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abril 22, 2005

DE ESPANHA, BONS VENTOS E BONS CASAMENTOS

Eis a prova de que há, na Península Ibérica, um governo socialista que é verdadeiramente de esquerda.

Publicado por José Mário Silva às abril 22, 2005 09:11 AM

Comentários

O Casamento Gay não faz só por si, um Governo de Esquerda.

Publicado por: José Manuel Faria em abril 22, 2005 09:25 AM

O Casamento Gay não faz só por si, um Governo de Esquerda.

Publicado por: José Manuel Faria em abril 22, 2005 09:26 AM

O Casamento Gay não faz só por si, um Governo de Esquerda.

Publicado por: José Manuel Faria em abril 22, 2005 09:26 AM

O Casamento Gay não faz só por si, um Governo de Esquerda.

Publicado por: José Manuel Faria em abril 22, 2005 09:26 AM

Pois não.
Pois não.
Pois não.
Pois não.
Mas é um sinal.

Publicado por: José Mário Silva em abril 22, 2005 09:33 AM

Ok! E também diz tudo sobre a esterilidade da esquerda...

Publicado por: Miguel Nascimento em abril 22, 2005 10:05 AM

Só por si, os casamentos gay não fazem um governo ser de esquerda. Só por si não são tudo, mas ficava-lhes bem seguir o exemplo de Zapatero. E ficava-lhes bem, aos nossos governantes, mandar o nazi do Almerindo Marques para a reforma e deixar o serviço público de televisão a quem sempre se interessou por o defender. Por exemplo.

Publicado por: marujo em abril 22, 2005 10:17 AM

Para o caso é mais relevante a dinâmica da sociedade espanhola do que a orientação do governo. Em Espanha até um governo de direita é mais à esquerda que os nossos governos de esquerda, pelo menos nas questões não-económicas.

Publicado por: Daniel em abril 22, 2005 10:38 AM

Daniel,

Essa sua («Em Espanha até um governo de direita é mais à esquerda que os nossos governos de esquerda, pelo menos nas questões não-económicas») é pura frase de efeito. Ou é você que está muito mal informado.

No PP espanhol, há gente tremendamente lúcida, há. Mas também integristas puros, e esses tiveram, e têm, muito peso por ali. A desgraça da política espanhola é que não há um partido de direita radical, e os integristas (repare como sou simpático na designação) têm de acoitar-se num partido de centro-direita.

Você sabia isso? E, se sabia, como pôde escrever o que se viu?

Publicado por: fernando venâncio em abril 22, 2005 11:40 AM

Não sou de direita. Sou ateu. Não estou de acordo que duas pessoas do mesmo sexo se possam casar.

Publicado por: João Nazaré em abril 22, 2005 01:03 PM

Sou de esquerda. Sou ateu. Não estou de acordo que duas pessoas do mesmo sexo se possam casar.

Publicado por: João Nazaré em abril 22, 2005 01:04 PM

a distribuição politica do voto dos homossexuais e em particular daqueles que dão algum valor a uma instituição designada por casamento não permitirá concluir só por si se essa é uma matéria suficiente para separar as águas entre o que é "de esquerda" e o "de direita".
O que faz o governo espanhol de esquerda nesta matéria que tem a ver apenas com a liberdade individual de cada pessoa é apenas impedir uma proibição activamente defendida pelos partidos de direita independentemente dos protestos e da pressão dos meios mais reaccionários.
já agora joão nazaré, eu como ateu e de esquerda gostaria que explicasses o teu ponto de vista.
quanto ao daniel, apenas me parece que ao contrário, os nossos durões portas e santanas são meninos de coro comparados com gente do calibre do sr aznar.

Publicado por: tchernignobyl em abril 22, 2005 01:40 PM

Porreiro, isso que dizer que os militantes do BE já podem ir casar a Espanha, e tambem fazer lá uma adopções !!!

Publicado por: Mr X em abril 22, 2005 04:39 PM

ZMS
(“Cuantos mas pandelerios y ferçurieras houbier en Portucale menos habra raçon para se condenare nel futuro cabrones sin corazon violentaladors de ninos pios” – Don Sancho I – Rey de Portucale, il siclo XII). Galiego corrigido por F. Venanxiu.

Jã lá vão os tempos da época negra e obscurantista do fascismo em que as artes velhas do Felatio e do Cunninlingus tinham que ter, normalmente e sem estipulação em decretos ou portarias, a participação voluntária de dois praticantes de sexo diferente, a menos que, claro, a pobreza de circunstâncias forçasse a cenários de meio da noite no apeadeiro da escola de marinheiros de Vila Franca, como foi descrito num conto do meu tio censurado pelo Diário Popular desses tempos. Mas, Aleluia !. Agora temos gente como tu para nos lembrar que a burguesia já não precisa de organizar bailes em Cascais para por cobro a urgências gonadais e associares a esquerda com o derrube dos velhos preconceitos morais salazaristas. Só espero é que sentimentos de culpa envolvendo a hipocrisia que paira por todo o lado àcerca disto tudo não afecte a rijeza que precisas para continuares a obra de Salazar no leito conjugal.

Publicado por: Madalena em abril 23, 2005 10:52 AM

Obrigado, Madalena, pelo desenterro do curiosíssimo apócrifo de Dom Sancho I, que, muito provavelmente, nem sabia ler, quanto menos escrever.

Mas o que me parece bem mais provável é que Sua Majestade tenha sido, no século XII, bastante menos homófobo do que você no XXI.

De resto, o seu apócrifo é, linguisticamente, uma desolação. O seu galiego é incorrigível. Sê-lo-á você também?

Publicado por: F. Venanxiu em abril 23, 2005 11:59 AM

Peço imensa desculpa Venanxiu, mas a minha xecretária xoana leu mal a minuta. Eu tinha escrito - "Galiego" A SER corrigido por F. Venanxiu-. Tenho que dar uma fueirada nessa desmazelada. Ainda bem que foi você o primeiro a notar a barbaríssima, desoladora e incorrigível salada. No entanto, guardo a esperança que os homens da estiva e da lota tenham menos problemas com o deciframento dessas palavras vetustas guardadas em fita magnética “gold” da era sancho-afonsina. D. Sancho menos homófobo que esta Madalena? Que desplante politicamente correcto! Para sua informação, eu adoro invertidos famosos, a começar pelo Alexandre o Grande, seguido do Brando, do Da Vinci, do Miguelito Ângelo e de alguns tribunos Gregos e Romanos que foram inventados para encorajar a pequena burguesia de agora a ser diferente. Por amor de Deus, não me insulte. Eu sou defensor acérrimo da propriedade privada dos meios de introdução. Aqui neste blogue e nas relações amorosas com o meu amante. Olha o traste! Se não suspeitasse que tem um bom coração, tinha que me ouvir, Venanxiu. Ai tinha, tinha...

Publicado por: Madalena em abril 23, 2005 04:15 PM

Madalena,

Antes de prosseguirmos (e para o caso de prosseguirmos): de que sexo gramatical (o outro poderá não interessar-me) é você?

Chama à sua pessoa «esta Madalena». Mas logo abaixo se declara «defensor acérrimo» de certa coisa altamente produtiva, e decerto altamente penetrante. Que, depois, fale no «meu [seu] amante», eis o que já não esclarece nada.

Em que ficamos? Nada mudará à sua homofobia (que se ajuda do álibi de tolerar gregos e romanos, e mais o Brandito). Mas pelo menos colabora nas estatísticas.

Publicado por: F. Venanxiu em abril 23, 2005 04:42 PM

lol! isto é que foi um lapso...!

Publicado por: tchernignobyl em abril 23, 2005 05:33 PM

Venanxiu,

O meu sexo gramatical preferido, antes da mudança de género que pode chegar em qualquer altura, é o feminino. E no que ficamos é que se calhar vou ter de dar outra fueirada na minha xecretária, que tende, estou a ver, a pregar-me partidinhas destas. No entanto, refeita deste choque de ter sido "descoberta" pela malta da judiciária gramatical, acrescento que sempre foi bom ter deixado umas exúvias suspeitas pelo caminho para obrigar o caro Venanxiu a voltar à carga munido da lupa profissional, longe de infalível, devo acrescentar. Aliás a minha "posição" em relação ao sexo já foi explicada algures neste blogue a gente que também mostrou curiosidade.

Quanto à sua insistência de que não posso libertar-me desse juizo derradeiro que me condena, por colaboração, ao inferno homofóbico, só lhe tenho a dizer que me recuso terminantemente a fazer parte de estatísticas - quer das de comentadores de blogues com necessidades fisiológicas, espirituais, pessoais ou partidárias que critico com sorrisos mas não condeno porque também sou livre, quer das que são trabalhadas com muito cuidado por criados governamentais do departamento central de lavagens de cérebro. Homofobia é um espantalho com rendosos juros políticos, é a elevação dum sentimento popular quase inofensivo ao status de crime abominável. É a eterna defesa das minorias porque é também de minorias que se trata quando se fala naqueles que detêm o poder real. Só isto.

Pois é, Tcher, foi uma gaffe do caraças. Lá vais tu ter pano para mangas para me dares o golpe de misericórdia quando eu te chatear. Mas imploro-te que não venhas com histórias de homofobia.

Publicado por: Madalena em abril 23, 2005 08:46 PM

Madalena,

Vou-lhe ser sincero. Eu detesto o termo «homofobia», como detesto toda, mas toda, a correcção política. Se empreguei o termo, foi para ser directo e rápido. Vou-lhe ser mais sincero ainda. Acho qualquer coisa de defensável no seu comentário: «Homofobia é um espantalho com rendosos juros políticos, é a elevação dum sentimento popular quase inofensivo ao status de crime abominável». Não me custa dizer que, aqui, estamos, você e eu, do mesmo lado da barricada mental. Esse seu «quase inofensivo» é, nisso, precioso, decisivo.

E, todavia, algo me diz que você é tudo menos inofensiva. Entre você e os molestadores de bichas, há só uma diferença, como diria, de cultura. De maneiras de tratar da coisa. No resto, são, você e eles, muito... populares. E, por Zeus, tremendamente maioritários. O que dá um grande descanso, além de garantir o céu.


Publicado por: fernando venâncio em abril 23, 2005 09:19 PM

dizem os Ateus que o são graças a Deus. o Sr. Dr. Mário Soares é laico e republicano, deve ser por graça do pélicano... os mais completos devem ser os Anarquistas. Bom, o que eu gostava de saber é: os Gays casam e como é aquilo na cama? vão aos anos uns dos outros, coisa complicada...

Publicado por: Baptista em abril 23, 2005 09:39 PM

Fernando,


"Molestadores de bichas", hã? Nem no tempo do Salazar se molestavam bichas com gravidade de deixar mossa, quanto mais agora, com s. franciscos de vários tamanhos por esse mundo fora. Anedotas e achincalhamento, pilhérias, ares de desdém, atitudes parvas? Muitos mais são alvo disso. Do corrupto oficial das finanças ao pobre “almeida” . Xicos na América, alentejanos “estúpidos”, “ratinhos” e chatas “testemunhas” de Jeová. E tantos outros grupos e profissões “perseguidos” a toda a hora. No entanto, ninguém legisla no sentido de proteger essa gente de "molestações", nem eles sentem necessidade dessa protecção.

Pode ter a certeza que sou "inofensiva" porque não olho para dentro destas coisas com o intuito de curar ou de cobrar dividendos de qualquer natureza. Que às “bichas” e outros “animais” brasileiros lhes sirva de proveito a comida que escolheram para saborearem esta modernidade. O meu simples reparo é o de não acreditar haver naturalidade em muitos casos nessa escolha de menu. Uma coisa é escolher porque há liberdade de escolher. Outra é ser-se empurrado numa certa direcção sem se olhar à mão que empurra. Manápula, no caso. Escolher não é escolher se nos deixamos levar. Pense em cartões de crédito nas mãos de gente que não sabe fazer contas de somar. São as consequências a longo prazo desta ignorância que causam calafrios a pessoas como eu, mas nada disto tem a ver com o facto de me considerar "straight" . Ter uma opinião como a que tenho não devia encorajar ninguém a concluir que alinho directa ou indirectamente com as ideias da Igreja neste campo ou que vou de vez em quando à missa do galo para não perder contactos que nunca tive. Tente convencer certos badamecos da esquerda de que é possível pensar assim sem alinhar com a chamada reacção.

Homofobia não é vocábulo velho. O meu dicionário de 1999 nem o tem. A sua utilização é altamente suspeita quando pensamos numa África a braços com doenças sociais crónicas que não conseguiram travar um crescimento da população. Curioso que gregos e persas não se tivessem dado ao incómodo de legarem essa “arma” aos homossexuais modernos para lhes transmitir experiência de perseguições e lhes dar amparo histórico Será que não havia homófobos nesses tempos porque a “homolatria”, vamos lá, se fazia notar exclusivamente entre os membros das classes que detinham o poder político e religioso? E em que classe é que essa “homolatria” mais se evidencia nos tempos que passam? Interessante, também, descobrir que a arma da “Homofobia” começou a ser disparada, com a força duma espécie de anti-semitismo da sexualidade, durante a guerra do Vietnam e das explosões da New Age que foi também a época em que a droga começou a ser distribuida às toneladas entre a juventude de bairros pobres nos Estados Unidos. Junte-se a isto tudo o facto de que os casamentos heterosexuais se estão a desmanchar à velocidade de dois terços nos primeiros 10 anos e que a fauna testicular já não é aquilo que era no tempo do Salazar (só uma comparação) e ficaremos com um daqueles retratos que o Zé Mario não está acostumado a expor neste blogue. Que ninguem tenha vergonha de emitir a opinião de que há laços de família nisto tudo. Caos e imprevisibilidade é para aqueles que acreditam em histórias da História.

Para mim, muito mais importante que o permanente carnaval do sexo promovido por uma esquerda encostada às mamas do “progresso” e da desinformação é o milagre da Máquina. Da Terra a girar à volta do Sol 24 horas por dia à velocidade média de 30 quilómetros por segundo sem me causar vertigens ou mal de estômago

Publicado por: Madalena em abril 25, 2005 07:53 AM

Madalena,

À primeira leitura, rápida, superficial, o seu texto pareceu-me ponderado, respondível. Ele recordava como a 'homofobia' era (e é, de facto, frequentemente) um dispositivo de promoção política. Sim, mesmo as melhores causas se deixam contaminar pela humana ganância de poderio.

Mas depois reli, e dei-me conta de que quem, aqui, é muito tribunício é você mesma. O seu discurso é um entretecer de alusões, de insinuações, de esconde-esconde. Eficaz em literatura (e, lá está, em política), mas revelador de agressividade, uma agressividade - claro está - muito educada, muito composta.

Releia-se a si mesma. Veja como insinua que a homossexualidade é uma coisa aprendida em más companhias (a tal 'manápula', alheia e intrometida), coisa portanto evitável, questão de manter os rapazinhos e rapazinhas sob adequada vigilância dia e noite.

O cúmulo da insinuação (que, como se sabe, é a arma dos fracos) é a sua passagem que aqui vai:

«Interessante, também, descobrir que a arma da “Homofobia” começou a ser disparada, com a força duma espécie de anti-semitismo da sexualidade, durante a guerra do Vietnam e das explosões da New Age que foi também a época em que a droga começou a ser distribuida às toneladas entre a juventude de bairros pobres nos Estados Unidos.»

É o tal rosário dos tristes, onde tudo se pode misturar, desde que explosivo: o anti-semitismo, a guerra, a droga... e a homossexualidade. Outros não esquecem, nesse rol, a violência, e as doenças.

E assim obtemos o já velho cozinhado que habita a sua chique cabeça, Madalena, e a dos «quase inofensivos» populares, seus aliados, que nunca compreenderiam as suas elaboradas insinuações, mas que votariam de cruz em você. Ou em outros políticos. Bah, senhora!

Publicado por: fernando venâncio em abril 25, 2005 09:31 AM

Fernando,

Obrigada por ter achado a minha resposta ponderada na sua primeira demão de atenção, mas o relâmpago não resultou, pelos vistos, e resolveu assestar a artilharia pesada do escrutínio professoral.

O entretecimento de “alusões, de insinuações e de esconde-esconde”, se revela “agressividade”, mesmo que “educada e composta” não é contra aqueles que você veio aqui agora defender com 50 por cento da sua capacidade normal. Mas devo dizer-lhe que “aqui” não há carecas de partidos da extrema direita a acenarem bandeirinhas com morras às bruxas do dia. Se houver apelo “agressivo” da minha parte, é à razão, não é às armas ou, sequer, aos gritos. “Más companhias” é conversa de congregação à volta do sapateiro de aldeia numa manhã de sol.

A “manápula” não se intromete, devia sabê-lo. Umas vezes é olho omnividente, outras o ouvido, outras écran. Existe, simplesmente. E é a dum sistema cultural e politico (para não insinuar mais) que manipula de formas variadas a “escolha” posta a homens e mulheres quando a dúvida os assalta no aspecto da sexualidade. “Rapazinhos e rapazinhas” sob vigilância, noite e dia, faz-me pensar que você anda a pensar que está a falar com a D. Gertrudes do talho. Eu sou a Madalena.

A insinuação, é “arma dos fracos”. Delícia das delícias. Se você achou por bem chamar insinuação à passagem que dignou dar-se incómodo de ressaltar, não tenho outro remédio senão concordar consigo, na falta de termo mais adequado. Não é certamente uma imputação. Quanto ao “rosário dos tristes”, dá-me a ideia que você - parece que estou a vê-lo com espuma na comissura de lábios que são capazes de andarem a beijar outros lábios indignados – está apostado em lançar-me no inferno destinado aos irrecuperáveis que tiveram a ousadia de colocar o homossexualismo no rol das coisas más deste mundo. Mas não me sinto réu disso. Lamento desiludí-lo. Do que sou réu é de apontar para a possibilidade de o crescimento do homssexualismo não ter sido assim tão “natural e progressista”, tão primo da liberdade como você e outros como você me querem convencer. Há, desculpe a expressão, patetice reveladora de militantismo que não ajuda nada o seu argumento. Se eu considerar a “fome” como um mal, não estou necessàriamente responsabilizando os esfomeados por esse mal. Fernando, use essa cabeça distinta de alentejano alfacinha para me dar lições. Eu sei que é capaz disso. E confesso que até tenho aprendido bastante consigo. Com outros, também, que não cito para não se babarem.

Odiei as últimas palavras do seu post. Estive quase à beira de esguichar veneno do mais verde.

Publicado por: Madalena em abril 25, 2005 04:10 PM

Madalena,

Escreveu você: «Do que sou réu é de apontar para a possibilidade de o crescimento do homossexualismo não ter sido assim tão ‘natural e progressista’, tão primo da liberdade como você e outros como você me querem convencer».

Eu não sei se há outros como eu, tal como ignorava que a andavam tentando convencê-la, a si. O que sei é que você falou, finalmente, linguagem clara. Sim, andou você todo este santo dia 25 de Abril dando voltas, e voltas, para chegar a isto: «apontar» «para a possibilidade» «de o crescimento do homossexualismo», «não ser assim tanto»...

Ó Madalena, desculpe, mas isto soa-me a conversa de padres. Junte-lhe os ademanes e os olhos em alvo, e o quadro fica perfeito. Mas o que é pior: com tantas concessões, você ainda é capaz de ter razão. É sabido quanto a realidade é matizada.

Claro, certos «crescimentos» humanos não têm causas «assim tão» naturais. O conhecimento do mundo ajuda muito. Saber que há ‘outros assim’ pode fazer ‘crescer’ imediatamente as estatísticas: dos daltónicos, dos disléxicos, dos sobredotados, dos vedores, dos homossexuais, dos crentes nos óvnis. Está a ver? Nada de natural, tudo cultural. É porque se leu, porque se apanhou numa conversa, porque se viu na televisão, coisas assim.

Fique portanto tranquila, Madalena. Você não é réu – nem ré! – de coisa nenhuma. É simplesmente uma pessoa que pensou, reflectiu, e que concluiu que as coisas pouco habituais são só isso, pouco habituais. E que não metem «assim tanto» medo.

Publicado por: fernando venâncio em abril 25, 2005 06:23 PM

Fernando,


Quando é que você vai aprender a parir ideias originais, ou a destoar da merda que embala as maiorias, ou a poupar palavras de efeito, jingares, etc.? Não se mate, eu digo-lhe: nunca, se continuar assim. E isto desgosta-me profundamente - mais, depois de ter olhado o seu retrato na Internet e de ter gostado dele, do esbelto, magro e castasnho que predomina no quadro, mesmo sabendo que é assalariado ocasional da capela bilderberguista lusitana. Nunca se vive na Holanda impunemente, não se esqueça. Os dinheiros ou a vaidade mordem-nos as carnes apolíticas.

Um dos aspectos mais irritantes das suas respostas neste blogue é a quase verificável necessidade que tem de mais e mais aplausos a juntar a tantos outros que sobre si devem ter chovido quando, em criança, escrevia pequenos ensaios sobre Oscar Wilde e André Gide, às vezes Voltaire e Edgar A. Poe, mas por motivos diferentes. Este é apenas um (como é que se diz riddle, conundrum?) quebra-cabeças..

Você não me diz, não desce à humildade prática de me dizer, se estou errada ou a ser injusta naquilo que insinuo tão ao contrário do que está acostumado. Apenas remata, pois, pois. Cultura, pois, pois. As ideias, descobertas ou redescobertas ou actualizações, não lhe interessam porque lhe dão sono. Em vez disso, entrega-se de corpo e alma, num crescendo fervente ou fervoroso, em direcção ao orgasmo gramatical que não poupa nada antes de virar leite e desmaiar – nem crescimentos nem réus. Abençoado cavaleiro da língua! Abençoada bazooka anti-nuvem! Ninguém, nem mesmo eu, rameira ou chulo, como lhe aprovar, por mais voltas que dê à cabeça, consigo descortinar aquilo que levou um príncipe da pena a frequentar este bar da ignorância política e desconchavo.

No futuro, não me responda de gramática aperrada, ou de gramática na cabeça, de alentejano que veio ensinar aos conversos do norte de Portugal de que é preciso diploma da ciberdúvidas para provar um ponto político ou uma conspiração. Fale-me de merdas que interessem, Fernando. Esqueça a dislexia, a daltonia e os ademanes, o olho no alvo dos literatos pedantes que pensam que um bom verbo molho branco é cura para as caganeiras da mentira em que você e muitos outros se banham sem se lamentar. Não se abrigue (conselho)na guarita de especialistas que fingem que não entendem a linguagem ou a opinião dos humildes, dos pobres, dos não-professores. Eu sei que doi, mas foi por isso que se inventou a vaselina. Fale-me, ou peça-me para lhe falar, da corrupção de cientistas e historiadores, de politicos, de gente com um olho na testa e outro no resto do mundo. E fale-me de gente como você, amedrontada, receosa de ver os seus canudos guilhotinados pela verdade que começa a mostrar a cabeça na Internet Grow up Fernando, you are still a young fifty something!! You could still become the body in charge of education! Real education!!
Não andei este dia 25 todo às voltas para lhe responder. Tenho mais que fazer no meu monte alentejano. A vida não é só olhar neste blogue para ver quem é que vai na cabeça do pelotão. Bah, senhor doutor.

Publicado por: Madalena em abril 25, 2005 11:02 PM

Isto está animado.

Publicado por: Valupi em abril 26, 2005 06:05 AM

Madalena,

Resposta rápida. Depois pode vir outra.

Em 2000, organizei uma mesa-redonda, pelos 200 anos de Castilho. O pretexto pode ser peregrino, mas a sala grande das Galveias estava cheia. E eu estava, na mesa, muito bem acompanhado. A certa altura, veio do público uma pergunta interessante. Eu não sabia a resposta. E disse: «Desculpe, não sei». Aposto que nunca antes e nunca depois em Portugal isso se ouviu. O costume, nessas ocasiões, é enrolar, enrolar, esperando achar saída. No seu conhecimento, Madalena, da minha biografia, faltava isto.

Publicado por: fernando venâncio em abril 26, 2005 06:38 AM

Fernando,


Não há duvida nenhuma que este seu post foi um acto de coragem “biográfica”. Eu sabia que havia bastante disso dentro de si e nunca escondi essa opinião de ninguém. Se eu tivesse sido parte dessa boa companhia ou dessa assistência lá nas Galveias, o mais certo era também não ter sabido. E você não enrolou e não enrolou e fez muito bem. Nem essa imagem me faz pensar que eu possa ser uma enroladora.

Mas não é de "saber" ou "não saber" que se trata quando vou aos arames consigo e com muito boa gente. É de não se querer saber porque já foi determinado nos nossos catecismos religiosos, educacionais e politicos. Um empedernimento que, a meu ver, de animado ou progressivo só tem os chavões repetidos que lhe servem de combustível.

Esta fantochada de encostarmos “biblias” ao peito nem futebol chega a ser, quanto mais política para nos fazer felizes. O maior entrave à minha “estranha” maneira de enfrentar esta espécie de marasmo da curiosidade é quando deparo com mentalidades organizadas em partido ou grupo político. Nesse caso não tenho outro remédio senão calar a boca, que quer desinteressadamente ser de elucidação, porque isso colocar-me-ia na posição de ateu a pregar à porta dum templo. Mas se houver liberdade e vontade dos outros para conversar, para trocar ideias, nunca me encolherei de manifestar o que penso sobre a política e o resto. Por mais ridícula que essa opinião possa parecer. Foi o que aconteceu quando este post foi iniciado. Armei-me em parva e disse o que sentia. E não me levou muito tempo a ser apodada de “agressiva” , provavelmente reaccionária, e sei lá o que mais. Só porque não vejo assim muita diferença entre as “leis” que estimulam o aparecimento de Mac Donalds por todo o lado e as que determinam e facilitam tomadas de posição modernistas em relação à sexualidade.

Ao fim e ao cabo, tristemente, não há muito espaço para abrir os braços na arena hostil da modernidade. Portanto, como pessoa politicamente não-organizada, fico-me nesta. Se é de “junk food” que as pessoas gostam, comam até se fartarem. Se é de amor carnal entre irmãos e sensual entre irmãs de diferentes pais, be my guest. Não me venham é tocar no cú da sensibilidade chamando-me reaccionária ou retrógrada só porque vejo plano inconfessado em “evoluções” destas.

Já chegaste tarde para me f-----s o juizo, Valupi. Onde é que tens andado?.

Publicado por: Madalena em abril 26, 2005 04:20 PM

Querida Madalena, tenho estado na plateia. E se mais ninguém o fizer, faço-o eu: concordo contigo. A "homofobia" não é um termo científico, tendo sido criado com propósitos ideológicos. Embora bem intencionado, também se oferece para usos paradoxalmente discriminatórios. A história da homossexualidade como "opção" é uma anedota grotesca, de contornos ainda impossíveis de medir.

Direitos para os homossexuais, mas não direito à homossexualidade. Aqui vai a heresia: toda a homossexualidade é uma forma de violência. E toda a violência contra os homossexuais é um acto criminoso e patológico. É neste terreno que eu coloco o debate.

Publicado por: Valupi em abril 26, 2005 06:24 PM

Valupi,

Eu leio, releio, «toda a homossexualidade é uma forma de violência», leio da direita para a esquerda, ponho a frase a fazer o pino - e confesso: não faço ideia do que a tua 'heresia' queira dizer, menos onde a 'heresia' se esconda.

Às vezes, fazem-se-me umas luzes. Sim, a homossexulidade desafia, ou «violenta», a moral burguesa. Será isto que dizes? Ou então, a homossexualidade desafia, «violenta», a pacatez da existência ao indivíduo que a assume. Será isso que afirmas? Ou ainda, a homossexualidade desafia, «violenta», a sugestão de enlevo, de nuvens fulgindo ao sol, que se associa ao comércio carnal. Será isso o que visas?

Acho tudo isso, devo dizer, grandemente rebuscado. Nada para ti, que sempre te mostraste intelectualmente aguerrido. Possivelmente não queres dizer nada, mas mesmo nada, disso. E então, um se nós dois é atado, sendo de longe o mais provável que o seja eu.

Publicado por: fernando venâncio em abril 26, 2005 10:42 PM

se ainda posso concordar com a "história da homossexualidade como "opção" é uma anedota grotesca" também me confesso às escuras acerca de
"toda a homossexualidade é uma forma de violência". esta é de uma profundidade que já me parece requerer a presença urgente do tio Sokal.

Publicado por: tchernignobyl em abril 27, 2005 12:01 AM

Amigos, Fernando e tchern, há vários acessos a esta fascinante questão. A frase na berlinda (de efeito, mas outrossim de opinião) implica um conceito que se tornou politicamente incorrecto quando aplicado aos humanos, a "natureza", assim como a temática da identidade. Muito pano neste armazém, quase tanto como aquele que os chineses enviam para a Europa. Acrescento que o substantivo "violência" pode, também (óbvia e obviamente), ser aplicado a relações heterossexuais consideradas "normais", pelo que vos aconselho (ou rogo) a serem menos lestos no gatilho.

Não faço ideia se querem mesmo discutir o assunto ou estão só de passagem, e com esta hesitação me quedo.

Publicado por: Valupi em abril 27, 2005 01:27 AM

Eu não tenho estado aqui de passagem. Olha olha, a fazer-se caro!

Publicado por: fv em abril 27, 2005 02:48 AM

bom... sexo e violência... é sempre um tema palpitante.
Como também a "violência" da escrita sobre o "meio" evidenciada simbolicamente por aquela performance da Ana Haterley em que subia a um escadote e desfazia à tesourada folhas brancas penduradas em cavaletes.
todo o sexo? toda a violência?
de resto talvez se devesse começar por aí, por definir o que se entende aqui por violência uma vez que não deve ser, suponho, a concepção "comum" nem aquela alargada em que pode ser encarada como uma caracteristica inerente a qualquer interacção.
um debate que poderá ter implicações interessantes embora eu confesse que não entra bem na minha vocação, não vejo com efeito é a especificidade da homossexualidade nesta matéria.

Publicado por: tchernignobyl em abril 27, 2005 07:43 AM

Obrigada, Valupi, ainda bem que não estou sòzinha. Só é pena é que a nova mentalidade e as novas legislações do governo central da paróquia europeia nos obriguem a confessar que é uma “heresia” a tua maneira de resumir muito bem esta questão. Mas infelizmente vivemos num mundo onde toda a gente tem de andar à carolada para evitar que o “processo” enferruje. E é este olear cuidadoso das nossas opiniões que passa despercebido a muita gente.

Bom, estou farta de andar aqui neste fundo. Tenho que ir lá acima chatear o resto dos membros do comité cor-de-rosa do blogue progresso-democratista.

Fernando, tu realmente revelas necessitar de constantes recargas dessas baterias de bolacha-maria. Não queres perder porque tens a época e Bruxellas e a esquerda e os nabos que não sabem porque é que são modernos do teu lado e talvez um interesse humano e directo nesta questão do homossexualismo. Descança homem que nem eu nem o Valupi (com quem não concordo em muita coisa) vamos promover campanhas para introduzir cintos de castidade mentais. Relaxa. Eu também faço viagens de aventura e descoberta na cama e a posição “missionário” não é, nem de longe, a favorita. Ou andas a julgar que só tu é que gostas de variedade e não ir à missa.

Tcher, please, give me a break. Andaste aqui a espiolhar e nunca tiveste coragem para meter o bedelho. Agora armas-te em carapau de corrida.

Publicado por: Madalena em abril 27, 2005 08:01 AM

my my... andei a "espiolhar"?
é subjectivo.
na realidade só por acaso me apercebi de que a discussão continuava cá em baixo.
o que é objectivo é que "meti o bedelho" (timidamente é um facto) para aí uns quatro comentários abaixo do Valupi, mas este teve a virtude de te ter trazido o conforto de saberes que "não estás sózinha", e eu nem sequer me referi directamente a nada que tenha salpicado do teu emaranhado etilizado. mas não há problema, se não sou bem vindo vou armar-me em carapau para outra corrida.

Publicado por: tchernignobyl em abril 27, 2005 08:16 AM


Tcher,

Como um dos guardiões deste blogue, não há muito a recomendar-te no campo de estares atento e de olho aberto. Então andamos para aqui a discutir sobre a sexualidade das pessoas e tu dizes que não sabias de nada! My, my. Já que estás fica, homem. Tens todo o direito a escarrapachares as últimas filosóficas nesta área de membros murchos e linguas tesas.

Publicado por: Madalena em abril 27, 2005 10:34 AM