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abril 21, 2005

COÇA-ME AÍ AS ESCAMAS

Li a notícia sobre a autorização dada pelo Governo ao cultivo de cereais transgénicos no nosso País na "última hora" do público e não queria acreditar.
Então este é que é o Governo do Secretário de Estado do Ambiente Sócrates?
Um bocado escandaloso na semana em que os ingleses baniram a importação de milho americano ao descobrirem que os U.S.A. lhes venderam ilegalmente cereais transgénicos nos últimos quatro anos (a famosa "liberdade de escolha" dos vigaristas), e poucos dias depois de uma grande cervejeira americana ameaçar boicotar o arroz do Missouri se este estado permitir o cultivo de arroz transgénico dentro das suas fronteiras.

Créditos também para a fonte onde vi primeiro referidas estas últimas duas notícias

Publicado por tchernignobyl às abril 21, 2005 08:05 PM

Comentários

À partida a decisão não me assusta. Nos EUA já devo ter comido quilos disso (ou antes, libras...) e nunca notei escamas! Isso é ficção científica. Depois de certeza que a decisão não passaria sem o aval do Mariano Gago, e eu confio nele, ou não tivesse sido seu aluno. Isto faz parte do choque tecnológico, com certeza. É o governo a governar!
Agora, acho bem que sejam pedidos todos os esclarecimentos.

Publicado por: Filipe Moura em abril 21, 2005 08:58 PM

Não querias acreditar porque já andas em estado de coma politico há muitos anos(a pensares que és do contra). Não te assustes, olha para o Filipe Moura que emborcou kilos de delicioso arroz transgénico queimado sem saber.Bem me queria parecer que os posts dele não eram normais, mas não quiz dizer nada, para não me chamarem má-língua. Se isto vem dum meco que geralmente concorda com o PC,imagina imagina as toneladas de broas de milho transgénico que o centro e a direita não vão engolir sem fazer caretas.

Publicado por: Madalena em abril 21, 2005 10:02 PM

à partida a decisão assusta.
todos sabemos que não existe ainda uma avaliação séria e com credibilidade científica que com mais gago ou menos mariano ilibe os transgénicos de efeitos potencialmente nocivos para a saúde pública para além dos óbvios que são a destruição das espécies autóctones.
o pesadelo de ficção científica já é vivido pelos agricultores que compraram os germens do "terminator", e aqueles cujos campos são contaminados por plantas modificadas geneticamente e ainda por cima são processados por violarem direitos de "copyright". é um pouco como a energia nuclear.
sempre foi "segura" e "limpa" e no entanto...
DE resto se existe um alarido sobre a questão da co-incineração, esta é quanto a mim bem mais merecedora de grande ponderação

Publicado por: tchernignobyl em abril 22, 2005 12:27 AM

Tudo bem, tchern. Acho que se deve divulgar esta informação e a opinião pública tem todo o direito de pedir esclarecimentos. Só acho que não se deve nem entrar em alarmismos nem rejeitar à partida.

Publicado por: Filipe Moura em abril 22, 2005 01:16 AM

concordo que não se deve rejeitar nada à partida.
que se estude, que se investigue, acho até essencial.
já que se avance com cenários de cultivo fora de condições controladas em laboratório ( e quem diz laboratório pode dizer um espaço isolado delimitado etc...,) parece-me no minimo precipitado. a comparação poderá parecer excessiva mas é como aquela história do nuclear, uma coisa é investigar, outra é construir centrais, fazer explodir bombas, etc...

Publicado por: tchernignobyl em abril 22, 2005 01:37 AM

Repare-se na escolha de palavras destas duas maçarocas pouco interessadas em se zangarem uma com a outra. “Potencialmente nocivos”, “merecedora de grande ponderação”, “pedir esclarecimentos”, “que se investigue” como que a prepara-nos para engolirmos a pevide transgénica se tudo for muito bem conversadinho. Para estes dois comentadores da democracia apascentada no prado socialista, o facto de que o objectivo evidente de companhias como a Monsanto é o de controlar a agricultura e a industria alimentar através da introdução de patentes de cereais não faz parte dos seus róis de preocupações politicas. Nabos demais para compreenderem isso. Nem merece a pena lembrar-lhes que este nível de conversa insossa já tem pelos menos barbas de 10 anos noutros lados da Europa e que já se entrou na fase muito mais moderna de se provar que nem em termos de volume de produção uma semente frankenstein é superior a uma semente natural. Mais: até já há paises da Àfrica e da Ásia a dizerem que não querem servir de cobaias. Viva a tomada de consciência to terceiro mundo! E o Portugalinho ainda anda nisto (e nos blogues, que é o mais bonito!). E, já agora, uma amostra para o Filipe Moura (o da ficção científica e arroz pegado ao fundo do tacho e doutras infantilidades do género) saber o que é que os cientistas seus amigos andaram e ainda andam a fazer com o DNA das plantas “sem escamas” que ele andou a mastigar sem se queixar nos Estados Unidos.

“In other words, they are firing the gene gun with little idea where the payload of desired traits will crash through the cell walls of the host organism and begin to disrupt its complex biochemical matrix. This random shotgun-like insertion inevitably causes a disruption of the order and balance of the genes on the host chromosome and can readily result in random and unexpected changes in the biochemical functioning of the cells.”

Publicado por: Madalena em abril 22, 2005 09:01 AM

madalena tens razão em várias coisas.
em primeiro não estou particularmente interessado em zangar-me com o filipe.
em segundo concordo com a história do "objectivo da Monsanto e outras...".
já vejo menos como é que isto te pode servir de pretexto para a converseta do "prado socialista" e a colecção de outros insultos idiotas que tens aí anotados numa caixinha e vais distribuindo aleatoriamente sem qualquer relação com os assuntos em discussão.
o post é claro: é uma vergonha que o governo socialista permita que se cultivem cereais transgénicos em portugal. protestar e lutar contra isto deveria ultrapassar o âmbito dos blogs, com certeza, mas isso não é culpa dos blogs.
Para além disso apresentei exemplos recentissimos de posições de países e entidades em relação a esta matéria para mostrar que a oposição a coisas como esta não é paranóia de meia dúzia de lunáticos acantonados num país miserável e periférico, é precisamente a ausência de atitude governamental responsável quanto a isto que reforça a ideia de que somos efectivamente um país miserável economicamente e periférico intelectualmente.
onde discordo totalmente contigo é quando admito que não se deve fechar a porta à investigação.
Aliás, a investigação far-se-á sempre enquanto haja tecnologia e gente interessada em investir nisso. Falo aqui de uma investigação séria independente e devidamente controlada.
Já agora para acabar com "nível de conversa insossa" propõe tu qualquer coisinha mais picante.

Publicado por: tchernignobyl em abril 22, 2005 10:28 AM

tchern, o primeiro ponto é que misturaste uma coisa com outra: falaste na zanga anglo-americana por causa de venda "ilegal" de transgénicos e mencionas isso no mesmo post onde o governo português "legaliza" a plantação de transgénicos. Isso confunde duas coisas algo diferentes. Não é que se fale em maçãs e batatas mas certamente que se fala em maçãs e peras.

A questão dos transgénicos em Portugal não deveria começar pelo lado da rejeição ou dos estudos sobre a sua segurança, ou sobre os efeitos ou benefícios, ou, ou, ou, etc, etc, etc... Dever-se-ia começar pelo lado da sua necessidade: qual a necessidade de se plantarem transgénicos em Portugal? Em alguns países, onde alguns produtos são fundamentais para a dieta mas que se dão mal com o clima ou com o solo, aí poderei compreender a potencial utilização de trangénicos, em portugal nem por isso.

Ponto seguinte: os estudos. Li ainda esta semana, nem me lembro onde mas provavelmente no Público, que todos os produtos transgénicos testados até agora pela UE saíram ilibados das acusações. Claro que faltam estudos de efeitos a longo prazo, mas para isso é necessário tê-los no mercado. Os estudos de laboratório, as tais "condições controladas" de que falas, não são fiáveis. Se o fossem já teríamos descoberto uma boa meia dúzia de vacinas diferentes contra a SIDA. É necessário, a certa altura, introduzir o estudo no campo da realidade, ou seja, nos organismos. Isto é talvez maquiavélico, mas é assim que segue a ciência. Por muito que se trabalhe em laboratório nunca essa investigação substituirá o estudo in situ.

Quanto à comparação com o nuclear, acho que é descabida. O nuclear, setratado sistematicamente e com as condições de segurança controladas, é realmente limpo e seguro. O seu problema vem dos seusperigos potenciais em caso de acidente que, estatisticamente, é absolutamente inevitável. Mas isso passa-se com tudo. Se um dia destes a barragem de Castelo de Bode rebentar por qualquer razão, também temos uma catástrofe nas mãos. Os riscos dos transgénicos estão no campo oposto, residem na sua utilização sistemática, não em acidentes. Isso torna as duas tecnologias diferentes entre si.

Quanto à Monsanto querer dominar o mercado... Bom, perder tempo com esta história é parvoíce pura. A Monsanto quer dominar o mercado tal como qualquer outra companhia. Chama-se a isso capitalismo, todas as companhias querem ter uma cota de 100% do mercado, isto é óbvio a qualquer um que possa usar o plurarl para falar da existência de neurónios no seu cérebro. O que a Monsanto fez foi identificar uma tecnologia que lhe pode permitir aumentar a quota de mercado. Se essa tecnologia é viável, segura e de futuro ou não, isso é outra história. Só que se no futuro se conseguir responder "sim" a todas estas questões, poderemos agradecer à Monsanto.

Finalmente, a minha opinião sobre os transgénicos: há casos em que pode ser justificável a sua utilização. Em países africanos assolados pela fome, a distribuição deste tipo de alimentos poderia aumentar a esperança de vida de forma dramática. Para se terem problemas de saúde no longo prazo, é preciso sobreviver para lá do - inclusive - médio prazo. Claro que os países em causa teriam de concordar, mas se calhar não o fazem. Falta saber porquê, e a mim parece-me que é porque os seus governantes poderiam perder algumas influências quando as suas populações começassem a pensar em algo mais que na forma de obter a refeição seguinte.

À partida não rejeito os transgénicos, mas acho que ainda há muito a fazer noutros campos antes de irmos para esse lado. Não é uma questão de não querer um telhado elegante, é apenas uma questão de querer construir primeiro as paredes da casa.

PS - note-se que um dos produtos mais tóxicos que já se usou na produção de alimentos, o DDT, foi responsável, em muitas regiões do mundo, por um forte aumento da esperança média de vida. As previsões malthusianas têm caído muito à custa de tecnologias mais tarde rejeitadas, mas que foram as que deram os primeiros passos numa determinada direcção.

Publicado por: João André em abril 22, 2005 11:41 AM

Já agora, só um comentário sobre a Madalena: é impressionante como escreve. Às vezes penso que tem textos prontos em casa, com palavras chave como "socialismo", "Filipe Moura" ou assim, sempre associadas a adjectivos negativos e que só completa os espaços com palavras que se enquadrem ligeiramente no tema do post. O impressionante é que nunca a vi ter uma crítica construtiva ou a concordar com o que é dito por aqui.

Publicado por: João André em abril 22, 2005 11:44 AM

João André,
Acho que devo responder-te imediatamente, antes que se me acabe o “stock” de respostas pre-preparadas para para vir aos bailaricos aqui no blogue. Deixa-me dizer-te primeiramente que começas logo a meter água quando acusas o Tchern de misturar peras e maçãs. Eu acho que és tu é que andas a misturar balões de soro com melancias. Transgénicos são transgénicos: em estudo, venda ilegal, contaminação, intenções de um país, etc. etc.
.
“Não se devia começar pela ... rejeição .. efeitos ou benefícios”. Abençoado pontapé no senso comum. Vamos todos começar a ingerir toda a merda que o capitalismo invente com garantia que nos faz bem. Se não tivermos bons terrenos de regadio, porquê não começar o comer pepinos enxertados em beladona, como nos aconselham os manipuladores de DNA, e depois logo se vê se nos sentimos mal.
“Estudos de labs não são fiáveis”. Experimente-se no pagode, olha que porra! Alternativa: por que é que eles não arranjam aí um ou dois milhões como tu, certamente voluntários, e não lhes enfiam pão de trigo transgénico pela boca abaixo diariamente aí durante uns dez a nos, como fazem aos patos na Bélgica? Poderia dar-te um lamiré sobre a SIDA, mas tú não deves estar vacinado para essas coisas. Tu sabes, coisas da cunspirazione.
AH, gostas dos perigos de meltdown e de emporcalhares o planeta com resíduos radioactivos. Nem outra coisa seria de esperar da tua poarte, menino que andou em Coimbra e foi terminar o tirocínio lá fora mais perto das virilhas do verdadeiro capital. Sempre pronto a arriscar a humanidade em nome da “ciência”. O triste é que se soubesses dos “cover-ups” em matéria de energia talvez não falasses assim. Enfim. Olha, lê umas coisas sobre Tesla, talvez te faça bem. Ou irrite, nunca se sabe. Deixa-me concordar com essa comparação “descabida” do Tcher. For once.
O Tcher não falou na Monsanto. Eu falei. Ou falei primeiro. Parvoíce? Chama-se a isso capitalismo,como tu dizes, e, já agora, aproveito para te chamar,com a vénia que mereces, despudorado admirador desse sistema. Capitalista que não vê, aparentemente, imoralidade ou crime na comercialização de camisas de vénus com arame farpado. Nem todas as empresas capitalistas querem ter uma cota 100 pc no mercado. Pergunta ao meu primo que tem uma fábrica de alparcatas perto do Couço. Agradece à Monsanto. Fica-te bem.
Os países africanos andam assolados pela fome graças, sobretudo, aos teus amigos capitalistas. E vê lá se decides duma vez sobre se os transgénicos são bons para toda a gente ou só para pretos com fome.
A esperança de vida dos homens e mulheres deste mundo são a grande dor de cabeça dos animais que inventaram os transgénicos, e não só. O problema da superpopulação deste planeta. E é neste parágrafo que estou a comentar que começas a meter os pés pelas mãos. Isto é, a inventar governantes africanos que têm medo que as pessoas cresçam em anos e comecem a usar a cabeça política. Good try.
Mais um parágrafo que me veio transtornar o ritmo. Agora achas que há outras coisas mais importantes. Ok primeiro vamos construir as paredes, senhor capitalista.
Finalmente no teu PS disseste uma coisa muito acertada àcerca do DDT.Mas o que não disseste foi que houve intenção criminosa da parte daqueles que proibiram o uso do DDT em África para acabar com a malária. Need some data?
Finalmente. A Madalena é assim, o que é que tu queres. Às vezes também concorda. Não sejas má lingua. Fala-me das farras de Coimbra.

Publicado por: Madalena em abril 22, 2005 02:32 PM

Madalena, resposta tão (finalmente) longa e trabalhada ao meu comentário merece contra-resposta e que dê em diálogo. Assim o queiras.

Começo pelo fim: "A Madalena é assim, o que é que tu queres. Às vezes também concorda". Certo, não digo o contrário. Pena é que voltes a ser crítica e que deites como sempre abaixo sem me apresentares um argumento que seja, mas mesmo unzinho para sustentares a tua posição. Apenas o facto de vir de uma empresa despudoradamente capitalista.

Quanto ao facto de eu ser capitalista, perdoo-te tal comentário porque o podes fazer à vontade, ainda que seja um enorme disparate, e porque as minhas opiniões noutros posts certamente que não te ficaram na memória (e isso até compreendo, há por aqui muito quem escreva melhor que eu...).

Minha cara, o mundo em que vivemos é um mundo capitalismo, não é por não gostares do mesmo (eu não gosto do capitalismo puro, selvagem, embora compreenda e aceite uma economia de mercado regrada) que o capitalismo vai desaparecer como que por artes mágicas. A Monsanto (eu nunca acusei o tchern de puxar a Monsanto para a história) é uma empresa capitalista. E o mundo em que se move é capitalista. Eu apenas constatei o facto e interpretei-o. Se o fiz mal é outro assunto, mas não me acuses de ser capitalista só porque falei no sistema. Seria o mesmo que acusarem o Fernando Rosas de salazarista só porque dedica grande parte do seu trabalho ao Estado Novo.

Quanto aos transgénicos, lamento que não tenhas lido ou comrpeendido o que eu disse. Poderia dizer que a culpa foi minha mas não sou imodesto ao ponto de achar que não me exprimi bem em tudo. Acho antes que terás lido as minhas palavras com uma pala nos olhos para veres apenas aquilo que desejavas. Eu disse muito claramente que é absolutamente necessário explorar alternativas antes de pensar sequer em transgénicos. E se pensarmos neles, convém pensar naquilo que eles podem potencialmente - nota o uso da palavra "potencialmente", sabes certamente o que significa - trazer. De bom e de mau. De mau sabemos, será que poderão - eventualmente, por acaso e num dia de sol às cinco horas da tarde quando por acaso estiveres sentada numa esplanada do Rossio - trazer alguma coisa de bom?

Se não sabes ficas a saber uma coisa: uma técnica, seja ela qual for, não é garantida até ser testada em condições reais. Sejam os trangénicos, sejam vacinas, seja outra coisa qualquer, tem de se ir para um modelo real para se poder garantir que essa técnica funciona. E não deves ter lido oq ue eu disse com a SIDA, porque vieste usá-la para me apontar a asneira e nem viste que eu usei a pesquisa sobre a SIDA para realçar o meu ponto. Mas não quererás certamente falar disso, não te dá jeito. Se mudares de ideia avisa que eu discuto.

De resto um apontamento para a tua forma de escrever, aquilo como começaste, "citando" uma "frase" minha: "'Não se devia começar pela ... rejeição .. efeitos ou benefícios'. Abençoado pontapé no senso comum". Tu "citas" aos engulhos, tirando bocados do meu texto ao acaso e eu mando um pontapé no senso comum? Bendita ignorância... A frase que usas só faz sentido completa e se lida como deve ser. Mas isso exige esforço, poderá ser chato para ti, tens de ler mais umas coisas de alguém que já esteja do teu lado da barricada.

Quanto à parte em que escrevi sobre os governantes de países africanos, confesso que não gostei do que escrevi. Não porque ache que esteja errado, ams porque não trazia nada de novo para a discussão e porque fiz uma coisa de que acusei o tchern, embrulhei o assunto. Ignora essa parte que pode ser que um dia a aborde num outro comentário mais a propósito.

Para terminar: todas as empresas gostariam de ter uma cota de 100% do mercado. Elas existem para ganhar dinheiro, caso contrário seriam fundações ou associações sem fins lucrativos. Só que repara que eu uso a palavra "gostariam". Toda a gente - menos o Bill Gates, talvez - sabe que isso é impossível - e ainda bem, cotas acima de 25% já são obscenas - por isso contentam-se com o que podem apanhar.

Publicado por: João André em abril 22, 2005 04:45 PM

João André,
Às vezes até me dá vontade de chorar quando leio respostas aos meus comentários de mulher vadia mais batida em Alfamas que nos centros comerciais modernos. Não fiques pesaroso com as minhas acusações de que és um despudorado admirador do capitalismo. É dos impropérios que tem menos poder ofensivo no meu arsenal de palavras incómodas e incultas. Na verdade, tomara os meus “potenciais” adversários que eu andasse sempre a pensar em Capital e Trabalho, tal como Marx deixou lavrado nos breviários. No entanto, lendo-te de alto abaixo, deparo com a tua acusação, mais ou menos expressa, que não percebi absolutamente nada do que escreveste. Poor me. Fiquei desse modo a saber que tens bastantes dúvidas em relação aos “transgénicos”; que não és adepto do “capitalismo desenfreado”, antes pelo contrário, mas que ninguém pode fugir a “este” capitalismo civilizado que nos envolve como um polvo necessário; que sabes muito bem o que dizes quando falas de SIDA e que lamentas a referência que fizeste à África. Porreiro. Fica tudo esclarecido. Só espero que no futuro, quando te estenderes nestas paragens para acrescentares um ponto a um conto doutro, sejas mais claro, mesmo que isso te obrigue a descer ao meu nível fraco de percepção. Mas lembra-te duma coisa: mesmo que andes a querer agradar a gregos e troianos ainda estás, como eu, muito longe de saber quem é que te talha a maneira de ver. Tens muita razão: o meu forte não é argumentar. Prefiro comparar a informação à mão e escolher a que me parece mais perto da verdade. Para isso não preciso de muitas palavras. Para quê perder o fôlego em 10 páginas que daqui a cinco ou dez anos nem servirão para limpar o rabiosque porque não eram àcerca de nada?




Publicado por: Madalena em abril 22, 2005 10:35 PM

Madalena, ficamos então esclarecidos. Eu fico na minha insatisfação permanente de não querer aceitar seja o que for sem provas reais e finaie e tu ficas na tua simplicidade de aceitares quaisquer meia dúzia de palavras de cada campo para escolheres a que te parece mais verdadeira.

Lamento mas eu tenho um pensamento mais científico acerca da questão. Eu explicaria aquilo que entendo por isso, mas imagino que já tenhas as tuas certezas acerca do mesmo e que não te conseguiria explicar nada do que penso sobre o assunto. Tanto melhor, fiquemo-nos por aqui que temos uma conversa para surdos. Para mim serás tu a surda e para ti serei eu o surdo. É indiferente qual terá a razão, como tu dizes, daqui a 10 anos ninguém nos ligará, pelo menos por isto...

Quanto aos transgénicos, eu continuarei a ler, espero que daqui por 10 anos ainda o saibas fazer, que pelo ritmo a que vais por essa altura já terás a tua ideia formada acerca de todo e qualquer mistério do universo. Noutras paragens chamariam a isso ignorância...

Publicado por: João André em abril 22, 2005 11:56 PM

O problema dos transgénicos nem é propriamente o seu perigo para a saúde do homem por consumo directo de produtos alimentares. É mais o seu impacto nos ecossistemas e em como determinados genes podem passar de, por exemplo, de plantas para bactérias (transferência horizontal de informação genómica). Isto pode não significar nada. Mas se pensarmos que uma das maiores utilidades dos transgénicos irá ser a produção de substâncias medicamentosas (antibióticos, vacinas e hormonas) podemos estar a transferir para o ambiente genes ou informação genómica com um potencial de actividade biológica muito perigoso.
Não condeno a biotecnologia mas sei que sabe-se ainda muito pouco sobre sistemas biológicos para se aplicar este tipo de soluções. Se os políticos dos países desenvolvidos pensassem mais em sair do proteccionismo e subsidiação da agricultura e atacassem a especulação do mercado e a destruição de produtos agricolas para a manutenção de preços elevados nada destas soluções seriam necessárias.

Publicado por: NeuroGlider em abril 23, 2005 02:01 AM

Cem por cento de acordo NeuroGlider. Antes de se pensar em utilizar transgénicos é preciso pensar se eles serão necessários.

Publicado por: João André em abril 23, 2005 12:31 PM

NeuroGlider, concordo inteiramente contigo mas queria fazer uma ressalva na parte da "necessidade".
Como se´define "necessidade" em tecnologia? O CD e o DVD seriam necessários? Não tínhamos já o vinil e o VHS?
A investigação deve avançar, "necessária" ou não. Esse conceito de necessidade é perigoso mesmo para a investigação, pois faria com que se investisse somente em investigação "necessária".
Dito isto, em termos de "política agrícola" considero o teu comentário correcto.

Publicado por: Filipe Moura em abril 25, 2005 02:02 AM

referir a "necessidade" evoca os aspectos mais negativos do controle absoluto por parte do estado na investigação cientifica e na economia.
o problema dessa análise é que concebe a "necessidade" como algo determinado num determinado momento no tempo, e bloqueia aí em nome da "racionalidade", torna o passado como o modelo fixo a atingir impedindo ditatorialmente toda a dinâmica de criatividade. Isto aplica-se a todas as áreas da vida e da sociedade.

por outro lado, qualquer nova tecnologia quando é aplicada tem sempre aplicações mais ou menos positivas e mais ou menos negativas. o problema está quando existem áreas de investigação que podem ter consequências potencialmente catastróficas. o processo de verificação laboratorial deve ser muitissimo mais cuidadoso até se chegar à fase de testá-lo "no campo". Não terá sido esse exactamente o processo seguido naos tratamentos do HIV dada a pressão para se disponibilizar qualquer coisa, e as consequências estão aí, a quantidade de medicamentes ineficazes, os efeitos colaterais, etc...apesar de se terem conseguido alguns resultados.
admitamos que um grupo de pessoas desesperadas justificará que se combata o mal com todos os meios necessários, mas seria catastrófico que se generalizasse esse procedimento mais "laxista". É comum anunciarem-se resultados em laboratório que permitem debelar certas doenças e apenas alguns anos depois é que são disponibilizados medicamentos. E mesmo assim, para serem por vezes a retirados do mercados passados alguns anos.
parece-me que a escala das consequências nefastas resultante do contacto dos seres vivos e plantas com os resultados de experiências genéticas poderá trazer consequências muito mais graves do que verificar-se passados alguns anos que determinado produto contem uma substancia carcinogénea ou tem outros efeitos nefastos. E basta pensar no caso do amianto que era um produto milagroso da construção civil, ou na talidomina para ficarmos preocupados...

quanto ao nuclear, sei que é um caso diferente mas lembro que a recente argumentação acerca da limpeza da tecnologia e de o seu unico problema serem os resíduos, é basicamente a mesma da primeira geração do nuclear, apenas mais refinada porque tivemos uns acidentes desagradáveis pelo meio. tivemos de ter chernobyl para pôr as pessoas a pensar. Será que tem de ser sempre assim?

Publicado por: tchernignobyl em abril 25, 2005 09:49 AM