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abril 24, 2005

ENTRE UM E OUTRO...

Comentar assuntos do foro interno de partidos adversários como é o caso do PP, é normalmente uma questão delicada que deve ser tratada "com pinças" para evitar ferir inutilmente a propósito de questões menores, as hipersensibilidades cutâneas de valor acrescentado dos seus simpatizantes bravamente atentos e vigilantes patrulhando um pouco por toda a blogosfera .
Por isso quero apenas aqui referir a admiração que me suscita a dinâmica verificada neste Congresso em relação às expectativas quanto ao sucessor de Paulo Portas ao leme do pequeno grande partido do centro/direita /centro.
O que se passou ficará certamente como um caso a estudar com curiosidade pelos investigadores das ciências políticas e um exemplo para os democratas de todos os bordos mesmo até os não cristãos .
Depois de mais de um mês de debate interno, o PP conseguiu o prodígio de chegar ao Congresso com um candidato sólido, designado pelos observadores como "herdeiro" do anterior líder, de eleição praticamente assegurada e sem oposição significativa, e passadas pouco mais de 24 horas, ver elegido como presidente um outro candidato, que nem o seria na véspera, no qual inclusivamente acabaram por votar alguns dos proponentes da moção do favorito inicial.
É um monumento à seriedade e à capacidade de reflexão política. Que brain storming lindo ali se passou!
Sabendo-se a preponderância que têm nesse partido as "elites" empresariais e das profissões liberais, este episódio define estas também e mostra porquê Portugal nada tem a temer com o futuro se devidamente aconselhado por elites tão sábias e flexíveis (agora se entende mais a insistência na "flexibilização" por parte dos políticos e agentes económicos da direita).
Por outro lado, é curioso verificar que aqui se prolonga uma certa incapacidade para a renovação da classe política portuguesa. Afinal não é só a tralha guterrista que permanece por aí.
A moção de Telmo Correia reunia aparentemente os rostos mais aguerridos que nos últimos anos deram a cara pelo partido, o próprio Telmo, Pires de Lima e Nuno Melo.
Ribeiro e Castro surgiu rodeado por rostos que fazem parte da sua história menos recente como Maria José Nogueira Pinto e Lobo Xavier .
Ao contrário de outros partidos porém, no caso do PP compreende-se a opção. Não se é conservador por acaso.

Publicado por tchernignobyl às abril 24, 2005 10:41 PM

Comentários

25 de Abril de 2005
Festa! Festa! Festa!

Publicado por: Obrigada bi gornas em abril 25, 2005 10:57 AM

Jorge Palinhos escreveu no post de 22 de Abril: "HABEMUS PAPAM!" que boa previsao.

Publicado por: Asterix em abril 26, 2005 08:29 AM

se o jorge escreveu isso foi porque era essa a notícia veiculada até esse dia pelos comentadores da imprensa convencional.
de resto, que se saiba, e é esta a piada da coisa, o próprio telmo e a maioria do pp pensava que iria ser ele o eleito.
E apesar de tudo, eu continuo a achar que é verdade, então o telmo não é um grande papão?

Publicado por: tchernignobyl em abril 26, 2005 01:52 PM