« BAS FONDS | Entrada | O ÚLTIMO DOS MOICANOS »

outubro 09, 2005

TUDO JOYA

A libertação das mulheres é hoje o motor principal do progresso civilizacional e o reflexo e a condição do desenvolvimento, não são start-ups na China ou o "nation building" à bomba.
Enquanto andamos ocupados com as pequenas feiras de vaidades e interesses das nossas anódinas eleições, (ainda hoje passei pelo largo de uma terreola ali para Mafra onde estava um cartaz em tons de azul que mostrava um sujeito de bigode sobre a frase..."com a nossa equipa (Alguidares de Baixo) continuará a sorrir..."), proferindo inanidades sobre o "esgotamento da República", e a "crise do regime", no Afeganistão, um país de novo nas mãos dos senhores feudais ou dos talibans, onde ainda se luta pela democracia arriscando a vida, houve uma pequena grande notícia.
Uma mulher foi eleita nas eleições parlamentares que tiveram ontem lugar.
Apesar de nestas eleições se ter também registado o aumento da influência de senhores da guerra e até de personagens ligados aos taliban, daqui a saúdo sem esperar resposta, esperando apenas que seja mais um passo para debilitar o terrível ascendente que quase vinte anos de guerra e a cumplicidade ocidental deram aos bandidos fundamentalistas conhecidos como senhores da guerra, e de que a administração de Hamid Karzai parece pouco mais do que impotente para se livrar.

Publicado por tchernignobyl às outubro 9, 2005 01:04 AM

Comentários

Qual cumplicidade ocidental?

Publicado por: Valupi em outubro 9, 2005 01:49 AM

a que armou e deu poder aos senhores de guerra sem condições, será isto assim tão polémico?

Publicado por: tchernignobyl em outubro 9, 2005 02:12 AM

"Quase vinte anos de guerra"? Refere-se a que período? É que o golpe de estado comunista foi, salvo erro, em 1979, o mesmo ano da invasão soviética. E nesse "terrível ascendente", os únicos cúmplices foram os ocidentais?

Publicado por: cordobes em outubro 9, 2005 05:10 AM

é apenas uma questão de nos concentrarmos no conteúdo do post.
trata-se do problema da condição da mulher no afeganistão.
ora é sabido que esta se degradou brutalmente primeiro com a derrota comunista, e depois com a chegada dos talibans.
as mulheres têem estado assim entre as vítimas principais das sucessivas "libertações".

Publicado por: tchernignobyl em outubro 9, 2005 08:18 AM

Se vais por aí, caro Tchern, então pela mesma lógica reconheces ter sido a cumplicidade ocidental que elegeu uma mulher nas eleições parlamentares. Estarás, pois, a elogiar o Ocidente (e com toda a razão).

Há um outro aspectozinho digno de nota: se te pedissem para ires até ao Afeganistão resolver o problema daquela gente e estabilizar a sociedade, tu não farias a menor ideia do que haveria a fazer, sequer por onde começar. Tal como não sabes, actualmente, quem é que financia quem ou porquê. No entanto, és rápido a diagnosticar impotências, como se tivesses uma farmacopeia política na mesa-de-cabeceira.


Publicado por: Valupi em outubro 9, 2005 02:13 PM

Essa da urgência do socorro ao oprimido gineceu estrangeiro é desculpa que já deu muito jeito a alguns imperialismos, como aquando da invasão do Egipto. Há que ter cuidado com a voracidade com que se engolem essas "boas e óbvias causas". Algumas trazem lastros capazes de causar funestas indigestões.

Publicado por: Luis Rainha em outubro 9, 2005 06:23 PM

Olá Master Valupi, seja bem aparecido. Julguei que estivesse ofendido com a rapaziada. Conversa perdida, quanto a mim, falar destas coisas dos afeganos. Especialmente quando acabo de ler um artigo sobre um livro dum senhor Morais, antigo jornalista do República, que saiu há pouco tempo, sobre as coisas vergonhosas que certas pessoas fizeram para dar cabo da realeza portuguesa em 1910. O blogue “Descrédito” fala disso. Shame, shame, shame, que este blogue tivesse deixado passar o 5 de Outubro sem falar duma coisa dessas.


Eu a mim se me pedissem para ir lá resolver os problemas, a primeira coisa que fazia era dar um ramo de flores aos soldados americanos e mandá-los pra casa. Mais dezoito mil famílas felizes na América. Depois davas tres dias ao Bin Laden para se apresentar no quartel, mas ele se calhar nunca iria aparecer porque deve estar a coçar as partes numa vivenda de luxo noutro canto do mundo, conforme combina com os americanos, que de facto há já muito tempo desistiram de procurá-lo ou até de falar nele. Depois chamava os gajos do Taliban e dizia-lhes pois se vocês já controlam o pais quase todo, já agora controlem as grandes cidades também. Mas façam o favor de não plantarem mais papoilas para darem cabo das juventudes dos paises ocidentais com a colaboração das cias (isto é: das companhias.).

Eles, as Talibonas, possivelmente responder-me-iam: ok, a malta vai-se portar melhor desta vez, temos progredido muito desde que andamos a lutar contra os americanos, já nem consideramos máquinas fotográficas como coisas do diabo, e somos muito pelos sistemas de propaganda contra os regimes de coloboração, tal qual como se faz nos paises mais evoluidos do ocidente. Depois, provavelmente, um gajo qualquer metia-se na conversa e informava o pessoal que a área ultimamente tinha perdido um certo interesse estratégico especialmente depois de as máfias russas do petróleo terem levado um pontapé no cu do Putin. Correcção: levado um pontapé do Putin no cú. Depois vinha-me embora e tenho a certeza que o mundo iria ficar muito mais bonito nessas bandas.



Publicado por: Bomba em outubro 9, 2005 07:01 PM

o post é simples, o meu problema não é aceitar ou não as cumplicidades do ocidente quanto a aspectos positivos e se calhar não justifica discussões infindáveis, mas há que notar que antes da guerra civil afegã, as mulheres, pelo menos as das grandes cidades, se não estavam talvez ainda organizadas em movimentos do tipo "women's lib" ( que de resto entravam em ruptura com o "sistema" nas sociedades ocidentais), beneficiavam das liberdades permitidas por um laicismo muito maior do que o que se verifica hoje em dia ( as do iraque, da palestina, por exemplo, idem...).
Nem o golpe comunista no afeganistão alterou por si essa realidade.
O descalabro começou com a guerra civil iniciada pelos movimentos islâmicos na sua maioria fundamentalistas largamente financiada pelos ocidentais.
Quanto à questão do meu diagnóstico de impotências, a minha opinião é irrelevante, basta ler a Joya, as críticas são dela. O que é certo é que se fez a invasão do afeganistão alegadamente para "emendar a mão", correr com os fundamentalistas e promover os direitos humanos e o que se verifica é que descontando o polvilhar de bases americanas pela ásia central perto de jazidas de matérias primas vitais, quanto aos costumes... no pasa nada.

Apesar das possibilidades de manipulação parece-me que esta é uma boa e genuina causa que eu engulo com voracidade.
Que posso fazer? ignorar? considerar que é contraproducente esta eleição?
O imperialismo está presente e determina muitos aspectos da vida de todos os dias na nossa sociedade e não é por isso que a libertação das mulheres deixa de ser fundamental também aqui.

Publicado por: tchernignobyl em outubro 9, 2005 07:14 PM