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outubro 19, 2005

CHOVE, CHOVE

«Será que chove? Vou ver à internet.»

Eduardo Prado Coelho, a propósito da desvitalização da realidade, na sua crónica de hoje no Público (sem link disponível)

Publicado por José Mário Silva às outubro 19, 2005 06:55 PM

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Inteligente como sempre - básico e cheio de lugares comuns chico-espertos, leia-se - o grande Prado Coelho resolve armar em espertalhão lírico. Ele que nunca escreveu um verso aproveitável, ele cuja dor secreta é não poder fazer poemas como alguns que aleivosamente provoca, diz patacoadas em estilo tranquilo e penetra como esta.
É evidente que qualquer ser inteligente percebe o que é defeso à cachimónia de EPC: vai-se ver à Net se chove porque não se tem o dom da ubiquidade como este ensaísta de brincadeira, o qual vive em todo o lado, em todos os tempos, em todos os dias, como os fantasmas.
Evidentemente que se vai à Net, ver a previsão, como outros vêem no jornal; como outros contemplam e se apaparicam ante o boletim meteorológico.
Mas para a mente, simultaneamente vazia de coisas brilhantes e pretensiosa de EPC, isto é matéria de filosofantices. É só a este nível que consegue chegar este excelente escrevedor de pequenas lambadas.
Conheci este personagem lá por 80 na Figueira da Foz, durante um festival de cinema em que gostava de se pavonear: poucas vezes me deparei com um sujeito ao mesmo tempo tão pretensioso e falho de verdadeira originalidade.
Parafraseando António Maria Lisboa, "uma geração que pariu um EPC é uma geração que pariu abaixo de zero"...

Publicado por: Rob Roy em outubro 19, 2005 08:45 PM