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setembro 17, 2005

MANIF

Para hoje à tarde, algures em Lisboa, está previsto o grande confronto do ano: Esquadrão F (F de Fascistas que defendem Fanaticamente a Família) contra o "perigosíssimo" Esquadrão G. Aguardam-se os directos televisivos de tão original reality show.

Publicado por José Mário Silva às setembro 17, 2005 10:38 AM

Comentários

Como não chegou a haver sombra de "montanha" o que se poderia dizer é que a ratazana pariu um ratito. E, se calhar, nem mesmo isso se a comunicação social os ignorasse...´
Dizer que esta história é ridícula é dizer pouco. É um fait-divers sem pés nem cabeça, e partindo desde logo de um equívoco. Porque o infeliz programa, de tão desastrado que é ( estou a falar do famigerado esquadrão) só dá armas à malta homófoba. Tal como a presença na TV, daquela criatura Castelo Branco, com aqueles seus tiques, presta um mau serviço, também a ideia-base do dito esquadrão parece ter surgido de uma mente homófoba. O associar uma opção sexual com os estereótipos mais divulgados relativos aos aspectos "visíveis" dessa opção. E é contra isso que se promove o desfile? Não, é contra qualquer coisa de mais sério, baralhando conceitos, e misturando de um modo maldoso, homossexualidade com pedofilia. A má fé é evidente quando é do conhecimento geral, que a enorme maioria das crianças abusadas sexualmente o são numa relação heterossexual e mais grave ainda, dentro da sua própria família.
Mas não se vai criar por isso um "movimento contra as famílias" pois não? E afinal... Pois se é aí que se passam os abusos.

Publicado por: LG em setembro 18, 2005 03:16 AM

A extrema-direita sempre existiu e se manifestou no nosso país, seja através de inexpressivos partidos ou associações, seja através de actos isolados tomados a cargo pelos “cabeças rapadas” ou por outras personagens nem tanto indiscrestas e nem tanto mediáticas. No entanto, o que os destingue na actualidade é que se tornaram mais activos e consequentemente mais visíveis. Neste momento, e ao contrário do que acontecia há 20 anos atrás, dão a cara e mostram orgulhosamente os seus slogans. De certa forma, os seus objectivos primários estão a ser cumpridos e esta mediatização já ninguém lhes tira.

Se não houvesse nada mais criticável na sua luta, poderíamo-nos limitar a hipocrisia da forma como ela é efectuada. Vejamos o caso, da sua última manifestação realizada, ontem, no Parque Eduardo VII em Lisboa. Uma manifestação contra a cada vez mais visibilidade dos gays na sociedade actual e um tal “lobby gay”, mais específicamente junto dos meios de comunicação social (como se tal, de certa forma, podesse converter toda a gente – nomeadamente as crianças, pois pelas palavras de ordem e respectivos cartazes, são elas a razão de todas as suas preocupações neste momento; é caso para perguntar: também servirão de justificação para o ataque que alguns desses senhores efectuaram no dia de 10 de Junho de 1995 no Bairro Alto que vitimou um imigrante cabo verdiano? - ao “homossexualismo”. E como travam tal digna batalha? Com visibilidade e mediatismo, pois então.

A estratégica é, aparentemente, simples mas pode ser perigosamente eficaz. Pega-se em diversos temas, uns amplamente condenáveis e de cariz popular outros nem tanto, mas todos no mínimo polémicos, tudo que irá “contra esta sistemática e intencional destruição dos valores e imposição da ditadura do relativismo” , mistura-se tudo e tenta-se estabelecer uma relação entre eles de forma a causar qualquer impacto entre as pessoas, nem que seja a perplexidade pela sua capacidade de imaginação. Utiliza-se o chavão da “insegurança nas nossas ruas e nas nossas praias” culpabilizando as minorias étnicas e a nossa política liberalista de imigração, usa-se o muito discutível tema da “adopção de crianças por casais homossexuais” e, como não podia deixar de ser, a pedofilia (sim? Dizem que cerca de 80% dos homossexuais são pedófilos, mesmo que depois não o consigam comprovar para além de um “li na internet”, como respondeu um dos manifestantes entrevistados num dos noticiários da SIC) para atacar os homossexuais em todas as frentes. Estes são só dois exemplos, mais se seguirão, pois irão continuar a usar quaisquer outros assuntos que sirvam de mote para restabelecer a ordem, não a nossa, a deles e dos seus ideais. Mesmo que tais palavras de ordem façam tudo, menos qualquer sentido.

Nada disto seria mais estúpido, nada disto seria mais assustador se não estivéssemos num país com uma larga percentagem de analfabetismo, moderadamente conservador, mediáticamente influenciável e pior do que tudo isto: com memória curta.

http://foiumprazer.blogspot.com/

Publicado por: Foi um prazer... em setembro 19, 2005 05:00 PM

Numa sociedade como a nossa, onde os media - na tentativa de aumentarem as suas audiências - apresentam em prime-time, homossexuais estereotipados como atracções circenses, o que ainda me surpreende é a existência de cidadãos que ousam indignar-se.

http://geracao-rasca.blogspot.com/

Publicado por: André Carvalho em setembro 20, 2005 12:23 AM

O que se passa actualmente, é que existe uma maior exposição de tudo o que sejam “fenómenos diferentes”, se por um lado vemos (ou nao, ha sempre esse opção) um programa aonde juntam um grupo de homossexuais que nos tenta ensinar como se corta uma beringela ou se faz um nó de gravata, por outro, mostra-se uma reportagem sobre uma manifestação organizada por um partido de extrema-direita que aproveita uns tantos temas sociais “quentes” para confundir e propragandear os seus "ideais fascizóides". Resta conhecer as consequencias de tudo isso mas, do meu ponto de vista, acho o primeiro exemplo menos perigoso e ofensivo.

Publicado por: Foi um prazer... em setembro 21, 2005 12:53 AM