maio 25, 2004

ESSA MARAVILHOSA CIÊNCIA QUE NOS DESFAZ (2)

2- E se a nossa (?) tendência para criar ligações amorosas duradouras não fosse uma dádiva de Deus nem uma prova de que somos muito diferentes de cães e gatos, esses promíscuos? E se até este nobre impulso também dependesse de umas míseras moléculas aos pulos dentro dos nossos cérebros?
É triste mas aparenta ser verdade: andam por aí uns roedores que apresentam comportamentos sociais totalmente diferentes consoante a subespécie a que pertencem. O bicharoco que vive na pradaria é monógamo e protege com ardor a sua companheira e respectivas crias. A outra variedade só quer saber de rapidinhas; e quantos mais parceiros melhor. O património genético destes dois animalejos difere apenas em 1%; o bastante para deixar a variedade romântica sensível a duas endorfinas decisivas: a oxitocina e a vasopressina.
Estes nomes tão prosaicos podem representar a verdadeira face de Cupido. Ao que parece, nem o facto de sermos feitos à imagem de Deus - logo incomparáveis a meros roedores - nos livra desta rasteira dependência química sempre que amamos alguém. E andou o pobre Werther a sofrer por causa disto...

Publicado por Luis Rainha em maio 25, 2004 06:06 PM | TrackBack
Comentários

brinca brinca, se ela te lê este post depois queixa-te ao werther

Afixado por: tchernignobyl em maio 25, 2004 06:20 PM

Agora que dizes isso, acho que o chá tinha um travozinho a oxitocina...
:)

Afixado por: José Mário Silva em maio 25, 2004 09:22 PM

Eu percebo a ironia que perpassa nos teus dois posts sobre "a maravilhosa ciência" mas acho que devemos combater uma certa arrogância, própria da nossa espécie, e que nos pretende apartar do resto da natureza. Por acaso escrevi um post sobre o tema no Daedalus (post: ridiculous thoughts- a linguagem entre os animais) que te convido a ler e a comentar. abraço

Afixado por: Francisco Curate em maio 25, 2004 10:33 PM
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