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maio 21, 2005

AS DEMARCAÇÕES DO "NÃO"

Pergunta Pacheco Pereira, no texto de apresentação do "Sítio do Não": «Todos aqueles que querem votar “não” e não se revêem no “não” do PCP e do BE à Constituição Europeia, de que estão á espera para organizar um movimento que explique as suas razões aos portugueses?» O PCP e o BE, pelos vistos, não têm (e nem creio que quisessem ter) lugar no "Sítio do Não". Espanto-me porém como ainda ninguém fez esta pergunta óbvia: e o PNR, tem lugar? Pelo menos no texto inicial, em relação ao PNR e à extrema direita não houve demarcação por parte de Pacheco Pereira, como houve em relação ao PCP e ao BE. Apesar de tudo, Pacheco Pereira tem publicitado textos pelo "não" de autores do PCP e do BE (acompanhados por textos da direita nacionalista mais retrógrada). Será que publicaria textos de autores do PNR?
É notável, entretanto, esta necessidade que os apoiantes do "não" têm de se demarcarem uns dos outros. Tal faz uma grande diferença em relação ao "sim". Eu, por mim, à partida (e pelo que vi até agora), faria campanha pelo "sim" ao lado de qualquer apoiante desta posição, qualquer que fosse a sua cor política.

Publicado por Filipe Moura às maio 21, 2005 03:39 PM

Comentários

Relativamente ao Bloco, o Pacheco Pereira é sectário e tem em certo complexo de superioridade, até de desprezo, quanto ao PCP é condescendente e gosta muito deles, veja-se os "estudos sobre o comunismo". Todos nos lembramos dos ataques ao BE e à Renovação Comunista, polémicas com o Edgar Correia nas páginas do Público. o PP é um pavão da elite intelectual de direita, veja -se o elogio hoje de Maria João Avilez ao PP no Expresso. Estes ódios devem "vir" do tempo do seu PCP ( m-l)!

Publicado por: José Manuel Faria em maio 21, 2005 04:13 PM

Duas perguntas. E faria campanha pelo sim junto com nacionalistas que defendessem essa posição? Eles existem.
E acha correcto ou incorrecto que a posição do PNR fosse divulgada no sitio do nao?
Cumprimentos

Publicado por: joao em maio 21, 2005 04:38 PM

Cada um acha que o seu não é melhor que o dos outros.

Só falta o referendo ter não apenas a opção concorda que ....Sim ou não mas concorda que ....sim , não (porquê) com uma séria de alineas.

Publicado por: Sacha em maio 21, 2005 05:57 PM

É isso mesmo Sacha. Cá para mim também não é NÃO e sim é sim. Só nos faltava agora haver, no boletim de voto, uns 500 mil nãos e outros tantos sim, para todos os gostos. Porque é que estes "idiotas úteis" acharão que o "seu" não é mais não do que os outros nãos, ou devem ter "tratamento" especial? Enfim, quem se auto promove a "idiota útil", deve ter dificuldade em se rever noutro tipo de atitudes. São os Idiotas úteis no seu melhor! O pior é o seu desplante e a falta de espelhos lá em casa.

Publicado por: Birant em maio 21, 2005 10:03 PM

Eu que sou um europeista convicto vou votar «NÃO». Evidentemente que as razões do meu sentido de voto não são as mesmas que as da extrema-direita. Parece-me haver alguma perversão da parte do Pacheco Pereira (talvez não inocente) de por tudo no mesmo saco, aliás essa tem sido a estratégia dos defensores do «sim» em França, «A esquerda vai votar «sim» com Le Pen».
Entre outras razões porque vou votar «não» é por esta constituição dar prioridade ao «mercado» estando-se explicitamente nas tintas para o «social» e não por defender nacionalismos rancios, como é caso da extrema-direita.

Publicado por: Adaúfe em maio 21, 2005 11:10 PM

Vamos começar a pensar lógicamente, se esta constituição já existisse isso teria impedido que Blair Aznar Durão Berlusconi se tivessem bandeado caninamente no apoio a Bush na sua guerra de agressão ao povo iraquiano?

Como penso que a resposta será não.Os moços de recados de Bush teriam exactamente feito a mesma escolha.


Pergunto afinal para que serve esta constituição?

Publicado por: a.pacheco em maio 22, 2005 12:24 AM

Olhe, a.pacheco, que essa sua bela especulação me leva a supor (sim, 'supomos', você e eu) que, exactamente numa Europa com um Ministro dos Estrangeiros, proposto na constituição!, não teria havido as ego-trips de Aznar, Berlusconi e Barroso... nem havia Lages para ninguém.

Amigo: a constituição 'serve' para isso!

Publicado por: fernando venâncio em maio 22, 2005 09:46 AM

E para quando um site a favor do Sim?

Publicado por: Irreligious em maio 22, 2005 10:28 AM

É da discussão que nasce a luz. Dizer que "sim" ao tratado ou é o caos, só serve a direita e o capital. É possivel uma Europa mais preocupada com os cidadãos e os trabalhadores. Se o JPP defende o "apartheid" referendário é problema dele, o que interessa é o resultado e este tem de ser a regeição deste tratado. estrelinha ajuizada

Publicado por: vermelhofaial em maio 22, 2005 12:30 PM

Fernando Venancio desculpe mas ou o senhor é ingénuo ou então está muito mal informado, a constituição poderá servir para alguns grandes países imporem aos mais pequenos as suas leis, mais quando a disputa fôr entre os grandes tubarões ´pode ter a certeza que eles continuarão a ter as suas posições individuais caso isso agrade ou não aos parceiros.

A Inglaterra será sempre a mais canina aliada dos EUA em todas as guerras de agressão que eles fizerem, quer isso agrade ou não aos parceiros europeus.

Publicado por: a.pacheco em maio 22, 2005 04:11 PM

A.Pacheco:

Se você sabe tudo com tanta certeza, o menos que pode dizer-se é que os outros (no caso, eu) hão-de ser sempre «ingénuos» ou «mal informados», e provavelmente as duas coisas. Meta-se já a político, homem. Precisamos urgentemente de você.

Publicado por: fernando venâncio em maio 22, 2005 07:02 PM

Filipe: desejo-te então boa tournée em campanha pelo"sim" ao lado do Paulo Portas e de toda a tribo que festeja já o triunfo do neo-liberalismo económico como regime da Europa enquanto afia as garras à espera da relativização dos direitos de quem não é patrão...

Publicado por: sim, sim em maio 22, 2005 07:49 PM

E sobre os direitos de quem é patrão, canalha? Já não falas? E sobre os direitos de quem trabalhou e estudou para merecer ser patrão, biltre? Não falas?

Publicado por: nuclearFire em maio 22, 2005 08:05 PM

Ó espécie de ranhoca informática: eu, por acaso, até sou empresário e patrão de uma vintena de pobres almas. Biltre? Canalha? Deves estar a pensar no teu paizinho.

Publicado por: sim, sim em maio 22, 2005 09:50 PM

Já agora, que fazes tu na porcaria da tua vida? Limpas latrinas a qual das minorias que odeias?

Publicado por: sim, sim em maio 22, 2005 10:15 PM

A questão do primado do Direito da União é hoje discutida n' "O Sítio do Sim" (http://ositiodosim.blogs.sapo.pt/).

Publicado por: Pedro Duro em maio 23, 2005 10:44 AM

No momento de contar os votos os escrutinadores não vão poder distinguir entre quem votou «não» por ser contra o neo-liberalismo e quem votou «não» por ser de extrema-direita(a não ser que estes últimos, em lugar de pôr cruzes normais no boletim de voto, ponham cruzes gamadas).
Se o «não» vencer, «it's back to the drawing board». É bom que os dirigentes políticos da Europa entendam que muitos cidadãos que desejam uma Constituição para a União Europeia não estão dispostos a assinar de cruz uma constituição qualquer.
Eu, se fosse dirigente dum partido da esquerda francesa, convidaria os cidadãos a votar «sim» com uma mola de roupa no nariz...

Publicado por: Zé Luiz em maio 23, 2005 10:55 AM

Quando este tipo de discussões metem biltres nazis a chamar biltres a outros (a projectarem sobre os outros a sua própria "biltrice"), a "coisa" promete. É que, segundo a cartilha nazi, há uns que trabalahm e estudo e, por isso, "conquiatam" todos os direitos, em detrimento dos outros e há outros (como eu conheço tantos) que trabalham muito mais e até estudam com muito melhores notas, sem usar cábulas, para "conquistarem" o direito de serem perseguidos e destroidos por todos estes mafiosos, se por acaso forem pessoas honestas, íntegras, inteligentes e competentes. o "problema" deles é esquecerem-se de que são uma ínfima minoria... que o mundo é de todos e que só a democracia pode permitir resolver os nossos problemas colectivos (que estes e os seus "direitos" têm vindo a agravar, continuamente, contribuindo para a destruição que se vê).

Publicado por: Biranta em maio 23, 2005 01:09 PM

Ainda ninguém explicou o que é que REALMENTE aconteceria se na Europa houvese uma GRANDE percentagem de NÃO...

Publicado por: A.S.Tavares em maio 23, 2005 03:05 PM

A.S. Tavares:
O que REALMENTE aconteceria era uma de três:
1. Reformular o projecto de modo a agradar aos anti-neoliberais e apresentá-lo de novo a referendo.
2. Reformular o projecto de maneira a agradar à extrema-direita soberanista - e apresentá-lo de novo a referendo.
3. Aprovar o projecto aos bocados em vez de o aprovar duma vez só.
4. Deixar tudo como está.
Visto quea alternativa 2 é uma impossibilidade; e visto quea Europa, como as bicicletas, só se manterá de pé enquanto estiver a andar, escolha você entre a 1 e a 3.

Publicado por: Zé Luiz em maio 23, 2005 10:49 PM

Que grande argumento Filipe Moura!Parabéns.

Tal desarrincanço, nunca eu houvera de o desarrincar!

Puxa, estou banzado! Isto bate Sócrates, Espinoza, Marx e Vera Lagoa.

Publicado por: manuel resende em maio 23, 2005 11:30 PM

Quanto ao senhor Zé Luís, apresento-lhe uma outra hipótese, que não precisa de bicicletas:
convocar uma sessão constitucional do parlamento europeu.
Era assim: em todos os países europeus lançava-se uma campanha eleitoral para eleger uma, espanto, assembleia constituinte. Os vários partidos e movimentos de cidadãos apresentavam aos cidadãos os seus projectos de constituição. Eram eleitos e faziam uma constituição como deve ser, ou como não deve ser, mas pronto, tinham sido eleitos para isso.

Essa constituição seria revista pelo parlamento europeu por uma maioria de digamos 60 ou 75 por cento dos eleitores. Não como agora, em que é precisa a UNANIMIDADE DOS ESTADOS.

PERCEBEU, OU QUER COM MAIS MOLHO?

Publicado por: manuel resende em maio 23, 2005 11:37 PM

Manuel Resende:
Sem querer comentar a brutalidade e a arrogãncia do seu estilo, passo à substância:
Percebi, sim senhor. Só que não me parece, nem legal, nem viável, que cada parlamento nacional delibere sobre uma Constituição para toda a União Europeia, mesmo que o resultado fique sujeito a ratificação posterior pelo Parlamento Europeu.
«Essa constituição seria revista pelo Parlamento Europeu»?! Que «essa constituição»?! «Essas 25 constituições», isso sim.
Se é para o Parlamento Europeu pegar em 25 textos diferentes e extrair deles um só, então mais vale eleger uma Assembleia Constituinte Europeia que elabore uma constituição a partir do zero. O processo é incomparavelmente mais simples e a obra fica mais asseada.
Não vou cometer a deselegância de lhe perguntar se percebeu. Prefiro presumir que você nasceu dotado do equipamento intelectual padrão.

Publicado por: Zé Luiz em maio 24, 2005 11:42 AM

Não me parece que tenhas mesmo entendido a ideia. Trata-se de eleger UMA assembleia constituinte a nível europeu, através de consultas eleitorais país a país...

Publicado por: wewe em maio 24, 2005 03:52 PM

Caro Zé Luís:

É isso mesmo que disse o comentador anterior.Se pareço arrogante (coisa que já vários me disseram), desculpe. É que isto já me está a enervar.

Parece-me lógico que uma Constituição nasça de uma Assembleia Constituinte e não de uma Convenção Frankenstein. Puxa, não é essa a precisamente herança europeia?

Publicado por: manuel resende em maio 25, 2005 12:47 AM

mais um blogue do sim,
porque sim: a europa do futuro, mas não com os conceitos ideológoicos do passado.
vão ver...
http://o-sitio-do-sim.blogspot.com/
J.

Publicado por: José em maio 31, 2005 02:08 PM