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outubro 02, 2005

«REVOLTA NA BOUNTY» (EM SESSÕES CONTÍNUAS NO ALVALÁXIA)

O treinador do Sporting, depois de todos os falhanços da época passada e dos desastres recentes (ainda por cima com a agravante de ter destruído o que havia de bom no jogo da equipa), merece ser despedido com justa causa. Contra factos não há argumentos. Infelizmente, parece que esta evidência só ainda não entrou nas cabeças de José Peseiro (que continua a agarrar-se como uma lapa à liderança de uma equipa que visivelmente já não o quer) e dos dirigentes da SAD, incapazes de cortar cerce a raiz de um problema estrutural que ameaça o futuro próximo do clube, tanto desportivo como financeiro.
Mestre no suicídio táctico, Peseiro está a prolongar o seu harakiri para lá do razoável, incapaz de compreender o seu falhanço e o beco sem saída em que se meteu. Sozinho, sem pulso, sem rumo e com o famoso "crédito" completamente esbanjado, ao treinador só restava uma saída digna: a demissão. Vê-lo resistir ao fim do seu ciclo, como um general abandonado no campo de batalha que continua, teimoso, a empunhar a espada, é muito triste, além de que compromete a memória dos seus melhores momentos (os jogos contra o Feyenoord na Holanda ou a noite épica contra o Newcastle em Alvalade, por exemplo).
A derrota desta noite, num momento em que o 1.º lugar isolado na SuperLiga estava ali à mão de semear, foi só o último acto de uma tragédia que estava escrita há muito tempo. Em bloco, os jogadores do Sporting recusaram-se a jogar um décimo do que sabem e podem, entregaram escandalosamente os três pontos de bandeja ao Paços de Ferreira, colocaram a cabeça do técnico no cepo e deram o sinal para que a lâmina da guilhotina caísse.
Enfim, depois de Peseiro ter assassinado a equipa que tão diligentemente construiu no ano passado, pode dizer-se que os jogadores, num gesto de vingança, retribuiram na mesma moeda, assassinando-o na primeira oportunidade de que dispuseram (segunda, se contarmos com o colapso de quinta-feira, diante do Halmstad).
No limite, estou disposto a admitir que esta é uma rebuscada forma de justiça poética. Mas uma justiça poética de tom claramente apocalíptico. Mesmo para sofredores natos como somos nós todos (sportinguistas), não é um espectáculo bonito de se ver.

Publicado por José Mário Silva às outubro 2, 2005 11:55 PM

Comentários

Quer então o meu amigo dizer que o João Moutinho, por exemplo, quando chutava à baliza o fazia propositadamente para fora?

Publicado por: toix em outubro 3, 2005 02:20 AM

José Mário

A justiça em geral e a poética em particular, é uma coisa que a existir deve ser praticada por terceiros. Acho eu ...

Publicado por: Luis Oliveira em outubro 3, 2005 02:24 AM

É evidente que não. Mas repare na apatia dos primeiros 45 minutos, repare nas fífias do Polga, repare na displicência do meio campo e verá que não andarei muito longe da verdade.

Publicado por: José Mário Silva em outubro 3, 2005 02:24 AM

Isso tambem se deve a incompetencia e falta de profissionalismo dos jogadores. Se o meu chefe for um incompetente eu nao tenho de o ser tambem.
O futebol e mais um reflexo da mediocridade de muitos profissionais deste pais...

Publicado por: Asterix em outubro 3, 2005 08:10 AM

O que bale é que bem aí o Cabaco e bai pôr ordem nisto! ...da-se!

Publicado por: CausasPerdidas em outubro 3, 2005 08:44 AM

E não estará o Peseiro refém dos senhores da SAD?
Quantas vezes na época passada o Rochemback jogou com uns kilos a mais e em evidente má forma?
Nessas situações, seria uma asneira do Peseiro ou uma imposição da SAD para "valorizar" o jogador?
Não se passará o mesmo em relação a outro jogadores (Polga, Deivid,...)

Publicado por: Marco Oliveira em outubro 3, 2005 09:40 AM

Sofredores natos?Os coitadinhos do costume...resta-vos a redenção e a piedade alheia.

Publicado por: David em outubro 3, 2005 05:58 PM

Não podemos comprar a tese da conspiração colectiva da equipa, caro Zé Mário. Por exemplo, o golo do Halmstad que obriga a prolongamento é absolutamente fortuito e improvável (pelo adiantado da hora, na verdade a última jogada do tempo regulamentar, pelas condições em que a bola é enviada para a baliza, pelo arco que faz, pela velocidade que leva, pela ausência de jogadores atrás do guarda-redes). Nem é crível que a equipa tenha esse grau de organização maquiavélica, como um todo.

O mais provável é o problema residir nas características psicológicas do Peseiro, não havendo talento para comunicar com a equipa. Isto, pelo lado em que atribuímos alguma racionalidade previsível aos acontecimentos. No entanto, a verdade mora noutro lado, no acaso dos acontecimentos, em que qualquer equipa vencedora tem sempre razão "a posteriori". E não são os treinadores que ganham os jogos, mas a soma de todas as decisões individuais dos jogadores e árbitros, a que se acrescentam as consequências imprevisíveis dessas decisões.

Por que razão o Mourinho não ganha todos os jogos? Porque não é ele que os ganha, nem qualquer outra individualidade isoladamente. O que o Mourinho sabe fazer é treinar a equipa, isto é, comunicar com ela. E a mensagem que lhes passa é a de ter uma fórmula para vencer. Só que ele não a tem, pois ninguém a tem. E a essa ilusão pode-se chamar carisma. Como um placebo, a simulação dá resultados que parecem milagrosos.

Num tempo futuro, saberemos melhor como funciona essa "magia", a qual tem aplicações em todas as áreas da actividade humana e é um fenómeno cognitivo e psicossomático natural.

Publicado por: Valupi em outubro 3, 2005 06:11 PM

Interessante Valupi.

Publicado por: Luis Oliveira em outubro 3, 2005 08:26 PM

O futebol como metáfora da vida: d"as noites épicas" vs a tragédia da necessidade de ganhar, passa-se o mesmo com todos os que procuram sobreviver, as mais das vezes na penumbra,sem dias nem noites épicas.

Publicado por: xatoo em outubro 3, 2005 09:42 PM

Bolas! Vocês já chateiam com os vossos dramas da treta. Só para chatear: Vivó Benfica!!!

Publicado por: CausasPerdidas em outubro 3, 2005 11:15 PM