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maio 24, 2005

URGÊNCIA

Enviaram-me, pelo correio, o último número de uma belíssima revista de poesia luso-espanhola. Corrijo: pelo correio não, por UPS. E assim deveria ser sempre. A poesia prioritária. A poesia circulando à velocidade máxima. A poesia urgente.

Publicado por José Mário Silva às maio 24, 2005 06:33 PM

Comentários

Poesia esse campo de poetas e ilustres sonhadores e crueis realidades que ainda não entrei.
gostei da chamada de atenção.
Um abraço
2rosas

Publicado por: pr em maio 24, 2005 07:23 PM

Por amor de deus. Então isso diz-se? Desarrisca-me da tua lista de poetas contemporâneos. Não quero mais nada a ver contigo.

Publicado por: Manuel Resende em maio 24, 2005 11:42 PM

Agora agente publicitário duma empresa que utiliza não só o petróleo barato, mas também o trabalho precário para extrair uns cobres e se pirar depois?

Por amor de Deus, para seres elegante e satisfazeres esse Mexia que acha que eu sou um poeta meritório? Por falar nisso, quando encontrares o Mexia num desses encontros, diz-lhe que não fale de mim, que ninguém lhe deu autorização.

Publicado por: Manuel Resende em maio 24, 2005 11:47 PM

Ó Manel, desculpa lá mas percebeste tudo mal.
Eu só achei piada ao facto de receber uma revista de poesia através das entregas urgentes, como se dentro do pacote viesse uma flor com poucas horas de vida ou um órgão para transplante.
Não quis ser agente publicitário de ninguém. Nem da UPS, nem da DHL, nem da SEUR (tudo multinacionais com que não simpatizo por aí além, pelas razões que invocas e por outras). Acho mesmo que o dinheiro gasto numa entrega destas, assim tão inutilmente rápida, é um verdadeiro desperdício.
Mas a ideia do post não era essa. Era dizer que um volume de papel cheio de versos pode ser tão necessário e urgente (para quem gosta de poesia) como a flor que murcha depressa para os apreciadores de flores que murcham depressa.
Só isso, Manel. Por favor, não leias encapotados elogios à globalização (ou coisa parecida) onde eles não existem.
Além disso, não sou elegante nem deixo de ser para agradar seja a quem for. Se tens assuntos pendentes com o Mexia, trata de os resolver por ti mesmo.
Que raio de mau feitio, pá.
E agora vou reler o teu livro para desanuviar.

Publicado por: José Mário Silva em maio 25, 2005 12:45 AM

eu acho é que o mundo seria muito mais bonito se em vez de se dizer "u pê esse" se dissesse mesmo "ups!". seria mesmo um belo mundo.

Publicado por: jorge em maio 25, 2005 01:01 AM

Então, desculpa.

Mas para mim a poesia não é urgente. A poesia é precisamente o contrário: lenta.

A poesia não é como as flores cortadas, que murcham.

A poesia é como as árvores que levam anos a crescer.

Quando muito, a poesia poderia ser como as flores que estão na sua terra, na sua época, a nascer agora, a morrer logo. E não precisam de links para a UPS.

Não é uma questão de multinacionais.

Quanto ao Mexia não tenho questão nenhuma com ele, que sempre me tratou bem. Só que acha que eu sou uma espécie de Assis Pacheco (de resto, poeta que, aliás, muito aprecio, mas com o qual pouco tenho a ver), e, sinceramente, não gosto nada de solidariedades geracionais.

Admito perfeitamente que seja parvo, mas apeteceu-me desopilar.

Publicado por: Manuel Resende em maio 25, 2005 01:03 AM

ainda me estou a rir

Publicado por: manuel resende em maio 25, 2005 01:05 AM

Assim está melhor, Manel.
Assim já se pode falar.
E a propósito:
Eu não escrevi que a poesia devia ser escrita à velocidade máxima. Escrevi que ela deve circular à velocidade máxima. E é isso que acontece, por exemplo, com as teus versos e traduções lá no Quartzo, Feldspato e Mica, não é? Acabas de postar uma quadra sarcástica e já há um gajo a ler aquilo na Austrália. Queres coisa mais rápida do que isto?
Quanto ao resto, concordo que a poesia é como as árvores que levam anos a crescer (nem fazes ideia do tempo que levo a escrever um miserável poemeco) e o link para UPS só estava lá porque podia haver algum leitor que não soubesse o que as três letras da UPS significam.
Pronto, é só isto.
Desopila à vontade.
Ah, já me esquecia: vou manter-te na minha lista de poetas contemporâneos. Espero que não te importes.
Um abraço,
ZM

Publicado por: José Mário Silva em maio 25, 2005 01:30 AM

Pois aí é que te enganas.

Não está nenhum gajo na Austrália a ler. Mas mesmo nenhum. E sei do que estou a falar. Tive um sítio de poesia (com poetas portugueses contemporâneos, não eu) durante alguns anos na infernet e quem lia aquilo? Meia dúzia de gat(o/a)s pingad(o/a)s e outr(o/a)s linfátic(o/a)s e outr(o/a)s que tinham outros sítios que eram lidos por meia dúzia de gat@a pingad@s e outr@as linfátic@s que tinham etc. Qual australiano qual caraças...

É como tudo. Sob a aparente velocidade que permitem as novas tecnologias esconde-se um sempre e impertinente chapinhar no mesmo sítio, sem sair do lugar. E sob a aparente comunicação instantânea de todos com todos, está a construir-se uma rede hierárquica em que quem tem poder pode e @a outr@s continuam entretid@s a pensar que pensam e que podem.

E mais uma vez, a poesia não é só na sua produção que é lenta e tem de ser lenta. É na sua divulgação que tem de o ser.

Publicado por: Manuel Resende em maio 25, 2005 01:50 AM

Lembro-me de que havia uma correspondente minha numa lista de discussão que avançava com este argumento de ARRASAR:

"pões os teus poemas na internet e tens mais leitores do que o Shakespeare."

Esquecia-se ela de que o Shakespeare JÁ TEM À PARTIDA MAIS LEITORES DO QUE EU NA INTERNET, não é assim?

Um instrumento tecnológico não abole nem o acaso nem o determinismo das nossas relações sociais. Ou sou eu que sou burro?

Publicado por: manuel resende em maio 25, 2005 01:56 AM

meia duzia de gatos pingados?

e eu que pensava que era o unico que so tinha dois leitores ...

Publicado por: Luis Oliveira em maio 25, 2005 03:53 AM

pela conversa engraçada, os poemas de manuel resende devem ser lidos no circo.

Publicado por: fernando esteves pinto em maio 25, 2005 12:34 PM

O Fernando:

Tambem nao sejas assim tao mau - se os poemas do Manuel Resende te^m que ser lidos no circo ha muita coisa que teria que ser lida no circo ...

Publicado por: Luis Oliveira em maio 25, 2005 06:54 PM