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novembro 25, 2005

ÚLTIMO DIA, ÚLTIMO TEXTO

Andei todo o dia à procura da música O Último Dia, do Paulinho Moska, para pôr no blogue. Não a encontrei; só esta versão pelo Ney Matogrosso. Quem viu O Fim do Mundo, uma das últimas telenovelas do dramaturgo brasileiro Dias Gomes, talvez se recorde: a versão original, de Moska, era o tema da novela. A certa altura cantava assim:

O que você faria
se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?

Andava pelado na chuva?
Corria no meio da rua?
Entrava de roupa no mar?
Trepava sem camisinha?

Toda a música (e toda a novela) anda à volta deste tema: o que fazer quando a morte é certa, está anunciada. Há quem faça as coisas mais loucas, que não faria se soubesse que sobreviveria mais tempo. Era para me despedir com o texto anterior mas, dado que a morte do BdE está prestes a ser consumada, decidi há pouco avançar para o texto que sempre me apeteceu escrever, mas que nunca consumei. (Estou a falar em texto; a célebre fotografia minha de corpo inteiro ainda espera um convite da Playgirl.) Espero não estar a quebrar, no meu último texto, a confiança que o Zé Mário e o Manuel depositaram em mim; de qualquer das formas, estou a escrever ainda a tempo de eles discordarem, se for caso disso.
O que eu quero fazer é, simplesmente, uma homenagem ao Rubem Fonseca, de quem sou fã. Como qualquer leitor do Rubem Fonseca sabe, a melhor homenagem que se lhe pode fazer, ao seu cinismo, às suas ideias políticas apesar de tudo sempre presentes e ao seu estilo de escrita, é querer simplesmente que a direita se foda. Assim mesmo, com estas palavras. Com todas as letras. Que pratique sexo, acompanhada ou consigo própria. Nada mais do que isto.
Neste momento (e na minha idade) este slogan, ou versões mais suaves como a direita que se lixe ou a direita que pague a crise, é o único radicalismo que me resta. E tenho que o afirmar aqui: para consumar este desiderato, estou cada vez mais céptico relativamente ao papel da esquerda não-socialista. Creio que esta esquerda tem um papel importante a desempenhar, se o quiser. Mas só se primeiro esta esquerda, seja a antiga, seja a moderna, se desembaraçar do seu histórico sectarismo.
E é tudo. Bacanos e bacanas, fiquem bem. Eu vou jantar, que estou com uma fome do caraças.

Publicado por Filipe Moura às novembro 25, 2005 11:45 PM

Comentários

Pode-se dizer que é uma despedida bastante original... Até sempre!

Publicado por: xana em novembro 25, 2005 11:52 PM

boa despedida, Filipe
gostei de te ler ;)

Publicado por: Real em novembro 26, 2005 12:01 AM

O País é dos Espertos e dos “Chico-Fininhos”.


Os acontecimentos da última semana em que confrontados munidos de um tipo de violência juvenil que só acontece nos outros lados e que nunca nos acontece a nós nos deixara espantados ou será que podemos utilizar a expressão:”era inevitável que estes géneros de malogrados acontecimentos infelizmente começassem a acontecer na sociedade Portuguesa”.
Parece que um grupo de “Chico Fininhos” atacou um sem abrigo e o espancou até a morte.O mesmo grupo de “Chico Fininhos” ou target social que supostamente agora ou mais tarde vão salvar a pátria ao seu idoso residente e que eventualmente mais pai ou menos órfão lhe vai representar a certidão de i.r.s. para munir o estado representado por um suposto governo de esquerda e pelo grande timoneiro Sócrates, luminaria representativa da solidariedade social na sua mais conspurca hipocrisia, parece, de dados estatísticos, pura e simplesmente.

O “Chico-Fininho” entre a baixa e a cantareira assobiando com o diário na algibeira na manchete vê o desemprego quase a dez por cento contando ou não com os não inscritos e mais o pessoal do trabalho precário que com as calças na mão vê o executivo de Sócrates hermafroditamente de esquerda cada vez mais extraído de um género dirigentista de fototelenovela, hábil na criação de miasmas ridículos, impraticáveis apanagiantes de perca de tempo que visa a esparrela bem sucedida do parlamento se entreter com o mel em vez das moscas que exala a sua incompetência nauseabunda. Este, despoletante de intrépida direita hipnotizado pelo escarcéu reinante no seio do seu partido ainda de beiça dependurada embevecida para Soares qual seu sacristão beato néscio na sua fatiota escura, agora sim lembrando a personificação do patronato nos murais vermelho fosco do MRPP, o que tornou (Soares), a esquerda ligeiramente mais decrépita que este permitindo a Banca no alento advento colateral Cavaquista o plebiscito de sistema sistemático depois de sugar draconianamente o tutano do "Tuga" endividado até ao pescoço respira tentáculos benéficos a esta e só.

O “Chico-Fininho” chega a Escola onde o choque tecnológico se manifesta em forma de queda acentuada da Instituição, cristalizada no arcaísmo pedante da tutela que desconhece pelos vistos o que é uma Escola Publica na sua essência, seu funcionamento, suas necessidades e fundamentalmente a sua função enquanto central de conhecimento e consequente força motriz da qualificação laboral, humana e antropológico-cultural.Este, o “Chico”, vê que os Licenciados constituem a segunda maior faixa de desempregados do País, procura na Instituição Escola o alento do Professor pejado de “confetis-memorandos” do ministério que visam a “peleja” ou o endosso entre Conselhos Pedagógicos e Concelhos de Turma em circuito fechado apenas e só e que lhe diz que dentro das suas parcas condições tudo fará para que tenha sucesso mas não se pode substituir ao Agregado Familiar nem as Instituições Periféricas de Apoio que parecem não existir ,um Sociólogo, um animador Cultural, um assistente Social ou mais pessoal de auxilio educativo ausentes no corredor da escola e o “Chico”, o “Fininho” mais um grupo de “Chicas Fininhas” numa grande cantareira voltam a baixa encontram um sem abrigo e (bumba catabumba)…um arraial de porrada…um deles disse posteriormente que estava a procura da declaração de i.r.s. para o pai, outro disse que estava a procura de uma proposta de emprego naquele emaranhado de gente, outro ainda disse que na prisão tinha cama, roupa lavada, e ainda não precisava de emprego nem de mostrar a declaração de i.r.s., poderia ainda ouvir pela televisão o governo de extrema direita Socialista dirigido por Sócrates a dizer ainda e cloaco-vergonhosamente que a culpa era do anterior executivo e que a culpa não era do malho mas sim do malhadeiro, o emprego a asfixia da banca e sua hegemonia comitesca constituindo a própria autoridade para a concorrência e quebra acentuada da Instituição Escola e suas Instituições Periféricas de Apoio Social escandalosamente inexistentes …como a culpa não do malho mas do malhadeiro os “Chicos e as Chicas Fininhas e Fininhos” malharam no pobre desgraçado…e não vão ficar por aí…até um dia alguém dizer…”Chico Fininho”…olha aquele janota a discursar a prometer e não cumprir a encher o bandulho…vai-te a ele!

Jorge Batista de Figueiredo

Publicado por: Jorge Batista de Figueiredo em fevereiro 28, 2006 05:50 PM