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novembro 24, 2005

EFEMÉRIDE

A 24 de Novembro de 1960, no restaurante Le Vrai Gascon (n.º 82 da rue du Bac, Paris), em torno dessas figuras majestáticas que eram Raymond Queneau e François Le Lionnais, nasceu uma das mais heterodoxas correntes literárias do século XX. Desafio intelectual e brincadeira de literatos apaixonados pela sua língua, explosiva mistura de cérebros moldados pelas leis da gramática e mentes científicas habituadas a todo o tipo de operações lógicas, o OuLiPo (Ouvroir de Littérature Potentiel) veio libertar a literatura da forma mais radical: acorrentando-a. Isto é, inventando um sem número de constrangimentos que estimulam a imaginação e a perícia verbal de quem escreve.
Na definição sucinta de Queneau, um autor oulipiano é um «rato que constrói o labirinto do qual se propõe sair». Um labirinto de palavras, claro; um labirinto textual. E se grande parte da produção destes autores auto-espartilhados não sobrevive fora do contexto em que surgiu, enquanto mecanismo lúdico ou exercício de estilo, o certo é que os processos do OuLiPo estão inscritos na estrutura de algumas obras-primas de autores como Italo Calvino (Se Numa Noite de Inverno um Viajante) ou Georges Perec (A Vida Modo de Usar; La Disparition; etc). Quanto mais não fosse por isso, já valeria a pena celebrar os 45 anos de um movimento que continua activo e em expansão (investigar aqui).

[Amanhã, dia final do BdE, prestaremos a nossa homenagem ao OuLiPo com textos que exploram alguns dos seus mais conhecidos constrangimentos.]

Publicado por José Mário Silva às novembro 24, 2005 10:41 PM

Comentários

O resto e os outros que me perdoem, mas isto sempre foi o melhor do BdE!

Publicado por: inês em novembro 25, 2005 05:09 PM