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maio 06, 2005

UMA MORTE CULTURAL

Ontem, uma pessoa faleceu subitamente no Café FNAC do Norteshopping, algures, imagino, entre uma torrada e uma meia de leite.
Woody Allen tinha um conto sobre uma personagem que sonhava com uma morte calma entre livros. Mas o infeliz indivíduo de ontem contentou-se em morrer a meio caminho entre os Acessórios para PDAs e os CDs New Age.

Publicado por Jorge Palinhos às maio 6, 2005 01:12 PM

Comentários

Que piada de mau gosto!!!!
Pena foi não teres sido tú!

Publicado por: Pedro Oliveira em maio 6, 2005 03:29 PM

Deixa lá ver se percebo. Se a minha piada foi de mau gosto, então o teu insulto também é de mau gosto. Se o teu insulto foi de mau gosto, também tu tens mau gosto. Se tens mau gosto adoraste a minha piada.

É isto?

Publicado por: Jorge P. em maio 6, 2005 04:01 PM

Ah, ah, ah! Este Pedro Oliveira é mesmo um idiota. O título do blog dele é bastante denotativo.

Publicado por: Silvério em maio 6, 2005 04:40 PM

Realmente, há algo de inquietante, desgostoso, neste teu intento de não-sei-o-quê, ó Palinhos. O despudor perante a morte factual, o seu uso para efeitos pseudo-literários, a citação intelectualmente suburbana, essa completa falta de respeito pela pessoa em causa (sim, leste bem, "falta de respeito"), são sintomas de males maiores.

Publicado por: Valupi em maio 6, 2005 05:45 PM

Dava pano para mangas, ó Valupi, a tua assupção de que o humor é automaticamente inquietante, desgostoso, despudorado e desrespeitoso. Mas esse filme já correu todo aqui (http://bde.weblog.com.pt/arquivo/059151.html) e não me parece que adiante muito estar a rebobiná-lo.

Publicado por: Jorge P. em maio 6, 2005 05:57 PM

Digo: assumpção.

Já agora, essa tua passagem "citação intelectualmente suburbana" é muito curiosa. Quer dizer que há um intelecto dos subúrbios e um intelecto (superior, imagino) dos centros das cidades?

Publicado por: Jorge P. em maio 6, 2005 06:02 PM

Eu, tenro de idade, a viver nos subúrbios e com uma esperança de tamanho infindável, de vir a ser um dos grandes intelectuais deste país, e o Valupi acaba com as minhas esperanças duma forma tão autoritária. Aparte do tema menos convencional em que o post se centrou, tá mto bom. Duvido é que se tenha contentado a morrer. Mas também se não se contentou, devia. Afinal de contas, foi uma morte cultural. (piada de mau gosto, não homicida de susceptiblidades)

Publicado por: francisco em maio 6, 2005 06:40 PM

As abreviaturas, eventual má pontuação e até falta dela, advém (mais que obviamente) de uma lacuna, a nível intelectual, perfeitamente aceitável de quem vive nos subúrbios.

Publicado por: francisco em maio 6, 2005 06:45 PM

Humildemente peço desde já desculpa pela minha ignorância e incapacidade em perceber a posta. Era uma piada, uma crítica, uma ...Bom, não percebi porque acha que "infeliz indivíduo se contentou em morrer a meio caminho de...". Se morreu subitamente, será que teve opção quanto ao local da morte? E como sabe que ele se contentou? Será um daqueles jornalistas que nos piores momentos de um indivíduo perguntam "como se sente?".

Publicado por: Iris em maio 6, 2005 07:27 PM

O meu vizinho do lado morreu do coração quando estava na bicha para medir a tensão na farmácia aqui do bairro. O facto em si presta-se a todo o tipo de piadas, mas na altura não fui capaz de fabricar nenhuma, nem hoje. O senhor era meu amigo e não consigo rir quando falo da morte dele. Rir para ajudar o luto, boa piada. Se o caso é real, este post é muito infeliz. É infeliz porque não tem piada (isto é, não dá para rir). É demasiado séria a morte a sério.

Publicado por: ZeroAesquerda em maio 6, 2005 08:25 PM

Incrível. Ainda anteontem estive lá.

Publicado por: João Pedro em maio 7, 2005 01:40 AM

Não entendi o que me escreveste, falha minha. Mas como me informas da inutilidade da rebobinagem, vou lá para cima, onde parece que o tema pegou.

O "intelecto suburbano" consiste em citar ou fazer referência a Woody Allen. Explicar-te agora esta definição implicaria toda uma tese sobre o humor judaico, que adivinho não tenhas tempo para ponderar.

___

Francisco, se és tenro de idade, não percas já a esperança. Conselho de quem vive no centro da urbe.

Publicado por: Valupi em maio 7, 2005 02:03 AM

Jorge, ao ler este post tão despojado, quase jornalístico, lembrei-me dos contos do Mário-Henrique Leiria. De facto, a linguagem é descomprometida (fora, talvez, o "contentou-se"), mas o dramático da situação interpela-nos. Depois dos comentários - em que o diácono Remédios que há em cada pessoa se soltou - voltei a ler o post, por várias vezes, tendo chegado às seguintes conclusões:
1ª. não se pode ser tão objectivo: a seguir ao título, espeta-se um ponto de interrogação;
2ª. ninguém pode falecer, muito menos subitamente,em tão público local e muito menos entre comes e bebes ou entre PDAs e CDs;
3ª. nunca fazer referência a Woody Allen - esse marco da cultura suburbana - para que não julguem que o post é para rir.
4ª.mesmo que alguém morra subitamente na FNAC, esclarecer sempre que se trata de ficção, porque assim já pode ser.
Pergunto-me como é possível tanto provincianismo em espíritos tão urbanamente cultos.

Publicado por: tb em maio 7, 2005 02:31 PM

Ainda bem que existe um pensamento suburbano que escreve sobre a morte com ar de quem faz dela a ficção da vida. Melhor estão os povos que perante a morte riem e se embebedam percebendo que é sobre os vivos que recaem as maiores desgraças. Por exemplo, a de ler desaforos tão "cultos", quanto etnocentristas.

Publicado por: HFR em maio 7, 2005 06:54 PM

Nao consigo vislumbrar qualquer falta de gosto nas formas humor mais condimentadas, pelo contrário. eu achei piada, e entao???
o humor negro é um caminho melindroso(É Feio! Fica Mal!).... falta de respeito??? francamente não achei. confessem lá... nunca se riram duma piada de pedofilos????

E aqui fica uma vénia aos intelectuais dos subúrbios, porque lá a "cultura" nao está ao virar da esquina (e não é tao culta) e porque os tipos do tunning "nao papam grupos" mas "papam" rapazinhos franzinos e míopes!!!!!!!

Publicado por: lithium em maio 8, 2005 03:25 PM

A Prova de ser um post de mau gosto está mesmo em cima, a dualidade de critérios com que se julga um ser humano. Reparem lá, já que estamos em onda de humor negro (que eu adoro), porque é que não brincaram com a morte de Jorge Perestrelo?
É essa dualidade de critérios que faz com que uma piada seja de bom ou mau gosto, vendidos pelo choque que poderiam causar a brincar com a morte de uma pessoa que toda a gente conhecia......

MAS O QUE É QUE É ISSO, Ó MEU?
«Aguenta, coração!», dizia ele. Mas desta vez não aguentou. É triste mas é verdade: acabou-se a ripa na rapaqueca.

E enquanto aqui no BdE se discute a morte "enquanto tragédia e trivialidade", ela acontece.
Jorge Perestrelo morreu. Estava longe de ser o meu radialista predilecto, mas tinha o seu estilo inconfundível e o meu respeito. O impressionante nisto é que ainda ontem estava vivo e a relatar. O golo do Miguel Garcia, nos segundos finais do AZ Alkmaar-Sporting, foi a última ocasião em que largou o seu célebre "É golo! É golo! É golo, é golo, é golo!". Podemos ouvi-lo aqui. Trágico e trivial.

.............no coments

Publicado por: p_oliveira2001@hotmail.com em maio 9, 2005 06:42 PM