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maio 02, 2005

CORANTES PARA CONSERVANTES

Claro que o título da crónica é indesmentível: há conservadores muito bons, especialmente aqueles, como o MEC, cuja actividade cultural e cujo estilo de vida pessoal nada tem de conservador,... o resto... não vale a pena o esforço.
É que o MEC, que pode queixar-se de muita coisa menos de não ser um conservador respeitado, sobretudo porque esse conservadorismo "teórico" se alimentou em prestígio da imagem de "anarca" que incarna ao ponto de os mais ingénuos pretenderem que ele é mais um "esquerdista não assumido" (tipo o Freitas por outras razões...), quando fala de política parece que se auto-incumbiu por razões que só a i-razão conhecerá, da missão de dar fogo intelectual a gente na qual apenas ele vê qualidades "libertárias".
A radicalidade dos situacionistas colocou-os diversas vezes em choque com a ortodoxia esquerdista.
Esta, como ortodoxia reaccionária que era (é), por mais de uma vez os acusou de fazerem o "jogo da reacção".
Daí a ver os conservadores, e em particular a trupe de reaças que funciona aí pelos blogs, "parecidos" com os situacionistas, já requer uma imaginação que está para além do alcance do "humano" por muito que se lhes reconheça o enorme talento.
Muitos desses conservadores são personagens que os caprichos da história impediram de ser "situacionistas" sim, mas na acepção de confortáveis coniventes com o circunspecto conservadorismo da "situação" vigente antes do 25 de Abril.
O MEC até fará isto para ser bom, para estender uma mão à esquerda, mas receio que tal simpatia que na sua doce ilusão ele supõe poder passar também como um discreto "paternalismo" intelectual fosse recebida pelos situacionistas (falo dos situacionistas que existiram e fizeram coisas, não daqueles que imaginam transportar uma bandeira inexistente) com impropérios bem pouco conservadores seguidos de acções condenáveis...
Imagine-se a sinistra senhora Tatcher promovida a ícone da liberdade... atravessando o oceano de destroyer para manter umas ilhas miseráveis semi-desérticas, habitadas por rebanhos de carneiros sob controle Al-biónico (quando no fundo, carneiros por carneiros, a Tatcher bem poderia contentar-se com o vasto rebanho dos seus eleitores)..., tipicamente situacionista!
Os conservadores querem é que não os chateiem... que haja regras claras... boa bojarda, eficaz se não tivéssemos à mão, e ainda quentes, o episódio iraquiano e o impulso para bombardear e destruir territórios para impôr democracias... de "sucesso" garantido.
Não tivéssemos à mão o apoio que os conservadores portugueses deram a essas manigâncias e a agressividade com que o simpático Portas e seus seguidores avacalharam continuadamente o Freitas por ter assumido precisamente o papel do conservador da fábula delirada pelo MEC.
É procurar aí pelos arquivos dos blogs, o voluntarismo apoiado no "historicismo" mais rasteiro com que justificavam a guerra.
Num parágrafo assumiam-se como "pessimistas", no outro já eram impelidos para discursos messiânicos acerca da nova aurora que se aproximava dos iraquianos a cada tomahawk, a cada bombardeamento de "apache", a cada aldeola trucidada pelos libertadores, a cada "expansão" da democracia liberal. Mesmo hoje, se depois de tudo o que se passou, vemos muitos apoiantes americanos da guerra a reflectirem sobre a sua justeza, mantém-se entre os "nossos" conservadores um apoio cego e inflexivel.
Imagine-se o João Pereira Coutinho, no «Expresso» desta semana, a ver na cumplicidade criminosa do habilidoso Blair com as aventuras militares dos americanos (por duas vezes, realça ele com apreço) razão de sobra para "simpatizar" com ele, a rever-se também nos slogans situacionistas...
Imagine-se enfim o critério (des)valorativo aplicado pelo Portas (como se sabe desde sempre um leal, desinteressado e indefectivel amigo do MEC) a algo que cheire a "soixante huitard"... para termos a noção da estratosfera simpática por onde paira o nosso herói no que se refere a análise política.
Enfim, para imagens felizes (propôr “vender” o nome de Ratzinger como "ratinho" é de facto uma forma "amorosa" de promover o "senhor" que não lembraria ao mais teólogo da libertação director de marketing irmão da opus dei) o MEC continua o maior, e é isso que interessa.

Publicado por tchernignobyl às maio 2, 2005 05:15 PM

Comentários

tchern, desculpa lá mas tu falas muito em rótulos e pouco em nomes, e eu não te percebo. Chama os bois pelos nomes que eu talvez te perceba!

Publicado por: Filipe Moura em maio 2, 2005 05:51 PM

filipe quem não te percebe sou eu.
quando escrevo este post ( e outros) tenho de pressupôr que quem me lê entende minimamente do que estou a falar. se não de que me serve ( a mim tanto quanto ao mec) falar dos "situacionistas).
quais rótulos? queres que eu faça a lista dos bloggers "conservadores"?
falta o link para o expresso?
não há aqui nomes suficientes para que se perceba inequivocamente de quem falo?

Publicado por: tchernignobyl em maio 2, 2005 06:03 PM

Porquê tão elevada percentagem de tempo de antena do BDE dedicada ao MEC nos ultimos dias? Incomoda assim tanto?

Publicado por: Louco em maio 2, 2005 06:22 PM

A partir do momento em que falas da Sra. Thatcher para a frente, percebo perfeitamente a quem te referes. Agora, antes falas da ortodoxia esquerdista, da ortodoxia reaccionária, dos conservadores, dos situacionistas que existiam e fizeram coisas, dos situacionistas que imaginavam... Aqui, desculpa mas estou completamente fora do contexto. Admito que seja defeito meu.

Publicado por: Filipe Moura em maio 2, 2005 06:27 PM

Ou seja, parece-me tudo muito abstracto...
Louco, ainda não acabou. Assim tenha eu tempo, vou reabrir o dossiê MEC.

Publicado por: Filipe Moura em maio 2, 2005 06:28 PM

Muito bem dito Tcher. Cumpriste o teu dever mensal de te insurgires contra posições de conservadorismo à la Mec, porque já não nos chegavam os outros. Eu nunca vi o Mec na minha vida, mas se a efígie no DN corresponde à carne, não percebo por que é que os sociólogos em Portugal matam a cabeça para descobrir o que é que leva tantas raparigas a tornarem-se lesbias. Não sei isso nem sei se realmente mereceu a pena perderes uma hora e tal a escrever esse naco que sabias muito bem não iria convencer pessoas como o Filipe Moura – um conservador de esquerda que ainda anda a pensar que Energia é igual a MC ao quadrado. Tenta demovê-lo da sua crença nesse dogma científico.

Mas na minha opinião poderias ter produzido um pouco mais para agradares à esquerda sequiosa de novidades anti-conservadoras. Poderias ter perguntado ao Mec, por exemplo, para te dar uma lista dos partidos “conservadores” dos países capitalistas, para sabermos quantos deles é que não se usam das conquistas das ideologias e totalitarismos disfarçados que dizem desprezar, por razões de decência e de visão de “senhores dos seus narizes”, mas que usam muito convenientemente para levarem a efeito a rapinagem diária à la capitalismo conservador. Muito anti-racionalistas e contra ideologias de manipulação das multidões, estes conservadores! Mas muito aproveitadores também da oportunidade de poder explorar as nicetezas do capitalismo de exploração desenfreada. Mas a culpa se calhar nem é deles, é de economistas de granded visão como o Oakeshott, que considerava a política como um mal e achava que revoluções acontecem mais por acidente que por plano ou desenho.

Eu não sei como é que trataram noutros lados o Mec depois desse seu artigo, mas acho que só pelas virtudes que atribui aos conservadores de ânimo leve merecia no mínimo um bom par de nalgadas bem dadas. Sabes o que é que eu penso desta lábia fidalga dum arrogante azul de gente como esta? Conversa de chacha da Opus Dei ou da Maçonaria para entreter saloios da esquerda e nabos da direita que andam a pensar que há alguma diferença entre liberais e conservadores. (Ah, se o papa fosse mais liberal!). A meu ver, é tudo cortado a tesoura capitalista, gente rica que, sob os mais variados disfarces, quer viver da exploração dos inocentes que constituem a maioria, gente, em suma, exactamente igualzinha aos fascistinhas e comunistinhas de Talmude numa mão e Biblia na outra a querer empurrar-nos para os grandes embates socio-aldrabões da História. Haja mais respeito, diz ele. E diz bem. Que corja!

Publicado por: Madalena em maio 3, 2005 11:21 AM

Por incrível que pareça concordamos com o primeiro comentário, pois também nós não fazemos a mais pequena ideia de quem é o MEC.
A esquerda gosta muito de siglas, o que na nossa opinião acaba por ser redutor e contraditório, pois pensavamos nós, que a única coisa boa que o 25 de Abril trouxe, foi a liberdade de expressão. Assim sendo, o porquê de cortar palavras?
Será que MEC é então a sigla de Miguel Esteves Cardoso? Seria mais fácil aceitarem um conselho:
- Para a próxima escrevam os nomes completos.

Publicado por: CM em maio 3, 2005 01:43 PM

CM ( bela sigla) o acrónimo MEC é apenas uma homenagem singela que pegou desde há muito a um admirador confesso da cultura saxónica que entre todas ( mais até do que a esquerda) se excede no culto da sigla e do acrónimo.
Que eu saiba a utilização desse acrónimo para designar o Miguel não tem intuitos ofensivos. Eu pelo menos não o faço com essa intenção.
O que interessa é que TODA a gente sabe de quem falo e em caso de dúvida lá está o link para o artigo.
Agora logo tu vires para aqui exigires nomes completos, ó CM... haja um pouco de bom senso não?

Publicado por: tchernignobyl em maio 3, 2005 02:05 PM

Com essa é que nos calas!!!! Gostei da tua resposta!

Publicado por: CM em maio 3, 2005 02:28 PM

Acrescentar que a sigla MEC foi usada pelo próprio quando se candidatou a deputado pelo PPM.
Epá, oh bde´s, a Madalena dá-vos cada descasca...

Publicado por: zangalamanga em maio 3, 2005 02:29 PM

CM, calar-vos(?) excede em muito as minhas expectativas . Eu diria mesmo que calar alguém não é nada a ideia .
Zangalamanga:
no worries, a madalena cumpre a sua função fisiológica diária, e uma função fisiológica é (por definição) uma função fisiológica

Publicado por: tchernignobyl em maio 3, 2005 03:20 PM

Em defesa dos Ingleses

Caros esquerdistas dos quatro costados venho por este meio dizer que na Tatcher e no Blair podem bater quando quiserem - quanto mais melhor.

Agora quanto a baterem nos Ingleses e preciso ter cuidado. Eles de facto nao sao perfeitos. Mas para evitar injusticas talvez convenha dar um passeio pelos lados de Inglaterra para saber do que estao a falar.

Ja repararam que apos a invasao do Iraque houve uma manifestacao de cerca de um milhao de "carneiros" para desancar no Blair?

Ate amanha camaradas

(Cara*** deste teclado ingles ...)

Publicado por: Luis Oliveira em maio 4, 2005 02:00 AM

Quem está a precisar de dar umas voltas és tu, Luís. Sai de Londres, pá...
Não conheço país mais detestável do que a Inglaterra.

Publicado por: Filipe Moura em maio 4, 2005 02:14 AM

luis por acaso no meu post só bati mesmo no blair, na tatcher e no rebanho que nela votou.
talvez sejam infelizmente demasiados ingleses e talvez que até os outros não sejam todos perfeitos.
Contrabalançando, entre o rebanho da tatcher haverá certamente muito carneiro bom, compassivo, civilizado.
Talvez tenhamos mesmo de ir para inglaterra para concebermos esse prodígio.
a ver bem o blair só foi possível pela aversão com que os ingleses ficaram da "governância" da tatcher, cuja principal virtude - até ela teve pelo menos uma - foi ter assumido o poder sem complexos para fazer a merda que lhe passou pela cabeça doesse a quem doer, e consta que doeu a muitos directa e indirectamente.

Publicado por: tchernignobyl em maio 4, 2005 08:35 AM

Filipe,
Estou em crer que ainda vamos ser grandes amigos. A tua prosa é um tónico para as minhas madrugadas de suado labor. Ligar o computador e dar com tiradas tuas a excomungar países inteiros ou a postular o teu "desprezo" por hábitos estudantis... é mesmo a melhor forma de começar o dia com alegria!
Fica com o meu singelo mas sentido "obrigado"!

Publicado por: Aiai! em maio 4, 2005 11:34 AM

Es capaz de ter alguma razao Filipe ...

Ja agora aproveito aqui para deichar duas duvidas existenciais.

(1) Como convencer os ingleses que o sistema metrico e superior ao imperial?

(2) Como convencer os ingleses que a ideia de escrever a constituicao no papel e uma boa ideia?

E pena sim senhor que os ingleses acreditem que de Franca nao vem bom vento nem bom casamento ...

Publicado por: Luis Oliveira em maio 4, 2005 05:40 PM

Sem a competência necessária para resolver dúvidas existenciais tão prementes, aproveito no entanto para duvidar que o provérbio referido esteja correcto. O que conheço é o provérbio francês: D'Angleterre ne vient ni bon vent ni bonne guerre. Nós portugueses, brandos, é que falamos em casamento. Os franceses, é logo às guerras. Ao que os ingleses devem pagar na mesma moeda, se atendermos à história comum dos dois países.
Felizmente o MEC, por muito conservador que seja (ou diga ser)não se fica por mesquinhices nem carneiradas!

Publicado por: tb em maio 4, 2005 09:08 PM

O TB (short for tuberculosis in English) é que tem razão: nós somos brandos. Mas não quando diz "És capaz de ter alguma razão Filipe..". O Aiai voltou para fazer as pazes com o Filipe, mas o amor vai virar merda se o Filipe não mudar de feitio ou o Aiai não revelar um rosto que destoa da imagem pública que convem preservar. Enfim, a conversa de chacha do costume que passa pelo pudor do Luís em descrever coisas entesáveis num blogue malcriado e a insinuação duplicada do Tcher de que venho diàriamente a este blog para cagar sentenças. Lá fora, a cambada do costume continua a rir-se com estas larachas, porque sabe que daqui não há nada a temer.Anda tudo drogado ou politicamente doido.
E eu vou-me deitar que amanhã é dia de trabalho.

Publicado por: Madalena em maio 4, 2005 10:51 PM

O Madalena:

Tens que entender que como eu tenho uma puta-duma-tese-de-doutoramento para escrever nao tenho tempo para ler os comentarios aos posts todos do blog.

Por momentos ate pensei que era um flirt ...

Va embora que ja e tarde e tenho que ir nanar.

Bom trabalho Madalena.

Publicado por: Luis Oliveira em maio 5, 2005 02:52 AM

eu acho melhor que a madalena durma bem e trabalhe melhor para repôr um bocado os neurónios. o discurso começa a ficar algo desarticulado mesmo para os padrões habituais.
quando acordares e vieres do trabalho se houver cigar tenta trocar isso por miúdos.

Publicado por: tchernignobyl em maio 5, 2005 03:30 AM

Tcher,

Já me chamaste quase tudo neste blogue. E eu é que sou a provocadorazinha. Só falta chamares-me, com a tua ternura habitual de homem perdido na estação de metro do Rato, mãe, palavra aliás muito linda. Não faço ideia por que razão ainda não o fizeste. Será por desconfiares que tenho alguma prática em colocar desmamadeiras amargas nas bocas de meninos como tu que não querem perder o hábito de aleitamento? Os meus neuronios ainda estão em perfeito estado, não te incomodes. São os teus é que parecem sofrer com tempestades intra-cranianas que te levam a dizer coisas acertadas em horas de sorte e cancelá-las três horas ou três dias depois. Diagnóstico provisório: precisas dum cata-vento político electrónico com registo. Mas quero ser sincera num aspecto importante – ainda és quem mais se aproveita entre esse painel de colaboradores no topo do blogue. Isto é, homem zarolho em país de cegos (ou a fingirem que são) é rei. Nada mau. Still, no cigar. Quando escreveres alguma coisa muito acertada terei gosto em dizer: Give the man a huge cigar. Fumares ou não fumares charuto não precisa, neste caso, de vir à baila.


Luís Oliveira,

Desculpa ter interrompido o teu trabalho com a tese de doutoramento. Tenho a certeza de que há aqui muita malta para te dar uma mão (a menos que queiras aprender alguma coisa sobre política).

Publicado por: Madalena em maio 6, 2005 03:58 PM

O Madalena (se me permites o elogio) tu ate adicionas a este blog um bocado de sal - como todos os autores tem uma orientacao politica parecida estao dependentes, na maior parte dos casos, dos comentarios para que haja controversia.

Tu alias divides aqui o teu tempo entre a analise politica e a psicologica - o que diga-se de passagem ate e interessante.

O que e preciso e manteres-te a uma distancia segura do insulto - acho que em parte era isto que o tchernobyl te queria dizer.

Publicado por: Luis Oliveira em maio 6, 2005 09:26 PM