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maio 31, 2004

APRESENTO-VOS O MELHOR AUTOMÓVEL DE SEMPRE

Não é consensual, eu sei, mas é a minha opinião. E creio que estes senhores concordam comigo.

Publicado por José Mário Silva às 06:57 PM | Comentários (16)

FRASE INFELIZ DA SEMANA

«Esta vitória é um bom aperitivo para o Euro'2004 e até é boa para a retoma.» (Jorge Sampaio, a propósito do triunfo do FCP na final da Liga dos Campeões)

Publicado por José Mário Silva às 06:42 PM | Comentários (9)

LIVRA!RIA

Respostas de uma vendedora da Bertrand a um cliente em busca do romance "Andam Faunos pelos Bosques", de Aquilino Ribeiro:
"Aquilino quê?" Pausa. "Andam Falos onde?" Conclusão: "não estou a ver..."

Publicado por Luis Rainha às 05:21 PM | Comentários (12)

MY OWN PRIVATE ROCK IN RIO

Ouvir Jeff Buckley, com discman e headphones, no cacilheiro que liga Belém ao Porto Brandão.

Publicado por José Mário Silva às 02:21 PM | Comentários (5)

E O ZÉ MANEL, NINGUÉM LIGA AO ZÉ MANEL?


Cartoon de Plantu, no «Le Monde»

Pois é, Plantu, só faltou desenhares um portuga a gritar: «Je vais me faire Barroso!» Mas eu compreendo que não foi esquecimento. Estava, digamos assim, implícito.

Publicado por José Mário Silva às 01:47 PM | Comentários (1)

PAULO PORTAS VS VASCO PULIDO VALENTE

Na sexta-feira, numa crónica publicada no DN, Vasco Pulido Valente escreveu: «Paulo Portas passou o prazo de validade: o menino-prodígio não cresceu (ou cresceu mal) e os meninos velhos não têm graça.»
Sábado, num comício em Vila Nova de Gaia, Paulo Portas afirmou, com aquele seu tom de voz que raia a estridência afectada: «[Sousa Franco] não é apenas o pai do défice. É o pai, a mãe, o avô, a avó, o gato e o periquito do défice.»
Como é que diziam os romanos? Quod erat demonstrandum.

Publicado por José Mário Silva às 01:45 PM | Comentários (8)

NÃO HÁ NADA A FAZER, É MESMO ASSIM

Uns (muitos) ouvem Sting. Outros (poucos) lêem Stig.

Publicado por José Mário Silva às 01:40 AM | Comentários (5)

DO CONSOLO

«É impossível saber quando cairá o crepúsculo, impossível enumerar todos os casos em que o consolo se fará necessário. A vida não é um problema que possa resolver-se dividindo a luz pela escuridão ou os dias pelas noites, mas sim uma viagem imprevisível entre lugares que não existem.»

Stig Dagerman, A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer (Fenda, 1995)

Publicado por José Mário Silva às 01:29 AM | Comentários (0)

SIMPLES COMO BOM DIA (PARA O FILIPE)

Bleu I, Joan Miró, 1961

Bleu II, Joan Miró, 1961

Bleu III, Joan Miró, 1961

Publicado por José Mário Silva às 01:06 AM | Comentários (2)

SIMPLE COMME BONJOUR

A exposição no Pompidou era "Joan Miró 1917-1934: La Naissance du Monde". No fim da mesma, um texto da autoria de Georges Hugnet sobre a obra do pintor catalão:

"Cette oeuvre est la plus pure, la plus élevée que je connaisse. Elle ouvre sous nos oeillères le vide, un vide où se déplie la germination d'un poème perpétuel, écrit avec les initiales d'un alphabet stellaire. Dénuée d'images, de métaphores, d'emphase, cette peinture déblaie une plaine sans horizon où Miró parfois ne trace qu'un trait, sans accessoire, un trait comme une pensée, une maxime. C'est simple comme bonjour."

Quando passava em frente ao tríptico "Les Bleus", um casal americano comentava: "This is wonderful! It is like if we were inside water!"
Eu não percebi nada.

Publicado por Filipe Moura às 12:41 AM | Comentários (2)

PROTESTO ÚTIL

O local é o Centro Georges Pompidou, em Paris. Mais precisamente, um compartimento de uma casa de banho. Por cima de uma sanita, está afixado um autocolante da Loute Ouvrière, de Arlette Laguiller, uma das forças partidárias que fez com que, há dois anos, Lionel Jospin não passasse à segunda volta das eleições presidenciais. O tal autocolante dizia "Pour protester utile, il faut protester fort! Votons LO/LCR". Fica aqui o registo, sem mais comentários.

Publicado por Filipe Moura às 12:37 AM | Comentários (4)

maio 30, 2004

JÁ AGORA, POR QUE NÃO 8640 MINUTOS DE SILÊNCIO?

Atendendo à qualidade no mínimo duvidosa da programação musical prevista para a Quinta da Bela Vista, os três minutos de silêncio no Rock in Rio - durante os quais se agitaram os patrocinados lencinhos brancos, a pensar na paz do mundo (so they say) - deviam ter durado um pouco mais. Tipo seis dias.

Publicado por José Mário Silva às 11:54 PM | Comentários (2)

QUEM TEM MEDO DO PADEIRO?

No "Público" de hoje, Luciano Alvarez alarma-se com as flagrantes parecenças que lobriga entre o rolo da massa empunhado por este padeiro e "a moca de Rio Maior. Um pau maciço, com uma ponta mais larga cravejada de pregos". O bonacheirão trabalhador da indústria panificadora que aqui figura não é menos sinistro: é que "alguma da malta que, em 1975, se passeava pelas ruas com a já referida moca também sorria"...
Que conclusão tira o jornalista deste cartaz? "A política, a forma de fazer política do BE, é a da mocada e da traulitada (espera-se que só verbal)". "É a imagem de quem acha que a política se faz à cacetada (deseja-se que apenas com o verbo), que vive de sound-bytes".
Não estou numa posição muito isenta; mas isto parece-me uma mistificação deliberada. O jornalista faz de conta que não percebe que o sorridente padeiro surge ali simbolizando um possivel destinatário da mensagem, não como personificação do Bloco. E simula ignorar que este "bater forte" se situa obviamente apenas na arena da contestação política - até repete a sua angustiada esperança de que a violência se limite ao "verbo".
A agressividade ameaçadora que levou LA a intitular a sua peça "Política à Mocada" existe mesmo; mas apenas nos olhos vesgos de quem por força quer ver as coisas à sua maneira.

Publicado por Luis Rainha às 09:13 PM | Comentários (10)

OLHÓ LENCINHO (2)

Errata: os lenços que os promotores do Rock in Rio andam a distribuir para os pacóvios agitarem "em nome da Paz", "por um mundo melhor", ou lá o que é, afinal não são brancos. Têm uma mão-cheia de logotipos de marcas patrocinadoras.
Se calhar, os 3 minutos de silêncio também não foram exactamente silenciosos: um jingle da Sagres cai sempre bem num momento "solene"...

Publicado por Luis Rainha às 08:18 PM | Comentários (2)

À BOUT DE SOUFFLE

Fotograma a fotograma, avançamos. Como no filme.

Publicado por José Mário Silva às 02:48 PM | Comentários (0)

O DIA DO FOGO (2)

Também a 30 de Maio, como a Joana d' Arc e o Jerónimo de Praga, fui consumido pelas labaredas. Labaredas, sim, labaredas. Mas de um outro fogo. Esse mesmo: o que arde sem se ver.

Publicado por José Mário Silva às 02:45 PM | Comentários (0)

O DIA DO FOGO

O dia 30 de Maio testemunhou a morte de Joana d'Arc (1431) e de Jerónimo de Praga (1416); ambos pelo fogo, o suplício dos hereges. (Li algures por aí que o Santo Ofício teria estabelecido o seu peculiar "negócio" em Portugal a 30 de Maio de 1536; mas, na realidade, a bula papal respectiva data de 23.) O bispo Eusébio, que referi num post há um mês exacto, não morreu carbonizado mas sim depois de alguém lhe ter atirado com uma telha. De qualquer maneira, a coincidência é engraçada: também morreu neste dia...

Publicado por Luis Rainha às 02:20 AM | Comentários (4)

maio 29, 2004

COSMÉTICA PARA A ALMA?

Olho para o meu filho de meses enquanto se esvaem pela sala os acordes espectrais desta canção de David Sylvian. O bebé sorri, animado sabe-se lá por que esboços de pensamentos felizes. Sem aviso, entra-me na alma uma consonância inexplicável, um fluxo oculto de sentidos que nem sequer compreendo bem, entre este sorriso luminoso, a música que ouvimos e a simplicidade sem subterfúgios das palavras:
"There.s a fire in the forest
ít.s taking down some trees
when things are overwhelming,
I let them be"

Por uns segundos, o universo ameaça fazer sentido. Mesmo este tardio raio de Sol, que a custo fura a mortalha de nuvens para cair sobre nós, parece um desenlace natural, mais uma benigna promessa de ordem e felicidade.
Mas será que algo de notável poderia ser destacado nestas horas de mais um sábado mortiço e mansamente desesperado, sem a cosmética da música?

Ouvimos música. E usamos o talento alheio para acrescentar uma camada de significado às nossas vidas. Escolhemos um trecho musical com que sublinhar, nem que seja apenas nas pautas movediças da memória, aquele momento especial, aquele instante que, de súbito e por razão nenhuma, nos parece tão singular, irrepetível, digno de nota.
E se tenho tirado o CD que estava mesmo ao lado deste, escolhendo antes a sonata para violino e piano, de Debussy? Ter-me-ia lembrado talvez da "querida Chouchou" do compositor: a filha que sobreviveu um escasso ano ao seu pai. E estaria agora por certo a matutar em como até o sorriso de um bebé pode ser apenas mais um sinal da alma transitória e precária deste mundo.

Publicado por Luis Rainha às 09:07 PM | Comentários (3)

MORREU O DICIONÁRIO? VIVA O DICIONÁRIO!

Desaparece hoje oficialmente um dos melhores blogues portugueses de sempre: o Dicionário do Diabo, do meu amigo Pedro Mexia. Durante quase um ano, o Pedro falou sobre tudo e mais alguma coisa, mas sobretudo sobre ele mesmo (ou sobre esse «Pedro Mexia» que é só uma ponta do iceberg), em posts de uma perfeição formal raras vezes igualada na nossa pródiga blogosfera. A morte do «Dicionário» já fora anunciada, mas o Pedro antecipa-a, porque uma parte significativa dos textos ali publicados vêem agora a luz do dia em livro, intitulado «Fora do Mundo», uma edição da Cotovia que vai ser hoje lançada na Feira do Livro, às 19h30, no Auditório 2, com apresentação de Abel Barros Baptista e Pedro Lomba (anotem nas agendas, sff).
A vida é mesmo assim. Feita de ciclos, etapas, fins e recomeços. Depois da Coluna Infame e do Dicionário, outros projectos aparecerão, na internet ou fora dela, em que o Pedro voltará a demonstrar o grande escritor que é. Por enquanto, vamos tendo o livro (para matar saudades do seu sarcasmo e auto-ironia), as crónicas e as críticas nos jornais, os volumes de poesia e também, embora com uma periodicidade mais esparsa, as colaborações no blogue Fora do Mundo.
Adeus, Pedro. Até já.

Publicado por José Mário Silva às 12:22 PM | Comentários (18)

maio 28, 2004

BAD DAY AT THE OFFICE

Onde está SPAM, podem ler também: «vírus-informáticos-que-fazem-do-computador-uma-imitação-do-inferno-e-tornam-miserável-o-teu-dia-de-trabalho».

Publicado por José Mário Silva às 09:00 PM | Comentários (0)

VERSOS QUE NOS SALVAM

Noutro dia menos tumultuoso, voltarei a falar com detença sobre o n.º 2 da revista «Telhados de Vidro» . assim mo permitam os deuses da informática. Por agora, limito-me a partilhar um dos vários poemas que Rui Pires Cabral publica neste discreto objecto poético de capa preta.


THE HEART OF ENGLAND

Eu queria o movimento, a inútil beleza
de tudo. Terraços sobre ruas estrangeiras,
solos de trompete.
In the evening when
the day is through. Não era o amor, era
uma alegria mais complicada: nesse ano

eu regressei três vezes ao coração de Inglaterra

e entre os velhos monumentos do condado,
a que a distinção da morte dava um delicado lustro,
não era certo que encontrasse o que procurava.
Mas às vezes pressentia o pouco que valiam
as palavras e tudo o que não fosse estar ali
naquele momento, iludido e sustentado
pela luz de uma canção em terras estranhas.

Publicado por José Mário Silva às 08:55 PM | Comentários (3)

OLHÓ LENCINHO!


O Rock in Rio, além de pôr a miudagem nacional a ouvir o Rui Veloso (arrgh!), quer lutar "por um mundo melhor". Assim, andam a distribuir lenços brancos para que o pessoal possa participar nuns tais "3 minutos de silêncio" pela Paz.
A receita já tem barbas mas nunca falha: promete-se dar umas coroas a umas caridades e pronto. Fica tudo com a ideia de estar a participar numa meritória acção de solidariedade sabe-se lá com quem. O pessoal gasta 50 euros, vai lá, agita os lencitos e sai convencido de ter feito qualquer coisa importante. E fez: os organizadores ficam mais ricos e as caridades vampirizadas pela promoção até pode ser que recebam umas migalhas - "2% a 5% da receita proveniente da bilheteira".
Por alguma razão, países civilizados como o Reino Unido têm leis para dificultar esta promiscuidade entre o lucro e a caridade.

Publicado por Luis Rainha às 05:26 PM | Comentários (8)

DESENRASCANÇO

Leiam aqui. Deixem comentários.

Publicado por Filipe Moura às 02:49 PM | Comentários (5)

O INFERNO ARDEU

O incêndio desta segunda-feira, que devorou uma considerável parte da colecção Saatchi, surge como uma notícia terrível para a Arte inglesa contemporânea. Entre muitas obras seminais da "Britart", uma das vítimas confirmadas é o impressionante "Hell", dos irmãos Chapman. Este "diorama" em nove partes foi encomendado por Charles Saatchi em 1998, por cerca de meio milhão de libras. Demorou dois anos a criar, com as suas cenas quase insuportáveis de morte e mutilação articuladas numa visão que só não é "Boschiana" porque permanece perturbadoramente próxima do nosso mundo. Agora, "Hell" só pode ser admirado assim.

Publicado por Luis Rainha às 02:00 PM | Comentários (6)

O ESTRANHO MUNDO DO VIDENTE LARANJA

Ontem, o porta-voz oficioso do governo deu folga aos seus ímpetos visionários de anunciador de retomas invisíveis aos demais. Luís Delgado, na coluna que o DN lhe entrega sem ter o cuidado de acrescentar a conveniente menção "Pub.", profetizou incontáveis e iminentes desgraças para a oposição.
Este Nostradamus de aluguer diz-nos que o PS, o PCP e o BE andam muito nervosos e irritadiços. Tal estado de espírito, a roçar a neurose colectiva, deve-se a algo muito simples: "como é que o PS e o PCP, e até o BE, vão explicar aos seus eleitorados, no dia 13 de Junho, que afinal os portugueses não castigaram o Governo?". Isto, claro está, "se tudo correr conforme as sondagens"; é que mesmo os profetas mais inspirados gostam de apresentar bases para as suas previsões.
Ao ler isto, eu até pensei qualquer coisa como "bem, o caramelo continua agarrado ao tacho da Lusa; é capaz de ter tido acesso a sondagens ainda não publicadas..."
Qual quê. Hoje mesmo, a realidade faz-nos o favor de remeter as alucinações de Delgado para o limbo das fantasias esperançosas mas obtusas: "o PS recupera este mês a sua vantagem sobre o PSD nas intenções de voto do Barómetro de Maio da Marktest para o DN e a TSF. As surpresas do mês, porém, são protagonizadas pelo CDS e Bloco de Esquerda. Os democratas-cristãos de Paulo Portas, parceiros dos sociais-democratas na coligação governamental, registam o seu pior resultado de sempre neste Barómetro (1,5%) e são agora a quinta força política. Os bloquistas conseguiram ultrapassar o PCP, e estão em terceiro lugar, acima dos 8%."
Mas será que este fervoroso acólito do governo não acerta uma? Ao pé de tal figurinha, até a irmã Lúcia faz figura de visionária emérita...

Publicado por Luis Rainha às 12:29 PM | Comentários (7)

ESTAMOS MESMO ENTREGUES À BICHARADA

Confirma-se: a trafulhice das "requisições" à banca é ainda maior e mais imoral do que pensávamos. Vital Moreira chama a este procedimento "Ilegal, inconveniente e insustentável"; o "Público" explica que, para o Governo, é apenas business as usual.

Publicado por Luis Rainha às 11:18 AM | Comentários (0)

FOTOS PRECISAM-SE

Recebi o seguinte email da associação Cap Magellan, que aproveito para divulgar pelos nossos leitores (especialmente os parisienses):

Le FC Porto a remporté mercredi 26 mai 2004 la deuxième Ligue des champions de son histoire en mettant fin au rêve de l'AS Monaco, 3-0 en finale à l'Arena AufSchalke de Gelsenkirchen.

Toute la Communauté Portugaise de France a fêté cet événement avec joie et bonne humeur. Le point de rencontre fut les Champs Elysées à PAris, une foule de plus de 6000 personnes s'est en effet rassemblée pour commémorer cette victoire, en espérant que se soit le signe avant-coureur d'une victoire de la Sélection nationale portugaise à l'Euro'2004.

Alors si vous étiez sur les Champs mercredi soir, nous vous lan?ons un défi : envoyez nous vos photos à Cap Magellan 17 rue de Turbigo 75002 Paris, ou par mail à webmaster@capmagellan.org et nous les mettrons en ligne pour que tous puissent voir ces moments de joie qui permettent de réunir toute une communauté. La meilleur photo recevra un prix.

Contribuirei de boa vontade, mas é nestas alturas que eu tenho pena de ter a máquina digital manhosa que eu tenho, comprada na loja nova-iorquina que referi noutra altura. Gostaria de ter uma que tivesse um zoom e comportasse mais memória.
Mesmo assim, gosto muito da minha máquina, pois está associada para mim a muitos momentos felizes. Por exemplo, logo no mesmo dia em que foi comprada serviu para tirar fotografias à comemoração, em Newark, da histórica vitória sportinguista de Maio de 2000, e ao fim de 18 anos de jejum de campeonatos. Esta máquina parece estar destinada a fotografar comemorações de vitórias de futebol. Mas não só.

Publicado por Filipe Moura às 01:07 AM | Comentários (8)

O Linho de uma Águeda

"Investigação ao "Saco Azul" da Câmara de Águeda Lança Suspeitas Sobre Financiamento do PSD"

as cotas pagam-se à Câmara, ou as câmaras pagam aos cotas?

Publicado por tchernignobyl às 12:28 AM | Comentários (2)

A deriva nos limbos

De T-shirt azul celeste e as correspondentes calças de fato de treino azul escuro debruadas por uma lista branca dupla lateral e calçado com uns ténis brancos parcialmente recobertos por um material cinzento de brilho metalizado, berrava estertoricamente, curvado sobre o telemóvel que uma mão nodosa segurava com a firmeza da fúria como se estivesse sob o efeito de uma violenta cólica provocada pela muita dor ou pelo excesso de alegria :
"ESTOU-EM-LISBOA!" ,
"ESTOU-EM-LISBOAAA!",
"AGORA-NÃO-POSSOOO!!"
"ADEUUUUS!!!"

Publicado por tchernignobyl às 12:07 AM | Comentários (0)

maio 27, 2004

MAIS UMA PEQUENA DIABRURA


No seu editorial de hoje, José Manuel Fernandes ataca o Relatório de 2003 da Amnistia Internacional. Fá-lo, como todos vós já por certo adivinharam, por achar que a AI se passou para o campo dos antiamericanos primários. Daí a intitular a croniqueta "Um Relatório Político", foi um saltito.
O libelo acusatório é portentoso: "o que se pode dizer de uma organização que ontem declarou que a situação de direitos humanos no mundo em 2003 foi a pior dos últimos 50 anos?"
Deve dizer-se o que Maomé não disse do toucinho, claro está: "nos últimos 50 anos, ocorreram genocídios como o do Ruanda; durante décadas, houve União Soviética e o .goulag.; na China, dezenas de milhões de pessoas morreram em operações como as do .Grande Salto em Frente. ou na .Revolução Cultural.; na América Latina (...) Face a este breve recordatório, como pode a Amnistia considerar que em 2003 .governos e grupos armados colocaram os direitos humanos e a lei humanitária internacional sob a maior pressão dos últimos 50 anos.? Há apenas uma explicação: aquela organização - que durante a guerra fria era das poucas que mantinha independência em relação aos dois blocos - passou a preocupar-se demasiado com fazer política."
Ao que parece, é irrelevante que a expressão relativa aos tais "50 anos" nem faça parte do relatório, surgindo sim no filme de promoção do mesmo e no press release de lançamento, com a formulação "Amnesty International believes that the past twelve months have seen the most sustained attack on human rights in the past fifty years." Como é bom de ver, "most sustained" significará "mais sustentado" ou "mais persistente"; nunca "maior". E muito menos se encontra por ali a ideia de que a situação "foi a pior dos últimos 50 anos".

Na conferência de imprensa de apresentação deste relatório, uma jornalista teve o cuidado de esclarecer a questão:
"QUESTION (Jane Woodall, Associated Press): You mentioned in your statement that the actions of governments and armed groups are contributing to the greatest sustained attack on human rights in 50 years. Is there any exaggeration there? What about Pol Pot and the Gulag for example?
IRENE KHAN:I think what we are seeing is the spread of the abuse. Yes, there were terrible abuses in the past -- Rwanda, Cambodia, the Balkans, we can continue naming them -- but what we are now seeing is a pervasive culture of abuse that has spread like a cancerous growth, and that is what is so dangerous today, unlike the past.
"
Se eu encontrei sem dificuldade esta clara transcrição, porque a ignorou JMF? Porque lhe dá muito mais jeito tomar a árvore pela floresta e assim poder denunciar absurdos óbvios onde existe apenas uma frase promocional algo impensada.
Esta alergia à AI surge, como não podia deixar de ser, porque "toda a ênfase vai para as acções dos Estados Unidos, que são avaliadas com base na visão política própria da actual direcção da organização". A heresia, para JMF, é a introdução de opiniões no relatório; como se não fosse uma questão de opiniões distinguir entre um esquadrão da morte e um ordeiro pelotão policial, por mero exemplo. "Assim, será desvalorizado por todos os que suspeitem que o relato dos factos foi influenciado pelas opiniões da introdução", termina o texto de JMF.

A "opinião" que tanto irritou JM é assim apresentada: "A agenda de segurança global promovida pela Administração dos EUA está desprovida de visão e de princípios. Ao violar direitos a nível nacional, ignorando os abusos a nível internacional e recorrendo à força militar em ataques preventivos quando e onde lhe apraz, a Administração dos EUA tem vindo a lesar a justiça e a liberdade e tornou o mundo um local mais perigoso."
Compare-se com o original: "The global security agenda promulgated by the US Administration is bankrupt of vision and bereft of principle. Sacrificing human rights in the name of security at home, turning a blind eye to abuses abroad, and using pre-emptive military force where and when it chooses have neither increased security nor ensured liberty." A história do mundo se ter tornado, graças aos EUA, "um local mais perigoso" não faz parte do contexto. Da mesma forma, o que lá está é "não aumentaram a segurança nem garantiram a liberdade"; longe da tradução martelada "tem vindo a lesar a justiça e a liberdade". Se isto não é uma trafulhice, o que lhe poderemos chamar?
Reveladora, mas ignorada por JMF, é a continuação do excerto citado: "Look at the growing insurgency in Iraq, the increasing anarchy in Afghanistan, the unending spiral of violence in the Middle East, the spate of suicide bombings in crowded cities around the world. Think of the continued repression of the Uighurs in China and the Islamists in Egypt. Imagine the scale and scope of the impunity that has marked gross violations of human rights and humanitarian law in the .forgotten. conflicts in Chechnya, Colombia, the Democratic Republic of the Congo and Nepal . forgotten, that is, by all except those who daily suffer their worst effects."
Irrelevante também é que, na citada conferência de imprensa, a secretária geral da organização, Irene Khan, tenha deixado claro que "We condemned the cruel, callous and criminal attacks of armed groups, whether FARC, or Hamas, or al qa'ida or any other, in the strongest possible terms we deemed them, or at least some of them, as crimes against humanity and asked for those who committed them to be brought to justice."

São assim mencionados vários países e grupos. Mas trata-se sempre de opiniões. Que só se tornam num pecado, para o director do "Público", quando ousam beliscar a intocável honra dos Estados Unidos.

Publicado por Luis Rainha às 06:51 PM | Comentários (7)

SE HÁ COISA QUE EU NÃO CONSIGO ENTENDER, É ISTO

Todos os meses continuam a morrer, em média, cinco mulheres vítimas de violência doméstica.

Publicado por José Mário Silva às 05:58 PM | Comentários (5)

EM ESCUTA

«Canções Subterrâneas», do projecto A Naifa. Cá por mim, gosto muito. Mas sou um bocadinho suspeito (conferir faixa 6).

PS- OK, não vale a pena estar para aqui com segredos. A letra da tal canção n.º 6, «Perigo de Explosão», foi escrita por este vosso escriba (há muitos anos). É um poema em fragmentos, desigual, onde às tantas se diz qualquer coisa como isto:

O terrorista apaixonado
carregava, às escondidas,
uma bomba-relógio.
Era no peito.
Era o coração.

Se não tomo cuidado, um dia destes ainda me batem à porta (esfalfados por causa dos 108 degraus) uns senhores de gabardina cinzenta e crachá do FBI, a sugerir com voz melíflua que têm umas perguntinhas para me fazer...

Publicado por José Mário Silva às 05:56 PM | Comentários (9)

JÁ AGORA, NÃO SE ESQUEÇAM

Começa daqui a menos de uma hora, no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, o «É a Cultura, Estúpido!». Façam o favor de comparecer. A gerência agradece.

Publicado por José Mário Silva às 05:45 PM | Comentários (1)

DEBATE

Hoje à noite, pelas 22 horas, na livraria Eterno Retorno (Rua de São Boaventura, 42, ao Bairro Alto), decorrerá uma conversa/tertúlia com o filósofo espanhol José Antonio Marina, a propósito do livro «Ditame sobre Deus», acabadinho de lançar pela Fim de Século. «Para uma Religião Ética» será o mote do encontro, moderado por Nuno Nabais.

Publicado por José Mário Silva às 05:42 PM | Comentários (0)

IDIOTAS

Imperador . Mas o imperador acabou de vencer o seu inimigo.

Mendigo . Matou-o, não o venceu. O idiota matou outro idiota.

Não sei porquê, mas ao ler este fragmento de uma peça de Brecht («Lux in tenebris») ocorreu-me a imagem de um certo presidente que nem sequer consegue pronunciar, ó céus, o nome da prisão onde os seus soldados encenaram a barbárie. E, talvez por isso, a mandou demolir.

Publicado por José Mário Silva às 05:24 PM | Comentários (3)

150 EUROS

Suponho que para os deputados que foram ver a final da Liga dos Campeões no estádio, em Gelsenkirchen, faltando a uma sessão parlamentar, deva ter valido a pena pagar o preço (algo carote) de tão cobiçado bilhete.

Publicado por José Mário Silva às 05:20 PM | Comentários (1)

O GÉNIO TORTURADO?


A forma como José Mourinho se alheou da alegria dos seus jogadores, vagueando contrafeito pelas comemorações como um fantasma autista, foi o momento dadá da noite de glória do FCP.
Aquele ar ensimesmado e profundo, de quem está muito acima das vãs glórias deste mundo de ilusões, só me fez lembrar os putos meio neuróticos que passavam as festas de liceu num canto, com cara de enterro; sempre à espera que lhes fossem perguntar o que os afligia, como se o mundo lhes devesse por decreto um tributo de atenção que só a duras penas eles conseguiriam receber. Digo isto porque nem quero acreditar que tenha sido um teatrinho para dar a Pinto da Costa uma pequena amostra da birra homérica que aí virá se não o deixarem ir para o Chelsea...

Publicado por Luis Rainha às 01:48 PM | Comentários (10)

DIZ O ROTO AO NU: MAL-EDUCADO ÉS TU!

Na sua sempre imprescindível coluna no DN, Santana Lopes vem insurgir-se contra a falta de educação que vê invadir o Parlamento.
É verdade que a coisa não tem estado especialmente bonita. Irresponsáveis, chantagistas, cobardes, caluniadores, arrogantes e desonestos... foi assim que se descreveram mutuamente os três estarolas de serviço na comédia parlamentar de ontem: Barroso, Louçã e Carvalhas. Tudo isto desencadeado pela estúpida ideia de transferir responsabilidades sobre uma eventual desgraça no Euro para cima das alquebradas costas do velho PCP.
Santana Lopes, com a presciência que até o seu chefe um dia lhe reconheceu, ao declará-lo "um misto de Gabriel Alves e Zandinga", claro que se indigna apenas com o facto de "em órgãos de soberania, o líder de um partido chamar cobarde ao primeiro-ministro". De seguida, pergunta o homem, já angustiado: "aonde é que isto chegou?"
Solução? "É preciso um pacto, é mesmo preciso um pacto, um pacto para a decência na vida política portuguesa, um pacto para a dignidade!"
Concordo. Talvez esse pacto impeça que um presidente da câmara de Lisboa diga a um vereador que "tem mais que fazer", quando lhe é pedido que mande investigar o papel de funcionários autárquicos na parola manifestação de apoio ao buraco das Amoreiras...
E talvez o convénio saído da cabecinha coberta de gel do Dr. Lopes tivesse a utilidade suprema de colocar uma mordaça de bom-senso nesse híbrido de mestre-escola malvada e sargento da GNR que é a ministra Ferreira Leite. Esta senhora, com a humildade e educação a que já nos habituou, resolveu, no mesmo Parlamento onde se ofendeu a apurada sensibilidade do Dr. Lopes, atacar o deputado do PS Eduardo Cabrita, chamando-o "ignorante" e garantindo que ele "não merece o ordenado que recebe" e "não sabe do que está a falar". Em termos de boçalidade, não está nada mal, convenha-se...
Mas, como não poderia deixar de ser, o verdadeiro assunto da coluna de Santana Lopes é Santana Lopes. Lá para o fim do relambório, ele trata de apontar os holofotes para o local do costume, o seu umbigo: "das ideologias várias, algumas faliram e, como não há grandes debates ideológicos, passou-se a tentar atacar a honra das pessoas e impedir as obras. É que os debates que poderiam ser interessantes ouvir, hoje em dia, são apenas queixas-crime ou providências cautelares. Inacreditável! Isto não pode continuar assim."
Claro que é inacreditável que se queira impedir - à força de providências cautelares - as obras de um estadista e ideólogo de tal gabarito. O mundo é mesmo injusto.

Publicado por Luis Rainha às 01:14 PM | Comentários (9)

O ARCO VOLTOU A SER DO TRIUNFO

Não se nota bem, mas está lá ao fundo.

Publicado por Filipe Moura às 02:50 AM | Comentários (4)

ESTE ANO FOI ASSIM

Campos Elíseos, Paris. Entre outras coisas gritava-se "Marseille, Lyon, Monaco" para os (sorridentes) franceses ouvirem.

PS: Eu não presenciei nada disso, pois vim no último metro, mas parece que a polícia francesa não estava assim tão sorridente a partir de determinada hora, como nos contam nas caixas de comentários dos textos "O Arco Voltou a ser do Triunfo" e "Fotos Precisam-se". Os "sorridentes" a que me refiro eram os que viajavam connosco no metro da ida e assistiam à algazarra.

Publicado por Filipe Moura às 02:47 AM | Comentários (0)

NO ANO PASSADO FOI ASSIM

Ferry St. (Portugal Avenue), Newark, New Jersey

Publicado por Filipe Moura às 02:40 AM | Comentários (0)

O TIMES RETRACTOU-SE

O The New York Times reconheceu, em editorial, ter publicado informações duvidosas sobre a existência de armas de destruição em massa no Iraque e a colaboração de Saddam Hussein com a organização terrorista Al-Qaeda.
Aguarda-se igual tomada de posição (pelo menos, devido aos seus editoriais) por parte das direcções dos principais jornais portugueses "de referência".
O editorial do Times está em anexo.

The Times and Iraq

Over the last year this newspaper has shone the bright light of hindsight on decisions that led the United States into Iraq. We have examined the failings of American and allied intelligence, especially on the issue of Iraq's weapons and possible Iraqi connections to international terrorists. We have studied the allegations of official gullibility and hype. It is past time we turned the same light on ourselves.

In doing so . reviewing hundreds of articles written during the prelude to war and into the early stages of the occupation . we found an enormous amount of journalism that we are proud of. In most cases, what we reported was an accurate reflection of the state of our knowledge at the time, much of it painstakingly extracted from intelligence agencies that were themselves dependent on sketchy information. And where those articles included incomplete information or pointed in a wrong direction, they were later overtaken by more and stronger information. That is how news coverage normally unfolds.

But we have found a number of instances of coverage that was not as rigorous as it should have been. In some cases, information that was controversial then, and seems questionable now, was insufficiently qualified or allowed to stand unchallenged. Looking back, we wish we had been more aggressive in re-examining the claims as new evidence emerged . or failed to emerge.

The problematic articles varied in authorship and subject matter, but many shared a common feature. They depended at least in part on information from a circle of Iraqi informants, defectors and exiles bent on "regime change" in Iraq, people whose credibility has come under increasing public debate in recent weeks. (The most prominent of the anti-Saddam campaigners, Ahmad Chalabi, has been named as an occasional source in Times articles since at least 1991, and has introduced reporters to other exiles. He became a favorite of hard-liners within the Bush administration and a paid broker of information from Iraqi exiles, until his payments were cut off last week.) Complicating matters for journalists, the accounts of these exiles were often eagerly confirmed by United States officials convinced of the need to intervene in Iraq. Administration officials now acknowledge that they sometimes fell for misinformation from these exile sources. So did many news organizations . in particular, this one.

Some critics of our coverage during that time have focused blame on individual reporters. Our examination, however, indicates that the problem was more complicated. Editors at several levels who should have been challenging reporters and pressing for more skepticism were perhaps too intent on rushing scoops into the paper. Accounts of Iraqi defectors were not always weighed against their strong desire to have Saddam Hussein ousted. Articles based on dire claims about Iraq tended to get prominent display, while follow-up articles that called the original ones into question were sometimes buried. In some cases, there was no follow-up at all.

On Oct. 26 and Nov. 8, 2001, for example, Page 1 articles cited Iraqi defectors who described a secret Iraqi camp where Islamic terrorists were trained and biological weapons produced. These accounts have never been independently verified.

On Dec. 20, 2001, another front-page article began, "An Iraqi defector who described himself as a civil engineer said he personally worked on renovations of secret facilities for biological, chemical and nuclear weapons in underground wells, private villas and under the Saddam Hussein Hospital in Baghdad as recently as a year ago." Knight Ridder Newspapers reported last week that American officials took that defector . his name is Adnan Ihsan Saeed al-Haideri . to Iraq earlier this year to point out the sites where he claimed to have worked, and that the officials failed to find evidence of their use for weapons programs. It is still possible that chemical or biological weapons will be unearthed in Iraq, but in this case it looks as if we, along with the administration, were taken in. And until now we have not reported that to our readers.

On Sept. 8, 2002, the lead article of the paper was headlined "U.S. Says Hussein Intensified Quest for A-Bomb Parts." That report concerned the aluminum tubes that the administration advertised insistently as components for the manufacture of nuclear weapons fuel. The claim came not from defectors but from the best American intelligence sources available at the time. Still, it should have been presented more cautiously. There were hints that the usefulness of the tubes in making nuclear fuel was not a sure thing, but the hints were buried deep, 1,700 words into a 3,600-word article. Administration officials were allowed to hold forth at length on why this evidence of Iraq's nuclear intentions demanded that Saddam Hussein be dislodged from power: "The first sign of a `smoking gun,' they argue, may be a mushroom cloud."

Five days later, The Times reporters learned that the tubes were in fact a subject of debate among intelligence agencies. The misgivings appeared deep in an article on Page A13, under a headline that gave no inkling that we were revising our earlier view ("White House Lists Iraq Steps to Build Banned Weapons"). The Times gave voice to skeptics of the tubes on Jan. 9, when the key piece of evidence was challenged by the International Atomic Energy Agency. That challenge was reported on Page A10; it might well have belonged on Page A1.

On April 21, 2003, as American weapons-hunters followed American troops into Iraq, another front-page article declared, "Illicit Arms Kept Till Eve of War, an Iraqi Scientist Is Said to Assert." It began this way: "A scientist who claims to have worked in Iraq's chemical weapons program for more than a decade has told an American military team that Iraq destroyed chemical weapons and biological warfare equipment only days before the war began, members of the team said."

The informant also claimed that Iraq had sent unconventional weapons to Syria and had been cooperating with Al Qaeda . two claims that were then, and remain, highly controversial. But the tone of the article suggested that this Iraqi "scientist" . who in a later article described himself as an official of military intelligence . had provided the justification the Americans had been seeking for the invasion.

The Times never followed up on the veracity of this source or the attempts to verify his claims.

A sample of the coverage, including the articles mentioned here, is online at nytimes.com/critique. Readers will also find there a detailed discussion written for The New York Review of Books last month by Michael Gordon, military affairs correspondent of The Times, about the aluminum tubes report. Responding to the review's critique of Iraq coverage, his statement could serve as a primer on the complexities of such intelligence reporting.

We consider the story of Iraq's weapons, and of the pattern of misinformation, to be unfinished business. And we fully intend to continue aggressive reporting aimed at setting the record straight.

Publicado por Filipe Moura às 02:25 AM | Comentários (10)

maio 26, 2004

É A CULTURA, ESTÚPIDO!

Amanhã, pelas 18h30, decorrerá no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, ao Chiado, a penúltima edição do encontro «É a Cultura, Estúpido!». Além dos participantes do costume (moderadora: Anabela Mota Ribeiro; críticos literários: Pedro Mexia e moi même; crítico de cinema: João Miguel Tavares; crítico musical: Nuno Costa Santos; comentadores-políticos-em-frente-a-frente-"vale-tudo-menos-arrancar-olhos": Daniel Oliveira e Pedro Lomba; mestre de stand up comedy: Ricardo de Araújo Pereira), estará presente, para ser entrevistado pela Anabela, o escritor José Eduardo Agualusa, que lançou recentemente o romance «O Vendedor de Passados» (Dom Quixote).
Apareçam.

Publicado por José Mário Silva às 09:58 PM | Comentários (4)

CINCO BREVES NOTAS SOBRE A FINAL DE GELSENKIRCHEN

1) A vitória do FCP é indiscutível. Ninguém ganha uma final por 3-0 sem mérito. Ainda assim, os portistas não estiveram ao nível que demonstraram durante a época. Merecem o título mais pelo que fizeram contra o Manchester United, ou o Deportivo da Corunha, do que pelo que fizeram esta noite.

2) As finais europeias costumam ser jogos chatos, demasiado tácticos e sem golos. Esta teve golos e emoção, mas foi muito mal jogada. Nos piores momentos, chegou a parecer uma partida da SuperLiga portuguesa. E isso diz tudo.

3) Como sempre, o FCP teve muita sorte (dois dos golos nascem de ressaltos e o melhor de todos, a pequena maravilha de Deco, surgiu completamente contra a corrente do jogo). Inversamente, o Mónaco teve bastante azar. Mas já se sabe que o azar e a sorte fazem parte do jogo. São, aliás, o que torna o jogo interessante.

4) O Mónaco foi um digníssimo vencido. Jogou o melhor futebol que se viu esta noite, dominou durante largos períodos, merecia ter marcado pelo menos um golo. Faltou-lhe a eficácia (nenhum dos remates foi à baliza). Ou seja, faltou-lhe a única coisa que não podia faltar.

5) Desta vez, não houve a magia de Madjer, mas houve o pragmatismo de Deco, a calma glacial de Alenitchev. Foi menos eufórica, a vitória? Foi menos épica? Talvez. Mas também menos sofrida, menos arrancada a ferros. Factos são factos: o FCP actual é melhor do que o FCP de 1987 e José Mourinho é (muito) melhor do que Artur Jorge.

Publicado por José Mário Silva às 09:54 PM | Comentários (15)

17 ANOS DEPOIS, O FCP VOLTA A SER CAMPEÃO EUROPEU


FCP-3; Mónaco-0.

Parabéns FCP!

Publicado por José Mário Silva às 09:38 PM | Comentários (4)

POSE DE ESTÁDIO

Não sei se reparam, mas quando o FCP marcou o golo, quem saltou logo da cadeira, comemorando efusivamente o remate de Carlos Alberto, foi o sportinguista Durão Barroso, enquanto Pinto da Costa, tranquilo, nem se mexia. Deve ser a isto que se chama pose de Estado.

Publicado por José Mário Silva às 08:39 PM | Comentários (10)

MEIO CAMINHO ANDADO

Intervalo. O FCP vence o Mónaco por 1-0, mas não convence. O golo nasceu de um ressalto e a equipa parece uma caricatura de si mesma: falha passes, erra tacticamente, não tem "fio de jogo". Do lado do Porto, ninguém brilha: nem Deco, nem Maniche, nem Derlei (só, às vezes, Paulo Ferreira). Pior ainda, há um jogador que está a ser um verdadeiro desastre e que já tem um cartão amarelo: Nuno Valente.
O Mónaco revelou-se mais sólido e consistente, aproveita bem o contra-ataque mas falta-lhe garra, inspiração, um golpe de asa. O "cérebro" da equipa (Giuly) saiu lesionado, Morientes está a meio gás e só Ibarra, o melhor jogador em campo até agora, consegue desequilíbrios.
Se o jogo continuar assim, é muito provável que o FCP ganhe. Mas convinha que jogasse aquilo que sabe (mas hoje ainda não mostrou) para que a vitória não pareça uma dádiva dos deuses da sorte.

Publicado por José Mário Silva às 08:37 PM | Comentários (3)

E AGORA: GELSENKIRCHEN

Falta um minuto. Vejam lá o que é que fazem, rapazes.

Publicado por José Mário Silva às 07:44 PM | Comentários (0)

PEQUENAS TEORIAS PARA FACTOS QUOTIDIANOS

Já se sabe: quando estamos a olhar, a água não ferve. Mas basta uma distracção . o segundo em que viramos as costas, o momento em que procuramos um pano da loiça na gaveta . para que a dita se ponha a borbulhar como se não houvesse amanhã.
Qual a verdadeira origem deste fenómeno? Podem esquecer a Física e as suas equações. A água não ferve quando olhamos para ela porque tem vergonha, porque é pudica. Se a pressionam, fica constrangida. Se a tentam "aquecer", revela o seu embaraço. E só não cora, enfim, porque é incolor.
Como uma donzela do século XVIII, a água teme acima de tudo ser vista no instante derradeiro, na agonia do último abandono: aquele em que a sua natureza líquida cede, sem retorno, à força demoníaca do ponto de ebulição.

Publicado por José Mário Silva às 07:38 PM | Comentários (5)

SÓ MESMO O PACHECO PEREIRA É QUE NÃO DESCONFIAVA


Afinal, os atropelos aos direitos humanos em prisões americanas situadas no Iraque e no Afeganistão já vêm de longe. Mesmo a general responsável pela prisão de Abu Ghraib não esconde que o relatório da Cruz Vermelha que denunciava maus-tratos vários ali praticados já era do conhecimento da estrutura de comando dos EUA muito antes da revelação das famigeradas fotografias.

Publicado por Luis Rainha às 04:47 PM | Comentários (5)

DESABAFO ANTIDEMOCRÁTICO

Estou muito, muito cansado de tanta campanha eleitoral. E nem um cartaz colei.

Publicado por Luis Rainha às 03:34 PM | Comentários (2)

UM DIA NA VIDA DO PRESIDENTE BUSH


Cartoon de Sandy Huffaker

Gosto particularmente do post-it deixado por Dick Cheney, da «limpeza» biológica no rancho e do jantar com os «trusted allies». E olhem que isto não deve andar muito longe da verdade, se descontarmos aquelas improváveis 17 milhas de bicicleta...

Publicado por José Mário Silva às 01:23 PM | Comentários (1)

DESABAFO ANTIFUTEBOLÍSTICO

Hoje, vou ter cuidado com as emoções. Não quero correr o risco de dar por mim a torcer pelo FCP.
Apoiar um clube dirigido pelo Sr. Pinto da Costa parece-me equivalente a fazer campanha pela Fátima Felgueiras, votar num partido comandado pelo Paulo Portas ou fazer figas para que o serial killer consiga mesmo fugir à polícia.

Publicado por Luis Rainha às 10:46 AM | Comentários (17)

HOJE APETECIA-ME ANDAR DE VESPA JUNTO AO OCEANO (SEM RUMO, AS MÃOS LIVRES)

Ou então circular através de Roma, pelas avenidas, a ver fachadas. Como o outro.

Publicado por José Mário Silva às 10:41 AM | Comentários (10)

UMA GRANDE VERDADE

«Os elogios são o maior inimigo do escritor» (Agustina Bessa-Luís, em entrevista ao JN)

Publicado por José Mário Silva às 10:38 AM | Comentários (4)

NEM SEMPRE A BRINCAR, SR. LOUÇÃ

Aqui em França, o assunto principal em discussão, até aos atentados de Madrid, era mesmo as reivindicações dos investigadores dos laboratórios do Estado. O Le Monde dava-lhes honra de primeira página, no domingo, 7 de Março. Na terça feira seguinte, os directores destes laboratórios acabariam por se demitir em bloco.
Na discussão sobre a ciência em Portugal, vale a pena pensar nisto. Seria possível a ciência portuguesa tornar-se alguma vez a principal preocupação da opinião pública? É difícil quando um debate parlamentar sobre ciência é agendado para o dia da final da mais importante competição europeia de clubes (e não defendo com isto, de forma nenhuma, que .a culpa seja do futebol., apesar de dizer mal do futebol ser moda agora entre certa esquerda). E é difícil também quando um dirigente político como Francisco Louçã (pelo menos a acreditar no jornalista do DN) não considera a ciência um .tema principal..
Logo Louçã, que até escreve artigos listados nas bases de dados dos físicos teóricos e onde aplica métodos de física estatística à economia e a estudos de mercado (ver aqui e aqui)! Nunca mais digam que Francisco Louçã não acredita no mercado livre!

Publicado por Filipe Moura às 02:40 AM | Comentários (6)

NEM SEMPRE A BRINCAR, SR. RAINHA

A questão colocada pelo Luís (escrita num computador e colocada na rede, para todo o mundo ler, graças à .culpada. ciência) é também colocada por mim. Alguns leitores, e o próprio Zé Mário, perguntam por que razão não falo mais eu de ciência. Bem, ciência é o que eu faço no dia a dia, pelo que não é para falar de ciência que eu escrevo no blogue. Posso (e gosto) de falar de política científica e, sobretudo, da relação da ciência com a sociedade, mas quando paro de fazer ciência não gosto de falar do que faço. Isso não me divertiria nada (e nem creio que divertisse os leitores). Talvez pudesse escrever textos para leigos (é um desafio), mas acreditem que dar-me-ia um trabalho muito maior do que descrever o que faço em termos científicos. E eu, quando não trabalho, gosto de coisas que me divirtam: uns livros, uns discos, e vir aqui para o blogue chatear quem me apetecer.
Mesmo no que diz respeito à ciência em geral, há pessoas com certeza muito mais interessadas do que eu, muitas delas muito menos especializadas. Pacheco Pereira, aqui há uns meses, escreveu uns textos de divulgação científica muito bons.
A atitude que descrevo é comum nos físicos teóricos, mais, creio, do que noutros cientistas. Há razões para isso. Talvez volte a este assunto um dia.

Publicado por Filipe Moura às 02:36 AM | Comentários (2)

NEM SEMPRE A BRINCAR, SR. FEYNMAN

I have a friend who's an artist, and he sometimes takes a view which I don't agree with. He'll hold up a flower and say, "Look how beautiful it is," and I'll agree. But then he'll say, "I, as an artist, can see how beautiful a flower is. But you, as a scientist, take it all apart and it becomes dull." I think he's kind of nutty.

First of all, the beauty that he sees is available to other people -- and to me, too, I believe. Although I might not be quite as refined aesthetically as he is, I can appreciate the beauty of a flower. But at the same time, I see much more in the flower than he sees. I can imagine the cells inside, which also have a beauty. There's beauty not just at the dimension of one centimeter; there's also beauty at a smaller dimension.
There are complicated actions of the cells, and other processes. The fact that the colors in the flower have evolved in order to attract insects to pollinate it is interesting; that means insects can see colors. That adds a question: does this aesthetic sense we have also exist in lower forms of life? There are all kinds of interesting questions that come from a knowledge of science, which only adds to the excitement and mystery and awe of a flower. It only adds. I don't understand how it subtracts.

Este texto é da autoria de Richard Feynman, extraordinário cientista e personalidade muitíssimo interessante. Provavelmente o físico teórico mais importante da segunda metade do séc. XX. A sua atitude pragmática e por vezes antifilosófica perante a ciência seguramente influenciou-me (por ter lido os seus livros) e aos físicos teóricos em geral. Alan Sokal é, neste e noutros aspectos, seguramente um discípulo de Feynman.
As biografias de Feynman (.retratos de um físico enquanto homem.) encontram-se publicadas em Portugal pela Gradiva, com os títulos .Está a Brincar, Sr. Feynman!. e .Nem Sempre a Brincar, Sr. Feynman!.. Esta última obra tem um apêndice, .O Valor da Ciência., que se adequa à questão levantada pelo Luís. Ele que o leia, que eu não o tenho aqui.
O texto acima é também extraído de .Nem Sempre a Brincar...., neste caso da versão original, em inglês, com o título .What Do You Care What Other People Think?.. E nunca, antes deste título, a atitude de um físico teórico (para o mal e para o bem) tinha sido tão bem resumida.

Publicado por Filipe Moura às 02:24 AM | Comentários (8)

AINDA A QUESTÃO DO MÉDIO ORIENTE

O comentário do tchernignobyl de resposta à leitora Ana Albergaria sintetiza bem a posição sobre o conflito israelo-palestino que é, também, a minha. Nomeadamente, quando se refere o facto crucial de todo este processo que é o de Israel ser inequivocamente a potência colonizadora e ocupante. Para mim, comparada com esta questão, todas as outras são secundárias. Conforme já aqui afirmei, mas pode não ter ficado bem claro, Israel tem todo o direito de se defender do terrorismo; não pode é dar motivos para que ele aconteça. Ora, ocupar terras e destruir casas de um povo que não tem nenhum exército que o defenda é provocar o terrorismo. Não me importa se há em Israel um governo democraticamente eleito; tal não dá legitimidade nenhuma a esse governo para as acções que tem tomado, pelo que tal questão é aqui totalmente irrelevante. Por isso Israel tem de desocupar os colonatos imediata e incondicionalmente. Só depois desta desocupação Israel poderá queixar-se dos terroristas e defender-se com toda a legitimidade. Embora eu não seja optimista ao ponto de crer que esta desocupação bastasse para acabar com o terrorismo, estou certo de que melhoraria e muito a situação de ambos os povos. Um acordo de paz que incluisse tal retirada já foi possível no passado, com o mesmo líder da OLP e com outros dirigentes israelitas. E os extremistas que assassinaram o primeiro-ministro israelita que assinou tal acordo foram... judeus, e não muçulmanos!
A minha posição sobre este conflito é, portanto: qualquer iniciativa de paz só pode provir de Israel, que tem a faca e o queijo na mão. Infelizmente, Israel já demonstrou várias vezes, com este e com outros governos, não estar interessado em tomar esta iniciativa, devido ao forte apoio internacional (e ao incondicional apoio norte-americano) que tem tido. As grandes manifestações pela paz da semana passada, que já aqui referi, fazem-me ter esperança de que talvez a situação mude, mas infelizmente Ariel Sharon venceu confortavelmente as duas últimas eleições, tendo inclusivé governado em coligação com o Partido Trabalhista no primeiro mandato.

Publicado por Filipe Moura às 02:18 AM | Comentários (1)

maio 25, 2004

ESSA MARAVILHOSA CIÊNCIA QUE NOS DESFAZ (3)


3- Mas, interroga-se o optimista, apesar de tudo ainda há factores que nos distinguem dos nossos parceiros de Criação menos favorecidos, não há? Afinal, o Homem é o único animal que... deixa lá ver... que tem sentimentos religiosos, que por vezes se sabe próximo da Transcendência!
Para o Doutor Michael Persinger, isso até pode não ser verdade.
Este cientista canadiano anda há anos a recriar artificialmente a experiência do êxtase religioso. Com um aparelho que não passa de um capacete de motociclista com vários electroímans, ele cria nos seus voluntários a impressão de não estarem sós, de que há uma presença em torno deles. Muitos não têm pejo em descrever a sensação como "religiosa". Assim, com a estimulação magnética dos lobos temporais dos nossos pobres cérebros, lá se começam a esclarecer milénios de mistérios, de buscas, de angústias: Deus pode não passar de um padrão de radiações a que somos especialmente sensíveis.

O Desejo. O Amor. Deus. Depois de nos tirarem tudo isto, o que restará? Não muito mais do que os "quatro baldes de água e um saco de sais" a que nos reduziu um poeta cujo nome agora não recordo (mas, se calhar, ele também só escreveu isso sob a influência de uma qualquer tempestade solar)...
Daqui a uns anos, usaremos "perfumes" concebidos para atrair um dado parceiro em particular; levaremos um nebulizador ao nariz sempre que nos quisermos apaixonar "para sempre"; meteremos a cabeça numa espécie de "vibrador da alma" quando nos der para as ânsias metafísicas. Lindo futuro que aí vem. E a culpa é da Ciência.

Publicado por Luis Rainha às 11:57 PM | Comentários (3)

ESSA MARAVILHOSA CIÊNCIA QUE NOS DESFAZ (2)

2- E se a nossa (?) tendência para criar ligações amorosas duradouras não fosse uma dádiva de Deus nem uma prova de que somos muito diferentes de cães e gatos, esses promíscuos? E se até este nobre impulso também dependesse de umas míseras moléculas aos pulos dentro dos nossos cérebros?
É triste mas aparenta ser verdade: andam por aí uns roedores que apresentam comportamentos sociais totalmente diferentes consoante a subespécie a que pertencem. O bicharoco que vive na pradaria é monógamo e protege com ardor a sua companheira e respectivas crias. A outra variedade só quer saber de rapidinhas; e quantos mais parceiros melhor. O património genético destes dois animalejos difere apenas em 1%; o bastante para deixar a variedade romântica sensível a duas endorfinas decisivas: a oxitocina e a vasopressina.
Estes nomes tão prosaicos podem representar a verdadeira face de Cupido. Ao que parece, nem o facto de sermos feitos à imagem de Deus - logo incomparáveis a meros roedores - nos livra desta rasteira dependência química sempre que amamos alguém. E andou o pobre Werther a sofrer por causa disto...

Publicado por Luis Rainha às 06:06 PM | Comentários (3)

CULTURA DO CHÁ

Não me lembro do sabor do que bebi. Mas lembro-me do resto.

Publicado por José Mário Silva às 05:00 PM | Comentários (0)

O PRINCÍPIO DO AMOR

Foi há um ano: aquele primeiro olhar.

Publicado por José Mário Silva às 05:00 PM | Comentários (5)

O FIM DO AMOR

Acabou a origem do amor, blogue de passarada, bloscares e outras pequenas preciosidades. É pena.

Publicado por José Mário Silva às 04:58 PM | Comentários (1)

ESSA MARAVILHOSA CIÊNCIA QUE NOS DESFAZ (1)

Um dia, vou deixar de ler coisas sobre Ciência. Vou encerrar-me no meu pequeno mundo e declará-lo terminado e imutável. E coloco um letreiro na porta: "Cientistas não entram". Assim, resguardo-me de revelações desagradáveis sobre o pouco que nos separa de reles e deterministas bichos de laboratório. Por vezes, saber mais é mesmo o caminho mais curto para a depressão...
Querem alguns pequenos exemplos? Comecemos por aqui:
1- A velha hipótese das feromonas humanas anda a ganhar peso, escondida nos sinistros gabinetes dos inimigos de conceitos inefáveis como o Amor. Ao que parece, somos levados pelo olfacto a escolher parceiros com genes que garantam à nossa descendência um sistema imunitário o mais diversificado possível. Numa reveladora experiência, os cientistas pediram a voluntários masculinos que usassem durante dois dias a mesma T-shirt, dispensando desodorizantes ou sabonetes perfumados. De seguida foi pedido a algumas mulheres que descrevessem os odores das pobres peças de roupa. Aconteceu que as senhoras juízas preferiram as T-shirts de homens em que os tais genes eram mais diferentes dos seus. As outras eram descritas como pertencendo a mulheres ou como tendo um cheiro que lhes fazia lembrar um irmão.
A única possibilidade agradável que eu vislumbro nestas novas regras da atracção é que a divisão universalmente equitativa do sex-appeal, sem distinções relacionadas com beleza, músculos ou liftings, é afinal capaz de ser possível...

Publicado por Luis Rainha às 04:56 PM | Comentários (4)

A MAIS BELA DAS FOLHAS

É de Gingko biloba. Um poema vegetal.

Publicado por José Mário Silva às 04:45 PM | Comentários (5)

DIÁLOGO OUVIDO NO AUTOCARRO

. Está a ver aquele jacarandá que fica numa das esquinas da Rua de São Mamede?
. Sim. Acho que sim.
. É o primeiro de Lisboa.
. O primeiro?
. O primeiro a florir. Antes de todos os outros. Quando vejo as flores a aparecerem, logo de manhãzinha, assim com aquele roxo violento, sei que a primavera chegou mesmo. É um segredo que eu cá tenho.

Publicado por José Mário Silva às 04:40 PM | Comentários (7)

PONTO NEGRO DA BLOGOSFERA

Há para aí um blogue humorístico genial que nos enche o correio electrónico com levas de posts surrealistas. É este. Leiam, por favor. E divirtam-se. Desde a chegada do Gato Fedorento que não ria tanto.

PS- Os autores desta pérola, lá do alto do seu indiscutível talento, chegam ao ponto de fazer crer que os posts são reais (e não paródias). É um golpe de mestre, concedo, mas a mim não me enganam. Ninguém consegue ter tanta graça involuntariamente.

Publicado por José Mário Silva às 04:32 PM | Comentários (5)

MAIS VALE PREVENIR...

Relativamente a estas acusações disparatadas e extemporâneas do Barroso a questão que se põe é:
Será que o Durão dispõe de antemão de informações classificadas sobre a possibilidade de "eventuais" falhas de segurança que o levem a sacudir desde já a água do capote e a ter preparados os convenientes bodes expiatórios que o precavejam de ser apanhado de calças na mão como o Aznar?

Publicado por tchernignobyl às 03:18 PM | Comentários (7)

TIRO NO PÉ

No ataque estapafúrdio que fez ao PCP durante o Congresso de Oliveira de Azeméis (já aqui abordado com ironia pelos nossos itálicos), Durão Barroso meteu mesmo o pé na argola . talvez uma das antigas, do tempo da APU. Pois se até o José Manuel Fernandes torce o nariz ao disparate, concluindo o seu editorial de hoje com um enérgico puxão de orelhas («Há registos que não são próprios de um chefe de Governo»), podem já fazer uma pequena ideia da magnitude do erro político do primeiro-ministro.

Publicado por José Mário Silva às 02:56 PM | Comentários (8)

PROPAGANDA GRATUITA

Esta de o Durão responsabilizar (já aqui) o PCP por eventuais falhas de segurança que possa haver durante o Euro deve estar a preocupar seriamente os estrategas do PS e do BE.
Quer dizer: se ao menos tivesse sito toda a esquerda, tudo bem. Mas só o PCP?
É que como as coisas andam, com a credibilidade que têm os nossos queridos governantes e os seus companheiros de partido, os ataques do Durão dão votos. Se o Durão não gosta de alguém, esse alguém só pode ser boa gente.
Só esta deve ter feito subir o PCP nas sondagens alguns 2%... Eu, se fosse ao pessoal do PS e do BE, pedia contrapartidas por esta concorrência desleal. Assim não há direito!
(Jorge Candeias)

Publicado por José Mário Silva às 02:43 PM | Comentários (2)

NA MASSA DO SANGUE

Na The Spectator de 15 de Maio de 2004, Emma Williams, em .Trapped behind the wall., dá-nos mais algumas achegas acerca das verdadeiras motivações anti-semitas que ensombram a perspectiva que temos do conflito israelo-palestiniano.
Escreve a Emma:
.No dia seguinte segui numa visita guiada por autocarro com dois israelitas e um grupo de padres norte-americanos. Vimos então o muro na sua vastidão, os oito metros de altura e em comprimento estendendo-se sem se alcançarem os seus limites, dividindo em duas partes o subúrbio palestiniano de Jerusalém; um lado da rua permamentemente divorciado do outro."
«Eu pensava que o muro servia para separar os israelitas dos palestinianos», disse o padre ao meu lado, surpreendido.
O nosso guia israelita explicou a natureza política do muro, apontando através do vale para dois colonatos novos.
«Não se trata de segurança», explicou, «trata-se da apropriação por Israel de terra palestiniana, incluindo a totalidade de Jerusalém
».
«Mas como é que as familias daquele lado vão a um hospital, como se abastecem de alimentos, combustíveis? Como fazem para ver os seus parentes? Isto é», disse o padre, «uma obscenidade».
Um israelita que ia também no passeio disse:
«Vocês não compreendem o terror, a não ser que vivam aqui. Os palestinianos querem matar-nos. São terroristas, é tão simples quanto isto».
«O quê? Todos os três milhões de palestinianos?», disse o padre.
O israelita ficou ofendido. «Como eu disse, vocês não compreendem. Nada parará o terror porque ESTÁ NA NATUREZA DELES, mas a esquerda israelita recusa-se a admiti-lo. Se fosse eu a mandar não haveriam passagens no muro»...

Os admiradores mais ou menos constrangidos do Sharon vão responder que este é mais um dos famosos "casos isolados" de racistas (pró-semitas?) compreensíveis "por causa do medo", ao contrário do anti-semitismo generalizado que descortinam nos críticos de Israel.
Isso explicará também porventura a utilização do argumento "vocês não compreendem", notoriamente igual ao dos defensores do terrorismo suicida palestiniano.
Neste caso, porém, ai de quem sugira alguma causa como o desespero, a humilhação continuada que roça o sadismo através de décadas, a total ausência de segurança e a cleptocracia institucionalizada, ai de quem sugira alguma causa "social" ou "política" minimamente objectiva. Será fulminado como "cúmplice".
Neste caso, já se lembram dos valores humanos absolutos e invioláveis cujos atropelos se devem a causas que têm meramente a ver com taras culturais, aderência a mórbidas confissões religiosas, ou mesmo deficiências genéticas, quando não pura e simples falta de educação... como se costuma dizer "a culpa é dos pais" e mesmo, para fazer o pleno e juntar tudo no mesmo saco, anacrónicas suspeitas de estalinismo.
Já o major-general Amos Gilad, do bureau político-militar do ministério da defesa israelita, tem também a sua opinião sobre o muro e mostra ser um homem sensato e de paz:
«O que posso dizer é que o muro contribui para salvar vidas de israelitas e de palestinianos. Quando palestinianos matam israelitas, temos de retaliar, eles são mortos. Deste modo estamos a salvar as suas vidas».
Bela preocupação, não é?
Já aprendemos com os "realistas" que a política não tem de ser "moral".
Mas porque teremos de gramar o cinismo dos torcionários?

Nota:

As minhas traduções são feitas por mim, de forma livre, com o propósito de adaptar os excertos dos textos ao formato do blogue, já que uma vez vi aqui uma crítica, salvo erro do Pedro Vieira, acusando de pretenciosismo a transcrição pura e simples de textos noutras línguas para os posts.
Aconselho vivamente a que se registem no site da «The Spectator» e confiram se desvirtuei o sentido. (E leiam o resto do artigo porque tem mais, muito mais...)

Publicado por tchernignobyl às 01:30 PM | Comentários (7)

LAPID, YEDAYA E O RESTO

«Ao ver na TV uma idosa a procurar, de joelhos e nas ruínas da sua casa, os medicamentos, lembrei-me da minha avó que foi expulsa da sua casa durante a Shoah (Holocausto). As demolições de casas em Rafah têm de acabar. É desumano, não é judaico e causa-nos graves danos no mundo. Seremos expulsos da ONU, levados ao Tribunal de Haia e ninguém quererá relacionar-se connosco. Não é simplesmente razoável abrir o jornal e ler sobre planos para a destruição de duas mil a três mil casas para alargar o 'corredor de Filadélfia'. É óbvio que, após as primeiras cem casas, o mundo irá parar-nos.»

Quem proferiu tais declarações, imediatamente classificadas como .a pior propaganda anti-israelita. por Ariel Sharon e Benjamin Netanyahu, foi .mais um anti-semita., não faltará quem o diga. Na verdade foi Tommy Lapid, ministro da Justiça de Israel.
No Festival de Cannes, a cineasta Karen Yedaya, premiada com a Câmara de Ouro pelo seu primeiro filme ("Or"), afirmou: "Sou de Israel, país responsável pela escravidão de três milhões de palestinianos".
Há cerca de dois anos, José Saramago proferiu declarações análogas, que repetiu recentemente. Logo houve ameaças e boicotes aos seus livros em Israel. O inefável António Ribeiro Ferreira, o nosso prémio Nobel dos editoriais, escreveu mais um originalmente intitulado .Ensaio Sobre a Cegueira.. Até o moderado Caio Blinder falou em .cegueira moral. de Saramago.
Dois anos passados, vê-se quem tinha razão. Mas as declarações de Lapid e os mais de cem mil judeus que se manifestaram pela paz na semana passada fazem-me crer que os tempos são de esperança. António Ribeiro Ferreira entretanto já caiu. Bush e Sharon não durarão para sempre.

Publicado por Filipe Moura às 11:58 AM | Comentários (3)

CONSPIRAÇÕES OU NEM POR ISSO?

Por falar em anónimos e não anónimos, sugiro este blogue, para mim tanto faz, devidamente assinado pelo jornalista Frederico Carvalho, autor do livro "Eu sei que você sabe", das edições polvo.
Se o livro é um "must" para os que gostam de teorias da conspiração e em particular aqueles que se interessam pelo mistério da morte de Sá Carneiro, o blogue aborda regularmente assuntos sensíveis da vida política portuguesa numa perspectiva pouco convencional e não alinhada politicamente. Mais interessante ainda, dá pistas para que qualquer pessoa aceda e cruze dados disponíveis na internet mas habitualmente fora do domínio público.
Por muito estranho que possa parecer a quem tenha lido o livro, e a quem frequente o blogue, Frederico de Carvalho continua aparentemente vivo e ainda não foi sequer alvo de processos por parte de nenhuma das muitas personalidades por ele referenciadas.

Publicado por tchernignobyl às 11:14 AM | Comentários (3)

AND NOW FOR SOMETHING COMPLETELY DIFFERENT

No cumprimento de mais um congresso para encher chouriços . vulgo Congresso dos Enchidos . Durão optou por agitar as águas mornas de Azeméis com declarações de antologia. Referiu-se aos Açores como um conjunto de ilhéus sem liberdade de expressão (Zé Manel, já te tinha dito, não foi a essas ilhas que o Zarco e o Teixeira chegaram para fundar a dinastia Jardim. Sempre disse que não prestavas em História e Geografia. Se ainda estimasses o camarada Mao mandava-te já fazer uma auto-crítica).
Para finalizar em beleza o conclave, responsabilizou o PCP por eventuais incidentes de segurança que ocorram durante o Euro. O PCP agradece com certeza o protagonismo oferecido pelo nosso primeiro. Eu por mim já sei a quem pedir contas se me assaltarem a casa ou violarem a caixa do correio. Alguém tem o telemóvel do Carvalhas?
(Pedro Vieira)

Publicado por José Mário Silva às 11:07 AM | Comentários (2)

E ELES SOBEM, SOBEM, SOBEM...

Publicado por José Mário Silva às 11:02 AM | Comentários (5)

maio 24, 2004

TIRO AOS PATOS

O taxista tinha um ar hirsuto.
A cabeleira crespa, o bigode preto e farfalhudo e barba de três dias.
T-shirt de cor indefinida.
Entrei: "Leve-me à alexandre herculano por favor".
Um jipe da GNR atravessou-se à frente passados uns metros.
Boooooooooooooooing, buzinou o taxista.
"Queres ver que vou chegar atrasado ao emprego?", pensei logo, enquanto um gordo que ia na parte traseira do jipe olhava para trás façanhudo.
"O que é que estás a olhar pá? Não vês que eu conheço o motorista?", disse o taxista.
"Você conhece o motorista?", perguntei incrédulo.
"Claro, foi meu colega! Eu era GNR mas os gajos correram comigo!"
"Correram consigo? Mas porquê?!", perguntei já prestes a sensibilizar-me para o drama humano, a injustiça que teriam feito ao homem.
"Dei um tiro num gajo", explicou-me com singeleza.
"Um tiro num gajo? Mas quem era o gajo? Algum criminoso?"
"Não!", respondeu-me quase escandalizado com a minha falta de perspicácia,
"Era um colega meu!"
"Ah! Estava a ver"

Publicado por tchernignobyl às 11:58 PM | Comentários (3)

HIROSHIMA, MON AMOUR

A New Yorker de 3 de Maio traz uma .Carta de Bagdad. de Jon Lee Anderson intitulada «THE UPRISING».
O título da "carta" diz o bastante mas tem várias passagens cheias de interesse de que destaco esta com a douta opinião de um .sheik. colaboracionista iraquiano, Ayad Jamaluddin, muito a propósito sobre as perspectivas de desenvolvimento civilizacional para o Iraque:
"(Ayad)... pôs de lado a ideia de iraquianos a policiarem-se a si próprios nos próximos tempos. Acredita que o Iraque necessita de tratamento de choque e que este será melhor administrado pelos americanos."
"Os iraquianos estão doentes, do que necessitam é de um psiquiatra. Durante trinta e cinco anos Saddam impediu-os de pensarem. Ao povo do Iraque falta algo: falta uma alma, necessita de um ditador . é esse o problema. Os shiitas querem o seu ditador, os sunitas querem o seu. Infelizmente para nós o seu único modelo de leader é Saddam Hussein."
O repórter objectou que uma transformação tão vasta da psyche à escala de um país tem poucos precedentes históricos e deu o exemplo das transformações do pós-guerra na Alemanha e no Japão, só possíveis depois de uma derrota militar esmagadora.
No caso do Japão, só depois de Hiroshima e Nagasaki e da rendição incondicional oferecida via rádio pelo imperador Hirohito.
"Talvez necessitemos então de uma outra Hiroshima no Iraque. Talvez Fallujah seja a nossa Hiroshima. Inshallah."
Os bons exemplos sempre trazem os seus frutos.
Inshallah...

Nota:
As tentativas de tradução são feitas por mim de forma livre com o propósito de adaptar os excertos dos textos ao formato do blogue, já que uma vez vi aqui uma crítica, salvo erro do Pedro Vieira, acusando de pretenciosismo a transcrição pura e simples de textos noutras línguas para os posts.
Aconselho vivamente que vão à New Yorker ler e confiram se desvirtuei o sentido. (E leiam o resto do artigo porque tem mais, muito mais...)

Publicado por tchernignobyl às 07:48 PM | Comentários (0)

POIS; CULPEM O MEXILHÃO


Cartoon de Ted Rall

Publicado por Luis Rainha às 06:09 PM | Comentários (1)

A FAIXA LENTA DA AUTOESTRADA

Estas fotografias incómodas começam a mostrar-lhes que pode dar um bocado mau aspecto levar demasiado a sério a "autoestrada da informação".
O ingénuo pacheco, quando descobriu que a maioria dos blogs portugueses era de direita, achava que era finalmente o fim das manipulações esquerdistas nos meios de comunicação e até embandeirou em arco com uma historinha de um exagero de uma notícia sobre umas declarações do wolfowitz.
Um dia destes aparece aí a teorizar sobre a necessidade de eliminar alguns blogues menos alinhados ou pelo menos a co-responsabilizar-nos também "desde já" por "eventuais falhas de segurança".

Publicado por tchernignobyl às 04:24 PM | Comentários (1)

SOBRE T1

Escreveu o autor, José Maria Vieira Mendes:
«Acreditamos num cenário em teatro quando tomamos um buraco por uma porta, o foco por uma lua, ou uma coluna que lá está por uma floresta. E por isso é possível um mesmo palco, uma mesma área, num dia ser isto e no seguinte aquilo. Quantas vezes não o vi acontecer no espaço d'a Capital, que acompanhei por dentro durante dois anos. Foram estas duas capacidades das paredes no teatro, a proteica e a sugestiva, que serviram de arranque para escrever T1. Quis uma peça que contasse a história de um cenário que começa com uma forma e acaba com outra, mas cuja mudança não fosse dada a ver, antes fosse sugerida. Assim contém o palco o fim já no princípio. Se nos distanciarmos, apercebemo-nos da ilusão, se nos mantivermos fiéis à ficção, acreditamos. As personagens apareceram mais tarde. São quatro, ouvem a música que me ajudou a escrever, música rápida, como a história. Filhas do cenário, cresceram nos apartamentos que vemos, nunca de lá saíram, e apesar disso, parece-me, podiam ser nossos vizinhos.»

Publicado por José Mário Silva às 04:20 PM | Comentários (0)

DUAS ASSOALHADAS, UM PALCO

Chico - (...) Acordei a meio da noite, um susto do caralho, acordei com a impressão de que a parede me ia cair em cima. Achas normal?
Alberto - Também tenho andado com um sono. Acho que estou doente.
Chico - Achas sempre.
Alberto - Passo muito tempo no sofá.
Chico - É porque podes.
Alberto - Pois posso. Isso é que é mau.
Chico - Não é mau.
Alberto - É mau, é. Doem-me os olhos. E as minhas mãos. Já viste as minhas mãos?
Chico - As mãos?
Alberto - Tempo demais a olhar para as mãos. (Mostra as mãos) Estão velhas.

Vasco - (...) Trouxe-lhe isto.
Dá-lhe o saco de plástico com os ossos.
Sara - Para mim?
Vasco - Sim.
Sara - Simpático. E o que é que é?
Vasco não a deixa ver.
Vasco - Depois vê. Coisas de vizinhos. (Pausa.) Está a gostar de aqui estar?
Sara - Até agora...
Vasco - É sossegado.
Sara - É. E vê-se o rio. As paredes são grossas. A sala é grande e tem bastante luz. Não chove cá dentro.
Vasco - Também não chove lá fora.
Sara - Por enquanto.
Vasco - Pois, por enquanto. Bom, se precisar de alguma coisa... Estou sempre em casa.
Sara - Já tinha reparado.
Vasco - Reparou no quê?
Sara - Que não sai de casa.
Vasco - É porque estou à espera. De uma pessoa. Para lhe abrir a porta. Não tem a chave.

Quatro personagens. Três homens e uma mulher. Há o Chico, que tem demasiados futuros; o Vasco, que tem demasiados passados; o Alberto, que está sempre doente e fora das coisas que lhe acontecem; e a Sara, que não sabe o que fazer da vida e da mãe que a massacra à distância, por telefone.
«T1» não é só um apartamento. São quatro. Quatro casas na mesma casa. O palco como espaço comum para as vidas comuns de jovens comuns. Diálogos, amores oblíquos, raivas surdas, becos sem saída. Regressos, labirintos afectivos, um nome escrito na parede, cervejas bebidas no sofá.
E no fim o riso, única arma contra o desespero.

T1
Uma peça teatral de José Maria Vieira Mendes
Encenação: Jorge Silva Melo (assistido por João Meireles e Américo Silva)
Actores: Joana Bárcia, António Simão, Pedro Carraca e Miguel Borges
Uma produção Artistas Unidos
No Teatro Taborda, até 30 de Maio

Publicado por José Mário Silva às 04:15 PM | Comentários (1)

A SOLUÇÃO PERFEITA

Dando provas de rara coragem política, Donald Rumsfeld resolveu atacar de frente o escândalo causado pelas imagens de sevícias a prisioneiros iraquianos: proibiu a entrada de telemóveis com câmara nas prisões do Iraque. E pronto!
Esta medida vem assim juntar-se a outras provas de transparência, como o súbito desaparecimento de 2.000 páginas do relatório sobre Abu Ghraib, escrito pelo general Antonio Taguba. E assim segue a implantação da Democracia no Iraque...

Publicado por Luis Rainha às 03:34 PM | Comentários (4)

MINUTOS DEPOIS, CHEGAVAM AS BOMBAS AMERICANAS



Lembram-se do corajoso ataque que as forças da Coligação Libertadora do Iraque levaram a cabo sobre um covil repleto de perigosos "combatentes estrangeiros"? Na altura, já tinha causado alguma estranheza que os 40 mortos incluíssem 15 crianças e 10 mulheres; mas os guerreiros americanos não tinham dúvidas. Afinal, a quem lembraria andar quilómetros infindos deserto adentro para celebrar um casamento? Quando muito, admitiu o general Mark Kimmitt no sábado, poderia estar lá a decorrer uma festa; mas, afinal, "as pessoas más também fazem festas" - assim mesmo, neste tom debilóide de quem conta histórias a crianças não muito espertas.
Agora, a Associated Press vem tornar público o vídeo do tal casamento que não teria existido. As imagens da festa mostram sobreviventes do ataque, o organista que ali efectivamente morreu e o cantor popular Hussein al-Ali, entretanto enterrado em Bagdade. Isto por entre outros pormenores reveladores, como um camião cisterna que foi também filmado no rescaldo do bombardeamento.
Leiam a história completa, por favor. E meditem um pouco no horror que as bombas americanas trouxeram a esta mãe:
"Hamza was yelling, 'mommy,'" Shihab, recalled. "Ali said he was hurt and that he was bleeding. That's the last time I heard him." Then another shell fell and injured Shihab's left arm.
"Hamza fell from my hand and was gone. Only Yousef stayed in my arms. Ali had been hit and was killed. I couldn't go back".

Afinal, a verdade nem é a primeira vítima de uma guerra. É apenas mais um irrelevante collateral damage.

Publicado por Luis Rainha às 02:17 PM | Comentários (11)

A AMEAÇA VERMELHA (SEGUNDO DURÃO BARROSO)

Publicado por José Mário Silva às 01:28 PM | Comentários (6)

ASSIM SE VÊ A CULPA DO PC

«Durão Barroso responsabiliza PCP por eventuais problemas de segurança no Euro 2004». Segundo uma fonte próxima do primeiro-ministro, a Al-Qaeda também foi contactada para o efeito, mas à última hora mostrou-se indisponível.

Publicado por José Mário Silva às 12:22 PM | Comentários (5)

maio 23, 2004

NOTÍCIA DO DIA

Michael Schumacher não ganhou o Grande Prémio do Mónaco em Fórmula 1.

Publicado por José Mário Silva às 04:42 PM | Comentários (3)

É PRECISO TER LATA (5)

José Lamego brinda-nos semanalmente, no .Expresso., com mais um fruto das suas reflexões sobre o futuro do Iraque. Considerações pontuais e apontamentos do quotidiano à parte, um só postulado emerge como constante na filosofia de Lamego: há que ser pragmático; há que desistir de .procurar razões para justificar ou condenar a invasão militar.. Isto será, ao que parece, .uma ética de responsabilidade, mais do que uma ética de convicção.. Nem o pesadelo de Abu Ghraib consegue entrar na fortaleza impermeável desta .ética..
Semelhantes .convicções. poderiam levar alguém que se confrontasse com os horrores do nazismo, em 1945, a proclamar: .não interessa nada saber se isso dos campos de concentração foi bem ou mal inventado; importa agora é saber o que fazer das cinzas e que destino dar aos sobreviventes..
O pragmatismo também pode ser uma forma eficaz de alijarmos responsabilidades pelas nossas opções.

Publicado por Luis Rainha às 12:53 PM | Comentários (15)

IMUNIDADE

Tendo em conta tudo o que se tem descoberto, nas últimas semanas, acerca do comportamento das tropas da coligação anglo-americana no Iraque (e as suas grosseiras violações da Convenção de Genebra), esta notícia só pode ser lida como uma partida de mau gosto. Ou então como um exercício de cruel ironia.

Publicado por José Mário Silva às 12:25 PM | Comentários (3)

É PRECISO TER LATA (4)

José António Saraiva passou do 80 ao 0,8. Depois de pazadas de editoriais triunfantes e justiceiros, vem agora decretar a derrota da coligação no Iraque. Regressa-lhe .à memória. o Vietname, o Afeganistão, o Xá do Irão; enfim, só desgraças. Esta maré de pessimismo irrompe no refluxo do choque causado pelas sevícias em Abu Ghraib e pela súbita constatação que os soldados americanos são por lá encarados .como selvagens. sem respeito pela .religião e pelos costumes locais..
Nada disto o leva, no entanto, a descrer da justiça que presidiu à invasão: foi um claro caso de resposta ao ataque ao WTC, desculpável porque .não era possível exigir-se-lhes que ficassem de braços cruzados à espera de novo ataque.. Tudo se compreende, porque os EUA estavam determinados a .combater frontalmente o terrorismo..
Fico sem saber se se trata de alienação, falta de tino ou simplesmente de desonestidade. Afinal, os 70% da população americana que ainda acreditam que Saddam foi responsável pelo 11 de Setembro estão na companhia de 100% dos directores de semanários .de referência. em Portugal.

Publicado por Luis Rainha às 12:25 PM | Comentários (4)

A BESTA DE ABU GHRAIB TEM MUITAS VIDAS


Cartoon de Serguei, no «Le Monde»

Depois do primeiro choque, continuam a surgir imagens de abusos, ainda piores e mais aviltantes. A legitimidade da política externa americana vai desaparecendo a cada nova foto, a cada novo vídeo, a cada novo implicado no escândalo. E o pior é que suspeito estarmos só no princípio da saga. Infelizmente, tão depressa não deixaremos de ouvir falar de Abu Ghraib, esse nome cheio de trevas e maldição.

Publicado por José Mário Silva às 12:20 PM | Comentários (4)

É PRECISO TER LATA (3)

O príncipe da acefalia coroada de gel, Santana Lopes, veio "explicar-nos" que o Partido Socialista deveria mudar de nome para .Partido Surrealista.. Mas será que este homem não consegue evitar a bojarda, sobretudo quando se afasta do seu assunto preferido, ele mesmo?
Ao menos, o fulano podia ter aprendido algo com um dos raros momentos lúcidos de Manuel Alegre: quando lhe perguntaram se Portugal era mesmo um .país surrealista., este fez uma pausa de resignação face à ignorância da jornalista e respondeu: .ó menina; isso é que era bom!.

Publicado por Luis Rainha às 12:00 PM | Comentários (2)

LANÇAMENTO

Para os eventuais interessados, fica a informação: hoje à tardinha (18h00), no Auditório 1 da Feira do Livro de Lisboa, é lançada uma nova tradução para português da novela «Pedro Páramo», a obra-prima do escritor mexicano Juan Rulfo, feita por Rui Lagartinho e Sofia Castro Rodrigues (para a Cavalo de Ferro). No encontro, que se pretende informal, eu direi algumas palavras sobre o livro.

Publicado por José Mário Silva às 11:54 AM | Comentários (0)

É PRECISO TER LATA (2)

As variadas figurinhas laranjas que andaram a perorar banalidades pelo respectivo congresso afora lembraram-se de reparar na vetustez dos cromos que o PS escolheu para a sua lista às eleições europeias. Em contraponto, oferecem-nos algumas rutilantes novidades: o veterano golfista Deus Pinheiro como cabeça de lista e um refugo do cavaquismo chamado à pressa para substituir um ministro demitido à má-fila. Anda bonito, isto.

Publicado por Luis Rainha às 11:52 AM | Comentários (2)

OS CONSPIRADORES

Michael Moore e Quentin Tarantino vs George W. Bush

Publicado por José Mário Silva às 11:51 AM | Comentários (2)

NOVE MINUTOS

Ontem à noite, na cerimónia de entrega da Palma de Ouro do Festival de Cannes, Michael Moore foi ovacionado, de pé, durante nove minutos. Ui, o que é que os blogues de direita portugueses (e os seus mentores espirituais) não vão dizer sobre mais este desmando dos comedores de queijo...

PS- «Fahrenheit 9/11» foi o primeiro documentário a vencer o prémio máximo de Cannes desde 1956, ano em que Jacques-Yves Cousteau e Louis Malle venceram com um filme sobre as profundidades oceânicas, chamado «Le Monde du Silence». Não deixa de ser curioso que o filme de Moore seja, à sua maneira, uma investigação sobre um outro mundo cheio de silêncios, não-ditos e grandes peixes muito feios.

Publicado por José Mário Silva às 11:50 AM | Comentários (5)

FEIRA DO LIVRO (2)

Animais terríveis, os livros. Uns já nos devoraram, página a página. Outros esperam a vez.

Publicado por José Mário Silva às 11:48 AM | Comentários (1)

FEIRA DO LIVRO

Aí está ela, de novo (Tejo lá ao fundo, jacarandás em flor). E como todos os anos, no fundo escuro dos sistemas informáticos, a minha conta bancária já pressente os calafrios.

Publicado por José Mário Silva às 11:46 AM | Comentários (3)

PEQUENO INTERLÚDIO NOSTÁLGICO

Ontem, coisa raríssima, este blogue teve apenas posts meus, do Manel e de um itálico. Confesso que me fez lembrar velhos tempos.

Publicado por José Mário Silva às 11:37 AM | Comentários (0)

É PRECISO TER LATA (1)

Sexta-feira, Durão Barroso abriu o seu congresso laranja com um ataque a uma suposta falta de liberdade que se viverá, segundo ele, nos Açores. Desconheço se é mesmo verdade que um funcionário público açoriano que se desloque a uma reunião do PSD fique condenado a ter .problemas.. Se assim for, está mal; mas a continuação da conversa do cherne fez-me desconfiar da solidez da sua ligação à realidade.
O que se seguiu foi mais um exercício de abjecto lambe-botismo em benefício do ogre da Madeira, Alberto João: que o seu trabalho tem sido .extraordinário.; que são os resultados que contam; e que o belo exemplo madeirense nos faz sonhar com a maravilha que seria um Portugal em que o PSD estivesse no poder há tanto tempo quanto Jardim.
Eu digo-vos como seria um país à imagem da Madeira: a economia mais estatizada da Europa; um regime opressivo e concentracionário; uma nação de chupistas sempre em busca de mais uma benesse, mais um subsídio; um povo de idólatras oportunistas em perpétua genuflexão face à imagem do .chefe.; uma elite limitada a um bando de amigalhaços do governo; um tecido empresarial que só existiria em função de ligações ao aparelho do estado; em suma, um panorama deslumbrante que até talvez agrade ao pós-maoísta ainda vivo dentro de Barroso, mesmo que agora ande forçado à clandestinidade...

Publicado por Luis Rainha às 11:14 AM | Comentários (3)

maio 22, 2004

ET LE GAGNANT EST...


Agora que Michael Moore ganhou a palma de ouro do Festival de Cannes, será que a Casa Branca vai continuar a fazer tudo para que os americanos não vejam este filme?

Publicado por Manuel Deniz às 08:58 PM | Comentários (2)

EM AUDIÇÃO

«La Música de Pneuma» . sons das três culturas da Espanha medieval. Canções cristãs, muçulmanas e judaicas. Do tempo em que havia na península um jardim de utópicas mestiçagens chamado Al-Andalus.

Publicado por José Mário Silva às 06:15 PM | Comentários (4)

MANSARDAS

No sempre belo e delicadíssimo blogue da lebre, encontro um poema do Carlos de Oliveira que parece escrito de propósito para quem, como nós, passou a viver tão lá em cima, rente ao telhado:

VIDRO

I

Quem vive
nas mansardas
tem:
a) o orvalho
mais cedo,
as mansas, árduas
gotas
de aguardente
nocturna
no cálice de vidro
[ou luz?]
que é o dia
e ergue-o
primeiro

II

que os vizinhos;
b) a madrugada
só para si
alguns instantes
antes
da luz
[ou o vidro?]
se partir
nas camadas inferiores
do prédio;
c) a chuva
mais perto
desse deserto
interior

III

de cada um;
d) o musgo, uma luva
que cinge
múltiplos dedos
argilosos,
ardilosos abismos
para insectos
na orografia
brusca
do telhado;
e) fulgores minúsculos
que acendem
a sílica incrustada
na argila, síli-

IV

cintilando
como um céu
de estrelas
diurnas
à flor das telhas:
a janela
reflecte-o [luz
de vidro para vidro]
e intensifica o dia
quando
nas camadas inferiores
do prédio
é ainda
noite.

Publicado por José Mário Silva às 06:04 PM | Comentários (0)

JÁ AGORA DIZIAM-LHE POR SMS

Ministro Theias foi demitido por telemóvel.

Publicado por José Mário Silva às 06:02 PM | Comentários (2)

MONDINO E O EURO-2004


Jean-Baptiste Mondino para YSL

O provincianismo nacional é metastático. VPV tem razão quando diz que a nossa limitação reside em deficientes estratégias de imitação. Só assim se percebe que o governo tenha usurpado o logótipo da PT para florear o evolucionário slogan das comemorações dos 30 anos da Revolução de Abril. Aqui não há rasto de inspiração forasteira. O copianço foi caseiro, não tendo sido necessário, ou possível, aos certamente talentosos criativos folhear catálogos parisienses, londrinos ou nova-iorquinos. Será que sucedeu o mesmo aos peritos em comunicação que congeminaram a campanha publicitária do Euro-2004? Não sou daqueles que maldizem do ditatorial atapetamento do país com um entediante manto de relva. Dou-me até bastante bem com green-zones. Sejamos claros, a campanha é mais realista do que os seus detractores. Não há dúvidas de que este país é um rectângulo carnivoramente futebolístico. No estádio arrota-se couratos e bifanas com sofreguidão. Os jogadores, esses artistas, somos nós, as nossas contradições, os nossos conflitos, o não comermos a relva, as nossas culpas, as nossas responsabilidades não assumidas, jogadas e sonhos não concretizados, as nossas rivalidades, a nossa incompetência, a nossa genialidade apesar de todos os obstáculos. O árbitro é a figura do político, do estado, da autoridade, da justiça, da burocracia, o bode expiatório, o presumível culpado, o menor dos males. O adepto expressa o que sobra de liberdade individual, catarse, agressividade, sexualidade, voluntarismo e mobilização colectiva. É sobretudo uma instância de gestualidade e fisicalidade. O adepto sossegado e silencioso não existe. Devemos ao futebol o facto de, semana a semana, ainda podermos ouvir os portugueses conjugarem o verbo esperar. «Espero que o Sporting/Benfica/Porto ganhe». O futebol será o nosso único reservatório de esperança e auto-estima (apesar do tanque esvaziar-se com imensa facilidade). É outro o meu problema com a relvanização do país . o seu reiterado provincianismo. A deficiente imitação do mais elementar grafismo video-game. Desajeitada tacada de golfe. A ausência de sonho e ousadia estética. Para a próxima encomendem a campanha publicitária a quem perceba do assunto. Que tal a Jean-Baptiste Mondino? (thirdbacus)

Publicado por José Mário Silva às 05:37 PM | Comentários (18)

(DES)ENLACES

Aqui ao lado, há casório. Mas por , ainda encontramos quem se esforce por continuar solteiro.

Publicado por José Mário Silva às 11:17 AM | Comentários (1)

ENCONTRO DA ATTAC

Esta tarde, a partir das 14 horas, decorre no Instituto Franco-Português a Assembleia-Geral e o 2.º Encontro Nacional da ATTAC. Os nossos amigos do Grão de Areia vão lá estar. Alguns dos nossos leitores também, tenho a certeza.

Publicado por José Mário Silva às 11:04 AM | Comentários (1)

maio 21, 2004

COMEMORAÇÕES PERIFÉRICAS

Pois é: o tempo passa com uma velocidade diabólica. É mesmo rápido como o caraças, o magano. Tão rápido, tão rápido que estes gajos, os heróis de Vilarelho, mestres da rezinguice brilhante, já perfazem duas bonitas primaveras (digamos assim). Para assinalar o feito de sobreviverem aos desmandos de Cronos, oferecem esta noite uma festa/convívio que começa dentro de 10 minutos, mais ou menos, no bar da Aquilae Disco, em Vila Pouca de Aguiar. Segundo eles, toda a gente está convidada, incluindo os inimigos. É aproveitar, malta do Norte, que os tipos costumam ser generosos nas doses de álcool. E já agora, se puderem, dêem-lhes um abraço da nossa parte.

PS- Parabéns pelo aniversário e pelo último número.

Publicado por José Mário Silva às 09:20 PM | Comentários (2)

UMA IMPLICÂNCIA COMO OUTRA QUALQUER

Não gosto nada, mas mesmo nada, da voz delicodoce da Norah Jones.

Publicado por José Mário Silva às 06:10 PM | Comentários (10)

CUMUL0NIMBUS

Publicado por José Mário Silva às 06:00 PM | Comentários (3)

PEQUENAS TEORIAS PARA FACTOS QUOTIDIANOS

Alguns amantes, quando discutem, partem copos, pratos, cristais, porcelanas e coisas ainda mais frágeis . como o silêncio . porque querem ter a certeza de que a entropia não existe apenas dentro deles.

Publicado por José Mário Silva às 05:56 PM | Comentários (6)

SONETO DE ANIVERSÁRIO (UM POEMA DO VINICIUS PARA A LIA)

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

Vinicius de Moraes (Rio, 1942)

Publicado por José Mário Silva às 05:40 PM | Comentários (6)

E LÁ FICARAM OS "POSITIVOS" COM A NEURA

Só mesmo o VPV para ser convidado de honra em tão patusca festa e tratar logo de escavacar tudo!

Publicado por Luis Rainha às 04:02 PM | Comentários (6)

O ARCO-ÍRIS DE UMA SÓ COR


Cartoon de Bandeira, no «Diário de Notícias»

E a morte prossegue a sua caminhada.

Publicado por José Mário Silva às 12:56 PM | Comentários (5)

PRÉMIO LER 2004

Parabéns, Gonçalo (com um abraço forte, apertado, que tu és muito cá de casa, ao contrário da Agustina).
É bom ver o teu talento reconhecido. Um talento que conhecemos de perto e sabemos como se ergue, minucioso, dessa infinita máquina ficcional que trazes dentro da cabeça.

Publicado por José Mário Silva às 12:49 PM | Comentários (2)

QED

Eu em tempos era visitante frequente do fórum de discussão de uma revista americana de FC («Asimov's»), e muita da minha opinião actual sobre a América foi solidificada lá. Tratava-se (e o passado está aqui porque há muito tempo que não ponho lá os pés, logo não sei se mudou de características entretanto) de um sítio onde se reuniam escritores, aspirantes a escritores e leitores e se discutia muito sobre o passado, o presente e fundamentalmente o futuro. Era um sítio frequentado por gente, em geral e em princípio, culta e informada, na sua esmagadora maioria de nacionalidade estadunidense.
Mas eu larguei aquele sítio. Porque, embora houvesse por lá algumas vozes mais decentes, a opinião generalizada era a de que a América tem direitos que mais ninguém tem, que a macdonaldização do mundo iria ser feita, quer o mundo quisesse quer não (palavras textuais, escritas por um americano que se definia como liberal), e que se a América não existisse estaríamos hoje todos a marchar ao som das botas ferradas da Alemanha nazi. Um dos frequentadores do local (este, pelo menos, reivindicava-se de direita), não se cansava de repetir que os europeus eram todos uns maricas que tinham ficado à espera de ser salvos pelos bravos e tomatosos americanos.
Esta teoria, em particular, faz-me algumas cócegas na boca do estômago, e já a vi repetida várias vezes por cá. Na realidade, ela é um dos pilares do filo-americanismo parolo que assalta a maior parte da direita mundial. Uma propaganda muito disseminada e activamente incentivada pela extrema-direita nacionalista americana e até por Hollywood.
Só que, feliz ou infelizmente, esse "facto" assemelha-se mais à história que sai do Ministério da Verdade da Oceania de Orwell (falo do livro «1984», para quem não entendeu a referência) do que à verdade dos factos.
(Jorge Candeias)

A verdade dos factos é que a Europa resistiu praticamente sozinha durante cinco anos aos fascismos do Eixo. Cinco longos anos. De 1939 a 1944. E que foi fundamentalmente a Europa, e mais especificamente a União Soviética, que se libertou da bota nazi. Nem é preciso ir muito fundo, basta olhar para uma dúzia de datas:

- 22 de Junho de 1941 - invasão alemã da URSS e entrada da União Soviética
- 5 de Dezembro de 1941 - máximo avanço das tropas alemãs em território russo. Páram a 20 km de Moscovo
- 7 de Dezembro de 1941 - ataque japonês a Peal Harbour
- 8 de Dezembro de 1941 - EUA declaram guerra ao Japão (e só ao Japão)
- 11 de Dezembro de 1941 - Alemanha e Itália declaram guerra a EUA e Reino Unido
- 20 de Dezembro de 1941 - alemães a 200 km de Moscovo. Recuaram 150 km em 15 dias.
- 26 de Agosto de 1942 - aliados ocidentais começam a ajudar a URSS por virtude do tratado anglo-soviético
- 12 de Setembro de 1942 - alemães atacam Estalinegrado
- 12 de Novembro de 1942 - contra-ofensiva generalizada do Exército Vermelho
- 2 de Fevereiro de 1943 - vitória final em Estalinegrado
- Junho de 1943 - aliados ocidentais desembarcam na Sicília
- Setembro de 1943 - aliados ocidentais desembarcam na Itália continental
- Maio de 1944 - Frente Leste na Ucrânia ocidental, quase às portas da Alemanha que à época incluía o que é hoje o enclave russo de Kaliningrado e era então a Prússia Oriental.

E o desembarque na Normandia? O célebre e muito propagandeado desembarque na Normandia?

6 de Junho de 1944

QED

QED não só de que a Europa já estava a sacudir forte e feio os nazis quando a América interveio, como de que a mentira deliberada e sistemática não é de hoje. É algo que vem de longe. É política antiga. Mas pelo menos quanto à II Guerra Mundial, as datas são as datas e (ainda?) vão podendo ser consultadas em qualquer enciclopédia. Pelo menos quanto à II Guerra Mundial, da próxima vez que algum filo-americano vos vier com a treta de que «se não fosse a América, blá blá blá», já sabem o que lhe hão-de responder.

Publicado por José Mário Silva às 12:35 PM | Comentários (9)

ITÁLICOS

Nós apelámos. Eles regressam.

Publicado por José Mário Silva às 12:24 PM | Comentários (3)

COISAS MÁS


Mais um "aborrecimento" para estragar a imagem da brava coligação que está a tratar de libertar o Iraque: um helicóptero atacou uma casa onde supostamente estava a decorrer um casamento, reduzindo a entulho noivos e convidados.
Apesar de o tenente-coronel Ziyadal-Jbouri, quadro da polícia local, ter garantido que os 40 mortos incluíam 15 crianças e 10 mulheres, as forças americanas continuam a afirmar que se limitaram a atacar um covil de "combatentes estrangeiros". O general James Mattis afirmou simplesmente que "não vi as imagens mas coisas más acontecem em guerras. Não tenho que pedir desculpas pela conduta dos meus homens". Claro que não. Afinal, quem não se recorda do desenlace final de um caso similar, passado no Afeganistão? É como eles gostam de dizer: shit happens...

Publicado por Luis Rainha às 11:45 AM | Comentários (2)

UM PAÍS COM 88% DE MAL-AGRADECIDOS!

Como é que alguém pode esperar que o Iraque se transforme num farol da Democracia se os nativos teimam em não perceber que a invasão foi para o bem deles? Será que não podemos mandar para lá o Pacheco Pereira a chefiar um grupo de missionários que os faça ver a luz?

Publicado por Luis Rainha às 11:22 AM | Comentários (1)

PEIXEIRADA NO BAIRRO

Estava o doutor Chalabi a chonar, com sonhos dourados e presidenciais pelo meio, quando batem à porta, "truz truz" quem é a esta hora, porra?
(--- será chuva, será gente? gente não é certamente...)
Era a bófia americana, foram-lhe ao escritório e ao cofre, desarrumaram, levaram documentos e gamaram uma cópia valiosa do Corão.
"I'm america's best friend in Irak!" clamou com o acento marcante do saudoso ex-ministro da informação.
Em Washington, o tio Rumsfeld anunciou logo, para evitar mais chatices, que ignorava tudo do raid antes de ele ter tido lugar, mostrando-se empenhado em entrar no Guinness como o maior ignorante de histórias da História.
Chalabi, que até por ser um vígaro de alto gabarito mas não é parvo, está por dentro de como se fabricam "cenários" e sabe por experiência própria como estas coisas é fazer e negar depois, garante que o raid não poderia ter tido lugar sem o consentimento e aprovação da autoridade americana no iraque, que não é provável que esteja já em autogestão relativamente ao "tio", que é como quem diz o "padrinho", face à natureza dos "valores" em propagação.
Este "deixar cair" do Chalabi, esta humilhação imposta ao último fantoche credível que lhes restava, deixa no ar a dúvida se os americanos vão ter de criar mesmo um "vice-rei" ou um "sátrapa" para o médio oriente.
O Sharon era um bom candidato, conhece os árabes e é determinado.
Ou o Pacheco, que compreende bem as especificidades e as realidades (e as necessidades...) do império.

Publicado por tchernignobyl às 11:00 AM | Comentários (0)

MAIS UM CONTRIBUTO DO GOVERNO PARA AUMENTAR O DESEMPREGO


Com a limpeza de Theias do governo, temos um vislumbre das novas regras laborais em acção: então isto é maneira de despedir um senhor daquela idade? Assim de repente e sem pré-aviso?

Publicado por Luis Rainha às 10:57 AM | Comentários (2)

UNS PARA CIMA, OUTROS PARA BAIXO

Na última SEED ( ponho o link por questões de ética bloguística mas a versão on line desta revista supostamente moderna é uma absoluta treta , tem a capa do número do outono passado e um breve resumo do seu conteúdo) uma pequena notícia:
Esta primavera, 57 % dos residentes de Mendocino Califórnia, votaram a proibição da propagação, sementeira, cultivo e colheita de organismos geneticamente modificados, ("propagation, cultivation, raising and growing..." no original) apesar da oposição da Monsanto e outros gigantes da biotecnologia ("financial opposition from..." no original), tornando-se no primeiro "county" dos States a aprovar semelhantes medidas.
Mais ainda, este condado do norte da California, famoso pela produção vinícola, tornou-se também o primeiro a legalizar a marijuana para fins de consumo pessoal e recreativo ("personal recreational consumption" no original).
Já dizia o Frank Zappa: "she had that Mendocino bean-o...."

Publicado por tchernignobyl às 10:14 AM | Comentários (0)

maio 20, 2004

VOLUBILIS

No comentário a um post do tchernignobyl, sobre o lançamento (ontem) do seu livro «Quem inventou Marrocos . Diários de Viagem», o Fernando Venâncio teve a delicadeza de perdoar a minha ausência, nestes termos: «Não faz mal, ZM, esteve lá a tua sombra, numa alusão minha ao teu relato de uma visita a Volubilis, cidade romana em ruínas».
É verdade. Eu estive em Volubilis, no coração de Marrocos. E senti naquele lugar coisas que não senti em mais lado nenhum. A começar pela perfeição musical do nome: Volubilis. Vo-lu-bi-lis. Volátil, volúvel, cidade que já não é.

PS- Para os interessados (se os houver), lembrei-me de resgatar o tal texto a que Venâncio se referia, uma crónica publicada no DNA. Está aqui:

As ruínas (em Volubilis)

1. Saímos de Meknès a meio da manhã. Céu azul, sol branco e um autocarro barulhento arrastando-se a passo de caracol, com receio dos polícias que esperam em cada curva, prontos para passar uma multa ou receber a nota da praxe. Ao fim de 30 quilómetros e uma hora de viagem, entrámos em Moulay Idriss, a mais importante cidade islâmica de Marrocos. Telhas verdes, o famoso minarete cilíndrico da medersa de Khiber e casas galopando colina acima, em equilíbrio precário, como se fossem mergulhar de repente no rio Khomane. Nem sequer parámos. O autocarro, ronceiro, limitou-se a abrandar (ainda mais) a marcha, permitindo duas ou três fotos em andamento («vamos lá ver se não sai tremida»), enquanto uma voz ia explicando que «neste mausoléu está enterrado Moulay Idriss, o santo mais venerado do país, que deu nome à cidade e era descendente do Profeta». De novo na estrada, mais quatro quilómetros, um pequeno vale, nuvens de poeira. E depois, Volubilis. Quarenta hectares de ruínas romanas, ainda em escavação, declaradas património mundial pela Unesco, em 1997. Fora do autocarro: grupos de turistas em calções, uma loja de «souvenirs» e vários homens solícitos a oferecerem, em francês, os seus préstimos. «Não vá com os outros, eu é que sou guia oficial» . diziam todos, apontando para o cartão pendurado na lapela. Não, obrigado, não queremos. Não, não queremos mesmo, obrigado. Não, já dissemos que não. Não, não, não. Não. O sol a pique, lá bem no zénite, queimava.

2. Volubilis foi construída no séc. III AC, no local onde já existia uma povoação cartaginesa. Centro administrativo da parte africana do império romano, a cidade exportava cereais para a metrópole e mantinha sob controlo as tribos berberes. Mas o período de crescimento e prosperidade «só» durou 600 anos. No final do terceiro século da nossa era, o imperador Diocletes ordenou que a administração e o exército abandonassem a zona e se deslocassem mais para norte. Foi o princípio do lento declínio de Volubilis. Lento porque a retirada dos romanos não significou o abandono completo da cidade. Muitos habitantes decidiram permanecer e o latim resistiu mais quatro séculos, até à invasão árabe do norte de África. Na verdade, o núcleo urbano só se desfez no séc. XVIII, quando o sultão Moulay Ismaïl mandou demolir muitos dos monumentos, para aproveitar o respectivo mármore na construção dos seus palácios em Meknès. Se este crime arqueológico não tivesse sido cometido, Volubilis seria provavelmente o mais bem preservado vestígio romano a chegar até nós. Mesmo assim, não é difícil reconhecer as estruturas da cidade, as villas, as ruas, os sítios públicos onde se tomavam as decisões políticas ou se celebravam os cultos religiosos. Andar por aqui, nestes caminhos de pedra, é uma experiência ao mesmo tempo exaltante e estranha. Porque esperamos sempre ouvir, na sombra de cada muro, uma voz perdida, um suspiro, uma respiração com dois mil anos.

3. Esta é a rua principal, a Decumanus Maximus, uma espécie de avenida, com pavimento de lages, que desemboca no magnífico Arco do Triunfo mandado construir, em 217 DC, para honra e glória do imperador Caracalla. É este o limite da cidade, a mais formosa das oito portas que ligavam Volubilis ao mundo exterior. Quase a medo, atravesso o Arco. Cada gesto, sem que o queira, ganha peso, ganha uma certa solenidade. E a cabeça, de repente, pesa-me. Deve ser da luz agreste do meio-dia. Procuro uma rocha plana. Sento-me. Recupero o fôlego. Respiro. Descanso. Observo. Fora das muralhas não há nada. À minha frente, ervas bravias. Ao fundo, a linha suave de uma montanha. Atrás de mim, o que sobrou de uma civilização. Penso: as civilizações são como os homens. Crescem, atingem o auge, depois a decadência (às vezes a agonia), morrem, são enterradas e um dia voltam à superfície, sob a forma de um esqueleto partido, coisa mineral, suporte da vida (mas sem vida).

4. Deambulo agora sozinho. E feliz. Sem ponta de cinismo o confesso: a arte de viajar em grupo é saber fugir ao grupo. É saber escapar ao rebanho que pasta onde os guias querem que paste. É escolher o meu rumo, as minhas pausas, as minhas demoras. É poder ler, até ao fim, todas as placas que me aparecerem à frente, sem ter que aturar os remoques dos apressados, que querem sempre «acelerar um bocadinho para chegarmos a tempo» ao autocarro ou ao almoço. Desta vez, nem sei como, tive sorte. Consegui livrar-me com bons modos e agora deambulo sozinho. Agora vejo. Aqui ficava o Forum . harmoniosas as suas colunas, ainda intactas. Aqui eram as termas, ali os lagares de azeite, mais adiante o Capitólio. Admiro sobretudo os mosaicos com cenas mitológicas (Orfeu, Baco, os trabalhos de Hércules, as caçadas de Diana) que transformavam em obras de arte o chão das casas mais ricas. Como a de Euphebus.

5. Na casa de Euphebus, junto aos mosaicos, recordei-me de uma pequena história que Roland Barthes conta em «A Câmara Clara», o seu último livro. Vem logo na primeira página: «Um dia, há muito tempo, encontrei uma fotografia do irmão mais novo de Napoleão, Jerôme (1852). Disse então para comigo, com um espanto que, desde então, nunca consegui reduzir: "Vejo os olhos que viram o Imperador." Por vezes falava desse espanto, mas, como ninguém parecia partilhá-lo nem sequer compreendê-lo (a vida é feita assim, de pequenas solidões), esqueci-o.» Em Volubilis, eu não vi os olhos que viram o imperador. Mas apercebi-me, na casa de Euphebus, que estava a tocar em mosaicos que outros homens, há dois milénios, também tocaram. Homens que viram talvez, num dia de festa, Caracalla ou Diocletes. E foi então que compreendi verdadeiramente . ou seja: melancolicamente (a vida é feita assim, de pequenas solidões) . o espanto de Barthes.

6. Afasto-me das ruínas uns 500 metros e observo-as à distância. Quero compreender porque me parecem, apesar de tudo, tão belas. Penso: uma ruína é a arquitectura que se cansou de existir. Apenas isso. Só que os animais, as árvores ou as pessoas, quando se cansam de existir, morrem. As casas não. As casas não morrem. As casas cansam-se de existir e transformam-se em ruínas. Isto é: ficam para contar a história do seu falhanço, da sua queda. São fantasmas resignados, miragens, assombrações. A beleza das ruínas está, talvez, nesta sua condição trágica: desaparecer, permanecendo. Já não ser tudo, mas ser ainda um pouco. Se as ruínas são belas é porque no ar se desenha, invisível, a memória do que foram.

Publicado por José Mário Silva às 09:06 PM | Comentários (2)

A LÍNGUA PORTUGUESA É MUITO TRAIÇOEIRA

Num dos dicionários on-line a que recorro em caso de dúvida (este), procurava eu o significado de uma determinada palavra . hipóstase . para lhe confirmar a grafia. Eis senão quando deparo com três significados completamente distintos para o dito vocábulo:

- em Medicina, corresponde ao «depósito ou sedimento de um líquido, especialmente da urina; sarro»;

- na Teologia, simboliza a «união da natureza humana e da natureza divina, na pessoa de Cristo»;

- enquanto na Filosofia é uma «ficção ou abstracção erradamente consideradas como reais ou como substâncias»

Um sarro divino e ilusório?
Razão tinha o Herman.

Publicado por José Mário Silva às 08:01 PM | Comentários (5)

TOO STUPID TO BE PRESIDENT

Atrás de uma sugestão do Afixe, fui dar a este site anti-Administração Bush. Uma pérola de sarcasmo, com animações fabulosas onde aparece a tribo toda: Dick Cheney, Donald Rumsfeld, Condy Rice, Richard Perle e, claro, o próprio Bush. Dois destaques: a paródia aos Monty Python («The Quest for the Oily Grail») e a sitcom «Rumsfeld» (imitação tosca do «Seinfeld»). Simplesmente genial.

Publicado por José Mário Silva às 07:55 PM | Comentários (0)

PORTUGAL POSITIVO

Esta tarde, no Pavilhão de Portugal do Parque das Nações (Lisboa), decorre uma conferência que é suposto levantar a tão depauperada auto-estima nacional. Reunindo luminárias de alto calibre (Marcelo Rebelo de Sousa, Vasco Pulido Valente, António Borges, Clara Ferreira Alves, etc), o conclave foi baptizado com duas palavras começadas por P: «Portugal Positivo» (não confundir com Partido Popular). Resta saber se o acontecimento é patrocinado pela Galp-Energia e se os VIP vão terminar cantando, abraçados em cima do palco, a disparatada cançoneta do «menos ais, menos ais, menos ais».

Publicado por José Mário Silva às 05:35 PM | Comentários (11)

JLBG

O poeta João Luís Barreto Guimarães também encontrou refúgio na blogosfera e anda para aí a escrever deliciosos pequenos posts, ora sobre diálogos escutados num avião (e outras minudências), ora sobre o pragmatismo inocente da filha Francisca. Mais uma razão para visitar o Quartzo, Feldspato & Mica.

PS- Não resisto a partilhar este post minimal do Rui Manuel Amaral: «Esta noite devo ter sonhado com magnólias. Passei a manhã a tossir pólen.»

Publicado por José Mário Silva às 05:21 PM | Comentários (1)

O FEITIÇO DE OZ



Ontem transcrevi alguns excertos do magnífico romance O Mesmo Mar, de Amos Oz (Edições Asa). Hoje, no DN, atribui-lhe cinco estrelas. Todas elas mais do que merecidas. Merecidíssimas. Leiam e comprovem.

Publicado por José Mário Silva às 04:50 PM | Comentários (2)

DESAVERGONHADOS!

Já sabia. Depois de eu ter dado a coisa por derrubada e enterrada, é que eles desatam a postar! Imagine-se que até o João Paulo Cotrim trocou a sua antipatia pelos blogues por uma produtividade assinalável...

Publicado por Luis Rainha às 04:40 PM | Comentários (0)

THE BIG PICTURE

Durante a transmissão televisiva da final da Taça, vi, como suponho que todos tenham visto, uma ternurenta manifestação de solidariedade. Os simpáticos rapazes de uma daquelas claques benfiquistas com muito boa catadura tinham erguido umas faixas de apoio ao Porto! A coisa dizia: "Apesar de tudo, vão representar as nossas cores. Boa sorte na final dia 26".
Bonito, não era? Na altura estranhei mas também não me pus a matutar sobre o assunto. Hoje, recebi uma foto que nos dá uma perspectiva um pouco mais ampla sobre este fenómeno inusitado...

Pois é: as tais "cores" são mesmo o vermelho e branco.

Publicado por Luis Rainha às 04:27 PM | Comentários (11)

DE MUITO ALTO, O FALCÃO PACHECO SOBREVOA A HISTÓRIA...

Pacheco Pereira usa hoje alguns centímetros quadrados do Público para fabricar um curioso neologismo . um tal de "olimpianismo" . e deixar lavrada uma definitiva sentença: crer que "todos os conflitos se podem resolver pacificamente pela negociação e pela intermediação de organizações internacionais" é uma "crença utópica". É pena que o dicionário que o inspirou na criação do novel vocábulo não lhe tenha explicado que "utópico" pode ser um ideal que ainda não foi concretizado; não se trata obrigatoriamente de algo que é impossível... mas adiante.
De acordo com a sapiência multidisciplinar do abrupto comentador, a tal incapacidade das democracias entrarem em guerras terá vigorado entre a queda da URSS e o 11 de Setembro! Miudezas como a primeira Guerra do Golfo e o ataque à Jugoslávia, dado que não dão jeito nenhum à teoria, são menorizadas e relativizadas de acordo com uma taxinomia que deve ser exclusiva de P. Pereira: foram "particularmente universais e justificados". Por isso, não contam.
Mas o alerta é urgente: essas criaturas "olímpicas", "olimpianas" ou lá o que são, não passam afinal de um bando de maricas. Uns poltrões que inventaram inutilidades como o Tribunal Penal Internacional, "talvez o melhor exemplo das esperanças .olimpianas. do tempo" e tinham como vanguarda "a burocracia das grandes instituições internacionais, com relevo para a ONU e as suas múltiplas organizações, o universo cada vez mais pesado e institucionalizado das ONG, a burocracia transnacional da União Europeia, o .establishment. cultural, jornalístico, escolar e académico europeu." Ou seja: deixámo-nos emascular, reduzir a criaturas desprovidas de espinha dorsal!
O que nos valeu a todos foi o 11 de Setembro. A partir daqui, os EUA adoptaram "uma postura mais agressiva, em que o interesse nacional americano tinha um papel predominante e uma atitude intervencionista que prevalecia."
Mas os cobardes europeus tinham de estragar tudo. Imaginem que, "logo a seguir ao 11 de Setembro, os americanos disseram que .estavam em guerra., os europeus, com destaque para a UE dominada pelo eixo franco-alemão, demarcaram-se de imediato." A coisa prossegue: "Eram evidentes fissuras entre os EUA e a UE, embora a forte legitimação do ataque americano, devido à presença da Al-Qaeda sob a forma de bases territoriais, impedisse uma ruptura explícita, como depois se veio a verificar no Iraque."
Que a França tenha sido o único país a bombardear o Afeganistão, além dos americanos, atacando dezenas de alvos durante a "Operação Anaconda" em Março de 2002, é indiferente a P. Pereira, sobretudo porque implicaria que não se tratou de um ataque exclusivamente "americano". Que as forças armadas alemãs ainda hoje lá tenham centenas de soldados a lutar e a organizar missões humanitárias é outro pormenor a apagar discretamente da fotografia. As velhas tácticas nunca são esquecidas; tornam-se apenas mais sub-reptícias.


Militares alemães no Afeganistão? Hmmm: devem estar mancomunados com os Talibãs...

Uma cabeça menos presa a âncoras várias poderia concluir que a ruptura que se deu a propósito do Iraque teve as suas razões profundas; mas isso nem em sonhos P. Pereira admitiria. Interessa-lhe é afirmar que o tal "eixo franco-alemão" é um entrave à justiça e à paz, que são, como todos sabem, os verdadeiros e únicos objectivos do Império Americano.
Deve ser tão bom viver num mundo assim, povoado de certezas absolutas e livre de inconvenientes "utopias"...

Publicado por Luis Rainha às 04:14 PM | Comentários (6)

APELO ITÁLICO

Houve uma altura em que o BdE publicava pelo menos um texto itálico por dia, às vezes mais. De há uns tempos a esta parte, porém, as ditas colaborações externas foram rareando, o que torna ainda mais deprimente a jardinagem matinal do correio electrónico, sempre atafulhado com essas tenazes ervas daninhas que são as mensagens de spam.
Mas o que aconteceu, afinal? Alguém me explica? Já não há leitores com vontade de participar? Estão envergonhados? Intimida-vos o ritmo tantas vezes frenético dos bloggers residentes? Têm mais que fazer? Arranjaram todos um blogue?
Não sei as respostas para estas perguntas. Expliquem-me vocês. Mas lá que sinto falta daquela saudável interactividade, lá isso sinto.

PS- Para quem deseje regressar ao estatuto de itálico (ou, quem sabe, estrear-se) recordo mais uma vez o nosso e-mail: correio@bde.weblog.com.pt. Disponham sempre.

Publicado por José Mário Silva às 04:06 PM | Comentários (11)

SHARON, O BULLDOZER


Cartoon de Serguei, no «Le Monde»

Nos últimos oito dias, o Exército israelita destruiu mais de cem casas em Rafah, deixando ao relento mais de mil pessoas. Isto para não falar no lançamento de um míssil e de obuses contra uma manifestação de palestinianos, matando 10 pessoas (na maioria crianças e adolescentes).
Sem casa e sem rua, para onde irão as multidões em fúria? Infelizmente, não é difícil de imaginar.

Publicado por José Mário Silva às 01:41 PM | Comentários (8)

ISRAEL: A NOVA ESPARTA?

A eficiência dos soldados israelitas é macabra mas notável. Todos os dias, lá os vemos em fileiras ordenadas e letais, espalhando a morte e a destruição por mais um campo de refugiados, sempre sob a protecção atenta de esquadrilhas de Apaches ou de couraçados bandos de tanques made in USA. Aliás, o Tsahal surge mesmo como um dos grandes unificadores da sociedade de onde provém; é bem patente o orgulho que ali o cidadão médio . que mui provavelmente já cumpriu o seu período de serviço militar . dedica às "suas" forças armadas. Estas são, convém não esquecer, descendentes directas dos grupos que lutaram pela independência de Israel (e pela expulsão dos árabes, en passant).
A obsessão securitária que hoje varre todo o panorama social de Israel . levando às escolhas eleitorais que se conhecem ., a militarização do dia-a-dia nos territórios ocupados (e não só), são traços que já dominaram a vida de uma outra nação guerreira: Esparta.
Mas as semelhanças não se ficam por aqui.
Uma guerra que quase terminou em desastre total . a revolta dos messénios - levou a uma reorganização radical da sociedade espartana. Tudo passou a fazer sentido apenas na medida em que contribuía para manter forte o seu exército, que tinha como missão sagrada a defesa da nação e o controlo das populações dos territórios ocupados. Estas, que logo receberam um estatuto servil e se viram privadas de quase todos os direitos cívicos, serviam para trabalhar as terras dos espartanos; não sendo escravos, também não lhes era reconhecida a cidadania ou o direito ao voto.

Os espartanos . sempre de pureza comprovada . viviam em democracia: a Ápela funcionava como assembleia popular, representando os cidadãos, embora estivesse sujeita à autoridade dos Éforos, por norma ex-líderes militares. (Há quem diga que a expressão tecnicamente correcta para descrever o sistema político espartano seria qualquer coisa como "monarquia democrática, oligárquica e timocrática"...) Este sistema representativo, claro está, não contava com os desejos da esmagadora maioria: os indivíduos não-espartanos, os Periecos - que ainda mantinham alguns direitos - e os Hilotas. Estes últimos, como convém a populações ocupadas, tinham como obrigação a obediência cega aos seus amos guerreiros e o trabalho incessante e mal pago. Manter este estado de coisas, livre de rebeliões e interferências dos vizinhos invejosos, era a directiva primordial do estado espartano.

Uma nação que vive do trabalho de uma população colonizada à força. Um povo em que a noção de cidadania coalesce com a de serviço militar. Uma democracia que decide o seu destino e também o dos seu servos . mas sem que estes sejam alguma vez consultados. Um governo nas mãos de antigos generais. Um perpétuo estado de guerra contra insurrectos e nações vizinhas que tentem agitar os ocupados. A glorificação sem limites de um exército poderoso e cruel. A redução dos nativos dos territórios ocupados à condição de mão-de-obra descartável e sub-humana.
Se a isto juntarmos que o éforado espartano estava investido de uma "autoridade divina" que lhe dava direito até a depor os reis, o paralelo fica completo...

Publicado por Luis Rainha às 12:39 PM | Comentários (7)

PRÉMIO CAMÕES 2004

Parabéns, Dona Agustina.

Publicado por José Mário Silva às 11:22 AM | Comentários (3)

UM POÇO SEM FUNDO

Seguindo um link sugerido num comentário de "a tua consciencia" a um post do Filipe Moura sobre um texto do Pedro Mexia, deparei com esta notícia da TSF sobre a iminência de publicação, pela STERN, de documentos escritos autorizando práticas condenadas pelas leis da guerra no interrogatório de prisioneiros no Afeganistão.
Como diria o JotaVê, "o país tem coisas boas" mas em matéria de exportação de valores civilizacionais, o nível está abaixo da candonga made in tailand (sem ofensa para os tailandeses).
O que é que se há-de fazer face ao avolumar de evidências de tantas "práticas isoladas"?
Apoiar, é?
A outra questão: estando a opinião pública informada, pelas evidências documentadas desde há décadas, do apoio de "conselheiros" americanos a ditaduras e torcionários um pouco por todo o planeta, o que é que Abu Grhaib, Guantanamo e o Afeganistão trazem de espantosamente novo que suscite "arrependimentos"?
Achavam que essas histórias de tortura no vietnam, no chile, el salvador, na guatemala, etc, eram tangas veiculadas pelos media "manipulados pela esquerda"?
A questão não é sequer se a esquerda tem alguma "superioridade moral" nesta matéria.
Não a tem, sobretudo se recuarmos aos tempos dos estalines, dos pol pots, maos, enver hoxas.
A questão é que é AGORA que em nome dessa superioridade moral (com duvidosos fundamentos e sinistros antecedentes) se justifica a política de guerra preventiva e de invasões por encomenda, que naturalmente levou a isto, e se defende que sobretudo o que não se pode fazer AGORA é retirar dos países ocupados.

Publicado por tchernignobyl às 11:14 AM | Comentários (0)

maio 19, 2004

CATARINA

CATARINA EUFÉMIA
Sophia de Mello Breyner Andersen

O primeiro tema da reflexão grega é a justiça
E eu penso nesse instante em que ficaste exposta
Estavas grávida porém não recuaste
Porque a tua lição é esta: fazer frente

Pois não deste homem por ti
E não ficaste em casa a cozinhar intrigas
Segundo o antiquíssimo método oblíquo das mulheres
Nem usaste de manobra ou de calúnia
E não serviste apenas para chorar os mortos

Tinha chegado o tempo
Em que era preciso que alguém não recuasse
E a terra bebeu um sangue duas vezes puro
Porque eras a mulher e não somente a fêmea
Eras a inocência frontal que não recua
Antígona poisou a sua mão sobre o teu ombro no instante em que morreste
E a busca da justiça continua

Catarina Eufémia foi assassinada há exactamente 50 anos.

Publicado por Filipe Moura às 11:24 PM | Comentários (7)

A CÓLERA PROVOCA METÁSTASES

No espantoso romance O Mesmo Mar, de que já vos ofereci hoje alguns excertos, há um capítulo em que o narrador (Amos Oz) toma uma chávena de chá com uma das personagens, Albert, e este lhe fala de um artigo verdadeiro que o escritor verdadeiro (Amos Oz, claro) publicou num jornal israelita.
Eis a pérola, redigida em verso livre, como grande parte do livro:

«O narrador vem tomar uma chávena de chá e Albert diz-lhe

Li um artigo seu, "O fogo e o enxofre" no Yediot Ahronot de ontem.
Foi Rico que o trouxe e disse, lê isto, pai, e não te zangues,
procura antes perceber em que mundo é que nós vivemos e para onde
nos conduz esta loucura. Foi mais ou menos isto que ele disse.
Parece-me que ele é ainda mais esquerdista que você, Estado repressivo
e coisas no género. Eu tenho menos princípios,
mas a situação também não me agrada lá muito. Em geral não digo nada,
com receio de que ao reagir contra esta ou aquela injustiça
comece a deitar pela boca fora coisas menos correctas.
A cólera provoca metástases. Claro que respeito a coragem da criança
que grita «o rei vai nu» enquanto a multidão aclama «viva o rei!», mas
na situação actual é a multidão que grita «o rei vai nu» e talvez por isso
a criança tenha de inventar um grito novo
ou dizer o que tem a dizer
sem gritar. De qualquer maneira já há barulho a mais, o país está cheio
de clamores, bruxedos, amuletos, trompetes, cornetas e tambores.
Ou, pelo contrário, de um sarcasmo corrosivo: todos se condenam
uns aos outros. (...)

(...) Quando você escreve para o jornal,
é óbvio que escreve o que lhe vem à cabeça, mesmo que sejam coisas duras,
mas não se esqueça de que embora a voz humana tenha sido criada
para manifestar a crítica e o ridículo, ela contém na sua essência
uma percentagem considerável de afirmações ponderadas e rigorosas
que se exprimem em termos comedidos. Pode parecer que
no meio de tanto ruído essa voz não tenha qualquer possibilidade,
mas ela merece ser ouvida nem que seja numa pequena sala
para três ou quatro ouvintes. Ainda há neste país pessoas que pensam
que o rei nem vai nu nem é perfeito mas, por exemplo, que usa roupas
que não lhe servem, ou que vai muito bem vestido
mas é burro como a multidão que o aplaude ou como os outros que,
pelo contrário, o invectivam aos gritos de que o rei morreu
ou de que é preciso matá-lo. E, de qualquer modo, quem é que disse
que um rei nu é uma coisa má? No final de contas,
não será que a multidão também vai nua, tal como o alfaiate
e a criança? O melhor que você tem a fazer é afastar-se da procissão.
Fique lá em Arad e se possível escreva com serenidade. Em tempos
como este, a serenidade é um bem precioso e raro neste país.
E que não haja mal-entendidos:
estou a falar de serenidade, e decidadamente não de silêncio.»

Publicado por José Mário Silva às 09:01 PM | Comentários (5)

UMA INTIFADA COM GOLOS EM VEZ DE PEDRAS

A notícia vem no «Le Monde» e merece ser lida, sobretudo como contraponto às euforias nacionalistas pré-Euro: contra todas as previsões, um pequeno clube da Galileia, quase amador e visto pela opinião pública israelita como árabe, venceu a Taça de Israel em futebol.
É uma epopeia cheia de simbolismos, a do Sakhnin, equipa que só esta época ascendeu à primeira divisão e se prepara agora para representar o país nas competições da UEFA. Ironia das ironias: embora o plantel seja misto (contando até com um goleador brasileiro), os três golos da vitória na final foram todos marcados por jogadores judeus.

Publicado por José Mário Silva às 08:58 PM | Comentários (2)

GÉNERO HUMANO

«Já viu rostos reflectidos numa colher? É mais ou menos o aspecto
do género humano depois da meia-noite.»

Amos Oz, O Mesmo Mar (Edições Asa)

Publicado por José Mário Silva às 08:55 PM | Comentários (1)

É UM PÁSSARO? É UM AVIÃO? NÃO!

Conta-nos o "Público" que a polícia espanhola anda perturbada com uma onda de roubos de aviões ultraleves. Estranhamente, o furto destas pequenas aeronaves não é muito incomum, sendo por norma obra de traficantes de haxixe carentes de transporte entre Marrocos e o Sul de Espanha. Mas desta vez, e dada a proximidade da "Boda Real", o alarme soou. Sobretudo quando uma cópia desta fotografia, tirada por um agricultor da simpática aldeia de Lomas, chegou à Guardia Civil...

Publicado por Luis Rainha às 06:26 PM | Comentários (3)

A METEMPSICOSE VAI À BOLA

Eu tenho como dogma inquestionável que o futebol faz mal à moleirinha. Quer se trate de jogadores que abusam dos lances de cabeça ou até de adeptos cuja veia poética desata a latejar a cada troféu ganho pelo clube que lhes anima os ventrículos. Querem provas?
Depois da dificilmente ultrapassável obra-prima de Clara Ferreira Alves, a (des)propósito da morte de Fehér, eis que surge, aqui, um lindo e nacarado esférico - vulgo pérola - inspirado pela final da Taça: "Fechem os olhos, imaginem apenas o equipamento vermelho e branco, e digam lá se aquela raça e qualidade técnica do grego não seria bem mais própria do infeliz capitão júnior Bruno Baião; e se aquela habilidade com a cabeça, naquela posição do terreno, não poderia ser um movimento típico do ponta-de-lança Miki Fehér?"
Por amor de Eusébio: deixem ao menos os pobres mortos descansar longe de relvados, bolas e fãs delirantes...

PS: não sei porquê, mas esta prosa trouxe-me à lembrança um título da "Bola", publicado no dia em que o nosso maior ciclista de sempre faleceu: "Com a camisola amarela da saudade, Agostinho na volta à Eternidade"...

Publicado por Luis Rainha às 05:48 PM | Comentários (3)

DOM SEBASTIÃO GANHARIA EM TER LIDO

Se Dom Sebastião pudesse ter passado
hoje às 18h30 na FNAC Chiado
veria
a apresentação do livro «Quem inventou Marrocos - Diários de viagem», com a presença do autor, Fernando Venâncio (o «nosso» comentador frequente), mais o António Mega Ferreira,
e escusava de ter ido para o Norte de África à toa.

Publicado por tchernignobyl às 05:44 PM | Comentários (3)

ESTAVA-SE MESMO A VER

Como poderia terminar uma reunião de trabalho em que participam três bloguistas e que se estende pela noite dentro?
Previsivelmente: todos se vão embora aconchegar as crianças e pacificar as namoradas, excepto os bloguistas, que se agarram furiosamente aos computadores disponíveis para ver se está tudo bem com as dilectas crias, aqui, aqui e aqui...

Publicado por Luis Rainha às 05:04 PM | Comentários (0)

GAZA COMEÇA ASSIM?

Será que a paranóia securitária nos tem de obrigar a aceitar tudo?
Parece-me inacreditável que indivíduos à paisana andem a fazer rusgas nos eléctricos sem sequer se darem ao trabalho de se identificarem e mantendo-se sem se identificarem levem pessoas munidas de bilhetes válidos para parte incerta para identificação por não trazerem bilhetes de identidade.

Publicado por tchernignobyl às 04:02 PM | Comentários (10)

ERA PIOR SE TE TIVESSEM APANHADO COM UM CHARRO, PÁ!


Jeremy Sivits, o primeiro soldado a ser julgado por maltratar prisioneiros iraquianos, acaba de ser condenado a uma pesada pena de... um ano num presídio militar. Isto não é propriamente uma surpresa, dado que se tratava de um Special Court-Martial - um tribunal militar para pequenos delitos que só pode atribuir penas até aos 12 meses. Ademais, já constava que o bravo soldado Sivits concordara em admitir a sua culpa, distribuí-la pelos colegas e negá-la aos seus superiores hierárquicos.
Só por curiosidade, fiquem a saber que a pena por seviciar prisioneiros de guerra parece assim ser inferior à pena que, por exemplo, o estado americano do Maryland atribui a quem se deixe apanhar com marijuana: 1 ano de choça... e 1.000 dólares de multa. Mais estranho ainda: no Colorado, matar um perú com um taco de bilhar pode valer 18 meses de prisão!

Publicado por Luis Rainha às 03:42 PM | Comentários (4)

TELAVIVE

«(...) Deves lembrar-te,
se não, faz um esforço. Embora aí em Telavive haja algo que apaga
as recordações. Não é o calor nem a humidade.
É outra coisa. Mais essencial. Telavive é um lugar que apaga as coisas.
Escreve, apaga, e estamos sempre a respirar pó de giz. (...)»

Amos Oz, O Mesmo Mar (Edições Asa)

Publicado por José Mário Silva às 02:25 PM | Comentários (1)

SOMEWHERE OVER THE RAINBOW...

... estão 20 palestinianos mortos (três deles crianças). É este, provisoriamente, o balanço da operação «Arco-Íris», levada a cabo pelo exército israelita em Rafah (Faixa de Gaza). Como sempre, a loucura de Sharon não tem limites. E a condescendência de Bush também não.

Publicado por José Mário Silva às 02:19 PM | Comentários (11)

E TU?

«Cortante, desesperante, em ídiche, ouve-se ao longe uma mulher à vista
de quem despedaçam o filho e que grita.
E depois um lamento em árabe, mais uma mulher
cuja casa. Ou o filho. A voz é penetrante, aterradora. E tu
aparas um lápis ou colas uma capa rasgada. Ao menos
podias tremer.»

Amos Oz, O Mesmo Mar (Edições Asa)

Publicado por José Mário Silva às 02:07 PM | Comentários (1)

O PUZZLE ETERNAMENTE ADIADO

Publicado por José Mário Silva às 02:02 PM | Comentários (6)

COM CERTEZA (E NÃO CONCERTEZA)

Muito bem, D. Edite.
(Eu acho que os erros de ortografia em textos que não sejam privados deveriam ser proibidos por lei. Deveria haver multas.)

Publicado por Filipe Moura às 12:35 AM | Comentários (9)

EMPREGO CIENTÍFICO

A Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) organiza uma Conferência dedicada à questão do Emprego Científico em Portugal, que tem lugar hoje, dia 19 de Maio, em Lisboa (sala polivalente do CAM/ACARTE).
Infelizmente (felizmente por um lado...) não são aceites mais inscrições, mas o encontro pode ser acompanhado por videoconferência, e pode-se participar no debate por email. O programa e o painel de oradores são aliciantes. Para mais informações sobre esta iniciativa ver aqui.

Publicado por Filipe Moura às 12:23 AM | Comentários (7)

OPTIMISMO CÍNICO

Escreve Eurico de Barros:
.Todas as «revelações» de Fahrenheit 9/11 são segredos de polichinelo. George W. Bush é um ignorante irresponsável? Já deu para ver. Os resultados das eleições na Florida foram manipulados para Bush ganhar? Poucos têm já dúvidas. A família Bush e Dick Cheney têm antigas e profundas ligações financeiras com a família real saudita? É do conhecimento geral. O Iraque não tinha nada a ver com a Al Qaeda, a invasão não se justificava e o presidente e sua camarilha mentiram ao mundo inteiro? É mais do que sabido. A administração Bush mantém os EUA num estado de terror permanente mas artificial? Vê-se à vista desarmada. O Patriot Act que o governo fez passar no Congresso atenta contra muitas das liberdades e direitos fundamentais dos americanos? É um documento contestadíssimo nos EUA. Bush negligenciou criminosamente a segurança nacional até ao 11 de Setembro? Já foi provado. Nesse mesmo dia, vários membros da família Ben Laden que viviam nos EUA foram evacuados para fora do país? Os jornais americanos denunciaram o facto há mais de um ano. A guerra no Iraque é imoral, assassina e injustificada? Mas só contaram a Moore? Fahrenheit 9/11 tem muito mais parra do que uva. (...)
Obcecado com a Arábia Saudita, Michael Moore nem por uma vez menciona o Médio Oriente, ou fala de como Israel teleguia a actual política externa americana, da sua enorme influência no Congresso e sobre a administração Bush, e de como a guerra no Iraque serve os interesses de Talavive. Ou Moore tem medo que lhe chamem «anti-semita», ou então está muito mal informado.
.

Toda a gente sabe? Nem por isso. Acredito que o Eurico de Barros soubesse . é de uma direita heterodoxa e libertária e não tem .pontos de viragem., pelo menos agora. Mas a maioria do eleitorado americano não sabe nada do que Eurico de Barros escreveu no seu misto de crónica política e crítica a Fahrenheit 9/11. Independentemente das suas qualidades cinematográficas, os documentários de Moore têm com certeza um papel importante de divulgação. Por isso, Moore tanto quer que o filme saia nos EUA antes das eleições. E, mesmo depois da exibição do filme, será muito optimista dizer então que .poucos têm já dúvidas. do que quer que seja. Por tudo isto é muito importante que o filme saia antes das eleições. Se Eurico de Barros quer mesmo que .toda a gente saiba. o que já deu para ver, deveria compreender este esforço de Moore.
Quanto ao .medo. de Moore, ou o estar .mal informado., sabemos bem do que a casa gasta.

Publicado por Filipe Moura às 12:21 AM | Comentários (9)

maio 18, 2004

SAUDADES DE PARIS

Henri Cartier-Bresson, Île de la Cité, 1952

Publicado por José Mário Silva às 09:05 PM | Comentários (3)

O SEU NOME É MARIA

Parabéns (atrasados mas sinceros) a este pai recente, a viver por estes dias o mais feliz dos jet-lags.

Publicado por José Mário Silva às 06:23 PM | Comentários (0)

SANTANA NÃO É BENVINDO

Nestas coisas da língua, Edite Estrela não perdoa. Santana pode propagandear à vontade a sua suposta obra feita, mas sem massacrar o inocente idioma de Pessoa e Cesário Verde. Fico à espera que o Barnabé leve a cabo mais uma das suas extraordinárias petições, desta vez a exigir a compra imediata de um prontuário para os Paços do Concelho da capital (com c).

Publicado por José Mário Silva às 04:24 PM | Comentários (4)

UMA NO CRAVO, OUTRA NA FERRADURA

Já o escrevi aqui e não me incomoda repeti-lo: aprecio a honestidade intelectual do Pedro Mexia. Admiro a desenvoltura com que ele se descola dos abutres direitistas da escola Vasco Rato. E nem precisaria de me informar no Dicionário do Diabo para calcular que, tivesse ele (o Pedro, não o Diabo) sabido então o que sabemos hoje e nunca teria apoiado a invasão do Iraque.
Mas também não vejo razões para partilhar o entusiasmo que o Filipe deixou expresso num post abaixo, a propósito do artigo do Mexia que hoje saiu no DN.
Começa por me desagradar a abertura, onde ele escreve que não vai "entrar em .auto-crítica.. Desde logo, porque não pratico métodos soviéticos. Depois, porque não reconheço nenhuma infalibilidade especial aos clamantes, que se .enganaram. e .enganam. sobre regimes soviéticos e outra quinquilharia"!
Aqui temos algumas revelações infelizmente pouco extraordinárias.
Começando por uma pérola já algo gasta: os que barafustaram contra esta guerra absurda eram adeptos/cúmplices dos regimes comunistas! Todos. Sem excepção digna de ressalva. Começando na escala nacional de um Mário Soares e indo até esse conhecido cripto-comuna francês, o Jacques Chirac. Então não sabemos que, para se ser contra a invasão do Iraque, era obrigatório o cartão de compincha de Saddam e de amigalhaço dos soviéticos?
Aqui, ainda faltou - seja dado o mérito a Mexia . a velha litania do "porque não reclamavam contra os crimes de Saddam?". Muito provavelmente, ele até sabe bem, por exemplo, que os únicos "clamantes" a favor dos martirizados Curdos . tenham eles a desgraça de viver em território turco ou não . vinham exactamente das fileiras dos "enganados" pela quinquilharia esquerdista. Muito antes de os EUA decidirem que Saddam afinal era mau . e não um precioso aliado -, já muita gente lutava contra a indiferença de governantes, media e figurões vários face ao drama curdo. Estranho mas verídico: houve quem não precisasse de um fax de Washington para "clamar" contra Saddam.
E que dizer da ideia segundo a qual a auto-crítica é por certo um processo "soviético"? Se isto não é vislumbrar debaixo da cama papões já falecidos, o que será? Normal parecer-me-ia admitir o erro, sem que isso implicasse sequer remotamente conceder a tal "infalibilidade" aos oponentes de esquerda!
A coisa segue por mais uns parágrafos no mesmo rumo: "Finalmente, reconhecer que a guerra não tinha base de sustentação não implica dar razão aos argumentos desonestos, falaciosos e pulhas de grande parte da esquerda." Este é um falso argumento em si: claro que nem todos os argumentos contra a guerra eram correctos. Mas os fulcrais eram-no: havia que permitir que o trabalho dos inspectores se finalizasse; as provas da existência das ADM eram tíbias (e bastava um pequeno esforço de memória para recordar a crise dos mísseis de Cuba como contraponto); os pressupostos de adesão popular dos iraquianos apoiavam-se apenas em sonhos e quimeras; o day after fora completamente ignorado da planificação invasora; os passos anteriores ao início da guerra . como a cimeira dos Açores- foram uma vergonhosa encenação levada a cabo em acelerada corrida, não fosse a equipa de Hans Blix conseguir chegar a conclusões definitivas; a invasão foi ilegítima, etc.; etc.
E há mais: "Seja como for, a questão agora é saber se o argumento ADM foi um erro ou um embuste." Não foi uma coisa ou outra; foi ambas. E, hoje, só se pode fazer de conta que não se sabe que houve uma grande e persistente vontade de acreditar em certas fontes e de descartar outras. Com efeito, a "informação" em que se baseou a decisão de invadir teve, directa ou indirectamente, quase uma só fonte: o Iraqi National Congress de Achmed Chalabi. Já antes da guerra muitos analistas americanos alertaram contra o risco tremendo que foi confiar em dados fornecidos por quem sempre teve como ambição central da sua vida tomar o poder no Iraque. Artigos no espírito deste já abundavam há muito.
Mas existiram igualmente embustes óbvios, como a utilização à laia de prova da suposta tentativa de compra de urânio à Nigéria, com base num documento que o Pentágono já sabia ser falso. E não esqueçamos as revelações do insuspeito Paul O.Neil: logo no dia 12 de Setembro de 2001, os falcões só tinham uma palavra nos bicos acerados: "Iraque!" Cada memo enviado a Cheney ou a Miss Rice com outras pistas era devolvido com a mesma indicação: "wrong answer". Aliás, logo quando subiu ao poder, Bush Jr levou consigo a ideia da guerra preventiva contra o Iraque; encontrar "provas" para a justificar foi apenas uma minudência burocrática depressa cumprida.

E que diz Mexia do presente? "Os EUA e a comunidade internacional têm a obrigação de minorar o desastre e garantir uma transição minimamente aceitável. E não podem simplesmente debandar - como a esquerda gosta - mas reparar o mal que está feito e aproveitar o bem que foi feito (o derrube de uma tirania)."
Quer isto dizer que a "comunidade internacional" tem agora a "obrigação" de remendar a desgraça causada pelo inexistente planeamento do período pós-invasão. Mesmo países que se tenham manifestado contra esta aventura imperial "têm" de confiar os seus militares ao mando americano; Rumsfeld já avisou que a entrega das operações à ONU é impossível pois "nunca um soldado americano obedecerá a ordens de um general estrangeiro". Isto faz-me pensar num miúdo que, contra o conselho dos vizinhos, assalta uma colmeia de vespas; quando se vê rodeado de ferrões furiosos, clama que os mesmos vizinhos "têm a obrigação" de o ajudar a combater as vespas!
Agora, os cérebros febris do Pentágono até já sonham com uma força de interposição angariada (ou alugada) em África, onde por certo se compra um batalhão pelo preço de um GI...
O pior é que a política do fait accompli é sempre garantida: claro que hoje é impensável deixar aquele inferno em auto-gestão. Irónico vai ser, nos próximos meses, admirar o espectáculo da debandada americana . e não da tal "esquerda" -, em obediência urgente aos ditames do calendário eleitoral de Bush Jr. Que não restem a ninguém dúvidas de que ele deixará os iraquianos entregues à bicharada num segundo se a isso for obrigado pelas sondagens domésticas...

Quanto às misérias de Abu Ghraib, Mexia condena as torturas com a indispensável veemência. E admite que os casos «pouco representativos» e «isolados» podem bem ser reflexo de uma política concertada e já concretizada em locais como Baghram e Guantánamo.
Aqui, só posso aplaudir. O artigo finaliza com uma manifestação de descrença nas qualidade do bicho-homem que infelizmente até partilho. E distancia-se da barulhenta tribo dos apoiantes portugueses do Monkey Boy do Texas ao reconhecer, com amargo pessimismo, que "as cenas da prisão de Abu Ghraib, mesmo pelo seu valor icónico, representam a derrota máxima dos nossos valores."

Tudo isto para dizer que, no que toca ao final do artigo, até concordo com o pensamento do Pedro Mexia. Quanto a estes derradeiros parágrafos . mas apenas aqui . consigo fazer meu o encómio do Filipe: é d.homem!
Quanto ao resto, fico com a esperança: ele ainda vai ver a luz...

Publicado por Luis Rainha às 04:09 PM | Comentários (4)

O MEU ONZE TITULAR

É este (com os possíveis substitutos entre parêntesis):

Guarda-redes: Quim (Ricardo)

Defesa-esquerdo: Rui Jorge (Nuno Valente)

Defesas centrais: Ricardo Carvalho (Beto) e Jorge Andrade (Fernando Couto)

Defesa-direito: Paulo Ferreira (Miguel)

Médios defensivos: Costinha (Tiago) e Maniche (Petit)

Médios ofensivos: Figo (Cristiano Ronaldo) e Deco (Simão Sabrosa)

Pontas-de-lança: Pauleta e Nuno Gomes (Hélder Postiga)

Publicado por José Mário Silva às 04:05 PM | Comentários (6)

OS 23 DE SCOLARI

Guarda-redes: Ricardo (Sporting); Quim (Sp. Braga); Moreira (Benfica)

Defesas: Paulo Ferreira (F.C. Porto); Miguel (Benfica); Fernando Couto (Lazio); Jorge Andrade (Corunha); Beto (Sporting); Ricardo Carvalho (F.C. Porto); Rui Jorge (Sporting); Nuno Valente (F.C. Porto)

Médios: Luís Figo (Real Madrid); Cristiano Ronaldo (Manchester United); Petit (Benfica); Costinha (F.C. Porto); Tiago (Benfica); Maniche (F.C. Porto); Deco (F.C. Porto); Rui Costa (Milan); Simão (Benfica)

Avançados: Pauleta (PSG); Nuno Gomes (Benfica); Hélder Postiga (Tottenham)

Nada de muito surpreendente. Sai Boa Morte e entra Maniche (uma questão de bom senso), insiste-se na ausência de Baía (o equivalente português de Romário; ou seja, a embirração pessoal de Scolari), e premeia-se a época brilhante de Moreira (embora duvide que saia do banco).
A equipa tem qualidade? Tem.
Agora falta o resto. O mais difícil. Ser melhor. E conseguir ganhar.

Publicado por José Mário Silva às 03:57 PM | Comentários (4)

AGORA QUE NINGUÉM ESTÁ A OLHAR


Cartoon de Daryl Cagle, slate.com

Publicado por José Mário Silva às 02:23 PM | Comentários (2)

A .GERAÇÃO DE 70. DE HOJE

Todo o artigo é imperdível.
Na parte principal temos o texto sobre a guerra que o Pedro Mexia andava a prometer já há algum tempo, bem antes das tristes revelações sobre a prisão de Abu Ghraib.
O artigo é o Pedro Mexia igual a si próprio. Chamem-lhe coragem, dignidade, honestidade ou tubaros. (Ele está de volta! Subam lá o rapaz no blogómetro, que 317 visitas diárias do sitemeter para ele não é nada.)
Demonstrado fica também (pelos seus kalkitos) como é injusto juntar simplesmente o João Miguel Tavares à .nova direita., e a confusão em que o rapaz anda desde 11 de Setembro de 2001. Nessa data o João decepcionou-se com a esquerda. Eu também me decepcionei com certa esquerda, mas não era motivo para abandonar o barco, até porque mesmo dentro das diferentes esquerdas nunca houve uma só opinião sobre este assunto. Está na altura de o João reencontrar a .linha justa., de onde nunca deveria ter saído. Pelo que ele escreveu, está no bom caminho. Força, João!

Publicado por Filipe Moura às 11:24 AM | Comentários (10)

O NOSSO MAINARDIZINHO

Dizer isto é injusto e até insultuoso para o Pedro Lomba que, sendo um doutorando, tem uma carreira académica muito mais brilhante do que o Diogo Mainardi, que se arma em grande sumidade mas foi passear para Londres e nem um bacharelato fez. Mas a influência no estilo de escrita, neste kalkito, é inegável:

.Bom Copo Lula, o mais conhecido torneiro mecânico do Brasil, bebe. Nenhum problema. E se ele governa bebendo, se foi o álcool a acalmar o radicalismo do PT brasileiro, que beba mais..

Publicado por Filipe Moura às 11:21 AM | Comentários (4)

BABY BUSH IN BABY LONIA

Muito interessante a leitura do livro de Tariq Ali "Bush in Babylon".
Não é uma perspectiva "independente", é uma perspectiva de esquerda da história do Iraque desde a queda do Império Otomano e o papel nefasto que desde aí tiveram nessa região as várias potências colonialistas.
Aí se pode saber que o primeiro poder a gasear a população iraquiana não foi o Saddam Hussein.

Publicado por tchernignobyl às 12:02 AM | Comentários (3)

maio 17, 2004

A FÚRIA DO GI

Esta discussão acerca das guerras "humanitárias" pela "defesa da civilização" já vem de muito longe.

Publicado por tchernignobyl às 11:52 PM | Comentários (1)

FALIDO

Hoje de manhã encontrei numa estante da Buchholz o livro «Wealth and Poverty», do histérico pregador George Gilder, o criador de uma seita adepta fanática do "mercado" que veiculava a sua fé recorrendo a uma linguagem saturada de "sound bytes" ultra-hyper-avançados tecnologicamente, uma espécie de apóstolo da Reaganomics e dos "suply-siders" que até ao crash do Nasdaq e das dotcoms foi um dos gurus da "nova economia" e logicamente da interessantíssima «Wired» na sua fase mais fervorosamente ultraliberal (1).
Melhor ainda, a sua então lucrativa newsletter, Gilder Tecnology Report, aconselhava as opções certas de compra na bolsa a multidões de "investidores" ansiosos por se multimilionarizarem da noite para o dia à custa do "crescimento infinito".
Como seria inevitável, a contracapa do livro tem uma série de críticas laudatórias à altura da fúria liberalizadora do George, dizendo uma delas que "demonstra como se produz a riqueza investindo e como a redistribuição só conduz à pobreza".
Certamente por ter falhado aos seus próprios princípios e por redistribuir demais, George é hoje um homem falido, resultado do rebentamento da "bolha". Ele e muitos dos que assinavam (a preço de ouro, pudera) a sua newsletter em cujas recomendações acreditavam tão piamente quanto um crente julga limpar a alma ao cumprir a penitência recomendada pelo ministro de deus após a confissão. Neste caso, tratava-se de acções, boas acções que era suposto darem muito dinheiro. Hélas, a árvore das pacatas secou, a economia limitou-se a seguir o ciclo normalérrimo das crises e o "crescimento infinito" rebentou. Não me custa acreditar que hoje em dia, fiel aos seus princípios, recuse qualquer auxílio da Segurança Social. Antes teso pela fé do que arruinado por manifestar algum resquício de desejo pela redistribuição e aceitar ir ao bolso de algum milionário pela via funesta dos impostos.
Seria uma imoralidade que lhe faria certamente perder a alta estima em que o têm os donos das grandes empresas que tanto apreciam a sua PALAVRA.

(1)Ultimamente, coitados, andam tão em baixo que já foram chamados à pedra pelos zelotas da «Economist» por terem ventilado os queixumes de alguns programadores americanos, técnicos ultraqualificados atirados para o desemprego pela deslocalização de alguns serviços de produção de software para a Índia, e agora mais receptivos à adopção de medidas reguladoras que os protejam.

Publicado por tchernignobyl às 11:40 PM | Comentários (0)

REFUZNIKS

De entre os nossos defensores oficiosos da crueldade mórbida que os arrogados representantes do "povo eleito" exercem diariamente sobre populações desapossadas de quase tudo, a senhora Mucznik ainda se consegue destacar pela positiva. É que de quando em vez ainda "lamenta" um ou outro excesso do Sharon embora deixe sempre implícito que é mais uma questão de temperamento de um homem já gasto e incapaz de resistir à pressão da irrazoável intransigência palestiniana.
Na última crónica do público, da sua condição de apoiante discreta e civilizada de um Governo com as mãos imaculadamente limpas exortou mesmo os americanos a "não descerem ao nível dos seus inimigos", oração bem intencionada mas exalando um indubitável perfume racista houvesse a pachorra para imitar os defensores oficiosos e a sua paranóia à cata de manifestações subtis, imaginárias ou subliminares de anti-semitismo.
Mas tanto a senhora Mucznik como os outros componentes do bloco monolítico dos defensores oficiosos do colonialismo e do racismo israelita, não entendem que não é a negação da evidência, e a esterilidade da éxege de um putativo "anti-semitismo" generalizado disseminado pelas críticas justas de grande parte do planeta às políticas racistas e desumanas do Estado de Israel que contribuem para fazer recuar o anti-semitismo.
Os que fazem recuar o anti-semitismo são os refuzniks a quem invejo a coragem e OS QUE SE MANIFESTAM. Ponham aí os olhinhos.

Publicado por tchernignobyl às 10:42 PM | Comentários (3)

De Nobel da Paz a "papillon" da democracia via bombardeamento

Se me tivessem avisado há uns anos atrás que teria de vir a ler baboseiras como o texto hoje assinado pelo ramos horta no público bem que eu tinha poupado muitas solas dos meus sapatos em manifs e vigílias.
Está lá tudo, desde a teoria da "cedência à chantagem", à justificação de tudo o que sejam bombardeamentos, à teoria da "libertação" e não sei mais o quê.
Só falta enrolar o papillon por cima da cabeça à laia de Tchador e repetir o discurso néscio da "vencida" Helena Matos.
E isto à pala de ser "nobel da Paz", esquecendo-se que também o Arafat o é e não pode ainda andar passear a merda do papillon porque está cercado pelos israelitas em condições degradantes.
Se não fosse pelos inocentes chacinados pela Indonésia desde a invasão apetecia desejar-lhe que tivesse apanhado pela frente a patrulha do bush na altura do referendo pró independência, com um primeiro ministro português tipo paulo portas à cata dos comunas da fretilin.
E que ele, ramos horta estivesse em timor nessa altura.

Publicado por tchernignobyl às 09:50 PM | Comentários (5)

O regresso dos coronéis

Continua o bailado sinistro dos torcionários empurrando de uns para os outros a responsabilidade pelo tratamento .pontual. dado aos prisioneiros em Abou Ghraib e um pouco por todo o lado no Iraque e no mundo onde é necessário puxar as orelhas à oposição para usar a expressão consagrada por um grande democrata português do passado.
O jornalista Seymour Hersh, que tem desempenhado um papel importante na denúncia da situação na New Yorker, afirma que ela é consequência de directivas aprovadas pelo tio Rumsfeld e pelo seu colaborador Stephen Cambone.
Num desenvolvimento tranquilizador o Pentágono emitiu um desmentido negando que algum responsável do ministrério da defesa tenha aprovado qualquer programa que fosse destinado a produzir as violências descritas recentemente e que em particular o sr Cambone .nunca teve qualquer responsabilidade nos programas de interrogação de detidos no Afeganistão, no Iraque ou seja onde for.....
Como dizem os algarvios, .alguma veij ???".
A confiança que merecem os desmentidos do Pentágono, construida ao longo de décadas de irrepreensível fiabilidade esclarecem sem margem para qualquer dúvida as pessoas de boa fé.
Mas já o Washington Post do passado Domingo publica um artigo em que afirma terem sido os métodos pouco convencionais de interrogatório aplicados no Iraque a pedido de um tal coronel Pappas, com autorização do general Sanchez e com o conhecimento e acordo do Pentágono e do sr. Cambone.
Alguns mais mal intencionados, vêem nesta situação apenas a face visível de um iceberg que já vem de longe e com cumplicidades que nem lembram ao diabo. Porém, só por si, a intervenção de um coronel Pappas é um verdadeiro achado carregado de simbolismo.
Lembra o poder de reconversão da grande democracia americana e da sua sempre renovada capacidade de integrar conceitos há décadas desaproveitados depois da queda do primaveril .regime dos coronéis. gregos nas complexas tarefas do .nation building. e da construção da democracia no Médio Oriente. Ali perto, também os tanques israelitas continuam a sua incansável missão civilizadora e munidos de uma muito legalmente aprovada ordem do tribunal . que mostra como é diferente e civilizado o sistema israelita . demolem mais umas casas de palestinianos na faixa de Gaza ( de onde sublinhe-se os israelitas ponderam a decisão de retirar próximamente mas não sem antes deixarem obra) . Os palestinianos agora desalojados, apenas alguns milhares, lamentavelmente, apenas podem queixar-se de si próprios, pois quando construiram as suas casas deveriam ter acautelado se por ali não estaria já prevista a passagem de alguma faixa do famoso .road map. que tanto progresso tem trazido à região.

Publicado por tchernignobyl às 06:54 PM | Comentários (2)

UMA RAZÃO DE MONTA PARA TORCER PELO FCP


Os portistas, na sua maioria, moram longe.

Publicado por Luis Rainha às 06:38 PM | Comentários (6)

A MINHA PRÓXIMA COMPRA

Está na FNAC, ao preço da chuva. Por apenas 39,90 euros, um pack de 4-DVD-4 com as oito longas-metragens de Sergei Eisenstein (mais três curtas de bónus).

Publicado por José Mário Silva às 04:05 PM | Comentários (9)

108 INIMIGOS MORTAIS DOS BLOGUES

Nada de lirismos à Luis Rainha, com "nuvens encarniçadas", "bikinis" e "o ocaso de Vénus". Os meus inimigos são mais concretos. São de madeira sólida, como teclas de um piano que sobe às alturas, oitavas a treparem paredes acima, quase sem se agarrarem ao corrimão.
Os homens das mudanças contaram-nos. Eu confirmei. Cento e oito: os degraus. A quotidiana via sacra até ao quinto piso. E lá dentro, ainda por erradicar, a desordem própria de todos os recomeços.

Publicado por José Mário Silva às 02:30 PM | Comentários (5)

A ZONA CINZENTA


A quem pretende sustentar que os horrores de Abu Ghraib se ficaram a dever a uns quantos jovens estouvados sujeitos a deficiente controlo por parte das suas chefias, recomenda-se a leitura do artigo"The Gray Zone", da New Yorker. A prosa de Seymour Hersh começa assim: "The roots of the Abu Ghraib prison scandal lie not in the criminal inclinations of a few Army reservists but in a decision, approved last year by Secretary of Defense Donald Rumsfeld, to expand a highly secret operation, which had been focussed on the hunt for Al Qaeda, to the interrogation of prisoners in Iraq."
A leitura do artigo completo vale bem a pena. Bush já declarou que se trata de uma cabala. Por cá, pouco deve tardar até que alguém venha perguntar-nos porque nos calámos aquando dos desmandos do Copcon...

Publicado por Luis Rainha às 01:13 PM | Comentários (0)

18 INIMIGOS MORTAIS DOS BLOGUES

O calor. O batido de morango ao pequeno-almoço. A bicha na nossa estrada preferida. A aula de surf do miúdo. A esplanada onde não desliza uma aragem. A praia aqui tão perto. A bela caipirinha. Os bikinis. A ausência de bicha na nossa estrada preferida. O Benfica! O pôr-do-Sol que parece durar horas. Os amigos que nos visitam sem avisar. O chiar das brasas sob as postas de salmão. O anoitecer estriado de nuvens encarniçadas. O passaroco enorme que também parece entontecido pelo estio temporão. O ocaso de Vénus, às 11 em ponto. A suspeita de que estas coisas todas são igualmente importantes para os leitores de blogues. A promessa: "para o próximo Domingo, não me baldo".

Publicado por Luis Rainha às 12:02 PM | Comentários (1)

EU SIMPATIZO MUITO...

É verdade: simpatizo muito com Lúcia Guimarães. Gosto do que escreve, gosto do programa que faz, e já tive ocasião de trocar uns emails com ela sobre a imagem dos brasileiros em Nova Iorque, a que respondeu, sempre simpatiquíssima.
Isto fará de mim machista?
Vem isto a propósito da entrevista de ontem ao DN da deputada Isabel Castro.
Durante a entrevista, a deputada contorna completamente a questão (para ela incómoda, mas a meu ver válida) da legitimidade política do partido que representa (o Partido Ecologista). E a determinada altura tem esta afirmação: .E há uma nota, na observação do primeiro-ministro, absolutamente fantástica, que é dizer que até «simpatiza com a senhora». (...) Há [aqui] uma enorme dose de machismo. Porque o primeiro-ministro nunca diria de um deputado, homem, «eu até simpatizo com o senhor»..
Não sei se é este o caso de Durão Barroso, mas eu quando simpatizo com alguém tanto digo .simpatizo com a senhora. como .simpatizo com o senhor.. Como queria Isabel de Castro que Durão Barroso dissesse que simpatiza com ela?
Também eu escrevi aqui um texto em que contava as minhas boas experiências com judeus norte-americanos e o que tinha aprendido com eles. Pois não faltou quem dissesse que só um "anti-semita" teria necessidade de estar a afirmar o que afirmei...
Não teremos todos nós uma tendência para nos ofendermos muito facilmente? Fala-se muito na hipocrisia de certa correcção política nos EUA. Mas e que dizer da paranóia a que se chega aqui em Portugal?
É possível que, a lidar com estas e outras minorias e os seus problemas específicos, eu pareça algo insensível. Preocupo-me com as minorias e sou contra todo o tipo de discriminação (negativa e positiva). Agora, penso muito mais no conjunto do que em cada indivíduo em si, e procuro analisar as coisas racionalmente.
Para os casos menos graves de hipersensibilidade e hipercorrecção política, sugiro uma cura de audição e leitura intensivas de Caetano Veloso. Ver o Seinfeld também ajuda.
Mas a minha impressão é que isto anda mesmo tudo maluco.

Publicado por Filipe Moura às 12:34 AM | Comentários (10)

INDEFENSÁVEL

Foi com este título que o Rui Tavares escreveu um excelente texto sobre o .caso Lula-NYT.. Lúcia Guimarães, no seu artigo de ontem no DN, também utiliza a mesma palavra no título. É um artigo que recomendo vivamente, pela análise e pelas conclusões. E até porque a corajosa Lúcia (uma senhora com quem simpatizo muito) revela factos sobre a origem do caso que para mim são novos: .A selecção de fontes do Times - Leonel Brizola, Diogo Mainardi e Claudio Humberto, compromete a independência da reportagem de Rohter. Mainardi é meu colega de programa e é capaz de descobrir alguma ligação entre a crise na dança moderna contemporânea e os desmandos do PT..
Não sei qual terá sido o papel do jornalista, mas tal reportagem poderá ter sido uma armadilha da oposição (de direita). Nomeadamente de Diogo Mainardi, um exemplo típico de um brasileiro que só critica destrutivamente o seu país e o seu povo, mas que sempre viveu à custa dele, mesmo quando passou largas temporadas no estrangeiro .civilizado.. Só num país como o Brasil lhe prestariam tanta atenção. (Em Portugal Mainardi também tem o seu clube de fãs, infelizmente mesmo na direita blogosférica inteligente.)
Lula, um homem muito mais digno que Mainardi, caiu na armadilha como um patinho. Felizmente voltou atrás, mas não esteve à altura de um estadista. Espero que a imagem e credibilidade internacional que merecidamente conquistou não tenham ficado seriamente afectadas.

Publicado por Filipe Moura às 12:30 AM | Comentários (3)

maio 16, 2004

FINAL DA TAÇA (2)

Parabéns ao S.L.B. e a todos os benfiquistas.

PS- Quando Mourinho ganha, com sistema ou sem sistema, chega a parecer humano. Mas quando perde, com justiça ou sem justiça, cai logo a máscara.

Publicado por José Mário Silva às 11:53 PM | Comentários (2)

FINAL DA TAÇA

Alguém pode explicar porquê, havendo dez estádios novos para o Euro 2004, qualquer um deles muito melhor do que o estádio do Jamor, a final da Taça de Portugal se continua a disputar neste estádio obsoleto, desconfortável e inseguro?

Publicado por Filipe Moura às 04:12 PM | Comentários (27)

maio 15, 2004

OS "COISOS" DO CAMARADA ENVER

Pois. Segui a sugestão do Filipe e fui fazer o diabo dos testes. Mas já desconfiava que a coisa ia dar nisto: fui mais uma vez insultado por um site manhoso.
Acham que exagero? Então, vejam bem que "Classical Movie" sou eu...



E que dizer do "Famous Leader" que melhor reflecte a minha personalidade?

Publicado por Luis Rainha às 04:44 PM | Comentários (9)

DEBATE PRÉ-EURO

Hoje à tarde, pelas 16 horas, a bola vai saltar na Abril em Maio. O tema da conversa é, imaginem, «Que futebol?». O painel de convidados não podia ser mais crítico e heterodoxo: Marc Perelman, Patrick Vassort (autor de «Futebol e Política») e o editor Vítor Silva Tavares. A coisa promete. Mais informações aqui.

Publicado por José Mário Silva às 01:22 PM | Comentários (0)

OS BENEFÍCIOS DO ALARGAMENTO JÁ CHEGARAM A PORTUGAL!


Nem uma semana tardou. Nas antes tristonhas e expectantes prateleiras dos nossos supermercados, já podemos admirar o verde brilho das garrafas de uma das melhores cervejas do mundo: a Budweiser!
Não se alarmem que os EUA ainda não chegaram à CE. Falo da Budweiser Budvar, a magnífica lager nascida na República Checa. Depois de anos e anos em que era mais fácil encontrar uma pegada de Yéti na Serra de Sintra do que tal néctar à venda em Portugal, chegou a hora de tirarmos as gargantas desta sequiosa miséria. E nem uma semana tivemos de aguardar, após o alargamento, para o advento miraculoso! Numa demonstração clara que isto do livre comércio até tem as suas vantagens, a Budweiser custa agora menos de metade dos quinhentos e tal escudos que antes tínhamos de esportular por botelha...
Eu sei que pode parecer quase blasfemo colocar aqui uma imagem de uma garrafa de cerveja perto da belíssima fotografia de Weston que o Zé Mário nos ofereceu. Mas corram a provar uma Budweiser Budvar e digam-me lá se não se trata também de uma obra-prima...
Por fim, e para dar um ar político a este post algo sibarita, posso falar-vos da batalha legal que a humilde cervejeira checa tem mantido desde 1911 com o colosso yankee Anheuser-Busch, pelo direito ao nome Budweiser; este também é usado pela mistela aquosa que os americanos consomem avidamente, na ilusão de que se trata de cerveja...

Publicado por Luis Rainha às 01:12 PM | Comentários (10)

maio 14, 2004

TODA A NUDEZ SERÁ LOUVADA

«Nu», por Edward Weston (1936)

Publicado por José Mário Silva às 08:47 PM | Comentários (24)

SÓ É PENA NÃO SER CORRESPONDIDO

Santana Lopes assumiu «paixão por Lisboa», diz o DN.

Publicado por José Mário Silva às 08:45 PM | Comentários (7)

4 GREGUERÍAS (OU UM ACICATE PARA O REGRESSO DA MARTA)

Quando a mulher pede salada de frutas, para dois, está a aperfeiçoar o pecado original.

O problema do desejo é que volta sem avisar.

Não há nada mais comovente do que o riso de uma mulher que chorou muito.

O beijo é um parêntesis sem nada dentro.

Frases "roubadas", sem pudor, a um defunto (o genial Ramón Gómez de la Serna)

Publicado por José Mário Silva às 08:37 PM | Comentários (3)

O PADRINHO CLINTON

Aproveito para divulgar os meus resultados . os quais não me desagradam nada . e renovar a sugestão aos nossos leitores e aos restantes colaboradores do BdE: façam estes testes e digam-nos os vossos resultados.



What Classic Movie Are You?.


What Famous Leader Are You?.

(Como comentário à caracterização como Bill Clinton, eu recordo aqui o essencial da minha filosofia política: se há crise, a direita que pague! Recordo também a minha grande batalha do momento: Dias da Cunha à presidência da República! Serão estes pontos de vista populares?)

Publicado por Filipe Moura às 08:31 PM | Comentários (6)

SOZINHO EM CASA

Mas afinal onde é que se meteram todos?

Publicado por José Mário Silva às 08:30 PM | Comentários (6)

VÍTIMA COLATERAL

Publicado por José Mário Silva às 06:52 PM | Comentários (1)

TRASEIRAS

Cobertos de caliça e pó, os homens desarmavam andaimes nas traseiras do prédio. Pouco a pouco, iam desfazendo a frágil construção, como quem abate uma árvore. Trabalho todo de músculos e força bruta, corpos a darem de si com o cansaço tão próximo da hora do almoço.
À medida que diminuíam as tábuas e tubos de metal, aumentava o ruído do grupo, a vozearia, a cascata de gritos, risos alarves, insultos. De repente, não sei porquê, dois homens pegaram-se à distância, com palavras que punham em causa a respectiva virilidade e a intocável honra das mães. Triste espectáculo, as bocas cheias de escárnio acéfalo, o lastro mais negro da testosterona. Homens a fingir que são homens em frente de outros homens. Homens com medo de não serem suficientemente homens aos olhos de outros homens. Gestos bruscos, boçalidade sem travão, toda a retórica da baixeza humana.
À hora do almoço, as traseiras do prédio não eram só as traseiras do prédio. Eram as traseiras da humanidade.

Publicado por José Mário Silva às 06:44 PM | Comentários (8)

LINCOLN ON THE ROAD

O Filipe pediu que fizéssemos, aqui no BdE, uns testes de personalidade divertidos.
Nada contra.
Os meus resultados foram:

WHAT CLASSIC MOVIE ARE YOU?



What Classic Movie Are You?
personality tests by similarminds.com

WHAT FAMOUS LEADER ARE YOU?



What Famous Leader Are You?
personality tests by similarminds.com

Enfim. Podia ser pior.

Publicado por José Mário Silva às 02:41 PM | Comentários (9)

QUE LÍDER/FILME É VOCÊ?

A Emiéle, no Afixe (que viu o teste nos Marretas) sugere dois testes de personalidade engraçados e (julgo que) bem feitos. Cada um tem três graus de .pormenor.; quanto maior este grau, obviamente mais fiável será a resposta. Tenho curiosidade em saber a que correspondem os membros do BdE e os nossos leitores mais regulares. Deixem a resposta nos comentários. Eu supostamente sou o Bill Clinton e .O Padrinho..

Publicado por Filipe Moura às 01:51 AM | Comentários (4)

maio 13, 2004

QUINOTERAPIA

«. São as multinacionais, filho, a celebrar um novo aniversário da sua independência, quando, num dia como hoje, conseguiram libertar-se de qualquer escrúpulo ético.»

Publicado por José Mário Silva às 08:09 PM | Comentários (0)

HÁ NA BLOGOSFERA LUGARES MAL FREQUENTADOS

Este, por exemplo.

Publicado por José Mário Silva às 08:06 PM | Comentários (10)

GRANDE PROMOÇÃO! NÃO PERCA!

No seguimento da nossa agressiva política de fidelização de audiências - e já depois de termos oferecido uns livros e duas viagens a Cannes . aqui segue este belo engodo para se deslocarem ao debate que hoje vai ter lugar na livraria mais bonita de Lisboa. O debate, já se sabe, vai versar a presença de Fátima na nossa Literatura e contará com os contributos de Pedro Mexia, João Paulo Cotrim, Fina d.Armada e deste vosso criado. Nuno Ramos de Almeida vai moderar a coisa.

Publicado por Luis Rainha às 03:54 PM | Comentários (5)

SEGREDO

Além do pretexto óbvio para o debate na Ler Devagar (hoje é 13 de Maio, caso ainda não tenham reparado), há um outro: a segunda edição de «O Último Segredo de Fátima», publicado pela Má Criação, romance alucinado, alucinante e divertidíssimo, que traz a assinatura de Luís de Castro, um escritor até agora na sombra e extraordinariamente parecido . diga-se . com o nosso Luís Rainha.
A propósito da obra em causa, alinhavei no DN esta recensão elogiosa, tentando quebrar o véu de silêncio que por vezes se abate, injustamente, sobre certos livros. Fiz a minha parte, acho. Agora façam a vossa. Tenho a certeza de que não se vão arrepender.

Publicado por José Mário Silva às 03:02 PM | Comentários (1)

MILAGRE

A 13 de Maio (bis)
Na Ler Devagar
Aparecerão brilhando (bis)
O Luis Rainha, mais o Pedro Mexia,
João Paulo Cotrim, Fina d'Armada
E Nuno Ramos de Almeida.

É às 21h30. Mais informações aqui.

Publicado por José Mário Silva às 02:57 PM | Comentários (1)

O TERROR (AGORA A CORES)


Cartoon de Plantu, «Le Monde»

Publicado por José Mário Silva às 02:54 PM | Comentários (8)

A FUNDAÇÃO CHAMPALIMAUD

Se António Champalimaud decidiu dedicar um terço da sua herança a uma Fundação para o financiamento da investigação em medicina, só lhe fica bem. É talvez uma tentativa de Champalimaud compensar o Estado português por ter recebido os seus bancos de volta a preço de saldo e ainda uma choruda indemnização, para logo depois os ir entregar por um preço muito superior ao grupo espanhol Santander. Mas nem creio que a existência de tal Fundação compense o Estado devidamente, e nem esta invalida nada do que eu atrás disse. No entanto, reconheço que a iniciativa da Fundação é altamente meritória. A concretizar-se será provavelmente o primeiro (e único) acto que o homem mais rico de Portugal fez para o bem do seu povo.

PS: Àqueles que por aí vão insinuando que quem criticou Champalimaud nunca pensa e só se limita a repetir a cassete, eu sugiro: e se mudassem a cassete da "cassete"? Vocês é que estão sempre a repetir a mesma cassete.

Publicado por Filipe Moura às 12:37 AM | Comentários (38)

maio 12, 2004

SÓ TEM UM MÊS E JÁ ANDA QUE SE FARTA

Ainda me lembro do tempo em que o Afixe era um agitador de águas nas caixas de correio do BdE. Agora transformou-se em blogue, acumulou identidades, declinou-se em nomes estranhos (Mérovée, gibel, Emiéle) e ninguém o apanha. Nascido há precisamente um mês, o Afixe é uma alucinante máquina de produzir posts (bons, ainda por cima). Ó Paulo Querido, do que é que estás à espera para lhe atribuíres o título de Employee of the month?

Publicado por José Mário Silva às 10:27 PM | Comentários (6)

O MEU HERÓI É O QUE ESTÁ A CAVALO, À DIREITA

Publicado por José Mário Silva às 10:25 PM | Comentários (5)

DO GÉNERO MONSANTO

A febre das patentes não atinge só o código genético.
Assiste-se neste momento ao eclodir de uma praga de patentes a coberto da defesa da criatividade e da propriedade intelectual que terá por consequência a privatização de códigos e procedimentos que são desde há muito do domínio público.
Para uns será um negócio lucrativo, para outros mais um passo na batalha ideológica e política pela destituição do .público. em favor do .privado..
Todos em conjunto pela asfixia da liberdade e da criatividade.
Neste contexto, esta notícia sobre o risco de a União Europeia vir a legalizar patentes sobre modelos de negócio e algoritmos implementados por computador com a conivência do governo português, parece alarmante e levou à convocatória de uma Manifestação para hoje, dia 12 de Maio, às 19:30, em frente ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial, ao Campo das Cebolas, antecedida por uma Conferência de Imprensa, às 18:30. Mais detalhes aqui.

Publicado por tchernignobyl às 06:20 PM | Comentários (1)

LÓGICA DO TERROR

As notícias que nos dão a conhecer as abomináveis circunstâncias da morte de Nick Berg, um refém norte-americano decapitado no Iraque (presumivelmente por uma facção da Al-Qaeda), confirmam as minhas piores expectativas em relação ao rumo dos acontecimentos na chamada guerra ao terrorismo. Depois das sevícias a prisioneiros iraquianos, fotagrafadas e filmadas na prisão de Abu Ghraib, chega a resposta fundamentalista, ainda mais terrível e brutal.
Na balança da barbárie, a contabilidade é mórbida: homens nus, torturados e humilhados vs uma cabeça sem corpo. É a velha história: o dente por dente, o olho por olho. A velha lógica distorcida. O velho ciclo infernal. E a mesma certeza: não há horror que justifique outro horror. Nem lucidez que apague os infinitos rastilhos.
Entretanto, de choque em choque, sem podermos fazer nada, olhamos para os ecrãs de TV, para as notícias da Net, pressentindo no ar uma espécie de fel, de maldade sem freio, a invadir o mundo.

Publicado por José Mário Silva às 01:59 PM | Comentários (37)

O FARDO IRAQUIANO


Cartoon de Mike Keefe, «The Denver Post»

Publicado por José Mário Silva às 01:33 PM | Comentários (2)

maio 11, 2004

FUTEBOLMANIA

Serei só eu que já não posso ver o Mourinho à frente?
Como se diz num bairro de Londres . ok, pode ser Chelsea ., enough is enough.

Publicado por José Mário Silva às 11:35 PM | Comentários (3)

AGOSTINHO

Morreu fez ontem 20 anos um dos maiores desportistas portugueses de sempre. Foi um grande campeão em Portugal, e só não o foi a nível mundial pelo seu amor ao país e ao seu clube (que também é o meu). Mesmo assim ainda hoje é recordado dentro e fora de Portugal (por exemplo aqui e aqui). Os emigrantes e refugiados portugueses em França eram frequentemente alcunhados como "Agostinho". Quando aprendi a andar de bicicleta, o meu pai e o meu avô chamavam-me o Agostinho. Infelizmente, não foi o meu ídolo (vivo) por muito tempo. Ficou e ficará a memória.

Publicado por Filipe Moura às 11:26 PM | Comentários (7)

ESTE É O JLG DE QUE NÓS GOSTAMOS

«Tomem, e façam saltar o festival», disse Godard em Cannes, enquanto passava cinco mil euros para as mãos dos intermitentes em luta.
Os organizadores, coitados, estão em pânico com a hipótese de sabotagem. Mas eu, cá por dentro, rejubilo.
«Façam saltar o festival».
That's my man.
E fico a imaginar o sorriso de gozo do velho provocador, enquanto fuma um charuto na Croisette.

Publicado por José Mário Silva às 08:43 PM | Comentários (5)

FUTEBOL, CIÊNCIAS SOCIAIS E IMAGEM

Começa na 5ª feira um Seminário Internacional sobre futebol que decorrerá entre 13 a 15 de Maio de 2004 no Instituto de Ciências Sociais (metro Entrecampos). Os coordenadores são os amigos Nuno Domingos, José Neves e Paulo Raposo e a entrada é gratuita. Deixo programa para interessados.

RESUMO
O Futebol é um elemento central na chamada “cultura de massas”, suscitando um envolvimento social ímpar. É ainda um dos objectos culturais contemporâneos que mobiliza uma maior atenção da parte dos media, do Estado ou do mundo empresarial. E, no entanto, ele tem merecido pouca ou nenhuma atenção da parte das ciências sociais. O intuito deste colóquio internacional é contrariar este desencontro. Procurar, num contexto de acumulação de discursos acríticos sobre o fenómeno desportivo, analisar o jogo nas suas diferentes dimensões, da questão dos nacionalismos às relações com o poder político, do fenómeno das claques à economia política do jogo ou à sua configuração jurídica. Nesse sentido, convidámos alguns dos principais académicos que a nível internacional se têm dedicado ao estudo do futebol e, também, académicos portugueses pioneiros nesse mesmo estudo. Mas, porque a possibilidade de outros discursos sobre o futebol não se limita às ciências sociais, atendemos também ao olhar do documentário e da fotografia. Foi, aliás, o intuito de três fotógrafos em procurar outras imagens do jogo que motivou a associação entre o Arquivo Fotográfico de Lisboa e o Centro de Estudos de Antropologia Social do ISCTE na organização deste colóquio.

Marta Lança

PROGRAMA

QUINTA-FEIRA, 13 de MAIO

14h15: Abertura

Conferências:

14h30: Tamir Sorek (Sociólogo, Universidade de Cornell/EUA)
Between the Scorer and the Martyr – the Fractured Public Space of a Palestinian Town in Israel.

16h00: Anthony King (Sociólogo, Universidade de Exeter/Inglaterra)
The New Localism: Football Fandom in the New Europe.

Documentário:
17h30: A Última Selecção, de Vuk Janic, 2000, 85’.
Seguido de Conversa com José Manuel Sobral (Antropólogo, ICS/Universidade de Lisboa)


SEXTA-FEIRA, 14 de MAIO

Conferências:

14h30: João Leal Amado (Jurista, Faculdade de Direito/Universidade de Coimbra)
O Futebolista: Objecto-jogador ou Sujeito-trabalhador?

16h00: Daniel Seabra (Antropólogo, ICS/Universidade de Lisboa)
“Por ti Porto campeão” – A Claque Super Dragões no Contexto Local e Nacional

Fotografia:
17h30: Projecção de Fotografia “Lisboa, Uma Cidade de Futebol”. Com Paulo Catrica (Fotógrafo), Pedro Letria (Fotógrafo) e Miguel Amado (Curador/Sociólogo).


SÁBADO, 15 de MAIO

Conferências:
14h30: Ana Santos (Socióloga, Faculdade de Motricidade Humana/Universidade de Lisboa)
Heróis Desportivos – de Corpo a Ícone da Nação: Eusébio, um Estudo de Caso

16h00: Eduardo Archetti (Antropólogo, Universidade de Oslo/Noruega)
Argentina 1978 and After: Military Nationalism, Football Essentialism and Moral Ambivalence.

Documentário:
17h30: Forza Bastia!, Jacques Tati e Sophie Tatischeff, 1978, 26’.
Seguido de Conversa com João Leal (Antropólogo, FCSH-UNL/CEAS-ISCTE)

CONFERÊNCIAS

Tamir Sorek, Between the Scorer and the Martyr – the Fractured Public Space of a Palestinian Town in Israel.

Sakhin é uma cidade situada em Israel, com uma população de 25 mil habitantes, sendo um lugar central à identidade colectiva da minoria árabe/palestiniana em Israel. Por um lado, o clube de futebol local é a mais importante equipa árabe em Israel. Por outro lado, Sakhrin é a terra em que nasceram três palestinianos mortos, em 1976, pela polícia israelita, num episódio que se tornou numa narrativa heróica de defesa das terras árabes contra as aspirações sionistas. Por um lado, através do futebol, os habitantes da cidade têm encetado um diálogo com o público judeu/israelita, procurando ser aceites pela maioria judia. Por outro lado, através da narrativa histórica, sublinha-se o nacionalismo palestiniano, afirmando-se a continuidade de Sakhnin como um bastião da luta nacional palestiniana. A partir desta dualidade, Sorek problematiza tanto a questão israelo-palestiniana, como a questão das minorias nacionais em geral.


Anthony King, The New Localism: Football Fandom in the New Europe.

Nos últimos dez anos, o futebol europeu sofreu uma grande transformação. O antigo regime internacional, dominante desde a década de 50, foi substituído por uma nova ordem transnacional. Nesta, desenvolveu-se um mercado pan-europeu de jogadores e teceram-se novas redes entre os principais clubes europeus que desafiam as federações nacionais e internacionais. King argumenta que estas mudanças na economia política do jogo decorrem também na cultura dos adeptos. Estudando os adeptos do Manchester United, King analisa o desenvolvimento de uma consciência europeia entre um grupo de indivíduos. Não se trata de um supranacionalismo europeu, mas de um novo entusiasmo por Manchester e de um crescente reconhecimento de que Manchester deve competir autonomamente com outras grandes cidades da Europa.


João Leal Amado, O Futebolista: Objecto-jogador ou Sujeito-trabalhador?

Enquanto agente desportivo, o futebolista é, naturalmente, um jogador, personagem central daquele que se transformou no maior e mais apaixonante espectáculo à escala planetária: o espectáculo desportivo. Nas últimas décadas, porém, tornou-se insofismável que a actividade desportiva pode ser praticada a título profissional e o futebolista pode, consequentemente, surgir como um trabalhador assalariado, exercendo a sua actividade ao abrigo de um autêntico contrato de trabalho. O ordenamento jurídico não podia ficar indiferente a este fenómeno de profunda mercantilização e mediatização do desporto, de profissionalização da prática desportiva e de laboralização do estatuto do futebolista profissional. Assim, se durante décadas imperou a visão do futebolista como objecto-jogador, a inevitável e sempre crescente intromissão do direito estadual e do direito comunitário no sector do desporto implica a transformação do futebolista profissional num sujeito-trabalhador, detentor de dire
itos e liberdades (liberdade de trabalho e profissão a nível estadual, liberdade de circulação a nível europeu). No caminho, alteram-se as representações que todos — a começar pelos adeptos — construíram sobre o futebol e sobre aqueles que o praticam...


Daniel Seabra, “Por ti Porto campeão” – A Claque Super Dragões no Contexto Local e Nacional.

O antropólogo Daniel Seabra tem estudado, já desde há algum tempo, o fenómeno das claques de futebol. No curso dos seus actuais trabalhos de doutoramento tem seguido, particularmente, algumas das principais claques do norte do país. A comunicação que aqui apresenta visa dar a conhecer a claque “Super Dragões”. Contemplará, por isso a caracterização dos seus membros, a história do grupo e ainda as suas principais normas e valores. A relevância do contexto urbano e do Movimento Ultra português para a identidade dos Super Dragões será também considerada .


Ana Santos. Heróis Desportivos – de Corpo a Ícone da Nação: Eusébio, um Estudo de Caso.

O desporto, apesar de referente universal, é talvez um dos melhores indicadores das políticas de identidade – nacional, regional, local – que, face à modernização e globalização, (re)constróem um passado colectivo para servir de emblema à identidade nacional no presente. Os heróis desportivos nacionais, não obstante pertencerem a um campo de grandeza definido e reconhecido publicamente, fazem parte do efémero, sobrevivem com dificuldade à voragem do tempo e, por isso mesmo, desvanecem logo que outros os superam num processo de constante renovação. Como se pode entender, então, a duração, de mais de quatro décadas, de Eusébio da Silva Ferreira?


Eduardo Archetti, Argentina 1978 and After: Military Nationalism, Football Essentialism, and Moral Ambivalence.

Em 1978, decorreu na Argentina o campeonato mundial de futebol. A selecção argentina venceria essa prova. Treinada por uma figura de referência de esquerda, Cesar Menotti, a selecção vencia o Argentina 1978 num contexto em que o país sofria uma sangrenta ditadura militar. A vitória de 1978 tornou-se um ponto de debate e de conflito relevante nos jogos de memória dos diferentes actores sociais do país. São esses trabalhos da memória que Archetti analisa, mergulhando-nos na história do futebol na Argentina e equacionando a sua experiência a diferentes níveis, dos media aos adeptos, do poder político às dinâmicas populares e, particularmente, focando o percurso da equipa e dos jogadores de 78.


DOCUMENTÁRIOS

A Última Selecção (Vuk Janic, 2000, 85’). Seguido de conversa com J.M.Sobral.

O filme segue a “Última Selecção” da Jugoslávia, concentrada para o Campeonato da Europa de Futebol de 1992, do qual seria excluída como sanção devida à guerra nos Balcãs. O documentário equaciona, a partir de jogadores como o sérvio Dejan Savicevic ou o croata Zvonimir Boban, as questões nacionais tão evidenciadas no espaço balcânico.


Forza Bastia! (Jacques Tati e Sophie Tatischeff, 1978, 26’). Seguido de conversa com João Leal.

Num singular trabalho, Tati segue um dia da cidade corsa de Bastia, em Abril de 1978. Nesse dia, o clube local, o Bastia, defronta o clube holandês do PSV Eindhoven. A experiência do jogo é focada na sua diversidade, das bancadas ao relvado, das rua do bairro à torre da igreja, num raro retrato da densidade social do jogo.

Publicado por José Luís Peixoto às 08:04 PM | Comentários (3)

DIATOMÁCIAS

Não são de cristal.

Embora pareçam.

São algas diatomácias.

Obras-primas da Natureza.

Sim, essa gloriosa artista involuntária.

Publicado por José Mário Silva às 05:37 PM | Comentários (9)

NOTICIÁRIO AMBIENTAL (2)

O post do Zé Mário fez-me recordar algo que escrevi há quase um ano, no Muro sem Vergonha, a propósito da incrível saga de Percy Schmeiser. Pedindo desculpa pela reciclagem a quem já tenha lido a coisa, aqui vai:
"Imaginem-se na pele de um pacato agricultor canadiano com extensos campos de colza. Este vegetal é por vós cultivado anualmente com sementes de um tipo específico que vos levou 55 anos a apurar. E destina-se a ser vendido a clientes que exigem produtos geneticamente puros.
Agora, imaginem o belo dia em que vos bate à porta um advogado da multinacional Monsanto. Este gigante comercial vende não só alguns dos herbicidas mais vulgares do planeta . como o Roundup . mas também variedades alteradas de cereais que lhes resistem; as vantagens de poder usar produtos químicos que atacam as ervas daninhas e poupam as culturas são óbvias.
O que queriam do senhor Schmeiser os representantes da Monsanto? Exigir-lhe o pagamento de uma 'avença de tecnologia', pois haviam encontrado nos seus campos colza geneticamente modificada para resistir ao Roundup.
Como fizeram semelhante descoberta? Simples: a Monsanto mantém um programa de recompensas a quem denuncie vizinhos suspeitos de usar tais sementes à socapa; o prémio, há uns anos, era um bonito blusão de cabedal... Além disto, a Monsanto sente-se no direito de espalhar, de avião, Roundup sobre culturas alheias só para ver se as plantas resistem ou não!
Um aspecto decisivo da relação entre a Monsanto e os agricultores seus clientes é que estes estão proibidos de guardar sementes de um ano para o outro; devem adquirir sementes novas a cada sementeira. Quem não o faz pode logo contar com a visita dos investigadores contratados pela empresa americana. As plantas modificadas estavam efectivamente na propriedade de Schmeiser, numa proporção que nem o tribunal conseguiu apurar com clareza.
Acontece é que a colza made by Monsanto é conhecida por se espalhar com a maior das facilidades, tendo já sido detectada a mais de 4 quilómetros da sua origem. Seja pelas viagens aéreas do pólen, por sementes largadas de camiões, ou, como alguns espíritos maldosos sugerem, através de infestação deliberada."

"Um conhecido organismo certificador de produtos biológicos - a Farm Verified Organic - já declarou publicamente que a poluição de milho, colza e soja alterados 'está agora tão espalhada que já não é possível aos fazendeiros da América do Norte encontrarem sementes puras'.
Para Schmeiser, isto representou logo a perda da sua certificação de 'produtor biológico', que lhe demorara 5 anos a conquistar. Ou seja: a invasão das suas terras pelos vegetais alienígenas não lhe trouxe qualquer vantagem, bem antes pelo contrário.
'- No meu caso, nunca tive nada a ver com a Monsanto, para além de lhes comprar produtos químicos. Nunca assinei um contrato. Se eu fosse a St. Louis e contaminasse as culturas deles . destruindo-lhes o trabalho de 40 anos- acho que me poriam na cadeia e deitariam fora as chaves', declarou o agricultor canadiano.
Acontece que o caso acabou em tribunal. Este deu razão à Monsanto, condenando Schmeiser por violação de patentes, embora reduzindo o montante da indemnização pedida. O tribunal de recurso confirmou esta decisão, no meio de enormes controvérsias sobre os métodos de obtenção de provas por parte da Monsanto e alegações de intimidação às testemunhas de Schmeiser. A conta a pagar por este já ultrapassa os 200.000 dólares.
Como disse um consultor do Council of Canadians: 'Estas decisões significam que o custo da contaminação por sementes geneticamente alteradas deve ser suportado pelas vítimas e que a Monsanto, a responsável pela contaminação, tem o direito legal de lucrar com isto!'
Em Setembro, o Supremo Tribunal canadiano irá ter a palavra final, sendo certo que até lá vai continuar a crescer o movimento pela alteração da lei aplicável.
Voltemos ao propalado sonho de alimentar a África faminta com vegetais transgénicos; conseguem calcular quantos anos seriam precisos para que empresas como a Monsanto reduzissem a zero a soberania económica destas nações?"

O caso está hoje a ser apreciado pelo Supremo do Canadá. Mas, seja qual for o desfecho, esta história talvez explique os perigos dos transgénicos a quem se vai deixando embalar pelos relatórios científicos que atestam a sua inocuidade...

Publicado por Luis Rainha às 12:40 PM | Comentários (10)

VISÃO ALTERADA

Salvador Dali (fotografado por Philippe Halsman)

Publicado por José Mário Silva às 12:36 PM | Comentários (2)

NOTICIÁRIO AMBIENTAL

Este problema de Monsanto já está resolvido. Falta o outro.

Publicado por José Mário Silva às 12:18 PM | Comentários (0)

"NO WAY, JOSÉ!"

Os jornais espanhóis explicam-nos hoje o porquê da aceleração da retirada espanhola do Iraque. No El Pais, por exemplo, podemos ler: "En la decisión del presidente del Gobierno de acelerar el repliegue de las tropas en Irak, motivada por su compromiso electoral, resultó también 'decisivo' un informe del general español José Enrique de Ayala, segundo jefe de la división centro-sur, que consideraba imposibles de cumplir las órdenes ofensivas del mando estadounidense. Así lo afirmó el domingo el ministro de Defensa, José Bono".
Aparentemente, os amigos americanos ordenaram às tropas espanholas que se preparassem para acções ofensivas contra as milícias de Moqtada al-Sadr. Ao que as novas autoridades de Madrid retorquiram que não estavam bem a ver como é que um ataque se enquadrava no mandato de manutenção da paz dado pela ONU...
Mais: ao perguntar telefonicamente a Donald Rumsfeld se os EUA estariam na disposição de colocar as suas forças no Iraque sob comando da ONU, José Bono ouviu algo no estilo de "nunca um soldado americano obedecerá a ordens de um general estrangeiro."
Há quem chame a isto unilateralismo. A mim, parece-me mais um desagradável cruzamento entre arrogância e autismo.

Publicado por Luis Rainha às 12:18 PM | Comentários (4)

COMEMORAÇÃO LENINISTA DO CENTENÁRIO DE DALI

Não querendo deixar de assinalar a efeméride, tratei de escolher uma imagem politicamente correcta para este blogue: a pintura "Seis Aparições de Lenine num Piano de Cauda", de 1931. Uma tela de formato bem grande para Dali (114 x 146 cm), que pode ser admirada no Centro Pompidou.
Por muito detestável que a figura se tenha tornado depois da emigração para os states, o Dali da década de 30 produziu uma série de obras espantosas que em nada o tempo atenuou. Coisas como "O Grande Masturbador", "Prazeres Iluminados" ou "A Velhice de Guilherme Tell" continuam a perturbar-nos, por muito que saibamos que nada mais são que colagens de citações de Krafft- Ebbing, por muito que reconheçamos ali a influência de Yves Tanguy e de Chirico.
O Surrealismo nunca pretendeu ser um mero repositório de sonhos ilustrados; mas as paisagens assombradas de Dali ficaram como um dos mais fortes legados da facção "verista" do movimento . por oposição aos descendentes da escrita automática como Masson. Mas há que reconhecer que o bom Salvador, quando se viu transformado na criatura mercantilista que Breton cognominou "Avida Dollars", produziu também muita porcaria.

Publicado por Luis Rainha às 11:22 AM | Comentários (8)

ECOLATIFUNDIÁRIOS

Já que temos de combater o pessimismo nacional, este foi o artigo que mais gostei de ler na imprensa nos últimos dias.

Publicado por tchernignobyl às 11:12 AM | Comentários (0)

FAÇA VOCÊ MESMO

O alcance das várias investigações que utilizam robots pintores não se limita às grandes questões filosóficas científicas e técnicas.
Já existem aplicações extremamente simples.
Na formiga ressuscitada . agora a quatro patas... ooops mãos, com a cooptação de mais um "membro" no formigueiro que dá pelo nome altamente misterioso de "zé armindo" . e um pouco menos frenética, encontrei este link com manual de instruções para os pais (das formigas pintoras que fizerem e não só...).
Óptimo para as crianças se auto-organizarem e darem um toque mais moderno à velha toalha de linho bordada pela bisavó. É o preço do progresso...

Publicado por tchernignobyl às 11:06 AM | Comentários (0)

MANIFESTOS

Na sequência do projecto Artsbot Leonel Moura lançou o Manifesto da Arte Simbiótica.
As primeiras palavras do manifesto . «A arte, tal como a conhecemos, morreu. E desta vez é definitivo e oficial.» . são provocatórias e prometem polémica violenta.
Maria Poppe, num post de 5 de Maio (com um comentário do próprio Leonel) e Pedro Proença, este até com um "contra-manifesto", já manifestaram a sua hostilidade.
Tomemos parte na discussão.

Publicado por tchernignobyl às 10:36 AM | Comentários (5)

ARGÚCIA-MINÚCIA

A histeria à volta de Dali e da sua técnica minuciosa de pintura, ao serviço do surrealismo, pode ser grande mas eu prefiro não esquecer o pequeno ensaio de George Orwell sobre o habilidoso génio do marketing.

Publicado por tchernignobyl às 10:17 AM | Comentários (1)

maio 10, 2004

DIA DE LANÇAMENTO (2)

Escrevi o post anterior em singela homenagem a alguém que conheci na semana passada. Uma senhora, de sotaque inidentificável e postura irrepreensível, que monopolizou a sessão de perguntas de um lançamento literário a que assisti. Ela, a bem dizer, nem perguntava nada; limitava-se a desenhar vagos círculos argumentativos sobre as suas próprias convicções, sem sequer aflorar as páginas do livro que fora apresentado.
No final, o encarregado da sala confidenciou-me que já conhecia bem aquela figura, de inúmeros lançamentos similares. Ao que parece, o modus operandi é sempre o mesmo: pouco antes do início da função, a senhora ocupa o seu lugar na sala e folheia apressadamente o livro em destaque. Depois, trata de aproveitar a costumeira hesitação inicial . "Alguém tem perguntas a colocar ao autor?" - para se agarrar com unhas e dentes ao microfone. A partir daí, difícil é retirar-lhe a prolixa palavra...
Mas o pior, nas escandalizadas palavras do funcionário da livraria, é que "ela nem sequer compra livros! No fim, devolve-os à estante e vai-se embora!"

A solidão reveste-se de muitas formas. Algumas são surpreendentes. E outras até um pouco incómodas para quem as testemunha...

Publicado por Luis Rainha às 05:55 PM | Comentários (8)

DIA DE LANÇAMENTO (1)

Por fim, após uma curta pausa enfática, a senhora M. pousou o microfone. Concluíra a sua alocução.
Procurou ignorar o pasmo mudo que pressentia nos olhares pousados sobre si. Sabia que tinha estado bem: explorara com brevidade eficaz todas as veredas do tema, sem sequer deixar transparecer que apenas tivera tempo de folhear brevemente o livro em apreço. Mas nem a autora se apercebera disso: a resistência dos seus débeis argumentos pouco durara, logo dando lugar à rendição sem condições. Para o final, ela limitara-se a sinalizar - através de acenos breves - a sua concordância renitente com cada passo do raciocínio implacável da oponente de ocasião.
Quando o empregado de colete verde retirou o microfone da mesa da senhora M., a sala apinhada irrompeu num aplauso entre o acabrunhado e o aliviado. A própria autora liquefez-se num suspiro que nada teve de discreto. Mas a senhora M. estava concentrada demais para reparar nisso; outro lançamento pedia a sua presença, para daí a meia-hora, numa livraria na outra ponta de Lisboa. E ela esquecera-se do nome do bendito livro...

Publicado por Luis Rainha às 05:53 PM | Comentários (2)

O REGRESSO DE JFK (EM VERSÃO DETURPADA E PERVERSA)


Cartoon de Vince O'Farrell

Publicado por José Mário Silva às 02:02 PM | Comentários (1)

END OF STORY

E agora a chama, bruxuleante como a luz no poema de Jorge de Sena, já não se apaga.
Aleluia.

Publicado por José Mário Silva às 01:53 PM | Comentários (8)

EM RECONSTRUÇÃO

Meses depois da derrocada, o Muro Sem Vergonha ergue-se de novo. Com João Paulo Cotrim e Nuno Ramos de Almeida no papel de esforçados trolhas da obra, a coisa promete. Pelo que me toca, conto visitar frequentemente esta minha antiga morada na blogosfera...

Publicado por Luis Rainha às 12:19 PM | Comentários (1)

CHAMPALIMAUD

António Champalimaud construiu um império empresarial durante o fascismo, com a protecção de Salazar. Esse império foi nacionalizado pelo governo de Vasco Gonçalves. Champalimaud manteve ainda assim um outro império no Brasil, que na altura era governado por uma ditadura militar. Anos mais tarde, recuperou uma boa parte do seu império de mão beijada, durante as privatizações. Pouco depois, entregou tudo aos espanhóis do Santander, realizando uma enorme mais-valia.
Haverá com certeza outros sítios e outros autores que melhor poderão falar deste português notável, que tanta riqueza criou, tantos empregos gerou e tão bem fez ao país.

Publicado por Filipe Moura às 01:02 AM | Comentários (34)

maio 09, 2004

ENTÃO?

Já passaram três dias e ainda ninguém disse mal dos cartazes do Bloco...

Publicado por Luis Rainha às 11:44 PM | Comentários (18)

A CURVA DO MUNDO

Hoje, ao abrir a janela do meu quarto, reparei pela primeira vez que o Atlântico se abre de tal forma ao meu olhar que consigo ver e perceber bem a curvatura do Mundo.
Agora, só me falta decidir se isso me dá a sensação de habitar um universo maior ou menor.

Publicado por Luis Rainha às 11:34 PM | Comentários (1)

RETRATO OFICIAL

Alberto João Jardim, fotografado ontem, durante o Congresso Regional do PSD/Madeira.

Publicado por José Mário Silva às 11:28 AM | Comentários (5)

maio 08, 2004

VERSO QUE PEDI EMPRESTADO AO MÁRIO CESARINY

quando amo imito o movimento das marés

(está no poema «Autografia», do livro «Pena Capital»)

Publicado por José Mário Silva às 04:11 PM | Comentários (7)

MEMÓRIA DE UMA TARDE EM PARIS

Publicado por José Mário Silva às 04:08 PM | Comentários (0)

8 DE MAIO DE 2003

Há precisamente um ano (mas será mesmo só um ano?), nasceu o blogue que mudou a minha vida.

Publicado por José Mário Silva às 04:06 PM | Comentários (1)

CUBA VENCERÁ!

Eis uma terra pequena mas corajosa, habitada por «uma comunidade que se recusa a baixar os braços» e que «tem lutado para sobreviver». O seu nome: Cuba. Só que esta não é uma ilha e não fica no mar das Caraíbas, ao largo da Florida. Fica um pouco mais para noroeste, no coração do Kansas.

Publicado por José Mário Silva às 03:58 PM | Comentários (3)

ESCOLA C+S DO PÓLO SUL


Cartoon de Bandeira, no «Diário de Notícias»

Publicado por José Mário Silva às 03:43 PM | Comentários (0)

ENTÃO A VOZ

Então a voz passou por cima
do oceano
e era um som de vagas

o mesmo som ouvido nos verões
quando a luz sobre a pele
se transformava em água

(Gastão Cruz, «Repercussão», Assírio & Alvim)

Publicado por José Mário Silva às 03:41 PM | Comentários (0)

JOGO DE TRANSPARÊNCIAS

Esta tarde, pelas 15 horas, no espaço Casal de S. Domingos, em Sintra (perto da estação ferroviária), é inaugurada a exposição «Transparência Mínima», de António Ferra . poeta, ficcionista e também artista plástico. São 27 miniaturas, quase haikus visuais, a justificar um passeio para os lados da Serra, como no tempo do Eça.
A pedido do autor (e com todo o gosto) escrevi este brevíssimo texto sobre as obras agora expostas:

ARTE DE PAIRAR

Começa sempre por uma ilusão de fumo, de matéria combustível, ardendo devagar contra o fundo ocre do papel. Entre o tecido colado e o rasto de grafite, esboça-se então uma imagem que não é bem uma imagem; é algo que está antes da fixidez da forma final e acabada; uma coisa a devir; objecto à procura dos seus fugidios contornos. E depois há o céu, ou outra esfera tão alta como o céu, puxando para cima o que o olhar aflora. Em cada um destes quadros minúsculos, assistimos ao dúbio milagre de um corpo que levita, da fuga às leis da gravidade, do corte com todas as raízes. É uma forma de ascensão e transparência. Uma arte de pairar.

Publicado por José Mário Silva às 01:24 PM | Comentários (4)

PRIVATE JOKE (MUITO PRIVATE)

Era uma vez uma ovelha que engoliu uma gaivota. Ou assim parecia.

Publicado por José Mário Silva às 12:46 PM | Comentários (1)

A (MINHA) DÍVIDA DO DAVID BYRNE

O David Byrne deve-me 35 dólares desde 1998. Em Setembro desse ano, fui vê-lo actuar, com o Quarteto Balanescu, à Knitting Factory, em Nova Iorque. O concerto deve ter sido muito semelhante ao que deram um mês e pouco antes, na Praça Sony, durante a Expo 98, e a que eu não tive oportunidade de assistir. Mas desforrei-me bem, pois vi um concerto de Byrne .em casa., quase que doméstico, num espaço minúsculo, para umas cento e tantas pessoas. Repito, o David Byrne e o Quarteto Balanescu, por quinze dólares.
À entrada, havia quem quisesse desesperadamente comprar bilhetes a quem, como eu, os tivesse comprado com antecedência. Uma turista ofereceu-me 50 dólares pelo bilhete. Eu não aceitei, e daí digo que o David Byrne me deve os 35 dólares.
Mas pensando melhor, eu deveria ter uma perspectiva menos mesquinha e mais optimista. De certa forma, e principalmente se considerar o belíssimo concerto a que assisti na altura, eu pagara 15 dólares por um bilhete que valia 50...
Afinal, quem tinha uma dívida com o David Byrne era eu. Comecei a pagá-la três anos mais tarde, no Apollo Theater, no Harlem, para assistir a um concerto da digressão de .Look Into the Eyeball.. Foi a primeira vez que fui a Manhattan depois do 11 de Setembro (bem longe, porém, do ground zero). Num teatro desta vez enorme e igualmente cheiíssimo, cada espectador recebeu um folheto (que ainda hoje guardo) com as críticas de Byrne à política externa americana.
Continuei a pagar a minha dívida na quarta feira passada, no Le Bataclan. David Byrne actuou com o grupo Tosca Strings, como actuou há umas três ou quatro semanas atrás em Portugal. O concerto, mais uma vez brilhante e cheio de versões excelentes e inovadoras de antigos sucessos dos Talking Heads, foi muito bem descrito na altura pelo Pedro Adão e Silva e pelo Celso Martins. Apenas com a diferença de que, aqui em Paris, a sala estava cheia de pessoas de todas as idades, embora o Le Bataclan leve muito menos pessoas do que os Coliseus.
O bilhete do concerto não foi barato... Estes parisienses são uns burgueses. Mas a minha (nossa) dívida com o David Byrne, pela boa música que ele nos dá, é para se ir pagando.

Publicado por Filipe Moura às 02:57 AM | Comentários (4)

SEMELHANÇA (PORMENOR)

Serei só eu a pensar que Psycho Killer, dos Talking Heads (entre outras escolhas possíveis) assenta que nem uma luva ao Cosmo Kramer? Ora ouçam um pouco.

Publicado por Filipe Moura às 02:19 AM | Comentários (1)

SEMELHANÇAS

Olhemos para este grupo.

Olhemos agora para este.

Quem os conhece, não nota nenhuma semelhança? Serei só eu a pensar que os Talking Heads são o grupo mais seinfeldiano da história do rock?

Publicado por Filipe Moura às 02:15 AM | Comentários (6)

maio 07, 2004

AS LÁGRIMAS DO CROCODILO

Donald Rumsfeld veio hoje pedir desculpa aos iraquianos mal tratados na prisão de Abu Ghraib, revelando um espanto com a magnitude dos abusos que só confirma a sua incompetência, o seu cinismo e a sua hipocrisia. Como é óbvio, neste momento o mero pedido de desculpas não chega. Se lhe restasse um pingo de dignidade, Rumsfeld já se tinha demitido.

Publicado por José Mário Silva às 08:19 PM | Comentários (10)

A IDADE DE OURO DOS BLOGUES?

Lisboa, 7 de Maio de 2020

Nas praças financeiras de Lisboa, não se fala de outra coisa: a compra do "Expresso". Por fim, o derradeiro baluarte da ultrapassada imprensa tradicional soçobrou ante o takeover hostil que lhe foi movido pelo super-blogue Barnacaldas. Este, já de si o resultado de uma fusão entre dois gigantes do sector . o Barnabé e o Blogue do Caldas ., cobre assim o único sector da paisagem mediática que lhe faltava, depois da controversa aquisição da TVI, no ano passado.
Em resposta aos rumores que dão como certa a entrada do Barnacaldas na Bolsa de Valores lisboeta, através de uma OPV que pode estar iminente, o CEO do blogue escuda-se no mais prudente dos silêncios.
Este súbito fervilhar de actividade especulativa no mercado dos blogues não tem passado despercebido aos observadores estrangeiros: num post da semana passada, a "Forbes" examina atentamente o que chama "The Great Portuguese Blog-Bubble". A história recente destes gigantes da comunicação é ali sumariamente escalpelizada, desde o modesto início até às primeiras fusões, passando pelo crescente açambarcar de receitas publicitárias e pela explosão do mercado dos conteúdos online por assinatura. É realçada a cegueira estratégica dos velhos dinossauros dos mass-media, que acordaram para a ameaça dos blogues tarde demais. Aliás, a primeira página desta última edição em carbono do "Expresso" . já avidamente disputada pelos coleccionadores . é eloquente e quase patética: "Rendemo-nos" surge como único título, enchendo de negro fúnebre as poucas bancas que ainda resistem.

Mas a concentração de poder e capital na blogosfera portuguesa conheceu há pouco um outro episódio inesperado, com a alienação da "Golden Share" estatal na PT ao Blogue de Esquerda-Direita-e-Centro. José Mário Silva, o chairman deste gigante, não estava disponível para comentar, à altura do fecho do presente post. Este arisco milionário . sempre recluso na sua ilha no Pacífico - foi o primeiro a adquirir um jornal tradicional, o "Diário de Notícias", numa jogada que muitos, na altura, tiveram por audaciosa demais.
Esta concentração crescente vem levantar outras questões. À medida que os colossos da blogosfera ganham dimensão e influência, o poder que detêm sobre a vida política nacional torna-se mais claro: a possibilidade de a próxima eleição para Presidente da República ter como favoritos dois conhecidos bloggers, é uma manifestação clara desta realidade que parece incutir um pânico irreprimível aos políticos "à moda antiga"; Santana Lopes, o eterno proto-candidato, chegou mesmo a desabafar "mas porque é que eu não aprendi a tempo a mexer num computador?"

Veremos o que reserva o futuro a este admirável mundo novo dos blogues. De já para já, o céu parece ser o único limite...

Publicado por Luis Rainha às 07:01 PM | Comentários (8)

LIBERDADE CONDICIONADA


Cartoon de Serguei, no «Le Monde»

Publicado por José Mário Silva às 06:22 PM | Comentários (2)

UMA DESGRAÇA NUNCA VEM SÓ

Depois do gás, o telefone. Nada, niente, kaput. Nunca pensei que um quinto andar pudesse ficar tão longe de tudo, tão fora do mundo.

Publicado por José Mário Silva às 06:18 PM | Comentários (1)

HOJE, NINGUÉM VAI AO CINEMA!

A primeira boa notícia é que o Manel já está mesmo online. A segunda é que agora podemos contribuir para a "mudança", entregando umas coroas ao carenciado partido do rapaz. O sacrifício pedido é modesto: basta trocar uma horita e meia de cinema pela satisfação cívica de ter contribuído para a consolidação do PND. E não acham que o Tarantino já deve ter dinheiro a mais?

Publicado por Luis Rainha às 05:02 PM | Comentários (8)

AO QUE ISTO CHEGOU (2)

À medida que o 13 de Maio se vai acercando, os milagres regressam a esta terra que tão carente deles tem andado. Agora, já há quem jure que o panfleto ilustrado abaixo tem propriedades miraculosas. Várias testemunhas garantiram-nos que, a dadas horas do dia, a éfigie da Virgem Maria nele impressa se transfigura, deixando entrever uma outra fisionomia por detrás dela. "Ficou até parecida com um rapaz que costumo ver na TV", garantiu a senhora M, peregrina em trânsito pedestre para o Santuário, enquanto cingia o folheto ao coração ainda palpitante.
A Igreja tem declinado comentar o estranho caso; mas, depois de Balasar, não será de todo inesperado que este venha a ser reconhecido como mais um milagre oficial a atribuir à Virgem de Fátima!

Publicado por Luis Rainha às 03:34 PM | Comentários (4)

EM AUDIÇÃO

«Exílio», do Quinteto Tati (liderado pelos dois rapazes da foto: Sérgio Costa e J. P. Simões, músicos dos Belle Chase Hotel).
O disco é muitíssimo bom, garanto-vos. Em dia menos sombrio explicarei porquê.

Publicado por José Mário Silva às 03:25 PM | Comentários (1)

NINGUÉM ME EMPRESTA UMAS COROAS?


O MOMA vai colocar em breve algumas tralhas supranumerárias à venda: Magritte, Chagall, de Chirico, Léger, Picasso e Pollock são alguns dos nomes com que o aflito museu quer angariar cerca de 30 milhões de dólares.
Só este fabuloso "O Grande Metafísico" pode valer 10 milhões. E que bem que ficava na minha sala... Acho que vou tratar de pedir um pequeno empréstimo bancário para o efeito, aproveitando a baixa do dólar; em alternativa, posso vender um ou dois rins. Ninguém tem aí uns cobres que possa dispensar para uma boa causa?

Publicado por Luis Rainha às 03:11 PM | Comentários (7)

maio 06, 2004

AO QUE ISTO CHEGOU

Nos últimos dias, este vergonhoso panfleto tem sido distribuído, impunemente, aos muitos peregrinos que se encaminham para Fátima.
Qualquer comentário a tão grotesco exemplo de manipulação política, com fundo de histeria religiosa e retórica obscurantista, pecaria sempre por defeito.
Há momentos em que até a indignação é um eufemismo.

PS- Imagem roubada, com a devida vénia, ao Barnabé.

Publicado por José Mário Silva às 09:13 PM | Comentários (28)

PARABÉNS, HERR DOKTOR!

A 6 de Maio de 1856, nascia em Freiberg, agora parte da República Checa, o pequeno Sigmund Solomon Freud. 40 anos depois, ele usou pela primeira vez o termo "Psicanálise". De caminho, construiu uma ampla teoria sobre a estrutura da mente humana. Espantoso é que, apesar de ignorar olimpicamente o método científico, tenha conseguido abrir portas onde outros vislumbravam apenas paredes cegas.

Publicado por Luis Rainha às 07:51 PM | Comentários (18)

EXPLICAÇÃO DO POST ANTERIOR

O Vulcano mal montado, um contador que não cabia onde era suposto caber, um corrupio de técnicos na cozinha, o Vulcano no sítio certo, medições dos níveis de monóxido de carbono, inspecções chumbadas, reinspecções chumbadas, horas ao telefone com o senhorio, horas ao telefone com a menina do call center da Lisboagás, manhãs perdidas, tardes perdidas, dores de cabeça, casa emprestada, mais telefonemas, o problema ainda por resolver.
Ao assinar o contrato, lembro-me de escrever o meu nome e não o de Joseph K. Mas agora, francamente, já não tenho assim tanta certeza.

Publicado por José Mário Silva às 05:53 PM | Comentários (8)

GÁS

Com três letrinhas apenas se escreve a palavra inferno.

Publicado por José Mário Silva às 05:30 PM | Comentários (5)

VERSOS QUE NOS SALVAM

Estes escreveu-os Gastão Cruz e podem lê-los num livro (ainda quente) publicado na Assírio & Alvim: «Repercussão».

O TEU OLHAR

O teu olhar fixou-se
numa nuvem,
um ponto que aumentou imensamente
e te retém ao começo da noite
como se fosse a ameaça
de que talvez conheças a origem num passado
ácido de faces, posso
recomeçar quase tudo levantando
a pedra
final que nos esmaga;
há coisas
que não têm recomeço

Publicado por José Mário Silva às 05:20 PM | Comentários (0)

ATRASO OLÍMPICO

Publicado por José Mário Silva às 02:16 PM | Comentários (3)

SMS TV



Ontem, prestei pela primeira vez atenção a um canal que, há uns meses, a TV Cabo achou por bem levar até minha casa: a SMS TV. Trata-se, tão somente, de um chat room televisivo, aberto a participações via sms (a um custo unitário de 20 cêntimos).
Claro está que o sexo é o único tópico de conversa. Uns minutos de observação bastam para se entender a coisa: há o "mainante", a "mtmeiga" e uma horda de outros nicks, alguns imaginativos, outros apenas funcionais e urgentes; há uns veteranos que dominam códigos próprios; há pares ou trios de criaturas desamparadas a estabelecer e desfazer conversas com a pressa de amibas com cio. Assim de repente, dir-se-ia um grupo de auto-ajuda destinado a tarados recidivos, só que a funcionar em roda-livre por ausência do psiquiatra e de qualquer outra entidade moderadora.
Entre os pedidos de "ninas" e "ninos" para "tclar", "trocar msgs kentes" (e até coisas menos mediadas pela tecnologia), assiste-se ali ao espectáculo acabrunhante da negação total da privacidade. Na SMS TV, a comunicação é em si espectáculo; transcende a sua ambição utilitária e oferece-se ao gozo do voyeur como uma superfície lúdica e mesmerizante que não oculta qualquer profundidade ameaçadora. Ali, tudo é o que parece.
Sei bem que existem milhares, senão milhões, de paragens similares disseminadas pelo ciberespaço. Mas parte da estranheza deste canal provém precisamente da sua acessibilidade universal. E também da deformação que impõe à pacatez dos nossos televisores: de passivos terminais de manso entretenimento passam a arenas onde combatem desejos, vícios, solidões. E onde até nós podemos, sem dificuldade, aceder à condição de gladiadores.

A SMS TV é obscenidade em estado puro: a "cena" que se desloca até expor o que deveria continuar privado. As pulsões, as taras, as carências, as vidas alheias. Tudo é dissecado pelo espectador, sem remorso nem apreensões. Nenhuma curiosidade nos é interdita, nenhum esforço nos é solicitado para vislumbrar aqueles trânsitos de desejos, isentos de vergonha ou pudor. Nada nos impede sequer de pegar num telefone e contactar de viva voz um dos intervenientes no show (se bem que nunca seja esse o objectivo declarado: a segurança relativa das mensagens é preferida).

Apenas resolvi escrever sobre esta tristeza tão trivial quando li no écrã negro da SMS TV uma frase diferente, quase perdida entre convites, desafios, parafilias variadas. Uma mensagem que de súbito iluminou todas as outras num clarão definitivo e implacável: "Estou farto de estar sozinho."

Publicado por Luis Rainha às 01:39 PM | Comentários (7)

O FINAL DE FRIENDS

Chega hoje ao fim uma das melhores sit-coms dos últimos anos: Friends. Um anúncio na NBC hoje à noite atinge preços astronómicos. Desde Janeiro, quando foi gravado, tem-se vindo a falar neste último episódio, de duas horas. O seu conteúdo permanece um segredo. Organizam-se reuniões para assistir à despedida do grupo de jovens adultos nova-iorquinos que partilham apartamentos e o quotidiano (e inúmeras peripécias). Em vários países a série foi um fenómeno de popularidade (não só nos EUA, na Grã-Bretanha ou na Austrália; mesmo aqui em França, como se pode ver nesta página). Em Portugal, infelizmente, a série não vingou, ao que parece por ter passado dobrada...
Foram alguns amigos que me recomendaram a série, ainda eu estava nos EUA. À noite algumas das melhores séries recentes são repetidas em sequência por alguns dos canais, diariamente. Em Nova Iorque, às onze horas a Fox dava o Seinfeld. A Warner, Friends.
Quando cheguei a um ponto em que já tinha visto todos os episódios do Seinfeld, por mais do que uma vez, decidi tentar esta série e fiz bem. Embora eu nunca me farte de ver o Seinfeld, e nem Friends seja comparável . nada é, a menos que seja imitação -, estava a perder uma série de excelente qualidade. O Seinfeld tinha um humor mais como eu gosto, totalmente livre, completamente sem concessões. Já Friends era uma série mais ternurenta, que tinha um fio condutor, uma história.
Um aspecto que deve ser referido por demonstrar como, numa época de tanto liberalismo desenfreado, se podem conseguir resultados de qualidade com a contratação colectiva: os seis actores de Friends sempre negociaram os seus contratos de trabalho em conjunto, fazendo questão de ganharem todos o mesmo. Até por isso se vê que esta era uma série especial.
O que muitos portugueses espectadores de televisão e leitores de blogues talvez não saibam é que o nome de um dos mais lidos blogues portugueses (e do programa de televisão associado) é inspirado numa música, a música emblema da série. Esta inspiração sempre me surpreendeu um pouco, uma vez que os respectivos autores são muito mais herdeiros de Seinfeld, quer na profissão, quer no tipo de humor. Deixo-vos com a musa do Gato Fedorento, Phoebe Buffay, em dueto com Chrissie Hynde, a vocalista dos Pretenders.

Publicado por Filipe Moura às 02:48 AM | Comentários (4)

maio 05, 2004

EFEMÉRIDE MARXISTA

O grande Karl, o nosso querido Marx, nasceu há precisamente 186 anos.

PS- Um agradecimento ao Afixe, pela lembrança

Publicado por José Mário Silva às 09:12 PM | Comentários (18)

ABRINDO AO ACASO UM ROMANCE DE PASOLINI

«Mas nesse mesmo instante, zás, apagaram-se as lâmpadas. Ficou tudo às escuras e em breve só se viam as pontas acesas dos cigarros e sombras que se agitavam e gritavam. Alguém acendeu um isqueiro e o barista tirou de baixo do balcão duas velas e acendeu-as, com as chamazitas que tremeluziam tísicas em cima do balcão molhado.
Àquela luz, todos foram à porta a olhar para fora: estava escuro, mas via-se que também tinha acontecido alguma coisa na rua, no bairro. As luzes voltaram a acender-se por instantes: a rua em frente ao café era um lago, havia pelo menos dois palmos de água. E nas outras ruas, as mais baixas, no centro do bairro, via-se a luzir mais água, até à altura das janelas das caves. As casas emergiam directamente da água, sob o reflexo de umas poucas luzes: e viam-se já as coisas velhas, estacas, trapos, porcaria dos pátios que começavam a boiar. De onde em onde um relâmpago, seguido do débil ribombar de um trovão, deixava ver o bairro inteiro, agora todo na água. As luzes voltavam a apagar-se e dentro do café apenas as duas velitas continuavam a brilhar. Estavam todos amontoados junto à porta. "Mas isto é Veneza, ou quê", comentou o Cazzitini.»

Uma Vida Violenta, de Pier Paolo Pasolini, tradução de José Lima (Assírio & Alvim, Abril de 2004), págs. 316/317.

Publicado por José Mário Silva às 05:36 PM | Comentários (4)

TUDO VOS VAI SER ENFIM REVELADO...

Se têm andado angustiados com as lacunas do 3º Segredo de Fátima; se desconfiam que Nostradamus pode ter escrito umas palavrinhas sobre o destino deste pequeno país; se querem ser dos primeiros a descobrir uma tremenda revelação sobre a nossa História recente...
Então, não percam o lançamento do último livro da historiadora Fina d'Armada: "O Segredo de Fátima e Nostradamus". É na FNAC do Colombo, às 18:30. Se me quiserem procurar, eu sou o fulano com o chapéu de folha de alumínio.

Publicado por Luis Rainha às 04:03 PM | Comentários (1)

PRÉMIO TATUAGEM FARFALHUDA (THE RETURN)

«Temos uma oposição ranhosa e mixuruca, sem sentido de Estado nem da dignidade, quer na sua obscena modalidade jacobino-socialista, quer na sua caquética variante estalino-intersindical, quer na sua ignominiosa expressão lumpen-trotskista.»

Pois é. Já tínhamos saudades, aqui no blogue, das arrebicadas agressões vocabulares com que o cronista Vasco Graça Moura . essa espécie de Mr. Hyde (maldoso e grotesco) do poeta homónimo . adora fustigar a esquerda.

Publicado por José Mário Silva às 04:01 PM | Comentários (6)

O MANEL CONTINUA OFFLINE :-(

Que tristeza... Como será possível não ter saudades desta carinha laroca?

Publicado por Luis Rainha às 03:46 PM | Comentários (8)

ANTES TARDE QUE NUNCA!

Há uns escassos dias, a minha incomensurável generosidade levou-me a comemorar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor com a oferta de alguns (excelentes) livros.
Alegrem-se os premiados de então! Hoje, tratei de confiar os preciosos volumes à expedita competência dos CTT. Confesso que já foi um pouco tarde; mas queria enviar-vos livros autografados e o autor andava difícil de apanhar...

PS- António Bento e Pedro Vieira: não recebi ainda direcções para onde enviar os vossos prémios!

Publicado por Luis Rainha às 03:38 PM | Comentários (3)

"E SABES ONDE PODES ENFIAR ISSO DO PRESTÍGIO?"

O PP continua a ser o partido ideal para se procurar os ariscos e esquivos "valores" da política portuguesa. Agora, é o líder madeirense dos amigos de Paulo Portas que publicamente se insurge contra o lugar desprestigiante a que o queriam remeter nas listas da coligação "Força Portugal": "Avaliadas todas as circunstâncias e perante a nossa posição inicial de solicitar um lugar elegível ou pré-elegível, não poderíamos aceitar o 13º que é apenas de prestígio."
Mas como é que alguém no seu perfeito juízo pode negar essa benesse do "lugar elegível ou pré-elegível" ao PP madeirense, depois de tantos anos de destacada luta política e produção de ideias alternativas à oligarquia do ogre Jardim?
Palmas para o senhor regedor José Manuel Rodrigues! Afinal, o que é a política senão uma escada rolante para Estrasburgo?

Publicado por Luis Rainha às 03:11 PM | Comentários (4)

VEJAM LÁ ATÉ ONDE A POLÉMICA CHEGOU

Quem nos ofereceu esta imagem, captada em San Francisco há poucas semanas, foi o Manel do blogue 3 ou 4 memes. Nem precisa de comentários, pois não?

Publicado por José Mário Silva às 02:18 PM | Comentários (8)

PROFECIA

Todas as manhãs, perco pelo menos 15 minutos a apagar as centenas de mensagens de spam que invadem as minhas várias caixas de correio electrónico. E o pior nem é a percepção desse tempo ingloriamente perdido: é saber que corro o risco de apagar um dia, no meio daquele aluvião de lixo digital, mensagens importantes. Temo bem que o spam venha a ser o nosso apocalipse virtual, a cinza de Pompeia que nos há-de soterrar sob toneladas de bits inúteis.

Publicado por José Mário Silva às 02:13 PM | Comentários (3)

A LIÇÃO DE ANATOMIA


Cartoon de Mike Keefe, «The Denver Post»

Publicado por José Mário Silva às 12:53 PM | Comentários (0)

RESPONDING TO TORTURE

Vale a pena ler o email da organização MoveOn sobre os casos de tortura de prisioneiros iraquianos por soldados americanos.

Publicado por Filipe Moura às 12:04 AM | Comentários (2)

maio 04, 2004

POR FAVOR, SABE-ME DIZER ONDE FICA GELSENKIRCHEN?

Grande jogo. Grande FCP. Grande Deco. Grande Derlei. Grande Mourinho.
Parabéns de um sportinguista (ainda desolado e melancólico).

Publicado por José Mário Silva às 11:53 PM | Comentários (6)

EFEMÉRIDE

Tempos houve em que o Mundo era dividido à mesa dos grandes, a golpes de esquadro e compasso. A 4 de Maio de 1493, o pai de Lucrécia Bórgia emitiu a bula "Inter caeterea", dando a Portugal domínio sobre paragens que nos mapas de então tinham um só nome: "terra incognita". Tordesilhas estava a pouco mais de um ano de distância.

Publicado por Luis Rainha às 07:09 PM | Comentários (3)

QUEREM UM ESCÂNDALO?

Então leiam isto. É um escândalo silencioso e banal, eu sei. Mas nem por isso se torna menos aviltante.

Publicado por José Mário Silva às 06:41 PM | Comentários (13)

EM CIMA DO ACONTECIMENTO (OU QUASE)

Para quem ainda não saiba, fica a notícia: Carlos Cruz saiu esta tarde do Estabelecimento Prisional de Lisboa, embora continue obrigado a «permanência na habitação».

Publicado por José Mário Silva às 06:24 PM | Comentários (9)

POLÍTICA SEMÁFORO

Depois do cartão vermelho e do cartão amarelo, só faltava mesmo, na estafada retórica eleitoralista cá do burgo, o cartão verde (whatever that means).

Publicado por José Mário Silva às 06:01 PM | Comentários (9)

RESPOSTA AO TÍTULO DO POST ANTERIOR

Idiota (coitado).

Publicado por José Mário Silva às 05:59 PM | Comentários (17)

PAT TILLMAN: HERÓI OU IDIOTA?

Pat Tillman era um jovem profissional do futebol americano. Há menos de dois anos, ofereceram-lhe um contrato de 3,6 milhões de dólares por duas épocas. Recusou. E alistou-se numa das unidades de elite mais duras dos EUA: os Army Rangers. Fê-lo, ao que parece, como resposta pessoal ao ataque do WTC. Depois de já ter combatido no Iraque, Tillman foi deslocado para o Afeganistão. Ali, acabou por morrer em combate. Com 27 anos.
Para a maioria da imprensa americana, tinha nascido (passe a ironia involuntária) um herói. Alguém que reflectira na famosa pergunta de Kennedy e decidira descobrir o que poderia fazer pelo seu país. Outros - muito poucos - como o ácido Ted Rall, não hesitaram em apontá-lo como uma vítima da retórica hipócrita da administração Bush II, que não se cansa de insinuar a veracidade das ligações entre Bin Laden e Saddam. Rene Gonzalez, um pacato estudante, resolveu saltar do anonimato para o papel de criatura odiada por milhões de americanos ao escrever que Tillman "estava a pedi-las"...
Eu nem sei bem o que pensar desta triste história. Se partir do princípio que Pat foi mesmo um jovem enganado por quem o convenceu a lutar em guerras estapafúrdias, lamento-o. Que uma vida tão promissora desapareça assim numa qualquer selva sem nome é sempre um desperdício atroz. Pior ainda se este sacrifício teve origem num idealismo deslocado, avidamente aproveitado pelos "fabricantes de heróis" americanos: os falcões que sempre se eximiram a dar o corpo ao manifesto e que por certo protegem bem os seus filhos de tais mortes gloriosas.
Já aqui escrevi uma vez sobre a célebre pergunta de John Kerry . então um dos líderes da contestação à guerra do Vietname - ao Senado: "How do you ask a man to be the last to die for a mistake?"
A maior tristeza é que Pat Tillman está longe de ter sido o último. Malhas que o império tece.

Publicado por Luis Rainha às 02:47 PM | Comentários (27)

LIBERDADE, JUSTIÇA E DEMOCRACIA, EXPORT USA


Cartoon de Pat Oliphant, "NY Times"

Publicado por Luis Rainha às 01:44 PM | Comentários (1)

AFINAL, AINDA NÃO ESTÁ AÍ O MANEL :-(

Juro que vi, ainda há poucos minutos, o site do nosso Manel em frenética actividade!
Agora, por mais que carregue no ratito, nem sombra; a coisa evaporou-se como um esquivo Bigfoot da Internet. Mas, para que não fiquem com dúvidas sobre a seriedade deste encontro imediato, saibam que ainda tive tempo de fotografar a criatura:


Como vêem, a secção cultural do site manuelino é eloquente: "ddffdg" é uma análise sintética e mordaz do estado a que chegou a nossa cultura. Só não consegui ainda decifrar o significado oculto do bebé a saltar de dentro de uma rosa... coisas da maçonaria, por certo. Este Manel é um poço de sabedoria!

Publicado por Luis Rainha às 11:46 AM | Comentários (3)

AÍ ESTÁ O MANEL

Stop the press!
O site mais anunciado e ansiosamente aguardado do ciberespaço nacional está aí, activo e pujante: www.digaomanel.com!
Quem não sabe de que Manel estou eu a falar anda por certo mui distraído; trata-se do destemido líder, único quadro e solitário militante - exagero só um pouco - dessa chispante novidade da nossa democracia: o PND.
Esqueçam The Onion, withehouse.org, gatos mal-cheirosos e demais amadores; é daqui que vai surgir a revolução de que o humor luso tanto carecia!

Publicado por Luis Rainha às 11:25 AM | Comentários (7)

maio 03, 2004

TERÁ SIDO UM FAUX-PAS?

O meu relato sobre a conferência de Otelo não pretendeu ser mais do que isso: simplesmente um relato. Sem nenhum tipo de opinião ou comentário pessoal. Quando disse .foi bonita a festa., de facto foi. Estava a celebrar-se o 25 de Abril, cantou-se o Grândola, Vila Morena e eu achei muito bonito. Inesquecível. Para mim, de facto, naquele momento eu tinha à minha frente o Otelo capitão de Abril. Mas como eu gosto (e estou sempre a pedir, aos meus interlocutores mais conservadores ou mais pró-israelitas) de tomadas de posição claras (e demarcações) relativamente a indivíduos como o Pinochet ou o Sharon, também devo fazê-lo ao falar do Otelo. E faço-o sem problema nenhum.
Crimes como os de que Otelo foi acusado não podem ter justificação ou desculpa numa democracia ou num estado de direito. Casos como este deveriam sempre ser resolvidos pela justiça, sem nenhuma intervenção do poder político, e a decisão resultante deveria ser respeitada. No caso de Otelo e das FP-25, houve uma interferência (legal, é certo) do poder político com o poder judicial, na forma de uma amnistia apoiada pelo presidente da República e por uma então existente maioria de esquerda. Não quero fazer disto um caso político, mas dado que o é (pelo menos desde esta amnistia), refiro isto: não deixa de ser irónico que, durante a conferência, Otelo tenha lançado vários remoques aos partidos que constituiam a tal maioria de esquerda.

Publicado por Filipe Moura às 10:07 PM | Comentários (5)

ÓSCAR OU O TENENTE-CORONEL NO SEU LABIRINTO

O meu querido amigo André Gouveia (sem o .de.; não é o da Résidence), a melhor coisa que passou por Oxford desde os Radiohead, escreveu-me um email sobre o meu texto .Pas de pás.:

«Filipe, o teu texto revela uma visão algo ingénua do camarada OSCar.
Acho que o Otelo é essencialmente um indivíduo ingénuo e megalómano que se deixou corromper e iludir pelo poder que teve - é uma espécie de Fidel série B com a ingenuidade de um Guevara mas sem a coragem do mesmo.
Se temos que eleger um herói de Abril (coisa sempre algo complicada por ser um acto de exclusão, e a maioria dos heróis serão sempre soldados/as desconhecidos/as) esse herói só pode ser um... Salgueiro Maia.
Recordo-me de ver uma entrevista em que o Salgueiro Maia descrevia o momento em que a sua coluna virava a esquina do Terreiro do Paço para a Ribeira das Naus e se deparou com uma coluna de tanques afectos ao regime que faziam o mesmo lado do Cais do Sodré.
Ambas as colunas pararam, ambas a exigirem que a outra se rendesse. Depois de um impasse o Salgueiro Maia resolve ir falar com os outros para evitar uma carnificina, tendo recordado na entrevista (cito de memória; peço desculpa pela eventual imprecisão do relato):
"Fui desarmado, com uma granada no bolso. Se eles resolvessem prender-me íamos todos pelos ares."
Caminhou direito aos tanques adversários em plena Ribeira das Naus, sem ter onde se esconder caso os outros disparassem, e conferenciou com o comandante da coluna adversária. No fim os outros fizeram marcha atrás e deixaram passar os insurrectos.
Da Pontinha à Baixa e ao Carmo vai uma distância muito maior que que os poucos quilómetros que os separam..»

Publicado por Filipe Moura às 09:59 PM | Comentários (0)

UMA CERTA DEMOCRACIA (2)

Como a imprensa israelita aponta, a hubris de Sharon acabou por ser a sua perdição, no episódio do referendo. Apoiado nas animadoras sondagens que lhe prometiam uma vitória esmagadora, ele lançou-se nesta aventura bizarra sem nunca sequer imaginar que a coisa poderia dar para o torto.
E para o torto começou a dar quando os colonos se organizaram em impressionantes maratonas de visitas . sempre de crianças a tiracolo - aos potenciais votantes, com mensagens simplistas mas eficazes: "deixem as crianças viver onde nasceram" e "não ofereçam esta vitória ao terrorismo". A tendência inicial favorável ao "sim", de 59% contra meros 39%, esfumou-se em semanas; passados mais uns dias, já estava tudo ao contrário. No dia das eleições, os colonos não tiveram descanso no seu lobbying desesperado: arrastando gente para votar, espalhando as doces e indefesas criancinhas pelas vizinhanças das urnas, etc. Esta impressionante militância teve muitos apoios fora do Likud: pequenos partidos religiosos e também organizações ligadas aos colonatos.
Depois de nos contar tudo isto, o Haareetz trata de nos assustar com um vislumbre do futuro: o momento em que o poderoso e muito activo movimento de colonos Yesha Council se alie de forma permanente à ultra-direitista Jewish Leadership, uma facção do Likud comandada pelo mefistofélico Moshe Feiglin.
Este tem como objectivo declarado uma espécie de take over hostil do Likud: angariando novos militantes aos magotes . sobretudo entre os recém-chegados pouco politizados . aproveita-se do escasso número de membros do partido para tentar tomar o poder a partir do seu interior. E a coisa vai resultando: Feiglin já conta com 130 apoiantes no comité central do Likud.
Se isto vos parece coisa de somenos, leiam os princípios da organização. Ou passem os olhos apenas pelo artigo 5:

"5. Cancellation of the Oslo Accords and Accelerated Application of Sovereignty over the Settlements
The highest agreement, which was made before any other agreement, is the Biblical covenant between the nation of Israel and the Creator of the world -- in which it is stated that .This is the land which I have given to Avraham and Yitzchak, I will give it to you and I will give the Land to your children after you. (Bereshit 35, 12). Any agreement which contradicts this ancient covenant is invalid, does not exist, is automatically cancelled and void. He who signs it does so on his own responsibility, without permission and without the authority of all of the generations of the Nation of Israel, and he will be remembered forever as a disgraceful and despicable individual in the history of Israel."
Traduzindo apenas um pouco: "qualquer acordo que contradiga este antigo convénio (com Deus) é automaticamente cancelado e nulo".

Esta criatura pode bem vir a ser o próximo líder do Likud e de Israel. Se Sharon já vos parecia muito mau, preparem-se que não vem aí melhor.

Publicado por Luis Rainha às 06:31 PM | Comentários (2)

UMA CERTA DEMOCRACIA

O referendo aos membros do Likud talvez venha a ter consequências funestas para Sharon. Ironicamente, o plano que ele propôs aos seus correligionários até fazia sentido para a direita israelita, tendo mesmo sido pré-aprovado pelo Tsahal: retirar de Gaza - mantendo embora controlo sobre portos, fronteiras, etc.- e desmantelar os vulneráveis colonatos que ali estão enquistados. Em contraponto, apenas quatro minúsculos colonatos da Cisjordânia seriam esvaziados. Tal bastaria para reduzir a cinzas qualquer ideia de uma Palestina independente e funcional e, ao mesmo tempo, daria ao mundo a ideia de que Israel está disposto a ceder o mais importante de tudo na mitologia judaica: a preciosa "Terra Prometida". Isto acabou por ser fatal ao plano e a Sharon: abandonar para sempre a ideia do "Grande Israel" é impensável para os mais conservadores, como os bem organizados israelitas oriundos da Rússia, as organizações de colonos e inúmeros grupos ultra-ortodoxos.
Mas nem é para dizer mal da ideia que Sharon lançou e Bush aplaudiu que este post veio ao mundo. Quero antes chamar a vossa atenção para o espantoso e inaudito que é confiar decisões desta relevância a consultas populares destinadas apenas a alguns dos cidadãos de Israel: os 193.190 militantes do Likud.
Para se ser membro do partido que hoje governa Israel, basta preencher um formulário, pagar o equivalente a dois bilhetes de cinema e, claro está, ser cidadão do Estado de Israel.
Para muitos, esta derradeira condição não coloca qualquer obstáculo. Qualquer judeu, de qualquer ponto do globo, tem acesso quase automático a esta categoria; e até um gentio, desde que um dos seus progenitores seja judeu e o acompanhe, pode emigrar para Israel e adquirir a cidadania sem grandes obstáculos. No entanto, um palestiniano, cuja família tenha sido expulsa por limpezas étnicas recentes ou antigas e que queira regressar, terá tratamento algo diverso: a cidadania israelita é-lhe vedada e pronto.
Segundo o Haaretz, votaram cerca de 64.000 militantes do Likud; 61,7% dos quais rejeitaram o esquema de Sharon. Assim, o famoso disengagement plan irá provavelmente ser deitado para o caixote de lixo pela vontade expressa de menos de 40.000 pessoas. Sabem quanta gente vive na Faixa de Gaza? Mais de 1.200.000 almas! (Essas almas muçulmanas são, por si só, mais numerosas do que o total de cidadãos israelitas não-judeus - 20% da população. E, destes, quantos pertencerão às fileiras do Likud? Hmmm...)
Lembrem-se: é também disto que se fala quando se escreve a indignada frase: "Israel é a única democracia da zona!" Essa democracia será por certo excelente para os israelitas. Mas apenas garante aos palestinianos que um qualquer imigrante acabado de chegar da Etiópia tem mais a dizer sobre o futuro da Palestina do que eles.

Publicado por Luis Rainha às 04:05 PM | Comentários (7)

CONVENÇÃO? MAS QUE CONVENÇÃO?


Cartoon de Pancho, no «Le Monde»

Toda a gente sabe que o presidente George W. Bush não é lá muito forte em Geografia, essa ciência esotérica. Mas alguém lhe devia explicar onde fica uma cidade suíça chamada Genebra.

Publicado por José Mário Silva às 02:23 PM | Comentários (3)

R DE RÁDIO

Uma notícia do jornal «Público» (1 de Maio) é preocupante: querem fechar o Museu da Rádio e o destino provável do material que o compõe será a sucata.
Isto é um atentado à cultura em geral e à rádio em particular. Este governo faz e desfaz conforme lhe convém. Depois do «R» da Revolução, é a vez da memória da Rádio. Terá sido por ela colaborar com os homens que permitiram que hoje se viva em Liberdade neste país?
(Jorge Silva)

Publicado por José Mário Silva às 01:37 PM | Comentários (2)

PAS DE PÁS

O homem ainda está bem em forma: fascistas, tremei!
Refiro-me a Otelo Saraiva de Carvalho, convidado especial para o encerramento das comemorações do 25 de Abril na Cidade Internacional Universitária de Paris, na noite da passada sexta-feira.
O teatro da residência André de Gouveia estava a abarrotar. Na audiência, desta vez, e comparando com as outras, era nítido um maior número de emigrantes portugueses, de meia idade e idade mais avançada.
O que Otelo contou não foi grande novidade para quem conhece a sua história e o seu pensamento político. Contou a sua versão dos acontecimentos do 25 de Abril e, sobretudo, do pós 25 de Abril, não se coibindo de dar as suas opiniões sobre terceiros. Ninguém o contrariou em nada, ninguém lhe fez nenhuma pergunta incómoda . afinal, a noite era dele. Destaco as suas críticas à democracia "burguesa" e a sua proposta de uma "democracia participativa e directa, sem partidos". Como alguém sugeriu, na sessão de perguntas final, seria interessante ver Otelo participar num Fórum Social Mundial.
Foram principalmente os emigrantes a fazerem perguntas a Otelo. Verdadeiramente emocionados. Saudavam-no efusivamente, tratavam-no por .meu general., colocavam-se de pé para lhe falar. Otelo respondia sempre no mesmo tom com que falava para o público em geral, agitado, empolgado, directo, de militar.
Otelo exprimiu-se quase sempre em francês, num francês correcto e fluentíssimo, de me fazer corar de vergonha. Ora, falando em francês, não houve muitas hipóteses de ouvir os .pás. que celebrizou. O que se ouvia era pas, a negativa. Até que, na tal sessão de perguntas final, alguém lhe pediu para falar das pensões para os Capitães de Abril. Paguem-lhes, pá! . respondeu, em português, depois de recordar que todos os capitães lhe tinham passado à frente na carreira militar.
A sessão acabou com o Grândola, Vila Morena cantado em coro, a pedido do próprio Otelo. Foi bonito cantar o Grândola com Otelo ao comando. Foi bonita a festa, pá.

Publicado por Filipe Moura às 12:38 AM | Comentários (13)

maio 02, 2004

LEI DAS COMPENSAÇÕES

Para mitigar o desânimo do meu lado sportinguista, soube há pouco uma excelente notícia: o Vitória de Setúbal, o meu primeiro clube, o meu clube do coração, regressará na próxima época à I Liga. Repõe-se assim a justiça que nos abandonou há cerca de um ano, quando uma das equipas que melhor jogavam em Portugal se viu condenada ao inferno da Liga de Honra.
Parabéns, Carlos Carvalhal.

Publicado por José Mário Silva às 11:59 PM | Comentários (0)

CICUTA EM ALVALADE

Nem sequer vou comentar o que se passou no derby desta noite. Há coisas que são demasiado tristes para que falemos delas. O que me interessa salientar é isto: há três semanas, o Sporting ainda podia ser campeão; hoje, depois de uma impossível sequência de três derrotas, está praticamente condenado ao terceiro lugar. Contra o Benfica, a equipa jogou bem, dominou e teve ocasiões de golo mais do que suficientes para matar o jogo. Não matou. E Geovanni, de longe, fez o resto. A três minutos do fim. Como numa tragédia grega com a catarse errada.
Ser adepto do Sporting é isto: renunciar às alegrias fáceis, alimentar uma paixão suicida, saber que mesmo quando estamos fadados para a glória (e quase nunca estamos) a via para lá chegar é sempre tormentosa. E o pior é que há nisto tudo, hélas, uma espécie de grandeza que nos reconforta.

Publicado por José Mário Silva às 11:58 PM | Comentários (0)

ÉVORA-LISBOA

Certas estradas, já as conhecemos quase de cor. São as que nos levam (e trazem) desse continente de gestos e palavras a que é comum chamar-se amizade.

Publicado por José Mário Silva às 11:53 PM | Comentários (1)

O DIA DOS DIAS

Passou mais um Primeiro de Maio. Que pouca atenção despertou na blogosfera... Talvez isso se explique por ser feriado e haver menos disponibilidade para blogar, mas a verdade é que mereceu muito menos atenção do que outros dias supostamente reivindicativos. O que é uma pena. Há muitos dias disto e dias daquilo, que procuram chamar-nos a atenção para discriminações que certos grupos sofrem no seu dia a dia, e principalmente no seu trabalho. Eu não tenho nada contra esses dias e muito menos contra as reivindicações a eles associadas, que considero justas em geral. Mas o Primeiro de Maio, como eu o entendo, é um dia em que todas essas reivindicações devem estar presentes e ser feitas. É um dia em que todas as discriminações no trabalho devem ser denunciadas, por todos os grupos, e em conjunto com as reivindicações de todos os trabalhadores. Não ficam menos válidas por isso! Bem pelo contrário, toda a gente só tem a ganhar se todos os protestos forem feitos em conjunto. Bem escreveu o Luís Rainha: vão para as ruas lutar por uma causa louvável qualquer. O Primeiro de Maio deve ser nesse sentido o Dia dos Dias. (E tem sobre todos os outros dias reivindicativos a vantagem de ser o único o qual toda a gente conhece e sabe a data. Eu por mim falo, que não sei a data de nenhum dos outros, à excepção do dia do estudante.) É de lamentar que, talvez por ser feriado ou talvez por ser uma data politizada, nem sempre tenha a atenção que merece. Mas é claro que esta data tem de ser politizada e estes assuntos têm de ser politizados. À esquerda. É esta a vocação natural da esquerda.

PS . Chamo a atenção para a fotografia do Primeiro de Maio mais intensamente vivido da história portuguesa, o de 74, publicada no Grão de Areia, o blogue que mais espaço dedicou ao dia do trabalhador. Outro bloguista que não poderia deixar a data passar em claro é o agora nosso vizinho Boss, que neste dia até passou a worker e na sua nova casa publicou este poster da antiga União Soviética.

Publicado por Filipe Moura às 02:59 AM | Comentários (6)

PORTUGAL: O GRANDE BENEFICIADO PELO ALARGAMENTO

Lembram-se de todos aqueles índices europeus que nada mais faziam o ano todo senão envergonhar-nos?
A nossa economia divergia; os nossos salários escondiam-se no fundo da tabela; o nível de vida nacional já nem os calcanhares do congénere grego conseguia mordiscar. Estávamos abaixo da norma europeia em tudo - com a possível excepção do número de telemóveis per capita.
Agora, podemos contar com Malta, Eslovénia e uma caterva de países de nomes exóticos e de economias muito mais escalavradas que a nossa para baixar todas as impantes médias comunitárias. Neste novo campeonato, deixámos a zona de despromoção iminente para os recém-chegados!
Mas aproveitem bem, que os malandros aprendem depressa e, não tarda nada, estão a lixar-nos a vidinha. Lembrem-se dos irlandeses, dos espanhóis, dos gregos; daqui a uns anos, se quisermos de novo melhorar a nossa posição relativa, lá vamos ter de deixar entrar a Turquia e a Albânia...

PS: naturalmente, esta forma obtusa de ver a coisa pretendia ser cómica. Mas um verdadeiro comediante profissional já tinha antecipado a minha invenção: no Expresso de ontem, João de Deus Pinheiro expôs a mesmíssima teoria: "passamos de relativamente pobres a relativamente remediados". Imagino até que ele tenha proferido estas palavritas de cara séria.
E ainda dizem mal do Manuel Monteiro (é favor usar este link de nome tão patusco apenas a partir de segunda-feira)...

Publicado por Luis Rainha às 12:16 AM | Comentários (1)

maio 01, 2004

HOJE É DIA DO TRABALHADOR

Uma vez que até o eng.º Belmiro de Azevedo condescende com o lúmpen e encerra os seus Continentes neste dia de festa, talvez seja boa ideia declarar o BdE encerrado até à meia-noite.
Xô! Saiam de perto dos computadores; vão para as ruas lutar por uma causa louvável qualquer!

Publicado por Luis Rainha às 02:30 PM | Comentários (1)

O TEMPO DOS VAMPIROS

Ontem à tarde, passou na RPL uma excelente entrevista com Jean Hatzfeld, autor do recém-lançado "O Tempo das Catanas". Trata-se de um livro que evoca o massacre do Ruanda, construído sobre testemunhos de assassinos condenados que hoje cumprem penas de prisão.
Em termos de marketing a entrevista não deve ter sido um sucesso: eu, pelo menos, fiquei de tal forma arrepiado com o que ouvi que dificilmente angariarei coragem para ler o livro.
Acerca do que foi aquele pesadelo onde homens "normais" pegaram em catanas, durante semanas a fio, para massacrar com método ordeiro vizinhos, amigos e colegas, nem consigo pensar grande coisa. Hatzfeld descreveu a carnificina como "uma tarefa de matadouro", ocupando milhares de pessoas que só paravam de matar ao domingo; esse dia era dedicado a Deus. Ao que parece, eles rezavam sobretudo para que pudessem em breve voltar a vidas normais. Não oravam por perdão nem tampouco pela bênção do olvido.
Agora, quando perguntam aos assassinos qual a experiência mais desagradável destes anos recentes, as respostas dividem-se entre referências à vida na prisão e memórias dos dias nos campos de refugiados. A autoria da mortandade parece ser um detalhe já descartado como um traste velho e sem préstimo; os olhos destas feras humanas não se desviam nem escurecem ao recordar as semanas do horror, não cai a sombra do arrependimento sobre as suas confissões átonas.
Alguns dos carniceiros até admitiram o seu alívio quando por fim tudo terminou. Já receavam que, à falta de vítimas convenientemente marcadas pela etnia, se voltassem uns contra os outros em busca de fontes onde saciar a sede de sangue que lhes secara as almas.

Segundo consta, ainda há quem acredite piamente que o Homem é uma criatura magnífica. Um ente criado à imagem de Deus e destinado à glória eterna.
Sim; somos mesmo uns animais soberbos. E se Deus é sequer vagamente parecido com a sua obra, também deve ser uma bela peça.

Publicado por Luis Rainha às 09:05 AM | Comentários (7)

A VELA TRÉMULA


Cartoon de Mike Keefe, «The Denver Post»

Publicado por José Mário Silva às 09:02 AM | Comentários (0)

MISSÃO QUÊ?



Há precisamente um ano, as grandes operações militares no Iraque tinham terminado. Pelo menos, era esta a rósea ilusão que iluminava as meninges esperançosas dos falcões do Pentágono.
Numa bela acção de marketing, Bush II voou até ao porta-aviões Abraham Lincoln de jacto. Enquanto discursava, as câmaras trataram de enquadrar a faixa que anunciava ao mundo que a "missão" fora já cumprida com notável sucesso.
Hoje, sabemos que as baixas da coligação no Iraque foram 4 vezes mais numerosas nestes recentes 12 meses do que até à altiva proclamação no vaso de guerra. Reparámos que o terrorismo internacional decuplicou os seus esforços. Supomos que as armas de destruição maciça afinal nunca saíram da Zona Fantasma, ou de outro qualquer universo paralelo da imaginação neocon. E até já desconfiamos que a situação no Iraque vai acabar mal para todos os envolvidos. Sobretudo para as vítimas que era suposto serem salvas: os iraquianos.
Acabo com um aparte revelador: a decorativa e moralizadora faixa foi primeiro atribuída à tripulação do navio. Depois, um porta-voz da Casa Branca admitiu que os marinheiros a "tinham pedido" à Administração. Mas será que nada em que o Monkey Boy se envolva pode ser coisa honesta e transparente?

Publicado por Luis Rainha às 01:14 AM | Comentários (0)