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setembro 11, 2005

RE: RE: PÓS-KATRINA

Eis a resposta a uma resposta do João Miranda:

1) Eu não acredito na "superioridade moral da esquerda" (cliché com barbas) porque não acredito sequer no conceito de superioridade moral. Defendo as minhas ideias o melhor que posso, claro, mas nunca me coloco em bicos de pés. Tenho tanto respeito pelo que os outros sabem como noção daquilo que ignoro.

2) Quanto ao que o Blasfémias tentou justificar, eu digo-te já o que foi (posso tratar-te por tu?). O Blasfémias tentou justificar o desastre que foi a resposta da Administração Bush a esta tragédia, mitigando-a com a conversa de sempre sobre a "responsabilidade individual" e as hierarquias federais. E tentou "justificar o injustificável", como escrevi no meu post do BdE, porque recorreu sempre às fontes que aligeiravam o peso do desastre político de Bush, ignorando olimpicamente todos os dedos que lhe apontaram incúrias, atrasos, omissões, desleixos e coisas piores. A leitura dos últimos dias do Blasfémias está pejada de dezenas de exemplos. Pareceu-me fastidioso especificá-los.

3) É curioso que sugiras que a minha suposta "superioridade moral" me liberta de argumentar e depois respondas à minha acusação com uma única frase: «não se fez no Blasfémias nenhuma "defesa esforçada" porque não foi necessário qualquer esforço». Can you be more specific than that? Não foi preciso esforço porque a papinha já estava toda feita, através dos think tanks e blogues conservadores americanos do costume? É isso? Por favor... Pelos vistos, tenho-vos em melhor conta do que vocês mesmos.

4) Mas há mais. Escreves logo a seguir: «A esquerda, mesmo quando tem uma hipótese de ter razão sobre os Estados Unidos, perde-a logo a seguir, porque, ao projectar nos Estados Unidos os seus próprios preconceitos, acaba sempre a fazer acusações descabeladas a Bush e ao neo-liberalismo». Felizmente admites que dispusemos (ou será que ainda dispomos?) de uma hipótese de ter razão sobre os Estados Unidos. Afinal, um desastre como o do Katrina é mesmo daquelas situações em que é impossível dourar a pílula, por muito que vocês se esforcem nesse sentido. Mas, se não for muito incómodo, gostava que me explicasses em que medida é que eu, ou essa esquerda vaga e estereotipada que sempre evocas, projectamos nos Estados Unidos os meus (ou nossos) próprios preconceitos. Dizes ainda que a refutação «desse tipo de acusações é fácil porque elas nada têm a ver com a realidade». Ah, sim? Então porquê? E, já agora, a que realidade te referes? À da sociedade americana em geral ou ao caos de New Orleans em particular?

5) «O debate entre a esquerda e a direita sobre os Estados Unidos ainda está para começar», afirmas. Não podia concordar mais. O problema é que é difícil debater quando os dois campos partem de posições irredutíveis. Aqui, a mi pesar, creio que o mal se espalha equitativamente pelas aldeias.

6) Desculpa lá, mas recuso-me a repetir mais uma vez que não sou anti-americano. Não tenho que prová-lo, nem a ti nem a ninguém. Garanto-te apenas que não me comovi menos do que vocês com os odiosos atentados de 11 de Setembro. Aliás, por muito que julguem o contrário, vocês não se orgulham mais do que eu dos grandes avanços científicos, artísticos e civilizacionais trazidos à humanidade inteira pelo extraordinário povo americano. E até te deixo um aviso: a insistência na cassete do anti-americanismo só vos fragiliza. Com o tempo, vocês assemelham-se cada vez mais àquela malta de esquerda anquilosada que passava a vida, nos anos 70 e 80, a chamar anti-comunistas a todos os que desmascaravam a fantochada atroz em que se tinham transformado os regimes socialistas do Leste europeu. Vê lá isso. Ponham-se a pau.

7) Finalmente, desviares o teu post para o que escreveu o Daniel Oliveira no "Expresso" foi de uma deselegância que não esperava, vinda de ti. Chama-se a isto, João, misturar alhos com bugalhos. Perdoa o tom bíblico, mas a DO o que é de DO e a JMS o que é de JMS (além de que sabes perfeitamente que o Daniel não tem agora um blogue onde possa legitimamente exercer o seu direito de resposta). Imagina que eu trazia à baila, para terminar este post em beleza, uma opinião qualquer escrita pelo Paulo Pinto Mascarenhas, por exemplo, rematando depois que ela simbolizaria que a direita não discute política, preferindo antes inventar manobras de diversão às quais adapta os seus preconceitos ideológicos. Não seria honesto, pois não?

Publicado por José Mário Silva às setembro 11, 2005 11:25 PM

Comentários

Este JMS com as suas atoardas decrépitas contra a esquerda sofre de infantilismo tardio, senilidade precoce, regressão linear ou tão simplesmente especializou-se em polémicas serôdias?

Publicado por: João Lopes em setembro 12, 2005 11:01 PM

E porque vens cá, ó João? Talvez porque o JMS esteja cheio de razão (sem qualquer superioridade moral) e o insulto seja o mais fácil para quem não a tem...

Publicado por: Marujo em setembro 13, 2005 12:11 AM

João Lopes,
Referes-te a mim (JMS) ou ao João Miranda (JM)?

Publicado por: José Mário Silva em setembro 13, 2005 09:48 AM

No site oficial da IV Internacional (www.wsws.org) está o artigo “Riqueza e pobreza na Rússia moderna” de Vladimir Volkov e Julia Denenberg, de Junho de 2005.

Lá se pode ler que “desde o início da década de 1990, cerca de 8 milhões de russos morreram prematuramente. O índice de mortalidade elevou-se uma vez e meia no decorrer do mesmo período. Em 2003, este indicador alcançou o ponto alto de 16,4 mortos por 1.000 habitantes.”
Diz ainda:
“na União Soviética para a maior parte do povo a situação era substancialmente melhor do que a prevalecente na Rússia contemporânea. Hoje, o salário médio cobre apenas 27% das necessidades de sustento de um adulto (...) a assistência à infância custeia exactamente 3% dos gastos indispensáveis de uma criança, e a pensão mínima chega apenas a 46% dos gastos médios de um pensionista.
Na União Soviética, o salário mínimo alcançava UMA VEZ E MEIA o mínimo necessário do consumo. O salário mínimo russo teria de ser triplicado para que cobrisse o nível médio do consumo”. (...)

São estas e (outras) realidades da URSS – nomeadamente a de o salário mínimo alcançar uma vez e meia o mínimo necessário do consumo – a que o JMS chama de “fantochada atroz”, isto é realidades do regime socialista que antes da década de 1990 vigorou na URSS.

Sobre as realidades do regime capitalista que desde então lá vigora, nomeadamente as descritas no artigo que repito está no site oficial da IV Internacional, o JMS nada diz, designadamente sobre os cerca de 8 milhões de mortes prematuras, o altíssimo índice de mortalidade, os salários médios que cobrem apenas 27% das necessidades de sustento, as pensões que cobrem apenas 46% dos gastos, etc., etc., etc.

Chamar de esclerosado ao JMS é pouco. Chamar-lhe de “esquerda” é um insulto a toda a malta de esquerda.

Publicado por: Margarida em setembro 13, 2005 12:50 PM

Para quem quiser ler uma análise sem ideologia dos efeitos ideológicos pós-Katrina:

http://www.newswise.com/articles/view/514458/?sc=dwhn


A comunidade afro-americana pobre vista por dentro, como pessoas.

Publicado por: Valupi em setembro 13, 2005 03:02 PM

Eu gostaria de ir ao baile com a Margarida e o Lopes, mas primeiro gostaria de saber o que é que eles são. Da primeira, da quarta, ou da Internacional que aboliu menções à ditadura do proletariado para agradar aos regulamentos do chá-dançante moderno? Uma pessoa tem que vestir os fatos próprios às cerimónias, especialmente nestes tempos de governos capitalistas a abarrotarem com ex-admiradores do marxismo. Não precisam de nos revelar o ano do abraço inicial à causa, mas espero que concordem que convém nestas coisas de lavar roupa suja com a ajuda de estatísticas.

Publicado por: Bomba em setembro 13, 2005 06:56 PM

Porque venho cá, pergunta o marujo sem conseguir esconder a irritação e adiantando logo que o JMS está cheio de razão?

Parece-me um marujo de águas muito paradas. Pára por aqui e aqui parece ficar. Por isso deve-lhe ter escapado o reparo do Luís Osório, no dia 4, no causa-nossa, de que “o grande problema da extrema-esquerda é ter como principal adversário, agora como no PREC, o PCP”.

Ou até mesmo não deve ter percebido bem o sentido da frase final do interlocutor favorito do JMS, o JM, que se adapta a várias equações: “a esquerda não discute (os regimes socialistas do leste Europeu, o PCP, por exemplo…), mas uma ficção criada (e que vai recriando) para se adaptar a preconceitos ideológicos”.

E eu venho cá (e a muitos outros sítios) para ver em que param as modas, para topar a onda. E para repor alguma verdade quando tenho pachorra para tal e há caixa de comentários. Com a superioridade moral de ser filho de boa gente (a gente do PCP) e de por isso me sentir quando a insultam.

PS: Claro que o JMS sempre soube que era a ele que me referia.

Publicado por: João Lopes em setembro 13, 2005 08:33 PM


Ó Guida,

Agora que já sabemos que o Lopes pertence às boas famílias de superioridade moral do PCP, só estou à espera que me digas se foste ou não foste à festa do Avante só por uma questão de solidariedade proletária. Não tenhas vergonha de dizer à malta que és partidária da revolução permanente, ou essa doutrina também já foi revista (assim do género de ir à viola)como tantas outras?

Olha, eu sou muito atreito a infecções por teorias de conspiração, não te esqueças. Assim uma espécie de gajo que se interessa pelas merdas que as indústrias farmacêuticas andam a preparar nas nossas costas, de acordo com os programas. Não nos preços, isso deixo para ti e para o LOpes, mais incomodados com as reivindicações dos operários dos laboratórios.

Portanto, não te inibas. Se voltares não te esqueças que tenho comigo uma espécie de menu servido aos milhares de responsáveis do PC Soviético no Kremlin em 1920 quando o povo andava a morrer à fome pelas ruas de Moscovo, depois da gloriosa revolução.

E isto para não falar do Tio Florindo, amigo do meu tio, que viveu em Moscovo nos anos sessenta e contava histórias tristes de não ter acesso aos armazens de comidinha da gente importante do Partido.

Publicado por: Bomba em setembro 13, 2005 09:49 PM

A bomba fala dos anos 20 e dos anos 60 e eu pergunto-lhe quando é que chegará ao século XXI? É que já estamos em 2005, isto é dezasseis longos anos depois da vitória do capitalismo no leste europeu e os índices que já se conhecem das condições de vida da população já dão para fazer comparações.

Mas as bombas, os marujos e os JMS continuam a falar como pelos vistos falavam há 40, 30, 20 anos atrás (pelo menos) e fogem da análise concreta, real, dos factos. E se para aqui trouxe um artigo do site da IV posso-lhe recomendar outros, nomeadamente o relatório do PNUD de 1999.

Ou acha que estes casos de "transicção" do socialismo para o capitalismo não merecem ser estudados com objectividade?

PS: Quanto à Festa estive lá. Estava boa, encontrei muitos amigos e até por lá comprei uns livros que escandalizaram tanto a adepta da IV e jornalista do Público Ana Sá Lopes que pensa que a malta do PCP só lê os das editoriais Avante e Caminho...

Publicado por: Margarida em setembro 13, 2005 10:55 PM

Margarida, eu até acho que à queda da URSS sobreveio um capitalismo selvagem e uma ultaliberaliação que em nada contribuíram para o crescimento económico da rússia. Mas gostava de saber como estaria o país se tivesse permanecido comnista. Teria aparecido, por milagre, inúmeros bens de 1ª necessidade nas lojas? viveria o povo em casas um pouco maiores do que aqueles cubículos minímos onde as famílias se acumulavam? E os goulags, os mísseis virados a Ocidente, o KGB, a proibição de visitar países que não os comunistas, continuariam no mesmo pé?

Publicado por: João Pedro em setembro 14, 2005 01:39 AM

Margarida,


Agora que já sei que que bebes pelo mesmo copo que o Lopes, só te peço é que não me chames mãezinha como ele. Não fujo da análise concreta e real dos factos, como tu me acusas e também acho que as coisas devem ser estudadas objectivamente. De facto, são os factos não declarados que me interessam. Daí que as análises também terão que ser diferentes. Mas ouvir comunistas a repetirem essas palavras incansavelmente faz-me pensar que nada mudou e que ainda andam a ser mordidos pelo mesmo bicho que mordeu o tio Florindo nos anos sessenta.

O que me fez vir aqui teve mais a ver com maneira arrogante como atacaste o ZM do que tem a ver com os principios politicos que tão ardentemente pareces defender. Porque, repara, apesar de todos os defeitos ou desvios em matéria de “ideologia” que possas encontrar no ZM, há neste blogue que lhe pertence liberdade para se falar que nunca passou sob os narizes nem sequer dos leitores do antigo Crocodilo de Moscovo. E para tua informação já tenho visto o ZM defender gente do PC contra rabanadas de vento da direita que se assemelham às tuas na febre e na intensidade.

Pois podes deitar abaixo o capitalismo e a direita as vezes que quizeres que isso a mim não me incomoda porque não durmo com eles. Mas quase que tenho a certeza que, na hipotética situação de um dia vir a ser um cidadão da nação onde fores a mandona da Internet, não terei liberdade para escrever coisas como esta.

E, pois claro, acredito na estatistica dos milhões que morreram e vão morrendo prematuramente na Rússia capitalista. Mas não estorves o direito de lembrar os que igualmente esticaram os pernis contra as suas vontades durante a vigência do teu sistema preferido, oficialmente apregoado como defensor do bem-estar e felicidade das maiorias trabalhadoras. Desisto de pormenorizar para não te causar arrepios.

Acusares-me que ainda não cheguei ao século XXI e que gosto de voltar atrás para basear as minhas críticas sabe ao pior prato requentado servido em restaurantes de terceira. É o teu partido que volta atrás mais do que ninguem sob qualquer pretexto, quantas vezes lhe dá na gana e quando lhe interessa, porque o seu presente depende do passado. Aliás tiveste uma uma prova disso com as palestras na festa do Avante a lembrarem-te pela milhérima vez da grande victória contra o nazismo e do papel preponderante dos soviéticos nessa victoria. De facto, nisso não diferem em nada do capitalismo e da direita que inundam os nosso televisores com propaganda para educar criancinhas, carregar as baterias aos velhotes e aborrecer o resto. Só que em alturas dessas o clamor contras as barbaridades do nazismo e os vivas ao heroismo do soldado russo afogam e abafam completamente as verdadeiras causas da guerra e a participação activa dos victoriosos nas barbaridades cometidas.

Para mim, as opiniões daqueles que servem um partido ou uma organização com fins politicos são todas sem excepção dignas da maior desconfiança. Argumentar com os seus portadores, neste caso da esquerda, é na maior parte das vezes trabalho perdido. O melhor é deixá-los aprender à sua conta. Uma cabeçada aqui, um tombo ali, uma desilusão acolá. Uns salvam-se e ficam como eu a aprender todos os dias no mexerico das ideias, outros morrem novos ou velhos a apertarem ilusões contra o peito. E se tu um dia, Margarida, perderes interesse em ir à missa, já sabes que não precisas mandar-me um postal a agradecer.

Publicado por: Bomba em setembro 14, 2005 11:53 AM

Por absoluta falta de tempo só breves reparos:

1 - Ao João Pedro que confrontado com as mortes prematuras e a onda de miséria que atingiu dezenas de milhões de cidadãos – trabalhadores, crianças e idosos – reconhece que o capitalismo não contribuiu para o “crescimento económico” (deve ser humor negro!) mas se esqueceu das centenas de multimilionários e de oligarcas que gerou…

2 - À bomba que acha normalíssimo o JMS usar termos ofensivos contra todo um colectivo mas que me acha arrogante por lhe devolver esses mesmos termos, que parece incomodada por eu ter lembrado alguns dos males do capitalismo recente e para compensar vem lembrar os males antigos dos países socialistas e que desconfia dos militantes de todos os partidos (como se isso em si não definisse já uma postura ideológica) e em particular dos que por cá lutaram como podiam e sabiam durante os quase 50 anos de fascismo. E que preemptivamente já acautela os demais que aqui vierem espreitar contra a hipotética “mandona” da net…

Como disse o outro e bem, não discutem nem o PCP nem os regimes socialistas, nem o que se passou, nem o que se passa, mas uma ficção criada para se adaptar a preconceitos ideológicos.

Se logo à noite tiver condições, pormenorizo.

Publicado por: Margarida em setembro 14, 2005 01:28 PM

1 - O João Pedro disse que o capitalismo nada contribuiu para o “crescimento económico da Rússia. Vejamos segundo as consequências económicas segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano para a Europa Central e de Leste e Comunidade de Estados Independentes, do PNUD de 1999:

No início da década o ataque às economias socialistas desenvolveu-se em larga escala. O sistema de controlo e regulação de preços foi desmantelado, o que originou uma “explosão de preços sem precedentes pela sua duração e número de países afectados” (p. 13) e o disparo brutal da inflação (nos países menos afectados, como a República Checa, Eslováquia e Hungria, a taxa de inflação rondou os 62%, noutros 22 países a taxa foi de 100% no mínimo durante um ano, enquanto nos restantes 15 países esta taxa foi no mínimo de 1000% ao ano! (na Geórgia chegou a atingir os 18.000% em 1994!). Na Rússia a subida de preços em 1992 (1 ano depois do fim da URSS) foi de 1353% (p. 14).

A terapia de choque - assim ficou conhecida a liberalização selvagem e o processo de privatização e usurpação da riqueza e erário público - teve consequências devastadoras para o aparelho produtivo e economia dos países em questão. “Nem sequer durante a Grande Depressão dos anos 30 se assistiu a uma queda tão acentuada no rendimento”, observa o relatório (p.15). Na Federação Russa (FR) a produção industrial decaiu 38% e o PIB 41% entre 1990-97, enquanto na Ucrânia a quebra do PIB em igual período foi de 58% continuando a descida depois de 97. Na totalidade da CEI (Comunidade de Estados Independentes) o PIB decresceu 45% de 1990 a 97! (p.16). Números avassaladores.

O investimento sofreu uma quebra acentuada. Na Federação Russa (FR) o investimento financeiro diminui 75% entre 1990-97 (quadro de balanço da FR). Nalguns casos a quebra foi tão acentuada que o investimento líquido foi negativo (p. 17).

2- Pergunta ainda o João Pedro como estaria a Rússia se permanecesse com o mesmo regime, que era socialista e não “comunista” como escreveu. Olhe bem para os índices acima descritos, repare como estavam nessa altura a China, o Vietname, o Laos e Cuba, por exemplo, e tire você a conclusão. Fala de falta de bens de 1ª necessidade e de casas pequenas. Os trabalhadores e os reformados vivem agora em casas maiores? Comem melhor? Antes não havia fome, agora é o próprio relatório do PNUD que fala em situação de gravíssima de depressão populacional e demográfica que afirma ser “difícil imaginar que algo similar pudesse alguma vez ter acontecido em tempo de paz e numa região tão vasta” (p. 42).

“A transição impôs às pessoas um custo pesado não apenas em termos do aumento da doença, da mortalidade e de uma esperança de vida menor, mas também em termos da ruína social que se reflecte no incremento do consumo de álcool, na subida drástica do consumo de drogas e no aumento da taxa de suicídios” (p. 43).

O aumento da taxa de doenças é outro dos aspectos focados no relatório que constata que muitas das doenças que estão a ressurgir poderiam ser contidas com programas de vacinação (p. 45). Na Rússia e Ucrânia a difteria reapareceu para atingir proporções epidémicas, enquanto a tuberculose duplicou na Rússia entre 1993-94. Idêntico cenário para as doenças sexualmente transmissíveis: na Rússia a sífilis cresceu de 4 para 172 (por 100.000) entre 1989-95 (p. 46). O PNUD recorda de novo que muitos dos problemas neste capítulo poderiam ser resolvidos ou limitados por um sistema de saúde público e funcional (idem).

A vulnerabilidade das crianças tem aumentado durante a “transição” devido ao dramático aumento da mortalidade dos adultos, da taxa de divórcios, de suicídios e às novas epidemias como a SIDA. O resultado é o crescimento do número de crianças de rua e em orfanatos (p. 6). Aliás, é sintomático que actualmente na FR existam mais crianças abandonadas do que no período posterior à 2ª guerra mundial.

Como afirma o relatório do PNUD a “transição para a economia de mercado foi literalmente letal para uma vasta camada da população” com “consequências devastadoras para o desenvolvimento humano” (p. 43).

3 – Por fim fala nos goulags esquecendo-se certamente que o Estaline já morreu há mais de 50 anos e que o Krutchov que o substituiu procedeu já há mais de 50 anos à regularização de toda essa situação, fala ainda nos mísseis virados a Ocidente esquece-se dos mísseis Pershing virados contra a URSS e principalmente esquece-se que foi a luta dos pacifistas e dos comunistas de todo o mundo (e de cá também) e a proposta do então presidente da URSS que levou na Cimeira de Reykjavik na Islândia, em Outubro de 1986 a que os então Presidentes dos USA e da URSS estabelecessem o acordo para o desarmamento. Repito, em Outubro de 1986!

E inevitavelmente teria de falar do KGB, esquecendo-se que todos os países têm serviços secretos (alguns até mais do que um), mas principalmente nem se lembra das atrocidades e ilegalidades que hoje a CIA comete em Guantánamo e em dezenas de prisões espalhadas pelo mundo e particularmente no Iraque e no Afeganistão. Já para nem mencionar o seu papel (e o dos serviços secretos paquistaneses) na formação, recrutamento, treinamento e armamento da Al Qaeda e dos talibãs.

Como também teria de falar na proibição de visitar países “que não comunistas”. Mais uma vez se esquece dos desportistas, artistas, cientistas, etc., que participaram em todos os eventos internacionais em todos os continentes, também se esquece dos milhares e milhares de judeus autorizados a emigrar. Mas é muito curiosa essa sua observação quando ainda há pouco mais de duas semanas tantas dezenas de milhares de residentes em Nova Orleães nem para o estado vizinho conseguiram viajar. E quando os emigrantes cubanos que residem em Miami, a uns 150 Km de distância só podem visitar a família em Havana de 4 em 4 anos e com o dinheiro contado…e quando obviamente qualquer cidadão americano está proibido de viajar até Cuba…

Publicado por: Margarida em setembro 14, 2005 09:23 PM

Só para a sua reflexão deixo à bomba alguns números que exemplificam o preço que os povos pagaram com a II Guerra Mundial, onde morreram 50 milhões de pessoas, das quais 38 milhões na Europa:

URSS – 20 milhões
Alemanha – 6 milhões e 500 mil
Polónia – 5 milhões
Jugoslávia – 1 milhão e 700 mil
França – 600 mil
Itália – 500 mil
Roménia – 500 mil
Inglaterra – 350 mil
Checoslováquia – 340 mil
USA (na Europa e na Ásia) – 300 mil

Na Ásia:
China – 10 milhões
Japão – 2 milhões e 350 mil

As bombas atómicas americanas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki causaram em 300 e 400 mil mortos

Nos campos de concentração nazi morreram cerca de 11 milhões de pessoas, das quais 6 milhões eram judeus:
Auschwitz – 4 milhões
Maidner – 1 milhão e 500 mil
Treblinka – 781 mil
Dachau – 500 mil
Mauthausen – 133 mil
Buchenwald – 52 mil

Publicado por: Margarida em setembro 14, 2005 09:45 PM

Margarida, Margarida! Nem me dou ao trabalho de comparar a tua lista com montes doutras na Net ou nos meus livros, mas tenho a impressão que estás a reduzir um pouco o custo em vidas para a Alemanha, a aumentares ou a misturares a Polónia com Auschwitz e a ignorares a substituição da chapa nos portões deste ultimo campo de concentração, revendo e reduzindo substancialmente o numero de vitimas. Espero que não tenhas encontrado estes números numa edição do Avante de l954. Mas continua, pelo menos mostras respeito pelas atrocidades.

Publicado por: Bomba em setembro 14, 2005 11:31 PM

Se não comparou, compare, mas não mande bocas infundadas.

Publicado por: Margarida em setembro 15, 2005 12:36 AM

Ó Margarida:

É verdade que O POVO Russo fez sacrifícios enormes durante a II guerra mundial (muitas vezes esquecidos), agora usar esse esforço para defender um regime que também ele brutalizou o povo Russo é que me parece de uma certa criatividade argumentativa.

Publicado por: Luis Oliveira em setembro 15, 2005 12:59 AM


Parece que vou ter que pôr mais capítulos do Relatório do Desenvolvimento Humano para a Europa Central e de Leste e Comunidade de Estados Independentes, do PNUD de 1999, para o Luís Oliveira perceber quão criminosa foi a vitória do capitalismo para o povo do leste europeu. Aqui vai o que o PNUD diz sobre a:

Crise demográfica e populacional

“Uma crise populacional sem precedentes afecta quase todos os países em transição”, afirma o relatório (p. 39). O decréscimo da taxa de natalidade e o aumento da taxa de mortalidade provocaram um decréscimo na taxa de crescimento populacional que em muitos dos países da região se tornou negativa. Em consequência do colapso económico muitos países confrontam-se com uma dramática contracção demográfica.

“As tendências na esperança de vida são particularmente alarmantes” refere o relatório. Na FR a esperança de vida nos homens é de 58 anos (diminuição de 4 anos entre 1980-1995), dez anos menos do que na China, realça o PNUD (p. 41).

“O declínio populacional é um sinal claro do aumento da insegurança humana na região” (p. 39). O “decréscimo dos rendimentos médios, o aumento da desigualdade de rendimentos, o incremento da insegurança, incerteza e desemprego e a deterioração dos serviços sociais incluindo os serviços de saúde, conduziram à diminuição acentuada da taxa de natalidade na quase totalidade das economias de transição e ao aumento da taxa de mortalidade em muitos países”, salienta o PNUD (p. 40), para depois reforçar: “há uma clara associação entre a amplitude do decréscimo dos rendimentos médios e a profundidade da queda da natalidade”. O relatório nota que a baixa da natalidade nos países da região não é um sintoma da melhoria das condições económicas, como acontece noutras partes do mundo, mas sim da aguda depressão económica (p. 41).

Para o PNUD, esta interpretação é suportada pela evidência da evolução das taxas de mortalidade que acusam uma subida especialmente elevada na Ucrânia e Rússia. Na FR a taxa de natalidade desce de 16 para 9 (por 1000), enquanto a taxa de mortalidade sobe 4 pontos passando de 11 para 15 entre 1980-95. O relatório constata que em 1995 a taxa de mortalidade na China, Vietname e Mongólia era menor que na esmagadora maioria dos países da ex URSS e Europa Central e Oriental.

PS: A um povo que perdeu 20 milhões de habitantes numa guerra em que foi invadido, chama você "sacrifícios"? Haja decência!

Publicado por: Margarida em setembro 15, 2005 01:41 AM

Não está em questão o facto de depois da queda do comunismo os cidadãos dos países de leste terem sido obrigados a fazer sacrifícios. O que está em quesãO é uma forma redutora (para não usar outras palavras menos decentes) como a história desses países é discutida por certos sectores ideológicos (ou deverei dizer partidários?).

Publicado por: Luis Oliveira em setembro 15, 2005 02:09 AM

Margarida,

Sabes quem é que me fazes lembrar? A freira do convento de Alcalá, uma francesa chamada Ursule de la Croix, que resolveu confessar à Inquisição que comia carne as sextas-feiras. Como era boa rapariga, perdoaram-lhe. Mas mais tarde, porque queria estar de boas relações com Deus, resolveu confessar novamente que ainda continuava a gostar de carne às sextas. Os inquisidores, dessa vez, foram um pouco mais duros com a reincidência e deram-lhe um pequeno castigo e mandaram-na embora. E não é que a sonsa da religiosa não resolve voltar uma terceira vez e confessar que ainda andava a comer febras de porco nesse dia sagrado! E claro que os inquisidores, cabrões como a gente sabe, dessa terceira vez não lhe perdoaram. Mandaram queimá-la.
Mas eu como não sou inquisidor, vou arranjando pachorra para desmamar crianças como tu que gostam de tocar as sinetas das histórias fabricadas. Com a condição de que se quizeres continuar a badalar comigo não me venhas dizer que ando a mandar “bocas”. As minhas bocas são tão (diria mais mas quero ser democrático) fidedignas como as tuas, mesmo com a chancela dos teus camaradas do comité central.
Há muitas maneiras de discutir estes problemas da segunda guerra mundial, mas admito que estou em desvantagem, porque a tua descrição do blabla histórico está protegida pelo departamento das coisas politicamente correctas que arrancam as palmas aos nabos e ganham os votos das maiorias anónimas. Por isso vou ter muito cuidadinho com a língua não vá algum idiota começar a chamar-me nomes que não mereço, assim um pouco pior que o estilo que estás a adoptar.
Se quizeres perder um pouco de tempo, na Internet há de tudo sobre a segunda Guerra Mundial, que foi, não me custa a crer, consequência e sequência planeada da primeira. Na internet encontras de tudo e às carradas. Encontras a visão do historiador de nomeada e a do papagaio que copia doutro que por sua vez tem o cuidado de não se esquecer de como é que os dirigentes do seu partido pensam. Mas felizmente há muito para se ler e para aprender e dá gosto verificarmos que nem todas as provas dos factos foram destruidas. Não são só histórias sobre os cientistas alemães que os americanos levaram para a Califórnia. Os Russos também levaram as V2 pra terra deles e ataram quatro com um cordel e meteram uma cadela lá dentro e apresentaram isso como uma grande vitória da ciência socialista. Ainda podemos, por exemplo, ler documentos que nos afiançam que só faltou cagar em cima dos soldados da Alemanha vencida - uma coisa contrária até às convenções internacionais cozinhadas pelos militarismos. Dos campos de concentração onde meteram milhões de soldados alemães e onde morreram centenas de milhares (depois da guerra acabar, note-se) não falam as histórias oficiais. Nem anda por aí para as crianças lerem a opinião de Roosevelt, grande aliado e amigo da União Soviética, segundo a qual o povo alemão, não apenas os nazis, devia ser “castrado”.
Ok. Sei o que vais dizer. Mas os nazis blablabla blablabla, tiveram a culpa. Bla bla bla. Muito boa rapariga, muito comunista e tudo isso. Mas o que é que tu sabes de intriga política e da guerra de intrigas. Nada. Olha começa a aprender alguma coisa com os camaradas da Ucrânia para actualizares as tabelas e com uma das muitas versões da re-contagem das vítimas de Auschwitz (há outras que ainda te desagradam mais) que vou pôr num comentário separado para não enjoar os leitores do blogue.

Publicado por: Bomba em setembro 15, 2005 09:45 AM


Ukraine's Population Losses in World War II: 7.5 million or 13,614,000?
Ukraine lost more people in World War II than any other European country. At the beginning of the war Ukraine's population was 41.9 million. Let us review some of the estimates of losses from largest to smallest. According to A Short History of Ukraine published by the Ukrainian Academy of Sciences in Kiev in 1986, as a result of the Second World War: "The population [of Ukraine] contracted by 13,614,000." (p. 239). This statistic is not explained.
In 1977 Stephan G. Prociuk estimated in a detailed analysis that Ukraine's World War II loss of population was 11 million. (Annals of the Ukrainian Academy of Arts and Sciences in the U.S., New York 1977, vol. 13 no. 35-36, p. 23-50.
The American journalist Edgar Snow, who visited Ukraine in 1943 during the war and at the end of the war in 1945, reported in his book The Pattern of Soviet Power (New York 1945) that according to a high Ukrainian official "No fewer than 10,000,000 people had been lost to ... Ukraine since 1941." This statistic excluded "men and women mobilized in the armed forces." (p. 73).
Ukraine Lost 10,000,000 People
"Yet it was not till I went on a sobering journey into this twilight of war that I fully realized the price which 40,000,000 Ukrainians paid for Soviet--and Allied--victory. The whole titanic struggle, which some are apt to dismiss as "the Russian glory," was first of all a Ukrainian war. No fewer than 10,000,000 people had been 'lost' to... Ukraine since 1941, I was told by a high Ukrainian official. That excluded men and women mobilized for the armed forces.

A relatively small part of the Russian Soviet Republic itself was actually invaded, but the whole Ukraine, whose people were economically the most advanced and numerically the second largest in the Soviet Union, was devastated from the Carpathian frontier to the Donets and Don rivers, where Russia proper begins. No single European country suffered deeper wounds to its cities, its industry, its farmland and its humanity."

Publicado por: Bomba em setembro 15, 2005 09:51 AM


ASCHWITZ


The most famous eyewitness testimony, however, was none other theRudolf Höss, the commandant of Auschwitz, who gave an estimate of2.5 million killed at Auschwitz during Kaltenbrunner's trial beforethe IMT at Nuremburg. Yet according to Hösss testimony he madehis estimate not on his personal knowledge of the various Aktions(i.e. specific regional extermination pogroms) against the Jews, butfrom a total death toll for Auschwitz which Eichmann or hisdeputies had related to him at a meeting in Berlin near the end of thewar. Later, during Hösss imprisonment during his trial in Poland,he reflected on this and retracted his estimate made at Nuremburg andgave a new estimate that was based on knowledge of the death tolls ofindividual major Aktions against the Jews. Höss's newer,more accurate, estimate was 1.13 million Jews killed at Auschwitz.This is a figure close to that of the number of Jews deported toAuschwitz and is nearly identical to the number established by Dr.Piper of the Auschwitz-Birkenau State museum using statisticalmethods. (cf. Ibid. pp. 64-65.)

Publicado por: Bomba em setembro 15, 2005 09:53 AM

Depois destes lençóis de mais de duas páginas A4, a bomba ainda só comparou os números Auschwitz, contrapondo aos meus números os do ex-comandante de Auschwitz...
Continuo a aguardar as restantes comparações, até para perceber a que ponto chega o seu despudor!

Quanto ao Oliveira, presumo que acha a "fantochada atroz" do JMS o máximo de abrangência. Como os bons espíritos se estão sempre a encontrar neste blog! JMS e Luís Oliveira, a mesma luta, pois claro!

Publicado por: Margarida em setembro 15, 2005 01:42 PM

'presumo que acha a "fantochada atroz" do JMS o máximo de abrangência. (...) JMS e Luís Oliveira, a mesma luta, pois claro!'

Cara Margarida:

Não sei se já reparaste mas eu já critiquei o JMS várias vezes aqui, porventura com demasiada dureza e alguma arrogância. Aquilo que eu não faço é por todos os que podem discordar de mim no mesmo saco, seria uma falta de respeito para com eles e um tipo de simplificação cujo único objectivo me parece ser esvaziar o debate de ideias e deitar areia para os olhos do adversário.

Tu és activista de um partido isso é perfeitamente legitimo e até uma virtude, agora para o bem das outras pessoas (e teu tembém) não deixes que a militância interfira com a tua clarividência.

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Quanto à participação da URSS na II guerra mundial (ou na luta contra o Nazi-Fascismo como vocês gostam de dizer): sabes por exemplo quando a Rússia invadiu a Alemanha houve mulheres que para não serem violadas e não verem as suas crianças violadas pelo exército se afogaram em conjunto com as suas familias? Quando defenderes o Estaline pensa nisso. Quanto ao heroísmo (por vezes esquecido) do povo Russo estamos de acordo.

Publicado por: Luis Oliveira em setembro 15, 2005 03:03 PM

"Quando a Rússia invadiu a Alemanha"??? Há certos lapsos que são tão reveladores quanto os da bomba que vem aqui impingir a história sob o ponto de vista dos carrascos.

E depois de decénios de demonização dos comunistas em geral e dos comunistas e dos soldados russos em particular, não só pelos governantes e media alemães, como pelos governantes e media "ocidentais", como queria que as cidadãs alemães recebessem os soldados do exército vermelho? Se ainda a si fazem medo, sabendo elas ainda as atrocidades que os soldados alemães tinham praticado contra a população russa, estranha o comportamento delas?

Mas a sua fuga para o passado é constante: para os chavões, mentiras, preconceitos que interesseiramente o "ocidente" inventa desde o princípio do século XX. E apesar da vitória do capitalismo por lá, há mais de 15 anos, a lenga-lenga continua. Eles sabem que a vitória ainda não é total que uma coisa são os gorbatchev's, os yeltsin's, os putin's, os ioschenkos, os advogados formados nos USA ou no Canadá que hoje são por lá governantes e outra é a vontade soberana dos povos. Por isso insistem, repetem até à náusea as suas lenga-lengas mentirosas.

Uma última questão: francamente eu não reparo nem estou interessada em reparar quem critica quem. Eu comento opiniões ou avanço com as minhas. Foi o que fiz há dois dias a opiniões do JMS de dois dias antes. Constato que ainda nem sequer aludiu às barbaridades do JMS, mas já soube catalogar as minhas. Mas depois quer-se imparcial? Depois de falar da "invasão" da Alemanha pela URSS?

Sem mais comentários.

Publicado por: Margarida em setembro 15, 2005 07:21 PM

Não sei se escolhi a palavra certa. Na Alemanha Ocidental acho que houve uma "libertação", na Alemanha Oriental parece-me que o uso da palavra "libertação" seria um abuso de linguagem.

Publicado por: Luis Oliveira em setembro 16, 2005 04:51 AM

Ó Guidita,


Só agora me é possivel alinhavar umas linhas à pressa para responder às tuas idiotices de bela varina de Novosibirsk. O meu computador anda a dar o tiro, se calhar por força de ter que aturar gente como tu.. Continuas, lastimo, a responder com as mesmas marteladas aprendidas nas cataqueses do partido. Às palavras que te escrevi não fizeste comentário, só viste o carrasco do comandante do campo. Que olho vivo que tu tens. Pois bem, aprende a ler as coisas até ao fim, mesmo nos nacos curtos que te mano para não enjoares. Mas não te vou chamar burra por isso. Esperta será mais apropriado, pois ignoraste, como era de esperar, a referência, umas linhas mais abaixo, ao museu do campo de concentração que não tem nada a ver com os carrascos, mas mais com o governo polaco que decidiu, já há vários anos, mudar os números que constavam para informação dos turistas. Mas estas coisas passam despercebidas a gaivotas como tu pouco interessadas em aprender o ABC das coisas que não aparecem nos cabeçalhos dos jornais..

Mas para gente de má boca como tu que não acredita nos carrascos nazis (eu também não, mas por razões que te passam a quinhentos quilómetros de distância) há muita comida por esse mundo fora. Para tua infelicidade, não é só de carrascos que se levanta o clamor contra as tuas estatisticas bolorentas. Há insignes professores e historiadores a corroborarem a informação que te dei. And guess what? Muitos deles são judeus e até com familiares que sucumbiram nesses campos. Therefore, close your ignorant trap. Não te esqueças que vives no pais onde tanto o Cunhal como o Salazar achavam perigoso que a classe operária lesse o “Testamento” de Lenine, que favorecia o Trotsky. Isto tende a traumatizar por herança os novos rebentos que vieram continuar a luta como tu.

Quanto à palavra pouco adequada do Luis (“invasão”) podias ter tido a decência de deixá-la passar. Se o fizesses, não me obrigarias a lembrar-te que a US que idolatras usou muito, nomeadamente na Polónia, desse modo de passear pelas terras dos outros antes e depois da guerra. E os números que apresentas de mortos para esse país estão intimamente ligados a essas passeatas imperial-socialistas. A tua idedologia, minha filha, tem as mãos sujas de sangue e não é com a vitória sobre a Alemanha ou as promessas repetidas à classe operária que as vais lavar. Encolheres os ombros quanto te falam de gulagos, julgamentos sumários, amordaçamento da liberdade, e eliminação de revolucionários cujo único crime era o de terem uma opinião diferente, só prova que carregas um tipo de moral que não convence ninguem minimaente interessado numa sociedade mais justa. Águas passadas, dizes tu àcerca de gulagos. Desculpa de chacha, porque nestes tempos de se ter um pouco de liberdade para se ler e saber, ninguem abraça religiões ou politicas sem se informar o que é que se tem andado a cometer em nome delas ou das suas naturezas...

E isto tudo começou porquê? Começou com uma observação minha a estatísticas que tens o costume de deitar a mão sem sequer te dares ao incómodo de saber se as mesmas te ajudam a ganhar o estatuto de educadora política que tanto precisas. Que houve 50 milhões de mortos na Guerra, e que a tua amada contribuiu com 20? Rico trunfo do naipe da desgraça. Pois eu não sei se foram 50, 60, 70, 80 ou 100 milhões ou mesmo mais, porque há opiniões que englobam todos estes números ao longo dos anos, e a de 13 milhões na Alemanha. Alguns chegam mesmo a somar tudo e depois acham a média. A mim interessa-me mais saber quem e que grupos políticos andaram a intrigar e a tecer essa e outras guerras para servir os seus planos de dominação deste planeta. Mas a ti, sopeira diligente e inocente de patrões pouco vistos em coisas como festas do Avante, isso escapa-te porque andas a pensar exclusivamente num substituto para a ditadura do proletariado que fique bem com as mobílias dos parlamentos. Não mates a cabeça, Margarida.

Publicado por: Bomba em setembro 16, 2005 01:49 PM

Bomba para o comité central do BdE já.

Publicado por: Luis Oliveira em setembro 16, 2005 02:41 PM

Luis Oliveira
Era preferível ter-se calado ou tão somente ter admitido que foi infeliz na escolha das palavras.

Mas teimoso, voltou à carga falando da RFA e da RDA. Mas esqueceu-se que a RFA foi proclamada 4 anos e 5 semanas depois da ofensiva soviética sobre Berlim (deve ter sido a tal “invasão” de que falou…) e exactamente 4 anos depois da capitulação da Alemanha e do fim da II Guerra na Europa (8 de Maio de 1949) e que a RDA só foi proclamada mais de 7 meses depois da RFA (11 de Outubro de 1949)!

E recordo-lhe ainda que 60 anos depois ainda há bases dos USA e centenas de milhares de soldados americanos na Alemanha “libertada”! Aliás, o mesmo se passa no Japão e na Coreia do Sul “libertadas”, apesar das manifestações periódicas dos indígenas contra a presença da tropa americana no seu solo. São de facto uns “libertadores” os boys…

Bomba
Se eu não tenho já pachorra nenhuma para aturar as impertinências dos trinetos do Trotsky menos tenho para a choradeira do costume das suas órfãs. É que de facto não dá ter que ouvir certas múmias paralíticas que cristalizaram no ódio e no rancor contra os que não comungam dos seus delírios. E como não sou masoquista fico-me por aqui. O que constato é que depois de tanta comparação com os números que dizia ter se tenha baralhado toda para concluir que nada sabe de certeza a não ser que lhe parecem terem morrido mais alemães e menos judeus!

Mas o interessante é que não a tenham indignado as mortes mais recentes que os netos do Trotsky, (nomeadamente o que ainda é mascarado de “verde” o MNE da Alemanha) provocaram nem ainda há meia dúzia de anos na Jugoslávia! E os crimes que os filhos e netos americanos do Trotsky influenciaram os neo-cons americanos a cometer no Afeganistão e no Iraque! E onde – e aí sim! – há invasão e que continua a ceifar vidas de inocentes todos os dias.

Publicado por: Margarida em setembro 16, 2005 06:35 PM

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