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agosto 25, 2005

A MÃO INVISÍVEL EM ACÇÃO

Reza o evangelho do liberalismo que os mercados, quando entregues a si mesmos, são levados por uma espécie de gravidade benigna, a famosa "mão invisível", a trabalhar para o bem de toda a sociedade.
Querem saber como é que este mecanismo maravilhoso opera os seus milagres? Inteirem-se do último escândalo revelado pelo "Canard Enchaîné": as três principais operadoras de redes de comunicações móveis em França reuniam-se periodicamente para ajustar entre si a partição do respectivo mercado, no que um dos implicados descreveu como a "Ialta das quotas de mercado". A manigância chegava ao requinte de os dois maiores operadores combinarem ajudar o menor a aumentar a sua fatia, impedindo as suas próprias quotas de atingir os 50%, coisa que os proibiria de gerir à vontade as suas carteiras de preços. E lá se foi a livre concorrência.
Se isto é o que se passa num mercado regulado, imagine-se o que aconteceria na ausência total de regras… Sim, é lindo o sonho liberal.

Publicado por Luis Rainha às agosto 25, 2005 11:39 AM

Comentários

A "mão invisivel" tem, mesmo para os liberais, alguns limites. Um deles é o oligopólio. Por isso são criadas "autoridades para a concorrência" em todos os países desenvolvidos, mais ou menos capitalistas. Diga-nos algo de novo, Raínha.

Publicado por: Luis J. em agosto 25, 2005 12:06 PM

Anda por aí alguma confusão. Uma coisa é o que "os países desenvolvidos, mais ou menos capitalistas" fazem; outra é a doutrina liberal, que me parece bastante devotada à desregulamentação. É fácil verificar que sempre existiu uma certa tensão entre os próprios liberais a este respeito; mas os mais fundamentalistas são contra qualquer supervisão dos mercados.

Publicado por: LR em agosto 25, 2005 12:16 PM

Há aí uma mão bem visível, a mão do estado que limita o mercado a 3 operadores. Com uma reserva de mercado garantida a dividir por três, e estando proibida a entrada a novos agentes, a festa faz-se...

jcd

Publicado por: jcd em agosto 25, 2005 12:25 PM

jcd,

Ignoro se o número de operadores em França é mesmo regulamentado; o artigo menciona como desvantagem desta cartelização a dificuldade de acesso ao mercado por parte de novos concorrentes: "Une entente sur les tarifs est préjudiciable pour les consommateurs à plus d'un titre : outre ses conséquences sur les prix, elle a pu empêcher d'éventuels concurrents d'entrer sur le marché français".

Publicado por: LR em agosto 25, 2005 12:29 PM

Quota de mercado em França (no artigo):

Orange: 47,1%
SFR: 35,7%
Bouygues: 17,2%

O total é 100%.

Não faz sentido atribuir à cartelização o impedimento de acesso de novos operadores.

A cartelização faz com os preços fiquem altos e próximos do preço de monopólio, o que abriria espaço a que qualquer outro operador entrasse no mercado com bons potenciais de lucro.

jcd

Publicado por: jcd em agosto 25, 2005 12:50 PM

Sim; mas a cartelização também pode dificultar a vida a candidatos a concorrentes que necessitem de parcerias em infraestruturas, que queiram ter acesso a pontos de venda decisivos (é só ver como a Sagres e a Super Bock fidelizam à força os seus revendedores), que julguem operar num mercado onde as empresas dominantes não se possam aliar para liquidar um lançamento comercial alheio, etc.
Facto é que não encontro qualquer indicativo de que esse número seja fruto de uma regulamentação.

Publicado por: LR em agosto 25, 2005 01:17 PM

O número de operadores no mercado não é objecto de regulamentação. Aliás, a entidade reguladora do sector já andava mal disposta com o fraco panorama concorrencial...

Publicado por: LR em agosto 25, 2005 01:34 PM

Raios me partam se percebo o que é que o JCD está a tentar defender. Um cartel? A não-rentabilidade para possiveis candidatos e concorrência? Defesa ou condenação de liberalismos capitalistas que dêm oportunidade a toda a gente? Explique-se, homem, que já me está a meter raiva com tanta paneleirice incompreensível!

Publicado por: Telemóvel em agosto 25, 2005 02:25 PM

LR,

O número de operadores no mercado tem que ser objecto de regulação porque o número de frequências é necessariamente limitado. As licenças são atribuidas pelos governos, normalmente com base em critérios políticos. A questão é portanto a de se saber porque é que não foi atribuída uma quarta licença. Se não existissem barreiras à entrada exisitiriam certamente interessados.

Publicado por: JoaoMiranda em agosto 25, 2005 02:47 PM

O que digo é que o limite em França, a existir algum, não é de 3 operadores. E julgo que o espectro electromagnético não terá muito a ver com isto, ao contrário do que se passa na TV.

Publicado por: LR em agosto 25, 2005 02:56 PM

Caro LR,

Ao contrário do que diz existe um limite de 3 operadores em França visto que o estado só concedeu 3 licenças. Aliás (e basta ver o segundo artigo, que duvido que tenha lido) a ART estava incomodada porque nas licenças de UMTS essa situação se irá manter.

Esta é claramente uma situação de oligopólio por deficiente intervenção do Estado. Não percebo porque é que o LR o insiste em colar ao liberalismo.

P.S: O Liberalismo não é a ausência total de regras. Recomendo a leitura (em geral) para suprir os seus défices de conhecimentos. E faça o favor de começar por ler os próprios artigos que recomenda.

Publicado por: Daniel Marques em agosto 25, 2005 03:23 PM

Nao o quero chocar, mas o mesmo acontece em Portugal. Nao e uma acusacao fortuita, nem obscura: durante anos havia aquela opcao de que o cliente podia escolher o tarifario de qualquer outra operadora. Por exemplo, os clientes da Vodafone podiam mudar o tarifario para o da TMN, a qualquer momento. Obviamente, isso e o piloto automatico do conluio: se a TMN decidir baixar o preco para aumentar os seus clientes, a Vodafone, sem mexer um dedo, baixava automaticamente os seus precos - porque eram os mesmos da TMN. Assim, a TMN sabia a partida que nao lhe servia de nada baixar os precos, e todos os mantinham muito acima do que seria normal em concorrencia. Nao eram preciso reunioes e outras coisas chatas que tiram tempo e dinheiro. E o cliente ainda achava que as operadores eram mesmo amigas, porque lhes permitiam escolha e tudo.

Publicado por: Luis em agosto 25, 2005 04:19 PM

D. Marques,
O tal artigo que não li diz: "Les trois détenteurs de licences UMTS sont les opérateurs GSM actuels. Pour l'Omsyc, l'attribution de fréquences 3G peut permettre l'arrivée d'acteurs capables d'accroître la concurrence." Por estranho que lhe possa parecer, havia 4 licenças de UMTS disponíveis; mas isto nem sequer é relevante.
Onde é que está por ali escrito que só existem 3 licenças para operadoras de telefones móveis porque o Estado se recusou a emitir mais? E se fossem 4 ou 5 operadores, onde estaria impedido o fenómeno de cartelização que aparentemente se verificou? Onde estão as grandes variações no preço dos combustíveis em Portugal, por exemplo?
E a existência de licenças não configura uma "intervenção do estado"; trata-se sim de alugar o usufruto de um bem comum a empresas. Já agora, não "colei" nada ao liberalismo; foi apenas de um inofensivo mas instrutivo choque entre a linda teoria e a feia realidade. Mas já percebi que está certo do que é que o liberalismo é, ao contrário de muitos autores, incluindo o do outro artigo que não li mas que citei num comentário anterior.
Não deixa de ser cómico que atribua a cartelização a uma "deficiente intervenção do Estado" (mas há alguma que o não seja?), não à cupidez das empresas em questão. Há quem prefira viver num mundo de sonhos. Tudo bem.

Publicado por: LR em agosto 25, 2005 04:26 PM

Luis Raínha, eu aprecio e concordo com a sua denúncia dos cartéis, mas não compreendo porque sente tanta necessidade de dar essas facadinhas tão canhestras nos liberais.

Dizer que há gente radical e "fundamentalista"não resolve o problema. Ou o Luis Raínha também está disposto a condenar o Islâo, só porque tem os seus "fundamentalistas" que defendem a guerra santa contra o Ocidente? Como calcula, podia multiplicar os exemplos. Tomar a parte pelo todo é que indicía alguma confusão.

De qualquer modo, para tornar este debate um pouco mais construtivo, talvez valha a pena chamar a atenção para o que se passa actualmente, não em França, mas na banca portuguesa. Um amigo, que vende produtos financeiros, confessava-me à dias que deparava muitas vezes com interlocutores de um banco que, rejeitando a sua oferta, o em purram para outro, onde ela é aceite. Assim, vários bancos se organizam para dividir o mercado em franjas lucrativas, pois não concorrem entre si. Outro amigo, que trabalha na CGD, tem uma teoria muito peculiar para a não privatização da Caixa. Além dos tachos políticos, que dão jeito, ele considera que o principal responsável por a Caixa ser ainda uma empresa participada é... da concorrência. A tese do meu amigo é muito simples: se a Caixa fosse privatizada, seria adquirida por um banco estrangeiro de grande dimensão. Ora uma CGD bem trabalhada arrasa com qualquer competição nacional. Por isso o meu amigo acha que os BCP e BES da vida preferem ir "comendo", lentamente, o maior banco português, e só o largarão quando ele estiver bem esvaziado da sua quota de mercado. É uma teoria.

E, diga-se de passagem, é também um bom argumento a favor da privatização, que provavelmente revoltará os seus instintos tão esquerdistas.

Publicado por: Luis J. em agosto 25, 2005 04:46 PM

Luis J.,

Repara que aqui a palavra "fundamentalista" tem significados bem diversos daqueles que ganha no campo religioso: não falamos de gente que quer encurtar as distâncias em que Trata-se apenas dos teóricos mais "puros" do liberalismo económico, que postulam que toda a desregulamentação é boa e que os mercados só ganham se entregues ao "laissez faire" absoluto. Estes teóricos não são extremistas marginais, antes pelo contrário. Nem precisas de sair de Portugal para encontrar muita gente a argumentar (e com bons raciocínios) a favor de tais teses.

Publicado por: LR em agosto 25, 2005 04:59 PM

LR,

Até Portugal que é bem mais pequeno poderia ter 4 licenças de telemóveis. Só não existem porque, com a cumplicidade do estado, a quarta foi metida na gaveta.

A França tem certamente direito a mais que 3 e se não foram atribuidas mais de 3 não é certamente por falta de interesse dos privados. É porque o estado não a quer atribuir.

Já agora, a Orange é uma empresa controlada pelo estado francês, pelo que o que o LR está a criticar é um cartel dirigido por uma empresa estatal, a mesma empresa que conseguiu a liderança do mercado por ser o monopólio histórico e não por ter consquistado essa posição no mercado aberto.

Quanto ao mercado de combustíveis em Portugal, o que temos é um mercado dominado pela Galp ... que também é uma empresa dominada e protegida pelo estado. Se há cartel, é um cartel público. Aliás, até há pouco tempo o estado proíbia as bombas de gasolina nos hipermercados e é o estado que continua a controlar os portos, infraestruturas absolutamente essenciais para o negócio da distribuíção de combustíveis.

Publicado por: JoaoMiranda em agosto 25, 2005 05:01 PM

Caro LR,

"En revanche, dans le groupe des sept pays étudiés, la France est la seule qui n'aura pas d'opérateur mobile uniquement UMTS, la troisième génération de téléphonie mobile. Les trois détenteurs de licences UMTS sont les opérateurs GSM actuels."

Isto é o que diz o artigo. Se você pensa que não existem mais porque ninguém pediu... Não sei quem vive na terra dos sonhos.

Se o estado não cumpre o papel de regulador as empresas abusam. Tal como o estado se tiver oportunidade também abusa. As empresas, tal como o estado são feitas de homens e os homens erram. Daí a vantagem do liberalismo. Pequenos erros nas pequenas decisões de muitos tem menor efeito que grandes erros nas grandes decisões de poucos.

Mas afinal que sistema é que o LR defende? Um mundo sem homens?

Abraço,
Daniel

Publicado por: Daniel Marques em agosto 25, 2005 05:03 PM

Uma das formas de os governos interferirem no mercado é através do estabelecimento de licenças demasiado caras. Foi o que o governo francês fez par a as licenças dos telemóveis 3G. Ver:

http://news.bbc.co.uk/1/hi/business/1135117.stm

Publicado por: JoaoMiranda em agosto 25, 2005 05:14 PM

Onde se lê "Se o Estado não cumpre o papel de regulador" deve ler-se "Quando o Estado insiste em regular a economia". A frase original dá ideia de que o estado deve intervir na economia. Desculpas pelo lapso.

Publicado por: Daniel Marques em agosto 25, 2005 05:18 PM

O lapso do Daniel (que faria as delícias de Freud) já me estava a dar a ilusão de algum comedimento. Hélas!

"Quando o Estado insiste em regular a economia, as empresas abusam" esta era, ao que parece, a frase certa. Pois se as empresas abusam com supervisão, passam a comportar-se com toda a lisura e civismo se entregues apenas aos seus caprichos, sem restrições? Mas quem acreditará em semelhante fantasia? (Eu não, que por acaso até sou empresário.)

Havia 4 licenças UTMS em França. Apenas 4 foram atribuídas, provavelmente por o preço pedido tornar o negócio desinteressante. Mas o que eu referi no último comentário foram mesmo as licenças de operador de telefónicas sem fios, tout court.

De qualquer forma, o importante é que este mercado se cristalizou num sistema de cartel, em que só perdem os consumidores. Ter tal mecanismo sido criado por 3, 4 ou 5 empresas é irrelevante, tal como o facto de pertencerem ou não ao estado.
Não defendo a infalibilidade estatal (ainda não fiz a lobotomia); mas não estou a ver o bem comum que a "mão invisivel" promoveu neste caso.

Publicado por: LR em agosto 25, 2005 05:47 PM

Poxa Luis, eu insisto em ser falivel e você a não ler. O que o texto fala é de telemoveis normais... E só depois de UMTS

O que eu digo é que 100 empresas não conseguem organizar-se em cartel. E você a dar-lhes com as 5 ou 6. 100, 1000, 10.000. é bem diferente...

Alguem está a defender este mercado? Estou a defender o mercado. E este não é o caso...

P.S: E Freud era um charlatão...

Publicado por: Daniel Marques em agosto 25, 2005 06:33 PM

«100, 1000, 10.000 empresas de telemóveis».
Está provado. Daniel Marques é o Guevera do liberalismo.

Publicado por: Gracchus em agosto 25, 2005 08:19 PM

Mas quem é o lírico que acredita que numa actividade tão tecnologicamente exigente como as telecomunicações existirão algum dia "100, 1000, 10000" empresas em concorrência?! Quem é tão ignorante que não saiba que, tal como acontece em muitas coutras actividades, aliás, as economias de escala levam inevitavelmente a que, caso o ponto de partida seja esse, rapidamente o número de empresas efectivamente em concorrência se reduza a um punhado, seja por falência das empresas mais pequenas, seja por compras e fusões, seja por especialização da maioria das pequenas empresas em certos nichos pouco interessantes para as empresas maiores e mais genéricas, que, essas sim, concorrem de facto no mercado? Essas as duas ou três que restam?

Ou terá sido o estado a reduzir artificialmente o número de empresas relevantes no retalho, na distribuição, as discográficas, etc., etc.?

Realmente, esta crença no liberalismo económico é como a crença nos milagres de Fátima: é uma questão de fé. Não tem nada a ver com o córtex. A palavra "mercado" só actua mesmo a nível do sistema límbico.

Publicado por: Jorge em agosto 25, 2005 08:29 PM

Caro Jorge,

Está a comparar mercados reduzidos pela concorrência que resultam em soluções mais eficientes para o consumidor (apesar de temporariamente existirem monopólios que rapidamente, caso o mercado funcione, são eliminados pela evolução) com mercados reduzidos artificialmente pelo estado.

E já agora, peço desculpa pela minha ignorância porque realmente pensei que era possivel haver 100 empresas de telemoveis. Já me estava a imaginar dono de uma. Afinal não é possivel. Obrigado Jorge pelo esclarecimento.

P.S: Quem sabe o que é o sistema limbico (eu não sabia, obrigado wikipedia) devia saber alguma coisa sobre abstração...

Publicado por: Daniel Marques em agosto 25, 2005 09:03 PM

Isto nem em Fátima: se as empresas se cartelizam, a culpa é do Estado!
Ou, nesta imortal tirada, "Quando o Estado insiste em regular a economia, as empresas abusam". Dêem já um Nobel ao Daniel!

Publicado por: LR em agosto 25, 2005 11:55 PM

Caro Luis,

Eu sei que você é o verdadeiro "homus sound-bytus" e que só lê uma frase de cada paragrafo. Daí a sua facilidade em tirar frases do contexto, deturpar o que escrevo e tirar as conclusões que lhe apetecem.

Sendo assim não posso aceitar o Nobel. Mas de qualquer forma obrigado.

Publicado por: Daniel Marques em agosto 26, 2005 09:38 AM

Desculpe lá ó Daniel: eu cá sou muito tolerante, etc, mas isso do "homus" é que não!

Mas não fique em cuidados, que você ficou meu credor: devo-lhe largos minutos de alegria, graças à forma como trocou a reveladora frase "Se o estado não cumpre o papel de regulador as empresas abusam " por "Quando o Estado insiste em regular a economia as empresas abusam".
Se isto é tirar algo do contexto ou deturpar o que quer que seja, a acção fica com quem a praticou: o Sr. Daniel Marques, que, aparentemente, ainda não tem bem a certeza se é coisa boa ou não ter o Estado a regular seja lá o que for.
Acerte as ideias que o Nobel ainda acaba por dar consigo.

Publicado por: LR em agosto 26, 2005 11:30 AM

Caro infalivel Luis que me acusa de lapsos que eu mesmo corrigi... 10 minutos depois e com unica consequência estragar-lhe a piada. Está a escrever para mim ou para a plateia?

Quando os "alter" tomarem conta do país você, se continuar infalivel, pode contar com o meu voto (se é que vai haver votação) ou aclamação (o mais provável que vá acontecer) para secretário geral.

Publicado por: Daniel Marques em agosto 26, 2005 12:06 PM

Daniel,

Não sei se é da hora, da proximidade do almoço, ou quê. Mas facto é que você ainda não percebeu o motivo do meu deleite: depois da suposta correcção, a sua frase perdeu qualquer farrapo de sentido!

Diga-ma lá o que significa, afinal, "Quando o Estado insiste em regular a economia as empresas abusam"? Por sinal, até concordava com a primeira versão, aquela que depois a ânsia do politicamente correcto liberal o levou a emendar de forma tão desastrada...

Publicado por: LR em agosto 26, 2005 01:31 PM

Caro Luis,

Factos:
1-O estado francês só atribui 3 licenças (na holanda à 5 operadores, p.ex). Porquê? O facto uma ser publica e a Bouygues uma construtora pode explicar muito.
2-Sendo só três e com sede em Paris as empresas cartelizam-se. A tendência natural da empresa para maximizar o lucro.
3-Num mercado concorrêncial apareceriam outros operadores a tirar vantagem dos preços altos: Tendência do investidor para buscar mercados com lucros elevados.
4 - Neste caso não. Porque o estado limitou o mercado.
5-Conclusão/Generalização minha: quando o estado regula a economia as empresas abusam. Se funcionasse o mercado o cartel não seria possível.
6-Conclusão do Luis: Se fossem 4/5 era o mesmo e mais empresas não são tecnicamente possível. O Estado não tem culpa nenhuma. A culpa é da mão invisivel!

Só se for a mão invisivel das luvas pagas ao Estado francês!!!

Abraço,
Daniel

p.S: Sobre a emenda. Pelo facto de o LR concordar com a frase é que eu a corrigi! A verdade é que depois do debate perdido pela esquerda sobre o estado Interventor esta tem vindo a apropriar-se do conceito de estado Regulador anteriormente com uma tendencia mais liberal (ver por exemplo http://aba-da-causa.blogspot.com/2004/09/o-estado-regulador-no-ps-que-vem.html).

Publicado por: Daniel Marques em agosto 26, 2005 04:15 PM

Partir do princípio que basta a uma nova empresa boa vontade e desejos de aproveitar os preços altos para furar um esquema de cartel é mesmo de quem nunca se viu à frente de uma empresa.

"Abuso de posição dominante" é uma frase que nada lhe diz? Só em teoria: porque será que a Microsoft anda a sofrer derrotas em tribunais americanos? E quão fácil seria agora a vida de um recém-chegado a esse mercado? Hmm?

Experimente, por exemplo à nossa escala, lançar uma cerveja de grande consumo, fora das grandes cervejeiras. Garanto-lhe (porque até já colaborei num desses projectos) que quando começar a analisar a distribuição e a relação com pontos de venda reféns da Centralcer e Unicer, logo se desvanecem essas ilusões sobre os mercados livres. E, que eu saiba, ninguém limita este mercado em Portugal...

Publicado por: LR em agosto 26, 2005 07:23 PM

O debate está a ser extremamente interessante. Espero que o meu comentário não o polua ou desconcentre os intervenientes. Só estou a escrever para sugerir a chamada de atenção para o debate no corpo principal do blogue.
Abraço
Pedro

Publicado por: Pedro Gil em agosto 26, 2005 08:16 PM

A pergunta básica é: comparado com o quê? Os preços seriam mais baixos numa situação de monopólio estatal? Seriam baixos se o mercado fosse mesmo livre (sem limitação do número de operadoras)?

Além disso, este tipo de acordos são sempre instáveis se não tiverem apoio do Estado. Há sempre alguém que o quebra. A história está cheia de estórias destas e não conheço nenhum cartel que se tenha mantido sem força de lei em mercado livre.

Publicado por: luispedro em agosto 30, 2005 11:40 AM