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setembro 11, 2005

11.09.2001

Assisti a tudo, como toda a gente, pela tv. As explosões cinematográficas, os corpos a cair no vazio, a derrocada impensável, as nuvens de pó, cinza e restos humanos. Assisti a tudo, com o mesmo assombro e mágoa — repito: o mesmo assombro e mágoa — das pessoas que depois daquelas 3000 mortes, depois daquela destruição absurda, depois daquela cobardia miserável (feita em nome de uma fé que não merece tão desprezíveis prosélitos) vieram dizer-me que viraram à direita por causa deste novo inimigo invisível do séc. XXI: o terrorismo.
Pois em boa verdade vos digo que eu virei ainda mais à esquerda, pelas mesmíssimas razões. Isto é, por saber que este novo inimigo é também o meu inimigo. Com uma diferença: quem virou à direita acredita que a actual resposta ao terror (com psicoses colectivas e guerras injustificadas que não abolem a ameaça, antes a agravam) vai trazer mais liberdade ao mundo; enquanto eu suspeito que o terrorismo foi apenas o pretexto ideal, o álibi caído do céu para tornar o nosso mundo ainda mais paranóico, controlado e à mercê dos grandes interesses económicos ultra-liberais do que já era. E num mundo assim, parece-me óbvio que ser de esquerda, resistente à vaga de fundo que pretende arrancar de uma só vez direitos e garantias — tanto sociais como civis — arduamente conquistados durante o séc. XX, é, mais do que um dever, um imperativo ético.

Publicado por José Mário Silva às setembro 11, 2005 02:02 PM

Comentários

Lindo, Zé Mário!

Publicado por: João em setembro 12, 2005 03:19 AM

Onde é que eu assino por baixo?

Publicado por: Jorge em setembro 12, 2005 12:23 PM