« IMAGENS FORTES | Entrada | COISAS QUE DEIXAM UM GAJO APREENSIVO »

outubro 15, 2005

RECORDAÇÃO DO DR. EMÍDIO GUERREIRO

Tive o privilégio de conhecer o Dr. Emidio Guerreiro Guerreiro durante perto de meio século.
Conheci-o no dia 31 de Janeiro de 1958, num jantar comemorativo em Paris da revolução do Porto, e depois encontrei-o sempre, até 1963, em todos os "31 de Janeiro" e "5 de Outubro" em que a emigração política, e nunca o governo, comemou estas datas nacionais.
Houve, continuamente, uma actividade política da Oposição portuguesa em Paris, que nunca baixou os braços, e teve, como seu polo principal, a casa do Dr. Guerreiro na Av. de Versailles 135. Vou-me lembrar para sempre do seu número de telefone, donde tantas vezes me chamou, ás vezes às tantas da noite. Lembro-me de uma vez que lá foi, já perto da meia noite, e encontrei um motorzinho de energia e actividade política que dava pelo nome de Manuel Serra, e que tinha vindo do Brasil preparar o que veio a ser o golpe de Beja.
Associados ao Dr Guerreiro, recordo momentos de alegria e de angústia. Entre as imagens, há uma que não esquecerei: a do Dr. Guerreiro a entrar no avião, no Aeroporto de Argel, onde tinha ido ajudar à libertação dos portugueses que tinham sido presos pela polícia argelina, a levantar ao alto o ramo de flores que os portugueses lhe tinham oferecido. Nesse dia , houve mais portugueses no Aeroporto de Argel a despedirem-se do Dr. Guerreiro, do que argelinos a receberem o Presidente Ben Bella, que seria derrubado pouco depois.
Há um outro episódio que quero aqui contar. Foi já depois do 25 de Abril, num dia em que o acompanhei à Baixa de Lisboa. Vendiam-se, na altura, no passeio do Rossio, uns jornais de extrema-direita, tipo " Barricada" , ou algo no género.
O Dr. Guerreiro olhou, e disse alto e bom som: "Gosto de ver estes jornais à venda."
Um dos vendedores acorreu logo solícito e perguntou: "Concorda com eles?"
Teve de imediato a resposta: "Não, acho um nojo, mas são a prova de que há Liberdade no meu País."
(António Brotas)

Publicado por Filipe Moura às outubro 15, 2005 01:46 PM

Comentários

Por essa mesma razão aqueles que defendem a proibição daquelas manifestações folclóricas que o PNR organiza estão errados quando defendem a sua proibição... Perseguir os tipos é dar-lhes a força anímica que lhes falta.

A recusa alemã de ver a sua História de frente estará na raíz da explicação da recente erupção da extrema direita neste país?

Publicado por: Rui em outubro 17, 2005 12:44 AM

Rui:

Quando dizes que os alemães "se recusam a ver a sua História" estás a falar em quê?

Se tu disseres que alguns alemães se recusam a ver a sua História e se tornam neonazis eu concordo, mas falar na recusa de todo um povo em ver a sua história se calhar só mostra ignorância da história alemã depois de 1945.

Publicado por: Luís Oliveira em outubro 17, 2005 02:45 AM

P.S.: Quanto às manifestações do PNR desde que sejam manifestações pacíficas e em que não haja um apelo (directo) à violência estou de acordo. É claro que pedir àqueles senhores que não apelem à violência directa ou indirectamente é pedir o impossível ...

Publicado por: Luís Oliveira em outubro 17, 2005 02:50 AM