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setembro 15, 2005

PORQUE É QUE A OTA TEM DE AVANÇAR

"Durante os próximos anos vão ser investidos, na Região de Turismo do Oeste, cerca de dois mil milhões de euros em empreendimentos turísticos. Com duas curiosidades: todos eles ficam localizados muito perto do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL); todos eles vão ter campos de golfe, centros hípicos e de congressos, hotéis de luxo e aldeamentos.
(...)
Para breve, apurou o JN junto de fonte da Região de Turismo do Oeste (RTO), mais onze empreendimentos gigantescos vão surgir. A Direcção-Geral de Turismo, no entanto, só tem conhecimento da construção de três complexos com golfe: o empreendimento de Campo Real, em Torres Vedras, do Bom Sucesso, em Óbidos e da Quinta do Brinçal, em Rio Maior.
De acordo com a RTO, em Torres Vedras está a ser construído o "Western Hotel & SPA", de Campo Real; o Centro Hípico de Campo Real; o conjunto turístico de Campo Real; e o "Vimeiro Resort". Este último integra o complexo da Empresa Águas do Vimeiro, do Grupo Espírito Santo, e compreende, refere a RTO, um campo de golfe com 18 buracos, centro de congressos, requalificação hoteleira, centro hípico, recuperação termal e diversa imobiliária turística."
JN

Publicado por Jorge Palinhos às setembro 15, 2005 11:08 AM

Comentários

turismo, cimento e PS no poder: que conjectura mais favoravel... nao admire que avance mesmo.

Publicado por: random em setembro 15, 2005 12:18 PM

Interpretando esta notícia Bruxelas já é do BES !!!!

Publicado por: Mario António em setembro 15, 2005 03:23 PM

Para mim esta questão das grandes obras públicas (diria mesmo faraónicas) é a questão que vai decidir o meu voto nas presidenciais. Ainda corro o risco de ter que tomar uns sais de frutos e ter que ir votar à direita ...

Publicado por: Luis Oliveira em setembro 15, 2005 03:23 PM

Isto sim, Palinhos, é um post com sentido. Um post de serviço público, se a metáfora não te incomoda.

Publicado por: Nosferatu em setembro 15, 2005 03:29 PM

Epá, eu já escrevi nas caixas do bde muita coisa, parte dela sem grande sentido. Já entrei e tentei entrar em conflitos escusadamente, mas sempre acreditei na independência possível de quem aqui escreve(como em grande parte de outros blogues).

Este post é o pior que já vi.

Publicado por: zangalamanga em setembro 15, 2005 04:42 PM

Para que conste, grande parte dos passageiros da Portela são oriundos de todo o país, sendo uma parte significativa do norte. O aeroporto de Pedras Rubras foi recentemente ampliado nas suas estruturas e tem capacidade para um aumento muito significativo do número de passageiros. Aliás, põe-se em causa se alguma vez se poderá rentabilizar a infraestrutura, dependendo como está da utilização por parte dos galegos.
Seria muito incómodo o pessoal de Lisboa vir apanhar o avião ao Porto?...penso eu de que!..

Publicado por: Adaúfe em setembro 15, 2005 05:04 PM

Vou pegar na deixa do zangalamanga e fazer coro com ele; coro desafinado pois não atribuo o título de "pior post" a esta difamação generalizada, apenas a considero tristemente provinciana. E passo a explicar.

Talvez a culpa da anemia nacional seja dos judeus – da falta deles, isto é. Sem os judeus a fazer contas e negócios, a pensar estrategicamente adentro de um network internacional, ficámos reduzidos ao modelo económico do Norte de África, o pequeno comércio feirante e feriadista. Por isso, a nossa colonização e respectivos saques nunca contribuíram para o desenvolvimento da metrópole, apenas resultaram no enriquecimento de traficantes, intermediários, senhores rurais. Sim, somos um povo que sofre de iliteracia capitalista, não sabendo ler economês. Consequências?

Trinta anos depois do 25 de Abril, o país está literalmente nas mãos dos construtores civis, os quais financiam partidos e políticos. E aos construtores civis, que fazem apenas aquilo que lhes deixam fazer e são meramente racionais nas opções de corrupção dos dirigentes políticos, não se deve pedir uma visão social, ecológica ou cultural para o País, apenas que construam com qualidade (esta, uma outra questão). Para eles, qualquer área protegida ou destinada à agricultura é um desperdício de terreno. Contudo, pior é o remédio que a doença se lançamos o anátema sobre qualquer acto de investimento apenas por ser isso mesmo: um investimento que visa um lucro.

Obviamente, e para lá de outras razões igualmente legítimas, a possibilidade de existir um aeroporto internacional na Ota mais do que justifica o interesse pelo investimento na região. Para as respectivas populações será uma benesse, tanto em postos de trabalho como pela revitalização turística, e ainda pelos impostos. Então, onde está o mal? Ou melhor, por que razão se põe a carroça à frente dos bois?

A melhor resposta, creio, é aquela que o José Gil conseguiu formular no Medo de Existir: o persistente salazarismo. Como exemplo crasso, temos o actual Partido Comunista Português, um ex-líbris salazarista na sua cultura, métodos e discurso. Mas, por arrasto, todos os que da Esquerda se reclamam e permanecem na clausura do Portugal rural. Enquanto os que defendem belos e benignos ideais de Esquerda não aprenderem a reconhecer que a alternativa ao capitalismo não é um qualquer tipo de socialismo mas, antes, um melhor tipo de capitalismo, continuarão a tentar travar as "verdadeiras forças do progresso" – os investidores, seja no turismo, na ciência, nas artes, no desporto ou na produção de queijadas de Sintra.

A nefasta influência de um catolicismo anacrónico, a expulsão dos judeus, sucessivas gerações de uma elite desmoralizada e cobarde, colectiva censura do mérito, estas e outras tantas razões criaram as condições para os 48 anos de marasmo nacional, na sequência de outros tantos ciclos de puro desvairo ou absentismo governativo. E cá estamos nós na era dos blogues a ladrar à caravana.

Palinhos, há um Salazar na tua cadeira. Deixa-o cair.

Publicado por: Valupi em setembro 15, 2005 07:23 PM

Desculpem-me, eu não insulto nimguém, nem mesmo na net. Mas desta vez não resisto!

Valupi, és um cretino pretencioso!

Publicado por: Adaúfe em setembro 15, 2005 11:03 PM

Adaúfe, concordo contigo. E como brinde, convido-te a descobrires qual a origem etimológica do teu primeiro adjectivo.

Publicado por: Valupi em setembro 15, 2005 11:18 PM

“PCP ex-libris do salazarismo”, comunismo igual a fascismo, comunistas iguais a totalitaristas, comunistas iguais a estalinistas, comunistas iguais a esclerosados, comunistas iguais a criminosos…são só alguns exemplos de analogias que nesta mesma página deste blog, (nos posts e nas caixas de comentários) qualquer um pode encontrar. E que repetem os estereótipos de mais de século e meio de todos os possidentes e reaccionários deste mundo.

Falam do PCP, comunismo e comunistas associando SEMPRE uma imagem negativa, repelente e não fundamentada. Com isso o que pretendem é criar, reforçar e difundir a ficção do partido, da ideologia e de militantes feios, porcos e maus, SEMPRE feios, porcos e maus. Eles, os que criam, reforçam e difundem esta ficção nunca discutem nem o PCP, nem o comunismo nem os comunistas. Eles discutem a tal ficção criada para se adaptar a preconceitos ideológicos e para servir interesses próprios.

Mas o curioso é que os tais criadores e difusores desta ficção, de que os “boss” do BdE são um bom exemplo – provavelmente até os mais profissionalmente esforçados – se alguém do PCP lhes descobre o jogo e aponta as barbaridades que dizem, armam-se logo em virgens ofendidas, em ingénuas enganadas ou vítimas indefesas atrozmente atacadas. Tristes criaturas que só sabem fazer estas tristes figuras. Mas compreende-se. Os cachopos cinquentões no fundo o que têm é muito medo do resultado das autárquicas.

Publicado por: Margarida em setembro 16, 2005 12:58 AM

Valupi, a questão dos judeus a que se refere é normalmente esquecida, mesmo quando se procura determinar quais as causas de atraso de Portugal com base em factos históricos. A decadência dos descobrimentos, por exemplo, começa com a expulsão dos judeus de Portugal e consequente perda de todo o conhecimento matemático, científico e particularmente cartográfico que eles nos deram. o que é que se seguiu? A Inquisição.
Mas o Valupi entra em contradição quando fala nos construtores civis e nas forças de progresso, confundindo uma coisa com outra. Os campos de golfe semeados às dúzias, por exemplo, terão viabilidade no futuro, com os problemas de água que se anunciam? E o algarve, não é um bom exemplo de que invenstimento dessa monta deram para o torto?
Pessoalmente, salvo casos como - a nova Tróia e pouco mais, desconfio muito de projectos que envolvem demasiado betão.

Publicado por: João Pedro em setembro 16, 2005 01:24 AM

Margarida, citas-me, mas não me nomeias. Assim, não fica claro se estás em registo de conversa ou de panfleto. Seja como for, tenho uma boa nova para ti: há vida para além do maniqueísmo.

Nem o PCP pode reclamar o exclusivo da luta antifascista, nem é legítimo reduzir os antigos e actuais militantes do Partido a uma massa ignara e maléfica. Com certeza, haverá muitas pessoas dentro do PCP que serão moralmente íntegras, eticamente exemplares, intelectualmente honestas, civicamente responsáveis. Conheço várias, adivinho muitas mais. A mesma experiência, acredita se quiseres, tenho-a com pessoas de partidos que consideras de Direita, com pessoas da Igreja Católica e até com Testemunhas de Jeová, já para não falar dos sócios do Sporting. Só que essa verdade sociológica não impede um juízo supra-fulanizado acerca de uma (qualquer) organização.

Queres mesmo discutir o PCP e o comunismo? Espero bem que sim. Começa tu, convence a malta. Entretanto, não te enerves com a liberdade de expressão que os blogues permitem. Foi também para poder dizer mal do PCP que se fez o 25 de Abril, ou estarei enganado?...

__

João Pedro, é só porque estamos a comunicar por meio de fragmentos que se pode descortinar no que escrevi uma aprovação do betão como critério de "progresso". Tenho asco pelo que a mesquinhez e a ganância dos construtores civis e respectivas clientelas fizeram em Portugal. Contudo, não lhes atribuo responsabilidade, pois é nos círculos da decisão política, investigação policial e aplicação da justiça que se devem pedir responsabilidades. Como lembra Platão, o cão ladra à pedra que o atingiu, não a quem lhe atirou a pedra.

No caso da Ota, não puxo da pistola por se prever a construção de campos de golfe. Pura e simplesmente, desconheço se o impacto ambiental, ou paisagístico, de tais projectos nessa região é motivo para embargo, mas confio (com uma ingenuidade que alimento) nas autoridades competentes para a sua averiguação. O argumento que me interessa nesta questão que o Palinhos suscitou é o da mentalidade anti-capitalista, mal endémico em Portugal.

Publicado por: Valupi em setembro 16, 2005 03:13 AM

"Foi também para poder dizer mal do PCP que se fez o 25 de Abril"? Pobre conceito de "democracia" tem este "democrata".

Respondo com uma frase sacada da declaração de candidatuta de Jerónimo de Sousa: "Assim como que uma democracia “em que nós podemos dizer o que quisermos enquanto eles puderem fazer o que quiserem”. Primeiro, reduz-se a democracia à democracia política. Para alguns, aliás, a democracia é um sinónimo da “economia de mercado”, biombo envergonhado de “capitalismo”. Por outro lado, a democracia política não se apoia apenas na representação, antes deve incluir outras dimensões, nomeadamente uma necessária dimensão participativa".

E é de facto esta "democracia" onde os grupos económicos e financeiros fazem o que querem e que têm por conta os papagaios "democratas" para dizerem o que eles quiserem, a "democracia" deste "democrata pos-25 de Abril".

É lamentável mas pelo menos tem a virtude da clareza. O curioso é que 30 anos depois repetem a farsa dos mais "revolucionários" e mais "radicais" que antes foi protagonizada pelos então maoistas Franciscos Viegas, António Perez Metelo, João Carlos Espada, José Manuel Fernandes, Nuno Pacheco, José Manuel Rodrigues da Silva, Ferreira Fernandes, Helena Matos, Joaquim Vieira, Manuel Falcão, José António Lima, Henrique Monteiro, João Mesquita, Pacheco Pereira, Jaime Antunes, João Lisboa, Esther Muczik, António Costa Pinto, António Ribeiro Ferreira, Fernando Rosas, Jorge Coelho, Saldanha Sanches, José Lamego, Durão Barroso, etc, etc, etc.

Publicado por: Margarida em setembro 16, 2005 08:20 AM

Valupi:

Acho que tenho de começar a soletrar os posts. Eu estava a falar de uma coisa totalmente diferente: não era da necessidade ou não de o país progredir, mas das manobras políticas do governo para levar a OTA avante e a toda a força, como tenha sido a demissão do Ministro das Finanças, a substituição do conselho de admnistração da CGD, as ligações de Manuel Pinho, o principal defensor do aeroporto, ao Grupo Espírito Santo, etc.
(Claro que, no teu entender, o desejo de transparência política pode corresponder a uma mentalidade salazarista. Bem, nesse caso lá serei salazarista.)
Por outro lado, a tua euforia capitalista parece-me um tanto ingénua. Não acredito em campos de golfe como pilar da economia nacional, não só porque vão contra a configuração geo-climática do país - que me parece o primeiro parâmetro a ter em conta em projectos de desenvolvimento, como duvido que a médio e longo prazo eles possam substituir os turistas de mochila que temos por turistas de cartão visa.

Margarida:

Pronto, de momento não batemos mais no teu vitelo dourado. Até porque para mim o PCP deixou de ter significado a partir do momento em que foram a primeira entidade a usar a figura do despedimento colectivo que tanto tinha criticado para se livrar dos funcionários excedentários.

João Pedro:

Concordo que a expulsão dos judeus de Portugal (que constituia a classe mais culta e empreendedora de então) foi a grande responsável pela decadência do país, que nunca mais dela recuperou.

Publicado por: Jorge P. em setembro 16, 2005 10:04 AM

Eu de cada vez que aqui venho ao BdE “aprendo” detalhes muito interessantes da história. Neste blog há quem contraponha os números do comandante de Auschwitz, i.e. do carrasco, aos dos representantes das vítimas; há um outro que até fala “invasão da Alemanha pela Rússia” (referindo-se à II Guerra Mundial. Houve até quem jurasse que a versão do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel sobr a resolução 242 era a versão do Conselho de Segurança da ONU.

Mas nos exemplos que citei, quem o fez “jogava” com o facto da memória ser fraca e a ignorância ainda maior e já se ter passado uns 60 anos sobre esses acontecimentos.

Mas o Palinhos com o “detalhe” do despedimento colectivo mais uma vez se enterra. Primeiro porque nos dois posts anteriores limita-se a cascar nos sindicatos e no PCP, ofendendo gratuitamente toda uma classe. Depois porque mais uma vez faz uma acusação genérica, vaga, infundamentada. Não é já só nervoseira pré-eleitoral. É mesmo spin anti-comunista e anti-PCP. Mais uma vez e não será certamente a última.

Publicado por: Margarida em setembro 16, 2005 12:46 PM

Mas a única “liberdade” que havia antes do 25A não era a de "bater" nos comunistas? Bater a sério mesmo, e quando o bater não chegava, abatê-los à bala?

Não foi o “perigo” comunista invocado para a criação das sinistras Legião Portuguesa, Mocidade Portuguesa, PIDE?

Não foi a luta contra o comunismo o objectivo insistentemente proclamado ao longo dos 48 anos de governação de Salazar e de Marcelo? Não foi essa a justificação para a adesão à NATO? Não foi também essa a razão para que os “democráticos” USA, UK, França, etc., convidassem uma ditadura para a NATO?

Não eram os comunistas proibidos de entrar na Administração Pública (local e nacional), aliás não eram os candidatos à Função Pública obrigados a assinar uma declaracção em que declaravam que não eram comunistas? Não foram despedidos médicos, professores, enfermeiros, funcionários públicos só porque foram acusados de serem comunistas ou só por terem sido apanhados com um Avante? Não foi o professor Armando de Castro despedido do ISPA (que era privado!) por ser comunista?

Afinal a carreira de lutador contra o PCP, o comunismo e os comunistas compensa. Tanto antes como depois do 25A. É que não deve ser nada displicente o salário de director do Público, do DN, da Dois, do Independente, ou de vice-director do Expresso, ou de editor, jornalista, colunista, comentador residente (ou não) na SIC, TVI, RTP.

Nesta interessante lista da Margarida faltam uns tantos: assim de repente lembro-me da Teresa de Sousa (ex-porta-voz da AOC transvestida agora em “grilo” no Público), da Inês Serra Lopes, do António Vitorino. Uns mais pró-maoistas, outros mais pró-socialistas revolucionários, mas todos com ideias muito radicais contra o PCP, o comunismo e os comunistas.

É que se o 25A levou à debandada dos donos dos grandes grupos económicos e à fuga das “vozes dos donos” (então desacreditadíssimos), abriu perspectivas para o recrutamento de novos (e fogosos) trombeteiros para o serviço dos velhos patrões (Espírito Santo, Mellos, Champalimauds) e dos novos (e mesmo dos novíssimos) patrões de grandes grupos: Sonae, Cofina, BCP, Imprensa, Media Capital...

E trinta anos depois, com a reforma ou o up-grade destes “presstitutes” novas vagas se vão abrindo. Não é preciso lembrar os nomes dos “novos” ou novíssimos comentadores anti-comunistas e anti-PCP que estão no Expresso, no DN, na RTP ou na SIC, pois não?

Aos “preocupados” com a “censura” dos comunistas lembro que depois do 25A, o único sub-director despedido por razões ideológicas foi o comunista José Saramago e que foi o “democrático” director do Público que despediu a coluna do dirigente comunista Luis Sá. O mesmo que empregou o Rosas, a Esther, a Teresa, a Ana Sá Lopes, o Barreto, etc., etc., etc.

Publicado por: Luís Simões em setembro 16, 2005 12:56 PM

A Ota tem de avançar, porque a cáfila sucialista do grupelho do só ares comprou terrenos nessa zona e agora esperam obeter lucros elevadíssimos.

Publicado por: José Tim em setembro 16, 2005 03:53 PM

Margarida:

"Não é já só nervoseira pré-eleitoral."

Ah, sim. Nervoseira pré-eleitoral. Aqui no BdE estamos todos a roer as unhas na eminência de o Jerónimo de Sousa chegar a Belém ou os eleitores alentejanos voltarem em massa a pôr a cruzinha na foice e no martelo.

Luís Simões:

O comité está cá em peso. Tenho impressão que o Saramago também fez uns despedimentozitos aquando das suas funções de subdirector (já para não falar da Emissora Nacional e eo cerco à Assembleia Constituinte).
E depois, para mim liberdade é poder bater em todos - até nos professores, nos capitalistas, nos comunistas e na STCP - e não bater apenas num grupo governamentalmente designado.

E, por fim, se eu quisesse fazer o que querem a Margarida e o Luís Simões e cumprir disciplina partidária ter-me-ia filiado num partido. O que nunca foi o caso.

Publicado por: Jorge P. em setembro 16, 2005 03:54 PM

Palinhos, entendi o que escreveste à primeira. E assumindo que que o post está escrito em português, a sua tese é a de que são os interesses económicos de particulares que farão com que o Estado, através do Governo, ofereça um aeroporto internacional para o benefício do negócio hoteleiro de alguns. É precisamente a partir deste argumento que estou a elaborar, mas não me interessa a intriga da suspeita, antes os pressupostos ideológicos, as matrizes culturais que perpetuam a inépcia nacional para produzir riqueza.

Pois eu gostaria de ver Portugal numa euforia capitalista. Ser-se capitalista implica um conjuntos de aprendizagens que favorecem a responsabilidade política, a aplicação do direito, a realização da cidadania. A destruição dos recursos naturais, da paisagem, da qualidade de vida urbana pode ser atribuída ao capitalismo selvagem (seja lá o que que isso queira dizer) ou pode ser atribuída a uma ausência de competência capitalista. Favoreço a segunda explicação, e é uma dor de alma olhar para o nosso litoral e Algarve, para os subúrbios das grandes cidades e bairros dormitório, para a adulteração das tipicidades do interior e abandono do património, sabendo, como hoje sabemos, que tudo poderia ter sido diferente caso tivesse existido visão capitalista – isto é, uma racionalidade que preferisse o lucro de médio e longo prazo ao lucro imediato e efémero.

Obviamente, não é em campos de golfe para reformados alemães e ingleses que estou a pensar (embora gostasse de aprender esse desporto...). Bem ao contrário, Portugal podia investir em investigação científica nas áreas marítimas e florestais, podia investir em Relações Internacionais, podia investir em recuperação do património e urbanismo. Destas opções resultaria um novo campo de oportunidades empresariais, laborais e académicas, assim como o renovo dos paradigmas axiológicos.

__

Margarida, não vou perder mais tempo contigo. Na velha tradição do PCP, apenas te interessa pôr a cassete a tocar. Equiparo o PCP à Igreja Católica em mais do que um aspecto. São duas instituições com um passado glorioso que não souberam envelhecer. Encarceradas em pressupostos que a História tornou obsoletos, estas instituições reúnem muitas pessoas de bem e que fazem o bem. Porém, o autismo que a doutrina impõe arrasta tudo e todos para uma prática política ineficaz. Por isso, são velhos os que assistem à missa e velhos são os que votam PCP.

Não é estranho, isto de nos acharmos detentores de uma verdade e à nossa volta ninguém nos dar razão ou sequer atenção?... Perante a frustração de um proselitismo impotente, todos os grupos reagem da mesma maneira, só variando no grau de intensidade: diabolizam o adversário. Se a mensagem não convence, o problema não está na mensagem, antes no receptor e naqueles que pervertem o canal, concluem todas as seitas desde a escuridão dos tempos.

Publicado por: Valupi em setembro 16, 2005 04:07 PM

"Pronto, de momento não batemos mais no teu vitelo dourado", disse o Palinhos às 10.04. Às 03.54 já voltava, não para refutar o que eu disse, mas para chutar para o lado. E inconscientemente - estes lapsos são simplesmente deliciosos! - lá vem a obsessão com o Jerónimo que todos juram não ter!

Mas cadê dos despedidos que acusou o PCP de fazer colectivamente? É que se houve despedimentos têm que haver despedidos? São fantasmas? São anónimos? Nem um nomezinho para resgatar a honra?

E atente no que escreve: é que se não vai bater "mais", é porque de facto já bateu! Além de chutar para o lado também faz auto-golos. É um artista completo!

Publicado por: Margarida em setembro 16, 2005 06:54 PM

"Pronto, de momento não batemos mais no teu vitelo dourado", disse o Palinhos às 10.04. Às 03.54 já voltava, não para refutar o que eu disse, mas para chutar para o lado. E inconscientemente - estes lapsos são simplesmente deliciosos! - lá vem a obsessão com o Jerónimo que todos juram não ter!

Mas cadê dos despedidos que acusou o PCP de fazer colectivamente? É que se houve despedimentos têm que haver despedidos. São fantasmas? São anónimos? Nem um nomezinho para resgatar a honra?

E atente no que escreve: é que se não vai bater "mais", é porque de facto já bateu! Além de chutar para o lado também faz auto-golos. É um artista completo!

Publicado por: Margarida em setembro 16, 2005 06:56 PM

Margarida:

Eu rendo-me: incondicionalmente!

Onde é que está o papel que eu assino já por baixo, e é que nem preciso de ler ...

Publicado por: Luis Oliveira em setembro 16, 2005 10:25 PM

Vou seguir o método da Margarida e tentar desmontar o spin do Jorge P. (será o Palinhos?). Abre logo a dizer: “o comité está cá em peso”, na boa técnica de desumanizar o adversário (para com mais facilidade depois o demonizar), a 1ª regra é nunca considerá-lo uma pessoa, mas sim mais um do rebanho. Ora eu que estava tão quietinho, mando uma e recebo logo isto de volta? Mas afinal o que é isso de comité?

Depois, a boataria: “tenho a impressão que o Saramago também fez uns despedimentozinhos”. E logo este ano que a propósito dos 30 anos do 24 A, todos os jornais – Público, DN, JN – trataram à exaustão o caso dos despedimentos do DN e o Jorge P. ainda insiste na calúnia? Se ainda não percebeu sugiro-lhe que peça explicações ao Fazenda e ao Rosas. Estes sabem tudo da tramóia.

Depois associa ao Saramago a “Emissora Nacional” (???não seria a RR?) e o “cerco à Assembleia Constituinte”. O conselho é o mesmo, o Rosas e o Fazendas que lhe expliquem.

Com esta confesso a minha perplexidade: “liberdade é poder bater em todos - até nos professores, nos capitalistas, nos comunistas e na STCP - e não bater apenas num grupo governamentalmente designado”. Talvez o Louça ajude a explicar?

Com a última também fico à rasca: mas onde é que eu sugeri ao Jorge P. ou a alguém filiar-se num partido? Talvez o Jorge P. explique? Não é que haja necessidade…Acabo a emendar o meu propósito inicial: quis desmontar o spin, mas concluo que mais do que spin este texto é um repositório de disparates que descredibiliza o tal de Jorge P.

Publicado por: Luís Simões em setembro 16, 2005 10:31 PM

Esta Margarida não tem nada de choninha e dá o cascarrão por tudo e por nada. Pago um copo de três a quem conseguir convencê-la de que o PC não sabe de antemão que vai ter de cumprir o fado velho de mandar os seus simpatizantes votarem no homem do PS para a Presidência. Uma história com barbas mais longas que o S. Pedro. Eu pelo menos já a conheço dos tempos em que fazia parte do Orfeão Unido de Aljustrel.

Publicado por: Bomba em setembro 16, 2005 10:47 PM

Isto sim é spin anti-comunista e anti-PCP, o texto do Valupi. Do autêntico. Vejamos os termos que usa:
Cassete
PCP igual a Igreja Católica
Passado glorioso mas com pressupostos absoletos
Doutrina autista
Velhos militantes e velhos votantes
Detentores da verdade e ninguém nos dá razão nem atenção
Frustação
Proselitismo impotente
Seitas
Escuridão dos tempos

Em resumo: somos os tais velhos, porcos e maus, o que tivemos de bom já passou. Mensagem: são velhos, não prestam.

Só que há uns pormenorzinhos que não batem certo:

- então se ninguém nos dá atenção como é que se explica que em 20 de Fevereiro de 2005, a CDU tenha aumentado os VOTOS em TODOS os círculos eleitorais e passado novamente a terceira força parlamentar?

- então se somos todos velhos como se explica toda aquela juventude na Festa do Avante, exactamente quinze dias atraz? E como se explica também que dos mais de 42 mil candidatos nas autarquias, 20% tenham menos de 30 anos?

- então o Valupi diaboliza o PCP e depois acusa o PCP de diabolizar os adversários? E o PCP não tem “canais” (os tais que têm os josés manuéis Fernandes, anas, teresas, esteres, etc.) mas é acusado de os “entupir”?

Publicado por: Margarida em setembro 16, 2005 11:19 PM

Seus invejosos, vocês têm é inveja, da militância disciplinada da Margarida.

Publicado por: Zero à Esquerda em setembro 17, 2005 08:02 AM

Escapou à Margarida outro spin do Valupi: está na própria palavra "entupir". Geralmente associamos o "lixo" a entupir, logo a mensagem oculta é - eles são lixo, não prestam.

Publicado por: Margarida em setembro 17, 2005 10:27 AM

Margarida (aliás, Margaridas, pois há uma Margarida a mandar lembretes à homónima, o que talvez prefigure um caso bicéfalo), quando conseguires apresentar uma ideia que dê que pensar, manda um foguete. Por enquanto, o teu problema não é político, é psicológico. Satisfaz o teu narcisismo imaginar que ainda há quem receie os comunistas ou com eles se preocupe. Por essa singela razão, só te sabes queixar das "maldades" que - com prazer incontido - descobres, inventas e provocas. Ideias relativas ao comunismo ou ao Partido é que nada. Nadinha. Nicles.

Os teus argumentos para demonstrar a vitalidade do Partido são primários, se não forem também patéticos (no sentido nobre do termo). Vejamos:

- PCP aumenta votação e recupera a medalha de bronze. Perguntas: por que razão o PCP nunca passou de terceira força parlamentar, em 30 anos de democracia?; Os 16.842 votos que separaram o PCP do CDS o que é que representam política e sociologicamente?; Os menos de 100.000 votos que separaram o PCP do BE tenderão a manter-se, aumentar ou reduzir?

- Juventude na Festa e juventude nas listas. Perguntas: só deixam entrar comunistas na Festa do Avante?; ir à Festa implica concordar com o Programa do Partido, sequer conhecê-lo?; esses 8.000 "ainda não trintões" fazem o quê pela causa quando não estão a dar o nome para as listas das autárquicas?

- O Valupi diaboliza o PCP. Pergunta: sabes ler?

- O verbo "entupir". Pergunta: deliras?

Publicado por: Valupi em setembro 18, 2005 07:04 AM

Dos 42.000 candidatos às autarquias da CDU, mais de 8.000 têm menos de 30 anos. Do total dos candidatos (10.000) do BE, não sabemos nem a média de idades nem quantos têm menos de 30 anos. Para terem mais jovens, estes teriam que ser mais de 80%, o que não é credível...

E de facto, a CDU recuperou o 3º lugar no Parlamento e este era o objectivo confesso do BE, nunca foi da CDU.

E tanto o PCP como os partidos anteriores do Louçã e do Fazenda (e dos outros) andam a concorrer a eleições desde 1975. E eles (Louçã, Fazenda) sempre com o objectivo do "seremos os terceiros", mas continuam em "quintos".

Você (e eles) valorizavam tanto antes o "terceiro" lugar e só porque calhou à CDU já não serve para nada? Vejamos logo à noite quem vai ser o "terceiro" na Alemanha. Na sua lógica se calhar ao Links nada vale, mas se calhar aos Verdes ou aos Liberais será magnífico!

É sempre assim: se a CDU sobe são só uns meros x's a mais, nada se especial. Se desce, desta vez é que é, estão arrumados. Desvalorizar os ganhos, exagerar as perdas, em suma, menorizar a CDU, agigantar os seus adversários, para que mais sobressaia a menorização da CDU.

O mesmo se passa com a Festa. Nunca fomos nós que dissemos que só iam comunistas à Festa, pelo contrário sempre dissemos o que é evidente - que vai à Festa quem quer (e comprar entrada), que é um espaço onde todos se sentem bem, novos e velhos, militantes e não militantes. Quem disse que ninguém nos prestava atenção foi você...

Percebe-se que também para você a CDU é o inimigo a abater e entretanto faz tudo para o menorizar, desvalorizar, desmoralizar e diabolizar...ou já se esqueceu que o ex-libris do salazarismo é da sua lavra?!

Publicado por: Margarida em setembro 18, 2005 02:40 PM

Margarida:

A tua última frase é de génio (especialmente depois do esforço inicial que o Valupi fez para ser simpático contigo).

Publicado por: Luis Oliveira em setembro 18, 2005 03:26 PM

Margarida, para além de usares o (muito burguês) tratamento na terceira pessoa, a que acrescentas a desnomeação, continuas sem dizer peva que alimente uma reflexão. Desconfio que não és capaz, seja por inexperiência de vida (talvez tenhas 12 anos) ou por as complexidades da doutrina não serem pasto para os teus neurónios.

Sim, nós sabemos que o BE é o pânico supremo para o PCP. Vocês preferem atacar o BE a atacar a Direita, como aqui vens demonstrando.

Sim, nós sabemos que o PCP subiu a votação (mais 50.000 votos do que em 2002). Mas tu não pareces fazer ideia das causas de tal subida, preferindo a irrelevância do 3º lugar e o silêncio sobre 20 anos de continuadas descidas em votos e mandatos.

Sim, nós sabemos que a Festa do Avante oferece espectáculos musicais e petiscos. Será essa a vocação secreta do PCP?

O PCP é um ex-líbris salazarista no sentido em que nasceu em contexto salazarista e não mudou a sua cultura após o advento democrático. Para mim, não há melhor exemplo do que o de Carlos Brito, que sempre vi como um dinossauro do PCP, para tirar a radiografia ao partido das paredes de betão armado. A tragédia que se adivinha naquele ancião, com tantas lutas pela liberdade no currículo, é o mais pungente exemplo da crueldade de um sistema partidário autofágico.

Os velhos do PCP podem ter menos de 30 anos. Velho é o sistema importado da Rússia, sugerido por um alemão que vivia na Inglaterra do século XIX. Velho por já não servir para compreender os fenómenos sociais, políticos, históricos. Velho por não representar uma esperança, antes tendo sido usado para perpetuar a exploração de uns poucos sobre os restantes.

Olha, velhos são os cartazes de propaganda da CDU, repletos de inanidades, incapazes de comunicar para além do cliché básico e estafado. O ideal comunista merecia bem melhor.

Publicado por: Valupi em setembro 18, 2005 06:03 PM

Agora tratar com urbanidade (a possível!) virou defeito? E quem é que lhe disse que não sou burguesa? Cheiro aqui mais duas ideias feitas à medida para apoucar os comunistas...e a ideia subliminar é: são uns rústicos, não prestam.

Mas vamos ao que interessa: como mais acima mostrei você, gratuitamente, sem ninguém o ter atacado, usou muita da artilharia anti-comunista contra nós, obrigando-me a desmontá-la. Depois, em vez de contra-argumentar (e para se defender), vitimiza-se e acusa-me de obsessão com…o BE! Quando nem fui eu que trouxe o BE para a discussão!

Agora mostra não perceber o que é cultura e o que é ideologia e até baralha dados históricos. Acusa-nos de ser fiéis a Marx e a Lenine. Somos, é verdade, e até temos orgulho nisso. Não foram eles que teorizaram e levaram à prática o ideal comunista da participação do povo como sujeito da historia? E se a primeira experiência histórica do socialismo falhou seria razão para desistirmos? Como o Saramago uma vez explicou “Se a primeira nau com que Portugal tentou partir para os descobrimentos se tivesse afundado, deveriamos ter desistido? Não! Deveriamos construir uma melhor e mais forte!"

E repete o mais recorrente dos clichés, acusar-nos de “velhos”: velho o sistema, velhos os jovens, velhos os cartazes. Mas a nossa ideologia não apareceu para contrariar as anteriores, nomeadamente a liberal do século XVIII, de que hoje o neo-liberalismo é tão só a continuação? Portanto mais velha é ainda a sua ideologia, aliás o que há mais velho que a exploração do homem pelo homem?

Diz que o nosso “sistema” é “velho por já não servir para compreender os fenómenos sociais, políticos, históricos”. Mas não é o nosso “sistema” que ajuda a explicar o capitalismo? Parece-me que dificil mesmo é convencer as pessoas que o capitalismo vai gerar um mundo melhor por meio da competição egoista, da busca de cada um pelo melhor para si mesmo, da exclusão da maioria e da ditadura de uma minoria de privilegiados sobre a imensa maioria que possui como única riqueza a sua força de trabalho. Isto é que de facto me parece difícil e muito muito velho.

Acusa-me de não saber atacar a direita. Parece-me que até fui a única que desmontou as tretas da democrata cristã Nogueira Pinto num post aí em cima. Mas percebo-o. Você queria era que eu ajudasse o MMC na peixeirada da SIC Notícias. Mas para fazer esses fretes não andam por cá uns tantos como você?

Publicado por: Margarida em setembro 18, 2005 08:32 PM

Ó Margarida defender Marx ainda vá que não vá (mas com muito cuidado como diria o meu professor de filosofia) mas defender Lenine? Você sabe as barbaridades que ele fez? Ao pé dele o nosso Salazar (que vocês tanto criticam) não era um ditador era um mero governante com tendências paternalistas. Pense nisso antes de elogiar Lenine.

(relativamente ao meu comentário sobre Marx entre parênteses só tenho a acrescentar, que não fui capaz de ler a Republica depois da queda do muro de Berlim, e orgulho-me por isso)

Publicado por: Luis Oliveira em setembro 18, 2005 09:38 PM

"Very few Americans know that Karl Marx was a correspondent and political analyst for Horace Greeley, who owned the New York Times newspaper. In 1849 both Horace Greeley and Clinton Roosevelt contributed financially to the Communist League in London to assist in the publication of the Communist Manifesto [12]. Other contributors were the English millionaire, Cowell Stepney, and of course Friedrich Engels, who was a wealthy German. And, up until recently, two checks made out to Karl Marx by Nathan Rothschild could be seen on display at the British Museum. Lenin, Trotsky and Stalin were financed by Capitalists from America, England and Germany, to help promote the Bolsheviki Revolution in Russia".


Margarida, Margarida, se o velho Abrantes souber que andas aqui a fazer figuras destas vai certamente despromover-te ou desterrar-te para os confins do Alentejo. Para ti o único spin admissível é o dos comunistas. A nós, malta diversa que a tua visão de funil impede de distinguir, só nos resta ouvir-te e assoarmos os ranhos da impotência dialéctica perante os teus torrentosos arrazoados. Pois, minha filha, isto aqui é território que não se compadece de muita coisa e muito menos da fraca arte de convencer demonstrada por amazonas marxistas como tu.

Partes do principio de que é possivel vir a um blogue destes - cheio de cães rafeiros com linguas compridas - ou de raça e com elas educadas - e tomar a defesa dum partido que passou uma vida a escorregar nas próprias cascas das grandes bananas que tem andado a comer. Nas tuas desvairadas tentativas para provares os teus pontos de vista, recorres até aos jornais daqueles que criticas quase ao ponto de os abominar, como foi o caso do teu passeio pelas páginas do site da IV Internacional, esquecendo que nesse mesmo site consideram Álvaro Cunhal e outros senhores como “traidores” à revolução do 25 de Abril que poderia ter sido comunista mas não foi.. Vê tu para onde a ingenuidade te leva a empurrar-nos. Chamo a isso falta de tacto passivel de ralho registado no próximo concílio dos granjolas do teu partido.

Não leves a mal este padrear, mas procura domar, em nome da ideia não corrompida nem corrompível que adorna a tua fantasia, esssa atracção que sentes por labaredas e aguardentes queimosas. Repara que só raramente vês neste blogue gente com coragem para defender sem arredar o pé os seus partidos, grupos ou cabalas. Aqui ninguem bebe pelos garrafões de cinco litros da infalibilidade. E é assim porque alguem ou alguma coisa, talvez o instinto, os avisam que correm o perigo de serem salpicados por lamas de erros antigos cometidos por outros.

Mas se aquilo que queres com sinceridade é um aumento da representação parlamentar comunista, ajuda-te e ajuda o teu partido procurando não recorrer à linguagem e ao estratagema dos demagogos politicos sem vergonha. Talvez que para conseguires isso o melhor seria mudares de nome e continuares a aparecer, tocando a flauta do anti-capitalismo sem peias – um estilo musical muito aceitável pela grande parte da rapaziada. O Lopes e o Simões podem baquetear as caixas, pois são excelentes argumentadores. E o mais certo é os três virem fazer história neste blogue.

Alternativamente, também te podes ir acostumando à ideia de que o teu partido é puro ornamento de loiça muito frágil a condizer com o PS e a contrastar fortemente com o CDS para alegrar o olho e dar colorido à “democracia” que caminha a passos largos para nos transformar a todos, sem excepção, em robots. Quando num futuro muito próximo a desmobilização política final for decretada pelos parlamentos centrais e soar a trombeta para pormos o cú ao léu, iremos descobrir numa amarga e derradeira gargalhada que afinal somos anjinhos do mesmo sexo e que temos andado a trabalhar cheios de entusiasmo para o mesmo grupinho de bruxas desdentadas.


Publicado por: Bomba em setembro 19, 2005 10:38 AM

Luis Oliveira
Parece que o crime de Lenine foi ter conseguido levar a bom porto a criação da URSS não é verdade? Para si também, a vitória dum projecto socialista é crime sem perdão. Deverá ter muitas propriedades a defender...mas parece-me que continua a baralhar datas: então a República não caiu uns 13 anos antes do Muro?

Bomba
Mais spin, um pouco tonto convenhamos: além de feios, velhos e maus os gajos (i.e. os comunistas) também são ignorantes, pior só lêm da cartilha, senão têm os chefes à perna. Aparece uma gaja que gosta de variar a leitura e aparecem as bombas logo a malhar. Não vão os outros que aqui espreitam pensarem que afinal os gajos até são normais, que até são gente informada, que até lêem um pouco de tudo e que afinal o Avante até é um belíssimo semanário, em resumo um perigo potencial para as bombas que não sabem fundamentar as bocas que mandam.

Mas na ânsia de dividirem os gajos dos seus simpatizantes até concedem que uns são OK, agora a megera é que não. E as megeras são sempre mulheres. E diz-se de "esquerda" quem assim procede!Vê-se...

Mas não refutaram nada do que argumentei.

Publicado por: Margarida em setembro 19, 2005 01:18 PM

Margarida:

Estou de facto estou a confundir datas. Que República caiu 13 anos antes do muro (com m pequeno se não te importares)? Eu falava da República de platão.

Bomba:

"Aqui ninguem bebe pelos garrafões de cinco litros da infalibilidade. E é assim porque alguem ou alguma coisa, talvez o instinto, os avisam que correm o perigo de serem salpicados por lamas de erros antigos cometidos por outros."

"Tens a certeza que não pertences à Federação Internacional das Bófias Desorientadoras?"

Registo com agrado a evolução, especialmente considerando o teu anonimato ;)

Publicado por: Luis Oliveira em setembro 19, 2005 03:04 PM

E já agora, que somos do mesmo sexo já tinha percebido há muito ó coninha mal educadona.

Essa coisa de pôr o cú ao léu também é uma referência política?

Publicado por: D. João e a mascara em setembro 19, 2005 03:13 PM


Margarida,


Estás completamente passada da cuca, filha. Verdade, verdadinha, não refutam, não senhora, nada do que disseste e não me admira. Mas saberás porquê? Porque é impossivel argumentar com uma grafonola desorientada, com agulha gasta e nome de mulher. Sugiro com a melhor das intenções que te associes imediatamente ao club dos Bigornas de Esquerda. Muito aprenderás com eles, tenho a certeza - mormente no campo do humor que é uma área onde revelas uma indigência de meter dó à própria Quitéria Barbuda.

Publicado por: Bomba em setembro 19, 2005 03:34 PM

Luís,

Não te deixes intimidar pela garganta da Marga, nem te incomodes como o meu anonimato. Numa democracia conspirativa todos têm direito às máscaras.


Máscara,

Pôr o cu ao léu saíu com um equivalente a despirmos as roupas e mostrarmos as escamas do produto natural. Mas se quizeres interpretar isso como uma referência política, também aceito. Até porque os seus podres passam por essas áreas pouco edificantes da anatomia. Basta leres o que em jornais se escreve sobre processos eternais...

Publicado por: Bomba em setembro 19, 2005 03:58 PM

"Numa democracia conspirativa todos têm direito às mascaras". A questão do anonimato na internet não é se deve ser ou não usado, é para que é que é usado. Já me disseste porque usas do anonimato, mas dorme descansado porque eu de facto não sou da "Federação Internacional das Bófias Desorientadoras" ...

Publicado por: Luis Oliveira em setembro 19, 2005 04:18 PM

Margarida, ninguém me disse que não eras burguesa, confesso, e se tivessem dito eu não teria acreditado e até teria ofendido a mãe do mensageiro. Acreditando no que escreves, vou ler nas entrelinhas a informação de seres burguesa e que, para ti, o antónimo de burguês é "rústico".

Temos, assim, que és comunista e burguesa. Essa condição está descrita em variados compêndios de patologias ideológicas e tem um designação científica: "Complexo Zita Seabra". Não há (ainda) cura conhecida, pelo que tens de te resignar a viver nessa mansa esquizofrenia e não te esqueceres de tomar a medicação nas horas certas.

Tens também um apetite voraz pela desmontagem. Desmontas a artilharia contra o comunismo, desmontas a Nogueira Pinto, desmontas isto e aquilo, e eu receio que acabes por te desmontar a ti própria se continuas nesse registo feérico. O que ainda não desmontaste (mas lá chegarás, porque tu és obstinada e tomas vitaminas) é o porquê de nenhuma experiência política socialista ou comunista ter contribuído para a liberdade dos povos que supostamente iria libertar. Sinto, contudo, que vais no bom caminho. Ao citares o Saramago das jangadas a falar de caravelas, estás a uma milha náutica de distância de descobrir o caminho marítimo para a lucidez.

A ideia de uma sociedade sem classes, onde os bens sejam comunitários, é mais antiga do que o cagar de cócoras. Corresponde a uma pura abstracção, onde várias dimensões antropológicas são esquecidas. Na verdade, a sua matriz é teológica, como modelo de uma realidade em perfeito equilíbrio, geométrica. Ora, a biologia nunca ligou a estas mariquices racionalistas e sempre se deu bem com a gestão do caos. Do caos – isto é, das inevitáveis alterações das condições físicas ao arrepio de uma qualquer segurança eterna para os viventes – nasceu a diversidade biológica e, finalmente, a humanidade. Como corolário deste processo cósmico, que talvez compreendas e desfrutes como boa burguesa que reclamas ser, temos a indústria turística e a diversidade de paisagens, flora e fauna para recordação fotográfica. Sim, o Mundo é belo e apaixonante por ser diverso, não por ser igual em todo o lado.

Marx não prestou atenção ao colega do lado, Darwin, por estar com a fronha enfiada na visão hegeliana que lhe cantava a canção da perfeição. Com natural ambição, acreditou poder descobrir "leis históricas", fórmulas fáceis que explicassem a realidade ao mineiro que nem ler sabia. Na fundo, o que a teoria marxista estava a propor era algo que sempre se tinha praticado desde que alguém olhou para a galinha do vizinho e começou a salivar: o roubo. Se há uns quantos que têm quintas, palácios e fábricas e muitos mais que as cobiçam, a solução é o gamanço. Se chamarmos ao gamanço "revolução", nem sequer problemas de consciência vamos ter. Neste ponto, há que reconhecer a excelência de Marx enquanto psicólogo.

E em 2005, Setembro, continuam a palrar aves canoras como tu, Margarida, que tens tido um fartote de atenção. É só isso que procuras, não é?


Publicado por: Valupi em setembro 19, 2005 06:25 PM

Mais uma fuga para o disparate. Não adianta dar troco a quem nem ler sabe mas que é um ex-libris do mais serôdio anti-comunismo. Fique com as suas opiniões que eu fico com as minhas.

Publicado por: Margarida em setembro 19, 2005 10:05 PM


Margarida,

É como muito sinceramente te aconselhei. Arranja um nick como nos tempos de Salazar e volta para os grandes debates sobre socialismo, comunismo, capitalismo e intriga das eminências pardas e religiosas. Esquece os chavões partidários por uns tempos. Aqui, lusos ilusos, andamos todos à procura do tal caminho marítimo para a lucidez, como diz o Valupi - com a picante mordacidade a que tenho a certeza te irás habituar apesar do fosso ideológico que te separa dele.

Publicado por: Bomba em setembro 19, 2005 10:21 PM

Margarida, lamento que tenhas de partir à pressa deste colóquio. Talvez numa próxima oportunidade me possas explicar o curioso fenómeno do culto de personalidade, que em todos os regimes ditos socialistas ou comunistas é mais fatal que os incêndios em Portugal. E também poderás aproveitar para me elucidar em relação à dificuldade que os regimes ditos socialistas ou comunistas têm em admitir mais do que um partido. Suponho que a opção pelo partido único resulte de uma tentativa de simplificar os processos eleitorais, mas tu, muito melhor do que eu, saberá desvendar o enigma.

Publicado por: Valupi em setembro 20, 2005 03:38 PM