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maio 24, 2005

A MORTE À FRENTE DOS OLHOS

Aconteceu na auto-estrada. Ia eu muito bem pela faixa do meio, a 120 kms/h, quando um carro funerário me ultrapassou pela direita, como um relâmpago, e fez uma tangente ao Clio que só por mero acaso não agravou, ainda mais, as estatísticas negras da sinistralidade rodoviária em Portugal.
[Um carro funerário, leram bem. A 170 kms/h ou perto disso, algures na A1.]
Refeito do susto, enquanto o insólito veículo desaparecia na escuridão, com as borlas de tecido violeta baloiçando na janela traseira, pude confirmar que aquele Fângio dos gatos-pingados não transportava afinal qualquer caixão na sua tresloucada viagem. Ou melhor, pude confirmar que ainda não transportava qualquer caixão. Ávida forma de capitalismo, esta: vagueando na noite em busca de clientes.

Publicado por José Mário Silva às maio 24, 2005 03:05 PM

Comentários

Mas que magnífico ponto de partida para um conto fantástico!

Dá-lhe, Zé Mário! Põe por um momento de lado o blogue e os poemas, e dá-lhe. Histórias destas não se devem nunca desperdiçar.

Publicado por: Jorge em maio 24, 2005 04:49 PM

Gostei do texto. Mas podes explicar melhor o fim: "Ávida forma de capitalismo, esta: vagueando na noite em busca de clientes."?
Onde é que na condução tresloucada de um carro funerário tu consegues ver capitalismo?!
e se não fôr muito incómodo, debruça-te sobre o meu comentário à posta "SPORTING - 1; CSKA - 3" de dia 18 de Maio último.
Agradecido.

Publicado por: JotaVê em maio 24, 2005 04:50 PM

Vou pensar nisso, Jorge.
;)

Publicado por: José Mário Silva em maio 24, 2005 05:04 PM

JotaVê,
Não fiques tão abespinhado, pá. Era só uma ironia.

Publicado por: José Mário Silva em maio 24, 2005 05:09 PM

Conduzir numa auto-estrada deserta na faixa do meio e um erro de conducao. Se estivesse a conduzir na faixa da direita nao teria, provavelmente, sido apanhado de surpresa. A conducao defensiva e partir do principio que todos os outros condutores sao idiotas como esse condutor que descreve e que farao todos disparates como esse, nao o contrario, por isso devemos tomar precaucoes.

Publicado por: Lowlander em maio 24, 2005 05:54 PM

um enredo para uma história do edgar poe...

Publicado por: francisco curate em maio 24, 2005 05:58 PM

Que lhe sirva de lição.
A faixa de rodagem é a da direita.
Não se deve circular NUNCA na faixa central ou de esquerda, salvo em caso de ultrapassagem. A sua má condução é tão perigosa como a do tal gato-pingado-nocturno-cheio-de-pressa.

Publicado por: Frei Tomás em maio 24, 2005 06:16 PM

Caros amigos da DGV,
Eu não fiz a viagem toda na faixa do meio. Estava momentaneamente na faixa do meio. São coisas diferentes.
Agradeço, de qualquer forma, a preocupação.

Publicado por: José Mário Silva em maio 24, 2005 06:55 PM

Não te acuso, mas ando farto de papa centimetros na faixa do meio das auto-estradas, se eu vou a transgredir o codigo indo ultrapassar pela a direita, sou tolo como os que vão no meio, sou obrigado pelos motivos que não nomeio aqui.
Não te quero ofender.
uma abraço..e mais uma vez..não leves a mal.

Publicado por: pr em maio 24, 2005 07:21 PM

Para quem não saiba: passar um carro pela direita quando ele transita na faixa do meio ou esquerda da autoestrada não é proibídio.
Apenas o é se for uma ULTRAPASSAGEM. E essa pressupõe que o condutor passante saia da traseira do ultrapassado, passe por ele e regresse à mesma faixa de rodagem de onde saiu.

Publicado por: Crítico em maio 24, 2005 07:49 PM

Zé Mário, parece que atrais este tipo de pessoas. Não é a primeira, nem a segunda vez, que escreves textos literários ( ou até poéticos, não me esqueço daquela vez do Feher) e aparecem pessoas que te tomam à letra, vêm discutir o texto na sua parte completamente superficial e óbvia.
Nestes casos nunca sei bem se me hei-de rir, se admirar a mente humana.

Publicado por: Emiéle em maio 25, 2005 06:35 AM

O que vale é que já estou habituado, Emiéle. Se isto não acontecesse é que eu estranhava.
:)

PS- Caramba, Emiéle, cada vez mais madrugadora. Caíste da cama ou nem sequer te deitaste?

Publicado por: José Mário Silva em maio 25, 2005 09:35 AM

Devias ser mais compreensivo para com esse gato-pingado... De facto o homem ia cheio de pressa, a caminho de França, para recolher o cadáver da constituição europeia.

Publicado por: Pedro Oliveira em maio 25, 2005 10:06 AM

Finalmente!Pela primeira vez vejo um português confessar que não são só os outros que conduzem mal!Mas quer-me parecer que esta confissão surge acidentalmente,pois o confessor nem sabia que ia a infringir!

Publicado por: tiosam em maio 25, 2005 12:09 PM