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setembro 29, 2005

SPORTING - 2; HALMSTAD - 3 (A.P.)

A cor da vergonha é o verde.

Publicado por José Mário Silva às setembro 29, 2005 11:54 PM

Comentários

Puxa JMS, deixa lá isso. O futebol que interessa, a não ser quando somos nós a jogar?

Que vergonha que quê? Perderam, perderam, que se fornique...

Olha, pode ser que a malta deixe definitivamente de ir aos estádios e comece a cultivar hortas.

Publicado por: manuel resende em setembro 30, 2005 01:39 AM

Foi melhor assim. Não só está definitivamente claro que o Peseiro é parte do problema e não da solução (aquela atitude sempre histérica no banco é o sintoma acabado da falta de autoridade, por exemplo), como os simpáticos suecos tiveram uma alegria desmesurada (o que é muito bom, em especial para quem estiver a partilhar o leito com uma sueca).

O jogo foi delicioso nisto de ter sido um dos piores que já vi o Sporting fazer, de o Sporting estar a jogar contra uma equipa que luta pela manutenção num campeonato mediano ou medíocre, de ser consensual para todos antes do jogo que a eliminatória estava garantida e também por ter tido golpes de teatro espectaculares e raros.

Aquele segundo golo do Halmstad já no final dos descontos fez-me saltar e celebrar, pois representa todo o fascínio do futebol. E quando se esperava que um auto-golo num prolongamento afundasse uma equipa deveras fraquinha, sem qualquer vedeta nem lá perto, eis que eles nunca perderam o ânimo e foram recompensados pelos deuses do acaso. Foi belo.

E este que aqui se confessa é sócio do Sporting desde 1980.

Publicado por: Valupi em setembro 30, 2005 02:04 AM

Peseiro resolve!

Publicado por: Adelino Chapa em setembro 30, 2005 08:29 AM

O Fio da Navalha

( carta para Hermann Hesse no final da adolescência)

Quem tem casa,pensa casa,fica casa.Quem tem campo,pensa campo,fica campo.Só quem não tem nada é livre.

Buda


O impossível não passa nunca de um desafio

Tiago Hulsenn


Eu sei que não se pode capturar o Impossível mas o valor do homen está justamente no facto de nunca desistir de conscientemente o procurar.

Nikos Kazantzaki


Não,não vale a pena,meu irmão Hermann Hesse.De nada nos serve perguntar pelo mistério.A vida cala-se porque ignora,a morte não responde, a luz sábia do entardecer extingue-se muda e silenciosa.O coração é nómada e transcende-nos e viaja e procura a unidade mas ao fundo da estrada outra estrada que nos espera,por trás do muro outro muro que nos retém.Possuímos apenas pequenas verdades que são já um pouco a Verdade e à mesa do café sinceramente as compartimos.
Mas a palavra nasce trémula e insegura,longe da sua transparência, e ingenuamente sempre nos atraiçoa.Os amigos olham-se entre si,não compreendem,continuam a falar do domingo e do futebol.
Lutamos para que a namorada seja realmente a nossa madrugada,mas depois do corpo nunca vem mais nada.Ela sorri,boceja,não compreende,pensa no sábado e na discoteca.
Então as paredes alçam-se e ardemos de novo na lágrima não revelada.A família faz-nos uma longa vénia aristocratizante: não só resolvemos regressar ao lar como também à tradicional universidade do falso e fácil saber enlatado,à fábrica dos alfaiates letrados,à leitura das grandes e ocas doutrinas engravatadas,ao estudo das seriíssimas metafísicas de plasticina dos nossos cultíssimos filósofos ocidentais,que sempre estiveram bem mais interessados na originalidade dos seus lógicos raciocínios do que na essência e no futuro do homem.E por entre espumantes imbecis a família comenta triunfante: «Nós sabíamos que este rapazinho sem ambições ainda havia de crescer e de assentar!» Sem ambições...
Nós, que sempre fomos mais ambiciosos que todos eles juntos, que desejámos descobrir um sentido mais elevado para a vida, que tentámos procurar a verdade para além dos rios,dos livros e das estrelas, que aspirámos ser algo mais do que passagem,do que simples coisa e semente repetida,que a todo o momento quisemos caminhar de encontro ao Sol; atingir o amor,a imensidade,o absoluto, a magia, o total,o universal, o oculto, a perfeição, a verdadeira felicidade...
Não, meu irmão Hermann Hesse,não vale a pena.Eles já se encarregaram de nos castrar com a tesoura das certezas materiais,já nos ofereceram em troca meio metro quadrado de jardim para inventarmos instantes eternos,já nos encheram os tinteiros para passarmos o resto dos nossos dias a escrever doces poeminhas às avezinhas idiotas das avenidas,às arvorezinhas constipadas dos parques públicos.
Nós,que sempre tivemos a alma insaciada,ausente e sedenta de azul,que tantas vezes ridicularizámos os professores acomodados,esses hipócritas transmissores do vírus da sabedoria da inércia;que tantas vezes nos envergonhámos desta nossa jovem geração falsamente policromada; e fugimos das escolas e da casa asfixiante e partimos errantes em busca da Grande Árvore...
Nós,que fomos reeducados pela solidão das vastas planícies,nutridos pela frescura e pela calma dos extensos bosques,purificados pelo rumor e pela paz das longas praias...
Nós,que jurámos nunca perder a masculina poesia do lobo,do lince, do potro selvagem;a feminina ânsia de liberdade da grande águia...
Não,meu tão bom e velho amigo Hemann Hesse,já não vale a pena.Não tarda que estejamos viciados na filosofia de vida de todos eles,que nunca foi nenhuma,que não tenhamos outra preocupação senão armazenar livros e quadros e vídeos e candeeiros e postais e revistas e jornais e discos e cartas e esculturas e fotografias e escritos e diários e um sem-fim e nunca acabar de papelada em armazéns de ilusória eternidade.
Tudo para que um dia o filho mais novo nasça com mais coragem e queime tudo numa pira,ou para que um neto qualquer malandro venda tudo num antiquário e vá passar umas férias inesquecíveis com as morenas do Taiti.

Gonçalo Maria Forte

Publicado por: dnjovem 1987 em setembro 30, 2005 11:37 AM

Nunca na minha vida vi um jogo de futebol! Sei que ha dois camaroeiros, um de cada lado, e que as pessoas se esmurram umas as outras a seguir aos jogos. E que ha imensos programas na televisao e tres jornais sobre a vida dos jogadores e dos politicos que tambem sao presidentes dos clubes. Ponto final.

E tambem nunca fui a Fatima! :-)

Publicado por: Filipe Castro em setembro 30, 2005 01:22 PM

VITÓRIAS MORAIS

Esta semana europeia foi uma verdadeira "desgraceira" para o futebol português:

O Benfica perdeu terça-feira em Manchester para a Liga dos Campeões, mas segundo consta obteve uma vitória moral. Apesar desta tipologia de vitórias não dar pontos, é uma “vitória” muito comum no futebol português; tão comum que o Porto no dia seguinte também auferiu mais uma, desta vez nas Antas, frente a uma equipa tão desconhecida que nem me lembra o nome.

Esta quinta-feira jogaram as restantes quatro equipas que representavam Portugal na primeira eliminatória da Taça UEFA, e ressalvando o Vitória de Guimarães que conseguiu colher uma verdadeira vitória, as restantes equipas (com a excepção do Sporting) também alcançaram importantes vitórias morais, e podem-se agora “concentrar” com todas as suas forças na Liga Betandwin.

O meu Sporting foi uma excepção à regra – como não poderia deixar de ser –, pois foi a única equipa portuguesa que conquistou uma verdadeira derrota. :(

http://geracao-rasca.blogspot.com

Publicado por: André Carvalho em setembro 30, 2005 01:44 PM

Eu, acabava com o "sporting" para impedir que continue a envergonhar os Portugueses.

Publicado por: José Tim em setembro 30, 2005 04:08 PM

Valupi, fico sem palavras. E imaginando que algum dia um jornal desportivo te aceitasse como colunista. Mas não há, eu sei, suficiente bom-gosto - e ousadia, e inteligência - por tais paragens.

Publicado por: fernando venâncio em setembro 30, 2005 09:05 PM

Nem eu aceitaria, caríssimo Fernando. O futebol só me interessa pelo patético da experiência colectiva, conjugação de energias individuais que recapitulam o sentimento tribal. Nesse sentido, o futebol (ou o desporto de assistência, em geral) é um dos pouquíssimos acessos aos estados de fusão que o secularismo, o capitalismo e a urbanidade extinguiram. Há uma saúde muito antiga nisso de o outro, o estranho, passar a ser o mesmo, o nosso.

Euforias.

Publicado por: Valupi em outubro 1, 2005 06:12 PM

Valupi,

Eu pasmo com o que escreves. Aliás é bom, para eu não pensar que percebo tudo do mundo. Porque uma coisa que não me entra é essa tua capacidade (e a alegria dela) de te entregares às energias da multidão. Eu seria incapaz. No meio do estádio mais ululante, eu sentir-me-ia - saber-me-ia - sozinho. Tu, um fulano consciente, que até percebes uma coisas e reflectes sobre o resto, és presa das forças primitivas - e feliz com essa condição. Explica-me. Até porque sei que mo sabes explicar.

Publicado por: fernando venâncio em outubro 2, 2005 07:07 PM