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maio 11, 2005

ESTE POST É MENTIRA

Estava eu em considerandos ainda sobre este último caso, quando descubro que David Mamet exprimiu a minha ideia, ainda embrionária, muito melhor do que eu o faria:

I understand that computers, which I once believed to be but a hermaphrodite typewriter-cum-filing cabinet, offer the cyberliterate increased ability to communicate. I do not think this is altogether a bad thing, however it may appear on the surface.
If, for example, all humans were linked, one could arise in any time zone and type in “Oh look, what a nice day,” thus potentially cheering portions of the world engaged in lachrymose meditations on the economy or the environment.
No doubt, however, someone, swine that we humans are, would perceive that the happy report (“what a nice day”) need have no actual connection to the weather. This individual, having, perchance, subsequently, gone to the dark side, might employ his talent for improvisation, once plied but in the cause of humanity, to wreak havoc – misstating, misanalyzing, or outright lying about the facts he had perceived. Soon, then, these computer “blogs”, would be as little deserving of our trust as are the books, journals, films, broadcasts, dramas, and flyers upon which we already depend for that we have come, in our need, to applaud as “information”.
A reflective person might opine that such a state of corruption must have already occurred, and that there is nothing, no matter how apparently “handmade”, in which one might put his unalloyed trust.

Sabemos, pelos idealistas franceses, que não devemos crer nos nossos sentidos pois são iludíveis. Então como confiar sequer naquilo que os nossos sentidos não experimentaram, mas somente em signos, imagens e caracteres manipuláveis por outrem?
Como sabe o leitor que existe uma pessoa chamada Jorge Palinhos, outra Filipe Moura, outra Margarida Ferra, outra tchernignobyl e não somos todos heterónimos do José Mário Silva? E como saber que aquilo que escrevem é real? E que compreende o verdadeiro sentido do que é escrito?
Como é que JPH tem a certeza que morreu alguém no Norteshopping? E que existe uma criança chamada Alice?
É possível temer um Big Brother cuja veracidade e compreensibilidade não são garantidas?

Ou, por outras palavras:

Que lindo dia!

Publicado por Jorge Palinhos às maio 11, 2005 03:34 PM

Comentários

«Como sabe o leitor que existe uma pessoa chamada Jorge Palinhos, outra Filipe Moura, outra Margarida Ferra, outra tchernignobyl e não somos todos heterónimos do José Mário Silva?»

Acho que andas a ler demasiado «A Memória Inventada»... (eheh).

Publicado por: Filipe Moura em maio 11, 2005 04:46 PM

«Como sabe o leitor que existe uma pessoa chamada Jorge Palinhos, outra Filipe Moura, outra Margarida Ferra, outra tchernignobyl e não somos todos heterónimos do José Mário Silva?»

Simples: porque cada um de vocês tem uma individualidade bem marcada, que transparece a cada post e, excepto em casos de génio absoluto (Pessoa) ou, talvez, psicose esquizóide, ninguém é capaz de encarnar tão eficientemente tantos personagens durante tanto tempo.

E sim, eu sei que a pergunta era mais retórica e provocativa que outra coisa. Mas apeteceu-me escrever isto.

Publicado por: Jorge em maio 11, 2005 05:45 PM

"Como sabe o leitor...?" Resposta: não sabe! Simplesmente confia, porque, apesar de tudo, talvez seja mais da sua natureza. Viver, aliás, implica isso mesmo, aderir, arriscar, mandar o medo às malvas.Também não interessa se uma coisa é verdade ou mentira, desde que para nós faça sentido. E aquilo que para nós faz sentido, às vezes é completamente irracional.
Gostava de ver algumas prima-donas ofendidas a comentar este post.

Publicado por: tb em maio 11, 2005 11:25 PM