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outubro 25, 2005

AVISOS IMPRESCINDÍVEIS À SAÚDE PÚBLICA

Joana Amaral Dias aproveita hoje a sua crónica no DN para alertar os portugueses para uma epidemia que por aí grassa, fatal e sem vacina à vista: a cavaquite. Ao que parece, esta maleita tem como primeiro sintoma a amnésia; a vítima esquece todas as malfeitorias cometidas por Cavaco Silva quando foi primeiro-ministro (e olhem que foram muitas, incluindo ter colocado a Cultura nas desastradas manápulas de Santana Lopes).
Não entrem em pânico, que a colunista/mandatária tem a receita indicada para uma cura miraculosa: "a terapêutica deverá começar, naturalmente, por exercitar a memória. Dispensa-se óleo de fígado de bacalhau, mas aconselha-se leitura."
Parece-me conselho salutar. Seria boa ideia, aliás, repeti-lo às sofredoras e incautas vítimas da doença simétrica: aquela malta de esquerda que perde o juízo e as estribeiras mal vê uma ínfima oportunidade de, afinal, não deixar Belém entregue ao inimigo. E que não hesita em apoiar um "animal político" que continua, como sempre, a pensar apenas na sua glorificação — e na humilhação do outro, o "gajo". Aqui, optaria por um tratamento alternativo, baseado na hipnose: bastará meditar um pouco numa só palavra, soletrada com cautela e bem devagar: Em - au - dio.

Publicado por Luis Rainha às outubro 25, 2005 05:27 PM

Comentários

Infelizmente esse exercício de rememorização iria também trazer à superfície as grandes responsabilidades que Soares teve na Democracia portuguesa pós-25 de Abril e as repetidas declarações de que "não percebia nada de Economia". Se não percebe, então o que faz na política e porque aceitou ser primeiro ministro várias vezes?

Publicado por: Rui Martins em outubro 25, 2005 05:32 PM

Luís:

Já decidiste em quem vais votar? (Por favor não digas Lousã, porque eu não me quero partir a rir.)

Publicado por: Luís Oliveira em outubro 25, 2005 06:11 PM

... e será que ninguém se lembra de quando Soares foi primeiro ministro??
É que foi MUITO pior que Cavaco....

Publicado por: jpt em outubro 25, 2005 08:35 PM

De um modo geral estou de acordo com o poste, mas a verdade é que mesmo um político de tão baixa qualidade como Cavaco (que em qualquer outro país do mundo seria de esquerda moderada) se destaca da mediocridade pindérica de todos os restantes.

Publicado por: Pedro Oliveira em outubro 25, 2005 11:03 PM

Para que a malta não se lembre das malfeitorias do Cavaco o LR põe as malfeitorias do MS ao mesmo nível. E considera que perdeu o juízo e as estribeiras quem não quer o Cavaco em Belém.

Tenho a vaga ideia dele, o LR, ainda há pouco tempo ter dito aqui que era comunista. Depois de escrever esta posta mostra que de certeza militante do PCP é que não é.

É que não passa pela cabeça de nenhum militante do PCP relativizar as malfeitorias do Cavaco, nem achar que é indiferente quem for eleito para Belém. E os militantes do PCP acham que esta batalha é tão importante que pela primeira vez candidatam o seu secretário-geral à presidência da República.

Depois de perder referências ideológicas e valores de classe, o LR, perdeu a consideração humana e o respeito pelos ex-camaradas do PCP. Agora, de repente, o LR até perde a consideração pelos novos camaradas do Bloco, pelo menos dos que não querem o Cavaco na presidência.

Decididamente, o LR passou para o outro lado da barricada. Sem hipnose, sem amnésia, sabendo perfeitamente o que está a fazer. Também há 20 anos atrás, precisamente nas presidenciais de 1986, outros tão esquerdistas como ele, fizeram exactamente o mesmo. Nem nisto o LR mostrou ter qualquer originalidade.

Publicado por: Margarida em outubro 26, 2005 02:15 AM

É mesmo uma "vaga ideia" tua, Margarida. Muito vaga. Nunca disse nem escrevi semelhante coisa. Afirmei sim que ofereci muitas horas de trabalho ao teu partido. Mas enfim; o mal está feito, não adianta arrepender-me agora.

E não relativizo as tropelias do cavaquismo; o que não me conseguem fazer esquecer é o modo de estar de Mário Soares na vida política: a sobrevivência antes de tudo o mais.

Não querer o Cavaco em Belém é uma coisa; querer lá ver Soares de novo é outra. Entre as duas, venha o diabo e escolha. Mas atenção que nem as sondagens nos condenam a esta sombria decisão.

Publicado por: LR em outubro 26, 2005 03:04 AM

Agora diz que não relativiza, quando até dá por barato a mais básica das leis naturais, a da sobrevivência e supervaloriza as sondagens…Pois.

Publicado por: Margarida em outubro 26, 2005 09:45 AM

Qual é, Margarida? Já tens saudades do pitéu que o camarada Cunhal receitou aos militantes e simpatizantes do partido em 1986?

Publicado por: Pedro Oliveira em outubro 26, 2005 12:56 PM

Mas o Pedro ainda não reparou que o candidato do PCP para as presidenciais 2006 é o Jerónimo de Sousa? É porque não relativizamos, porque não achamos que "são todos iguais" que apresentamos pela primeira vez o Secretário-geral como candidato. E se ler a sua declaração de candidatura, verá que ele se candidata para que a direita não se apodere deste órgão de soberania.

Publicado por: Margarida em outubro 26, 2005 09:04 PM

E se ler a sua declaração de candidatura, verá que ele se candidata para que a direita não se apodere deste órgão de soberania.

Só é preciso é ver como... A candidatura de Jerónimo de Sousa não se dirige minimamente para a sociedade em geral mas sim para o interior do PCP. Por cima disto, é bem possível que tenha sido o resultado da, num momento de wishful thinking, após os resultados positivos nas eleições deste ano, tentação em transpôr esses resultados que poderão não ser mais que a consequência de voto de protesto (primeiro contra o PSD/PP, depois contra o PS), para eleições como as presidenciais.

Que as possibilidades que Jerónimo de Sousa (ou Francisco Louçã, já que aqui estamos) tem de ser eleito PR nas próximas eleições presidencias são tão só e apenas marginalmente superiores às que eu ou a Margarida temos, é inegável. Neste contexto, essa(s) candidatura(s), qualquer que seja o embrulho programático, dirigem-se a audiências muito específicas nas próprias àreas de influência, mas de modo nenhum à totalidade da sociedade portuguesa.

O que tens que perceber, Margarida, é que tal como nem toda a esquerda é totalitária, porque a maioria da esquerda não é comunista, o mesmo se passa com a direita, porque a grande maioria da direita não é fascista. Mas isso seria talvez pedir um salto ideológico excessivo, não é?

Publicado por: Pedro Oliveira em outubro 27, 2005 05:50 PM

Numa discussão em fins de Outubro de 2005 sobre candidatos presidenciais que em Janeiro de 2006 vão a votos, em Portugal, o Pedro Oliveira foge à discussão em concreto dos candidatos que temos para se refugiar nos chavões que um qualquer anticomunista, em qualquer país de qualquer continente, usaria em qualquer ano deste século ou do século passado.

Lembro-lhe que em Julho deste ano, quando todos consideravam inevitável a eleição do candidato da direita portuguesa, Cavaco Silva, o PCP chamou a atenção da responsabilidade do PS nessa situação e que logo em Agosto apresentou o seu Secretário-geral como candidato para esse combate. Lembro-lhe ainda que só em Setembro tanto o PS como o BE acordaram para esta batalha e aprovaram os seus candidatos. Este foi o primeiro mas importante contributo do PCP para estas presidenciais. O PS foi obrigado a apresentar Mário Soares e o BE teve que ir a reboque e apresentar o seu líder.

Lembro-lhe também que o PCP participou em todas as batalhas eleitorais para a Presidência da República e em todas contribuiu para a derrota do candidato da direita. E se tem dúvidas sobre a quem se dirige a candidatura do Jerónimo, sugiro-lhe que consulte o site www.pcp.pt donde poderá também aceder ao blogue do Jerónimo. Isto claro se se quiser informar, se conseguir pôr preconceitos de lado e se se atrever a explorar o campo do inimigo. Não tenha medo: o mais que lhe pode contecer é ficar mais informado.

Publicado por: Margarida em outubro 29, 2005 12:22 AM