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setembro 15, 2005

ADENDA AO MEU POST ANTERIOR

Já esperava que o post anterior levantasse objecções entre professores e não só.
Porém, neste caso específico sou absolutamente contra a posição dos sindicatos (e do PCP) por muitas razões.

- No meu entender, e segundo a legislação laboral, o trabalhador não se pode negar a cumprir o seu horário de trabalho no local de trabalho, caso o empregador assim entenda. Este é um dos princípios básicos do sistema de trabalho da era industrial e objectar contra ele raia a alucinação sindical. O empregado pode e deve (também está na lei) exigir condições adequadas e dignas para desempenhar o seu trabalho nesse local, e por isso os professores têm de exigir condições para fazer o seu trabalho na escola (espaços, recursos, etc.), mas não podem negar-se a cumpri-lo. E, admitamos, dizer que é preciso criar primeiro as condições e só depois aplicar a medida é demagogia básica.

- Hoje em dia as crianças são alvo de estímulos múltiplos (alguns podem dizer excessivos): andam na música, no teatro, na dança, no futebol, em aulas de inglês, de informática, no karaté, etc. Estes estímulos fomentam a curiosidade, a cultura e a inteligência dos jovens e aqueles que a eles têm acesso sem dúvida terão vantagens em relação aos que não os tiveram.
Ora, se estes estímulos só forem dados por entidades privadas (ATLs e escolas privadas), apenas os adolescente das classes média para cima terão acesso a eles, aumentando o fosso entre a educação das várias camadas sociais. Mas se forem implementados na escola pública, tal constituirá uma promoção das classes mais baixas e aumento da igualdade de oportunidades. A presença dos professores nas escolas é um primeiro passo para que estas oportunidades possam ser criadas nas escolas públicas. Os professores devem reivindicar condições para as poderem implementar (mais uma vez: recursos, espaços, mais professores, mais orçamento), mas recusarem-se a fazê-las é uma demonstração de arrogância corporativa, uma afronta à solidariedade social, uma manifestação de ódio aos alunos e a negação da sua dignidade de educadores.

- Muitos dos oponentes desta medida parecem encarar a profissão docente como uma questão de dar aulas e fazer testes. Mas a ideia de professores que só estão na escola para debitar matéria e depois vão para casa corrigir testes e fazer planificações de aula parece-me o assassínio da própria nobreza do acto de ensinar. O melhor professor, no meu entender, não é o que tem melhores planificações de aulas e melhores relatórios de avaliação, mas o que está mais disponível para os alunos, para os acompanhar e ensinar pelo exemplo. E estar na escola é o primeiro passo para essa disponibilidade.

Isto é utópico? Mas não é a utopia que distingue a esquerda da direita?

Publicado por Jorge Palinhos às setembro 15, 2005 10:31 AM

Comentários

Ninguém pode discordar do que disse, seria uma alucinação social. Mas menorizar a docência com um trabalho especilizado e passar a encará-lo mais como um trabalho indiferenciado de assistência terá mais consequências do que mera dignificação da profissão, não acha? Um serviço de assistência e um trabalho especialiado são pagos de maneira diferente e valorizados de maneira diferente...
Mais uma coisa: ódio, arrogância? Não serão palavras demasiado "alucinadas" para o que está verdadeiramente em jogo a longo prazo, mudanças muito mais profundas do que o joguinho governo-sindicatos...

Publicado por: pedro em setembro 15, 2005 11:34 AM

O horário não lectivo no interior das escolas só se tornará "... indiferenciado de assistência... ", se os professores assim o quiserem, a qualidade desse tempo depende deles.

Publicado por: JCV em setembro 15, 2005 12:04 PM

O post que escrevi no meu blogue vai no mesmo sentido.

Publicado por: HFR em setembro 15, 2005 12:05 PM

Nao percebes nadinha do que estas a dizer, mas como es um gajo convencido, continuas! Pareces aqueles gajos de ciencias de educacao, que nunca deram aulas na vida, mas neste pais, sao eles que dao as tacticas aos profes! Eu ja fui profe em varias escolas e sei como se trabalha. Aquilo que eu sei, e que os profes nao tem nada para fazer depois das aulas, os alunos tambem nao os procuram, e aposto que a maior parte do pessoal nao vai ficar a apanhar seca na sala de profes, vao e por-se a andar, porque tambem nao ha fiscais! E e o melhor que fazem, porque aturar canalha durante 5 horas e foda!
Ve la se te poes fino!

Publicado por: luis em setembro 15, 2005 12:13 PM

Palinhos,

Mais uma vez, deciste dar espetaculo numa area que definitivamente nao dominas! Estavas a escrever posts tao giros, das coisas que sabes e vens agora fazer de cao de guarda da ministra...

Nao comentarei nada em particular, como havia prometido anteriormente. Fica so a minha tristeza, por escreveres do que nao sabes. A plus.

Publicado por: random em setembro 15, 2005 12:32 PM

Ja agora. A utopia nao e o que distingue a esquerda da direita, mas enfim... Ficou bonito, ficou bonito.

Publicado por: random em setembro 15, 2005 12:33 PM

O que é que os conceitos de direita ou de esquerda têm a ver com a opinião aqui expressa?

Publicado por: asd em setembro 15, 2005 12:53 PM

Muito de acordo.
Está visto que os poucos professores calões (aqueles que abraçaram o ensino por comodismo ou por falta de outras oportunidades), atiram-te com os galões do "savoir faire", para te calar. Estás a estragar as suas vidinhas.
Esquecem-se que o seu fim último é a excelência no ensino de alunos e que esses alunos são os nossos filhos. É por aí que se mede o seu desempenho.

Felizmente há muitos professores dedicados que nem precisam de normas e horários para serem reconhecidos por pais e alunos como profissionais de primeira.

Já tenho dito que esta Ministra da Educação tem a nota máxima neste executivo e se superar as forças das corporações, fará um excelente trabalho.

Publicado por: carlos em setembro 15, 2005 12:54 PM

"Isto é utópico? Mas não é a utopia que distingue a esquerda da direita?"

Não é por aqui que se vai destinguir da direita. Nisto estamos de acordo: direita e esquerda! É uma questão de senso comum, não ideológica.

Continuem assim, e se calhar ainda começo a levar os bloquistas a sério.

Publicado por: Q. em setembro 15, 2005 01:06 PM

"Mas não é a utopia que distingue a esquerda da direita?"

Jorge, para ti o Lenine era de direita ou de esquerda?

Publicado por: Filipe Moura em setembro 15, 2005 01:10 PM

Pior é a emenda que o soneto...

E já agora, até tinha uma certa razão em relação ao Blasfémias, estes dois textos do Palinhos já estão linkados por lá como leitura recomendada!!

Parece que os liberais partilham dos seus ideais utópicos, vejam-me lá esta... a esquerda assim representada anda mal...

Publicado por: André Fernandes em setembro 15, 2005 01:18 PM

Que fatigante essa história do que "diferencia a esquerda da direita"... Que ilusória a distância! Ainda me parecem todos muito utopicamente imberbes.
De qualquer maneira, só uma achega: o que todos se esqueceram de espalhar além do relatório da OCDE é que os professores portugueses são os mais mal pagos da Europa. Os que mais "cavalgam" de cidade em cidade, por todo o país, de ano para ano. Os profissionais com maior incidência de esgotamentos nervosos. É muito fácil ser-se injusto.

Publicado por: Horas Vagas em setembro 15, 2005 01:36 PM

O que diferencia a esquerda da direita é irrelevante comparado com o que diferencia as sociedades abertas das sociedades totalitárias (e os respectivos apoiantes). Essa, sim, é uma diferença com importância. O resto são pequenas decorações ideológicas sem importância nenhuma.

Publicado por: Pedro Oliveira em setembro 15, 2005 01:50 PM

Filipe:

Não simpatizo com Lenine nem me revejo minimamente na burocracia leninista que esmagou quase completamente a noção de liberdade individual em favor da igualdade.
Mencionei a utopia porque é uma característica que esquerda e direita (vide dois em cada três artigos do JP Coutinho) atribuem à esquerda e porque é uma noção que associo à educação (que assenta na crença que o ser humano pode ser melhorado).

André Fernandes:

Não percebo a fixação na Blasfémia. Não sou assim tão bovino para achar que tudo o que o meu adversário afirma é necessariamente mau e errado, mesmo que discorde de quase tudo o que diz.
Aliás, parece-me que se alguém com ideias diferentes das minhas concorda em algo que eu digo, isso não quer dizer que alguém esteja com "desvios ideológicos", mas que, talvez, estejamos perante uma verdade clarividente.

Publicado por: Jorge P. em setembro 15, 2005 02:02 PM

Já se tinha percebido que esta guerra do Palinhos não tinha nada a ver com o funcionamento das escolas.

Ele agora explicitou que tem a ver com a posição dos sindicatos e do PCP. Não havia necessidade! Já há muitos, muitos anos, que as lutas dos BdE’s (e do PS, PSD e CDS) são contra as posições dos sindicatos e do PCP. Sempre foram. Pois não fizerem manchetes (no Expresso, no Público, no DN, por exemplo) as farolices tipo “Seremos os terceiros”?

Publicado por: Margarida em setembro 15, 2005 02:06 PM

A fixação com o Blasfémias, asseguro, é fortuita. O meu primeiro comentário apenas surgiu porque realmente o primeiro texto mais se assemelhava a um post do referido blog. Depois veio o gozo de o ver linkado... foi apenas isso, garanto...

Agora devo dar muita razão ao que acabou de ser dito. Das duas uma, ou estamos perante um "desvio ideológico", ou perante uma verdade clarividente.

Publicado por: André Fernandes em setembro 15, 2005 02:12 PM

Jorge,
eu não me revejo minimamente que seja em utopias. A retórica do Coutinho tem como único fito descredibilizar a esquerda. Desculpa mas tenho pena que mordas a isca.

É curioso que na tua resposta tenhas referido o ponto que - esse sim - distingue claramente a esquerda da direita: a maneira como resolver a relação (necessariamente conflituosa) entre igualdade e liberdade individual (que é fundamental mas nunca deu de comer a ninguém).

Não cheguei a comentar o teu post. Estou de acordo. E acho óptimo que não sejas "bovino" (eu também não sou).

Publicado por: Filipe Moura em setembro 15, 2005 02:12 PM

Como filho de um professor, antigo aluno (e, actualmente, estudante universitário) e pessoa de esquerda, subscrevo totalmente o seu post. É isso mesmo. A utopia distingue a esquerda da direita. Porém, o modo como a encaramos é, para mim, a mais importante diferença: nós acreditamose e lutamos por ela.

Pedro

Publicado por: Pedro em setembro 15, 2005 02:31 PM

Margarida:

Esse é um comentário de elementar má-fé. Não tenho motivo nenhum em querer descredibilizar sindicatos. Pelo contrário, interessa-me é que eles não se descredibilizem a tentar defender o indefensável enquanto deviam estar a lutar por melhores condições de trabalho.

Filipe:

Qualquer dia discutimos as utopias.

Publicado por: Jorge P. em setembro 15, 2005 02:31 PM

Palinhos
Como não negou nem a sua frase nem as "farolices" deve estar, digamos... com má-visão?

Publicado por: Margarida em setembro 15, 2005 02:42 PM

Na minha escola descobriu-se uma forma fantástica de gerir os tempos não lectivos. Não sabendo o que fazer com as 4+2 horas que os docentes têm de "dar" à escola, determinou-se que:

2 horas são para reuniões, não marcadas no horário
as 4 horas restantes serão ocupadas de acordo as propostas apresentadas pelos professores, detendo o Conselho Executivo o poder decisório na apreciação das actividades projectadas.
Há apenas um senão: uma vez que os professores mais antigos usufruem de redução da componente lectiva em função da idade, considera-se que não faz sentido que cumpram aulas de substituição uma vez que, nesse caso, estariam a anular o direito que lhes assiste. Logo, as aulas de substituição serão necessariamente dadas pelos professores mais jovens -- os contratados.

A ver se percebi: no limite, quem dá 12 horas semanais não pode dar 14; mas quem dá 22 pode dar 24.

Ainda bem que somos todos iguais.

in http://professorsemquadro.blogspot.com/

Publicado por: Santa Cita em setembro 15, 2005 04:48 PM

Aí vai o que poderá ser uma resposta:

http://pilotxxl.blogspot.com/2005/09/meteu-se-com-eles.html

Publicado por: Teofilo M. em setembro 15, 2005 05:41 PM

Mais uma vez o Jorge Paulinhos mete-se onde não percebe nada.
Antes de escrever seja o que for sobre a educação, tente passar uns dias numa escola!
Nem sindicatos nem ministério fazem a ideia da realidade das escolas da actualidade. Em 5 anos mudou tanto...
Um dos problemas da educação pública portuguesa (e talvez o mais grave e menos discutido) é o facto de haver dois tipos distintos de alunos: os que querem aprender e os que não querem.
E são estes últimos que contaminam todo o funcionamento escolar. São estes que desrespeitam professores e funcionários, que estragam o material. São estes que não estudam e que precisam de 2 ou 3 para completar um ano escolar. E são precisamente estes que prejudicam os que efectivamente querem estudar e aprender.
Os mais prejudicados? Os alunos que querem trabalhar. Os tais de médica classe, cujos pais investem no seu futuro e acompanham o seu percurso na escola e que até os inscrevem em escolas de música, teatro, etc...
Os outros, cujos pais simplesmente esperam que regresse as aulas para não terem de aturar os filhos, que esperam pelos subsídios do Estado em casa e que muitas vezes culpam os professores por estes tentarem ensinar um pouco de respeito e regras!!
Mas, óbvio, não convém reter alunos!!! Temos de dizer à OCDE que estamos investir correctamente na educação. Temos é de deixar os cábulas passar de ano, chegar ao 9º ano! Claro, que os conhecimentos adquiridos e as noções sobre a vida em sociedade (que deveriam ser transmitidas pelos pais!) não estão presentes!
Há muitos professores que se aproveitam das regalias da profissão e são estes que dão mau nome à classe. Mas será justo tomar todos por igual e prejudicar todos, inclusive aqueles que se dedicam à escola, ultrapassando já há muitos anos o limite das 35 horas semanais??
Não será isto que também distingue esquerda de direita? Premiar os bons trabalhadores e repreender os maus?
José Mário Silva, volta para a gente. Este blog precisa de um ou dois posts teus, para esquecer-mos este devaneio do Jorge Paulinhos.

Publicado por: nuno em setembro 15, 2005 05:48 PM

Sou Professora de Língua Portuguesa. Preciso normalmente de muito mais de 35 horas por semana para aulas motivadoras, cientificamente exactas e pedagogicamente adequadas. Normalmente trabalho num dos dias do fim de semana, isto quando não tenho testes para corrigir. Este ano tenho que preparar aulas para cinco turmas com perfis diferentes, até aqui nada de novo, tem sido o número de turmas que me é normalmente atribuído , sendo depois o horário completado com Direcção de Turma ou outra função que as diferentes escolas consideraram relevante. Para além destas turmas tenho, este ano, quatro turmas a quem vou leccionar Aulas de Apoio Pedagógico Acrescido, sendo que uma delas não conheço, pois não vou ser professora deles. Se quiser (como me esforço sempre) dar o meu melhor , isto significa que para além das aulas acima referidas, tenho que preparar quatro aulas diferenciadas para estas turmas que acabei de mencionar. Se os Alunos de Apoio forem muito heterogéneos, o número de horas que gastarei a preparar aulas será ainda maior, pois terei que preparar estratégias diferentes para alunos diferentes. Para além disso, incluída no meu horário está ainda uma aula de Estudo Acompanhado com uma turma que não me foi atribuída e cujas características desconheço por completo. Aqui terei que me desdobrar, inventar, pressionar colegas, tudo isto para fazer um trabalho que sei não poderá ter a qualidade que teria se a turma me tivesse sido atribuída. Para completar o meu novo horário de VINTE E OITO horas deram-me um clube, por sinal o tipo de clube no qual me agrada desenvolver actividades habitualmente motivadoras para os alunos. Como não poderia ser de outra maneira, também terei que preparar estas aulas com tempo, pesquisa, dedicação e, sobretudo, imaginação.
Ora, das vinte e oito horas semanais sobram-me SETE horas apenas para fazer tudo isto com qualidade em casa e em sossego. Em Três dos dias tenho que estar na escola sete horas a dar aulas, noutro tenho que lá estar das 8.30 às 17h para dar mais 6 aulas. Sabendo como todos sabemos que, para além dos conteúdos, o professor tem que estar constantemente a combater a indisciplina, como é que a minha cabeça vai chegar serena ao fim do dia para preparar aulas? É que decidi, como retaliação, que este ano NÃO TRABALHO AO FIM DE SEMANA, quero ser uma trabalhadora como as outras!
Ah, faltam ainda os testes, os quais sendo de 90 minutos e contendo sobretudo perguntas de interpretação e compreensão dos textos , para além de uma composição, demoram imenso tempo a serem corrigidos como deve ser, pois há todo um lado subjectivo (e não automático ou mecânico , como em certas disciplinas) a ter em conta. Tenho que parar inúmeras vezes a comparar a interpretação que o aluno X deu com a do aluno Y e com a minha para ponderar a classificação de cada pergunta. Falta ainda referir que, na minha disciplina, ao corrigir um teste, não avalio apenas conhecimentos teóricos adquiridos, avalio o uso do vocabulário, a construção das frases, os erros ortográficos, a acentuação, etc. A cada um destes itens atribuo uma classificação. Não podem imaginar o trabalho que dá e o "stress" que causa.
Ora, senhores Encarregados de Educação e Senhora Ministra e senhores "manda postas de pescada", que faço? Quando estiver a corrigir testes deixo de preparar aulas, pois não terei tempo para tudo? Marco apenas um teste por período para o poder corrigir a tempo de avaliar o aluno? Meus senhores, alguém que me explique, porque já dou aulas há 14 anos e estou perdida!

Publicado por: 1deabril em setembro 15, 2005 06:50 PM

Já estou a ficar farta das vossas parvoíces, por isso, repito por outras palavras, talvez mais claras:

gostava q vocês fossem obrigados a passar uma semana inteira como professores num escola E.B. 2, 3 para pararem de nos atacar. nós fazemos o nosso trablaho em condições que vocês não aceitariam tomar sequer o pequeno-almoço. todos vocês devemm ser dandies, a quem o papá e a mamã dão uma mesada para poderem dizer uns dislates sobre o trabalho sério dos outros. vocês haviam de pegar no vosso traseiro preguiçoso e ir às escolas ver quem é que faz a merda do sistema de ensino funcionar? Será o Ministério, coms as suas sucessivas reformas sem avaliação antes de implementar uma nova e sem querer saber quais os problemas reais que as escolas têm? Serão os pais que, na sua esmagadora maioria só põem os pés nas escolas se os seus filhos forem bons alunos ou nas últimas duas semans de aulas do ano a ameaçar ou a dizer "veja lá o que pode fazer"? serão os professores, que (os empenhados) sempre trabalharam muiiito mais do que as tais 35 horas porque levam o seu trabalaho como uma missão e acham que devem dar o melhor, contra tudo e contra todos?

a vontade que dá é dedicar-me a escrever blogues e desistir. e é essa a vontade que está a dar a muito dos meus colegas.

sejam vis nos vosso ataques e daqui a dez anos quem fica no ensino são os ineptos (como na mencionada albion). eu dou aulas há 14 anos, sempre fiz o meu melhor, acho que isso sempre me foi reconhecido, e agora, netes últimos meses ando a tentar pensar noutra profissão. Estou farta de ser achincalhada por gente que não sabe do que fala, que tem um trauma com os professores desde que andou na escola e que agora anda armada em trauliteira.

Sei fazer mais do que isto e se calhar até ganho melhor e não tenho que aturar a choldra em que este país continua. Um país que, tendo problemas graves, se resolve voltar contra quem devia respeitar e a quem devia querer garantir as melhores condiçoes de trabalho. eu , neste momento, só digo aos meus alunos NÃO QUEIRAM SER PROFESSORES... é que eu também não quero.
1deabril
P.S. o seu primeiro argumento, palinhos, é hilariante: então o senhor sugere que eu passe 35 horas na escola. não me importo, assim até tinha fins de semana mais vezes. mas... quer que vá já para lá? é que , o senhor não sabe, não tem culpa, a maior parte das escolas não tem sequer lugar para as turnmas terem aulas. já dei aulas em arrecadações disfarçadas. voltando atrás, pego na minha biblioteca (vasta e comprada com o meu dinheiro sem o poder deduzir ni IRS) sobre didáctica, levo os dossiês de 14 anos de experiência pedagógica organizada por temas, levo os trabalhos dos alunos, levo os testes e que faço? fico à espera quantos anos cá fora que me dêem condições para trabalhar? ou levo mesmo tudo isto e ocupo a primeira sala que encontrar? ó senhor palinhos, pense. é que há certos assuntos sobre os quais é muito fácil mandar umas bocas e parecer que se reflectiu profundamente durante uma semana. e se fosse só no ensino!

Publicado por: 1deabril em setembro 15, 2005 07:12 PM

Fiz uma pesquisa no Google. A expressão "turmas a quem", surgiu oitenta e sete vezes, já a expressão "turmas às quais" apareceu apenas vinte e cinco vezes. É impressão minha, ou o português anda às avessas?

Publicado por: JCV em setembro 15, 2005 07:14 PM

2 Adendas e uma sugestão.

1. "Dizer que tem de ser primeiro criadas condições e só depois avançar com a medida" pode ser demagógico, mas o que é avançar com a medida sem qualquer estudo sobre a falta de condições? E sabendo muito bem que não havendo as condições para trabalhar, os profs vão ficar as 35 horas na escola SEM PODER TRABALHAR EFICIENTEMENTE e depois ainda ser obrigados a trabalhar em casa?

2. Os profs. até agora tinham algo que a maior parte dos profissionais liberais tem: um horário livre, ou seja, a capacidade (dentro de limites) de determinar quando efectuar as suas tarefas. Obviamente que não gostam de perder essa capacidade, pois isso implica não apenas uma "despromoção social", como um atestado de menoridade intelectual.

A minha sugestão é, simplesmente, atribuir a isenção do horário (fora do horário lectivo) em troca do cumprimento de objectivos (pelos professores e pelos seus alunos). Ou seja, simplesmente a gestão de um profissional.

Publicado por: João Branco em setembro 15, 2005 09:29 PM

-Demagogia é achar que os professores vão preparar as aulas nos páteos à chuva e carregar todos os seus materiais todos os dias, de preferência de transportes públicos (já que se quer reduzir o tráfego de automóveis também). Então muda-se a lei e depois virão as condições? Demagogia muito básica é achar que isto acontece mesmo. Para mudarem as condições teriam que ser os professores a exigi-lo. De acordo. Gostava de ver o seu acordo quando fosse convocada a greve para exigir as condições!


-De facto, os ATL e as actividades complementares são um elemento chave para o desenvolvimento dos alunos e deveriam ser dados a todos nas escolas.

Agora explique-me: de que serve ter um professor de matemática, ciências ou português a dar aulas de música ou de ténis?
Mais informo que para uma aula de música é preciso um quadro de pentagrama, instrumentos vários, uma aparelhagem de som, um piano... Se quisermos dar iniciação musical, claro. se quisermos aulas de instrumento precisamos de professores diferenciados para cada instrumento e um acompanhador para a maior parte dos instrumentos. Ah, e sala de aula! De preferência insonorizada para se poder leccionar na sala do lado.
Para que quer você os professores de matemática na escola a ocupar as salas enquanto os alunos estão na aula de música?

Se quiser antes aulas de desporto, precisa dos campos adequados e dos materiais: raquetes, bolas, pistas de atletismo, etc. Era preciso financiar os equipamentos dos alunos carenciados. Não faz sentido ter por exemplo um clube de futebol em que os alunos são deixados de fora se não puderem comprar o equipamento.
Sabe quantas escolas há onde a disciplina curricular de Educação Física é suprimida por não haver um ginásio com o material mais básico? Como quer dar nessas escolas outras disciplinas?

De qualquer modo os mesmos professores de ciências, matemática ou português podem neste horário dispôr das horas para trabalhar em casa, não vão ser eles concerteza a dar as aulas de atletismo, futebol ou ténis.

Estes são só dois exemplos.

Os clubes diversos (teatro, poesia, cinema, ciências, fotografia, etc) são também excelentes. E já funcionam nalgumas escolas. Mais uma vez, precisam muitas vezes de materiais adequados, salas adequadas e formadores especializados, que não os professores. A ideia de ter os clubes ou as actividades é que sejam diferentes das aulas.
Um clube ou actividade de inglês, por exemplo, é supostamente diferente da aula de inglês! Pensar que a mesma professora, na mesma sala, com os mesmos materiais consegue fazer coisas completamente diferentes é demagógico! A diferença das escolas de línguas está exactamente nos materiais disponíveis e na adequação das salas (com aparelhagens de som, vídeo e televisão, e até computadores).
Mas estes clubes, assim como os apoios especiais já faziam parte do horário dos professores! Já existiam nalgumas escolas!!!


-Quanto aos oponentes da medida, mais uma vez falhou o alvo. Os professores que não se preocupam com as aulas e que nunca perderam mais de 2 minutos a prepará-las não vão começar agora. Os que se opõem a esta medida são precisamente os que gostam dos alunos, querem esforçar-se por CADA UM deles e desenvolver estratégias para CADA UM deles e precisam por isso de tempo para preparar as aulas. Para investigar modos e formas de ensinar, para preparar actividades que possibilitem que as aulas não sejam "debitar matéria". Isso é um bom professor. E esses, sr. Palinhos, nunca precisaram que alguém lhes dissesse que o aluno A ou B precisa de uma hora de apoio especial.
Os outros (que também os há), os que fazem só o mínimo e arranjam baixas por tudo e por nada, vão continuar a arranjar modos de invocar condições especiais e vão continuar a fazer o mesmo que faziam antes. Tanto lhes faz que o horário atribuído seja 22h ou 24, ou até mesmo 35h ou 57h! Não fazem mais do que as que querem...
Quem se queixa que precisa de tempo e condições para trabalhar é quem sabe o que isso é.


-E acho que ainda estamos a esquecer um outro campo da profissão. Os professores têm que manter-se em dia com a evolução da disciplina que ensinam. Um professor precisa de tempo para ler revistas da especialidade e ir a colóquios e manter-se actualizado com as mais recentes descobertas. Precisamente porque uma aula não deve ser só abrir o manual e "debitar matéria".

Publicado por: Helena Romao em setembro 15, 2005 09:54 PM

Caro Palinhos,

Talvez sem querer (estou a ser má...) tenha tocado na tecla essencial.
Ser professor é uma profissão ou uma missão?
Para o ME o professor é apenas um técnico, igual a cem mil outros técnicos.
Para si é uma missão, uma espécie de chamamento secular. Em nome do dever (e da alegria?!) do trabalho deverão abdicar de defender os seus direitos (que actualmente passaram a receber o nome de regalias) como progressões nas carreiras, tempo para pesquisar, preparar e criar aulas.
O relacionamento afectivo faz parte da profissão (como de tantas outras), mas ensinar está muito longe de se resumir aos afectos. Diz que “O melhor professor, no meu entender, não é o que tem melhores planificações de aulas e melhores relatórios de avaliação”, não será…mas uma boa peça precisa de um bom guião. Há mais de 10 anos que passo mais de 2 horas por dia a preparar “guiões” de aula (o que segundo alguns dos comentários aqui expressos, prova que sou especialmente inapta do ponto de vista intelectual). Neste momento estou ocupada a preparar uma “área não curricular” onde tenho por objectivo incentivar os meus alunos a defenderem-se das verdades profundas do politicamente correcto, género “se fizeres greve és mau professor porque prejudicas os teus alunos”.
Ganhei uma missão, e apetece-me dizer que “estou armada” e sou perigosa.

Não entenda isto como uma provocação. Hoje foi o primeiro dia de aulas ( não o meu primeiro dia de trabalho!) e o contacto com adolescentes traz ao de cima o meu lado missionário. Também tenho um lado técnico…
Preparava-me para lhe aconselhar As lições dos mestres de G Steiner, onde ele, se debate com o problema de consciência “como remunerar a vocação?”(é próximo passo… ), mas pelos seus posts, eu aposto que anda a ler.

Publicado por: AR em setembro 15, 2005 10:51 PM

Este post mostra à evidência que não podemos falar daquilo que não conhecemos e muito menos defender o indefensável.
Se no 2º, 3º Ciclo e Secundário os professores fossem para as escolas cumprir as 27 / 35 horas de serviço o sistema entupia. Não há espaço para nem condições para tal.
Preparação de aulas, elaboração e correcção de materiais e documentos de avaliação, actualização didáctica e pedagógica, infelizmente não é possível dentro do espaço/Escola.
O aumento da carga horária é outra demagogia. Só vai servir para mais manifes de pais, que ao deixarem crianças de 5, 6, 7 anos entregues a um professor de bengala empunhada, exijam um professor jovem, cheio de vida, alegre.
Mas enfim... se um ansião tremeliques e xéxé quer exercer o mais alto cargo da nação quem sou eu para dizer que um prof de 60 anos não pode tomar conta de crianças de 5-6 anos.

Publicado por: oragaita em setembro 16, 2005 09:49 AM

Está visto, a moda também pegou por aqui e de "Utopia" a fazer de caixilho.

Uma espécie de repetição da demagogia que ficcionou a realidade vivida nas empresas e que hoje se traduz na consagração de algumas matérias gravosas no altar do Código de Trabalho. Aí está ele em funcionamento, os trabalhadores passaram a ter menos "regalias" - Como alguém escreveu por aqui há pouco, menos Direitos.

Aí está, também, na TV: em Portugal o fosso entre ricos e pobres alargou-se. Mesmo depois do ataque aos "privilégios" dos funcionários públicos, ainda não conseguiram reduzir a distância? Ou será que os "ricos" se escondem noutro lado?

Falemos dos professores.
Não sou funcionário público, os meus direitos resignam-se aos permitidos no Código do Trabalho e no Acordo de Empresa - que eu não tenho a certeza se ainda existe.

Passei alguns anos na escola, tenho filhos que a frequentam, já conheci muitos professores.
Começo por afirmar que já me cruzei com "professores" a quem nem confiaria o cão que não tenho. Mas é em nome destes que se pretende discutir o problema? Não será preferível fazê-lo em nome daqueles que se preocupam, da maioria?

Conheço vários jovens professores que "nasceram para aquilo" e que já têm mais quilómetros percorridos a caminho do trabalho que os gastos no lazer. Cruzam-se na estrada com outros professores que vêm em sentido contrário...

Sei de professores esbofeteados na sala de aula porque tiveram a coragem de dar uma nota inferior à esperada pelo pai do aluno que só naquele dia descobriu o caminho para a escola.

Vi (vejo) as condições das escolas onde andaram (andam)os meus filhos, das pré-fabricadas às aulas de ginástica no recreio porque não havia (não há) ginásio - e vi (e vou ver) os meus conterrâneos a dar o voto a quem preferiu gastar o dinheiro do município em subsídios encapotados a um clube de futebol profissional; vi miúdos a beberem sofregamente o leite escolar, o único a que tinham acesso; vi crianças mal vestidas para o frio e escolas sem aquecimento; vi turmas enormes com alunos de faixas etárias diferentes e com vários níveis de ensino misturados; vi manuais escolares que não diziam nada à etnia dos alunos.
Participei em reuniões promovidas por professores e futuros professores onde estes assuntos foram discutidos, não vi lá a comunicação social.

A propósito de comunicação social.
Há anos um grupo de pais organizou numa sala de convívio de um bairro de Setúbal uma festa intitulada "Viva a Nossa Escola". A professora envolveu-se desde o princípio na actividade, arrastou para a causa o pessoal não docente da escola (todo precário), ensaiaram as crianças. A festa foi à noite, a uma hora bem distante do horário escolar.
Pelo caminho fez-se uma nota à imprensa dando conta da iniciativa da escola. A imprensa não apareceu, mais tarde soube que o que se tinha passado ali "não era uma notícia".
Anos mais tarde, após a introdução de um bairro social na zona, vejo o bairro passar na TV. Agora, as notícias que realmente interessam.
O que é que isto tem a ver?!

Publicado por: CausasPerdidas em setembro 16, 2005 09:54 AM

Nuno:
"Um dos problemas da educação pública portuguesa (e talvez o mais grave e menos discutido) é o facto de haver dois tipos distintos de alunos: os que querem aprender e os que não querem."

Não quero ser chato, mas, o facto de existirem estes alunos que "não querem aprender"´não é uma boa razão para os professores passarem mais tempo na escola tentando fazer com que aprendam?
Ou será que o trabalho dos professores não é ENSINAR?

"José Mário Silva, volta para a gente."

Apoiado, apoiado, apoiado...

1deabril:

"a vontade que dá é dedicar-me a escrever blogues e desistir"

Tendo em conta que os teus comentários são maiores que os meus posts, diria que tens mais tempo que eu para escrever blogs.

João Branco:

"Os profs. até agora tinham algo que a maior parte dos profissionais liberais tem"

Pois é, só que os professores não são propriamente profissionais liberais.

"A minha sugestão é, simplesmente, atribuir a isenção do horário (fora do horário lectivo) em troca do cumprimento de objectivos"

Até parece bem, mas como é que se definem e avalia o cumprimento desses objectivos?

Helena Romao:

"Demagogia é achar que os professores vão preparar as aulas nos páteos à chuva e carregar todos os seus materiais todos os dias, de preferência de transportes públicos (já que se quer reduzir o tráfego de automóveis também). Então muda-se a lei e depois virão as condições?"

Basicamente sim. Ou alguém acredita que o governo ia começar a investir dinheiro numa medida que ainda nem sequer estava consagrada em lei?

"Para que quer você os professores de matemática na escola a ocupar as salas enquanto os alunos estão na aula de música?"

Para explicarem aos alunos que a música nasceu de princípios matemáticos, que o Pitágoras do teorema foi também o Pitágoras da escalas musicais, que muita da música contemporânea feita hoje (Xenarkis, por exemplo) se baseia em fórmulas matemáticas... Enfim, todas aquelas coisas que se aprendem nas "revistas da especialidade" e nos "colóquios".

oragaita:

"35 horas de serviço o sistema entupia"

É uma mentira que os professores tenham de estar na escola 35 horas. Somente 27/28 horas. Pouco mais de metade do horário de trabalho médio nacional de 40 horas.

"O aumento da carga horária é outra demagogia."

A maioria dos alunos do 1.º ciclo, quando saem das aulas ou estão de férias vão para ATLs. Para eles não existe aumento de carga horária nenhum. O que existe é igualdade de oportunidade entre quem podia pagar ATLs e quem não podia (e tinha de deixar os filhos ao abandono ou com avós bem intencionadas mas semi-iletradas).

"Só vai servir para mais manifes de pais, que ao deixarem crianças de 5, 6, 7 anos entregues a um professor de bengala empunhada, exijam um professor jovem, cheio de vida, alegre."

A ideia de os pais a manifestarem-se por professores jovens é ridícula. E a acontecer, não vejo qual é o problema: é uma oportunidade para os professores começarem a exigir reforma antecipada por exercerem uma função de desgaste rápido.


Publicado por: Jorge P. em setembro 16, 2005 11:22 AM

Jorge P.
Gostei muito destes dois 'posts'.

Publicado por: LA-C em setembro 16, 2005 11:47 AM

Mesmo depois de leres este pessoal todo a dizer-te como as coisas sao, nao queres ver a realidade, nao das um bocadinho o braco a torcer, es mesmo convencido, um convencido ignorante, que sao os mais irritantes. Resumindo: um burro!

Publicado por: luis em setembro 16, 2005 11:59 AM

Por muitas justificações que se pretendam encontrar, a verdade é que ninguém gosta de ver o seu horário de trabalho aumentado (sobra menos tempo para dar explicações, entre outros). Se o número de horas lectivas deve ter um limite mais baixo (a actividade é realmente desgastante, a actividade extra curricular é menos cansativa do que a da maioria dos trabalhadores.

Publicado por: JCV em setembro 16, 2005 12:11 PM

Palinhos
A demagogia à maneira agora passou a chamar-se utopia?

Publicado por: Luís Simões em setembro 16, 2005 01:01 PM

Jorge:
"Não quero ser chato, mas, o facto de existirem estes alunos que "não querem aprender"´não é uma boa razão para os professores passarem mais tempo na escola tentando fazer com que aprendam?
Ou será que o trabalho dos professores não é ENSINAR?"
E que pensa que os professores tentam fazer há anos? Em muitos casos, o trabalho do professor não é ensinar, mas dizer aos alunos que aprender é importante!
Acho que a lógica está um pouco invertida. Como em muitos aspectos

Publicado por: nuno em setembro 16, 2005 01:25 PM

Que discussão linda!
Então vamos lá deitar umas "achazitas"...
Pois, cá para mim ninguém tem razão! Ou, pelo menos, a razão toda, como cada um pretende!
Os que defendem as medidas do Ministério estão, de facto, muito longe da realidade e não têm em conta os objectivos do Governo!
Não há uma única medida deste governo que seja digna, que se destine a resolver os nossos problemas, que não tenha como finalidade atacar e molestar os cidadãos, no que é essencial: a sua dignidade; a nossa dignidade colectiva. Nem mesmo estas medidas, relativas ao ensino, embora eu, em abstracto, concorde com algumas delas; como, por exemplo, o ensino do inglês (por mim podia ser uma lígua qualquer, adoptada como comum, na UE) a partir dos primeiros anos de escola e o prolongamento do horário escolar. Curiosamente, esssas medidas vão abranger uma pequena percentagem de escolas...
Mas estou em total desacordo com a forma como os professores são tratados pelo Ministério, nomeadamente quanto ao facto de serem obrigados a leccionar a muitos quilómetros de casa. Para que um trabalhador possa estar disponível para as respectivas funções, convém que não lhe sejam criados, artificialmente, problemas e contratempos, como o faz o Ministério.
Ninguém me convence (neste como em muitos outros problemas da nossa sociedade) que não haja soluções dignas, justas e eficientes, que possam garantir, também aos professores, condições aceitáveis.
Eu, que não gosto de imposições absurdas e déspotas, acho que o cumprimento do horário deve ser rigoroso q.b. para que o profissional seja eficiente... Portanto, o que se deve medir e exigir, com rigor, é a eficiência (incluindo a presença na escola, até às 35 horas, sempre que necessário e justificado)... Há muitos professores que fazem trabalhos espectaculares, com os alunos, mesmo sem terem de estar na escola durante x horas, mas que nunca obtêm o reconhecimento devido.
Para finalizar (se não ainda escrevo mais que o autor do post), mas longe de esgotar a questão, apenas quero dizer que a atitude do governo para com os professores é semelhante à que tem para com todos os outros cidadãos. Portanto, talvez cada um possa "compreender", a partir da sua própria experiência, ou da de pessoas que lhe sejam próximas.
Aquilo que o governo deveria resolver não resolve, os problemas e bloqueios que nos impedem de "avançar" não são "removidos", nem o governo tem qualquer intenção de o fazer (até porque, talvez, o próprio governo faça parte do "pacote").
A educação funciona mal? O que é que funciona bem, neste país? Será possível que a educação passe a funcionar bem sem "mexer" no essencial?
Até sou capaz de acreditar nas "boas intenções" da Ministra, mas é bom para todos que ela deixe de ser ingénua (se for o caso), porque pode estar a comprometer a exequibilidade de medidas impreescindíveis.
Quanto aos professores acho que deviam "parar para pensar" e perceber que não é possível algum sector da nossa sociedade funcionar tão mal, sem que isso afecte o prestígio de todos os respectivos intervenientes. E eu não vejo que sejam apontadas alternativas. Nesta questão os alunos são os menos culpados e os pais são os que temos: se não podem ajudar os filhos isso não pode ser usado como desculpa para a situação do ensino. É apenas mais um problema a ter em conta, a exigir soluções adequadas, mas que não pode comprometere o futuro do país! Um problema que tem de ser erradicado, a começar pela educação e formação dos jovens...
A propósito de "alternativas": Como é que as medidas do governo permitem diferenciar os bons dos maus professores? Ou será que, por cumprir o horário, o professor já pode ensinar nada, falahr completamente, em matéria de eficiência, sem qualquer problema?
E os alunos? Quando é que se institui o sistema de proibir, terminantemente, os "furos" dos alunos motivados pelas faltas dos professores? Se um professor falta alguém tem de o substituir! Para que as escolas não continuem a ser "a casa da mariquinhas", em matéria de exemplo para a formação dos alunos!
Muito mais haveria a dizer mas, embora as palavras também sejam importantes (sobretudo quando se repõem as coisas no lugar), não serão as palavras que vão resolver o problema; desgraçadamente, nem as medidas do Ministério, por ausência de muitas outras condições essenciais.
É preciso começar a analisar estas coisas de fora do controlo, da limitação intelectual, determinada pela conformidade com realidade que vivemos, para não andarmos às voltas, sem sair do mesmo sítio, apesar do muito labor e esforço!.

Publicado por: Biranta em setembro 16, 2005 01:45 PM

Biranta:

"Mas estou em total desacordo com a forma como os professores são tratados pelo Ministério, nomeadamente quanto ao facto de serem obrigados a leccionar a muitos quilómetros de casa."

O problema, Biranta, é que são os próprios professores que se candidatam (durante os concursos) para ir dar aulas para longe de casa.
É verdade que o fazem porque não há vagas nas proximidades, mas também não se podem inventar alunos onde eles não existem.
Reduzir o número de alunos por turma seria uma boa medida, mas isso implicaria aumentar os custos e aumentar as infra-estruturas das escolas (afinal, se toda a gente aqui proclama que as escolas não têm condições para os professores lá estarem, também não devem ter condições para mais turmas...)
Se eu, como não professor, me vejo na contingência de na minha área de residência não haver vagas para a minha profissão tenho de escolher entre mudar de profissão ou ir trabalhar para outro lado.
O mesmo acontece com os professores. Querer que estes, só pelo facto de serem professores, tenham emprego garantido perto de casa não é mais que delírio corporativo.

Publicado por: Jorge P. em setembro 16, 2005 04:05 PM

Amigo Jorge P.
É isso mesmo! Os professores candidatam-se por necessidade. Mas eu disse, e repito, ninguém me convence de que não existem soluções adequadas...
Até porque, avaliando pela minha própria experiência, nunca vi (em algum sector) os responsáveis resolverem os problemas das formas mais dignas, económicas e racionais, bem pelo contrário! Opta-se sempre pelas piores e mais penosas "soluções". Para beneficiar "os amigos", ou apenas porque sim, por uma questão de opção reaccionária, de prepotência. Se isto tem sido assim, comigo, em todos os casos e em todos os sectores, (no trabalho, na justiça, na saúde, na educação, etc.) se não adianta que as pessoas reclamem e se queixem, porque ninguém resolve o que quer que seja, por mais absurdas e irracionais que sejam as situações, porque é que eu hei-de partir do princípio de que os problemas dos outros são tratados de forma mais digna? A única forma racional e digna, de raciocinar é a partir da nossa própria experiência (se não queremos ser tão pérfidos como eles). A minha experiência (e a realidade) dizem-me que nunca se opta pelas melhores soluções...
Além disso, este governo está-se a transformar numa reles e estúpida ditadura de gente sem dignidade nem pudor, porque não é assim que se resolvem os problemas.
O governo só sabe adoptar medidas reaccionárias, de permeio com algumas promessas (e lutas) demagógicas. Mas quanto ao essencial nada faz, porque não sabe nem quer saber, porque, com este governo, quem nos governa é exactamente a mesma máfia (dos piores criminososw que há) que nos tem destruido nos últimos anos.
É necessário alterar este estado de coisas, quer na educação quer em muitos outros sectores. Mas as coisas simples, e fazíveis e claramente necessárias, como a controlo da competência dos professores, através dos respectivos resultados e a proibição dos "furos" não é feito.
É que, com estas medidas absurdas e ditatoriais, gratuitamente repressivas, não se toca no essencial, não se resolve nada, (que é o que as máfias querem), pelo contrário. Ao mesmo tempo fica todo o espaço para o compadrio, para o tráfico de influências, para os apadrinhamentos.
Nem sequer há algum esforço para introduzir alguma organização, que tão importante é para resolver os problemas, não apenas nesta área.
Tudo porque o governo só sabe adoptar a "lei do chicote", porque tem tiques ditatoriais, nazis. Dessa forma nunca se resolveu (nem se resolve) o que quer que seja.
É assim um pouco como no caso dos Incêndios...

Publicado por: Biranta em setembro 16, 2005 04:42 PM

Jorge Palinhos,

"Basicamente sim. Ou alguém acredita que o governo ia começar a investir dinheiro numa medida que ainda nem sequer estava consagrada em lei?"

Isso é muito bonito, mas os investimentos não estão previstos agora nem a longo prazo. NÃO VÃO FAZER-SE! Os professores vão mesmo ficar na escola sem fazer nada!
Além disso, essa sua visão do ensino como missão é bonita, e verdadeira para os bons professores. Mas mesmo esses são pessoas normais e têm direito a uma vida completa, com família, amigos, e tempos livres.

Os alunos têm o direito a que as aulas sejam preparadas e a que os professores possam preparar-se em boas condições. O ME não vai dar essas condições. Devia, sim. Mas não o vai fazer.


"Para explicarem aos alunos que a música nasceu de princípios matemáticos, que o Pitágoras do teorema foi também o Pitágoras da escalas musicais, que muita da música contemporânea feita hoje (Xenarkis, por exemplo) se baseia em fórmulas matemáticas... Enfim, todas aquelas coisas que se aprendem nas "revistas da especialidade" e nos "colóquios"."

A "matemática" da música chama-se Acústica. E sim, devia fazer parte dos programas de Física como faz a Óptica. E seim, seria excelente se as escolas tivessesm professores de música que pudessem preparar essas aulas em conjunto com os de física e que pudessem mesmo ir à aula de física dar os exemplos práticos. Mas não têm. Nenhuma escola que tenha professores de física (secundária, portanto) tem professores de música com preparação em acústica. E os materiais: discos, aparelhagens, instrumentos de cordas para lhes mostrar as experiências de Pitágoras, computadores com software adequado para fazer experiências acústicas?

Mais: uma actividade extra-curricular de música seria obviamente excelente. Mas não para lhes enfiar com mais teoria, mais matéria, mais história. Primeiro há que ensiná-los a ler música (e para teoria e coisas massudas já bastam os ditados e o solfejo...) e pô-los a cantar e a tocar. Depois sim, pode começar a dar-se as primeiras noções de História da Música em relação ao que estão a tocar em cada momento.
A divisão das disciplinas e a teoria fica para quem segue depois essa área vocacional (que, já agora, só existe num colégio privado ou nos Conservatórios).

Já agora, o Xenakis é apenas um exemplo. Também lhes poderia explicar a multiplicação de acordes de Boulez, mas não acha que não é a melhor coisa para começar no primeiro ano? Uma coisa é dar-lhes a ouvir e falar um poucio da obra, outra é obrigá-los a conhecer todas as teorias subjacentes... Essas matérias são dadas actualmente aos alunos de Composição das Escolas Superiores de Música. Acha mesmo que são adequadas a miúdos que estão a fazer o primeiro contacto com a música?
Atenção: estou apenas a falar da análise das obras e explicação dos conceitos matemáticos que lhes dão origem; obviamente que defendo que devem desde o início ouvir toda a música.
Mesmo que eventualmente se queira um dia preparar uma aula sobre esse tipo de assuntos, como curiosidade, para lhes dar a conhecer, é UM DIA em que há um outro professore convidado a ir à aula de música. O professor de matemática ou o de física não precisam de lá estar durante a aula de música e durante TODO O ANO!


Se quiser fazer um atelier de teatro, começa por pô-los a representar um bom texto de que gostem, ou por os obrigar a conhecer todas as teorias de Stanislavky, Brecht, etc e a conhecer detalhadamente a história do teatro grego? Pode ser giro fazer uma sessão com um professor de literatura, por exemplo. Mas não vai entregar a direcção do atelier ao professor de literatura durante TODO O ANO!

Publicado por: Helena Romao em setembro 16, 2005 07:24 PM

Já que o post àlude à posição do PCP, parece-me curial apresentá-la tal como ela é e aqui está, extraída de www.pcp.pt:

Nem normalidade, nem estabilidade, na abertura do ano lectivo
Declaração de Jorge Pires da Comissão Política do PCP
Lisboa, 14 de Setembro de 2005

É nossa convicção que os problemas causados pelo conjunto das decisões tomadas pelo Governo nas últimas semanas na área da educação, não só não resolvem nenhum dos muitos problemas de que padece o nosso sistema educativo, como vão criar níveis de instabilidade nas escolas - ao contrário do que o Governo afirma - incomparavelmente mais graves do que a anormalidade que se verificou com a abertura do ano lectivo anterior. Estamos a referir-nos a decisões que foram tomadas contra o corpo docente que, a não serem revogadas, vão trazer novos e mais graves problemas do que aqueles que já afectam o nosso sistema educativo.

Não vale a pena o Governo - e particularmente o Primeiro-Ministro - insistirem numa estratégia de dividir para reinar, procurando virar a opinião pública contra os professores, porque apenas somam mais problemas aos que já existem e contribuem para aumentar a instabilidade que se vive na abertura do ano lectivo e que certamente se prolongará no tempo.

Nos últimos meses, enquadrada numa ofensiva mais geral contra a Administração Pública e os seus trabalhadores, os docentes foram alvo de uma campanha sem precedentes, em que se procura transmitir uma imagem dos professores que os coloca como os principais responsáveis do insucesso escolar em Portugal.

Desta forma, o Governo PS procura não só colher apoios para as medidas que está a tomar, como procura passar para este sector profissional, as responsabilidades que tem nas políticas educativas nas últimas três décadas. A grande responsabilidade do estado a que chegou o ensino em Portugal é das políticas de direita e essas têm responsáveis: PSD, PS, acompanhados ou não do CDS/PP.

É inaceitável que o Governo não perceba sequer que, com o conjunto das medidas que tomou contra os professores e outras que se prepara para tomar, está a por em causa a dignidade profissional de dezenas de milhares de pessoas, que ocupam uma posição determinante no processo educativo e que sem o seu envolvimento, sem o seu empenhamento e entusiasmo, sem a valorização da sua carreira profissional, não haverá nenhum projecto educativo que tenha êxito. Têm razão os docentes para estarem revoltados. De uma só vez o Governo PS aumenta-lhes a idade da reforma, congela a progressão das carreiras entre 30/8/2005 e 31/12/2006 e rouba-lhes o tempo de serviço neste período, aumenta-lhes o horário de trabalho, altera sem qualquer negociação algumas normas do Estatuto da Carreira Docente, nomeadamente as referentes às componentes lectiva e não lectiva.

Veja-se o que se está a passar com as escolas do 1º Ciclo do Básico. A Ministra elabora um despacho em que decide que as escolas têm de estar abertas até às 17.30 horas e depois que sejam outros, (autarquias, professores e pais) a resolver a forma de ocupar o tempo disponível das crianças após o horário lectivo. A partir de certa hora as escolas passam de espaço de conhecimento e saber e desenvolvimento pessoal, a um espaço assistencialista para mera guarda de crianças, com a consequente desvalorização da função e da profissão docente.

Agora as autarquias que paguem mais uns milhares de contos pelos transportes escolares e porque as escolas não têm meios para contratarem pessoas com qualificações adequadas para as actividades extracurriculares nas áreas das Expressões: Educação Física, Educação Musical, Educação Plástica e Educação Dramática, nestas horas de vazio lectivo fica um docente mais umas horas a guardar 70, 80, 100 crianças, transformando-o num vigilante.

No PCP defendemos uma escola a tempo inteiro, mas não à custa dos direitos dos trabalhadores docentes e não docentes. A escola a tempo inteiro deve ser um espaço e um tempo onde o aluno e o professor gostem de estar, uma escola que não pode ficar apenas reduzida ao professor de turma, onde existam as equipas multidisciplinares, que dêem respostas ao real desenvolvimento das competências a que se propõem os currículos, no quadro de uma Escola Pública Gratuita e de Qualidade.

É revelador do pensamento dominante nesta matéria, a solução defendida pelo actual Presidente da Câmara de Gaia, que defendeu publicamente que as escolas deviam estar abertas até às 24 horas.

Em vez de manipular as justas preocupações da maioria dos pais, que não tem dinheiro para pagar um ATL privado e que por isso se regozijam com a abertura das escolas se possível até regressarem a suas casas, o Governo deveria assumir as suas responsabilidades quanto ao financiamento das escolas do Ensino Básico, que deve ser suficiente para todas as actividades curriculares e extracurriculares. Não basta determinar que as escolas funcionem em horários alargados! É também necessário dotar as escolas com os meios para que isso possa acontecer.

Já que o Governo promete na propaganda - numa nova versão da “paixão pela educação” de tão triste memória - que vai canalizar para o 1º Ciclo do Básico os maiores investimentos, seria um bom ponto de partida a Ministra da Educação emitir despacho suficiente para proibir e acabar de vez com uma prática de muitos anos na generalidade das escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico, que consiste em a escola ter de pedir aos encarregados de educação uma determinada quantia (10, 20, 25 euros segundo os casos) no inicio do ano lectivo, a título de comparticipação nas despesas com material escolar. O Ministério da Educação deve assim cumprir o estatuído na Constituição e na Lei de Bases do sistema educativo quanto à gratuitidade da escolaridade obrigatória.

Mas desenganem-se todos aqueles que pensam estarmos apenas perante um problema de incompetência e incapacidade do governo, na resolução dos reais problemas que afectam o nosso sistema educativo e que colocam o nosso país na cauda dos países europeus, nos níveis de escolarização e de sucesso escolar. O que este conjunto de medidas configura é o ataque à Escola Pública e a real intenção de continuar a aprofundar um processo de alteração qualitativa do conceito de escola, que este Governo, a exemplo dos anteriores, tem vindo a concretizar, procurando com esta alteração que a escola tenha como objectivo central formar indivíduos a pensar unicamente nos interesses do mercado de trabalho, e não que forme os homens e as mulheres de amanhã para a vida activa e também para uma intervenção na vida política, social e cultural.

Para a resolução dos reais problemas da Educação em Portugal é fundamental o desenvolvimento de uma política educativa que assuma a educação como um valor estratégico para o desenvolvimento do País e para o reforço da identidade nacional, como prioridade para um efectivo combate ao abandono precoce da escola, ao insucesso escolar e educativo, e à exclusão social e escolar. Objectivo que exige o investimento numa Escola Pública de Qualidade, com gratuitidade de todo o ensino público como prioridade estratégica.


Publicado por: Luís Simões em setembro 17, 2005 10:37 AM

Presunção e água benta cada um toma a que quer...
De postas de pescada está o inferno cheio (thank God que sou ateu!)

Nada conta exprimir a nossa opinião, tudo contra Nunos Rogeiros a granel...

Publicado por: andré em setembro 18, 2005 05:04 AM

Diz o J.P:

1deabril:

»"a vontade que dá é dedicar-me a escrever blogues e desistir"

Tendo em conta que os teus comentários são maiores que os meus posts, diria que tens mais tempo que eu para escrever blogs.»

RESPOSTA (QUE NEM MERECES)
não tenho o teu tempo , isso não, pois raramente comento como gostaria este e outros blogues. Mas dadas as enormidades do teu post, roubei umas horas ao sono e escrevi e escreverei. Para além disso, o que faço fora das minhas 35 horas de trabalho é comigo, e garanto-te que este ano vou trabalhar apenas essas horas, assim tenho tempo para vir para aqui fazer-te compnhia. Mas o teu comentário acintoso parece sugerir que eu devia era trabalhar 24 horas... ou será ainda q sobre estes assuntos não queres que, nós , os que sabemos do que falamos, exprimamos opiniões? e , sabes, há coisas difíceis de dizer em cinco linhas quando o objectivo não é só provocar só mais uma celeumazinha...

Publicado por: 1deabril em setembro 19, 2005 06:48 PM