« HISTÓRIA DA INTERNET EM PORTUGAL | Entrada | TALENTO OSTENSIVO »

setembro 12, 2005

A MINHA DECADÊNCIA É MAIS ANTIGA QUE A TUA

Portugal is a country that has been in steady decline for the last eight centuries, essentially ever since its birth., diz o Tulius.
Tá bem, pá, mas olha que reparando no primeiro George presidente e no último George presidente, dá-me ideia que se pode dizer exactamente o mesmo dos USA.

Publicado por Jorge Palinhos às setembro 12, 2005 03:08 PM

Comentários

Olha quem fala !!

O mesmo se pode dizer sobre os Posts deste blog !!

Que triste espectáculo de ignorância, ódios de estimação e vazio de ideias !!!


Não sabia que a esquerda em Portugal estava assim tão mal !!!

Não admira, num pais do esgoto, são a elite da sarjeta !!!

cumps

Publicado por: Mr X em setembro 12, 2005 07:10 PM

Ó Mr X!!! Não precisas de pôr três pontos de exclamação!!! Chega um, pá!!! Poupa a tecla, ó histérico!!!

Publicado por: Zé em setembro 12, 2005 09:38 PM

Ó Zé tu és o mesmo do blog da Viuva Negra?

Publicado por: D. João e a Mascara em setembro 12, 2005 09:40 PM

Ando, por exemplo, a ler os teus comentários.

"I wonder how your Professor Pape managed to know from a bit of leg or a section of the intestines that the suicide bomber was not religious?" Há aqui uma questão prévia que é preciso responder: o que é uma pessoa religiosa? Eu gosto de acreditar que sou ateu, dizia Schopenhauer que se Deus fosse marginalmente mais inteligente do que o homem quando contemplasse a sua criação "He would fade into oblivion."; ou quando muito e com muito esforço agnóstico. Mas estou longe de me definir como uma pessoa sem religião. A mãe de Isabel Allende dizia a sua filha que as religiões não são feitas por medida. Suspeito que ela não sabia da missa a metade. Adiante.

"I wonder how your Professor Pape managed to know from a bit of leg or a section of the intestines that the suicide bomber was not religious?" Sendo o referido estudo um estudo supostamente científico (não me acredito que na Universidade de Chicago eles façam a coisa por menos) é necessário perguntar, como faria Popper, se a questão que é posta pode ser aferida por métodos objectivos ou se é antes uma questão existencial ...

Publicado por: Luis Oliveira em setembro 12, 2005 10:15 PM

Ando, por exemplo, a ler os teus comentários.

"I wonder how your Professor Pape managed to know from a bit of leg or a section of the intestines that the suicide bomber was not religious?" Há aqui uma questão prévia que é preciso responder: o que é uma pessoa religiosa? Eu gosto de acreditar que sou ateu, dizia Schopenhauer que se Deus fosse marginalmente mais inteligente do que o homem quando contemplasse a sua criação "He would fade into oblivion."; ou quando muito e com muito esforço agnóstico. Mas estou longe de me definir como uma pessoa sem religião. A mãe de Isabel Allende dizia a sua filha que as religiões não são feitas por medida. Suspeito que ela não sabia da missa a metade. Adiante.

"I wonder how your Professor Pape managed to know from a bit of leg or a section of the intestines that the suicide bomber was not religious?" Sendo o referido estudo um estudo supostamente científico (não me acredito que na Universidade de Chicago eles façam a coisa por menos) é necessário perguntar, como faria Popper, se a questão que é posta pode ser aferida por métodos objectivos ou se é antes uma questão existencial ...

Publicado por: Luis Oliveira em setembro 12, 2005 10:16 PM

Mais reformas...ver em:
http://semiblogue.blogspot.com/

Publicado por: seminome em setembro 12, 2005 11:30 PM

Esta teoria do decadentismo inato e "inescapável", para além de ter barbas, já começa a fartar e muito. Há cento e cinquenta anos quando apareceu a geração de setenta com estas ideias, a coisa era mais ou menos novidade e causou furor intelectual. E é engraçado ler o que essa geração produziu dentro desta linha de pensamento, porque fizeram-no com recurso ao discurso humorístico. Agora que tanto tempo depois se continue a ir por aqui... De uma vez por todas, senhores: esta chave para explicação de um povo é demasiado redutora; já é tempo de passar adiante; nós não somos só Fátima, Descobertas e Fado, pois não?

Publicado por: João Ribeirete em setembro 13, 2005 01:21 AM

Talvez tivesse sido uma boa ideia o Tulius ter começado com o penultimo parágrafo do seu ensaio sobre os feitos e defeitos da Raça. Desse modo talvez tivesse evitado a muita gente que não gosta de humor o trabalho de considerá-lo, à medida que o ia lendo, um néscio que gosta de simplificar e compartimentar a História para a encaixar melhor no espírito da anedota. De qualquer modo, há que admirar a coragem do homem em considerar-se “part and parcel” desse processo velho de 800 anos que oficializa à sua maneira para entretenimento das tertulias nefelibatas. Highly recommended. Three (out of ten) well deserved stars.

Publicado por: Bomba em setembro 13, 2005 09:14 AM

Será que este Tulius pretenderá ser o émulo de outro Tulius que foi escritor na antiga Roma?

É que se for esse o caso, ainda terá de se esforçar um pouco mais, e dedicar-se ao estudo, pois a história de Portugal por ele contada, além de pobremente resumida, cheira-me a prosa à moda de intelectual de mala de cartão.

Publicado por: Teofilo M. em setembro 13, 2005 10:19 AM

Um esclarecimento apenas: a Natural Selections é uma revista do Campus da minha faculdade e, sendo feita e lida por universitários, é impreciso chamar-lhe "revista académica". Os "artigos" nada têm de académico. Não são escritos por especialistas, podem aparecer num registo confessional e não são avaliados por colegas (apenas revistos por uma equipa de editores).
Salta à vista que não sou historiador. Limitei-me a fazer uma brincadeira sobre Portugal, tentando que fosse divertida e minimamente informativa para estrangeiros. Não é um artigo para os "intelectuais" que se passeiam pelo Blogue de Esquerda, nem percebo por que motivo andam a perder tempo com tais leituras e comentários.
O Improp da Faculdade de Ciências, ainda existe? Imaginem que um estudante americano a estudar bioquímica durante um ano em Lisboa resolve escrever um artigo no improp sobre os EUA, num tom autodepreciativo. Seria a situação simétrica e a rapaziada daqui iria adorar. Previsivelmente.

Para o João Rebeirete: No artigo também digo que nada do que escrevo é absolutamente idiossincrático ou original, o que anula uma das suas críticas. É também curioso que fale no decadentismo como criação da geração de 70 (eu diria que a tese é anterior) e no registo humorístico. Foi precisamente esse registo que tentei. Não sou propriamente um dos Gatos Fedorentos e o João pode não ter achado graça ao que escrevi. Agora, não ter reconhecido a tentativa de ter graça parece-me uma hipótese mais delicada e mesmo ofensiva para si. Mas como ando bem disposto faço-lhe o favor de concluir que, na verdade, não leu o artigo. E Felicito-o pelo bom senso! Infelizmente, como por certo compreenderá, isto coloca um problema aborrecido: o João comenta sem ter lido. Na blogosfera tal hábito "já começa a fartar e muito"...

Cumprimentos

Tulius

Publicado por: Tulius Detritus em setembro 13, 2005 10:12 PM

Caro Tulius, acho divertido estar a comentar o seu texto num outro blogue que não o seu, mas siga. Eu não disse que o decadentismo era criação da geração de setenta (afirmação muito complicada), embora por ela tenha sido sistematizado e explorado à exaustão. Repare que esta tese perdurou até aos nossos dias, com actualizações (a referência à história do século XX, que também faz no seu artigo), mas sem alterações de fundo. Veja o Labirinto da Saudade, do Eduardo Lourenço, por exemplo. Como se se tivesse descoberto a chave para explicar a nossa cultura e fosse escusado explorar outros caminhos. A minha opinião é bastante diversa, como já deve ter reparado. O fenómeno cultural é polissémico por natureza. Se esta tese se revelou produtiva e iluminou zonas do nosso ser colectivo, outras haverá capazes de trazer luz a outros aspectos talvez mais interessantes. Por exemplo, a personalidade de D. Pedro tem sido explicada por estas teorias totalizadoras de forma francamente insuficiente. E trata-se de um chefe de Estado, que se imortalizou em lenda. Uma lenda que saltou fronteiras... Tudo isto para dizer que nós não somos apenas decadentes e orgulhosos disso, como dá a entender, e que há outros caminhos possíveis menos obsoletos para dar uma visão de conjunto.
PS: O humor que existe no seu artigo é demasiado pontual para ser considerado. Quero dizer com isto que, pelo menos na minha opinião, o Tulius não diz só piadas (ou aquilo que acredita ser piadas), mas sim coisas sérias no meio das quais surgem apontamentos humorísticos encaixados. O tom geral parece sério e não humorístico.

Publicado por: João Ribeirete em setembro 14, 2005 12:31 AM

Adenda ao PS: O tom geral é humorístico, sim, mas trata-se de humor negro. Ora o humor negro tem como base assuntos sérios e na base do seu discurso está essa linha de pensamento que eu considero obsoleta e esgotada. Fiz-me entender?
Outra coisa que aproveito para esclarecer: a minha reacção intempestuosa (ou aparentemente despropositada) não tem tanto a ver com o texto do Tulius em si, mas com uma forma de ver a nossa cultura que considero dominante.

Publicado por: João Ribeirete em setembro 14, 2005 01:23 AM

Na verdade, a tese da decadência histórica é tão velha quanto a cultura. Encontra-se em Hesíodo, nos Vedas, na mitologia em geral. Corresponde a um fenómeno antropológico universal, o mesmo que na dimensão psicológica nos faz usar da memória selectiva e imaginada para construir uma recordação artificial, narcisicamente mitificada, do passado; "Ah, aqueles pêssegos da minha infância..."

Dito isto, o texto do Tulius é de leitura muito agradável, com um humor convencional a temperar jornalisticamente a resenha histórica da Nação em versão superlight. Como curiosidade, estranhei que tivesse falhado a referência à Paula Rego, aos Madredeus, ao António Damásio e ao Figo (desculpem este cozido à portuguesa), por serem vedetas internacionais e dar para os exibir às visitas. Já agora, gostaria de saber que tipo de acolhimento o artigo teve na comunidade que o leu.

O tema da identidade nacional continua tão fascinante como no tempo do reinado dos Filipes. Só não está claro quem escolher para defenestrar.

Publicado por: Valupi em setembro 14, 2005 02:15 AM

Chegou a artilharia pesada...

Publicado por: Bomba em setembro 14, 2005 04:39 PM

A malta já estava a pensar marcar-te falta ...

Publicado por: Luis Oliveira em setembro 14, 2005 04:46 PM

A crítica do João faz algum sentido, mas apenas quando nos esquecemos que o humor era o meu objectivo. Apesar de ter referências históricas e algum conteúdo informativo, a ideia era mesmo divertir as pessoas. Não vale a pena dramatizar muito a coisa. De resto, a tese do decadentismo também me parece pouco interessante e esgotada. Se a usei foi para romper com um outro traço sociológico que provavelmente não é idiossincrático, mas que é notório: gostamos de dizer mal do país entre portugueses, mas brincar com Portugal diante de estrangeiros soa logo a traição. Esta filosofia de hotelaria irrita-me particularmente e à primeira oportunidade resolvi demarcar-me.

O artigo tem inúmeras falhas. Havia uma limitação de espaço e não pude escrever sobre toda a gente. O critério que utilizei reflecte o meu gosto pessoal e não propriamente a relevância dos seleccionados. Por isso a Paula Rego não aparece (mas seria um óptimo exemplo, até pelo seu percurso e por fazer carreira fora de Portugal); prefiro a obra dos outros dois pintores que refiro. Pelo mesmo critério não falo dos Madredeus e escrevo sobre o Paredes, que me parece superior musicalmente, embora seja pouco conhecido. O Figo também é ignorado, por duas razões: 1) Portugal tem já uma imagem muito forte quando se fala de futebol; 2) escolhi quase exclusivamente artistas, para que os eventuais interessados vão à procura das suas obras; talvefeito pode ser improvável, mas pensar em alguém que vai andar a fazer zapping à procura do Figo depois de ler o artigo é um absurdo. A excepção aos artistas é o Sousa Mendes, mas a referência explica-se facilmente pela forte presença de judeus no campus. A crítica a não ter posto o Damásio é justa. Alguém também se chateou comigo por não ter falado do Pedro Nunes e dei-lhe razão.

A recepção do artigo? Os meus amigos gostaram, o que não diz muito. Os editores da revista também acharam piada. Houve alguns portugueses que ficaram incomodados. Dois ou três estrangeiros disseram que nunca um americano seria capaz de escrever assim sobre os EUA, mas fiquei na dúvida se se referiam à pobreza do inglês ou ao tom autodepreciativo. Ontem um professor de imunologia e eterno candidato ao prémio Nobel estava a ler o artigo no jardim e dava umas valentes gargalhadas. Costuma fazer o mesmo com os meus artigos científicos mas, por alguma razão, desta vez até fiquei contente.

Publicado por: Tulius Detritus em setembro 14, 2005 06:29 PM

Foi o que me faz mais rir, BIGORNIUS.Sabias tu que a classe monarquica Portuguesa, é a mais cornuda neste planeta? E todos os dom Maneis nâo sabem quem sâo os pais? Ja a mâe do dom Henriques, dava castelos e terras aos amiguinhos,e o que me fez recordar, um tipo que a mulher éra toda uma!Mas ele nâo queria nada no castanho;bem vestido, uma lambreta dinheiro nos bolsos la dolce vita! Um dia viu a mulher com outro tipo na cama,ficou indignado, e :foi la que éla lhe disse.A lambreta os fatos:ele nâo deixou continuar,tapa-o tapa-o. Nâo é fectecio,é mesmo real..o que faz que em Portugal existe mais chefes que indianos. Creio que foi Dom Dinis, um outro,ok, que quando Portugalisou a lingua Portuguesa, retirou a palavra cornudo Italiano, por cabrâo Portugues. E para acabar! É esta a razâo que léva os lusitanos para outras terras desconhecidas,ONDE ELES PERPÉTUAM A NOSSA LINDA LINGUA.PS assim que tem dois tostôes nos chenoilles

Publicado por: calhordus em setembro 14, 2005 09:36 PM

Não quero que esta metidela de nariz pareça tão "intempestuosa" quanto a do Ribeirete, mas acredito que o Tulius veio agitar muitos cravos murchos ao classificar o nosso "25" querido de há trinta anos como um golpe de estado. A menos, claro, que seja possivel fazer humor usando a escala Ritcher das fervuras sociais. E pela conversa, os seus artigos científicos também deixam gente inteligente bem disposta. Vamos a isso, Tulius, dê-nos um link e deixe-nos espreitar no panelão da sua alquimia.

Publicado por: Bomba em setembro 14, 2005 09:38 PM

De madrugada, o corpo das palavras parece crescer. Já por várias vezes noto. Era "tempestuosa" que pretendia ter escrito; obrigado pela chamada de atenção.

Publicado por: João Ribeirete em setembro 14, 2005 10:06 PM

Bomba,

O link para o artigo em questão? Está no post do Palinhos e aqui:

http://memoria-inventada.weblog.com.pt/arquivo/2005_09.html#208195

Publicado por: Tulius Detritus em setembro 14, 2005 10:25 PM