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abril 22, 2005

O PALADINO DA BURRICE

Primeiro, foi o John Bolton e os seus inclassificáveis dotes diplomáticos, depois o pacifista Paul Wolfowitz no Banco Mundial, agora Ratzinger como Papa.
E, para todos eles, o director do Público, José Manuel Fernandes, disse o mesmo: "Sim, são aparentemente más escolhas devido às suas posições do passado. Mas por parecerem más escolhas então é porque são boas escolhas, porque: a) tendo passado toda a vida a defender uma coisa, estão agora numa posição privilegiada para fazer justamente o contrário; e b) ao conhecerem a realidade no terreno, vão ter de ajustar as suas ideias e provavelmente vão passar a defender o que antes rejeitavam".

Ao fazer copy-paste de uns editoriais para os outros, mudando apenas factos e nomes, não deve ter ocorrido ao director do Público que o que estava a fazer era, no fundo, a apologia do oportunismo ou, na melhor das hipóteses, da burrice.

Por outras palavras, o que o JMF diz é que não interessa o que uma pessoa defende, pois no terreno terá de fazer algo totalmente diferente, e que na realidade as ideologias só têm valor intrínseco como vantagem negocial, isto é, como suave logro das massas, e ainda que o facto de uma pessoa ter ideias erradas ou pouco adequadas para um dado cargo a tornam ideal para ele, na medida em que confrontam essa pessoa com a sua própria burrice.

Em termos práticos, imagino que isto significa que, apesar de usar os seus editoriais para defender o liberalismo económico, no dia em que um primeiro-ministro PSD mais desvairado nomear José Manuel Fernandes como Ministro da Economia, este começará imediatamente por aumentar os subsídios às empresas e bancos nacionais.

Publicado por Jorge Palinhos às abril 22, 2005 02:30 PM

Comentários

o josé manuel fernandes mete dó.
não como político. é com certeza um político astuto ou não ocuparia o lugar de director do publico.
mas quando pretende armar-se em "pensador" é confrangedor.
Com outros directores de órgãos de informação de referência que andam por aí, dá para meditar na diferença que existe entre alguém ser director de um jornal e dizer algo com o minimo de relevância. A conclusão é que as competências respectivas são efectivamente muito diferentes.
para se ser director de um jornal é necessária ratice.
O problema é que tanto o JMF como outros, não contentes com o cargo aspiram por "legitimidade" intelectual...
Quanto a isso JMF faz lembrar aquele chabalo que acaba de marrar um livro sobre os protocolos dos sábios de sião e vai para o café debitar na roda de amigos as lições que "aprendeu" coladas com cuspe na hora anterior.
primeiro a divulgar nos seus "editoriais" teorias imbecis transpostas de livrinhos de bolso que teve o mérito de citar, sobre as várias vertentes da atitude dos EUA face à politica externa..., uma coisa mesmo rôxa, copy paste, sem qualquer reflexão própria , uma coisa de redacção de aluno do secundário.
depois, na mesma linha, a exaltação do inenarrável fascistóide Robert Kaplan um jornalista grunho com aquele tipo de cultura de caserna que apenas diverge em nível intelectual do célebre Lin Chung, porque os episódios do lin chung começam invariavelmente com a frase em off "in ancient china" e os artículos do kaplan incluem sempre um paragrafeto iniciado por "in ancient Rome...".
com o tempo, porém, jmf aprendeu também a arte da graxa como mais ninguém.
já não digo sequer este absurdo de um tótó qualquer director de um jornal de província aparecer a justificar o wolfowitz- o rapaz não se enxerga?- a propósito de nada, para mim é mais significativo um episódio mais pitoresco que recordo:
há uns tempos zapava eu por um programa qualquer de "debate" numa televisão qualquer e há alguém que diz: sim, porque a banca teve lucros excepcionais no ano passado apesar da crise... e logo sai, não um representante dos bancos, não o doutor Pinho ou o dr salgado, o engº jardim, ou o dr teixeira pinto, mas o jmf em pessoa a dizer - ah! mas a banca fez um enorme esforço de modernização.... a banca modernizou-se imenso..., quer dizer uma parolada inconsequente de um "jornalista" que deve ter lido algures que a "banca se modernizou imenso" e nem cuida de meditar sobre o que isso significa, que "modernização" foi essa, que consequências traz nas relações de trabalho na empresa..., tal e qual um vendedor de electrodomésticos.
ainda no campo do "pensamento" politico foi talvez o primeiro esperto a nível mundial que concluiu que os acontecimentos na ucrânia no libano e no kirziguistão eram a confirmação da teoria do dominó... uf, que pressa em justificar a merda do Iraque... aquilo morde-lhe lá nalgum sítio... será?
curioso dominó... as peças começam a "cair" (admitindo que tudo evolui no cenário cor de rosa pintado pelos grandes meios de comunicação) em todo lado menos, só para chatear, no sítio onde deveria ter começado o processo... enfim, mete dó.

Publicado por: tchernignobyl em abril 22, 2005 05:50 PM

Raramente concordo com o que por aqui escrevem mas devo confessar que, realmente, o dito cujo (JManuel Fernandes) mete mesmo do.

Publicado por: ezequiel em abril 23, 2005 06:28 PM

Ter gajus de Direita como Directores de jornais é lixado, está claro eles são sempre parcias !!

Mas quando eles são nitidamente de Esquerda como o caso do Sr Dir. da Capital que se entregava a tarefais como partrcipar em manisfestações anti-governo e em publicar noticias falsas sobre o Ex-PM temos apenas um legitimo acto de liberdade de impressa e livre opinião !!

Meu General continência e tal mas eu andei na Guiné !!!


Publicado por: Mr X em abril 23, 2005 11:19 PM

Mr X todos ganhamos em tentar perceber o teu ponto de vista.
Quais notícias falsas?

Publicado por: tchernignobyl em abril 24, 2005 11:18 AM