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maio 10, 2005

EU E O OUTRO

Somos quase homónimos, além de vizinhos nas prateleiras de algumas livrarias: eu e o José Miguel Silva. O vago fio que nos une é este: ele ser poeta e eu ter publicado (há quase quatro anos) um livro com versos. Não mais do que isto.
Acasos da vida, sorte nossa, fizeram um dia com que ele nos enviasse, gentilmente, alguns textos inéditos que publicámos neste blogue. Trocámos e-mails, mas nunca o vi, nunca lhe falei de viva voz. Posso dizer, com propriedade, que não o conheço.
Mas ontem deu-se outra coincidência daquelas. Alguém me enviou uma carta para o jornal. Ao abrir, reparo melhor no nome do destinatário. É o meu nome: José Mário Silva. Só que o remetente, num primeiro impulso, escreveu José Miguel Silva. A palavra Miguel foi riscada, sem muita convicção; por cima pendurou-se o envergonhado Mário. Fico a olhar para o envelope, sabendo que um acidente onomástico nunca se resolve, nunca se apaga. Resta sempre uma cicatriz, uma assombração. A fractura está ali, o nome obliterado, a rasura, o Mário a sair do Miguel, essa patética crisálida invertida.
Alguém escreveu José Miguel Silva e depois, julgando que se tinha enganado, corrigiu. Mas não há emenda que o transforme, hélas, naquilo que sou.

Publicado por José Mário Silva às maio 10, 2005 10:46 AM

Comentários


Sr. Silva,


Depois de nos dizer que o evergonhado Mário se pendurou por cima, era escusado da sua parte excitar-nos desnecessàriamente com o desfecho inevitável do "Mário a sair do Miguel, essa patética crisálida invertida".Para bom entendedor meia palavra basta.

Publicado por: O. Prudente em maio 10, 2005 10:41 PM