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abril 21, 2005

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Antes que comecem a chover comentários insultuosos ao texto itálico do João André, convém lembrar aos mais distraídos a existência de uma entidade comunicacional chamada ironia. A gerência agradece.

[Já agora que vem a talhe de foice, deixo uma pergunta séria aos católicos que frequentam o BdE e aos restantes interessados pelas questões religiosas: alguém acredita mesmo que a escolha do Papa é "soprada" aos cardeais pelo Espírito Santo?]

Publicado por José Mário Silva às abril 21, 2005 09:14 AM

Comentários

Eu não sonhei, eu ouvi o Luis Delgado dizer que acreditava...ai, ai , estou a ser queixinhas!

Publicado por: Joanaes em abril 21, 2005 09:53 AM

Há quem acredite no humanismo, na intrínseca bondade humana, na partilha incondicional, na igualdade, na fraternidade... Ah! Isto sim é estranho.

Publicado por: Mostrengo em abril 21, 2005 09:59 AM

e há quem acredite na sociedade sem classes ou mesmo na paz...

Publicado por: Bruno em abril 21, 2005 10:30 AM

Mas, então, a fé serve para quê? Certamente para acreditar no Espirito Santo, na Infalibilidade do papa, no Diabo, na maldição da mulher...

Publicado por: Ansioso em abril 21, 2005 11:33 AM

Não se trata de um "sopro". Trata-se de acreditar que o processo mental de escolha que é realizado por cada Cardeal é "iluminado" pelo Espírito Santo. Acredita-se, assim, que qualquer escolha (mesmo as segundas e terceiras escolhas necessárias para alcançar a maioria) é iluminada pelo Espírito Santo enquanto veiculada pelos Cardeais. Acredita-se que estes estão preparados para receber tal luz. Assim, o "sopro" é apenas relativo. Se assim não fosse, se o Espírito Santo "soprasse" o nome do novo Papa, todos os Cardeais votariam na mesma pessoa. Para compreender esta questão será necessário, primeiro, compreender o que é a fé.

Publicado por: Faith em abril 21, 2005 11:43 AM

Não é necessário compreender o que é a Fé, é necessário compreender a teologia toda em volta da religião católica. A Fé é bastante simples, consiste em acreditar que existe um Deus e que Jesus Crito foi o seu filho. O resto é única e exclusivamente religião, feita por homens para homens (e homens vem neste caso com "h" minúsculo, porque as mulheres continuam ausentes desta religião).

Continuar com estas tretas de Espíritos Santos e afins não é mais que atirar com catecismo empacotado para cima dos crentes que sorvem cada palavra sem se preocupar com que estas implicam. A eleição do Papa é a eleição de um homem por outros homens. Como já foi dito em muito lado, se o Espírito Santo tivesse alguma coisa a ver ocm isto certamente que não escolheria tipos como o Bórgia para o lugar...

Publicado por: João André em abril 21, 2005 12:06 PM

João, isso é partindo de dois princípios: de que o espírito santo existe e de que é benigno.

Ora essas são dois pontos de partida contestáveis. O primeiro é contestado por ateus e agnósticos e o segundo por satanistas.

Os santanistas, esses, acham tudo muito giro e cheio de astral. Não contam. Também aqui.

Pessoalmente, estou mais ou menos convencido de que a conversa de deuses e afins é 100% treta, mas admito a hipótese de me enganar. Mas mesmo que um dia descobrir que me engano, de certeza que nunca acreditarei num deus de bondade universal. Deus, a existir, só pode ser um grandecíssimo filho da mãe - basta ver a imensidão de sofrimento humano que, dizem, ele provoca. Consequentemente, se deus realmente existe e tem acoplado um espírito santo, e se deus é um sacana do piorio, então a escolha de rotweiler de deus para papa por via de sopros do espírito santo até que faz bastante sentido.

Publicado por: Jorge em abril 21, 2005 12:26 PM

Jorge, eu escrevi aquilo acima sob uma perspectiva (mais ou menos) católica ou, no mínimo, crente. Quanto ao resto, o que dizes faz muito sentido...

Publicado por: João André em abril 21, 2005 01:32 PM

Essa de ser Deus a provocar o sofrimento humano tem muita graça. Talvez não fosse mau leres umas coisas...

Publicado por: Miguel Nascimento em abril 21, 2005 05:13 PM

Se a pergunta é séria, merece uma resposta séria. Mas primeiro, explica-nos o que é o Espírito Santo, Zé, para sabermos do que se está aqui a falar.

Publicado por: Valupi em abril 21, 2005 06:00 PM

Penso que sim, ainda no outro dia um cardeal virou-se para o outro:
- Falas-te com o teu espirito santo ?
- não. Falei com o teu.

Publicado por: Pedro Farinha em abril 21, 2005 08:19 PM

OK, Miguel. Onde se lê "provoca", leia-se "provoca ou permite". Está melhor assim?

Afinal de contas, é suposto o tipo ser omnipotente...

Publicado por: Jorge em abril 21, 2005 08:53 PM

Eu tenho uma dúvida: os cardeais no conclave falam sempre em latim entre si ou só quando vão à janela? A pergunta pode parecer provocatória, e é até certo ponto, mas trata-se de saber se o latim ainda consegue hoje ser uma língua que una o mundo, ou pelo menos alguns representantes desse mundo. Ou será que nas coisas oficiais, tudo bem, é latim que se fala, mas depois nos corredores o cardeal africano fala com o cardeal brasileiro em Inglês? Alguém sabe?

Publicado por: ZeroAesquerda em abril 23, 2005 08:49 PM