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maio 26, 2005

A DERROTA DO APARELHO?

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Sim; faço ideia do imenso calhau que vai atravancar a europeia engrenagem se o “Não” vencer em França. E, por acaso, até nem tenho ideia formada sobre a dita “Constituição Europeia”, para lá da golpada anti-democrática que me parece o acto de prestidigitação do “grupo de sábios” que emergiu um dia do seu ermitério com uma bela lei fundamental para reger milhões e milhões de destinos. Mas de uma coisa permaneço certo: a vitória do “Não” em França será uma tremenda derrota para os homens das rédeas, para os traficantes de influências, para os gestores de votos dos muitos “centrões” desta nossa Europa. Julgavam eles que as suas vontades poderiam ecoar de imediato em incontáveis mesas de voto, sem mais aquelas? Tinham eles por certo, de Chirac a Mário Soares, que umas horitas de paternalistas tempos de antena e umas dúzias de entrevistas bastam para nos convencer seja lá do que for? Azar. Afinal, ainda sobrevivem algumas résteas de livre arbítrio nas nossas meninges tão modernas, civilizadas e europeias.
Para admirar esta pequena e insensata revolta gaulesa, tenho de pagar o preço da companhia de nacionalismos bolorentos e insalubres? Assim seja; afinal, o apego a identidades territoriais também é um direito, por muito que me pareça apenas um atavismo folclórico. Vai ser preciso recuar alguns passos na construção europeia para dar espaço a este improvável assomo de rebeldia? Azar.
Não consigo afastar o pressentimento crucial: a França prepara-se para dar mais uma lição de liberdade ao mundo.

Publicado por Luis Rainha às maio 26, 2005 10:22 PM

Comentários

Ja tens o medina power

Publicado por: goncalo em maio 27, 2005 12:21 AM

euodeiomedinacarreira.blogspot.com

Publicado por: goncalo em maio 27, 2005 12:22 AM

ah... e vão cortas as cabeças de quem, desta vez?

Publicado por: Ai sim? em maio 27, 2005 01:37 AM

"cortas" não, cortar. Eles cortam sempre uma carrada de cabeças quando instauram a liberdade, não é?

Publicado por: Ai sim? em maio 27, 2005 01:42 AM

Concordo a 100%.

Publicado por: João Pedro da Costa em maio 27, 2005 02:16 AM

Abaixo os organismos de cúpula.
Vivam os orgasmos de cópula!

Publicado por: frente guevarista libertaria em maio 27, 2005 03:23 AM

Muito se tem falado sobre o tratado de constituição européia nos blogs e jornais portugueses mas na quase totalidade a discussão parece centrar-se na oposição "sim porque sim" e no "não porque não". A tentativa de esclarecer todas as razões possíveis para "nãos e sims" de um blog como O Sítio do Não promovido por Pacheco Pereira nunca poderá ser suficientemente louvada, se bem que a posição do próprio Pacheco (ver Abrupto) pareça estar muito próxima de um "não porque não".
Existe o "não porque não arruaçeiro" de Luis Rainha, felizmente, de volta, ao BdE; o "não porque não cheio de dúvidas" de Francisco José Viegas; o "não porque não profundo" de Miguel Portas. Existem também louváveis excepções como o "não solitário"(aqui e aqui) de António Barreto.
De tudo isto fica a sensação de que as pessoas de bem que estão a favor do Não ao Tratado/Constituição, o estão demasiadas vezes por razões frívolas e divertem-se ou são inconscientes da transcendência do momento que vivem. Mas os portugueses votarão Sim.
Em França, por otro lado, votarão Não. Mas não pelas razões provocadoras e frívolas que os comentaristas lusos gostam de exaltar mas pelas razões "frívolas" que foram erróneamente mas intencionalmente misturadas com o debate pelas pessoas de mal que querem que o Não vença: o desemprego, a adesão de Turquia, poderes locais, etc. O que se está construindo pelo lado do Não é uma Europa que se desfaz nos seus interesses e preconceitos locais, mesquinhos e de curto prazo.
É porque estou a favor de uma Europa Federal que estou a favor do Sim pelo Tratado, as mesmas razões pelas quais António Barreto está em contra. Com o Não em lugar de termos uma Europa alargada mais estável e bem encaminhada teremos uma Europa alargada mais instável, mais mesquinha, mais perdida. Defendendo o voto Não para mostrar para os chefes que temos colhões para além de mostrar ao mundo nosso minimalismo intelectual estamos construindo um futuro negro para Europa. Já se verá depois se seremos capazes de solucionar esta trapalhada e quanto tempo demoraremos em fazer-lo.
(post de leileteia.blogspot.com)

Publicado por: Rui Fernandes em maio 27, 2005 11:22 AM

Rui Fernandes,
Não se trata, pela minha parte, de emitir um "não". Como escrevi, ainda não estou em condições de ter uma opinião sólida sobre tal tema. Apenas me causa alguma surpresa e admiração que um povo consiga evadir-se do redil do consenso forçado onde o queriam encafuar. Só isso.

Publicado por: Luis Rainha em maio 27, 2005 12:42 PM

Não se trata de verdadeira liberdade, de tão insana que é. Acho mesmo que é a habitual cena francesa. Quanto ao resto, estou contigo. (olha lá, pá, não tinhas não sei o quê para combinar comigo?)

Publicado por: monty em maio 27, 2005 01:10 PM

«A habitual cena francesa»? Como assim, Monty?

Publicado por: João Pedro da Costa em maio 27, 2005 01:20 PM

"a França prepara-se para dar mais uma lição de liberdade ao mundo."

É efectivamente isto que penso, a força do voto é de facto poderosa se de facto o não vencer em França, penso que tudo mudará, tal como tu pá ainda não estou com uma opinião sólida sobre o sim e o não.

Mas acho que o que se deve sublinhar é mesmo isso, a capacidade de um povo dizer basta!

Abraço,

Bin

(recebeste o correio Luis?)

Publicado por: bin_tex em maio 27, 2005 07:13 PM

Ó Rui Fernandes, deculpe lá a franqueza mas vocemecê é um grande ignorante. Se não é bruxo, como é que pode garantir-nos que o "não" tornará a Europa "mais mesquinha e mais perdida"?.É que nem sequer se deu à modéstia de nos dizer que isso é só na sua opinião, já reparou? O Luís Rainha, que ainda não tem ideias "sólidas" sobre o assunto porque está à espera dumas análises que fez à cabeça recentemente, prova ignorância doutro tipo. O que me faz acreditar que tanto você como ele são dois produtos da secção portuguesa da operação "fuckmind" internacional.

Publicado por: Cetaline em maio 28, 2005 10:33 PM

Em França a maior parte da população votou com as franjas extremistas neste referendo. As lideranças dos maiores partidos centristas se viram em minoria.
Tendo em conta o movimento do voto françês para a extrema direita nos últimos anos, e tendo em conta também a maior parte das motivações do voto no não, a situação é no minímo preocupante. A divisão do partido socialista françês neste referendo se poderá verificar como uma descarada irresponsabilidade em eleições futuras.
Não creio que sejam oportunas alegrias libertárias como aqui se afirma acerca deste resultado. Outras situações em que maiorias eleitorais optaram por soluções não defendidas pelo dito status-quo em sociedades democráticas terminaram muito mal, e é com estas situações que vejo mais parecenças, guardadas as devidas distâncias mas tidas em conta as claras analogias.
Provavelmente o mesmo pelos mesmos motivos, mais ou menos, se passará em Holanda. Noutros países como Inglaterra e Polônia o mesmo poderá passar mas por diferentes motivos.
Quando a calma de espírito sabe que este Tratado significa em geral simplificação dos tratados acumulados anteriores, colocar os cidadãos no centro do significado da palavra Europa, e a simplificação da relação destes com as suas instituições; se retira fundamento á crítica anti-burocrata e anti-institucional com que baseiam os seus argumentos a favor do não pessoas como Pacheco Pareira e outros.
Os sentimentos chauvinistas locais europeus incham seus peitos com a ajuda eventual da esquerda tonta disponível. Isto não pode ser bom.
A única ajuda que podemos fazer desde a parte de Europa convencida de si mesma enquanto pudermos (o limite oficial aceitável parece estar em quatro para os países que digam não...) é seguir em frente com Alemanha (onde os partidos de esquerda e de centro-direita devido a sua experiência histórica têem menos tendência para aventuras tontas) e forçar França e restantes a entrar mais tarde. Com novo referendo está claro. Outra emenda qualquer poderá ser pior que este soneto.
(post publicado em leileteia.blogspot.com)
Cetaline o teu comentário expressado de forma tão sincera tembém é opinião tua, certo? Acho que sim, mesmo que a originalidade não seja de todo óbvia. É que acontece que aqui cada um expressa sua opinião, a não ser que expressamente indicado o contrário. Pensei que estava subentendido. Peço desculpas...

Publicado por: Rui Fernandes em maio 30, 2005 04:59 AM

Rui,mas o que é que se passa? Num momento em que a Europa tinha que se mostrar unida,e que éra crucial para unidade da mesma. Meteram-se de joelhos yes mister Bush,we are going.Os Françêses com o nâo mostraram,a sua maturidade! Sabendo que mais tarde ou mais çêdo, iam sêr apunhalados pelos seus amigos,um costume que infelismente ainda esta em voga no jardim plantado a beira mar

Publicado por: calhordus em maio 30, 2005 07:53 AM