conceptual em região conceptual, explorando as faces caleidoscópicas da vida, no limiar de um quase “random-walk”, explorando a paisagem dinâmica dos conceitos, misturando-os, experimentando as regiões limítrofes, recombinando-as, arriscando-se a sair do “mainstream”, para não raras vezes encontrarem o simples vazio, territórios inóspitos e solitários, noutras a alegria de uma descoberta sem precedentes que vale por todo o tempo de isolamento. São pessoas abertas a quase tudo.
Por outro, as que vasculham trilhos já pisados, “fazendo o melhor uso de”, do mesmo (a palavra mais apropriada talvez só a inglesa “exploiting”), que numa escala mais local ao nível dos saberes, exploram e optimizam descobertas anteriores, fazendo uma procura verdadeiramente vertical, melhorando o que foi feito, rectificando o que está mal. São pessoas mais fechadas, avessas ao risco, mas profundamente meticulosas no seu esgravatar e questionamento. E necessárias.
A sociedade e as organizações precisam dos dois tipos, e é do balanço apropriado entre os dois que nascem, creio, as dinâmicas de inovação e sua implementação. Em tempos de crise, são os primeiros que apontam reais alternativas, em tempos de recursos, são os segundos que ajudam os primeiros. Aqui claramente prefiro o primeiro.

Por outro lado, encontram-se também os dois tipos de pessoas nas redes sociais. As primeiras fazem novos “links” depressa, conhecem muitas pessoas, por desejo ou insaciável curiosidade, muitos novos “links”, tal como quebram muitos devido ao esgotamento do seu – universal e obviamente finito - limiar de atenção. As segundas escolhem fazer o reforço perpétuo dos seus escassos “links”, escolhendo fazer novas ligações apenas e só após cuidada análise dos comportamentos por período prolongado de tempo.

Os primeiros são abertos, mas quebram ligações com maior frequência ou simplesmente as não reforçam. Os segundos, são desconfiados mas uma vez confiantes, sabem alimentar a amizade ad-infinitum.

Os primeiros representam a actividade ondulante em volta das periferias, percorrendo as franjas do estado-da-arte, os segundos a memória, segurança e consolidação do sistema até ai apreendido e oferecido – algumas vezes de modo altruísta - pelos primeiros.

Aqui, todos sabemos quem somos.

Portugal e as organizações Portuguesas em geral, não têm falta de uns e outros, condição necessária para uma dinâmica continuada da inovação e seu retorno palpável, permitindo então, saltos para novos sucessos. Simplesmente - faz muito tempo - o balanço não é o apropriado.

Temos muito poucos representantes do primeiro tipo, e demasiados do segundo. Infelizmente a somar a tal facto, não raras vezes, os segundos (até pela sua natureza) acham os primeiros verdadeiros parasitas. Até ao dia em que por exaustão da procura continuada na mesma estratégia, precisam dos primeiros, para sair do “buraco” estratégico, conceptual e de recursos finitos onde entraram.

Ora, ainda que a partir desta reduzida, booleana e linear acepção, encontro com a sua ajuda, diferenças abissais entre nós, e muitos dos países citados pela positiva, como a Finlândia, a Suécia, a Irlanda, a Coreia do Sul, e provavelmente até, ao ritmo a que está a caminhar, a Índia.

A imensa falta de trabalho em equipa no nosso país, ou a pura rejeição de tal possibilidade alimentando acéfalos anti-corpos, é disso confrangedor exemplo. Ou a auto-censura quase genética que realizamos em não procurar ouvir especialistas de diferentes áreas sobre o mesmo assunto de interesse. Ou por último a evidente lacuna de cultura urbana ou de desprezo pelo espaço público, são mais um entre tantos outros exemplos.

Temos sido marcados por um conservadorismo e egoísmo quase granítico, que nos cristaliza invariavelmente sob o mesmo ponto da paisagem global de possibilidades. Creio ser tempo de re-equacionar este nosso pequeno balanço social, colectivo e distribuído de exploração do espaço conceptual e procurar sem receios, albergar no dia a dia das nossas vidas e das nossas profissões, uma maior possibilidade à serendipidade.

Se todos nós o fizermos, e principalmente, se o deixarmos fazer sem receios, todos ganharemos.

Por: Vitorino Ramos
Investigador em sistemas complexos, CVRM-IST

Publicado por tchernignobyl às 10:27 AM | Comentários (1)

NOVOS BLOGS

Uma boa notícia, o Pedro Magalhães, cujos artigos do Público deixaram saudades - nem que fosse pelo contraponto razoável à rezinga Helena Matos -, criou um blog, onde nos ajuda a decifrar as grandes mentiras, aliás estatísticas, vulgarmente conhecidas por sondagens.
Outro blog a destacar é o Ordem de Tribunal, onde se relatam episódios caricatos ocorridos nos palácios da justiça portugueses. Não tenho nada a priori contra os juristas lusos, mas qualquer coisa que abale a omertá corporativa que domina as profissões da nação é sempre bem-vinda.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:16 AM | Comentários (4)

O BLOCO, O PS E A CENSURA

Admito sem problemas: entrevistas como a de João Teixeira Lopes a A Capital influenciam o resultado eleitoral que eu desejo e, quiçá, o sentido do meu voto. Tal como este texto de Vital Moreira, cuja leitura recomendo.

(Ler ainda, no mesmo jornal, a entrevista a António Costa Pinto.)

Publicado por Filipe Moura às 09:48 AM | Comentários (15)

JORNALISTAS E ASSESSORES EM LISTAS ELEITORAIS

De uma notícia do DN:

«Daniel Oliveira, assessor de imprensa do Bloco de Esquerda, figura em sexto lugar na lista dos candidatos a deputados do BE por Lisboa. (...) Os extremos tocam-se também Mariana Ribeiro Ferreira, que foi assessora de imprensa do CDS, é sexta na lista dos democratas-cristãos em Lisboa.»

Sempre embirrei com a expressão "os extremos tocam-se". Neste caso particular, não conheço a ex-assessora do CDS em questão e nem o seu pensamento político mas, numa primeira impressão, baseada somente nos seus apelidos, deve ser bem mais extremista do que o Daniel.

Publicado por Filipe Moura às 09:04 AM | Comentários (0)

O DIFÍCIL CAMINHO DA DEMOCRACIA NO IRAQUE


Cartoon de Olle Johansson

Publicado por José Mário Silva às 09:01 AM | Comentários (0)

ATENÇÃO A ESTA PROPAGANDA DISFARÇADA DE FINANCIAMENTO

Um bom sumário do mandato de Graça Carvalho à frente do Ministério da Ciência e do Ensino Superior vem neste
artigo de João Sentieiro, a ler com atenção.

«O programa agora anunciado contempla, além da ciência e tecnologia, o ensino superior e outros sectores, ao contrário do anterior, que apenas contemplava a ciência e a tecnologia, embora tal facto seja normalmente disfarçado (no próprio nome do programa) para criar a ilusão de que se aumentaram as verbas para a ciência. (...)
Assim, o novo programa é o resultado de uma operação de desmembramento do programa anterior com enxertos de outros programas existentes (nomeadamente os do âmbito do ensino superior). Ficam misturados tanto financiamentos para bolsas e projectos de investigação como para residências e cantinas universitárias! De facto, o que acontece é que basta que se retirem as verbas destinadas ao ensino superior e a outros sectores também beneficiados para se constatar que a ciência e a tecnologia saem prejudicadas. De facto, ao contrário do que se tenta fazer crer, existe uma quebra acentuada no financiamento à ciência em 2004, 2005 e 2006. Não havendo no OE de 2005 outro programa complementar deste, essa quebra de financiamento afectará toda a ciência.»

Publicado por Filipe Moura às 08:39 AM | Comentários (0)

janeiro 11, 2005

ADENDA

À lista de sons socialmente inconvenientes, juntar s.f.f. os toques polifónicos dos telemóveis — em particular aqueles que despertam, de forma quase obscena, voluptuosas orquestras caribenhas nos bolsos de cidadãos respeitáveis.

Publicado por José Mário Silva às 07:19 PM | Comentários (4)

QUANDO O PATRÃO PÕE MÃOS À OBRA

Num anúncio de página inteira, a Cinemateca Portuguesa anuncia para amanhã, dia 12 (21h30), uma sessão em que será apresentada uma das obras-primas de Fritz Lang: «Moonfleet - O Tesouro do Barba Ruiva». Sob um fotograma do filme, pode ler-se: «Jon Whiteley que, há cinquenta anos, muito louro e assombrado, foi o inolvidável miúdo chamado John Mohune, no MOONFLEET de Fritz Lang, apresentará o filme de todo o cinema, o filme de toda a pintura.»
Alguém duvida que o autor destas palavras foi o próprio João Bénard da Costa?

Publicado por José Mário Silva às 07:16 PM | Comentários (1)

O MELHOR "COELHO SUICIDA" DE SEMPRE (PELO MENOS PARA MIM)

É este:

E não é do Andy Riley. É do João Pedro da Costa, o grão-mestre nacional do culto.

Publicado por José Mário Silva às 06:59 PM | Comentários (5)

NEM SÓ DE MAREMOTOS SE FAZ A MISÉRIA DO MUNDO

A ONU veio hoje recordar uma evidência: a comunidade internacional deve dar um sentido à sua generosidade, tão proclamada na últimas semanas (com o fragor dos espantosos oito mil milhões de dólares reunidos para ajudar as vítimas do tsunami), estendendo-a aos «20 a 30 milhões de pessoas» que necessitam de apoio urgente no resto do mundo, nomeadamente em África. Nas palavras de Jan Egeland, coordenador das operações de emergência das Nações Unidas, «nunca foi fácil ajudar estas pessoas e, por isso, espero que 2005 seja o primeiro ano em que os pedidos de fundos apresentados pela ONU sejam preenchidos na totalidade». Infelizmente, acrescenta Egeland, «é fácil angariar os fundos para o Kosovo, o Iraque ou o para tsunami, mas é um pesadelo conseguir ajuda para a África Ocidental ou Central», mesmo quando é sabido que «o equivalente ao número de vítimas do tsunami ocorre a cada cinco meses em países como a República Democrática do Congo». [notícia completa, aqui]

Publicado por José Mário Silva às 06:07 PM | Comentários (2)

SINAL DOS TEMPOS

Atrás de mim, no café, duas raparigas discutiam animadamente os trapos de José Castelo Branco.
À minha frente, no café, duas raparigas falavam de posts, do Blogger, da angústia do sitemeter.
Levantei-me e olhei à volta, discretamente (tão discretamente quanto a minha falta de discrição permite).
A suspeita confirmou-se: na roupa, nos penteados, nos gestos, nada distinguia as quatro raparigas.

Publicado por José Mário Silva às 01:19 PM | Comentários (13)

A MORTE DO ROMANCE (post alçado)

- Mas não achas que o romance, como algo mais que um formato comercial, deixou de fazer sentido?
- Não. O romance é como ter outra família. Serve de companhia ao longo de muitos dias e deixa-nos conhecer pessoas e vê-las mudar.
- E há quanto tempo não lês um romance?

(Eu sei que este tema é muito do agrado dos escribas mais cotas, mas gostava de ouvir algumas opiniões.)

Actualização: Devido ao meu interesse por este assunto, e porque tinha mais algumas informações e observações a fazer, tomei a liberdade de subir ligeiramente este post.
Seguem-se mais factos, links e comentários que me parecem relevantes.

Num artigo (de 1965!) da NYRB, infelizmente a pagar, há uma introdução muito interessante sobre este assunto:

The special fate of the novel, considered as a genre, is to be always dying; and the main reason for this is that the most intelligent novelists and readers are always conscious of the gap, consisting of absurdity, that grows between the world as it seems to be and the world proposed in novels. Of course, only the novelists and their more intelligent readers ever say that the novel is dying; the public for popular novels is happy enough with the familiar sights and landmarks of what Scott, looking at the English novel of the late eighteenth century, called "the land of fiction." This is a place in which all its accomplished in terms of unvarying myth and convention; its "adventures" have to do, in Scott's words, "not with those of real life, but with each other." We are always—and by "we" I mean those of us who scorn to have dealings with the merely popular—we are always emigrating from the land of fiction. We object precisely to its absurdity; if that's a novel, we say, I'm going to write an anti-novel. Then the anti-novel—Joseph Andrews, Love and Freindship I regard as anti-novels avant la lettre—points the way to a new novel, a new convention; once again strong minds are revolted by arbitrariness and absurdity. Again they proclaim the imminent death of the novel, the one genre without which modern literature is unimaginable.

A minha questão é: até que ponto o romance poderá sofrer contaminações e inovações e continuar a ser legitimamente chamado de "romance". Pressuponho aqui que o romance é um género literário de características específicas (por exemplo: de natureza ficcional, com personagens e evolução psicológica destas e algum tipo de conflito, embora estas características seja muito discutíveis) e não apenas prosa extensa. Por exemplo, tendo em conta a crescente contaminação da ficção pelo ensaio, quão influenciado por este poderá ser o romance até perder as suas características romanescas? Poderemos chamar romance ao "Bartleby & Cia", ao "A Louca da Casa" ou ao "Biblioteca"?

Por outro lado chamo a vossa atenção para dados do número de Outubro da Atlantic Monthtly onde se aponta que os índices de leitura da ficção nos EUA está a baixar e os de não-ficção (biografia, ensaio, livro técnico) estão a aumentar. Concretamente, a venda de ficção baixou sete pontos, e a venda de livros em geral baixou quatro pontos. (Os dados são deste estudo).

Finalmente, parece-me notar uma tendência crescente entre as camadas mais jovens de leitura online (blogs, jornais, chats). Será que isso terá impacto na ficção? Qual?

Chamo também a vossa atenção para um artigo céptico (e bem-humorado) da Granta sobre esta questão. Ora a Granta é justamente uma revista especializada em narrativa "não-ficcional". Também se pode alegremente encaixar a não-ficção no romanesco?

Publicado por Jorge Palinhos às 01:18 PM | Comentários (8)

DIES IRAE

Causou alguma sensação esta citação no Aviz. Mas os fanáticos muçulmanos não foram os únicos a descobrir no tsunami uma espécie de raspanete sobrenatural.

Este artigo do Washington Post dá vários exemplos, como o principal rabi sefardita de Israel que afirmou:

"This is an expression of God's great ire with the world. The world is being punished for wrongdoing -- be it people's needless hatred of each other, lack of charity, moral turpitude."

Por outro lado, o evangélico director do World Watch Daily afirmou:

"The Biblical proportions of this disaster become clearly apparent upon reports of miraculous Christian survival. Christian persecution in these countries is some of the worst in the world."

e

"What happened, and we see this happen over and over again, was that Christians, supernaturally, have been able to escape from harm's way."

Também para alguns grupos hindus:

"...the tsunami is "divine retribution" for the arrest of Jayendra Saraswati, a Hindu religious leader"

Já para o responsável anglicano de Sidney:

"Disasters are part of His warning that judgment is coming."

Como se pode ver, mais que a solidariedade, a estupidez é genuinamente universal.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:02 PM | Comentários (9)

O NOSSO HOMEM EM S. PAULO

(via Charlotte)

Ficam aqui os parabéns ao João Pereira Coutinho pelas novas crónicas quinzenais na Pensata e mensais na Ilustrada da Folha de S. Paulo.

P.S. - É óbvio que o "nosso" é estritamente étnico-cultural.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:03 AM | Comentários (2)

janeiro 10, 2005

O OUTRO TSUNAMI


Cartoon de Simanca

Publicado por José Mário Silva às 11:27 PM | Comentários (5)

JOVENS PARA O CENTRO E EM FORÇA!

Com esta missiva pretendo adicionar algumas informações potencialmente relevantes a uma notícia publicada no passado domingo no jornal Público, com o título "Câmara de Lisboa põe à venda mais 910 casas para jovens".
Suponho que este empreendimento situado no eixo Ameixoeira-Galinheiras faça parte da promessa eleitoral deste executivo no sentido de trazer os jovens - entidade abstracta da área metropolitana de Lisboa - para o "Centro". Ora se não me falha a geografia, o dito "Centro" de Lisboa anda mais pelas bandas pombalinas ou pela zona das Avenidas Novas até ao Campo Grande, a não ser que a promessa tivesse letras miudinhas - jovens para o Centro... da periferia limítrofe de Lisboa.
Curiosa também é a forma como os responsáveis camarários escamoteiam a realidade social da zona para a qual estão a convidar os supracitados jovens. Em toda a peça nunca é referida a turbulência diária a que se assiste naquela zona da cidade. O eixo Ameixoeira-Galinheiras é neste momento um barril de pólvora prestes a estoirar, sobretudo após o realojamento senil efectuado à população da zona do Vale do Forno. Essa população, exclusivamente de etnia cigana, serviu de bola de pingue-pongue aos edis de Lisboa nos últimos anos e actualmente serve de bode expiatório para as situações gravosas que se vivem naquela zona de há muito tempo a esta parte. Tráfico de droga diário e às claras, negociatas de vários tipos e feitios, moradores de habitação social com automóveis topo de gama, lutas de cães, zonas de obra com andaimes guardadas por seguranças informais armados, prédios com elevadores avariados e totalmente esventrados no seu interior, mandados de captura semanais, enfim, um manancial de acontecimentos que dão sentido às declarações do presidente Carmona Rodrigues, que promete aos jovens um clima de "festa, convívio e solidariedade".
Também não deixa de ser curioso o facto de a vereadora responsável pelo empreendimento afirmar que a procura de fogos já excede a oferta. O que Helena Lopes da Costa não revela é que o prazo de 15 de Fevereiro referido na notícia já compreende um alargamento ao prazo inicialmente previsto que terminava a 10 de Janeiro. Ora se já há demasiada procura, porquê estender o período de candidatura? Ou, pelo contrário, haverá problemas no escoamento das novas habitações? Quem visite a zona antes de comprar ficará a pensar duas vezes, disso não tenho dúvidas.
Para terminar, uma referência ao manancial de equipamentos sociais prometidos para a zona, esquadra incluída. Daqui depreendo que os milhares de habitantes que já lá se encontram são cidadãos de segunda, miseráveis ocupantes de projectos de realojamento que até agora não tiveram acesso aos ditos equipamentos. Na lógica camarária, constroem-se melhores infraestruturas a partir do momento em que gente "normal" mostre interesse em ir para lá viver. Caso contrário impera a lógica do ghetto, que se estende inclusive a má oferta de transportes públicos.
A gestão das populações e do urbanismo em Lisboa continua a ser tratada com os pés e basta andar duas ou três páginas para a frente na edição do Público de domingo e verificar aquilo que não se investe na recuperação do património já edificado. Os responsáveis preferem construir e escamotear verdades. Em nome da "Lisboa Feliz".
(Pedro Vieira)

Publicado por José Mário Silva às 08:39 PM | Comentários (0)

ESTACA ZERO

Agora, a Abril em Maio também tem um blogue. Fica aqui. Vão lá ver. E já agora reservem a noite de hoje para uma preciosidade. Às 22 horas, no Regueirão dos Anjos, será exibido o documentário-entrevista «Conversas com Glicínia», de Jorge Silva Melo (com a presença garantida quer do Jorge quer dessa espantosa actriz octogenária que é Glicínia Quartin).

Publicado por José Mário Silva às 04:57 PM | Comentários (2)

«É A CULTURA, ESTÚPIDO!» RELOADED

Do press-release:

«O mais perigoso gang cultural está de regresso ao Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz. Ninguém mudou de clube. Ninguém mudou de opção política. Ninguém mudou de sexo. São exactamente os mesmos em campo, só que alguns jogarão em posições diferentes. Uma coisa os une: a vontade de falar do país da maneira em que o país está. Ou seja: de uma forma alegremente anárquica. Ah, e falar de cultura, claro. Desta vez é o Ricardo Araújo Pereira quem apresenta e, como sempre, faz o stand-up final. A Anabela Mota Ribeiro lança a discussão. O Daniel Oliveira, o João Miguel Tavares, o José Mário Silva, o Nuno Costa Santos e o Pedro Mexia fingem que têm uma agenda cultural interessante e vão também falar do que não andam a ler. A coordenação é de Nuno Artur Silva/Produções Fictícias. O tema desta primeira edição é o grande combate e/ou dialéctica "Cultura Popular vs Cultura Elitista". O nosso convidado especial é o ensaísta e programador António Pinto Ribeiro, a propósito do seu recente livro "Abrigos – Condições das Cidades e Energia da Cultura". O resto é convosco.
No dia 12 de Janeiro, às 18h30

Publicado por José Mário Silva às 02:37 PM | Comentários (2)

OLHA, OLHA, O ABOMINÁVEL CÉSAR DAS NEVES TRATA PORTUGAL POR TU!

E, não contente com a familiaridade, escreve-lhe cartas moralistas em que diz coisas como estas:

«Ninguém tem paciência para te aturar mais chorinquice. Aliás, tens de reconhecer, esta crise até nem foi nada de extraordinário. Não se justifica tanta lamúria. Confessa que ela foi mais uma ressaca que uma verdadeira depressão. Apanhaste um pifo de euforia e dívida, e agora dói-te a cabeça e tens de pagar os estragos. (...)
É incrível como voltas sempre às desculpas estafadas. O Governo é mau? Olha que novidade! Mas desde o D. Fernando são todos maus. E os poucos que foram bons, nunca o reconheceste; limitaste-te a ter saudades, depois de dizeres todo o mal que podias durante seu mandato.
Os tempos estão difíceis? Olha que espanto! Desde o Noé que não são fáceis. São os homens que fazem os tempos, sem esperarem por ajudas. A vida é dura? Vê lá a grande surpresa!
Deixa-te de mariquices e toca a andar!»

Infelizmente, desconfio que Portugal, o ingrato, nem sequer lhe vai responder.

Publicado por José Mário Silva às 12:52 PM | Comentários (7)

PRESIDENCIAIS NA PALESTINA

Ao que tudo indica, Mahmud Abbas, líder da OLP, venceu as eleições para a presidência da Autoridade Palestiniana, com uma vantagem confortável sobre o candidato independente Mustapha Barghouthi. Frente à Muqataa, em Ramalah, ouvem-se disparos de metralhadora e vivas ao sucessor de Arafat. Resta saber se ele vai conseguir, como pretende, «pôr fim ao sofrimento do povo palestiniano» e «edificar um Estado de direito e de segurança onde os cidadãos usufruam de uma vida digna». Seria extraordinário que o conseguisse (mais do que extraordinário, seria histórico), mas todos sabemos que será muito difícil. Muito, muito, muito difícil.

Publicado por José Mário Silva às 09:36 AM | Comentários (1)

janeiro 09, 2005

DA (RELATIVA) IMPORTÂNCIA DO TÍTULO DE "ENGENHEIRO"

Antes "empacotador". Ontem, "empacotou" mais dois.

Publicado por Filipe Moura às 07:54 PM | Comentários (4)

FRASES PARA ESCREVER NAS PAREDES (3)

«Contra todas as evidências em contrário, a alegria» (Manuel Gusmão)

Publicado por José Mário Silva às 06:16 PM | Comentários (0)

LIDO NA SMS TV

"Tumor, és um amor."

Publicado por Luis Rainha às 05:54 PM | Comentários (1)

TUDO É VAIDADE (2)

Não me vou pôr a contar as crianças que consigo distinguir naquela foto que continua a parecer-me tremida e desfocada, apesar de impecavelmente nítida. Nem quero discutir se Deus será mesmo um Pai extremoso, um ente incompreensível e extra-dimensional ou a criatura vingativa que fustigou Job.
Não. Ao rever este vídeo gravado em Banda Aceh, vejo apenas uma epifania carregada de vazio: a revelação do verdadeiro tamanho, da real importância do ser humano. Como poderá resistir à força desta torrente a certeza inabalável de que somos especiais, únicos ao ponto de sermos feitos "à imagem" de outra coisa que não um feliz acaso da biologia? Entre os corpos agora reduzidos a entulho inchado e irreconhecível, onde estará o magnífico animal que até mereceria honras de uma outra vida?
"O destino dos filhos dos homens e o destino dos animais é o mesmo, um mesmo fim os espera. A ambos foi dado o mesmo sopro; o homem não tem nenhuma vantagem sobre o animal." Isto proclamou o nosso Deus, bem antes de lhe passar pela ideia enviar o Seu Filho para uma morte atroz, às mãos de mal-agradecidos sanguinários.
Talvez monstruosidades como esta onda absurda sejam mesmo "o hediondo cair do véu" de que falou Poe; janelas para o vazio sem remissão que nos rodeia.
Ou talvez não passem mesmo de mais uma reviravolta nos "insondáveis desígnios" de Alguém que, apesar de tudo, até nos reserva um desenlace feliz. Mas, assim à primeira vista, não parece mesmo nada.

Publicado por Luis Rainha às 01:34 PM | Comentários (11)

janeiro 08, 2005

ENGRAÇADINHOS SEM GRAÇA

Ontem, pela primeira vez, ouvi uma anedota sobre a tragédia no sudeste asiático.
O humor é, por definição, uma subversão da normalidade e, quando observado por esse prisma, sempre me pareceu um fenómeno interessante. No entanto, fazer humor e contar piadas sobre aquilo que aconteceu e que ainda está a acontecer a milhões de pessoas nos países afectados por esta catástrofe parece-me desumano. É o luxo daqueles que imaginam que o seu pequeno mundo nunca será destruído. É a ignorância daqueles que nunca perderam ninguém, que acreditam que nunca irão perder ninguém e que vêem o mundo como uma brincadeirinha, um jogo de playstation, uma elaboração teórica que nunca os afectará. É a total falta de empatia em relação ao sofrimento dos outros – uma das principais marcas psicológicas dos psicopatas.
Aos poucos, tornámo-nos num país de engraçadinhos. Em tudo se promove a gracinha. Ter graça, aos poucos, tornou-se mais relevante do que ter razão. Como chegámos a isto? Mais cedo ou mais tarde, tornar-se-á claro que o máximo que os engraçadinhos poderão alcançar será serem engraçadinhos. Quando se tornarem um pouco mais adultos e a vida lhes mostrar o quanto é triste perseguir um objectivo tão vazio, chegará a hora de lamentar o tempo perdido. Para o bem dos próprios e para o bem de todos, espero que não seja demasiado tarde.
Isto foi o que disse à pessoa que me contou uma anedota sobre a tragédia no sudeste asiático.

Publicado por José Luís Peixoto às 06:34 PM | Comentários (18)

PONTO FINAL; SEM VÍRGULA

Morreu ontem, quase em silêncio, o blogue que mudou a minha vida no sentido mais literal do termo. Em poucos minutos, sucederam-se os estados emocionais: tristeza súbita, melancolia, resignação. O Ponto e Vírgula já não era, há demasiado tempo, o antigo e magnífico P & V. O ciclo fechou-se porque tinha que se fechar. A vida continua. E o Ponto vai transformar-se em pastel, fresquíssimo, desta pastelaria. E a Vírgula talvez apareça mais, com o seu nome civil, neste blogue que é a sua segunda (agora primeira) casa.

Publicado por José Mário Silva às 04:14 PM | Comentários (2)

SE UM EMPLASTRO INCOMODA MUITA GENTE, DOIS EMPLASTROS INCOMODAM MUITOS MAIS

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Publicado por José Mário Silva às 04:11 PM | Comentários (13)

AP-TMI

Da leitora Maria da Graça Moreira recebemos o seguinte e-mail:

Caros Bloguistas de Esquerda,

Ontem decorreu na Biblioteca-Museu República e Resistência uma conferência de Imprensa da Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque (AP-TMI). Estiveram presentes 3 (três) jornalistas. Para além da deficiente (acredito que possa ter sido) forma como a CI possa ter sido convocada, o que é um facto é que o tema é incómodo e não colhe nos media como uma qualquer visita do demissionário ministro da defesa ao dentista, ou mais uma embrulhada do demissionário PM.
O Tribunal Mundial sobre o Iraque (TMI) foi constituído em 2003 por um conjunto de organizações e personalidades empenhados no movimento contra a guerra. A sua primeira sessão realizou-se em Bruxelas, em meados de Abril de 2004, e culminará em Istambul em Junho de 2005, onde serão apresentadas as conclusões das sessões entretanto realizadas nos diversos países em que se formaram secções do Tribunal.
A AP-TMI foi constituída em 30 de Maio de 2004 e visa analisar a responsabilidade do Estado, de entidades ou de cidadãos portugueses na agressão do Iraque.
A AP-TMI tem um site, neste momento um pouco desactualizado, mas no qual se vai trabalhar em termos de o tornar mais actual. Aí podem encontrar documentação vária, informação sobre as iniciativas já levadas a efeito e pode ser subscrito o manifesto, por mail enviado para tribunaliraque@yahoo.com ou josemariobranco@vodafone.pt, indicando o nome e a profissão.
Desde já vos agradeço a divulgação que possam dar a esta iniciativa. A imoralidade, a brutalidade do que se está a passar no Iraque, a mortandade diária de civis inocentes, exige-nos que tomemos posição contra quem, de uma forma descarada, veiculou e continua a veicular mentiras sobre as razões que levaram à invasão do Iraque.
Não faço parte da Comissão Organizadora do AP-TMI, mas visito-vos diariamente e gostaria de ver no vosso blogue alguma informação sobre este assunto.


Pela nossa parte, agradecemos o contributo. Fica o alerta, o link e o acicatar do interesse (mesmo se crítico) dos nossos leitores.

Publicado por José Mário Silva às 04:03 PM | Comentários (1)

janeiro 07, 2005

TUDO É VAIDADE (1)

"Ontem, tomei o pequeno-almoço no quarto, aproveitando a manhã para trabalhar. Até sair para o meu passeio diário pela praia.
Ainda antes de chegar à piscina vi que algo se tinha passado. As luzes histéricas de uma ambulância. A multidão imóvel. Um desconhecido disse-me que se tinha afogado uma criança. Uma menina com cerca de dez anos. Ninguém sabia quem era ou onde estavam os pais.
Por entre os mirones, vejo um segundo de uma boneca inerte, sacudida ritmicamente pela tentativa de reanimação. Fecho os olhos e sinto o eco da tragédia. Alguém que berra ao ver uma sombra pairando sobre o fundo da piscina. O pequeno corpo surge à superfície nos braços de um turista empalidecido. Os esforços frenéticos dos salva-vidas. A chegada do helicóptero médico, no meio de uma tempestade de areia.
Ao longo da praia, a dor era uma onda que tudo vergava no seu caminho, acompanhando a viagem da terrível notícia: uma criança morrera afogada. Mães consternadas chamavam para si os seus filhos. Pais inquietos questionavam telemóveis, em busca de respostas tranquilizadoras.
A própria ilha estava de luto. O céu era um manto de chumbo cada vez mais próximo. As vagas pareciam repelir os banhistas, que se concentravam em pequenos grupos, olhando na direcção do hotel. No rochedo junto à ponta norte da ilha, eu via pela primeira vez a forma de um gigante caído. Um terrível monumento funerário velado pelos gritos da gaivotas.
Porque nos pesa tanto a morte de uma criança?
Talvez só através das crianças nos seja possível acreditar no dia de amanhã. Nelas o mundo encontra o seu único lenitivo. Uma pequena mas vital cura para o medo do vazio. A morte é coisa de adultos. Sempre monstruosa e inaceitável; mas entendível como o fim de um lento caminhar. Da inocência para a decadência.
As crianças não devem, não podem morrer.
Aceitar a possibilidade de um tal absurdo basta para abrir uma fenda na superfície ordenada das nossas vidas. Deixa-nos entrever o que todos sabemos lá estar debaixo. O caos. A negritude da nossa própria solidão. A evidência de que o único sentido da vida é o que nos leva ao desespero.
Continuei a caminhar, até perder de vista os enxames de guarda-sóis fechados, rodeados de turistas perplexos. A maré começara a subir, recolhendo as pequenas poluições do dia. A areia era um espelho movediço, despedindo-se de todas as marcas de pessoas, cães ou gaivotas. Como recordações de um dia infeliz, apagadas logo no início de uma noite de sono. Bate-me à porta da memória a sentença do Eclesiastes: 'O destino dos filhos dos homens e o destino dos animais é o mesmo, um mesmo fim os espera. A ambos foi dado o mesmo sopro; o homem não tem nenhuma vantagem sobre o animal. Tudo é vaidade'."

Há pouco mais de seis anos, a morte de uma só criança levou-me a escrever estas linhas, já nem sei bem porquê. Hoje, ao olhar para o enquadramento completo da fotografia que encima este post (atenção: trata-se de uma imagem pouco menos que insuportável), nem consigo sentir vontade de escrever coisa nenhuma. Há eventos tão absolutamente inumanos que nunca poderão servir de inspiração; nem para a mais negra das orações fúnebres.
Ou talvez não. Talvez venha a nascer, num dia que não está para breve, prosa ou poesia capaz de nos devolver, em toda a sua absurda integridade, o horror que hoje me parece indizível. Será obra temível e quase sobrehumana. Como já o conseguiu ser este livro.

Publicado por Luis Rainha às 11:40 PM | Comentários (27)

QUASE LÁ

Falta pouco.
Muito pouco.
E eu pergunto-me como caberá no mundo tamanha claridade.

Publicado por José Mário Silva às 08:38 PM | Comentários (5)

LÍNGUA (MESMO) MORTA

A "escrita inteligente" dos telemóveis reconhece o inglês e o francês. Mas não o latim.

Publicado por José Mário Silva às 07:51 PM | Comentários (3)

TESTOSTERONA EM ALTA

2005 começa com bom astral.
"... penetrar mais nos seus clientes" foi a colorida justificação que o vigoroso empresário Jardim Gonçalves deu à TSF para a "introdução" no mercado de mais um "produto" qualquer pelo Banco que superiormente dirige.
Assim se vão aconchegando as esperanças daqueles que há vários anos aguardam com expectativa justificada a chegada da Era do Aquário.

Publicado por tchernignobyl às 06:50 PM | Comentários (2)

TIGRES TRISTES

Na capa da revista LUX, uma síntese brilhante da relação entre o "ocidente" (como diz o pacheco cada vez mais obnubilado por um "huntingtontismo" militante) e a tragédia provocada pelo maremoto amarelo:
A foto de um casal sorridente com a legenda em letras grandes brancas e gordas: "Estou chocado com este horror".

Publicado por tchernignobyl às 06:22 PM | Comentários (1)

NA AULA DE PREPARAÇÃO PARA O PARTO

Elas, ansiosas e grandiosas (como as suas barrigas). Eles, calados e espantados. Todos de olhos muito abertos, sentindo aproximarem-se horas maiores do que alguma vez imaginaram.

Publicado por José Mário Silva às 09:08 AM | Comentários (7)

janeiro 06, 2005

2005: ANO EINSTEIN

Há precisamente um século, a Física conheceu um dos seus annus mirabilis (tão importante como o de 1666, na era Newton). Apenas com três artigos - dedicados ao efeito fotoeléctrico, ao movimento browniano e (o mais famoso de todos) à relatividade restrita - Albert Einstein revolucionou a ciência moderna e a forma como compreendemos o mundo. Assinalando a efeméride, 2005 foi considerado o «Ano Mundial da Física».
Ou seja, não é tarde nem é cedo para os físicos teóricos da actualidade oferecerem um pouco do seu saber aos leigos que se interessam por estas matérias. De que é que estás à espera, Filipe?

Publicado por José Mário Silva às 06:49 PM | Comentários (34)

THE RETURN OF THE ITALICS

Eles aí estão, de novo. Os itálicos. O novo endereço de e-mail (blogue_de_esquerda2arrobayahoo.com) está lá em cima, no cabeçalho, para relembrar os mais distraídos. O resto já sabem como é.

Publicado por José Mário Silva às 05:32 PM | Comentários (2)

E TEMOS DE ESPERAR ATÉ 20 DE FEVEREIRO PARA NOS LIVRARMOS DE TI?

Segundo tem afirmado a comunicação social nos últimos dias, "Santana Lopes quer fazer campanha diferente". O próximo visitante do centro de emprego do conde redondo propõe-se visitar aldeias recônditas e passar uma noite numa república coimbrã. Suponho que também andará pela Alfredo da Costa a fazer campanha pelas incubadoras. E por Guimarães a dar explicações sobre cabos de facas, que continuamente lhe enfiam nas costas. Ou quem sabe por Camarate a ver se tem direito ao martírio, como aquele senhor que o assombra e que não vou mencionar por respeito aos gentios com sobrenomes de ovinos. Por falar em ovino, parece que o dito é o cabeça de ex-cartaz da campanha de outdoors Santana. Suponho que é nosso dever votarmos nele.
Teologicamente serão votos válidos ou nulos? Jesus, está na hora de voltares a descer para veres a confusão que vai na(s) democracia(s) cristã(s). Ou parecidas.
(Pedro Vieira)

Publicado por José Mário Silva às 05:21 PM | Comentários (1)

MEIA DÚZIA DE SUGESTÕES PARA COMPOR AS LISTAS DO PPD-PSD

O pobre calhau com gel anda mesmo com azar. Depois das tropelias do tal Pôncio-não-sei-quê, veio a trepidante e quase alfabetizada escritora Margarida Rebelo Pinto recusar um belo assento em S. Bento. Que fará agora o débil prematuro, ainda com as costas ouriçadas de facas?
Como já estou prestes a ficar com pena do desinfeliz, ofereço-lhe aqui algumas sugestões de nomes sonantes e adequados. Trata-se apenas, claro está, de figuras bem conhecidas da TV. Como creio ser este o critério mais relevante para o Dr. Santana, é com confiança de estar a prestar elevado serviço à Pátria que aqui deixo a lista dos meus escolhidos:

Publicado por Luis Rainha às 04:29 PM | Comentários (9)

UM INSTRUTIVO DIÁLOGO PAI-FILHO

- Pai! Um amigo ensinou-me a fazer amor!
- ?
- Sim; esteve a mostrar-me!
- ??
- É assim: chegas com o carro ao pé de uma daquelas mulheres que estão nas esquinas, ela entra, o carro começa a abanar e pronto. Ficas logo com mais energia!
- Ai.
- E o melhor é que depois vais atrás dela, bates-lhe com o taco de basebol e ficas outra vez com o dinheiro. Assim, ganhas energia e não perdes dólares!
- ...

Isto era o meu petiz, há dois anos, a descrever entusiasmado algumas das virtualidades de um jogo novo. Agora, está a pedir-me, para o aniversário, a última versão da coisa. Já não tenho energia para o contrariar. E, dado o preço do joguito, temo que logo vá ficar também sem dinheiro (a não ser que leve o tal taco "mágico" para a Fnac...).

Publicado por Luis Rainha às 04:25 PM | Comentários (11)

UM ARTIGO SOBRE A BLOGOSFERA LUSA

No último número de 2004 da revista "Meios", da AIND, figura um artigo sobre o nosso pequeno mundinho. A coisa, da autoria de Vanda Ferreira, é graúda; não tive tempo para a ler por inteiro (mas já reparei que se enganaram no endereço do BdE...). O site da Associação ainda não inclui este número da revista mas, estranhamente, encontrei aqui um ficheiro Word com o texto completo. Leiam e depois digam-me se vale a pena...

Publicado por Luis Rainha às 04:08 PM | Comentários (0)

DELAY

Ontem, não consegui postar quase nada; e isso irritou-me um bocado. Tendo em conta que passei o dia a acumular embriões de posts, o meu bem-estar psíquico exige que os descarregue agora. Vou tentar não pensar em bloguices novas até amanhã. Depois, pode ser que recupere desta estranha forma de jet-lag.

Publicado por Luis Rainha às 03:56 PM | Comentários (0)

MAIS PROVAS DA MALUQUEIRA GLOBAL

Artigo de opinião do jornal The Guardian sustenta a ideia de que o português [José Mourinho] tem tudo para ser o próximo Primeiro-ministro inglês.

(O artigo é este.)

José Castelo Branco recebido como herói no Bolhão
O vencedor da "Quinta das Celebridades" prometeu intervenção política para melhorar o mercado.

Acusação de 'sovinice' choca EUA.

Kate Beckinsale forçada a livrar-se de coelho masturbador compulsivo.

Islâmico radical alega que não pode ir a tribunal porque tem as unhas demasiado compridas para andar.

Governo mexicano publica banda desenhada a explicar como emigrar ilegalmente para os EUA.

Berlusconi perdoa a homem que o atacou com um tripé de máquina fotográfica e convida-o a visitá-lo em Roma.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:31 PM | Comentários (7)

A MORTE DE UMA LENDA

Via Beco das Imagens, descobri que o Will Eisner faleceu na segunda-feira.
A maioria dos jornais dá pouco destaque (o Público fez apenas uma pequena nota) porque praticamente não há obras dele traduzidas para Portugal, mas o Will Eisner era uma lenda viva dos comics americanos, em homenagem de quem foram baptizados os prémios maiores da BD americana, os Eisner Awards.
O génio gráfico de Eisner assentava no uso magnífico dos spreads, em que combinava imagens, enquadramentos e palavras de forma fabulosa, que complementava, claro, com história excelentes.
Foi também dos artistas que mais pensou e mais fez progredir a "arte sequencial", escrevendo livros sobre BD e criando o que se pode chamar a primeira novela gráfica, isto é, banda desenhada para adultos (adultos mesmo, e não adolescentes com as hormonas aos saltos): A Contract with God and other Tenement Stories, em que, baseando-se nas suas recordações de infância e recorrendo a técnicas e estruturas da tradição narrativa judaica, conta várias histórias de imigrantes judeus recém-chegados aos Estados Unidos que lutam para sobreviver e adaptar-se.

Enfim, pode ser que o gosto mórbido tão tipicamente português contribua para que comecem a traduzir cá a sério a sua obra.

(Ver também o artigo no DN do João Miguel Tavares, no Washington Post e no NYT.)





















Publicado por Jorge Palinhos às 10:05 AM | Comentários (12)

OLHA, O SÓCRATES TEM PANÇA!

As Novas Fronteiras já têm pança, digo, site. E deixem-me contar-vos um segredo: se deixarem o ponteiro do rato parado uns segundos do ecrã, surge uma janelinha com... ahhh... a mesma citação do Sócrates que já está na janela principal.

Publicado por Jorge Palinhos às 09:59 AM | Comentários (2)

SUGESTÃO PARA BLOGGERS

Leiam o último livro de poemas do Pedro Mexia («Vida Oculta», Relógio d'Água). Tem posts magníficos.

Publicado por José Mário Silva às 12:26 AM | Comentários (2)

janeiro 05, 2005

ENTREVISTA A MÁRIO DE CARVALHO

Na edição 377 do DNa, de 20 de Fevereiro de 2004, pode ler-se uma entrevista a Mário de Carvalho. A certa altura uma declaração do escritor é transcrita, textualmente, da seguinte forma: "Ficam num ficheiro qualquer. Lá perto do tal laboratório de que lhe falei à bocado."
O DNa nem costuma ter erros de ortografia. É evidente que, num caso destes, a responsabilidade pelo erro é sempre de quem escreve a entrevista e nunca do entrevistado, apesar de as palavras do texto serem atribuídas a este último. As palavras, não o texto.
Mesmo assim, é sempre uma situação embaraçosa para com o entrevistado. Especialmente quando este é um grande escritor.

Publicado por Filipe Moura às 08:59 PM | Comentários (26)

COMENTÁRIOS AO DNa

A publicação que será mais visada nestas minhas críticas será o DNa, suplemento do Diário de Notícias. Apesar da relação muito próxima entre um dos membros deste blogue e o DNa, o blogue e o suplemento são coisas completamente independentes. Independentes serão também as minhas críticas: fá-las-ei somente na minha qualidade de leitor, sem querer fazer publicidade (a coisas escritas há semanas...) e esquecendo, para todos os efeitos, a ligação atrás referida. Que fique bem claro.
A razão para o destaque dado a esta publicação é simples: sou leitor do DNa desde o primeiro número. Nunca falhei nenhum. Alguns números do DNa é que me falharam a mim (e a todos os outros leitores), como aquela vez em que alguém teve a ideia iluminada de fazer uma edição completamente em branco, num fim de semana de fim de ano, ou quando o DNa não saiu, noutro fim de semana de fim de ano (apesar de tudo, uma solução mais honesta), um ano depois. Um bom exemplo de preguiça... Em ambos os casos o preço de capa do DN não se alterou: era o mesmo que se tivesse saído um suplemento a sério, mesmo quando não saiu nada. Um mau exemplo de seriedade, embora neste caso a responsabilidade seja, creio, da administração do jornal.
Este ano, do mal o menos, tivemos direito a ter o DNa nos fins de semana de Natal e Ano Novo. Mas quem quisesse a Grande Reportagem, nos sábados, tinha de comprar o Jornal de Notícias: DN, nem vê-lo. Afinal se calhar a malta do norte sempre tem alguma razão quando diz que lá se trabalha mais.

Publicado por Filipe Moura às 08:53 PM | Comentários (6)

COMENTÁRIOS À IMPRENSA QUE NÃO ESTÁ NA REDE

Ao voltar a Portugal tenho sempre uma montanha de revistas e suplementos de jornal que não estão disponíveis na rede e que o meu extremoso pai me guarda para eu ler. Vou nos próximos tempos comentar algumas dessas minhas leituras. Nem sempre serão sobre os assuntos mais recentes. São comentários que sem dúvida teriam sido escritos mais cedo, tivesse eu lido essas revistas e suplementos na altura em que foram publicados. Mas são comentários que eu acho que não perdem a actualidade e que ainda vale a pena serem feitos, algumas semanas ou meses depois.

Publicado por Filipe Moura às 08:52 PM | Comentários (0)

DUAS HIPÓTESES ALTERNATIVAS PARA O CARTAZ DE PRÉ-CAMPANHA DO PSD

Hipótese 1:

[Santana pode entrar para o lugar do segundo tipo a contar da esquerda, um tal de Engels (claramente o menos mediático dos cinco). Contactados pelos serviços da campanha laranja, os restantes membros do friso não se pronunciaram contra a ideia (aliás, não se pronunciaram, ponto final) — o que é entendido como um apoio tácito ao ex-primeiro-ministro]

Hipótese 2:

[«Vejam bem, entre o Theodore Roosevelt e o Abraham Lincoln há um espacinho livre, não há? Então aproveitemos. A escala pode não ser a mesma, mas sempre dá para esculpirmos ali um busto jeitoso do nosso Pedro», terá exclamado, sem esconder o entusiasmo febril, uma diligente assessora santanete]

Publicado por José Mário Silva às 11:53 AM | Comentários (4)

DEVE SER DO NOME

Dois mil anos depois, Pôncio continua a lavar as mãos.

Publicado por José Mário Silva às 11:50 AM | Comentários (1)

DE BARREIRA EM BARREIRA, ATÉ AO TRAMBOLHÃO FINAL

"Apesar de tudo o que vai acontecendo, vamos continuar e chegar à meta, mesmo saltando muitos obstáculos."
Pelo andar da carruagem, talvez chegues umas horitas depois do vencedor. Continua assim, que vais muito bem.

Publicado por Luis Rainha às 11:11 AM | Comentários (3)

ATENÇÃO, ATENÇÃO, ATENÇÃO: NOVO MAIL

Uma vez que o nosso e-mail habitual se encontra avariado (a quem recebeu mensagens devolvidas, desde já as nossas desculpas) decidimos criar um novo, provisório até ver. Anotem por favor: blogue_de_esquerda2arrobayahoo.com [onde está arroba por extenso, coloquem o símbolo @]. E escrevam muito, como dantes. Já sentimos a falta dos itálicos.

Publicado por José Mário Silva às 11:09 AM | Comentários (2)

Publicado por Jorge Palinhos às 11:00 AM | Comentários (1)

ANCAS

Prodígio da anatomia: a curva das ancas de uma mulher bela.

Publicado por José Mário Silva às 10:51 AM | Comentários (1)

O GONÇALO M. TAVARES QUE SE PONHA A PAU

Alexandre Frota Escreve Livro Num Fim-de-semana

Publicado por Jorge Palinhos às 10:48 AM | Comentários (3)

SOLICITAÇÃO AO GUINESS

Por favor, inscrevam este senhor no vosso livrinho como "Político mais incompetente de todos os tempos."

Publicado por Jorge Palinhos às 10:44 AM | Comentários (5)

UMA GRANDE PERDA PARA A LITERATURA PORTUGUESA

A escritora Margarida Rebelo Pinto foi convidada por Santana Lopes para integrar a lista do partido às eleições legislativas pelo distrito do Porto, em lugar elegível. Mas recusou, segundo confirmou ao DN a autora de «Não Há Coincidências».

Publicado por Jorge Palinhos às 10:41 AM | Comentários (4)

TRÊS MINUTOS

Não se esqueçam: daqui a pouco (11 horas), nós todos, europeus e cidadãos do mundo, faremos um silêncio tão grande que será ouvido lá longe, no outro lado do planeta, onde o mar enlouqueceu e espalhou a morte.

Publicado por José Mário Silva às 09:49 AM | Comentários (4)

janeiro 04, 2005

MAS QUEM É QUE QUERERIA SER VISTO NA RUA EM SEMELHANTE COMPANHIA?


Publicado por Luis Rainha às 11:35 PM | Comentários (8)

"CHEGOU ATRASADO? NÃO TRABALHA!"

Entretanto, os treinadores de bancada como o ex-atleta Domingos Castro já defendem que "como castigo", e para "manter a disciplina", Liedson não deveria jogar no sábado. Espero que esta proposta (absurda) não se confirme, mas não posso deixar de questionar a lógica de quem a propõe. Para eles, ser jogador de futebol é uma profissão espantosa: ganha-se balúrdios e, como castigo, não se trabalha.

Publicado por Filipe Moura às 08:00 PM | Comentários (6)

O LIEDSON NÃO MERECE SER ENGENHEIRO

Em 1995, nos meses finais do cavaquismo, os professores universitários entraram em greve durante o período de realização das provas de acesso ao ensino superior e dos exames universitários usuais. O Conselho Pedagógico do Instituto Superior Técnico, de que eu fazia parte, decidiu adiar em massa os exames de segunda época para Setembro. Esta decisão foi anunciada com grandes cartazes em vários pontos da escola e comunicada a todos os departamentos e licenciaturas. Mesmo assim, dado que a decisão foi tomada algo em cima da hora, e os exames tinham sido anteriormente marcados para Julho, houve um aluno que receou pelos alunos deslocados que pudessem estar ausentes de Lisboa nesta época e não tomassem conhecimento da mesma, viajando em vão. O Presidente do Conselho Pedagógico deu - no seu habitual tom informal - uma resposta mesmo "à Técnico", que eu nunca esqueci. Segundo o professor, a greve era amplamente anunciada e discutida nos meios de comunicação, pelo que um aluno que a ignorasse ou que se mantivesse isolado ou alheado e desinteressado do processo durante aquela conturbada época "não merecia ser engenheiro".
Vem isto a propósito do atraso no regresso do Liedson, que se manteve incontactável pela SAD do Sporting durante toda a sua estadia no Brasil, e alegadamente há pouco tempo nem sabia ainda que afinal pode jogar contra o Benfica. Se isto for verdade, o genial pequeno-grande Liedson não merece ser engenheiro.

Publicado por Filipe Moura às 07:37 PM | Comentários (4)

MY BOOK MY BOOK MY BOOK

Muitas vezes, nos Olivais Sul, a internet faz-me sentir que, se sair à rua, basta andar dois ou três quarteirões para assistir a uma sessão com autores na Barnes & Noble da Union Square.

(Especial atenção a Shantaran, de Gregory David Roberts. Quem minimiza o conhecimento empírico, não passou por aquilo que o GDR passou.)

Publicado por José Luís Peixoto às 06:07 PM | Comentários (0)

O MEU RÉVEILLON SERRANO

A passagem de ano não começou da melhor forma. Confiei no meu belo relógio suíço para me avisar da aproximação da meia-noite festiva... e nada. A caríssima cebola estava atrasada seis minutos, de modo que nem dei pela entrada neste tão promissor 2005. Quando cheguei à sala, estava tudo a sufocar com passas ou a limpar o secular tapete do Moët (sim, sei que é ordinarote, mas estava em promoção: ofereciam duas flutes com cada botelha...) entornado.
Por volta da uma, já os festejos tinham esmorecido um pouco. Mas, em frente à casa, no largo da aldeia, as coisas começavam a aquecer. Literalmente.
Cabe-me aqui explicar que, durante todo o santo dia, se tinham sucedido as idas e vindas de uma escavadora sempre carregada com pedaços de madeira. Estes iam sendo adicionados aos gigantescos tocos semi-carbonizados espalhados pelo largo, restos ainda frescos da grande fogueira de Natal (coisas pagãs que continuam a assombrar as Festas das nossas gentes tão Cristãs...). Assistindo aos preparativos dos pirómanos, embrulhado com desvelo quase maternal em cartões e plásticos vários, o pelourinho da terra. Ficou assim com ar de morcela gigante em plena erecção. A ideia era impedir que o calor rachasse a preciosa pedra. Só é pena que não tivessem descoberto, lá na aldeia, este amor pelos megalitos quando ainda podiam admirar um pelourinho autêntico; há uns anos largos, um kamikaze das alfaias agrícolas tratou de escaqueirar o monumento original, abalroando-o com um tractor. Agora, têm de se contentar com um ersatz manhoso (e assim perderam qualquer hipótese de ver o burgo eleito Património da Humanidade).
Aos poucos, o pessoal da aldeia angariava coragem para desafiar a noite algente e, atraído pelos garrafões de vinho novo em circulação, lá se ia coagulando à roda do "madeiro" – nome típico da gigantesca fogueira com que todos os anos tentam incendiar a vizinhança. Entretanto, estralejavam por todo o lado os foguetes que a cada 31 de Dezembro custam uns deditos aos folgazões do distrito.
Arrastado para estas festividades por um primo com a mania que é antropólogo, logo percebi o objectivo daquele encontro. Tratava-se apenas de um inocente jogo: o primeiro a beber cinco litros de carrascão e a conseguir proferir 365 obscenidades ganhava. Difícil era, no meio de tanto vernáculo a rimar com "alho", distinguir os concorrentes mais aplicados. Mas estávamos seguros, por enquanto; as primeiras rixas – inofensivas de tão trôpegas – só costumam eclodir por volta das quatro da matina. (Será que o bom povo não consegue divertir-se sem pegar fogo a coisas e sem andar à pancada?)

O pior foi quando se me acabou o champagne que levara comigo. Logo desataram a encher-me o copo com aquela zurrapa de proveniência incerta. Soube que estava desgraçado quando aquilo até me começou a saber bem. Ainda por cima, não me recuperara por inteiro do jantar da véspera; recebera então um maluco que se apresentou à minha porta com uma enorme caixa de vinhos da região debaixo do braço. É fácil imaginar como correu o jantar...
Resumindo e concluindo: dei por mim tragado pelo espírito da coisa. Entre malta com blusões com logótipos de talhos, urrando brindes estranhíssimos, rindo-me de graças quase ininteligíveis – tipo "qual é a semelhança entre os benfiquistas e as Testemunhas de Jeová? Pregam, pregam, mas nunca fazem nada" ah, ah – aceitando convites para caçadas que começariam dali a poucas horas, sendo apresentado às filhas casadoiras de alguns aldeões mais atrevidos, fazendo coro para insultar "este governo de palhaços", etc, etc...
Quando, a duras penas, o meu primo me conseguiu extrair das festividades, logo corri para o sótão da minha casa, de extintor em punho. Ali, passei para cima de uma hora à caça de fagulhas que se tivessem infiltrado pelas telhas. E não riam: os autóctones já me incineraram uma varanda em madeira com esta mania das fogueiras.

No dia seguinte, acordei com uma persistente dor de cabeça que só ontem me abandonou. E ainda dizem vocês mal do réveillon do casino do Estoril...

Publicado por Luis Rainha às 05:10 PM | Comentários (4)

ÀS VEZES ACONTECEM-NOS COISAS EXTRAORDINÁRIAS

Por exemplo: ver um paquistanês a tocar «Strangers in the Night» num címbalo, às 11 da manhã, na linha verde do metropolitano de Lisboa.

Publicado por José Mário Silva às 03:43 PM | Comentários (5)

ASSOCIAÇÃO DE IDEIAS

Porta com porta, um ourives e um sapateiro. O segundo tem na mão um martelo grande, caindo sobre as solas de couro. O primeiro tem na mão um martelo pequeno, assombrando o relógio esventrado. Espreito um. Espreito o outro. E pergunto-me qual deles será melhor a dar corda aos sapatos.

Publicado por José Mário Silva às 01:58 PM | Comentários (1)

janeiro 03, 2005

OS VAMPIROS DO TSUNAMI

E lá passou mais um noticiário da SIC. Cheio, como exigem as audiências do momento, de directos à Tailândia, de reportagens do Sri Lanka, de imagens de arquivo da Índia. Notícias? Para quê, quando há tanta miséria mesmo à mão?
Excelentes, belíssimos jornalistas. Garimpeiros sempre à cata de mais uma pepita de dor absoluta, de mais um filão de sofrimento sem paliativo. Vejam ali um pai que perdeu todos os filhos! Agora, à vossa esquerda, ponham os olhos naquela mãe destroçada. E não deixem de acompanhar, depois do intervalo, as comoventes histórias do cão que sobreviveu e dos golfinhos presos numa lagoa! É entrar, é entrar, bom povo. Não se acotovelem, que chega para todos!
A fechar este festim de lágrimas e podridão, um pequeno segmento deplora a chegada ininterrupta de "gente que não vem ajudar": os mirones. E lá vemos os turistas idiotas, sonys novinhas a gravar travellings tremidos de pilhas de cadáveres, fixando o desespero de gente sem olhar perdida entre as ruas de outra vilória destruída, postais ilustrados da desgraça que só por interposto ecrã nos pode tocar.
Mas digam-me uma coisa, ó senhores tão dignos e indignados da SIC: que raio de diferença há entre estes estúpidos vampiros da dor alheia e as vossas equipas sempre prontas para mais um directo inútil e peçonhento?
Que sois vós, além de mirones por procuração? Para que servem as vossas "reportagens", se não para transmitir mais um arrepio passageiro ao espectador, que logo se abeira do calorífero e abre uma Sagres, na sua versão muda do erudito "there but for the grace of God go I"?
E esses tais mirones do "vídeo amador" não vos deram tanto jeito, quando o que interessava era mais um plano da onda, mais uma panorâmica de moribundos agarrados a destroços, mais um monte de mortos frescos em exclusivo?
Mas nada disto nos devia causar surpresa. É sabido que, após uma desgraça destas, as aves necrófagas nunca tardam a chegar. Difícil é depois enxotá-las.

Publicado por Luis Rainha às 09:58 PM | Comentários (17)

QUAL VAI SER O PRIMEIRO CANDIDATO A PÔR ISTO NO PROGRAMA?

Segundo percebi, a nova solução para acabar com a sinistralidade rodoviária é retirar todos os elementos de segurança para as estradas parecerem mais perigosas e assim os condutores serem automaticamente mais prudentes.

Bem, se for eficiente, é certamente a considerar, visto que também deve ser bastante barato. É só substituir as placas da IP5 por placas do género:

ATENÇÃO, ACABOU DE ENTRAR NA ESTRADA DA MORTE. JUNTE-SE À NOSSA LISTA.

DAQUI, NINGUÉM SAI VIVO!

SENTE-SE COM SORTE HOJE, FILHO DA MÃE?

VÁ LÁ, ULTRAPASSE. TENHO A CERTEZA QUE NÃO HÁ NENHUM CAMIÃO A FAZER A CURVA AGORA... UHAHAHAHAHAHAHA!

PRECIPÍCIO DE 200 M À FRENTE? NÃÃÃÃ... ONDE É QUE FOI BUSCAR ESSA IDEIA?

Publicado por Jorge Palinhos às 06:23 PM | Comentários (3)

COMEÇAR O ANO COM MORALIDADE

Depois de as eleições americanas terem sido tomadas pela histeria da moralidade na política, alguém já se lembrou de fazer um moral compass. Os resultados não me parecem especialmente católicos:

Your Score

Your scored -4.5 on the Moral Order axis and 4 on the Moral Rules axis.

Matches

The following items best match your score:

System: Socialism
Variation: Moral Socialism, Extreme Socialism
Ideologies: Social Democratism
US Parties: No match.
Presidents: Jimmy Carter (82.18%)
2004 Election Candidates: Ralph Nader (85.18%), John Kerry (72.67%), George W. Bush (42.17%)
Statistics

Of the 13587 people who took the test:

0.3% had the same score as you.
8.4% were above you on the chart.
88.3% were below you on the chart.
81.5% were to your right on the chart.
13% were to your left on the chart.

Apesar de não ser tão entusiasta do Jimmy Carter e do Ralph Nader como o teste acredita, o resultado não me parece falhar por muito. Só não percebo como é que no país do Partido dos Pagantes de Impostos, do Partido pela Restauração da Lei Seca e do Partido da Legalização da Maria Joana não há nenhum partido que me acolha?

Publicado por Jorge Palinhos às 05:33 PM | Comentários (7)

FIM DE ANO COM WOODY

Impressionante, para não dizer triste, o discurso dos colunáveis do jet-set que resolveram passar o fim de ano no Casino Estoril para assistir ao concerto de Woody Allen. Grande parte dos entrevistados pelos canais de televisão não sabiam que instrumento tocava Woody, e nem sabiam dizer o nome de um dos seus filmes! Valeu a honestidade de uma das tias, que disse que nem gostava muito do Woody Allen mas estava ali simplesmente para "estar na festa". Para o espectador dava a impressão que teria sido melhor ficarem com o seu caviar e champanhe de marca, mas Woody Allen era algo muito requintado para paladares tão pouco educados, para gente tão possidónia.
Felizmente, o bom povo que tivesse disposição para isso (ou um videogravador) poderia ver A Maldição do Escorpião de Jade na RTP1 (embora, como é habitual neste canal, o filme tenha começado antes da hora, perto das cinco da manhã). Se tivessem TV Cabo, poderiam ainda ver Ana e as Suas Irmãs no Hollywood.

Publicado por Filipe Moura às 04:16 PM | Comentários (13)

O EIXO DOS INTELECTUAIS E DO ARTISTA

No último "Eixo do Mal", Nuno Artur Silva apresentou os intervenientes no programa como "quatro intelectuais e um artista de variedades", mas não precisou quem era quem. Quem será, então, o "artista de variedades" (ou seja, o "não intelectual") do "Eixo do Mal"? Nuno Artur Silva não deve ser, já que publicou, tanto quanto eu sei, pelo menos três livros de banda desenhada.

(Já agora uma nota: obviamente, o programa poderia ser muito melhor mas não é tão mau como o Luís Rainha o pinta. O programa não deveria procurar ser tão exaustivo na quantidade de temas que aborda. Nuno Artur Silva deveria moderar mais a conversa (especialmente a sua ex-esposa), em lugar de procurar conduzi-la.)

Publicado por Filipe Moura às 04:14 PM | Comentários (19)

AH, MUDÁMOS DE ANO

Tendo em conta que 2004 começou com isto, teve isto, isto e isto e acabou assim, apetece-me usurpar as funções do Zé Mário e afixar isto:


Ressurgiremos

Ressurgiremos ainda sob os muros de Cnossos
E em Delphos centro do mundo
Ressurgiremos ainda na dura luz de Creta

Ressurgiremos ali onde as palavras
São o nome das coisas
E onde são claros e vivos os contornos
Na aguda luz de Creta

Ressurgiremos ali onde pedra estrela e tempo
São o reino do homem
Ressurgiremos para olhar para a terra de frente
Na luz limpa de Creta

Pois convém tornar claro o coração do homem
E erguer a negra exactidão da cruz
Na luz branca de Creta

Sophia de Mello Breyner


Publicado por Jorge Palinhos às 12:46 PM | Comentários (3)

UNS TÊM MANIFS, OUTROS TÊM ALMOÇARADAS

«Domingo, dia 9, Santa Maria da Feira, mega almoço CDS. Com Paulo Portas. O maior almoço de sempre. Passa palavra. Inscrições para 218814720. 5 euros por pessoa.»
SMS que anda a circular pelos telemóveis do Largo do Caldas

Publicado por Jorge Palinhos às 10:14 AM | Comentários (11)

SÓ SE FOR ATRAVÉS DO SITE WWW.OMANELVIABILIZA.COM

Monteiro admite viabilizar Governo do PS ou do PSD

Publicado por Jorge Palinhos às 10:06 AM | Comentários (3)

PASSING SHOT

Só para os fanáticos do ténis, aqui fica um simulador quase perfeito.

Publicado por José Mário Silva às 10:04 AM | Comentários (1)

ANTES COSTUMAVA-SE FAZER UM JULGAMENTO A FINGIR

Responsáveis da Administração norte-americana têm planos para prender, por tempo indefinido, presumíveis terroristas já detidos, que não tencionam libertar ou julgar em tribunais dos Estados Unidos e de outros países, revelaram fontes diplomáticas, de defesa e dos serviços secretos em Washington.

O Pentágono e a CIA pediram à Casa Branca que tome uma decisão sobre a possibilidade de prisão perpétua, designadamente para centenas de pessoas que se encontram actualmente sob custódia do exército ou da CIA e que o governo não tem provas suficientes para os acusar em tribunal. O resultado desta reavaliação, que envolve ainda o Departamento de Estado, afectaria também os que venham a ser capturados no decurso de futuras operações antiterroristas.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:03 AM | Comentários (1)

A MORTE LÍQUIDA


Cartoon de Olle Johansson

Publicado por José Mário Silva às 10:00 AM | Comentários (0)

O DAILY SHOW PORTUGUÊS

O humor do Inimigo Público, o suplemento satírico do PÚBLICO, vai ter uma versão televisiva a partir do próximo ano, com a estreia de um telejornal semanal na SIC.(...)
Com 50 minutos de duração, o noticiário do Inimigo Público, que, à semelhança do jornal, apresentará notícias falsas ou distorcidas da realidade, contará com um "pivot" em estúdio e com a colaboração de mais dois elementos, encarregues de fazer reportagens pelas ruas do país ou de vestir a pele de enviados especiais ao estrangeiro.

O principal problema: arranjar um Jon Stewart português.

Publicado por Jorge Palinhos às 09:57 AM | Comentários (5)

janeiro 02, 2005

UMA SEMANA DEPOIS

«O mar não tem diminutivos.» (Gonçalo M. Tavares)

Publicado por José Mário Silva às 04:53 PM | Comentários (4)

NEM TODA A GENTE SABE QUE EXISTE UM CONSENSO

Hoje, o Mil Folhas faz um balanço do ano literário, perguntando aos autores que publicaram livros em 2004 quais são as suas escolhas. Entre estes, Pedro Mexia sai-se com a seguinte tirada enigmática: "Contra o consenso sentimental e ingénuo estão também os contos em segundo grau "As Não-Metamorfoses" (Errata), de Alexandre Andrade." Ainda não li, mas tenho a certeza absoluta de que é muito bem aconselhado. Irei ler. Conheço o talento do Alexandre e conheço o bom gosto literário do Pedro. A minha dúvida é outra. Sabendo que é um observador atento da actualidade literária portuguesa, fico sem saber de que "consenso sentimental e ingénuo" estará a falar.
Percorrendo as páginas deste suplemento, rapidamente se percebe que os autores mais aconselhados são, na prosa, Gonçalo M. Tavares e, na poesia, Manuel Gusmão e António Franco Alexandre. Serão estes os autores consensuais ou será que estou a ser ingénuo?

Publicado por José Luís Peixoto às 02:29 PM | Comentários (14)

janeiro 01, 2005

SINCE 2003

Blogue de Esquerda - há dois anos ao serviço dos leitores da blogosfera portuguesa.

Publicado por José Mário Silva às 07:35 PM | Comentários (25)