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maio 29, 2005

MAIS OUI, C'EST NON

A vitória do «Não» no referendo de hoje em França (tudo aponta para um resultado de 56%, contra 44% do «Sim»), é um resultado muito mais importante e complexo do que alguns comentários apressados querem fazer crer. Por várias razões:

1) É a vitória da maturidade democrática de um povo que soube levar à letra a ideia de referendo: uma escolha livre (neste caso a recusa de um Tratado Constitucional ambíguo em questões fulcrais) e não a validação acrítica de um documento que as elites quiseram apresentar como pedra de toque inalterável da construção europeia.

2) É a derrota de uma forma inqualificável de chantagem. A dos europeístas apressados, defensores de uma federalização a mata-cavalos e com tendência a ostracizar todos aqueles que consideram (como eu, como o Manel, como muitos outros) que é preciso pensar melhor, e sem pressas, no modelo de Europa a construir nas próximas décadas. Uma Europa que não tem obrigatoriamente de ficar vinculada, ainda por cima em letra de lei, à mais pura lógica liberal.

3) É a prova de que os grandes passos do projecto europeu não podem ser decididos apenas pelas elites políticas, nem reduzidos a meras etapas de um caminho previamente traçado e de sentido único. Os europeus têm direito a uma palavra sobre o seu destino comum. E têm direito a questionar os instrumentos que vão reger esse destino comum. Ao rejeitarem um projecto de Constituição que estava longe de ser neutro e benigno, os franceses foram, hoje, os mais europeus dos europeus.

4) Apesar do contributo dos nacionalistas e do Front National, que são a face incómoda de um «Não» necessariamente heterogéneo, é injusto fazer da recusa dos franceses a expressão de um voto eurocéptico. A maioria dos eleitores acredita na Europa, mas não necessariamente na Europa que nos quiseram impor. E isso é um sinal muito positivo. Quer dizer que ainda há quem resista ao canto das sereias. E, como previa o Luis Rainha, a França voltou a dar uma lição de liberdade ao mundo.

[Mais comentários amanhã]

Publicado por José Mário Silva às maio 29, 2005 11:27 PM

Comentários

José, os intelectuais nâo aceitam facilmente as tuas tiorias,julgando erradamente muito simplistas,mas élas sâo correctas,e bastante lucidas.Os Françêses tinham visto antes em que bateau se embarcavam:os sinais tinham sido dados pelos seus partenarios,entre os quais os Portugueses.Mister Bush a puxar para o aceite do referendo,so veio comfirmar as apreençôes.Al-Hayat nâo conhêço: em escrevendo refuso das reformas e se agarrando aos acquis sociais.Ainda mais uma vês o mister Bush esta fazendo nos Stats,nâo lhes deixou alguma alternativa!Imformados e ao corrente do gentil-Presidente que tinham,votaram como um povo maduro

Publicado por: calhordus em maio 30, 2005 07:34 AM