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setembro 09, 2005

PÓS-KATRINA

Mais obstinados do que os anti-americanos primários (leia-se Bush haters e Michael Moore fans), só os filo-americanos primários (sobretudo os ultra-liberais mais bushistas do que o próprio Bush). Querem um exemplo? Leiam de fio a pavio o que a rapaziada do Blasfémias tem escrito no aftermath da tragédia de New Orleans. Há muito tempo que não via tão esforçada e contorcida tentativa de justificar o injustificável.

PS- Muitas vezes me perguntam se ainda faz sentido falar em esquerda e direita. Faz, claro que faz. Veja-se, por exemplo, esta frase de João Miranda sobre o Katrina: «Antes de serem atribuídas ao estado federal, as responsabilidades, a existirem, devem ser atribuídas às pessoas que optaram por viver em zonas vulneráveis, às autoridades municipais e às autoridades estaduais» (sublinhado meu). Entre outras coisas, ser de esquerda é abominar afirmações como esta e, sobretudo, a lógica que lhes subjaz.

Publicado por José Mário Silva às setembro 9, 2005 07:14 PM

Comentários

Certeiro!

Publicado por: Caetera em setembro 9, 2005 07:51 PM

Até a Fox News, profundamente ultraconservadora, criticou o presidente Bush!!!

Ver: http://www.elpais.es/articulo/elpporint/20050909elpepiint_7/Tes

Enfim...

Publicado por: cristina em setembro 9, 2005 08:39 PM

Por quem são... Compete ao bom senso e à racionalidade, e não ao ser de à esquerda ou de direita, a avaliação grave dessa frase!!
Saber que é abominável não é reflexo de "ser de esquerda" mas de ter dois dedos de testa!

Publicado por: Horas Vagas em setembro 9, 2005 08:42 PM

Por quem são... Compete ao bom senso e à racionalidade, e não ao ser de esquerda ou de direita, a avaliação grave dessa frase!!
Saber que é abominável não é reflexo de "ser de esquerda" mas de ter dois dedos de testa!

Publicado por: Horas Vagas em setembro 9, 2005 08:42 PM


PÓS-KATRINA: Como o livre mercado matou Nova Orleans
A cidade após o ciclone: cada um por si... e a mão invisível?

Por Michael Parenti *

O livre mercado jogou um papel crucial na destruição de Nova Orleans e na morte de milhares de seus moradores. Informados com antecipação de que um colossal furação (de força 5) iria se abater sobre a cidad e seus arredores, o que fizeram as autoridades? Puseram em jogo o livre mercado.

Anunciaram que todos deviam sair da cidade.

Esperava-se que cada um providenciasse a sua própria evacuação por meios privados, tal como dita o livre mercado, e da mesma forma que acontece quando o desastre atinge os países de livre mercado do Terceiro Mundo.

Os mistérios da mão invisível

É uma belíssima coisa, esse livre mercado, em que cada indivíduo pesrsegue seus próprios interesses pessoais e o resultado é ótimo para a sociedade inteira. É assim que a mão invisível de Adam Smith opera os seus mistérios.

Ali não haveria nenhuma evacuação "coletivista e obrigatória", como aconteceu em Cuba. Quando um ciclone de excepcional violência golpeou aquela ilha no ano passado, o governo de Fidel Castro, apoiado pelos Comitês Populars e quadros locais do Partido Comunista, evacuou 1,3 milhão de pessoas, mais de 10% da população do país. Os cubanos perderam 20 mil casas com aquele furacão, mas não perderam uma só vida: uma proeza alentadora, que passou praticamente inadvertida pela imprensa estadunidense.

Se não se foram, são "cabeças-duras"?

No Dia Um do desastre causado pelo furacão Katrina já ficou claro que centenas, talvez milhares de vidas americanas tinham sido perdidas em Nova Orleans. Muita gente "se negara" a deixar a cidade, explicavam os repórteres, simplesmente porque eram "cabeças-duras".

Foi apenas no Dia Três que os comentaristas começaram a registrar prudentemente que dezenas de milhares de pessoas deixaram de escapar porque não tinham lugar algum para onde ir e nem recursos para partir. Sem dinheiro no bolso nem um automóvel que fosse seu, tinham sido obrigados a ficar e esperar pelo melhor. No final das contas, o livre mercado não trabalhou tão bem para eles.

Muitas dessas pessoas eram negros americanos de baixa renda, assim como um número melhor de brancos pobres. Deve ser recordado que na maioria eles tinham algum emprego antes da fatal visita do Katrina. Faziam o que a maior parte do povo pobre faz neste país: trabalhavam, em geral bastante duro e por uma paga mesquinha, às vezes em mais de um emprego ao mesmo tempo. Eles não são pobres por serem preguiçosos, mas porque dão duro para sobreviver em ofícios da pobreza, enquanto são sobrecarregados pelos altos preços, os altos aluguéis e os impostos regressivos.

"Ninguém podia prever"?

O livre mercado também jogou seu papel em outros sentidos. A agenda de Bush consiste em reduzir os gastos públicos até o osso e fazer com que as pessoas recorram ao setor privados para as coisas de que possam precisar. Assim, ele cortou US$ 71,2 milhões do orçamento do Corpo de Engenheiros de Nova Orleans, uma redução de 44%. Planos de reforço das barragens da cidade e modernizar o sistema de bombeamento tiveram que ser arquivados.

O pessoal do Corpo de Engenharia do Exército tinha começado a comstruir novas barragens muitos anos atrás, poderém muitos deles foram retirados desses projetos e enviados ao Iraque. Ademais, o presidente cortou US$ 30 milhões das verbas para controle de enchentes.

Bush sobrevoou a área ("Bom-dia América", 1º de setembro) e disse que "eu não penso que ninguém tenha previsto o rompimento das barragens". Foi apenas mais uma inverdade a sair de seus lábios. A catastrófica inundação de Nova Orleans tinha sido antecipada por peritos em tempestades, engenheiros, jornalistas da Louisiana e autoridades governamentais, e mesmo por algumas agências federais. Todo tipo de pessoas anunciou o desastre, durante anos, apontando para o perigo dos níveis crescentes das águas, para a necessidade de reforçar as barragens e bombas e de fortificar toda a linha litorânea.

As imobiliárias e os mangues

Em sua campanha de sucateamento do setor público, os reacionários bushistas também permitiram que empresas imobiliárias drenassem extensas áreas de mangue. Mais uma vez, a velha mão invisível do livre mercado iria cuidar de tudo. As imobiliárias, perseguindo seu próprio lucro privado, produziriam realizações que a todos beneficiariam.

Mas os mangues serviam como uma barreira protetora natural entre Nova Orleans e as tempestades vindas do mar. E por anos e anos eles foram desaparecendo da Costa do Golfo, num ritmo aterrorizante. Mas nada disso estava na pauta das preocupações dos reacionários da Casa Branca.

Pat Robertson e sua "Operação da Bênção"

Quanto à operação de salvamento, os adeptos do livre mercado gostam de dizer que a proteção dos mais desafortunados compete à caridade privada.

Era esta a prédica favorita do ex-presidente Ronald Reagan: que "a caridade privada pode fazer as coisas". E durante os primeiros dias essa parece ter sido a política face ao desastre causado pelo Katrina.

Ninguém via o governo federal, quem entrou em ação foi a Cruz Vermelha. A mensagem desta: "Não envie comida nem cobertores; envie dinheiro". O Exército da Salvação também começou a mobilizar suas idosas tropas. Entrementes, Pat Robertson e sua Christian Broadcasting Network — fazendo uma pequena pausa em sua divina obra de fomentar a nomeação de John Roberts para a Corte Suprema — pediram donativos e anunciaram a "Operação da Bênção", que consistiu em um carregamento de alimentos em conservas e bíblias, muita publicidade e nenhuma adequação.

No Dia Três, mesmo a mídia míope começou a se dar conta do imenso fracasso da operação de salvamento. Gente morria porque a ajuda não chegava. As autoridades pareciam mais preocupadas com os saques que com a população flagelada, mais empenhadas no "controle das multidões", que consistia em encurralar as pessoas aos milhares em áreas abertas, privadas de abrigo, e impedir que elas as deixassem.

Onde estava a Segurança Interna

Surgem então indagações que o livre mercado é incapaz de responder: Quem era responsável pela operação de salvamento? Por que tão poucos helicópteros e apenas uns poucos recursos dispersos da Guarda Costeira? Por que um helicóptero levava cinco horas para levar seis pessoas a um hospítal? Quando a operação de salvamento entraria em plena atividade? Onde estavam os Feds (agentes do FBI)? As tropas estaduais? a Guarda Nacional? Onde estavam os ônibus e caminhões? E as barracas e banheiros portáteis? E os suprimentos médicos? E a água?

E onde estava a Segurança Interna (super-agência criada por Bush após o 11 de Setembro)? O que a Segurança Interna fez com US$ 33,8 bilhões destinados a ela no ano fiscal de 2005?

Deliciosa e ironia

No Dia Quatro, quase toda a grande mídia estava reportando que a resposta do governo federal era "uma tragédia nacional". Entretanto, George W. Bush finalmente fazia sua aparição para as fotos, em uma área flagelada escolhida a dedo, antes de voltar ao seu golfe.

Em uma tirada de deliciosa (e talvez maliciosa) ironia, ofertas de ajuda externa foram feitas pela França, Alemanha, Venezuela e muitas outras nações. A Rússia se ofereceu para enviar dois aviões com comidas e outros auxílios às vítimas.

Cuba — uma recordista no envio de médicos a dezenas de países, inclusive um grato Sri Lanka durante o desastre do Tsunami — ofertou 1.100 doutores. Previsivelmente, todos os oferecimentos foram rispidamente recusados pelo Departamento de Estado.

A América, a Bela e Poderosa, a América, Suprema Salvadora da Prosperidade Global não poderia aceitar ajuda dos outros. Seria a mais humilhante e insultante inversão de valores. Estariam os franceses desejosos de um outro soco nas ventas?

Estariam os cubanos tramando mais um de seus velhos truques subversivos?

Bush "não cuida da sua gente"?

Além do mais, aceitar ajuda externa seria admitir a verdade: que os reacionários bushistas nunca tiveram nem a vontade nem a decência de cuidar do cidadão comum — nem mesmo em condições tão extremas.

Recentemente eu ouvi alguém que se queixava: "Bush está tentando salvar o mundo quando não conseguimos nem cuidar da nossa gente aqui em casa". Não é bem assim.

Ele com certeza cuida muito bem da "sua gente", essa reduzida fatia de 1%, os super-ricos. Acontece apenas que o povo trabalhador de Nova Orleans não se inclui entre eles.

* Escritor americano, PhD pela Universidade de Yale, autor do livro "Superpatriotismo", entre outros

(Diário Vermelho Brasil, quinta-feira, 8 de setembro de 2005)

Publicado por: João Lopes em setembro 9, 2005 08:53 PM

A inveja é coisa muito feia!

Publicado por: Miguel Nascimento em setembro 9, 2005 10:23 PM

Está muito bem visto, sim senhor, pelo Dr. João Miranda. É incrível como as pessoas não percebem que é um erro ir viver para sítios insalubres e atreitos a servirem de auto-estrada aos furacões. Tal como é estúpido optar-se por viver numa favela, sempre sujeita a deslizamentos de terras e ao trânsito de balas perdidas. O aventureirismo e a irresponsabilidade dessa gente é de bradar aos céus. E o mais chocante é vê-los depois na televisão a queixarem-se do destino e a pedirem ajuda ao governo, quando eles são os únicos responsáveis pela situação em que se meteram. Porque é que não optaram (como, supõe-se, fez o Dr. João) em viver numa confortável e segura moradia de três pisos, longe de leitos de cheio ou de ravinas instáveis? Porque são estúpidos. Só pode.

Publicado por: Nosferatu em setembro 10, 2005 10:48 AM

Que "optaram"? E as que nasceram e vivem à gerações nessas regiões de risco? Não pagam impostos? Não mereciam que o governo federal e o estatual desviassem verbas do Iraque para a manutenção dos seus diques? Os tiques neoconservadores do Blasfémias atingiram de facto um pico de insanidade depois do Katrina.

Publicado por: Rui Martins em setembro 10, 2005 02:02 PM

Essa frase é absolutamente repugnante em si mesma, mas mais repugnante se torna quando torna cristalino que para esse gajo o estado, que em Portugal tem a culpa de tudo, especialmente se não é dominado pelas cliques do CDS, nos Estados Unidos nunca tem a culpa de nada, precisamente porque é dominado pelas cliques do CDS lá deles.

Nojento.

Publicado por: Jorge em setembro 10, 2005 04:52 PM

A constatação da absurdidade deste tipo de afirmações não provém da esquerda ou da direita, mas do bom senso.

Publicado por: Rui Miguel Brás em setembro 10, 2005 05:28 PM

Zé Mário,

Ainda bem que estás sempre à mão para nos lembrar que as opiniões das direitas vesgas ainda conseguem ser mais estúpidas que as das esquerdas fossilizadas. Enfim – vou com o suspiro conformado da Cristina, porque hoje não é dia de festa.

Uma pesquisa na google - “Bella Ciao levee bombed”, sem as aspas - talvez acrescente um ponto interessante ao conto de Parenti (vide lençol do Lopes) e à goela neoconista dos blasfemadores. Não aconselhável a meninas alérgicas a teorias da conspiração e aos rapazes que as passeiam de braço dado.

Publicado por: Bomba em setembro 10, 2005 05:31 PM

Acontece que a lógica que lhe subjaz, como a vejo, é a da responsabilização individual. E a negação do estado-Paizinho, primeiro passo do Estado-tirano.

Publicado por: escrevinhador em setembro 10, 2005 07:29 PM

A lição de Nova Orleães
Autor: John Catalinotto

A 5 de Setembro, o horror ininterrupto e o sofrimento de cerca de 100 000 habitantes de Nova Orleães, na sua maioria afro-americanos e pobres, conheceu uma pausa. O trabalho continua a ser o de contar e identificar os mortos que se calcula ascendam a 10 000 e os cerca de 1.5 milhões de desalojados da Costa Oeste, resultantes da combinação de um desastre natural e da negligência criminosa do governo. O poder destruidor do Katrina foi potenciado por décadas de erosão do delta do Mississippi, pela exploração do petróleo, por anos de criminoso desprezo pelos diques que podiam suster as inundações, e agravado pelos custos da guerra no Iraque. Os ventos de 200 km/hora do furacão Katrina atingiram Biloxi, Mississippi e rebentaram janelas e destruíram telhados em toda Nova Orleães. Um dia depois, o pior parecia ter passado. Então, o lago Pontchartrain de Nova Orleães partiu o dique e alagou 80 por cento da cidade. Cerca de 100 000 pessoas foram apanhadas pelas vagas com 2 a 7 metros de altura.


A mentira da administração Bush

O presidente George Bush e outros responsáveis governamentais alegam não ter sido avisados da possibilidade de uma tal calamidade. É mentira. Nova Orleães está na sua maioria situada abaixo do nível do mar, aninhada entre o rio Mississippi e o lago Pontchartrain. A ameaça era conhecida há décadas. A 1 de Dezembro de 2001, o Houston Chronicle escrevia: «Nova Orleães está a afundar-se. E o seu amortecedor para um furacão, o protector delta do rio Mississippi, está completamente desgastado, deixando a cidade histórica perigosamente próxima do desastre... Tão vulnerável, de facto, que no início deste ano a Agência Federal de Gestão de Emergência (Federal Emergency Management Agency - FEMA) colocou o potencial perigo para Nova Orleães entre os três mais prováveis, mais catastróficos desastres que o país enfrenta.» Sabendo que o poder do furacão era inevitável, a administração Bush cortou mesmo assim o orçamento do Corpo de Engenharia do Exército dos EUA para o reforço dos diques de Nova Orleães. Um projecto de restauração costeiro estava estimado em 14 mil milhões de dólares, mas a administração Bush pressionou o estado para baixar o custo para 1.2 mil milhões. Bush queria o dinheiro para a guerra no Iraque.


População deixada ao abandono

Quando o Katrina estava a chegar, o governo local da cidade emitiu uma ordem de evacuação. Deixou a cargo de cada família ou pessoa a responsabilidade de sair da cidade, arranjar um local para onde ir, de tomar conta de si própria. Não foi organizada uma evacuação com transportes públicos, nem abrigos temporários. O presidente da Câmara disse às pessoas que deviam ir para o Super Dome, um estádio desportivo. Nova Orleães tem cerca de 70 por cento de afro-americanos. Cerca de um quarto da população total e um terço da população negra vive abaixo do limiar da pobreza. A maioria destes trabalhadores pobres e dos desempregados não tem automóvel para poder sair da cidade, não tem um lugar para onde ir, e não tem dinheiro para hotéis. O resultado foi que cerca de 100 000 pessoas, talvez 90 por cento dos afro-americanos, ficaram sem comida, sem água potável, sem condições sanitárias durante um verão tropical, rodeadas de detritos e porcaria. Desde o começo do furacão no domingo, 28 de Agosto, até sexta-feira, 2 de Setembro, a FEMA não levou praticamente nenhuma comida, água ou meios de transporte de massas para Nova Orleães. A FEMA impediu a Cruz Vermelha de ir para o local. As pessoas foram deixadas encurraladas em hospitais sem electricidade. Muitas morreram.


Ordem para matar

Sem outra possibilidade de arranjar comida e água, alguns habitantes entraram em armazéns para arranjar víveres, bem como fraldas e produtos de higiene para bebés. Em alguns casos partilharam esses produtos com os vizinhos. O governador de Louisiana chama a isto «saque» e quer que a polícia «dispare a matar». Os média manifestaram o seu racismo quando mostraram um jovem afro-americano com um saco de mercearias e o catalogaram de «saqueador», e depois mostraram alguns brancos com mercearias e escreveram que eles tinha «encontrado» comida. Bush esteve a gozar as suas longas férias de cinco semanas até 31 de Agosto. Só então sobrevoou as áreas devastadas no Air Force One. A 2 de Setembro, visitou finalmente Biloxi, Mississippi. Quando falou do «saque», disse que deve haver «tolerância zero», que é o mesmo que dizer «dispare a matar». E enviou para a região 40 000 agentes da Guarda Nacional e do Exército. Há décadas que a população dos EUA não recebia uma lição tão clara da importância da classe e da raça. Esta experiência, combinada com a guerra no Iraque, é uma afronta à comunidade afro-americana e deixa a maioria contra Bush.

(Avante, 08/09/05)

Publicado por: João Lopes em setembro 10, 2005 08:19 PM

Diz um senhor: "A constatação da absurdidade deste tipo de afirmações não provém da esquerda ou da direita, mas do bom senso." - então, creio muito sinceramente que a esquerda é dona do bom senso... Pelo menos em palavras - que, quanto a acções, acho que toda a gente é de direita.

Publicado por: Manuel Anastácio em setembro 10, 2005 10:09 PM

Conheço muito boa gente de direita que saberia ver quão absurda é aquela consideração, e outras, tecidas pelas direitas. Acredito é que só alguém de direita conseguiria dizer uma barbaridade daquelas.

Publicado por: Rui Miguel Brás em setembro 10, 2005 11:14 PM

Eu sou de direita e não me revejo em nada naquelas palavras.
Mas não é por discordar com aquelas palavras, que vou ‘na onda’ de culpabilização de Bush. Os culpados do que sucedeu, não foram obviamente as pessoas que moram em locais perigosos, mas sim as autoridades da cidade (policia, bombeiros e principalmente protecção civil), que não deram a devida atenção ao Katrina em tempo útil. Depois da culpa das autoridades, vem a do presidente de New Orleans, que as primeiras atitudes que teve para resolver a crise, foi precisamente tirar a água do seu capote e mandar para Bush. Depois da culpa deste, vem ainda a do governador de todo o estado onde está inserida New Orleans, que não uniu as cidades envolventes nem as preparou para uma crise que podia vir acontecer em New Orleans. E por fim, culpa também do presidente eleito democraticamente pelos norte americanos, Bush, por acreditar que todos os que estão abaixo de si são competentes.

Publicado por: Direita volver em setembro 11, 2005 01:11 AM

Senhor "Direita Volver": como dizia o Mark Twain, "let us get our facts stright first; we can distort them at will later".

George Bush desmantelou a FEMA de Clinton, que fincionava perfeitamente, e nomeou para director um amigo que tinha director da associacao de cavalos arabes durante os ultimos onze anos. O presidente Camara de New Orleans tem vindo a pedir ajuda ao governo federal ha mais de dois anos. A esmagadora maioria das vitimas sao pobres que nao tinham, nem meios para sair de New Orleans, nem sitio para onde ir, nem dinheiro para pagar um motel. As estatisticas mostram que a percentagem de americanos abaixo do nivel de pobreza - cuja fasquia este presidente ja desceu - aumentou dramaticamente desde 2000. O desprezo e o desiteresse de Washington por New Orleans esta directamente relacionado com o facto de 67% dos habitantes daquela cidade serem africanos. O mesmo governo, antes das eleicoes, resolveu os problemas da classe media na Florida, depois do sul daquele estado ter sido atingido por dois furacoes no espaco de duas semanas.

O seu comentario e de uma simplicidade infantil.

Publicado por: Filipe Castro em setembro 11, 2005 05:06 AM

Ser de esquerda, e recordemos, é acabar com os ricos.
Ser de direita é precisamente o contrário.Acabar com os pobres.
Ser de esquerda é agarrar em paus e bandeiras ir para as manifes
Ser de direita é agarrar na marmita e ir para o trabalho.
Ser de esquerda é ir para o Quénia passar férias.
Ser de direita é ir para as matas apagar os fogos.
Ser de esquerda é fazer greves e destruir o tecido empresarial
Ser de direita é trabalhar e criar postos de trabalho.
Ser de esquerda é querer ser rico sem trabalhar
Ser de direita é querer ser rico a trabalhar.
Ser de esquerda é criar o rendimento mínimo de inserção com o dinheiro dos outros.
Ser de direita é ensinar um ofício ao pobre para não depender de esmolas/subsídios.

Publicado por: oragaita em setembro 11, 2005 11:29 AM

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Publicado por: ENJOADO em setembro 11, 2005 12:15 PM

Aconteceu o que aconteceu porque não houve nem organização, nem liderança, nem ninguém que assumisse a responsabilidade pela segurança de todos os habitantes da região. A todos os níveis, incluindo o presidencial. Por isso nas últimas sondagens só 38% aprova a actuação de Bush. E isso têm dito inúmeros comentadores e políticos de todos os partidos. Incluindo Colin Powell que disse a Barbara Walters da ABC News que “houve muitos falhanços em muitos níveis – local, estatal e federal. Que houve muitos avisos acerca dos perigos de Nova Orleães e que não foi feito o suficiente para preveni-los" e que "não sei porque é que nada fizeram”. Disse também que “se se reparar em quem não conseguiu sair” “foram as pessoas que não têm cartões de crédito, nem carro (que só uma em dez famílias de Nova Orleães desse nível económico têm carro)“ e que “não foi por causas de racismo mas por causas económicas” que esses foram deixados para trás em Nova Orleães. Por serem pobres.

Por serem pobres, doentes e incapacitados morreram os 30 idosos que estavam no lar da terceira idade de Santa Rita. Durante 5 dias esperaram que os resgatassem, mas quando os responsáveis lá chegaram estavam todos mortos. Este é só um exemplo atroz da desorganização, da falta de liderança e da irresponsabilidade, a todos os níveis, que o Katrina revelou.

Publicado por: João Lopes em setembro 11, 2005 12:32 PM

O que me repugna mais são os artigos dos neocons cá do burgo em tudo o que é jornal,blogue,radio e imprensa.Segundo eles parece que a culpa é da esquerda.Porque afinal eles sempre disseram que a America tinha pobres,a esquerda é que não o queria ver.Que grandes cães!!!
Andam toda a vida a propagar a ideologia de quanto menos estado melhor (porque assim se pode roubar á vontade) e depois quando fica a nu as consequencias
dessa opção ideologica,a culpa é de quem vê,de quem olha.
Sei de há muito os problemas que a America tem,ate porque tenho familiares que lá viveram.O povo americano em si é formidavel, mas a maior parte da população e digamos da classe média anda toda a vida em absoluta servidão para poder ter um seguro de saude,um carro e um plano de educação para os filhos.

Num outro plano podemo-nos perguntar se é este tipo de "desenvolvimento" que queremos para a Europa.O desenvolvimento tipo "Animals Farm" .

Publicado por: antonior em setembro 11, 2005 03:02 PM

Correndo o risco de ser acusado de mudar de assunto.

Quem tiver estômago (repito quem tiver estômago) pode fazer uma busca de imagens no google com "iraq war" (sem aspas).

(Esta é especialmente para os neocons portugueses que tiverem estômago - os outros deixo-os entregues ao Zé Mário que é mais diplomático do que eu.)

Publicado por: Zero à Esquerda em setembro 11, 2005 08:56 PM

Que ventania dos diabos. As pombinhas da Katrina continuam a chegar às revoadas, incluindo as do PC pela pena do enigmático LDL (Lopes dos Lençois) para arrulharem ao coração daqueles que andavam a pensar que o Collin Powell não é capaz de dizer coisas bonitas quando a burra faz anos. E é verdadde, gente da esquerda e rapaziada honesta da direita, é tudo causado pela má administração e desleixo de autoridades locais corruptas, de governos imperialistas, capitalo-bushistas que desviaram os dinheiros destinados ao reforço dos diques. Só da cuca de gente doida é que esta desgraça em NO tem a ver com a capacidade tecnológica (HAARP, etc) de paises como a Rússia e os USA para provocarem desastres ecológicos e climatéricos, brincarem com tufões e vendavais, terramotos, tsunamis e furacões, nevoeiros, cacimbas e geadas, nevões e outras barbaridades muito aplicáveis em tempos de guerra ou de paz. Se isto tudo já não tivesse sido devidamente proibido pela ONU nos papelinhos de manter a ordem entre os povos, até poderiamos pensar que andávamos com alucinações...

Publicado por: Bombastus em setembro 11, 2005 09:54 PM

Bomboca:

Diz-me lá quão freak tu és. Vai ao link e depois responde aqui ao camarada.

http://www.outofservice.com/freak/

(os demais convivas também podem dar o gostinho ao dedo e dizer de sua justiça)

Publicado por: Zero à Esquerda em setembro 11, 2005 10:19 PM


Watch your ass, ZERO, there is a nasty prick behind your back. Besides, nobody was aiming at you. Not me, at least. So, keep eating the bananas sideways and dont get too excited.

Publicado por: Bomboca em setembro 11, 2005 11:28 PM

Desculpa, mas agora foste tu que interpretaste tudo ao contrario! Foste ver o site? É que é preciso fazer (ler) o teste para perceber em que sentido está a ser usada a palavra freak! Na minha boca e neste sentido a palavra freak é um elogio!

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Quanto às bananas cada um com a sua!

Publicado por: Zero à Esquerda em setembro 11, 2005 11:36 PM

A rapaziada blasfema parece que já não tem pedalada para comentários...Suspenderam-nos !

Publicado por: euroliberal em setembro 12, 2005 12:53 AM

(ena pá, o euroliberal. há quanto tempo, meu?)

Bem, é só mesmo para pedir desculpa pelo trackback triplo.

Publicado por: Monty em setembro 12, 2005 06:06 PM