« julho 2004 | Entrada | setembro 2004 »

agosto 31, 2004

MENSAGEM (SEM VÉU) PARA OS FANÁTICOS ISLÂMICOS


Cartoon de Plantu, «Le Monde»

Publicado por José Mário Silva às 09:09 PM | Comentários (4)

ULTIMATO

Expirou há cerca de uma hora o cobarde ultimato feito pelos raptores iraquianos de dois jornalistas franceses (Christian Chesnot e Georges Malbrunot). Recorrendo a uma chantagem abjecta, a organização Exército Islâmico do Iraque exigiu ao governo de Paris que não deixe entrar em vigor, na próxima quinta-feira, a famosa Lei da Laicidade que proíbe o uso de símbolos religiosos nas escolas públicas. Caso contrário, executaria sem dó nem piedade os jornalistas reféns.
Pelas informações de que dispomos, o Estado francês não cedeu à exigência, mesmo após as 24 horas suplementares "oferecidas" pelos raptores. Esperemos agora que o obscuro grupelho de fanáticos não junte mais duas cabeças, exibidas como troféus de caça, à longa lista de atrocidades similares que têm manchado de sangue e horror os últimos meses.

Publicado por José Mário Silva às 09:03 PM | Comentários (5)

ONDE ESTÁ A MORTE? (2)

Ao ler o post do Jorge sobre mais um atentado bombista em Israel, lembrei-me de uma peça fortíssima e perturbante do dramaturgo italiano Antonio Tarantino. Chama-se «A Casa de Ramallah» e foi lida durante o Festival de Teatro de Almada, em Julho, por Jorge Silva Melo, Isabel Muñoz Cardoso e Carla Galvão. O texto é brutal, amargo, hilariante, belíssimo, obsessivo, repetitivo, catártico — tudo ao mesmo tempo e sempre em fuga, dentro de um comboio que circula por inexistentes linhas ferroviárias do Médio Oriente, numa terra árida onde só cresce o ódio, o ressentimento e o tomate da planície de Thamma, uma terra de ocupações e barbárie, rancores antigos e vinganças planeadas, uma terra onde todos suspeitam de todos e qualquer vulto pode ser um agente da Mossad ou do Shin Bet. No comboio viaja uma família: pai, mãe e filha. São três figuras que falam pelos cotovelos e discutem por causa da mechouia e das casas-de-banho decrépitas cujas portas nunca fecham bem. Três figuras patéticas que pertencem, vamos percebendo aos poucos, a uma Organização que recorre à luta armada contra o inimigo israelita. No fim da linha, há um check point e para lá dele um supermercado onde a filha, mártir à força, se fará explodir. E há uma história que não acaba bem.

leitura.jpg

Quem quiser ler o texto completo, pode procurá-lo na revista dos Artistas Unidos (número 11).
A mim, interessa-me recuperar uma das últimas falas da filha, Miryam:

«Quando uma pessoa explode o corpo divide-se num milhão, em mil milhões de fragmentos cada um dos quais, por uma lei física, conserva as qualidades do todo: ouvido, vista, etc. e a faculdade de pensar, de falar, de inferir, em suma, em mil milhões de testemunhas do acto da criação, da explosão original da qual tudo teve início. Por outra lei do universo muito conhecida, o espaço celeste curva-se na presença de um astro e de uma grande massa. Mas, como o espaço e o tempo são a mesma coisa, eis que também o tempo se curva de forma a que passado e futuro se reunam num único círculo de fogo. Eu, que já não sou mais do que mil milhões de biliões de partículas que vagueiam, alimentando-se eternamente deste fogo, vejo tudo e tudo posso contar: que deus não existe, que paz e guerra estão destinadas a perseguir-se no círculo ardente do tempo, como se perseguem amor e ódio, saúde e doença, dia e noite, sol e chuva, pais e filhos, nós e eles, a história deles e a nossa, e ninguém está completamente certo, nem completamente errado.»

Ninguém está completamente certo, nem completamente errado, quando se fala da questão israelo-palestiniana. Foi nisto que pensei quando li a terrível notícia (mais uma) que o Jorge citou. Se todos tivéssemos isto presente, talvez houvesse menos equívocos. E talvez fosse mais fácil dialogar sem entrar em antagonismos tão exacerbados quanto estéreis.

Publicado por José Mário Silva às 08:45 PM | Comentários (2)

ONDE ESTÁ A MORTE?

Está aqui.

At least 12 people have been killed in explosions on two buses in the southern Israeli city of Beersheba, Israeli medical sources say.

Ambulance worker Avi Zohar said the buses were full of parents and children shopping for educational items on the final day of the school holidays.

Publicado por Jorge Palinhos às 02:50 PM | Comentários (1)

ACTIVISMO DE SOFÁ

Faz greve, manifesta-te, espanca a bófia, apedreja o MacDonalds, provoca danos colaterais e baixa os impostos.
Tudo virtualmente.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:08 AM | Comentários (4)

GUERRA CONTRA AS CUECAS

Há uns dias aventei a hipótese de uma guerra entre Rússia e a Géorgia. Agora explico os motivos da guerra. Segundo o presidente da Geórgia, a principal causa do conflito são as cuecas lavadas do Exército Russo que, ao secarem no estendal, vilipendiam o dito exército e confundem os georgianos.
Um bocado mais abaixo, no Irão, legisla-se contra a lingerie. As lojas estão proibidas de ter lingerie nas montras, especialmente se estiverem em manequins "de curvas sensuais". Cá entre nós, os imãs iranianos devem andar a sentir-se muito sozinhos.
Com tais exemplos é provável na mente de um dos candidatos à Casa Branca já se esboçe uma "Guerra aos Boxers", que deverá ser muito mais fácil de vencer que a Guerra ao Terrorismo.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:53 AM | Comentários (3)

ÁGUAS PARADAS

Uns comentários do Silvério a uns posts meus abaixo deixam a ideia implícita de que no meio de uma certa agitação política eu me estaria e entreter com coisas mais leves.
Até há alguma verdade nisto e eu explico porquê.
A decisão de Paulo Portas está a “chocar” muita gente que percebeu agora pela forma como ele tem "abordado" este problema “do mar” que quando o acusavam de direitista radical não era pelo seu penteado, pelas camisas azuis ou pela pronúncia beta.
Mas Portas é o Ministro da tutela e está lá beneficiando da passividade cúmplice do Presidente da República. De esquerda.
Esse é o facto.
A situação vigente persiste com a cumplicidade de um Governo de esquerda com um primeiro ministro de esquerda, graças à tibieza de um Parlamento com uma maioria de esquerda, e um Presidente de esquerda.
Tudo gente maioritariamente de um partido que agora envia “representantes” ao alto mar quando nada fez em terra quando tinha todo o poder e a legitimidade para o fazer.
É este o absurdo.

Para além disso, uma esmagadora maioria de pessoas em Portugal está contra a hipocrisia e a iniquidade das nossas leis quanto ao aborto mas ninguém está disposto a dar um chavo de tempo para forçar a minoria no governo a seguir leis mais civilizadas, está tudo à espera que tudo se resolva no Parlamento Europeu, à espera que o Louçã num passe de mágica os convença no Parlamento.
Alguns até pensarão que bom termos um Presidente da Comissão Europeia patrício, será mais fácil arranjar uma solução para este caso. Uma qualquer.
Preferimos ficar a ver navios como preferimos ir para praia em vez de votar o referendo enquanto outros resolvem.
Sendo assim é ridículo andarmos a indignarmo-nos com a preponderância do Ministro dos Assuntos do Mar neste “fait divers”.
A esquerda, ou já nem sequer apenas a esquerda, mas quem tem objectivos colectivos como revogar estas leis ou outras lutas cívicas, parece ter-se esquecido que a luta política também se faz na rua, e que se a democracia é um bem a preservar e a defender, de nada vale argumentar juridicamente quando um qualquer ministro terá sempre para além dos argumentos legais a legitimidade última que é a do poder.
Porque não se organiza uma manifestação na rua este próximo fim de semana contra a política da "maioria" relativamente ao aborto?
Porque não se montam postos sanitários de fácil acesso junto às fronteiras espanholas em conjugação com organizações humanitárias do país vizinho?
Porque não se montam clínicas de campanha nas grandes cidades onde se promova a desobediência civil?
Ponham os olhos na oposição venezuelana de direita. Não tem legitimidade, perde nas eleições, mas embora minoritária não se resigna à carneirada amodorrada que nos propõem os nossos "teóricos" direitistas da "democracia" e a deixar um governo que não lhe é afecto chegar ao fim do seu mandato.
Isso sim, seriam tomadas de posição. Nada mudará enquanto ficarmos todos sentados à frente das televisões a ver barcos às voltas uns dos outros, “delegando” as nossas responsabilidades em meia dízia de “representantes”.

Publicado por tchernignobyl às 10:42 AM | Comentários (4)

IMA

O FDP do Incpro que a Indonésia tdic são os acros.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:40 AM | Comentários (1)

BIGAMIA BLOGUÍSTICA

Há uns tempos era a gente nova a criar blogues novos, agora são os já blogadores a trair o legítimo com um blogue secreto. Temos o Manuel a demonstrar que os austríacos são um holograma, o Rui expande o seu franchising de Latim, o Alexandre passa de verde a púrpura e o Francisco José Viegas e o Pedro Mexia miram o lado de lá do Atlântico.
É bom sinal, quer dizer que toda a gente tem mais tempo para blogar. Toda a gente... menos eu.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:16 AM | Comentários (2)

BRONZE E PENTEADOS

Mas o mais extraordinário da situação que descreveste, tchern, é o texto com que a juíza Filipa Macedo justificou, no seu despacho, o retomar da medida de prisão preventiva para alguns dos arguidos do processo Casa Pia. Depois de sugerir que tal medida «sossegará, com certeza, as eventuais vítimas deste processo e até potenciais vítimas nos meios sociais em que os arguidos se inserem, originando uma maior tranquilidade e paz social», avança para um caricato exercício de sociologia pós-moderna. Ora leiam bem: «os adolescentes vivem uma liberdade desmedida, passando os dias sozinhos e saindo à noite até altas horas da madrugada. Podem ser considerados muito 'apelativos' nas suas indumentárias, pela descontracção com que actuam, pelo bronze e penteados que exibem, por indivíduos viciosos e podem ser considerados presas fáceis porque normalmente têm posses insuficientes para as solicitações da sociedade de consumo em que se integram e que os seduz».
Se o assunto não fosse tão sério, haveria nestas minudências judiciais pretexto para muitas gargalhadas. Mas o assunto é mesmo, infelizmente, muito sério. E não tenho vontade nenhuma de rir.

Publicado por José Mário Silva às 10:11 AM | Comentários (3)

PING PONG

Entra uma juíza, suaviza medidas coercivas.
Vem outra juíza e no seu turno torna a agravar essas medidas.
Vem outro turno, outro juiz, e eis que o agravamento determinado no turno anterior é anulado.
A justiça parece ter entrado num período de navegação à vista do turno.
Falta agora vir um funcionário assegurar-nos que isto é mesmo assim e só demonstra que em Portugal a justiça "funciona".
Uma pessoa bem pode querer dar tempo ao tempo e esperar que as coisas assentem para que se possa comentar a justiça em Portugal com "serenidade".
Assim torna-se difícil comentar o que seja.
É que não há uma ponta para se lhe pegar.

Publicado por tchernignobyl às 10:07 AM | Comentários (1)

POSSO ESCREVER ESTE POST? POSSO?

A polícia francesa deteve um suspeito de ter ateado o fogo no centro judaico de apoio social. O detido, de religião judaica, é um guarda do centro que a direcção do centro tinha intenção de despedir.
BBC

Não serve este post para negar que haja anti-semitismo em França, ou em muitos outros locais do mundo, mas somente dizer que there are more things in heaven and earth...

Publicado por Jorge Palinhos às 10:03 AM | Comentários (2)

agosto 30, 2004

SULISTAS AMARELOS

Marine e Cristophe vêm de Berlim à boleia a caminho do Festival de Teatro de Rua de Audrillac.
Apanho-os num cruzamento de duas estradas numa paisagem sem quaisquer pontos de referência.
Ganham uma boleia até Audrillac mas perdem tempo porque quero lá chegar pelos caminhos mais longos e tortuosos.
Subimos e descemos, deslizamos ao longo das margens da albufeira de uma barragem.
Os tons de verde da França rural são únicos sob a luz pálida do pôr do sol e há que passar com lentidão pelos lugares para registarmos tudo isso.
Em Audrillac é noite e começa a chover, o que traz novas potencialidades ao teatro de rua.
Estamos esfaimados mas Marine analisa metodicamente o aspecto dos restaurantes, os menus, os preços e conclui invariavelmente que não servem.
No ultimo estabelecimento da avenida principal, uma cervejaria, a chuva torrencial que agora cai convence-a a autorizar-nos a entrar e a sentarmo-nos a uma mesa.
Ainda discute preços com a patroa e protesta contra la "spéculation" quando o meu pragamatismo sulista açulado pelos gemidos plangentes do estômago se impõe e encomendo um bife com batatas fritas para cada um de nós e as correspondentes jarras de vinho.
Na rua, sob chuva intensa o espectáculo continua.
Três indivíduos arrastam com violência um terceiro que se debate até uma hipotética esquadra da polícia.
Um polícia de choque sem capacete passa com o cacete pronto a bater em qualquer coisa.
Actores? Personagens reais? Pelo sim pelo não ninguém sai do lugar para ir investigar.
Alguns metros ao lado, começam a trabalhar os saltimbancos, um grupo inicia um concerto de percussão com tampas de contentores do lixo.

Publicado por tchernignobyl às 11:38 PM | Comentários (2)

MARINE LA ROUGE

Estamos cheios de fome, andamos há horas por estradas secundárias e paramos numa cidadezinha do centro de França.
St. Flour.
Dirijo-me ao primeiro estaminé mas Marine diz-me que não é uma boa loja para comprar comida.
Cristophe vai a entrar num outro estaminé onde está claramente anunciado na porta que se vendem jambons e fromages mas Marine.. "C'est pas la bonne"...
Começo a desesperar. Se isto não são supermercados deveria ter parado num qualquer Géant algures em St Etienne e ter-me abastecido.
Finalmente percebo: Marine recusa-se a entrar em lojas que façam parte de cadeias de supermercados.
Ainda levam a política a sério lá pelo centro da europa.
Finalmente entramos numa loja aparentemente igual às outras mas que a nossa lider Marine decide ser a "correcta".
Uma empregada muito simpática e bonita distribui-nos pedaços de "salers", o queijo da região para provarmos, e sorri com à vontade para a minha câmera de filmar.
Dou razão a Marine.

Publicado por tchernignobyl às 11:17 PM | Comentários (6)

ABORTOS: BLINDADOS JURIDICAMENTE, ESTÚPIDOS COMO UMA PORTA DE BETÃO

Até quando vai continuar esta iniquidade que o Sr. ajudou a perpetuar Eng.º Guterres?
A história do barco é um "fait-divers" no meio disto tudo.

Publicado por tchernignobyl às 10:11 PM | Comentários (6)

CASCA

Numa porta da catedral de Lugo, uma "profanação":
Ladrones”, diz a indignada pichagem assinada com o simbolo anarca escarrapachado de um lado ao outro das gigantescas portas, um A atarracado como um esgar sarcástico dentro de um círculo achatado pela raiva.
Pedintes e devotos circulam pela praça entre a catedral e as muralhas romanas.
Um senhor transportando uma esfregona passa por cima das pernas de uma pedinte sentada na entrada com as pernas esticadas no chão e o ar sonolento de uma india boliviana, e procura limpar os restos de uma poça de mijo que resultaram de mais uma noitada de copos numa das muitas bodegas do casco histórico.
Vendo bem não será de admirar esta indiferença nos tempos que correm?

Publicado por tchernignobyl às 09:54 PM | Comentários (1)

QUEM DÁ O QUE TEM...

Quem sai de Vila Real a caminho do Porto pelo IP4 sobe uma ladeira de alguns quilómetros até encontrar, lá no alto da serra, uma área de estacionamento com uma vista magnífica .
A inteligência das autoridades que planearam este local de repouso vai de par com o nosso elevado grau de civismo que permitiu distribuir de forma harmoniosa e integrada na paisagem ao longo dos milhares de quilómetros de bermas das estradas nacionais portuguesas, do viçoso Minho ao chamuscado Algarve, o que seria uma lixeira de proporções monstruosas se concentrada num só local.
Este ponto de paragem no alto daquela serra transmontana não foge à regra.
A poucos passos das simpáticas mesas convidando ao farnel, num raio de muitas dezenas de metros é possível sem muito esforço reconstituir a partir dos detritos espalhados, os escaparates de qualquer supermercado, tal a variedade de embalagens de bebidas alcoólicas ou não, em pacote, lata ou garrafas de vidro ou plástico de todas as capacidades.
Sinal dos tempos, no espaço de dez minutos em que ali estive só não consegui detectar os clássicos garrafões de cinco litros.
Enquanto desentorpecia as pernas, um passeante, sentado a uma mesa de pedra coberta por uma toalhinha branca, batendo-se a uma opípara merenda explicava à família atenta (só uma mulher parecia mais concentrada em sacar sanduiches embrulhadas em guardanapos de papel de dentro de um saco, do que na douta prelecção) os benefícios daquele lugar:
Até que está bem visto , disse, uma pessoa passa por aqui descansa, vê a vista, mata a fome, aproveita para aliviar a tripa...”.
Aliviar a tripa ao ar livre eis um dos poucos prazeres que nos restam neste mundo plastificado.

Como no parquinho não existem “toilletes”, é assim possivel observar, a cinco ou seis metros da mesa onde se encontrava este nosso amigo, por todo o lado, montes de trampa e restos de papel higiénico misturados com o restante lixo.
Ao tentarmos afastar-nos um pouco para procurar um ponto onde o cheiro nauseabundo seja menos intenso, verificamos que de dez em dez metros nos sai debaixo de uma árvore um cavalheiro com o sorriso aliviado de quem aliviou a tripa, ou passamos por algum outro de costas para nós e na pose característica, como se atravessássemos as latrinas sem tecto de uma vasta caserna.
Imagino a cena à luz das estrelas... a única que me parece existir nesta "área de descanso".
Quem projectou este local de paragem, nem pode ser acusado de desleixo ou falta de higiene e certamente que tudo foi feito com a melhor das intenções.
Vendo bem, tal como os restos de comida e embalagens se distribuem pela paisagem indiferentes à presença tímida de uns recipientes para recolha do lixo nada garante que as instalações sanitárias fossem utilizadas e é compreensível que as autoridades tenham assim evitado um investimento supérfluo e até contrário ao amor dos portugueses pelo contacto com a natureza.
Alguns queixar-se-ão de que isto é “uma vergonha para os turistas”. E nós porra? E nós?

Publicado por tchernignobyl às 09:49 PM | Comentários (3)

PORTUGAL EM REDOR DO MUNDO

O Fernandes Thomaz já é famoso no Bahrain:

"It's a question of legality and morality," Secretary of State for Sea Affairs Nuno Fernandes Thomaz told Portuguese news agency Lusa.

Aliás, a reputação de Portugal deve ter disparado em todo o mundo islâmico:

But Portugal's centre-right government earlier on Saturday refused to give the vessel permission to enter national waters arguing the measure was intended to ensure the staunchly Roman Catholic country's laws against abortion were respected.

Ainda não é conhecida a perspectiva do Sultão sobre o assunto:

Portugal warned Sunday it would use force to keep a Dutch boat with an abortion clinic on board from entering its territorial waters as activists vowed to fight to find a way for the vessel help women terminate unwanted pregnancies.

Já os paladinos da vida estão maravilhados:

The goal of operators of the abortion ship is to recruit women from countries where abortion is illegal to board the ship and take them to international waters. Once there, the ship's Dutch home laws apply and abortions are then legal.

Publicado por Jorge Palinhos às 06:08 PM | Comentários (2)

O AYATOLLAH LUSO

A Zita Seabra diz:

Não se pode deixar de questionar: porque vem um barco para Portugal e não para a Argélia, ou para a Arábia Saudita? Ou para vastas zonas do globo onde as mulheres são casadas à força com quem nunca viram, como acontece ainda em muitos países islâmicos? Porque não navegam até ao Irão onde bater na mulher é um direito do seu dono?

Pois é, provavelmente o Irão faria a mesma coisa que o governo português.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:59 PM | Comentários (7)

JÁ CHEGÁMOS À AMÉRICA

O título da capa da edição em língua inglesa da última National Geographic: «Why are americans so fat?»
O título da capa da edição da mesma revista em português: «Porque somos tão gordos
Os esforços de um punhado de empenhados blogs portugueses da facção mais à direita do Partido Republicano, dá agora os seus frutos: já fomos todos naturalizados sem darmos por isso, enquanto a ponte aérea se dirigia a Bagdad.

Publicado por tchernignobyl às 04:54 PM | Comentários (13)

INCURSÃO BIZARRA

Entrei distraído naquela livraria de Lyon quando procurava uma caixa de Multibanco que me permitisse entrar no “bouchon” mais próximo preparado contra qualquer eventual preconceito anti-cartões.
Fui deambulando distraído ao longo das estantes e demorou algum tempo até perceber que tinha entrado numa livraria especializada em temas eróticos com forte perfume bizarro, como se me tornou evidente ao constatar a copiosa presença de clássicos do género como John Willys, Stanton e Jim nas prateleiras.
Começava a empreender um plano de exploração quando uma voz feminina vinda do fundo da loja me interpelou:
«Monsieur, s’il vous plaît!»
Voltei-me apreensivo.
Por um instante meditei na falta grave que teria cometido e pela qual iria agora ser certamente punido com severidade.
«Je vais manger et je veux fermer la porte, monsieur.»
Olhei para a rapariga e percebi então qual era o meu castigo:
Não fazer parte do menu.

Publicado por tchernignobyl às 04:51 PM | Comentários (2)

UMA PEQUENA ALDEIA GAULESA

É 2004 d.C. toda a Gália está ocupada pelos romanos. Toda, não, uma aldeia resiste ainda e sempre ao invasor.Num recanto da Gália, uma pequena aldeia resiste ainda e sempre ao invasor.

É liderada pelo chefe Abraracourcix, cujo único receio é que o céu lhe caia em cima da cabeça.


É defendida graças à poção mágica, de cujo segredo é único detentor o bom druida Panoramix.

E tem como principais habitantes o astuto Astérix.

O seu melhor amigo Obélix, grande amante de javalis, em quem os efeitos da poção mágica são permanentes.

E o bardo Assurancetourix, cujo enorme talento é incompreendido.

E com eles a vida não é fácil nas guarnições romanas de Babaorum, Petibonum, Aquarium e Laudanum.

Publicado por Jorge Palinhos às 01:48 PM | Comentários (9)

AFINAL TAMBÉM TENS LEITORES BRONCOS, MACGUFFIN!

Um leitor do Macguffin sugere que celebremos a primeira medalha de ouro de Israel. Eu normalmente tenho grande simpatia pelos pequenos países que furam o monopólio olímpico dos países (centralizados estatizantes, segundo o João Miranda) do costume.
O problema é que a sugestão traz água no bico: o nosso "anti-semitismo" (confirmar também aqui).
Por isso, enquanto não chegamos à fase em que, quem se atrever a aventar timidamente que a legitimação dos colonatos israelitas abre um perigoso precedente internacional em relação às conquistas territoriais é imediatamente preso, torturado e dependurado pelos testículos, e quem afirmar que "os palestinos não existem" é aclamado em êxtase (aliás, quem afirma que os "palestinos não existem" já é aclamado!), acho que me vou dar ao luxo de ignorar olimpicamente a sugestão.
Espero é que o leitor do MacGuffin tenha também recomendado que comemoremos a medalha de ouro dos Camarões, a medalha de ouro dos Emiratos Árabes Unidos, a medalha de prata de Hong Kong, a medalha de bronze da Mongólia, a medalha de bronze de Trinidad e Tobago e a medalha de bronze da Colômbia, pois caso contrário terei de deduzir que o dito leitor é racista, islamofóbico, anti-asiático, tem qualquer coisa contra os mongóis, odeia os carabenhos e faz parte o cartel de Medellin.

Chiça! Estou a começar a descobrir o que sentiam os pobres desgraçados que eram obrigados a berrar "Heil Hitler!" e "Viva o pai dos povos!" só para não serem acusados de "judeus" ou de "reaccionários burgueses" e consequentemente metralhados.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:26 PM | Comentários (1)

OS SINOS TOCARAM EM MARANELLO...

...e Michael Schumacher é campeão do mundo de Fórmula 1. Mais uma vez. Já lhes perdi a conta.
A minha equipa favorita, a Ferrari, é mais uma vez campeã do mundo por equipas. Os meus pilotos favoritos do momento, Jenson Button e Jarno Trulli, tiveram uma prova infeliz, registando abandonos. No caso de Trulli, foi mais uma vítima de Montoya. E ainda dizem mal do Schumacher...
Para nem tudo correr mal desportivamente ao Zé Mário, agora que o resto da sua vida lhe corre às mil maravilhas, o Vitória de Setúbal teve uma expressiva vitória no seu regresso à primeira divisão. O nosso Sporting teve uma vitória que poderia ter sido bastante fácil, não fosse ter jogado com um atacante que se tem revelado uma nulidade (o tal de Pinilla) e os problemas no quarteto defensivo que já transitam da época passada. Mas Rogério é mesmo reforço e Paíto, Carlos Martins e Danny parecem querer afirmar-se.

Publicado por Filipe Moura às 02:44 AM | Comentários (5)

agosto 29, 2004

DIA DE NÚPCIAS (6)

bolo.jpg

Publicado por José Mário Silva às 11:50 PM | Comentários (3)

DIA DE NÚPCIAS (5)

bouquet.jpg

Publicado por Margarida Ferra às 11:49 PM | Comentários (2)

DIA DE NÚPCIAS (4)

beijo.jpg

Publicado por José Mário Silva às 11:48 PM | Comentários (2)

DIA DE NÚPCIAS (3)

alianca.jpg

Publicado por Margarida Ferra às 11:46 PM | Comentários (1)

DIA DE NÚPCIAS (2)

cartorio.jpg

Publicado por José Mário Silva às 11:45 PM | Comentários (1)

DIA DE NÚPCIAS (1)

petalas.jpg

Publicado por Margarida Ferra às 11:42 PM | Comentários (3)

ENTÃO?

Que os recém-casados continuem desfalecidos de tanta felicidade, ainda lá vá. Mas o que é feito dos restantes 4/7 deste blogue? Está tudo de licença matrimonial, por solidariedade?
Eu, para conseguir ligar o computador do mosteiro e postar isto, tive de dizer ao abade que tinha topado uma relíquia do Santo Lenho no e-bay...

Publicado por Luis Rainha às 10:05 PM | Comentários (1)

agosto 28, 2004

E FOI MUITO BEM

Saio por uns minutos do meu retiro espiritual no mosteiro de S. Bartolomeu só para vos anunciar que o anunciado enlace foi tudo aquilo que esperávamos e muito mais ainda: noivo nervoso e algo renitente na hora de pronunciar o oficial "sim"; noiva ravissante; progenitores embevecidos; "alianças" mui originais e simbólicas; testemunhas comovidas e quase plangentes. Enfim, melhor não se poderia desejar.
O lauto repasto que encerrou o festivo dia também foi digno de nota: sápidas vitualhas e animação em barda (pelo menos na parte de que me consigo lembrar bem).
Agora, tenho de ir; o irmão Ananias quer o modem de volta.

Publicado por Luis Rainha às 10:53 PM | Comentários (8)

agosto 27, 2004

É HOJE

Publicado por José Mário Silva às 07:52 AM | Comentários (31)

PARIS PLAGE

Este ano, tirando uma breve escapadela à Normandia e uns curtos dias no Nord-Pas de Calais, no Canal da Mancha, tem sido esta a minha praia.

Image02.jpg

Uma das razões por que Paris não é uma cidade perfeita (pelo menos para mim) é a falta da proximidade do mar. Quero mar! Quero vento! Quero areia natural! E é isso que vou procurar por uns dias. Até já.

Publicado por Filipe Moura às 01:56 AM | Comentários (3)

CLONE DE BOBONE PEDE ESMOLA NA SORBONNE

Hei-de falar com mais calma sobre a mendicidade parisiense. Pode ser que, por eu ter estado em Nova Iorque (onde imperam as leis do "no soliciting") eu não esteja (não estou, de facto) habituado a isto. Em Portugal (em Lisboa, que é onde há mendigos) estes têm um ar humilde e suplicante; em Paris, têm um ar insuportavelmente petulante.
Todos os dias tenho de aturar um no combóio suburbano (RER) de regresso a casa, que se põe a fazer um grande discurso em voz alta e não me deixa ler ou viajar sossegado. Mas não é por isso que vos escrevo. É que num destes fins de semana vi um clone de Paula Bobone na Paris Plage. Uma senhora muito vistosa, de calça e casaco, com o cabelo arranjado exactamente como Bobone, de saltos altos e mala a tiracolo. Tinha um aspecto muito mais fino do que eu (não é difícil). Veio perguntar-me (e às outras pessoas que só queriam apanhar um pouco de sol) se ninguém tinha uns euros para lhe dar. Assim, directamente, sem mais nem menos. Eu disse-lhe que não; ela olhou para mim, com um ar superior, como se me quisesse chamar "pobre!"
A Paula Bobone original escreveu num dos seus livros (do qual eu li umas partes numa livraria do Chiado, tendo dado umas gargalhadas) que o não ter emprego era (cito de memória) "uma situação perfeitamente normal" e que "deveria ser encarada com dignidade" (esta é uma das passagens que eu não hei-de esquecer). Não me vou pronunciar sobre a "dignidade", nem de Bobone e nem da senhora que eu encontrei no Paris Plage. Apenas me lembrei que, se algum dia os portugueses ligassem a Bobone o que ela merece e não lhe comprassem livro nenhum, e se Bobone porventura tivesse necessidade de pedir esmola (não lhe desejo isso, a ela e nem a ninguém), provavelmente ela fá-lo-ia exactamente da mesma maneira que a senhora do Paris Plage.

Nota: O "na Sorbonne" era só para rimar, embora a Sorbonne não estivesse assim tão longe. Peço desculpa mas não sou nenhum André Belo.

Publicado por Filipe Moura às 01:50 AM | Comentários (3)

agosto 26, 2004

OBRIGADO, OBIKWELU

Hoje faltou-te força e aquela aceleração brutal nos últimos metros, mas não a elegância da corrida. Ficaste em quinto? E depois? A outra medalha, a de prata, já cá canta. E tu, Francis, continuas a ser um atleta excepcional e um exemplo para este país que não sei se te merece.

Publicado por José Mário Silva às 09:12 PM | Comentários (9)

AINDA O ANTI-SEMITISMO

Lá do seu retiro vagamente monástico, talvez já consumido pela síndrome de privação bloguística, o nosso camarada Luis Rainha chama a atenção para um artigo que «terá o seu quê de profícuo» nas polémicas sobre o anti-semitismo em França. Leiam-no e discutam-no.

Publicado por José Mário Silva às 08:13 PM | Comentários (7)

GRANDES VERDADES SUSTIDAS NA MARGEM

Depois de um longo silêncio, a escritora Marta Cristina de Araújo voltou a publicar. O pequeno livro de capa verde, editado pela ASA na colecção pequeno formato, intitula-se «Os Meios de Transporte».

Um excerto:

«O mar ali ao lado, mediterrânico, familiar, dos jantares a vê-lo adormecer do terraço, das grandes verdades sustidas na margem, árvores entre o sal e a terra, conhecidas desde a hastezinha e da estaca domadora. Jardineiro sorri entre buganvílias e gerânios, altera o estender à sombra da acácia e do chorão, Ofélia pendente sobre os rios da largura de um corpo longo, vestido de linho e algas. Parca a corrente, assim se ouvem as vozes e loucura do canto. Perto, ainda não as amaráguas do rio Verde, só na estação distante das nuvens raras.»

Assino recensão sobre o livro, aqui.

Publicado por José Mário Silva às 08:10 PM | Comentários (3)

RUN, OBIKWELU, RUN

Falta menos de uma hora para a final de 200 metros planos em Atenas (e talvez para uma medalha portuguesa). Força, Francis. A pista é toda tua.

Publicado por José Mário Silva às 08:03 PM | Comentários (2)

agosto 25, 2004

...MAIS PARIS LIBÉRÉ!

Na manhã do dia 25 de Agosto de 1944, a divisão do General Leclerc e as tropas americanas entravam em Paris, aclamados por uma imensa multidão. Era o fim do pesadelo nazi. Às 20 horas o general von Choltitz assinava a sua rendição, desobedecendo às ordens expressas de Hitler, que lhe exigira a destruição completa da cidade.

Publicado por Manuel Deniz às 07:15 PM | Comentários (13)

PARIS MARTYRISÉ...

Há 60 anos, milhares de parisienses lutaram pela libertação da capital francesa da ocupação nazi. Resistentes e civis deram a sua vida, barricada a barricada, rua a rua, casa a casa, para que a mais bela cidade do mundo recuperasse a sua liberdade.

Publicado por Manuel Deniz às 07:10 PM | Comentários (0)

RESPOSTAS AVULSO

O Rui protesta contra algumas das observações que lhe fiz e ignora outras. Está no seu direito. Para não prolongar esta história que já cansa vou só abordar duas das tuas afirmações:
Dizes que o anti-semitismo em França não pode ser desligado de este país ter a “maior comunidade muçulmana da Europa”. Eu gostava que fosses mais preciso: não pode ser desligado de a França ter “a maior comunidade muçulmana da Europa” ou não pode ser desligado de ter “a maior comunidade muçulmana da Europa atrás da qual se escondem vários movimentos fundamentalistas islâmicos”?
Perguntas o que é a islamofobia e se não se trata de uma invenção recente para contrariar críticas ao Islão. Bem, tanto quanto sei o termo foi divulgado em França por Tariq Ramadan. Quanto ao seu objectivo só vejo duas hipóteses: servir para destacar e dar importância à descriminação de muçulmanos em relação ao racismo, pois o Islão, tal como o Judaísmo, não é uma raça; ou servir de insulto, tal como recentemente o “anti-semitismo”, a todos os que fazem críticas aos estados daquela inspiração religiosa. Qual é a tua opinião?

O MacGuffin, depois de ter afirmado: "Começa a estar gasto esse novo expediente que invoca a “a confusão entre antisemitismo e contestação às opções políticas do Estado de Israel” para ardilosamente esconder o que, em muitos casos, está por detrás das ditas «contestações»: o mais puro ódio aos judeus” (frase destacada mantida no contexto original) diz que “não compreendo o seu ponto de vista” (frase retirada do contexto original e por isso altamente sujeita a deturpações). Eu, tendo em conta que o mesmo post do MacGuffin tinha levado o JMF a concluir que, como crítico das políticas do governo israelita, tinha a obrigação de cantar “Eu odeio os judeus…”, julguei que duas cabeças pensavam melhor que uma e logo a interpretação dos últimos posts do Contra a Corrente estava certa. Mas provavelmente o Jmf, tal como eu, só tem uma "cabecinha" e é óbvio que duas "cabecinhas" não pensam tão bem como a "cabeçorra" do MacGuffin.
Jmf, combinamos o seguinte: quando receberes spam mail do género "Aumente já a sua cabecinha em 30% de tamanho!" manda-me a mensagem. Acho que precisamos de todos os comprimidos que arranjarmos para não nos sentirmos inferiorizados em relação ao MacGuffin.

Publicado por Jorge Palinhos às 06:39 PM | Comentários (2)

E O ANTI-SEMITISMO NOS EUA?

Depois de consultar o relatório da CE, ficou-me uma dúvida. O fenómeno de anti-semitismo será somente europeu? Afinal, lendo qualquer blog filo-sharoniano ou revista online de direita somos imediatamente informados que o anti-semitismo é uma peste "intrinsecamente europeia", directamente relacionada com a simpatia pela causa palestiniana.
Mas o que se passará nos EUA, onde os media e a opinião pública são maioritariamente favoráveis a Israel?
Fiz umas pesquisas. A primeira coisa que descobri, lá muito escondida entre 300 000 artigos de opinião “revoltados” com o “anti-semitismo de esquerda” e o “anti-semitismo galopante na Europa” ou o “escandaloso anti-semitismo em França”, foi uma singela notícia que dizia o seguinte: a Anti-Defamation League (ADL), a principal associação americana de combate ao anti-semitismo, tinha conduzido um estudo em Maio de 2002, pouco depois da comoção da batalha de Jenin, para estudar a presença do anti-semitismo nos EUA e tinha descoberto que este estava a aumentar. Segundo o estudo, havia 17% de americanos com sentimentos anti-semitas “hardcore” e 35% com laivos anti-semitas, num total de 52% de população propensa ao anti-semitismo. O estudo indica ainda que houve 626 incidentes anti-semitas nos EUA só entre Janeiro e Maio de 2002. Ou seja, se a média mensal se mantive, no ano de 2002 deverá ter havido cerca de 1200 a 1300 incidentes anti-semitas na América! Terei visto bem ou nos EUA em 2002 houve mais incidentes anti-semitas do que na Europa toda!!!

(Não, não vou começar a ter a posição obscena de andar a discutir quem é mais anti-semita!)

Dirigi-me então ao site da ADL e, na página sobre o anti-semitismo nos EUA, logo no topo, diz que o número de incidentes na América em 2003 tinha sido de 1557. Curioso! Já li muitos artigos de opinião americanos a criticar o anti-semitismo em França, mas nunca vi referido o anti-semitismo doméstico. E também não me recordo de o Nuno Guerreiro, no seu excelente blog, falar sobre isso.

Já na página da ADL sobre o resto do mundo, a primeira coisa que me saltou aos olhos foi um estudo recente que refere que em 8 países europeus o anti-semitismo baixou, incluindo a França!!! Nesta, a percentagem de indivíduos que revelam algum tipo de laivos anti-semitas baixou de 35 para 25%, em Espanha baixou de 34 para 24%, na Itália baixou de 23 para 15% e os únicos países onde se detectou uma subida foi na Grã-Bretanha, onde subiu de 18 para 24%, e na Holanda, onde subiu de 7 para 9%. Peço-vos o favor de olharem para o início deste post onde menciono os dados sobre americanos com laivos anti-semitas.

Por um feliz acaso consegui descobrir o estudo de 2002 da ADL sobre o anti-semitismo americano, que por sinal está cheio de informações interessantes:
Por exemplo, refere que nos campus universitários americanos existe, ao contrário do resto do país, uma maior percentagem de população crítica do estado Israelita (62% entre os docentes e 51% entre os discentes), mas, em compensação, a percentagem de indivíduos anti-semitas é muitíssimo inferior ao resto do país (5% no corpo docente e 3% entre os alunos). O título do capítulo a propósito deste assunto é, aliás, contundente: Anti-Semitism on college campuses is virtually non-existent.
A este propósito, o inquérito da ADL sobre a Europa que mencionei antes refere que, embora o anti-semitismo tenha baixado na Europa, aumentou o número de opiniões negativas sobre o governo israelita. Aparentemente, esta organização judaica ainda consegue distinguir anti-semitismo de protestos pelo comportamento da democracia israelita, ao contrário do MacGuffin.

Segundo o mesmo estudo de 2002, verifica-se entre os indivíduos de cariz marcadamente anti-semita uma elevada propensão para concordarem com afirmações como “a Sida é um castigo divino devido à falta de moral sexual”, “os livros com ideias perigosas devem ser banidos da bibliotecas” e “existem raças com qualidades diferentes”, pelo que se deduz que o anti-semitismo é mais frequente entre sectores com tendências para o fundamentalismo religioso, para o racismo e para a intolerância.
Aliás, o estudo esforça-se por traçar um perfil do anti-semita, apontando como vectores fundamentais o baixo nível educacional, a percepção de os judeus terem “muito poder”, a intolerância e indica que é mais frequente entre grupos étnicos desfavorecidos, como os afro-americanos e os latino-americanos. Enfim, um perfil não muito longe do que já havia sido traçado pelo estudo europeu e que me levou a supor que o anti-semitismo não deixa de estar, por alguma razão que me escapa, a problemas sociais.

No final - é mesmo a última frase do relatório – o estudo da Anti-Defamation League, tem esta afirmação perfeitamente escandalosa para a qual vou abrir alas para vos dar tempo de ficarem de boca aberta:


The 10 years of ADL research have shown that political ideology and party
affiliation are not drivers of anti-Semitic propensities.

Cooooooooooommmoooooooooooooo??? Então e os "genes da esquerda com traços anti-semitas"? E o cuidadosamente fundamentado post do Nuno Guerreiro sobre o “anti-semitismo da esquerda”? E o anti-semitismo primário e secundário? Será que a ADL, que se diz uma organização judaica apoiante acérrima das políticas israelitas, não passa afinal de uma corja anti-semita disfarçada???


PONTO FINAL – Não estou interessado em discutir que país, cultura ou ideologia é mais anti-semita. Estou interessado, isso sim, em discutir as causas do anti-semitismo, do racismo e da xenofobia para perceber como melhor combatê-los. Estou interessado em discutir de forma razoável o conflito israelo-palestiniano com pessoas que tenham opiniões diferentes das minhas. Não estou interessado em discutir com pessoas que trocaram o cérebro por um dicionário de insultos e não conseguem distinguir críticas a Israel de “ódio puro aos judeus”.

Publicado por Jorge Palinhos às 06:14 PM | Comentários (6)

PUBLIC JOKE (2)

Sara Pina, a ex-assessora de imprensa do Procurador-Geral da República (conhecida por ter posto a boca no trombone sobre o processo Casa Pia, violando grosseiramente o segredo de justiça), vai continuar a dar aulas na Universidade Lusófona. Até aqui tudo bem. Curioso é o nome da cadeira que lecciona: Teorias e Princípios Deontológicos do Jornalismo.

Publicado por José Mário Silva às 02:35 PM | Comentários (9)

PUBLIC JOKE

Ainda segundo o 24 Horas, são cada vez mais as portuguesas que recorrem aos serviços de cirurgiões plásticos. Há até, sublinha o tablóide, quem recorra a intervenções clínicas para repor a virgindade. E acrescenta: «A operação passa pela reconstrução do íman». Leram bem: íman.
Pois é. A mim sempre me pareceu muito suspeita, aquela história do magnetismo sexual.

Publicado por José Mário Silva às 02:27 PM | Comentários (7)

PRIVATE JOKE

Segundo o 24 Horas, o «casamento do ano» realiza-se no próximo sábado. Ora isto é uma rotunda mentira. Toda a gente sabe que o «casamento do ano» se realiza esta semana, sim, mas um dia antes: sexta-feira, dia 27.

Publicado por José Mário Silva às 02:11 PM | Comentários (9)

DÂMOCLES, SEMPRE PRESENTE


Cartoon de Mike Lane, «The Baltimore Sun»

Publicado por José Mário Silva às 02:04 PM | Comentários (1)

UMA PERGUNTA PROVOCATÓRIA

Bem, a pergunta será um pouco provocatória, mas é posta muito a sério. Será que o judaísmo é uma ideologia racista por natureza?
Isto tem uma base, não é atirado para o ar assim sem mais nem menos. É a velha questão do "povo escolhido".
Que é isto de um povo escolhido? Ainda não encontrei nenhum judeu, nem dos laicos, nem dos religiosos, que me conseguisse explicar de forma credível qual a diferença que há entre considerar um povo como escolhido e considerar todos os outros como excluídos. O máximo que conseguem é dizer-me coisas como "não é racismo nem exclusão, porque qualquer pessoa que se converta ao judaísmo passa a pertencer ao povo de israel, independentemente do povo ou raça de origem". Quando lhes tento explicar a fragilidade do argumento, pareço esbarrar numa parede de incompreensão que parece inultrapassável.
Sim, porque o argumento esboroa-se com um sopro. Significa o argumento que as pessoas passam a não ser excluídas automaticamente (a não ser inferiores?) no momento em que se convertem ao judaísmo. OK, mas e se eu, usando o meu livre arbítrio, não me quiser converter ao judaísmo? Estou condenado à discriminação? À exclusão? A ser encarado como um inferior por não pertencer (nem querer pertencer) ao povo escolhido? Que é isto senão uma forma de racismo?
Há por aí algum judeu que consiga finalmente explicar isto? Com pés e cabeça?
É que esta dúvida leva a outra: até que ponto é esta atitude responsável pela atitude assassina que o estado de Israel tem tido ao longo da história e pela incapacidade que a esmagadora maioria dos judeus mostra (não todos, felizmente) de condenar, sem que a condenação seja matizada por uma espécie qualquer de desculpabilização, um estado que ocupa ilegalmente território de outro povo, que foi responsável desde o seu nascimento por limpeza étnica, que chegou mesmo a colocar árabes em campos de concentração, que é recordista mundial (e de muito longe) no número de resoluções da ONU que desrespeitou, que está a construir um muro muito mais vergonhoso do que o muro de Berlim, o qual, apesar de toda a sua carga negativa, nunca procurou anexar território, e que continua ainda hoje em dia a construir e a ampliar colonatos que povoa com os mais fascistas de todos os israelitas, gente para a qual palestiniano bom é palestiniano morto.
Para facilitar o trabalho, devo dizer também que o judaísmo não é inteiramente original em tudo isto: para os muçulmanos, os infiéis (especialmente os que não pertencem a nenhum dos "povos do livro") são tolerados de forma paternalista (no islamismo moderado) ou claramente inferiorizados no islamismo fundamentalista por praticarem normalmente actos contrários à sharia e considerados pecado mortal.
Para o cristianismo, em especial para algumas das suas correntes dominantes, passa-se ou passou-se algo de muito semelhante. Para outros grupos, a xenofobia de origem étnica ou religiosa toma outras formas mas também existe. Mas é raro, em especial nos tempos que correm, que uma estrutura religiosa ou filosófica incorpore de um modo tão claro e fundamental conceitos que têm implicações imediatas na forma de olhar o outro como acontece com o conceito judaico do povo escolhido.
Fico à espera de respostas. Já sei que não faltarão os gritos de anti-semita vindos dos fascistas do costume, mas esses não são mais que lixo. Quero respostas é dos outros, os que ainda vão resistindo a entrar neste tipo de retórica imbecil.
Ainda há alguns, não há?
(Jorge Candeias)

Publicado por José Mário Silva às 01:57 PM | Comentários (11)

EM BREVE TAMBÉM SABEREI O QUE ISSO É

O Nuno Costa Santos, grande amigo e grande blogger, foi pai há poucos dias. Ao telefone, disse-me o que eu esperava: não existe alegria maior, nem mais violenta, nem mais bela.
Muitos parabéns para ele, para a Mónica e para o Rodrigo, o puto sortudo que se pode orgulhar (e muito) dos magníficos progenitores que tem.

Publicado por José Mário Silva às 01:42 PM | Comentários (3)

OUT OF NOWHERE

Há uns dias, perto da Lousã, cruzei-me com um hippy numa aldeia abandonada. À sombra das casas em ruína, ele de pedra e cal, eu de passagem, devemos ter formulado a mesma frase não dita: «Mas o que é que este gajo está aqui a fazer, no meio da serra?»

Publicado por José Mário Silva às 01:36 PM | Comentários (1)

FABRICE LUCHINI

É um dos mais carismáticos actores franceses, especialmente bom nos papéis palavrosos que Rohmer lhe reserva. O Alexandre Andrade, rohmeriano-mor da blogosfera, chama-lhe «electrão livre». E não podia estar mais certo.

Publicado por José Mário Silva às 01:21 PM | Comentários (0)

VENI, VIDI, «CÓDIGO DA VINCI»

Em pouco mais de quatro meses, o best-seller de Dan Brown bateu todos os recordes da edição em Portugal: 150.000 exemplares vendidos (um número absurdo para o nosso mercado) e o 1.º lugar no top em 99% das livrarias. É a loucura completa, ao ponto da Bertrand (a editora nacional da obra) se ver obrigada a recorrer a diversas gráficas para dar vazão às encomendas. E o mesmo se passa em todo o mundo, de Paris a Nova Iorque. Pelos vistos, a tendência para engolir patranhas pseudo-místicas, envoltas na sempre cativante aura do mistério, está a transformar-se numa maldição universal.

Publicado por José Mário Silva às 12:51 PM | Comentários (18)

A NAMORADA CIUMENTA

Não resisto a transformar em itálico o comentário deixado ontem, por um leitor (o sacha), neste post do Filipe Moura.
Ora apreciem:

O Obikwelu parece ser um indivíduo simpático e humilde. Por isso mesmo, além de ser português e nigeriano, gostei de vê-lo intrometer-se no meio da habitual arrogância americana que queria pôr três atletas no podium. Mas é preciso não só ser-se muito simpático mas ter muita paciência para aturar os jornalistas portugueses que mais pareciam uma namorada adolescente ciumenta a perguntar de quem ele gostava mais, se de Portugal ou da Nigéria:

- Ainda gosta da Nigéria?
- Não, eu só pensa em Portugal.
- De certeza? Não pensa nem um bocadinho na Nigéria?
- Não, Portugal querida, eu amar-te muito, eu só pensa em ti, já forget Nigéria.
- Espero bem que sim, essa Nigéria só te fez sofrer, eu é que te dou amor e carinho, por isso pensa só em mim, sim?
- Sim, claro.
- Mas de certeza que já a esqueceste, olha que eu sei que essa Nigéria é uma negra linda.
- Eu já não querer saber de Nigéria. Zangado com Nigéria.
- Mas amas-me mesmo ou estás só a vingar-te da Nigéria?

Enfim, às vezes não há nada como uma namorada ciumenta para destruir um amor. (sacha)

Publicado por José Mário Silva às 12:42 PM | Comentários (0)

CALÕES

Sinto que estou rodeado por calões, aqui e em Portugal. Nunca vi tanta gente sentada em cafés e esplanadas como em Paris, durante todo o ano. Ao mesmo tempo, estou desde há vários dias sem poder ler o meu email, por avaria na rede informática da Cité Universitaire. Após reclamações diárias, só amanhã vão começar a trabalhar no problema.
Esta avaria também não me permite ver vídeos pela rede, algo que costumo fazer aqui. Mas no caso da RTP (um serviço público), mesmo que quisesse ver os telejornais também não poderia, pois não são actualizados desde o dia 19. Mais outro caso de preguicite.
Com isto estava para comentar o editorial de José Manuel Fernandes. Mas não posso; tenho de ir trabalhar.

Publicado por Filipe Moura às 01:40 AM | Comentários (0)

TERCEIRA MEDALHA

E eis que surge a terceira medalha para um atleta do Sporting: Rui Silva, medalha de bronze nos 1500 metros. Só confirma o que escrevi no texto anterior. Yuriy Bilonog, Francis Obikwelu, Rui Silva: três campeões, três representantes do clube de António Stromp e Carlos Lopes, entre tantos outros. As medalhas e o mérito são todos dos atletas. Portugal tem de agradecer aos atletas (bem, principalmente aos dois últimos se considerarmos as medalhas), aos seus treinadores e ao prof. Moniz Pereira e respectivas equipas. Parabéns a todos (e também ao ciclista Sérgio Paulinho, claro).

Publicado por Filipe Moura às 01:38 AM | Comentários (6)

FRANCIS: ESFORÇO, DEDICAÇÃO, DEVOÇÃO E GLÓRIA

Quando escrevi que Francis Obikwelu, para mim, era um atleta do Sporting, tinha dois objectivos em vista. Para além de querer recordar o papel fundamental que o Sporting teve, ainda tem e espero que continue sempre a ter no atletismo português (devido sobretudo a Mário Moniz Pereira), queria desvalorizar a discussão sobre a nacionalidade do atleta. Não que não o ache português; Portugal foi o país que o acolheu, foi em Portugal que ele se fez atleta. Só que, se com tal discussão previsivelmente surgem racismos deploráveis (o que só há motivo para a ter - nestas coisas convém às vezes pôr o dedo na ferida), também surge sempre hipocrisia. É uma hipocrisia dizer-se, como também se diz agora, que Francis Obikwelu é um exemplo de como os imigrantes africanos são bem recebidos e bem tratados em Portugal, que são uma história de sucesso, que Portugal é um paraíso dos imigrantes.
Por outro lado, há também o texto do meu prezado Daniel Oliveira que, numa entrada ao seu melhor estilo (título bombástico, uma ilustração a preceito, dezenas de comentários - assim até parece facil fazer um blogue), afirma que Francis é "português de coração e raça". Ora bem: com que base pode o Daniel afirmar isto? De onde conhece ele o Francis Obikwelu para saber como ele se sente? E sobre a mênção (à António Ribeiro Ferreira) à raça: será que, se em vez de negro, o Francis fosse louro de olhos azuis o Daniel se referiria à mesma? Está certo que se Francis fosse louro de olhos azuis não teríamos nenhum comentário racista nem discussão nenhuma; esta referência por parte do Daniel faz parte da sua estratégia provocatória, do "pôr o dedo na ferida" que eu referi. Mesmo que não seja aproveitamento político (e eu nada tenho contra o aproveitamento político, atenção), é no mínimo paternalista. E o Francis não precisa nada do nosso paternalismo. É um grande atleta, que aos 16 anos largou o seu país e a sua família para vir trabalhar como trolha num país estranho, cuja língua desconhecia. Tornou-se atleta e ganhou uma medalha nos Jogos Olímpicos, numa das provas mais míticas, tendo terminado à frente de atletas que nunca conheceram as suas dificuldades. Não importa a sua nacionalidade. É um exemplo, em qualquer parte do mundo. É um campeão.

Publicado por Filipe Moura às 01:32 AM | Comentários (1)

agosto 24, 2004

ÓNUS DA PROVA

Ana Albergaria acusa o BdE de anti-semitismo.
E desafia-nos a demonstrar-lhe que o não somos.
Pelo contrário, parece-me que ao fazer uma acusação tão grave (que ela sabe com certeza ser falsa) deveria pelo menos dar-se ao trabalho de indicar exemplos concretos.

Publicado por tchernignobyl às 11:54 PM | Comentários (4)

SERENDIPITIES

De regresso ao blog leio com surpresa e pena o post do Luis Rainha sobre a entrada em sabática.
Por um lado, a iliteracia aguda de alguns dos seus críticos justifica a medida.
Por outro lado quando se lêem as elaborações ou "leituras" (se assim se lhes puder chamar) de alguns bloggers a partir de textos do Luis dá para nos reconfortarmos com o grau de criatividade que por vezes acompanha a estupidez.
E isso, se lido com um mínimo de distanciamento até que diverte.

Publicado por tchernignobyl às 11:44 PM | Comentários (0)

SOLIPSISMO

De regresso à "realidade" depois de quase um mês em que pela primeira vez desde há uns anos cedi às minhas tendências solipsistas.
Passar quase um mês a sós, a guiar por estradas ao acaso e dizer que "viajámos" é um alibi.
Na realidade é como se nos sentássemos numa sala dias e noites a fio e nos ligássemos a um canal de video pay per view que nos envolvesse num documentário em ecrã panorâmico.
Esta ficção pode manter-se desde que não nos enfaixemos contra um TIR algures numa estrada em Castela, ou não esbarremos contra uma rocha ao fazer uma curva mais apertada numa estrada remota do "país cátaro".

Publicado por tchernignobyl às 11:35 PM | Comentários (6)

O PRIMEIRO ROUBO DE BLOG

O caso já foi difundido por vários blogs e não é para menos! Assistiu-se recentemente a um verdadeiro roubo de um blog! O blog Desesperada Esperança desapareceu recentemente, por motivos desconhecidos. Segundo percebi, o autor do blog reinscreveu-se novamente no mesmo endereço bo Blogger, só para descobrir que o blog passou a ser gerido por outra pessoa completamente diferente e desconhecida!
Falou-se até agora do direito de expressão e de informação em relação aos blogues. Talvez esteja na altura de começar a falar no direito de propriedade!

(Nota: não faço link porque não sei se isto não será um crime informático.)

P.S. - Já agora, anti-piadas, sim, direito de propriedade. Sou a favor do direito de propriedade como direito cívico e não como direito sagrado como defendem os blogs de direita.

Publicado por Jorge Palinhos às 06:45 PM | Comentários (4)

A VERSÃO PORNOGRÁFICA DO COZINHO PARA O POVO

Eu, na minha inocência, sempre julguei que tinha um conhecimento bastante alargado, pelo menos em termos teóricos, das variedades sexuais humanas, e acreditava que o erotismo de uma mulher a comer era essencialmente metafórico.
Descubro hoje a minha ignorância: segundo o Correio da Manhã existe uma tendência sexual, chamada "feederism" ou "alimentismo", que consiste em o homem ficar excitado por ver uma mulher comer brutalmente até ficar gordíssima. A coisa parece ser tão popular que até já há revistas especializadas e leis contra isso!
Eu, pessoalmente, não deixo de achar que estes pervertidos seriam muito úteis em África. Especialmente se pertencessem à subvariante pedófila.

Publicado por Jorge Palinhos às 06:24 PM | Comentários (2)

INTERLÚDIO TRÁGICO-BIZARRO

O presidente da Geórgia diz ser provável uma guerra com a vizinha Rússia e "acreditar que o seu país foi já vítima, na última semana, de um ataque de forças russas".
Já informaram o Putin disto?

Publicado por Jorge Palinhos às 06:20 PM | Comentários (0)

A TENTAÇÃO DO TOTALITARISMO

Gostava de chamar a atenção para este diálogo entre Tzvetan Todorov e Jacques Juillard onde discutem a moralidade da política. Ambos os pensadores se opuseram à guerra do Iraque, mas por razões diferentes. Juillard adoptou a posição humanitária e legalista da maioria da esquerda, Todorov opôs-se por ser contra todas as ingerências que não sejam para impedir genocídios.
A posição política de Todorov, explicada neste livro, é interessante e merece reflexão. Segundo Todorov, a democracia assenta na não-moralidade do Estado perante as diferentes opiniões e grupos. Isto é, o Estado não deve tomar posição sobre as crenças e atitudes dos diversos grupos e indivíduos, preocupando-se apenas em manter o seu equilíbrio.
Para Todorov, a moralização da política - o assumir a nossa posição como única e absoluta e identificar as posições diferentes com o mal absoluto - é a raíz de todos os totalitarismos, pois na medida em que negamos a validade das posições que nos são antagónicas, estamos a legitimar que essas posições sejam definitivamente eliminadas. É esta raíz do Holocausto, sugere Todorov, é esta a raíz das purgas de Estaline: ao passarem a considerar-se o "BEM", estas ideologias justificaram perante si próprias a opção pela destruição dos que se lhes opunham.
A crítica que Todorov fazia à Guerra do Iraque era que os EUA, ao identificarem o regime iraquiano como "o Mal", sem qualquer agressão prévia e sem quaisquer provas, enveredavam assim pelo caminho totalitário em que a sua posição se tornava o "Bem" absoluto. Esta mentalidade tornou-se, aliás, cada vez mais nítida na direita, à medida em que esta chamava aos opositores da guerra os "amigos dos terroristas" ou "os apoiantes de Saddam".
Essa mesma tentação totalitária, a "tentação do Bem", verifica-se também crescentemente em relação ao conflito israelo-palestiniano em que quem defende a política do actual governo israelita classifica quem se lhe opõe de mal absoluto: anti-semita. Esta tendência demonstra-se lapidarmente na frase do MacGuffin: "muito difícil separar o que são actos contestatários da política do Estado de Israel, do que são actos de racismo puramente antisemitas".
É claro que não se pode saber se estas declarações não passam de figuras de retórica, pelo que seriam pura desonestidade, ou se os seus proponentes acreditam mesmo nelas, o que configura um caminho muito perigoso para a direita. Mas também é óbvio que o salto entre a acusação retórica e a crença não é assim tão amplo quanto isso.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:45 PM | Comentários (1)

NÚMEROS DO ANTI-SEMITISMO

Sem respostas satisfatórias, fiz o que já devia ter feito e fui ao relatório da Comissão Europeia sobre o anti-semitismo na Europa. Os dados são de 2002/2003 e os números recentes podem ser diferentes. Mas descobri alguns factos interessantes. Os seguintes números de incidentes violentos anti-semitas reportados foram retirados da Introdução, pois infelizmente não tive tempo - e provavelmente não virei a ter - de analisar o relatório todo.

Bélgica – 64
Alemanha – 28
França – 313
Holanda – N/A
Grã-Bretanha – 350
Suécia – 131
Grécia – 0
Áustria (2003) – 108
Itália (2003) – 1
Dinamarca – 2 ou 3
Espanha – 0
Irlanda – 0
Luxemburgo – 0
Portugal – 0
Polónia – 0

Estes são os números reportados, claro que haverá também muitos incidentes não reportados e casos de perfeita indiferença dos governos para este problema (como é o caso de Portugal). Notei com surpresa que os números da Grã-Bretanha ultrapassam os da França, embora ninguém fale disso (nem surja o Sharon a apelar que os judeus britânicos emigrem para Israel) e as minorias étnicas predominantes seja indianas e paquistanesas. Outros países com minorias islâmicas consideráveis têm dez vezes menos casos que a França (como a Alemanha) ou mesmo nenhum reportado (como a Espanha) e, inversamente, a Áustria, cuja imigração é maioritariamente da Europa de Leste, tem números proporcionalmente altíssimos. Embora sem casos graves, ou melhor, sem casos graves que não vandalismo de cemitérios judaicos ou monumentos do Holocausto!, o relatório diz que na Grécia existe uma crença generalizada em ideias de que os judeus estão a tentar dominar o mundo, que o Mossad foi cúmplice do 11 de Setembro, que o anti-semitismo é incentivado por alguns media, existe anti-semitismo a nível legal, político e educacional e que a Igreja Ortodoxa continua a culpar os judeus pela morte de Cristo na Semana da Páscoa.
O relatório menciona ainda que, paradoxalmente, nos países onde há menos incidentes anti-semitas como a Espanha, a Áustria (de Haider) e a Itália (de Berlusconi) é que se nota um discurso popular tendencialmente anti-semita. Pelo contrário, na França, os estudos indicam forte intolerância contra o discurso anti-semita, intolerância essa especialmente notória entre a juventude de origem magrebina!

Descobri ainda que o agressor anti-semita típico tem entre 15 a 24 anos, escolaridade abaixo da média e um historial anterior de criminalidade. O perfeito retrato, portanto, do intelectual de esquerda!

A pergunta agudiza-se: porque é que só se ouve falar da França?

Publicado por Jorge Palinhos às 05:08 PM | Comentários (4)

NINGUÉM DISSE QUE ERA FÁCIL ROUBAR UM GRITO


Cartoon de Cam Cardow, «The Ottawa Citizen»

Publicado por José Mário Silva às 04:40 PM | Comentários (1)

EMISSÃO RETOMADA

Tal como o resto da weblog.com.pt, estivemos umas horas em black-out forçado (presumo que por razões técnicas que nos ultrapassam). A todos os nossos leitores, um pedido de desculpas. Os posts seguem dentro de minutos.

Publicado por José Mário Silva às 04:27 PM | Comentários (1)

ANTI-SEMITISMO E RACISMO

Bem, após o último post sobre o anti-semitismo em França, houve ensaios de resposta da Ana e do Rui, e ainda outro do Francisco. Vou abordá-los separadamente.

O texto (longuíssimo!) da Ana diz várias coisas. Com umas concordo, outras desconhecia e ainda outras discordo. Algumas destas vou passar à frente porque me parecem um bocadinho laterais à questão que pus e não quero discutir várias coisas ao mesmo tempo.

“Primeiro” – O antisemitismo em França não está relacionado com a descriminação árabe.

Mas eu LI os teus anteriores posts, e por isso mesmo coloquei a questão nos termos em que a coloquei. Neles pareceu-me que dizias que o anti-semitismo está ligado à questão israelo-árabe e aos jovens magrebinos. Ora, se isso é verdade, porque é que não se ouve falar de idênticos casos de anti-semitismo na Espanha ou na Alemanha, que têm também grandes comunidades islâmicas, e tendo até este segundo país servido de etapa de uma parte dos terroristas do 11 de Setembro?

Por outro lado, se este artigo do NYT que reporta o crescimento do neonazismo em França em relação a outros países da Europa é verídico, em que medida isto não terá também a ver com o aumento do anti-semitismo (já para não falar do Le Pen)?

“Segundo” - Não há agressões de judeus a outras etnias pois a cultura judaica é não violenta e apenas retalia.

Em relação a este aspecto não estou suficientemente informado, mas se leio bem este artigo do Nouvel Observateur (e admito que o meu francês anda enferrujado) há na verdade casos de agressões judaicas, como seja o ataque a um dirigente de um Movimento Anti-racismo num bairro judeu, um ataque de um grupo de judeus a uma manifestação pacífica ou ainda o estranho sucesso do panfleto anti-islâmico de Oriana Fallaci nas livrarias judaicas.

Pessoalmente, sou céptico em relação a “culturas de paz”, especialmente desde que o jornalista inglês Johann Hari recebeu ameaças de morte budistas por ser “insuficientemente respeitoso” para com o Dalai Lama. Não duvido que o fundamento do Judaísmo seja pacífico, mas o princípio do Cristianismo também é o de “perdoar e dar a outra face” e, enfim, é melhor não entrar em pormenores.
Sou também capaz de pensar em vários casos que puxam a corda à tua tese de que os judeus só retaliam quando atacados. Casos lendários, históricos e recentes, como os Siquemitas, os Zelotas, o atentado ao Hotel King David, a Guerra dos Seis Dias, a invasão do Líbano, o massacre de Baruch Golstein na Gruta dos Patriarcas, o assassínio de Rabin, etc..
Ao mesmo tempo traças o paralelo com a cultura árabe, supostamente mais violenta. Mas em que medida essa “maior violência” é assim tão determinante nas agressões recentes? Por exemplo, os japoneses têm também uma cultura bastante violenta: na 2.ª Guerra Mundial decapitavam prisioneiros, dizimaram populações inteiras na Ásia com ataques biológicos, inventaram os kamikazes e ainda hoje os seus mangas e filmes têm níveis de violência que fazem o Robocop parecer um filme para toda a família. E eu pergunto: há casos em França de violência nipónica generalizada?
O argumento pode parecer absurdo, mas faz sentido se consideras que os diferentes graus de violência entre comunidades étnicas se devem maioritariamente ao grau de violência inerente a cada cultura.

Terceiro – O relativismo do racismo
Esta questão é muito interessante. Dizes que o povo judeu foi o mais perseguido de todos os tempos. Concordo contigo em termos latos, mas não quando dizes que os judeus foram os únicos a ser vítima de extermínio organizado (então e os arménios ou os tutsis?) e os únicos a sofrer as câmaras de gás (então e os ciganos?).

Parece-me ainda que te contradizes quando afirmas que condenas todos os racismos e depois consideras que os massacres e genocídios na América e em África pelos colonizadores europeus são desculpáveis pelos “maravilhosos mundos e povos novos que daí surgiram” e porque “alguns tentaram ajudar”. Queres dizer que os fins ou os resultados de um massacre o desculpabilizam? Ao dizeres isto parece-me que estás a empregar o argumento de “os fins justificam os meios”, tomando mais ou menos a mesma posição dos imbecis que dizem que o grande problema do Hitler foi não conseguir “levar o trabalho até ao fim” e que os judeus salvos por Schindler e Goering desculpabilizam o Holocausto!!!

Quarto – A neurótica que inventou o ataque não era judia.
Ok. Erro meu. Peço desculpa.

Quinto – Porquê descriminar os judeus em França.

Boa pergunta. Não faço ideia. A explicação de “bode expiatório útil” é única que me ocorreu. Lembrei-me, a propósito desta conversa, que na crise de 1383, depois do assassínio do Conde Andeiro e a propaganda da morte do Mestre de Aviz, a população de Lisboa resolveu mostrar o apoio ao segundo atacando o bairro da Judiaria. Qual a ligação? Nenhuma. Talvez Orwell tenha razão quando, ao falar do anti-semitismo na Inglaterra de 40, o considere uma espécie de doença irracional.
Só que a explicação do conflito israelo-árabe continua a parecer-me insuficiente. Afinal, os argelinos franceses têm tanto a ver com os palestinianos como os turcos alemães ou os marroquinos espanhóis. Porquê em França?

Já o meu amigo Rui parece ter levado uma grande marretada na cabeça e escreveu este post ainda zonzo. Diz, por exemplo, que as agressões anti-semitas por parte de neonazis “não são de espantar”, ou, por outras palavras, não merecem destaque. É portanto a perspectiva de que o anti-semitismo interessa consoante a natureza do agressor. Posição essa que parecer ser a da maior parte dos blogs de direita portugueses (os que acham que “muito difícil separar o que são actos contestatários da política do Estado de Israel, do que são actos de racismo puramente antisemitas”, que apenas mencionam casos de anti-semitismo quando o conseguem associar ao conflito israelo-árabe.
O Rui não explica porque é que o anti-semitismo árabe só parece acontecer em França e não em outros países com consideráveis comunidades islâmicas. O crescimento da Frente Nacional e do movimento neonazi, estes sim, fenómenos acentuadamente franceses, também não lhe merecem comentários.
O que o Rui diz é que a culpa é de uma televisão libanesa, da Al-Manar, e dos dirigentes árabes que promovem o anti-semitismo.
Se é verdade o que dizes, então eu fico impressionadíssimo com os jovens magrebinos, que faltam às aulas de filosofia em que um profe arenga sobre as máximas universais de Kant para irem ver na Al-Manar um barbudo com uma toalha na cabeça a arengar sobre as leis do Profeta (praticamente o único género de programa que o canal passa). Sem dúvida qualquer adolescente árabe prefere tal entretenimento a um filme do Vin Diesel com muitas explosões e americanas mamalhudas.
Provavelmente dir-me-ás que a Al-Manar tem também noticiários favoráveis à causa palestiniana e ficção em que os judeus são os maus da fita. Certo. Mas posso-te dizer o nome de 100 filmes americanos em que muçulmanos fazem o papel de vilões sanguinários ou de um canal de satélite que exibe regularmente notícias sobre o Mundo Islâmico a uma luz muito desfavorável para os seus habitantes (de seu nome Fox News). E desconfio que se a CSA quisesse bloquear a transmissão deste canal ou dos referidos filmes tu descreverias imediatamente o caso como mais um exemplo do “totalitarismo do politicamente correcto”.

Aliás, deixa-me pôr em prática as causas que apontas noutra situação: o ataque aos portugueses na Irlanda do Norte. Portanto este ataque anti-lusitanista, entre o número crescente de ataques racistas no país, deve-se exclusivamente a uma cultura belicosa (o cristianismo), ao incentivo de uma televisão tendenciosa (a BBC) e é motivado pelos enxertos de porrada que os ingleses levaram no Algarve durante o Euro (ingleses, irlandeses, tal como os árabes, é tudo a mesma coisa).
A situação político-social da Irlanda do Norte e a disseminação de movimentos xenófobos obviamente não tem nada a ver com o assunto.

Absurdo? Então porque é que quando se fala de árabes, a coisa já é plausível?

Gostei particularmente que dissesses que tentei “desculpabilizar”, e logo "incentivar", as agressões anti-semitas. Do mesmo modo posso ler no teu post que, quando dizes que não sabes se a descriminação dos árabes na sociedade francesa é “real ou fictícia” e quando pões sugestivas reticências depois de dizeres que os árabes usam “à vontade” marcas da sua cultura em locais públicos, estás a desculpabilizar a islamofobia, não?

P.S. – Quanto à tua bem-amada Memri, falamos depois.

O Francisco cataloga-me de “anti-semita secundário” (não faz link, mas deduzo que se refira a mim, ou pelo menos me inclua no lote) o que, depois de ter sido informado que tinha um “traço anti-semita nos genes”, é uma verdadeira promoção!
Diz ainda que, ao incluir o anti-semitismo dentro de um contexto mais alargado de racismo, estou a “desvalorizá-lo”, o que implica que o Francisco considera o anti-semitismo é mais grave que o racismo, posição que compreendo, embora com uma certa ginástica mental.
A justificação que dá é que “ser judeu não é pertencer a uma raça”. Eu estou de acordo com ele pois não acredito em raças. No entanto, parece-me que o racismo é uma ideologia que diz existirem grupos étnico-culturais de valores diferentes e com características inatas diferentes. Eu, a partir do momento em que alguém é considerado “culpado” apenas por pertencer a uma dada etnia, considero que está a ser vítima de racismo ou xenofobia e a maioria das definições que conheço também colocam o anti-semitismo dentro do racismo (1, 2, 3), mas provavelmente o Francisco terá uma definição diferente.
Finalmente, o Francisco tenta colar o anti-semitismo à esquerda, dentro da lógica do MacGuffin de diabolizar todos os que critiquem a política de Sharon, mas com muito mais subtileza, dizendo que os “arrazoados” são iguais entre neonazis e opositores de Sharon. Desafio então o Francisco a ler os blogs de extrema-direita e de esquerda e a dizer em que é que o seu tratamento dos judeus é igual nuns e noutros. Se descobrir mais de 10 frases iguais sobre o judaísmo em diferentes blogs dou a mão à palmatória.

Publicado por Jorge Palinhos às 04:03 PM | Comentários (12)

UMA NOTA FINAL

Tenho gosto em debater com o Nuno Guerreiro, pois apesar das omissões que aqui lhe apontei reconheço-lhe, do que já lhe li, a necessária honestidade intelectual. Já das Crónicas Matinais não posso afirmar o mesmo. A autora, a já famosa D. Ana Albergaria, finalmente reconheceu que me confundiu com o Luís Rainha. Pronto. Retirou algum dos seus insultos gratuitos? Bem: depois de me ter confundido com o Luís e de lhe ter chamado "anti-semita primário"... retirou o "primário"! Deveremos agradecer-lhe?
Acresce que a senhora não deve conhecer o direito romano ou, pelos vistos, apesar de ser tão orgulhosamente judia, nunca leu Kafka. É que a senhora acusa, não apresenta provas e ainda acha que nós é que temos que defender-nos da ridícula acusação! Desafia-nos a "esmagarmo-la com argumentos" e a "provarmos à blogosfera, ao mundo, que ela não passa de uma miúda irritante" (prefiro não comentar) e que nós "não temos um pingo de anti-semitismo nas veias"! E que provas é que apresenta para tais acusações? Refere que "ele" (depois da confusão, não percebou se sou eu, se o Luís Rainha, se os dois) "não defende os árabes e os muçulmanos, ele é pura e simplesmente contra os judeus. Ele não defende a Palestina, ele defende pura e simplesmente o fim de Israel." Bem, eu deveria desafiar a D. Ana a mostrar onde e quando é que eu, o Luís ou qualquer dos elementos deste blogue escreveu tal coisa ou defendeu tal tipo de posições. Garanto que a D. Ana só iria encontrar tais textos na sua imaginação. Mas não vale mesmo a pena; basta ler o blogue da referida senhora para verificar que ela não é capaz de escrever um texto sobre este ou qualquer outro assunto sem acusar alguém de "anti-semitismo" e, volta não volta, evocar o Holocausto que "foi ontem" e que não quer "ver a história a repetir-se e baixar os braços. NUNCA MAIS." Por muito que a D. Ana nos peça, pelo menos eu não tenho disposição para gastar os meus argumentos com pessoas como ela.

Publicado por Filipe Moura às 03:30 AM | Comentários (2)

O "PROBLEMA" DA ESQUERDA COM O JUDAÍSMO (OU SERÁ AO CONTRÁRIO?)

Na sua resposta, o Nuno Guerreiro remete os seus leitores para um seu texto, mais antigo e bastante pormenorizado, sobre o anti-semitismo moderno, intitulado "Novo Antisemitismo? As Novas Faces do Mais Antigo Ódio do Mundo". Neste extenso texto o Nuno conclui que existe um problema entre a esquerda e o judaísmo, causado pelo conflito do Médio Oriente. (A designação "problema" é minha, embora me pareça correcta para o que o Nuno quer dizer; se preferirem, leiam "atrito", "mal estar" ou simplesmente divergência. Aproveito para esclarecer que quando falo em "judaísmo" não falo em todos os judeus; falo na maioria, ou pelo menos na maioria dos seus líderes e articulistas. O mesmo quando me refiro a "esquerda": não refiro todas as pessoas de esquerda, mas a maioria. São posições genéricas.) O Nuno Guerreiro, nomeadamente, fala no nascimento de um novo anti-semitismo em sectores da esquerda. Transcrevo as partes que me parecem mais importantes para o que quero abordar:

«É necessário e urgente analisar e expurgar estas relações incestuosas, esta promiscuidade entre as posições da nossa esquerda, mesmo quando assumidas em críticas legítimas, e um repugnante subconsciente antisemita que obviamente não só não foi apagado como se vê agora renascido com novas roupagens. E com estranhas e inóspitas alianças.
A recorrente sensibilidade face às minorias, que perpassa o todo do discurso da esquerda, possui hoje uma fronteira rígida no que toca aos judeus. A homogeneização, o tomar o todo pela parte, o recurso ao simbolismo e imaginário do “velho” antisemitismo continuam a prevalecer entre aqueles que dizem defender os direitos humanos, os oprimidos e as minorias. Ao contrário do que muitos afirmam, o único ódio socialmente aceitável na era do politicamente correcto é o ódio ao judeu, ainda que muitas vezes encapotado e dissimulado como “crítica legítima”.»
«É verdade, e urge realçar, que muitas NGOs anti-globalização fizeram já soar o alarme, reconhecendo a infiltração de neo-nazis e do ideário antisemita no seio do movimento anti-globalização. Mas como escreve Mark Strauss, o movimento em si não está livre de culpas. “Não sendo intrinsecamente antisemita, mesmo assim tem ajudado os antisemitas ao propagar teorias da conspiração.”
E onde há conspiração há conspiradores – e inevitavelmente, porque assim tem sido ao longo dos séculos, o dedo acusatório antisemita volta-se contra os judeus, os eternos “manipuladores da alta finança”.
Por ser de esquerda (será necessário mostrar aqui o cartão do meu partido?), sinto tudo isto ainda mais de perto. Este “socialismo dos tolos” torna agora real o que muitos consideravam simplesmente inconcebível, juntando do mesmo lado da barricada, por exemplo, algumas posições do Bloco de Esquerda e as opiniões dos skinheads neo-nazis que, em 1992, na Rua da Palma, mataram José Carvalho.»

A análise do Nuno, a meu ver, peca por parcialidade. Compreendo que, sendo o Nuno de esquerda e judeu, este "problema" o afecte e incomode particularmente. De certeza que o Nuno reflectiu muito mais e está melhor documentado sobre este "problema" do que eu. Mas nem por isso eu quero deixar de dar a minha opinião. Sem querer entrar no "jogo do empurra", eu nem creio que a culpa principal deste "problema" seja da esquerda.

Com efeito, se a maioria da esquerda tem sido de há vários anos crítica da política de Israel (e creio que ninguém digno de ser de esquerda pode apoiar a política de Ariel Sharon), praticamente toda a direita tem sido sua apoiante e aliada (de Israel). A posição (genérica) da direita é ditada, principalmente, por interesses: é a posição dos EUA. É geralmente apresentada com a típica capa securitária: a posição "contra o terrorismo", esquecendo que neste conflito há terrorismo e terroristas de ambos os lados.
A posição (genérica) da esquerda é a que seria de esperar quando em causa estão colonatos e territórios ocupados, independentemente de qual seja o povo que os ocupe. E é aqui que reside o foco de conflito da esquerda com muitos judeus que, mesmo sendo de esquerda, não conseguem avaliar este conflito de uma forma isenta, tentando sempre desculpar ao máximo as atitudes dos judeus israelitas. A meu ver, as posições da direita e da esquerda são, à primeira vista, as "normais", as "esperadas"; a posição "conflituosa" seria a da maioria dos judeus (principalmente, e justamente por isso, dos de esquerda).
Vale a pena pensarmos sobre um exemplo concreto. Não tenho neste momento provas desse exemplo, embora garanto que seja verdadeiro, mas creio que o Nuno entra neste debate de uma forma honesta (como eu entro), pelo que sem dificuldade reconhecerá (e espero que os leitores também) a verosimilhança do mesmo.
O exemplo tem a ver com o blogue do Nuno, a Rua da Judiaria, e o blogue O Acidental. Sabemos que O Acidental é um blogue bastante à direita, sendo o seu fundador membro do CDS/PP. Ora, num dos seus templates mais antigos (que já não está disponível - daí a ausência de "provas"), o Acidental tinha links para outros blogues, como tem agora, só que divididos em dois grupos: os blogues "amigos", que ideologicamente lhe são próximos, e os blogues "adversários", ideologicamente distantes. Com certeza que o Nuno terá reparado que - acredito que para sua surpresa - a Rua da Judiaria vinha incluída no grupo dos "amigos" do Acidental. A única explicação possível para tal facto está em tratar-se de um blogue judeu. Não importa portanto que o Nuno continuamente se reafirme de esquerda (e eu acredito perfeitamente que sim), não importa que tenha sido frontalmente contra a guerra do Iraque e a favor da convocação de eleições antecipadas em Portugal. Nada disto importa para Vasco Rato e companhia; para eles, se é judeu pensam logo que "é nosso" (deles).
Como este, certamente se poderiam arranjar outros exemplos. Esquerda e direita concordam que a posição judaica típica, neste conflito, faz o jogo... da direita. Devido a esta concordância não faz sentido, como tenta o Nuno, culpar somente a esquerda pelo referido "problema". Pode o Nuno culpar então a esquerda e a direita, todo o resto da sociedade menos os judeus. Tal não será indefensável, mas não me parece nem o mais lógico nem o de maior bom senso. Para resolver este problema entre o judaísmo e a esquerda é preciso, a meu ver, uma posição menos corporativista, uma condenação mais firme e inequívoca, das políticas de Israel pelos judeus em geral. A meu ver, o tal problema, a existir, não é um problema da esquerda com o judaísmo: é antes um problema do judaísmo com a esquerda. Para provar a inexistência de um problema da esquerda com o judaísmo, posso citar vários autores judeus fortemente críticos da política israelita, como Tanya Reinhart, referida num outro texto meu. O Nuno queixa-se de que a esquerda antiglobalização e do seu "silenciamento e secundarização das opiniões moderadas de judeus e israelitas que não correspondam à “imagem” esteriotípica com que o discurso dominante vai pintando o judeu e o israelita." Da minha parte, conforme o exemplo acima ilustra - e da parte deste blogue, se o Nuno se der ao cuidado de nos ler -, tal silenciamento não se aplica. Bem pelo contrário. Já o mesmo não se pode dizer de muitos judeus que se recusam a ouvir Reinhart - e a outros como ela -, classificando-os de "self-hating jews".
Fica aqui a minha visão do tal "problema" entre a esquerda e o judaísmo, se é que ele existe. Gostaria de concluir reafirmando que desejo que este "problema", a existir, nunca se transforme num verdadeiro problema (sem aspas). Da minha parte continuarei a contribuir no que puder para a resolução deste "problema" (que, a existir, é perfeitamente contra natura), sendo que tal deve ser mesmo necessário para a resolução pacífica do Problema que é o conflito israelo-palestiniano, algo que todos desejamos.

Publicado por Filipe Moura às 03:28 AM | Comentários (0)

VISITA À RUA DA JUDIARIA

O Nuno Guerreiro respondeu ao texto do Luís Rainha enunciando uma série de ataques anti-semitas em França desde Maio deste ano. Faz bem o Nuno em ter uma memória bem viva. Só é pena que, apesar da honestidade intelectual que costuma ter, não fuja à deturpação das palavras dos outros para lhe facilitar os argumentos. O Nuno intitula a sua resposta "Não há antisemitismo em França?" e remete para o texto do Luís referindo que este teria escrito que o "antisemitismo é um mito útil". Só é pena que nada disso tenha sido escrito pelo Luís, e nem por alguém neste blogue. O que o Luís classificava de "mito útil" era o anti-semitismo desenfreado em França. Um adjectivo faz toda a diferença. Aqui nunca se negou a existência de anti-semitismo; o que se negou foi que este fosse tal que impedisse ou ameaçasse a presença e a vivência normal de judeus no país, como pretendia recentemente Ariel Sharon ao convidar judeus franceses a emigrarem para Israel (daí a "utilidade" do "mito"). Nada disto se passa em França. Neste país, os atentados racistas são infelizmente uma realidade, mas não são somente ataques anti-semitas. Nomeadamente há também ataques a árabes, muçulmanos, igualmente graves e que nem têm o mesmo destaque na imprensa dado aos ataques anti-semitas. Foi isto que aqui se disse, e eu não vi nada disto ser comentado pelo Nuno, que por isso teria certamente muito mais dificuldade em fazer uma lista tão pormenorizada de ataques racistas a árabes em França.

Publicado por Filipe Moura às 03:12 AM | Comentários (4)

agosto 23, 2004

INVENÇÃO DA TRADIÇÃO

Como se inventa a tradição:

1. Exporta-se um bando de famélicos do país A para o país B.
2. Ditos famélicos desenrascam-se no país B e divulgam um instrumento musical do seu país de origem.
3. Nativos do país B reclamam que os estrangeiros estão a subverter-lhes a cultura.
4. Dito instrumento passa a ser considerado o símbolo da cultura B enquanto na cultura A é apenas objecto de interesse para museus e grupos etnográficos.

Quem diria que o cavaquinho seria o instrumento favorito de todos os americanos em férias?

Publicado por Jorge Palinhos às 09:42 AM | Comentários (2)

MAIS ALTO! MAIS FORTE! MAIS COMPRIDO! MAIS AVANTAJADO!

Receber propostas irrecusáveis para aumentar o pénis já era o mail nosso de cada dia. Agora sugerem-me que aumente os seios. Qualquer dia torno-me num filme ambulante do Almodôvar.

Publicado por Jorge Palinhos às 09:35 AM | Comentários (4)

HÁ EXPRESSÕES QUE DIZEM TUDO (OU QUASE TUDO) SOBRE QUEM AS EMPREGA

«Vai lá, vai» — por exemplo.

Publicado por José Mário Silva às 09:31 AM | Comentários (0)

SEGUNDA MEDALHA

Nos Jogos Olímpicos, Francis Obikwelu ganhou a medalha de prata na prova dos 100 metros, ao percorrer a distância em 9,86s. O atleta do Sporting voltou a bater o recorde nacional, estabeleceu o recorde da Europa e atingiu a sexta melhor marca de sempre da prova (para além de ter batido o recorde de atletas do Sporting nesta distância). Depois da medalha de ouro de Yuriy Bilonog no lançamento do peso, foi a segunda medalha conquistada por um atleta do Sporting nestes Jogos. O que só vem confirmar a tradição do clube do leão no atletismo.
Outros factos confirmam a grandeza e o eclectismo do Sporting: há quatro anos, em Sidney, nenhum clube em todo o mundo enviou tantos atletas (de todas as modalidades) aos Jogos Olímpicos como o Sporting. Não conheço as estatísticas destes jogos, mas não me surpreenderia se isso fosse verdade outra vez este ano.
Aos atletas e aos seus treinadores, funcionários do Sporting, os nossos parabéns.
Rui Silva foi o terceiro atleta do Sporting a classificar-se para uma final destes Jogos Olímpicos. Corre os 1500 metros nesta terça feira. Força, Rui Silva, estamos contigo! Queremos mais medalhas para o Sporting.

Publicado por Filipe Moura às 02:33 AM | Comentários (41)

agosto 22, 2004

MEMÓRIA DE UNS QUANTOS DIAS FORA DE LISBOA

mata.jpg
Mata da Margaraça (Serra do Açor)

fraga.jpg
Fraga da Pena (Serra do Açor)

praia.jpg
Praia fluvial do Pé Escuro (Góis)

Publicado por José Mário Silva às 10:47 PM | Comentários (0)

ENTREVISTA A UM BLOG(Q)UISTA

Embora não tenha dúvidas em afirmar que é hoje um jornal muito mais interessante (diria mesmo muito melhor) do que era há uns anos, devido sem dúvida à nova equipa editorial e directiva e ao naipe de colunistas, e apesar de este jornal ter talvez a melhor edição electrónica dos jornais portugueses (provavelmente por ser mantida por um grupo espanhol), tenho que confessar que não tenho o hábito da leitura diária de A Capital. A justificação é que simplesmente não posso ler tudo... Assim, se não fosse um comentário do Anticomuna (um dos comentadores habituais do Barnabé, a quem aqui agradeço), ter-me-ia passado esta entrevista a um dos mais conhecidos blog(q)uistas portugueses.
Compreendo que no seu blogue haja uma certa relutância em publicitar a referida entrevista. Apesar de o blog(q)uista em questão ter sido durante muito tempo itálico aqui no BdE, julgo que nós não temos de ter pruridos em anunciá-la. Eu, pelo menos, não tenho: não se trata de nenhum "culto da personalidade", e eu até já tive algumas polémicas com ele, sempre com o respeito a prevalecer. É além disso uma entrevista interessante. O entrevistado fala claro, como sempre, e expõe as suas ideias com mais calma e serenidade do que os seus leitores estarão habituados. Sugiro então que conheçam melhor, para lá da blogosfera, este conhecido blog(q)uista.

Publicado por Filipe Moura às 06:28 PM | Comentários (9)

A ANGÚSTIA DE UM QUADRO


Hoje de manhã, o museu de Oslo foi alvo de um assalto à mão armada. Ao que parece, os larápios sabiam muito bem o que procuravam e desapareceram rapidamente com umas quantas telas de Edvard Munch debaixo do braço. Algumas testemunhas ficaram chocadas com a facilidade com que os ladrões entraram e se apoderaram das obras de arte. Outros afirmam que houve um quadro que tentou dar o alarme, mas com o mais silencioso e desesperado dos gritos.

Publicado por Manuel Deniz às 02:03 PM | Comentários (4)

agosto 21, 2004

POSTAL ABERTO PARA O LUIS RAINHA

Recém-chegado de uns (poucos) dias de férias, ainda não tive tempo de pôr a leitura em dia. Mas pelo que vi, assim de relance, percebo a tua indignação, o teu cansaço, a tua necessidade de parar. Às vezes, o combate corpo-a-corpo com a ignorância, a insolência e a má-fé, vindos das mais inesperadas latitudes, deixa-nos de rastos, exaustos e sem paciência para perder mais tempo com quem não merece.
Se queres a minha opinião, acho que te meteste em guerras desnecessárias, porque estéreis e impossíveis de manter dentro de um quadro minimamente racional. Gastaste o teu latim, meu caro, com pessoas que muitas vezes nem sequer percebem o português mais simples e plano. Desperdiçaste energias que poderias ter direccionado para horizontes mais produtivos (outros posts, por exemplo). Mas não te censuro. Há alturas em que uma pessoa não pode ficar calada, a ouvir impávida e serena toda a sorte de disparates. O problema é entrar na espiral das respostas e contra-respostas. Na maior parte dos casos, desemboca-se no deserto (acho que foi o caso) e depois duvidamos das forças para seguir em frente.
Como pudeste certamente perceber pelos comentários dos nossos leitores, a tua ausência definitiva seria uma perda imensa para o BdE e para a blogosfera portuguesa. Também por isso, talvez sobretudo por isso, sei que um dia destes vais reconsiderar a tua decisão. Até lá, recebe toda a minha solidariedade e apoio. Olha, aproveita para descansar desta escrita que às vezes se torna uma espécie de escravatura. Aproveita para te dedicares aos teus outros trabalhos, aos teus outros prazeres.
E depois regressa, cheio de energia, em forma, para continuares o caminho interrompido. Cá estaremos, como sempre, para te receber de braços abertos.
Até já, companheiro.

Publicado por José Mário Silva às 02:22 PM | Comentários (2)

O MELHOR ANJO

Caro Filipe: tendo em conta a acrimónia dos últimos dias (que já deixou lamentáveis marcas aqui no BdE), não sei se o "teu" anjo choroso, fixado na pedra da catedral de Amiens, será o mais indicado. Pela minha parte, e se a ideia é levantar o moral, optava logo pelo enigmático anjo sorridente da catedral de Reims:

Mas é só uma ideia.
Alguém tem mais sugestões?

Publicado por José Mário Silva às 02:03 PM | Comentários (1)

agosto 20, 2004

DE VOLTA...

De volta a Paris, interrompo temporariamente as vacances para voltar ao assunto do conflito no Médio Oriente e dos judeus, reaberto por Ana Albergaria.
Ana Albergaria faz bem em separar os recentes actos anti-semitas em França e o conflito israelo-palestiniano. São duas coisas bem distintas e independentes; como bem refere, os actos anti-semitas na Europa sempre foram de autoria branca e cristã.
Dito isto, eu obviamente também separo ambas as coisas. E se, no conflito israelo-palestiniano, tenho criticado fortemente a política israelita (ver, por exemplo, um resumo da minha posição aqui), tal não me impede, obviamente, de oferecer toda a minha solidariedade a judeus vítimas de ataques anti-semitas, mesmo que possam ser os maiores sharonistas (ou piores). De resto, como já aqui escrevi, o reaparecimento de partidos fascistas e nazis e de todo o tipo de actos racistas (contra judeus, árabes, negros, ...) deve manter-nos bem alertas e não pode ser subestimado. A França já viu isso.
Pelo que atrás escrevi, obviamente as minhas críticas à política israelita também não implicam que eu tenha algo contra o povo judeu. Bem pelo contrário, reconheço o muito que a Humanidade lhes deve. Embora também haja judeus fundamentalistas e ortodoxos, das três religiões monoteístas a judaica é a menos fundamentalista (talvez por ter uma "bíblia" mais pequena...). Isso explica os grandes avanços da ciência que devemos aos judeus, a grande quantidade de pensadores progressistas judeus e, no fundo, que os países mais desenvolvidos e avançados tenham (ou tenham tido, no caso da Alemanha) uma forte comunidade judaica.
Dito isto, é sabido que há características da maioria dos judeus que me irritam, e que foram por mim expostas aqui. Entristece-me (entristece-me muito, acreditem) que mesmo os mais moderados por vezes não pareçam ser capazes de ver o conflito israelo-palestiniano de uma forma isenta, esquecendo que esse mesmo conflito envolve judeus. E sobretudo irrita-me sobremaneira - autenticamente, passo-me dos carretos - quando vejo o Holocausto ser invocado por tudo e por nada por judeus, e ser por estes utilizado como chantagem contra quem não defende certas políticas, principalmente de Israel. Os leitores do BdE já viram uma vez o resultado deste meu passar dos carretos. Enfureci-me, exagerei, errei e espero que tal não se volte a repetir.
A razão por que achei que deveria voltar a isto é o referido texto de Ana Albergaria, um texto extremamente injusto para com o Luís Rainha. Para além disso, um texto disparatado, totalmente infundamentado nas acusações que lhe faz. E volto a isto porque, a uma dada altura desse texto, a autora escreve que o Luís Rainha "vive em Paris". Ora, quem vive em Paris sou eu. Não que eu eventualmente mereça qualquer das gravíssimas acusações que Ana Albergaria faz ao Luís. Mas não estará a Ana um pouco confundida?

Publicado por Filipe Moura às 08:29 PM | Comentários (17)

PICARDIAS

Volta um tipo da Picardia para encontrar tantas pequenas picardias. Ó gentes, fiquem com esta belíssima imagem da Catedral de Amiens: L'Ange pleureur.

Publicado por Filipe Moura às 08:26 PM | Comentários (1)

NÃO TENHO VIDA PARA ISTO (3)

Não estou para aturar malta que me manda para a "puta que o pariu" por interpostas iniciais. Nem estou para ter altercações com dementes. E, sobretudo, não aprecio exasperar-me por motivos fúteis, ainda para mais com gente que não conheço nem quero conhecer.
Se me lembrei de assentar arraiais na blogosfera, também foi em busca do que, à falta de melhor palavra, posso chamar "entretenimento": escrever por prazer, trocar ideias com estranhos, ver medrar cumplicidades inesperadas. O que se tem passado ultimamente é mais ou menos o inverso: arrelias, zangas tontas, enxovalhos vários. Por este andar, receio que me possa em breve transformar numa criatura azeda e intolerante - um comentador mais arguto até já afirmou que eu não tenho "opiniões", mas sim "embirrações"...
Agora, anda por aí gente a chamar-me "anti-semita". "Primário", para piorar a coisa. Isto, por motivos familiares que só a mim e aos meus importam, é insulto mesmo muito sério.
Não ganho dinheiro por aqui escrever. Não ando em tirocínio para colunista do "Expresso". Por acaso, até tenho mais onde empregar o meu tempo. Filhos para criar, uma empresa para gerir, um livro por acabar, outros para editar. Não tenho é vida para isto. Por outro lado, deu para ver que não me consegui fazer entender com os posts em questão. Portanto, as horas que aqui aplico nem sequer obtêm retorno que valha a pena.
Assim sendo, declaro-me em licença sabática. Deixo isto dos blogues para altura em que me sinta mais tolerante ao disparate, mais imune ao insulto e, acima de tudo, muito mais sossegado.

Até lá, a gente vê-se por aí.


PS: Depois de agradecer aos que tiveram a generosidade de lamentar o meu regresso temporário ao mundo real, gostava de vos mostrar uma das trocas de "mimos" com que tenho andado a perder tempo. Desta vez fui acusado, imagine-se, de perseguir, ofender e injuriar um caramelo qualquer... a partir do momento em que ele resolveu deixar de ser militante do BE! Aqui fica a pérola:


"Mesmo típico de estalinista...

...persucotório e esquizofrénico, o sr. luís raínha vê fantasmas onde eles não existem e cataloga de atrasados mentais os dispensáveis a abater na Sibéria e nos campos de concentração antes ocupados pelos nazis...

Pôrra, ainda por cima é do B.E., o partido onde eu já estive filiado, o partido mais liberal que conheço, onde me receberam melhor, onde nunca me trataram com estigmas, e este gajo que me conhece há um ano vêm-me chamar de trifásico {por referência a bipolar), agora chama-me de demente, de analfabeto, ele que sabe que escrevo por minúsculas devido à minha profissão que tanta vez escrevi aqui qual era.

É o lobby oficial institucionalizado do partido no weblog.com.pt. Quem, a partir de um certo momento criticou a sua orientação ou deixou de obedecer às suas linhas gerais [como eu comecei a fazer a partir dos cartazes do 25 de abril, altura q entreguei o cartão de militante], comecei a ser perseguido, ofendido, injuriado, atacado nos comentários por 3 blogs, a divina trindade do weblog.com.pt: o bde, o a. e o r&v. Pogue mahone para voces todos!"

Por estranho que vos pareça, dei-me ao trabalho de escrever uma resposta a este arrazoado insano. Mas, claro está, o post estava fechado a comentários. E o autor, na melhor tradição do "bate e foge" não se dignou a publicar a minha réplica ou a responder-lhe. De qualquer forma, aqui fica ela:

"Vou explicar-te um facto da vida que te pode deixar espantado. Ao contrário do que tu pareces pensar, um homem não é homem quando sente a ‘dor física de uma bolada nos Tomates’. É-o sim quando tem coragem que chegue para encaixar críticas sem gritinhos histéricos. Sem correr a apagar comentários desagradáveis. E sem responder depois a ofensas que nem sequer existiram, acusando sem dar direito de resposta ou defesa.
Com bem sabes, não te chamei ‘trifásico’, por muito jeito que te desse a cómoda posição de vitimazinha. O que escrevi foi: ‘E pouco me importa se és bipolar ou trifásico; a pesporrência e a arrogância não são sintomas de doença nenhuma. Revelam apenas problemas de formação.’ Escrevi e mantenho.
Mais umas coisas: não ‘sou’ de BE nenhum; tenho lá amigos e colaboro com eles quando mo pedem, mesmo sem ser militante. Essa ideia da ‘perseguição’ só existe mesmo dentro do teu crânio apertado. Onde é que foste ‘perseguido, ofendido, injuriado, atacado’ no BdE? E que poderia isso ter a ver com o teu ‘cartão de militante’? Vives um bocado longe da realidade, não?
Por outro lado, nem sonhes que te dedico a atenção necessária para te desejar numa qualquer lista de ‘dispensáveis a abater na Sibéria e nos campos de concentração antes ocupados pelos nazis...’ Reduz-te à tua dimensão real, por favor. E olha que essa dimensão nada tem que ver com ‘audiências’ que só mesmo tu é que disputas; é apenas uma questão de conteúdo, teu e do teu blogue.
Voltando ao início, um homem com ‘tomates’ publicava a resposta que já antes te enviei (diz-me, já agora: quando é que te apagaram um comentário no BdE?). Não fechava a comentários um post onde ataca outra pessoa (assim, a única coisa que declaras é mesmo a tua cobardia). E não escondia mais esta mensagem. Em suma, deixava de se armar em coitado perseguido e aproveitava a ocasião para crescer um bocadinho.
Mas não me parece que tal vá acontecer tão cedo.
Fica bem.

PS: Não tenho pejo em chamar-te mesmo analfabeto pela forma como escreves, não por questões de minúsculas ou da tua profissão, que eu nem imagino qual seja. É que eu não te conheço ‘há um ano’ ou há dois dias; não te conheço de parte alguma, nem quero conhecer.
Quem escreve, a meu propósito, ‘Vá lavar fraldas’ ou ‘vão-se cagar!!!!!!’ não é um interlocutor; nem sequer é um doentinho. Não passa de um rústico mal-educado a requerer correctivos urgentes."

Publicado por Luis Rainha às 05:29 PM | Comentários (27)

ELA, AS GATAS E OS PEIXES

Vale a pena passar por aqui de vez em quando. E esperar que a Bárbara regresse das férias andaluzas.

Publicado por José Mário Silva às 02:06 PM | Comentários (1)

NOTÍCIAS DA GUERRA ELEITORAL (NOS E.U.A.)

John Kerry, que gosta de exibir o seu passado heróico no Vietname como garante de seriedade política e solidez presidencial, está a resistir mal ao "fogo inimigo" da campanha eleitoral, disparado por anunciantes próximos do partido republicano — ou seja, por aquele sector da sociedade que glorifica os "antigos combatentes" mas não se importa, pelos vistos, de reeleger um inquilino da Casa Branca que fugiu da guerra a sete pés e nem deve saber indicar, no mapa, a antiga cidade de Saigão. O certo é que os actos de bravura no delta do Mékong de pouco servirão a Kerry, se ele não souber escapar ao previsível jogo sujo meticulosamente planeado pelos "think tanks" pró-Bush. Até agora, a resposta aos ataques tem sido demasiado lenta e o avanço nas sondagens já está reduzido ao mínimo. Beware, JFK, beware.

Publicado por José Mário Silva às 12:25 PM | Comentários (2)

ORDENAR PRIORIDADES

Autoridades do país onde decorre o pior genocídio dos últimos anos estão muito preocupadas com macacos ladrões de fruta.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:01 PM | Comentários (0)

GUERRA COMEÇA ANTES DE COMEÇAR

Irão ameaça Estados Unidos com ataque preventivo se os Estados Unidos os atacarem preventivamente.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:50 AM | Comentários (2)

SEXO PATRIÓTICO

A história do bêbedo com o poste de iluminação pública está out.
História do bêbedo com monumento da Primeira Guerra Mundial está in.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:31 AM | Comentários (2)

A ORIGEM DA GUERRA

O Frederico lembra uma guerra que principiou com uma mentira.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:27 AM | Comentários (0)

BACK IN TOWN

Regresso tranquilo, com as baterias recarregadas e muitas imagens na memória (sobretudo o verde das encostas, num gradiente que vai da Serra da Lousã à Mata da Margaraça). E que bom que é acender o computador, após o breve interregno, para constatar que ao BdE não faltou nada: nem freguesia nem animação.

Publicado por José Mário Silva às 11:26 AM | Comentários (3)

OS "SABEMOS" E AS "ALEGADAS PROVAS"

Não sei se o livro é ambíguo ou não, mas o MacGuffin de certeza que não é:

(...)
Sabemos, em primeiro lugar, que a abordagem agressiva e belicista dos árabes, face a Israel, ajudou à criação do problema dos refugiados via guerra. Quem quis a guerra foram os árabes, não Israel. Se há coisa que Morris demonstra (ele que é um historiador da velha guarda, que acredita mais no poder dos documentos do que no poder das palavras de quem, cinquenta e tal anos depois, aceita testemunhar) é esta: o êxodo palestiniano não se deveu a uma estratégia ou a um masterplan sionista. As causas variaram no espaço e no tempo, ligadas a uma multiplicidade de factores sociais, económicos e militares. Na maior parte dos casos, não houve coerção nem foram emanadas ordens directas nesse sentido, por parte dos responsáveis israelitas. Parte do êxodo é explicado pelo natural receio da guerra, que levou a população civil a afastar-se da linha de combate. E há que reconhecer, de uma vez por todas, que a falta de consistência e de coesão «nacionais» por parte dos lideres árabes (para já não falar no posterior e ainda hoje presente desprezo, deste lideres, em relação aos refugiados), aliada a uma total falta de entreajuda e de solidariedade para com as populações civis que decidiram deslocar-se para as zonas sob controlo árabe, pesaram muito no problema dos refugiados.

Por outro lado, o livro de Morris não poupa o comportamento israelita, com as insinuações e as supostas provas de que, nalguns casos, houve uma política pró-“transferência” (se necessária compulsiva) da população palestiniana e que, por arrastamento, foram cometidos excessos por parte dos militares e das suas cadeias de comando. Mas Morris é perfeito em acentuar o tal carácter «ambíguo» da sua obra, afirmando, também, que os árabes foram useiros e vezeiros em cometer brutalidades
(...)

Publicado por Jorge Palinhos às 11:16 AM | Comentários (1)

ADENDA

O que eu fundamentalmente queria saber com o meu anterior texto era: se os problemas entre muçulmanos e judeus em França são motivados pelo conflito israelo-palestiniano, porque é que só há agressões dos primeiros aos segundos e não dos segundos aos primeiros?
Desconfio que muitos blogs simpatizantes de Israel dirão imediatamente que a culpa é dos media que "deturpando a verdade em favor dos palestinianos" fomentam "sentimentos anti-semitas". O leitor Sérgio defende que tal se deve ao facto da população islâmica francesa ser seis vezes superior à hebraica.
No entanto, nos EUA os media são tendencialmente favoráveis a Israel e os judeus ultrapassam os muçulmanos numa proporção de quase 2 para um. E não há ataques de judeus a árabes. Os ataques a árabes que ocorrem na América do Norte são quase todos da responsabilidade de brancos e cristãos (tal como os ataques a judeus, diga-se.)
Eu desconfio que o que aumenta não é só o anti-semitismo mas o racismo em geral, como se lê neste artigo:

Lutar contra o comportamento anti-judeu pode também chamar a atenção contra o crescente número de acto anti-muçulmanos em França. Para além dos recentes vandalismos de sepulturas islâmicas, o primeiro presidente de câmara muçulmano eleito do país foi alvo de um atentado bombista falhado no princípio deste ano, juntamente com o debate sobre a proibição do véu islâmico nas escolas.

Mas mesmo assim gostava de ler a opinião da Ana.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:56 AM | Comentários (10)

agosto 19, 2004

O ANTI-SEMITISMO EM FRANÇA

Psstt, Ana, estás a ouvir? Desculpa chatear-te, lançar mais amargura no teu dia e retardar o regresso do teu lindo sorriso. Queria conversar contigo a propósito deste teu último post. Eu julgo que ele não me diz propriamente respeito, mas eu gostava que me explicasses umas coisas sobre a França, a mim que estou cá longe.

Não duvido que muitos judeus tenham medo de andar na rua ou de metro e não duvido que haja ataques racistas a judeus, o que é muito grave. Eu suponho que estes ataques e este medo se devem a grupos de jovens magrebinos de 2.ª geração. Mas o que motiva estes jovens? Será porque todos os árabes são naturalmente patifes, criminosos e terroristas? Ou será porque um filho de imigrantes argelinos em França se depara com pais que desempenham trabalhos manuais mal-pagos e desprestigiados, dificuldades escolares por absorver em casa uma cultura e na escola lhe ensinarem outra, desprezo pelas dificuldades escolares que entretanto tem e que o condenam a repetir o mesmo trabalho braçal dos pais ou, mesmo que tenha sucesso, a ser visto com desconfiança nas entrevistas de emprego e automaticamente rejeitado?
Se for o segundo caso, o que sentirá este jovem? Revolta, fúria, raiva? Será que começa a nutrir ódio pela sociedade que o rodeia e a mitificar a cultura que os seus pais deixaram para trás? Talvez se identifique com outros árabes, a braços com problemas territoriais, identificando o “inimigo” desses árabes como seu próprio “inimigo” e representante da “conspiração” que o condena ao insucesso. Afinal, é mais fácil libertar o ódio sobre um bode expiatório específico do que contra um mal-estar ou um ambiente indefinido, não achas?

Se assim for, como resolver o problema? Se é o caso é o de todos os árabes serem terroristas, então faz-se como recomenda o director da National Review e lança-se uma bomba atómica sobre Meca. Senão… o quê? Metem-se todos os árabes na cadeia? Aplica-se-lhes o que tantas vezes se tentou fazer aos judeus, apagando a sua identidade cultural ou expulsando-os? Impede-se a entrada de magrebinos em França, fuzilando todos os ilegais? Ou… tenta-se melhorar as suas perspectivas de vida, de modo a integrarem-se mais facilmente na sociedade francesa e não se identificarem demasiado com pessoas de outro lado do mundo?

Por outro lado, achas mesmo que o anti-semitismo é, na França, a mais grave forma de racismo que existe? Há casos de judeus que são discriminados profissionalmente por causa da sua origem? Há bairros predominantemente judeus que estão cercados com muros e arame farpado, como acontece em bairros maioritariamente habitados por árabes no sul de França? E porque é que a primeira peça de vestuário com que o governo francês resolveu implicar foi o chador árabe e não o turbante sikh ou o kippah? E porque é que maluca judia que inventou o ataque no metro na altura teve direitos de primeira página nos jornais nacionais franceses e o árabe atacado à machadada não teve mais que uma breve nos jornais locais?

O que gostava que me explicasses, a mim que não vivo em França e fui lá menos vezes do que gostaria, é se na tua opinião o anti-semitismo em França é mesmo o mais grave racismo da actualidade, ou se poderá ser uma consequência de outro racismo mais insidioso, sendo o primeiro empolado por alguns grupos com interesse em promover este último?

Com toda a sinceridade, gostava que me desses a tua opinião sobre isto, visto que tens uma experiência em primeira mão.

Pronto! Peço desculpa por este meu papel de galheteiro e prometo não repetir.

Publicado por Jorge Palinhos às 06:13 PM | Comentários (11)

NÃO TENHO VIDA PARA ISTO (2)

Aviso prévio: sei que tudo isto não passa de uma pequena tempestade num irrisório copo de água. Mas eu aprecio bastante mais a minha água se isenta de sujidades e pouco turva. Transparente, portanto. Vai daí, aqui seguem os episódios seguintes desta cena lamentável.
O senhor Flávio julgou-se no direito de escrever "Pqp para si. E não vai por extenso porque o blog é seu". Não sei bem porquê, ainda me dei ao trabalho de explicar ao mal-educado quais as minhas intenções e alertá-lo para o possível equívoco em que poderia estar a laborar, ofendendo-se com o que não era senão um elogio ao seu blogue: "a direita distante mas alerta". Claro que não serviu de nada. Ao invés de pedir desculpa pela grosseria, o senhor preferiu justificar-se com umas dissertações sobre o BE e a UDP e sentir-se confortado com alucinações de gente que ia arrotando postas como esta: "não há direito de se ofender e provocar da maneira como Luis Rainha provoca o autor do Ma-Schamba". (Eu é que ofendi o senhor Flávio, imagine-se...)
Minutos depois, um demente que nem vou identificar declarou o BdE "O mais fascista, reaccionario e desajustado de todos os blogs portugueses". A mesma criatura comentou que "é sempre assim q um blog vos começa a tirar audiencias. os maiores fascistas desta bodega toda sao vces q através de tacticas psicologicas marxistas como estas desastibilzam os outros bloggers" (os atropelos à ortografia são da exclusiva responsabilidade do cromo). Ou seja: andamos aqui a lutar por "audiências", feitos Rangéis do teclado... e sempre que alguém nos ameaça, lá os "desastibilzamos", seja isso o que for.
Chegado a este triste ponto, não resisti mais. Pegando no final desse "comentário" – "vá lavar fraldas!" – avisei-o de que estava a candidatar-se a levar com o proverbial "pano encharcado nas ventas" (ou fralda, neste caso). Pois.
Não devia ter perdido a tramontana. Sobretudo com quem dá sinais evidentes de ser apenas um pobre diabo. Mas deixei-me enfurecer. E isso entristece-me mais do que qualquer insulto idiota.

Publicado por Luis Rainha às 05:08 PM | Comentários (3)

NÃO TENHO VIDA PARA ISTO (1)

Tudo começou quando reparei na seguinte frase, presente no "Acidental" : "Este traço anti-semita que está nos genes da esquerda jamais deixará de me arrepiar." Isto não é um pensamento, não é sequer um disparate: é um insulto escarrado sobre quem ousa não pensar como o autor deste post, Pedro Marques Lopes.
De seguida, porque já não era a primeira destas generalizações que por ali topava, dediquei-me a elencar uma dúzia delas. Chamei ao resultado "Como definir a Esquerda numa dúzia de penadas Acidentais". E escrevi logo de imediato uma explicação, não fosse a coisa ficar carente de sentido. A páginas tantas, perguntei "Alguém me explica como é que a vontade de qualificar e depreciar o adversário se transforma numa obsessão deste calibre?" e deu-me para matutar numa questão algo simétrica: "Posso estar enganado, mas nunca me deparei com um caso clínico destes no lado de ‘cá’..."
Feito isto, congeminei a malfadada ideia: provar, recorrendo apenas a exemplos colhidos na blogosfera, que é um disparate rematado seguir pelo acidental caminho de reduzir a "Esquerda" ou a "Direita" a categorias homogéneas, como se todos "nós" sentíssemos uma obrigação imparável de venerar S. Estaline ou todos os cidadãos de direita não conseguissem deixar passar um dia sem pontapear um proletário.
Assim, qualifiquei, de forma assumidamente simplista e levezinha, alguns tipos de direita que lobrigo neste nosso pequeno mundo virtual, começando por blogues de que gosto muito e acabando em 3 de que não gosto nem um pouco. Finalizei com a constatação de que, afinal, as prometidas "três penadas" de exemplos não bastavam; nem mesmo uma dúzia. E fingi a surpresa: "Mas como é que eles (os Acidentais) conseguem ser tão concisos e decididos?" Julguei ter deixado clara a minha ideia: não vale a pena querer abarcar realidades e posturas tão díspares sob uma só categoria, seja ela "direita" ou "esquerda".
O que me havia de lembrar de fazer!

Fui de imediato acusado de fazer o preciso inverso do que almejava: "Achar que os que são como nós são os bons e depois há os outros"; ver o mundo a "preto-ou-branco"; fazer uma "colecção de cromos" que seria "boa para brilhar no bairro" mas incapaz de alcançar o "mundo" (local que suponho sob o brilhante domínio de tão arguto comentador).
Mas o pior ainda aí vinha a caminho. O autor do "Ma-schamba" ofendeu-se mortalmente por ser definido como sendo de direita e, mais a mais, por estar no mesmo "saco" de um fascista. No entanto, a minha classificação é tão somente o que parece: uma opinião. Uma opinião nascida da leitura desse blogue e de frases como "Sempre me irritou a auto-imagem (reconfortante) da superioridade da esquerda (até quando me pensava como sendo de esquerda)". Não me arrependo de ter emitido essa opinião e não me passa pela cabeça que algo tão exposto e público como um blogue possa estar, por uma qualquer alforria divina, imune a opiniões alheias.
Quanto à história dos "sacos", é logo o mesmo blogger que corre a enfiar-me na companhia de defensores da "miséria terrorista" e praticantes de "solidariedades criminosas", entre outras peças pouco recomendáveis; pondo em prática uma noção muito pessoal de coerência, por certo. E não esqueçamos que tudo isto era uma resposta – que se pretendia meio brincalhona – a textos que remetiam toda a esquerda sem excepção para o abismo dos estalinistas, anti-semitas, jacobinos, machistas, etc.
Depois, os ataques corrigiram um pouco o rumo: eu teria apontado algumas qualidades aos blogues por mim "considerados *de direita*: ‘nós’ somos a esquerda, os bons; os outros são a ‘direita’ que, apesar de nitidamente inferiores, até conseguem ter algumas qualidades..."
Que eu tenha repudiado tais acusações, afirmando "no meu texto, onde lobriga essa ideia de nós sermos os ‘bons’? E isso do ‘nitidamente inferiores’ é mera e total invenção sua: a nada no post pode ser atribuída semelhante intenção, muito antes pelo contrário!", pouco efeito causou; logo surgiu mais um comentário no mesmo comprimento de onda: "Pois, JV já o referiu, elogios apesar de...V. recusa que isso esteja presente no seu pensamento. Que fazer, se é V. que o diz. Agora que parece óbvio, parece. Alguns de direita têm qualidades, ‘apesar de direita’". (Brilhante exercício de telepatia a pretender ler, não o que escrevi, mas sim o que me ia na alma.) Parece-me que isto é uma invenção descarada, face ao que se pode ler nos posts em questão. E, aliás, já deu para perceber que alguns dos visados se limitaram a acusar a recepção dos elogios, sem ali vislumbrarem torpes – e "óbvios" - menosprezos ou taxinomias ofensivas.
Porra. Afinal, onde está o escondido "apesar de", quando digo que um blogue é "inteligente e elegante" ou "interessante e plural" ou "distante mas atento"?
Eu respondo: em parte alguma excepto na mioleira desconfiada de quem não consegue ver os outros a não ser como espelhos das suas próprias maleitas.

Publicado por Luis Rainha às 03:44 PM | Comentários (6)

OS MEDIA DOMINADOS PELA ESQUERDA

Primeiro foi o caso no Público, agora esta notícia.
Vivemos tempos muito orwellianos.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:15 PM | Comentários (2)

RESPOSTA À RESPOSTA DO JOÃO MIRANDA

1) Exposto em termos tão genéricos é impossível discordar.

2) Inteiramente de acordo. Para isso existe a sociologia, a psicologia social, a economia social, as estatísticas, os inquéritos, os estudos sociais, etc.

3) Correcto.

4) A premissa parece-me falsa e os exemplos também. Perante circunstâncias novas o procedimento normal é traçarem-se comparações com outras circunstâncias similares e reagir de acordo com o comportamento que se revelou mais eficaz anteriormente. Caso falhe - e ninguém disse que a razão era infalível - analisa-se o que correu mal e tenta-se corrigir o procedimento à segunda tentativa: haverá atitude mais racional que esta?
A bolsa de valores é também uma situação de racionalidade em que os seus intervenientes tentam prever as melhores escolhas de forma racional. As companhias de seguros lidam com circunstâncias que escapam à intervenção ou decisão do indivíduo segurado.

5) Ui, onde é que isto já vai! A não ser que comecemos a falar de clonagem ou reprodução in vitro, o sucesso reprodutivo é sempre condicionado pelo sucesso sexual! Não apenas, é claro; há outros factores como a capacidade de sobrevivência e a própria capacidade reprodutiva.

6) Bem, este argumento tem pés de barro. A comunicação linguística assenta no princípio da cooperação no sentido de que é necessário cooperar com o outro (ou seja, pôr-se no lugar dele) para conseguir transmitir correctamente a mensagem e convencê-lo a cooperar activamente com o primeiro indivíduo (é certo que posso querer comunicar com ele para o enganar, mas mesmo esse logro implica que ele faça alguma coisa que eu quero, isto é, que coopere). É esta necessidade de cooperação na realidade e de melhorar a cooperação linguística que faz evoluir a linguagem.

Exemplo concreto: O Jorge está a tentar convencer o João da verdade evidente que sociedades com um certo grau de organização racional são mais eficientes que sociedades desorganizadas, com o objectivo de recrutar João para a sua causa e assim ajudar a concretizar as suas ideias, de modo a criar uma sociedade onde o Jorge acredita que ele próprio e outros viverão melhor.
Para tal, o Jorge tem de gerar na cabeça de João uma série de esquemas mentais, analogias com experiências concretas e conhecimentos adquiridos do João que o levem a concluir por si próprio da necessidade de concordar com o Jorge. Para isso, o Jorge tem de usar uma linguagem o mais compreensível e expressiva possível que facilite a transmissão destes conceitos. Se, pelo contrário, Jorge usar palavras, conceitos e estruturas desconhecidas de João, este não gera situações mentais que o levem a aceitar a perspectiva de Jorge e este terá falhado nos seus objectivos.

7) Se dizes que que um grupo de milhões tem de ser organizado de forma diferente de um grupo de dezenas, plenamente de acordo. Se dizes que um grupo de milhões não pode ser eficientemente organizado, totalmente em desacordo.

Exemplo prático: (Pede-se ajuda aos especialistas para corrigir eventuais erros ou lacunas):

O exército mais eficiente do mundo nos últimos séculos é o ocidental. Como nasceu? Primeiro com os hoplitas gregos, centenas de homens que se juntavam o mais possível e corriam para a frente segurando espetos extra-gigantes e sem qualquer tipo de estrutura organizada.
Depois vieram os romanos que, com exércitos substancialmente maiores que os gregos, os organizaram do seguinte modo: havia cônsules e tribunos que comandavam legiões de milhares, definindo objectivos e estratégias globais. Cada legião dividia-se em manípulos e centúrias, estas últimas comandadas por centuriões que coordenavam os grupos de modo a seguir as ordens provenientes de cima. Por último, as centúrias dividiam-se em decúrias de dez homens que, perante as circunstâncias imprevisíveis do combate, agiam o melhor que podiam para tentar cumprir os objectivos que haviam sido definidos de cima.
Esta organização foi a que permitiu a fundação do Império Romano e é a que predomina até hoje em exércitos de milhões de soldados, com maiores ou menores modificações, tendo adoptada em todos os cantos do mundo devido à sua eficácia.

Nota: Claro que isto é só um exemplo de possibilidade da organização de grandes grupos. Longe de mim a ideia de estruturar as sociedades como se fossem exércitos!

Publicado por Jorge Palinhos às 10:29 AM | Comentários (0)

RESPOSTA A AAA

Falo por mim apenas: Kerry não é o meu candidato favorito.
O nome do meu candidato é Qualquer-um-menos-o-Bush.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:26 AM | Comentários (2)

COMBATE AOS PROBLEMAS SOCIAIS

Boas notícias: o governo está a tentar baixar os índices de desemprego dos jornalistas.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:23 AM | Comentários (1)

agosto 18, 2004

DA NATUREZA DA LÍNGUA

Na passada semana, o João Miranda dedicou-se a tentar definir o que é natural e artificial. Longe de enveredar pela teorização filosófico-biológica, o João concentrou-se em exemplos concretos. Desses exemplos, depreendeu-se que para o blasfemo o que é natural e "bom" é o que evolui “naturalmente”, isto é, sem intervenção racional, enquanto que "mau" e artificial é o que é desenvolvido e planeado racionalmente.

Os fundamentos desta posição são claramente teológicos, pelo que não me vou pronunciar sobre eles. São teológicos na medida em que se sustentam na pressuposição que a evolução das sociedades é em si boa e não deve ser condicionada racionalmente (por outras palavras, pelo estado), pois não pode ser apreendida racionalmente. Ou seja, diz-se que a evolução social transcende a razão, e logo pertence ao domínio da metafísica, e fazem-se juízos de valor sobre essa evolução, pelo que se deduz que existe um padrão moral inerente a essa evolução. Numa palavra: teologia.

E não adianta falar de Darwin. Darwin nunca disse que a evolução era boa: limitou-se a constatar que ela existia.
De facto, temos casos de evolução natural cuja benevolência é menos que dúbia. Será que a evolução natural dos dinossáurios para a extinção foi boa para os próprios? (Isto, claro, se assumirmos que os dinossáurios não tinham estado centralizado; crença que julgo ser partilhada por todos, menos pelos patuscos new agers que os consideram uma civilização superior.) E que dizer das tribos da Ilha da Páscoa, cuja evolução natural foi abaterem até à extinção todas as árvores da ilha que lhes forneciam comida e habitação, e cuja consequência também natural foi as próprias tribos extinguirem-se. Será que estas infelizes tribos não teriam gostado muito de uma interferência racional que artificialmente mudasse a evolução natural?

Entre os vários exemplos que o João dá, interessou-me o da linguagem. A propósito destas, o liberal dos posts curtos indicou uma série de pressupostos que, não sendo falsos, não dizem toda a verdade, e que vou tentar complementar.

O João afirma que a linguagem como factor competitivo é o que leva ao seu desenvolvimento. Isso é verosímil, mas dentro da própria linguagem, isto é, dentro do próprio grupo. Senão, qual a vantagem de uma língua ser gramaticalmente mais complexa que outra totalmente diferente? Ou seja, a competição apenas funciona como elemento diferenciador dentro de um grupo e não entre grupos? Bem, isto na teoria, pois a prática, parece-me ser diferente, como direi à frente.

Por outro lado, isso implicaria que as línguas caminhariam progressivamente para complexificação. O que não é verdade. De facto, quem souber latim ou grego antigo, quem ler textos medievais, dirá imediatamente que as línguas actuais são formalmente mais simples que as antigas, com recurso a uma estrutura frásica rígida, períodos curtos, ortografia uniformizada.

Ao mesmo tempo, essa sofisticação serve para quê, exactamente? Normalmente são os estilos eruditos que recorrem mais às potencialidades da língua. Mas são também esses estilos eruditos e inovadores que têm menos sucesso em termos de divulgação. É a linguagem simples que permite passar a mensagem e convence o receptor, não é o recurso a zeugmas, pretéritos-mais-que-perfeitos, etc.. Senão, porque é que a literatura barroca não é a mais popular de todas?
Por outro lado, se a língua é esse código grupal exclusivo que o João parece crer que é, porque é que as culturas investem tanto na sua divulgação? Porque é que os Estados inglês, francês, português gastam tanto dinheiro em Alliances Françaises, British Councils, Institutos Camões para promover o vernáculo no estrangeiro? Porque é que a prática de todos os impérios é incentivar os povos conquistados a aprender a sua língua? Não deviam ter antes a atitude de a esconder invejosamente para impedir que estranhos a aprendam? E porque é que todos os guias turísticos recomendam que quando se visita um país se aprendam umas palavrinhas da língua nacional, pois os indígenas gostam de as ouvir? Não devia ser o contrário? Não deviam os nativos ficar assustados por um estranho lhes conhecer o código secreto?

Por outro lado, o lado cooperativo da língua é significativo. A linguagem, em si, tem como primordial objectivo a cooperação. Mais, tem como principal objectivo a cooperação entre diferentes. As línguas são forçadas a evoluir e a expandir-se quando têm de encaixar perspectivas da realidade e experiências de vida diversas. Em grupos restritos a linguagem não precisa de grande sofisticação pois os seus elementos têm de lidar com as mesmas situações e têm experiências similares – veja-se que cada um de nós, com amigos próximos e familiares, muitas vezes não precisa mais do que monossílabos, grunhidos ou mesmo silêncios para se fazer entender – é na presença de desconhecidos, do outro, que somos forçados a usar todos os artifícios da linguagem para nos fazermos compreender. Como diz o ditado popular: “Para bom entendedor…” Repare-se que as línguas isoladas, como o inglês, são mais rudimentares gramaticalmente, ao passo que as línguas que abrangem uma diversidade cultural e geográfica muito grande, como as línguas continentais, apresentam maior complexidade.

O João faz grande alarde da vantagem competitiva da língua como forma de sobrevivência e vantagem reprodutiva. Bem, nenhum contexto de sobrevivência é explicado no post do blasfemo. Mas eu pergunto: num contexto primitivo, entre uma tribo com competências linguísticas, outra tribo com competências de corrida que lhe permitem fugir do perigo e ainda outra tribo com superior capacidade de luta que lhe permitem enfrentá-lo, qual a que teria maiores hipóteses de sobrevivência?

A história diz-nos que foi a primeira, visto que a espécie com competências linguísticas mais desenvolvidas, o homo sapiens sapiens, extinguiu outras menos competentes, como o neandertal europeu ou o homo erectus asiático.
E porquê? A única vantagem em termos de sobrevivência da língua sobre a força ou a velocidade é a capacidade de cooperação, de o grupo organizar acções concertadas, dirigidas e racionais. Enfim, a capacidade de conciliar racionalmente interesses individuais e colectivos e dirigi-los de uma forma racional e organizada. Parece que a linguagem configurava já, glup, o estado centralizado!
Também a questão do sucesso sexual pela capacidade retórica, mesmo não sendo totalmente errado, me parece um tanto inflacionado. Desse ponto de vista, entre modelos, actores, políticos e escritores, o grupo profissional com mais tracinho na pistola devia ser o último, o que não me parece ser o caso. Dou para tanto os auto-exemplos vivos da Adília Lopes e do Pedro Mexia.
A propósito há uma história reveladora: intrigado com o sucesso entre as damas do seu amigo H.G. Wells, um homem baixote, gorducho e pouco atraente, Somerset Maugham inquiriu a uma das suas amantes a razão de tal atracção. Seria o talento literário? O sentido de humor? A erudição? Não, respondeu simplesmente a senhora, é porque o corpo dele cheira a mel.

Publicado por Jorge Palinhos às 01:26 PM | Comentários (15)

COMO DEFINIR A DIREITA EM TRÊS PENADAS

Há a direita inteligente e elegante.
Há a direita fresca e gira.
Há a direita culta e influente, mas tão aborrecida.
Há a direita interessante e plural.
Há a direita distante mas alerta.
Há a direita divertida.
Há a direita epicurista.
Há a direita irritante mas coerente.
Há a direita taxinomista, viciada em rótulos.
Há a direita com um ligeiro atraso.
Há a direita declaradamente mentecapta.
Há a direita cavernícola e a pedir lobotomias urgentes.

Merda. Isto, afinal, é mais difícil do que parecia. Prometi "três penadas", já vou na dúzia. E fiquei-me por alguns blogues que de quando em vez visito. Nem sequer cheguei a sair para o mundo real.
Mas como é que eles conseguem ser tão concisos e decididos?

Publicado por Luis Rainha às 12:44 PM | Comentários (16)

NÃO TARDA NADA, TEMOS ESTA FIGURINHA NO GOVERNO



A filha da famosa "Dadinha" já lá canta.

Publicado por Luis Rainha às 12:32 PM | Comentários (3)

COMO DEFINIR A ESQUERDA NUMA DÚZIA DE PENADAS ACIDENTAIS (2)

Para reunir o impressionante acervo de patetices e vacuidades que vos apresentei no post anterior, não precisei de meses de paciente busca pelos blogues da nossa simpática direita. Não; bastou-me recorrer a uma singela fonte: o Acidental. É verdade. Num só blogue encontrei toda aquele pecúlio de generalizações simplistas; e só procurei de 1 de Julho até à presente data. Fascinante.
Alguém me explica como é que a vontade de qualificar e depreciar o adversário se transforma numa obsessão deste calibre? A persistência da acidental sanha chega a ter algo de vagamente inquietante: será que eles só se conseguem definir enquanto opositores de um inimigo desprezível? Será que escarnecem das hostes adversárias para invocar a coragem perdida, à laia de macacos a grunhir e cabriolar face ao bando que lhes invadiu o bananal? Posso estar enganado, mas nunca me deparei com um caso clínico destes no lado de "cá"...
E nem imagino o que torna esta malta tão azeda e rancorosa: o 25 de Abril já foi há mais de 30 anos, têm agora o Santana em S. Bento, o Durão na Europa, o Bush II nos EUA e no Iraque. O que lhes correrá mal? Inveja? Digestões complicadas? Pouco sexo?
"Um idiota de direita é um troglodita, um idiota de esquerda é um livre-pensador"; depois de coligir este resumo de alucinações persecutórias, estou bastante inclinado a concordar com a primeira parte da máxima criada pelos nossos acidentais "inimigos"...

Publicado por Luis Rainha às 12:02 PM | Comentários (1)

COMO DEFINIR A ESQUERDA NUMA DÚZIA DE PENADAS ACIDENTAIS

1- Existe pelo menos um "traço anti-semita que está nos genes da esquerda". Convém que um bom conservador se declare "arrepiado" face a esta constatação.
2- Sentimos sempre um comichoso "incómodo quando se fala do Estaline". Aqui, o bom conservador limita-se a "registar".
3- Continuamos, idiotas pertinazes, a "regurgitar as palermices do costume (tão bem ‘documentadas’ no filme do Michael Moore) sobre as eleições americanas de 2000."
4- Revelamos um "machismo mal escondido". Por muito "moderna" que seja a nossa "esquerda". O que vale às mulheres deste país é que a nossa direita, como é bem sabido, nada tem de marialva...
5- A "esquerda blogueira" está rendida "de uma vez por todas, às salazarentas virtudes da tecnocracia". Será isto porque sabemos usar um computador?
6- Há uma coisa chamada "populismo". A Esquerda, nas muiiiiiitas vezes que o origina, chama-lhe, ó hipocrisia!, "denúncia".
7- "A esquerda diz companheira, a direita prefere dizer a minha mulher." – esta, por sinal, faz parte de um lindo post reveladoramente intitulado "Sobre as dez diferenças entre a direita e a esquerda".
8- Aos "defeitos da monarquia absolutista da França pré-revolucionária" juntámos "pouco mais do que a violência e o terror". São estes os tristes valores que a "esquerda, em geral, continua a partilhar e a defender".
9- Temos como "problema" "geral" o facto de continuarmos presos ao modelo referido no ponto acima. Ainda não chegámos "aos capítulos das duas revoluções inglesas e da Revolução Americana dos ‘Founding Fathers’". Passe a cronologia algo tortuosa, claro está...
10- Quem ouse dizer-se de esquerda ficará logo a saber que anda metido com uma malta "jacobina e bonapartista". Um bando que, mais a mais, "não acredita na democracia representativa e parlamentar."
11- Achamos que o "povo" nos "pertence" por "uma espécie de direito natural". Para que quereria eu tal coisa é que não entendo...
12- Depois de ter lido todas estas certeiras e perspicazes explicações, devo confessar-me, lavado em arrependido pranto: pertenço a essa ignominiosa quadrilha dos "blogueiros da esquerda caviar". E somos mesmo a escumalha da Terra. O que nos vale são os preclaros blogueiros de direita, sempre prontos para denunciar corajosamente os nossos infindáveis defeitos!

Publicado por Luis Rainha às 11:44 AM | Comentários (2)

BEM QUE ELES DIZIAM QUE IAM UNIR O POVO IRAQUIANO

Com a invasão americana, desabrochou a harmonia entre facções religiosas que antes nem se podiam ver. Hoje em dia – e já há algum tempo - xiitas e sunitas rezam e lutam lado a lado, em Najaf e um pouco por todo o Iraque. É enternecedora, a forma como a chegada da Democracia levou logo esta gente a ultrapassar divergências com mais de mil anos...

Publicado por Luis Rainha às 11:25 AM | Comentários (0)

QUANDO OS FACTOS FALHAM...

Chamam-se os copywriters!
Arábia Saudita encomenda anúncios publicitários para convencer americanos que estão do lado deles.

Porque podemos contar com os filhos de Saud*!

* Todos os cinquenta.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:10 AM | Comentários (0)

E POR FIM UM TESTE INTERESSANTE

My Phase is Olbos



Which Phase of the Greek Tragic Cycle Are You?


Take More Robert & Tim Quizzes
Watch Robert & Tim Cartoons


Publicado por Jorge Palinhos às 11:03 AM | Comentários (0)

MAS AINDA INSUFICIENTEMENTE PANÇUDO

I am an Intellectual



Which America Hating Minority Are You?


Take More Robert & Tim Quizzes
Watch Robert & Tim Cartoons


Refira-se que a parte de que quem discorda de mim está errado ou a fazer birra é inquestionavelmente verdadeira.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:57 AM | Comentários (0)

SERÁ QUE TOMEI O COMPRIMIDO AZUL?

I'm an Atheist!



Which Enemy of the Christian Church Are You?


Take More of Robert & Tim's Quizzes
Watch Robert & Tim's Cartoons


Registe-se que não é exactamente assim que me defino. Mas se levasse a sério os testes de personalidade...

Publicado por Jorge Palinhos às 10:50 AM | Comentários (0)

agosto 17, 2004

"ESSA SENHORA DOUTORA..."

Souto Moura não vislumbra qualquer razão para pegar na trouxa e zarpar. Que a assessora de imprensa da Procuradoria andasse a passar informação a que nem deveria ter tido acesso, é coisa de somenos: "Essa senhora doutora, cuja função é passar o dia ao telefone com os jornalistas, não integra o meu gabinete." Aliás, nem foi ele a contratá-la.
E assim se varre o lixo para debaixo do Arraiolos, na esperança que ninguém queira saber mais.
Jorge Sampaio, por seu turno, vem pedir os costumeiros "apuramentos de responsabilidades"; mas, como já sabe o que a casa gasta, também já sabe que «não saem diminuídas as condições de exercício» de Souto Moura. Eficiência é isto mesmo: pedir um inquérito e logo a seguir antever qual vai ser o seu resultado final...

Publicado por Luis Rainha às 04:42 PM | Comentários (5)

E NÃO É QUE ELE GANHOU MESMO? (3)

Segundo a SIC, o "departamento de Estado dos EUA disse, entretanto, que não irá aceitar os resultados que dão a vitória a Chávez. Os EUA reclamam, assim, um inquérito às ‘fraudes eleitorais’ denunciadas pela oposição venezuelana, mas já afastadas pelos observadores."
Devo confessar que encaro esta notícia com algum cepticismo, pois não consigo encontrar rasto de tais afirmações, nem no site do Departamento de Estado, onde apenas se vislumbram ideias bem mais pacíficas: "qualquer alegação de fraude deverá ser investigada pelas competentes autoridades venezuelanas"; "mas penso que antes devemos ouvir os observadores no terreno e ver a contagem final dos votos".
Tendo em vista as afirmações concludentes de Jimmy Carter e de Cesar Gavíria, parece-me algo bizarro que os americanos agora venham lançar mais gasolina para esta fogueira. Mas também será estranho que desistam de derrubar Chávez, seja por que meios for, apenas por causa de uns míseros votos.
Hoje, com algum humor, o presidente venezuelano veio afirmar que os seus críticos, "não tarda nada, exigem observadores de Marte!" (Convém não esquecer que as alegações de fraude são parte indispensável do folclore político local...)

Publicado por Luis Rainha às 03:42 PM | Comentários (6)

E NÃO É QUE ELE GANHOU MESMO? (2)


Cartoon de Steve Bell, "The Guardian"

Publicado por Luis Rainha às 03:20 PM | Comentários (1)

"I'M A COOL ROCKING DADDY IN THE U.S.A."

Uma candidata republicana ao senado dos EUA, Marilyn O'Grady, acaba de lançar um anúncio de TV em que pede aos americanos que boicotem os discos de Bruce Springsteen. O pecado do "Boss"? Ser um dos muitos músicos americanos que já perceberam que não é saudável para ninguém ter um idiota como Presidente.
"He thinks making millions with a song-and-dance routine allows him to tell you how to vote", diz a senhora no reclame em questão. "Here's my vote: Boycott the Boss. If you don't buy his politics, don't buy his music." Nunca fui grande fã do Springsteen, mas esta parece-me uma boa altura para mudar de ideias...

Publicado por Luis Rainha às 03:12 PM | Comentários (4)

ERA TUDO UMA QUESTÃO DE "COBERTURA MEDIÁTICA"

Michael T., o confesso profanador de campas judaicas que ontem se rendeu à polícia, queria "despertar" os grupos nazis franceses, para que estes respondessem por fim à "invasão" dos árabes. Este rapaz nem sequer era muito politizado: as autoridades não encontraram em sua casa literatura nacional-socialista, embora o seu pseudónimo de guerra, "Phineas", tenha sido copiado das doutrinas destes morcões, mais a sua "Phineas Priesthood".
Com a sua linda missão em mente, o louco começou por agredir à machadada um árabe, em Villeurbanne. Mas, imagine-se, tal rendeu ao seu autor apenas umas míseras linhas nos jornais locais. Vai daí, ele decidiu levar a cabo "uma acção mais mediática", "escolhendo o cemitério judaico, pois fala-se mais das profanações", nas palavras do procurador de Lyon. Disto já tinha o Jorge dado notícia, aliás.
Em penoso resumo: até um tonto incapaz de desenhar uma suástica sem a inverter conseguiu descodificar os princípios operacionais dos media de hoje em dia. Que um homem leve com um machado em cima, pouco "valor noticioso" tem; mas um spray de tinta no sítio certo já dá um acontecimento de relevo, capaz de abrir noticiários na TV. Quantas agressões racistas (a um árabe, note-se) teriam sido precisas para obter a mesma "cobertura" logo merecida por um cemitério judaico vandalizado?
E assim surgem mitos utéis, como o do anti-semitismo avassalador em França.

Publicado por Luis Rainha às 01:20 PM | Comentários (10)

CATÁLOGO DE DESPORTOS PATETAS (III)

Nascar

O sonho de qualquer comuna: uma corrida de carros em que se passa entre 320 a 965 km a virar à esquerda.

Regras patetas:
- São 320 km a 965 km a virar à esquerda, o que vocês querem mais?

Publicado por Jorge Palinhos às 12:08 PM | Comentários (2)

CATÁLOGO DE DESPORTOS PATETAS (II)

Corfebol

Variante politicamente correcta do basquetebol, cujo único intuito é pôr homens e mulheres a jogar juntos em igual número. Visto que os cestos estão a 3,5 metros de altura, a única coisa que os jogadores podem fazer é passar a bola uns aos outros e amandá-la ao ar a ver se cai no sítio certo.

Regras patetas:
- Os cestos têm de ser de cor amarelo vivo... o que implica que os campos de corfebol são visíveis de Neptuno.

Variantes patetas: Basquetebol americano, cujas regras foram cuidadosamente elaboradas para que haja um anúncio publicitário de cinco em cinco segundos.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:48 AM | Comentários (9)

CATÁLOGO DE DESPORTOS PATETAS (I)

Campeonato Mundial de Carregar a Esposa

(Também conhecido por Alomba-com-a-gaja)

Desporto tradicional inventado em 1992, de enorme correcção política, que consiste no macho mostrar a sua musculatura carregando a mulherzinha, que tem de mostrar que é suficientemente magrinha para o macho a carregar, mas não demasiado escanzelada para parecer morta-de-fome.

Regras patetas:
- A mulher tem de ter pelo menos 49 kilos. Se não tiver tem ela própria de arcar com uma mochilinha;
- Os participantes são obrigados a mostrarem-se divertidos e contentes;
- O desporto inclui variantes como a versão estafeta, o Alomba-com-a-gaja-em-cima-de-uma-bicla e o Alomba-com-a-gaja-ao-ritmo-da-música.

Uma verdadeira patuscada.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:10 AM | Comentários (3)

WARNING: POST ANTI-SEMITA WARNING: POST ANTI-SEMITA

Aviso: O seguinte post não é recomendado a quem registe terrível incomodidade perante críticas ao Estado de Israel, a quem saiba do traço anti-semita nos genes da esquerda e a quem acredite no Pai Natal.

A polícia francesa prendeu o confesso autor da recente profanação de um cemitério judaico. O suspeito confessou as suas simpatias nazir e ter "ódio visceral pelos árabes", tendo recorrido apenas à profanação do cemitério para conseguir maior visibilidade, depois do seu ataque à machada a um jovem árabe ter sido ignorado pelos media. Indicou ainda que a sua inspiração para o ataque foram os neo-nazis americanos.
Público

Publicado por Jorge Palinhos às 10:30 AM | Comentários (3)

agosto 16, 2004

E NÃO É QUE ELE GANHOU MESMO?

Ao que parece, os observadores internacionais que acompanharam o referendo na Venezuela acabam de avalizar o triunfo do "Não" e a consequente vitória de Chávez: "El ex presidente estadounidense Jimmy Carter dijo en una conferencia de prensa, acompañado por el secretario general de la OEA, César Gaviria, que ‘estamos en condiciones de decir que nuestras informaciones coinciden con los resultados parciales anunciados esta mañana por el CNE’ (Consejo Nacional Electoral)". Esta é a notícia que se lê a esta hora na CNN "hispânica". Curiosamente, a CNN "para os outros" continua a dar destaque às queixas dos maus perdedores e aos seus sonhos de uma "gigantesca fraude".

PS: afinal, a "conspiração" que eu, sempre repleto de perspicácia, denunciei durou pouco. A CNN lá acabou por acertar as suas versões. Bem; também já se dizia que os EUA até preferiam aturar o Chávez mais uns tempos do que aguentar novas subidas no preço do petróleo...

Publicado por Luis Rainha às 07:27 PM | Comentários (8)

NOVA VIDA, NOVO BLOG

Gostaria de saudar aqui o primeiro blog camiliano português. É sempre bom ver pessoas a partilharem connosco a suas difíceis experiências de vida, tocando as nossas próprias e enriquecendo-as de pensamentos profundos e emoções partilhadas.
Fica portanto aqui o link para o Sou mãe adolescente, com alguns posts para vos motivar a visitá-lo:

Sou demasiado novinha
para inferir conclusões sobre a realidade que me circunda, mas nem parece que vivemos em liberdade. Alguns jovens adultos são chacinados na estrada perante a indiferença do poder, os que sobrevivem, mesmo que estudem, são dilacerados pelo desemprego; no pólo oposto, os idosos esboroam toda a sua dignidade ante a solidão e o sofrimento derradeiros, menos valias de uma sociedade com o epicentro na produtividade e no lucro. Tudo isto é trágico.

O meu pai
foi até recentemente um empedernido, talvez à conta da vida sem tréguas que conheceu de pequenino. Aos doze anos, era largado pelo alvorecer nos campos da Beira Alta com a sachola numa mão e a bucha do almoço na outra. Desiludido com a democracia, seguiu jovem adulto a rota aberta por muitos outros para França, onde não teve mãos a medir com tanto trabalho e biscates, que se prolongavam pela calada da noite, à luz de uma vela para não dar nas vistas sem os papéis. Aliviava as dores do trabalho desgastante num qualquer colchão furado, o estômago carcomido de fome com umas salsichas aquecidas na lata sobre o fogareiro. Ritmo frenético abalado por um pequeno acidente de trabalho que o alertou para o risco da ilegalidade. Com algum dinheiro amealhado, regressou definitivamente a Portugal. Abriu uma pequena firma sem outro sucesso que o de ter permitido conhecer a minha mãe. Grande, pois então... Namoraram e casaram num relâmpago. Para equilibrar as contas, a minha mãe começou a fazer limpeza em casa de uns doutores da cidade (onde ainda trabalha), o meu pai resignou-se enfim a trabalhar por conta de outro, compraram no campo uma casa escalavrada que o meu pai pacientemente reconstruiu com a paciência que emprestou e o pouco (muito pouco) que sobrava ao final de cada mês. Nos últimos anos, não havia amor a partilhar, mas sobrava pão sobre a mesa. Estava eu já grávida sem eles nada saberem quando se abateu sobre esta casa uma tragédia. Uns exames e análises que o médico de família pedira ao meu pai com urgência revelaram um tumor nos intestinos. Em dois dias, tinha marcada a primeira de muitas operações que se seguiriam. Paradoxalmente, a família tornou-se mais unida desde então. Ele emagreceu, perdeu a energia que o caracterizava, confinou-se à casa e arredores, com um saquinho que lhe deixaram na barriga; porém, no regresso do trabalho, a minha mãe entrega-se de corpo e alma a cuidar do meu pai - adivinho-lhes uns sorrisos de cumplicidade, uns gestos de ternura, onde antes só descortinava aspereza. No intervalo das cólicas cruciantes, do mal-estar geral, consegue ser melhor avô hoje do que alguma vez foi pai. Choro quando penso que provavelmente o meu filho não se recordará dele quando crescer.


Publicado por Jorge Palinhos às 06:52 PM | Comentários (3)

PALAVRAS TRANSGÉNICAS


Primeiro, foi a invasão sorrateira de aberrações como o "stresse" e o "scâner", que o dicionário da Academia das Ciências de Lisboa nos tentou impingir. Estas belas palavras sempre traziam a novidade de termos por fim vocábulos começados por "st" e "sc", colmatando uma gritante carência que em muito deve ter prejudicado gerações inteiras de poetas.
Mas palpita-me que o pior ainda está para vir. Hoje mesmo, li um texto de contracapa, num livro editado em Portugal, onde surge a palavra "triler". Não se trata de uma forma exótica do verbo trilar; é mesmo um aportuguesamento do Inglês "thriller".
Tendo em vista que o livro em questão se chama "O Cromossoma de Calcutá", espero que isto não passe de uma experiência na criação de palavras transgénicas. É que se um tal aborto também foi santificado pelos sapientes académicos, estão reunidas as condições para que os autos de fé façam um triunfal regresso ao Rossio... pois que outro destino se poderia dar a um "dicionário" capaz de acoitar um monstro do calibre deste "triler"?

Publicado por Luis Rainha às 05:05 PM | Comentários (13)

O TRIUNFO DA "VAST RIGHT-WING CONSPIRACY", PARTE 33,5

O AAA tem mais motivos para ficar contente. Numa votação da Random House, a maior editora de livros americana, em que foram contabilizados 217 520 votos, Atlas Shrugged e The Fountainhead, de Ayn Rand, foram eleitos os melhores romances do século!
A mesma autora/filósofa/guru tem direito a mais dois livros no Top Ten, Anthem e We the living.
O único génio universal cujo talento literário e ficcionista quase ombreia com o da autora russa naturalizada americana, é o do escritor/profeta/guru americano naturalizado E.T. L. Ron Hubbard, cuja poesia e profundidade de Battlefield Earth, Mission Earth e Fear, só são superadas pelas obras-primas da autora citada.

Suponho que isto quer dizer que a seita do Objectivismo ainda tem mais poder que a seita da Cientologia.

P.S. - Vou refrear-me de mencionar os autores que o público aplaude como os maiores na não-ficção.

Publicado por Jorge Palinhos às 03:35 PM | Comentários (0)

JÁ AGORA (II)

(Aproveitando uma pergunta pertinente da Charlotte.)

Alguém me explica porque é que esse híbrido entre chinquilho escandinavo e competição entre empregadas domésticas que dá pelo nome de Curling tem honras de desporto olímpico?
E para quando idêntica dignificação dos matraquilhos?

P.S. - Descubram aqui outros desportos dignificados com a categoria olímpica antes de alguém ganhar juízo. Desportos com a sofisticação e emotividade do lacrosse, da pelota basca, do croquet (sic) e do jogo do puxa.

Publicado por Jorge Palinhos às 12:25 PM | Comentários (11)

OS OUTROS LIBERTADORES

Ontem comemoraram-se os 60 anos do desembarque entre Toulon e Fréjus, na costa sudeste da França ocupada pelo exército do III.º Reich, de 94 mil soldados aliados e 11 mil veículos militares. A operação Anvil-Dragoon vinha criar uma nova frente de batalha, que se juntaria um mês depois aos contigentes que tinham participado no desembarque da Normandia. Desenhava-se o fim da dominação alemã na Europa ocidental. Entretanto, em Paris, a polícia e o metro entravam em greve e a resistência começava a organizar a revolta. Os soldados americanos irromperam pela praias da Provença, enquanto os destacamentos franceses atacavam pelos flancos. Destes, muitos pertenciam às tropas coloniais: eram zouavos, goumiers, ta-bors, spahis, tirailleurs, companhias de nomes exóticos vindas da Argélia, Marrocos, Senegal, Mauritânia, Tchad, das Antilhas ou da Indochina.

A libertação do nazismo também foi uma obra destes soldados africanos, asiáticos e de outros territórios ultramarinos, que a França esqueceu depois das independências e que hoje recebem, na sua grande maioria, pensões de miséria pelos serviços prestados. As comemorações deste ano foram uma ocasião, dizem, para um “dever de memória”, mas que na verdade soube mais a um arrependimento tardio e insuficiente. Como se não bastasse, foi motivo para mais uma polémica em torno de outros fantasmas coloniais, os da Guerra da Argélia. Por detrás da pompa comemorativa e das medalhas de ocasião, nota-se que este é um passado que, como diria o outro, ne passe pas....

Publicado por Manuel Deniz às 11:45 AM | Comentários (3)

UM CASAMENTO ABENÇOADO

Já se vem tornando hábito, mas agora é assumido e feminino: uma boneca hiper-produzida, hiper-mediática, muito atraente por fora e completamente oca por dentro, cuja popularidade se deve somente a uma eficaz estratégia de marketing, prepara-se para ascender aos mais elevados destinos de uma nação. Ou seja, a Barbie anunciou a sua candidatura presidencial. Tal como acontece com os cartões multibanco, esta é uma das poucas áreas em que Portugal se pode orgulhar do seu vanguardismo.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:36 AM | Comentários (0)

A VERDADEIRA IMPORTÂNCIA DE SER ERNESTO

Cientistas descobrem que homens com nomes com vogais abertas são mais sexies que homens com nomes com vogais fechadas, e vice-versa para as damas.
Zé Mário, muda já o nome aqui embaixo para Aarão Antunes!

Publicado por Jorge Palinhos às 11:30 AM | Comentários (0)

MAÇÃS DA EVA CONTINUAM A DAR BRONCA

Artista americano é censurado por reproduzir obra de Miguel Ângelo. Como de costume, há mamas implicadas.
Um exemplo de como a América do séc. XXI é mais puritana que o Vaticano do séc. XVI.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:14 AM | Comentários (2)

O POVO GOSTA DE DITADORES?

Hugo Chávez venceu o referendo à sua continuidade com 16% de vantagem.

Publicado por Jorge Palinhos às 10:59 AM | Comentários (5)

HASTA LA VISTA

Se não se importam, caros amigos, vou ali e já volto. Pode ser? Um intervalinho para descansar os olhos, pôr o sono em dia, desentorpecer as pernas. Quatro dias de silêncio, paisagens bucólicas, leituras em atraso, passeios na serra, muito namoro. Quatro dias sem portátil, sem internet, sem blogue, sem relógios. Nada de nada. Log off.
Fiquem bem. Tenho a certeza que o resto da malta vai dar conta do serviço.

Publicado por José Mário Silva às 10:35 AM | Comentários (2)

UMA GRAVAÇÃO SECRETA, EM EXCLUSIVO BDE

Nestes dias conturbados, em que os escândalos se sucedem a uma velocidade atordoante, o BdE quer assumir um papel pacificador na sociedade portuguesa. Assim sendo, desejamos liquidar as especulações que têm circulado pelos jornais lisboetas: afirmamos sem tibiezas nem subentendidos que as gravações em nosso poder não têm nada que ver (enfim, quase nada) com o pesadelo da Casa Pia. Esta cassete, adquirida a bom preço na Feira da Ladra, provém realmente do armário de um jornalista muito distraído. Mas o diálogo nela gravado tem como interlocutor alguém que ainda não identificámos, mas que, a ajuizar pelo seu discurso pouco claro, por certo não ocupa qualquer cargo de responsabilidade. Aqui fica a transcrição fiel:

"- Olhe que isto de falar consigo às escondidas não me parece coisa muito digna... se a Maria me apanha, estou bem tramado!
- Então, então... sabe que pode confiar em mim. Afinal, quando foi da sua visita à China, quem é que ficou consigo enquanto os outros todos foram comprar relógios falsos?
- Eh pá, é verdade; mas não me posso comprometer assim. Quem é que me garante que você não está a gravar esta conversa?
- V. Exc.ª ofende-me! Sou um jornalista honrado!
- E não me vai identificar?
- Claro que não: fica assim qualquer coisa como "Uma fonte bem informada de Belém".
- Hmmm... não sei...
- Vá... dê-me lá a abébia; o que é que vai decidir, afinal? Vamos ter eleições antecipadas ou não?
- Estou convicto de que, para trilharmos com clareza os caminhos do futuro, nestes tempos que atravessamos de grandes transformações e mudanças, é útil ter presente a nossa história colectiva, a que se desenvolveu precisamente a partir desta pátria de todas as criações.
- (sotto voce) Olha... mas de que é que este está a falar?
- Assim, por exemplo, questões candentes, tal como a dos limites da Europa, a da unidade da civilização europeia contraposta à sua grande diversidade política, linguística e cultural, ou ainda a questão das relações transatlânticas ganham em serem equacionadas à luz da história de que estão carregadas.
- V. Exc.ª! Acorde! Olhe que sou eu, o amigo Octávio....
- Eh pá; desculpe... deixei-me levar pelo entusiasmo... ando aqui a escrever umas coisas sobre os Jogos Olímpicos... Mas está a ficar bonito, não está? A Maria diz que até lhe dá arrepios...
- Deixe lá isso agora e diga-me: afinal vai dissolver a Assembleia ou vai dar o poder ao Santana?

- Olhe... sei lá! Ando numa inquietação com essa história que você nem calcula. Estava tão bem, aqui sossegado no meu canto; mas aquelas bestas de Bruxelas não conseguiram mesmo arranjar mais ninguém? Tinham de nos vir incomodar? E não é que o Durão aceitou logo a correr? Isto é tudo para me apoquentar!
- Então ainda não decidiu?
- A coisa é complexa. Temos de olhar para a big picture: como é que eu vou ficar no retrato da posteridade? Como um gajo de esquerda, com tomates, que correu com os reaças à primeira oportunidade? Ou como o incapaz que entregou o país a uma nulidade coberta de gel? Mas e se vamos a eleições e o cromo ganha na mesma? Que confusão! E cada caramelo a quem peço a opinião só me baralha ainda mais!
- Olhe que eu tenho de fechar a edição daqui a meia hora...
- Não sei que lhe diga. Até já pensei em deitar uma moeda ao ar. Por um lado, aquele Santana sempre me pareceu meio atrasado mental. Mas o Ferro também, coitado, tem tão má pinta...
- E se você soubesse o que eu sei do Ferro!
- O quê? O quê?? É coisa da Casa Pia? Diga lá, homem, vá! Desembuche!
- Mas não era V. Excª que me devia dar informações?
- Você sabe como é isto aqui por Belém; ninguém nos conta nada, estamos a leste das tricas todas... e uma mão lava a outra; você sabe...
- Vá, por esta passa. Sim, é tudo verdade. O director da PJ garantiu-me que o Ferro está enterrado naquilo da Casa Pia até ao pescoço. Foi identificado por 18 miúdos, três freiras e dois ceguinhos. E a polícia até desconfia que o homem pode bem ser o estripador de Lisboa...
- Oh pá... o que seria de mim sem vocês, jornalistas. Do que me safei! Imagine o mau aspecto que dava o Ferro tomar posse como primeiro-ministro e ser preso na semana a seguir!
- Então vai nomear o Santana?
- Sim, senhor. Pode publicar à vontade. Aliás, nunca tive dúvidas que o meu dever supremo era mesmo manter a estabilidade e ser o garante maior da legitimidade outorgada ao parlamento pelo inequívoco voto popular...
- Está bem, está bem...
- Muito obrigado pela informação, ó amigo Octávio; fico a dever-lhe uma!
- Não tem nada que agradecer. É sempre uma honra, V. Exc.ª...
- (Sons de correria sobre bons tapetes persas) Ó Maria, larga a telenovela e vem cá, que já decidi!"

Publicado por Luis Rainha às 12:01 AM | Comentários (8)

agosto 15, 2004

VERSOS QUE NOS SALVAM

De Czeslaw Milosz, dois poemas incluídos na antologia «Alguns gostam de poesia» (Cavalo de Ferro), com tradução do polaco de Elzbieta Milewska e Sérgio das Neves:


TÃO POUCO

Disse tão pouco.
Dias curtos.

Dias curtos,
Noites curtas.
Anos curtos.

Disse tão pouco,
Não tive tempo.

O meu coração cansou-se
Do êxtase,
Do desespero,
Do zelo,
Da esperança.

A boca do Leviatã
Engolia-me.

Deitava-me nu junto ao mar
Nas ilhas desertas.

Arrastava-me para o pélago
A baleia branca do mundo.

E agora não sei
O que foi verdade.

(1974)


CARDO, URTIGA

«(...) le chardon et la haute
Ortie et l’ennemie d’enfance belladone»

O. Milosz

Cardo, urtiga, bardana, beladona
Têm futuro. Deles são os baldios,
Os trilhos enferrujados, o céu e o silêncio.

Quem serei eu para as gerações vindouras,
Quando depois da babel das línguas se premiar o silêncio?

Devia ter-me resgatado o dom de versejar,
Mas tenho de estar pronto para a terra não gramatical.

Com o cardo, a urtiga, a bardana, a beladona,
E sobre eles uma brisa, uma nuvem sonolenta, o silêncio.

(1991)

Publicado por José Mário Silva às 10:16 PM | Comentários (0)

ANNUS HORRIBILIS

Não pára de nos roubar génios, o aziago 2004. Em Cracóvia, aos 93 anos, morreu ontem o magnífico poeta polaco Czeslaw Milosz, Prémio Nobel da Literatura (1980).

Publicado por José Mário Silva às 10:11 PM | Comentários (1)

ALFACE STRIKES BACK

Lembram-se daquele livro de contos («Cuidado com os Rapazes») que despertou um pânico infundado ao então pré-pré-pré-pré-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes? Pois bem, o autor desse caso mediático, Alface (João Alfacinha da Silva), arrisca-se a pisar novamente os calos ao homem do capacete de gel que nos (des)governa. No seu último romance, «Cá vai Lisboa», acabadinho de sair do prelo numa edição da Fenda, o tema glosado é o famoso slogan autárquico segundo o qual «Lisboa está cada vez mais bonita».
A sinopse não podia ser mais explícita: «A estória, que decorre em Alfama e arredores, principia quando um estarrecido presidente da edilidade enfrenta o propósito de um clube gay sediado no bairro mouro se candidatar à representação de Alfama nas marchas dos santos populares. Cai o Carmo e a Trindade? Quem ler, verá.»
Para os mais ansiosos ou apressados, deixo aqui a transcrição da primeira página:

«Nesse nesse caso, temos um problema. Um ganda problema, pá. A voz era a dele, Frederico de Almeida, arranque maratona para esbaforir num sprint de 60 barreiras. Falso falsete, funil em laringe.
Há 20 anos que eu não podia com aquela voz. Já na Faculdade a voz do Rico me eriçava (então chamavam-lhe Fede Rico). Nessa época ainda as frases não concluíam com o alçar das mãos papudas, cerrando dedos e anéis e despenhando punhos no tampo da secretária. Um pobre móvel de estilo circunspecto semeado de mossas presidenciais diariamente prodigalizadas.
É pa isto qu’eu te pago, pá? Pa ter problemas?
Não. Na verdade eu era pago para resolver problemas: recolher malas com notas, distribuir envelopes com notas, arranjar encontros discretos, arranjar gajas discretas, comprar gajos, afastar gajos, tramar gajos. Tarefas de assessor pessoal, homem de mão. Levar a mulher às compras, os putos ao colégio. Pago para não esquecer aniversários e adversários. Redigir discursos, espiolhar jornais, ver televisão, ouvir rádio, topar a net. Telemóvel sempre ligado. Pago para conhecer toda a gente e ser conhecido só por alguns. Pago para não me queixar.
Há eleições à porta, pá. Esta merda pode pode complicar-me o esquema.»

A ver pela amostra, a coisa promete. Não concordam?

Publicado por José Mário Silva às 10:08 PM | Comentários (0)

NOSTALGIA PRECOCE

Ainda sou do tempo em que as cassetes foleiras tinham lá dentro a voz esganiçada do Marco Paulo e não a voz comprometida de Adelino Salvado.

Publicado por José Mário Silva às 09:00 AM | Comentários (7)

OS JOGOS OLÍMPICOS ESTÃO AÍ; SÓ FALTA A PAZ

Saiba tudo sobre a trégua olímpica, aqui.

Publicado por José Mário Silva às 08:58 AM | Comentários (1)

O MEU AVÔ TAMBÉM TERIA DADO UM PRESIDENTE PORREIRO

O meu avô gabava-se de ser fluente em 9 ou 10 línguas. Mas quando lhe pediam uma pequena demonstração, respondia sem falha que tinha por príncipio exprimir-se apenas na língua do país onde estava no momento. Vai daí, nunca o ouvi falar outra coisa que não Português.

Publicado por Luis Rainha às 12:03 AM | Comentários (3)

MAS PORQUE É QUE NÃO O MANDÁMOS PARA FORA HÁ MAIS TEMPO?

Jorge Sampaio continua ausente algures na Grécia. Ontem, inquirido acerca da farsa das cassetes-pirata, retorquiu com um definitivo "Não respondo a coisas internas quando estou fora do País."

Publicado por Luis Rainha às 12:03 AM | Comentários (0)

agosto 14, 2004

PANACEIA PARA OS MALES DO MUNDO

A música de Franz Schubert. De manhã, à tarde, à noite, a qualquer hora. Por exemplo: o quinteto de cordas em Dó Maior, D. 956 (Opus póstumo 163).

Publicado por José Mário Silva às 11:49 PM | Comentários (0)

(PL)UMA CAPRICHOSA AUTOCRÍTICA

Com algumas semanas de atraso, vem hoje Clara Ferreira Alves zurzir na lamentável entrevista de José Sócrates ao "Expresso". Ela pega, como já muitos o fizeram, nas citações que o engenheiro tratou de semear a eito pelo meio da conversa. Mas não chega a mais lado algum: basta-lhe criticar o atrevimento do ignaro que ousou invadir os sagrados domínios da Literatura, onde presumo que CFA se sente com direitos de suserana ou de sacerdotisa vitalícia.
Tudo isto porque "nenhum animal culto que se preze cita tão cultamente" e, claro está, porque "quem conhece mesmo, de ter lido e relido, não cita muito e tem horror a citar". Tentando não matutar muito em como é que alguém com "horror" a citar poderia citar "muito", prossigamos nesta expedição através da prosa embrulhada e estilosa da colunista...
A passagem fulcral da peça, quanto a mim, surge quando a autora nos diz que "a citação tem o mesmo efeito do name dropping, aquela actividade típica dos trepadores sociais com forte polegar oponível ou dos escritores armados em escritores de escritores, outro efeito deletério das citações".
Se tivermos em conta que CFA cita os nomes de 24 (vinte e quatro) (!) escritores ao longo da prosinha – incluindo, naturalmente, a "querida" Sophia e o "meu amigo" Manuel Alegre – não fica difícil entender que toda a coluna é um longo lapso freudiano em direcção à mais feroz autocrítica.
Nunca vi os polegares de CFA, nem quero ler na sua ascensão até às cadeiras dirigentes da Casa Fernando Pessoa uma qualquer escalada "social"; mas não me restam muitas dúvidas que a "boca" dos "escritores de escritores" só pode mesmo ser dirigida a si mesma, à colunista que em Portugal mais vezes escreveu a expressão "o Zé"; neste caso a propósito de José Cardoso Pires.
Por estranho que vos possa parecer, este exercício de auto-flagelação é 100% inconsciente. CFA avança página fora sem qualquer sinal de ter reparado no bem que lhe serve a carapuça que acabou de tricotar. Segue-se uma incisiva análise do "ar" de alguns políticos: Sócrates "não tem ar de leitor", Santana "não tinha ar de melómano", Cavaco Silva "não tinha ar de ter lido" Moore ou Mann. E por aí adiante.
Há egos assim: mesmo que se encontrem face ao espelho mais cristalino deste mundo, nunca se reconhecerão no reflexo desengraçado mas fidedigno que vêem à sua frente.
Eu sei que nem vale a pena recomendar à "escritora" que siga o conselho presente no título desta sua coluna: "conhece-te a ti mesmo". Ela até conhece as suas limitações; o problema é que só as lobriga nos outros...

Publicado por Luis Rainha às 08:43 PM | Comentários (2)

UMA MEDALHA JÁ CÁ CANTA

O ciclista Sérgio Paulinho acaba de ganhar a primeira medalha para Portugal, nos Jogos Olímpicos de Atenas. É de prata e foi conquistada, ao sprint, no final da prova de estrada (uma maratona com 224 quilómetros). Parabéns, Sérgio.

Publicado por José Mário Silva às 04:37 PM | Comentários (3)

LOST IN GUILLOTINE - O CADAFALSO É UM LUGAR ESTRANHO

Oiçam bem: parece que a Sofia Coppola está a preparar um novo filme, inspirado na vida de Maria Antonieta (essa mesmo, a do Luís XVI), com Kirsten Dunst no principal papel. Repito: Sofia Coppola, Maria Antonieta, Kirsten Dunst. É desta que o Mexia tem um treco.

Publicado por José Mário Silva às 12:33 PM | Comentários (5)

DA CEGUEIRA

«Há dias, num dos novos ecrãs das estações do metropolitano de Lisboa, assisti a um "noticiário" onde, sucessivamente, se dizia: 1) que um jogador de futebol estrangeiro chegara para a sua nova equipa portuguesa; 2) que tinham saído os resultados do inquérito sobre os atentados do 11 de Setembro; 3) que, algures no país, se realizara uma passagem de modelos. Por esta ordem e com o mesmo brevíssimo tempo de tratamento de cada uma das "notícias" (talvez uns 10 segundos). A imagem de um avião a colidir com uma das torres do World Trade Center era precedida pela de um futebolista sorridente, antecedendo a de uma modelo a desfilar. Seguiam-se, claro, imagens publicitárias. (...)
Para mim, foi uma das mais esclarecedoras demonstrações do regime pornográfico em que existe uma parte considerável da informação audiovisual. (...)
O problema não está, nunca esteve, na separação entre "boas" e "más" imagens - só os ingénuos incuráveis ou os cínicos militantes ignoram que nenhuma imagem é separável das outras imagens com que coabita, isto é, do contexto em que nos aparece.
Acontece que o contexto do nosso presente privilegia a proliferação indiscriminada de imagens como forma de promover uma pedagógica cegueira colectiva. Porquê pedagógica? Porque quase sempre escudada no sagrado "direito à informação". Ora, a questão política – sublinho: política (mesmo se os partidos políticos heroicamente a ignoram) – é que, hoje em dia, a multiplicação de imagens constitui um problema específico de agressão comunicacional, isto é, uma questão inerente à vida na polis. No caso concreto dos novos ecrãs dos subterrâneos, assistimos ao triunfo de uma lógica puramente mercantil: para haver mais superfícies publicitárias, todas as formas de poluição visual (e sonora) parecem legítimas.»

Não podia estar mais de acordo com o que diz João Lopes, na sua crónica de hoje, no DN. I've been there. Alguém, na estrutura do Metropolitano de Lisboa (ou acima dela), deveria pôr um fim, quanto antes, a esta forma de «agressão comunicacional». Já não basta pagarmos o preço (cada vez mais alto) dos bilhetes?

Publicado por José Mário Silva às 12:10 PM | Comentários (2)

agosto 13, 2004

COMEÇARAM AS XXVIII OLÍMPIADAS DA ERA MODERNA

JO.bmp

Citius? Altius? Fortius? Em breve saberemos.

NOTA - Todos os resultados e informações sobre os Jogos Olímpicos podem ser encontrados aqui.

Publicado por José Mário Silva às 08:07 PM | Comentários (5)

QUANDO UM PAÍS SE UNE PARA TRAMAR UM SÓ GAJO

Ao ler o DN de hoje, cheguei à inelutável conclusão: o Iraque existe neste mundo apenas para lixar o Luís Delgado.
Primeiro, levaram o porta-voz oficioso do PSD a escrever que era boa ideia invadir-lhes o país, que estava tudo pejado de armas horrendas, que ia ser um passeio, e o diabo a sete. Viu-se. Depois, quando aquilo começou a dar para o torto, o homem, desesperado, desatou a alucinar. Tudo por culpa desses incréus sem remissão, os malditos iraquianos.
Quem "conhece" o Delgado da TV, já se habituou a admirá-lo como um "todo-o-terreno" do disparate; novidade é ele ter agora virado a atenção míope para o desporto. Hoje, está nas bancas o seu vaticínio para o torneio olímpico de futebol, que arrancou com o nosso jogo contra o Iraque. E a coisa não podia ser mais cómica: "Os portugueses olham para estes Jogos com uma grande expectativa, uma vez mais centrada no futebol, e na selecção de excelência que está concentrada na Grécia, e só por um azar muito grande é que Portugal não voltará a viver os momentos de euforia do Euro 2004. A competição é mais fraca em termos de igualdade de equipas, e a nossa, com os jogadores que tem, está em condições ideais para trazer uma medalha, que no mínimo terá de ser de prata, ou mesmo de ouro. Seria o culminar de um grande feito das cores nacionais no futebol." (sic)
Resultado: a equipa "mais fraca", composta por amadores habituados a treinar no intervalo dos bombardeamentos, se calhar em campos cheios de crateras, deu aos nossos pequenos morcões um banho de futebol e uma lição de fair-play.
Em resumo: depois de meses a anunciar miríficas retomas invisíveis aos demais, o nosso conhecido Nostradamus de aluguer continua sem acertar uma. E começa a aproximar-se do seu mestre, Bush II, na quantidade prodigiosa de tontices sobre o Iraque que já inventou.

Publicado por Luis Rainha às 03:44 PM | Comentários (7)

AU REVOIR, ZIZOU

zizou.bmp

Zinedine Zidane, o melhor futebolista do mundo, decidiu abandonar a selecção francesa. C'est domage.

Publicado por José Mário Silva às 03:39 PM | Comentários (2)

DISCURSO OLÍMPICO

É por estas e por outras que é tão apetecível fazer anedotas sobre o Bush. Como a que o nosso amigo João Almeida nos enviou, esta manhã, via e-mail:

«Bush begins his speech to open the Olympic Games. He looks at his paper and says:
- Ooooo! Ooooo! Ooooo! Ooooo!
An aide comes over and whispers:
- Mr. President, these are the Olympic rings. Your speech is below.»

Publicado por José Mário Silva às 03:13 PM | Comentários (2)

MAIS UMA MENTIRA DE MICHAEL MOORE

As coisas que este gajo inventa para atacar a pobre administração Bush II. Agora, Moore resolveu mostrar imagens - que não chegou a incluir no seu "Fahrenheit 9/11"- em que o recém-nomeado chefe da CIA, Porter Goss, explicava porque é que lhe faltavam qualificações para conseguir arranjar um emprego nessa agência...

Publicado por Luis Rainha às 12:01 PM | Comentários (1)

BOM KARMA NA 2

Para não deixar ao Filipe o exclusivo da telefilia, deixo aqui expressa a minha felicidade pelo regresso da série "Dharma & Greg". Trata-se de uma demonstração cabal do pouco que é preciso para criar boas comédias para a TV: um dispositivo central divertido, uma galeria de personagens fortes, servida por actores competentes e histriónicos qb, e muito talento na escrita. Mas não é para vos recomendar as aventuras do advogado de boas famílias e da sua mulher hippie que aqui vim. Desejava sim partilhar com outros fãs da série uma pequena descoberta que fiz há uns tempos: os textos que ocupam os dois ou três segundos finais de cada episódio, rápidos demais para se deixarem ler. Estes vanity cards, como lhes chama o produtor Chuck Lorre, têm a sua piada; e não apenas para os adeptos do casal mais estranho da TV. Uma amostra do primeiro: "Thank you for videotaping "Dharma & Greg" and freeze-framing on my vanity card. I'd like to take this opportunity to share with you some of my personal beliefs. I believe that everyone thinks they can write. This is not true. It is true, however, that everyone can direct. (...) I believe that when ABC reads this, I'm gonna be in biiiig trouble."

Publicado por Luis Rainha às 11:41 AM | Comentários (2)

O COLIN FEDORENTO

Gosto muito de gatos. Sempre que estou na presença de um, as minhas sobrancelhas levantam-se, a boca contorna-se num O e começa a emitir numa voz aflautada inanidades como “cutechi cutechi” e “bichebichebiche” e os meus dedos começam a agitar-se convulsivamente cheios de vontade de lhe coçar a barriga, fazer cócegas no queixo, sentir o roncar felino no lombo e tocar numa orelha para a fazer sacudir.

Gosto do Colin Powell. Especialmente desde que berrou e suou pinotes, de fato-macaco e capacete protector, diante dos principais ditadores do Sudeste Asiático. Mas nunca faria esgares embaraçosos, nem chamaria “bichano” ou coçaria a barriga ao Colin Powell.

Nem que o Colin Powell fosse um gato.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:38 AM | Comentários (0)

FALEMOS DA POLÓNIA

O governo polaco gosta muito de pontes. Acha que são a solução para todos os problemas do país e uma maneira muito cómoda e elegante de ultrapassar obstáculos.
Mais: as autoridades da Polónia consideram absolutamente impossível governar sem pontes.
Os gatunos polacos discordam.

Publicado por Jorge Palinhos às 11:21 AM | Comentários (1)

A PARANGONA QUE EU GOSTAVA DE VER

AMERICANOS ATACAM CEMITÉRIO
Teme-se que haja milhares de mortos

O título que eu nunca imaginaria:

JOÃO CRAVINHO DESEJADO POR MANUEL ALEGRE

Publicado por Jorge Palinhos às 11:11 AM | Comentários (2)

ÉTICAS CLONADAS


Um dos conselheiros de uma coisa chamada "Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida", Daniel Serrão, sempre se manifestou contra o uso de embriões humanos em pesquisas científicas. E, naturalmente, contra a clonagem. Tudo isto apenas depois de consultar "várias entidades civis e religiosas", é bom de ver... e note-se que este académico, por sinal membro da "Academia Pontifícia para a Vida" do Vaticano, até já coordenou um livro branco sobre a investigação em embriões, que terá servido de base a legislação neste campo.
Agora, quando em Inglaterra já é legal a produção de embriões humanos clonados para fins científicos, o professor Serrão surgiu a dizer que não vê problemas no processo, pois "aqueles embriões não têm nada a ver com a fecundação entre homem e mulher", por serem resultado de clonagem. Por outras palavras, a vida humana começa na concepção, desde que essa concepção seja de um determinado tipo; logo, há embriões de primeira e embriões de segunda. (É nisto que dá não esperar pela reacção do chefe: claro está que a Santa Sé já se insurgiu contra tais procedimentos, que não serão "moralmente aceitáveis".)
Um dia, ainda hei-de perceber porque motivos reais tanta gente se opõe à clonagem humana. E, sobretudo porque é que uns senhores de sotaina, que nunca procriaram coisa nenhuma, se acham no direito de se meterem nas nossas vidas.

Publicado por Luis Rainha às 10:56 AM | Comentários (4)

O REI DAS GAFFES

Como toda a gente, eu só pude rir às gargalhadas quando há uns dias George W. Bush voltou a tropeçar nas palavras e animou a silly season com mais um dos seus inacreditáveis bushismos. O «The Guardian» narrou a cena nestes termos:

«"Our enemies are innovative and resourceful, and so are we," George Bush told an audience of military brass and Pentagon chiefs. "They never stop thinking about new ways to harm our country and our people, and neither do we."»

É claro que a sinceridade involuntária de Bush (ao assumir que a sua Administração não pára de pensar em novas formas de prejudicar o povo americano) torna-se quase cândida, por ser tão desarmante e infantil. Apetece dizer que, com inimigos políticos destes, até é fácil fazer filmes como o de Michael Moore. Mas subsiste um problema: a "estupidez" de Bush, reincidente e previsível como começa a ser, corre o risco da banalização. Já não há quem se espante com a ignorância, as inconveniências e os disparates do presidente americano. Nem sequer os chefes do Pentágono, para quem ele falava naquela cerimónia solene, relacionada com a atribuição de fundos aos militares.
Pelo que pude ver nos noticiários televisivos, a sala não reagiu. Ninguém se espantou, ninguém se mexeu, ninguém sequer tossiu. E, de todas as pessoas do mundo, os chefes do Pentágono deviam ser os primeiros a preocuparem-se com o homem que os comanda. Convém não esquecer que é ele – e só ele – que detém os códigos do imenso arsenal nuclear dos EUA.

Publicado por José Mário Silva às 10:54 AM | Comentários (2)

QUEM É O TROCA-TINTAS, AFINAL?

flipflop.bmp

Cartoon de Mike Keefe, «The Denver Post»

Publicado por José Mário Silva às 10:49 AM | Comentários (0)

ACIMA DA LEI, ACIMA DA POLÍCIA, ACIMA DE TUDO

Ainda a propósito do inenarrável Alberto João, vale a pena ler um pequeno fait divers (não tão pequeno e não tão fait divers como isso) relatado por Lília Bernardes, correspondente do DN na Madeira:

«Um agente da PSP do Funchal multou no dia 6 uma cidadã estrangeira por ordem de Alberto João Jardim junto à sede do Governo Regional, antes da chegada do ministro Morais Sarmento. O líder madeirense chamou o agente e exigiu-lhe que multasse quem alegadamente dificultava a circulação, assumindo ele a responsabilidade do acto. Ordem cumprida. Nas cartas do leitor do Diário de Notícias do Funchal, a cidadã alegou ter parado para pedir informações ao agente, o qual terá ficado "nervoso e com as mãos a tremer" após cumprir a exigência do presidente do Governo. Dias depois, Jardim garantiu que voltaria a repetir a cena em função da transgressão. Nas páginas do jornal abriu-se um debate sobre as competências da PSP e do chefe do Executivo na região. O dirigente sindical Alberto Torres diz que houve "violação" do Estatuto Profissional da PSP; Coito Pita, deputado do PSD/M, entende que o governante tem legitimidade para "chamar a atenção" sobre o incumprimento da lei. Jardim defendeu ontem a criação de uma polícia regional, como nas autonomias espanholas, se a PSP não actuar às ordens das autoridades.»

Publicado por José Mário Silva às 10:45 AM | Comentários (3)

A DESILUSÃO DE ALBERTO JOÃO

O rotundo líder do Governo Regional da Madeira, depois de ter cantado hossanas inflamadíssimas ao novo primeiro-ministro, já veio dar os primeiros sinais de descontentamento em relação ao que se tem passado em São Bento. «Este Santana que agora propõe pactos, para mim já não é o mesmo Santana que conheci» – queixou-se, com uma pontinha de nostalgia, Alberto João Jardim. E a tristeza é compreensível. Se o PM começa a fazer acordos com a oposição, tendo em conta «os grandes problemas do país», qualquer dia ainda é capaz de questionar os famosos (e sempre impunes) orçamentos desbaratados pelos caciques do Funchal.

Publicado por José Mário Silva às 10:42 AM | Comentários (0)

agosto 12, 2004

2-4

A selecção de Portugal acaba de perder (2-4) com o Iraque, no torneio olímpico de futebol. Quer isto dizer que José Romão comanda uma ONG com um elevado sentido humanitário – hoje os combates devem amainar, em Najaf, para comemorar a inesperada vitória (e talvez se poupem algumas vidas). Por outro lado, o jogo foi um longo espectáculo de sofrimento, tortura e agonia. Uma espécie de Abu Ghraib futebolístico, só que ao contrário.

Publicado por José Mário Silva às 08:27 PM | Comentários (4)

O AZAR DOS TÁVORAS

Era de prever: tanto irritaram os iraquianos que eles se vingaram nos primeiros europeus que toparam pela frente. Quis o destino que fosse a nossa equipa de pequenos génios olímpicos. 4-2. Aquilo começa bem.

Publicado por Luis Rainha às 08:23 PM | Comentários (1)

FELIZMENTE PARA OS IRAQUIANOS, JÁ POR LÁ NÃO ANDA O TIRANO QUE BOMBARDEAVA ZONAS CHEIAS DE CIVIS...

...senão, isto era capaz de ser bem pior.

Publicado por Luis Rainha às 08:15 PM | Comentários (2)

CONVERSA DE CAFÉ

Diálogo sobre um balcão de café, entre bicas e o "Público":
- Não achas um bocado desprestigiante o Presidente da República andar por aí a escrever artigos de opinião?
- Olha: desprestigiante, além de chato como a potassa, é mesmo o que ele escreve!

PS: a caminho da Grécia, Jorge Sampaio teve hoje ocasião de explanar, face às câmaras da RTP, uma peculiar filosofia de vida, ainda a propósito dos Jogos: "nunca penso nem em primeiros lugares, nem em segundos, nem em medalhas... o que vier à rede, é peixe."
Uma verdadeira ode à indolência em poucas palavras. Não se exige nada, nem sequer esforço; se algum resultado positivo vier ter connosco, fixe; se não, fixe também.

Publicado por Luis Rainha às 07:52 PM | Comentários (2)

QUANDO A CULTURA SE ERGUE CONTRA A ESTUPIDEZ


Cartoon de Serguei («Le Monde»)

Afinal, não é só Michael Moore que luta afanosamente contra Bush e a hipótese terrível da sua manutenção na Casa Branca, depois de Novembro. Estes músicos todos querem, tanto como ele, deitar abaixo o idiota. Já para não falar de muitos outros artistas, das mais diversas áreas (entre os quais os escritores Joyce Carol Oates e Jonathan Franzen).
Dá gosto ver isto: a reacção da América inteligente perante as tristes figuras de quem a governa.

Publicado por José Mário Silva às 06:35 PM | Comentários (3)

O MAL CANIBAL (2)

«Quatro pessoas foram presas no Sudoeste das Filipinas por terem morto, cozinhado e comido algumas partes de um convidado, num casamento, antes de servirem o resto durante a recepção.»
E o que dizes tu desta notícia, Jorge?

Publicado por José Mário Silva às 06:33 PM | Comentários (4)

MAS A CULPA NÃO FOI DO FIDEL?

Um ponto interessante na notícia que o Jorge referiu no post anterior não está lá escrito. Mas estaria por certo se tal história de miséria e sofrimento se tem passado com balseros cubanos; aí, não faltariam vozes a denunciar Fidel, a pedir endurecimentos no bloqueio, a reclamar com o pessoal de esquerda que simpatiza com Cuba, sei lá.
Mas como se trata de um país que, de acordo com o US State Department, "deu passos para liberalizar o comércio, tendo os EUA anunciado a sua intenção de assinar um acordo de livre comércio em 2004"; que "coopera de perto com os EUA em matérias policiais e anti-terroristas", mantendo estes um "forte interesse numa República Dominicana democrática, estável e economicamente saudável", a coisa muda de figura. Este drama passa a ser uma daquelas coisas que acontecem; aqui, a culpa não cai sobre um sistema político nem é atribuída a quem quer que seja. Shit happens, sobretudo nestes países miseráveis que só conhecemos das montras das agências de viagens. E pronto.

Publicado por Luis Rainha às 06:32 PM | Comentários (2)

O MAL CANIBAL

A notícia do dia que mais me impressionou foi o grupo de emigrantes clandestinos dominicanos, em busca de melhor vida na colónia americana de Porto Rico, que ficaram à deriva no mar durante dias. Sem comida ou bebida, muitos pediram às mulheres que os amamentassem e outros não resistiram ao canibalismo.
O primeiro acto parece-me assombrosamente belo, na medida em que perde a sua carga erótica para ganhar outra completamente diferente, de compaixão e auto-sacrifício.
O segundo é mais controverso, tendo até a maioria do grupo impedido certos elementos de o praticarem. Houve outros casos parecidos, como a caravana Donner ou a selecção de râguebi do Uruguai, mas nunca tendo passado por tal coisa e desejando nunca passar, não deixo de me espantar por um comportamento absolutamente cultural – afinal muitas sociedades praticaram e praticam alegremente o canibalismo – conseguir ser mais forte que um comportamento absolutamente natural, como é o da simples sobrevivência.

Publicado por Jorge Palinhos às 05:16 PM | Comentários (4)

FALEMOS ANTES DA PAPUA-NOVA GUINÉ

Os últimos estudos indicam que está a aumentar o número de vítimas de mordidelas de cobra na Papua-Nova Guiné. Estes bichos rastejantes e silenciosos que surgem subitamente, depois de se aproximarem de forma sorrateira das suas vítimas, estão a tornar-se cada vez mais atrevidos... ou desesperados, pois é sabido que estes seres se tornam mais perigosos quando acossados.
Tendo em conta os custos que implica a aplicação do antídoto, recomenda-se a maior precaução e medidas rápidas e eficazes.

Publicado por Jorge Palinhos às 04:59 PM | Comentários (2)

ESTADO DE NEGAÇÃO DA REALIDADE

Esporadicamente, a meio do noticiário televisivo, surge-me uma figura magra de testa alta e com penteado repuxado atrás como se tivesse sido lambido por uma vaca que, com muitos trejeitos para a câmara, tenta vender a sua mercadoria. E eu… Eu fico indignadíssimo por ainda usarem o Camacho Costa para promover os Malucos do Riso.

Publicado por Jorge Palinhos às 04:43 PM | Comentários (4)

FALEMOS ANTES DE EXTRA-TERRESTRES

Este jornal, cujo nome não tolera dúvidas, informa que cientistas russos descobriram vestígios de tecnologia alienígena. Por mim isso está tudo muito bem.
Confesso, no entanto, uma certa dificuldade em conseguir criar uma imagem mental de "tecnologia alienígena". Isto deve-se em grande parte ao facto de não conhecer alienígenas, nunca os ter visto, nem imaginar que tipo de geringonças preferem usar. Podia-me ser colocada a dita "tecnologia" à frente e eu seria incapaz de dizer se provinha de outro planeta, do rabo de um anjo ou da mente genial de um cientista louco.
Bastava, aliás, agrafarem o cérebro de um qualquer governante europeu a uma dentadura postiça e um especialista garantir-me que aquilo era avançadíssima tecnologia alien que eu acreditava.

Publicado por Jorge Palinhos às 04:32 PM | Comentários (1)

NÃO ME ATIRAM OVOS?

Obrigado pela recepção.
Mas lamento informar os caros leitores que, de acordo com os princípios expostos no último post do Cruzes Canhoto, não comentarei política nacional nos próximos tempos. A única excepção permitida será o arquipélago da Madeira, cujo clima político e meteorológico me parecem estar mais próximos do continente africano.

Publicado por Jorge Palinhos às 04:24 PM | Comentários (0)

ANALISTAS SOB ANÁLISE (2)

Como adenda ao post anterior do Luis, sobre as dúvidas em torno da real eficácia e legitimidade científica das terapias psicológicas, deixo-vos um excerto demolidor do texto que Antonin Artaud, alguém que conheceu os asilos psiquiátricos por dentro, escreveu sobre Van Gogh, essa outra vítima da norma social vigente:

«(...) Isto corre mal porque a consciência enferma, na hora que passa tem um capital interesse em não sair da sua enfermidade.
Por isso, uma sociedade com tara inventou a psiquiatria para se defender das investigações de certas lucidezes superiores com faculdades de adivinhação que a incomodavam.
(...) Não, Van Gogh não era doido mas as suas pinturas eram foguetes incendiários, bombas atómicas cujo ângulo de visão, ao lado de todas as outras pinturas que na época faziam estragos, foi capaz de perturbar com gravidade o conformismo larvar da burguesia (...).
Porque não é um certo conformismo nos costumes que a pintura de Van Gogh ataca, mas o das próprias instituições. E a própria natureza exterior com os seus climas, as suas marés e tempestades de equinócio, depois da passagem de Van Gogh pela terra já não consegue manter a mesma gravitação.
Com mais forte razão, no plano social as instituições desagregam-se, e a medicina faz figura de cadáver imprestável e corrompido que declara Van Gogh doido.
(...) E o que é um alienado autêntico?
É um homem que preferiu ficar doido, no sentido em que socialmente o entendemos, a envergonhar uma certa ideia superior de honra humana.
Por isso, a sociedade mandou estrangular nos seus manicómios todos aqueles de quem quis livrar-se ou defender-se por recusarem ser cúmplices, com ela, de certas e subidas indecências.
Porque o alienado também é um homem que a sociedade não quis ouvir e quis impedir de formular verdades insuportáveis.»

in Van Gogh, o suicidado da sociedade, de Antonin Artaud (trad. de Aníbal Fernandes, Assírio & Alvim)

Publicado por José Mário Silva às 02:38 PM | Comentários (0)

ANALISTAS SOB ANÁLISE

E se, de repente, a psicanálise, entre outras formas de terapia e aconselhamento, tivesse de provar a sua eficácia, através de estudos científicos? E se cada feiticeiro do divã se visse obrigado a provar que realmente é capaz de tratar maleitas e aflições psicológicas?
Não se trata de mais uma polémica sobre a nula importância que Freud dava ao método científico, preferindo antes construir esquemas teóricos que depois tratava de "confirmar" nas suas sessões com os pobres pacientes. Trata-se sim do que o "NY Times" chama "guerra civil na psicologia", cujo desenlace poderá influenciar o futuro desta actividade nos EUA.
E não é para menos: as seguradoras americanas decidiram que é altura de descobrir se devem continuar a pagar as consultas de 20 milhões de pacientes por ano. E começaram a exigir provas de que as diversas terapias servem mesmo para melhorar a vida a alguém (para além dos seus profissionais, claro está).
Enquanto que alguns especialistas aceitam ser postos à prova, outros afirmam que a busca de provas é uma "ameaça às coisas que fazem com que a psicoterapia funcione". O que mais parece uma afirmação oriunda de um qualquer astrólogo do que de um profissional legalmente habilitado a "mexer" na mente dos seus clientes...
Pode ser que seja desta que as coisas se clarifiquem por fim: verdadeira Ciência ou arte mais ou menos oculta? Práticas terapêuticas ou "mumbo-jumbo" intuitivo, eficaz apenas quando operado por pessoas com queda para a empatia?

Publicado por Luis Rainha às 01:50 PM | Comentários (1)

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA!!!

Numa operação-relâmpago, cuidadosamente mantida no segredo dos deuses, os responsáveis pelo BdE viajaram até ao Porto (em meio de transporte virtual) e conseguiram, às primeiras horas desta madrugada, contratar um blogger excepcional a custo zero – ainda por cima sem recorrer a qualquer agente ou intermediário.
À falta de um espectáculo de apresentação condigno, com luzes laser e fogo de artifício, chamamos a vossa atenção para o cabeçalho azul do nosso blogue, onde já figura o nome do nosso novo camarada (no sentido jornalístico do termo).
Pois.
É isso mesmo.
Leram bem.
(Rufar de tambores.)
Ladys and gentlemen, please welcome...
Mr. JORGE PALINHOS, also known as J from the excellent LeftCrosses [Cruzes Canhoto!] blog.

(Êxtase da multidão.)

Agora a sério: és muito bem-vindo, Jorge. Contigo, estou certo, o BdE será ainda melhor.

PS: Com a entrada do Jorge para a "equipa oficial", substituindo o Frederico Ágoas (que nunca se adaptou ao ritmo da blogosfera, mas surgirá, de vez em quando, na qualidade de itálico), começa finalmente a prometida "arrumação" deste blogue. Tentaremos, quanto antes, resolver o problema do tamanho da letra e outras questões gráficas menores. Depois, reformularemos a lista de links, claramente a necessitar de uma poda. Por fim, apresentaremos mais uma ou outra novidade.
Mantenham-se atentos.

Publicado por José Mário Silva às 01:14 PM | Comentários (8)

ORA AQUI ESTÁ A FORMA IDEAL DE AUMENTAR A PRODUTIVIDADE DESTE BLOGUE! (2)

Além de racionar as doses diárias de dopamina (bloqueando o tal gene D2 de que se fala no post anterior), o melhor mesmo é contratar um blogger conhecido pela sua hiperactividade.

NOTA- A contratação está garantida. Mais detalhes já a seguir.

Publicado por José Mário Silva às 01:10 PM | Comentários (2)

ORA AQUI ESTÁ A FORMA IDEAL DE AUMENTAR A PRODUTIVIDADE DESTE BLOGUE!

No combate à preguiça, na infindável luta contra a procrastinação, a Genética vem agora dar-nos uma arma inesperada e radical. Se isto funciona com macacos, porque não haveria de operar maravilhas na nossa produtividade?

Publicado por Luis Rainha às 12:50 PM | Comentários (6)

BOLSAS

O nosso Manel ganhou a dele (para o pós-doutoramento). Duas destas meninas não lhe ficaram atrás (mas para o doutoramento). Aos três, os merecidos parabéns.

Publicado por José Mário Silva às 12:23 PM | Comentários (0)

DIGNO DE UMA NOVELA

Nas telenovelas brasileiras há sempre vilões muito maus, capazes das maiores malvadezas. Eu, como muita gente, sempre achei que aquele retrato dos vilões era exagerado para dar mais emoção à trama, e que na vida real não poderia haver gente tão má como eles. Pois bem, depois de ler esta notícia sobre do que foram capazes os donos e directores do centro comercial de Assunção incendiado (fechar as portas e controlar a evacuação de um prédio em chamas para evitar pilhagens!), convenci-me de que as novelas se calhar nem são assim tão exageradas: o vilão dos vilões, uma autêntica Odete Roitman, existe mesmo. O que parece exagerado a nós, europeus, se calhar é normal na América Latina. Se se confirmar a notícia, espero que os responsáveis por esta imensa tragédia tenham o castigo que merecem.

Publicado por Filipe Moura às 01:03 AM | Comentários (7)

A NOVELA POLÍTICA

Foi noticiado que uma telenovela na Venezuela está a ser utilizada com fins políticos. Ora isto em si não é novidade nenhuma: muitas telenovelas na América Latina sempre tiveram um forte conteúdo político, especialmente no Brasil (o que as torna tão mais interessantes do que as portuguesas, para além de estarem a milhas em tudo o que diga respeito a produção).
Na Venezuela, aliás, existem muitas novelas de propaganda contra o governo, transmitidas nas televisões controladas pela oposição. Mas só quando surgiu uma telenovela favorável ao governo é que este tema se tornou notícia. E é dada de uma forma que parece que é Chavez quem escreve o guião...

Publicado por Filipe Moura às 01:00 AM | Comentários (4)

agosto 11, 2004

O «EXPRESSO» TAMBÉM CHEGA À COREIA DO SUL

Meus caros, já repararam que o artigo do nosso Arquitecto parece ter sido lido pelos dirigentes coreanos? É que esta notícia refere a intenção manifestada por eles de criarem uma nova capital para "descongestionar Seoul"... (João André)

Publicado por José Mário Silva às 03:03 PM | Comentários (3)

VOLTA QUE ESTÁS PERDOADO!

Esta declaração já tem 30 anos. A julgar pelo cartoon de Pat Oliphant, não sou o único a pensar que até o pouco recomendável Tricky Dick faria boa figura, se comparado com a abrótea que hoje ocupa a Casa Branca.

Publicado por Luis Rainha às 03:02 PM | Comentários (0)

MINÚSCULA NOTA SOBRE OS SILÊNCIOS FORÇADOS

Já o sabia: a mais preciosa das matérias-primas é sempre a que nos escapa, a que se coloca fora do nosso alcance. Para mim, agora, são as horas que deixei de poder dedicar a esta escrita aérea, paralela, nómada. É o tempo, o tempo implacável dos relógios, água fugidia entre os dedos.

Publicado por José Mário Silva às 02:53 PM | Comentários (0)

VAMOS LÁ COMPRAR MAIS UNS BONS AMIGOS

Lembram-se quando as milícias muçulmanas no Afeganistão eram conhecidas como "Freedom Fighters"? Anos depois da derrota dos soviéticos, os tais combatentes da liberdade, armados em boomerangs, rumaram à terra de quem os lançara, embatendo com estrépito nas torres do WTC. Isto é História.
Isto é o retrato de gente que não sabe aprender com a História: o Pentágono acaba de pedir 500 milhões de dólares para armar "uma rede de milícias amigas", tendo em vista que "os nossos aliados mais importantes na guerra contra o terrorismo são os muçulmanos que procuram a liberdade e são contra o extremismo".
E aí está outra vez a tal "freedom" como justificação para o treino de terroristas...

PS: a foto acima mostra-nos uma visita de Zbigniew Brzezinski a um campo de treino dirigido por um empenhado jovem de nome... Osama Bin Laden.

Publicado por Luis Rainha às 01:06 PM | Comentários (1)

RONDA PELA BLOGOSFERA

Gostaria de me envolver nesta guerra, mas acho que a Ana Sá Lopes chega para eles (para além de ser uma guerra intrabloguística).
Ainda na "Glória Fácil": achei este texto de sonho. E parabéns, que fazem um ano! Há um ano andava em viagem, completamente afastado da blogosfera, e só dei pela chegada deles em Setembro. Desde então, fazem parte da minha lista de favoritos.
Nesta altura, compreensivelmente fala-se muito de Fahrenheit 9/11. Eu já vi o filme e concordo genericamente com tudo o que tem sido escrito aqui e no Barnabé. Sem querer ser exaustivo, concordo integralmente com o que aqui disse o J e com a análise do Daniel Oliveira (até nos pormenores). Podem acusar Moore de ser panfletário e não apresentar todas as provas (embora considere o filme na generalidade bem documentado). Mas aqueles que o acusam de o mentir, que apresentem eles as provas de que mente. Eu já li muitas mentiras escritas sobre o filme.

Publicado por Filipe Moura às 01:02 AM | Comentários (3)

agosto 10, 2004

O REGRESSO DAS NACIONALIZAÇÕES

Que líder político seria capaz de alegremente proclamar que há "empresários estrangeiros" na sua terra que correm o risco de ser ver rotulados como "pessoas não gratas", velhos capitalistas incapazes de perceber que os seus dias chegaram ao fim? Que déspota ameaça retaliações radicais para depois do próximo acto eleitoral (que conta ganhar, claro está)? Quem teria a desvergonha de afirmar que se "um grupo económico está a prejudicar a vida da região, deve ser expropriado", "para que deixe de perturbar"?
Algumas pistas: não se trata de declarações de Fidel Castro, nem de Mao e tampouco de Robert Mugabe, embora o estilo se aparente ao deste último "estadista".
Os impropérios acima resumidos saíram sim da boca de Alberto João Jardim, soba vitalício da Madeira.
Há mês e meio, a propósito do programa de inaugurações de Alberto João, alertei aqui um leitor para o "estranho que é haver apenas um grupo económico em todo o arquipélago que não está evidentemente amigado com o GR". Tratava-se, claro está, do Grupo Blandy, proprietário, entre outras coisas mais ou menos vinícolas, do Diário de Notícias da Madeira.
Mas não podemos ter alguém fora do bolso do partido com um jornal nas mãos, pois não?
Agora, já embriagado por antecipação com mais uma vitória esmagadora, o ogre funchalense proclamou os Blandy inimigos da Madeira e ameaça-os com expropriações, a ver se deixam de o "perturbar".
Já começa a ficar claro porque é que Durão Barroso sonhava há uns tempos com um Portugal dirigido por "muitos Albertos Joões": era a costela maoísta a vir ao de cima.

Publicado por Luis Rainha às 08:00 PM | Comentários (2)

THE NEW YORK REVIEW OF... FILMS

Ainda não vi o último filme de Michael Moore. Mas, mesmo assim, estou capaz de apostar que esta análise é bem certeira. Sem histerismos ideológicos, sem pressas de embarcar em comboios já com destino marcado e horários a cumprir. Mas com bastante vontade de ver e entender.
"Michael Moore's version of what has been happening lately is only one possible narrative; but by its very existence it encourages a more active, more confrontational approach to the images that surround us, anything to break through the numbing effect of the endless flow of TV news broadcasts and official bulletins that has become something like the wallpaper of a distorted public reality, a stream of images that moves forward without ever looking back." Esta é uma das conclusões do artigo; leiam-no que vale a pena.

Publicado por Luis Rainha às 07:24 PM | Comentários (2)

SALVADO TRUNCADO E MANIPULADO!

Suponho que a comovente mensagem de despedida do simpático Adelino Salvado já é de todos conhecida. Permito-me, no entanto, chamar a vossa atenção para uma passagem especialmente tocante:
"Considerando que as orquestradas e sucessivas acções visando aquele objectivo já passaram por insinuações e pérfidos artigos de imprensa sempre pelos mesmos ‘jornalistas’, reprodutivos noticiários televisivos, desprezíveis missivas anónimas, múltiplos ‘blogs’, execução de assalto a escritório particular, vandalismo recaindo sobre bens próprios e sistemáticas manobras visando gerar inquietação em familiares e amigos, continuando agora com o anúncio de distribuição de ilegal suporte áudio que, caso exista, seguramente foi engendrado por pessoa(s) habilitada(s) a truncar, manipular e subverter som digitalizado"
Aparte todas as perfídias e insidiosas cabalas que persistem em perseguir o pobre homem, nota-se que as tais gravações comprometedoras até nem devem existir; mas, se existirem, serão por certo engendrações de malta bem habilitada. Por outras palavras, ele não ouviu nada mas até já sabe como a coisa é.

O BdE, querendo desmarcar-se da sinistra conspiração dos "múltiplos blogs" que também atazanaram o chefe da PJ, está em condições de provar que Adelino Salvado tem razão quando se queixa que anda por aí gente a "subverter som digitalizado"!
"Clicando" aqui, poderão ouvir um excerto das declarações desta pobre vítima da Comunicação Social, tal como agora já circulam de redacção em redacção:

Publicado por Luis Rainha às 05:15 PM | Comentários (3)

OS MORTOS-VIVOS ESTÃO DE VOLTA; E AGORA BRILHAM NO ESCURO!


Não. Não estou a anunciar o retorno do Rogério/Afixe; nem isto tem nada a ver com o congresso do PS. Trata-se de assunto sério: ao que parece, a quarta prestação da trepidante saga "Return of the Living Dead" está neste momento a ser rodada em... Chernobyl.
Não sei se é ideia de muito bom gosto; mas desde quando é que o bom gosto é chamado para estas coisas dos filmes de zombies?

Publicado por Luis Rainha às 03:23 PM | Comentários (1)

FOI-SE O ROGÉRIO, VENHA O AFIXE

O Seinfeld, como sempre, explica tudo. O Rogério foi para férias e não conseguia deixar de mandar textos ao Afixe (blogue), por sms ou msn. Houve aqui, claramente, uma colisão do Rogério-independente com o Rogério-blogue. O Rogério-independente, para o continuar a ser, decidiu que tinha que acabar com o Rogério-blogue. Que seja. Mas que ressuscite o Afixe. O Afixe, "um gajo muito mais cool, com uma profissão muito mais gira (não faz a ponta de um corno a não ser escrever em blogues), raramente stressa". O Afixe é verdadeiramente krameriano e não colide com o Rogério. Podem ambos coexistir, para bem de todos nós. Afixe, volta!

Publicado por Filipe Moura às 02:26 AM | Comentários (3)

ANTOLOGIA AFIXE (III)

A MORTE DO AFIXE!
Numa ultima tentativa de me manter por aqui (uma vez que verifico que os comentários da zazie-clone se mantêm online) vou experimentar assinar de uma forma mais defensiva (o que até pode parecer paradoxal), ou seja, assumindo a minha identidade. Defensiva porque, assim, espero que o clone (e a minha principal luta é contra a clonagem) se retraia face ao meu aumento de direitos com o assumir de uma identidade.
De qualquer forma, faço um apelo a todos, antes de comentarem um comentário aparentemente ofensivo ou deselegante, verifiquem com a pessoa em causa se foi ela o autor do dito cujo. O meu mail fica à disposição também para esse efeito.
No meio desta merda toda, tenho pena do afixe. Uma coisa que começou por pura preguiça, estava mesmo ali à mão na caixa de comentários (um copy-paste era bastante), acabou por se transformar em algo especial. Enfim, baixas de guerra.

Publicado por: Rogério da Costa Pereira em março 31, 2004 10:58 AM

weird, man!
Não curto nada não ver o afixe por baixo da minha escrita. Vou repensar. Porra que agora fiquei sem saber o que fazer. Logo eu que raramente tenho dúvidas.

Publicado por: Rogério da Costa Pereira em março 31, 2004 11:03 AM

Assassino!!!
Ensandeceste???!!

Então achas que Pessoa podia já matar Álvaro de Campos, ou Caeiro?

Achas-te no direito de matar o Afixe? Não tens já esse direito. Desaparece Rogério!

Publicado por: gibel em março 31, 2004 11:07 AM

Rogério: louvo o teu gesto, mas devolve-nos o Afixe que há em ti. O criador não pode matar assim a sua criatura.

Publicado por: José Mário Silva em março 31, 2004 11:15 AM

Porra, pá, estou num conflito intenso.
Não sei que faça.
A verdade é que curto muito mais o afixe, é um gajo muito mais cool, com uma profissão muito mais gira (não faz a ponta de um corno a não ser escrever em blogues, ou melhor, neste blogue).
Raramente stressa. Já tem uma imensa legião de fãs...cof...cof...- esta do cof...cof... fica horrorosa e parece pegar um pouco de empurrão, mas acho que dá para entender o sentido.
Só vantagens em relação ao outro. Olhem não sei bem. Vou esperar por mais reacções - o editorial do Público de amanhã, o Professor da TVI no Domingo, o Miguel para a semana. O Euroliberal. Enfim, figuras de relevo. Não, Mário, deixa lá, a tua opinião já conheço, o Rogério é um terrorrista e o afixe deve conversar com ele, ver se o entende, quais as suas angústias. Vês, poupei-te uma entrevista?

Publicado por: Afixe aka Rogério da Costa Pereira em março 31, 2004 11:32 AM

Publicado por Filipe Moura às 02:22 AM | Comentários (0)

THE POOL GUY

Estes diálogos são, como diria um professor meu, well known by people who know it, e eu não vou perder mais tempo com apresentações. Conheçam-nos ou não, leiam-nos e divirtam-se.

KRAMER: That's gonna be trouble.

JERRY: Why?

KRAMER: Jerry, don't you see? This world here, this is George's
sanctuary. If Susan comes into contact with this world, his worlds
collide. You know what happens then?

(Kramer raises his hands into the air and slowly brings them together in
an explosion. He's holding some food in one hand, so when his hands
come into contact food flies all over)

KRAMER: Ka shha shha shha Pkooo (exploding sound)
(...)

GEORGE: Ah you have no idea of the magnitude of this thing. If she is
allowed to infiltrate this world, then George Costanza as you know him,
ceases to exist! You see, right now, I have Relationship George, but
there is also Independent George. That's the George you know, the
George you grew up with -- Movie George, Coffee shop George, Liar
George, Bawdy George.

JERRY: I, I love that George.

GEORGE: Me too! And he's dying Jerry! If Relationship George walks
through this door, he will Kill Independent George! A George, divided
against itself, cannot stand!

Publicado por Filipe Moura às 02:16 AM | Comentários (0)

agosto 09, 2004

A NÁUSEA

Ironia do caraças: estava eu a escrever um apontamento sobre Sartre, com a fotografia do homem à minha frente (o Jean-Paul em cima de um bidão, à porta da fábrica da Renault, em Billancourt, circa 1970), quando de repente o almoço põe-se a girar cá dentro como se o meu estômago fosse uma máquina de lavar roupa no programa de centrifugação, bum-bum-bum-bum-bum-bum, as palavras começam a fundir-se, as pernas trôpegas precipitam-se para o WC e a maldita salada tropical salta toda cá para fora, com uma violência que me deixou zonzo e vazio. Se é isto o existencialismo hardcore, passo.

Publicado por José Mário Silva às 07:38 PM | Comentários (11)

E ELE NÃO É UM KUBITSCHEK (FELIZMENTE...)

Portugal, como todos sabemos, é um país demograficamente pujante, carregado de hordas de jovens empreendedores sempre em busca de espaço vital, sempre à cata de novos horizontes onde a sua energia se possa espraiar. Por outro lado, sendo uma nação de dimensões quase continentais, há muito que sente a necessidade de um novo centro de decisão, equidistante dos pólos de influência actuais; só assim a nossa geografia política poderá adquirir um novo e decisivo "centro de gravidade". Se juntarmos a isto o período particularmente brilhante que a economia nacional atravessa, julgo que a proposta do Arquitecto José António Saraiva ganha mesmo asas para voar.
No último número do "Expresso", o seu eminente director lançou o ousado desafio, fracturante e revolucionário: Portugal está mesmo a precisar de uma nova capital. Vai daí, mude-se a coisa para Castelo Branco ou, melhor ainda, construa-se uma cidade de raiz, uma urbe novinha em folha, mesmo à medida do papel de capital do Reino para o século XXI.
Antes de começarem a rir, pensem um pouco. Imaginam os tormentos que o pobre do Arquitecto tem sofrido ao ver ideias como a Expo, a ponte Vasco da Gama, o Centro Cultural de Belém, etc.... tudo passado a betão sem que ele pudesse reclamar a paternidade de um só desses grandiosos projectos? Então um homem deste calibre, um profeta de tal visão, tem de se contentar com a rasteira glória de ser a personalidade nacional que mais decisões importantes influenciou nas últimas décadas (a fazer fé, pelo menos, no que o próprio escreve...)? Imaginem, ó cruel ignomínia, que até o Santana o conseguiu ultrapassar, anunciando a "deslocalização" de diversas secretarias de Estado antes que as suadas meninges do Arquitecto disso se lembrassem!
Não. Isto não podia ficar assim. JAS não merece ficar acorrentado à condição de Maquiavel periférico; o seu talento, a sua estatura, exigem mais, muito mais. Ele quer passar à História como um segundo Marquês de Pombal, um novo Barão Haussmann; ou, porque não, o nosso Presidente Kubitschek, o único capaz de inventar uma reluzente capital para este Portugal tão carenciado!
Agora, resta-nos a nós, pobres mortais encolhidos ante o rasgo de génio do visionário, complementar a proposta com pequenos pormenores: por exemplo, que nome terá esta orgulhosa cidade de aviário? JASília? Saraivopólis?

Publicado por Luis Rainha às 05:31 PM | Comentários (9)

VERSOS QUE NOS SALVAM

Por falar em arquitectura, gostava de partilhar convosco um belíssimo poema do brasileiro Ferreira Gullar, publicado no último número da revista «Relâmpago»:


GALÁXIA


Aqui estive
neste
banheiro branco
de piso branco
de louça fria

aqui estive
(estou) neste hoje
dia 3 de Fevereiro
de 2003

aqui
dentro deste silêncio
de banheiro (de
pia, de torneira
de vaso sanitário
de bidê)
estou
mortal
e conformado

estou
num tempo branco
pequeno (2m por
2m) e eterno?
fora da morte, eu,
futuro morto

e lá fora chispa
a tarde célere
e clara
(lampejo na
areia ofuscante)
na praia atravessada de veículos
que vão e vêm
pela avenida ruidosa
tendo ao fundo
horizontal
a massa pesada e azul
da baía

lá fora (fora
do banheiro, fora
da casa)
a cidade é uma galáxia
a mover-se desigual
em seus diferentes estratos
veloz e lenta
e em contraditórias direções

uma galáxia
que em seu girar arrasta
nossas vidas, nossas
casas, nossas
caixas
de lembranças
cheias de papéis velhos e fotos
doídas
de olhos que nos fitam
de tempo algum
agora que são apenas manchas
e não obstante falam ainda
na poeira do cemitério doméstico
misturado com fungo e mofo
à beira do buraco voraz

e a galáxia urbana
tem como as outras
cósmicas
insondáveis labirintos
de espaços e tempos e mais
os tempos humanos da memória, essa
antimatéria que pode
num átimo
reacender o que na matéria
se apagara para sempre

assim
a cidade girando
arrasta em seu giro
pânicos destinos desatinos
risos choros
luzi-luzindo nos cômodos sombrios
da Urca, da Tijuca, do Flamengo,
e misturados às conversas na cozinha
ou na área de serviço
o lixar de alguma porta, o cheiro de Tonitrin,
o chilrear dos pardais e o arrulhar dos pombos,
barulhos inumeráveis da cidade que é bem mais lenta
nos arvoredos do Jardim Botânico com seus esquilos e macaquinhos
lépidos a se moverem, seres que são daquele universo de folhas,
e somando-se a isto a Praça XV e a Ilha Fiscal,
tudo girando em torno deste imaginário eixo
— o banheiro,
onde estou
(onde estive)
e donde apenas ouço
o acelerar do motor de um ônibus
(talvez)
que passa pela rua Duvivier
não sei com que destino.

Publicado por José Mário Silva às 04:42 PM | Comentários (1)

UMA CIDADE NÃO É UMA ÁRVORE



A propósito de um post do Barnabé, lembrei-me de um texto que li há uns anos, precisamente por causa de uma discussão sobre se Brasília foi ou não o canto do cisne da Arquitectura Moderna.
Este pequeno ensaio tem por título "A City is not a Tree". O seu autor, Christopher Alexander, tenta convencer-nos que a estrutura imposta às cidade "artificiais" – como Brasília – acaba sempre por ser dominada por diagramas em forma de árvore, enquanto que as cidades "naturais" evoluem lentamente de acordo com estruturas muito mais complexas e subtis. Daí, e sempre segundo Alexander, "It is more and more widely recognized today that there is some essential ingredient missing from artificial cities. When compared with ancient cities that have acquired the patina of life, our modern attempts to create cities artificially are, from a human point of view, entirely unsuccessful."

Para lá do seu valor intrínseco, este texto tem uma característica engraçada, julgo eu: o momento em que o leitor percebe a data em que ele foi escrito é sempre ocasião de surpresa. Com efeito, é difícil acreditar que ideias tão actuais já têm umas respeitáveis décadas em cima...

Publicado por Luis Rainha às 04:24 PM | Comentários (1)

ELES CAEM SEMPRE DE PÉ

Parece que o simpático e consensual director da PJ está por um fio. Isto quando conversas suas sobre o processo Casa Pia, aparentemente pouco salubres, já entraram na pouco invejável categoria de segredos de Polichinelo.
Mas não fiquem em cuidados pelo senhor: em breve, estará estacionado numa confortável sinecura qualquer, enquanto não abre uma vaga para ministro. Duvidam? Ora lembrem-se lá então da edificante história do agora ministro Fernando Negrão, que, há uns anos, também caiu em desgraça por ter comunicado a jornalistas operações da PJ, mesmo antes delas terem lugar.
Aliás, os técnicos da PJ só têm tanto trabalho a instalar escutas telefónicas porque não há por aí mais gente com o espírito comunicativo e altruísta dos seus directores...

PS. Nem de propósito: "O ministro da Segurança Social, Fernando Negrão, afirmou hoje que o Governo 'está atento' à polémica em torno do alegado furto de gravações de conversas no âmbito do processo Casa Pia".

Publicado por Luis Rainha às 03:20 PM | Comentários (2)

ANTOLOGIA AFIXE (II)

essa da "mulher que adoro", sinaliza-nos que a tua cara metade anda de olho neste blogue. Tá bem; não falamos mais da festa com as strippers lituanas...

Publicado por: Luis Rainha em abril 1, 2004 03:54 PM

Jurista, hem? Já suspeitava... O que lhe denunciou a actividade profissional foi o uso corrente da palavra "repristinar"...

Publicado por: zás!pás! em abril 1, 2004 04:02 PM

Luis:
Infelizmnete ela trabalha ainda mais que eu e não tem tempo para estas coisas. Mas a adoração mútua é mesmo um facto.
zás!pás!:
Pois é! Defeito profissional!
Só mesmo nós é que usamos essa porra dessa palavra. Vou tomar mais atenção...
Bem haja pelo aviso

Publicado por: Afixe em abril 1, 2004 05:33 PM

Eu não queria mesmo escrever "Infelizmnete". Ainda para mais tendo em conta que estava a falar da minha gaja. E não fica bem dizer "(...)mnete".
"Infelizmente" era a palavra...

Publicado por: Afixe em abril 1, 2004 05:34 PM

Embora corra o risco de parecer brejeiro, arrisco dizer que isso foi um verdadeiro lapsus linguae!

Publicado por: Luis Rainha em abril 1, 2004 06:05 PM

Brejeiro, pimba, quase a roçar os malucos do riso.
Porém, com muita piada. Estiveste bem, Luis.

Publicado por: Afixe em abril 1, 2004 06:25 PM

Querem lá ver que me obrigam a ir buscar, ali à despensa, as velhas reticências...
:)

Publicado por: José Mário Silva em abril 1, 2004 07:19 PM

Publicado por Filipe Moura às 12:07 PM | Comentários (2)

COMO CONVERTER A MÚSICA

É só deixar grandes cantores cantá-la. Um grande cantor dá sempre um toque pessoal a cada música que interpreta; a menos que a música seja mesmo má de todo, um grande intérprete torna-a sempre, pelo menos, audível.
A Ana Sá Lopes dá-nos um exemplo: a música "Fico assim sem você" ("Piupiu sem Frajola" seria um melhor título, sem dúvida, mas a música é brega mesmo), interpretada por Adriana Calcanhotto (como eu embirro com este apelido, especialmente o duplo "t").
Para mim, o exemplo mais acabado está no álbum "Maria Bethânia ao Vivo". Eu abomino a voz, a figura de Roberto Carlos. Não consigo ouvi-lo e nem olhar para ele. Mas as suas canções na voz de Maria Bethânia ficam completamente transfiguradas. Ouço esse disco e dou por mim a adorar as Emoções e os Detalhes (então os Detalhes!). Entre outras. Concordo totalmente com este cliente da Amazon que avalia o disco.
Acresce que a escolha de repertório deste disco é excelente, não se limitando obviamente a Roberto Carlos. Temos muito Caetano (algumas músicas, como Reconvexo, são Caetano no seu estado mais puro, e não são fáceis de encontrar noutro disco), temos Ary Barroso, Milton, Chiquinha Gonzaga, temos a Ronda e o Explode Coração e ainda três pérolas de Chico. Um disco indispensável, este, que eu ouço enquanto escrevo, e que recomendo vivamente a todos, em especial ao Tulius (que em boa hora está de volta com o blogue) e ao Rui Tavares.

Publicado por Filipe Moura às 11:42 AM | Comentários (2)

agosto 08, 2004

ANTOLOGIA AFIXE (I)

Ia escrever outra coisa num tom menos amistoso, aliás, já a tinha escrito, mas está ali uma pomba branca na varanda a olhar para mim (juro, está mesmo!) e portanto vou fazer como dizes. Sigo em frente! Olha o raio da pomba, voou...É assim mesmo, deixou a mensagem e partiu para outra (isto da pomba é mesmo sério, ok?).

Publicado por: Afixe em março 24, 2004 03:25 PM

Só faltava esta. O Afixe agora deu-lhe para o lirismo...
:)

Publicado por: José Mário Silva em março 24, 2004 04:56 PM

Juro pela minha rica saúde que estava ali uma pomba. Além do mais já estou neste gabinete há três anos e nunca lá tinha visto pousar nenhuma. E era branca, Zé Mário, BRANCA!
Publicado por: Afixe em março 24, 2004 05:04 PM

era uma pomba ou uma gaivota?
fosca-se é que a pomba branca ainda se atura com arroz malandrinho mas a gaivota que voava é que eu já não consigo engolir.

Publicado por: tchernignobyl em março 24, 2004 05:24 PM

Acho que era mesmo uma pomba.
Na Covilhã não tenho visto muitas gaivotas desde que o mar se afastou. Já não é do teu tempo.

Publicado por: Afixe em março 24, 2004 06:42 PM

Publicado por Filipe Moura às 11:07 PM | Comentários (4)

agosto 07, 2004

DIA DE FESTA

Parabéns a você
Hoje, a minha filha faz quinze anos.
Nesta data querida
Nos primeiros minutos do dia, telefonei-lhe.
Muitas felicidades,
Ela pediu-me para desligar,
Muitos anos de vida.
que tinha outra chamada em espera.
Hoje é dia de festa,
Agora, dói-me alguma coisa.
Cantam as nossas almas!
Só não consigo perceber bem o quê.

Publicado por Luis Rainha às 09:44 PM | Comentários (7)

O MIÚDO MAIS ESPERTO DA TERRA

Apesar de já escrever episodicamente para BD há mais de uma década, não me conto como grande entusiasta ou especialista desta forma de arte. Por isso mesmo, é sempre com redobrado sobressalto que descubro uma obra-prima desta magnitude: "Jimmy Corrigan: The Smartest Kid on Earth", de Chris Ware.
Ao longo de centenas de páginas irrepreensivelmente desenhadas e coloridas, acompanhamos a vida inconsequente e inútil de Jimmy Corrigan – enquanto criança e adulto – arrastando-se através do pântano das vidas suburbanas na grande metrópole made in USA: do cubículo para a casa vazia, daí para um universo exterior não menos hostil, estéril e terminalmente estranho. Em paralelo, a infância do seu avô surge como um eco anterior, não menos aflito e alienado. A meditação sobre a paternidade acompanha-nos feita leitmotiv ao longo de toda a obra, sem que nunca uma qualquer redenção para a figura do pai seja vislumbrada. Se quiserem mesmo símiles, proponho-vos o "Eraserhead" de Lynch – com menos ruído, é certo – conformado à angústia melancólica mas nunca demasiado urgente das telas de Hopper. (Para os fans de BD, claro que as influências de Herriman são óbvias...)
Nem vale a pena realçar o magnífico rigor da composição de todas as páginas, o equilíbrio precário mas tão elegante que cada prancha exala. Aqui, o desespero pode ser absoluto, mas jamais se transforma em distorção; nunca a angst basta para toldar a claridade absoluta do nosso olhar.
Mesmo faltando a este grande volume outras histórias e muitos dos engenhosos cut-outs e anúncios espúrios que são ingrediente fulcral do charme da obra de Ware - como presente na colecção "Acme Novelty" - ele é mais do que recomendável: é obrigatório a todas as pessoas sensíveis que queiram descobrir, afinal "qual é a graça da Banda Desenhada".
O que esperam para rumar à Fnac mais próxima e resgatar das prateleiras poeirentas os últimos exemplares que por lá vagueiam?


PS: Atenção, que não estou a anunciar-vos os méritos da obra como se fosse descoberta minha: os especialistas conhecem-na bem e mesmo o circunspecto mundo da literatura-sem-bonecos já tratou de a premiar devidamente, em ambos os lados do Atlântico.

with cum Amateur Oralsex - Heres two new girls that fuck and suck Amateurs Gobble amateurs facials submitted of amateur facials. After Free Amateur Videos. Highly appreciated site for free Facial Ecstacy High quality amateur facials Sperm O Rama See a beautiful babes dick free nude blonde pictures double anal gallery free lesbian group sex pics amateurs facials submitted dick free nude blonde pictures double anal gallery free lesbian group sex pics cocks they did pick And then they had fun Drinking huge loads of Cum And 'You' can teenagerstories bilderserien facials blackbutt mailkontakte Amateurs: Bathroom amateurs facials submitted AMATEUR FACIALS There once were some girls who liked dick From all sorts of

Amateurs facials

Amateurs Facials Submitted!

amateurs facials sample amateurs facials jan amateurs beth facials amateurs facials mature amateurs ashley facials amateurs facials ginger amateurs elizabeth facials amateurs facials promise amateurs facials twin amateurs facials ice amateurs blow job facials web ring amateurs facials gallery amateurs gang bang facials amateurs teen facials amateurs facials group amateurs angie facials amateurs facials jenny amateurs facials password amateurs facials web ring alicia amateurs ashley facials amateurs erin facials alicia gravações correio da manhã adelino salvado ferro rodrigues amateurs facials pic amateurs facials roxy amateurs facials submitted amateurs facials tyler free amateurs facials picture alicia amateurs facials uk amateurs facials amateurs facials traci amateurs facials tgp amateurs bianca facials amateurs cum facials ring web amateurs facials mariah amateurs facials cum shot gallery amateurs facials kara amateurs facials skye amateurs facials mpeg

Publicado por Luis Rainha às 04:59 PM | Comentários (0)

EXPRESS YOURSELF

À partida eu nem diria nada, pois não julgo que um concerto de Madonna mereça tanta atenção. Mas depois do que tenho lido (mais do que as opiniões em si, que eu respeito, é sobretudo pela ideia de que parece vir um mal ao mundo por se gostar da Madonna), tenho de tomar posição.
Tenho um CD com uma colectânea da Madonna, Immaculate Collection, e gosto de o ter. Gosto de o ouvir. Gosto da maioria das músicas.
Gosto razoavelmente da Madonna e gostaria de ir a um concerto da Madonna, se não fosse tão caro (não pagaria, pela Madonna, o que se paga, mas respeito a opção de quem paga - é uma questão de gosto). Concordo com um comentário de um nosso leitor - não é caso único. Os bilhetes para os Radiohead também se esgotaram com uma velocidade impressionante e foram criados espectáculos extra, que também esgotaram. Para os U2 seria a mesma coisa. Para estes dois grupos talvez eu pagasse o que se paga para ver a Madonna. A comunicação social se calhar não deu tanto destaque a isso, o que só prova o ícone que é a Madonna (os Radiohead ainda hoje são vistos como um grupo alternativo). Madonna é o mainstream. Nada mal.
É evidente que Madonna gosta de ser vista como um símbolo sexual e, se calhar, como uma fuck machine (brilhante diálogo, este). E depois, pergunto eu? E daí?
Foi pena o Caetano não ter incluído nenhuma música da Madonna no seu "Foreign Sound". Into the Groove ficaria bem cantada por ele. Express yourself, escrevi eu. Com música.

Publicado por Filipe Moura às 12:39 AM | Comentários (9)

agosto 06, 2004

DIA DE FOGO (2)

"Nevertheless, it seems clear that, even without the atomic bombing attacks, air supremacy over Japan could have exerted sufficient pressure to bring about unconditional surrender and obviate the need for invasion.
Based on a detailed investigation of all the facts, and supported by the testimony of the surviving Japanese leaders involved, it is the Survey's opinion that certainly prior to 31 December 1945, and in all probability prior to 1 November 1945, Japan would have surrendered even if the atomic bombs had not been dropped, even if Russia had not entered the war, and even if no invasion had been planned or contemplated."

United States Strategic Bombing Survey Summary Report (1946)

"My staff was unanimous in believing that Japan was on the point of collapse and surrender."
General Douglas MacArthur, Comandante das forças armadas americanas no Pacífico

"Neither the atomic bombing nor the entry of the Soviet Union into the war forced Japan's unconditional surrender. She was defeated before either these events took place."
Brigadeiro General Bonnie Fellers, num memorando para o General MacArthur

"It is my opinion that the use of the barbarous weapon at Hiroshima and Nagasaki was of no material assistance in our war against Japan ... The Japanese were already defeated and ready to surrender because of the effective sea blockade and the successful bombing with conventional weapons ... My own feeling was that in being the first to use it, we had adopted an ethical standard common to the barbarians of the Dark Ages. I was not taught to make war in that fashion, and wars cannot be won by destroying women and children."
Almirante William D. Leahy, Chefe do Estado-Maior americano durante a Segunda Guerra Mundial

"The atomic bomb had nothing to do with the end of the war."
General Curtis LeMay, estratega dos bombardeamentos aliados

"The Japanese were ready to surrender and it wasn't necessary to hit them with that awful thing ... I hated to see our country be the first to use such a weapon."
Dwight Eisenhower

"It was the ruthless firebombing, and Hirohito's realization that if necessary the Allies would completely destroy Japan and kill every Japanese to achieve "unconditional surrender" that persuaded him to the decision to end the war. The atomic bomb is indeed a fearsome weapon, but it was not the cause of Japan's surrender, even though the myth persists even to this day."
Edwin P. Hoyt, historiador, em "Japan's War: The Great Pacific Conflict" (p. 420)

Publicado por Luis Rainha às 06:13 PM | Comentários (3)

DIA DE FOGO (1)

Nesta data, em 1945, era obliterada a cidade de Hiroshima. Não foi o bombardeamento que mais vítimas causou durante a II Guerra Mundial: Dresden, Hamburgo e Tóquio, arrasadas com a técnica denominada firebombing, sofreram ainda mais. Mas começou assim, com o primeiro tiro da Guerra Fria, uma nova era para todos nós.
Quase dois meses antes, a 7 de Maio, Masutaro Inoue, um diplomata japonês sediado em Lisboa, fez chegar a Truman uma oferta de paz, com a única exigência de que o Imperador nipónico não visse o seu estatuto alterado. Este foi apenas um dos contactos similares levados a cabo pelos japoneses. Sempre com o mesmo resultado: os EUA exigiam a rendição incondicional. (Claro está que, depois desta, acabaram mesmo por não incomodar Hirohito.)
A meio de Junho, o almirante William D. Leahy concluía que "a surrender of Japan can be arranged with terms that can be accepted by Japan and that will make fully satisfactory provision for America’s defense against future trans-Pacific aggression.".
A 20 de Janeiro, mesmo antes da cimeira de Yalta, Roosevelt recebeu um memorando de 40 páginas do general Douglas MacArthur, em que este resumia cinco aproximações separadas que as autoridades japonesas tinham tentado. Todas debalde.
O resto é História: para acalmar os ímpetos expansionistas de Estaline, os americanos acenaram-lhe com o seu brinquedo novo e mortífero. Que tal fosse feito à custa de milhares e milhares de civis indefesos, parece hoje em dia coisa de somenos.
Ao ver imagens da destruição total de Dresden, Churchill fez a pergunta terrível: "Are we beasts?" Pouco depois, Hiroshima e Nagasaki trataram de responder afirmativamente ao estadista inglês.

Publicado por Luis Rainha às 06:07 PM | Comentários (2)

O CÃO OPORTUNISTA

Na quinta-feira o... quem-quer-que-seja que escreve os editoriais do DN e não os assina (mas cujo estilo e conteúdo me fazem supor que seja um híbrido entre uma batedeira Moulinex e o José António Saraiva) dizia que não se pode andar a acusar Bush de ter ignorado os avisos do 11 de Setembro e acusá-lo de agora usar os alertas de atentados terroristas para fins eleitorais.
Aparentemente o quem-quer-que-seja está certíssimo. Acusar alguém por ter cão e por não o ter é uma estratégia desonesta e, diga-se, muito inepta.
Mas os factos não podem ser isolados do seu contexto. Bush está em ano eleitoral que precisa de vencer. A Guerra ao Terrorismo deu-lhe uma popularidade inigualável, a tentação de usar o terrorismo como arma eleitoral é real e viu-se o seu efeito no último plebiscito espanhol.
Acrescente-se que uns bravos bloguistas americanos andaram a cruzar informações e descobriram que a maioria dos alertas ocorria em períodos sensíveis e convenientes para a administração. Alguns exemplos:

"February 6, 2003 -- Powell pleads with the UN Security Council for a first strike against Iraq.

February 9, 2003 - Citing credible threats that al Qaeda might be planning attacks on American targets, the U.S. government raised the national color-coded threat level Friday to orange, indicating a "high" risk of a terrorist attack.

July 25, 2003 -- After the Bush administration delayed its publication for months, Congress releases its 9/11 findings. The government also deletes 28 pages of the report believed to detail Saudi funding of members of Al Qaeda in the Untied States prior to Sept. 11.

July 28, 2003 -- US troops charged with beating Iraqi POWs

July 29 - Department of Homeland Security issues a warning about the possibility of suicide attacks on airplanes."

Toda a lista, com fontes, está aqui.
Perante isto, resta-nos presumir que os 15 alertas e respectivos contextos políticos relacionados que se encontram nesta lista indicam apenas uma grandessíssima coincidência.
(Jorge Palinhos)

Publicado por José Mário Silva às 06:03 PM | Comentários (6)

SER IMIGRANTE NOS EUA (2)

O derradeiro reality show apontado ao mercado hispânico já estreou nos EUA. E está, naturalmente, a dar que falar.
O concurso "Gaña la Verde" é uma espécie de "Fear Factor", destinado a imigrantes sem documentos, e apresenta como taluda a desejada "Green Card", a autorização de permanência nos States. Ou seja, se o concorrente divertir qb os tele-espectadores, comendo coisas repugnantes ou sujeitando-se a tarefas perigosas como lavar uma janela de um 20º andar, o programa trata da sua legalização. Isto, apesar das advertências feitas por uma ONG: "Aunque se coman un elefante vivo, si las autoridades migratorias de Estados Unidos dicen no, pues no."
Já não deve tardar muito para o regresso dos combates até à morte, ao vivo num prime time perto de si.

Publicado por Luis Rainha às 04:19 PM | Comentários (2)

SER IMIGRANTE NOS EUA (1)

A reportagem já tem quase dois anos. Mas só agora é que um jornalista amigo me apontou o caminho até esta peça. Vejam como uma só pessoa, armada com uma câmara fotográfica, vontade de ouvir, sensibilidade e pouco mais, consegue montar um verdadeiro documentário interactivo, pleno de humanidade. Acompanhem a viagem de regresso ao México de um emigrante que vai por fim conhecer o seu filho de 15 meses. Vale a pena.

Publicado por Luis Rainha às 04:09 PM | Comentários (0)

UM PROJECTO DE FATWA

Por obrigação profissional, li hoje de manhã algumas memórias descritivas, oriundas dos ateliers de alguns dos nossos melhores arquitectos. E lá ia pensando: "mas esta gente não conseguirá arranjar quem lhes escreva os textos de modo a que se percebam?"
Nem de propósito: minutos depois, recebia um mail indignado, de um ex-colega do Técnico, reclamando contra um fax que tinha acabado de receber... de um arquitecto.
Se "clicarem" aqui, poderão ver a peça literária em apreço. Não sei se justifica uma fatwa contra os licenciados iletrados, como exige o meu amigo, mas lá que é tragicómico, é.

Publicado por Luis Rainha às 03:17 PM | Comentários (2)

CURIOSIDADE ESTATÍSTICA

Como certamente saberão, o poeta Manuel Alegre, deputado socialista e candidato à liderança do PS, já tem o seu próprio blogue, um espaço cibernético que serve para reproduzir textos sobre a luta interna no Largo do Rato — na sua maioria publicados na imprensa generalista — e onde vai lançando algumas farpas aos outros candidatos (num registo sereno, quase cordial).
Talvez devido ao seu tom moderado, o blogue não tem sido, pelo menos até agora, um êxito em termos de mobilização de e-leitores. Ontem, por exemplo, ficou em 23.º lugar no top da weblog.com.pt, com umas discretas 428 visitas. Ironia das ironias, Manuel Alegre está imediatamente atrás da Ervilha Cor de Rosa e à frente de uma dupla constituída pelo Último Reduto e pela laranja amarga.

Publicado por José Mário Silva às 03:12 PM | Comentários (1)

UM CANCRO NA NET

Pouco tenho contra a pornografia. Também não sou cliente habitual, embora me dedique por vezes a mirar as recentes evoluções da indústria; estas nunca deixam de me surpreender, através de coisas como a escatologia ou a acrotomofilia, só para mencionar dois dos nichos de mercado mais estranhos e perturbadores, capazes de prescindir de qualquer tipo de referência à actividade sexual/genital "clássica".
Bem; quando escrevo que pouco tenho contra a pornografia, há ressalvas obrigatórias: é sabido que esta indústria não se preocupa grande coisa com os direitos dos seus trabalhadores (sobretudo em países onde ninguém se preocupa com qualquer espécie de direitos alheios); e há, claro está, a questão da pornografia infantil, a kiddy-porn. Aqui, não consigo descortinar uma atenuante que seja para a monstruosidade sem limites de "pessoas" que violam de forma hedionda crianças de ambos os sexos apenas para ganhar umas coroas. E indesculpáveis são também os "consumidores": além de justificarem a actividade dos produtores, o simples facto de se excitarem ao testemunhar tais crimes deveria ser causa bastante para lobotomias compulsivas.
Este desabafo tem a sua razão de ser: nos últimos tempos, cada notícia que lia sobre o desmantelamento de mais uma rede de pornografia pedófila solidificava a minha certeza de que a disseminação desse verdadeiro cancro moral é actividade arriscada e estritamente reservada a tarados sem noção do perigo: junkies capazes de confiar números de cartões de crédito aos seus dealers, apenas para serem apanhados na próxima operação policial.
O pior é que isso não é verdade.
Na minha ingenuidade, só há pouco tempo descobri que os sistemas Peer-to-Peer (P2P) de partilha de ficheiros também servem às mil maravilhas para a distribuição de kiddy-porn. Um bom programa, como o Acquisition da imagem acima, assinala, em resposta a qualquer busca com as palavras-chave correctas, dezenas de filmes, imagens e ficheiros com material pedófilo. Software mais comum, como o iMesh, também pode ser orientado para descarregar e partilhar esse lixo.
Atenção: trata-se de um canal ao alcance, hoje em dia, de qualquer miúdo. E, dos programas que vi até agora, nenhum dispõe de modos de "censura" 100% fiáveis para impedir o acesso a estes conteúdos. A seguir ao último êxito do Justin Timberlake, os nossos filhos podem bem, até por acidente, descarregar um clip em que um adulto viola uma criança de 10 anos.
A minha pergunta é só uma: se parece possível apertar a rede em torno de gente que se dedica a partilhar música na Net, como o demonstram notícias recentes, será assim tão complicado apanhar esta malta? Ou será que tal só se conseguiria se existisse um equivalente à pressão da indústria discográfica?

Publicado por Luis Rainha às 02:51 PM | Comentários (1)

A EDIÇÃO ELECTRÓNICA DO DN

Um acesso restritíssimo, de um modo geral somente durante a noite, a partir das 19 horas (para os empregados com acesso gratuito à rede não lerem o jornal de graça a partir dos empregos - um expediente típico do SAPO). Nada disto é anunciado, pelo que grande parte das pessoas perde tempo a tentar aceder às páginas sem que ninguém lhes diga que não podem (um desrespeito pelo utilizador também muito típico do SAPO). Uma apresentação gráfica péssima, somente com os títulos das notícias disponíveis - tem de se clicar e carregar o artigo, a maior parte das vezes para concluir que não interessa. Os entrevistados nunca são identificados convenientemente.
Para além disso, as secções são incompletas e, por vezes, são suprimidas. Por exemplo: alguém me pode dizer onde está a opinião do DN do passado domingo? O Vasco Pulido Valente? O Caio Blinder e a Lúcia Guimarães? Na edição de segunda feira não aparece opinião nenhuma, mas a opinião de segunda feira - João César das Neves e Luís Delgado... - aparece... na edição de domingo. E onde está o "nacional" de ontem, 5ª feira?
(Diga-se em abono da verdade que a edição electrónica do Público também já conheceu muito melhores dias.)
Está certo que é uma edição gratuita, pelo que o utilizador só pode agradecer e não se queixar. Reconheço isso perfeitamente. Mas pergunto: com esta edição electrónica, quem pagaria para ler o DN na rede?

Publicado por Filipe Moura às 11:43 AM | Comentários (6)

agosto 05, 2004

QUIZZ: ACERCA DE QUEM SE ESCREVEU ISTO?

"Mais uma aspirante a estrela, esta com uma vozinha que parece a da namorada do rato Mickey."

Sim, foi a propósito da senhora que em breve nos vai visitar. A "crítica" saiu no "Expresso", aquando do lançamento de "Like a Virgin", salvo erro. Imagina-se que o tom do escriba face à senhora em questão tenha mudado um pouco desde aí; não que eu perceba muito bem porquê.

Publicado por Luis Rainha às 07:43 PM | Comentários (0)

OS MANIPULADORES DA MANIPULAÇÃO

Logo agora que estávamos convencidos que o mundo tinha perdido a inocência, que já não havia ingénuos, a não ser talvez debaixo de alguma palhota da Micronésia, eis que saem à rua milhares de virgens ofendidas, escandalizadas "pela desonestidade e deturpação do último documentário do Michael Moore". Seja no DN, seja em blogues, ficamos assim a saber que há um site (do NRA!) onde se denunciam 56 falácias do «Fahrenheit 9/11» e que o jornalista decadente Christopher Hitchens escreveu um artigo de opinião onde "denuncia" essas "desonestidades" (aliás, as virgens ofendidas gostaram tanto do artigo que até fazem questão de oferecer umas garrafas a Hitchens para lhe aumentar o estado comatoso).
As virgens ofendidas escandalizam-se com quê, exactamente? Escandalizam-se por o meio audiovisual ser, inerentemente, uma forma de manipulação de imagens, em que umas têm de ser seleccionadas em detrimento de outras? Escandalizam-se por Moore saber que o cinema é um meio de comunicação popular e ter empregue meios populistas para passar a sua imagem? Escandalizam-se por o documentário, desde o venerável «Nanook, o Esquimó», ser uma forma de arte assente na reconstrução de factos reais?
Mas o que seria interessante saber é se as virgens ofendidas só o são por ignorância da história dos documentários como intervenção na realidade. Será que não sabem que grande parte das fotos de Edward Curtis no Oeste americano eram encenações? Não sabem que a caçada ao lobo-marinho em Nanook foi realizada expressamente para o filme e que os Inuit já não faziam tais caçadas há anos? E não sabem que a reunião do conselho no documentário de Giacometti sobre Rio de Onor foi convocada para aparecer no filme? E será que acham os documentários de Riefenstahl sobre o Reich a verdade toda e pura?
E será também a ignorância que os leva a, quando mencionam Hitchens e o Website, a não mencionarem que a Comissão americana de investigação do 11 de Setembro validou muitas das acusações de Moore? E que o próprio Michael Moore respondeu às acusações elaborando uma lista de provas e fontes em que se baseou? E não sabem porque é que os que acusam Moore de mentir não o levam o tribunal? E não se escandalizaram com o "ataque biológico em 45 minutos"?
Ou será que as virgens ofendidas estão meramente a tentar fazer aquilo de que acusam Moore?
(Jorge Palinhos)

NOTA- Sim, o Jorge Palinhos é mesmo o J, o saudoso J do saudoso Cruzes Canhoto.

ADENDA- O texto enviado pelo J (via e-mail) continha alguns links que se perderam no caminho. Felizmente, um post nunca está completamente fechado e podemos sempre emendar a mão. Foi o que fizemos. Agora os links estão onde deviam estar desde o início. Aproveitem-nos.

Publicado por José Mário Silva às 07:32 PM | Comentários (5)

ACUDAM-NOS!

Confirma-se. Portugal já foi infestado pelas temidas criaturas aladas. Agora, teremos de recorrer aos serviços destes senhores para rechaçar a invasão.

Publicado por Luis Rainha às 06:21 PM | Comentários (9)

NERDS DE TODO O MUNDO, UNI-VOS!


O Paulo Querido que me perdoe, mas não consigo pensar no Minho Campus Party sem ter de reprimir um sorrisinho sarcástico. Lá apareceram em massa os inevitáveis geeks borbulhentos, carregando computadores coloridos ou transparentes, artilhados com néons roxos e leds faiscantes. Bastaria trocar os PCs por automóveis para que aquilo fosse tal e qual um encontro dos cromos do tuning. (Bem, também se notava a falta de algumas miúdas giras...)
Durante uns tempos, não vou dizer a ninguém que escrevo num blogue.

Publicado por Luis Rainha às 05:42 PM | Comentários (16)

COMO É BOM SER COLUNISTA NO "PÚBLICO"...

O calor aperta, a vontade de pensar não é muita... mas os gajos do jornal não param de chatear, querem saber onde anda o texto prometido há semanas. Irra, que há-de um jornalista dinâmico e talentoso fazer? Talvez copiar?
Foi precisamente o que José Silva Pinto resolveu fazer para concatenar a sua prosa que ornamenta o "Público" de hoje.
Não se trata, em rigor, de plágio, pois o previdente colunista tratou de nos informar que estava a laborar sobre letras alheias, ao citar a sua fonte: uma coluna de Michelle Cottle, originalmente dada à estampa a... 18 de Maio! O assunto, mesmo sem primar pela actualidade, até é interessante: a tentativa, por parte de três senhoras republicanas, de lançar as culpas dos abusos de Abu Ghraib sobre as espáduas do feminismo. Nem mais. Terá tudo a ver com a presença de mulheres nas forças armadas americanas, dizem elas.
Enquanto JSP resume as conclusões da coluna original, apresentado-as como tal, nada a objectar. Mas acontece que essa fronteira é alegremente ultrapassada, continuando a tradução literal sem que de tal o leitor do "Público" seja informado (o processo adquire aspectos algo lúdicos quando a expressão "left to their own devices" - entregues a si mesmos - se vê traduzida por "ao utilizarem apenas instrumentos naturais" e "a trio of right-wing chicks" passa a "trio de galinhas de direita"!).
Aqui, está uma imagem do texto em apreço, com as zonas de citação explícita a amarelo, a tradução encapotada a vermelho e as palavritas do próprio a verde. Elucidativo, não é?
Assim, eu também quero ser colunista num jornal de referência. Ó JMF: não há por aí uma avençazinha disponível aqui para o mangas?

Publicado por Luis Rainha às 04:25 PM | Comentários (2)

DIPLOMACIA IMPORT-EXPORT

Na semana passada, lá decorreu a grandiosa cimeira da CPLP. Deve ter sido coisa importante, a julgar pelos dois jactos Falcon lusos que rumaram a S. Tomé e Príncipe, um com Sampaio, outro transportando o novo ministro dos negócios estrangeiros. A importância do evento reflectiu-se também na comitiva de Lula da Silva, que levou mais de 200 empresários e uma proposta de eliminação de direitos alfandegários na América Latina para produtos africanos. Portugal, por seu lado, apresentou-se com uma proposta de campanha anti-sida... e alguns profissionais cheios de vontade de investir no artesanato local – mesmo que incluísse partes da anatomia de animais protegidos -, como se pôde ver pelas carradas de caixas que desembarcaram, à revelia de qualquer controlo, em Figo Maduro...

Publicado por Luis Rainha às 01:59 PM | Comentários (0)

JMF DESCOBRE OS FACTOS DA VIDA

No “Público” de anteontem, em editorial não disponível online (talvez por vergonha), José Manuel Fernandes conta-nos a sua mais recente descoberta: “existem formas muito diferentes de encarar o sexo pelos rapazes a pelas raparigas”. A iluminação tardia ocorreu mediante os resultados de uma suposta experiência em que voluntários jovens e atraentes tinham por missão entrar num bar e engatar, à bruta e “sem preâmbulos” um membro do sexo oposto para uma noite de sexo. Espantosamente, 90% dos homens terão anuído, contra apenas 10% das mulheres.
“Espantosamente” para JMF, isto é. Julgaria eu que qualquer pessoa com menos de 80 anos teria aprendido isto durante a adolescência.
Ainda atordoado pela inesperada epifania, o intrépido director avança para a constatação que “A liberalização das relações acabou demasiadas vezes em divórcios dolorosos e mulheres sozinhas, depois de os homens as trocarem por outras mais novas. Mulheres naturalmente mais infelizes (…) porque aquilo a que alguns já chamaram lado 'predador' que existe no homem se sentiu mais livre no novo ambiente de ‘igualdade’.”
(Nem sei se vale a pena enumerar os disparates que aqui pululam: se um homem se divorcia é infalivelmente porque anda à caça de fêmea mais jovem; as mulheres ficam “sozinhas”, claro, porque quem pegará numa divorciada?; este número de novas solitárias não seria compensado pelas posteriores conquistas dos “predadores”?; o homem anda agora, neste tempo dissoluto, mais “livre”, apesar dos resultados da tal experiência, que lhe vaticinam 90% de taxa de insucesso, e isto para exemplares jovens e atraentes...)
Chegado a este ponto do editorial, o JMF já vai embalado e nada o pára. Acaba por desembocar num elogio a João Paulo II, a propósito da última fantasia do geronte do Vaticano sobre a “colaboração do homem e da mulher na Igreja e no mundo”.
Prepara-te César das Neves: não tarda nada, tens aqui um rival de peso!

Publicado por Luis Rainha às 01:56 PM | Comentários (1)

PRIMEIRA PÁGINA

Hoje, tanto o Público como o DN publicaram esta imagem nas respectivas primeiras páginas, evocando Henri Cartier-Bresson. No lugar de José Manuel Fernandes ou de Fernando Lima, teria feito precisamente a mesma escolha. Expliquei-a, por antecipação, neste post de Junho.

Publicado por José Mário Silva às 01:54 PM | Comentários (1)

E LÁ SE VAI MAIS UM PRECONCEITO RACISTA…

Não se dizia, à laia de graça, que um judeu até seria capaz de vender corda para o enforcarem, desde que a margem fosse boa? Pois era; mas o que agora parece mais provável é que andem palestinianos a realizar grossas maquias vendendo cimento… para construir o ignóbil “muro de segurança” de Israel.
Envolvidos no esquema poderão estar, segundo o “El Mundo”, quatro empresas da Cisjordânia, incluindo uma que pertence a familiares do primeiro-ministro palestiniano. Entre os governantes israelitas e esta malta, venha o diabo e escolha. Pobre povo.

Publicado por Luis Rainha às 01:53 PM | Comentários (2)

SUMMERTIME SERENADE

Mais monótona que um discurso de Jorge Sampaio. Mais repetitiva que um disco inteiro dos Madredeus. Mais irritante que um relato do Gabriel Alves. E até, custa-me dizer isto, muito mais incomodativa que o Santana perdido na tomada de posse. Todos os anos por esta altura, lá sou forçado a ouvir a mesma cantilena nocturna, à custa de horas e horas de sono:

Publicado por Luis Rainha às 01:46 PM | Comentários (0)

DIÁRIO DE UM NÁUFRAGO DA BLOGOSFERA: O MEU DIA NA ZONA FANTASMA

As minhas actividades bloguísticas de ontem ainda permanecem online, no fóssil do BdE - versão pré-3.0. Para quem não tiver pachorra para ler tanto disparate, eis um pequeno sumário de um dia de desespero e angústia...
Logo após o inopinado upgrade do BdE, comecei por reparar que tinha deixado um post a vaguear algures no limbo das tecnologias ultrapassadas: legível na "pele" antiga, mas ausente da versão nova. Ainda para mais, logo constatei que não conseguia aceder à zona de edição do blogue. Alarme. Pânico.
Os mais idosos entre vós talvez recordem o aparelhómetro esquisito, parecido com um aquecedor daqueles bem velhinhos, com que o Super-Homem mandava os criminosos mais detestáveis para a Zona Fantasma. Suspeitei que me tivesse acontecido algo similar, talvez no momento em que despejei um pouco de água para dentro do meu teclado, anteontem à tarde. É que desde aí não conseguia postar absolutamente nada no novo BdE. Veio-me à memória um dichote brasileiro que define na perfeição o estado de espírito que então me assolou: "ficou com cara de cachorro que caiu do caminhão de mudanças".
Estava reduzido à condição de proscrito, condenado a zanzar por esse blogue fantasma, já a afundar no abismo do esquecimento. Bem, restava-me pensar nos aspectos positivos do meu degredo: poderia começar a escrever o que me desse na gana, sem medo de ofender leitores mais sensíveis ou politicamente correctos. E já não tinha de gastar o meu precioso tempo a apagar comentários idiotas dos Riapas.
Não consegui, apesar de tudo, evitar a nostalgia dos exilados. E a clássica angústia não me largava: que teria feito para merecer tamanho castigo? Que palavra minha teria ofendido de forma tão grave os gerentes do BdE, levando-os a deixar-me para trás aquando da mudança? E o Zé Mário, quando escreveu "Para os nostálgicos, a velha ‘pele’ está ainda disponível aqui", estaria a falar de mim? "Velha pele"? Que topete!

Mas o optimismo acabou por ganhar: em breve, já me sentia como a personagem de James Cagney – no topo de um depósito de combustível em chamas, gritando "Made it Ma! Top of the world!" - na memorável última cena de "White Heat": era o rei do blogue! Sem comentários, sem page views, sem Riapa, sem esteves pinto. O que começara com um amargo desterro, comigo votado ao esquecimento naquela "pele" sem carne por dentro, revelou-se então como um momento de glória: eu reinava supremo sobre o BdE da Zona Fantasma!
Chegado a este pináculo da glória, fiz o que se impunha: desenhei um novo cabeçalho para o BdE e estabeleci um pequeno conjunto de regras, mais que razoáveis, para nortear as actividades dos poucos visitantes que ali chegassem. E até tive tempo para postar algumas coisas mais ou menos "a sério".
No entanto, senti que a responsabilidade do poder absoluto sobre um blogue me deixou mais comedido, talvez até mais maduro: falei de coisas sérias e adultas como a cimeira da CPLP, disse mal dos palestinianos (!) e até concordei com um editorial de JMF – bem, não exageremos; esta última é a brincar.
Foi com um misto agridoce de alívio e nostalgia que recebi as boas-novas do Zé Mário: afinal, ainda me queriam por aqui, no mundo dos vivos! Para mal dos vossos pecados, cá estou eu de novo.
Pronto. Já chega de reminiscências tontas. Vou tratar de trasladar os posts que deixei lá do outro lado. Até já.

Publicado por Luis Rainha às 01:29 PM | Comentários (1)

LEITURAS - EDUARDO CINTRA TORRES

Na sua crónica televisiva da passada segunda feira, este (nada marxista) autor aborda dois programas: "Megaciência" e a série brasileira "Os Maias" (adaptação da obra de Eça de Queirós), ambos em exibição na SIC.
Não tendo visto nenhum dos programas, não posso julgar nenhum dos mesmos; posso sim julgar os argumentos do autor. Assim, concordo totalmente no que diz respeito a "Os Maias". Tenho todas as indicações de que se trata de uma excelente série (como costumam ser as séries históricas da TV Globo e como era "O Primo Basílio", por exemplo). Seria de grande interesse a exibição desta série em horário nobre. Mas não é este tipo de programas que a SIC quer reservar para este horário.
Quanto ao primeiro programa, não estou de acordo com os argumentos. Diz ECT que "Este Megaciência não recorre ao entretenimento para divulgar ciência. Recorre à ciência para fazer entretenimento." Eu não vejo nada de errado nisso, e acho até muito positivo. Mas, repito, só o visionamento do mesmo programa me permitiria tirar conclusões sobre o mesmo. O meu argumento é geral.

Publicado por Filipe Moura às 12:39 PM | Comentários (0)

A ARMA DO OLHAR

in memoriam Henri Cartier-Bresson

Publicado por José Mário Silva às 12:25 PM | Comentários (1)

LEITURAS - ZÉ MANEL

Começo por sugerir a leitura do marxista Zé Manel. (Será que ele trabalha por conta própria, por conta de outrem ou numa cooperativa?) O grande Zé Manel esta semana está particularmente inspirado; deixo aqui um aperitivo.

"É desta que a lagartagem vai penetrar no livro do Guiness (e não tem nada a ver com a quantidade de cerveja inglesa que o Panilla consegue emborcar durante as suas noitadas). Então não é que o Sporting descobriu, nas últimas 24 horas, que tem um craque do catano - um tal de João Moutinho, de 17 anos - e ainda não o venderam prò estrangeiro? A minha alma está parva. Estes lagartos não percebem que estão a descaracterizar o clube? Se esta moda dos lagartos não seguirem a tradição pega, qualquer dia dão por eles e até o Dias da Cunha está a dizer coisa com coisa."

Publicado por Filipe Moura às 12:19 PM | Comentários (0)

GREVE DE ZELO

Isto de trabalhar com chefes marxistas tem muito que se lhe diga. Os trabalhadores (neste caso, eu e o Luís Rainha) ávidos de apresentar serviço, de produzir trabalho. E os chefes decidem que ninguém pode trabalhar, porque tem que se passar para a plataforma 3.0 do Movable Type. Não há acesso à edição do blogue para ninguém. Os chefes decidem e os trabalhadores têm de entrar em greve. Sem apelo nem agravo.
Eu e o Luís ainda pensámos organizar uma manifestação dizendo: "Deixem-nos trabalhar! Nós só queremos que nos deixem trabalhar! Parem as forças de bloqueio ao blogue!" Mas estando eu aqui em Paris, não se proporcionou. Decidimos então entrar em greve de zelo e aumentar a nossa produtividade a escrever muitos textos enquanto o acesso nos era negado. É assim que se lida com chefes marxistas.

(Nota: o que descrevo neste texto não corresponde à verdade. Ontem eu não consegui entrar no BdE e editar porque não tive acesso à informação que foi enviada - atempadamente - pelo Zé Mário e pelo Paulo Querido, por email, com as novas instruções. Concebi este texto no dia de ontem e, mesmo assim, achei que teria graça publicar.)

Publicado por Filipe Moura às 12:14 PM | Comentários (0)

agosto 04, 2004

FECHOU-SE O «OLHO DO SÉCULO»

Henri Cartier-Bresson (1908-2004)

Publicado por Manuel Deniz às 11:12 PM | Comentários (3)

TURISMO

Numa esquina da Avenida da Liberdade, sob o olhar de bronze do Marquês, o casal de turistas espanhóis perguntou-me o caminho mais expedito para chegar à FNAC. «Para a FNAC?», retorqui, suspeitando que eles talvez preferissem um passeio à beira-rio, Jerónimos, Alfama, Museu dos Coches, essas coisas. «Sim, sim, para a FNAC», responderam convictos, com aquela pronúncia única dos descendentes de Cervantes. Hospitaleiro, ofereci-lhes o sorriso da praxe, ao mesmo tempo que explicava os nomes das estações de metro. E eles lá foram, satisfeitíssimos.
À FNAC, claro. Esse famoso monumento nacional.

Publicado por José Mário Silva às 01:11 PM | Comentários (16)

NOT INTERESTED

Não. Nem que me oferecessem o bilhete.

Adenda- Um leitor queixou-se de que eu estava a recusar a Madonna sem sequer argumentar, sem sequer dizer porquê, e que isso não é correcto. Tem razão. Por isso, venho aqui deixar algumas explicações para a minha recusa e que são estas:

- Nunca gostei da Madonna, nem como cantora, nem como bailarina, nem como actriz (um desastre absoluto), nem como sex symbol, nem como ícone cultural. Admito que é uma "estrela" com dois dedos de testa, que soube gerir bem a carreira e a fama, mas não lhe reconheço um décimo do talento de outras estrelas (de David Bowie a Lou Reed).
- Não gosto das encenações da Senhora Ciccone, oscilando entre as poses lascivas (mais ou menos louras) e as projecções de uma espiritualidade ecuménica (um espectro amplo, que vai do catolicismo mal vivido à Cabala, passando por toda a sorte de tretas new age). As mudanças de look ainda tolero (vão marcando as épocas e as paredes dos quartos adolescentes), mas as alterações de atitude parecem-me de uma hipocrisia absoluta. Um ano ela é a "deusa" estilosa, no seguinte uma fera sexual, para logo depois encarnar a serenidade da mulher que só quer ser mãe.
- A música dela, porque é a música o centro disto tudo (ou não?), nunca me convenceu. É uma pop hiper-produzida e de uma artificialidade que não rasga, que não abre caminhos, que não estabelece qualquer tipo de ruptura com a banalidade do mainstream. Ao longo dos anos, conto pelos dedos as excepções à regra.
- Não gosto do poder da Madonna, do que ela representa na cena do show bizz à escala global, do negócio ilimitado que ela promove e de que se alimenta.
- Não gosto da reverência basbaque que algumas pessoas inteligentes lhe devotam (sim, João Lopes, é de ti que estou a falar).
- Não gosto das histerias parvas que às vezes tomam conta do «público português», tenham como origem esta falsa diva ou o Frank Sinatra a cair da tripeça.
- Não gosto de saber que os dois espectáculos da Madonna esgotam em poucas horas (com alguns bilhetes a custarem quase 30 contos), quando o país está no estado em que está e as pessoas se queixam como se queixam.
- Não gosto destas lavagens ao cérebro mediáticas, em que duas horas de um espectáculo de Madonna se transformam num «acontecimento» quase histórico. Acontecimentos quase históricos para mim, no campo musical, foram os concertos do Sviatoslav Richter há uns anos, no CCB e em Évora (tive a sorte de assistir aos dois). Para assistir a esses momentos de partilha do raríssimo dom de um pianista genial, teria dado couro e cabelo. Para ver a lambisgóia da Madonna aos pulos num palco cheio de luzes e efeitos especiais, não, obrigado.

Publicado por José Mário Silva às 01:04 PM | Comentários (23)

agosto 03, 2004

O REGRESSO DO CZARISMO

São notícias destas que me deixam (ainda mais) assustado.

Publicado por José Mário Silva às 11:37 PM | Comentários (4)

MUDANÇA DE PLATAFORMA

Como já devem ter notado, há vários sinais subtis de mudança na aparência do BdE. O cabeçalho, o tipo de letra, a arrumação dos posts: tudo está ligeiramente diferente do que era até hoje (por volta das seis da tarde). Pois bem, não se assustem que não é caso para tanto. As alterações, algumas delas provisórias, devem-se apenas à inevitável transferência do blogue — da plataforma 2.661 do Movable Type para a 3.0, mais actual e poderosa.
Nos próximos dias, contamos fazer todos os ajustes necessários à nova etapa, quer no plano gráfico (template, links, etc.) quer no plano editorial. Todos os palpites e conselhos serão, como é óbvio, bem-vindos.

PS: Para os nostálgicos, a velha "pele" está ainda disponível aqui.

Publicado por José Mário Silva às 09:00 PM | Comentários (12)

CONDOMÍNIO RIGOROSAMENTE FECHADO


Já está à venda a próxima fase de um condomínio fechado excepcional: numa fabulosa localização, com piscinas, courts de ténis e muito espaço para que a sua família possa crescer em segurança. Poderá disfrutar de belas paisagens: de um lado a solidez de um lindo muro de betão; por outro, um amplo panorama sobre milhares e milhares de seres humanos que viram a sua terra retalhada numa quadrícula de guetos inviáveis, sem terras férteis, sem água, sem liberdade de movimentos. Mas não se preocupe: os moradores destes 600 novos fogos não vão ter ocasião de se misturar com tal ralé!
Para poder aproveitar o que é um verdadeiro paraíso na Terra Prometida, só tem de cumprir duas pequenas condições: ser judeu e estar-se nas tintas para todas as resoluções da ONU e para as promessas antes feitas ao amigo americano.
Stand de vendas aberto no local. Para mais informações, fale com o empreiteiro, Ariel Sharon.

Publicado por Luis Rainha às 05:32 PM | Comentários (6)

ESTE BLOGUE DEVIA SER À PROVA DE ÁGUA

Estava eu a começar um post quando aconteceu a terrível tempestade num copo de água: algumas gotas vertidas bastaram para deixar KO um teclado quase insubstituível. Três horas de secador e chave-de-fendas em punho de nada adiantaram. O que vale é que o pessoal mais incauto foi de férias e deixou alguns teclados à minha mercê...

Publicado por Luis Rainha às 04:28 PM | Comentários (7)

APOLOGIA DE SÓCRATES (2)

Eu sei que isto vai parecer um capricho de idealista sentimental, mas preferia mil vezes este líder da oposição:

socrates.bmp

(descalço e silogístico)

a este futuro primeiro-ministro:

socrates2.bmp

(engravatado e moderno)

Quanto a vocês, caros comentadores de direita, venha de lá a cicuta.

Adenda: há Sócrates que nasceram para citar e Sócrates que nasceram para serem citados.

Publicado por José Mário Silva às 03:27 PM | Comentários (4)

APOLOGIA DE SÓCRATES

Desta vez estou totalmente de acordo com o Celso Martins, e subscrevo o que ele escreveu da primeira à última linha. Está certo que muita esquerda (mesmo o Bloco) anda órfã do Ferro, mas Sócrates sempre se comportou com dignidade e nunca se lhe opôs nem teve quebras públicas de solidariedade enquanto este era líder, ao contrário de outros dirigentes (e candidatos). E depois... esta tentativa de colar o Sócrates ao Santana é simplesmente obscena, apesar do apoio que vai tendo na nossa comunicação social de direita.
Uma excelente análise do que se passa no PS é a de Vasco Pulido Valente (no DN de sábado). É evidente que Manuel Alegre desempenha um papel importante para marcar uma posição interna (mas não mais do que isso, infelizmente) de uma tendência que se quer bem forte e influente.
(E eis que surge a segunda aplicação da Filosofia do secundário - permitiu-me dar o título a este texto.)

Publicado por Filipe Moura às 10:14 AM | Comentários (11)

PÉRSECUTION TRIVIALE

Joguei este fim de semana, pela primeira vez, Trivial Pursuit com amigos franceses. A minha experiência anterior de jogar este jogo em língua (e cultura) estrangeira não era muito agradável: joguei este jogo nos EUA e era ínfima a quantidade de perguntas a que conseguia responder (em Portugal não é assim). As questões do jogo variam muito com o mercado em que este é vendido e com as respectivas culturas.
Aqui a França, o jogo incide, claro (e naturalmente), principalmente sobre questões de cultura francesa. Nem me saí muito mal (ganhámos), embora houvesse franceses na minha equipa. Nas questões em que eu poderia ajudar mais (comparado com o resto da equipa), as de ciência, nem contribuí muito: eram todas de... taxonomia.
Ainda assim, numa das questões que deveria poder ajudar fui um pouco traído: o nosso interlocutor, em vez de perguntar por qual estado era senadora Hillary Clinton (o meu estado, a minha senadora enquanto estava nos EUA) falou em qualquer coisa chamada "Ilérrrrrrrrie Clantôn". Felizmente a minha ajuda não foi necessária: assim que a pergunta foi formulada, e antes que eu pedisse para a ler e ver o nome da pobre sra. Clinton, imediatamente os meus colegas respondiam "Ilérrrrrrrrie Clantôn? New Yorrrrk, cerrrrrtainement."
O mal que a televisão dobrada faz a estas gentes... O que vale é que esta gente entende-se (entre eles). Não podem, assim, é esperar que o resto do mundo os entenda.
(Acrescente-se que aquilo a que em Portugal se chama "queijinho" em França chama-se - surpresa! - camembert.)
A minha única contribuição indispensável foi a identificar uma obra de Descartes: era a mais conhecida para os estudantes portugueses, o Discurso do Método. Creio que foi a primeira vez que os dois anos de Filosofia que tive no ensino secundário serviram para alguma coisa.

Publicado por Filipe Moura às 10:12 AM | Comentários (7)

OS MASSACRES, JÁ SE SABE, NUNCA SÃO TELEGÉNICOS


Cam Cardow, «The Ottawa Citizen»

Publicado por José Mário Silva às 09:54 AM | Comentários (4)

agosto 02, 2004

10,8 CENTÍMETROS

Eu vi: os braços, as pernas (cruzadas), o cérebro, a coluna com as vértebras todas, o cordão umbilical, o estômago, o coração (a bater muito depressa, como o de um passarinho assustado), o rosto de perfil, a forma humana em miniatura, os movimentos do pequeno corpo, o saco amniótico como um Cosmos só dele. Muito obrigado, General Electric.

Publicado por José Mário Silva às 10:56 PM | Comentários (10)

O LIBERALISMO, ESSE GERADOR DE JUSTIÇA.

Depois de anos a ouvir as mesmas litanias às virtudes do Liberalismo económico . que gera desenvolvimento, igualdade de oportunidades e fraternidade entre os homens - sabe bem ver quem de direito reconhecer que, afinal, nem tudo são rosas no lindo mundo do capitalismo em roda livre: .For the first time, member governments have agreed to abolish all forms of agricultural export subsidies by a date certain. They have agreed to substantial reductions in trade distorting domestic support in agriculture..
Que os estados mais ricos subsidiam ferozmente a sua agricultura, dando-lhe vantagens competitivas tremendas face ao Sul descapitalizado, já todos sabíamos. Que agora parece haver algum desejo de tal emendar é a esperança que fica depois destas notícias.

Publicado por Luis Rainha às 06:26 PM | Comentários (36)

CAMINHOSPRÁQUI!

Há uns anos, gastei largos meses a divertir-me com a co-autoria de um programa da SIC, de seu (mau) nome .Filhos da Nação.. Uma das pequenas provocações que eu e o Nuno congeminámos passava por inventar uma candidatura à câmara municipal de Arganil, às cavalitas do então moribundo PSN.
Um cromo da equipa do programa, natural do concelho, foi escolhido como nosso candidato a presidente. Seguiu-se uma animada campanha, com direito a .Bebício. (mistura de beberete com comício), um grande slogan (.Um Copo, um Voto!.) e uns dias de gozo generalizado e reprovável com o sistema democrático.
O proto-autarca que criámos revelou-se então uma verdadeira fera política. Guiado por um instinto infalível, descobriu em poucas horas o grande anseio das populações rurais do concelho: a abertura de mais caminhos por entre a mata - .Caminhos pr'aqui!., no pitoresco dizer da vox populi local. A partir daqui, estava criada a nossa plataforma eleitoral; sempre que questionado por votantes ou jornalistas armados em espertos, ele tinha na ponta da língua a resposta universal para qualquer pergunta: .Caminhospráqui!.. Este mantra meio místico funcionava e tudo, acalmando, como todas as fórmulas incompreensíveis mas decididas, a curiosidade mais pertinaz.
Lembrei-me deste episódio vergonhoso da minha mocidade a propósito de um coruscante artigo do Eng.º Sócrates, dado hoje à luz no .Público.. A coisa intitula-se .Um Plano Tecnológico para Uma Alternativa. e surge como uma tentativa aflita de emendar a mão, depois da ridícula, desastrada e desastrosa entrevista do penúltimo .Expresso.. Ao deprimente retrato de um chefe sem currículo, cultura ou ideias, apenas preocupado com a conquista do próximo grama de poder, quer agora contrapor-se a imagem do estadista com grandes e luminosas visões do nosso futuro. Mas este pobre sapo está mesmo condenado a nunca chegar a boi, por mais que inche.
.É um processo de mobilização colectiva para a concretização de uma concreta agenda de progresso, voltada para o futuro e inspirada por uma visão de médio prazo.. Este gongórico mission statement não vos parece decalcado das alucinações deste brilhante gestor?

No texto, palavras derivadas da mágica .tecnologia. surgem 17 vezes, à laia de reza para exorcizar os demónios do vácuo ideológico e político. Seguindo o exemplo do meu candidato de aviário: onde antes havia .Caminhos., surge agora o mais modernaço .Progresso Tecnológico. como vago redentor de todos os nossos pecados seculares.
Pior ainda: a coisa, lida com atenção, nada revela para lá das pias intenções já declaradas por vários governos: Internet para toda a gente, doses cavalares de Matemática nas moleirinhas dos nossos infantes, muita .sinergia., .qualificação., .inovação. e, claro está, .qualidade. a rodos.
Mas a frase mais sinistra surge no derradeiro capítulo: .Um Plano Tecnológico: eis a proposta de uma esquerda moderna para uma alternativa política..
Pois. Se é a isto que se resume a alternativa que a Esquerda tem para apresentar ao País, preparem-se para 20 anos de consulado santanista.

PS: se querem mesmo saber, a nossa lista em Arganil angariou algumas centenas de votos, ficando até à frente da CDU...

Publicado por Luis Rainha às 04:56 PM | Comentários (3)

A PROPÓSITO DESTE DESENHO DE QUINO

No verão de 2001 fui passar um mês ao Colorado, a uma escola de física teórica que se realiza anualmente. Em cada ano é suposto os alunos desenharem (ou conceberem) a camiseta da escola, cujo tema varia (ligeiramente mas não muito) de ano para ano. A minha amiga gaúcha Mariana propôs este mesmo desenho de Quino para a camiseta, com umas ligeiras alterações: em vez de "Leis da Física Geral", Deus ria-se de um livro cujo título era qualquer coisa como "String Theory" (na verdade era "Strings, Branes and Extra Dimensions", o título da escola desse ano). Os dois directores da escola não acharam muita graça, mas respeitaram a decisão (democrática) dos alunos. A camiseta foi feita e passou a ser por mim usada em ocasiões especiais, como quando vou a conferências da especialidade, quando dou seminários... e na minha defesa de tese. Esta camiseta é o meu trajo académico. Se eu algum dia for um senhor Professor Doutor e receber um daqueles muito exclusivos convites que requerem "trajo académico", é essa camiseta que eu tenho que levar vestida. Foi com ela vestida que o doutoramento me foi concedido. Tenho provas fotográficas.
De resto não seria a primeira vez. Quando era membro do Conselho Pedagógico do Instituto Superior Técnico, recebi um convite desses, nesses termos, para uma cerimónia de aniversário da escola, com a presença de Jorge Sampaio. Não tendo trajo académico - era um aluno de licenciatura - compareci, de camiseta.

Publicado por Filipe Moura às 09:36 AM | Comentários (3)

O MEU FAVORITO

Por razões pessoais, o meu cartoon preferido de Quino é este, do álbum Condições Humanas. Não é o melhor (embora seja óptimo). Mas faz-me rir. Pode ser que os físicos estejam enganados e a física esteja errada, como é implícito neste desenho. Mas sou teimoso: si non e vero, e bene trovato.

Publicado por Filipe Moura às 09:33 AM | Comentários (5)

agosto 01, 2004

O CARRO DELE ATÉ É VERMELHO E TUDO

De há uns tempos a esta parte, por razões que fui deixando subentendidas neste blogue, deixei de ver Fórmula 1, um dos desportos que mais me apaixonaram nos anos da infância e da adolescência. A verdade é que da modalidade entusiasmante que me prendia ao televisor, nas tardes de domingo, pouco sobra. A definição de corrida de F1 passou a ser esta: uma sequência de voltas a um circuito asfaltado, em que o vencedor está encontrado à partida e se chama Michael Schumacher. Não ponho em causa o talento do alemão enquanto piloto (sou até capaz de reconhecer que ele é efectivamente o mais rápido da actualidade), mas não há naquele corpo longilíneo um grama sequer da dignidade e da têmpera próprias de um grande campeão, como Fangio ou Alain Prost.
Mas não é apenas a brutal eficácia de Schumi que me encanita os nervos. É a sua apregoada invencibilidade. Há uns dias, li que o campeão da Ferrari não teve um único problema mecânico nos últimos 50 Grandes Prémios. Só isto já é bizarro, para mais numa escuderia que sempre foi conhecida pelos seus problemas de fiabilidade. Mas a questão torna-se ainda mais estranha quando descubro, ao ler algumas crónicas das últimas corridas, que os problemas a que Schumacher vem escapando se abatem, em peso, sobre os seus principais rivais. A ele nada acontece, mas a Button, a Alonso, a Raikonen, a Montoya, mesmo quando parecem capazes de lutar de igual para igual com o alemão, há sempre uma peça qualquer que dá de si e compromete a luta.
Tendo em conta tudo isto, arrisco uma hipótese ficcional, uma conjectura maluca. Um destes dias, Michael Schumacher, conhecido por não ter escrúpulos de espécie alguma, deve ter feito um pacto com o Diabo. Não vejo outra explicação. Uma coisa do tipo: «Toma lá a minha alma, dá cá o domínio absoluto da F1». O Diabo, em crise existencial, aceitou o negócio. Mas somos nós, os melancólicos amantes deste desporto, quem agora vive no Inferno.

Publicado por José Mário Silva às 06:22 PM | Comentários (0)

FIXEM ESTE NOME

Barack Obama. Foi a principal estrela da Convenção Democrata. E pode muito bem vir a ser o primeiro presidente negro dos EUA.

PS- Vale a pena espreitar o respectivo blogue, aqui.

Publicado por José Mário Silva às 05:29 PM | Comentários (0)

AGENTE TRIPLO

Sublime Rohmer.

Publicado por José Mário Silva às 12:00 PM | Comentários (8)