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maio 05, 2005

A HERANÇA TRABALHISTA

Ainda no Público, desta vez de ontem, escreve a correspondente Joana Amado:

«No seu próprio balanço de oito anos, Downing Street prefere sublinhar mais o aspecto "social" do que o "anglo" do modelo de Pearce. Num artigo recente publicado no Guardian, Jonathan Freedland escreveu que o New Labour se orgulha de ter arrastado todo o centro de gravidade política para a esquerda. De tal forma que, no futuro, todas as batalhas eleitorais serão "disputadas entre uma versão britânica dos democratas-cristãos europeus e uma versão dos democratas americanos, sendo que ambos os lados partilham os mesmos valores fundamentais". Para resumir, Freedland cita uma fonte anónima do New Labour: "A herança de Blair será a de ter transformado a Grã-Bretanha num país social-democrata."
O director do Institute for Public Policy Research concorda que, já nesta campanha, se percebe a mudança ideológica. Nenhum partido, nem o Conservador, arriscou tentar ganhar votos propondo cortes profundos nos gastos públicos e prometendo menos impostos para todos.
»

Certamente, Tony Blair não representa, ideologicamente, aquilo com que eu mais me identifico. Mas há-que fazer um balanço sem preconceitos dos seus dois mandatos, e sobretudo não o julgar exclusivamente por uma decisão profundamente errada (a guerra do Iraque, claro). Necessariamente terá de se reconhecer que também houve aspectos muito positivos. Não é o candidato ideal, mas é o melhor dos possíveis. Felicidades, Tony Blair. Felicidades, Gordon Brown.

Publicado por Filipe Moura às maio 5, 2005 06:08 PM

Comentários

Aparte a proliferação selvagem de advérbios de modo, consegues enumerar os tais "aspectos muito positivos"? Ou é só escrever por escrever?

Publicado por: Safa! em maio 5, 2005 07:05 PM

União entre a esquerda!
Conheça a poesia revolucionária: http://www.vinnicorreapoemas.blogger.com.br
Leia também o texto "Cultura: a razão de ser humano" de Vinni Corrêa no site http://www.mcls-rj.org

Publicado por: Vinni Corrêa em maio 5, 2005 07:47 PM

Curiosa essa perspectiva quer do tal J. Freedland, quer da fonte anónima do New Labour «... transformado a G.B. num país social-democrata». Talvez precise viver uns tempos num país assim :) para poder concordar ou discordar.
Cada ano que passa torna-se mais difícil coincidir resultados das análises sociológicas com os de análises políticas, talvez porque o objecto debaixo da lupa está cada vez mais difuso.
Sobre a mimetização de esquemas yankees, parece que é mesmo isso que está a acontecer e que, de resto, já vem acontecendo desde há algum tempo.
Assim, generalizando um pouco: durante os 2 mandatos Clinton, houve uma série de países europeus em que os sociais-democratas substituíram no poder os democratas-cristãos e, pouco depois de Bush ter sido eleito, o movimento do mesmo barómetro inverteu-se. Por vezes, prefiro nem pensar no «como» e no «porquê» destes mecanismos...
Por outro lado, há quem preveja que, a médio prazo, com o crescimento da concorrência comercial EUA-Europa, o tal mimetismo possa ser substituído por uma polarização semelhante, salvo na proporção, ao que acontecia aqui na P. Ibérica há 10-20 anos (a um governo mais conservador em Portugal correspondia um mais ‘socialista’ em Espanha e vice-versa).
Voltando ao post (depois deste lençol:), considerar Blair o melhor dos candidatos possíveis é uma perspectiva realista, confesso, mas tenho cá umas costelas que me dizem que tal perspectiva é demasiado simpática :)

Publicado por: JQ em maio 5, 2005 10:29 PM

esquerda unida?

http://pat.blogspot.com

Publicado por: Adelino Catinga em maio 6, 2005 12:47 AM

Eles mentem, eles perdem!

Publicado por: Karloos em maio 6, 2005 04:38 AM