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outubro 31, 2004

TRICK OR TREAT!

Apesar de todo este esforço, garanto-vos que este fim de semana a cabeça do americano médio estava ocupada com o Halloween. Por todo o país houve festas ontem e hoje, em Nova Iorque haverá a tradicional parada na Greenwich Village.
Antes de ir ver o que se passa num bar australiano em St. Michel e na Fondation des États Unis, deixo-vos com um trecho sonoro de um episódio de uma das melhores séries cómicas dos últimos anos.

Publicado por Filipe Moura às 07:42 PM | Comentários (1)

NOVIDADES DE CAMPANHA

Uma grande surpresa destas eleições presidenciais americanas pode vir do estado do Colorado. Tradicional feudo republicano, com excepção da capital, Denver, e de "ilhas" liberais influenciadas pela universidade, como Boulder, as sondagens mais recentes apontam para um grande equilíbrio neste estado, dando uma delas inclusive uma ligeira vantagem a Kerry.
Este estado pode vir a ser decisivo por outro aspecto: no mesmo dia das eleições presidenciais, é lá referendada a possibilidade de a distribuição dos grandes eleitores naquele estado ser proporcional e não maioritária. Este referendo poderá alterar a relação de forças final, e vir a dar muito que falar. Esperemos para ver.
O movimento MoveOn produziu um anúncio, "He Just Doesn't Get It", para ser emitido nas televisões nos principais estados indecisos: Ohio, Flórida, Pensilvânia, Minnesota, Novo México, Wisconsin, West Virginia, Iowa e Nevada. Pediu aos seus membros contribuições monetárias para o anúncio poder ser emitido também no Colorado. Duas horas após o apelo, conseguiu o dinheiro necessário. Mais pormenores aqui.

Publicado por Filipe Moura às 06:56 PM | Comentários (0)

OS REPUBLICANOS (PARA ALÉM DE BUSH)

Cheguei a estas duas notícias (1, 2) através do blog do Andrew Sullivan.
No primeiro caso, um candidato republicano ao senado explica que o casamento entre pessoas do mesmo sexo pode levar - literalmente - ao fim do mundo. No segundo, um outro candidato republicano defende a introdução da pena de morte para os gays. Sim, leram bem.
(Hugo)

Publicado por José Mário Silva às 06:52 PM | Comentários (1)

ALEA JACTA EST

Faltam dois dias.

Publicado por José Mário Silva às 06:49 PM | Comentários (0)

ONDE ESTAVAS TU NO 11 DE SETEMBRO?

Eu estava quase ... Mas esta questão vem a propósito do interessante artigo de Augusto M. Seabra (cuja análise subscrevo totalmente), no Público de hoje:

Bush, parafraseando os cartazes do velho "west", tinha dito sobre Bin Laden. "Wanted dead or alive". Mas tomada Cabul, logo os estrategas neo-conservadores, se "esqueceram" e voltaram ao objectivo pré-fixado: o Iraque. E, na sequência de outros testemunhos, é a este respeito que "The World According To Bush" me parece crucial. Pelo Iraque e não só - pelo esclarecimento da aliança entre os fundamentalistas cristãos (e esse facto sem precedentes e "contra-natura" que é a aliança da direita cristã norte-americana e da direita sionista israelita, unidas numa comum tentação teocrática), neo-conversadores e grande grupos de interesses como a Halliburn e a Carlysle.

A retórica de suposições como as das armas de destruição maciça e das ligações de Saddam à Al-Qaeda, a absoluta impreparação do pós-guerra e a transformação do Iraque num caos fértil ao terrorismo, as tentativas de restrições das liberdades, o arquipélapo do abuso implantado de Guantánamo a Abu Ghraib, a manutenção em actividade de Bin Laden - é por isso também que tem que responder aquele, que no mais sinistro exercício de propaganda conhecido em democracia se apresenta apenas como "war president".

Publicado por Filipe Moura às 06:31 PM | Comentários (0)

outubro 30, 2004

LEGENDAS

Depois de ter permitido que Santana Lopes chegasse ao Governo, em nome de uma estabilidade teórica que a pantanosa realidade actual desmente, Sampaio deixou de ser uma referência para a esquerda portuguesa. Nada de extraordinário, diga-se. O Presidente está apenas a deitar-se na cama que fez.
Ainda assim, há mínimos de respeito institucional pela primeira figura do Estado. Por muito que Sampaio nos tenha desiludido, não creio que mereça a maldade que o «Público» lhe faz na edição de hoje [na página 8, surge numa foto a apontar para uma alheira, com a seguinte legenda: «O PR manifestou dúvidas sobre o funcionamento das novas áreas metropolitanas»].

PS- Já agora, refira-se que não é apenas no «24 Horas» que se encontram calinadas de bradar aos céus (como aquela do íman em vez de hímen). Basta folhear o suplemento «Fugas», do «Público». No número desta semana, a página 4 oferece-nos esta mimosa legenda: «Populares de Vallegrande, na Bolívia, pintando a esfinge [sic] de Che». No Egipto, consta que aquela estátua gigante e sem nariz que fica ali para os lados de Gizé até estremeceu de tanto rir.

Publicado por José Mário Silva às 05:34 PM | Comentários (0)

O SOM DA RETOMA É AO SÁBADO

O Crónicas da Terra, um dos meus blogs obrigatórios desde que comecei a passear pela blogosfera, realiza HOJE, Sábado, 30 de Outubro, no Bar Lisboa (entre o Largo do Carmo e o da Trindade) mais um dos míticos Encontros Crónicas da Terra.
O programa está todo aqui para os felizardos que puderem ir.
Divirtam-se e boas audições.

Publicado por tchernignobyl às 02:41 AM | Comentários (3)

SILÊNCIO QUE SE VAI TOCAR O TAR

Para quem gosta de world music livre de sintetizadores foleiros e baixos eléctricos arrogantes a cavalo de batidas funky metidas a martelo, há uma hipótese de fuga por um trilho ainda praticável. Para tal há que empreender uma “Journey to Persia” com o Dastan Trio.
A viagem, numa caravana aparelhada apenas com o equipamento mais delicado e estritamente necessário, o barbat de Hossein Behroozi-Nia, o setar e o tar de Hamid Motebassem e o tombak de Pejman Hadadi, a quem é confiada a percussão, leva-nos num voo planado sobre as imensidões desérticas da Ásia Central, das fronteiras da Persia, lá até se sentir a proximidade da música Afegã de influência sufi. Os mais curiosos podem levar um livro na bagagem, meditar nos ensinamentos do Rumi e assistir à Conferência dos Pássaros, mas a mim pouco me importa, basta-me fechar os olhos e não querer voltar a apear-me deste tapete vooooador.

Publicado por tchernignobyl às 02:30 AM | Comentários (0)

BUSH AOS QUADRADINHOS


Cartoon de Steve Bell, "The Guardian"


É reconfortante ver o crédito que os ingleses dão às estranhas comparações que já foram feitas entre o Monkey Boy e Winston Churchill. Já agora, espreitem também as visões de Pat Oliphant, do "NY Times" e do crónico Ted Rall.

Publicado por Luis Rainha às 12:52 AM | Comentários (0)

JJ

Um dia, numa das bancadas do Estádio do Bonfim, ouvi falar do JJ. Das suas corridas, das suas fintas, da forma como era capaz de se esgueirar entre os defesas contrários, sempre hábil, sempre rapidíssimo, antes de fuzilar as redes com o seu pé-canhão. Foi um pescador de mãos rudes e camisa aos quadrados quem narrou os feitos, com os olhos húmidos de tanta saudade e os exageros próprios das memórias mitificadas.
Naquela tarde de futebol medíocre, face a um 0-0 que afundava ainda mais o Vitória na tabela dos aflitos (viríamos a descer de divisão), o relato das façanhas daquele prodígio negro, herói da melhor equipa sadina de todos os tempos, a que ganhou a taça em 1967 e foi vice-campeã em 1972, animou um pouco a meia dúzia de adeptos sem esperança que assistiam ao colapso da equipa.
Hoje, numa altura em que o Vitória voltou a praticar um futebol vistoso e eficaz, oiço na rádio a notícia da morte de Jacinto João. O JJ. O Eusébio do Bonfim. O artista incansável. Lembro-me dos olhos húmidos do pescador, da sua emoção. E tenho pena, muita pena, de nunca o ter visto jogar.

Publicado por José Mário Silva às 12:15 AM | Comentários (0)

outubro 29, 2004

BUSH NO SEU LABIRINTO VIRTUAL

O último spot da campanha de Bush II acaba de ser retirado por conter imagens digitalmente manipuladas de multidões. O anúncio em questão chamava-se, por estranho que pareça, "Whatever it Takes", e a pequena mas simbólica aldrabice foi denunciada por este blogue.
Também não vejo razões para tanta indignação; um presidente a fingir só poderá mesmo estar rodeado por apoiantes virtuais...

Publicado por Luis Rainha às 06:01 PM | Comentários (7)

POR OUTRAS PALAVRAS: "PORRADA NO MEU IRMÃO!"

Daniel Sampaio apela aos jovens para que se revoltem e derrubem o Governo

Publicado por Jorge Palinhos às 03:16 PM | Comentários (5)

CHAMEM-ME CONSTITUIÇÃO

350 páginas de Constituição.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:14 PM | Comentários (2)

PRETENDEU APENAS DAR CONSELHOS SOBRE A VIDA SEXUAL

FPF afirma que Scolari não pretendeu ofender ninguém

De facto, ao dizer "Vão-se foder!" é bem provável que o seleccionador/relações públicas pretendesse somente revelar a sua preocupação com a saúde dos destinatários da expressão.
Parece-me credível que quisesse apenas a recomendar a utilização da masturbação e de outras formas de auto-erotismo como um método eficaz de evitar a Sida e outras doenças venéreas, além de contribuir para um maior relaxamento e boa disposição das pessoas em causa.
É também sabido que a masturbação diminui as dores menstruais, previne as insónias, potencia o sistema imunitário humano e ajuda a combater a depressão.
Realmente, não se percebe a confusão com as palavras de Scolari.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:56 PM | Comentários (3)

A UTILIDADE POLÍTICA DA SPACE OPERA

Durante décadas, os adolescentes americanos e – em menor grau - britânicos, devoraram por atacado sangrentas epopeias espaciais em que os heróis inevitavelmente desintegravam hordas de alienígenas com montes de tentáculos e más intenções. Se um planeta inteiro fosse erradicado, melhor ainda. Afinal, tratava-se de bichos imundos, não de pessoas; não eram pais, filhos, mães de alguém. Depois, chegaram os vídeo-jogos. E tudo continuou a resumir-se a good, clean fun; aqueles impérios de fantasia, com as suas armas terríveis, nunca poderiam existir, pois não?
Hoje, vemos o jeito que dá às administrações de superpotências agressivas ter uma opinião pública com o nervo moral criado à base de semelhante dieta. Se calhar, os falcões sabem que podem confiar numa mole de alucinados capazes de reagir assim: "Morreram 16.000 civis iraquianos desde a invasão? E depois? Claro que valeu a pena expulsar Saddam; o preço até foi módico. O quê? Afinal foram 100.000 vítimas? Não estou a ver o problema. Mas onde é que fica isso do Iraque? E aquela malta, sempre de cócoras e de burcas, nem parece bem humana..."
Logo no início da invasão, vimos imagens de um soldado americano ferido numa perna a ser confortado por um camarada. E perguntava o ferido: "What the hell happened?" Resposta: "It was an iraqi. You got shot by an iraqi; they’re everywhere!" Assim como quem fala de uma praga qualquer; usado o termo "iraqi" como que para descrever um habitante de Alfa do Centauro. E estes eram soldados em plena ofensiva. Para quem tele-veja, sentado algures no Ohio com uma Bud na mão, as bonitas explosões em technicolor e o voo sonhador dos Apaches, haverá mesmo muita diferença entre esta guerra no outro lado do mundo e mais uma aventura de Luke Skywalker?

Publicado por Luis Rainha às 01:57 PM | Comentários (12)

OS FILHOS DAS OUTRAS

Ainda hoje a TSF nos transmitiu palavras de uma açoriana, emigrada nos states, que há pouco enterrou um filho marine, morto no Iraque: "Eu acho que este presidente está a fazer um bom trabalho. Antes as bombas a cair em cima dos filhos das outras que em cima dos nossos."
Se vocês imaginam que tão cedo o americano médio vai descobrir que não existiu qualquer relação entre Saddam e o 11 de Setembro, bem podem aguardar mais uns quantos ciclos eleitorais. Se vos passa pela cabeça que esta história dos 100.000 civis assassinados no Iraque alguma vez vai aparecer na ABC ou na Fox, já é hora de voltarem ao nosso planeta. Se sonham que isso vai pesar um grama que seja na balança moral dos nossos compatriotas que apoiam Bush, também devem pensar que é possível, com argumentos lógicos, convencer o Osama a inscrever-se na Opus Dei.

PS: O PDF da "Lancet" onde é apurada a hedionda contabilidade de cadáveres no Iraque já está disponível. De seguida, deixo-vos a introdução do mesmo:

Mortality before and after the 2003 invasion of Iraq: cluster sample survey

Les Roberts, Riyadh Lafta, Richard Garfield, Jamal Khudhairi, Gilbert Burnham


Summary


Background In March, 2003, military forces, mainly from the USA and the UK, invaded Iraq. We did a survey to compare mortality during the period of 14·6 months before the invasion with the 17·8 months after it.

Methods A cluster sample survey was undertaken throughout Iraq during September, 2004. 33 clusters of 30 households each were interviewed about household composition, births, and deaths since January, 2002. In those households reporting deaths, the date, cause, and circumstances of violent deaths were recorded. We assessed the relative risk of death associated with the 2003 invasion and occupation by comparing mortality in the 17·8 months after the invasion with the 14·6-month period preceding it.

Findings The risk of death was estimated to be 2·5-fold (95% CI 1·6-4·2) higher after the invasion when compared with the preinvasion period. Two-thirds of all violent deaths were reported in one cluster in the city of Falluja. If we exclude the Falluja data, the risk of death is 1·5-fold (1·1-2·3) higher after the invasion. We estimate that 98000 more deaths than expected (8000-194000) happened after the invasion outside of Falluja and far more if the outlier Falluja cluster is included. The major causes of death before the invasion were myocardial infarction, cerebrovascular accidents, and other chronic disorders whereas after the invasion violence was the primary cause of death. Violent deaths were widespread, reported in 15 of 33 clusters, and were mainly attributed to coalition forces. Most individuals reportedly killed by coalition forces were women and children. The risk of death from violence in the period after the invasion was 58 times higher (95% CI 8·1-419) than in the period before the war.

Interpretation Making conservative assumptions, we think that about 100000 excess deaths, or more have happened since the 2003 invasion of Iraq. Violence accounted for most of the excess deaths and air strikes from coalition forces accounted for most violent deaths. We have shown that collection of public-health information is possible even during periods of extreme violence. Our results need further verification and should lead to changes to reduce non-combatant deaths from air strikes.

Publicado por Luis Rainha às 01:26 PM | Comentários (4)

BLOGARPOSITIVO!

Há uns dias, a minha namorada saiu-se com a seguinte revelação: "antes, lias o ‘Expresso’ para ver as notícias. Agora, é para descobrires com quem é que te vais meter, lá no blogue." Já não era a primeira pessoa que me dizia que as minhas opiniões mais pareciam embirrações. Fiquei a matutar no assunto e fui dar uma volta pelos posts mais recentes. A coisa confirmou-se: estava a entrar num período de acidez biliar mais próprio da terceira idade. Impunha-se uma inflexão estratégica.
Para piorar as coisas, o Zé Mário tem estado ausente destas paragens e o pessoal que cá ficou também não ajuda nada: é só descomposturas, queixas, denúncias, malta sempre mal disposta com o mundo. Precisamos, para equilibrar as coisas, do lirismo elegante do nosso boss, que só de quando em vez - e só quando as circunstâncias o exigem – ganha gume e se torna letal.
Estava eu mergulhado nestas reflexões, quando fui contactado pelos senhores da meritória iniciativa "Portugal Positivo". Disseram-me eles que tinham cartografado as causas da baixa auto-estima portuguesa. E que um dos epicentros se encontrava justamente na blogosfera; as nossas neuras, garantem os doutos positivos, têm andado a infectar a mocidade lusa com o germe do pessimismo, com o vírus mortífero da descrença. Informaram-me ainda que estavam a ultimar um programa-piloto para contrariar as maleitas induzidas pelos blogues: depois de seleccionados alguns escribas mais rezingões, pediam-lhes para moderar um pouco o espírito mordaz. Isto, claro está, mediante uma quase simbólica contrapartida financeira. (Na TV, a implementação do programa não correu lá muito bem, como se viu pelo "Caso Marcelo"...)

A ideia pareceu-me boa durante uns dias. Só que tenho tido alguma dificuldade para receber as minhas facturas lá no P.P.; ninguém parece disposto sequer a atender os meus telefonemas. Começo a desconfiar que esta malta pode não ser muito séria. E, ademais, digam-me uma coisa: notaram algum acréscimo visível na auto-estima nacional nestes dias?

Publicado por Luis Rainha às 01:13 PM | Comentários (3)

COMPLETAMENTE PERDIDO NA TRADUÇÃO

Numa destas noites, estava uma senhora na SIC Mulher a relatar episódios de coacção sexual a que fora sujeita durante a juventude. E revelou: "We used to give him head, and he would give head to us" A tradução tratou de legendar a coisa dentro dos mais estritos padrões do decoro: "Nós dávamos-lhe um certo espaço e ele dava-nos um certo espaço também". Fantástico. As coisas que se aprendem na TV...

PS: estão a ver o bem que me fez aderir ao programa BlogarPositivo ? A anterior versão do meu belicoso "eu" estaria agora por certo a clamar contra mais este flagrante caso de censura...

Post produzido com fundos do supracitado programa

Publicado por Luis Rainha às 12:22 PM | Comentários (2)

DENÚNCIA - O INIMIGO PÚBLICO ERROU!

O semanário de referência nacional - O Inimigo Público - expressa hoje na capa o seu apoio a George W. Bush, afirmando ser "o primeiro jornal da Europa a apoiar a reeleição do presidente dos EUA".

Bem, é mentira.

Ontem, o Bild, o diário mais vendido de todo o continente europeu declarou o seu apoio expresso ao candidato republicano (artigo de apoio aqui e uma notícia em inglês aqui).

A declaração d' O Inimigo é uma verdadeira vergonha e espero que actual director do semanário tenha a dignidade de pôr o lugar à disposição. Caso contrário ver-me-ei forçado a voltar a ler o Expresso.

P.S. - Enfim, mais um caso de um media de referência desmascarado pela blogosfera.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:14 PM | Comentários (3)

ASSOBIANDO PARA O AR

Eu sei, eu sei que ainda ontem se falou disto aqui.
Mas acabei de ouvir na rádio o número de 100 mil mortos civis desde o início da invasão do Iraque e lembrei-me de novo do balanço macabro que alguns fizeram (e insistem em fazer) entre o passado e a actual situação.
Há uns meses atrás, quando as contas iam nos 10 mil, diziam "no pasa nada". Era o mesmo número que o Saddam despachava por ano e por isso argumentavam que estávamos "em casa" como se falássemos de pipocas ou amendoins.
Mas agora que os números irrompem com esta violência?
90 mil não contam porque são terroristas ou mortos por eles?
Afinal algum Valete Fratres de serviço consegue linkar para um site qualquer e revelar que não são rigorosamente cem mil são só noventa e nove ou mesmo sessenta mil?
VALEU A PENA?
Deixa de esconder a cabeça na areia com coisas simples e RESPONDE PÁ!

Publicado por tchernignobyl às 08:10 AM | Comentários (6)

DIZ-ME O QUE ESCREVES...

A Ana Albergaria acusa os blogues que aceitam comentários "nitidamente violentos, racistas e que destilam ódio" de serem "igualmente violentos, racistas e odiosos". É pena que a Ana, em vez de criticar esses comentários, ainda decida atacar os blogues que os abrigam (sem os escreverem). Há críticas que não se é obrigado a aceitar, especialmente vindas de blogues que nem têm comentários. Se a Ana experimentasse colocar comentários no seu blogue, com os textos que por vezes lá escreve, prevejo que aí, sim, ela veria o que são comentários violentos.

Publicado por Filipe Moura às 02:15 AM | Comentários (9)

outubro 28, 2004

FAZER JUSTIÇA A BUSH

Um estudo publicado na prestigiada revista de medicina The Lancet faz a estimativa "modesta" que durante a ocupação americana terão morrido mais de 100 000 iraquianos, na maioria mulheres e crianças.
Ora, se considerarmos que Saddam, no seu quarto de século de poder, terá executado cerca de um milhão de iraquianos (o que dá cerca de 40 000 mortes por ano), teremos de admitir que, apesar de todas as acusações de incompetência, a acção de Bush se está a revelar muito mais eficiente que a do antigo ditador.

Publicado por Jorge Palinhos às 06:18 PM | Comentários (1)

NOTÍCIAS DO FUTURO III

A indignação grassa na blogosfera contra o chumbo do Parlamento Europeu ao nome de Joerg Haider para comissário das Minorias Étnicas, devido ao facto de este ter afirmado acreditar que todos os judeus, ciganos e outros não-arianos deviam ser considerados subhumanos e aprisionados em campos de concentração, mas que não faria isso por ser ilegal. Rui Oliveira considerou que estávamos perante mais um caso do totalitarismo do politicamente correcto da esquerda, o Valete Fratres falou do anti-nazismo galopante, Rodrigo Moita de Deus considerou que estávamos perante um caso de incapacidade de distinguir entre a esfera das crenças pessoais e a actividade pública e Diogo Belford Henriques afixou uma imagem de Buchenwald enquanto falava da nova "Gestapo" europeia.

Publicado por Jorge Palinhos às 06:12 PM | Comentários (7)

NOTÍCIAS DO FUTURO II

A indignação grassa na blogosfera contra o chumbo do Parlamento Europeu ao nome de Abu Hamza al-Masri para comissário dos Direitos Humanos, devido ao facto de este ter afirmado acreditar que todos os não-muçulmanos deviam ser exterminados, mas que não faria isso por ser ilegal. Rui Oliveira considerou que estávamos perante mais um caso do totalitarismo do politicamente correcto do laicismo, o Valete Fratres falou do anti-islamismo galopante, Rodrigo Moita de Deus considerou que estávamos perante um caso de incapacidade de distinguir entre a esfera das crenças pessoais e a actividade pública e Diogo Belford Henriques afixou uma imagem do 11 de Setembro enquanto falava de uma "fatwa" na Europa.

Publicado por Jorge Palinhos às 06:08 PM | Comentários (0)

NOTÍCIAS DO FUTURO I

A indignação grassa na blogosfera contra o chumbo do Parlamento Europeu ao nome de Garcia Pereira para comissário dos Assuntos Económicos, devido ao facto de este ter afirmado acreditar que os patrões deviam ser mortos a tiro e as fábricas entregues ao operariado, mas que não faria isso por ser ilegal. Rui Oliveira considerou que estávamos perante mais um caso do totalitarismo do politicamente correcto da direita, o Valete Fratres falou do anti-maoísmo galopante, Rodrigo Moita de Deus considerou que estávamos perante um caso de incapacidade de distinguir entre a esfera das crenças pessoais e a actividade pública e Diogo Belford Henriques afixou uma imagem de Tiananmen enquanto falava de uma "revolução cultural" na Europa.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:40 PM | Comentários (0)

MAIS UM PARA A LISTA

Morrissey pede aos seus fãs americanos para votarem Kerry.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:16 PM | Comentários (1)

ESTA SEMANA NA TV: "DESAPARECIDO EM ACÇÃO"

Um drama pungente, que retrata a luta de um homem contra a sua própria tibieza e inconstância. Um polícia que jura vigiar e proteger os seus mas que, na hora da verdade, se limita a balbuciar algumas desculpas e nada faz. Em fim de carreira, acaba por se enlear nas teias do crime, ao permitir que um conhecido crápula roube as jóias da coroa. Quando a sinistra quadrilha toma conta das ruas, ele trata de desaparecer, desbaratando as esperanças dos poucos que nele ainda confiavam. Voltará a tempo de impedir a eternização deste reino de terror?

Post produzido com fundos do programa BlogarPositivo!

Publicado por Luis Rainha às 05:11 PM | Comentários (3)

A CANÇÃO DO COITADINHO

Luís Delgado considera-se perseguido por delito de opinião.

Dizendo isto, o PR deixou implícito que as pessoas não podem ser julgadas por delito de opinião, um estilo muito em moda nos tempos recentes. Em todos os sentidos. Nem prejudicando-os por terem esta ou aquela opinião, nem tentando diminuir as suas capacidades, só porque dizem o que pensam.

Esta clareza de posição, pedida pelo PR, até coincide com o apoio do «New York Times» a Kerry – outros se seguirão, como acontece nos EUA – e isso nunca diminuiu a independência, equilíbrio e bom senso da Imprensa americana. Será que um dia Portugal deixará de condenar as pessoas só por terem esta ou aquela posição, que podendo não ser maioritária, exige respeito?

O que vale é que Luís Delgado só tem um jornal, uma rádio, uma televisão e um serviço noticioso online para divulgar a sua opinião minoritária. Já viram se estivesse confinado só a um ou dois mass media?

Publicado por Jorge Palinhos às 04:55 PM | Comentários (2)

Privatizem-nos já

Só hoje me aprecebi finalmente da razão que assiste ao João Miranda e a outros na reinvindicação imediata pela privatização de todos os meios de comunicação.
Foi logo pelas sete da manhã ao ver o ar estremunhado, as olheiras, a barba por fazer, o olhar aterrorizado do habitualmente aprumado Director da TVI quando procurava defender-se do julgamento em praça pública de que é alvo (e até se provar inocência ninguém é culpado, desde que não ataque o Governo da "coligação" ou a ela pertença...) injustamente, apenas por procurar expôr em total liberdade uma linha editorial responsável. O homem parecia que tinha sido arrancado com maus modos da cama por algum gang a soldo da comunicação social estatizada, de modos bastantes mais rudes e espalhafatosos do que o requinte e finura que serão de esperar dos funcionários ao serviço de "contractors" na área da segurança que num futuro saudavelmente privatizado executarão essas tarefas.
Para quê tanta chatice, tanta polémica, quando num regime inteiramente privatizado a Administração define a linha editorial responsável ali pão pão queijo queijo quem está bem está quem não está muda-se e ninguém tem mais a ver com o caso?
Deixem as polémicas para a apreciação das peripécias da "Quinta" pá, deixem trabalhar quem trabalha.

Publicado por tchernignobyl às 04:50 PM | Comentários (0)

VAI MORRER LONGE

Durante uns tempos estava muito em voga nos blogs anti-palestinianos a declaração: "Arafat é o principal obstáculo à paz".
Parece que estamos prestes a confirmar a veracidade disso.

Publicado por Jorge Palinhos às 04:44 PM | Comentários (3)

ESTÃO A VER MELHOR MANEIRA DE GASTAR 40 CONTITOS?

Belo programa: almoçar com este convidado de Luís Delgado e, para amenizar a digestão, ouvi-lo explicar como arrasou o Iraque e deixou os sobreviventes entregues à bicharada. Nem percebo como é que ainda há lugares disponíveis.

Post produzido com fundos do programa BlogarPositivo!

Publicado por Luis Rainha às 03:48 PM | Comentários (4)

ESTA SEMANA NA TV: "PLAN 9 FROM OUTER SPACE"

Um dos piores filmes alguma vez realizados chega por fim à TVI. O enredo fala por si: uma invasão de alienígenas de maus-fígados procura subjugar-nos, apesar de serem todos flagrantemente incapazes e nhurros. Contam com a colaboração de um director de estação televisiva que procura a todo o custo, com efeitos especiais de trazer por casa, camuflar as acatividades insalubres dos candidatos a invasores. Só visto: o actor principal é um canastrão do pior e os coadjuvantes não acertam uma. É tudo tão mau que até tem graça.

Post produzido com fundos do programa BlogarPositivo!

Publicado por Luis Rainha às 03:18 PM | Comentários (2)

CARTA AOS HEBREUS

Divergências à parte, a Rua da Judiaria, que faz agora um ano, é um dos melhores blogs portugueses, enriquecedor em termos de conteúdos e de um bom gosto gráfico irrepreensível.
Ler o blog do Nuno Guerreiro provoca-me sempre a inveja de não pertencer também a um qualquer grupo com uma história e cultura tão fascinante e tão pouco conhecida como a dos judeus portugueses ou dos judeus em geral.
Mas não, sou apenas mais um da massa indistinta de tugas classe média de fundo cultural católico, pequenez salazarista e tendo como únicos referentes históricos o Infante D. Henrique e o Cavaco Silva.
Grunf!

Publicado por Jorge Palinhos às 03:00 PM | Comentários (1)

NÃO SATISFEITOS COM O GIGLI...

Descoberto filme inédito de Ed Wood.

"Necromania" -- the last film Wood directed -- was filmed over two or three days with a budget of no more than $7,000 and the only copies went missing soon after it was made. The movie tells the story of Danny and Shirley, a young couple who visit the mysterious Madame Heles for help with their flagging sex life. The lessons they are taught involve skulls, spells and sex in a coffin.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:46 PM | Comentários (0)

ESTA SEMANA NA TV: "O HOMEM INVISÍVEL"

Sabemos que ele anda por aí, só que ninguém o vê. A sua presença faz-se sentir, mas ele consegue ocultar-se em situações potencialmente arriscadas. Esta personagem já deu azo a incontáveis séries televisivas, aparecendo dia sim, dia não, nas nossas pantalhas. Mas é mais esquivo que um Yéti, quando não lhe apetece dar nas vistas. Uma produção recheada de efeitos especiais, embora o papel principal esteja a cargo de um actor meio manhoso.

Post produzido com fundos do programa BlogarPositivo!

Publicado por Luis Rainha às 02:45 PM | Comentários (0)

SE FOR TAMBÉM QUERO

Ó Luís, acho que me escapou qualquer coisa. Que é isso do "blogar positivo"? Dá dinheiro? Melhora a vida sexual? Contribui para a paz no mundo e a amizade entre os homens (e mulheres) de boa vontade? Dá, pelo menos, para descontar no IRS?

Publicado por Jorge Palinhos às 02:41 PM | Comentários (2)

ESTA SEMANA NA TV: "O PROFESSOR CHANFRADO"

Cansado da sua vida de pacato professor, o herói desta comédia ingere a famosa poção do Dr. Jekyll. Transforma-se assim numa espécie de gremlin gigante, dedicando-se denodadamente a travessuras várias e a perseguir sempre os mesmos inocentes. Mas as autoridades não dormem e estão apostadas em devolver o bom professor ao remanso da academia. Conseguirá este invadir os estúdios de televisão a tempo de denunciar ao público as sinistras maquinações dos ricos e poderosos?

Post produzido com fundos do programa BlogarPositivo!

Publicado por Luis Rainha às 01:42 PM | Comentários (1)

Mais uma desculpa que desaparece

A História vai-se encarregando de lhes ir tirando as desculpas.
- A seita do Bush fez do "road map" para a paz na Palestina mais um dos "acessórios" com que "produziu" o bonito serviço da invasão do Iraque.
- Agora é o outro "Grande Obstáculo" que está prestes a ficar ( se não ficou já ) fora de cena.
O senhor Sharon, vendo concretizado mais um dos seus "sonhos", vai agora tentar resolver de forma séria e tolerante o problema da palestina?
Vai ele próprio sair de cena?
Esperem sentados. Pelo contrário, ele espera agora maior tolerância e "compreensão" dos palestinianos relativamente à miséria e opressão em que já se encontram. SE o não fizerem de imediato ele (acompanhado pelo coro do costume) vai "lamentar" mas "não lhe resta alternativa" senão continuar o horror em lume brando até a lógica dos acontecimentos justificar uma espécie de "genocídio soft", uma vez que à natureza humanista do Estado de Israel repugna a versão "hard" de má memória e muita auto-justificação.
Claro que para este processo prosseguir, vão ter de se arranjar outras desculpas, outros bodes expiatórios, o que dificilmente constituirá um inultrapassável problema político uma vez que não é desde há muito um problema militar.
É apenas um problema de marketing.

Publicado por tchernignobyl às 01:35 PM | Comentários (4)

ESTA SEMANA NA TV: "MARIONETAS NON-STOP"

Para diversão de miúdos e graúdos, aí temos a parelha mais cómica da TV nacional: Delgado & Resendes! De manhã à noite, estes incansáveis paladinos do incrível e defensores do impossível cá estão, prontos a desafiar a credulidade de qualquer espectador. Sempre com diálogos hilariantes à desgarrada: mal um diz "mata!", o outro saca logo da faquita para esfolar a presa. Se procura comediantes capazes de o tentar convencer de que o Sol nasce a Sul, não perca as aparições desta dupla...

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Publicado por Luis Rainha às 01:30 PM | Comentários (2)

WE ARE NOT ALONE?

A ser verdade é uma revolução:

Se o "Homo floresiensis" sobreviveu até hoje, a sua mais provável morada é o interior de uma das maiores ilhas da Indonésia - Sumatra. Há registos, dos tempos coloniais, no século XIX e no início do século XX, de uma espécie desconhecida de símio bípede que ali vivia, escondido na floresta. Os habitantes de Sumatra chamavam-lhe "orang pendek", ou "pessoas pequeninas". Mais tarde, em 1995 e 1997, uma expedição, liderada pela britânica Debbie Martyr, quase avistou estas criaturas em cinco ocasiões diferentes. (...) "À luz das descobertas na ilha das Flores, temos de ter mais atenção à verdadeira identidade do 'orang pendek'. Nunca nenhum exemplar foi observado por cientistas. Muitos assumem que pode ser uma espécie desconhecida de símio. Mas, dado o bipedismo, postura erecta e a descoberta dos esqueletos das Flores, não é de afastar que se possa ser um humano", defende Chivers.
Público
(Ver também esta notícia)

Publicado por Jorge Palinhos às 10:27 AM | Comentários (5)

ESTA SEMANA NA TV: "FOREST GUMP II – A VINGANÇA"

Lembra-se do simpático atrasado mental que conseguiu, ninguém sabe bem como, alcandorar-se a uma posição de grande destaque, sem qualquer mérito visível que o recomendasse? Pois bem; ele agora está de volta, e vem bastante irritado. Ai de quem se atravesse no seu caminho! Não perca este original thriller psicológico, que nos mostra bem a força que um tonto pode ter, mesmo face a professores universitários...

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Publicado por Luis Rainha às 10:26 AM | Comentários (1)

MAIS UM PRÉMIO

Ele foi um brilhante aluno. Não só curricularmente (as notas não são tudo), mas também empenhado (embora não directamente) nas questões académicas. Acompanhava de perto a actividade da nossa Associação, na altura presidida por um nosso colega de curso (também hoje um investigador à procura de emprego), e participava na luta contra a lei das propinas. Era um disciplinado controleiro do aparelho da Física, aparelho que nesses tempos áureos era reconhecido por todo o Técnico e respeitado e temido por toda a oposição interna, por não faltarem a uma RGA ou manif e no fim ainda tirarem as melhores notas nos exames. Nenhum outro curso tinha a nossa capacidade de mobilização.
Ele interessava-se muito também por questões académicas relacionadas com esse mesmo nosso curso. Sendo eu um dos representantes dos alunos deste mesmo curso no conselho pedagógico, muito beneficiei das conversas que tive com ele e da sua experiência de colega mais velho.
Ele foi também um bom colega. A primeira bebedeira séria que apanhei na vida (com um Convento da Vila, da Adega Cooperativa de Borba) foi num jantar de curso; ainda me consigo lembrar dele, sempre sóbrio, a olhar para a minha figura e a rir. A rir do tanto que eu me ria (que nem um perdido).
E para mim e para os meus colegas de ano foi ainda um bom monitor, no seu último ano de curso, antes de embarcar para os confins do Illinois para fazer um doutoramento. O resto vem descrito aqui. O Ivo Souza, hoje em dia professor em Berkeley e provavelmente o melhor físico português da minha geração, ganhou o Prémio George E. Valley da Sociedade Americana de Física para um jovem físico em início de carreira, pelo seu trabalho em física da matéria condensada sobre propriedades de isoladores cristalinos. Caro Ivo: parabéns, pá (bem os mereces), e um abraço. A esquerda LEFT ainda há-de chegar à Casa Branca.

Publicado por Filipe Moura às 10:23 AM | Comentários (4)

outubro 27, 2004

BOAS NOTÍCIAS (3)

Portugal vai em breve acolher de novo no seu seio um dos bardos mais incontornáveis da actualidade: Vasco Graça Moura. Na sua desassombrada crónica de hoje, o Poeta descobriu que o Parlamento Europeu "timbra pela impotência e pela irresponsabilidade dos fracos e por isso mesmo é levado a excessos inadmissíveis". Após a corajosa denúncia destas torpes deficiências de carácter, torna-se claro que o benfazejo regresso deve estar mesmo iminente: um Vulto da envergadura de VGM nunca se sujeitaria a continuar ao serviço de tal entidade.

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Publicado por Luis Rainha às 05:23 PM | Comentários (9)

BOAS NOTÍCIAS (2)

A Assembleia da República não quis ouvir Marcelo Rebelo de Sousa. E fez muito bem; os nossos deputados tinham de ser poupados a estas declarações, em que o professor revela que o patrão da Media Capital lhe impôs um prazo para adocicar as suas crónicas televisivas. E desmente frontalmente as histórias de Paes do Amaral, essas sim, ouvidas na AR.
Já viram a confusão que isto ia fazer aos senhores deputados? Era capaz de ser uma overdose de contraditório!

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Publicado por Luis Rainha às 04:45 PM | Comentários (5)

BOAS NOTÍCIAS (1)

Afinal, o director do DN, que agora se demitiu, não foi apunhalado nas costas pela sua administração, que procurava substituto (nos lugares mais esquisitos), enquanto lhe garantia estar tudo bem. Afinal, não há qualquer problema no facto se serem "fontes governamentais" a confirmar a marosca ao "Expresso". Afinal, as inquietações da redacção do DN são de todo infundadas. Afinal, o antigo jornal de referência não ficou a perder grande coisa com a recusa da caprichosa pluma. Está tudo bem explicadinho na última página do DN de hoje: "A Direcção do Diário de Notícias, face a alusões frequentes de vários órgãos de comunicação social à vida interna deste jornal, reafirma que o DN é feito por profissionais qualificados que asseguram aos seus leitores a melhor informação, no respeito por princípios de rigor e de ética." Que bom. Assim, fica tudo esclarecido.

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Publicado por Luis Rainha às 04:30 PM | Comentários (0)

CLARO QUE É SÓ COINCIDÊNCIA

Caixa Geral de Depósitos, Galp Energia, TMN, PT, CTT, EDP, Águas de Portugal. O que une todas estas empresas, para além de se manterem mais ou menos sob a tutela do Estado português? Simples: todas elas são dos maiores anunciantes no isento e imparável "Diário Digital", obra do sempre esforçado Luís Delgado. A mão invisível, por vezes, dá um bocado nas vistas...

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Publicado por Luis Rainha às 04:10 PM | Comentários (2)

Onde pára o 39?

Ando há semanas à procura da Ordem n.º 39 do CPA do Iraque.
Vi a primeira referência a esta ordem num artigo da Naomi Klein que a tem descrito como uma das decisões económicas mais radicais e idiotas do caceteiro ultra-liberal Paul Bremmer . Quase a "privatização" de um momento para o outro do sector público iraquiano, o que teve como implicações quase imediatas o lançar do dia para a noite no desemprego milhares de iraquianos que rapidamente se juntaram à resistência com as consequências por demais sabidas. Como sou desconfiado tentei procurar a ordem no site da coligação para ler e comprovar, mas o link já está em baixo há semanas. Vergonha na cara? Alguma coisa a ver com o post abaixo?

Publicado por tchernignobyl às 03:20 PM | Comentários (6)

MAS OLHEM QUE É PENA!

Quem não se entende muito bem com os meandros da Internet fica impedido de ver o lindo site da campanha do Monkey Boy. E olhem que tem um cantinho hispânico e até um belo blogue!

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Publicado por Luis Rainha às 03:00 PM | Comentários (1)

MULTILATERALISMO NA PRÁTICA

Estrangeiros interditados de aceder ao site oficial de George W. Bush.

(Eu realmente não consigo entrar.)

Publicado por Jorge Palinhos às 12:46 PM | Comentários (2)

UMA BOA ALTURA PARA O PESSOAL DO INIMIGO PÚBLICO METER FÉRIAS

Cavaco Silva pede aos portugueses para rezarem a Deus que os salve do actual governo

Seguranças de Santana Lopes despedidos devido ao caso da "sesta"


Publicado por Jorge Palinhos às 12:41 PM | Comentários (3)

CULTURA AO ALTO

Uma secção que me intriga no venerando Jornal de Letras (esta semana com a participação especial do boss aqui da cooperativa) é os "Sinais" da página 3. A dita secção é uma espécie de sobe & desce da cultura portuguesa, destacando os pontos altos e pontos baixos. Digo "sobe & desce" a título explicativo, visto que nunca me lembro de ter avistado uma única setinha murcha a apontar para baixo, a indicar que a arte nacional também tem os seus problemas.
De facto, quinzena após quinzena, lá estão quatro viris setas levantadas do chão, qual símbolos do PSD durante a epopeia Cavaco.
E quinzena após quinzena não consigo deixar de me perguntar: terá Portugal a cultura mais entesoada do mundo?

Publicado por Jorge Palinhos às 11:05 AM | Comentários (1)

O LADO POSITIVO DA COISA (II)

Por outro lado, MacGuffin, suponho que esteja fora de questão, no caso de uma vitória de Bush, ver-te vociferar contra o crescimento da despesa pública americana, contra a incompetência da guerra ao terrorismo, contra o ataque às liberdades cívicas...
Afinal, como se vê no caso Santana, a direita come sempre calada.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:56 AM | Comentários (2)

O LADO POSITIVO DA COISA

Ó MacGuffin, a tua reflexão significa que se o Bush ganhar vamos poder deixar de aturar a Ann Coulter, o Mark Steyn e o João Pereira Coutinho?
Humm...

Publicado por Jorge Palinhos às 10:49 AM | Comentários (1)

outubro 26, 2004

PAUSA BOA PARA O EGO

Interrompo o meu presentemente (muito) atarefado quotidiano para fazer notar que o BdE tem a honra e o orgulho de ser o blogue da semana da weblog.com.pt. Paulo, Guida e Luís, muito obrigado.

Publicado por Filipe Moura às 11:01 PM | Comentários (16)

VIAGENS NO TEMPO (3)

Quando comecei a desconfiar que os meus filhos estavam destinados a ter vidas próprias, longe do colo do pai, deu-me logo a nostalgia. Os anos lá se foram arrastando e o contentamento suave de ver aquelas vidas a medrar, mesmo que cada vez mais opacas e distantes, quase compensava a saudade de segurar um fiapo de gente com poucos quilos e fantasiar que poderíamos ficar assim para sempre, pai e bebé. Só nós dois.
Depois, sem aviso nem planos cuidadosos, aparece mais um rebento, quando já me deitava a imaginar como seria a elevação ao estatuto de avô. E lá recomeça tudo: a sugestão do cheiro de leite na respiração que mal se sente, o sorriso desdentado que dissolve cinismos e mágoas, o primeiro resmungo da manhã a fazer de despertador, mesmo o choro a meio da noite, o cocó a transbordar da fralda... e, acima de tudo o mais, o júbilo de chegar a casa sob um olhar que se ilumina naquele brilho esplêndido que por certo perdemos com o primeiro pecado.
Mas só agora, quase um ano depois deste nascimento imprevisto, reparo numa outra alegria quotidiana que o Francisco me dá. Estou com ele e volto a estar com os seus irmãos mais velhos; em cada um destes segundos felizes, vive também a memória das duas outras infâncias que vi florir. Não sei que recomendação maior vos possa fazer em prol da paternidade tardia.

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Publicado por Luis Rainha às 06:59 PM | Comentários (5)

MAIS EVIDÊNCIAS DA CRETINICE DE SALAZAR

"A derrota militar portuguesa é uma conclusão inevitável se se permitir que a revolta em Angola ganhe volume e continuidade", adverte o documento da CIA que acompanhava a proposta inicial elaborada por Paul Sakwa, pouco depois do começo da guerra em Angola.

Sakwa questiona-se mesmo se os Estados Unidos poderiam permitir que Portugal "cometesse suicídio, arrastando os seus amigos na mesma via".

Em 1964 - dez anos antes da revolução do 25 de Abril -, a CIA advertiu que as guerras em África levariam ao aumento do descontentamento interno e que esse "aumento do descontentamento poderá convencer os militares da necessidade de substituírem Salazar".

"Já não se trata de uma questão de saber se Angola se tornará independente ou não, pois a única questão é saber quando e como, tal como aconteceu na Argélia. Do mesmo modo, é uma certeza que quanto mais a luta durar, mais violenta, racista e infiltrada pelos comunistas se tornará, mais grave será a crise final a que os Estados Unidos terão de fazer face e mais caótica, radical e anti-ocidental será uma Angola independente", diz o documento.

Paul Sakwa, o funcionário da CIA que elaborou o "Commonwealth Plan", desesperado com a inflexibilidade de Salazar, terá chegado, ironicamente, a manifestar dúvidas de que o ditador português pudesse aceitar o plano americano "sem o benefício de uma lobotomia".

Para o secretário de Estado adjunto de então, George Ball, Salazar elaborava a política externa de Portugal "como se o Infante D. Henrique, Vasco da Gama e Fernão de Magalhães fossem os seus conselheiros mais próximos".

Publicado por Jorge Palinhos às 03:00 PM | Comentários (16)

VIAGENS NO TEMPO (2)

Graças a este simpático contador, descobri que foi já há 585 dias que o Zé Mário teve a generosidade de publicar o meu primeiro post itálico no BdE. Agora, passados 630 posts e muitos milhares de palavras pouco pensadas, irritadas, gabarolas, voláteis, imaturas, cansadas e efémeras, ainda me falta perceber por que diabo se metem as pessoas nisto dos blogues.

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Publicado por Luis Rainha às 02:49 PM | Comentários (2)

ALGUÉM ME ARRANJA UM APOIO QUEIXAL?

Director do "Expresso" acusa Governo de falta de "calo democrático"

Mas:

"Essa afirmação de Rui Gomes da Silva foi uma afirmação desastrada e infeliz."

Já me estou a recompor.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:47 PM | Comentários (0)

VIAGENS NO TEMPO (1)

Ontem à noite, consegui avançar 20 anos numa modesta fracção de segundo, sem desafiar Einstein nem recorrer às páginas da Ficção Científica mais descabelada. Para tal proeza, bastou-me subir um lance de escadas a correr: uma desvairada dor num joelho transformou-me numa periclitante construção de Lego, erigida com mais optimismo do que solidez. E assim passei instantaneamente dos 22 anos que julgava ter para os 42 que os meus meniscos já carregam.
Agora, continuo à espera da viagem de volta. E ainda me dói o raio do joelho.

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Publicado por Luis Rainha às 12:00 PM | Comentários (0)

O BAGÃO QUER MUITAS QUECAS

De acordo com o novo projecto-lei, os beneficiários do subsídio de desemprego com três ou mais filhos vão poder recusar um emprego a mais de 20 quilómetros da sua residência, independentemente da idade dos descendentes. A versão anterior limitava essa possibilidade aos beneficiários com filhos até 16 anos.

E entre os critérios de «emprego adequado» continua, para os restantes casos, a aceitação de trabalho a 40 km da habitação. Esta distância é reduzida para metade se a beneficiária ou mulher do beneficiário estiver grávida ou se a família tiver três ou mais filhos, com casos de deficiência.

Por favor levante o braço quem conhecer famílias com mais de três filhos que precisem de andar a mendigar subsídios de desemprego.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:28 AM | Comentários (20)

AS VANTAGENS ECONÓMICAS DE NOS BORRIFARMOS PARA O AMBIENTE

ou, Lomborg na prática:

Proteger a costa britânica do aumento do nível do mar nos próximos 50 anos pode custar perto de 290 mil milhões de euros, segundo um estudo ontem divulgado no Reino Unido. Este é o valor estimado dos investimentos para evitar os danos da erosão costeira, que, segundo cenários de agências governamentais britânicas, podem ameaçar dois milhões de residências e 40 por cento da indústria localizada junto ao litoral.
Público

Publicado por Jorge Palinhos às 10:13 AM | Comentários (0)

ATÉ PORQUE DEPOIS TINHAM DE LHE ARRANJAR UM GABINETE PARA O EGO

"Creio que o 'Diário de Notícias' perde mais do que eu perco com esta decisão", concluiu Clara Ferreira Alves.
Notícia sobre a recusa da dita em dirigir o DN.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:02 AM | Comentários (4)

BUTTIGLIONE

Aparentemente, anda por aí muita indignação com o veto que os eurodeputados socialistas e liberais poderão impor a Butiglione, pois, diz-se, este constitui censura por delito de opinião e até perseguição religiosa, com alguns a dizer que "o anti-catolicismo substitui o anti-semitismo" e o Vaticano a queixar-se da "nova Inquisição". Enfim, Bruckner was right.

A mim a situação faz-me um bocadinho de confusão, visto que tinha ideia que o cargo em causa era um cargo político e logo deveria ser desempenhado segundo convicções - afinal, não é propriamente o caso de andar a carimbar impressos.
Por outro lado, também dizem que Buttiglione prometeu respeitar os direitos das minorias que abomina... Que tal dar uma olhadela ao seu currículo (1, 2)?

- Em 2001, na primeira semana após ter sido empossado Ministro italiano dos Assuntos Europeus, Buttiglione lançou uma campanha para abolir a inseminação artificial e o aborto em Itália. Apresentou também uma proposta para que as mulheres que desistissem de abortar recebessem um prémio de 500 euros e as que persistissem fossem colocadas em terapia.

- Na convenção para elaboração da Constituição Europeia, Buttiglione propôs uma cláusula em que a orientação sexual passaria a ser um motivo válido para a discriminação laboral ou outra.

- Buttiglione defendeu quotas de imigração, dizendo que os "níveis de criminalidade de cada etnia devem ser tidos em conta para as mesmas". Segundo o mesmo, há etnias que têm níveis de criminalidade naturalmente mais elevados e que imigrantes de "religião católica ou cristã têm menor propensão para a criminalidade".

- Em 1989, numa conferência no Vaticano, Buttiglione defendeu que a Sida era um "castigo divino provocado pela homossexualidade e pela toxicodependência".

- Comentário da France Press a 15 de Junho de 2001: "[Buttiglione] lançou uma guerra religiosa somente três dias depois de assumir o cargo..."

- O próprio Buttiglione terá declarado "Em Itália não sabem quem sou, mas na Europa vão saber..."

Tranquilizante, não acham?

Publicado por Jorge Palinhos às 08:05 AM | Comentários (6)

outubro 25, 2004

E EIS QUE CHEGA O TAL "CONTRADITÓRIO"!

Esta crónica vem com instruções: "Se ler este texto, faça-o até à última linha."
A ideia é usar citações de 2002, relativas aos primeiros meses do governo de Durão Barroso, para tornar "claro" que a Imprensa é sempre a mesma alarmista e que, afinal, Santana Lopes nem é pior que a média. Perguntar-me-ão quem será obtuso ao ponto de acreditar mesmo nisto, ou quem será capaz de fazer de conta que a acção deste governo não se limita a um rosário de broncas e a um breviário de medidas populistas mal enjorcadas.
Pois. É muito mais fácil entender este texto se se prestar atenção às suas primeiríssimas linhas: "Inês Dentinho - Assessora políitica do primeiro-ministro ". Assim vai o consulado santanista: depois de esgotados os moços de fretes dissimulados - como o Luís Delgado - já só conseguem recorrer aos assalariados oficiais.

Publicado por Luis Rainha às 05:53 PM | Comentários (15)

E LÁ VÃO DOIS?


Já viram o estado lamentável e minimalista em que está o Abrupto? Será que o pseudo-ministro Silva foi chagar as meninges aos donos do Blogspot, exigindo contraditórios e erradicação de cabalas?
Não me parece, pois os arquivos incluem um post já datado de hoje; mas com os santanicos nunca se sabe...

Actualização: "desalarmem-se", que o Abrupto não teve o fim que o seu nome pressagiaria e está de novo online. Foi apenas um solavanco causado pela ausência prolongada do autor; não um caso de infestação de santanópteros.

Publicado por Luis Rainha às 05:27 PM | Comentários (8)

RELATIVISMOS ACIDENTAIS

Sob o título "Uma acção revolucionária do Anacleto", saíram-se os amigos d’O Acidental com a seguinte prosa: "Segundo relatos revolucionários, o Barnabé utilizou uma fotografia da queda de Fidel que pertencia ao Anacleto. Vai daí, os camaradas anacletos uniram as suas forças anti-reaccionárias numa memorável acção de subversão e conseguiram invadir o blogue de Daniel Oliveira, ainda que apenas durante alguns minutos. O resultado foi o que vêem em cima. Brilhante." Assina Paulo Pinto Mascarenhas. Precisamente o mesmo PPM que, há uns meses, ficou totalmente abespinhado com a "sabotagem" que lhe "entrou" pelo blogue adentro quando eu procedi a igual "acção de subversão". Alguns comentários furibundos do homem: "Depois do golpe do Luís Rainha, que tanto se divertiu em pôr uma ideia dele - anti-Bush, no caso - no meu blogue (e tb noutros blogues que usaram a mesma fotografia), espanta-me que fale de má-fé ou de deselegância da minha parte"; "eu, pelo menos, bato à porta antes de entrar nos blogues dos outros"; "Espero que esteja tudo incluido nas finanças do partido (BE), incluindo o vosso blogue". Na altura, como se vê, o sentido de humor que agora o leva a qualificar como "brilhante" a partida dos Anacletos estava ausente em parte incerta. Lembram-se daquele provérbio que envolve pimenta e rectos alheios?

Publicado por Luis Rainha às 05:17 PM | Comentários (5)

BOMBS R’US

Acaba de ser anunciado um novo e grande sucesso na luta contra o terrorismo no Iraque. Depois de descobertas as terríveis armas de destruição maciça e confirmadas as ligações de Saddam a Bin Laden, o mundo está mesmo muito mais seguro. E os EUA tem mais 380 toneladas de razões para estarem bem contentes com a sua invasão do Iraque. Com efeito, essa é a quantidade assombrosa de explosivos de alta potência que desapareceu do paiol de Al-Qaqaa, entregue à cuidadosa vigilância americana e anteriormente sob o controlo da IAEA. Ou talvez a coisa deva ser saudada como mais um êxito da livre iniciativa naquele país: o primeiro supermercado para terroristas do mundo mal abriu e já tem o stock esgotado!

Publicado por Luis Rainha às 03:09 PM | Comentários (1)

QUEM FOMENTA O ABORTO?

O que diz o Grupo Parlamentar do PSD? "O processo referendário de 1998 teve, aliás, o mérito indiscutível de revelar uma larga plataforma nacional de concordância sobre a necessidade de evitar a prática do aborto através do apoio, maternidade e à paternidade e do acesso generalizado ao planeamento familiar e à educação sexual"; "Assim, considera-se indispensável que, no sistema educativo, se introduzam, alterações na actual abordagem da educação sexual"; "Esta área disciplinar, ou disciplina a partir do 7.º ano, deverá ser obrigatória e sujeita a avaliação."
O que faz o Governo do PSD? "A área de promoção da saúde em meio escolar, que inclui a educação sexual, a prevenção da toxicodependência e a segurança alimentar está sem coordenação desde Janeiro de 2003. A responsável da Comissão de Coordenação da Promoção e Educação para a Saúde (CCPES) do Ministério da Educação, Isabel Loureiro, que ocupava o lugar desde Maio de 1997, demitiu-se nessa data e não foi substituída. A situação de paralisia que se vive nestas áreas, consideradas, em todos os discursos políticos, como ‘fundamentais’, é aliás simbolizada no site do ministério: a última actualização efectuada nas páginas afectas à CCPES data de 2 de Abril de 2002 - quatro dias antes da tomada de posse de Durão Barroso."
E o que quer fazer a quadrilha que partilha o poder com o PSD? Depois da grotesca Mariana Cascais, Diogo Feyo é o secretário de Estado responsável pela área da Educação Sexual. Ambos pertencem ao PP. O partido que ecoa os urros medievais da Igreja Católica, exigindo que esta disciplina - sediciosa e capaz de minar a fibra moral dos nossos jovens - seja opcional, não obrigatória como pretende, em teoria, o PSD. Cantando e rindo com esta malta, seguem as associações de tias desocupadas, que enviam cartas às autoridades onde podemos ler coisas assim: "Consideramos que está já completa e cientificamente provado que o modelo de educação sexual que está a ser promovido em Portugal é responsável de forma causal pelo aumento da promiscuidade"; "Para mais, é preciso ter absolutamente claro que o saldo entre o aumento de promiscuidade e o aumento da chamada protecção (por preservativos, contraceptivos, etc.) tem sido manifestamente negativo."

Se estas acções e omissões fizessem parte de uma estratégia para aumentar o negócio do aborto clandestino, não seriam muito diferentes.

Publicado por Luis Rainha às 01:56 PM | Comentários (4)

AVARIAS NA REALIDADE INVENTADA

Por enquanto fica esta observação: cantora teen pop foge de programa televisivo ao vivo, depois de uma confusão dos técnicos ter colocado no ar uma canção, enquanto ela fingia que cantava uma música totalmente diferente.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:45 AM | Comentários (0)

DÃO-LHES IDEIAS E DÁ NISTO

O produtor Rainert Laux afirmou ao Media Guardian que o novo Big Brother será um cruzamento entre a Disneylândia e o filme Truman Show - A Vida em Directo.

Tal como no filme, a cidade do Big Brother terá uma floresta, lojas, uma praça, uma igreja, escolas e escritórios.

Uma nova era no Big Brother é também, para Rainert Laux, uma nova etapa do voyeurismo.

Assim, a expectativa já não é que os concorrentes permaneçam alguns meses numa casa. Os produtores admitem que os concorrentes possam viver vários anos na cidade do programa.

Nota a mim mesmo: escrever o texto longo e chato sobre a nova realidade inventada para o BdE.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:30 AM | Comentários (1)

A SOBREVIVÊNCIA COMO OPÇÃO

Partido Popular e Igreja Católica exigem que a disciplina de Educação Sexual seja opcional.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:18 AM | Comentários (2)

PEQUENINA OBSERVAÇÃO SOBRE A COMPETÊNCIA DO ACTUAL PRESIDENTE DOS EUA

Número de pessoas que morreram durante o ataque ao World Trade Centre de Nova Iorque no dia 11 de Setembro de 2001: 2749

Número de pessoas - entre as 3400 actualmente detidas em 80 países - que foram julgadas e condenadas por ligações ao ataque ao World Trade Centre de Nova Iorque: 0
Pública

Publicado por Jorge Palinhos às 09:48 AM | Comentários (3)

ANO ZERO DA COLONIZAÇÃO LINGUÍSTICA

Holandeses apresentam uma proposta para que a UE passe a custear como línguas de trabalho apenas o inglês, francês, alemão, italiano, polaco e espanhol.

Publicado por Jorge Palinhos às 09:43 AM | Comentários (3)

outubro 24, 2004

COMIDA À BORLA SÓ NA MINHA TERRINHA

Cavaco Silva acaba de proclamar o seu apoio à extinção de quase todas as SCUTS. O argumento é o clássico "não há almoços grátis". Isenta desta fúria liberal fica a Via do Infante. Está visto que tenho de ir almoçar a Boliqueime na próxima vez que for ao Algarve.

Publicado por Luis Rainha às 09:54 PM | Comentários (1)

Minados por dentro (brrrr....)

Será uma contribuição marginal para a discussão sobre linguagem e civilização, mas acho interessante a associação que o Filipe faz abaixo entre fluência em Inglês e Poder.
Desde há várias décadas que a liderança da cultura anglo-saxónica nos campos do marketing e da propaganda conseguiu enraizar essa percepção sobretudo nos países economicamente mais atrasados.
Um reflexo disso é a aderência de adolescentes da classe média em Portugal, noutros países europeus e um pouco por todo o terceiro mundo a tiques comportamentais e a modas geradas em grupos sociais americanos de natureza radicalmente diferente.
Contudo, as vagas de emigração latina para os Estados Unidos que se sucederam nos últimos anos, parecem ter criado as condições para uma redefinição das formas veiculadas pela industria da imagem considerada de forma global, cada vez mais “contaminada” por elementos e personagens de origem latina de acordo com o peso demográfico e económico que este grupo tem vindo a assumir .
Um facto revelador, citado com grande alarme no último livro de Samuel Huntington, Who Are We de que a Foreign Policy publicou um excerto sob o título de “The Hispanic Challenge”, e independentemente do carácter racista das inquetações de Huntington, é ser em certas áreas dos Estados Unidos cada vez mais um factor de discriminação positiva no mercado de trabalho a capacidade de expressão em inglês e castelhano sendo este último o factor dominante, algo que seria impensável há poucos anos atrás.

Publicado por tchernignobyl às 07:15 PM | Comentários (2)

GOSTO DE SER E DE ESTAR

O Luís armou-se em Claude Lévy-Strauss e deu-lhe para estudar a influência da língua na civilização, tendo escrito um texto bastante interessante onde vários aspectos são abordados. Gostaria de conhecer mais estudos sobre esta influência, sendo que estou perfeitamente convencido de que o enorme pragmatismo anglo-saxónico se reflecte na extrema facilidade da língua inglesa, quando comparada com qualquer outra. Esta facilidade tem como consequência que toda a gente fale inglês, e dá origem a uma dominação cultural. Resulta tudo do pragmatismo. Por explicar fica o domínio económico: será que toda a gente fala inglês por ser a "língua do poder", como lhe chama Caetano Veloso? A língua falada nos países mais poderosos? Ou será que, pelo contrário, é a "língua do poder" justamente por toda a gente a falar, e daí virá o domínio económico? Gostaria de saber a resposta.
O Caetano estudou entretanto as virtudes da nossa língua (e chegou à conclusão de que só é possível filosofar em alemão - à atenção dos clássicos e dos desconstrucionistas; não nos esqueçamos de que o Lévy-Strauss detestou a baía da Guanabara). E enunciou uma virtude que faz da nossa língua, da castelhana e dos seus derivados (e do italiano, embora com significados ligeiramente diferentes) menos pobres em comparação com outras como inglês, francês ou alemão: a distinção entre ser e estar, duas coisas bem diferentes. Somente línguas muito pobres não distinguem o ser do estar. Procurei convencer os meus amigos de outras nacionalidades disto. Os alemães não acreditavam muito, mas eu referia-lhes que só na língua deles se podia filosofar e chegávamos a acordo.

Publicado por Filipe Moura às 03:47 PM | Comentários (5)

UM MONUMENTO À SOLIDÃO

No Estoril, chega-se à praia por um túnel mal iluminado e mal cheiroso. Circula por ali gente que passeia bebés, turistas nórdicos cheios de calor e prontos para o banho, flâneurs em busca de uma bica a saber a maresia. Amparado por uma parede coberta de graffitis ilegíveis, o pedinte mais parece um monte de roupas velhas: imóvel, torcido, rosto oculto por um cachecol desnecessário. Dir-se-ia que alguém ali expôs uma escultura de Duane Hanson. É um homem-estátua involuntário: quietude absoluta a imitar a solenidade do bronze, postura congelada no simbolismo óbvio do monumento. Ele não procura o olhar dos passantes; e já desistiu de chocalhar a caixa com três ou quatro moedas. Limita-se a sinalizar a sua presença com um cartaz manuscrito onde se lê o diagnóstico, conciso e inapelável: "Ajude-me. Doente dos pulmões, nervos, solidão".

Publicado por Luis Rainha às 01:25 PM | Comentários (5)

MÁ LÍNGUA JORNALÍSTICA (3)

Clara Ferreira Alves, presenteada por Santana Lopes com uma sinecura na Casa Fernando Pessoa, soube desde logo dar abundantes provas de praticar o nobre sentimento da gratidão. Por exemplo, mal o eng.º Sócrates subiu à liderança do PS, ela encarregou-se de o trucidar com afinco, acusando-o de ser um maltrapilho intelectual, porque, entre outros argumentos decisivos, "nenhum animal culto que se preze cita tão cultamente".
Sexta-feira, a Clarinha agarrou-se aos microfones da TSF para despejar "Mel com Fel" sobre o governo. Primeiro, criticou Gomes da Silva e Morais Sarmento, a propósito das suas embrulhadas com a RTP e o prof. Marcelo. Sempre tratando, com subtileza, de reduzir tais episódios a manifestações de uma certa inabilidade quase inocente. Conclusão: a perversão do sistema é quando "o jornalismo é a notícia principal". E é mesmo "pena que o governo não perceba isto". O que "vale", para a Clara, são as notícias do resto do mundo. É que se passam coisas mui importantes "pelo planeta"; como a capa da "Newsweek" desta semana, decorada com uma bela fotografia de Durão Barroso, conhecido trânsfuga internacional. O artigo é "simpático e lisonjeiro" para com Durão Barroso. Acabou-se pois o tom "vagamente paternalista" que desde sempre nos estava reservado e agora - oh glória! - somos "levados a sério". Ou, "pelo menos, Durão Barroso é". O que "não é nada mau porque em Portugal já nos deixámos de levar a sério há muito tempo".
Ou seja: alguns ministros até poderão ser tontos, mas a sua chegada ao poder está associada a um bem maior. Por obra e graça da emigração de Durão, o Mundo respeita-nos! Vemos aqui em acção uma souplesse que muita falta faz a tarefeiros mais óbvios como Luís Delgado. Salta à vista: esta senhora tem todas as competências necessárias para merecer a confiança da Lusomundo. Irá por certo ocupar com brio e inesgotável energia a direcção do "Diário de Notícias".
Mas o que é que a própria escreveu há muito pouco tempo sobre a "actividade típica dos trepadores sociais com forte polegar oponível"? Pois é. A pluma pode ser caprichosa, mas não é tonta.

PS: eu aqui a destilar veneno e a Clarinha, afinal, até declinou o convite. É no que dá ceder aos nossos ódios de estimação mal vemos uma aberta... mas, para compensar, ela sempre disse que "Creio que o 'Diário de Notícias' perde mais do que eu perco com esta decisão." Esta mulher não existe.

Publicado por Luis Rainha às 01:03 PM | Comentários (2)

Propaganda e poesia

O Expresso publica esta semana no seu suplemento Actual, um confronto de opiniões acerca do filme do Michael Moore, Farenheit 9/11, entre os dois principais protagonistas da semana mais dramática da blogosfera, João Pereira Coutinho, ex-Coluna Infame e autor de JPCoutinho Dominical e Daniel Oliveira ex-Blogue de Esquerda (I) e actual Barnabé.
O primeiro com uma opinião desfavorável do filme e (sobretudo) do autor, o segundo em sua defesa.
Claro que sou suspeito mas na minha opinião o texto de JPC (não confundir com este) podia funcionar como um Livro de Estilo da argumentação da direita:
Hipersensiveis quando se trata de responder aos “exageros” inaceitáveis da argumentação esquerdófila, qualquer acusação, por mais brutal, desproporcionada ou disparatada é pouco quando se referem aos seus adversáveis políticos.
Moore, um exemplo da reacção de uma certa esquerda americana à brutalidade e omnipresença da propaganda da direita dos pregadores, das ann coulters e palhaçadas similares que só perde para estes por excesso de contenção, é para João Pereira Coutinho um propagandista na linha de Leni Riefenstahl ao serviço de Hitler.
Em Bowling for Columbine, um documentário que defende serem a disseminação de armas de fogo entre os cidadãos e a histeria mediática acerca da “segurança” algumas das causas profundas dos Columbines e histórias semelhantes, JPCMoore erigindo criminosos adolescentes em heróis.

Farenheit 8/11, tal como Daniel Oliveira enuncia de forma sistemática e seca, levanta de forma que seria espalhafatosa numa tese universitária mas comum nos media, uma série de questões acerca da familia Bush e apresenta respostas que para JPC são falsas. O facto de o documentário não ter sido ainda alvo de um processo por parte de uma Administração especialista em utilizar a justiça como forma de pressão e silenciamento de qualquer oposição, é porque provavelmente as “criaturas” aguardam pacientemente em Washington o reforço de "dois neurónios activos" que lhes permitam descobrir finalmente as provas das mentiras até aqui guardadas ciosamente pelo João. Este pelo seu lado encontra-se em posição de garantir no seu estilo sóbrio e objectivo que para Michael Moore, o Iraque de Saddam é o “Barco do Amor”.
Para JPC, existem bons motivos para que Bush perca como bons motivos para que ganhe. Entre os primeiros ele refere algo surpreendentemente “As armas de destruição maciça. Os abusos de Abu Ghraib. Guantánamo. A visível impreparação do pós guerra“. Digo surpreendentemente porque são afinal apenas alguns dos motivos que levaram alguns a oporem-se à guerra tendo sido na altura apodados pelo Partido da Guerra de apoiantes do Saddam, dos Taliban, do Bin laden e de quem mais viesse ou venha, se necessário desenterram-se o Hitler, o Estaline e o Mussolini. E se calhar são poucos.
Mais surpreentemente ainda porque depois de se terem verificado serem falsas TODAS as justificações para a guerra, os mesmos acusadores continuam a atacar sem a menor vacilação os mesmos acusados com as mesmas acusações !!
Que Michael Moore mostre as imagens de Bagdad antes da agressão é sem dúvida gosto e correcção política duvidosos.
Mas a afirmação de que Saddam não matou americanos antes da invasão está ao alcance de qualquer pessoa com “dois neurónios” perceber que se trata de uma referência às acusações de ligações operacionais à alQaeda, improvável e até hoje por provar.
Daí ao Hitler é uma diferença absurda que deveria ser sobretudo fácil de perceber para aqueles que se escandalizam com qualquer comparação entre as práticas israelitas nos territórios ocupados e os autores do Holocausto.
Na apoteose final, JPC refere uma frase que Mussolini teria proferido quando lhe pediram para se definir como estadista: “Não sou um estadista, sou um poeta louco”. "Todos conhecemos o resultado dessa poesia" conclui JPC.
Pois sabemos, mas se os dirigentes de um país resolvem invadir outro com base em pretextos que já se sabia na altura e depois se comprovou serem falsos?
O que acontece então? Quem são os poetas loucos da “exportação da democracia”? Basta ver os noticiários. E o programa também não é o “Barco do Amor”.

Nota: não encontrei os links para a Actual do Expresso1669 de forma a permitir que todos os que lerem este artigo tenham acesso imediato às duas crónicas e possam verificar se estou a "desontextualizar". Se alguém me puder ajudar...

Publicado por tchernignobyl às 12:18 PM | Comentários (10)

outubro 23, 2004

VÍTOR BAÍA SEGUNDO ZÉ MANEL, NUNO GOMES SEGUNDO D. BITÓRIA

Confesso que hesitei em ir ler o meu camarada Zé Manel esta semana, pois não gosto de o ver mal disposto e ele até tinha
razões para isso. Menos quando o Sporting ganha, claro.
A crónica desta semana está cheia de críticas à arbitragem, mas o ilustre taxista não perdeu mesmo assim a presença de espírito e chegou a esta brilhante conclusão sobre o guardião portista, que transcrevo aqui:

«Não se consegue perceber como é que o Scolari não convoca o Vítor Baía prà selecção. Antes do Benfica-Porto, ele já era o único guarda-redes do mundo que conseguia defender com as mãos fora da grande-área. Agora, é também o único guardião do universo que defende com as mãos dentro da baliza. Que categoria!»

Pelas bandas do Porto, a sua colega peixeira D. Bitória não anda mais bem disposta, depois do resultado do seu FCP em Paris.
Mas também não perdeu a sagacidade:

«Os lampiões dizem que há fórmulas matemáticas que atestam que foi golo, mas nom olbidemos que, em termos de matemática, isto é gente que afirma que um clube fundado em 1907 tem 100 anos. (...)
Em relaçom às expulsões, tenho para mim que o Nuno Gomes é mal castigado. As imagens nom som conclusibas e, na dúbida, o árbitro debia lembrar-se que o Nuno Gomes nunca acerta com os pontapés que dá. Assim, é probábel que tenha falhado a biqueirada no Pepe! Hi, hi, hi! O Pepe é que é muito bem expulso, por irritar o Nuno Gomes. Cada bez que o Nuno se enerba, fica com o cabelo espigado. Acho que nom está na lei da FIFA, mas está na da Fifi, a cabeleireira dele.»

Publicado por Filipe Moura às 03:40 PM | Comentários (1)

Deita abaixo

Li na Capital que um grupo de animais pretende demolir a belissima casa na rua Silva Carvalho onde viveu Almeida Garrett.
Pelos visto o IPPAR nada tem a dizer e a Câmara, que provavelmente chateará até à morte quem quer que queira fazer uma casa de banho decente numa casa antiga, parece que "equaciona" a aprovação.
Provavelmente vão "requalificar" o sítio com uma lona a dizer "aqui Lisboa vai ficar muito mais bonita" a substituir mais tarde pelas entrada de um condomínio de luxo com uma designação anódina do tipo "O pátio da Joaninha" com revestimento a vidraço ou granito polido, fachadas "nuage" ou caixilharias de aluminio na cor bronze (e vidro duplo), um pouco como tem sucedido na Alexandre Herculano e na Braancamp (não é só na avenida Malhoa o Zoo da contribuição estética que a simbiose "iniciativa privada" + arquitectos criativos" tem trazido à cidade) ou mesmo, para calar a boca aos críticos, com uns beirados à "portuguesa" e caixilharias de aluminio verde garrafa (e vidro duplo) perante a passividade da grande maioria de todas as pessoas que "adoram Lisboa" (esta luz!... etc...).
Sempre que sucede uma situação destas, surge também acoplado o argumento de que "só se lembram de protestar quando alguém quer fazer alguma coisa".
Como se aqueles que o invocam tivessem alguma legitimidade para eles sim invocarem o que quer que fosse por já terem protestado em vão contra o que quer que fosse.
Normalmente sempre se estiveram nas tintas e assim pretendem continuar. Que se cometam crimes urbanisticos deixa-os indiferentes, o que os preocupa é que outros, cedo, ou tarde, ou alguma vez se indignem com eles.
Não concordo com esse argumento.
Pelo facto de certas entidades públicas (ou privadas) descurarem o seu património edificado, não é por isso que se devem aceitar soluções salomónicas do tipo ok, que se faça então a primeira porcaria desde que se faça "qualquer coisa". O que há é que exigir que a Câmara, a quem convém quando interessa falar muito no "património", assuma as suas responsabilidades.
Ver no blog cidadanialx mais informações sobre este e outros casos.

Publicado por tchernignobyl às 02:37 PM | Comentários (5)

MÁ LÍNGUA JORNALÍSTICA (2)

Neste preciso momento, Margarida Marante entrevista, na TSF, o ministro Fernando Negrão. A indomável jornalista continua em grande forma: parte do princípio que está ali para explicar coisas ao seu interlocutor, gasta mais tempo a ventilar as suas ideias do que a fazer perguntas, corta qualquer fio de pensamento com apartes disparatados. E tudo isto mantendo sempre a sua outra característica-chave: o mais absoluto desconhecimento dos assuntos em discussão. Nos primeiros cinco minutos da coisa, já repetiu pelo menos uma dúzia e vezes as expressões "modelo falido" e "estado-previdência". O ministro, obrigado a aturar aquela verdadeira conversa de surdos, quase chega a parecer simpático.

Publicado por Luis Rainha às 11:41 AM | Comentários (6)

MÁ LÍNGUA JORNALÍSTICA (1)

Sempre que almoço com amigos jornalistas, fico com os ouvidos a zunir de tanta revelação, inconfidência e segredinho picante. Sei que a má-língua é coisa feia, mas não resisto a dar com a língua nos dentes, amplificando mais um pouco o que por certo não passa de um boato infame:
Quem é, quem é ele, o intrépido jornalista "de guerra" português que ganhou no Iraque a alcunha "Zé do Telhado", por fazer sempre os seus directos de pontos elevados e a bom recato de balas perdidas? Sim; é a mesma figura que em Timor foi dos mais dinâmicos organizadores da fuga dos jornalistas lusos. E que depois tratou de homenagear a sua própria bravura em alguns livros onde relata as suas trepidantes experiências em teatros de guerra...

Publicado por Luis Rainha às 12:07 AM | Comentários (1)

Com de coro: a October reise de Schubert, ou os luxos da esquerda sardinha assada

Imagina que chegas à tua tasca habitual com um livreco nas mãos sobre a história da independência americana, preparado para o peixe irrepreensivelmente fresco regado com vinho branco que te purifica dos croquetes ao balcão do resto da semana.
Na televisão panorâmica desenrola-se um jogo de futebol perante uma audiência escassa de habitués que cumprimentas com um sorriso, sem demasiadas intimidades.
O dono da tasca já se sabe que é do sporting, está tranquilo, o comensal que come a dobrada é lampião, assim como o homem de bigode que está ao balcão, e um outro mais perto da porta corpulento e de barbas grisalhas.
Ao te sentares virado de frente para o ecrã no eixo das restantes mesas, encaras também de frente com um grupo de doze estranhos sentados dois a dois em seis mesas que o dono da tasca juntou.
As idades oscilam entre os vinte e poucos e os cinquenta para cima.
Percebes imediatamente, mesmo antes de os ouvires que são alemães.
O Benfica marca dois golos e depois sofre dois de rajada.
Os estrangeiros não se manifestam. De tempos a tempos, um ou outro olha-te e esboça um sorriso cúmplice quando enches o teu copo de vinho pela segunda ou terceira vez.
Vão acabando de comer e por entre o burburinho das conversas ininteligíveis, ouvem-se as palavras “eau de vie” com pronuncia teutónica.
Subitamente, um som eleva-se no ar. O grupo de homens anódinos metamorfoseia-se num coro e interpreta uma sequência de músicas que soam a céus na solidão da tasca excessivamente iluminada pelo neon que se reflecte no balcão em chapa e nas paredes forradas a mosaico espanhol.
A meio de um dos cânticos que é sobre o vinho do Reno, quando o homem ao balcão grita “golo!” já ninguém pensa em futebol, estás suspenso do som e o golo parece fazer parte da música.

Aqui, informações sobre a "Portugal reise" da Schubertbund

Publicado por tchernignobyl às 12:01 AM | Comentários (1)

outubro 22, 2004

O Poder da Comunicação

Quando o polícia se apercebeu que o condutor do carro que ziguezagueava pelo trânsito caótico do centro da cidade tinha a mão esquerda ocupada a segurar um telemóvel junto ao ouvido, ocorreu-lhe por uma fracção de segundo levantar a sua mão direita no gracioso gesto capaz de literalmente fazer parar o trânsito que define a autoridade.
Na fracção de segundo seguinte percebeu que não podia fazê-lo.
A sua mão direita segurava também um telemóvel que o ligava a alguém algures noutro ponto remoto do planeta.

Publicado por tchernignobyl às 08:26 PM | Comentários (4)

A PROPÓSITO...

Já que falamos em lavabos, gostaria apenas de chamar a vossa atenção para o facto, pouco conhecido mas verdadeiro, que o papel dos livros não vendidos é muitas vezes reciclado e reutilizado, frequentemente como papel higiénico.
Portanto, amigos, caso tenham ganho o hábito de surfar na latrina, graças ao vosso portátil e à vossa ligação wireless, é bem provável que esse rolinho aí ao vosso lado que vão utilizar dentro de breves momentos já tenha contido as imortais palavras de Pessoa, as frases desarticuladas de Margarida Rebelo Pinto, ou, muito provavelmente, o Manual do Utilizador do Excel 95.

(Podem confirmar aqui.)

Publicado por Jorge Palinhos às 06:32 PM | Comentários (1)

A SANITA SAGRADA

Foi descoberta a sanita que inspirou Martinho Lutero a afirmar que a salvação devia-se somente à fé e não às obras, durante a prisão de ventre mais cismática de todos os tempos.

Publicado por Jorge Palinhos às 06:27 PM | Comentários (1)

VOLTA, MACÁRIO! VOLTA, VOLTA, VOLTA!

A UE desvendou uma série de imagens de cadáveres, bebés prematuros e pulmões cancerosos que vão passar a surgir nos maços de cigarros para dissuadir o tabagismo.

Publicado por Jorge Palinhos às 06:23 PM | Comentários (0)

AS DESVENTURAS DO HOMEM-TOUPEIRA

O nosso amado calhau com gel anunciou em jornal da estranja que "já deixámos para trás metade do túnel". (Não deixa de ser metáfora engraçada: eu tinha ideia de que ele tinha deixado para trás, em Lisboa, não metade mas sim um mero embrião de túnel...)
Horas depois, o Universo confirmou o seu empenho na cabala contra Santana: o túnel do Rossio era fechado, antes que caísse em cima de alguém. Castigo divino ou simples justiça poética?

Publicado por Luis Rainha às 05:57 PM | Comentários (2)

UMA MODESTA TEORIA LINGUÍSTICA PARA EXPLICAR O NOSSO ATRASO

Já deu para ver que a problemática das pseudo-elites lusas está cá para durar. Mas não convém perder de vista a demanda que me levou a evocar o tema: procurar origens para os defeitos que nos atacam há séculos, como pragas genéticas: a preguiça, a desorganização, a chico-espertice, a desonestidade, o caos endémico, etc.
Se a culpa não for nem das elites, nem dos trabalhadores, nem do clima, onde poderemos lobrigar culpados? Ora vamos abandonar por uns minutos a pouco promissora lista dos suspeitos de costume e abrir o espírito a novas e ousadas teorias. A minha, por estranho que vos pareça, foi inspirada pelo Paulo Portas. Sim, esse dos submarinos e do dedo maroto perpetuamente em riste.
É assim: o PP está sempre a reclamar com a Constituição. Que impede o progresso, que tolhe o passo às magníficas reformas que eles têm em mente, que é um resquício dos tempos do gonçalvismo. Em suma: só serve para atrasar a chegada do Mercado, do Liberalismo e das restantes divindades que povoam os céus enublados da mitologia centrista.
E se este raciocínio se pudesse mesmo aplicar, não à Constituição, mas sim ao Português?
Será que a nossa amada Língua Pátria é, na realidade, uma herança envenenada? Não passará ela de um atavismo oriundo de dias em que a Península era povoada apenas por madraços recidivos, satisfeitos com o gozo das delícias do clima e dos frutos que caíam das árvores, sem recear predadores ou concorrência?
Estará a Língua que tão bem serviu Camões a atrapalhar o nascimento do Portugal moderno, global e pronto para o Século XXI, enredando-o nas teias de palavras flácidas e orações calaceiras?
Pensem bem; é coisa já muito afirmada que a linguagem enforma o pensamento, que as palavras coalescem e muito com as realidades que pretendem descrever. Por mero acidente, até já tinha, há uns tempos, tropeçado em parte da verdade, ao reparar nas diferenças entre os nomes das nossas cidades e os das suas homólogas espanholas. Mas só agora é que tive esta extraordinária inspiração.

E foi quase por acaso: estava eu a escrever um mail em Inglês quando me saiu um erro flagrante: "I lost the connecting flight". Claro que o verbo certo seria "To Miss", nunca "To Lose". Em Português é que se usa o verbo "Perder", não "Falhar".
Agora, vejam bem a diferença: "Falhar" implica que foi feito um esforço, que apontámos a nossa vontade a um dado alvo, mas fomos incapazes de o atingir. "Perder" algo acontece por acaso; é uma fatalidade, um azar que nos aconteceu. Eles só não apanham o avião quando falham. Nós, temos pouca sorte no jogo da vida: "perdemos" voos, coisas ou pessoas apenas porque as nossas cartas não eram grande coisa, porque é mesmo o nosso fado andar sempre a "perder".
Querem mais uma prova? Reparem no uso tão diverso que dão ao verbo "trabalhar" os falantes de Inglês e os condenados ao Português. Os primeiros constroem com este "To Work" todo um acervo de frases idiomáticas, como o colorido "work one’s ass off", o enérgico "work out", o metódico "work up to something" e mais uma infinidade de fórmulas dinâmicas. Isto para já nem mencionar aquela palavra para nós tão exótica e incompreensível que precisamos de juntar três ou quatro vocábulos para a traduzir: "workaholic". (Outro conceito difícil de adaptar à nossa realidade social será "workmanship"; o grau de especialização ou perícia evidente na feitura de algo.)
No bisonho universo da lusofonia, aparecem esconjuros assustados como "trabalheira" e "trabalhão". As lindas frases que usamos no dia a dia oscilam entre o lacónico "trabalhar faz calos" e o imaginativo "se trabalho dá saúde, que trabalhem os doentes". E que dizer de sinónimos sinistros como "vergar a mola"? Estão a ver?

Estes são meros e escassos exemplos, coligidos por alguém isento de qualquer pretensão a sábio em Linguística. Deixo agora este território do conhecimento assinalado mas ainda bravio; caberá aos especialistas cartografá-lo devidamente. Por exemplo, aposto que se alguém se der ao trabalhão de estabelecer um ranking de todas as línguas europeias e as ordenar de acordo com a sua parecença com o Português, o resultado será precisamente o inverso de uma ordenação obtida de acordo com indicadores de progresso, civismo e produtividade. Os espanhóis ainda não perderam o amor à sesta. Os italianos são os reis da trafulhice. Os franceses, como já apontou o Filipe, fecham os museus mais cedo, mas já estão a anos-luz de nós. Os ingleses construíram o último Império por estas bandas. E os alemães, falantes de uma coisa que ao nosso ouvido parece marcianês, são o que são. Nem é preciso mencionar aquela malta rica, lá mais para o Norte...
Há aqui uma correlação claramente positiva entre o grau de separação do Português e a prosperidade (se de mais provas precisam, ponham os olhos nos infelizes membros da CPLP). Por outro lado, estou capaz de apostar que o Romeno e o Albanês, no fundo, até são mesmo igualzinhos à nossa atrofiante língua.

Pronto. Vão lá avisar o júri do Prémio Pessoa que os próximos 42.500 euritos já têm dono.

Publicado por Luis Rainha às 02:28 PM | Comentários (12)

O PERÍODO DE GESTAÇÃO DA VERDADE

Miguel Paes do Amaral, presidente da Media Capital, disse à Alta Autoridade para a Comunicação Social que o caso Marcelo se esclarecerá dentro de «seis ou nove meses».
O que é que acham? Vai ser um parto normal ou prematuro? Teremos uma explicação arrancada a ferros ou uma cesariana em horário nobre, na TVI? Com epidural ou sem epidural? Aceitam-se apostas.
Infelizmente, temo bem que tudo termine numa vaga "comissão de inquérito" (o equivalente daquelas clínicas espanholas que vêm anunciadas no "Público").

Publicado por José Mário Silva às 12:39 PM | Comentários (9)

MOBILIZAÇÃO GERAL

No desespero de não ter de repôr o serviço militar obrigatório, o governo americano está a pensar em colocar as mulheres na frente de combate, depois de já ter feito o mesmo aos ingleses.
Eu, se fosse um bloguista pró-bélico, começava já a fazer flexões e abdominais para quando chegar a altura.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:35 PM | Comentários (1)

STOP THE PRESS! O DELGADO ARREPENDEU-SE!

Parece que é mesmo verdade: Luís Delgado, porta-voz oficioso do PSD e usufrutuário de várias sinecuras na Comunicação Social tutelada pelo governo, acaba de escrever o que aparenta ser um pungente mea culpa em que pede desculpa a todo o país pelas profecias míopes, pelas acusações infundadas, pelo tendenciosismo pertinaz, pelos insultos rasteiros. A sério; o homem deve ter descoberto o Senhor, ou coisa que o valha. Não percam; já não se via uma conversão assim desde que Saulo caiu do cavalo.

Publicado por Luis Rainha às 12:33 PM | Comentários (6)

ESQUERDA/DIREITA

O Jorge Candeias, da Lâmpada Mágica, dá-nos o prazer de ser um dos nossos mais frequentes comentadores e o mais frequente colaborador itálico. Num texto do Luís Rainha sobre as elites, deixou um comentário que vale a pena promover ao corpo principal. Escreve o Jorge:

«Fingir que as elites não existem não nos levará nunca a lado nenhum. As elites existem, e não só existem como são fundamentais porque determinam boa parte da dinâmica de uma sociedade. A falta de compreensão disto foi uma das causas da falência de algumas experiências de socialismo real.

Quanto à (...) fé de que "todos têm talento suficiente para se destacarem em algo", enfim, é uma fé. (...) A verdade é que as pessoas nascem com capacidades muito diferentes umas das outras, e por isso uma sociedade justa não é uma sociedade em que a igualdade é imposta (longe disso!) mas sim uma sociedade em que todos tenham à partida as mesmas oportunidades para desenvolver e pôr em uso as capacidades que possam ter. E o grande defeito das sociedades capitalistas actuais não são as suas desigualdades sociais, mas sim dois factos: o de o único talento que é verdadeiramente recompensado é o talento para acumular riqueza (os outros só valem em função deste) e o de a quantidade de riqueza que existe à partida determinar quase por completo a capacidade de cada indivíduo para descobrir e explorar as suas capacidades.

Esta diferença entre os que defendem a "igualdade" e os que defendem a igualdade de oportunidades (e, já agora, algum equilíbrio na importância que é dada aos vários talentos) é, aliás, a mais importante cisão ideológica que existe na esquerda.»

Só não sei se concordo com a forma categórica como está escrita a última frase. Mas numa altura em que tanto se tem falado sobre o sentido que ainda possa fazer a distinção esquerda-direita, creio que essa questão foi aqui respondida pelo Jorge.

Publicado por Filipe Moura às 12:09 PM | Comentários (6)

ATENTADO À LIVRE INICIATIVA

Homem que fundou escola privada de contraterrorismo processa Halliburton por lhe ter vendido mísseis ilegalmente.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:13 AM | Comentários (2)

ALELUIA (II)

Por outro lado, tenho impressão que já é demasiado tarde...

Publicado por Jorge Palinhos às 10:10 AM | Comentários (1)

ALELUIA

O site jornalístico mais ranhoso da internet lusa lavou a cara.
Infelizmente continua cheio de santanópteros.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:06 AM | Comentários (0)

SUSTENTABILIDADE

Entro no táxi da manhã, alto Mercedes, o condutor um chavalo bem parecido e com ar vigoroso.
A música uma xungaria atroz do tipo martelos que ele apesar de tudo baixa polidamente quando me sento no banco da frente.
A conversa começou sobre locais secretos da cidade.
Eu: Quero ir para a Alexandre Herculano, ali na esquina com a Avenida da Liberdade.
Ele: Ah, ok, ali ao pé da Judiciária.
Eu: Judiciária? Mas isso é no cimo da Conde Redondo, pá.
Ele: Não é, é ali ao pé da Avenida da Liberdade.
Eu: Não, você está a fazer confusão com o SIS.
Ele: O SIS? Desculpe lá mas isso é numa moradia dos Olivais...
Eu: Isto já parece é um filme de espiões, caraças.
Ele: EHHH! Espiões é aquilo, veja-me lá se aquilo não são uns grandes espiões. (duas mulheres do tipo mãe aperaltada e filha saída da casca atravessavam uma passadeira de peões no Calvário)
Eu: Como?
Ele: ISTO (apontando o queixo na direcção das transeuntes), você não viu?
Eu: Bom...
Ele: Isto é que é uma maravilha, mesmo uma coisa perfeitinha...
Mas o que eu prefiro são viúvas. Viúvas e divorciadas. Ui!

Etc...
Na Álvares Cabral, ali a alturas do Jardim Cinema, uma rapariga de pernas curtas, saía de um daqueles carros parados em segunda fila e com quatro piscas a pintar.
Ele: IHHHHHHHHHH! Perfeita mô, viu aquela forma de pêra perfeita?
Eu: Er....h!
Ele: Bom, as polacas e as húngaras é que são umas ninfomaniacas... Há uns tempos fui a Bucareste. Aquilo sim! Lá, um homem QUER e TEM!
Eu: E que fazia você em Bucareste? Alguma viagem à boleia? Inter-rail?
Ele: Nahhh! Fui lá em negócios.
Eu: Negócios?
Ele: Sim, eu tinha uma empresa da área do ambiente e da sustentabilidade. Mas sabe... isto cá não dá, as pessoas são pouco conscientes, só se preocupam com outras coisas...

Publicado por tchernignobyl às 12:15 AM | Comentários (3)

outubro 21, 2004

AINDA SOBRE O REPASTO DO FIM DE SEMANA PASSADO

Ó Paulo Querido, eu não estive no jantar, com grande pena minha. Mas "esquerda jaquinzinhos", esquerda perigosa para as espécies, não! "Esquerda carapau alimado", ainda vá. Agora capturar animais bebés sem os deixar reproduzirem-se é mais coisa de sulistas, elitistas e liberais (nada de pessoal, jcd; apenas acho que comer animais não adultos é errado, excepção feita ao leitão). Se o ninho de bloquistas onde foram jantar serve jaquinzinhos, baixa muito na minha consideração.

Publicado por Filipe Moura às 08:30 PM | Comentários (23)

OS SERVIÇOS PORTUGUESES DE INTELIGÊNCIA

Visto (de memória) na Capa d' O Crime:

Relatório do SIS acusa:

Manuel Maria Carrilho [com foto] financiou obra de referência dos pedófilos portugueses
(Em baixo, a capa d' A Materna Doçura de Possidónio Cachapa)

Não só jornalismo é de referência como saber das actividades dos nossos serviços secretos me deixou muito descansado quanto a ataques terroristas.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:13 AM | Comentários (2)

HÁ ESPERANÇA PARA A ITÁLIA

A recente tradução italiana da Ilíada já vendeu mais de 150 000 exemplares, ultrapassando inclusivamente a venda do Código Da Vinci.
Se a qualidade do primeiro-ministro tiver alguma influência então o futuro das leitura portuguesa afigura-se risonho.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:01 AM | Comentários (2)

COIMBRA É UMA CANÇÃO

A polícia empregou gases contra os estudantes, isso foi mostrado pela reportagem da SIC.
Tal como foram mostrados testemunhos de estudantes agredidos por polícias à paisana fora da frente da manifestação.
Interrogado pelos jornalistas, o Ministro "desconhecia" os factos.
Mas falou com o Comandante da PSP que o tranquilizou: foi só contenção, terá informado, exercendo o contraditório.
Como diria o outro, é só fumaça.
Procuro nos blogs informações frescas e em primeira mão do que se passa e nada. Alguém dá uma dica sobre o paradeiro da blogosfera coimbrã?
Para já, seguir os desenvolvimentos na Cabra, o jornal universitário de Coimbra, espero que tenham actualizações periódicas.

Publicado por tchernignobyl às 08:42 AM | Comentários (10)

Desobediência Civil - O fim de uma era?

Primeiro o tio Rumsfeld declarou solenemente que "a ausência de evidências não constitui evidência de inocência".
Os "democratas" exultaram.
E o mote ficou dado.
Hoje, é normal vermos fotos como a da capa do DN de 20 de Outubro, em que indivíduos à paisana arrastam um estudante que se manifestava contra as propinas em Coimbra.
O Governo proclama a sua interpretação do "choque fiscal", uma variante monótona da Lei de Rumsfeld, perante a passividade geral do povo ocupado a discutir as "pressões" sobre o professor marcelo.
Dá vontade de gozar este prato mas infelizmente não se trata apenas uma brincadeira.
O que se passa agora nos estados unidos quanto à liberdade de expressão, registada neste relatório da National Lawyers Guild é absolutamente alarmante para a democracia não só na américa mas também nalguns países da europa, incluindo Portugal onde a seita no governo não quer mais do que aplicar todas as receitas neoconservadoras que lhe cheguem do outro lado do Atlântico.
Ah! é verdade, para poupar desde já alguns comentários... o estalinismo era pior... por enquanto.

Publicado por tchernignobyl às 01:57 AM | Comentários (2)

outubro 20, 2004

NECESSÁRIA INTERVENÇÃO DO SNS

Através da Helena descobri isto.
Soube pela primeira vez da existência do Miguel Esteves Cardoso teria para aí doze, treze anos, quando ouvia o meu irmão dar risadas histéricas enquanto lia um livro chamado "Os meus problemas". Deixem-me que vos diga que é terrivelmente exasperante ouvir alguém a rir-se sem sabermos de que se ri.
Tempos depois desforrei-me e li eu próprio o livro. Uma vez, duas vezes, acho que parcialmente até o li três vezes. Há um artigo sobre os topónimos portugueses que devo ter lido para cima de vinte vezes.
Esses eram os tempos áureos do dr. MEC. Agora ele está velho. Ou pelo menos parece velho e cansado - nos artigos recentes quase consigo ouvir um longo suspiro de tédio entre cada letra e cada vírgula.
Há tempos um amigo falou-me do sitío online do MEC. Visitei-o e fiquei atónito com a quantidade de material. Tão atónito que, por uma razão ou outra, nunca mais lá pus os pés.
Só mais recentemente lá voltei, quando o dr. MEC, entusiasmado com a onda blog, o reactivou. Foi sol de pouca dura.
Agora está assim.

Apesar de toda a minha infidelidade não posso deixar de ter pena. Nem que seja porque, graficamente, o Pastilhas sempre me pareceu a página mais bela de toda a internet, só atrás da página de busca do Google.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:45 PM | Comentários (4)

UM TIRO DE KALASHNIKOV CONTRA OS "DISPAROS" DE BOSSI

O actual ministro das reformas do governo italiano, e líder da formação de extrema-direita “Liga do Norte”, Umberto Bossi, afirmou, numa entrevista ao jornal “Corriere della Sera” que a única forma de resolver a situação da imigração ilegal vinda de África consiste em “advertir uma ou duas vezes, e depois disparar”. (José Miguel Sardo)

Para ler em estado bruto: aqui.

Para ler no contexto da actual política italiana: aqui (post «Lampedusa: Europa»).

Publicado por José Mário Silva às 07:45 PM | Comentários (3)

AS PALAVRAS QUE NOS FAZEM

A BBC fez uma lista do aniversário de algumas das palavras que usamos. Algumas são surpreendentes:

1910 - vaca sagrada
1918 - cessar-fogo
1921 - pop
1924 - lumpenproletariat
1925 - avant-garde
1926 - kitsch
1927 - morte súbita
1929 - sexo (o que será que o pessoal fazia antes???)
1935 - racismo (isto deve ter marcado o nascimento do politicamente correcto, não, Rui?)
1947 - Wonderbra (será que antes não era preciso? Ah...)
1971 - "green" (explica a fase "azul" do Picasso)
1972 - Watergate (obrigado pelo sufixo)
1994 - Botox (gratos pela Quinta...)
1999 - Google
2002 - eixo do mal
2004 - santanetes

Publicado por Jorge Palinhos às 05:13 PM | Comentários (2)

TOMA LÁ UMA MULTA POR ACUSARES OS OUTROS DE RACISMO!

Saiu um estudo em França sobre o anti-semitismo. Acho muito bem que se façam estes estudos e que sejam postos em prática. Mas aparentemente este defende que seja punido o "anti-sionismo radical" e, nomeadamente, que se multem acusações de Israel ser um estado "racista" e comparações "infundadas" deste com o apartheid ou com o regime nazi.
Eu fiquei com a dúvida - tanto a notícia como o próprio relatório são ambíguos - se este regime é apenas aplicável a Israel ou a todo e qualquer estado? Por exemplo, será que os gauleses me passam uma multa por eu dizer que há racismo no Sudão ou mesmo no sul de França?

E, já agora, Rui, dentro do teu conceito de "totalitarismo do pensamento único e do politicamente correcto" como é que enquadrarias esta proposta?

Publicado por Jorge Palinhos às 04:54 PM | Comentários (2)

PEQUENO ELOGIO DA SOLIDÃO

Ontem, fui deixar o automóvel à oficina. E assim me vi promovido à condição de pedestre. A medo, inspirei um pouco do ar de Lisboa; a que saberia esse arriscado composto, sem a protecção dos filtros do ar condicionado? (A fumo, suor, verduras pouco frescas, a vida, enfim.) Depois de gastar uns segundos a adaptar-me à sensação de caminhar, lá fui andando Graça afora, em busca de autocarro que me quisesse levar de volta ao escritório. Ao passar por um restaurante meio tascoso que já conheci bem, acedi ao impulso inopinado e entrei. Para almoçar sozinho.
Sei bem do opróbrio que recai automaticamente sobre o comensal solitário. Eu também já me deitei a imaginar que desgraça poderia ter levado aquelas criaturas patéticas e desamparadas a assumir em público o facto de não haver, num planeta com mais de seis mil milhões de bocas, quem queira comer com eles. Seria aquele homem rotundo e de olhos esquivos um viúvo recente? E aquela fulana com ar desesperado, de que violências conjugais teria fugido? Não restam dúvidas: jazer só, de talheres na mão, numa mesa de restaurante, face ao escárnio mudo dos passantes, é a marca do looser ou do sociopata.
Mas não é que até gostei bastante deste repasto a solo? Pude meter conversa com o dono do restaurante - a propósito da origem da palavra "vindaloo" - sem ouvir logo a namorada a pedir-me para "deixar os senhores em paz". Pude ver o noticiário da BBC enquanto comia, coisa que patentemente "não se faz". Pude comer um prato com uma carga terrível de especiarias picantes e tragar golfadas de ar com a boca bem aberta. Pude prestar atenção à conversa da mesa ao lado, onde conspiravam alguns vendedores de software com planos para dominar o mundo. E, acima de tudo, pude quebrar sem vergonha a dieta em que ando atolado há meses, terminando o repasto com uma dulcíssima bebinca. Enfim foi o meu almoço mais desbragado e feliz dos últimos meses.
De volta ao mundo exterior, continuaram as pequenas maravilhas. Tudo parecia ter adquirido uma intensidade nova, um subtil acréscimo de significado e vida. Tudo, do cartaz com profecias terríveis ao chiado dos travões dos eléctricos, passando pelas gincanas dos velhotes entre automóveis com pouca paciência. Será que só ao dispensarmos companhias e propósitos urgentes conseguimos focar a nossa atenção nos mundos que nos cercam, nas eclosões triviais de drama, sujidade, movimento, cor, gestos bruscos com que qualquer recanto de Lisboa se renova a cada pulsação das suas ruas?
À hora do jantar, esta vibração ainda se sobrepunha ao que me rodeava, como um televisor desafinado que teima em evocar fantasmas por cima nossos programas preferidos. Enquanto admirava o deleite com que o meu filho mais velho devorava fatias de picanha num centro comercial meio deserto, acompanhado apenas por ecos de compras distantes, não conseguia parar de trautear acordes que já não ouvia há anos, pedaços de uma cançoneta sobre as alegrias inesperadas da solidão. E também não parava de pensar que devia haver uma palavra como "solitude"; um vocábulo mais gentil, capaz de dar dignidade à ideia de se estar só porque se quer, porque se precisa, porque se gosta, porque sim.

Publicado por Luis Rainha às 04:11 PM | Comentários (7)

AFINAL, ESTE GAJO NEM A DEUS LIGA!

Pat Robertson, tele-evangelista fundador da U.S. Christian Coalition e feroz apoiante de Bush II revelou agora que o seu presidente estava absolutamente convencido de que os EUA não sofreriam qualquer baixa na invasão do Iraque.
Robertson tinha boas fontes a alimentar as suas apreensões: "I mean, the Lord told me it was going to be A, a disaster, and B, messy." Portanto sugeriu a Bush que talvez não fosse mal pensado de todo preparar o país para a ocorrência de baixas. Resposta pronta: "Oh, no, we're not going to have any casualties." Assim mesmo, com toda a confiança e arrogância deste mundo.
E é este alienado que muitos querem ter, por mais quatro anos, sentado no trono do mundo.

Publicado por Luis Rainha às 01:56 PM | Comentários (3)

MAIS UMA IMORALIDADE NA CONSCIÊNCIA DOS GAYS

Os eleitores americanos poderão não ser, na maioria dos estados, tão broncos quanto às vezes parecem. Mas olhem que alguns candidatos conseguem rebentar todas as escalas da imbecilidade e do descaramento.
Alen Keyes, candidato republicano ao Senado, descobriu agora que a adopção por casais homossexuais leva inevitavelmente ao horror dos horrores: "se não sabemos quem é a mãe, quem é o pai, sem conhecermos todos os irmãos e irmãs, o incesto torna-se inevitável."
Na cabecita deste senhor, não entrou um simples facto: na maioria das adopções, os pais biológicos não são identificados. Ou seja, qualquer criatura adoptada pode cair na tentação de emular o nosso Carlos da Maia. Além de que, nos EUA, cerca de um terço de todos os recém-nascidos são filhos de mães solteiras, o que também poderá levar à vulgarização da prática do incesto... Que fazer? Proibir, pelo sim, pelo não, qualquer actividade sexual a quem não conheça bem todos os seus irmãos e irmãs?
Note-se que a criatura é o oponente do nosso conhecido Barack Obama. Quem vencerá esta disputa no Illinois? A inteligência ou o trogloditismo? Mais uma eleição a ter debaixo de olho.

Publicado por Luis Rainha às 01:18 PM | Comentários (6)

CURIOSO, PARA MIM TEM O EFEITO CONTRÁRIO

Folclore e procissões atenuam suicídio em Portugal e Espanha
O Comércio do Porto

Publicado por Jorge Palinhos às 11:48 AM | Comentários (7)

E A CURA PARA O CANCRO, PÁ, NÃO ÉS CAPAZ DE TEORIZAR?

Ontem, o COMÉRCIO recebeu uma carta de um leitor, de nome João Medina, que clamava provar irrefutavelmente, através de cálculos geométricos, que o esférico, efectivamente, não teria entrado nas redes do número 99 do FC Porto.

Segundo o nosso estimado leitor, caso se trace um plano vertical v, que contenha a linha da baliza, a barra e os postes, é possível confirmar a intersecção entre a bola e o referido plano v (ver foto). Isso significaria, na opinião do engenheiro João Medina, que a bola estaria sobre a linha de baliza e nunca para além dela.
O Comércio do Porto

Publicado por Jorge Palinhos às 11:45 AM | Comentários (6)

DOUTORES

Belo artigo de Miguel Poiares Maduro no DN (será desta que a opinião volta ao DN online?). Um bom retrato de como é fazer um doutoramento em Portugal:

«Em primeiro lugar, a tese de doutoramento deve comprovar a adesão do candidato ao grupo: a sua fidelidade à escola que lhe concede o título. Ao contrário do que afirmam alguns, a tese não tem de constituir uma contribuição original para a ciência. Deve sim consistir numa contribuição original sobre as ideias do orientador da tese. (...)
Em segundo lugar, a tese deve transpirar autoridade científica. Mas esta não resulta das ideias (essas são subjectivas e como tal contestáveis). A autoridade resulta da forma. Desde logo, como ouvi algumas vezes, uma tese deve ter aspecto de tese. Começa com o peso: uns bons cinco quilos são o mínimo aconselhável.(...)
Segue-se a linguagem. Deve procurar-se ser o menos claro possível (a clareza é geralmente entendida como um sinal de pouca profundidade intelectual).(...)
Particular atenção deve ser dada às notas de rodapé e bibliografia (é por aqui que muitos membros de júris de tese iniciam - e, em muitos casos, terminam - a sua leitura). O texto em notas de rodapé deve exceder o texto do corpo da tese (tal circunstância demonstra que a erudição do candidato excede em muito as fronteiras do tema estudado). Por fim, a bibliografia deve conter todas as obras consultadas (por consulta entende-se a consulta do título em qualquer base de dados existente).»

Só não concordo com a parte onde se diz «Um título abre muitas portas em Portugal. Por isso é que não deve parecer (parecer é tudo neste caso) nada fácil obtê-lo.» O meu título, até agora, nem me abriu assim tantas portas em Portugal como isso... Justificações possíveis: não ter sido fácil de obter; eu nem lhe dar assim tanta importância; não ter sido obtido em Portugal.

Publicado por Filipe Moura às 11:07 AM | Comentários (13)

O SEXO E OS REPUBLICANOS

Schwarzenegger à míngua durante duas semanas por apoiar Bush. Boa táctica eleitoral!

Publicado por Jorge Palinhos às 10:56 AM | Comentários (0)

AS CABALAS EXISTEM INDEPENDENTEMENTE DA VONTADE SUBJECTIVA DE AS CONSTITUIR

Esta agora deixou-me preocupado. Ó pessoal, será que nós, por acaso, não estamos objectivamente inseridos numa cabala para denegrir o governo, mesmo que subjectivamente não o saibamos?

É que, segundo percebi, as cabalas são como as bruxas e não é preciso acreditarmos nelas para elas existirem. Logo podemos ser peões inconscientes de forças poderosas que se uniram para derrubar o governo.

Isso implica que a nossa descrença nas cabalas é a maior prova que estamos objectivamente metidos numa cabala anti-Santana. Obviamente que esta cabala não pode ser autónoma - isso seria um absurdo em termos de cabalas - pelo que seremos apenas um nódulo numa conspiração mais lata, possivelmente a nível mundial.

Uma prova cabala, digo, cabal do que afirmo é o facto de avaliarmos o governo Santana-Portas mais ou menos da mesma forma que muitos outros blogs e meios de comunicação - mesmo semlermos esses blogs ou media. Tal só pode acontecer por termos chips implantados no cérebro que nos debitam aquilo que devemos escrever!

Mas, qual é que será a nossa cabala?

Não pode ser a cabala do Bilderberg, pois essa é a cabala do Santana Lopes, Opus Dei também não me parece (veja-se os posts do Luís Rainha sobre Fátima) e se fosse a Maçonaria estaríamos todos à frente de organismos públicos.

Com as três letras do título e a nossa crença que os EUA não devem ser os polícias do mundo, talvez façamos parte dos rankings da Comissão Trilateral.

Por outro lado, começando tanto o nome do nosso capítulo como o de capítulos adjacentes (1, 2) pela letra B, é bem possível que o nome da nossa conspiração também comece por B, como a BEE (Irmandade dos Electricistas), o que explicaria a presença do Filipe em Nova Iorque e os seus crípticos posts sobre Física, a Ordem Internacional das Miúdas do Arco-Íris (cuja sigla é BFCL-R) o que explicaria o facto dos elementos femininos deste blog escreverem tão pouco - estão a controlar secretamente a fachada masculina!

Já agora, será muito inverosímil que o BdE pertença à Ordem Benevolente dos Macacos? É que pessoalmente preferia pertencer aos Illuminati. Ah, mas estes não apareceram na Baviera, que começa por B? Alguém aqui sabe falar alemão?

Publicado por Jorge Palinhos às 10:07 AM | Comentários (1)

ABENÇOADO SEJA O GOOGLE

Um jornalista australiano raptado no Iraque foi libertado depois de os seus raptores fazerem uma busca do seu nome na Internet, através do popular motor de busca Google. John Martinkus foi raptado sábado e libertado quando, através de um "site", os seus raptores confirmaram que ele era quem afirmava e, portanto, não trabalhava para a CIA ou para uma empresa norte-americana. "Esta gente ... não é estúpida. Estão em guerra, mas não são selvagens ... Falam contigo, pensam acerca das coisas", diz Martinkus. O jornalista está agora a exigir um pedido de desculpas do ministro dos Negócios Estrangeiros australiano, que afirmou numa entrevista que o rapto aconteceu num bairro onde o jornalista tinha sido avisado para não ir. Martinkus diz que o ministro "não é bom a geografia" e que foi raptado na rua da própria Embaixada australiana.
Público

Publicado por Jorge Palinhos às 10:04 AM | Comentários (3)

MODA CALÇADA

NewBedford.jpg

Monumento de homenagem ao imigrante cabo-verdiano, New Bedford, Massachusetts

Leio no Público: «A directora da ModaLisboa, Eduarda Abbondanza, defende que a calçada portuguesa da capital devia ser restringida a determinados bairros, de modo a permitir o fácil uso de saltos altos e roupa condizente.
"Para se andar bem em Lisboa tem de se andar de sapatos rasos ou ténis. E mesmo assim é difícil: têm de se evitar os buracos, as poças e as irregularidades dos passeios", afirma. Devem ser poucas as mulheres que nunca se encontraram na caricata situação de terem ido para um lado enquanto o sapato ficava teimosamente preso noutro, entre dois cubos de calçada. Eduarda Abbondanza fala também do sobe e desce das colinas - "Em Paris, Milão ou Barcelona, passeia-se muito bem"»

Cara Madame Abbondanzza (espero ter acertado nos "b" e "z"):
- a calçada portuguesa faz parte do património de Lisboa e de muitas outras cidades portuguesas;
- a calçada portuguesa, sendo também utilizada nas antigas colónias, é uma verdadeira marca da lusofonia. Está presente por toda a parte onde os portugueses passam, para o melhor e para o pior. De Ipanema a Macau e a Díli (no monumento comemorativo da independência de Timor Loro Sae, convém frisar). Das cidades portuárias da Nova Inglaterra à Cité Internationale Universitaire de Paris (a entrada em calçada portuguesa e um painel de azulejos são as únicas coisas arquitectonicamente edificantes que a Residência André de Gouveia tem).
- a calçada portuguesa é internacionalmente reconhecida como um dos elementos mais característicos e originais das cidades portuguesas. Basta-me dar este exemplo: há muitas possibilidades para a fotografia de capa de um guia turístico de Lisboa, o Castelo de São Jorge, Alfama, o Terreiro do Paço, a torre de Belém, o mosteiro dos Jerónimos, o parque das Nações, e tantas outras. Pois a capa da edição de 2001 do Guia Time Out Lisbon era, simplesmente... uma fotografia da calçada portuguesa. Nada mais.
Finalmente convença-se de duas coisas, Madame Abbondanzza (não será também com dois "d"?): os saltos muito altos fazem mal à saúde (mas se os quer usar, o problema é seu), e há coisas mais importantes do que os trapinhos. Livra, não há nada mais reaccionário do que a estética e o bom gosto.

Publicado por Filipe Moura às 08:56 AM | Comentários (5)

Grande Pedalada

O Hardblog é para mim, sem dúvida, neste momento, o mais interessante dos blogs feitos por arquitectos.
Digo isto não por uma qualquer identidade a papel químico de pontos de vista mas porque me parece ser um daqueles poucos blogs escritos no tom visceral que decorre de uma necessidade existencial.
Por onde passam também os dilemas da actividade quotidiana do projectista mas que é autónomo da mera repetição dos lugares comuns corporativistas e das erudições relativamente aos "grandes nomes" incessantemente catapultados para os media por uma industria de propaganda bem oleada.
Apenas um excerto de um dos últimos posts, "Ópera is in da house" sobre este espectáculo na Gulbenkian:
"A questão essencial, quando se sai de um espectáculo assim, é porque é que, por exemplo, o Parque Mayer a ser renovado irá cair nas mãos de “artistas” inenarráveis, de "popularuchuismos" estupidificantes. Porque é que só uma instituição privada se pode dar a estes “luxos”? Onde é que andam as universidades?, mais preocupadas em produzir canudos do que saber? Onde é que anda o Ministério da Cultura, (e por acaso não vi lá nenhum burocrata do aparelho de estado)? Onde anda o Ministério da Educação, (outra notória ausência dos 30 anos de Democracia)? Será que a ModaLisboa e tem mais relevância que este tipo de acontecimentos (no máximo, terá a mesma!)? Será este tipo de espectáculos para uma “gentinha” elitista e “rica” que não gosta de se misturar com o povo, (e por acaso as entradas eram gratuitas, e os bilhetes para o Benfica-Porto rondavam os 25€!!!)?!
Enfim... a dor que causa o sentimento de sermos um país que gosta de chafurdar na merda e na mediocridade!
"
E muito mais...
Realmente, não basta sermos bonitos, também temos que ser duros.

Publicado por tchernignobyl às 08:10 AM | Comentários (2)

SEMANA DA FÍSICA NO TÉCNICO

Já vou atrasado na divulgação para o primeiro dia, mas não quero deixar aqui de anunciar a 8ª edição da Semana da Física no Instituto Superior Técnico. Todas as sessões destinam-se ao público em geral. Há sessões de divulgação de tópicos de investigação actual por especialistas portugueses, mas não só. Destaco ainda o Circo da Física, onde o público tem oportunidade de experimentar fenómenos da vida quotidiana, baseados principalmente na física clássica, que se aprende no liceu. Aprende-se sobretudo com livros, pelo que nada como o Circo da Física para se ver que a teoria funciona. Participei nas primeiras duas edições (justamente como monitor do Circo da Física, com um giroscópio de dar a volta à cabeça) e congratulo-me por verificar que esta iniciativa está para durar. É entrar, senhoras e senhores, meninas e meninos, é entrar.

Publicado por Filipe Moura às 01:30 AM | Comentários (4)

outubro 19, 2004

"AMERICANS DON'T GIVE TWO SHITS WHAT EUROPEANS THINK OF US"

O "Guardian" lembrou-se de dar aos expectantes europeus uma hipótese de influenciar o seu destino, através das eleições presidenciais americanas. Como? Fazendo um lóbi incansável sobre os pobres votantes de uma cidade num swing state crucial: o Ohio. A ideia é gira, mas melhor ainda é o feedback que esta experiência tem suscitado. Leiam e divirtam-se.

Publicado por Luis Rainha às 04:44 PM | Comentários (6)

Revisited

O Luis Delgado já ordenou que se internasse num manicómio um crítico de televisão que criticou a sua nomeação.
Por enquanto, ainda não tem poderes para tornar essa ordem efectiva. A ver vamos...
Mas aos apelos pela defesa da lei e da ordem a polícia de choque já está em condições de responder cabalmente.
Um dia destes temos o regresso dos gorilas e dos bufos às universidades.
Só que agora em nome da democracia e com o apoio de uma coorte de "pensadores" "liberais".

Publicado por tchernignobyl às 04:06 PM | Comentários (4)

PARA RECONHECER UMA CABALA, QUEM MELHOR DO QUE UMA CAVALGADURA?

O pseudo-ministro Rui Gomes da Silva foi hoje explicar à AACS o seu papel no affair Marcelo: ele terá tratado apenas de desmascarar um sinistro arranjinho entre o "Expresso" e o comentador, com o "Público" de permeio. A coisa estava bem montada. "O que o 'Expresso' trazia ao sábado era, no dia seguinte, glosado no 'Público', e Marcelo Rebelo de Sousa domingo à noite desenvolvia o tema", revelou a preclara criatura, com tempo ainda para se queixar das afirmações "falsas" e "constantemente negativas" do professor.
Interrogado sobre as culpas da omnipresente "cabala", neste triste caso, o santanico admitiu que "as cabalas existem independentemente da vontade subjectiva de as constituir". Um tal esforço imaginativo serviu para negar "qualquer relação causal" entre os dislates que soltou - com concordância de Santana, é bom lembrar - e a saída de Marcelo da TVI.
Já agora, alguém que me explique o seguinte: como é que o Dr. Silva consegue garantir que as suas palavras não tiveram "relação" com a conversa que o patrão da TVI entendeu, dois dias depois, ter com o seu comentador-estrela? Hmm... anda aqui outra cabala qualquer a fazer das suas.

Publicado por Luis Rainha às 01:51 PM | Comentários (2)

QUARTO COM VISTA PARA A PROSTITUIÇÃO

Inspirado por um post aqui.

Durante uns tempos o quarto onde habitava tinha vista para uma praça. Nessa praça, todos os dias e a todas as horas, havia um mercado de sexo.
Quando se fala de prostitutas, normalmente ocorrem-me imagens de filmes americanos, de mulheres altas e esguias com vestuário escasso e espampanante, ou de filmes portugueses, com mulheres morenas e olheirentas e ar vagamente misterioso.
Infelizmente, as prostitutas da minha praça não eram do género de aparecer em filmes. A gordura nunca foi romântica e desta elas tinham em abundância, com as pregas de banha a forçar à ruptura as costuras da roupa justa e antiquada, as saias a acabar ligeiramente acima dos joelhos grossos, as bocas desdentadas e a pela suja e estragada.
A faixa etária era indefinida, mas nenhuma parecia impossibilitada de ter sido minha mãe, ou mesmo avó. Encostadas às esquinas regateavam preços em voz alta com potenciais clientes, murmuravam ao ouvido umas das outras lançando olhares conspiratórios entre si, berravam com os filhos - invariavelmente correios de droga ou arrumadores - e comiam de boca aberta sandes que compravam com ar suplicante no café da esquina.
O que mais me intrigava eram os horários: qual noite, qual quê! Todos os dias das 8 às 19 lá estavam elas, como operárias fabris à espera que a sua matéria-prima chegasse. E a matéria-prima era fiel - trabalhadores afectados pela glória matinal, velhos reformados e homens a regressar do emprego ao final da tarde.
Mas nos domingos de sol juntavam-se todas, sentadas nos degraus das lojas vizinhas e, juntamente com os clientes regulares e amigos, acompanhadas por um rádio a grunhir ruídos pimba, ali ficavam a tarde toda em amena cavaqueira, numa espécie de piquenique urbano. E eu não deixava de ficar fascinado, nunca tendo imaginado na vida que um dia teria debaixo da janela uma versão chunga e decadente de um quadro de Seurat.

Ia-me esquecendo de dizer que na mesma praça estava situado um tribunal cuja função, explicou-me um amigo advogado, era ocasionalmente arrebanhar as prostitutas, dizer-lhes para arranjarem trabalhos honestos e largá-las outra vez. Era, na verdade, uma praça cómoda e pacata.

Publicado por Jorge Palinhos às 01:01 PM | Comentários (5)

O BUSH TÁ TRAMADO!

"A Capital" está hoje a dar que falar. E, desta vez, não é pela inexistência de revisão ou pelas crónicas descabidas. Os senhores decidiram assumir "uma linha editorial que defende a derrota de George W. Bush". E acrescentam, para que dúvidas não restem no cérebro do incauto leitor: "nas próximas eleições americanas." Imagino o terror que vai pela sede de campanha do monkey boy: o próprio deve estar a tremer feito gelatina Royal, enqualto balbucia "oh, shit! I really needed their support!"
O patusco diário, que aproveita a ocasião para se alçar ao estatuto de "referencial", é mesmo destemido: então não se está mesmo a ver que, se o "NY Times" o fez, "A Capital" não poderia ficar para trás, sob pena de macular a sua reputação de jornal empenhado? Agora, ficamos todos a aguardar, em jubilosa esperança, acto recíproco dos nova-iorquinos: apoiar firmemente, e em consonância com os colegas lusos, a candidatura do eng.º Sócrates a primeiro-ministro de Portugal...
Se calhar, até nem tenho nada contra jornais que tomam posições políticas claras; parece-me é coisa de gente que brinca ao jornalismo fazer proclamações ribombantes a propósito de uma eleição no outro lado do mundo. Ainda por cima, tratando-se de um jornal que é, provavelmente, menos lido que alguns blogues cá do burgo. Isto não vos recorda aquela fábula do sapo megalómano que queria ser um boi?
Bem, não posso delongar-me mais neste assunto. Vou tratar de escrever um post de apoio ao pobre senador Jim Bunning, agora acusado de estar a ficar gagá em plena campanha. O homem bem precisa da minha ajuda.

Publicado por Luis Rainha às 12:30 PM | Comentários (12)

LAGARTO CONQUISTA ACADEMIA

Universidade americana prepara congresso sobre a importância de Godzilla.
Eu acho que ele foi um colosso, um gigante, uma figura titânica cuja passagem não deixou pedra sobre pedra nos meios em que se movia.
A seguir: Tese de doutoramento sobre o peso cultural do homem-bolinho.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:43 AM | Comentários (1)

ESTÁS PRONTO PARA SER DESMATERIALIZADO, SACANA?

Força Aérea americana desenvolve armas de anti-matéria.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:34 AM | Comentários (4)

VOTE BUSH E MELHORE A SUA VIDA SEXUAL

Inquérito diz que republicanos têm melhor vida sexual que os democratas.
Isto mesmo que os democratas tenham mais mulheres para conhecer: lá vem a teoria do Lakoff.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:26 AM | Comentários (2)

AS GRALHAS NA PELÍCULA

Há tempos falava-se de aviões nos filmes. Este é o sítio onde eles estão:

Plot hole: There are too many things in the village that the villagers couldn't make themselves. It's true that they could have brought things like oil lamps with them, but it seems odd that they would have also brought a huge stock of fancy clothing (bowler and top hats, decorated shirts and waistcoats) that would require a highly-skilled and very well-equipped craftsman or a factory to make. The ones they brought thirty years ago would have worn out, and they couldn't know how many children they'd have or what sizes they'd be.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:08 AM | Comentários (1)

ENTÃO E O PAPA? NÃO MERECE TAMBÉM UMA PALAVRINHA?

Os dirigentes benfiquistas aguardam que lhes sejam entregues os relatórios do árbitro e do observador para decidirem como agir. Para já, vão queixar-se à Liga e à Comissão de Arbitragem expondo os acontecimentos, e ainda solicitar audiências ao ministro da tutela do Desporto, Henrique Chaves, e ao ministro da Administração Interna, Daniel Sanches.
(...)
Para além disso, em cima da mesa está também a possibilidade de enviar para a FIFA e a UEFA uma cópia da cassete da partida.

Público

Publicado por Jorge Palinhos às 10:12 AM | Comentários (1)

SUGAR CANE FIELDS FOREVER

Há muito que não temos acompanhamento musical. Fiquemos com uma boa síntese do caetanismo. Para ouvir, cliquem aqui.

Publicado por Filipe Moura às 01:59 AM | Comentários (0)

A MERDA DAS ELITES

"Essa merda de elite brasileira...", é o título da entrevista. Bem a propósito, tanto aqui se tem falado de elites. A dada altura há esta questão e resposta:

"-A propósito da polémica que a sua aparição na revista «Caras» desencadeou no Brasil, você afirmou a uma publicação brasileira aqui de Londres: «Ser elite brasileira? Ser essa merda? Eu sou e serei sempre contra isso. Estou misturado com a realidade do Brasil, eu sou do povo, eu sou vulgar, eu sou pop, eu sou do século XX, tenho orgulho de gostar de cinema, de música popular, de aparecer na 'Caras' e de brincar o Carnaval da Bahia.» Sente-se, então, confortável com as consequências desta recente popularidade?
-Não me incomoda muito. A «Folha de S. Paulo» reclamou muito por eu ter aparecido na «Caras». Pode-se gostar ou não, mas acho pior, sendo realmente uma celebridade, fingir que não o sou, que sou «chique». Há uma altura em que não se pode aparecer na «Caras» para se poder ficar numa área superior, como se se pertencesse a uma elite de bom gosto que não se mistura com a vulgaridade dos novos-ricos. Eu adoro novos-ricos! Sabe o que significa novo-rico? É mobilidade social, tudo o que falta na Europa e que dá essa impressão de falta de vitalidade. Gente que era pobre e ficou rica. Eu gosto da confusão social. Adoro o Brasil e os EUA sobretudo por isso. Não tenho saudades do «Ancien Régime» nem do que é o «chique», não quero ter nada a ver com isso. Eu sou de esquerda, mas de esquerda mesmo, nesse sentido! Por isso, sou a favor do capitalismo, da vulgaridade, sou contra adorno, que é igual à direita, que quer restaurar a aura das grandes famílias, das grandes posições de responsabilidade cultural detidas por um grupo fechado e «excelente»... É uma Europa com uma saudade horrível de si mesma, quando essas coisas eram intransponivelmente estabelecidas. Eu gosto da sociedade industrial, da sociedade pós-industrial, com todas as suas dificuldades e inautenticidade! Eu não tenho de que me sujar. A mãe do meu pai não se casou, teve filhos de mais de dois homens, a mãe da minha mãe tão-pouco. Eu sou filho do povo brasileiro, de uma cidade pequena e pobre do interior da Bahia, e sou mulato! Essa conversa não entra na minha cabeça. A «Caras» é um problema da imprensa brasileira, não meu. Eles que criem uma revista boa que faça a «Caras» ser desnecessária. Essa merda de elite brasileira... O que o Brasil menos precisa é de elites! O Brasil só tem elites!"

Aqui têm, sumarizado, o que eu mais gosto nos EUA e menos gosto na Europa (não significa isto que eu goste menos da Europa que dos EUA, atenção). Soy loco por ti, America. Substituam "elite brasileira" por elite portuguesa, e na parte final "Brasil" por "Portugal", e o texto aplica-se na perfeição. A mediocridade e a presunção das elites são de há muito uma característica bem portuguesa, e provavelmente a pior herança da nossa colonização no Brasil.
Em relação ao texto do Luís, destaco esta frase: "Pode-se gostar ou não, mas acho pior, sendo realmente uma celebridade, fingir que não o sou, que sou «chique»." Provavelmente o Luís gostaria que o RAP fingisse que ninguém o conhece.

Publicado por Filipe Moura às 01:42 AM | Comentários (2)

VAMOS CAETANEAR

Como já referi, creio que num comentário, reconheço-me numa ideologia sokal-caetanista, com influências de Woody Allen e Seinfeld. Já tenho sokalizado bastante; hoje vamos caetanear, que vem bem a propósito.
Para tal, proponho que regressemos a uma fantástica entrevista que Caetano deu ao Expresso aqui há uns quatro anos, ao jornalista João Lisboa (já não está na rede, pelo menos de graça, mas eu guardei o ficheiro enquanto estava). A entrevista deu muito que falar devido às considerações de Caetano sobre a colonização portuguesa do Brasil, mas nem é por isso que eu quero regressar a ela. Há outros aspectos muito interessantes na mesma.

Publicado por Filipe Moura às 01:33 AM | Comentários (4)

É TÃO GIRO

Eu supostamente sou neutro; e estou mais preocupado com o meu Sporting. Agora, com o regresso do Rochemback, o melhor jogador a actuar em Portugal, a mais que provada falta de qualidade do técnico fica disfarçada, e vamos ter mesmo de o aturar por mais tempo. O ano passado, sem o Rochemback, viu-se o que o Fernando Santos fazia. O mesmo com o Boloni, há dois anos, sem o Jardel.
Mas nem é disto que venho falar. O resultado que se verificou até era o que mais convinha ao Sporting, mas esqueçamos isso. Esqueçamos por um momento a (in)justiça do resultado do jogo da Luz, e olhemos para estas capas.

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Comparado com isto, nada mais interessa. Nem eleições regionais, nem eleições americanas, nem as nomeações para a Comissão Europeia, nem as fábricas que fecham, nem o desemprego, a crise, nada. Nem a Quinta das Celebridades.
É tão giro quando o Benfica perde.

Publicado por Filipe Moura às 12:46 AM | Comentários (4)

outubro 18, 2004

MAIS UM QUE SE VENDE AO CAPITAL

Pois é. Se, daqui a uns dias, derem com um reclame de televisão com uma cara que vos parece familiar, a tartamudear umas baboseiras sem grande nexo, não se alarmem, que está tudo sob controlo. Se não for o Luís Delgado, trata-se certamente do Ricardo Araújo Pereira, no seu novo papel de poster boy para... o Montepio Geral!
Os spots glosam o já mundialmente famoso - e hilariante - sketch "O homem a quem aconteceu não sei o quê". A notícia refere um "tom de comunicação arrojado"; o que será meta difícil de alcançar, sendo esta já a terceira ou quarta campanha que se apoia no universo da stand-up comedy. Mas confesso-me ansioso por testemunhar a entrada do felino menos higiénico de Portugal no mundo da Alta-Finança...


Publicado por Luis Rainha às 09:25 PM | Comentários (0)

A SANTA ALIANÇA

Onde é que este mundo vai parar? Agora, os russos juntam as suas armas à Santa Sé no apoio ao envangélico e expansionista Bush II. Putin, o insalubre, descobriu que "os terroristas internacionais têm como objectivo causar o máximo de prejuízos a Bush e impedir a sua reeleição. Se conseguirem, poderão festejar a sua vitória sobre a América e sobre toda a coligação antiterrorista internacional". Por outro lado, o arcebispo Charles Chaput, de Denver, proclamou que um voto em Kerry será pecado a exigir confissão antes da próxima hóstia.
De onde virá o apoio contranatura que se segue? Daqui?

Publicado por Luis Rainha às 07:09 PM | Comentários (3)

ERRATA

Por lapso de paginação, a fotografia que ilustra o último post diz, na realidade, respeito ao texto do Zé Mário sobre o nosso ágape com alguns Afixes. Aliás, a fotografia em questão mostra-nos o dito cujo Monty, himself, espreitando inquieto através da janela do restaurante. Receava ele que algum dos seus inúmeros e-inimigos resolvesse ali aparecer. É no que dá ter mais medo que vergonha...

Publicado por Luis Rainha às 05:51 PM | Comentários (1)

DESTINOS CRUZADOS

O desaparecimento e presumível morte de um alpinista nada tem de divertido. Mas a notícia ganha contornos irónicos quando lemos que o indivíduo em questão se celebrizou, há 14 anos, por ter encontrado os restos mortais do conhecido "Homem dos Gelos" do Neolítico. A múmia do popular "Ötzi" tem atraído multidões ao seu museu. Será que o agora desaparecido Helmut Simon encontrará destino semelhante, daqui a 5.000 anos?

Publicado por Luis Rainha às 05:20 PM | Comentários (0)

MOSCAS DE PADARIA E OUTRAS BAIXARIAS

Por motivos profissionais, andei à procura de algo parecido com um dicionário de frases idiomáticas brasileiras. E dei com esta desopilante entrada num "Dicionário de Carioquês":

"Arroz (do fenício) - aquele que só acompanha. Sujeito que vive rodeado de mulheres, tem muitas amigas, é doido pra ficar com todas e não pega uma sequer. Sin. Arame-liso (cerca mas não machuca); mestre-sala (dança em volta, apresenta pra todo mundo mas não encosta e não deixa ninguém encostar); Mosca de padaria (tá sempre sobrevoando a guloseima e tomando tapa."

Se a Portugal não couber mais nenhum papel importante na História do Universo Conhecido, a nossa participação no nascimento de uma cultura capaz de inventar coisas assim já é glória bastante. Pô!

Publicado por Luis Rainha às 03:52 PM | Comentários (2)

E SE A CARNE SE RECUSA A ENTRAR NO CANHÃO?

A notícia já cá tinha chegado, mas o "NY Times" de hoje dá-nos os pormenores que faltavam. Um pelotão inteiro, comandado por um sargento veterano com 24 anos de serviço, recusou-se a executar um transporte de combustível, por falta de equipamento defensivo e de escolta adequada. Isto depois de vários meses de queixas e pedidos à cadeia de comando, sem respostas. Eis um reflexo da escassez de equipamento e de preparação que tem causado problemas a muitas unidades reservistas e da Guarda Nacional. Claro que a conversa das "duas ou três maçãs podres" já entrou em campo; mas já surgiram igualmente muitos familiares de militares colocados no Iraque a fazer eco de queixas semelhantes. Defeituosas malhas que o império tece...

Como a leitura do artigo requer registo, fica aqui o artigo completo, para os mais preguiçosos:

"Soldiers Saw Refusing Order as Their Last Stand
By NEELA BANERJEE and ARIEL HART

Published: October 18, 2004

JACKSON, Miss., Oct. 17 - What does it take for a man like Staff Sgt. Michael Butler, a 24-year veteran of the Army and the Reserve who was a soldier in the first Persian Gulf war and a reserve called up to fight in the current war in Iraq, to risk everything by disobeying a direct order in wartime?

On the morning of Oct. 13, the military says, Sergeant Butler and most of his platoon, some 18 men and women from the 343rd Quartermaster Company, refused to deliver a shipment of fuel from the Tallil Air Base near Nasiriya, Iraq, to another base much farther north.

The Army has begun an inquiry, and the soldiers could face disciplinary measures, including possible courts-martial. But Jackie Butler, Sergeant Butler's wife, and her family in Jackson say he would not have jeopardized his career and his freedom for something impulsive or unimportant.

The soldiers, many of whom have called home this weekend, said their trucks were unsafe and lacked a proper armed escort, problems that have plagued them since they went to Iraq nine months ago, their relatives said. The time had come for them, for her husband, to act, Ms. Butler said.

"I'm proud that he said 'no,' " Ms. Butler said. "They had complained and complained for months to the chain of command about the equipment and trucks. But nothing was done, so I think he felt he had to take a stand."

Other soldiers completed the mission the platoon turned down, the military kept functioning, and the Army has cast the incident as isolated.

But as the soldiers involved in the refusal in Tallil and others begin to speak out, it is growing more apparent that the military has yet to solve the lack of training, parts and equipment that has riddled the military operation in Iraq from the outset, especially among National Guard and Reserve units.

Brig. Gen. James E. Chambers, commander of the 13th Corps Support Command, which the 343rd reports to, said at a news conference in Baghdad on Sunday that he had ordered two investigations into the incident and the concerns expressed by the 18 soldiers "regarding maintenance and safety.''

General Chambers said preliminary findings showed that the unit's trucks were not yet armored and were among the last in his command to get such protection, because they usually functioned in less dangerous parts of Iraq. None of the trucks in his command were armored when they arrived in Iraq, General Chambers said. He told reporters that he had ordered a safety and maintenance review of all trucks in the 343rd.

"Based on results of this investigation other actions may be necessary,'' the general said, but he added, "It's too early in the investigation to speculate on charges or other disciplinary actions.''

General Chambers described the episode as "a single event that is confined to a small group of individuals.''

A number of Army officers contacted in recent days said such an apparent act of insubordination was very unusual, particularly among such a large number of soldiers in a single unit and especially since the military is all volunteer.

The incident has prompted widespread interest among military families who have complained in months past of inadequate equipment and protection for their soldiers.

Nancy Lessin, a leader of Military Families Speak Out, which opposes the war, said she had been flooded with calls and e-mail from families with a simple message: What had happened to the reservists echoed the conditions their own soldiers experienced in Iraq: a shortage of armored vehicles, especially for part-time soldiers' units; convoy missions through dangerous stretches without adequate firepower; and constant breakdowns among old vehicles owned, especially, by National Guard and reservist units.

"This is absolutely striking a nerve," Ms. Lessin said. "People are saying, 'This is the same thing that happened to my son,' and if the Army tries to spin this as 'just a few bad apples,' people need to know that these are common problems and what these soldiers did required a tremendous amount of courage."

Nothing seems to separate the men and women who defied their command in Tallil from the tens of thousands of others now in Iraq, their families say. The 343rd was drawn mainly from Southern states like the Carolinas, Alabama and Mississippi, and the military said Friday that the 343rd had performed honorably during its tour in Iraq.

The soldiers in the platoon are described as devoted to the military and unabashedly patriotic. A wall of Sergeant Butler's living room is covered with certificates and citations from the Army. Another member of the 343rd, Specialist Joe Dobbs, 19, of Vandiver, Ala., had his bedroom painted the dark blue of the American flag. And another soldier in the unit, Sgt. Justin Rogers of Louisville, Ky., liked to walk around town in his uniform when he was home on leave, said Chris Helm, a 14-year-old high school student and his first cousin.

When Sergeant Rogers went home for a two-week leave in July, his brother Derrick asked whether the war and all the deaths were worth it. "His answer was simple," Derrick Rogers said. "He said, 'If I didn't feel like it was worth it, I wouldn't be there.' ''

Ms. Butler did not want to speak for her husband on his feelings about the war. Better he should do that when he is finally home, she said, which is scheduled to be sometime next year. But Sergeant Butler knew he would be called up, once the war against Iraq was begun in March 2003. Late last year, he reported to Rock Hill, and quickly, his confidence was shaken, his wife said. He saw that the equipment to be shipped with his unit was "not very good," Ms. Butler said.

Once the unit arrived in Iraq, the inadequacy of the platoon's equipment and preparedness was thrown into sharp relief against the dangers the country posed. Although the unit is based near Nasiriya in the Shiite-controlled south, which is not as volatile as Sunni-dominated areas, the whole country has been convulsed by battles and uprisings during most of the 343rd's tour of duty. "This is not the first time that there has been a problem with these charges and stuff, with them not having armor, not having radios," said Beverly Dobbs, mother of Specialist Dobbs. "My son told me two months ago - he called me, he said, 'Mom I got the scare of my life.'

"'I said what's wrong?'" Ms. Dobbs said. "He said, 'They sent us out, we come under fire, our own people was shooting and we didn't even have radios to let them know.' They're sending them out without the equipment they need. I don't care what the Army says."

Families that spoke to the soldiers this weekend received slightly differing accounts of what happened the morning of Oct. 13. They all said, however, that fuel the soldiers had to deliver was unusable because it had been contaminated with a second liquid. They all said the soldiers were under armed guard. General Chambers denied both assertions. Relatives say that Sergeant Butler, Sgt. Larry McCook of Jackson and Specialist Scott Shealey of Graysville, Ala., have been identified as three of five "ringleaders" of the incident and reassigned to other units on the air base. Specialist Shealey's parents said their son said in a telephone call that he was going to be discharged.

"He'll be home in three to four weeks, that's what he's being told," said Ricky Shealey, Specialist Shealey's father, a retired Postal Service supervisor and former sergeant in the Army. "He's depressed," Mr. Shealey said. "He just can't believe it's happening."

Ms. Butler said her husband did not know what he might be facing and had heard nothing about a discharge. Other families said the military had yet to contact them to explain the situation. The families have not hired lawyers yet, in large part because they are uncertain what charges might be brought against their relatives.

Some families are reaching out to one another through e-mail and phone calls, offering help and discussing strategy. They have contacted their members of Congressmen. Others, like Ms. Dobbs and her family, are glued to television news, awaiting some clarification of the incident.

Ms. Butler has her big family to lean on, and on this Sunday, the day after the phone call from her husband, they went to church and turned to their neighbors, friends and faith. Ms. Butler went to the altar rail of Zion Travelers Missionary Baptist Church and told the congregation: "My husband has been in the Army more than 20 years, but refused to take those men in that convoy. He said it would be suicidal.''

"So, I'm going to ask you to pray for me," she said, "because he is not going to take no other men's children into the land of death."

She bowed her head, and so did everyone else. "Lord, Sister Butler needs you," the Rev. Daniel Watkins said, shutting his eyes tight. "Her husband, he needs you. All the soldiers in Iraq, they need you."

Monica Davey contributed reporting from Chicago for this article, and Richard A. Oppel Jr. and Dexter Filkins from Baghdad"

Publicado por Luis Rainha às 02:14 PM | Comentários (0)

VAMOS TROCAR DE VOTOS?

Com as sondagens voluvéis a mudar de opinião todos os dias, com estados ainda teoricamente empatados, as eleições presidenciais nos EUA prometem acabar na estranha balbúrdia de há quatro anos. Já há quem ataque Ralph Nader por poder vir, mais uma vez, a facilitar a vitória a Bush II. Mesmo em estados onde o seu nome não figurará nos boletins eleitorais, o antigo inimigo da indústria automóvel continua a suscitar intenções de voto significativas... Quando isto se passa num swing state, um estado de desfecho incerto, tocam alarmes na campanha de Kerry. E surgem iniciativas quase geniais como este Vote Pair.
O plano é simples: quem quiser votar num candidato "de terceiro partido" mas receia contribuir para mais quatro anos de monkey boy, pode emparelhar-se com um outro eleitor, que resida e vote num estado onde o resultado eleitoral está mais do que decidido. Depois, o eleitor do swing state compromete-se a votar em Kerry e o seu "par" votará no candidato escolhido pelo primeiro. Desta forma, Kerry ganha hipóteses de ser eleito e candidatos como Nader, Cobb ou Badnarik não ficam a perder com a estratégia do voto útil, pois a sua votação nacional não sofre com o estratagema. E eleitores que hoje sentem que o seu voto presidencial é completamente inútil, por nunca se reflectir num só voto no Colégio Eleitoral, podem ajudar o seu candidato... votando noutro!
Isto, no limite, levaria à obsolescência do presente sistema eleitoral americano; mas, a julgar por este gráfico, o esquema talvez ainda demore um pouco a implantar-se em grande escala...

Publicado por Luis Rainha às 01:35 PM | Comentários (5)

O FUNDO IMOBILIÁRIO TONY SOPRANO

Imaginem que emprestam um apartamento a um amigo que têm como pessoa de bem. Claro que ele se compromete a sair mal vocês tenham necessidade de reaver ou vender o imóvel. E até vos escreve uma carta nesse sentido, a "confirmar a V. Exª que ocuparemos os andares do prédio (...), a título precário e que desocuparemos assim que V. Exª nos comunique com uma antecedência mínima." Passado uns anos, passa-vos pela ideia dar um destino qualquer a esse património e pedem ao vosso amigo que saia. Naturalmente, ele responde a agradecer o empréstimo e solicita só mais uns dias para organizar a vidita. Tudo bem. Mas o destino a dar ao imóvel afinal será outro e os anos vão passando com o amigo não-pagante sempre confortavelmente instalado.
Resumindo e concluindo: depois de ocupar o apartamento durante 26 anos, a título gratuito, o "amigo" lembra-se de exigir umas dezenas de milhares de contos para sair. Assim, sem mais nem menos, mesmo sabendo bem que não tem na sua posse um só documento que lhe dê direitos sobre o imóvel. E não há tribunal que o consiga convencer a desamparar a loja. Por fim, para erradicar tão persistente carraça, o resgate é entregue. Ao que parece, em dinheiro vivo, como é tradicional nestas histórias de gente pouco recomendável e seus negócios escuros.
O inquilino recalcitrante é o PPD/PSD. Nem lendo se acredita.

Publicado por Luis Rainha às 11:46 AM | Comentários (2)

O SOCORRO DAS ELITES

Visto que ninguém parece ter reparado, aqui ficam uns excertos desta óptima entrevista que saiu na Pública.

No caso português sempre existiu, embora variasse de regime para regime político, um forte cruzamento entre a elite social, a elite económica, e a elite política com dois pontos fortes, em tempos históricos: a monarquia constitucional, nos finais do século XIX, e o regime de Salazar. Embora este fosse bastante autónomo em relação à elite económica, existiu também um forte entrosamento. Que agora volta a existir também.Houve uma transição à democracia com ruptura, com grandes divergências entre a nova elite política e a elite económica que em parte é decapitada, aliás, durante os primeiros três, quatro anos da nossa transição à democracia. Mas depois o que nós verificamos novamente é esse grande entrosamento entre a elite social, a elite política e a elite económica.

Evidentemente que a tendência mais fácil é responsabilizar a qualidade da elite política. A qualidade dos governantes. Sob o ponto de vista dos critérios formais, Portugal teve no geral, ao longo do século XX, uma elite política teoricamente de boa qualidade, altamente escolarizada. O salazarismo, por exemplo, foi dominado por uma elite de professores universitários, que integram também uma parte da elite política da nossa democracia actual.

Uma das minhas observações mais dramáticas é verificar que os portugueses, mesmo na emigração, mesmo em sistemas educacionais diferentes do nosso, têm a maior taxa de abandono do sistema escolar das comunidades respectivas , quer seja no estado de Massachussets, quer seja por exemplo na Suíça.

Quem nos governa em termos políticos, quem nos dirige, é uma classe política com escassa ligação à sociedade civile cada vez mais dependente do Estado e da elite económica.

Os partidos políticos em Portugal e na Europa foram deixando de ser partidos de massas, ligados à sociedade civil, na medida em que foram ficando cada vez menos ideologizados , cada vez menos ligados à representação de interesses sociais particulares- os velhos partidos socialistas ligados ao movimento operários, por exemplo. Ficaram cada vez mais desideologizados.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:01 AM | Comentários (1)

THOMAS HARRIS LUSO

Os rumores em torno deste caso estão a atingir tais níveis de perversão que começo a achar que no fim vai-se descobrir que a criança esta simplesmente a passar férias ali na Quarteira.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:23 AM | Comentários (0)

PODIA REPETIR?

Santana Desmente... Sesta
Segunda-feira, 18 de Outubro de 2004

\uE03D

Aura

da Assunção Duarte Neves Taipas

Faleceu
Seus filhos, nora, genro, neta e demais família, participam o seu falecimento e que o funeral realiza-se hoje às 15.15 horas da Igreja de Santo Condestável para o cemitério do Alto de São João.

Funerária Triunfo, Lda.

Telefone 213941698

Público

Publicado por Jorge Palinhos às 10:16 AM | Comentários (0)

outubro 17, 2004

PRIMEIRA DERROTA DO POPULISMO SANTANISTA

Nos Açores, de nada adiantou a chuvada de promessas que o calhau com gel e respectiva camarilha lá fizeram desaguar, numa demonstração da sua verdadeira substância política. Recusando as miragens de aeroportos maiores, viagens grátis e mil outros milagres, os açorianos vêm hoje mostrar-nos que o populismo não é, afinal, um bicho papão.

Publicado por Luis Rainha às 08:24 PM | Comentários (9)

O AFIXE É FIXE (E O PAULO QUERIDO TAMBÉM)

De um lado da mesa, o Monty e o Gibel (a Emiéle não veio, talvez para manter a aura de mistério). Do outro, uma delegação do comité central do BdE: Luis Rainha, tchern e moi même. Quase uma cimeira bloguística. Fiel da balança, o big boss da weblog.com.pt. Cenário: um restaurante castiço do Bairro Alto, verdadeiro pesadelo de acústica mas um paraíso de boa comida.
Durante as quatro horas do repasto, trocámos dezenas de piadas e provocações, histórias do arco-da-velha, o diabo a sete. As garrafas de Praça Velha tinto iam marchando, a conversa ganhando mais fios do que uma teia de aranha, o riso lá no meio a espalhar-se em círculos concêntricos como a língua-franca que é.
Em resumo: uma bela noite de convívio entre amigos (sem posts nem comentários). Sim, ainda sabemos como isso se faz.

Publicado por José Mário Silva às 10:43 AM | Comentários (11)

AS POBRES ELITES QUE VAMOS TER

Explicação para a pobreza franciscana dos encéfalos dos nossos empresários? Olhem; se a tivesse, estava agora a enriquecer com seminários milagrosos e livros de auto-ajuda tipo "Tenha mais lucros sem deixar de ser ignorante".
Mas suspeito que a marosca jaz algures nas nossas tradições culturais e já se entranhou nos processos de aculturação da nossa juventude. Eu esclareço: a minha filha de 15 anos é aluna de uma das escolas do top ten do ranking do ministério da Educação; um viveiro de "gente importante", suponho. Ela foi a minha fonte para o que se segue.
Querem saber como é que a malta adolescente "fixe" descreve os colegas com melhores notas? São os "cromos". E que tratamento é reservado a esses excêntricos? A exclusão. Eles são definidos como "rejeitados" e enviados para o fundo das prateleiras sociais.
O que vai acontecer daqui a uns anos? O que anda a acontecer há gerações: os "párias" tratam de se camuflar, disfarçando o seu talento e conformando-se à mediocridade reinante, ou então emigram para onde o mérito seja reconhecido, não castigado. Os espertalhões dominantes, por seu lado, crescem na graça da sua ignorância, convencidos de que o mundo é mesmo assim e sabendo que quem se arma em saliente nunca irá a lado algum. Na faculdade, estes andarão nos copos enquanto os "outros" preparam doutoramentos que irão depois aplicar algures no estrangeiro.
Assim se eterniza a desgraça de um país irremediavelmente atrasado.

Publicado por Luis Rainha às 12:12 AM | Comentários (12)

AS POBRES ELITES QUE TEMOS

Muita terra, muito corredor de biblioteca, se tem palmilhado em busca de paliativo para a angústia que assombra a questão do costume: por que fado inelutável parece Portugal condenado à mediocridade?
Que nos falta auto-estima, clamam muitos. Que temos auto-estima a mais e por isso as culpas dos nossos fracassos é sempre de outrem, respondeu Vasco Pulido Valente. Mas há outros arremedos de explicação; as sentenças são mesmo mais que as cabeças: indolência, estupidez congénita, calor a mais, falta de disciplina, efeitos da nossa situação periférica, etc., etc.
Mais ou menos consensual é o "facto" de por cá se trabalhar pouco. A produtividade escasseia, o pessoal só quer é descanso, chegar a horas é mentira. Isto acaba por entroncar num princípio muito querido ao nosso Bagão Félix: os trabalhadores são uns madraços sempre na balda e os empresários formam uma tribo de visionários sempre repleta de grandes ideias para o progresso da Nação. Assim sendo, há que vigiar e castigar severamente os primeiros e encorajar de forma persistente os segundos.
O calcanhar débil desta teoria é a metamorfose que os portugueses sofrem mal atravessam uma fronteira para trabalhar noutras paragens. Aí, transfiguram-se em torres de força, em máquinas infatigáveis que contribuem, entre outros feitos, para fazer do Luxemburgo o país com a produtividade mais elevada da Europa: um quarto da sua mão-de-obra foi importada... de Portugal.

Eu, armado em sociólogo de pacotilha, também tenho a minha teoria: o mal é todo das supostas elites de onde emergem os nossos "empresários". Digo isto depois de quase 20 anos a lidar profissionalmente com dirigentes de empresas de todos os tamanhos e feitios. Claro que há excepções, e muitas; mas a qualidade média do empresário luso é muito má. Trata-se de malta desprovida de visão empresarial que ultrapasse o próximo ano fiscal. Nem é gente burra; passa-se que o caminho mais fácil é sempre o mais popular: aplicar a inteligência em fugas ao fisco, esquemas de inside trading e especulação variada. Em média, são pessoas sem cultura, sem sensibilidade humanista, sem gosto pelo risco. Basta ver quantos dos nossos "gigantes" produzem realmente alguma coisa e quantos fazem fortuna simplesmente a distribuir coisas fabricadas algures na estranja.
E isto não é sintoma observável apenas nas salas de administração de empresas de médio porte. Mesmo em bancos gigantescos, os senhores doutores têm de contratar consultores estrangeiros para decidir que rumo estratégico oferece mais garantias de um futuro próspero e solvente. E muitas empresas de grande dimensão têm ao leme gente do calibre cultural e ético de um Joe Berardo.
Se se derem ao trabalho de ler comunicações do tal congresso "Portugal Positivo", ficarão por certo de boca aberta ante a vacuidade pomposa de muito douto e bem estabelecido orador: repetir chavões e buzzwords na moda é fácil; inovar já é coisa complicada. Querem ler parte do credo de tal organização? "A lei implacável do mercado apura a crise: em horário nobre, e com deleite masoquista, a comunicação social repete diariamente um estendal de escândalos e misérias. O vício seduz mais do que a virtude, a culpa atrai mais audiências do que a desculpa, o crime é prime time e a inocência pé-de-página. É preciso agir." No estilo moralista-bolorento, será difícil fazer melhor.
Assim, não há economia ou mercado que resista.

Publicado por Luis Rainha às 12:08 AM | Comentários (3)

outubro 16, 2004

TP 433

Amanhã, num voo da TAP, o Manel regressa por uns tempos a Portugal (e ao BdE, espero bem). Welcome back, my brother.

Publicado por José Mário Silva às 08:12 PM | Comentários (1)

UM TEXTO ALGO PRIVADO

"Vejo que ides a Alcobaça e Batalha. Bandidos! Miseráveis! Aproveitais a ocasião em que estou aqui, nas neves, para vos irdes refastelar de arqueologia, cavaqueira, aventuras de estalagens, bacalhoadas festivas e outras delícias!"

(Eça de Queirós, carta a Ramalho Ortigão, 1890)

Presumo que vocês não irão nem para Alcobaça nem para a Batalha (seria muito próximo de Fátima para o Luís..). Mas, caros colegas, desejo-vos uma boa bacalhoada ou qualquer coisa assim. Bom apetite.

Publicado por Filipe Moura às 10:28 AM | Comentários (4)

PEQUENAS INFÂMIAS

É sempre um prazer regressar à Coluna Infame. Voltei lá a propósito da efeméride assinalada no texto do Zé Mário. De certa forma (e que me desculpem os blogues mais antigos) são dois anos de blogosfera portuguesa, pelo menos com blogues de grande impacto. Muito disso se deve à Coluna Infame.
É engraçado reler textos nalguns casos atemporais, noutros completamente datados. Na blogosfera uma semana é uma eternidade; mais de um ano, então, nem se fala.
Mas foi engraçado dar com este texto (correctíssimo e atemporal) do Pedro Lomba. Dele destaco esta parte, que de certa forma pode explicar o seu relativo desaparecimento da blogosfera:

"Esta ideia de coçar a borbulha com a conversa sobre blogs causa-me algumas tremuras. Digo-vos que no dia em que houver casamentos inter-bloguistas, deixo definitivamente de escrever aqui. Isto não é escutismo, meus amigos. Se querem conhecer raparigas, comecem a ir à Igreja todos os domingos."

Pedro: livra o Zé Mário e a Margarida dessa responsabilidade. Não te leves tão a sério e volta a escrever.

Publicado por Filipe Moura às 10:22 AM | Comentários (1)

E LÁ CONTINUA O SUPER-HOMEM A CRUZAR OS CÉUS...


Cartoon de Glenn McCoy, "NY Times"

Publicado por Luis Rainha às 12:21 AM | Comentários (0)

FACE A FACE

Eduardo Prado Coelho, quiçá ainda em recuperação do esforço desconstrucionista de quinta-feira, mais a sua "pluralidade não totalizável e indecidível", vem agora assestar a sua mirada visionária sobre a Economia. "Quem diria que o rosto humano iria aparecer na sua expressão metafísica no interior de raciocínios de economia? E no entanto acontece." E como? - pergunta o inculto leitor, já a roer as unhas.
Fácil: é que "há empregos que se processam segundo a fórmula F2F, isto é, face-a-face, e há empregos em que o corpo e sobretudo o rosto da pessoa não interessam. São da fórmula B2B, isto é, ‘business to business’." (Eu, na minha ignara percepção das coisas, julgava que qualquer transacção ou comunicação entre empresas, dispensando o consumidor enquanto interlocutor, seria "B2B", mas enfim...)
Esta brava incursão pelos territórios semioticamente virgens da tal "economia experimental" acaba de forma devidamente dramática: "que o rosto humano ainda seja uma fonte de valor - eis uma boa notícia num mundo em que o anonimato predomina. Olha para mim - e fala."
O engraçado é que logo na página oposta está um anúncio da Benetton que pouco mais é do que uma fotografia enorme de um gorila com ar de poucos amigos. "Olha para mim - e fala"? Não consegui reprimir uma gargalhada ao imaginar o diálogo F2F que se estabelece entre aquelas duas páginas sempre que alguém fecha o seu exemplar do "Público" de ontem...

Publicado por Luis Rainha às 12:05 AM | Comentários (2)

outubro 15, 2004

O ESPINHO NA GARGANTA

Comecei aqui, passei por ali e acabei a ler o que se segue acolá :
"O sucesso de seus dois primeiros livros, Lavoura arcaica e Um copo de cólera, parece ter excedido em muito aquilo que Raduan esperava de si, e, ultrapassado pela própria obra, ele tomou a decisão de recuar. O sucesso, em seu caso, tornou-se uma carga: ele é aquele que não suporta vencer e, assim que a vitória se configura, precisa fracassar para se tornar menos infeliz. Restou a sombra de algo intolerável, a literatura, que, vista sem as pompas da reputação e da fama, tem a aparência de uma emboscada. Escrever não é só seguir uma rotina, manter-se atento e cumprir as regras dos manuais."

Publicado por tchernignobyl às 11:32 PM | Comentários (0)

EFEMÉRIDE

Foi há precisamente dois anos que comecei a ler, num blogue de tons outonais, os textos direitosos dos Pedros (Mexia + Lomba) e do João Pereira Coutinho. Lia aquelas prosas infames, escritas num português irrepreensível, todos os dias, compulsivamente. E assim foi crescendo a vontade de lhes responder à letra, taco a taco, na mesma moeda. Isto é, olhar da esquerda o que eles viam da direita. Oferecer-lhes resistência, luta ideológica, «contraditório» (para usar um termo em voga). Passados uns meses, essa resposta começou a surgir, com o Manel, aqui.
Depois foi o que se sabe.

Publicado por José Mário Silva às 09:13 PM | Comentários (3)

PORQUE ELE AINDA MEXE

Alguns torram-se a convencer-nos de que ele "morreu".
Enquanto isso, relembro uma informação do qwerty num comentário a um post algures aí para baixo.
"Debate «O legado de Marx nos 140 anos da I Internacional dos Trabalhadores». Cooperativa Árvore no Porto (nas traseiras do jardim da Cordoaria e do Palácio da Justiça), dia 15 de Outubro (6ª feira) às 21h30.
Com a participação de:
Francisco Martins Rodrigues (director da revista «Política Operária»); Ronaldo Fonseca (sociólogo e militante internacionalista); Ângelo Novo (ensaísta marxista independente); Tom Thomas (escritor marxista francês).
".

Há um livro de Tom Thomas publicado em Portugal pelas Edições Dinossauro, "A ecologia do absurdo" com tradução de Francisco Martins Rodrigues.

Uma perspectiva diferente, interessante e como tal muito discutível, da ecologia. Vou tentar voltar a este tema.


nota: este tipo de informações podem ser enviadas directamente para o nosso e-mail, correio@bde.weblog.com.pt, escusam de aparecer como comentários fora do contexto das discussões dos posts.


Publicado por tchernignobyl às 06:30 PM | Comentários (3)

O FASCISMO ESTÁ NA MODA?



Sabrina Varroni é uma italiana convertida ao Islão que vive na pequena localidade de Drezzo; uma vilória de 1.800 habitantes governada por autarcas da xenófoba Liga do Norte, membro da coligação de Berlusconi.
Ora esta senhora, casada com um marroquino, foi multada por andar na rua de cara tapada por um véu. Isto ao abrigo de uma lei que proíbe o uso de "máscaras" na via pública. Uma lei do tempo do fascismo, actualizada em 1975 como parte da luta contra as Brigadas Vermelhas.
A polémica estalou, naturalmente. Até Giorgio Armani se lançou na refrega: "é uma questão de respeito pelas convicções e culturas dos outros", afirmou o estilista. Mas a ideia não tardou em espalhar-se. Em Milão, a Liga anda a recolher assinaturas para exigir a aplicação desta lei. Um adjunto do presidente da câmara de Treviso ordenou à polícia municipal que recolha todas as mulheres com burca, pois debaixo dela "podem esconder-se terroristas de células adormecidas". Um jornal deixou a coisa ainda mais clara: "a burca parece ser apenas um bocado de tecido, mas é na realidade o cavalo de Tróia dos crentes muçulmanos, o seu estratagema para introduzir a sua civilização na nossa terra".
Por seu lado, a associação de mulheres muçulmanas de Itália até nem reclama, receosa de que alguém se lembre de lembre de proibir toda a espécie de véus. Aliás, uma deputada da mesma Liga já tratou de apresentar um projecto de lei nesse sentido.
É verdade que a senhora fica com um ar algo estranho, como se pode ver na foto acima. Mas não deixa de ter razão no que escreveu ao Presidente Ciampi: "nunca tentei converter ninguém ou usar o véu como provocação. Que mal estou a fazer? Não ando mascarada. Simplesmente, uso um véu que a minha fé torna obrigatório".
Quem diria que a resistência à xenofobia também ia ser uma questão de moda?

Publicado por Luis Rainha às 02:55 PM | Comentários (10)

QUESTÕES SOBRE EL CHE?

Aleida Guevara, filha do camarada Ernesto, está a responder a perguntas dos cibernautas, aqui.
Mas olhem que não se trata de um exercício de hagiografia online; andam por lá comentários assim: "This person is deluded. Hitler and Stalin also held elections like these and they too praised their own regimes as beacons of democracy. And Che may be an icon but few people seem to care or understand that he was a mass murderer also." A coisa promete aquecer...

Publicado por Luis Rainha às 01:17 PM | Comentários (5)

A GLOBALIZAÇÃO TAMBÉM TEM DESTAS COISAS

Bem me parecia que a semana não se podia acabar sem ao menos uma boa notícia. E esta é mesmo muito boa: um investigador espanhol acaba de anunciar, na "Lancet", os resultados dos testes da sua vacina contra malária. E são bastante animadores: "Winning a battle against malaria - A trial by Pedro Alonso and colleagues showed promising results for a malaria vaccine for young children. The vaccine was safe, delayed infection in almost a third more patients, and cut prevalence nearly in half compared with control vaccines." (Como o artigo implica registo, deixo mais abaixo o sumário do mesmo.)
É mesmo um sinal dos tempos: um cientista de Barcelona, trabalhando para a multinacional GlaxoSmithKline, testa em Moçambique uma vacina que pode poupar vidas sem conta em dezenas de países do Hemisfério Sul.

Summary

Background Development of an effective malaria vaccine could greatly contribute to disease control. RTS,S/AS02A is a pre-erythrocytic vaccine candidate based on Plasmodium falciparum circumsporozoite surface antigen. We aimed to assess vaccine efficacy, immunogenicity, and safety in young African children.

Methods We did a double-blind, phase IIb, randomised controlled trial in Mozambique in 2022 children aged 1-4 years. The study included two cohorts of children living in two separate areas which underwent different follow-up schemes. Participants were randomly allocated three doses of either RTS,S/AS02A candidate malaria vaccine or control vaccines. The primary endpoint, determined in cohort 1 (n=1605), was time to first clinical episode of P falciparum malaria (axillary temperature 37·5ºC and P falciparum asexual parasitaemia >2500 per µL) over a 6-month surveillance period. Efficacy for prevention of new infections was determined in cohort 2 (n=417). Analysis was per protocol.

Findings 115 children in cohort 1 and 50 in cohort 2 did not receive all three doses and were excluded from the per-protocol analysis. Vaccine efficacy for the first clinical episodes was 29·9% (95% CI 11·0-44·8; p=0·004). At the end of the 6-month observation period, prevalence of P falciparum infection was 37% lower in the RTS,S/AS02A group compared with the control group (11·9% vs 18·9%; p=0·0003). Vaccine efficacy for severe malaria was 57·7% (95% CI 16·2-80·6; p=0·019). In cohort 2, vaccine efficacy for extending time to first infection was 45·0% (31·4-55·9; p<0·0001).

Interpretation The RTS,S/AS02A vaccine was safe, well tolerated, and immunogenic. Our results show development of an effective vaccine against malaria is feasible.

Publicado por Luis Rainha às 12:50 PM | Comentários (0)

O PAÍS DOS BLUFFS

Rui Rio faz de conta que se demite e, afinal, fica. Pinto da Costa ameaça não levar o FCP ao jogo da Luz. Marcelo não se descose quanto aos motivos que levaram à sua saída da TVI. Santana Lopes continua convencido de que é primeiro-ministro.

Publicado por Luis Rainha às 12:26 PM | Comentários (1)

BICHOS OU BARRAGEM?

Ainda a propósito das arrelias que a barragem de Odelouca tem causado ao governo, que já antevê a seca catastrófica a espalhar-se por todo o Algarve, o Jorge deixou aqui alguns comentários que me parecem dignos de toda a atenção. Ei-los:

A barragem de Odelouca é fundamental para o abastecimento de água ao Barlavento algarvio. Isto é um facto. E sê-lo-ia mesmo que não houvesse por aqui a miríade de campos de golfe que há. Não seria necessária tão depressa, mas acabaria por ser, uma vez que a tendência meteorológica é que chova menos e a tendência demográfica é que haja mais gente a precisar de água. Mesmo que se acabasse com o desperdício de água que temos hoje (e não estou agora a falar dos tais campos de golfe), mais tarde ou mais cedo a construção da barragem de Odelouca acabaria por ser necessária.
A LPN formalmente tem razão. Há uma violação da rede Natura, mesmo com a menor dimensão da barragem.
Ou seja: temos aqui dois factos contraditórios, e a decisão sobre qual deles tem mais peso é uma decisão política.
Pessoalmente, acho que se deve construir a barragem, até porque as zonas naturais ameaçadas são importantes mas não são fundamentais, mas também acho que devem ser tomadas ao mesmo tempo medidas "compensatórias". Melhorar drasticamente a conservação da água, diminuindo o seu desperdício no mínimo para metade, por exemplo. Ou tomar definitivamente uma decisão proteccionista noutras zonas naturais próximas ameaçadas por apetites especuladores, como a Ria de Alvor, que é apenas a segunda mais importante zona de nidificação de aves marinhas, de
nursery de peixes do Algarve e uma das mais importantes do país. Esse tipo de coisas.
Agora, estamos tramados no que toca aos fundos comunitários. Culpa de quem tomou a decisão de avançar com a construção da barragem sem precaver antes esse tipo de situação. Agora, ou os nossos governantes conseguem convencer Bruxelas de que neste caso é mesmo preciso contornar as regras da Rede Natura e isso faz-se, julgo eu, através de mecanismos de compensação e de mecanismos de mitigação do impacto ambiental, ou então é dizer adeus aos fundos comunitários, o que implica que a barragem tem de ser feita com fundos do Estado.
Seja como for, as culpas no caso não as tem a LPN, que se limitou a levantar a lebre. As culpas no caso têm-nas os gestores públicos que foram precipitados e não se acautelaram.

Até dá para compreender porquê: a eliminação dos desperdícios de água implica obras complexas e caras em toda a rede pública, para descobrir e eliminar as roturas, obras essas que causam transtorno às pessoas. O adiamento da atribuição de licença para a construção de mais um campo de golfe implica recusar investimento e não permitir a criação de postos de trabalho, que pode ser só provisória ou definitiva se a empresa se chateia e resolve investir noutro lado. Claro que é muito mais fácil recusar estas medidas difíceis e antecipar a construção de uma barragem que se sabe à partida que acabará por ser indispensável e que, acima de tudo, não cria inconvenientes visíveis de curto prazo e é na mesma "obra". Especialmente quando se sabe que os gestores portugueses, públicos e privados, preferem seguir pelo caminho mais fácil sem pensar nas consequências e rezar para que as coisas dêem certo em vez de planear tudo com antecedência e método. Às vezes, as coisas correm mesmo bem, e os tipos fazem brilharetezinhos.
Depois, quando as coisas não correm como eles esperam, porque algum imponderável acontece, porque surge uma "chatice" duma lei qualquer, porque um bando de "irresponsáveis" resolve proteger os seus interesses ou servir de
proxy para a protecção dos interesses de outros, então é que se vê o motivo de os nossos gestores serem tão maus. Mas aí há sempre um bode expiatório à mão de semear.

Neste caso, é a LPN. (Jorge Candeias)

Publicado por Luis Rainha às 11:20 AM | Comentários (6)

VALHA-NOS O CASTELO-BRANCO

Ex-amante de Beckham masturba porco em versão inglesa da Quinta das Celebridades.
PETA queixa-se. Porco nem por isso.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:45 AM | Comentários (2)

O PARAÍSO LABORAL

Portugal é um dos três países da União Europeia (UE) onde os trabalhadores suportam mais encargos durante a baixa por doença.
JN

E é graças a isso que seremos mais competitivos.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:39 AM | Comentários (1)

SÉCULO XIX MEETS SÉCULO XXI

Ópera Boris Godunov transmitida hoje pela internet.

Publicado por Jorge Palinhos às 09:56 AM | Comentários (1)

UM POST CONTUDENTE DO PAULO

Idem.

Publicado por Jorge Palinhos às 09:53 AM | Comentários (1)

DELGADO LEVADO À PRÁTICA

Dois praças da GNR foram internados, no passado dia 6, na unidade de psiquiatria do Centro Clínico da Guarda, em Lisboa, depois de terem recusado, como as regras internas permitem, fazer serviços de limpeza e manutenção num esquadrão que não é o seu, argumentando ainda que as suas especialidades não são aquelas para as quais os estavam a destacar.
Público

Publicado por Jorge Palinhos às 09:52 AM | Comentários (0)

HOW DO WE SOLVE A PROBLEM LIKE LAURA?

Laura Melo é militante do PCP, presidente da Junta de Freguesia de Torrão, no concelho de Marco de Canaveses, e apoiante de Avelino Ferreira Torres.
Embora não seja propriamente um regionalista, entendo que a política local muitas vezes necessita de alianças que não são reproduzidas na política nacional. Por outro lado, defendo que se deve procurar fazer uma oposição construtiva. Por exemplo, não alinho num coro generalizado de críticas (mal intencionadas) a Rui Sá em certos sectores da esquerda. Rui Sá parece-me ser, na Câmara do Porto, um oposicionista responsável que apoia o que acha que deve apoiar e recusa o que acha que tem de recusar. Um exemplo para outros oposicionistas, mesmo os com mais vocação de poder. O anterior presidente da Câmara, Nuno Cardoso, não se coibia de afirmar que considerava Sá uma pessoa competente e leal. Quem acusa Sá de ter formado uma coligação com a direita talvez devesse então justificar isto.
Já Avelino Ferreira Torres é mais grave. O ainda autarca do Marco de Canaveses representa o que há de pior no poder local em Portugal e não pode ter o apoio de nenhum político sério, nem mesmo dentro do seu partido. Os dirigentes nacionais do PP deveriam ser permanentemente confrontados com as suas tropelias e obrigados a responder se se reviam nelas (como os dirigentes do PSD com Alberto João Jardim, aliás). Muito menos alguém de um partido de esquerda com responsabilidades políticas pode apoiar Avelino. Mas Laura apoia.
É complicado falar num caso destes no PCP, um partido que mais facilmente pune delitos de opinião simples mas mediáticos do que este caso, de um membro de província. Mas este já se está a tornar um caso mediático, como se vê aqui e aqui. Que fazer com Laura? Ignorar? Afastar? Expulsar?
Poderão responder-me e com razão que isso é com o PCP e ninguém mais tem nada a ver com isso, embora eu estranhe que um partido que expulsou Zita Seabra (também) por frequentar a pastelaria Versailles não se pronuncie sobre alguém que frequenta a mansão de Avelino Ferreira Torres. Mas suponhamos que isto se passava num partido qualquer, fosse o PCP ou não. Que deveria a direcção desse partido fazer? Eu defendo a segunda hipótese que avancei: Laura deveria ser afastada de qualquer cargo político nas próximas eleições. Até lá, poder-se-ia agir com mais ou menos discrição, consoante a importância do caso (que eu não tenho dados para avaliar correctamente) e eventualmente retirar-lhe a confiança política.

Publicado por Filipe Moura às 09:30 AM | Comentários (5)

outubro 14, 2004

CIÊNCIA HOJE (E TODOS OS DIAS)

«Em www.cienciahoje.pt pretende-se criar um jornal permanente (mais do que diário) de ciência, nomeadamente da ciência feita em Portugal e por portugueses onde quer que se encontrem. Apesar de ser eventualmente a mais internacional área do conhecimento, faz sentido mostrar que há portugueses a trabalhar e bem pelo desenvolvimento científico mundial.»
Quem o diz é Jorge Massada, jornalista na área da Ciência e director deste projecto, co-financiado pelo Programa Operacional Sociedade de Informação (POSI) e recentemente colocado entre os 30 melhores candidatos — num conjunto de 267 — a fundos comunitários para a banda larga. A ideia, segundo JM, é fazer mesmo um jornal e não um «superblogue» (sic), embora o site possa igualmente funcionar como «placa giratória de todos quantos trabalham neste mundo».
Para uma análise mais detalhada do conteúdo da página, convém esperar pelo relatório do comité científico do BdE (aka Filipe Moura), mas num primeiro relance parece-me que o www.cienciahoje.pt merece a visita e a participação dos nossos leitores mais interessados pelas questões científicas.

Publicado por José Mário Silva às 08:57 PM | Comentários (2)

SÓ DIZ ISTO QUEM NUNCA VIU A QUINTA DAS CELEBRIDADES

«Há uma certa ternura ao animalizar o homem» — Paula Rego (hoje, no DN).

Publicado por José Mário Silva às 06:44 PM | Comentários (3)

TERÃO OS DEBATES IMPACTO NO ELEITOR AMERICANO?


Cartoon de Ted Rall

Publicado por Luis Rainha às 05:52 PM | Comentários (0)

VERSOS QUE NOS SALVAM

Em jeito de agradecimento pelo post do Luis Rainha, mais abaixo, aqui vos deixo um dos mais belos poemas do livro «Esta Voz é Quase o Vento», de José Agostinho Baptista (Assírio & Alvim, acabadinho de chegar às livrarias):


NÃO ME TOQUEM

Não me toquem, não me falem, não me
peçam para cantar,
não me peçam nada,

queimem o alecrim quando a noite cai
sobre as aldeias,

chamem os cães da montanha,
os cordeiros brancos da ressurreição,

levem-me desta cidade que destrói, ano
após ano,
a bondade que trouxe um dia, de uma
ilha amada,
dos seus canteiros alucinados,
das suas flores brutais,
do seu cais onde vi o Cruzeiro do Sul, o Arado,
o Leão,

acendam as candeias, os astros, as
fogueiras,
os castiçais,
para que a luz se disperse nos sonhos do
mundo,
para que os espelhos devolvam o rosto daqueles
que jamais regressarão,

tragam o vinho dos vivos, o vinho dos mortos,
o vinho dos deuses,
o vinho dos amantes perdidos,

não façam aqui a sepultura de quem por amor
se mata, se despede,
se consome,

digam apenas, em voz baixa, com suave
timbre,
que ainda vejo, no tecto dos lares que
abandonei,
um insecto, uma teia, uma constelação,
e lá fora
as vinhas, o melro na anoneira,
os figos quando se desce para o mar,
os cactos floridos nas veredas do pai,
tudo o que serve ao verso magoado, aos seus
declives,
à sua água,
ao sangue que o percorre,

calem os punhais do homicida,
fechem a cor das trevas a sete chaves,
não pronunciem em vão o meu santo nome,
a palavra amigo,
a palavra órfão, maldito, mendigo,
todas as palavras que escrevo,
não me procurem nos becos,
nas sete colinas,
nas avenidas sombrias de um país assassino,

pensem
que ainda há barcos que partem para os
últimos portos que o vento abre,
navegando à deriva,
sem leme, sem mapas,
sem clepsidras e astrolábios,
sem marinheiros que entoam a canção dos
amantes desolados,
sem vertiginosas mulheres que os esperam com
a sua carne onde bate a lua,
sem fulgor, sem sentido.

Não me toquem, não me falem.
Estou só; não quero nada.

Publicado por José Mário Silva às 05:47 PM | Comentários (3)

EM GAZA, O SILÊNCIO TAMBÉM MATA

Aí estão mais uns anti-semitas impenitentes a fazer das suas. De acordo com o "Público", alguns oficiais superiores do exército israelita têm mostrado inquietação face à intensidade da presente ofensiva, usando mesmo frases como "A cada dia que passa a situação humanitária do Norte da Faixa de Gaza e dos palestinianos é pior".
Na versão em Inglês do jornal referido como fonte, o Maariv, não encontro rasto dessa dissensão tão notória, mas este artigo refere algum incómodo das chefias militares, que afirmam ser "necessário alterar o modo da operação e reduzir o nível da sua intensidade". Acontece é que, ainda segundo os oficiais citados, "a liderança apaixonou-se pela operação". E "a razão para manter o modo corrente da operação é o relativo silêncio da comunidade internacional".
Recordemos que a presente ofensiva visa dificultar o lançamento de foguetes Kassam, como o que vitimou recentemente duas crianças israelitas. Segundo a B’Tselem, 75 palestinianos já foram mortos durante esta operação militar. 31 eram civis. 19 tinham menos de 17 anos.

Publicado por Luis Rainha às 03:15 PM | Comentários (9)

O NOSSO ZÉ, QUE ANDA LÁ POR FORA A GANHAR A VIDA...

Ele pode continuar meio "ausente" destas partes. Mas o time out aqui decretado não é total. E ainda bem; feliz o livro acerca do qual são escritas coisas assim. Volta depressa, pá!

Publicado por Luis Rainha às 01:25 PM | Comentários (5)

MAS TEMOS MESMO DE FINANCIAR ISTO?

Demos uma tremenda abada aos russos. Parece-me bem. O pior são as tristes figuras que o seleccionador nacional teima em fazer, mostrando que, além de não saber perder, também é incapaz de mostrar um mínimo de elegância nos momentos vitoriosos.
De acordo com "A Bola", Scolari teve estas palavras de encorajamento para com a Imprensa desportiva: «Vocês andam a induzir o povo; andam a enganar os portugueses. O povo provou que está com a Selecção! Vocês, jornalistas, é que são bons e aqueles [apontando para o autocarro de Portugal] são uns m...» Aproveitando a veia poética, o senhor ainda encontrou inspiração para uma bela despedida: «Vão-se f...!»
Mas não basta a este tipo tratar-nos como um rebanho dócil e meio tonto, sempre carente de instruções para pendurar bandeirolas nas janelas, comprar cachecóis, rumar em massa aos estádios? Terá também de se julgar um ente semi-divino, acima de qualquer crítica dos indígenas?
Não se poderá multar o fulano a cada festival de grosseria similar?

Publicado por Luis Rainha às 01:01 PM | Comentários (12)

DE ECOLOGISTA A MESTRE-DE-OBRAS

Lembram-se de Macário Correia, o fogoso secretário de Estado do Ambiente que se celebrizou ao adoptar a máxima "beijar uma mulher que fuma é como lamber um cinzeiro"? Pois olhem que o moço cresceu, envelheceu, voltou ao Algarve e é agora uma figura respeitável: nada menos que presidente da Junta Metropolitana lá da província.
Anteontem, tivemos o dúbio prazer de reencontrar a sua cara – agora menos laroca e mais enrugada – na SIC Notícias, onde verberava a Liga para a Protecção da Natureza, por empancar o avanço da barragem de Odelouca, a propósito de uma reles bicharada qualquer. Ele compreendia essas paixões de juventude, que até tinha partilhado. Mas que depois as pessoas cresciam, amadureciam... e começavam a ver a luz do progresso e do betão, numa claridade que é suposto cegar o bom político a tudo o mais. Pobre criatura. É triste destino ficar parecido com o Alberto João.

Publicado por Luis Rainha às 12:11 PM | Comentários (8)

RUNS IN THE FAMILY

Não é comum um doutorando ter o nome do Instituto que lhe concede o grau de doutor. Mas acontece.

Publicado por Filipe Moura às 11:19 AM | Comentários (3)

AMÉRICA PROFUNDA

É um belo retrato de uma América menos conhecida este que nos é dado pelo Público/Libération. É saído de um romance de um Steinbeck contemporâneo.

PS: Com isto não quero menosprezar as belas crónicas do Pedro Ribeiro.

Publicado por Filipe Moura às 09:53 AM | Comentários (0)

outubro 13, 2004

MILAGRE ERA ESTA MALTA TER VERGONHA (3)

Lembram-se do alarido causado por receios de uma iminente intervenção do Vaticano em Fátima, como represália pelas visitas de delegações de outras religiões ao santuário?
Eis como se levantaram estas pouco santas ondas. E julgavam vocês que isso do fundamentalismo só encontrava habitat lá para as arábias...

Publicado por Luis Rainha às 06:31 PM | Comentários (10)

O CENÁRIO ESTÁ PRONTO PARA O ÚLTIMO ACTO

É já daqui a algumas horas o derradeiro debate entre os candidatos ao trono do mundo. Se bem percebi a coisa, poderão seguir o espectáculo aqui.

Publicado por Luis Rainha às 06:02 PM | Comentários (0)

TRABALHO DE CAMPO (NA LOJA DO CIDADÃO)

Vinte pessoas sentadas com ar aborrecido. Uma espera longa. Vinte senhas já vetustas entre os dedos. Uma espera longa. Vinte olhares de cansaço e derrota. Uma espera longa. Suspiros, lamúrias, protestos. Uma espera longa. Nenhum jornal. Uma espera longa. Nenhum livro.

Publicado por José Mário Silva às 05:19 PM | Comentários (2)

MILAGRE ERA ESTA MALTA TER VERGONHA (2)


O famoso "milagre do Sol" faz hoje mesmo 87 anos. Muito provavelmente, não se passou ali nada mais estranho que alguns milhares de retinas irritadas de tanto olharem para o Sol; mas a leitura de um relato da época não deixa de ser perturbadora. (Curiosamente, um bisavô meu, oficial do exército na iminência de ir parar ao Corpo Expedicionário, esteve lá e nada viu de extraordinário, à semelhança do fotógrafo Judah Ruah...)
Esta efeméride dá-me vontade de pensar na curiosa suspensão das leis da Física a que os crentes chamam "milagre". Sei que a teologia cristã é toda ela um bem pensado dispositivo para justificar a inacção quase permanente de Deus e a sua interferência nos nossos assuntos em ocasiões seleccionadas sabe-se lá com que critério... a velha história dos "desígnios insondáveis". No entanto, respeito quem consegue acreditar em tais construções: tem Fé quem pode e não quem quer.
Mas ainda estou à espera que alguém me explique como é que o Altíssimo se lembraria de enviar uma emissária especial a Fátima para distribuir avisos acerca dos "erros da Rússia" – se bem que esta versão só tenha surgido bem depois de 1917 - e ignorar episódios como o Holocausto (já agora, porque se terá a "Senhora" enganado ao anunciar no dia do milagre o fim da Grande Guerra?).
Gostaria de saber porque perturbaria Deus o nosso livre arbítrio afim de curar uma suposta paralítica portuguesa ou uma cancerosa indiana, apenas com o fito de apressar beatificações. Por que diabos deixa Ele, em constante contraponto, que milhares de crianças morram em África por causa da seca e, noutras paragens, vitimadas por inundações, tufões e demais desgraças naturais?
Deve ser preciso mesmo muita ginástica mental para manter o equilíbrio nesse instável pináculo que é a Fé.

Publicado por Luis Rainha às 05:07 PM | Comentários (11)

TEREI LIDO BEM? SERÁ QUE O HOMEM ESTÁ COM MEDO DE PERDER O EMPREGO?

Via Barnabé:

Sobre o prémio que lhe será hoje entregue pelo Rei de Espanha, Jorge Sampaio confessou-se "muito surpreendido" por o receber e confirmou que os 90 mil euros, desta vez, não vão para nenhuma instituição de caridade. "Desta vez, vai ser para mim. Os tempos estão maus".
Público

Rezemos é para que a última frase não origine mais cassetes do grande líder espiritual.

Publicado por Jorge Palinhos às 04:41 PM | Comentários (8)

MILAGRE ERA ESTA MALTA TER VERGONHA (1)


Os altares de todo o mundo vão em breve ter justamente aquilo que estavam mesmo a precisar: mais santinhos.
João Paulo II, o maior fabricante de santos desde a idade Média, poderá deslocar-se a Portugal para presidir às cerimónias de canonização dos beatos Francisco e Jacinta Marto.
Duas crianças cuja vida se viu tragada pelo sorvedouro de superstição que irrompeu em Fátima no ano de 1917. Duas crianças que, depois de receberem terríveis ameaças e visões da suposta Mãe de Deus - por exemplo, Francisco, uma criança de 9 anos, só fugiria ao Inferno se rezasse muitos terços – acabaram por sofrer mortes atrozes. O rapaz não resistiu à epidemia de gripe espanhola que dizimou a Europa em 1919; para isso por certo contribuíram os jejuns sem regra a que se entregava constantemente, como "penitência" oferecida à aparição da Cova da Iria. (Mesmo Lúcia, provavelmente a mentora do embuste, viu-se trancafiada, contra a sua vontade, num mosteiro em Tuy, onde desatou a receber prodigiosas visitas do próprio Menino Jesus.)
Leiam com atenção as palavras que, de acordo com a fábula oficial, a visita dos céus terá endereçado aos miúdos que agora vão embalsamar como santos: "Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores? Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto" ou "Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas". E é a esta divindade sequiosa de sangue e sofrimento de crianças que se presta tributo no feíssimo "altar do mundo"...
Hoje em dia, o grotesco e a desvergonha dos abutres de sotaina que mandam em Fátima e na Igreja não conhecem limites: após terem aceite como vero um "milagre" operado sobre uma senhora de história clínica incerta e estabilidade mental duvidosa, para que a beatificação pudesse avançar a todo o vapor, vêm agora invocar uma outra cura miraculosa, que terá ocorrido via TV! Uma portuguesa, emigrada na Suíça, pediu a cura do seu filho diabético enquanto assistia, em directo, à cerimónia da beatificação dos pobres "videntes"... e não é que foi antendida? Abençoadas sejam as ondas electromagnéticas da RTPI!
Pelo andar da carruagem, suponho que em breve alguém será miraculado por estar ligado à "página oficial" da burla.

Publicado por Luis Rainha às 04:05 PM | Comentários (24)

GRATIDÃO


Cartoon de Mike Lane, «The Baltimore Sun»

Publicado por José Mário Silva às 02:22 PM | Comentários (1)

UMA AJUDA PARA A PALESTINA

Amanhã à noite, pelas 21h30, a Cooperativa Árvore (R. Azevedo de Albuquerque, n.º 1, Porto) organiza um leilão de obras de arte e manuscritos, cujas receitas serão entregues à Embaixada da Palestina, em Lisboa. Nas palavras dos organizadores, «a indignação face ao massacre continuado, imposto pela política de Sharon na Palestina, torna urgente a manifestação da nossa solidariedade».
Os trabalhos a leiloar — entre os quais se contam esboços de Siza Vieira e Eduardo Souto Moura; obras de Emerenciano, Jorge Pinheiro e José Rodrigues; além de manuscritos de José Saramago, Maria Velho da Costa, Manuel António Pina, Mário de Carvalho, Francisco Duarte Mangas, António Ramos Rosa ou Mário Cláudio — estarão expostos na Cooperativa a partir de hoje, até às 20 horas de amanhã.

Publicado por José Mário Silva às 01:53 PM | Comentários (6)

MAIS UM MINISTRO CATASTRÓFICO

O estilo troglodita já tem barbas: quem se lembre de levantar ondas a propósito das nossas "grandes obras" só pode mesmo ser um inimigo do progresso que se arrisca a atrair sobre todos nós as piores desgraças.
Ontem, o ministro das ruínas-que-incham-misteriosamente, Nobre Guedes, veio anunciar aos pobres algarvios os resultados catastróficos da interrupção – por causa de uma queixa da LPN - das obras na barragem de Odelouca: a possibilidade de racionamento de água no Algarve, já em 2005.
Ao suposto ministro, não interessam as previsíveis consequências para o turismo algarvio do seu alarmismo, se o boato chega aos ouvidos dos concorrentes ou dos mercados emissores. Nem o incomoda o facto de a tal barragem ter sido desde o início pensada para entrar em funcionamento apenas em... 2006.

Publicado por Luis Rainha às 01:22 PM | Comentários (3)

NÃO SERÁ ANTES UM LED?

"Semicondutores atiram Wall Street para o vermelho"
Pela primeira vez, uma notícia sobre o mercado de capitais lembra-me as minhas aulas de Electrónica e Física do Estado Sólido.

Publicado por Filipe Moura às 09:14 AM | Comentários (2)

O PRÉMIO

Ainda na mesma notícia é referido um prémio instituído por uma empresa privada, a um trabalho de investigação inovador que, sem ser investigação aplicada, pode ter aplicações. O autor é um nosso leitor atento (já me tendo inclusivé sugerido uma ideia para um texto) e distinto leftista. Parabéns, Luís.

Publicado por Filipe Moura às 09:06 AM | Comentários (1)

PLANOS NACIONAIS DE INOVAÇÃO E DESINVESTIMENTO

"O secretário de Estado da Ciência e Inovação, Pedro Sampaio Nunes, anunciou hoje que o Governo está a preparar um plano nacional para estimular o trabalho conjunto entre universidades e empresas em determinados sectores tecnológicos." E eu não tenho nada a opor, bem pelo contrário. Tal prática é comum nos países mais desenvolvidos e é bem vinda, pois significa contribuições orçamentais extra para a ciência. Simplesmente tais associações ao sector empresarial não podem servir de mote, e nem justificar, um corte do investimento estatal na investigação. Até porque, e principalmente, a investigação fundamental, que não tem uma aplicação industrial, depende crucialmente do investimento público; não serão as empresas a apoiá-la. Que a investigação fundamental em Portugal precisa de mais dinheiro é evidente (a menos que se queira acabar com ela). Exemplos não faltam: os das participações portuguesas no CERN que atrás mencionei, e agora no Observatório Europeu do Sul.

Adenda: outro exemplo ainda melhor de desinvestimento é o anunciado no Público de hoje: Sete Instituições de Investigação sem dinheiro no Orçamento de 2005. Decisão pode afectar trabalho científico.

Publicado por Filipe Moura às 09:00 AM | Comentários (3)

outubro 12, 2004

TIME OUT

Eu sei que tenho andado ausente. Mas não se preocupem: estou bem de saúde (e do resto). Acontece apenas que mergulhei de cabeça no mundo da burocracia à portuguesa. Pois, isso mesmo. Se vos disser que fiz ontem à tarde uma escritura para compra de casa própria, com recurso a crédito bancário, não preciso de dizer mais nada, pois não?
E há pior: agora segue-se nova mudança (outra vez os livros escada abaixo e escada acima), com tudo o que isso implica. Depois, se sobreviver até meio da próxima semana, retirar-me-ei para 10 dias de repouso absoluto, algures fora de Lisboa e longe da net.
No princípio de Novembro, conto regressar em força, com as baterias cheias e o ânimo restaurado. Até lá, darei apenas o que tenho dado nos últimos dias: lampejos, coisas breves, intermitências.
Não é muito, eu sei. Mas, nesta fase, é o que se pode arranjar.

Publicado por José Mário Silva às 11:32 PM | Comentários (6)

O TONTO PERDIDO NO SEU LABIRINTO

Já está tudo explicado. Afinal, não há contradição entre o ministro das Finanças que manda apertar o cinto e o chefe que declara aberta a festança. Querem ver como é simples? "Basta haver o crescimento da economia que está previsto para naturalmente a arrecadação da receita fiscal poder ser superior à que foi este ano".
Ou seja, fazemos de conta que vamos todos ter muito dinheiro, que assim já podemos gastar mais. Quando chegar a altura de fazer contas e, afinal, a tal "arrecadação" for mais pelintra do que o previsto, azar. Alguma coisa há-de andar por aí que se possa pôr no prego. E assim se arrisca um país, no funambulismo populista do "poder ser"...

PS: a criatura, ao menos, descreveu na perfeição o tempo de antena de ontem: "precipitação, superficialidade e ligeireza". Fê-lo sem querer, é certo: falava dos "comentários" que os malévolos produtores de "ruído" trataram logo de inventar. É a velha história: se todos dizem mal de mim e eu sou um génio, só pode ser uma cabala.

Publicado por Luis Rainha às 07:24 PM | Comentários (9)

DIÁLOGO INTRA-BLOGUÍSTICO (2) OU "A ALDEIA ONDE SE OUVE RONCAR"

O Francisco Frazão é um dos muitos compatriotas nossos que encontraram em "A Vila" as marcas de um "grande filme". Como já aqui o afirmei, discordo a todo o vapor. E é com gosto que contraponho algumas razões àquelas do meu estimado colega de blogue.
Já disse há décadas Umberto Eco que a ficção é uma máquina de gerar interpretações. E o Cinema não se furta – nem poderia – a este truísmo. No entanto, há filmes que se esforçam bastante para se porem no caminho do maior número possível de leituras. A sabedoria popular inventou o delicioso e certeiro dito: "quem anda aos porcos, tudo lhe ronca". Ora, nada mais fácil do que pôr uns arbustos inofensivos a roncar baixinho e esperar pela chegada de curiosos em barda. "A Vila", quanto a mim, opera precisamente segundo este paradigma: mascarar uma colecção de lugares-comuns com abundantes "pistas" que sugiram meta-leituras, trans-leituras, etc.
Para o Francisco, "há alegoria" e "é alegoria da América". Pois é; mas este esquema alegórico, tal e qual, já aparecera bastas vezes na literatura de Ficção Científica, reportando-se sempre a situações asfixiantes de cerco, de confronto com inimigos de desígnios insondáveis. Os exemplos que citei, "Mars Inc." e "The Watchtowers", elucidam-nos: no primeiro conto, uma equipa de milionários e cientistas forja os indícios de uma iminente invasão extraterrestre, através de artefactos e tecnologias supostamente alienígenas, para que a Humanidade se una enfim, nem que seja para enfrentar um inimigo inexistente. Na segunda ficção, temos uma vila cercada por uma linha de intimidantes torres de vigia, de que não conhecemos donos, propósitos ou origem; apenas se sabe que alguns dos aldeões estão em contacto com os esquivos construtores das torres. E que a entrada nos bosques é proibida aos sitiados. Parece familiar?
Mais do que a suposta mas inexistente originalidade da ideia central deste filme, preste-se atenção à versátil riqueza do tema da "ameaça quase invisível": a noção de cerco arrasta simbologias poderosas... e a inevitabilidade de se lerem por lá analogias sem fim. Claro que "Mars Inc." é uma parábola sobre a Guerra Fria. E que poderá ser "The Watchtowers"? Uma sátira ao Tatcherismo, um olhar sobre a vida quotidiana em Israel... ou simplesmente um estudo fascinante sobre a psique de pessoas encurraladas por interditos vários em espaços fechados, sujeitas ao escrutínio permanente de desconhecidos? Não será isto já muito, sobretudo se servir de desculpa para se dar ao público alguns lúdicos calafrios, como em "A Vila"?
Acontece que Shyamalan não é tonto. E trata de se pôr mesmo a jeito para gerar interpretações a gosto do freguês, sem que se dê sequer ao trabalho de pensar muito. Que "conclusões" se podem extrair, com ou sem "pressa", do olhar do realizador/argumentista? "Liberal" ou "conservador"? Escapismo ou a sua denúncia? A dificuldade em responder a estas questões não provém da multiplicação de pistas – como seria o caso se falássemos de um autor de outro campeonato, como David Lynch – mas apenas da total ausência de profundidade no argumento de "A Vila"; trata-se simplesmente de "cinema-pipoca" adornado por grandes, enormes actores e alguma "camuflagem" a cobrir o vácuo.

E reparem que esta questão é importante: existe mesmo ali algum ponto de vista – ainda que neutro – sobre a utopia "luddita" que os tais "Anciãos" construíram? Não; há lugar é para algumas aventuras inconsequentes e pouco verosímeis, "acção" a tomar o lugar da substância. A tardia revelação da verdadeira condição daqueles náufragos surge tão tarde – espectáculo oblige– que acaba por ser apenas um grande foguete a marcar o final da pirotecnia... não um ponto de partida para coisa alguma.
É certo que a asfixiante partição entre o espaço humano e o dos inomináveis inimigos é um dispositivo poderoso; mas acaba desbaratado ao servir apenas como pano de fundo para o que não passa de uma versão luxuosa e articulada do infame "Blair Witch".
Exagero? Façam vocês as contas: um bosque pejado de entidades malignas que nunca se deixam ver mas que deixam marcas das suas visitas; adolescentes que por lá correm desorientados e às cegas; câmara trémula de terror; histórias centenárias de perigos ocultos e terríveis nas matas; banda sonora histérica de tanto ruído "assustador"; a velha fórmula da inocência da juventude que enfrenta o Mal sem nome, etc. Não quero ser mauzinho, mas estava capaz de apostar que já teríamos tido uma chusma de críticos lusos a descobrir parábolas, alegorias e sub-textos sem fim em "The Blair Witch Project" se este não tem sido um enorme sucesso de bilheteira um pouco por todo o lado. É que está lá tudo; só faltou mesmo a vontade de meter o nariz em tão feias matas para ali procurar o arisco suíno.
Apresenta-nos ainda o Francisco a noção de que o exterior que surge no final do filme pode representar, de alguma forma, o espaço da "produção do próprio filme"; isto porque é um fora-de-campo radicalmente estranho à ficção da aldeia. Esta leitura, mesmo que caucionada pela presença do realizador enquanto guarda daquele "santuário", é pouco sustentável: repare-se que este "exterior" é o mundo "real", nosso, banal e desprovido de artifícios. Artificial é sim a utopia aterrorizada que se esconde atrás daqueles muros. (Alegoria sobre o Cinema, declarada e bem explícita, deixa-se ver precisamente na epopeia de baixo orçamento "Blair Witch"... e então?)
E se eu postulasse que o verdadeiro símile para o Cinema está nos habitantes da Vila, que constroem pacientemente as ficções com que assombram o próprio quotidiano? Que o chefe de tal comunidade é a encarnação perfeita do realizador/produtor, taumaturgo com o poder de moldar vidas, de criar monstros a partir de adereços manhosos, líder que puxa todos os fios das vidas daquela gente? E se Shyamalan aparece apenas para nos sinalizar que é mesmo um humilde guardião de tal Arte?
Olhem; a teoria até faz mais sentido do que eu imaginava, quando comecei a escrever o parágrafo acima. Mas continuo sem topar porco algum por semelhantes paragens; o ronco é pura invenção. E em nada me ajuda a gostar deste filme.

Publicado por Luis Rainha às 05:00 PM | Comentários (11)

HAGIOGRAFIA OFICIAL DO PEDRO

Encontrei esta "biografia" oficial do PM aqui e senti-me fortemente tentado a fazer-lhe o contraditório.
Mas depois não tive coragem de vandalizar tão soberba obra literária. Leiam e contradigam vocês se assim quiserem.

"Biografia (Oficial) de Pedro Santana Lopes
Pedro Miguel Santana Lopes nasceu em Lisboa, no dia de São Pedro, em 29 de Junho de 1956. Foi o primeiro filho de Maria Ivone e Aníbal Lopes, ela ainda ajudante de enfermagem, ele guarda-livros da companhia das Lezírias, em Lisboa.

Em criança, ficava horas à janela olhando atentamente a movimentação dos operários da construção civil, prestando atenção ao crescimento dos prédios que surgiam à volta de sua casa.

Talvez por isso, a sua principal distracção fosse brincar com as pequenas peças de lego. No seu imaginário, tal como um arquitecto, construía edificações e vislumbrava a cidade dos seus sonhos.

Quando os pais saíam para trabalhar, ficava aos cuidados dos avós paternos, Luís Abílio e Maria Deolinda, por quem tinha verdadeira adoração. Quase todos os dias passeava com o avô nos jardins de Benfica.

Ao completar seis anos, foi matriculado na escola particular de Dona Alice, em São Domingos de Benfica.

Emília, a sua professora na instrução primária, resume a passagem de Pedro pela escola: "Era um bom aluno. Um homenzinho em miniatura. Dava gosto. Nunca o repreendíamos".

Em 1966, entra para o recém-estreado liceu Padre António Vieira. Já no primeiro ano do liceu, Pedro tem um percurso normal, e destaca-se no final do curso, sendo dispensado do exame de ingresso na Faculdade. Era o aluno que sabia onde queria estar e onde queria chegar.

Pedro Santana Lopes sempre soube cultivar boas amizades. Ainda hoje se orgulha de ter grandes amigos que faziam parte do seu grupo de amigos da infância.

Ainda muito jovem, por inspiração do pai, Pedro começa a tomar gosto pela política. Segue atentamente as discussões que o pai tem com o avô sobre a política salazarista e emociona-se com os discursos de John F. Kennedy, presidente dos Estados Unidos. Teria dito ao pai: "Estou maravilhado com a pose, o tom de voz, a força interior e o entusiasmo do presidente Kennedy".


Pedro sempre mostrou uma tendência especial para a leitura. Apesar de ser um leitor assíduo dos jornais "Diário de Notícias" e a "A Bola", a sua leitura preferida sempre foi o "Diário de Lisboa". Pedro Santana Lopes regressava das aulas a pé para poupar o dinheiro do autocarro e assim poder comprar, na Rotunda do Relógio, um exemplar do jornal. Quando o jornal se viu obrigado a fechar as portas, Pedro, então secretário de Estado da Cultura, escreveu uma carta de pesar. As suas palavras realçam a relevância e a sua contribuição para a formação crítica dos cidadãos portugueses: "ajudou a formar várias gerações e sou testemunha de como sempre soube despertar o interesse e a atenção dos mais jovens, sensibilizando-os para o valor da liberdade e para a importância dos bens do espírito". Sensibilizada com este gesto, a redacção do jornal, que sempre criticou as suas atitudes na pasta com "múltiplas pateadas", retribui-lhe com a seguinte afirmação: "a nota da Redacção impõe-se para significar quanto o gesto do secretário de Estado da Cultura o distingue como homem, governante e como leitor do "Diário de Lisboa". Para Santana Lopes, o nosso último aplauso".

Em 1974, Pedro entra para a faculdade de Direito. Para ajudar a família a enfrentar a crise que se seguiu ao 25 de Abril dá aulas à noite e vende livros do Bloco Cultural.


Pedro destaca-se como líder estudantil. Bom orador, levava ao rubro as assembleias de estudantes. A sua veia política fez-se notar desde logo. Ainda na faculdade, fundou um movimento estudantil MID - Movimento Independente de Direito.

Em Outubro de 1976 decidiu entrar para a política, filiando-se no PSD. Nessa época, o partido vivia uma crise profunda e Pedro dedica-se à vida partidária com paixão e vontade.

No congresso do Porto, em 1978, conhece Sá Carneiro, candidato à presidência do partido. Pedro, solidário com o líder, volta a Lisboa desiludido com a sua derrota.

Esta solidariedade, manifestada em várias oportunidades, iria aproximá-los enquanto Sá Carneiro foi vivo.

Termina a faculdade em 1978, e em 1979 ganha uma bolsa do governo alemão para se especializar em Ciência Política e questões europeias.

Regressado da Alemanha, Pedro é convidado por Sá Carneiro, então primeiro ministro, para ser o seu assessor jurídico.

O jovem e brilhante advogado entra para a vida pública, sendo eleito deputado à Assembleia da República com 24 anos. Entre os seus trabalhos presidiu a Comissão Política da Área Metropolitana de Lisboa.

Em 1985, Pedro foi reeleito deputado por Lisboa e, mais tarde, convidado pelo primeiro ministro Cavaco Silva para assumir a Secretaria de Estado da Presidência do Conselho de Ministros.

Em 1987, integrou o primeiro grupo eleito para o Parlamento Europeu, no topo da sua da lista.

O trabalho que desenvolveu com Cavaco Silva, leva-o a assumir a Secretaria de Estado da Cultura em Janeiro de 1990.

Restaurar o património histórico-cultural degradado, administrar de forma competente os bens culturais e artísticos, vencer a paralisia do teatro, da música e do cinema nacional, estes eram os desafios que aquele jovem de 33 anos iria enfrentar.

O seu trabalho foi notável. Pedro modernizou a Secretaria da Cultura, incentivou a difusão da cultura portuguesa no exterior e atraiu investimentos privados para o sector.

Museus recuperados e conservados, 48 bibliotecas inauguradas, outras 55 com as obras em andamento, centenas de intervenções no património, salas de espectáculos construídas e recuperadas, três novas orquestras, promoção da música, do cinema, do teatro, da dança, da pintura e da fotografia.

Foram feitas obras de restauração em grandes monumentos portugueses que pertencem ao património mundial como o Palácio de Pena, Palácio nacional de Queluz, a Torre de Belém e o Convento de Cristo.

Foi construído o novo Arquivo Nacional da Torre do Tombo, dotado com o que há de mais moderno em matéria de preservação de documentos. Tornou realidade o Centro Cultural de Belém, hoje uma referência nacional e europeia.

Lisboa teve de volta, completamente remodelados, espaços antigos de cultura como o Museu Nacional de Arte Antiga e o Museu do Chiado.

O Teatro Nacional de São João, no Porto, foi comprado pela Secretária de Estado da Cultura e devolvido ao público totalmente restaurado. É das decisões de que mais se orgulha. Todos os governos tinham esse objectivo nos programas, mas foi ele que concretizou o projecto.

O Coliseu de Lisboa, sala do século XIX, foi totalmente reformado. O Politeama foi restaurado. O Parque Mayer, palco das melhores revistas portuguesas, permaneceu aberto, iluminado e bem cuidado.

Entre o Largo do Rato e o Cais Sodré, o projecto "A Sétima Colina", em colaboração com a Câmara, restaurou as fachadas de prédios de grande valor patrimonial, artístico e cultural da cidade.

As verbas para a cultura chegaram a 30 milhões de contos anuais. O número de espectadores de teatro cresceu para meio milhão por ano, e uma média de 37 companhias foram subvencionadas.

Houve um aumento expressivo das verbas destinadas à produção de filmes nacionais. E a memória de Portugal, guardada nas suas primeiras imagens de cinema, estão agora preservadas no Arquivo Nacional de Imagens em Movimento, no Freixial.

Em 1992, quando Lisboa foi a anfitriã do Conselho da Comunidade Européia, Pedro Santana Lopes presidiu ao conselho de ministro de Cultura da Comunidade Européia.

Desde que o Conselho de Ministros da Comunidade Europeia criou o conceito de Capital Europeia da Cultura, nove cidades tinham sido escolhidas: Atenas, Florença, Amsterdão, Berlim, Paris, Glasgow, Dublin e Madrid. Em 1994, Pedro organizou o evento em Lisboa com Jorge Sampaio, um grande momento de afirmação cultural da cidade no contexto europeu e no mundo. Ao todo, foram concretizados 530 projectos, mais de 1.300 representações assistidas por um público de mais de 1 milhão e meio de espectadores.

Nunca se fez tanto pela cultura em Portugal. A arte barroca portuguesa esteve presente nas principais capitais do mundo. Seu trabalho executivo iniciou a retomada da afirmação cultural de Portugal no contexto europeu e internacional.

O amor pelo futebol levou Pedro Santana Lopes a assumir a presidência do clube do seu coração, o Sporting, em 1995, poucos dias antes da equipa conseguir a primeira vitória em muitos anos e ganhar a Taça de Portugal.

Homem da política, homem da vitória, Pedro Santana Lopes assumiu em 1997 um novo desafio: disputar o cargo de Presidente da Câmara da Figueira da Foz.

Pedro Santana Lopes levou para Figueira da Foz o ímpeto empreendedor que havia demonstrado como Secretário de Estado da Cultura.

Em quatro anos transformou o município.

O ensino ganhou mais qualidade. Novas escolas e salas de aula construídas e recuperadas.

O trânsito ganhou mais segurança. Estradas asfaltadas, ruas pavimentadas, iluminadas e urbanizadas, novas avenidas, ciclovias, sinalização e ordenamento.

Mais opções de moradia. Novos fogos construídos.

Mais qualidade de vida. Sistemas de saneamento urbano, redes de água. A cidade ficou mais bonita. Ruas e praças urbanizadas. Novos jardins.

A cidade ganha mais empregos. Infra-estrutura para a instalação de empresas. Um concelho industrial moderno e equipado.

Um turismo com novo encanto: a cidade voltou a ficar na moda com a promoção de eventos desportivos e culturais, espectáculos de música, dança, teatro, concursos artísticos e animação nas praças, praias e jardins.

O património público foi preservado e ampliado com projectos de revitalização e valorização, além de novas aquisições.

Com Pedro Santana Lopes na Presidência da Câmara, o figueirense voltou a ter orgulho de sua cidade, que se transformou num exemplo de administração para os municípios vizinhos. Uma administração de fazer inveja.

O menino cresceu. Fez um trabalho notável pela cultura em Portugal. Uma administração invejável na Figueira da Foz. Afirmou-se como líder nacional. E agora está preparado para fazer muito mais pela sua cidade. Para fazer o que Lisboa precisa."

Como se vê, não só o Presidente da República cometeu um erro crasso como ainda nos negou a possibilidade de desfrutar de um texto similar, adaptado para o Governo, onde nos informassem que o menino Pedro cresceu a devorar os extractos bancários e facturas da electricidade do pai, era muito amigo dos filhos dos contínuos da escola da Dona Alice e gostava muito de política internacional, decorando as listas de embaixadores credenciados publicada pelo Ministério dos Négócios Estrangeiros.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:06 PM | Comentários (3)

DIÁLOGO INTRA-BLOGUÍSTICO

Já agora queria saudar o reaparecimento por estes lados do Francisco Frazão, que nos dá alimento para o espírito sobre "A Vila".
À laia de provocação, e para o fazer escrever mais, queria pedir-lhe que me explicasse uma frase do texto. Esta:

The Village, como todos os grandes filmes, fala-nos (...) sobre o próprio cinema.

A minha dúvida é: em que medida um grande filme tem de nos falar necessariamente de cinema e não, por exemplo, da natureza humana.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:02 PM | Comentários (5)

O PRINCÍPIO DE UMA CRÓNICA É UM MOMENTO EMBARAÇOSO

José António Saraiva, nas suas crónicas intituladas "Política à portuguesa", é quase sempre surpreendente. Quando não o é, revela-se banal.
EPC

P.S. - Será que este parágrafo é uma homenagem ao visado?

Publicado por Jorge Palinhos às 11:52 AM | Comentários (3)

PENSIONISTAS, FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS: AGRADECEI A QUEM VOS CONCEDE TAIS BENESSES!

Publicado por Jorge Palinhos às 10:55 AM | Comentários (2)

HE ALMOST MADE ME CRY

«Em Portugal, ao contrário do que alguns pretendem, a Liberdade comanda a nossa vida» — Pedro Santana Lopes, na sua comovente declaração solene de ontem à noite.

Publicado por José Mário Silva às 10:48 AM | Comentários (3)

ALELUIA, ALELUIA!

Santana Lopes anuncia o milagre da multiplicação dos pães.

P.S. - Quem é que terá escrito esta entrada enciclopédica? Gosto do último parágrafo. Quanto tempo será que aguenta sem "contraditório"?

Publicado por Jorge Palinhos às 10:45 AM | Comentários (6)

A ALDEIA ONDE NÃO SE OUVEM OS AVIÕES

Fazendo de conta que não passei uma série de meses mas sim apenas alguns dias sem escrever para o blogue, há um post entre todos que tenho atrasado: é sobre The Village de M. Night Shyamalan, que o Luis Rainha abominou aqui e o Pedro Mexia ali (e aproveito também a boleia do texto de Augusto M. Seabra hoje no Público).
Este é um filme que convida ao comentário, senão mesmo ao delírio interpretativo. Nada de errado nisso, mas também não é selo de qualidade: Dogville tinha o mesmo efeito (e as semelhanças não acabam aqui). Parece-me evidente que há alegoria, e que é alegoria da América. O mesmo acontecia em Signs, filme-gémeo, basta olhar para ao vermelho-branco-azul que pinta a casa cercada pelos extraterrestres (não estou a inventar nada, está no making of). O que me parece mais problemático é a pressa das conclusões: que o filme é liberal, ou conservador, ou moralista, ou...
A marca de Shyamalan parece estar na ambiguidade (outro texto fala disto na blogosfera, está aqui). Onde podemos ver essa marca, essa assinatura? Uma pista óbvia são os cameos do realizador: em Signs ele é o responsável pela morte da mulher do padre (é o lugar da culpa), em The Village é o mero reflexo de um guarda na fronteira entre os mundos. Há ainda cenas onde o ponto de vista da câmara nos diz mais qualquer coisa: repare-se nos vários planos em Signs com a família a ver televisão (a perspectiva é aí a do aparelho, que dá notícias sobre a invasão), ou aqueles do lado de fora das janelas, que estão a ser entaipadas (o ponto de vista é o da ameaça exterior) - o olho da câmara identifica-se com o extraterrestre, o que se torna claro na tacada final de Joaquin Phoenix, quando a imagem cambaleia e recebe na cara/lente/ecrã a água mortífera (água que é aqui o ponto fraco dos vilões e que em Unbreakable o era do herói... isto complica um bocadinho a moral das histórias).
Não sei se em The Village se faz a apologia da utopia escapista ou se pelo contrário ela é denunciada. Mas acho que a mera figuração de um exterior abre o debate (e o filme é feito de caixas dentro de caixas). Esse exterior é aquilo que normalmente não se vê, é um fora-de-campo heterogéneo à ficção da aldeia e do bosque, que a envolve e protege, que a torna possível: é um espaço de produção, facilmente assimilável ao da produção do próprio filme. Tal como para a verosimilhança da ficção dos Anciãos era preciso que não passassem aviões sobre a aldeia, também para um filme de época é preciso escolher os planos onde isso não acontece. Shyamalan é o guarda da fronteira irónico que explica isso mesmo, escondido atrás de um jornal e de um reflexo. Que efeitos terá o remédio no mundo fechado da aldeia? Curará Julius/Joaquin Phoenix e restaurará a harmonia ou funcionará como um veneno a corroer os fundamentos da utopia? Ou será apenas mais um anacronismo cinematográfico, como os relógios de pulso nos épicos de de Mille? The Village, como todos os grandes filmes, fala-nos (entre outras coisas) sobre o próprio cinema.

Publicado por Francisco Frazão às 01:13 AM | Comentários (6)

outubro 11, 2004

TOTOTOLO (3)

Afinal, a palestra foi ainda pior do que eu supunha. Com uma foto do Papa ao fundo, Santana começou por afirmar - sem que de tal se entendesse a necessidade - que tudo vai bem com a liberdade. Depois, deixou-se embalar pela onda de promessas com que inundou os Açores e veio anunciar que o Eldorado está aí ao virar da próxima esquina: grandes aumentos, reformas de pasmar, IRS a encolher. Acerca das formas de conseguir tais milagres sem ficarmos de novo reduzidos à famosa tanga, nem uma palavra.
Ficaria então assim composta a chave vencedora:
2- Insistência: 10%. Claro que há liberdade aos montes e quem não concorda com tal é um mero fabricante de "ruído" a querer distrair o povo da grande obra santanista.
6- Desafio: 10%. O calhau com gel deixou a Sampaio alguns recados mal disfarçados: que a "concordância" entre órgãos de soberania é fundamental. Que é uma vergonha internacional não a demonstrar, etc.
8- "Deixem-me trabalhar!": 45%. Esta espécie de governo é, como logo notou o pressuroso Miguel Relvas, a chave para o desenvolvimento a curto/médio prazo, mesmo que ninguém explique como ou porquê. E é isto que "quem vive com dificuldades" quer ouvir: mais dinheiro, menos impostos. O resto é o tal "ruído".
10- Assobiar para o lado: 30%. Não há crise nenhuma. Em dois meses, os santanicos do governo conseguiram milagres. Agora, até sabem que "há vida para lá do orçamento". E a insuficiente consolidação orçamental há pouco denunciada por Bagão Félix já não parece constituir um problema.
11- Seppuku: 5%. Fugir para a frente sempre funcionou bem para lemingues e outras bestas com pulsões suicidas. É raro trazer grandes vantagens a governos.
12- Demissão: 0%. Merda.

Publicado por Luis Rainha às 09:54 PM | Comentários (4)

AQUELE QUE ESCREVE POR DENTRO DAS PALAVRAS

Gostava de ter um dia ouvido uma conferência de Derrida (como de Barthes ou de Foucault), os cabelos brancos, a parecença com Peter Falk, a voz que não imagino. Agora, por mais que me esforce, não me consigo lembrar de nenhum "monstro sagrado" cujo pensamento quisesse ver em acto. Não deixa de ser curioso este desejo (agora impossível, quem me mandou não ir a Coimbra) de ver ao vivo o maior crítico dessa transparência da voz, o "fonocentrismo" (desculpem o "ismo") que vê na fala presencial a origem inquestionável de um pensamento sem mediações: daí relegar-se a escrita para uma segunda categoria, um mal menor de que devemos sempre desconfiar porque é cópia imperfeita da voz, porque não sabemos de onde vem; daí que seja mais do que uma coincidência o facto de na base da filosofia ocidental estar o homem que falou apenas, aquele que Platão, um grau afastado da realidade, pôs por escrito (e assim também, na origem do estruturalismo, Saussure, cujos textos partem dos apontamentos dos alunos).
Derrida é um escritor (como Barthes, como Foucault) que mostrou que tudo é escrita, porque de origem incerta, citação sem fonte. É isso mesmo o conceito de "trace" (traço, rasto), ao mesmo tempo inscrição ou incisão e coisa que restou de uma passagem, sinal de morte.
Interessa-me pouco o Sokal, as supostas imposturas intelectuais, a "French theory" como corpo acabado e definido de conceitos e métodos, com os seus Derrida: a Reader e Deconstruction: an Introduction. Derrida (como Barthes, como Foucault) é um escritor que ensina a ler (quer dizer: a escrever, a pensar). Isto porque escreve sempre a partir de dentro (não se pode inventar um exterior da linguagem), num trabalho lento e atento a todas as dobras do discurso, numa vigilância permanente que não está isenta de humor e ironia. Derrida, que eu saiba, nunca escreveu sobre Beckett. É porque são tão parecidos.

Publicado por Francisco Frazão às 07:41 PM | Comentários (14)

COMO BOM TIRANETE, ALBERTO JOÃO NÃO DISPENSA BOBOS DA CORTE

Vem no Bloguítica, mas nem lendo se acredita. Um deputado do PSD, madeirense de origem, acaba de lançar um blogue com o patusco nome de "Os Cães Ladram e a Caravana Passa". O endereço completo do dito cujo, http://blogs.parlamento.pt/flama, esclarece logo duas coisas: o indivíduo usa recursos do Parlamento e define o seu espaço em torno da palavra "Flama". Este segundo ponto confirma-se quando se lê a prosa inaugural: "Visa apresentar os referidos Fragmentos em total Liberdade e Autonomia sem Melindres nem Acrimónia." Linda, esta brincadeira com o acrónimo da Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira, uma organização separatista e terrorista.
Dando uma olhada à foto da criatura, ao recorte literário da sua escrita e ao seu impagável currículo, a certeza confirma-se: estamos na presença de um mero Amanuense Subido Na Oligarquia lá da ilha.
Em suma, um blogue que os amantes do humor involuntário por certo seguirão atentamente.

PS: respondendo às críticas com a elegância que seria de adivinhar, o rapaz dirige a seguinte invectiva a Paulo Gorjão: "Use essa sua criatividade para contribuir com algo de útil ao país respeitando as opiniões dos outros, se for incapaz.....emigre." Pois. Deve ter sido isto que levou a bela peça emigrar para o tal "rectângulo" de que fala o traste da Quinta Vigia. E agora toca-nos o frete de aturar e financiar isto.

Publicado por Luis Rainha às 06:07 PM | Comentários (6)

TOTOTOLO (2)


Pouco depois das 21, lá virá Santana Lopes proferir a sua primeira homília televisiva enquanto suposto primeiro-ministro deste desgraçado país. Agora, está por certo o calhau com gel já a ensaiar a famosa pose do sobrolho carregado e a praticar ao espelho a mirada de carneiro mal morto que toma por olhar penetrante.
Eu até gostava de adivinhar o que vai ele dizer ao povão. Mas temo que a massa de que é feito o encéfalo de Santana seja impenetrável à minha bola de cristal. E, por norma, o comportamento de loucos e néscios é um pouco difícil de prever. Assim sendo, e porque não quero arriscar a minha fama de analista infalível, limito-me a elencar uma dúzia de probabilidades, deixando ao vosso critério a escolha das mais verosímeis.
Estes são os temas que me arrisco a prognosticar como dominantes na "Comunicação ao País" de logo à noite:

1- Acto de Contrição: envergonhado e humilde, Santana pede desculpa pelo comportamento boçal do ministro Silva e ordena à TVI que volte a dar a Marcelo todo o tempo de antena que ele desejar. Os bookies londrinos avaliam esta hipótese como sendo "highly unlikely", pagando as apostas respectivas a 1.229-1.
2- Insistência: o ministro Silva esteve muito bem. E devia até ter logo falado do Pacheco, do Sousa Tavares e de outros cancros que andam por aí envenenar a vulnerável e ingénua opinião pública.
3- Desportivo: o homem só quer falar do preocupante início de época do Sporting. Aproveita para nomear o novo treinador de Alvalade.
4- Sinceridade: "foi o Portas que inventou esta história de atacar o Marcelo! Eu bem que não queria, mas o gajo está sempre a mandar-me calar, que eu não sei o que digo..."
5- Do além: após alguns segundos de tenso silêncio, Santana revira os olhos e começa a espumar pelos cantos da boca. Quando por fim fala, é com uma voz grossa e assustadora. Está em contacto com o espírito de Sá Carneiro, que trata de explicar ao país como o seu suposto protegido nos vai salvar de todos os perigos. Parece estranho mas já tem funcionado em congressos do PSD.
6- Desafio: "Ó Sampaio, mas julgas tu que me metes medo? Ora dissolve lá a Assembleia se és homem! Vá lá, diz-me na cara que me achas uma bosta!"
7- A Cinha: Santana deseja apenas deixar bem claro o seu apoio à ex, empenhada em aturar o José Castelo Branco e o chunga de Marco de Canaveses. Ele apela à AACS para que acabe com aquelas caricaturas ofensivas que o Herman tem feito à Quinta das Celebridades.
8- "Deixem-me trabalhar!": já ensaiada na semana passada, esta linha, gamada a Cavaco, parece pouco "interventiva" para o estilo de Santana. Além do mais, obrigava-o a falar de projectos concretos do governo, coisa que nem sequer existe.
9- Sabotagem: um técnico subversivo, infiltrado por entre os labirintos alaranjados da RTP, troca as voltas ao teleponto, inserindo o texto de um boletim meteorológico da semana passada em lugar do previsto discurso. Só à terceira vez que menciona o anticiclone dos Açores é que Santana dá pela marosca. (O gajo até é menos burro do que parece; leio agora que, para evitar fiascos destes, ele vai gravar a palestra com antecedência...)
10- Assobiar para o lado: Santana perora longamente sobre o Orçamento de Estado para 2005 e faz de conta que não se passa nada. "Marcelo? Não estou bem a ver de que se trata..."
11- Seppuku: concluindo por fim que uma morte honrosa será preferível à vida de vergonha que tem sido a sua, Santana chega aos estúdios de quimono branco e com a conhecida fita lilás na cabeça. Infelizmente, não encontra por lá nenhuma lâmina suficientemente afiada para se esventrar de forma decente. Após algumas tentativas com guarda-chuvas e facas de plástico do refeitório da 5 de Outubro, solta por fim o comentário: "porra, que nem isto consigo fazer sem dar bronca!"
12- Demissão: queriam, não queriam? Mas não vão ter sorte nenhuma.

Publicado por Luis Rainha às 02:32 PM | Comentários (5)

OS FÃS DO CONTRADITÓRIO

Na era Guterres, o Contra-Informação dava, certo como um relógio, depois do telejornal.
Já na era Durão, o Contra-Informação foi transferido para antes do noticiário, uma hora menos nobre mas ainda condigna.
Agora, via jmf, descubro que o mesmo programa passa à hora que calhar e quanto mais tarde melhor.
"Pressões" para quê?

Publicado por Jorge Palinhos às 01:50 PM | Comentários (2)

NOS AÇORES, BACALHAU A PATACO

O festival de populismo Açores-2004 continua em grande. Agora, o nosso suposto primeiro-ministro prometeu aos açorianos que, "um mês depois das eleições", o problema das tarifas aéreas vai estar solucionado, o aeroporto da Horta terá crescido e a dívida do sistema regional de saúde será coisa do passado, esquecida entre bons amigos. E que dizer do bodo aos pobres que será o aumento de pensões e ordenados, seguido de um decréscimo de impostos?
Por seu lado, o grotesco "Paulinho das feiras" regressou ao activo e também anda em tournée pelo arquipélago: graças aos seus esforços, as grávidas voarão para as maternidades de helicóptero, o correio vai lá chegar mais depressa e os mares serão por fim devidamente fiscalizados.
Para não ficar atrás, a ministra do Ensino Superior entendeu juntar-se ao seu colega da Agricultura – nos Açores desde o início da campanha – e mergulhou de cabeça e sem vergonha na orgia de promessas, oferecendo "uma viagem grátis para todos os estudantes açorianos a estudar no continente".
O programa desta quadrilha está resumido na forma como o calhau com gel explicou a promessa de reduzir as tarifas aéreas: "Após a posse do novo presidente, nos 30 dias a seguir ao dia 17, será decidida a solução. Não posso dizer neste momento qual é. Não gosto de vender ilusões nem bacalhau a pataco. Digo o que posso dizer." O cromo nem sabe como irá concretizar tal promessa; apenas sabe que semelhantes minudências serão "decididas" depois da posse do novo presidente do GR!

E este festival abjecto de impudor eleitoralista tem lugar a propósito de um sufrágio regional que, muito provavelmente, até está para eles perdido. Imaginem agora como será aquando das eleições nacionais, quando estiver em jogo a sobrevivência da cambada!

Publicado por Luis Rainha às 01:19 PM | Comentários (2)

OLÁ, PÁ, É SÓ PARA AVISAR QUE MORRI. :-( AQUELE ABRAÇO,

Empresa espanhola proporciona serviço de envio de e-mails post-mortem.

Publicado por Jorge Palinhos às 01:05 PM | Comentários (2)

A MORTE DE DERRIDA, O ABSTRUSO TEÓRICO

Para mim, que pouco ou nada conhecia o pensamento de Jacques Derrida, a melhor evocação que encontrei do recém-falecido filósofo foi a do The New York Times (é necessário registo; reproduzo-a mais à frente para conforto dos leitores).
Provavelmente, até à data da sua morte, o único texto de Derrida que tinha lido era este, sobre este caso (ver também a resposta, logo a seguir; recomendo ainda os textos anteriores e posteriores).
Parece-me evidente que para se aplicar o método da desconstrução a um texto é necessário à partida entender-se correctamente (e não somente de uma forma superficial) o conteúdo do mesmo. Não posso pronunciar-me sobre Derrida, cuja obra não conheço, mas não tenho dúvidas em afirmar que algumas das análises de alguns dos seus seguidores a textos sobre ciências físicas redundaram em completos disparates.
Nesta relação difícil entre filosofia e ciência, a minha posição poderia ser a de alguns cientistas com quem falei, que defendem que Alan Sokal perde tempo tentar comunicar com os filósofos. Não é. A minha ideia é que vale a pena estabelecer esta ponte, mas não há nada como saber-se do que se está a falar.

October 10, 2004
Jacques Derrida, Abstruse Theorist, Dies at 74
By JONATHAN KANDELL

Jacques Derrida, the Algerian-born, French intellectual who became one of the most celebrated and notoriously difficult philosophers of the late 20th century, died Friday at a Paris hospital, the French president's office announced. He was 74.

The cause of death was pancreatic cancer, according to French television, The Associated Press reported.

Mr. Derrida was known as the father of deconstruction, the method of inquiry that asserted that all writing was full of confusion and contradiction, and that the author's intent could not overcome the inherent contradictions of language itself, robbing texts - whether literature, history or philosophy - of truthfulness, absolute meaning and permanence. The concept was eventually applied to the whole gamut of arts and social sciences, including linguistics, anthropology, political science, even architecture.

While he had a huge following - larger in the United States than in Europe - he was the target of as much anger as admiration. For many Americans, in particular, he was the personification of a French school of thinking they felt was undermining many of the traditional standards of classical education, and one they often associated with divisive political causes.

Literary critics broke texts into isolated passages and phrases to find hidden meanings. Advocates of feminism, gay rights, and third-world causes embraced the method as an instrument to reveal the prejudices and inconsistencies of Plato, Aristotle, Shakespeare, Freud and other "dead white male" icons of Western culture. Architects and designers could claim to take a "deconstructionist" approach to buildings by abandoning traditional symmetry and creating zigzaggy, sometimes disquieting spaces. The filmmaker Woody Allen titled one of his movies "Deconstructing Harry," to suggest that his protagonist could best be understood by breaking down and analyzing his neurotic contradictions.

A Code Word for Discourse

Toward the end of the 20th century, deconstruction became a code word of intellectual discourse, much as existentialism and structuralism - two other fashionable, slippery philosophies that also emerged from France after World War II - had been before it. Mr. Derrida and his followers were unwilling - some say unable - to define deconstruction with any precision, so it has remained misunderstood, or interpreted in endlessly contradictory ways.

Typical of Mr. Derrida's murky explanations of his philosophy was a 1993 paper he presented at the Benjamin N. Cardozo School of Law, in New York, which began: "Needless to say, one more time, deconstruction, if there is such a thing, takes place as the experience of the impossible."

Mr. Derrida was a prolific writer, but his 40-plus books on various aspects of deconstruction were no more easily accessible. Even some of their titles - "Of Grammatology," "The Postcard: From Socrates to Freud and Beyond," and "Ulysses Gramophone: Hear Say Yes in Joyce" - could be off-putting to the uninitiated.

"Many otherwise unmalicious people have in fact been guilty of wishing for deconstruction's demise - if only to relieve themselves of the burden of trying to understand it," Mitchell Stephens, a journalism professor at New York University, wrote in a 1994 article in The New York Times Magazine.

Mr. Derrida's credibility was also damaged by a 1987 scandal involving Paul de Man, a Yale University professor who was the most acclaimed exponent of deconstruction in the United States. Four years after Mr. de Man's death, it was revealed that he had contributed numerous pro-Nazi, anti-Semitic articles to a newspaper in Belgium, where he was born, while it was under German occupation during World War II. In defending his dead colleague, Mr. Derrida, a Jew, was understood by some people to be condoning Mr. de Man's anti-Semitism.

A Devoted Following

Nonetheless, during the 1970's and 1980's, Mr. Derrida's writings and lectures gained him a huge following in major American universities - in the end, he proved far more influential in the United States than in France. For young, ambitious professors, his teachings became a springboard to tenure in faculties dominated by senior colleagues and older, shopworn philosophies. For many students, deconstruction was a rite of passage into the world of rebellious intellect.

Jacques Derrida was born on July 15, 1930, in El-Biar, Algeria. His father was a salesman. At age 12, he was expelled from his French school when the rector, adhering to the Vichy government's racial laws, ordered a drastic cut in Jewish enrollment. Even as a teenager, Mr. Derrida (the name is pronounced day-ree-DAH) was a voracious reader whose eclectic interests embraced the philosophers Jean-Jacques Rousseau and Friedrich Nietzsche, Albert Camus, and the poet Paul Valéry.

But he could be an indifferent student. He failed his baccalaureate in his first attempt. He twice failed his entrance exam to the École Normal Supérieure, the traditional cradle of French intellectuals, where he was finally admitted in 1952. There he failed the oral portion of his final exams on his first attempt. After graduation in 1956, he studied briefly at Harvard University. For most of the next 30 years, he taught philosophy and logic at both the University of Paris and the École Normal Supérieure. Yet he did not defend his doctoral dissertation until 1980, when he was 50 years old.

By the early 1960's, Mr. Derrida had made a name for himself as a rising young intellectual in Paris by publishing articles on language and philosophy in leading academic journals. He was especially influenced by the German philosophers, Edmund Husserl and Martin Heidegger. Both were strong critics of traditional metaphysics, a branch of philosophy which explored the basis and perception of reality.

As a lecturer, Mr. Derrida cultivated charisma and mystery. For many years, he declined to be photographed for publication. He cut a dashing, handsome figure at the lectern, with his thick thatch of prematurely white hair, tanned complexion, and well-tailored suits. He peppered his lectures with puns, rhymes and enigmatic pronouncements, like, "Thinking is what we already know that we have not yet begun," or, "Oh my friends, there is no friend..."

Many readers found his prose turgid and baffling, even as aficionados found it illuminating. A single sentence could run for three pages, and a footnote even longer. Sometimes his books were written in "deconstructed" style. For example, "Glas" (1974) offers commentaries on the German philosopher Georg Wilhelm Friedrich Hegel and the French novelist Jean Genet in parallel columns of the book's pages; in between, there is an occasional third column of commentary about the two men's ideas.

"The trouble with reading Mr. Derrida is that there is too much perspiration for too little inspiration," editorialized The Economist in 1992, when Cambridge University awarded the philosopher an honorary degree after a bruising argument among his supporters and critics on the faculty. Elsewhere in Europe, Mr. Derrida's deconstruction philosophy gained earlier and easier acceptance.

Shaking Up a Discipline

Mr. Derrida appeared on the American intellectual landscape at a 1966 conference on the French intellectual movement known as structuralism at Johns Hopkins University, in Baltimore. Its high priest was French anthropologist Claude Lévi-Strauss, who studied societies through their linguistic structure.

Mr. Derrida shocked his American audience by announcing that structuralism was already passé in France, and that Mr. Lévi-Strauss's ideas were too rigid. Instead, Mr. Derrida offered deconstruction as the new, triumphant philosophy.

His presentation fired up young professors who were in search of a new intellectual movement to call their own. In a Los Angeles Times Magazine article in 1991, Mr. Stephens, the journalism professor, wrote: "He gave literature professors a special gift: a chance to confront - not as mere second-rate philosophers, not as mere interpreters of novelists, but as full-fledged explorers in their own right - the most profound paradoxes of Western thought."

"If they really read, if they stared intently enough at the metaphors," he went on, "literature professors, from the comfort of their own easy chairs, could reveal the hollowness of the basic assumptions that lie behind all our writings."

Other critics found it disturbing that obscure academics could presume to denigrate a Sophocles, Voltaire or Tolstoy by seeking out cultural biases and inexact language in their masterpieces. "Literature, the deconstructionists frequently proved, had been written by entirely the wrong people for entirely the wrong reasons," wrote Malcolm Bradbury, a British novelist and professor, in a 1991 article for The New York Times Book Review.

Mr. Derrida's influence was especially strong in the Yale University literature department, where one of his close friends, a Belgian-born professor, Paul de Man, emerged as a leading champion of deconstruction in literary analysis. Mr. de Man had claimed to be a refugee from war-torn Europe, and even left the impression among colleagues that he had joined the Belgian resistance.

But in 1987, four years after Mr. de Man's death, research revealed that he had written over 170 articles in the early 1940's for Le Soir, a Nazi newspaper in Belgium. Some of these articles were openly anti-Semitic, including one that echoed Nazi calls for "a final solution" and seemed to defend the notion of concentration camps.

"A solution to the Jewish problem that aimed at the creation of a Jewish colony isolated from Europe would entail no deplorable consequences for the literary life of the West," wrote Mr. de Man.

The revelations became a major scandal at Yale and other campuses where the late Mr. de Man had been lionized as an intellectual hero. Some former colleagues asserted that the scandal was being used to discredit deconstruction by people who were always hostile to the movement. But Mr. Derrida gave fodder to critics by defending Mr. de Man, and even using literary deconstruction techniques in an attempt to demonstrate that the Belgian scholar's newspaper articles were not really anti-Semitic.

"Borrowing Derrida's logic one could deconstruct Mein Kampf to reveal that [Adolf Hitler] was in conflict with anti-Semitism," scoffed Peter Lennon, in a 1992 article for The Guardian. According to another critic, Mark Lilla, in a 1998 article in The New York Review of Books, Mr. Derrida's contortionist defense of his old friend left "the impression that deconstruction means you never have to say you're sorry."

Almost as devastating for deconstruction and Mr. Derrida was the revelation, also in 1987, that Heidegger, one of his intellectual muses, was a dues-paying member of the Nazi Party from 1933 to 1945. Once again, Mr. Derrida was accused by critics of being irresolute, this time for failing to condemn Heidegger's fascist ideas.

By the late 1980's, Mr. Derrida's intellectual star was on the wane on both sides of the Atlantic. But he continued to commute between France and the United States, where he was paid hefty fees to lecture a few weeks every year at several East Coast universities and the University of California at Irvine.

Lifting a Mysterious Aura

In his early years of intellectual fame, Mr. Derrida was criticized by European leftists for a lack of political commitment - indeed, for espousing a philosophy that attacked the very concept of absolute political certainties. But in the 1980's, he became active in a number of political causes, opposing apartheid, defending Czech dissidents and supporting the rights of North African immigrants in France.

Mr. Derrida also became far more accessible to the media. He sat still for photos and gave interviews that stripped away his formerly mysterious aura to reveal the mundane details of his personal life.

A former Yale student, Amy Ziering Kofman, focused on him in a 2002 documentary, "Derrida," that some reviewers found charming. "With his unruly white hair and hawklike face, Derrida is a compelling presence even when he is merely pondering a question," wrote Kenneth Turan in The Los Angeles Times. "Even his off-the-cuff comments are intriguing, because everything gets serious consideration. And when he is wary, he's never difficult for its own sake but because his philosophical positions make him that way."

Rather than hang around the Left Bank cafés traditionally inhabited by French intellectuals, Mr. Derrida preferred the quiet of Ris-Orangis, a suburb south of Paris, where he lived in a small house with his wife, Marguerite Aucouturier, a psychoanalyst. The couple had two sons, Pierre and Jean. He also had a son, Daniel, with Sylviane Agacinski, a philosophy teacher who later married the French political leader Lionel Jospin.

As a young man, Mr. Derrida confessed, he hoped to become a professional soccer player. And he admitted to being an inveterate viewer of television, watching everything from news to soap operas. "I am critical of what I'm watching," said Mr. Derrida with mock pride. "I deconstruct all the time."

Late in his career, Mr. Derrida was asked, as he had been so often, what deconstruction was. "Why don't you ask a physicist or a mathematician about difficulty?" he replied, frostily, to Dinitia Smith, a Times reporter, in a 1998. "Deconstruction requires work. If deconstruction is so obscure, why are the audiences in my lectures in the thousands? They feel they understand enough to understand more."

Asked later in the same interview to at least define deconstruction, Mr. Derrida said: "It is impossible to respond. I can only do something which will leave me unsatisfied."

Publicado por Filipe Moura às 08:33 AM | Comentários (11)

outubro 10, 2004

NO QUE PENSAM OS BOIS, SENÃO NAS VACAS GORDAS?

Afinal, a retoma já chegou. Aliás, até já entrámos num período de desafogo e prosperidade para todos. Para atingirmos este nirvana, bastou que Santana Lopes e o seu cúmplice do PP se juntassem nos Açores para algumas iniciativas de campanha eleitoral.
O calhau com gel prometeu, ontem à noite, "um aumento para os funcionários públicos, em 2005, acima da taxa da inflação, o aumento das pensões e uma diminuição do IRS", assim como uma "proposta de consolidação da dívida" do governo regional açoriano na área da saúde, poupando essa "dor de cabeça" aos ilhéus (9,5 milhões de euros é o humilde preço desta última promessa eleitoralista).
Ainda precisam de mais explicações sobre isso do "populismo"?

Publicado por Luis Rainha às 03:26 PM | Comentários (7)

MAIS DIA MENOS DIA, SE O PREÇO DO PETRÓLEO CONTINUAR A SUBIR...


Cartoon de Patrick Chappatte

Publicado por José Mário Silva às 12:28 PM | Comentários (2)

O NOVO MARCELO?

Para comentar, logo na primeira página, a crise lamentável em que o governo se deixou atolar, o "Expresso" jogou pelo seguro e escolheu uma figura que dá todas as garantias de ser imune às pressões dos grandes grupos económicos: Belmiro de Azevedo.
E não é que o homem até acerta umas na ferradura, ao proclamar que Santana não diz "nem coisa nova, nem coisa que valha a pena"?

Publicado por Luis Rainha às 10:38 AM | Comentários (5)

ÍDOLOS E PÉS DE BARRO


Sendo eu simplesmente humano (e a custo), sempre tive um respeito instintivo e saudável por essa galeria de titãs que orbita, a grande altitude, em torno do nosso mundinho chão: os "Grandes Vultos". Figuras larger than life, imunes a discordâncias, superiores a qualquer veleidade crítica.
É como olhar para as estátuas que juncam as nossas melhores avenidas e as rotundas mais selectas. Quer se trate do Duque da Terceira, do Imperador Maximiliano ou do sub-visconde da Bobadela, o passante inclina o pescoço para contemplar a postura heróica da entidade lá no alto do pedestal e só consegue tartamudear: "este gajo deve ter feito coisas do caraças!"
Trata-se de um mecanismo de servil admiração que funciona também face a gente que ainda não se viu transmutada em bronze coberto de cocó de pombo. Gente viva, até. A quem lembrará negar o brilho de um Ruy de Carvalho? Quem não reconhecerá a profundidade abissal de Eduardo Lourenço? E a Mariza, não é certo que reencarna mesmo a divina Amália?
Manuel Alegre, para mim, sempre foi um Grande Vulto. Sem dúvida. O Grande Poeta. O Vate, o Bardo, o Resistente, o Baluarte da Esquerda, e mais uma catrefada de qualificativos sobre-humanos.
Verdade é que a sua poesia nunca me agradou por aí além. Mas sempre atribuí esse facto à minha relativa incapacidade para entender algumas subtilezas da arte poética. E não é certo que a "Canção com Lágrimas" tem lá dentro versos dele? (Note-se que a belíssima composição de Adriano até resiste ao "cristal" que se parte "plangente" e aos "mortos amados" que batem não sei aonde.)
Também não fiquei muito impressionado com o desempenho do Poeta na recente corrida à liderança do PS. Então aquelas reclamações acerca da votação no Porto e a subtil sugestão de um excelente nome para candidato a PR, que até podia ser o seu...
Empurrado por estas magnas inquietações, deitei-me hoje a ler um livro de prosas várias de Manuel Alegre, de seu nome "Arte de Marear". Título críptico, capa solene com um compasso em gravura de ar antigo. A encher a contracapa, uma foto do Vate, encarando o leitor com olhos graves e queixo adequadamente apoiado em mão de indicador esticado. Comme il faut.
O pior é mesmo o conteúdo do raio do livro.

Trata-se de uma recolha de textos heterogéneos a propósito de tudo e mais alguma coisa: recordações de infância, apontamentos biográficos, uma entrevista, etc. Nem sei por onde comece.
A hagiografia respeitosa e delicodoce é pródiga na distribuição de mantos diáfanos de prosa acrítica: de Garrett a Amália, todos são despachados com adjectivos grandíloquos que nada mais fazem que confirmar banalidades de manual escolar. As provas do convívio de Alegre com os grandes deste mundo pululam por entre aquelas páginas. As preocupações culturais e artísticas atacam o leitor em catadupa.
Mas, bem acima de todas estas questões, ergue-se uma figura titânica, prometeica, insuperável: o próprio Manuel Alegre. E a cada esquina se torna mais óbvio o imenso interesse que o Bardo dedica ao seu assunto preferido: ele mesmo. Ele resiste; ele é insubmisso; ele é uma personagem de magna importância no curso da História; ele aceita honrarias com um encolher de ombros resignado à grandeza; ele cita pelo menos três Grandes Vultos por página; ele acha a sua poesia "camoniana"; ele compõe parágrafos recheados de lugares-comuns a propósito de qualquer assunto ou personalidade. E, acima do mais, ele é, visceralmente, de Esquerda; quase se pode dizer que ele é a Esquerda! Para que disso não permaneçam dúvidas, trata de proclamar tal paixão com as cornetas do costume: truísmos, verborreia pomposa, mais banalidades. À laia de exemplo, os "novos bárbaros" que apenas entendem uma tal de "fria linguagem do cifrão" levam bordoada da grossa. Tal como levou a minha resistência ao tédio.

Se calhar, até estou a ser injusto. Pode ser que este opúsculo tenha sido composto em hora aziaga. Se calhar, andam por aí obras com a mesma assinatura e méritos bem superiores. Não acredito que alguém capaz de conceber tal objecto possa ter ascendido ao panteão da unanimidade quase generalizada sem mais aquelas. Alguma coisa "do caraças" – em termos artísticos – o homem deve ter feito. Quem me ajuda a descobri-la?

Publicado por Luis Rainha às 12:15 AM | Comentários (13)

outubro 09, 2004

«SEMPRE ESTA GIRÂNDOLA ABSURDA»

Eu sei que há uma certa redundância no que vou dizer, mas ainda assim chamo a atenção dos mais distraídos: a crónica publicada pelo Pedro Mexia na «Grande Reportagem», hoje, é simplesmente magnífica.

Publicado por José Mário Silva às 06:14 PM | Comentários (7)

UM EMPATE COM SABOR A VITÓRIA (PARA KERRY)

No debate de ontem à noite, cheio de picardias e atropelos deselegantes, os dois candidatos à presidência dos EUA acabaram por se anular. Mas quem tinha que recuperar fôlego, nesta fase, era Bush — sobretudo depois de um primeiro debate em que saiu claramente a perder. Por isso, com as sondagens cada vez mais equilibradas e beneficiando do seu ímpeto de sprinter (toda a gente lhe reconhece um talento natural para vencer em cima da meta), Kerry começa a alimentar legítimas esperanças de expulsar George W. da Casa Branca, a 2 de Novembro.
Estamos a fazer figas, John.

Publicado por José Mário Silva às 05:58 PM | Comentários (1)

DICIONÁRIO DO FUTURO

Um grupo de escritores americanos decidiu fazer um Dicionário Futuro da América, onde compilam o que pensam irá ser o vocabulário americano após mais uma dose de Bush jr.. Alguns exemplos que achei deliciosos:

Blasphuck - (v.) to screw in a consecrated place. (...)
Peter Orner

Bush - (n.) a poisonous family of shrubs, now extinct.
Paul Auster

Environment - (n.) a confused mass of biota, rocky places, open plains, and ditches filled variously with water, muck and blood, with the potential of being converted into strip mines, strip malls and strip clubs. (...)
TC Boyle

Humanofuel - (n.) a source of energy, supplied by human beings. An overweight but exceedingly clever scientist at Ohio University by the name of Max Odzer discovered humanofuel in 2012. During the obesity plague of 2011, which struck the entire Midwest, Max, like countless others, was legally forced to go to a gym by the government. It was while running on a treadmill that Max realised there was untapped potential in all this exercising. He then created the Odzer-Generator, which was attached to gyms all over America and soon all over the world. While people exercised on treadmills, bicycles and other strange devices, the Odzer-Generator took this wind-and-water-millesque energy and converted it into a form of power, dubbed humanofuel, which then provided electrical and heating energy to the surrounding neighbourhoods for each gym and charged batteries for electrical cars. The world, almost overnight, became a better place - people were fit, pollution and global warming were eradicated, sportswear stocks skyrocketed, and everyone, by exercising, was being a good citizen. Max was awarded a Nobel prize and his waistline went from a 54 to a 32.
Jonathan Ames

Pubic transportation - (n.) the system of conveyances first instituted in 2013 by California Governor Angelina Jolie to discourage the use of private vehicles by offering free nude electric trolley service throughout greater Los Angeles. First known as "Jolie-rollers", the system soon expanded to include our national aut-Buss network and eventually, intercontinental biplanes.
art spiegelman

Voting - (n.) a right, and, um, a responsibility.
Elizabeth Crane

Gostei tanto, aliás, que gostava de propor à blogosfera um dicionário de Santanês. Algo do género:

governo - (n.) Empresa de marketing pessoal e recursos humanos destinada a colocar nos cargos mais elevados as pessoas com melhores qualidades de relacionamento com o director da mesma empresa.

Democracia - (n.) Sistema político em que o supremo representante da nação ignora a maioria que o elegeu para designar o poder executivo de forma a manter o statu quo o mais intransigentemente possível.

contraditório - (n.) 1) Aquilo que não faz sentido mas passa a fazer após uma central de informação ter tomado medidas quanto ao assunto; 2) Direito do Estado de ter um representante junto de cada indivíduo (anónimo ou não) que faça críticas manifestamente infundamentadas a esse mesmo Estado.

Liberdade de expressão - (f. idiom.) 1) Direito humano fundamental e inalienável de cada ser humano elogiar o seu governo num directo televisivo; 2) Direito de grupos colectivos conhecidos por "massas populares" de mostrarem indignação e pedirem o regresso da PIDE e de Salazar quando há um jornalista por perto.

Decisão firme - (f. idiom.) Escolha tomada uma alta entidade executiva que pode ser contradita pelos seus subalternos sem que tal implique descoordenação, insubordinação ou inoperância por parte da dita entidade.

Mais sugestões?

Publicado por Jorge Palinhos às 01:50 PM | Comentários (0)

A VIDA SECRETA DO CÉREBRO

Cientista descobre que não pensar também é pensar. Ou, por outras palavras, que o mundo está dentro de nós.
Humm, pois, leiam isto que já percebem.

The eye takes in an image and the brain processes the image, but 80 percent of the activity may be a representation of the world replicated inside the ferret’s brain.

(Isto, claro, nos seres humanos que têm o cérebro parecido com o de uma doninha.)

Publicado por Jorge Palinhos às 01:05 PM | Comentários (3)

NA SENDA DO E-GOVERNMENT

Este post.

Publicado por Jorge Palinhos às 01:02 PM | Comentários (0)

15 FORA

Eu até estava com algumas esperanças em relação às eleições afegãs. Mas agora sabe-se que todos candidatos menos o governante designado pelos EUA vão boicotar as eleições, que acusam de fraudulentas. Enfim...

Publicado por Jorge Palinhos às 12:59 PM | Comentários (1)

QUEM É QUEM

O assessor do PM Mário Miranda Duarte, pelo menos assim nos asseguram de quatro capitais (se alguém desejar o exercício do contraditório em Notas Verbais, se faz favor use! ) contactou todos os embaixadores portugueses nas capitais da União Europeia no sentido de apurar se em cada um dos países há um programa como o que Marcelo Rebelo de Sousa manteve na TVI, ou seja - um comentário político sem estar sujeito, em tempo útil, a escrutínio de políticos ou partidos visados. (...) Esta iniciativa foi considerada escandalosa e despropositada para as suas funções pela maioria esmagadora dos Embaixadores, os quais lá foram adiantando dados sobre cada realidade televisiva local.
Notas Verbais (via Abrupto)

Alguém me sabe esclarecer se isto é um governo que tem uma central de comunicação ou se é uma central de comunicação com um apêndice que tenta passar por governo? Obrigado.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:14 PM | Comentários (3)

OITO E BASTA

Ups, o meu último texto surgiu oito vezes. A culpa foi do servidor que, sempre que eu clicava em post dava página de erro. Acabei por desistir, sem reparar que afinal a postagem tinha sido bem sucedida. Felizmente há colegas atentos que me pouparam embaraços. Já agora o servidor era do Sapo, que pertence à PT, de que é accionista privilegiado o governo. Acham que teve alguma coisa a ver?

Publicado por Jorge Palinhos às 12:10 PM | Comentários (3)

QUE MAIS QUEREM?

Embora possivelmente por linhas tortas está relançado o debate sobre a independência dos media.
Se existe porém estação de televisão acima de qualquer suspeita, quanto a matéria de pluralismo informativo, é sem dúvida a TVI.
O pluralismo está garantido nos seus serviços noticiosos independentes e despolitizados.
Tanto nos informam de uma catástrofe no Peru como de um acidente no dedo do pé de um concorrente do Big Brother ou da última modinha editada por uma qualquer diva da pop.
Há dois dias zapei por um serviço noticioso desse canal e fiquei tranquilo porque verifiquei que a corência dessa imagem de marca se mantém: a uma notícia sobre uma orquestra de presos na tailândia que usa copos mais ou menos cheios (de água, claro) como instrumentos, seguiu-se outra sobre uma fêmea de orangotango japonesa (vive num jardim zoológico nipónico) que faz a lida da jaula como qualquer doméstica portuguesa.
Para evitar mais polémicas e no afã de melhorar ainda mais este serviço público, Pais do Amaral como bom gestor, identificou o problema (aspectos a melhorar no que diz respeito ao "contraditório") e arranjou soluções que prometeu transmitir ao Moniz logo que se proporcione. Este, como se sabe, é um profissional eficiente que em matérias de pluralismo informativo nos permite recordar aquela frase do Presidente Mao na missiva que nomeava como seu sucessor o querido camarada Hua Guo Fen: "Sinto-me tranquilo quando os assuntos estão nas tuas mãos".
Apesar de tranquilíssimo, não evito já aquela excitação para ver a peça sobre os prisioneiros escoceses que fazem dos kilts espanta espíritos pendurando-lhes búzios que as prisioneiras da colónia penal vizinha recolhem nas praias ou a do chimpazé americano que faz tapetes de arraiolos e joga golfe.
Quem disse que são precisos computadores para se viver na realidade virtual?

Publicado por tchernignobyl às 10:18 AM | Comentários (2)

QUANDO EU FUI CENSURADO POR CAUSA DE SANTANA LOPES

Um aviso prévio: este caso é apenas um fait divers de ínfimas proporções e não possui qualquer relevância. Apenas o trago à luz do dia pelo seu possível entertainment value e para demonstrar que a minha embirração com Santana Lopes já vem de longe.
Posto isto, aqui vai. Há uns anos, a Gradiva encomendou-me a feitura de um pequeno livro sobre as Noites de Lisboa (por motivos desagradáveis que agora não vêm a propósito, acabou por ser editado noutras paragens). Uma das casas que foi atribuída à tribo dos Intelectuais foi a Ler Devagar. Aqui, o Jorge Mateus inventou a ilustração, o Paulo Caetano redigiu a reportagem e eu fiquei com o encargo de escrever uma mini-ficção que tivesse como cenário esta belíssima livraria e se conformasse ao modelo das restantes histórias do capítulo: apresentar um texto apócrifo, supostamente de autor famoso, encontrado no estaminé em apreço. O resultado foi uma coisa parecida com isto:


"O delicioso trecho que se segue não saiu da pena de um escritor. É antes da lavra de um dos nossos mais reputados oradores políticos: o distinto Dr. S. Lopes.
Este texto foi escrito num pequeno guardanapo de papel, e é, aparentemente, uma missiva amorosa, tendo por destinatária uma moçoila que se encontrava no mesmo estabelecimento recreativo que o Dr. Lopes.

'Estou aqui na mesa do fundo a topar-te á(1) montes de tempo. Estou de óculos escuros para estes jornalistas todos não me reconhecerem; mas se custumas(1) ver TV ou ler a Maria(2), sabes quem eu sou...
Já me reconheceste?
Eu sei que te parece bom demais para ser verdade que tenha reparado em ti. Mas estou mesmo a curtir-te(3), miúda!
És linda como uma sinfonia de Chopin, perfeitinha como um soneto de Heminguai(4). Está escrito nos astros: vais ser a minha 1ª dama!
E não acredites nas calúnias; sou um homem sério e profundo. Contigo, podes ter a certesa(1) que levava o meu mandato até ao fim!
Bute comigo prá Kapital(5)?'

Sujeitar um texto deste cariz a uma análise fria pode parecer sacrílego; mas torna-se imperioso esclarecer alguns pontos:
(1) A presença de erros ortográficos é por certo uma sibilina estratégia para evocar o ardor romântico do momento.
(2) A Maria a que se refere o Dr. Lopes permanece um mistério; será uma referência a uma escritora - talvez até uma das famosas 'Três Marias' - que ali estivesse presente?
(3) O uso do verbo 'curtir' assume aqui um significado menos comum, mas sufragado pelos bons dicionários: 'ter em si'. E eis como uma palavra rude ganha tons poéticos!
(4) A comparação da pessoa desejada com objectos míticos e inexistentes é um recurso clássico.
(5) Uma frase de complexa decifração; sendo 'bute' uma 'bota grosseira', estaria o Dr. Lopes a convidar a sua amada para um longo passeio a pé pela capital, Lisboa?"


Ora aconteceu depois que decidi pedir um apoiozinho, um modesto subsídio, à Câmara de Lisboa. Tudo bem; que davam, sim, mas com uma condição: este arremedo de conto teria de ser eliminado. A CML não queria aparecer como patrocinadora de um ataque desbragado a alguém que já se auto-declarara candidato à sua presidência... Lá engoli o meu orgulho artístico e troquei este texto por outro com (ainda) menos graça.
Isto da censura municipal tem, por vezes, aspectos ainda mais bizarros que os denunciados pelo Jorge. Neste caso, a vereação não quis ofender... o inimigo.

Publicado por Luis Rainha às 12:30 AM | Comentários (6)

outubro 08, 2004

JOSÉ EDUARDO MONIZ QUASE QUE SE DEMITIU DA TVI

No último minuto, porém, ficou.
Ou ficou-se.
É quase a mesma coisa.
[Aguardam-se as cenas dos próximos capítulos.]

Publicado por José Mário Silva às 09:09 PM | Comentários (6)

A ARMA DO CRIME

Eis o misterioso utensílio que John Kerry levou para o debate televisivo com George W. Bush, na semana passada. Vejam bem. Reparem na forma. Olhem mais de perto, se preciso for. Sim, é mesmo uma caneta preta. Uma coisa com tinta lá dentro. Um objecto que escreve. Só falta apurar se se trata de uma Parker ou de uma francesa MontBlanc (os democratas são capazes de tudo), mas lá chegaremos.
E digo-vos mais: ao contrário do que alguns recentes mea culpa deixam entender, esta imagem acaba por justificar a gritaria indignada de muitos bloggers da prestimosa direita americana. A verdade é que houve, para todos os efeitos, uma violação das regras do debate (a famosa norma: «No props, notes, charts, diagrams, or other writings or other tangible things may be brought into the debate by either candidate»). Porque uma caneta preta, como toda a gente sabe, é uma coisa tangível. E é com coisas tangíveis destas que os democratas, à socapa, querem regressar a Washington. Uma vergonha! Um ultraje! Um escândalo!
Além disso, vocês, os leitores esquerdistas deste blogue assanhadamente anti-Bush, já deviam saber que não é suposto que o futuro presidente dos EUA saiba escrever (para quê?), mas antes que saiba ouvir o que outros escrevem por ele.

Publicado por José Mário Silva às 07:37 PM | Comentários (3)

OU TERÁ SIDO KERRY?

Isto é que é uma campanha divertida. Vários blogues de direita, nos EUA, lançaram o alerta: Kerry terá levado para o primeiro debate uma cábula. Por ironia, foi preciso analisar as imagens da Fox News para descobrir que o objecto misterioso era... uma caneta.

Publicado por Luis Rainha às 06:42 PM | Comentários (0)

TERÁ BUSH FEITO BATOTA NO PRIMEIRO?


É a história do momento, a correr por blogues e artigos vários: George Bush terá usado um dispositivo para receber "dicas" do exterior. A ser verdade, anda o mundo a ser governado por uma espécie de fantoche dos Marretas (sem desprimor para os ditos cujos). Só que sem grande piada.

Publicado por Luis Rainha às 06:33 PM | Comentários (3)

VEM AÍ O SEGUNDO ROUND

Enquanto fontes como esta confirmam a tendência presente a favor de Kerry, os candidatos preparam-se para o segundo debate, mais logo à noite. Que ganhe o melhor (ou, por outras palavras, que perca o monkey boy).

Publicado por Luis Rainha às 05:45 PM | Comentários (5)

JÁ DESCOBRI O QUE É O TAL "CONTRADITÓRIO"!

O misterioso ingrediente que, segundo os laranjinhas, tanta falta fazia ao espaço televisivo de Marcelo é, afinal, algo comum em muitos outros meios de comunicação.
Então, não é bom de ver que, quando é preciso contradizer a evidência, teimar com o óbvio e desdizer o incontestável, só há mesmo um recurso sempre à mão?


Publicado por Luis Rainha às 03:17 PM | Comentários (1)

DISGRACE UNDER PRESSURE

Todos vimos a lamentável conferência de imprensa que nosso suposto primeiro-ministro deu ontem. Nervoso, ríspido, inconclusivo, agressivo, impaciente. Onde andará o charmeur melífluo que encantava plateias nos congressos do PSD?
Santana não tem, claramente, arcaboiço para tais funções. Falta-lhe sangue-frio e rapidez de raciocínio para enfrentar momentos de crise. Carece de capacidade para se confrontar com pontos de vista que não o tomem pelo centro do universo. É incapaz de lobrigar na sua pessoa qualquer debilidade.
Assim, sentindo-se perenemente tocado por uma infalível baraka de proveniência ignota, o calhau com gel dispensa gastar horas com enfadonhos dossiers; algo lhe há-de ocorrer no momento, a inspiração por certo que não o vai abandonar. Não tem de trocar ideias com ninguém, nem sequer com os seus ministros; o bom repentista desenrasca-se sozinho.
O resultado tem estado cruelmente à vista de todos: palhaçadas embaraçosas como as declarações sobre o encerramento da refinaria de Leça, desmentidos ministeriais vários a propósito de cada improviso do chefe.
O modelo até ia dando para as encomendas enquanto se tratava de perorar sobre futebol ou ocorrências autárquicas. Mas a coisa fia mais fino quando há que mostrar ideias, coerência, profundidade. Nestes dias de desgoverno, a atenção impiedosa da opinião pública tem bastado para revelar à saciedade a absoluta impreparação e falta de inteligência do homem.
É isto que a esquerda receia, ao ponto de ter andado muita gente apreensiva, há uns meses, com a possibilidade de eleições antecipadas?
Lembro-me de um desabafo recente de João Soares a propósito do então seu rival: "o gajo parece que tem mel!". Pois é: ao longe, parece mel e cheira a mel. Visto de perto, é apenas um melaço ordinário e intragável.

Publicado por Luis Rainha às 03:10 PM | Comentários (2)

PROJECTO DE DECRETO-LEI

Fica, a partir da exaração deste diploma, proibido o exercício da livre opinião em canais televisivos vistos por mais de 12 espectadores, sem que alguém de opinião contrária seja chamado a dar o seu parecer sobre cada assunto abordado. Isentos do âmbito da presente lei ficarão todos os comentadores políticos que se chamem "Luís Delgado".

Publicado por Luis Rainha às 03:07 PM | Comentários (3)

O BLOG E A LIBERDADE

O Miguel Sousa Tavares, que cada vez mais parece querer candidatar-se a um lugarzinho n'A Blasfémia, escreve hoje sobre a liberdade e como os portugueses "não gostam de liberdade" e como o 26 de Abril "não criou liberdade" mas sim "hipocrisia".
MST fala só pela realidade que conhece, que é a lisboeta, mas desconfio que se olhasse para lá dos limites da CREL provavelmente emigraria imediatamente.
É que se a nível nacional a imprensa é dominada por cinco ou seis grupos, a nível local é controlada por um: a autarquia local.
Invariavelmente, o pasquim da terra (designado de: Notícias de [terreola], Voz de [terreola], Jornal de [terreola]) é sustentado pelas câmaras municipais e juntas de freguesia, que o utilizam para seu exclusivo meio de propaganda.
Segundo uma investigação de um amigo meu, só nas zonas mais industrializadas é possível existirem outros meios noticiosos, sustentados pela iniciativa privada, e quase sempre alinhados com a oposição.
Só uma terceira força dispõe também de meios noticiosos: a Igreja Católica, mas esta apenas tem impacto nas zonas rurais, onde apoia incondicionalmente os partidos de direita, que à partida controlam já as autarquias.
Se o 25 de Abril acabou com o salazarismo, não impediu que por essas vilas fora continuem a imperar pequenos salazares, do qual o Alberto João Jardim é apenas um exemplo hiper-mediatizado.
Um exemplo é que hoje, o editorial do Público lembra que o primeiro a tentar calar os críticos foi Rui Rio, incomodado com a liberdade de opinião do suplemento local desse jornal.

Outro exemplo é este:

"Câmara não apoia insulto

O autor do livro “O Grito da Alma” foi esta semana à Câmara Municipal de Leiria chamar mentiroso ao vereador responsável pelo pelouro da cultura, Vítor Lourenço. A acusação foi feita em plena reunião do executivo camarário, local escolhido por António Anjos Fernandes, para questionar o vereador face à sua decisão de retirar o prometido apoio ao livro.
Recorde-se que em Junho deste ano o nosso jornal deu conta do apoio a uma edição de um livro em que o autor, com o pseudónimo de “O Marginal”, chamava “asno” e “incultivável” ao vereador da Cultura e vice-presidente da autarquia, Vítor Lourenço. A própria presidente da autarquia, Isabel Damasceno, participou no lançamento de “O Grito da Alma”, por essa altura.
A verdade é que Vítor Lourenço, em Março deste ano, aprovara a aquisição de 100 exemplares, “uma forma de estimular o trabalho dos autores locais”. Em Agosto, a autarquia volta atrás e retira esse mesmo apoio.
O vereador alega que no manuscrito que lhe teria sido dado a ver inicialmente não constava o famoso poema que lhe era expressamente dedicado. "

Região de Leiria

O que esta notícia diz é o seguinte: a câmara aprovou o apoio à edição de um livro (mesmo que o livro pareça ser bastante mau: "O grito da alma"?) e depois retira esse apoio, pela simples razão que um poema desse livro critica um autarca!!!
Isto acontece num dos concelhos mais desenvolvidos do país, cuja presidente da câmara chegou a ser vice de Marcelo Rebelo de Sousa, no tempo em que este liderava o PSD.

Outro exemplo, mais ao lado, está aqui, em que, aparentemente, o presidente da câmara de Pombal tomou medidas para encerrar um blog que se estava a tornar incómodo para a autarquia. Encerrar um blog - algo que nem ao "Muito Mentiroso" conseguiram fazer. Felizmente que outros blogs surgiram entretanto.
O nosso senhorio, Paulo Querido, fez há tempos um artigo sobre o impacto dos blogs ao nível do poder regional. Quem sabe se não serão estes os responsáveis por começar a levar o 25 de Abril, se não ao país profundo, pelo menos ao país real.

P.S. - Aconselha-se a leitura da nova rubrica do Inimigo Público, Forrar o Caixote. Acreditem que aqueles periódicos existem mesmo e são mais que muitos.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:20 PM | Comentários (13)

POLÍTICA PSICOTRÓPICA (2)

Alberto João juntou-se ao coro bem afinado dos indignados que não entendem a razão de tanto alarido em torno da renúncia de um simples comentador televisivo. (Verdade seja dita, que figuras como Marques Mendes, durante anos o mentor dos alinhamentos noticiosos da RTP, adiram ao tal "alarido", também tem o seu quê a hipocrisia utilitária...)
Diz ele que Portugal é um país "esquisito", precisamente por se dar tanta atenção a um caso de flagrante interferência (ministerial e sabe-se lá mais o quê) na vida dos meios de comunicação.
Claro que, ao ogre funchalense, tudo isto parece coisa do outro mundo. Então se ele já há anos silencia jornalistas, corta publicidade governamental a jornais incómodos, ameaça outros com a expropriação iminente, critica a independência dos media continentais e até se dá ao luxo de processar um partido por não gostar dos seus tempos de antena... se ele sempre fez tudo isto sem qualquer impedimento, porque não haveria o calhau com gel de gozar das mesmas prerrogativas?

Publicado por Luis Rainha às 01:25 PM | Comentários (0)

AS ESCADAS DO PODER


«Ascending and Descending», M. C. Escher

Publicado por José Mário Silva às 01:22 PM | Comentários (1)

E AGORA, SE ME PERMITEM, UMA PEQUENA PRECIOSIDADE

É o poema — mais um, espantoso — que José Carlos Barros oferece aos leitores da blogosfera, no seu ameno lugar a sul:

[Da manhã]

E no entanto
às vezes as mulheres riscavam os alicerces
dispondo os púcaros na mesa.
E se afastavam as mãos por um instante do fogo
a humidade entrava nas divisórias
dos quartos.
E sabiam que se adormecessem
ou movessem os ramos da oliveira
um relâmpago cortaria em metades
os meses.
E por isso se estendiam de memória no arame das vinhas
até que o rumor dos bosques iluminados pelas aves
batesse nas paredes da casa
e amanhecesse.

E no entanto
às vezes as mulheres enchiam os cântaros
com o lume evaporado das presas.
E as crianças calavam-se à entrada dos astros
a olhar a nuvem de silêncio
poisada nos tanques.
E então anoitecia como se a sombra não tivesse peso
e as candeias trouxessem ao pátio
a pausada respiração dos fenos.

E no entanto
às vezes as mulheres saíam durante a noite
e recolhiam nos lenços
as primeiras sementes
aladas
do ácer.
E atavam aos fios de lã humedecidos nas pontas
as suas vagarosas hélices
puxando-as para o centro dos rastilhos
acesos.
E só então o rumor dos bosques iluminados pelas aves
batia nas paredes da casa
e amanhecia.

Publicado por José Mário Silva às 01:15 PM | Comentários (0)

POLÍTICA PSICOTRÓPICA (1)

O PP não entende porque é que o PR se imiscui, com a convocatória a Marcelo, no que não passa de um problema laboral entre um trabalhador e a sua entidade patronal. Tal como não entenderam como é que alguém achou estranho que se mobilizassem canhoneiras para vigiar um barco com meia-dúzia de senhoras lá dentro. Tal como se abespinharam com as críticas à transformação da Caixa Geral em luxuoso depósito de monos incómodos.
Depois das reclamações acéfalas do pseudo-ministro Silva, depois de se saber que o governo andava a preparar, recorrendo a estruturas do Estado, uma ofensiva contra Marcelo, quem conseguirá evitar rir-se desta postura?
Ao afirmarem o seu desconforto com o "insólito" da atitude de Sampaio, as criaturas do PP estão simplesmente a reafirmar o desprezo que sentem pela inteligência do seu eleitorado. Revelando-se-se como uma clique alucinada que julga que pode decretar que o Sol, afinal, até nasce a Norte.

Publicado por Luis Rainha às 12:19 PM | Comentários (0)

INTERROGAÇÃO

Não parece um pouco exagerado este frenesi à volta do professor quando ele apenas se limitou - muito ao jeito do político experimentado que é - a "sugerir" algo que não sabemos exactamente como se passou?
Não estaremos a ser vítimas de um jogo de ilusionismo?
O "Professor" já veio a público confirmar (ou negar) com clareza, preto no branco, quem é que o censurou, e censurou o quê?
Se o problema dele é combater a censura, porquê manter-se em silêncio, particularmente tratando-se de uma figura com o seu estatuto?
O comentário do Ministro é uma afirmação que saiu naturalmente, sem qualquer "mal" especial, deriva da arrogância do actual grupo no poder tranquilo na sua inquebrantável unanimidade em torno do pensamento único exceptuando a esporádica emergência de uns fantasmagóricos e invertebrados "sectores descontentes" do PSD,
uma arrogância que não vem de agora e que não tem perturbado nem o "censurado" nem muitos dos que agora se "inquietam" com esta situação que de resto muitos deles contribuiram para alimentar.
Mas isto não implica uma relação de causa e efeito.
Como todos sabem, a maior parte das "pressões" nem decorrem de afirmações públicas de responsáveis políticos.
Essas "pressões " decorrem de telefonemas discretos, etc...
Impõe-se portanto em primeiro lugar que o professor diga claramente se foi ou não alvo de tentativa de censura.
E então podemos manifestar-lhe solidariedade nessa matéria.
Mesmo aquela solidariedade que ele e outros negaram quando um outro político, Ferro Rodrigues foi vítima de uma campanha claramente pidesca à vista de toda a gente e sem margem para ambiguidades.
De outro modo poderemos estar, mais uma vez, a reboque de jogos politicos pouco claros, a fazer figura de parvos em suma.
(uma notazinha: no meio disto, a convocatória do Presidente da República é de um ridículo chocante. Estará Jorge Sampaio, o Presidente em quem eu votei assim empenhado em transformar-se num estandarte do pimba?)

Publicado por tchernignobyl às 10:53 AM | Comentários (10)

OUTONO MARCELISTA

E as folhas caem, caem, caem. E a árvore governamental fica cada vez mais nua.

Publicado por José Mário Silva às 10:46 AM | Comentários (2)

COM SANTANA EM TODAS AS HORAS

Os censores de serviço

(...) Então não é que os censores de serviço de anteriores encarnações políticas, tanto no PSD de Cavaco, como no PS de Guterres, e que zelavam febrilmente pelo alinhamentos dos telejornais, e colocavam incompetentes descarados em tudo o que era orgão de comunicação, estão agora preocupados com a situação de Marcelo Rebelo de Sousa? E com a liberdade de expressão? E com empresas privadas e grupos de comunicação?
Eles têm lata, muita, e nunca a perderão. Uns pela sua natureza conspirativa, que só se ergue e reaparece para ganhar uma quota de mercado contra os seus próprios partidos – porque é que são militantes? – e outros, mais no caso patológico de Arons de Carvalho, que nunca ninguém percebeu, nem perceberá, tal o brilhantismo que inspira, como é que alguma vez chegou a deputado, com que qualificações, e por que carga de água. (A propósito, dr. Arons: vá dar uma volta, mas faço-o com alguma consistência. É este o novo PS de Sócrates, com estas figuras que se deviam esconder, tal foi o mal e a trapalhada que fizeram nas áreas que tutelaram?) Será que um Pacheco ou um Arons, quando dizem o que disseram, nunca perceberam que estão a ofender e a qualificar de mentecaptos e incapazes, centenas e centenas de jornalistas, que afinal se deixariam manipular, pressionar e vergar às ordens de um qualquer administrador ou director? (...)
Tão estúpido seria este Governo, e este PM, que num dia mandava um ministro dizer uma coisa, e no dia seguinte pressionava uma demissão. Era preciso ser «burro», convenhamos. E isso não é uma característica deste PM, mas sim de alguns que agora vociferam contra ele.

Quem escreveu estas linhas direitas? Alguém ainda duvida de que foi ele?

Publicado por Filipe Moura às 09:37 AM | Comentários (0)

SUBSTITUTO DE MARCELO

...enquanto analista político, pelo menos: Paulo Querido. Não encontrei melhor análise política do "caso Marcelo Rebelo de Sousa" e suas implicações na política nacional. TVI, contratem este homem.

"Depois de quatro anos e meio a pregar, bastaram um ministro desbocado e 72 horas de febre pública para MRS passar da reserva do PSD para figura central da política portuguesa. Tiro-lhe o chapéu.

Não é dispiciendo analisar a esta luz a chamada a Belém por parte de Jorge Sampaio. Que além de contas para pagar a MRS (aquilo do conselho de Estado) tem outra coisa: como sucessor prefere-o seguramente a que Cavaco, que faria muito mais mossa a um futuro governo socialista do que o dialogante e liberal e centrão MRS."

"Há merda com um ministro? As redacções chamam Pacheco Pereira ou parecido para uma primeira reacção. E no domingo seguinte MRS lá está (estava) a comentar. É preciso encher as cadeiras de um debate? Louçã ou Rosas funcionam bem em televisão e dão o melhor troco aos Dias Loureiros e àqueles jovens engravatados do PP que querem parecer a todo o custo mais velhos do que são e usam aqueles fatos inenarráveis."

"Com um bocado de sorte, argoladas ministeriais deste calibre e beneficiando do desarranjo intestinal que as presidenciais causarão à direita, Sócrates pode ser Primeiro Ministro dentro de dois anos."

Publicado por Filipe Moura às 09:33 AM | Comentários (1)

outubro 07, 2004

PARABÉNS, ELFRIEDE JELINEK

O Nobel fica-lhe bem.

Publicado por José Mário Silva às 11:54 PM | Comentários (5)

O FESTIM ANTROPOFÁGICO

Respondendo às perguntas dos jornalistas, há pouco mais de 10 minutos, Santana Lopes não evitou os mais eloquentes sinais de embaraço, quando confrontado com o affaire Marcelo. Ou seja, o que começou por ser um simples tiro no pé, ameaça transformar-se agora numa ameaçadora gangrena política, de consequências imprevisíveis.
Pior: em vez de encarar com frontalidade o problema, esclarecendo o que fosse passível de explicação (se é que existe explicação para um cada vez mais evidente caso de pressão política censória), o primeiro-ministro limitou-se, na sua conferência de imprensa, a ensaiar desajeitadíssimas manobras de fuga à responsabilidade que lhe cabe, inteira, nesta barafunda. A forma como se quedou, em silêncio compungido, quando lhe perguntaram se não sentirá «saudades» das intervenções de Marcelo na TVI, foi das cenas mais patéticas que a actualidade pública portuguesa nos deu a ver nos últimos tempos.
Como se não bastasse, há cada vez mais notáveis sociais-democratas que se levantam contra este ataque dos ministros sociais-democratas a um comentador social-democrata. Chegámos, ao que parece, à quintessência da política-espectáculo. Isto é: a política-canibal. Só espero é que isto não dê ideias à TVI, agora que tem um espaço vago no prime-time de domingo. É que para reality shows deprimentes já basta «A Quinta das Celebridades».

Publicado por José Mário Silva às 08:21 PM | Comentários (6)

A CORRIDA A BELÉM

Depois de Marcelo, Cavaco vem agora marcar terreno e não deixar o (outro) professor fugir. Ambos querem candidatar-se a Belém pela direita e, aparentemente, sem o apoio do governo. Até por aqui se vê a qualidade do mesmo. Por outro lado, para quem vê esta disputa de fora, chega a ser divertido. Apesar de ambos os professores terem razão, e isso não ser nada divertido: estamos perante um caso de censura dissimulada.

Publicado por Filipe Moura às 06:55 PM | Comentários (4)

DUAS BOAS NOTÍCIAS SOBRE LIVROS

Em primeiro lugar, festejemos a atribuição do Nobel da Literatura à grande Elfriede Jelinek.
Depois, rejubilemos com o anúncio do lançamento de um serviço do Google, que nos vai permitir descobrir afinal o que é que esta senhora escreveu.

Publicado por Luis Rainha às 05:39 PM | Comentários (11)

BEM QUE ELES SE ESPREMEM TODOS, MAS NÃO SAI MELHOR QUE ISTO...


Morais Sarmento vem agora declarar que, para o governo, o assunto do dia está como o espaço semanal de Marcelo na TVI: encerrado.
Já Duarte Lima, acompanhado por outras luminárias alaranjadas, tratou de nos explicar que não houve qualquer pressão por parte da camarilha de Santana – bem que aquele Rui Gomes da Silva me parecia idiota demais para ser mesmo ministro – e que isto tudo não passa de um mefistofélico plano do professor para lançar a sua candidatura à Presidência.
Como é que ninguém ainda tinha topado um esquema tão simples? Mas é claro: Marcelo irrita o PSD, rompe com a TVI... tudo para angariar apoios – presumo que do MRPP e da SIC Radical – à sua putativa candidatura. Não sei que mais admire nestas declarações: o labor investido na sua invenção ou a crença ilimitada na estupidez dos portugueses que elas denunciam.

Publicado por Luis Rainha às 04:33 PM | Comentários (12)

É A VIDA

Uns recebem prémios Nobel, outros receberam-nos e morrem. Nesta semana, deixou-nos Maurice Wilkins, um dos descobridores da estrutura do ADN, dois meses depois da morte de um dos seus colegas nesta descoberta, Francis Crick. Como legado ficam a memória e o seu importantíssimo trabalho.

Publicado por Filipe Moura às 01:06 PM | Comentários (2)

AS CONTRADIÇÕES DO CONTRADITÓRIO

Este governo é tão mau, e tem sido tão desastrado, que até me faz estar totalmente de acordo com José Manuel Fernandes e Pacheco Pereira. No entanto, o texto deste último tem um aspecto interessante, quando a dada altura se afirma que «o problema do contraditório só tem sentido antes de tudo na televisão pública e depois numa análise mais larga sobre a pluralidade de expressão no conjunto dos "media".» Curiosa frase, para quem defende com tanto ardor a privatização da RTP.

Publicado por Filipe Moura às 01:03 PM | Comentários (3)

A "INFELICIDADE" DE SANTANA LOPES

Aos microfones da TSF, o calhau com gel abriu a sua límpida alma e revelou a sua inocência no affaire Marcelo: "eu gosto da liberdade, sempre defendi a liberdade". Mas logo tratou de acrescentar que estava habituado a que a direcção do PSD "tivesse tempo para exprimir os seus pontos de vista. Os governos também."
Então não se está mesmo a ver que o lindo governo que temos estiola à míngua de tempo de antena? Que os nossos deslumbrantes ministros não conseguem brilhar em toda a sua pujante glória por falta de atenção das câmaras de TV? Até dá pena, tanto génio remetido à obscuridade dos gabinetes...
Estas declarações deveriam ser matéria de estudo obrigatória para quem ainda está na disposição de dar a Santana o benefício da dúvida, em termos da inteligência da criatura. Reparem bem na forma cândida com que ele se revela por inteiro numa só frase: "dizer coisas da boca pra fora, qualquer cidadão, infelizmente, é livre de dizer".
Olhe, senhor: infelizes, e muito, somos nós, desde que alguém se lembrou de lhe dar semelhante poleiro.

Publicado por Luis Rainha às 11:39 AM | Comentários (6)

O FANTASMA DA OPERETA

Ontem, a SIC transmitiu mais uma das suas pífias festinhas de aniversário. Comemorando a dúzia de anos, trataram de "homenagear" uma série de figuras distintas. No estranho campo da "Filosofa e Literatura", calhou a dúbia honra a Eduardo Lourenço, que até se deu ao trabalho de lá ir e subir ao palco para dizer umas palavras, sob a batuta de Herman José e de uma senhora com pouca roupa.
O que seguiu foi um dos momentos mais acabrunhantes e vergonhosos que alguma vez vi em directo. O velho sábio perorou durante uns minutos sobre a "sociedade do espectáculo" e sobre a ironia que era estar ali a participar de uma cerimónia desse mesmo dispositivo. O pequeno discurso - algo confuso, a bem da verdade - valeu pelo momento em que o ensaísta não teve pejo em afirmar que "todos os clichés sobre mim já foram aqui ditos", enquanto o humorista-canastrão de cabelo oxigenado se contorcia em esgares incomodados.
E não é que aquela maltosa teve a lata de pôr a orquestra a tocar, sinalizando ao agraciado que já estava a incomodar o espectáculo e que devia desamparar a loja o mais rápido possível? Dir-se-ia que se tratava de mais um fadista qualquer que empancava a função ao agradecer aos primos em quarto grau um disco de bronze, ou coisa que o valha. Só faltou mesmo aparecer no enquadramento a bengala com que, nos desenhos animados, se expulsam os trastes recalcitrantes do palco.
Comentário de Eduardo Lourenço à boçalidade mal-educada daquela gente: "pois é; a sociedade do espectáculo acaba sempre por levar a melhor..."
Juro-vos que até tive vergonha de estar a ver aquilo.

Publicado por Luis Rainha às 11:08 AM | Comentários (9)

O ENCERRAMENTO DE UM CICLO

Escrevi atrás que aguardava há muito a atribuição do prémio Nobel da Física à descoberta da liberdade assimptótica. Não é só pela importância desta descoberta, mas também, e principalmente, porque a atribuição deste prémio constitui o encerrar de um ciclo nos prémios Nobel da Física.
Para uma descoberta ser digna de merecer o prémio Nobel, é necessário que tenha uma total confirmação experimental. A liberdade assimptótica foi formulada teoricamente (o prémio Nobel refere-se a um trabalho exclusivamente teórico), mas teve a sua confirmação. Justamente, foi a última grande descoberta teórica a ter confirmação experimental. (Cabe aqui esclarecer que me refiro somente à Física fundamental, de altas energias.) Desde então a investigação em física teórica fundamental tem-se centrado em teorias que não têm nenhuma fundamentação experimental. Para que eventualmente venha a ser objecto de um prémio Nobel, esta investigação terá de ser confirmada experimentalmente. E não se sabe quando isto vai acontecer. O acelerador LHC do CERN deve começar a sua actividade em 2007, pelo que nunca será antes dessa data. Se uma descoberta como a do bosão de Higgs (a única peça que falta no puzzle do Modelo Padrão) poderá ser feita a qualquer altura, a confirmação da existência ou não da supersimetria poderá demorar um tempo indeterminado. Nenhuma destas descobertas está garantida, e se não se confirmar a existência de qualquer uma delas muito do trabalho dos últimos anos terá de ser revisto ou, quiçá, esquecido. A física teórica vai continuar nesta incerteza ainda por muitos anos. E, depois do deste ano, e pelo que eu atrás referi, sem mais nenhum prémio Nobel para a consolar. David Gross, permitam-me distingui-lo dos outros, foi provavelmente o último físico teórico a ganhar o prémio Nobel em muitos anos. É este o ciclo que se encerra.

É claro que há sempre a hipótese de alguns dos físicos mais influentes dos nossos dias serem premiados por outros assuntos que não lhes deram tanta relevância. Isso já aconteceu no passado. O caso mais paradigmático terá sido o de Einstein, cuja teoria da relatividade demorou muito tempo a ser aceite pelos físicos, mesmo depois da sua confirmação experimental. Einstein viria a receber o prémio Nobel devido ao efeito fotoeléctrico. Outro caso é o de Chen Ning Yang, que recebeu o Nobel por ter previsto a violação de paridade nas interacções nucleares fracas, mas cujo trabalho mais influente é a formulação das teorias de campo conhecidas como teorias de Yang-Mills, de que a cromodinâmica quântica de Gross, Politzer e Wilczek é somente um exemplo. Teremos assim os físicos de cordas mais conhecidos como Ed Witten a ganharem prémios Nobel por trabalhos em física hadrónica? Alguém me disse que sim, mas eu não acredito. O único físico de cordas a ganhar um prémio Nobel até hoje foi justamente David Gross, e com um trabalho conhecidíssimo, apesar de ser totalmente independente das teorias de cordas. Mas não deixou de ser a primeira vez que um físico de cordas recebeu um prémio Nobel. Visto desta perspectiva, talvez seja um ciclo que se abre.

Publicado por Filipe Moura às 10:26 AM | Comentários (10)

NOVOS ELEMENTOS PARA O RETRATO DOS FÍSICOS ENQUANTO NÓBEIS

O meu texto anterior saíu mal escrito, algo precipitado e provavelmente pouco apelativo para a maioria dos leitores. Comecei a escrevê-lo e incluí outros pormenores sobre os cientistas que o tornariam mais interessante, mas que não consegui confirmar, e que acabei por omitir. Para além disso, não me consigo recordar se a indumentária com que Wilczek se passeava incluía ainda um laçarote, para além do que descrevi. Ainda assim, asseguro que nem o Batatinha da TVI trajaria melhor. Mas todo o texto que saíu tinha um tom assim a atirar para o Carlos Magno, com as importantes diferenças de que as referências à minha pessoa eram praticamente insignificantes e eu não aparecia nas fotografias a acompanhar os visados.
Embora o meu objectivo principal ao escrever não seja o de agradar aos leitores a qualquer custo, cumpre-me prestar aqui este esclarecimento. Ainda assim, não me arrependo de ter escrito tal texto, até porque nas caixas de comentários surgiu um interessante case-study (assim, em inglês).
Dito isto, vou continuar por hoje a analisar as implicações da atribuição do Nobel a David Gross e aos seus colegas. É que não é todos os anos que atribuem este prémio ao nosso físico favorito em actividade.

Publicado por Filipe Moura às 10:12 AM | Comentários (0)

ESTADO DOS BLOGS DE DIREITA PORTUGUESES

Always look on the bright side of life!

Publicado por Jorge Palinhos às 09:55 AM | Comentários (0)

IT'S BAAAAACK! (III)

Por outro lado, temos de ser compreensivos. Um governo que nada faz não pode deixar que andem por aí a dizer mal dele.

Publicado por Jorge Palinhos às 09:49 AM | Comentários (1)

IT'S BAAAAACK! (II)

Entretanto, numa residência de Belém já se devem andar a prometer peregrinações a Fátima.

Publicado por Jorge Palinhos às 09:45 AM | Comentários (1)

IT'S BAAAAACK!

Governo manda calar Marcelo Rebelo de Sousa

Publicado por Jorge Palinhos às 09:45 AM | Comentários (2)

outubro 06, 2004

MARCELO REBELO DE SOUSA SAIU DA TVI

Conseguem ouvir o "ploc" simultâneo das garrafas de champanhe, em São Bento e em Carnaxide?

Publicado por José Mário Silva às 08:32 PM | Comentários (1)

SEREI HOMOFÓBICO?

Como meio mundo, espreitei a "Quinta das Celebridades" da TVI. Confesso que ainda ali regressarei algumas vezes, na expectativa de ver o colossal suíno que por lá anda a devorar o colega de programa Avelino Ferreira Torres. Mas, sendo a natureza voraz dos caciques autárquicos o que é, mais provável será o contrário...
Agora a sério: não consigo ver aquele José Castelo Branco a perorar sobre o "chique" ou a forma ideal de colocar guardanapos numa mesa sem sentir uma irreprimível vontade de lhe bater.
Como qualquer pessoa nos dias que correm, tenho amigos homossexuais assumidos. E até mesmo o meu credo de juventude – "só me chateiam se se meterem comigo" - já foi há muito desmentido por uma tentativa pouco perspicaz de engate que acabou numa boa amizade. Não me incomodam beijos e carícias entre homens em locais públicos e não fico com vontade de vomitar cada vez que passo por um canal da parabólica com pornografia gay. E sempre vi nos transsexuais figuras mais trágicas do que cómicas, criaturas enredadas em dramas e pulsões que nem consigo começar a entender.
Sendo assim, porque me dará aquele tipo tanta comichão?
Por pouco politicamente correcto que tal seja, nunca vi com bons olhos homossexuais estridentes na sua afirmação de um óbvio desejo de emular as mulheres. O que em calão se chama "bichonas". E isto acaba por ser parte de algo mais amplo: detesto ver gente a armar-se naquilo que patentemente não é. Tanto pode ser uma Lili Caneças a posar como dama da alta nobreza ou um Santana Lopes a fazer de conta que é um vulto destinado à grandeza. E eis, quanto a mim, o busílis da figurinha Castelo Branco. Ele junta uma série de manias que me desagradam numa só embalagem (grotesca, por sinal): tem a mania que é uma mulher, que é snob e que é um vulto de importância transcendente. Com a estranha agravante de abjurar amiudadas vezes o que parece ser uma sexualidade óbvia e transparente.
Claro está que não falta quem o queira usar como atracção em mais um freak show qualquer. E ele, com a candura que a sua mulher revela ao afimar que "o José sempre quis ser famoso", presta-se com avidez ao triste papel de bobo da corte.
Aliás, tenho ideia que este fulano faz pior pela imagem da comunidade homossexual do que uma centena de homílias furibundas em igrejas de província. Fico curioso: como será que o pessoal LGBT cá do burgo encara a antiga Tatiana Romanova?

Publicado por Luis Rainha às 05:28 PM | Comentários (33)

O TRIUNFO DOS PORCOS

Marcelo Rebelo de Sousa acaba de anunciar a sua saída da TVI, após "uma conversa da iniciativa do presidente da Media Capital, Miguel Paes do Amaral".
Depois dos gritinhos histéricos, os governantes que nos impingiram passaram a expedientes mais seguros: uns telefonemas aos amigalhaços. Eis o tratamento reservado pela corja a um dos seus que ousa não reverenciar o chefe.
Assim, já se entende ainda melhor a recente nomeação de Luís Delgado.

Publicado por Luis Rainha às 04:28 PM | Comentários (9)

EIS O VOTO ELECTRÓNICO EXPLICADO ÀS CRIANÇAS

Então é assim: a gente abre o website, o website instala uma cookie que verifica que a gente é mesmo quem a gente diz que é, e se não é, não faz mal, e depois a gente vota. Depois, o sistema conta os votos e que ganhe o mais rápido melhor. (Jorge)

Publicado por José Mário Silva às 04:24 PM | Comentários (3)

O ANTI DA VINCI?

Quatro meses depois de aqui termos feito o competente pré-aviso, chega ao mercado nacional a besta célere que promete dar luta ao "Código Da Vinci".
"A Regra de Quatro" merece hoje recensão no DN. Não há por aí uma boa alma que me informe se vale mesmo a pena encomendar tal obra?

Publicado por Luis Rainha às 02:16 PM | Comentários (5)

O SALAZAR DEVE TER FICADO COM AS ORELHAS A ARDER

O nosso Nostradamus de aluguer, Luís Delgado, parece ter desistido de anunciar, dia sim, dia não, a chegada da retoma que vai redimir todos os disparates do seu amado governo. Agora, orientou a sua presciente bola de cristal para o passado. Mas nem assim a empresa se revela menos arriscada...
Ontem, na SIC Notícias, ele declarou que o raspanete de Sampaio não se dirigia a Santana Lopes mas sim a "todas as figuras que tiveram responsabilidades governativas nos últimos 96 (?) anos"!
Mas então, não é mesmo óbvio que, quando o PR se alarma com a urgência de "executar, de realizar, de impor as reformas que um número crescente reconhecem como indispensáveis e urgentes, sob pena de regressarmos a um ciclo de declínio nacional", está a pensar no Sidónio?
E que, ao exigir o "empenho do conjunto dos responsáveis governamentais, que não podem continuar a esconder as reformas por detrás de pretextos conjunturais ou laterais", se limita a mandar uma boca ao malandro do Afonso Costa?

PS: Também tarde acordou Sampaio: depois de entregar o ouro ao bandido, desata agora a berrar pela polícia... E, mesmo assim, dirigindo-se a orelhas moucas que assobiam para o lado e fazem de conta que não é nada com elas; como o próprio calhau com gel, que tem o topete de afirmar que "subscreve na totalidade" a presidencial arenga.

Publicado por Luis Rainha às 12:16 PM | Comentários (7)

RETRATO DOS FÍSICOS ENQUANTO NÓBEIS

Quis o destino que eu tivesse participado em conferências com dois dos recentes galardoados com o prémio Nobel da Física - precisamente os mais activos, David Gross e Frank Wilczek. Gross em Santiago de Compostela e, mais recentemente, em Paris. Wilczek no Minnesota. Não pensem com isto que algum destes cientistas me conhece: nem pelos meus pobres artigos, nem por me ter comportado especialmente mal à mesa. Já eu tenho uma ligeira impressão de ambos.
Wilczek é democrata. Gross não me pareceu conservador, e mostrou-se bastante interessado quando lhe contei que Portugal tinha, na altura, um governo socialista.
Gross fuma charutos e tem um certo ar de Groucho Marx. Wilczek é vegetariano e antitabaco.
Gross tem um aspecto jovial, apesar de ser mais velho do que Wilczek (foi seu orientador de doutoramento). Durante uma visita à Catedral de Santiago de Compostela, ouvia com muito interesse a explicação cheia de misticismo da guia sobre os milagres de S. Tiago. Parecia mais interessado na guia do que na explicação. Em Minneapolis Wilczek vestia-se com um casaco blaser grená, uma camisa amarela, calças de ganga e ténis. Até pelo penteado que usa, tem um certo ar de palhaço dos Simpsons.

Publicado por Filipe Moura às 09:21 AM | Comentários (16)

outubro 05, 2004

O QUE VIRÁ A SEGUIR AO JURÁSSICO?

Desde o último período glaciar, o PCP arrasta-se penosamente à beira da extinção sem glória nem utilidade. Depois da notícia de hoje, teme-se um grande passo em frente. Sobretudo se for este o rosto da próxima liderança dos comunistas lusos.

Publicado por Luis Rainha às 07:06 PM | Comentários (11)

O NOBEL DE DAVID GROSS

Lembram-se deste texto? Eu não me quero armar em profeta, até porque qualquer físico saberia que este prémio viria, mais cedo ou mais tarde. Mas lá que eu o afirmei, afirmei... Este era um prémio por que eu ansiava há já algum tempo, por razões que explicarei mais tarde. Deve-se à descoberta da liberdade assimptótica, uma propriedade inesperada da interacção nuclear forte, oposta à nossa intuição proveniente das interacções electromagnéticas. Nas interacções fortes as partículas "carregadas", os quarks, experimentam uma atracção que se torna mais forte à medida que ficam mais afastadas, tornando-se assim mais fraca quando se aproximam. Esta propriedade, que será decisiva na explicação do confinamento das partículas feitas de quarks (entre elas o protão e o neutrão) - um problema ainda em aberto -, permitiu estabelecer definitivamente a cromodinâmica quântica (QCD) como teoria das interacções fortes e começar-se a trabalhar em teorias de grande unificação, que incluam numa única descrição todas as interacções conhecidas.

Publicado por Filipe Moura às 12:04 PM | Comentários (5)

ATÉ QUANDO?

Quando o Sporting empatou, ontem, eu fiquei satisfeito, pois pensei: "despedem o Peseiro de qualquer maneira, e sempre é mais um ponto." Afinal, se calhar mais valia terem perdido.

Publicado por Filipe Moura às 11:54 AM | Comentários (6)

INDEPENDÊNCIAS CINEMATOGRÁFICAS

Agora que já acabou o Festival de Cinema Independente de Lisboa, talvez fosse altura de os vários bloguistas que por lá passaram, entre os quais o Zé Mário, explicarem à gente o que entendem por "filme independente". Será um filme francês? Um filme que não é americano? Um filme pouco visto? Um filme seleccionado pelo nosso muito estimado leitor Leonardo Ralha?
Li algures que é qualquer coisa como "um filme realizado segundo a vontade do realizador, sem pressões externas ou dos produtores". Vocês acreditam mesmo nisto?

Publicado por Filipe Moura às 11:33 AM | Comentários (2)

ÀS VEZES, É BOM EMPRESTAR DISCOS...



...a amigos que demoram um ano a devolvê-los. Podemos desta forma redescobrir, em dias de maior disponbilidade, pepitas preciosas que escaparam à primeira peneira. Assim me encontro eu, neste preciso minuto, a ouvir "Madman of God", da persa Sussan Deyhim. Ora fiquem lá com esta pequena amostra.

Publicado por Luis Rainha às 11:29 AM | Comentários (2)

Ó DA GUARDA!

Um senhor disfarçado de ministro que dá pelo nome de Rui Gomes da Silva acha que a Alta Autoridade para a Comunicação Social devia pôr cobro aos excessos de "um comentador que tem um problema" com o primeiro-ministro: Marcelo Rebelo de Sousa. Aparentemente, este tem cometido um crime de lesa-majestade ao criticar o venerando Santana Lopes. Diz a ministerial criatura que "nem o PS, o PCP e o Bloco de Esquerda juntos conseguem destilar tanto ódio ao primeiro-ministro e ao Governo como esse comentador que, sob a capa de comentário político, transmite sistematicamente um conjunto de mentiras com desfaçatez e sem qualquer vergonha".
Se isto vos parece ridículo demais para ser verdade e acham que eu estou a inventar tudo, podem verificar a fonte.

Publicado por Luis Rainha às 01:59 AM | Comentários (10)

ALERTA AMARELO: FUJAM DESTE FILME!

Antes do mais, uma nota prévia: passei grande parte da minha vida na triste condição de tarado por ficção científica, terror e outras formas sortidas de fantástico. Ainda hoje, vejo religiosamente cada reposição bolorenta do "Star Trek" e até faço por não perder um só episódio de "Buffy, the Vampire Slayer". Continuo a teimar com amigos que "Dune" é uma das grandes obras de David Lynch. Mais não conto, que já me cobri de ridículo que baste por uma noite.
Posto isto, é-vos fácil de entender porque é que eu estava mortinho para ver - e adorar - "A Vila", último produto das meninges assombradas do senhor Night Shyamalan. Aliás, já fora surpreendido pelo "Sexto Sentido" e até por "O Protegido". Nada de terrivelmente inovador ou profundo, mas good clean fun em doses generosas.
Com os "Sinais", a coisa não correu lá muito bem. Sempre soube que o ridículo mata; e um filme é animal bastante susceptível a tal morte macaca. Ora, ver uma tribo de invasores do outro mundo a deixar marcas em campos de cereais no estilo de "picnic 5 km à frente", como que num rally paper para idiotas da galáxia... já é um pouco demais. Isto para nem mencionar a perturbadora incapacidade que aqueles aliens apoucados tinham para lidar com as nossas fechaduras.
Mas enfim; um bilhete de cinema também não é coisa assim tão cara. Melhores investimentos viriam, pensei eu.
Mas ainda não foi desta. "A Vila", falando bem e depressa, é uma bosta.
Trata-se de um filme que se apropria sem remorsos de duas ou três grandes ideias "clássicas" da FC – "Mars Inc." e "The Watchtowers", de Ballard, saltavam-me à ideia, cena sim, cena não – e mascara o roubo com uns quantos planos contra-picados de rostos hieráticos a la Dreyer, uma fotografia sonhadora e alguns actores fabulosos. Para quem não dê pelo esbulho, até pode ser que aquilo passe por um portento de originalidade. O pior é que, para alguém minimamente iniciado nestas andanças do Fantástico, o argumento da fita é transparente quase desde o início, com ou sem flip-flop final. Cada curva no enredo, cada suposto sobressalto de susto é topado a léguas e convertido em bocejos e miradas inquietas para o relógio.
Se a este panorama pouco famoso acrescentarmos o ambiente dominante do filme, baseado numa bruitage histérica e em infindáveis e tremeliquentos planos de "selvas oscuras" de pacotilha... ficamos com pouco mais do que um "Blair Witch" para intelectuais que nunca andaram no "comboio do terror" quando eram pequenos. Ainda por cima, a espécie de "moral" que se pode tirar da historieta é arrepiante de tão totalitária e escapista.
Mas a malta por cá tem gostado. Julgo que até já li interpretações da coisa "à luz" do 11 de Setembro. Podia dar-lhes para lá toparem pior: uma parábola sobre o Estado de Israel; ou sobre o governo de Santana Lopes; ou sobre qualquer outra realidade onde predomine uma psicose de cerco. É como diz o povo: quem procura porcos, até as moitas lhes roncam.
Mas nesta "Vila" só os monstros manhosos é que roncam. E deve ser mesmo por estarem a dormir.

Publicado por Luis Rainha às 12:52 AM | Comentários (11)

outubro 04, 2004

O COELHO ESTÁ ATRASADO...

... e eu estou à espera.
Entre os dois, Alice.

[Desculpem lá, mas quatro meses é muito tempo.]

Publicado por José Mário Silva às 03:33 PM | Comentários (6)

TELE-ABUTRES

Hoje de manhã, a SIC Notícias transmitiu um documentário interessante, acompanhando o dia-a-dia de dois programas brasileiros que vivem exclusivamente de histórias de crimes, perseguições policiais, tráficos vários. A postura fazia um esforço não muito eficaz para fugir ao paternalismo moralista, com a perguntazinha fatal sempre a espreitar ao fundo do enquadramento: "mas isto não é jornalismo a sério, pois não?"
Alguns minutos depois, chega o noticiário da SIC-mãe. Arranca com o relato de uma violação que um pai ébrio terá perpetrado sobre a sua filha adolescente. Segue para o drama infindo da miúda desaparecida no Algarve. Mete a quinta com mais umas divagações sobre street racers. Nove minutos após o início do noticiário, chega o inevitável futebol, nacional e estrangeiro. Aos 19 (!) minutos da coisa, soa a hora das primeiras imagens com ar de pertencer a notícias a sério (entretanto, a concorrência estatal tinha arrancado com planos de um tal de Jorge Sampaio, que acho que ainda não matou ninguém).
Quando passamos ao congresso do PS, o destaque segue por atacado para o teleponto de Sócrates. Está bem: tem a sua piada ouvirmos o fulano a declamar "e não haverá nenhum truque de comunicação..." enquanto lemos a mesma frase no aparelhómetro. Mas não haveria por ali mesmo assunto mais relevante, a merecer, pelo menos, os mesmos largos minutos de atenção?

Ao menos, os brasileiros retratados no tal documentário são abutres e parecem conscientes disso. Não se armam em grandes pilares do jornalismo.

Publicado por Luis Rainha às 02:53 PM | Comentários (5)

"ESQUERDA MODERNA"

Vale a pena ler Eduardo Dâmaso no Público de hoje.

Publicado por Filipe Moura às 01:04 PM | Comentários (13)

TOLERÂNCIA DE PONTE

Aviso: ao contrário de todas as repartições públicas a que me dirigi esta manhã, o BdE tem as portas abertas. Faça o favor de tirar a sua senha.

Publicado por José Mário Silva às 12:36 PM | Comentários (7)

SERÁ QUE O POPULISMO NÃO PAGA PORTAGEM?


Foto de Ana Almeida

Publicado por José Mário Silva às 12:31 PM | Comentários (6)

CONFISSÃO

Inspirado no súbito renovar da linguagem do jornal "Público", quero partilhar convosco umas quantas ideias que me parecem importantes:

«Eant et fugiant a te inquieti iniqui. et tu vides eos et distinguis umbras, et ecce pulchra sunt cum eis omnia, et ipsi turpes sunt. et quid nocuerunt tibi? aut in quo imperium tuum dehonestaverunt, a caelis usque in novissima iustum et integrum? quo enim fugerunt, cum fugerent a facie tua? aut ubi tu non invenis eos? sed fugerunt, ut non viderent te videntem se, atque excaecati in te offenderent - quia non deseris aliquid eorum, quae fecisti - in te offenderent iniusti et iuste vexarentur, subtrahentes se lenitati tuae, et offendentes in rectitudinem tuam, et cadentes in asperitatem tuam. videlicet nesciunt, quod ubique sis, quem nullus circuminscribit locus, et solus es praesens etiam his, qui longe fiunt a te. convertantur ergo et quaerant te, quia non, sicut ipsi deseruerunt creatorem suum, ita tu deseruisti creaturam tuam. ipsi convertantur, et ecce ibi es in corde eorum, in corde confitentium tibi, et proicientium se in te, et plorantium in sinu tuo post vias suas difficiles: et tu facilis tergens lacrimas eorum, et magis plorant et gaudent in fletibus, quoniam tu, domine, non aliquis homo, caro et sanguis, sed tu, domine, qui fecisti, reficis et consolaris eos. et ubi ego eram, quando te quaerebam? et tu eras ante me, ego autem et a me discesseram nec me inveniebam: quanto minus te!»

Obrigado, Agostinho. Com o teu texto até nos sentimos um blogue de referência, moderno e à la page. És um santo.

Publicado por José Mário Silva às 12:13 PM | Comentários (12)

POBRE MO ESSEN!

O "Público" brinda-nos hoje com um dos seus melhores artigos de sempre. Embora não esteja assinado, julgo reconhecer nas entrelinhas a marca do estilo de JMF; expondo, com a frontalidade necessária, mais um escândalo deste país a saque. Ou coisa que o valha.
Bem; se a prosa entretanto for censurada, sigam pelo link abaixo...

Publicado por Luis Rainha às 10:10 AM | Comentários (5)

outubro 03, 2004

A GUERRA POR UM CANUDO

Lembram-se dos famosos tubos de alumínio que foram brandidos pelos falcões americanos como "prova irrefutável" de que Saddam estava a tentar obter armas atómicas? Os famosos tubos que só podiam mesmo ser usados para enriquecer urânio, e que bastaram para dar a Condoleezza Rice pesadelos iluminados por "nuvens em forma de cogumelo"?
Claro está que não existia centrifugador algum nem qualquer programa atómico iraquiano. A culpa desta e de outras alucinações foi prontamente transferida para a CIA, acusada de fornecer "misleading intelligence" às almas bem intencionadas da Administração.
Agora, o "NY Times" confirma aquilo que já se adivinhava: os especialistas sempre negaram a suposta utilidade bélica dos tubos em questão. Contra todos os pareceres técnicos, a trupe de Bush II aceitou a teoria atómica sabendo perfeitamente que era falsa. O artigo é extenso mas vale bem a pena; pelo menos para quem quer saber como se inventam, à martelada, pretextos para lançar uma guerra.

Publicado por Luis Rainha às 04:23 AM | Comentários (32)

EM BRANCO

Foi assim a noite de hoje em Paris.

Publicado por Filipe Moura às 01:59 AM | Comentários (2)

outubro 02, 2004

YES!

Publicado por Luis Rainha às 09:49 PM | Comentários (2)

RESTO DO MUNDO-LISBOA

plane.jpg

E eles passam, passam, passam.
Ruído de trovoada. Efeito de Doppler.
Pêndulos de ferro sobre Campo de Ourique.

Publicado por José Mário Silva às 05:38 PM | Comentários (3)

outubro 01, 2004

INDIELISBOA (PROGRAMAÇÃO PARA DIA 2)

Filmes previstos para amanhã, sábado (a negrito o que tenciono ver):

Sala 1

21h30 - «Super Size Me», de Morgan Spurlock (EUA)

Sala 2

17h30 - Curtas Competição 3
19h00 - Curtas Observatório 3

Sala 3

16h00 - «Struggle», de Ruth Mader (Áustria)
18h30 - «Vibrator», de Ryuchi Hiroki (Japão)

Publicado por José Mário Silva às 11:35 PM | Comentários (1)

À PEQUENA PRINCESA

Zé Mário: tinha acabado de escolher esta ilustração quando vi o teu post. Mais uma destas e começo mesmo a acreditar na sincronicidade.

Publicado por Luis Rainha às 04:52 PM | Comentários (7)

NADA RECEEIS, CAMARADAS: A DERROTA DOS ESBIRROS CAPITALISTAS DO FUTEBOL E DA EXPLORAÇÃO DA MULHER É CERTA!

Pois. Lá ficou outra vez o primeiro lugar do pódio para as miúdas sem roupita. E a morder as canelas ao nosso bravo Barnabé, vêm logo os representantes do novo ópio do povo! O momento é de luta, camaradas!

Publicado por Luis Rainha às 02:45 PM | Comentários (13)

DE CIMA PARA BAIXO (E NÃO O CONTRÁRIO)

Atenção, comentadores. Para facilitar a leitura do que escrevem na parte subterrânea dos nossos posts, voltámos a alinhar os textos por ordem cronológica crescente. Isto é, dos mais antigos para os que foram colocados ainda agora. Creio que se fica a ganhar em ritmo de leitura e clareza, sobretudo nos threads mais longos.

Publicado por José Mário Silva às 02:32 PM | Comentários (5)

O NOSSO PEQUENO CASINO PRIVADO

Os abutres automáticos do spam sem fronteiras descobriram um confortável ramo onde arribar, aqui no BdE. Não sei que engodo os atraiu; se o acrónimo "SMS", se o sangue seco dos ferinos comentários que lá jaziam. O facto é que, desde há uma semana, não páram de aterrar nestas bandas simpáticos apelos de casinos online. Se querem transformar uns cobres virtuais em fortunas de arregalar o olho, só têm de voltar a este velho post...

Publicado por Luis Rainha às 02:17 PM | Comentários (3)

AINDA NÃO SABES, MAS O TEU NOME É ALICE

Publicado por José Mário Silva às 01:46 PM | Comentários (11)

ECOEUFORIA

Centímetros: 19 (and rising)
Percentil: 50
Dedos: 20
Cavidades do coração: 4
Vértebras: todas
Estado geral: excelente
Sexo: feminino
Pais: comovidos, em êxtase, babados, na lua

Publicado por José Mário Silva às 01:41 PM | Comentários (2)

EU SABIA, EU SABIA, EU SABIA...

É uma rapariga, uma menina, a little girl. E é linda, muito linda. Ai pois é.

Publicado por José Mário Silva às 01:32 PM | Comentários (7)

O OUTRO CONFRONTO DE ONTEM

Enquanto não chegava o debate de Coral Gables, passei por acaso num canal que estava a emitir um outro confronto, não menos belicoso e absorvente...
Aqui, o face-a-face também opunha um político astuto e manobrador a uma criatura meio tonta que parece depender apenas do seu magnetismo pessoal para subir na vida. Mas as coisas revelam-se mais equilibradas, à medida que vão sendo discutidos assuntos ponderosos da política interna e internacional: cabalas, conspirações, lutas pelo poder. Delicioso.

"O Príncipe e a Corista". Dirigido em 57 pelo próprio Laurence Olivier, apresenta-nos talvez a Marilyn mais bela de sempre. Nada melhor para descontrair antes de encarar de frente o pesadelo que é ver Bush II à beira de ganhar (pela primeira vez) as presidenciais americanas...

Publicado por Luis Rainha às 01:25 PM | Comentários (0)

AUMENTOU A MINHA MOBILIDADE

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É uma sensação muito agradável eu sentir que sou mais rápido do que um autocarro em hora de ponta e não poluir o ambiente. E ainda faço exercício.
Este meio de transporte tem todas essas vantagens. É o meio de transporte que, em conjunto com os transportes públicos, se deveria utilizar sempre dentro de todas as cidades. É o meio de transporte que se utiliza nas cidades de que eu gosto.
Era disto mesmo que eu estava a precisar e que tinha saudades. Agora, os parisienses até me parecem mais simpáticos.

Nota: Eu não faço aqui publicidade, mas agradeço ao hipermercado, que não identifico (mas há em Portugal; em Lisboa é ali na zona de Telheiras), que fez esta magnífica promoção só de um dia. E era ver as pessoas a comprarem-nas. Em Portugal, uma promoção destas não teria sucesso nenhum. Só uma promoção de carros teria.

Publicado por Filipe Moura às 01:11 PM | Comentários (6)

NA PAZ DE BUSH

Lá se deu o primeiro debate entre os dois candidatos ao trono do mundo. Independentemente de ter sido uma luta "morna" (de acordo com a SIC) ou "sharp and scrappy" (a fazer fé no "NY Times"), importa é que Bush II se estatelou ao comprido, de acordo com as várias sondagens já divulgadas.
Nem vou perder tempo a explicar-vos a estranheza que me causa que haja tanta gente capaz de votar no que patentemente não passa de um fantoche medíocre alucinado por sonhos de grandeza imperial. Mas vou chamar a vossa atenção para a homília de fecho do "Monkey Boy", que me parece medir em poucas palavras o abismo que o separa da realidade:
"Escalámos a enorme montanha. Eu vejo o vale lá em baixo e é um vale de paz." Aproveitando o momento de arrebatamento místico, concluiu: "E possa Deus continuar a abençoar a nossa grande terra". (Leio isto e só me vem à cabeça a figura tresloucada do Charlton Heston a fazer de Moisés...)
Um "vale de paz"? Mas de que é que ele estava a falar, horas depois de dúzias de crianças terem sido massacradas em Bagdade? Do país que ele invadiu, do país em chamas onde as suas tropas deveriam ser responsáveis pela segurança de pessoas e bens? Do país que acolhe um congresso permanente de assassinos terroristas desde que começaram a cair as estátuas de Saddam?

A única explicação que tenho para este desvario é que Bush, no ardor do debate, misturou as suas metáforas religiosas. Foi apenas mais uma gaffe. Ele queria mesmo era falar do vale referido no Salmo 23: o vale das sombras da morte.

Publicado por Luis Rainha às 12:48 PM | Comentários (2)

QUESTÕES DE CIVISMO

Quando propus um serviço cívico aos dezoito anos em alternativa ao serviço militar, era também neste tipo de questões que estava a pensar. Deitar o lixo nos contentores e não na via pública, separar o lixo para reciclar, tratar bem o bem comum, tudo isto se ensina, tudo isto se aprende. Sobretudo aprende-se que o mundo não é só a nossa vizinhança, o nosso bairro ou a nossa aldeia. Não me quero armar em "educador das massas" e nem quero ser visto como modelo de civismo (que eu não sou). Mas tudo isto falta aos portugueses, quando comparados com os povos mais desenvolvidos. Não são só os maus resultados em matemática ou a iliteracia. Mas isto não é de admirar. Afinal, a mesma concepção de que nada se deve impor, que ninguém deve ser forçado a nada, para além de nada fazer para evitar esta falta de civismo, também está na origem das idiossincrasias do nosso sistema de ensino: pode entrar-se num curso superior de ciências sem ter tido física e química no secundário; o ensino do português e da matemática está muito mais abreviado, e muitas matérias e autores importantes deixaram de ser obrigatórios. Já faltou mais para se sugerir que quem achar que estes autores e matérias deveriam permanecer obrigatórios (sem prejuízo da evolução do ensino - no caso dos autores, porventura substituídos por outros de igual importância) deveria... voluntariar-se para a tropa.
Mas segundo rezam as crónicas, esta nossa falta de civismo é bem anterior à ideologia antiobrigacionista. Sobreviveu inclusivé a regimes bem autoritários. É algo de mais profundo.

Publicado por Filipe Moura às 10:48 AM | Comentários (2)

NA LAVANDARIA

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Aqui na Cité Universitaire, como na universidade onde estudei nos EUA (mesmo numa das casas off-campus onde morei), tenho de me servir de uma lavandaria pública, compartilhada por todos os residentes, na sua maioria estudantes.
Em ambos os casos, as maquinas de secar têm um filtro, que é preciso limpar após cada utilização.
Uma das grandes diferenças entre a França e os Estados Unidos pode sumarizar-se nisto: na atitude perante as máquinas de secar. Nos EUA toda a gente tinha a consideração pelo utilizador seguinte, e deixava a máquina pronta a usar, com o filtro limpo. Quando digo "toda a gente" quero dizer que nunca, em quatro anos em que me servi daquelas máquinas, me lembro de não as ter encontrado prontas a serem usadas. Aqui em Paris, pelo contrário, nunca me lembro de as ter encontrado prontas a serem usadas. A regra é ter de limpar o filtro antes de usar, e deixá-lo para quem vier a seguir limpar.
Um aspecto muito interessante é que isto não tem a ver com as nacionalidades dos utentes: em ambos os casos os utilizadores das máquinas são estudantes e investigadores de todos os países do mundo; não somente americanos ou franceses. Tem a ver com hábitos locais que são absorvidos. Tem a ver com o "sistema". Eu confesso que não tenho vocação para limpar o meu filtro e o dos outros, pelo que não tive outro remédio senão adaptar-me ao "sistema francês". Mesmo assim, com frequência tenho de, inevitavelmente, limpar por mim e por outros: é que, apesar dos avisos afixados sobre o risco de incêndio por usar as máquinas de secar com filtro sujo, há gente (eu diria a maior parte das pessoas) que não limpa o filtro nunca, nem antes e nem depois da utilização.

Publicado por Filipe Moura às 10:43 AM | Comentários (9)