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maio 16, 2005

SALADA COM MANGA PARA MUITA FRUTA

O apoio do Bloco de Esquerda à candidatura de Sá Fernandes é um fenómeno bizarro para o qual não consigo encontrar qualquer explicação plausível que não passe pelo factor ensandecimento por parte dos dirigentes bloquistas.
Por muito que as pessoas achem que não e se recusem a entender o significado da palavra independência no contexto da política, a ideologia e os princípios ainda servem para alguma coisa.
Uma coisa é um grupo de amigos ter afinidades pessoais muito para além das convicções políticas.
Funcionará numa revista, num blogue, num festival de cinema, numa iniciativa concreta.
Funcionará com certeza, embora com eficiência discutível, no caso de causas cívicas concretas como têm sido algumas daquelas protagonizadas por Sá Fernandes.
Outra coisa é tentar materializar isso numa candidatura à Câmara Municipal de uma cidade com a dimensão de Lisboa.

Num caso dessa natureza, qual a utilidade, ou o "projecto político" de uma salada que mistura alguns personagens da esquerda não alinhada, onde surge com alguma surpresa o António Barreto, desta feita sem pruridos de se aliar aos "trogloditas" do Bloco (a adjectivação, porventura esquecida e datada, é dele), o MEC que deve alinhar nisto pelos sacros princípios da amizade e por se estar a borrifar para a política (embora eu duvide que alguém mais da direita que ele inspira intelectualmente alinhe nesta barafunda) e o grupo dos "monárquicos bons" onde pontifica o Arquitecto Ribeiro Telles?
O resultado é um cheque em branco passado a um personagem, com base em princípios extremamente vagos, um pastel constituído para apoiar uma figura política vagamente ao jeito do malogrado PRD, salvas as devidas proporções, o que não me parece saudável em democracia quando ainda por cima não existe nenhuma "vaga de fundo" em apoio dessa candidatura e nada se sabe do seu programa para além da vaga promessa justiceira de pôr na ordem os construtores civis.
A intenção será boa mas o estilo voluntarista aponta para um resultado eleitoral insignificante.
Aqueles que comparam Sá Fernandes a Sampaio devem ter chegado agora ao planeta para ignorarem que quando o Sampaio ganhou a presidência e pôde ostentar a tal independência era um político com trinta anos de experiência e era apoiado em força pelo maior partido português.
Imaginar que os votos do Bloco poderiam ser úteis a Sá Fernandes é ignorar que é o Bloco e não Sá Fernandes quem tem peso político para designar um candidato.
Supor que o Bloco ganharia em "vampirizar" Sá Fernandes é ignorar que este não é uma pêra doce que hesite em partir a loiça se sentir que o seu "parceiro" está a pisar o risco.
Restariam os projectos políticos, as ideias, os conceitos que se defendem para a cidade: será possível algum grau de compatibilização?
Oxalá que sim e se demonstre que estou rotundamente errado.
Para já, no entanto, parece-me que o Bloco fica no dilema: ou alinha nesta salada que não tem possibilidades de controlar (registe-se que eventuais eleitos em "coligação" terão de se aturar mutuamente durante o mandato apesar dos evidentes antagonismos) e faz diluir parte do peso político que neste momento tem na capital e lhe permitiria concorrer isoladamente; ou optará por sair da carruagem mais adiante, quando verificar que não consegue hegemonizar a candidatura, e perdeu o timing para preparar a sua própria estratégia.

Publicado por tchernignobyl às maio 16, 2005 12:05 AM

Comentários

Eu ainda estou para saber qual é o programa político deste senhor. Será que consiste em instaurar processos judiciais a todos os seus adversários na vereação, depois de eleito?
É que não sei mesmo quais são as ideias deste Sá Fernandes para a cidade. Processar as obras da CML até pode ser justificado em muitos casos, mas para governar não me parece suficiente.

Publicado por: Ricardo Alves em maio 16, 2005 10:42 AM

Desta vez, o Tcher tem toda a razão. Parece que o BE mergulhou de cabeça numa coisa onde vinha molhando os pés: a demagogia.

Publicado por: jm em maio 16, 2005 10:47 AM

grande posta Tchern. Totalmente de acordo. Aliás, eu não percebo como é que o bloco- supostamente um partido (é partido não é?!) progressista - se alia a um conservador. Para o Sr. Sá Fernandes uma cidade não pode crescer com o que é novo e contemporâneo. Se o Sr. vivesse em Londres também teria tentado parar as construções que celebraram o milénio? Enquanto muitas cidades europeias jogam belas cartadas na arquitectura contemporânea, pessoas que representam a mentalidade do Sr. Sá Fernandes ajudam a manter uma Lisboa conservadora sem qualquer rasgo arquitectónico.

Publicado por: antónio b. em maio 16, 2005 11:43 AM

Pessoalmente não estou muito interessado nessas questões politiqueiras do Bloco. É muito provável que vote no Rúben.
António, olha que o tchern também não é muito de modernices arquitectónicas...

Publicado por: Filipe Moura em maio 16, 2005 05:50 PM

depende do que se classifique como "modernice".

Publicado por: tchernignobyl em maio 16, 2005 06:33 PM

E pronto. Já começou a "chiadeira" do costume.
Esperemos para ver o registo da (chiadeira é claro) que virá das bandas da "direita".

Publicado por: Afonso Henriques em maio 17, 2005 12:32 PM

Having problems with an at-risk youth or a troubled teen? Maybe it's time you consider tough love measures. Boarding schools, group homes, teen juvenile boot camps and military schools are all options parents have used to to get their troubled teens back on track. Don't tolerate teen drug abuse another day. Send them off to a private military school where they can get the help they need.

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http://www.military-schools-advisor.com
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Publicado por: military schools em junho 12, 2005 03:52 AM