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setembro 07, 2005

CARTA A GONÇALO M. TAVARES

Postados lado a lado na prateleira,
o pó galopando-nos a cabeleira,
o gonçalo e eu — ele com as suas
altas investigações; eu com as minhas
pobres meditações.
Postados ombro a ombro, nosso verso
faz guerra à melancolia (dai-lhes, senhor,
a névoa, o outono, e farão soar as suas
liras), embora por vezes um frémito
cantabile aleite nossa íngreme desconversa.
Que pensará de nós o branco país
que já foi nosso, e agora é só teu?
A ti, gaba-te o justo portento, dizendo-te
embora, com o vezo dos anões,
«mais prosador que poeta».
Comigo nem precisa fingimento:
torcido o pescoço ao cânone (ocidental,
pois, que outro?), como o alba recomendava
se fizesse à beleza, fica um eco heterodoxo
que troca as vazas à teoria —
afro? Ocidental? Pós-colonial?
Mas não te inquietes, que nenhum âmbito
restringe o que nasceu para o ludíbrio
das fronteiras, inda a beleza seja sempre
uma mão estendida para a negridão
que medra a vau.
Eu cá sei que o mais genuíno sangue
revivesce na linha do naufrágio —
deixa-os, pois, aos vedores da pureza,
de pátria a tiracolo
catando pérolas na borda d´água:
nós seremos alegres bastardos do império
— tu, luso de carapinha;
eu, extraviado ulisses duma negra ilha.

(José Luís Tavares)

Publicado por José Mário Silva às setembro 7, 2005 01:12 AM

Comentários


Isto levanta a velha questão do costume: é-se melhor por se ter tido a sorte de ser-se editado? Creio que há gente que escreve em blogs com mais qualidade do que muitos que têm livros publicados. A injustiça reina no mundo da edição

Publicado por: f.limpo em setembro 7, 2005 09:34 AM

Ora aqui temos mais um poema do J.L. Tavares que irá fazer cismar muitos descendentes do Gungunhana. Palavras muitas frescas e cheias de sentido e encarrapitadas de maneiras inéditas e deliciosas, mas que nos lembram, infelizmente, o eterno problema de não haver dicionários da alma para nos ajudarem a separar o panfleto político e social das amarguras e infernos pessoais. Mas com gente como o V e o V a cavalgarem as mulas líricas entre nós, quem se importará de não ter ainda à mão esse instrumento didactico do futuro? Quem tiver dúvidas com as interpretações, já sabe, entre aqui o lamiré...

Publicado por: Bombatomica em setembro 7, 2005 09:51 AM

Bomboca querida amiga defensora de Alexandria:

Você ainda é pior que o Luisinho. Suponho que o significado seja aquilo a que só você consegue aceder (por de traz da sua mascara).

A respeito do que disse leia o que diz Schopenhauer em "The world as will and idea" (edição Inglesa, perdão Britânica, generosamente recortada por um douto lápis azul de Oxbridge). A minha síntese (niilista já se vê): o individuo não pode aceder àquilo que o outro é em si (no sentido Kantiano do termo); a ùnica forma do individuo de aceder à coisa em si é por intermédio do seu próprio desejo.

Na mesma obra Schopenhauer diz que a linguagem artística que nos permite aceder aos sentimentos do outro de uma forma mais directa é a música. Bach, Beethoven, Mozart dizem-lhe alguma coisa? Música para o coração.

Apenas uma pequena nota adicional: o tradutor da referida obra de Schopenhauer diz a concluir a sua tradução que considerou um privilegio traduzir Schopenhauer do Alemão para o Inglês, porque Schopenhauer dominava bem as duas línguas e optou por escrever aquela obra na língua de Kant e Goethe.

Publicado por: Zero à Esquerda em setembro 7, 2005 11:27 AM

Muito gostam os poetas portugueses de se queixar. Dão tudo por um ai-ai. E não é só o queixarem-se, é acharem-se todos uns génios. Alguns dos melhores poetas portugueses da actualidade (o João Miguel Fernandes Jorge, por exemplo) devem vender uns 400 exemplares dos livros que publicam. Com um panorama como este, que razões de queixa pode ter um poeta medíocre como o J. L. Tavares? Queria o quê, que lhe escavasem já um nicho no Panteão Nacional?

Publicado por: Nosferatu em setembro 7, 2005 11:30 AM

Já agora e para evitar qualquer espécie de equívocos, queria adicionar uma ou duas conciderações ao que eu disse anteriormente.

Eu gosto muito da maior parte livro que citei do Schopenhauer. Mas não gosto da parte moral do livro. Embora ele ande sempre com Cristo (e outras religiões orientais) na boca, como diz o Karl Popper a obra moral de Schopenhauer é quando muito anticristã.

Se eu não pensasse assim não me consideraria de esquerda!

E perguntam-me vocês, porque é que eu gosto de Schopenhuaer? Isso é outra história ...

Publicado por: Luis Oliveira em setembro 7, 2005 01:44 PM

Eu diria mesmo mais, meu caro nosferatu: que o fernandes jorge é um dos grandes poetas portugueses deste século( quem leu «o barco vazio», ou o mais recente «invisíveis correntes» saberá do que estou a falar), e que este senhor tavares (será uma máscara? Pela fraca espessura dos versos, tudo leva a crer que sim)é o pior cagador de versos ( não me atrevo a amesquinhar essa nobre seita chamando-lhe poeta) que alguma vez tenha lido,e, ainda por cima, anda por aí a tentar embotar-nos a lucidez crítica com essa beberragem maléfica, coisa de cafre, certamente, produzida, sabe lá deus como, ali nas penhas do meio do atlântico.
Obrigado por me achar poeta português - nem nos meus mais coloridos sonhos, ou seriam brancos?, aspirei a tanto. Por vezes, o olimpo irrompe donde não o sabíamos possível. Brindo a isso. Com um ponche de Cabo Verde, santa mezinha pra essa friagem outonal, se o amigo não se importar.

Publicado por: josé luís tavares em setembro 7, 2005 03:42 PM

cagador de versos é bonito ... ainda é melhor que coninha mal educadona!

(como diria outro there is thin yelow line)

Publicado por: D. João e a mascara em setembro 7, 2005 03:52 PM

Enquanto não chegarem aqui pessoas com mais educação e cultura, recuso-me terminantemente a entrar nestas conversas de engastalhar línguas ou torná-las piriricas ou ofensivas. No entanto, não me vou embora sem apelar ao senso de humor do Tavares e pedir-lhe que não leve estas coisas a peito. O seu poema é muito original, e se o resto que já escreveu não destoa muito no calibre dos dois que de sua autoria já li, nada neste mundo me impede de lhe dar os parabéns por ser capaz, tenho a certeza, de fazer melhor que a maioria dos sentimentalistas que comentam neste blogue sobre versos. Eu incluido, só o que não sou é sentimentalista.

O Zero à esquerda também não veio alterar os dados ao problema (o nome não o ajuda muito, eu sei) quando me criticou às dentadas ajudando-se muito superficialmente daquilo que andou a aprender na kindergarten das Galveias sobre o Schopenhauer. Tudo deveras musical e quase dramático - a especialidade favorita do Schop para os artistas que querem reduzir as fervuras das vontades. A ele só lhe tenho a dizer que é um mau hábito recorrer a oráculos por tudo e por nada, especialmente quando queremos provar que as galinhas não têm dentes. O Schop tinha coisas boas e coisas más, um génio, etc.,etc., mas mortal, como toda a gente. Se cada vez que quizermos provar um ponto formos obrigados a encostarmo-nos a estes bordões ilustres, tempo virá em as nossas cabeças só funcionarão por correspondência. Mas como o zero é bom rapaz, desculpo-o. Sei que ele terá dias melhores.

Agora deveras irritante é a maneira como o Luís Oliveira anda a abanar as fraldas da camisa para respirar melhor. Este rapaz depende tanto disto como de oxigénio. Salvem-no, por amor de Deus.

Entretanto, o D. Juan começou há dois dias e já anda a tomar mescalina, pois vê coninhas coloridas por todo o lado. Isto tudo aflige-me e não pressagia coisa boa.. Tenho que ir dar uma volta ao Castaneda.

Publicado por: Bombatomica em setembro 7, 2005 09:47 PM

Boboca amiga:

Quanto ao Schopenhauer tendes razão: era apenas um simples mortal. Consta até que dormia com uma pistola carregada debaixo da almofada - logo ele um rapaz tão bem intencionado.

(Quanto ao Luis Oliveira tens razão o gajo tem é que deixar a malta em paz, e mai nada)

Publicado por: Zero à Esquerda em setembro 7, 2005 10:11 PM

antes de me acusares de tomar mescalina vai lá a esta caixa de comentários reler o que disseste, no dia 1 de Setembro, às 11:55 AM. A expressão "conas deseducadas" diz-te alguma coisa?

Publicado por: D. João e a mascara em setembro 7, 2005 10:20 PM


D. João,

Compreendo-te, mas convem mudar de estimulante para conservar este blogue acordado. Variedade é uma coisa interessante, não achas? Que lúdico ou lúbrico interesse é que tu e o Oliveirinha terão em andarem a fazer da minha cona o objecto das vossas linguas?

Uma coisa que também me está a intrigar é a ausência de certos perfumes não mascarados nestas conversas. Au demain.

Publicado por: Bombatomica em setembro 7, 2005 11:37 PM

Bomboca:

"Que lúdico ou lúbrico interesse é que tu e o Oliveirinha terão em andarem a fazer da minha cona o objecto das vossas linguas?"

Que cena é essa que andas a fumar?

Quanto aos perfumes não mascarados, tenta ser menos contundente com eles que vais ver que eles até te tratam bem ...

Publicado por: D. joão e a Mascara em setembro 8, 2005 12:07 AM

... ou tu gostas é de pancadaria ideológica e estética?

Bons sonhos (a todos)

Publicado por: D. joão e a Mascara em setembro 8, 2005 12:12 AM

D. João,


Esse teu “esprit de l´escalier” antes de ires fazer óó está cheio do mistério a que já estou acostumado. Pois, meu filho, permite-me tomá-lo à letra e dizer-te que é de “pancadaria” , e da brava, que a gente deveria gostar– estética, ideológica, política, científica, etc. Deveria, para aprendermos ou ensinarmos. Mas a verdade é que este post tem estado aqui desde as de ontem e apenas atraiu uns míseros 13 comentários. Tenho visto posts sobre pomadas para furúnculos com uma freguesia muito mais numerosa e animada. Será que o virus do “mind control” também já afecta a população bloguista de esquerda em Portugal?

Pergunta parva e desnecessária, pois como se sabe o passatempo favorito entre a rapaziada é desperdiçar palavras na execução sumária ou encómio de personalidades políticas de segunda grandeza - uma espécie de extensão malcriada e por vezes violenta daquilo que se lê nos jornais. Noutras alturas assistimos a conversas provincianas sobre governos regionais que duram o dia todo e muitos ainda ficam a chorar por mais.

Humor então nem se fala. O pouco que há não chega para nos salvar nos dias mais cinzentos. Ninguém, por exemplo, teve a coragem de dizer ao Filipe Moura que até apetecia dar dentadinhas nas costas que ele mostrou quando se lavou na Internet. Isto até nos faz ter saudade dos lençois do Lopes e do Simões. Apareçam rapazes, e tragam a Margarida que deve ter muito que contar do que viu e ouviu na festa do Avante.

Publicado por: Bombatomica em setembro 8, 2005 08:23 AM

Este poema do nosso Tavares (nosso porque nosso - e porque pára por aqui) não é só 'original', como já foi dito. É também potencialmente histórico. Tentarei explicar, avisando de que estou a pensar alto.

Trata-se da intrusão duma realidade quotidiana num poema. Isso 'historiciza' um poema, o que é, já por si, picante. Mas é também uma intrusão violenta, esta, de um realismo cru, ainda por cima todo ele uma queixa e uma acusação - tudo elementos que fazem da literatura uma «história».

Claro que, passada a fase das papoilas, passada a dos indizíveis, a crítica de poesia entrou (e está hoje nisso bem instalada) na fase dos louvores da charada, da missa negra. E, nesta fase, poetas destes são incómodos. Mas é tremendamente importante que haja poetas como o Tavares, o José Luís. Eles desestabilizam.

Publicado por: fernando venâncio em setembro 8, 2005 08:23 AM

Bomboca amiga coisinha bem educadona:

Já estou a ver que temos os mesmos gostos, refiro-me é claro aos gostos pela porrada ideológica!

Tu disseste que usas de tua mascara por razões profissionais, não queres ao menos revelar-nos qual é o teu ramo de negócios? Assim a laia de declaração de interesses.

Publicado por: D. João e a Mascara em setembro 8, 2005 08:32 AM

Fernando,

Gostei muito das papoilas, da missa negra e do resto. Ainda bem que apareceste para devolver a sanidade aos comentários deste post. Muito embora não tenha olho para ver tudo o que viste nesse poema (aprende bombocas), acho que o Tavares é muito merecedor do teu elogio e pela minha parte prometo que irei comprar o livro em que ele meter esse poema assim que o veja à venda, se ele encontrar alguem entre a maçonaria livreira que o queira editar. Servir-me-á, sobretudo, para me lembrar que estas truculências não conseguem evitar o ressumbro dos humores agradáveis.

D. João,

Que curioso me saiste. Já ouviste falar naquela estória do Santo Agostinho, em que alguem lhe pergunta o que é que Deus andava a fazer antes de ter criado o Mundo? Se não ouviste, a sua resposta foi: Andou a criar o Inferno para as pessoas que viessem com perguntas como essa.

Mas não te vou pedir que me digas primeiro qual é o teu ramo de negócios. O meu ramo tem tido variadíssimos galhos. Para ganhar dinheiro já andei à lamejinha, ao caranguejo e camarão; fui azeiteiro, trabalhador modesto da indústria de cinema, amanuense, já fui ardina e escrevi em jornais, matalote fluvial e oceânico, operário, revolucionário com solda, proscrito, zé do telhado, servo relativamente bem pago de monopólios estatais. E talvez mais. Depois desta experiência toda, que não me dei à chatice de pôr por ordem cronológica, ainda não decidi a que ramo tenho andado pendurado. E o mais bonito é que não me considero especialista em nada e os vários diplomas que possuo já caducaram. Talvez talvez tu me possas ajudar a preencher a minha declaração para o BI.

PS - Vou adoptar o Bombocas. Gosto muito dele.


Publicado por: BOMBOCAS em setembro 8, 2005 12:11 PM

Não, bomba, eu não levo isto a peito - sou um tipo tão franzino, carências dietéticas, seguramente, que, entre o afiar a lâmina dos versos e ensinar maneiras à minha filha de cinco anos, falta-me fôlego pra vir aqui espadeirar com a malta. Mas, entrar de vez em quando na cegada, ajuda a drenar os maus humores e esbater o chumbo dos dias.

Quanto ao Zero (ou será o Oliveira? São tantas as sombras que já nem sei), não «percepcionei» bem as suas «conciderações». Perdoai-lhes, senhor, que eles só papam do britânico para cima. Vou fazer forward para o meu ex prof de ontologia. Ele é que cavalga bem tais «pregnâncias».


Ó Fernando, não me ponha já a fazer história, eu que até roubei o dia e o nome ao outro Luís, o verdadeiro - eu sou apenas um clone esforçado. O que me vale, é que o senhor isaltino morais não visita a caixa de comentários do bde (consta que é mais de ter sobrinhos taxistas&milionários lá para as helvécias), caso contrário, corria o risco de acabar os meus dias em estado de estátua lá para os lados do poetódromo de oeiras.

Em tempo: não, meu caro fernando, sem querer reinvidicar nenhuma autoridade hermenêutica, que nenhum autor empírico possui - faço apenas de comentador anódino -, eu não estava a queixar-me. Se a coisa saiu um pouco mais chorosa, foi capricho do poema, não deliberação consciente da criatura escrevente.
Tem lá o direito - seria até indecoroso - de queixar-se alguém que, no suplemento «Actual» do jornal Expresso de 23 de abril de 2005, a propósito do livro «Agreste Matéria Mundo», mereceu estas palavras do António Cabrita? « Estamos diante de um "caso literário", a que só a miopia de uma certa crítica obcecada com os graus de parentesco não dá o devido relevo. Com Josè Luís Tavares apetece lembrar o que Brodsky escreveu sobre Derek Walcott: esta cobardia mental e espiritual patente nos intentos para converter este homem num escritor regional pode-se explicar pela pouca vontade da crítica profissional em admitir que o grande poeta da língua inglesa é negro.» Não é de fazer corar de inveja os deuses do olimpo? Aceito penitência pelo deslize ególatra.

Porfiai, até nova rodada. De versos, ou coisa mais sulfurosa.

Publicado por: José Luís Tavares em setembro 8, 2005 04:58 PM

"Perdoai-lhes, senhor, que eles só papam do britânico para cima." Não será tanto assim, por acaso agora ando a ler um livro de um autor português.

O problema é que eu e a Bombatómica andamos a trocar galhardetes há vários dias, e desta vez calhou aqui na sua caixa de comentários. Peço desculpa!

Continue a escrever mais coisas destas, isto é interessantíssimo. Eu e a Bombatómica adoramos ser "desestabilizados". Se eu era ou não um dos que você queria "desestabilizar" isso já não me diz respeito a mim ...

Publicado por: Zero à Esquerda em setembro 8, 2005 05:58 PM

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