« O REFERENDO EUROPEU E A COMUNICAÇÃO SOCIAL | Entrada | ALMOÇO EM CARNIDE »

maio 10, 2005

OS FACHOS DO NON

É impossível ficar indiferente aos cartazes pelo "non" afixados pela Frente Nacional. Há diferentes tipos de cartazes pelo "non", consoante o movimento que lhes dá origem, mas nenhum movimento tem a palavra "non" em tanto destaque como o de Jean Marie Le Pen. Este fim de semana, ao sair de um centro comercial, dei com uma acção de campanha com dois camiões da Frente Nacional à porta. Tinha cada um um "non" gigante no exterior da cabine, com o facho (símbolo da FN) entre os dois "n" a fazer de "o". Foi a primeira vez que vi ao vivo militantes da Frente Nacional desde que estou em França, e confesso-vos que senti um certo pânico. Afastei-me o mais depressa que pude. Cartazes como aquele estão espalhados por Paris e pelos arredores. Eu, e provavelmente muitos outros eleitores, penso no "não" e só me vêm à cabeça aqueles cartazes. Talvez a recente subida do "oui" se deva a este tipo de campanha da FN.

Publicado por Filipe Moura às maio 10, 2005 07:32 PM

Comentários

E se em vez de se afastar e dizer mal da FN, não tratasse de fazer pontes? É por estas razões que ainda há-de ganhar o "SIM" no referendo francês...

Se têm a mesma posição nesta batalha (se bem por motivos ligeiramente diferentes), porque não procuram pontos de convergência?

É em momentos destes que se fazem alianças. Se fez ontem 60 anos que povos tão dispares como o britânico, o norte-americano e o soviético venceram aliados a ameaça do eixo, porque não segue o exemplo?

Referendo há só um! Só há uma oportunidade para chumbar esta Europa! E eu voto NÃO! Quem estiver contra esta Europa, está comigo, independentemente da posição política, de estar mais à esquerda ou à direita.

Publicado por: Viriato em maio 10, 2005 10:03 PM

Filipe Moura há vários tipos de Sim á constituição europeia como há vários tipos de Não.

Não tentes é ser demagogico.

Olha para a oposição da opinião publica á agressão americana contra o povo iraquiano, tambem aí houve vários tipos de oposição a essa agressão.

Não penso que confundas o Le Pen com o Laurent Fabius

Publicado por: a.pacheco em maio 10, 2005 10:12 PM

Não confunda os vários "nãos". Ainda há pouco apanhei na TF um bocado de um debate em que um dos defensores do "sim" (quando apanhei o debate as apresentações já tinham sido feitas, mas era alguém de um dos partidos do "centrão") se vangloriava, porque este Tratado (que se auto-institui como Constituição, mas não o é) aumenta as diferenças do número deputados no Parlamento, que é proporcional à população do país. Já é proporcional, mas as diferenças acentuam-se muito.

Para os franceses este argumento é óptimo, mas metem a igualdade e a fraternidade num saco! E solidariedade, nem lhes passa pela cabeça!
Ou seja, para nós, no nosso rectângulo de 10 milhões de pessoas (contra 80 da Alemanha e mais de 60 da França) NUNCA vamos poder tomar uma decisão! Temos toda a liberdade de votar contra ou favor da decisão que é tomada pela Alemanha e a França. Bonzinhos eles, não? Até podemos votar contra e tudo... não vamos é decidir absolutamente nada!

Claro que nada disto tem importância, porque de qualquer modo o Parlamento Europeu é um orgão meramente consultivo!

Publicado por: Helena Romao em maio 10, 2005 11:28 PM

Viriato, nós, os comunas, somos uns sectários do caraças, pá! Mas como eu até sou pelo "sim", não deve ser comigo que estás a falar. Olha, haja quem te responda.

A.Pacheco, desculpa lá mas tu lês sempre o que eu escrevo muito depressa. Eu falei nos fachos que são pelo "não" - nunca disse que os que são pelo "não" são fachos! Como muito bem dizes, há uma grande variedade de "sins" e de "nãos".

Helena, mas achas democrático que tenhamos a mesma influência que a Alemanha ou a França? E quanto ao órgão "consultivo" que é o Parlamento Europeu, até elege a Comissão Europeia!

Publicado por: Filipe Moura em maio 10, 2005 11:36 PM

Acho! Se lhes vamos passar todos os poderes instituídos no Tratado, acho que devemos ter o mesmo peso. Senão nunca vamos poder propor nada, nem nunca a nossa opinião vai contar seja para o que fôr. Nem que fosse com um sistema de duas câmaras, uma paritária e outra proporcional. Não aceito entregar de bandeja todos os poderes legislativos aos eleitores franceses e alemães. Exijo que o meu voto conte, e que os meus eleitos possam fazer o trabalho para que são eleitos.

Artº I-20:
"1. O Parlamento Europeu exerce, juntamente com o Conselho, a função legislativa e a função
orçamental. O Parlamento Europeu exerce funções de controlo político e funções consultivas em
conformidade com as condições estabelecidas na Constituição. Compete-lhe eleger o Presidente da
Comissão."

Artº I-21:
"1. O Conselho Europeu dá à União os impulsos necessários ao seu desenvolvimento e define as
orientações e prioridades políticas gerais da União. O Conselho Europeu não exerce função
legislativa."

O Conselho não legisla, mas dita direcções. O Parlamento depois pode pronunciar-se sobre como cumprir essas direcções. Mas adiante...

ArtºI-27:
"1. Tendo em conta os resultados das eleições para o Parlamento Europeu e depois de proceder às
consultas adequadas, o Conselho Europeu, deliberando por maioria qualificada, propõe ao
Parlamento Europeu um candidato ao cargo de Presidente da Comissão. O candidato é eleito pelo
Parlamento Europeu por maioria dos membros que o compõem. Caso o candidato não obtenha a
maioria dos votos, o Conselho Europeu, deliberando por maioria qualificada, proporá no prazo de
um mês um novo candidato, que é eleito pelo Parlamento Europeu de acordo com o mesmo
processo."


E o processo legislativo:

Artº III-396:
"1. Sempre que, por força da Constituição, as leis ou leis-quadro europeias sejam adoptadas de
acordo com o processo legislativo ordinário, são aplicáveis as disposições a seguir enunciadas.
2. A Comissão apresenta uma proposta ao Parlamento Europeu e ao Conselho.
Primeira leitura
3. O Parlamento Europeu estabelece a sua posição em primeira leitura e transmite-a ao Conselho.
4. Se o Conselho aprovar a posição do Parlamento Europeu, o acto em questão é adoptado com a
formulação correspondente à posição do Parlamento Europeu."

O Parlamento só elege o Presidente da Comissão. Ou melhor, se ler bem, o Parlamento limita-se a aceitar o que lhe é proposto (à primeira, ou em casos extremos, como já assistimos, à segunda). E depois, os nossos eleitos têm o direito de servir de pombo correio entre a Comissão e o Conselho. E, maravilha das maravilhas, podem dar a opinião de caminho!

Publicado por: Helena Romao em maio 11, 2005 12:33 AM

Os fascistas pelo Não ao Tratado de modo algum se podem confundir com outros Não, das Esquerdas socialistas, comunistas e demais. Voto Não em nome da Esquerda.

Publicado por: José Manuel Faria em maio 11, 2005 10:06 AM

O Não da Esquerda não tem nada que ver com o Não Fascista.

Publicado por: José Manuel Faria em maio 11, 2005 10:30 AM

«Tinha cada um um "non" gigante no exterior da cabine, com o facho (símbolo da FN) entre os dois "n" a fazer de "o". »
O uso da palavra "facho" neste contexto (e chamada para o título do artigo) ou mostra ignorância ou má fé. Como a confusão apesar de tudo é frequente, nada como desfazê-la:
http://santosdacasa.weblog.com.pt/arquivo/2005/01/fascio_e_facho.html

Publicado por: FG Santos em maio 11, 2005 10:41 AM

Se o Não ganhar temo que seja esse o Não que vai reescrever o Tratado, o Não do nacionalismo, da extrema-direita, dos conservadores, dos neo-liberais. Infelizmente acho que não vai ser o BE ou o Besancenot a reescrever o Tratado, por isso o meu SIM é o dos Verdes.

Publicado por: Rui Curado Silva em maio 11, 2005 10:55 AM

Filipe, boas novidades as que contas. É que tinha a ideia que os votos da FN em França eram como os do BE em Portugal, ninguém sabe quem são os votantes, mas os votos aparecem. Pelo que contas afinal houve uma evolução em França, chegará cá ?

Publicado por: Real em maio 11, 2005 01:56 PM

Ninguem sabe quem são os votantes do Bloco em Portugal?

Esta é a anedota do dia , mas o que é de esperar vindo de quem vem...

EU SOU UM DELES

Publicado por: a.pacheco em maio 11, 2005 04:22 PM

FG Santos, sei a diferença entre o facho e o fascio (feixe). Acontece que me refiro ao símbolo da FN (um partido de fachos), que é mesmo um facho! O texto está correctíssimo.

Helena, olha, se fosse a França e a Alemanha a tomarem as decisões por nós, não teríamos embarcado na criminosa aventura iraquiana. Isto é só um exemplo marginal.

Real, à parte a tua comparação com o BE, que não comento - sabes quem vota no PS? -, tocas num ponto interessante. É de facto a primeira vez que vejo gente da FN. A FN está a fazer uma campanha típica dos partidos "contra o sistema", de quanto pior melhor. No fundo eles se calhar querem a vitória do "sim", para ficarem de mãos livres. Sei que a campanha deles não ajuda nada o "não".

Publicado por: Filipe Moura em maio 11, 2005 04:53 PM

Olha, Filipe, devemos andar por sítios diferentes de Paris. Eu não costumo ver assim tantos cartazes da FN. Ao início via muitos das várias esquerdas (PCF, LCR, etc) e de algumas associações pelo Não. Ultimamente já há muitos cartazes pelo Sim, também.

E se fossem os espanhóis a decidir por nós o aborto era legal e o casamento homossexual também. Provavelmente haveria uma espécie de ETA portuguesa, terrorismo e ambiente de semi guerra civil.
Mas se fossem os franceses a decidir por nós tínhamos pena de prisão perpétua e teríamos abolido a pena de morte há pouquíssimas décadas em vez de há pouquíssimos séculos!
se fossem os franceses a decidir por nós teríamos a FN no Parlamento e com força! Se fossem os franceses a decidir e a votar por nós teríamos tido o Le Pen na segunda volta das presidenciais.
Se fossem os franceses a decidir por nós as guerras coloniais teriam sido na geração dos nossos avós e não na dos nossos pais. Mas no fundo, não teria sido muito diferente!

Se fossem os alemães... bom, se fossem os alemães, nós, como "raça minoritária e não 'ariana'", estaríamos agora reduzidos a uns milhares, e andaríamos à procura das sepulturas dos nossos avós mortos em Auschwitz. Possivelmente até teria havido um campo mais perto, quem sabe mesmo em Portugal.

Os "se..." dão para imaginarmos o que quisermos. Mas eu, da mesma maneira que na minha vida não deixo que haja alguém a decidir por mim, também na minha vida política e colectiva, na vida do meu país, não quero que sejam outros a decidir por nós!
Prefiro arrepender-me dos MEUS erros do que dos erros dos outros! Não é óbvio?

Publicado por: Helena Romao em maio 11, 2005 05:28 PM

«Se fossem os franceses a decidir por nós teríamos a FN no Parlamento e com força!»
Sabe a estimada leitora que a mui democrática República Francesa alterou o sistema eleitoral de modo a que um partido (a FN) que obtém habitualmente entre 15 e 20% nas legislativas tem zero (0) deputados na AN?

Publicado por: FG Santos em maio 11, 2005 05:33 PM

FG Santos, o problema é que esse sistema favorece o centrão, tal como nos EUA. Mal nos lembramos que lá há mais partidos do que os liberais e os democratas.
Continuo a preferir o sistema eleitoral português, correndo o risco teórico de o PNR ter algum dia deputados. Na prática, os eleitores portugueses não parecem estar minimamente dispostos a isso. E isso é para mim um motivo de orgulho. Em França, se não estão, é porque não podem, em Portugal não estão porque nós, eleitores, não queremos!

E continuo na minha: não entregaria o meu voto a um povo que vota em neo-nazis entre 15 a 20%!!!

Publicado por: Helena Romao em maio 11, 2005 06:38 PM

Helena, eu não sou um burguês do Quartier Latin. Sou um homem do povo, que trabalha no banlieue e quase que lá vive (e o banlieue é onde a FN faz mais campanha). Passa pela Porte d'Órleans.
Isto com a FN passou-se no Bercy 2.

Eu sei perfeitamente que ninguém é perfeito nem santo, muito menos a França, que cometeu e comete erros. Mas repara bem no teu argumento da Guerra Colonial: a França fez o mesmo que Portugal, só que uma geração antes. Eu daqui concluo que a França está (ou estava) uma geração mais avançada do que Portugal. Cometia os erros antes. É lógico. É mais um argumento para a nossa integração europeia.
Quanto às tuas desconfianças da Alemanha, olha que conheço muitos alemães mesmo, e os teus receios nada têm a ver com a generalidade da Alemanha. Vives assustada com fantasmas do passado, desculpa que te diga.

Publicado por: Filipe Moura em maio 12, 2005 01:27 AM

Helena Romão: Se me permite a pergunta - faço-a com respeito e por pouco mais do que curiosidade - vê mesmo na FN francesa e no PNR (presumo que em partidos europeus afins também) grupos de "neo-nazis" ou foi mera "força de expressão"?
Cumprimentos.

Publicado por: pedro guedes em maio 12, 2005 01:28 AM

Filipe, não sei se ainda vou a tempo
Não comentas porque pá ? há temas tabu ? ou não te interessa analisar a simpatia para com a ETA profusamente difundida por Louçã ou o apoio a qualquer tiranete que use a cartilha marxista ?
Tirando uns betinhos que usam roupa de marca, mas sem gravata, e uma gajas, digamos assim, metaforicamente, mal fodidas, conheces os eleitorado do BE ? os seus quadros distritais e concelhios ? quem são os 10 mil votos do Barreiro, os 6 mil de Oeiras, os 3 mil da MG e os 2 mil do Entroncamento ? sabes ? então se sabes diz lá

Publicado por: Real em maio 12, 2005 12:27 PM

Pedro Guedes, não há uma ligação assumida oficialmente da parte deles (afinal, eles querem votos), mas há ligações a grupelhos neo-nazis. Em relação ao caso português, houve várias reportagens do Expresso há alguns meses (não me recordo com precisão, mas em Janeiro ou Fevereiro) e que atestavam essa ligação.
Algumas pessoas são as mesmas, os financiamentos circulam e os símbolos usados são claramente os mesmos.

Publicado por: Helena Romao em maio 12, 2005 04:19 PM

Real, não há tabu nenhum - embora eu não saiba nada do que afirmas ou perguntas. Simplesmente este é um post sobre a Constituição Europeia e é isso que estou disposto a discutir aqui.

Publicado por: Filipe Moura em maio 12, 2005 05:38 PM

Helena Romão: muito obrigado pela resposta. Sei que não lhe assiste a razão, mas respeito evidentemente a sua opinião.

Publicado por: pedro guedes em maio 12, 2005 11:18 PM

Ok Filipe, não estás disposto a discutir não se discute, quando estiveres disposto diz

Publicado por: Real em maio 13, 2005 01:27 AM

Não, não tenho esses fantasmas, nem tenho nada contra povo nenhum, Filipe.

O que eu quis dizer é que o governo é que tinha o poder e fez o que se sabe em todos os territórios que lhe pertenciam. Apesar da Resistência, apesar de quem estava contra mais ou menos activamente.
E se fizéssemos parte da sua zona de influência, teria acontecido cá a mesmíssima coisa. Há dúvidas?

Agora, uma pequena questão de vocabulário: quando digo "nazis", são as pessoas com essa ideologia. E há-os de todas as nacionalidades.
"Alemães" são os naturais da Alemanha, e há-os com todas as ideologias.

Espero que agora seja explícito.

Publicado por: Helena Romao em maio 13, 2005 01:53 AM

E quando escrevi que se fossem os alemães a decidir por nós, referia-me ao facto de o Hitler ter sido eleito pela população. Não sei com que campanha, mas foi eleito. Claro que para ter sido eleito, não foram só os nazis a votar nele.

Tal como os franceses que votaram no Le Pen em 2002 não são todos fascistas.

Sei, obviamente, que havia resistência e resistentes na Alemanha.
Apesar de todos os opositores, das oposições, das resistências, todos sabemos o que fez com o mandato que lhe foi dado.

Publicado por: Helena Romao em maio 13, 2005 02:05 AM

Real, desculpa mas não vou permitir que condiciones a minha agenda de provocações ao Bloco. :) E continuo sem perceber onde queres chegar.

Helena, tudo bem. Já te tinha percebido. A meu ver falta-te, se me permites, um pouco mais (ou muito mais) confiança. Um mal de alguns povos da Europa!

Publicado por: Filipe Moura em maio 13, 2005 08:32 AM

escumalha pequeno burguesa

Publicado por: janco em junho 23, 2005 02:49 AM