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outubro 18, 2005

ESTÁTUAS PERDIDAS, CACA DE POMBOS E BLOGUES

Foto de Marc Babsin

Não há lisboeta que nunca tenha ouvido esta historieta: a estátua de D. Pedro IV, no Rossio, representa na realidade o imperador Maximiliano do México. O escultor ter-se-ia enganado no envio das duas estátuas em que trabalhava em simultâneo, trocando os endereços. Desta forma, estaria agora D. Pedro IV numa praça algures no México. Acreditem ou não, até um prestigiado jornal espanhol já deu crédito a tão fraca patranha.
Uma outra versão, mais elaborada, garante-nos que a estátua aportou a Lisboa no seu périplo para o México; eis senão quando chega a notícia da morte de Maximiliano. E que tal vender o mono agora inútil a uma cidade sequiosa de glória mas não muito abonada? E lá teria sido rebaptizado o aventuroso Habsburgo com o nome de um parente deste recanto longínquo e pelintra.
Não achando nenhuma destas versões muito verosímil, tentei encontrar dados de confiança na Internet. Por estranho que vos possa parecer, a empreitada revelou-se dura. Encontrei alguns ecos da fábula e pouco mais. A única fonte com ar de coisa credível acabou por ser… um blogue. Assim sendo, agradeço ao Paulo Gama o texto esclarecedor.
Mas a minha costela obsessiva não me dava sossego; gastei ainda mais uns largos minutos em busca de provas que me descansassem quanto à identidade da veneranda estátua. Acabei por encontrar um rasto da presença do escultor em questão, Louis Valentin Elias Robert, em Lisboa, quando o monumento devia estar a ser executado. Assim sendo, dou-me por satisfeito; mas se algum leitor puder complementar a minha educação neste tema, agradeço.
E qual a razão de tanto tempo desperdiçado? Nem sei bem. Hoje, pela primeira vez, aproximei-me da peanha do Imperador. E descobri que anda por ali em acção um misterioso e por certo letal "mecanismo electrostático de afastamento de pombos", segundo atestam alguns avisos gravados em latão. Os pombos, aparentemente, não lêem o suficiente para saber que correm perigo. E eu, pensando no esforço que a CML faz para manter limpa a obra, decidi-me a tirar a limpo a verdade. Há maneiras bizarras de perder tempo, sim senhora.

Publicado por Luis Rainha às outubro 18, 2005 07:08 PM

Comentários

Podes-te gabar de que escreveste a maior borracheira de que a estupidez lusitana se pode gloriar. Alguns como tu quando contrariados atribuem-no à estupidez e à “incultura” do povo.

Publicado por: José Tim em outubro 18, 2005 07:33 PM

José Tim,
Não me estás a topar bem. Eu sou gajo benevolente e caridoso. Nunca me verás a publicamente apontar a tua estupidez e incultura.

Publicado por: LR em outubro 18, 2005 07:35 PM

Até José Cardoso Pires refere essa troca no seu livro "Lisboa, Livro de Bordo", mas, segundo Dejanirah Couto na sua "História de Lisboa", a limpeza da estátua permitiu desmintir esse boato, uma vez que os botões da farda do rei têm as insígnias da coroa portuguesa...

Publicado por: m em outubro 18, 2005 07:51 PM

agora que o tio bigornas parece que encontrou melhor forma de gozar os prazeres da reforma, eis que o rin Tim Tim empunha o facho dos comentários pré-formatados.

Publicado por: tchernignobyl em outubro 19, 2005 09:28 AM

A estátua do Marquês de Pombal, sita na rotunda com o mesmo nome, também não representa, de facto, o Marquês. Mas sim Herman José numa rábula em que imitava o Marquês de Pombal, em «Herman 98»

Publicado por: João Tilly em outubro 19, 2005 10:53 AM