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outubro 11, 2005

OUTRAS IMPRESSÕES - A CDU

Finalmente quero deixar aqui uma nota de regozijo pela subida da CDU que, sem ser espectacular - e sem regressar aos níveis de até 1997 -, é significativa. Pode, num caso ou noutro, beneficiar pontualmente do descontentamento popular com o governo, mas essencialmente este resultado deve-se ao mérito próprio dos autarcas da coligação e ao seu trabalho sério, cujo reconhecimento nunca esteve em causa. Particularmente relevantes são a conquista inédita de um total de dois municípios do distrito de Leiria e o voltar a ser a força política a governar mais câmaras na Área Metropolitana de Lisboa, algo que não sucedia desde 1997 e que provavelmente significa que voltará a ser um autarca da coligação a presidir à respectiva Junta. Fala-se para tal cargo em Maria Emília de Sousa ("votava nela nem que se candidatasse pelo CDS", dizia-me um amigo de Almada), o que constituiria um reconhecimento justo por toda uma carreira política dedicada à cidade sempre "do lado certo", tendo recusado outros cargos na política nacional. Dado que este será o seu último mandato à frente da câmara de Almada, espero que possamos contar com a "dama de ferro da margem sul" para outros voos.

Publicado por Filipe Moura às outubro 11, 2005 03:30 PM

Comentários

Grande regresso do rei incontestado do lugar comum!
Mas haverá blog com escriba mais inane e incapaz de pensamento próprio?

Publicado por: Irra! em outubro 11, 2005 04:26 PM

um exerci'cio interessante era falar com mais que duas pessoas que morem em almada.

Publicado por: pfig em outubro 11, 2005 04:31 PM

irra!, quando conhecer um comunista com pensamento pro'prio avise.

Publicado por: pfig em outubro 11, 2005 04:32 PM

Lamento profundamente a postura do "camarada" Rui Sá, candidato eleito nas listas da CDU da cidade do Porto. Durante o primeiro mandato do Rui Rio foi o YES MAN presidencial no elenco camarário, durante a campanha para a autarquia foi a muleta do cabeça-de-lista da coligação de Direita. Não admira que o reeleito edil portuense, mesmo assegurada a maioria absoluta, se predisponha a assegurar-lhe um lugar de vereador com pelouro atribuído. Abjecto!

Publicado por: Nuno Guerreiro em outubro 11, 2005 04:58 PM

Nuno Guerreio, o Rui Sa e o unico politico eleito que eu conheco com um horario semanal para atender os municipes. Posso contraargumentar sem dificuldade essas acusacoes baixas de "yes-man" e "muleta", mas sugiro antes: por que nao o procuras e esclareces isso com ele?
Tal como o Rui Sa, eu tenho mais que fazer do que responder a comentarios do nivel destes.

Publicado por: Filipe Moura em outubro 11, 2005 05:04 PM

Se não tens tempo nem pachorra para responder a quem te dá troco, não seria melhor escreveres antes graffitis aí numa parede das tuas vizinhanças?

Olha que já é prova de abundante caridade retorquir a quem obviamente nada tem para dizer de próprio, original ou relevante. Espantoso é ainda haver quem te responda nestas janelas. Não mordas essas mãos que te afagam, pá.

Publicado por: Safa! em outubro 11, 2005 05:32 PM

A dita autarca pode ter os méritos que quiser, eu não conheço, e fracamente não me atrai muito essa margem do Tejo. Mas por uma coisa posso julgá-la, é pela merda em que foi transformada a Costa da Caparica com o beneplácito da câmara. É da mais confrangedora falta de sentido do local, das potencialidades, enfim de tudo. Está ao nível do pior Algarve que existe...

Publicado por: João Gundersen em outubro 11, 2005 05:37 PM

Same old story, Filipe: poderias "contraargumentar " (seja isso o que for), mas não o fazes. Porque não tens a augusta pachorra para aturar comentadores ou porque não fazes a menor ideia do que se tem passado no Porto?
Era capaz de votar nesta derradeira hipótese...

Publicado por: Gaita! em outubro 11, 2005 05:43 PM

Irra!,

- eu escrever num blogue e um direito que eu tenho;
- eu escrever no BdE e um direito que eu vou tendo enquanto o Ze Mario assim o entender;
- tu escreveres nas minhas caixas de comentarios e um privilegio que tens so enquanto eu o entender - nao e nenhum direito adquirido;
- responder ou nao aos comentarios que aqui aparecem, so eu decido.

Se tu tens algum problema com o que eu escrevo, o problema e so teu. De qualquer maneira sugiro que antes assumas a tua verdadeira identidade e motivacoes e pares de querer enganar os leitores. Senao, vai tu escrever graffitis e para de encher estas caixas com as tuas insinuacoes covardes. Fica aqui mais uma vez o aviso.

Publicado por: Filipe Moura em outubro 11, 2005 06:05 PM

Que "insinuações"? Apenas afirmei que só te limitas a emitir lugares-comuns já milhentas vezes ouvidos em conversetas de café. Merecerá tamanha ousadia mais um solene "aviso"?
Brrrrr.
Mas não te preocupes que ninguém te quer tirar qualquer direito de expressão; esses teus posts são aliás fonte farta de risonho júbilo para muitos. Keep up the jolly god work!

Mas onde está afinal a tal "contraargumentação"?

Publicado por: aiii... em outubro 11, 2005 06:19 PM

Obrigado, ai.... Vai-te rindo.

Publicado por: Filipe Moura em outubro 11, 2005 06:29 PM

(escreve-se good work, god work é outro emprego)

Adiante,

penso que a subida (porque de facto é mais do que uma manutenção) da CDU nos últimos actos eleitorais está muito relacionada com a figura de Jerónimo de Sousa. Seria injusto não o reconhecer agora. Digo isto perfeitamente à vontade, visto que, tal como muito gente, sempre vi a nomeação de Jerónimo como um passo em frente no processo de cristalização do PCP, hoje já não penso da mesma maneira.

Outra curiosidade é o CDS. O partido que mais celebrava e cantava de galo, nos anos 90, quando o PCP parecia ter chegado ao fim da sua história, apregoando uma nova era, sem comunismo, sem esquerda e sem direitas, uma era sem ideologias e de amanhãs radiosos.

Hoje o CDS é uma espécie de afilhado gordito do PSD, mas de quem ninguém verdadeiramente gosta (tirando a família directa). É um partido sem rumo, percebendo que sem ideologia, sem carisma e sem respostas, a política não existe. O próprio partido foi apagando o passado, empacotando antigos líderes, os vivos, e desempacotando os mortos. Esta amnésia voluntária e a falta de respostas já-lhes condicionou o presente e já-lhes hipotecou o futuro, são eles os maiores perdedores.

Publicado por: MBP em outubro 11, 2005 06:41 PM

Plenamente de acordo, MBP.

Publicado por: Filipe Moura em outubro 11, 2005 06:57 PM

O Sr Filipe Moura tem razão.
Ainda acaba expulso do BDE.

Publicado por: bento em outubro 11, 2005 07:05 PM

O Filipe Moura realçou o resultado da CDU na Àrea da Grande Lisboa. É de facto o Partido com mais Autarquias. Quanto a ser a Mª Emília ou não a futura presidente, não faço ideia nenhuma e ainda menos ideia faço se é este ou não o último mandado dela em Almada.

Mas - e já que tanto se falou quando em Abril se negociou a coligação em Lisboa da necessidade de ter em conta os resultados das eleições de 20 de Fevereiro - há contas curiosas que se podem fazer.

Se compararmos os resultados para a câmara de Lisboa de 9 de Outubro com os de 20 de Fevereiro, constatamos que só dois partidos aumentam: o PSD teve mais 32.432 votos e mais 17,19% e a CDU teve mais 3.294 votos e mais 3,19%; os restantes diminuem: o PS teve menos 74.476 votos e menos 15.92%, o BE teve menos 8.309 votos e menos 0,8% e o CDS teve menos 20.360 votos e menos 4,62%.

Isto é se o PS tivesse mantido a votação de 20 de Fevereiro (149.498 votos e 42,48%) teria não só a presidência como também a maioria absolutíssima; só que o PS em 8 meses perdeu em Lisboa metade do eleitorado, exactamente 74.476 votos.

Nós da CDU sempre dissemos que não se deviam comparar resultados autárquicos com resultados saídos das eleições legislativas. Houve quem teimasse e o resultado é a direita ter não só a presidência (com os 119.837 votos do Carmana)como a maioria absoluta na cidade de Lisboa por somente 136.560 (o somatório dos votos PSD-CDS).

Publicado por: Margarida em outubro 11, 2005 08:59 PM

esta margarida é uma patusca...
"se o PS tivesse mantido a votação de 20 de Fevereiro... teria não só a presidência como também a maioria absolutíssima;só que o PS em 8 meses perdeu em Lisboa metade do eleitorado..."
e logo a seguir:
"Nós da CDU sempre dissemos que não se deviam comparar resultados autárquicos com resultados saídos das eleições legislativas..."
mas não é precisamente o que estás a fazer?
bah!

Publicado por: tchernignobyl em outubro 11, 2005 09:14 PM

Primeiro , comparar eleições autarquicas com legislativas , não só e errado, como pouco correcto politicamente.

Nas legislativas elegem-se deputados, mas infelizmente há alguns anos a esta parte, a figura daquele que se candidata a primeiro-ministro, começa a ter peso, e assim muitos votaram porque acharam que Socrates tinha mais condições de ser primeiro-ministro do que Santana Lopes.

Para as autarquicas, sobretudo nas cidades mais pequenas o peso dos candidatos locais é determinante, só assim se justificam vitórias como Mario de Almeida, Mesquita Machado, ou o candidato do Redondo que abandonou, ou foi abandonado pela CDU, numa noite em que muitos queriam penalizar a acção governativa de 8 meses do PS.

Quanto á Tia Emilia de Almada, a sua imagem pode sair muito desfocada se se provar, que os votos do Bloco na Trafaria foram manipulados.

É que não vale tudo para se conseguirem maiorias absolutas.

Publicado por: a.pacheco em outubro 11, 2005 09:17 PM

Já que estamos numa de apontar incongruências linguísticas: errado e pouco correcto não serão sinónimos?

Publicado por: Rui Miguel Brás em outubro 11, 2005 10:09 PM

Disse e mantenho: "Nós da CDU sempre dissemos que não se deviam comparar resultados autárquicos com resultados saídos das eleições legislativas".

Diz o Pacheco: "Primeiro , comparar eleições autarquicas com legislativas, não só e errado, como pouco correcto politicamente".

Pergunta o Tchern: "mas não é precisamente o que estás a fazer?"

Respondo aos dois: não foi este exercício de comparar o que não é comparável que fizeram em Abril deste ano quer dirigentes do PS quer dirigentes do BE (aquando das negociações para a coligação em Lisboa)? E na altura não esteve o PCP sózinho na denúncia destas extrapolações?

E ainda ao Pacheco aconselho-o a ler e depressa a lei eleitoral para as autarquias locais antes que diga mais asneiras.

Publicado por: Margarida em outubro 11, 2005 10:31 PM

considero errado que quer o ps quer o be tenham eventualmente recusado coligações em lisboa (ou noutro sítio qualquer ) com base nas eleições legislativas.
o que não sei são as condições da cdu para participar nessas coligações.

Publicado por: tchernignobyl em outubro 11, 2005 10:40 PM

Quanto às caixas de comentários:

O Filipe diz (e bem) que o direito de nos pronunciarmos sobre o que ele diz nos seus posts em comentário é um privilégio e não um direito adquirido.

Queria só adicionar uma nota. Se é certo que eu já vi várias pessoas serem vítimas dos mais inacreditáveis comentários por aqui, também é verdade que já vi muito comentário ficar sem resposta, sabe Deus porque razão. É óbvio que como disse o José Mário Silva uma vez ninguém pode obrigar ninguém a escrever à pistola, mas quando certas questões não são respondidas podem ficar dúvidas na cabeça dos comentadores. Dizer que isso é apenas um problema dos leitores é que em alguns casos pode ser um exagero ...

Cumprimentos a toda a equipa

Publicado por: tagarela em outubro 11, 2005 11:10 PM

Isto está interessante. Será que é desta que vamos ficar a saber qual a esquerda que lava mais vermelho? Aviso já que o PS, com o seu rosa desbotado se encontra em sérias dificuldades.

Publicado por: Pedro Oliveira em outubro 11, 2005 11:12 PM

Tchern:

Como me parece desconhecer, junto extracto da carta que a direcção do PS enviou à direcção do PCP e que levaram ao fim das negociações para a coligação em Lisboa:

"Lisboa, 22/04/05
Caro Jorge Cordeiro

No seguimento da nossa reunião efectuada na 4ª feira, dia 20 de Abril, e dadas as posições nela expostas pelo Partido Comunista Português, vem o Partido Socialista clarificar os princípios que, de acordo com o que foi dito, considera bastantes para a formação de uma coligação de esquerda em Lisboa.

(…)
2. Uma coligação de esquerda em Lisboa deve integrar, além do Partido Socialista e do Partido Comunista Português, o Bloco de Esquerda, como parceiro indispensável e de pleno direito.

3. A coligação deverá ter nas diferentes estruturas – Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Assembleias de Freguesia – uma composição equilibrada, que traduza uma leitura e uma interpretação que respeitem os últimos resultados eleitorais registados em Lisboa nos últimos anos e que consagra o PS como a maior força política da cidade. Tal equilíbrio deverá traduzir de forma lata mas também realista os resultados dos diferentes partidos nas últimas eleições e reconhecerá também, o papel histórico de cada um na vida autárquica e política da cidade. Neste sentido, o Partido Socialista deverá ser maioritario, face à totalidade dos restantes partidos, em número de vereadores, deputados municipais e presidências de juntas de freguesia, sendo reservado ao Partido Comunista Português o papel de segundo partido da coligação em termos de representação eleitoral.

4. Todas as decisões relativas aos conteúdos programáticos e opções estratégicas deverão ser tomadas no âmbito da direcção de campanha, cuja composição deverá traduzir desde logo o peso relativo de cada partido no seio da coligação – (PS – 4; PCP – 2; BE – 1).
(…)
Com estima e saudações democráticas,

O Secretário Nacional para a Organização

Marcos Perestrello
In http:/forumcidade.blogspot.com (da Comissão Concelhia de Lisboa do Partido Socialista)

Publicado por: Margarida em outubro 12, 2005 12:35 AM

Tchern: Já agora fica também com a resposta da direcção do PCP.

Lisboa, 22/04/05
Caro Marcos Perestrello

Na sequência e em resposta ao Fax por si enviado que agradecemos, queremos, com igual franqueza, deixar em definitivo sublinhada a nossa avaliação e resposta.

1. A disponibilidade manifestada pelo PCP para o exame das possibilidades de reedição de uma coligação em Lisboa, expressa na iniciativa da promoção de um encontro com esse objectivo, traduziu um empenhamento sério na construção de uma solução capaz de assegurar uma viragem na gestão municipal conduzida nos últimos quatro anos. Empenhamento este que explica que, mesmo num quadro em que repetidas declarações de responsáveis do Partido Socialista e os passos dados na concretização pública da sua reduzida possibilidade de construção, em base aceitável de uma nova coligação, dela não tivéssemos desistido sem esgotar todas as possibilidades. Fizemo-lo sobretudo a pensar na cidade e numa experiência de dez anos que, com erros e omissões, avaliamos positivamente.

2. Foi sublinhado pelo PCP, nos dois encontros realizados, que a concretização de uma coligação era inseparável da verificação de algumas condições mínimas e indispensáveis: a clara disposição para inverter o rumo da actual gestão e relançar um projecto para a cidade assente em critérios democráticos, transparentes e participativos, que pressupõe desde logo a rectificação de decisões comprometedoras da actual maioria; o reconhecimento do papel determinante do PS e PCP para a sua viabilização e construção; o respeito pelo percurso, presença e património de intervenção do PCP nas autarquias da cidade construído ao longo de mais de 30 anos.

3. Com toda a clareza, e igual franqueza, sublinhámos que a reedição de uma coligação em Lisboa, pelo seu significado e dimensão nacional, e num quadro de distintos projectos autárquicos nacionais e bem diferenciadas concepções de poder local (como a prevista adulteração da lei eleitoral para as autarquias agendada para o próximo dia 28 revela) era inseparável de nela não haver uma posição de hegemonia e de comando, condição que justificou e viabilizou as condições anteriores.

4. A concepção de uma coligação baseada no reconhecimento recíproco do papel dos dois principais partidos é, a nosso ver, condição essencial ao êxito da coligação e uma garantia de desenvolvimento da sua actividade de acordo com os seus principais objectivos e programa. E em nada contraditório com o possível e desejável alargamento a outros partidos, designadamente ao Bloco de Esquerda e ao Partido Ecologista “Os Verdes”.

5. A construção de uma coligação, recusando quaisquer concepções que visem transformar o PCP em força de apoio a projectos e objectivos eleitorais de outros, é não apenas uma questão de respeito pelo percurso de intervenção autárquica do Partido e da CDU na cidade, mas também condição de construção e concretização de um projecto político com o qual se possa identificar e acompanhar.

6. Os princípios agora enunciados pelo PS não correspondem às considerações que claramente expusemos como elementos irrenunciáveis à reedição da Coligação e que nos pareceu terem sido admitidas pela vossa parte na passada quarta-feira. São inteiramente legítimas as pretensões do PS em poder dispor de uma hegemonia de posições e de um papel determinante na coligação. Como são inteiramente legítimas e compreensíveis as razões que levam o PCP a considerar que a sua subalternização na Coligação não dará as garantias julgadas suficientes de concretização de um projecto político alternativo para a cidade, razão primeira e determinante para a existência da coligação.

7. A impossibilidade real de uma coincidência de opiniões em questões essenciais, agravada pela escassez de tempo para um processo mais demorado que eventualmente a pudesse resolver, leva-nos a considerar esgotado um processo de diálogo que a continuar só se poderia traduzir num acumular de atrasos prejudicial para ambos os partidos e favorecedor da dinâmica da candidatura do PSD que se deseja ver derrotado. Perante a não aceitação por parte do PS de questões que estiveram na base do pressuposto de uma nova reunião, não vemos por isso razões para a sua realização que, à partida e tendo em conta o conteúdo da vossa resposta, se sabe não conduziria à solução desejada.

Com estima e saudações democráticas.

Pelo Secretariado do Comité Central do Partido Comunista Português

Jorge Cordeiro

In http:/forumcidade.blogspot.com (da Comissão Concelhia de Lisboa do Partido Socialista)

Publicado por: Margarida em outubro 12, 2005 12:42 AM

Tchern
Junto ainda uma notícia do DN:

"PCP e PS rompem coligações autárquicas

Luísa Botinas, DN, 24/04/05

"Assunto arrumado". PS e PCP não vão concorrer coligados em Lisboa nem em qualquer outro ponto do País, e "a culpa é do PS", dizem os comunistas.

O cenário de um entendimento entre comunistas e socialistas, visando a reedição da coligação de esquerda que saiu vitoriosa em 1989 e em 1997 na capital, não se concretizou após uma ronda de negociações que envolveu os líderes dos dois partidos. Carrilho avançará pelo PS e Ruben de Carvalho pelo PCP. Assunto encerrado.

Assim se esvai a esperança de um acordo que começou a preparar-se com a primeira reunião entre delegações a 13 de Abril, após solicitação dos comunistas. Oito dias depois, a 20, já com a anunciada candidatura de Ruben de Carvalho, há nova reunião.

Na mesa, o PCP coloca três questões ao PS que considera essenciais para haver coligação Programa político definido; rectificação de "erros e malfeitorias" das quais o PS foi conivente neste mandato (aprovação do Parque Mayer, alteração da filosofia de gestão das empresas municipais, situação financeira da câmara) e a matriz da coligação. Carlos Chaparro conta como foi: "O PS respondeu negativamente a todas as questões do PCP, logo na sexta-feira através de um fax, mesmo antes de qualquer hipótese de definição de novos encontros". A matriz da coligação foi, aliás, o ponto condicionante para o desenlace que se verificou. "O PS queria ter a maioria absoluta em todos órgãos.

Em vez de os dois partidos serem parceiros entre iguais com um programa de alternativa de esquerda, o PS encarou o PCP como um mero suporte para obter votos, e isso nós não aceitamos. Defendemos para a coligação uma correlação de forças em que tenhamos uma palavra a dizer e que não sejamos a cereja no bolo", disse ao DN Carlos Chaparro, dirigente do PCP na região de Lisboa.

A exclusão dos Verdes na fase posterior da coligação foi outro dos factores que levou à ruptura. "Nunca aceitaríamos essa situação", sublinhou. Dado o actual contexto, para o PCP é "irreversível" a decisão. "Mesmo que o PS recuasse, os tempos e as dinâmicas lançadas não permitem mais avanços e recuos". O PS recusa o ónus do fim da coligação dizendo que os comunistas "não queriam atender à evolução eleitoral do PS nos últimos anos, em Lisboa". E acrescentam os socialistas, o "PCP queria nestas negociações obrigar o PS a rever posições sobre várias matérias, como a lei para as autarquias".

Publicado por: Margarida em outubro 12, 2005 12:49 AM

Não compreendo a sua admiração e elogios a Maria Emília de Sousa. Almada é um lugar pavoroso para se viver, que não há Parques da Paz, nem Teatros Municipais, nem fogos de artifício que disfarcem. A Costa da Caparica está um nojo desde há anos a esta parte, sem melhoras que se vislumbrem. E que terra extraordinária poderia ser a Costa da Caparica! E Almada! Francamente não consigo entender como é possível elogiar tal administração autárquica. Assim como não entendo como é possível os almadenses continuarem a insistir nos méritos dessa senhora. Mas o problema é deles. Eu desisti de viver naquela porcaria. E não pense que digo isto por alergia ao partido a que essa senhora pertence. Pela minha parte acho que ela teria muito a aprender com camaradas dela que são presidentes de câmara noutros concelhos mais afortunados.

Publicado por: ex-almadense em outubro 12, 2005 12:54 AM

Tchern
E para terminar, junto algumas notícias que saíram na ocasião e que estou certa o elucidarão. Se mesmo assim não ficar esclarecido e se quiser mais, é só dizer:

Carrilho diz que ganha só
Luisa Botinas, DN, 30/04/05

Manuel Maria Carrilho está confiante numa vitória do PS na corrida à Câmara de Lisboa, mesmo que pelo caminho tenha ficado a coligação com os comunistas. A aposta vai para a bipolarizaçao do eleitorado.

(...) "Estou convencido que fizemos o que devíamos para manter uma coligação que prestou um bom serviço à cidade, mas temos energia, ideias e pessoas para ganhar sozinhos, claramente, a Câmara de Lisboa". (...) "Só há dois candidatos que reúnem as condições para o fazer, o do PS e o da direita". (...)

Carrilho explicou ainda que as jornadas estão a ser organizadas "desde há 15 meses" e terão como convidados (...) a deputada socialista Maria de Belém Roseira, o ex-ministro da Economia Augusto Mateus, José António Pinto Ribeiro, presidente do Fórum Justiça e Liberdade e o professor do Instituto Superior Técnico, Nunes da Silva.


Bloco Central alargado
Paulo Baldaia, DN, 30/04/05

(...)
Falhada a OPA (operação pública de aquisição) ao PCP para as autárquicas, tentada pelo PS no preconceito de que uma maioria absoluta tudo permite, Sócrates está obrigado a reconhecer que a base alargada de apoio para os grandes objectivos do seu Governo está à direita e não à esquerda. Não se discutem as virtudes de cada um dos campos, antes se proclama a vantagem da coerência. A direita acabou com o populismo e recentrou a sua estratégia política. Está mais séria e mais próxima do posicionamento político do Governo de José Sócrates. (...)



Fuga ao poder
Vital Mmoreira 10.3.05, causa-nossa

Parece que o Bloco de Esquerda não quer entrar na coligação sugerida pelo PS para as eleições municipais de Lisboa, preferindo concorrer sozinho. A ser verdadeira esta informação, isto quer dizer que o BE mantém-se fiel à sua "vocação oposicionista", recusando compromissos de poder, tal como já tinha anunciado nas eleições parlamentares que não participaria numa coligação de Governo.

Partindo do princípio de que desta vez, apesar de ter subido a sua votação na capital, isso não porá em risco a conquista da câmara pelo PS (como sucedeu em 2001), permanece em aberto a questão de saber que sentido tem esta estratégia de "fuga ao poder". Não será evidente que o BE corre o risco de ficar longe de repetir nas eleições autárquicas o êxito alcançado nas eleições legislativas?


Negociações do BE com Sá Fernandes iniciadas há um ano
Mª José Oliveira, Público, 6/05/05

Na última intervenção do primeiro dia de trabalhos da IV Convenção (...), Francisco Louçã anunciou aos delegados aquilo que já se sussurrava nos corredores do Fórum Lisboa: a Mesa Nacional decidiu aprovar a proposta da comissão concelhia de apoiar a candidatura independente de José Sá Fernandes à câmara de Lisboa. A decisão foi apresentada como uma espécie de convite ao advogado lisboeta mas o Público sabe que as negociações entre Sá Fernandes e a direcção bloquista tiveram início há cerca de um ano (...).

Instado, na semana passada, sobre a possibilidade de vir a recolher o apoio do BE, Sá Fernandes respondeu: “Logo se vê se vem mais alguém ou não”.

Com as negociações em curso, o Bloco optou, então, pelo secretismo, descartou de imediato a hipótese de uma coligação com o PS quando o PCP recusou as exigências dos socialistas e manteve o silêncio perante os nomes que eram apontados como putativos candidatos autárquicos – o semanário Expresso chegou a noticiar que a deputada Ana Drago seria a candidata bloquista.

Em conversa com os jornalistas (...) Louçã não adiantou pormenores sobre o patrocínio do BE a Sá Fernandes.

Contudo, ao que o Público apurou, o advogado (...) irá realizar uma nova conferência de imprensa esta semana.

Nessa ocasião, Sá Fernandes, que é amigo de infância de Francisco Louçã, aprovará o significativo apoio do Bloco na sua corrida à liderança da câmara da capital. O momento servirá, eventualmente, para o anúncio da constituição de uma comissão política mista (...).

Publicado por: Margarida em outubro 12, 2005 12:56 AM

Margarida:
Correctíssima a posição do PCP em não aceitar o ultimato do PS em relação aos lugares.
Em relação a diferenças políticas de pouco se falou no mesmo contexto.

O Bloco de Esquerda, enquanto isso se passava, tratou de encontrar um candidato próprio ou por si apoiado. Tinha o direito de o fazer, ainda por cima, e isto é importante, quando tinha concorrido contra a coligação anterior dirigida pelo PS.
Tem acusado o bloco de ser a causa da direita ter estado quatro anos a governar Lisboa e agora e novamente vem sugerir que o bloco se preparava para dividir.
Faça o seguinte exercício: você reconhecer-se-ia numa coligação liderada por um candidato com o comportamento manifestado por Manuel Maria Carrilho? Idenficar-se-ia na campanha que este fez?
Eu não. Porque acho que a Esquerda tem a obrigação de ser melhor que a Direita - não no marquetingue mas nas posições políticas claras e nas acções correspondentes.
Da mesma forma, não me reconheci na candidatura de João Soares. Eu e não só. Já pensou que, como o bloco concorreu separadamente, houve quem tivesse onde votar?

Tem de conceder que haja outras forças políticas que se reclamam e pretendem ser de esquerda, e socialistas, sem enfileirar nas aritméticas eleitorais que levam as pessoas a dizer que "eles são todos iguais".

Por mim, já estou farto de políticos de "esquerda" que só o são quando pretendem socorrer-se do seu "mercado" eleitoral. Olho para o programa e vejo se as propostas estão de acordo com as acções anteriores, se estão de acordo com o que eu penso que deve ser a esquerda. E voto de acordo comigo.

Para terminar, lamento que o Rúben de Carvalho não tenha concorrido em Setúbal (como o fez há anos e, já agora, com o meu apoio). Setúbal necessita de algo mais que aquilo que o PCP apresentou.
Como explica que depois de uma maioria absolutíssima do PCP em Setúbal nas eleições anteriores, o PSD se torne o segundo partido autárquico no concelho?
Está bem, o PS desceu a pique porque apresentou uma anedota para a câmara e houve transferência de votos. Todavia, ir apenas pela aritmética eleitoral, não fazer balanços políticos, levará os seus camaradas à ruína eleitoral nas próximas eleições.
Já agora: os "divisionistas" do bloco, que nunca tinham tido eleitos no município setubalense, elegeram dois deputados municipais em Setúbal e mais uns tantos nas juntas de freguesia (numa delas retiraram a maioria ao PSD).

E também: você não irá, tal como um camarada seu do Barreiro (de que aliás sou amigo), ficar zangada porque o bloco "dividiu" elegendo pela primeira vez numa junta local "roubando a maioria absoluta à CDU"?

Publicado por: CausasPerdidas em outubro 12, 2005 02:17 AM

Agora é que reparei, disse-se tanta coisa sobre a repartição dos votos nas coligações PSD-PPD-CDS-PP e não se disse nada sobre a repartição dos votos da CDU entre o PCP e os verdes. Estes comentadores andam mesmo a dormir ...

Publicado por: Luis Oliveira em outubro 12, 2005 06:18 AM

Causas Perdidas

Desculpe que lhe diga mas entra em contradições: diz que nas negociações entre PCP e PS pouco se falou de “diferenças políticas”, aconselho-o a reler a carta de Jorge Cordeiro ao Marcos Perestrello. Está lá tudo.

E em relação ainda à anterior coligação de Lisboa PS-PCP-Verdes, que você insiste em reduzir a “candidatura de João Soares”, lembro-lhe que ela começou por ser uma coligação PS-PCP-Verdes-PPM-UDP. E além de repartição de lugares ela tinha um PROGRAMA elaborado pelas forças que a constituíram. Ora, quando a UDP unilateralmente abandonou a coligação, fê-lo sem qualquer queixas, somente para favorecer o lançamento da candidatura do Miguel Portas e do BE. Não foi por oposição ao programa da Coligação nem ao seu funcionamento, foi tão só para dar espaço à afirmação da candidatura do BE.

Você está a pôr-me na boca termos que não utilizei, como: “mercado eleitoral”, “divisionistas do Bloco”. Isto revela que você receava o meu ataque e antes que eu o fizesse, você, preemptivamente atacou-me, e fê-lo, porque no íntimo sabe que o BE para conquistar um nicho de mercado tem que criar divisões nos partidos (ou nas coligações) já existentes, usando como armas a desvalorização da obra, do programa ou dos candidatos alheios ou da própria coligação – de que a “redução” duma coligação de três partidos ao “rosto” do Soares foi um exemplo. Mas as rotulagens e afirmações, repito são suas.

Parabéns pelas “conquistas” que o BE fez em Setúbal. Mas o ênfase que põe ao que tiraram à CDU, só prova afinal, quem é para o BE o “inimigo principal”. Trinta anos depois, no distrito de Setúbal, os que então estavam no PSR, na LCI, na UDP, nas FP’s, conseguem agora que o PSD se reforce na cidade de Setúbal…mas gloriosamente o BE consegue eleger dois membros na Assembleia Municipal e “uns tantos nas juntas. Trinta anos de luta,mas finalmente o BE faz umas conquistas…

Publicado por: Margarida em outubro 12, 2005 01:29 PM

O sectarismo desta malta do PC é mesmo grotesco e autista. Refugiam-se nas cartas oficiais como se reproduzissem toda a realidade das negociações.

Como se terão lembrado de exigir paridade na distribuição de eleitos entre o Bloco e a ficção mal amanhada que são os "Verdes"?
E não ficou mais que demostrado por estes resultados, mesmo com a derrota do PS que a CDY era uma rã inchada e em bicos dos pés ao querer negociar numa posição equivalente à do PS?

Isto para já nem falar da desvergonha que é ir buscar notícias já amplamente desmentidas sobre pretensas negociações anmtigas entre o Bloco e Sá Fernandes.

Eu não sou funcionário nem militante do BE; mas estas aldrabices pomposas e empertigadas dos oportunistas que tomaram conta do PCP já me envergonham das muitas horas de trabalho gratuito que no passado dei a este partido.
Só de ver uma nulidade carreirista como o Francisco Lopes a ser preparado para delfim do sec. geral, fico com uma certa vontade de puxar o autoclismo. Que pena dá ver um partido com a história e tradições do PCP nas mãos de malta desta...

Publicado por: Luis Rainha em outubro 12, 2005 01:51 PM

Luis Rainha

Como pode verificar as cartas foram tiradas do site da concelhia do PS de Lisboa, são de 22 de Abril e ninguém as desmentiu. Já agora coloca aqui também o esclarecimento do PCP publicado no Avante e que também esteve no site da concelhia do PS de Lisboa e que também não foi contestado por ninguém.

Lembro-lhe que estes três documentos são os únicos documentos oficiais destas negociações PS-PCP e nenhum responsável os contestou. Como o BE não participou em nenhuma das reuniões não tem autoridade para as comentar.

Sobre o pretenso desmentido das negociações do BE com o Sá Fernandes, pormenorizo à noite.

Sobre as questão da vida interna do PCP, são questões que só interessam aos militantes do PCP.

Junto segue o Esclarecimento publicado no Avante de 28 de Abril de 2005:

"Esclarecimento do PCP sobre a verificada impossibilidade de viabilização de uma coligação em Lisboa e o seu significado nacional
1.
A disponibilidade manifestada pelo PCP para o exame das possibilidades de reedição de uma coligação em Lisboa traduziu um empenhamento sério na construção de uma solução capaz de assegurar uma viragem na gestão municipal conduzida nos últimos quatro anos.
Empenhamento este que é em si mesmo testemunhado pela iniciativa tomada pelo PCP para, mesmo depois de insistentes declarações de responsáveis do PS declarando a Coligação esgotada ou desvalorizando a importância do PCP para a sua concretização que deixavam antever a reduzida possibilidade de construção, se proceder a um exame das condições de reedição de uma coligação em Lisboa. Esta proposta de encontro entre os dois partidos formalizada no dia 2 de Março aguardou mais de um mês até que se realizasse a primeira reunião a 13 de Abril, quando o PCP havia sublinhado a necessidade de ela se concretizar na primeira quinzena de Março. Período durante o qual, é necessário recordar, se verificaram nova convergências do PS com o PSD na Câmara Municipal de Lisboa em matérias tão negativas para a cidade como é exemplo a questão do Parque Mayer, ao mesmo tempo que se multiplicavam noticias do desenvolvimento da actividade da candidatura do PS e de decisões unilaterais em matéria de linhas de campanha.

2.
Foi sublinhado pelo PCP, nos dois encontros realizados, que a concretização de uma coligação era inseparável da verificação de algumas condições mínimas e indispensáveis: a clara disposição para inverter o rumo da actual gestão e relançar um projecto para a cidade assente em critérios democráticos, transparentes e participativos, que pressupunha desde logo a rectificação de decisões comprometedoras da actual maioria, algumas das quais com o apoio do PS; o reconhecimento do papel dos dois principais partidos — PS e PCP — sem posições de hegemonia ou comando enquanto condição para a sua viabilização e construção; o respeito pelo percurso, presença e património de intervenção do PCP nas autarquias da cidade construída ao longo de mais de 30 anos.

3.
A concepção de uma coligação baseada no reconhecimento do papel dos dois principais partidos, condição essencial ao êxito da coligação e uma garantia de desenvolvimento da sua actividade de acordo com os seus principais objectivos e programa, em nada é contraditória com o possível e desejável alargamento a outros partidos , designadamente ao Bloco de Esquerda e ao Partido Ecologista «Os Verdes». Pelo que são inteiramente falsas as insinuações quanto a uma alegada oposição à integração do Bloco de Esquerda na coligação.

4.
Para o PCP, um acordo com vista à coligação não podia deixar de levar em linha de conta a experiência, percurso e presença de cada um dos principais partidos no quadro das coligações que a precederam. Ou seja uma coligação da qual fossem afastadas quaisquer pretensões de hegemonia, determinada por relações de respeito mútuo e liberta de relações de subalternização.
Não são razões de lógica aritmética na distribuição de lugares ou estritos critérios de interesses partidário que a isso obrigam, mas sim o interesse da cidade e a garantia da adopção de um programa que responda aos seus principais problemas e as condições para a sua plena concretização. O testemunho dado pelo PCP no passado ao aceitar uma coligação em que as posições do PS não correspondiam à sua real influência, são prova da prioridade sempre dada pelo PCP aos interesses da cidade e da sua população, e não à mera disputa de lugares. A este respeito é bom recordar que o PCP dispunha em 1989 de uma presença, influência e posições bem mais expressiva que a do PS (27 por cento e cinco vereadores, 12 presidências de freguesia, e cerca de 300 eleitos do PCP, em contraste com os 17 por cento e três vereadores, nenhuma freguesia e 170 eleitos do PS).

5.
A construção de uma coligação recusando quaisquer concepções que visem transformar o PCP em força de apoio a projectos e objectivos eleitorais de outros é, não apenas uma questão de respeito pelo percurso de intervenção autárquica do Partido e da CDU na cidade, mas também condição de construção e concretização de um projecto político com qual se possa identificar e acompanhar.
Na verdade, num quadro em que são conhecidas repetidas posições de apoio e de viabilização por parte do PS a algumas as mais negativas e comprometedoras decisões da gestão PSD – de que são exemplo o escandaloso negócio do Parque Mayer e dos terrenos da Feira Popular, o congelamento da revisão do PDM e a aprovação das alterações simplificadas destinadas a viabilizar grandes operações urbanísticas, a viabilização das Sociedades de Reabilitação Urbana destinadas a estender a especulação a bairros e zonas históricas da cidade – a presença não subalternizada do PCP constituía uma garantia indispensável para que o projecto e programa de uma futura coligação fossem respeitados e cumpridos.

6.
Na sequência da segunda reunião realizada na quarta-feira, 20 de Abril, onde as questões colocadas pelo PCP pareciam ter tido acolhimento por parte do PS, a carta enviada pelo PS, dois dias depois, na passada sexta-feira, contém princípios que não correspondem e contrariam frontalmente as considerações essenciais que claramente expusemos como elementos irrenunciáveis à reedição da Coligação. São assim inteiramente legitimas e compreensíveis as razões que levam o PCP a considerar que os princípios pretendidos pelo PS não dão as garantias julgadas suficientes de concretização de um projecto político alternativo para a cidade, razão primeira e determinante para a existência da coligação.

7.
Confirmada a recusa por parte do PS de admissão de uma coligação construída sem pretensões de hegemonia ou de comando, em que a outros seria destinado o papel de «ajudar o PS» a ganhar a Câmara Municipal, a CDU prosseguirá a sua intervenção de acordo com o seu trabalho e responsabilidades na cidade de Lisboa.
O percurso de trabalho, coerência, ligação e conhecimento aos problemas da cidade fazem da CDU a força mais consequente na luta contra a actual maioria e pela conquista de uma nova gestão que ponha no centro da sua actividade o povo de Lisboa e a construção de uma cidade onde dê gosto viver e trabalhar.
Pela sua intervenção passada, pelas provas dadas no presente em defesa da cidade e pelo seu projecto de futuro para Lisboa a CDU apresenta-se nas próximas eleições, com a credibilidade dos seus candidatos, não só como uma força alternativa e indispensável mas também com a legitima aspiração de disputar a presidência da Câmara Municipal e imprimir á gestão da cidade o trabalho, honestidade e competência reconhecidas à CDU.

8.
Este processo que agora se conclui é em si revelador não apenas das aspirações hegemónicas do PS como também da intenção de ver no PCP uma força destinada a servir de mero suporte e apoio ás suas ambições políticas e de poder. As evidentes diferenças de projecto autárquico e de concepção de poder local entre o PCP e o PS (como a prevista adulteração da lei eleitoral para as autarquias mostra), e a manifesta falta de vontade do PS em assumir projectos políticos alternativos que rompam com os conteúdos e opções de gestão da direita tornam clara a falta de consistência e real conteúdo de ideias quanto a outros eventuais acordos no país. Os propósitos de hegemonia e de desvalorização dos conteúdos de projecto enunciados pelo PS no quadro da avaliação sobre Lisboa são bem elucidativos dos critérios e orientações que presidem aos objectivos do PS para as eleições autárquicas em todo o país e que comprometem por completo quaisquer possibilidades de coligações.

9.
A CDU, com as acrescidas responsabilidades que a sua intervenção autárquica lhe exige, confirma-se em todo o País como uma força indispensável na defesa dos interesses das populações e na construção de um poder local democrático. Pelo seu projecto, trabalho realizado e provas dadas a CDU apresenta-se às próximas eleições autárquicas com a determinação de assegurar, com a sua presença, a continuidade do trabalho, da honestidade e da competência que têm marcado a sua intervenção nas autarquias."

Publicado por: Margarida em outubro 12, 2005 03:14 PM

Filipe Moura que tal fundares um blogue de direita? Tiveste aí com cada resposta que mais parecias um gajo de extrema direita, daqueles que vão dar porrada nos ciganos em Coruche e usam lingerie.

Publicado por: O Feio em outubro 12, 2005 03:31 PM

Já disse umas quantas vezes: não sou militante do BE. Como tal, o seu aviso sobre a minha falta de "autoriidade" para comentar estas negiociações torna-se ainda mais ridículo (se possível). E não tenho de me ater aos "documentos oficiais", pois provavelmente até tenho uma ideia bastante mais completa do que a sua do andamento das negociações.
No que toca aos desmentidos das tais negociações, correspondem à pura verdade, remetendo para o reino da fantasia alucinações como a pretensa amizade de infância entre Sá Fernandes e Louçã.

No que toca à patética nota do PCP, não deixo de sorrir quando leio coisas como "sem posições de hegemonia ou comando"; queriam mesmo entrar numa coligação com o PS em condições de paridade?? E a diferença entre os dois partidos que já era bem previsível, e que se verificou ser de 26 para 11%, não contaria? Que interessa agora falar de cedências anteriores? Quem teria então o PCP apontado como candidato a presidente capaz de chegar a uma vitória? O Domingos Abrantes? Por favor.

A hipocrisia continua com a passagem do "possível e desejável alargamento a outros partidos , designadamente ao Bloco de Esquerda e ao Partido Ecologista «Os Verdes»". Que tem um partido como o BE a ver com uma muleta ficcional e vazia como os Verdes? E porque omitem que se bateram por uma paridade na distribuição dos eleitos entre estas duas forças? Só agora se dão conta do absurdo? Ou a falta de vergonha sectária continua?
Só mesmo quem vive fechado nas caves da Soeiro é que alimenta estes delírios de grandeza...

E que dizer do manifesto autista contido na sua frase "Sobre as questão da vida interna do PCP, são questões que só interessam aos militantes do PCP"?
Não queria mesmo mais nada, pois não? Se desistirem de receber contributos financeiros do Estado, pode ser que consigam imitar a Mafia e fazer o que querem sem ninguém ousar inquirir nada. Até lá, vai ter de conviver com estas novidades burguesas da transparência e da legalidade.
E depois de ter visto amigos meus perseguidos depois de vidas dedicadas ao partido apenas porque não eram "de confiança", enquanto carreiristas imprestáveis prosperavam (por serem "firmes") tenho todo o direito de proclamar o meu público NOJO pelo que esta cambada que tomou de assalto o PCP anda a fazer.

Se faz parte da cáfila, azarito; a mim, não me pode retirar tarefas nem castigar de forma alguma.

Publicado por: Luis Rainha em outubro 12, 2005 03:49 PM

Luís Rainha
Sobre o que diz serem "notícias já amplamente desmentidas sobre pretensas negociações antigas entre o Bloco e Sá Fernandes", aqui vai um artigo esclarecedor e do qual não vi nenhum desmentido de nenhum dirigente do BE nem do Sá Fernandes:

"As falsas virgens
São José Almeida, Público, 14/05/05

(…) O BE realizou este fim-de-semana a sua convenção e nela elegeu por unanimidade como seu coordenador Francisco Louça, que era já na prática o líder mediatizado. A eleição de Louça esteve associada à vitória da moção da direcção, aprovada sem votos contra, embora tivesse sido apresentada uma moção supostamente alternativa quanto à estratégia e à organização interna, da autoria de um grupo de supostos críticos, que optaram por representar o papel de figurantes da entronização de Louça.

Já eleito, Louça reafirmou a ideia de que o BE é o partido verdadeiramente novo, verdadeiramente moralizador da vida pública. E assumiu oficialmente o apoio à candidatura independente de José Sá Fernandes, um apoio que é dado depois de falidas as negociações com o PS para uma eventual coligação eleitoral na capital, mas que foi negociada em contactos mantidos entre dirigentes do BE e Sá Fernandes ao longo de meses, como o Público noticiou no passado domingo, em notícia baseada em informações recolhidas e confirmadas junto de diversos dirigentes do BE. Conversações essas que se desenrolaram, por exemplo, em torno da contestação ao túnel do Marquês, e que foram aceleradas e oficializadas após as legislativas de 20 de Fevereiro.

Na sequência da notícia do Público, José Sá Fernandes decidiu desmenti-la. O Público aceitou o desmentido, publicando-o na terça-feira. Antes da publicação, na segunda-feira, a jornalista Maria José Oliveira falou telefonicamente com Francisco Louça, que lhe garantiu, em nome do BE, que a notícia não seria desmentida por este partido, porque estava correcta na substância, as negociações não tinham atingido um ano mas decorreram durante meses.

O Público fez assim uma nota de direcção em que assumiu que as fontes da notícia eram do BE e que mantinham as informações. Na terça-feira, ao fim do dia, o Público recebeu um e-mail, enviado do grupo parlamentar do BE, em que, a título de esclarecimento, se parafraseava o desmentido de José Sá Fernandes.

Na quarta-feira à tarde, José Sá Fernandes escreve segunda carta ao Público, também ao abrigo da lei de imprensa, tornando assim a sua publicação obrigatória, exigindo a divulgação do comunicado do BE. Isto sem que houvesse tempo real ainda para a sua eventual publicação.

Perante o facto de se sentirem atingidos na sua honorabilidade e envolvidos num braço-de-ferro entre a direcção do BE e José Sá Fernandes, os jornalistas do Público Maria José Oliveira, autora da notícia, e Nuno Sá Lourenço, que contribuiu para a sua confirmação, decidiram denunciar algumas fontes de informação, com total apoio da editoria da secção Nacional e do director do jornal e no cumprimento do Livro de estilo no que se refere a situações de tentativa de manipulação do jornal. Os jornalistas do Público sabem a gravidade da denúncia de fontes e o que isso representa como quebra de confiança na relação entre fontes e jornalistas, mas sabem também que essa relação não é unívoca e pressupõe seriedade de ambas as partes.

Não é a primeira vez que direcções partidárias ou políticos individualmente tentam responsabilizar apenas os jornalistas pelas consequências da publicação de informações. Não é a primeira vez que tal acontece, aliás, entre o BE e o Público. E agora, como muito provavelmente a publicação da notícia acabou por interferir nas relações entre o BE e o seu putativo candidato, o BE achou normal vir fazer um comunicado em que, com o maior descaramento e sem nenhum rebate de consciência, dava o dito por não dito, procurava salvar a face perante o seu parceiro de negociação, tentando difamar uma jornalista séria e rigorosa. Francisco Louça não se sentiu constrangido por dizer uma coisa e praticar outra. É até um comportamento recorrente entre muitos políticos tentar endossar a eventual culpa para os jornalistas, que são, aliás, amiúde tratados como estúpidos, ignorantes, desonestos, malformados, manipuladores, manipuláveis.

Ora, a um partido que se apresenta como novo e diferente e que jura defender uma prática política séria, é de exigir, que tenha a mesma seriedade a tratar os jornalistas do Público que estes têm quando tratam com o BE. A recorrência a desmentidos e à tentativa de difamação de jornalistas para resolver a gestão de problemas internos não colhe cobertura na secção de Nacional do Público."

Publicado por: Margarida em outubro 12, 2005 06:30 PM

A Margarida escreveu, "você está a pôr-me na boca termos que não utilizei, como: 'mercado eleitoral', (...)".
Tem razão, as palavras eram minhas, não as pretendi afirmar como suas. As aspas na palavra "esquerda" também não eram para si, é óbvio. Veja o contexto. Leia o texto.

Mas, logo a seguir:

"(...)no íntimo sabe que o BE para conquistar um nicho de mercado tem que criar divisões nos partidos (ou nas coligações)"


E por falar em "inimigos":
"Trinta anos depois, no distrito de Setúbal, os que então estavam no PSR, na LCI, na UDP, nas FP’s, conseguem agora que o PSD se reforce na cidade de Setúbal…".

Percebi. E traduzo: O PCP entende que os votos no BE favorecem a direita.
Aliás, atrevo-me eu, o único voto que não favorece a direita é o depositado no PCP ou numa coligação onde o PCP esteja.

Tanto quanto me lembro, O BE fez uma análise de que os votos transferidos do PS e da direita para o PCP revelam um desejo de mudança à esquerda.
Eu limitei-me a acrescentar e mantenho: as más práticas dos partidos de esquerda no poder reforçam a direita. Fique tranquila, isto não é válido apenas para o PS e para o PCP, é-o também e para o BE (em relação a este ainda sou mais exigente).


"A linha é sempre justa, a realidade é que não se adapta à justeza da linha. A nossa linha é a nossa realidade".
Descanse, não lhe atribuo estas palavras. São uma caricatura desenhada por mim, um marxista o suficiente para saber o mal que esta lógica (?) fez ao Ideal Comunista.

Sim, eu sei, no bloco há muita gente que não é comunista. Mas eu nunca disse que o bloco é perfeito...

Publicado por: CausasPerdidas em outubro 12, 2005 06:33 PM

Margarida,
No que concerne o percurso das negociações, nada fica demonstrado no artigo que cita a não ser a flexibilidade que a verdade tem nas mãso do Público. Faz toda a diferença falar de "um ano" ou de "meses". 60 dias nunca poderá ser coisa parecida com 365.
E onde fica a pícara garantia que Louçã e Sá Fernandes eram "amigos de infância"? Em águas de bacalhau, claro está...

Publicado por: LR em outubro 12, 2005 07:23 PM

Diz a São José Almeida: “Conversações essas que se desenrolaram, por exemplo, em torno da contestação ao túnel do Marquês, e que foram aceleradas e oficializadas após as legislativas de 20 de Fevereiro.”

Ora procurei saber quando começou a contestação de Sá Fernandes ao Túnel do Marquês e nestas duas notícias que abaixo coloco vê-se que foi em Janeiro de 2004, que Sá Fernandes apresentou em Tribunal e à Comissão Europeia queixas contra a Autarquia.

CM, 2004-01-18
Advogado aponta 'ilegalidades'
QUEIXA AMEAÇA TRAVAR TÚNEL NO MARQUÊS
As obras de prolongamento do túnel das Amoreiras até ao Marquês, em Lisboa, podem ser suspensas, noticiou ontem a SIC. Em causa estão eventuais ilegalidades no projecto, que serão agora analisadas no Tribunal Administrativo de Lisboa, depois de o advogado José Sá Fernandes ter apresentado uma acção de contestação.
(…)

José Sá Fernandes - igualmente envolvido na contestação legal à construção de um elevador para o Castelo de S. Jorge, no final do último mandato de João Soares na Câmara de Lisboa - ficou "espantado" quando percebeu que "começaram a obra do túnel antes de o projecto de execução estar devidamente concluído".
(…)


Tribunal decide sobre túnel do Marquês
CML obrigada a suspender obra

A Câmara Municipal Lisboa (CML) vai ter de suspender a construção do túnel do Marquês até à elaboração do estudo de impacto ambiental, de acordo com a decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa, revelou o advogado José Sá Fernandes.

(…) O Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa começou a julgar no dia 25 de Março a acção popular movida pelo advogado José Sá Fernandes contra a autarquia lisboeta pela construção do Túnel do Marquês. A acção foi colocada por Sá Fernandes em Janeiro e defendia a suspensão imediata da obra.
(…)
19:03 26 Abril 2004, expresso-on-line

Como de facto diz o Luís Rainha e eu subscrevo: “Faz toda a diferença falar de "um ano" ou de "meses". Se 12 meses são um ano, 15 meses são 15 meses e não um “ano”.

E sobre a “a pícara garantia que Louçã e Sá Fernandes” serem "amigos de infância" de que o LR fala, aqui parece-me que o LR está a ser mais papista do que o papa, pois nunca me apercebi de nem o Louçã nem o Sá Fernandes terem pedido ao Público a rectificação de tal informação…

Publicado por: Margarida em outubro 12, 2005 09:18 PM

Causas Perdidas
Só posso repetir-lhe o que em cima lhe escrevi, “que você receava o meu ataque e antes que eu o fizesse, você, preemptivamente atacou-me, e fê-lo, porque no íntimo sabe que o BE para conquistar um nicho de mercado tem que criar divisões nos partidos (ou nas coligações) já existentes, usando como armas a desvalorização da obra, do programa ou dos candidatos alheios ou da própria coligação" (…).

Repito-lhe ainda: “o ênfase que põe no que tiraram à CDU, só prova afinal, quem é para o BE o “inimigo principal”. E mais não digo do que o que lá em cima escrevi.

Publicado por: Margarida em outubro 12, 2005 09:33 PM

Luís Rainha
Diz que não é militante do BE, e diz que provavelmente até tem “uma ideia bastante mais completa” do que a minha do “andamento das negociações”. Não tenho a mínima intenção de contestar tal afirmação: como militante do PCP basta-me a explicação do meu partido consubstanciada na carta do Jorge Cordeiro e no Esclarecimento do Avante.

Presumo que você seja militante ou amigo de qualquer dirigente do PS para estar alegadamente tão “bem” informado – mas esta afirmação desde já lhe digo -, não passa de pura especulação minha. E você tal como qualquer mortal tem o direito de especular sobre os “direitos” de “paridade”, mas hoje que as eleições já se realizaram parece-me completamente inútil alimentar tal discussão.

Sobre as questões da vida interna do PCP, repito-lhe que tal só diz respeito aos militantes do PCP. Mas sobre isto, também você como qualquer mortal tem o direito de opinar, mas não espere resposta minha: fica a falar sozinho.

Só um último reparo: caracterizou o PCP e os seus dirigentes de “máfia”, “cambada”, “cáfila”. Lembre-se disso quando tiver a tentação de dizer que nós os consideramos o “inimigo principal”.

Publicado por: Margarida em outubro 12, 2005 09:55 PM

Nesta discussão sobre as eleições de Lisboa a Margarida partiu de um ponto particularmente vantajoso, acima de tudo devido às fragilidades do candidato socialista (por todos reconhecidas). Acho piada que depois de tudo o que ela disse remate agora dizendo para o Luis Rainha "E você tal como qualquer mortal tem o direito de especular sobre os “direitos” de “paridade”, mas hoje que as eleições já se realizaram parece-me completamente inútil alimentar tal discussão.". Porque será? Será que os comunistas se sentem intimidados pelos ex-camaradas?

Publicado por: Luís Oliveira em outubro 12, 2005 11:07 PM

Será que os comunistas se sentem intimidados pelos ex-camaradas?

E vice-versa, Luís, não te esqueças do vice-versa...

Mesmo assim fiquei sem descobrir quem é que lava mais branco, se o Skip, de o Presto... Aborrecido!

Publicado por: Pedro Oliveira em outubro 12, 2005 11:41 PM

Luís Oliveira
Eu nunca perguntei sobre a filiação partidária de ninguém. Eu aqui procuro discutir questões, estou-me marimbando para o resto. Mas parece-me que você quer discutir o que já não tem conserto, i.e. a vitória da direita em Lisboa. Então eu avanço com mais estes pontos para reflexão:

1 - Vejamos os resultados para a CM, Ass. Municipal (AM) e Ass. Freguesia (AF) dos 5 partidos em Lisboa, em 2005:

- o PSD teve respectivamente: 119.837 (CM), 107.917 (AM) e 102.618 (AF);

- o PS teve 75.022 (CM), 77.789 (AM) e 79.944 (AF);

- a CDU teve 32.254 (CM), 36.589 (AM) e 46.046 (AF),

- o BE teve 22.342 (CM), 26.434 (AM) e 21.979 (AF)

- o CDS teve 16.723 (CM), 17.700 (AM) e 17.183 (AF).

– Nas 3 votações o PSD teve de facto mais votos na CM;

– Tiveram mais votos para a AM do que para a CM: PS, CDU; BE e CDS;

– Tiveram mais votos para a AF do que para a CM: PS, CDU, CDS.

2– Mas se compararmos as votações de 9 Out com as de 20 Fev, constatamos que só o PSD e a CDU aumentaram a votação em 9 de Out:

- o PSD teve mais 32.432 votos (CM); mais 20.512 (AM) e mais 15.213 (AF):

- a CDU teve mais 3.294 votos (CM); mais 7.629 (AM) e mais 17.086 (AF);

3 – Isto é, a CDU em Lisboa nas autárquicas, foi o único partido da esquerda a subir. E o PSD só conseguiu recuperar parte do eleitorado perdido pelo PS+BE+CDS desde 20 Fev. Se considerarmos as perdas para a CM verifica-se que totalizam 103.145 votos, assim distribuídos:

- o PS perdeu 74.476 votos:

- o BE perdeu 8.309 votos;

- o CDS perdeu 20.360 votos

E destes 103.145 votos perdidos pelo PS, BE e CDS desde 20 Fev, o PSD só conseguiu recuperar pouco mais de 1/3, isto é 32.432.

4 – E se compararmos as votações que o PSD teve em 2005 e 2001 e então constatamos que o PSD perdeu nas eleições de 9/Out: 11.298 (CM), 16.540 (AM) e 18.641 (AF); E o Carmona só precisou de 119.837 votos para ser eleito…ah! Lembro que o João Soares perdeu a presidência em 2001, com 130.279 votos!

Publicado por: Margarida em outubro 13, 2005 12:31 AM

Margarida você disse:

"Eu nunca perguntei sobre a filiação partidária de ninguém."

Você não pergunta mas eu satisfaço a curiosidade de quem quiser: eu não sou afecto a qualquer força partidária. Por enquanto ainda me vou considerando de esquerda, mas com muita pena de a esquerda não ter a coragem de discutir certas "vacas sagradas", é pena porque se calhar essa seria a forma de racionalizar a fé nas ditas.

Publicado por: Luís Oliveira em outubro 13, 2005 12:51 AM

Fabuloso.
É dito que as conversações "se desenrolaram, por exemplo, em torno da contestação ao túnel do Marquês, e que foram aceleradas e oficializadas após as legislativas de 20 de Fevereiro" e a Margarida logo salta para conclusão que o jornalista fala do INÌCIO dessa contestação: "Ora procurei saber quando começou a contestação de Sá Fernandes ao Túnel do Marquês". É pena o Pravda já não ser o que foi; você tinha por lá futuro radioso.
Esta veia demagógica fica ainda patente numa tirada ao melhor estilo Alberto João: onde ele denuncia todas as acusações lançadas à sua pessoa como insultos à Madeira, a Margarida estende abusivamente a minha caracterização da presente liderança do PCP a todo o partido. E ainda acrescenta a história da "Mafia", numa óbvia deturpação do que escrevi: "pode ser que consigam imitar a Mafia e fazer o que querem sem ninguém ousar inquirir nada".

Quanto a isso dos "inimigos"... não me parece que me vá tirar o sono hoje. Guarde lá as teorias da conspiração para as catacumbas da Soeiro; lá é que devem precisar de entretenimento desse jaez.

Publicado por: LR em outubro 13, 2005 01:13 AM

" Embora tivesse sido apresentada uma moção SUPOSTAMENTE alternativa quanto à estratégia e à organização interna, da autoria de um grupo de SUPOSTOS críticos, que optaram por representar o papel de figurantes da entronização de Louça.'"

(as maiúsculas são minhas)

Convenhamos que logo no início do artigo se vê que se tratou de jornalismo aquilo que São José Almeida foi fazer à Convenção do Bloco de Esquerda. Só uma pessoa mal intencionada poderia ver neste "virginal" trabalho qualquer tipo de reserva mental em relação ao bloco...

Os delegados que apresentaram e votaram posições alternativas à maioria política da convenção, só o fizeram para despistar os jornalistas e para fingir que o congresso não era igual aos do PCP.
Aliás, os delegados nem deviam ser delegados, eram "supostos" delegados nomeados a dedo pelo Louçã. E a Ana Drago foi avançada pelo Agit-Prop do BE como candidata só para trocar as voltas à imprensa.

Publicado por: CausasPerdidas em outubro 13, 2005 01:34 AM

a margarida teve a bondade de me elucidar sobre um aspecto curioso das eleições em lisboa:
andava eu aqui a matutar sobre o efeito nefasto do carrilho, traduzido entre outros indícios na diferença de 2 mil e setecentos votos a mais para o PS na votação para a assembleia municipal e quase cinco mil votos a mais nas juntas de freguesia, ao contrário do PSD que teve entre cerca de 12 mil e 19 mil a menos nas respectivas votações...
e os outros partidos?

o BE teve cerca de quatro mil votos a mais para a assembleia municipal, ou seja cerca de quatro mil votantes (em 22 mil é significativo...) que não se identificaram com o candidato a presidente. Nas Juntas de Freguesia o BE teve menos cerca de quatro mil e quinhentos votos, o que poderá significar que o BE não está muito vocacionado para aquele nivel de intervenção que impõe uma ligação mais directa com as populações, o que nem será grave considerando as posições do bloco e a composição social das populações de muitas freguesias.

O CDS tem uma votação mais ou menos homogénea, a votação ligeiramente inferior da candidata a presidente explica-se em princípio pelo voto útil em carmona.

Já a CDU é o caso mais curioso:
Teve uma votação de mais quatro mil votos para a assembleia municipal do que para Presidente, mais de 10%, o que é um bom indicativo da receptividade do seu candidato a presidente.
Ao contrário do BE, a CDU mostra que a sua força em Lisboa reside numa presença forte ao nível local, possívelmente puxada para cima pelos resultados num numero restrito de freguesias onde tem feito bom trabalho e tem um numero muito expressivo de votantes.
Com efeito, a CDU teve mais quase 14 mil votos (mais de 25%!) para as Juntas do que para Presidente, mesmo considerando que o people que vota na CDU tem fama de ser muito coeso nas suas escolhas.
o que mostra claramente que nem os apoiantes da CDU foram muito com a cara do Ruben que assim surge como o tiro no pé mais violento na escolha de cabeças de lista na capital.

Publicado por: tchernignobyl em outubro 13, 2005 04:46 AM

Tchern
Agora não tenho tempo para mais mas que tal você começar já a reflectir para o que é que servem as sondagens, e porque é que só fizeram sondagens para as câmaras e concretamente para as câmaras de Lisboa, Porto, Faro, Oeiras, Gondomar, Felgueiras?

Publicado por: Margarida em outubro 13, 2005 10:42 AM

O Carrilho perde quase metade do eleitorado do PS desde 20 de Fevereiro, em Lisboa; o Sá Fernandes, apesar do apoio do PMT e da “gente fina” da capital, perde quase 30% do eleitorado do BE; o Ruben ultrapassa em 11% a votação que a CDU teve, mas para o tchernignobyl “nem os apoiantes da CDU foram muito com a cara do Ruben que assim surge como o tiro no pé mais violento na escolha de cabeças de lista na capital”…

Ó tchernignobyl não há limites para a falta de senso, para o facciosismo, para o sectarismo? Isto já é bem pior que azia de mau-perdedor. Isto é puro terrorismo intelectual.

Publicado por: Luís Simões em outubro 13, 2005 12:33 PM

do alto da minha infinita falta de senso, do meu incomensurável facciosismo e do meu ilimitado sectarismo, contorcendo-me nas vascas da mais negra agonia de mau perdedor, arrepanhado no meu colete de cartuchos explosivos de terrorista intelectual, faço a singela pergunta:
como explica o doutor simões(que faz lembrar uma espécie de helena matos antes de atingir a crise intelectual e existencial da pós-militância) a diferença de votos entre o ruben e o povo e se deixa de outras considerações?
Basta isso, o resto é a tinta do choco.
No prato atura-se, já se percebeu que este tipo de considerações provocatórias acompanham sempre obrigatoriamente como "couvert" enlatado, a propósito e a despropósito, qualquer "raciocínio" do pessoal PC nestes contraditórios; é assim, não há nada a fazer e só (se) consome quem quer. No "habitat natural" é para fugir com o rabo à seringa.

Publicado por: tchernignobyl em outubro 13, 2005 06:54 PM

margarida, só se fizeram essas sondagens com certeza com o único propósito de "calar os comunistas".
eu, se fosse aos queixosos, juntava as minhas palavras às intenções do dr santana lopes no início da sua derrocada... processava-os a todos.

Publicado por: tchernignobyl em outubro 13, 2005 06:56 PM

Em Santiago do Cacém a CDU obteve uma expressiva vitória com uma equipa de merda!
Porque seria?
Por causa das políticas do governo,
ou o povo endoideceu de vez?

Publicado por: canzoada em outubro 13, 2005 07:39 PM

tchernignobyl

De facto nas três votações de 9 Out em Lisboa, constata-se que onde o PSD teve mais votos foi na votação para a CM; o PS e a CDU na votação para as AF e o BE e o CDS nas votações para a AM. E se se compararem estas votações de 9 Out/2005 com as autárquicas de 2001, verificará que o mesmíssimo padrão se mantém, isto é, PS/CDU fazem o pleno nas AF, o PSD na CM e o BE e CDS na AM.

E se ainda tivesse dúvidas sobre o padrão de votação na CDU poderia estudar os números nacionais tanto de 2001 como de 2005: por exemplo em 2005, para as CM a CDU obteve 10,97%; para as AM aumentou para os 11,67% e para as AF fez o pleno com 12,06%. Ora por aqui há quem diga que a Mª Emília é um caso à parte de popularidade e antes diziam o mesmo do Abílio de Évora. Mas o padrão de votação mantém-se: não estará a explicação antes na maior abertura das listas tanto das AM como das AF? E nem é preciso grande inteligência para perceber que é sempre mais fácil "abrir" as listas que comportam mais gente.

Claro que o tchernignobyl não fez este estudo comparativo. Presumo que achou genial uma "tese" do José Manuel Fernandes do Público (na 2º feira), que vai nesse mesmo sentido e colocou-a aqui um tanto à martelada. Porquê?

Precisamente para esquecer os tais cerca de 30% dos votos perdidos pela lista da "gente fina", os 50% perdidos pelo Carrinho e os 11% ganhos pela CDU para a câmara de Lisboa, e que ele ainda não digeriu.

Publicado por: Margarida em outubro 13, 2005 08:40 PM

tchernignobyl

Não sei se já deu uma espreitadela ao Margens de Erro do Pedro Magalhães. Se não deu, aconselho-o a dar. Está lá um apanhado de 18 sondagens feitas em 5 concelhos mediáticos, e publicadas nos últimos dias da semana passada. E nessas 18 sondagens em 14 a CDU tinha MENOS do que veio a obter em 9 de Outubro e o BE em 15 teve MAIS do que efectivamente veio a ter.

E numa dessas sondagens a Católica atribuiu à CDU em Oeiras, METADE da percentagem que efectivamente teve e outra também da Católica, em Faro, deu ao BE o DOBRO do que veio a ter.

E ainda por exemplo, as 4 sondagens do Porto e as 5 de Lisboa deram ao BE, todas essas 9 sondagens, MAIS do que o BE teve; e dessas 9 só uma deu uns míseros 0,6 MAIS à CDU.

Para si isto é tudo normal, tudo muito científico, tudo muito bem feito. Pois.

Publicado por: Margarida em outubro 13, 2005 08:58 PM

Cara Margarida:

Eu não conheço em detalhe todas as sondagens feitas durante as autárquicas. Tenho mais que fazer! É impressão minha ou há um padrão nos factos que escolheu para criticar as sondagens?

Grato pela sua atenção

Publicado por: Luís Oliveira em outubro 14, 2005 12:58 AM

de toda a gente que acompanha minimamente este blog tinha de surgir a grandiosa margarida para finalmente perceber como eu estou a tento a qualquer rabisco do josé manuel fernandes, e como espumo na ânsia incontrolada de transpor as suas teses geniais .
bem hajas...
infelizmente falta-me o tempo e a pachorra para ir consultar os dados de todas as eleições em todas as freguesias do país para elaborar sobre os enganos nas sondagens e respectivas tendências.
as sondagens, vê se percebes, são um método científico de prever os resultados, manipulável e falível dentro de certos limites, é assim como o boletim metereológico prever que vai haver uma tempestade mas não prever se a sarjeta da tua rua vai ficar entupida, até por uma razão simples: a sondagem definitiva e a que conta é a que entra dentro das urnas, e as pessoas (um numero que também pode ser calculado ) podem hesitar, enganar-se mudar de opinião no último segundo.
mas para ti e para o sanatana lopes estas subtilezas não existem. vocês queriam que as sondagens vos tranquilizassem com o resultado final antes de tempo e tu pelo menos nem te dás ao trabalho de pensar no que seria se isso acontecesse. para ti o prioritário é exprimir mais uma vez e ainda a obsessiva mania, o repulsivo sentimento de auto-vitimização que continua colada como grude na paisagem intelectual do militante base PC.
porra, tiveste um bom resultado nestas eleições, pelo menos um bom resultado relativo atendendo às potencialidades definidas pela teoria (convenhamos que para quem tenta representar os interesses dos explorados e miseráveis que vivem em portugal, 7% é um resultado ridículo), sê optimista, vê as coisas pela positiva deixa-te de manias da perseguição, põe de lado por um momento a obsessão anti-Bloco, aprecia a paisagem, respira o ar puro, ect....

Publicado por: tchernignobyl em outubro 14, 2005 08:12 AM

tchernignobyl

Eu remeti-o para as últimas sondagens de cinco concelhos que estão no Margem de Erros – nem precisaria de perder muito tempo – qualquer meia hora lhe bastaria se quisesse discutir o assunto com o mínimo de seriedade.

Mas a sua postura é de chicana e para a poder manter e com mais convicção defender o indefensável, quanto menos souber, melhor.

Como quando diz que eu e o Santana não temos subtileza para analisar sondagens. Já agora junte ao rol dos broncos o seu líder Louçã que segundo o Independente de hoje, explicou o revés no Porto “pelas sondagens falsas, que davam um empate técnico para a presidência da câmara” e que teriam levado ao “voto útil, que beneficiou o PS e o PSD”.

Publicado por: Margarida em outubro 14, 2005 11:37 AM

um pequeno problema do Louçã é não ter aqui no blog um cão de fila de serviço a tentar justificar a martelo e de qualquer maneira, todas afirmações que porventura produza.
Até já foi aqui violentamente criticado, como por exemplo no caso do debate com o Portas.
O que não impede a mania das pessoas em tentar-nos colar sistematicamente ao Bloco, e por vezes também (imagine-se!) ao PC, e ao PS, esquecendo-se que isto é um Blog plural.
Assim, a única coisa que posso comentar, levando em conta o grau de objectividade da generalidade das tuas afirmações é:
SE o Louçã proferiu essas palavras no contexto que tu referes, com certeza que é um disparate que o coloca (quanto a esta questão das sondagens) ao teu nível de bronquite e ao do Santana Lopes.

Publicado por: tchernignobyl em outubro 14, 2005 03:28 PM

quanto a significados de palavras, margarida, tens de rever o teu dicionário de português: é que "chicana" não significa "gincana".
Sendo sem dúvida "chicana" a tua preocupação em colar-me a tudo o que consideras desprestigiante, admitamos que passar de adulador do fernandes no teu penúltimo comentário a seguidor do Louçã, no último, apesar de ser uma considerável promoção, é uma autêntica gincana ideológica capaz de partir os rins ao mais resistente.

Publicado por: tchernignobyl em outubro 14, 2005 03:37 PM

De facto às vezes o tchernignobyl acerta. Não é que lhe cabe que nem uma luva o retrato do diletante " para quem o prioritário é exprimir mais uma vez e ainda a obsessiva mania, o repulsivo sentimento de auto-vitimização"?

Só não percebi é se considera mesmo "desprestigiante" a tal frase do Louçã, que primeiro qualificou de "disparate" (e que pode encontrar na Página 13 do Independente de 14/10/05, artigo "Porto compromete" de Francisco Trigo de Abreu) ou se se mantêm tecnocraticamente bacteriologicamente puro na sua de as sondagens serem "um método científico de prever os resultados", acrescentando à cautela "manipulável e falível dentro de certos limites".

Já agora e antes que caia no ridículo e descrédito total não acha que está na hora de rectificar os 7% que atribuiu ao PCP? Eu sei que estudo e verdade não são as suas preocupações principais, mas deve compreender que para os de fora, essa sua mania de desvalorizar mesquinhamente e a despropósito os seus resultados eleitorais do adversário revelam alguma perturbação.

E indo aos factozinhos: o JMF defendeu a mesma "tese" não é verdade? Está portanto a dizer que houve coincidência. Eu por acaso já não acredito no Pai Natal.

Publicado por: Margarida em outubro 14, 2005 04:41 PM

mantenho-me bacteriologicamente puro.
de resto, tens toda a razão:
1- nada acontece por acaso
2- está tudo interligado

experimenta falar com o teu analista acerca da tua atracção fatal pela palavra "ridículo".
a palavra ridículo usada por ti e posta a corar está a perder rapidamente a sua cor.

"objectivamente":
a coligação PCP-PEV, obteve 10,96% dos votos, um fantástico aumento de 0,35% de votos relativamente às autárquicas de 2001.

"subjectivamente" parte 1:
desses 10,96%, convinha ter uma ideia da percentagem relativa dos votos PCP e dos votos PEV.
SE o PEV representa 0%, brilhante: o PCP tem 10,96% dos votos, não se percebe é:
1) a necessidade de colocar o apêndice PEV
2) porque não usar mais apêndices que sempre daria mais bom aspecto
Se o PEV representa mais do que 0% convém moderar o nosso entusiasmo relativamente à performance do PCP. Quanto, é uma incógnita. Que tal fazer uma sondagem cujo carácter científico seja atestado por camaradas do Partido do departamento dos trabalhadores da estatística proletária?

"subjectivamente" parte 2:
Aleluia! A coligação PCP-PEV obteve efectivamente uma GRANDE VITÓRIA!
LONGA VIDA À COLIGAÇÃO PCP-PEV!
etc...

Publicado por: tchernignobyl em outubro 14, 2005 05:29 PM

Quem queria tomar de assalto o PCP eram os auto proclamados renovadores. E felizmente ficaram-se pela intenção.
O PCP pode não ser perfeito mas pelo menos continua fiel às razões que levaram à sua criação.
Em todo o processo que levou à expulsão de meia cana de trâsnfugas muitos foram os que se meteram ao barulho sem saber ao que vinham os seus sacrossantos líderes.
É pena não verem que o que a clique pretensamente renovadora de uns quantos desiludidos do comunismo se eventualmente mandasse no PCP este morreria inevitavelmente como a aconteceu em Itália e em tantos paises do leste.

Publicado por: bento em outubro 14, 2005 05:31 PM

Se as votações para a AM e AF em Lisboa foram tão importantes para o tchernignobyl que o levaram a concluir que "nem os apoiantes da CDU foram muito com a cara do Ruben que assim surge como o tiro no pé mais violento na escolha de cabeças de lista na capital", onde é que está a lógica de agora só referir a votação nacional da CDU para as CM? Obviamente que está no facto de para as AM a CDU ter tido 11,67% e paras as AF 12,06%, superior aos 10,97% que teve para as CM.

E se, no "elegante" dizer do tchernignobyl os Verdes são um "apêndica" e segundo o Luís Rainha não passam duma "ficção mal amanhada" e duma "muleta ficcional e vazia" porquê tanta preocupação com a "contagem" dos seus votos? Se os dois partidos vão coligados é na coligação que as pessoas votam. Tão elementar como isso.

Mas esta súbita embirração do LR e do tchernignobyl com os Verdes fez-me lembrar o Durão quando punha em causa a legitimidade da sua representação parlamentar, quando os Verdes o apertavam mais na Assembleia da República. Será que estamos com mais uma "coincidência?

Publicado por: Margarida em outubro 14, 2005 08:36 PM

Luís Oliveira

Eu não critiquei as sondagens. Eu chamei a atenção para um determinado padrão que se percebe comparando estas 18 sondagens pré-eleitorais que estão no Margens de Erro. Já agora digo-lhe que em relação ao PS e ao PSD também se observa um padrão no mínimo curioso:

Destas 18 sondagens, em 16, o PS teve mais que o que obteve em 9 de Outubro, e concretamente em todas as sondagens feitas em Lisboa, Sintra, Faro e Oeiras e em duas do Porto (a da Intercampus até deu o PS como vencedor no Porto); das outras duas sondagens do Porto uma aproximou-se do resultado mas a da Markteste teve um desvio de 6,6 (apontou para os 29,5% quando o resultado do PS foi de 36,1%.

Em contrapartida nas mesmas sondagens, em 14, o PSD obtinha resultados inferiores aos que obteve, concretamente em todas as sondagens de Lisboa e de Sintra, em 3 no Porto e em duas em Faro e numa de Oeiras. Só quatro sondagens se aproximaram do resultado final.

Resumindo:
- em 18 sondagens, o BE em 15 e o PS em 16 tiveram previsões superiores aos resultados; e a CDU e o PSD em 14 tiveram previsões inferiores.

- Em Lisboa, a Intercampus pôs o PSD e o PS empatados, duas puseram a CDU a empatar com o BE e uma (Eurosondagem) pôs o BE à frente da CDU;

- No Porto, uma sondagem no Porto deu o PSD como perdedor, duas puseram o PSD e o PS a empatar (Intercampus e Eurosondagem) e a da Católica pôs a CDU quase a empatar com o BE;

- Em Sintra duas puseram o PSD quase a empatar com o PS (Católica e Intercampus) e 1 pôs a CDU quase a empatar com o BE (Intercampus);

- Em Faro, uma deu o PS quase empatado com o PSD (Eurosondagem) e uma deu o BE com mais do que a CDU (o resultado do BE foi de 4,6% e a Católica previu 9%; o resultado da CDU foi de 8,9%);

- Em Oeiras uma deu a CDU e o BE quase empatados;

Esta foi uma primeira análise que fiz dessas 18 sondagens que estão nos gráficos do Pedro Magalhães. Se tiver pachorra, no fim de semana, vou tentar perceber mais qualquer coisinha.

Publicado por: Margarida em outubro 14, 2005 09:15 PM

em que ficamos?
primeiro estou a usar o PC para atacar o Ruben...( a vítima...)
depois estou a menorizar os verdes...(as vítimas...)
a seguir estou ocupado a retirar votos ao PC...(a vítima...)

do teu lado, a análise objectiva que explica quase tudo:
LR, Durão,Tchern, a mesma luta.

entretanto deve concordar-se que eu não referi em lado nenhum "a importância" das votações para a AM e as JF ( e não o terão?). Apenas referi onde me conduziu uma reflexão que fiz sobre os resultados a partir do pressuposto que o Carrilho foi um candidato mau.

Mas tu consideras que eu, que num caso evidencio a votação AM/JF para prejudicar o Ruben, depois "ignoro-a" para esconder que afinal, nas AF, a CDU ainda teve MAIS 1,1% de votos...
enfim... um cenário digno do teu órgão teórico, o Harry Potter.
Só que para a discussão que tu tens andado a evitar como uma barata tonta, esses 1,1% a mais, ainda demonstram mais a fraca prestação do Ruben.
É que o PC/PEV apresentou globalmente uma diferença de 1,1% para mais nas Assembleias de Freguesia, relativamente às CM. Ora em Lisboa, essa diferença foi de 25% para as JF e de 10% para a AM! O homem vai ser despedido!
Para a próxima, olha PCP, olha PEV, não sejas estúpido, apresenta a margarida!

margarida, desejo-te um bom fim de semana de "análise" de resultados de sondagens com o mesmo rigor lapalissiano que caracteriza o espirito "científico" dos teóricos do "intelligent design"...
no fim disto tudo, quando já não tiveres mais sondagens para "analisar", se for possível, se entretanto já tiver sido divulgada aos militantes a respectiva análise científica do Comité Central, transcrita para uma qualquer resolução da comissão política, analisa-me por favor a votação final do ruben comparada com as outras votações da CDU.Arranja-me uma boa explicação para isto, é disto que se tem estado a falar e eu desespero de saber a justificação que vais tu engendrar para salvar a face ao Partido e ao camarada.

Publicado por: tchernignobyl em outubro 14, 2005 10:16 PM

Mas ainda não percebeu que de facto a CDU foi a única força, repito, a única força que teve mais votos em Lisboa, em qualquer das listas em 9 de Outubro em relação a 20 de Fevereiro? É assim tão complicado de perceber? É isto que você não quer mesmo que as pessoas entendam não é, que o Carrilho perdeu 50% dos votos e o Sá Fernandes perdeu 28& e o Ruben ultrapassou a votação em 11%. Meta lá isso nos cornos: o Ruben dos três foi o ÚNICO que subiu a votação!

Publicado por: Margarida em outubro 14, 2005 10:58 PM

mas porque é que o ruben teve 25% por cento a menos do que os votos das juntas de freguesia? Isto é que não me sai dos cornos ( e estou em crer que também não sai da tua para começares a flipar e a utilizares uma linguagem descontrolada).
Já viste o que era o PC com mais 25% dos seus votos para a Câmara de Lisboa?

será que se tivessem contratado o carmona para candidato do PC teriam tido mais votos para a presidência da Câmara? (não ignoras que a votação do psd foi ao contrário pois não?)

Publicado por: tchernignobyl em outubro 14, 2005 11:39 PM

Olhe Margarida não adianta argumentar com quem não faz jogo limpo. Eu dou-lhe só um exemplo: no site do BE está lá um comunicado intitulado “Resultados do BE nas assembleias municipais” que começa assim: “O Bloco elegeu 114 deputados municipais, atingindo 5,8% da votação total dos concelhos onde concorreu”.

Isto é, para melhor impressionar os incautos , eles não dão os números do STAPE, que no caso da votação para as AM seria de 3,94%; eles tiraram a percentagem só dos 115 concelhos onde concorreram e omitiram que o universo das AM corresponde a 309 concelhos!

É a mesma lógica que preside ao absurdo da tese deles segundo a qual o Ruben é o candidato que mais falhou apesar de ter sido o único que ultrapassou a votação de há 8 meses, só porque as outras listas da CDU ainda ultrapassaram mais essa votação de 20 de Fevereiro!!!

É a tese de que o crime compensa: eles não conseguiram arranjar listas em 186 concelhos, mas não há problema, põem-se esses concelhos de lado, riscam-se do mapa e num passe de mágica a votação que foi de 3,94% passa a ser de 5,8%! Quer isto dizer que se nas próximas eleições só concorrerem a uma AM (Salvaterra por exemplo) onde tenham garantidos uns 30%, poderão, dentro da sua lógica batoteira trombetear que passaram dos 5,8% para os 30%.

É a álgebra à lá carte do bloco, não há nada a fazer, eles são mesmo assim. É o género deles: serem contorcionistas trapalhões a armar ao pingarelho. Pode alguém confiar no que dizem?

Publicado por: Luís Simões em outubro 14, 2005 11:40 PM

faz todo o sentido que o bloco reporte a votação que teve nos locais em que concorreu. Porque não haveria de fazer?

e porque é que o BE tem de arranjar obrigatoriamente listas em todos os concelhos? Isto é algum concurso de listas?

a vossa duplicidade é genial.
a informação do bloco é verdadeira mas vocês dizem que "deturpa" a realidade.
a fussanguice do monopólio é tal que vocês ficam mais histéricos do que um facho qualquer na ânsia de eliminarem a concorrência à esquerda.

quanto ao ruben.... assunto encerrado, já se percebeu o vosso grau zero de argumentação.

Publicado por: tchernignobyl em outubro 15, 2005 12:02 AM

Margarida:

Palavras do Pedro de Magalhães no margens de erro:
"Está aqui um dos "casos" das sondagens, a da Intercampus/TVI/TSF, que colocava Assis à frente com dois pontos de vantagem. É certo que algo terá corrido muito mal para aqueles lados. Mas notem como a questão do "quem vai à frente" é enganadora. Esta sondagem não foi mais imprecisa que as sondagens da Intercampus ou da Católica em Sintra (a única que me ficou "atravessada" nestas eleições, confesso), e sobre essas não houve nem haverá grande comentário. E há que reconhecer coragem à Intercampus: ninguém dá um resultado destes se não tiver confiança no seu trabalho e nos seus resultados. E a sugestão de que um instituto de sondagens manda um bicho destes cá para fora para satisfazer supostos objectivos políticos de directores de jornais só pode ser uma brincadeira."
Peço-te que atentes na última frase, as acusações que tu fazes a quem faz as sondagens são de facto gravíssimas de das duas uma:
1) ou o teu partido acredita que há de facto agentes políticos a manipular sondagens, e nesse caso deve denunciar claramente quem faz as sondagens e pôr esses agentes em tribunal
2) ou então quem lê o que tu para aqui vens dizer tem que concluir que o que tu dizes é ruído de fundo para inglês ver ou pior é uma atitude deliberada para manipular quem faz as sondagens

Só mais um comentário sobre o conteúdo do margens de erro, foi com pena que notei que a maior parte das sondagens tenham sido publicadas sem margem de erro nem intervalo de confiança, que são essenciais para avaliar o resultado das sondagens em comparação com o resultado das eleições.

Publicado por: Luís Oliveira em outubro 15, 2005 12:46 AM

Luís Simões

Eu tive que ir ao site deles para acreditar no que você disse: é mesmo verdade! Os gajos fazem as contas só com as AM a que concorreram.

Mas depois reparei que estava lá a declaração política que o Fazenda fez no Parlamento e descobri esta pérola: (...)"Registámos um indesmentível crescimento em votos e mandatos. Mais 135 mil votos nas Assembleias Municipais. Passámos de 1% em 2001 para 3% nas Câmaras e 4% nas Assembleias Municipais. Se observarmos o reduzido universo eleitoral a que concorremos essa percentual sobe a 5,8% para as Assembleias Municipais (...).

Nos nossos objectivos falhámos a eleição de um vereador no Porto, o que lamentamos. Contudo, aqui como noutros lados, chamamos a atenção para sondagens sobre pseudo-empates técnicos de principais candidatos, que como se viu não tinham qualquer fundamento. Essas sondagens não deram o bilhete premiado nem a aproximação. (...)

O PS e o seu cabeça de lista repetiram até à exaustão a falsidade de que em 2001 a vitória PSD e de Santana Lopes se deveu à candidatura separada do Bloco. Desde logo, o PS não determina os propósitos do BE. Mas basta consultar os resultados eleitorais para perceber que João Soares não ganhou porque alguns milhares de pessoas, socialistas e comunistas, tendo votado na coligação para a Assembleia Municipal não o quiseram fazer para a Câmara." (...)

Lá fui eu consultar novamente os resultados de 2001 e descubro que para a CM a coligação teve 130.279 votos e para a Assembleia Municipal teve exactamente 129.852. Isto é a coligação teve mais 427 votos na Câmara que na AM!

Eu já nem comento. Só registo!


Publicado por: Margarida em outubro 15, 2005 01:05 AM

Luís Oliveira

Vamo-nos entender:
Em primeiro lugar, na 1ª vez que mencionei o Margens de Erro eu escrevi: “Está lá um apanhado de 18 sondagens feitas em 5 concelhos mediáticos, e publicadas nos últimos dias da semana passada” e na 2ª vez: “Eu não critiquei as sondagens. Eu chamei a atenção para um determinado padrão que se percebe comparando estas 18 sondagens pré-eleitorais que estão no Margens de Erro.” E até concluí dizendo: "Esta foi uma primeira análise que fiz dessas 18 sondagens que estão nos gráficos do Pedro Magalhães."

Isto é eu peguei nos gráficos das 18 sondagens que estão no Margens de Erro e analisei-as. Até lhe disse que ia analisá-las melhor no fim-de-semana. Não mencionei nenhuma frase nem nenhuma tese do Pedro Magalhães porque ainda nem sequer o li. A análise é minha com base nos gráficos que lá estão.

Em segundo lugar, repito, “eu não critiquei as sondagens. Eu chamei a atenção para um determinado padrão que se percebe comparando estas 18 sondagens”. Aconselho-o a fazer a mesma análise que eu fiz – e que é elementar – e verá que dá com o mesmíssimo padrão. Basta fazer uma grelha e concelho a concelho, partido a partido, ver se as previsões ultrapassam ou ficam aquém dos resultados finais…é tão simples como isto que lhe estou a dizer.

Em terceiro lugar, fui eu, a Margarida, quem fez esta análise e escreveu estes comentários. Eu não lhe transmiti nenhuma opinião do meu partido, eu transmiti-lhe a minha opinião. Eu sou gente, tenho interesses e opiniões próprias e quando entendo dou a opinião do meu partido umas vezes e as minhas outras. E assumo sempre a responsabilidade do que escrevo e do que analiso. Tente você fazer o mesmo exercício que eu fiz, “desmonte” as sondagens, faça a tal grelha e diga se há alguma incorrecção naquilo que escrevi nestes dois comentários anteriores.

Publicado por: Margarida em outubro 15, 2005 01:42 AM

Margarida:

Eu até admito que esses desvios entre sondagens e resultados finais sejam dignos de nota. O que me parece é que tu não podes ensinuar que existe uma intenção por parte de quem faz as sondagens para manipular resultados neste ou naquele sentido.

Se tu não estás a fazer uma ensinuação desse tipo com os teus comentários peço-te desde já desculpa.

Publicado por: Luís Oliveira em outubro 15, 2005 01:54 AM

"Isto é, para melhor impressionar os incautos , eles não dão os números do STAPE, que no caso da votação para as AM seria de 3,94%; eles tiraram a percentagem só dos 115 concelhos onde concorreram e omitiram que o universo das AM corresponde a 309 concelhos!"

Luís Simôes: O Bloco de Esquerda nas últimas eleições autárquicas concorreu a cerca de 70 eleições municipais, desta vez conseguiu fazê-lo em 111, bem longe dos 309 que apontou. Concorreu onde pôde, e daí? Vai contabilizar como zero por cento os sítios aonde não concorreu? Claro que vai... é isso também que a Margarida tem vindo a fazer.

Não confundam os vossos desejos com a realidade.

Não é nada Comunista a vossa atitude.


Publicado por: CausasPerdidas em outubro 15, 2005 02:07 AM

Pergunta o tchernignobyl "mas porque é que o ruben teve 25% por cento a menos do que os votos das juntas de freguesia?". Eu já tinha tentado responder a isto lembrando-lhe que este é um padrão não específico de Lisboa, que corresponde ao padrão nacional de votação na CDU, até adiantei com o "tamanho" das diferentes listas - há muito mais gente nas listas para as AM e AF do que para a CM - até lhe lembrei que em concelhos com presidentes de câmara populares como Almada e Évora no tempo Abílio isso acontece. E mencionei-lhe as sondagens que só se fazem para as câmaras - eu pelo menos não me lembro nem de sondagens para AF e AM - e quer queiramos ou não sondagens há que podem causar distorções. Ninguém gosta lá muito de apostar em cavalo antecipadamente dado como "derrotado", pois não?

É óbvio, tchernignobyl, que uma lista de freguesia envolve muita gente, geralmente tem muitos independentes o que só por si capta novo eleitorado. É também óbvio que a CDU se esmera nas listas para as CM e AM, mas as da AM têm muitos mais candidatos. E haverá com certeza muitas outras razões locais em que nem estou a
pensar, como o conhecimento maior dos eleitos das freguesias pela população e a sua maior proximidade às pessoas, além de ser a primeira vez que o Ruben se candidatava e por isso não ter, por exemplo na Ajuda, a notariedade que tem a malta da CDU da lista da AF na Ajuda.

Mas o tchernignobyl parte da premissa errada que é o Ruben ter "perdido" e eu parto da realidade que é a lista da CM ter ultrapassado a votação de Fevereiro, a da AM ter ainda ultrapassado mais e por sua vez a da AF ainda ter tido mais votos. As três listas ganharam votos mas umas ganharam mais do que outras.

Mas não tenho dúvida que o Ruben foi o melhor candidato que podíamos ter tido. Aliás isto é mais ou menos consensual, particularmente depois do debate na RTP. E há mais marés que marinheiros, quer dizer a luta pela câmara de Lisboa não fica por aqui, vai agora começar e daqui a quatro anos cá estaremos novamente e esperemos que com o Ruben outra vez.

Publicado por: Margarida em outubro 15, 2005 02:11 AM

Ó Luís Oliveira, releia o que eu escrevi. Está lá alguma insinuação? Mas amanhã faça a tal grelha de análise que eu fiz. Eu digo-lhe que fiquei admiradíssima quando me deparei com o tal padrão. Mas eu não o inventei e que ele existe, existe. Mas faça você, mesmo, primeiro. Pegue nos gráficos e concelho a concelho, partido a partido analise os mais e os menos. E dará de certeza com o que eu dei. Os gráficos são bons porque na 1ª linha têm os resultados eleitorais o que poupa imenso tempo e escusamos de andar a pescá-los um a um.
Por hoje fecho a loja, já é tarde. Boa noite.

Publicado por: Margarida em outubro 15, 2005 02:30 AM

"Ó Luís Oliveira, releia o que eu escrevi. Está lá alguma insinuação?"

Claro que não, já deu para perceber que sou eu que não te sei interpretar como deve ser.

Mais uma vez peço desculpa.

Publicado por: Luís Oliveira em outubro 15, 2005 02:56 AM

Causas perdidas

Nem sempre a CDU concorreu a todos os concelhos, aliás mesmo nestas eleições só concorreu a 301 (são 309) mas sempre mencionámos a percentagem nacional. Mesmo os media, independentemente do número de concelhos a que qualquer partido concorre o que menciona são os números e percentagens do STAPE. Doutro modo ninguém se entendia. Tente você verificar a percentagem dos 111 concelhos a que o BE concorre, já viu a trabalheira que é ter de ir a todos os distritos e procurar os concelhos respectivos para fazer as contas? Não tem o mínimo de lógica!

Aliás é o próprio Fazenda que no seu discurso na Assembleia da República fala dos 1% em 2001 e nos 4% em 2005 e não menciona os 70 concelhos de 2001 e os 111 de 2005. Ele sabe que o correcto é de facto dizer que para a AM o BE teve em 2005, 3,94% e em 2001, 1,53%, são estes os números oficiais do STAPE. E mesmo você quando se esquecer do número e o for consultar à net ou a um jornal o que encontrará é o número oficial do STAPE e mais nenhum. Lamento dizê-lo mas o comunismo não é para aqui chamado, isto é uma simples questão de intendência e de senso-comum.

Publicado por: Luis Simões em outubro 15, 2005 02:58 AM

a margarida:
"Pergunta o tchernignobyl "mas porque é que o ruben teve 25% por cento a menos do que os votos das juntas de freguesia?". Eu já tinha tentado responder a isto lembrando-lhe que este é um padrão não específico de Lisboa, que corresponde ao padrão nacional de votação na CDU,..."
a tentar responder ao que o tchern comentara antes:
" 1,1% a mais, ainda demonstram mais a fraca prestação do Ruben.
É que o PC/PEV apresentou globalmente uma diferença de 1,1% para mais nas Assembleias de Freguesia, relativamente às CM. Ora em Lisboa, essa diferença foi de 25% para as JF e de 10% para a AM!"

tens andado aqui a brandir pintelhos de décimas de percentagens (esta agora de insistir que o Bloco deve apenas referir os seus totais nacionais é elucidativa), e na diferença de 25% no desvio de uma "tendência", tu vês a confirmação dessa "tendência"...
bom critério que mostra bem os limites aonde pode chegar a possibilidade de discussão e a ausência de limites na manipulação dos factos.

dado o peso de lisboa e a distorção imposta pela fraca prestação do ruben, deverias enaltecer era o "heroísmo" dos votantes no resto do País que recuperaram 24% à revelia da tal "tendência".

numa coisa se calhar tens razão, melhor que o ruben se calhar também não conseguem arranjar para concorrer na capital.

e nem sequer digo isto com satisfação, embora pela forma facciosa como vocês atacam as outras forças de esquerda, com o entusiasmo de qualquer facho, me comece a apetecer responder à letra ao vosso sectarismo.

Publicado por: tchernignobyl em outubro 15, 2005 06:53 AM

Eu acho é que nesta discussão está a faltar o nosso camarada bombas (com este ou outro nick). Ele é que tem o perfil certo para endireitar o sectarismo dos PCP's (e os outros também).

Publicado por: Luís Oliveira em outubro 15, 2005 09:51 AM

O tchernignobyl parte afinal não de um raciocínio errado mas de dois:

- O 1º é o de o Ruben ter "perdido", quando o Ruben recuperou votação para a CDU.

- O 2º é o de fazer mecânicamente a transposição dos resultados de Lisboa para o todo nacional, quando em termos de apresentação de listas da CDU as duas realidades são distintas: é que enquanto em Lisboa a CDU concorreu a 100% das freguesias (53 em 53), em termos nacionais só concorreu a pouco mais de 50% (concretamente em 2241 em 4260).

Agora, sff, tchernignobyl, não me venha com mais contas absurdas porque nesta altura do campeonato não sabemos qual o total da população a que correspondem as 2241 freguesias a que a CDU concorreu e as 2019 a que não concorreu. Por isso eu falei em padrão de votação, ou tendência...

Publicado por: Margarida em outubro 15, 2005 10:45 AM

porra que isto é pior do que as aulas do menino tonecas.

eu não disse que o Ruben tinha perdido, apesar de para todos os efeitos ele ter perdido, uma vez que não foi eleito Presidente da câmara como (ele disse que) queria.
Ou se calhar fui eu que entendi mal e ele disse que concorria a Presidente mas que o terceiro lugar já era uma vitória.
eu disse que uma percentagem significativa de eleitores nestas eleições e em Lisboa, não foi com a cara do Ruben, uma vez que votaram na CDU e cerca de 25% deles (no caso das JF) e 10% (no caso da AM), preteriram-no por outros candidatos.
e não foram poucos! foram 25% e 10% respectivamente.
Foi ISTO apenas que eu disse e que tu não sabes ou não podes justificar.
Eu tenho as minhas suspeitas. A muita gente não repugna votar na CDU nas Juntas de Freguesia mas nunca pela vida lhes passa pela cabeça entregar o voto a um PC (ou PCP/PEV como preferires) para postos de maior responsabilidade. Neste caso, suspeito que houve até voto útil no Carrilho à custa do Ruben.

quem falou em "tendência" de voto superior nas JF de forma genérica foste tu, e na altura não "avisaste" do detalhe de a CDU não ter concorrido em todas as freguesias, cuja importância para o caso, de resto, nem sequer se vislumbra, mas que não tardarás a evidenciar para desagravo do Ruben.

o que é certo é que a nível nacional, e independentemente do numero de freguesias onde o PCP concorreu (aparentemente sempre na companhia do fantasmagórico PEV, o que nos permite concluir que existem pelo menos 2241 companheiros Verdes espalhados criteriosamente pelo país, a não ser que em certas freguesias o PC tenha designado uns camaradas para assumirem as dores do Verdes em caso de déficit local de população verdejante ), a diferença total entre as votações CM/JF foi de 58126 votos. Ora deu-se o caso de nesses 58126, quase 25%(já é galo) corresponderem à diferença dos tais 13792 de Lisboa...
e pronto, já me podes atribuir mais raciocínios mecânicos... o que até me enaltece, uma vez que os mecânicos, como sabes, são geralmente membros da classe operária.
os raciocínios, a julgar pela tua prestação é que parece que não.

Publicado por: tchernignobyl em outubro 15, 2005 11:51 AM

1 - Pense só tchernignobyl quantos votos a MAIS poderia ter a CDU a nível nacional nas AF se em vez de concorrer a 2241, tivesse concorrido, já não digo a todas, mas pelo menos a 4000?
E se a CDU tivesse concorrido em todas as AF nacionais como concorreu a todas as AF de Lisboa, lá ia então por água abaixo a sua tese de que “nem os apoiantes da CDU foram muito com a cara do Ruben que assim surge como o tiro no pé mais violento na escolha de cabeças de lista na capital.”

2 – A sua nova tese de que “houve até voto útil no Carrilho à custa do Ruben” ponho-a na mesma categoria da do Fazenda, segundo o qual: ” João Soares não ganhou porque alguns milhares de pessoas, socialistas e comunistas, tendo votado na coligação para a AM não o quiseram fazer para a Câmara" quando afinal até teve mais 427 votos na Câmara que na AM!

3 – Quando nos precipitamos nas nossas análises é sensato aceitarmos os erros que com a precipitação cometemos. O tchernignobyl quando se queixa que eu não o “avisei” parece o menino Tonecas a apontar o dedinho “a culpa não foi minha, foi daquele menino senhor professor”. Mas o que já revela algo mais que insensatez é a persistência no erro de na contagem nacional das AM riscarem do mapa 186 concelhos…

Publicado por: Margarida em outubro 15, 2005 02:02 PM

1- lol!
finalmente entras na tua melhor fase.
Deixas de dizer coisa com coisa, e o teu discurso torna-se numa salada deliciosamente surrealista.
enganei-me, não sabia que o ministro de informação iraquiano era do teu curso.
mas tudo bem..., seja como queiras, "...there are no infidel forces in Baghdad!! None!!"

2- a minha "nova tese", põe-na onde quiseres.

3- ahahahahaha!
és divertida, involuntariamente divertida mas concedo que és divertida.

Publicado por: tchernignobyl em outubro 15, 2005 07:12 PM

Vejo que já sabe o que é desconversar, assobiar para o ar, chutar para o lado. É melhor assim. Não adiantava nada continuar a marrar contra a parede, tchernignobyl.

Publicado por: Margarida em outubro 15, 2005 08:15 PM