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outubro 14, 2005

TEMPESTADE NUM DESERTO DE IDEIAS

O André propõe a extinção do Ministério da Cultura, algo de que eu discordo. No entanto não vai ao ponto de propor a extinção do Ministério da Ciência e do Ensino Superior, embora eu, se o André estivesse no poder, temesse pelo orçamento desse ministério.
Um colega do André, o Brainstormz (curioso nome a que se deve o título deste texto), vai mais longe e chega mesmo ao ponto de propor a tal extinção.
Eu gostaria de saber que país desenvolvido é que o BrainstormZ conhece em que tal política se pratique. Se o não pensa nisso, deveria olhar para os países mais desenvolvidos e ver como a investigação e as universidades são financiadas. Não há de ser os EUA o modelo que serviu ao para apresentar tal proposta. Se as universidades da "Ivy League" são privadas, a maioria das universidades dos EUA são públicas (estaduais). Pelo menos as universidades da Califórnia, de Nova Iorque (onde estudei), de New Jersey, do Illinois, do Texas, da Carolina do Norte e do Wisconsin - todas estaduais - situam-se entre as melhores do país e do mundo. É certo que há muito financiamento das universidades e da investigação - a mais aplicada -, mas existe uma entidade semelhante à portuguesa Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a National Science Foundation, que financia a maioria da investigação fundamental que se faz no país, nas universidades públicas e privadas. A NSF é praticamente a única fonte de financiamento de institutos de Matemática e Física, áreas em que nos EUA se faz investigação de ponta (podem existir ainda filantopos, mas que não cobrem as despesas correntes). Finalmente existem ainda uma série de laboratórios nacionais, financiados pelo Governo Federal. Satisfeito, BrainstormZ?
Como se vê, a ciência e a investigação são assuntos demasiadamente sérios para serem tratados por liberais.

Publicado por Filipe Moura às outubro 14, 2005 06:30 PM

Comentários

Eu nao sei quem e o Andre, nem fui ler o texto do sr. brainstormz, mas a conversa do dr. arroja e sempre a mesma: quanto menos estado, melhor.

Ignorantes e idiotas, porque aqui nos EUA foi o estado quem meteu um homem na lua, e e o estado quem financia o Smithsonian, a NSF, a NEH, as universidades publicas, a televisao publica e a radio publica, entre muitas outras coisas.

Alias, aqui nos EUA tudo o que e publico e excepcional e tudo o que e privado e triste, barato, rasteiro, reduzido ao menor denominador comum.

E certo que o maior inimogo da direita e o racionalismo, e o odio dos arrojas e portanto justificado, mas so com muita ma fe e que se pode falar na extincao do ministerio da cultura num pais onde as unicas alegrias das pessoas sao Fatima, futebol e os desastres na estrada.

Verdade: o ministerio da cultura é uma organizacao de malfeitores, um clube de snobs que so abre ao meio dia, dividido em mandarinatos, onde nao se da contas de nada a ninguem, se deixam cair os telhados das igrejas, arrasar os monumentos, destruir o patrimonio. Mas acabar com ele é uma barbaridade que pede repressao policial.

Bom fim de semana!

Publicado por: Filipe Castro em outubro 15, 2005 12:05 AM

Concordo em relação à ciência e tecnologia, mas alegro-me por não ter justificado a existencia de um Ministério da Cultura. A maioria das vezes (como quando lá andam Ministros como Santana Lopes e Carrilho) acabam por não ser mais que Ministérios da Propaganda. A cultura é necessária para o indivíduo, mas não deve ser imposta, que é o que acontece quando se usam fundos públicos (parte dos quais paguei eu) para financiar aquilo que eu não considero ser culturalmente válido. Cultura é uma questão de gosto, e deve ser vista como um serviço comercial. Ou, pelo menos, é esta a minha opinião.

Publicado por: Gonçalinho em outubro 15, 2005 04:10 AM